sábado, 23 de julho de 2022

PRESIDENCIÁVEIS QUEREM ALTERAR A POLÍTICA DE PREÇOS DA PETROBRAS

Lula, Bolsonaro e Ciro já avisaram que querem mudar a política de preços da estatal; perspectiva é de que o problema dos combustíveis seguirá vivo em 2023

A presidência da Petrobras é sempre um dos cargos mais cobiçados na troca de governo durante o período de transição. Nas eleições deste ano, a escolha ganha contornos ainda mais estratégicos.

Sede da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro; presidência da estatal é sempre um dos cargos mais cobiçados
Sede da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro; presidência da estatal é sempre um dos cargos mais cobiçados Foto: Marcos de Paula/ Estadão

Diante dos desafios impostos pela disparada dos preços do petróleo no mercado internacional e da inflação, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e pela crise de abastecimento na Europa, a escolha passa a ser ainda mais importante na definição da política econômica no início do próximo governo.

A perspectiva é de que o problema dos combustíveis seguirá vivo em 2023. Mesmo que sejam prorrogados a desoneração de tributos e os auxílios extraordinários, como o bolsa-caminhoneiro, estaremos longe de uma solução estrutural.

Mudanças na gestão da empresa estão em curso pelo governo do presidente Jair Bolsonaro e deverão continuar, independentemente do candidato que sair vitorioso nas urnas nas eleições de outubro.

Os três primeiros colocados nas pesquisas (Lula, Bolsonaro e Ciro Gomes) sinalizaram intenção de mudar a política de preços da Petrobras.

Defendida pelo ministro Paulo Guedes, a privatização da Petrobras não tem apoio contundente do presidente e, muito menos, das lideranças do Centrão.

O episódio mais recente da crise do governo com a Petrobras – em torno da recusa, pelo conselho de administração, de dois nomes indicados pela União e reprovados pelo Comitê de Elegibilidade (Celeg) – mostra que os problemas seguem. Entre os recusados, está o procurador-geral da Fazenda Nacional, Ricardo Soriano.

Se eleito, o ex-presidente Lula, que já falou em “abrasileirar” a política de preços da empresa, dificilmente conseguirá fazer uma transição radical num cenário de necessidade de escolhas difíceis de prioridades de políticas públicas.

Estaria Lula disposto a torrar de cara, por exemplo, R$ 120 bilhões, R$ 150 bilhões para segurar os preços dos combustíveis com risco elevadíssimo de descontrole fiscal num ambiente de gastos maiores já contratados para 2023?

É nesse contexto que as apostas para a presidência da Petrobras e a nova política de preços da estatal começam a ser colocadas à mesa.

Outro ponto nesse xadrez é que o próximo ministro da Economia não terá mais a força dos tempos do passado. Além de a pasta ser novamente dividida, hipótese dada como certa em todos os cenários, não se espera nessa eleição um novo Posto Ipiranga. O Congresso tomou para si o controle de boa parte da agenda econômica. Não vai largar o osso.

 

PANTANAL USA TECNOLOGIA PAA DETER INCÊNDIOS

Foto: Cleide Silva/Estadão

Por Cleide Silva – Jornal Estadão

Brigada permanente anti-incêndio e câmeras buscam evitar tragédia de 2020, que atingiu mais de 90% da área

ENVIADA ESPECIAL AO PANTANAL – As cicatrizes do incêndio sem precedentes registrado no Pantanal mato-grossense em 2020 ainda estão por todo lado. Árvores carbonizadas ou secas e quantidade menor de pássaros e outros animais na região da Serra do Amolar, a mais atingida pelo fogo naquele ano, indicam que, apesar de sua grande capacidade de regeneração, a floresta e a fauna vão levar anos para uma recuperação completa.

Em agosto, quando a temporada de seca se intensifica, há riscos de novos incêndios mas, desta vez, a Serra do Amolar está mais preparada.

Para que a tragédia não se repita, desde o ano passado foram feitas ações como a criação de uma brigada permanente de combate a incêndios e, mais recentemente, a instalação de câmeras que monitoram focos de fumaça.

O incêndio de dois anos atrás começou em setembro e atingiu mais de 90% da Serra do Amolar, área protegida de 300 mil hectares entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, onde está o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense. Foram estimados 17 milhões de animais vertebrados mortos, principalmente répteis, e perda de 742 mil árvores.

À impressão, ao percorrer hoje a Serra do Amolar, é de que a maior parte da área queimada se recuperou. Há muito verde, principalmente nos entornos do Rio Paraguai, que atravessa a região. A nova flora, contudo, em sua maioria são cipós e vegetação primária, explica Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), organização que há 20 anos atua na preservação da Serra do Amolar.

“Grande parte das espécies demora de 10 a 20 anos para se recuperar”, diz Rabelo. Como o fogo foi também subterrâneo, diversas sementes desapareceram. A equipe do IHP conseguiu recuperar algumas delas, em parceria com a ONG Nós Fazemos o Clima (NFC), e hoje mantém um viveiro de mudas de árvores frutíferas aguardando a época certa para o plantio.

Temporada de seca

Com a intensificação da temporada de seca a partir de agosto, e vários focos de incêndios já detectados em todo o Pantanal, o alerta está ligado.

“O que aconteceu há dois anos não vai se repetir”, acredita o brigadista Manuel Garcia da Silva, que acompanha o grupo de combate ao fogo criado pelo IHP.

No ano passado já houve importante avanço, com registro de apenas 7% de área queimada na região. A Brigada Alto Pantanal foi formada em meio ao incêndio provocado por ação humana num momento de seca histórica, ventos fortes que ajudaram na sua propagação e focos vindos de diferentes regiões, incluindo da vizinha Bolívia.

A equipe é formada por brigadistas locais que conhecem o terreno e sabem como se movimentar. Em 2020, vários Estados enviaram brigadistas, mas eles não conheciam a área e, por isso, demoravam para chegar aos focos do incêndio.

A região conta também com o Sistema Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PrevFogo), do Ibama, criado pelo governo federal após o grande incêndio.

Nos últimos meses, a brigada do IHP tem feito aceiros – limpeza de faixas de áreas no meio da mata para evitar que o fogo passe de um lado para outro e que também servem para a fuga de animais.

Outra parte visita as comunidades e fazendas vizinhas para alertar sobre a prática de queima de pasto para a pecuária. Segundo Rabelo, os pantaneiros sempre manejaram o fogo em áreas de pastagens, mas sabem a época correta para fazer isso. Já os proprietários novatos de terras não são familiarizados com a técnica.

Câmeras

Uma das mais importantes ferramentas que o IHP acaba de implantar são cinco câmeras de alta definição instaladas em torres de comunicação. Elas operam com inteligência artificial e detectam, em no máximo três minutos, o surgimento de focos de calor e fumaça. Um alerta é enviado à central, na sede do instituto, em Corumbá (MS), e a área passa a ser monitorada.

“Sabemos o local exato onde está o foco e avisamos as equipes de brigadistas mais próximas, voluntários e pessoal das fazendas do entorno para estarem prontas para irem ao local”, informa Josiel Coelho, técnico do IHP que acompanha as telas de monitoramento das câmeras.

Os equipamentos acompanham um raio de 70 mil hectares ao redor do Parque Nacional. Antes, com o uso apenas de satélites, o fogo era detectado apenas 3 a 6 horas depois de seu início. Com a dificuldade de mobilização, feira normalmente por barcos, às vezes as equipes de combate chegavam ao local dias após o início do incêndio.

O inédito sistema de câmeras, chamado de Pantera, foi desenvolvido pela startup umgrauemeio, com sede em Jundiaí (SP). Osmar Bambini, um dos fundadores da empresa, afirma que, juntando outras áreas do Pantanal, como a do Sesc Pantanal, há 11 torres com câmeras nessa região.

“Com 28 câmeras seria possível cobrir todas as áreas críticas do Pantanal, cerca de 2,5 milhões de hectares”, diz Bambini. Mas, para isso, seria necessária ajuda financeira para aquisição do sistema. As 11 já instaladas são financiadas pela JBS, um investimento de R$ 8 milhões.

A umgrauemeio trabalha agora no desenvolvimento de um sistema de modelagem do fogo, que vai prever para onde ele vai e em qual velocidade.

Outro projeto é promover a integração entre o Pantera e drones. “Com isso, é possível acompanhar o trabalho dos brigadistas e até transportar água para ajudar no combate com o uso de drones de grande porte”, afirma Bambini.

Torres de comunicação ganharam câmeras de alta definição que detectam fumaça
Torres de comunicação ganharam câmeras de alta definição que detectam fumaça Foto: Umgrauemeio/Divulgação

Patrocínios

Criado em 2002 por Rabelo, o IHP é mantido por doações de pessoas físicas e privadas e participa de licitações de projetos do governo e de empresas.

Além de atuar na preservação e no combate a incêndios, o IHP mantém os projetos Cabeceiras do Pantanal (de preservação e gestão de nascentes de rios), Amolar Experience (de ecoturismo sustentável) e Rede Amolar (parceria entre instituições privadas, governamentais e ONGs voltada à proteção e preservação da biodiversidade e da cultura da região).

Outro projeto é o Felinos Pantaneiros, para preservação da onça-pintada, que está na lista de risco de extinção. O Felinos tem apoio do Banco BTG Pactual e, desde maio, também da General Motors, com doações financeiras e de uma picape S10 para o trabalho de campo da equipe do instituto.

Nesta semana, a GM anunciou parceria também com a Conservação Internacional (CI-Brasil) para a restauração da Floresta Amazônica na região de Tapajós, com ajuda financeira e cessão de duas picapes S10.

O instituto se prepara para iniciar a venda de créditos de carbono baseados nos projetos que evitaram o desmatamento da região, assim como a preservação da onça-pintada, animal que, por estar no topo da cadeia alimentar e precisar de grandes áreas preservadas para sobreviver, é indicador de qualidade do bioma. / VIAGEM A CONVITE DA GM

 

TIK TOK FOCA NAS PEQUENAS EMPRESAS PARA UTILIZAR A PLATAFORMA

 

Por Sabrina Bezerra – StartSe

This photo taken on November 21, 2019, shows the logo of the social media video sharing app Tiktok displayed on a tablet screen in Paris. (Photo by Lionel BONAVENTURE / AFP) (Photo by LIONEL BONAVENTURE/AFP via Getty Images)

Rede social chinesa lançou o “Follow Me”, programa focado em pequenas e médias empresas, para ensinar empreendedores a usar a plataforma. Entenda a estratégia!

O TikTok lançou um novo programa focado em pequenas e médias empresas (PMEs), o “Follow Me”. O objetivo é ensinar gratuitamente como usar a rede social — de dicas práticas ao uso do recurso campanha — para alavancar os resultados.

A ação está longe de ser pontual. Ela faz parte de uma estratégia focada em atrair e reter empreendedores — público que, atualmente, é engajado em seu principal rival, o Instagram. Para você ter uma noção, a rede social de Mark Zuckerberg tem mais de 25 milhões de perfis corporativos, que são responsáveis por parte da receita em anúncios na rede social.

O apetite por fisgar empreendedores não é em vão. Com a aceleração da digitalização dos negócios e a pandemia de Covid-19 — que fez muitas pessoas empreenderem para sobreviver —, as redes sociais se tornaram importantíssimas para divulgar o serviço ou produto das marcas.

Neste cenário, os anúncios pagos se tornaram os novos panfletos. Tanto que a publicidade em redes sociais aumentou 60% no primeiro trimestre de 2021 na comparação com 2020, segundo dados do Relatório da Socialbakers. Para as empresas do nicho, é mais uma fonte de receita — e ganha quem oferecer mais recursos e bons resultados. Não à toa o TikTok se aproxima dessa comunidade ao oferecer um programa com roteiros de aprendizado com base nos objetivos dos negócios.

“Durante seis semanas, vão aprender as melhores práticas para executar campanhas no TikTok e integrar a história da marca nos vídeos. O programa também inclui um guia para configurar uma conta comercial gratuita, acessar ao Creative Center para inspiração de conteúdo e insights”, diz a rede social chinesa.

REDES SOCIAIS PARA PROMOVER PEQUENOS E MÉDIOS NEGÓCIOS

Instagram, celular

Celular com o logo do Instagram (Foto: Claudio Schwarz on Unsplash)

A Meta, dona do Instagram, e o TikTok não são únicas redes sociais de olho no público empreendedor.

O Pinterest, na tentativa de aumentar o número de usuários e de receita, tem lançado uma série de ferramentas — como API de compras, tags de produtos, aba comprar, entre outras — voltadas ao empreendedorismo.

Os movimentos também vão ao encontro do comércio eletrônico, que deve movimentar US$ 5,5 trilhões no mundo todo este ano, segundo a eMarketer.

Mas, para efeito de comparação, quando o assunto é YouTube, TikTok, Snapchat e Twitter, a boa notícia vem para a rede social chinesa: segundo estimativa da eMarketer, espera-se que até 2024, o TikTok tenha, por exemplo, o mesmo nível de anúncio que o YouTube — chegando a US$ 23 bilhões. Snapchat, por sua vez, alcançaria US$ 8,7 bilhões e Twitter ficaria atrás deles, em último, com US$ 7,9 bilhões.

POR QUE IMPORTA?

O TikTok, apesar de ter um dos algoritmos mais desejados pelas empresas — já que consegue reter, em média, 10 minutos seguidos da atenção dos internautas —, não se limita e está buscando formas de inovar e aumentar a receita.

Mas por que focar em pequenos e médios empreendedores? Porque cada vez mais os PMEs estão se digitalizando, logo, este público pode se tornar anunciante pago na plataforma. Afinal, no ano passado, dos quase US$ 4 bilhões de receita, parte dela veio de anúncios, segundo a Bloomberg.

Outro ponto a observar na nova estratégia do TikTok é a análise de dados: a empresa lançou o novo programa após identificar a digitalização e o alto engajamento dos vídeos na plataforma. “De acordo com um relatório recente publicado pela Hello Alice, 81% das pequenas empresas dizem que o TikTok é divertido e 73% dizem que é fácil de usar”, diz a empresa.

Preferências de Publicidade e Propaganda

Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago

Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais veículos de propaganda você tem preferência?

Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.

Vantagens da Propaganda no Rádio Offline

Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.

É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio funciona bem demais!

De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim, concretizar suas vendas.

Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline

Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no rádio. Frequentemente, os rádios também são usados ​​como ruído de fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,

A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

sexta-feira, 22 de julho de 2022

PAÍSES DO MERCOSUL NÃO RESOLVEM SEUS DILEMAS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Os presidentes do Uruguai, Luis Lacalle Pou (à esquerda); do Paraguai, Mario Abdo Benítez (ao centro); e da Argentina, Alberto Fernández (à esquerda), conversam durante reunião de cúpula do Mercosul em 21 de julho de 2022.| Foto: Nathalia Aguilar/EFE

As divergências que vêm minando a atuação comum dos países do Mercosul se tornaram ainda mais evidentes nas reuniões de chefes de Estado, ministros da área econômica, presidentes de Bancos Centrais e chanceleres, ocorridas ao longo desta semana. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não viajou à cidade paraguaia de Luque, participando da cúpula desta quinta-feira por videoconferência – os demais presidentes, o argentino Alberto Fernández, o uruguaio Luis Lacalle Pou e o paraguaio Mario Abdo Benítez, compareceram pessoalmente. Além disso, não houve consenso para que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enviasse uma mensagem aos presidentes.

Mas é na questão da inserção comercial que as diferenças se aprofundam. Por mais que o bloco tenha anunciado a conclusão de um acordo de livre comércio com Singapura, facilitando a entrada de produtos sul-americanos no Sudeste Asiático, e tenha finalmente acertado uma redução de 10% na Tarifa Externa Comum (algo que o Brasil já havia realizado unilateralmente), as boas notícias terminaram aí. São as perspectivas de um outro acordo, que vem sendo costurado entre o Uruguai e a China, que dominam as preocupações dos países-membros. As regras do Mercosul exigem que tratados sejam negociados pelo bloco, não de forma isolada, mas há um ano o Uruguai já havia avisado os demais parceiros que passaria a agir sozinho mesmo sem o aval dos outros três países do Mercosul, intenção que Lacalle Pou reafirmou nesta quinta-feira. Argentina e Paraguai já se declararam enfaticamente contrários a qualquer acordo entre China e Uruguai, enquanto o Brasil, defensor de uma flexibilização das regras de negociação, tem evitado tomar partido.

Os países do Mercosul dificilmente conseguem falar o mesmo idioma em termos econômicos

“Seríamos mais fracos sem o Mercosul”, afirmou o chanceler argentino, Santiago Cafiero; seu colega paraguaio, Julio César Arriola, acrescentou que o bloco tem “maior capacidade e força negociadora”. Ora, se há um país que sabe muito bem disso é o Uruguai. Um país de 3,5 milhões de habitantes e PIB de US$ 50 bilhões tem muito menos poder de fogo em uma mesa de negociação que um gigante de 270 milhões de habitantes e PIB de cerca de US$ 2 trilhões. A questão não é essa, mas o que fazer quando o desejo de maior inserção internacional de um país é freado pelos parceiros de bloco – no entanto, a discussão do problema em tese ainda deixa de lado algumas questões mais práticas, que se tornam cruciais quando do outro lado estão os produtos chineses.

Caso os uruguaios de fato assinem um tratado de livre comércio com a China, e permaneçam no Mercosul, o país asiático teria abertas as portas para seus produtos dentro de todo o bloco sem pagar tarifas, bastando que eles chegassem pelo Uruguai, jogando o pêndulo para o outro lado: se hoje há uma boa dose de protecionismo dentro do bloco, passar-se-ia a uma situação de concorrência quase desleal. O próprio Paulo Guedes, defensor da abertura comercial, reconheceu essa situação em um evento organizado pelo Senado em abril de 2021, comemorando os 30 anos do Mercosul. “Nós sempre dissemos para os nossos industriais que nós não íamos abrir de repente a economia brasileira, considerando que o industrial brasileiro tem uma bola de ferro na perna direita, que eram os juros de dois dígitos; uma bola de ferro na perna esquerda, que eram justamente os impostos excessivos; e um piano nas contas, que são os encargos trabalhistas. Você não pode de repente abrir e falar: ‘pode correr que o chinês vai te pegar’”, afirmou à época o ministro da Economia. A situação escancara as diferenças internas dentro do bloco, pois, enquanto o Uruguai é o 34.º colocado no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, considerado uma “economia livre” (e cujos negócios, teoricamente, teriam mais condições de concorrer com o produto chinês), o Brasil amarga o 133.º lugar e a Argentina, a 144.ª posição, ambos no grupo dos países “majoritariamente não livres” – o Paraguai fica em um intermediário 73.º lugar, entre as economias “moderadamente livres”.


Os países do Mercosul, portanto, dificilmente conseguem falar o mesmo idioma em termos econômicos. Há os que, já tendo uma economia bem desenvolta, gostariam de avançar mais na inserção comercial internacional; os que entendem o valor da abertura comercial, mas não conseguem realizar reformas que deem competitividade ao produtor nacional e permitam que essa abertura possa ocorrer sem solavancos; e os que abraçam sem pudores o protecionismo. É fundamental que o Mercosul siga buscando a elevação do comércio exterior com outros países e blocos – o que inclusive servirá como empurrão para reformas que elevem a competitividade do produto nacional – em uma velocidade que seja aceitável para todos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/o-mercosul-e-seus-dilemas/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

CONTAS DOS ESTADOS E A REDUÇÃO DE IMPOSTOS

 

Finanças públicas

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo


Estados alegam que crescimento de arrecadação não é estrutural| Foto: Lia de Paula/Agência Senado

As estratégias utilizadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) para reduzir o preço final dos combustíveis atingiram em cheio as finanças das administrações estaduais, altamente dependentes da arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Apenas a Lei Complementar 194/2022, que limitou as alíquotas do tributo sobre combustíveis, energia, transportes e comunicações, deve reduzir as receitas das unidades federativas em cerca de R$ 54 bilhões até o fim do ano, de acordo com as secretarias de Fazenda estaduais.

Diante dos protestos de governadores, o governo federal argumenta que a arrecadação, a poupança e os investimentos dos estados cresceram nos últimos anos em razão de ganhos proporcionados pela inflação de combustíveis e energia na retomada econômica, além de transferências federais para o combate à pandemia de Covid-19.

Segundo dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em 2021 a arrecadação líquida do ICMS com combustíveis e lubrificantes foi de R$ 112,5 bilhões, uma alta de 40% em relação a 2020, quando foram contabilizados R$ 80,4 bilhões. Os números foram utilizados pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), em seu relatório ao PLP 18, que deu origem à Lei Complementar 194.
Arrecadação do ICMS cresce 23% em 2021 com disparada de combustível e energia

Um relatório divulgado no fim de junho pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Economia, mostra que todas as 27 unidades da federação tiveram crescimento em suas receitas no segundo bimestre, na comparação com o mesmo período de 2021. As maiores elevações ocorreram no Rio de Janeiro (40%) e no Pará (34%).

De acordo com o documento, houve aumento também nas despesas, mas em 20 das 27 unidades federativas em escala inferior à das receitas. No Rio de Janeiro, por exemplo, os gastos subiram 19%, e no Pará, 20%.

Crescimento das receitas e despesas correntes
Receitas correntes realizadas e despesas liquidadas até o 2º bimestre de 2022 em relação ao mesmo período do exercício anterior (%)

UF Receita Despesa
AC 20% 12%
AL 21% 23%
AM 17% 22%
BA 21% 10%
CE 18% 19%
DF 12% 6%
ES 31% 12%
GO 17% 2%
MA 19% 27%
MG 9% 16%
MS 18% 0%
MT 26% 12%
PA 34% 20%
PB 25% 18%
PE 3% 5%
PI 19% 15%
PR 24% 9%
RJ 40% 19%
RN 16% 9%
RO 32% 38%
RR 10% 35%
RS 4% 0%
SC 33% 16%
SE 14% 2%
SP 22% 19%
TO 27% 16%
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional
São Paulo e Minas Gerais anunciam redução na alíquota do ICMS do etanol
Outro indicador que aponta melhora na saúde fiscal dos estados é a poupança corrente, ou seja, a diferença entre as receitas correntes e as despesas correntes empenhadas. Segundo o Tesouro Nacional, o dado, se positivo, aponta a autonomia para realização de investimentos com recursos próprios.

O melhor indicador foi observado no Amapá, onde a diferença entre receitas e gastos chegou a 60% da receita corrente líquida (RCL). No segundo bimestre de 2019, antes da pandemia, o nível de poupança corrente do estado era de 47% da RCL. Na época, estados como Goiás e Rio Grande do Sul apresentavam taxas negativas, de 7% e 6%, respectivamente. Segundo o último relatório, agora têm 22% e 21%.

Poupança corrente em relação à receita corrente líquida (RCL)
UF Poupança corrente/RCL
AC 37%
AL 28%
AM 25%
AP 60%
BA 33%
CE 34%
DF 25%
ES 39%
GO 22%
MA 26%
MG 20%
MS 29%
MT 48%
PA 33%
PB 33%
PE 29%
PE 29%
PI 32%
PR 42%
RJ 31%
RN 28%
RO 37%
RR 34%
RS 21%
SC 33%
SE 22%
SP 35%
TO 31%
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Com isso, estados estão conseguindo quitar restos a pagar, ou seja, despesas orçadas durante um ano fiscal e que não foram honrados. O Distrito Federal chegou a quitar 74% das despesas inscritas ao fim de 2021. Paraíba se desfez de 72% de seus restos a pagar, e o Pará, 70%. Na outra ponta, Rio Grande do Sul, Amapá e Minas Gerais conseguiram quitar apenas 9%, 10% e 11%, respectivamente.

Com isso, houve aumento nos investimentos dos estados. Até o segundo bimestre de 2022, a Bahia aplicou 10% de sua receita total com esse tipo de despesa. Espírito Santo, Maranhão e Alagoas investiram 9%, enquanto Mato Grosso do Sul, Piauí e Santa Catarina, 8%. Para se ter uma ideia, em 2019, no mesmo período, o maior índice, da Bahia, era de 5%.

Composição das despesas em relação à receita total
UF % custeio % pessoal % investimento % dívida
AC 17% 47% 2% 5%
AL 24% 46% 9% 6%
AM 25% 40% 3% 3%
AP 12% 37% 2% 0%
BA 22% 46% 10% 3%
CE 22% 44% 4% 5%
DF 26% 51% 1% 2%
ES 21% 39% 9% 3%
GO 27% 52% 2% 1%
MA 28% 44% 9% 7%
MG 19% 50% 5% 15%
MS 17% 55% 8% 4%
MT 10% 46% 2% 6%
PA 24% 45% 7% 2%
PB 12% 54% 5% 2%
PE 24% 48% 4% 2%
PI 25% 45% 8% 6%
PR 12% 48% 3% 2%
RJ 22% 50% 2% 1%
RN 10% 65% 1% 1%
RO 19% 46% 0% 1%
RR 19% 47% 1% 3%
RS 15% 65% 2% 1%
SC 17% 50% 8% 4%
SE 27% 51% 4% 3%
SP 21% 45% 3% 8%
TO 18% 53% 2% 3%

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional

Governo e Congresso querem mudar a Lei das Estatais, criada após a Lava Jato para evitar interferências político-partidárias nessas empresas. Você é a favor ou contra a mudança na lei?
A favor
Contra
Estados alegam que crescimento não é estrutural
Os estados, por sua vez, afirmam que o aumento recorde na arrecadação não foi estrutural. “A receita de ICMS cresceu muito acima do habitual, pulando de 7% para 7,6% do PIB, sem haver um real aumento de carga tributária para os contribuintes, nem qualquer outra mudança estrutural na economia que justificasse a crença de que esse resultado se repetirá pelos próximos anos”, diz o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em nota.

A partir de análise do economista Sérgio Gobetti, a entidade alega que a receita estadual advinda do ICMS poderá cair até 1,5% do PIB nos próximos anos, em decorrência da reversão dos ganhos extraordinários de arrecadação obtidos em 2021 e da redução permanente das alíquotas de combustíveis, energia e telecomunicações.

Segundo o economista, a alta recente na arrecadação tratou-se de uma conjunção de fatores atípicos, que tende a se reverter. “O que ocorreu foi a combinação de dois eventos extraordinários: o aumento do preço do petróleo bem acima da média histórica e o crescimento do PIB industrial, que serve de base para o ICMS, bem acima do PIB geral da economia brasileira”, explica Gobetti.


Governo eleva projeção de crescimento do PIB de 2022 para 2% e reduz previsão de inflação
Embora tenham reduzido suas alíquotas de ICMS, 11 estados ainda tentam reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) os efeitos da Lei Complementar 192/2022, que estabeleceu alíquota única e uniforme para todo o país do ICMS sobre combustíveis. Na segunda-feira (18), o ministro Gilmar Mendes, relator do caso na Corte, determinou a criação de uma comissão especial de conciliação com o objetivo de buscar um consenso dos interesses dos estados e da União.

Para o economista Raul Velloso, especialista em análise macroeconômica e finanças públicas, não há exatamente um lado certo nessa disputa. “Há interesses se cruzando. Do ponto de vista do governo federal, o ideal é que não haja inflação, que a Petrobras continue lucrando e que as alíquotas do ICMS diminuam para não ter esse impacto sobre as pessoas que consomem o combustível nas bombas dos postos”, diz.

“Do ponto de vista do gestor estadual, ele tende a ser contra isso porque ele vai sempre procurar aumentar a arrecadação não só para pagar suas dívidas, mas também para fazer frente aos gastos que precisa fazer e que também têm subido muito”, explica. “O estado é o primo pobre da federação”.

Segundo Velloso, que foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, diversas unidades federativas têm enfrentado graves crises em razão do aumento desproporcional de despesas com as previdências estaduais, que as obrigam a reduzir investimentos.

“Estados vão acabar perdendo as despesas financiadas por receitas cativas nas áreas de educação e saúde, que são críticas também. Mas previdência é uma conta que precisa ser paga. Subiu, vai ter de enfrentar, e aí o que sobra é cortar investimentos. É isso que está acontecendo no Brasil: estamos seguidamente cortando investimentos há 12 anos para poder pagar a conta da previdência”, afirma. “O que os governadores estão vendo agora é uma possibilidade de reagir melhor a isso.”

Em live promovida pelo jornal Valor Econômico, o economista Daniel Couri, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), disse que as limitações à arrecadação de ICMS dos estados devem representar, mais para frente, uma espécie de “reforma tributária forçada” nos estados.

“Nenhum estado que tem perda de arrecadação relevante como essa vai ficar parado”, disse. Para ele, o impacto das medidas deve ser heterogêneo, “mas todos vão sentir de alguma forma”.

“Temos vários regimes especiais no âmbito dos estados. Essa perda de arrecadação do PLP 18 vai forçar todos os governos estaduais a repensarem outros benefícios que serão concedidos”, afirmou Couri. “Isso vai forçar a gente a ter uma composição de arrecadação estadual diferente da que a gente tem hoje.”


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/como-estao-contas-dos-estados-que-vao-perder-parte-do-icms/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

ALEXANDRE DE MORAIS E A EPIFANIA E SÃO JORGE

 

Epifania

Por
Paulo Polzonoff Jr.


Depois de 30 anos, fui a uma igreja evangélica. Enfrentei meus próprios preconceitos e saí de lá pensando: e se Alexandre de Moraes tivesse uma revelação?| Foto: Montagem de Eli Vieira

Terça-feira (19). Estou cansado. E, confesso envergonhadamente, estou tomado por um cinismo infeliz acumulado ao longo de décadas. É assim que enfrento o friozinho para entrar num culto evangélico pela primeira vez em trinta anos. A denominação – Igreja Batista da Lagoinha – é totalmente desconhecida para mim. “Vamos ver o que é que acontece”, penso, a título de automotivação. Antes, permita-me esclarecer o “cinismo infeliz”.

Não apenas acumulado, esse cinismo infeliz foi cultivado ao longo de três décadas. A origem, eu a localizo na igreja evangélica que eu era obrigado a frequentar enquanto pré-adolescente. Durante um tempo, achava que o problema estava na obrigatoriedade. Depois, entendi que eram outras coisas, sobretudo a música ruim e as pregações que misturavam religião e política, sem falar no moralismo sexual que definitivamente não comovia um menino pubescente.

Depois vieram anos e anos consumindo jornalismo e entretenimento que retratavam o mundo evangélico como um amontoado de gente na melhor das hipóteses ignorante e na pior, mal-intencionada. Por fim, teve aquela tarde de domingo em que, sem nada melhor para fazer e movido por uma curiosidade mórbida, liguei a TV para acompanhar o culto de um desses pastores caricatos – e fiquei assustado com a caricatura que vi.

Me sentei na antepenúltima fila. Cruzei os braços. Não estava mal-humorado nem nada. Era só meu jeito de esperar. A todo instante, porém, era levado a estender a mão e abrir um sorriso para os desconhecidos que vinham me cumprimentar com o “paz, irmão” que não ouvia há 30 anos. Já aí desmoronou o cinismo infeliz. “Como fazem falta gestos assim, de generosidade desinteressada”, pensei.

Começou o culto. Não havia liturgia alguma. Tudo era muito espontâneo – e não sei direito o que pensar a respeito disso. Digo, sou católico e conservador; gosto da Tradição. Mas havia tanta boa intenção nessa espontaneidade que era difícil não admirá-la. A primeira meia hora foi tomada por músicas bem melhores do que as que animavam os cultos da minha época. Destaque para uma moça de dreads coloridos que cantava divinamente bem e com um fervor digno de sinceros aplausos.

Depois das músicas vieram pastores que, alternadamente, oraram cada um por uma causa: família, saúde, trabalho (não dinheiro; trabalho) e Pátria. Ao meu redor, chamou a atenção a sinceridade com que as pessoas pediam e sobretudo agradeciam. Pensei que naquele exato momento alguém mais cínico e infeliz do que eu provavelmente estava entrando nas redes sociais para reclamar, reclamar, reclamar – num rito semelhante ao de uma oração blasfema. E até por isso me senti cercado por pessoas de bem.

Improvável

Por fim, começou a pregação. Não sem antes o pastor pedir que a bandeira do Brasil fosse mantida no telão. Intitulada “Deus Capacita os Improváveis”, a pregação foi feita tendo por base a história de Davi e a conversão do apóstolo Paulo ao Cristianismo. (A coincidência dos nomes não me escapou). E foi ao longo do monólogo que durou uma boa hora que refleti sobre a possibilidade de Alexandre de Moraes cair do cavalo.

Paulo, talvez você se lembre das aulas de catecismo, teve uma epifania e “caiu em terra”. Ou seja, ele pode ter mesmo caído do cavalo, como popularmente se diz, mas pode muito bem ter “caído da própria altura”. Não importa. O que importa é que um homem que antes perseguia os cristãos se tornou um cristão perseguido por pregar os valores que, como bem expõe Tom Holland no obrigatório “Domínio: o cristianismo e a criação da mentalidade ocidental”, moldaram a Civilização que nos rodeia.

O que aconteceria se um ministro do STF passasse pela mesma experiência e mudasse completamente de ideia? E aqui acredito que valha um aviso: sou totalmente responsável por essas elucubrações que associam a história bíblica ao Brasil do ano da Graça de 2022. O pastor jamais mencionou o nome de qualquer autoridade. Até porque o objetivo dele era alcançar o homem comum, e não tecer considerações jurídico-políticas.

Imaginei o pedido de desculpas, os debates sobre a sinceridade ou não de um arrependimento, uma turma se sentindo traída e a outra desejando vingança. Imaginei, porque imaginar é o que faço de melhor, o martírio por que passaria o ministro ao substituir o voluntarismo maquiavélico pelo que é belo & moral. Pelo que é correto e justo. Ou ao menos pelo que é constitucional. E, já que estava no embalo, imaginei até um Alexandre de Moraes asceta, a barba comprida adornando a cabeça calva, envolto nos retalhos de sua autoridade togada, imerso numa redenção para nós talvez incompreensível.

Alexandre de Moraes é um dos “improváveis” de que falava o pastor. A lógica (cínica, infeliz e elementar) nos leva a crer que ele jamais alcançará qualquer epifania que o desvie do caminho autoritário que vem trilhando. E eu estaria mentindo se dissesse que tenho esperança de que esse milagre venha a se concretizar. Assim como aconteceu com o apóstolo Paulo e incontáveis pessoas que não figuram nem na Bíblia nem nas manchetes dos jornais, o poder tende a despertar o que há de pior nas pessoas. Uma tentação que os vaidosos têm ainda mais dificuldade para rejeitar.

Saí da igreja igual, mas diferente. Não tenho intenção de frequentá-la nem nada. Mas, depois de duas experiências nos círculos infernais (aqui e aqui), foi bom saber que há no mundo pessoas gratas. Pessoas que, a despeito do olhar cínico e infeliz de tantos, não hesitam em enfrentar o cansaço e o friozinho curitibano para, numa noite qualquer de terça-feira, refletir. Hoje, com a esperança renovada, posso atestar: o cidadão de bem existe. E está mais perto de mim e de você do que fazem supor os tratados sociológicos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/e-se-alexandre-de-moraes-caisse-do-cavalo/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AMEAÇA À DEMOCRACIA É A OPOSIÇÃO COM CORRUPÇÃO E TOTALITARISMO

 

Narrativas

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

AME1793. RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 06/07/2022.- El expresidente y candidato a la Presidencia de Brasil Luiz Inácio Lula da Silva participa en una reunión con representantes de la Samba para participar en un debate sobre el sector cultural, hoy, en la cancha de la escuela de samba Unidos da Tijuca, en Río de Janeiro (Brasil). El dirigente de la izquierda brasileña Luiz Inácio Lula da Silva mantiene una distancia de 14 puntos porcentuales frente al presidente Jair Bolsonaro en una encuesta sobre intenciones de voto con vistas a los comicios del 2 de octubre divulgada este miércoles. EFE/ André Coelho


O ex-presidente Lula cumpre agenda em Pernambuco durante a semana.| Foto: André Coelho/EFE

Vocês notaram como ficam repetindo o chavão da “ameaça à democracia”? O que é “ameaça à democracia”? Corrupção é uma ameaça à democracia, porque o dinheiro público passa a ser dos corruptos e não mais do público, do pagador de impostos. Não vai mais para hospitais, escolas, assistência social, infraestrutura, tratamento de esgoto, saneamento básico. Isso, sim, é um crime muito grande contra a democracia, porque falta dinheiro para os hospitais, e isso mata. Mata-se o futuro quando falta dinheiro para o ensino. Esse é um dos problemas. O outro é quando há uma ideologia que quer se impor, e todo mundo sabe que ela só se impõe em regimes de força como foi na União Soviética, por mais de 70 anos, em Cuba, na Venezuela, na China, como a gente está vendo nesses dias. Para funcionar, tem de ter um Estado forte e uma liberdade fraca para as pessoas físicas e jurídicas, assim o Estado pode se impor. Outro dia, até o ex-presidente Lula falou nisso, que na China era bom porque o governo podia governar, ninguém reclamava.

Por que eu estou contando isso? Porque foi homologada a candidatura dele em São Paulo e, na ausência dos dois candidatos, Lula e Alckmin, foi homologada a candidatura deles pelo Partido Comunista do Brasil e pelo Partido Verde, formando federação com o Partido dos Trabalhadores. Os componentes da chapa, Lula e Alckmin, estavam em Pernambuco, estado natal de Lula, no município onde ele nasceu, Garanhuns. Eu vi as imagens, tinha pouca gente e houve até vaias. Nos jornais e redes sociais só aparece a foto de Lula, não a do público. Mas vi alguém gravando por trás e ouvi vaias. O eleitor chega lá e vê Lula e Alckmin juntos, aqueles que eram os grandes adversários na eleição presidencial de 2006, um dizendo que o outro era o pior do mundo. Como é que o cidadão, que tem o pensamento claro, lógico, vai admitir? Fica estranho. O ex-presidente ainda está por lá, e agora está fazendo reuniões fechadas.

A explicação que Fachin quer está no artigo 84 da Constituição
O ministro Edson Fachin, atendendo a PCdoB, Rede, PDT e PT, deu cinco dias para o presidente Bolsonaro explicar por que convidou os embaixadores para falar sobre a falta de segurança da apuração. Eu acho que Bolsonaro devia responder que a Constituição, no artigo 84, afirma que compete privativamente ao presidente da República manter relações com Estados estrangeiros. E, se é “privativamente”, isso exclui o próprio ministro Fachin, que dias antes havia também convidado os representantes de Estados estrangeiros para falar sobre o mesmo assunto, a segurança da urna eletrônica e da apuração. Mas só quem pode fazer isso é o presidente da República, e ele usou esse poder.

Até o Brasil da pré-história já foi pilhado
Lá no Nordeste tem muito achado do período Paleolítico. Agora mesmo um museu alemão finalmente reconheceu isso, porque até agora dizia que um certo objeto era da Alemanha. São fósseis de um dinossauro ancestral das aves, com mais de 100 milhões de anos. Esse fóssil foi levado da Bacia do Araripe, uma região entre o Ceará e o Piauí por onde pesquisadores estrangeiros andam, levando fósseis para fora.

O Ministério Público já recuperou muitos desses fósseis. São dezenas. Isso aqui era casa da mãe Joana nos anos 1990; esse dinossauro chegou à Alemanha, mas não se sabe como. Pegaram muita coisa da Bélgica e ficam se metendo em nossa vida depois de levar madeira, minerais, até fósseis. Roubando do Brasil de 100 milhões de anos atrás.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/ameaca-a-democracia-corrupcao-socialismo/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

BIDEN NÃO CRITICA O NOSSO SISTEMA ELEITORAL PORQUE QUER LULA

 

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


| Foto: EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS

O governo dos Estados Unidos acaba de declarar, neste momento em que o presidente Jair Bolsonaro tanto fala das suas dúvidas sobre a segurança do sistema eletrônico a ser utilizado na eleição presidencial, que chegou à conclusão exatamente contrária. O sistema, avisou a Casa Branca, não tem falhas, como juram os ministros do STF que vão cuidar da votação e da apuração dos votos; os americanos garantem que as eleições brasileiras serão um modelo de limpeza para o mundo. O presidente Joe Biden deve saber o que está falando. Ele tem a seu serviço a CIA, o FBI, a NASA e sabe Deus o que mais; seus sistemas de informação são os mais avançados que existem sobre a face da Terra. Mas só pode dizer o que disse porque é Bolsonaro quem está na presidência do Brasil. Se as queixas em relação ao sistema eleitoral viessem de algum outro candidato – Lula, por exemplo – o mundo político brasileiro estaria vindo abaixo neste momento.

“Intervenção inaceitável em questões internas do Brasil”, estaria protestando o PT, a esquerda e mais tudo o que existe em nosso Brasil “progressista” e nos seus subúrbios. “Agressão à soberania brasileira”, “tentativa clara de intervir no resultado da eleição”, etc. etc. etc. – é melhor nem imaginar o tamanho da indignação e da ira santa que iriam desabar sobre todos se os americanos, por um minuto que fosse, dissessem uma sílaba de contestação a algum dos mandamentos de Lula. Mas, para sorte da paz, concórdia e amizade entre os povos, os Estados Unidos de hoje têm um governo de “esquerda”, que combate o “fascismo”, luta pela “igualdade” e defende a causa operária. Biden gosta de Lula, do PT e do STF. Pode, então, dizer o que bem entende sobre o Brasil, as eleições e o que mais vier – qual seria o problema?

É melhor nem imaginar o tamanho da indignação e da ira santa que iriam desabar sobre todos se os americanos, por um minuto que fosse, dissessem uma sílaba de contestação a algum dos mandamentos de Lula

É curioso, hoje em dia, que os amigos reais dos Estados Unidos sejam tratados como inimigos pelo governo americano – e os inimigos como amigos. Há no mundo de hoje poucos presidentes tão a favor dos Estados Unidos como Bolsonaro – a favor da liberdade econômica, dos valores da democracia americana, do estilo de vida da América e de tudo o mais que tem a ver com o conservadorismo, o capitalismo e a ideia de “ocidente”. Mas ele, por ser amigo dos Estados Unidos, é um inimigo para a Casa Branca. Para ser amigo do governo americano, hoje, é preciso fazer o contrário: ser um inimigo dos Estados Unidos. Lula é inimigo há 40 anos – e continuará a ser, por tudo o que promete em sua campanha eleitoral. Ele diz que a miséria de Cuba é culpa dos Estados Unidos. Diz que a miséria da Venezuela é culpa dos Estados Unidos. Diz que a guerra da Ucrânia é culpa dos Estados Unidos. Pense num problema qualquer do mundo, da fome na África ao aquecimento da calota polar – para Lula, a culpa é dos Estados Unidos. É isso tudo, pelo jeito, que faz dele o mais querido do presidente Biden.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/biden-quer-lula-por-isso-se-arrisca-a-falar-sobre-nosso-sistema-eleitoral/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AUXÍLIOS A CAMINHONEIROS E TAXISTAS COMEÇA A SER PAGO EM AGOSTO

 

Foto: Felipe Rau/Estadão

Por Antonio Temóteo

Ministério do Trabalho irá abrir cadastro às prefeituras para o envio de informações de taxistas que devem receber o benefício;

BRASÍLIA – O Ministério do Trabalho e Previdência enviou nesta quinta-feira, 21, ofícios às prefeituras de todo o Brasil para solicitar o envio das informações referentes aos taxistas regularmente cadastrados junto aos municípios. A previsão é de que o primeiro lote do chamado Benefício Emergencial aos Motoristas de Táxis, criado pela PEC “Kamikaze”, seja pago em 16 de agosto.

Já o auxílio aos caminhoneiros começa a ser pago em 9 de agosto, segundo o ministério. Os transportadores autônomos de carga receberão seis parcelas de R$ 1 mil.

As informações de cadastro dos caminhoneiros foram repassadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e já estão em processamento pela Dataprev para permitir o pagamento aos elegíveis. Os detalhes sobre o pagamento de cada benefício serão regulamentados em breve por meio de portaria.

No caso dos taxistas, os prefeitos poderão enviar as informações de cadastro a partir da próxima segunda-feira, 25. As orientações para a inserção dos dados e demais informações sobre o pagamento do auxílio estarão em um portal criado pelo ministério. O sistema ficará aberto às prefeituras para receber os cadastros até o dia 31 de julho.

Aqueles prefeitos que no dia 25, eventualmente, ainda não tiverem recebido a comunicação do ministério poderão acessar o sistema igualmente para enviar as informações.

O envio dos cadastros dos taxistas pelas prefeituras é necessário pela competência municipal ou distrital do tema. Os dados cadastrados serão processados pela Dataprev.

Serão considerados os motoristas de táxi com Carteira Nacional de Habilitação válida e alvará em vigor no dia 31 de maio de 2022.

BRASILIA BSB DF   15/05/2017   ECONOMIA  LINK  Fachada do predio do Ministerio do Trabalho e Ministerio da Fazenda  FOTO: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO
BRASILIA BSB DF 15/05/2017 ECONOMIA LINK Fachada do predio do Ministerio do Trabalho e Ministerio da Fazenda FOTO: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO  

O valor e o número de parcelas do benefício poderão ser ajustados de acordo com o número de beneficiários cadastrados, respeitando o limite disponível para o pagamento do auxílio, previsto na Emenda Constitucional aprovada pelo Congresso.

Mais cedo, em entrevista ao SBT, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, havia dito que o objetivo do governo era começar a pagar a bolsa-caminhoneiro de R$ 1 mil no próximo dia 5.

O ministro também falou que a parcela de R$ 600 do Auxílio Brasil deve começar a ser paga até o dia 9 de agosto. Por ora, segundo portaria publicada ontem, o benefício começa a ser pago no dia 18.

O pacote de benefícios promulgado no Congresso na semana passada, pela PEC “Kamikaze”, eleva as despesas do governo em R$ 41,25 bilhões fora do teto de gastos – e é visto como uma das apostas do governo para aumentar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.

ARMAMENTOS USADOS NA GUERRA DA UCRÂNIA

 

Foto: Efrem Lukatsy/AP

Por Redação – Jornal Estadão

Envio de equipamento militar do Ocidente tem sido crucial para a resistência ucraniana contra a invasão russa, mas Kiev diz que os números ainda são pequenos e quer aviões de guerra

KIEV – Na última quarta-feira, 20, a primeira-dama da UcrâniaOlena Zelenska, foi ao Congresso dos Estados Unidos repetir um pedido constante de seu marido, Volodmir Zelenski: mais armas ocidentais. Desde que a Rússia deu início à invasão da Ucrânia há quase cinco meses, o envio de ajuda militar pelo Ocidente tem sido crucial para que o país resistisse tanto tempo contra um gigante bélico.

No início, os países ocidentais foram resistentes a enviar armamentos para Kiev, especialmente os considerados mais pesados, por temores de que a ação fosse interpretada como uma agressão direta à Rússia. Mas conforme a Ucrânia demonstrou capacidade de resistência, os países passaram a enviar robustos pacotes de ajuda militar com armamentos cada vez mais sofisticados.

Agora, o pedido de Zelenska aos americanos foi bastante específico: sistemas de defesa aérea. O apelo ocorreu ao mesmo tempo em que a Rússia afirmava que planeja conquistar áreas mais amplas para além do leste ucraniano, região conhecida como Donbas, com o ministro das Relações Exteriores Serguei Lavrov enfatizando que Moscou também reivindica a região de Kherson e parte de Zaporizhzhia e expandirá “contínua e persistentemente” seus ganhos a outros lugares.

A primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, pede mais armas, especialmente sistemas de defesa área, ao Congresso dos EUA
A primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, pede mais armas, especialmente sistemas de defesa área, ao Congresso dos EUA  Foto: Jabin Botsford/EPA/EFE

Os bilhões de dólares em assistência militar ocidental foram cruciais para os esforços da Ucrânia para se defender dos ataques russos, chegando o forçar a recuada de Moscou da capital e do Norte do país. Mas autoridades em Kiev dizem que os números ainda são pequenos demais para mudar o rumo da guerra, já que os equipamentos são usados muito rapidamente e logo se esgotam.

Mas o pedido por aviões de guerra ainda causa enorme resistência nos aliados da Otan, já que a Rússia fez diversos alertas de que fornecer aviões de combate à Ucrânia equivaleria a uma entrada oficial da aliança no conflito.

Veja o que a Ucrânia já recebeu e como essas armas têm ajudado o país na guerra até agora:

Lançadores de foguetes Himars

Os sistemas Himars fornecidos pelos Estados Unidos e M270 similares do Reino Unido reforçaram significativamente a capacidade de ataque de precisão dos militares ucranianos.

O Himars e o M270 têm um alcance maior, uma precisão muito melhor e uma cadência de tiro mais rápida em comparação com os lançadores de foguetes múltiplos Smerch, Uragan e Tornado projetados pelos soviéticos usados pela Rússia e pela Ucrânia.

Os lançadores Himars montados em caminhão disparam mísseis guiados por GPS capazes de atingir alvos a até 80 Km de distância, uma distância que os coloca fora do alcance da maioria dos sistemas de artilharia russos. Os lançadores móveis são difíceis de detectar pelo inimigo e podem mudar rapidamente de posição após o disparo para escapar de ataques aéreos.

Um Sistema de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade, ou Himars. Os sistemas Himars fornecidos pelos EUA e similares M270 fornecidos por aliados reforçaram significativamente a capacidade de ataque de precisão do exército ucraniano
Um Sistema de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade, ou Himars. Os sistemas Himars fornecidos pelos EUA e similares M270 fornecidos por aliados reforçaram significativamente a capacidade de ataque de precisão do exército ucraniano Foto: Corey Dickstein/Savannah Morning News via AP

Os militares ucranianos até agora receberam uma dúzia de sistemas Himars e vários M270, mas já os utilizaram para atingir, com sucesso, depósitos russos de munição e combustível no leste da Ucrânia, essenciais para apoiar a ofensiva de Moscou. Na quarta-feira, as forças ucranianas usaram o Himars para atingir uma ponte estratégica na região sul de Kherson, ocupada pela Rússia.

“Himars quase não descansa durante o dia ou à noite. Seu potencial foi usado ao máximo”, disse o especialista militar ucraniano Oleh Zhdanov à Associated Press. “Os resultados foram impressionantes. Mais de 30 alvos russos importantes foram atingidos com alta precisão nas últimas duas semanas.”

As autoridades dos EUA até agora se abstiveram de fornecer à Ucrânia mísseis de longo alcance para lançadores Himars que podem atingir alvos de até 300 Km, o que permitiria que os militares atinjam áreas dentro do território russo.

Artilharia pesada

A Ucrânia recebeu entregas de mais de 200 sistemas de artilharia pesada dos EUA e seus aliados da Otan. Eles incluíram os obuses M777 dos EUA, o francês CAESAR, o alemão PzH 2000 e alguns outros sistemas de artilharia de longo alcance rebocados e autopropulsados.

Os obuses ocidentais têm algumas vantagens sobre os sistemas soviéticos mais antigos nos arsenais russo e ucraniano, mas leva tempo para as tripulações ucranianas aprenderem a operá-los. Sua ampla variedade apresenta desafios logísticos óbvios.

Membros do serviço ucraniano disparam um projétil de um obus M777 em uma linha de frente em Kharkiv
Membros do serviço ucraniano disparam um projétil de um obus M777 em uma linha de frente em Kharkiv  Foto: Gleb Garanich/Reuters

“A Ucrânia recebeu uma quantidade enorme de equipamentos de artilharia muito diversificados”, disse Michael Kofman, especialista em forças armadas russas e diretor de programas do centro de estudos CNA, com sede na Virgínia. “O que eles acabaram recebendo no fim foi um zoológico de artilharia, e é muito difícil fazer manutenção, sustentação e logística.”

Um problema mais sério é que o número de armas ocidentais ainda é muito pequeno.

O conselheiro presidencial ucraniano Mikhailo Podoliak disse no mês passado que o país precisa de pelo menos 1.000 obuses pesados, 300 lançadores de foguetes múltiplos, 500 tanques e 2 mil veículos blindados – muito mais do que o Ocidente forneceu até agora.

“As armas ocidentais são superiores às análogas da era soviética, mas os números têm sido muito pequenos para virar a maré da guerra”, disse Zhdanov.

Blindagem

A Ucrânia pediu ao Ocidente mais blindagem para reabastecer suas pesadas perdas no campo de batalha. O país recebeu mais de 300 tanques T-72 de fabricação soviética da Polônia e da República Checa, e já os usou em combate.

A entrega há muito prometida de tanques Leopard alemães está suspensa, no entanto, um atraso que gerou uma resposta desapontada na mídia e nas redes sociais ucranianas.

Militares ucranianos dirigem um tanque T-72 na linha de frente no leste da Ucrânia
Militares ucranianos dirigem um tanque T-72 na linha de frente no leste da Ucrânia Foto: Miguel Medina/AFP

A Ucrânia recebeu várias centenas de veículos blindados de transporte de pessoal dos EUA e de alguns aliados da Otan, uma coleção heterogênea de veículos que não compensou totalmente o que já perdeu.

Aliados ocidentais também forneceram à Ucrânia um grande número de armas antitanque portáteis – Javelin, que desempenharam um papel fundamental em ajudar os soldados ucranianos a dizimar comboios blindados russos.

Drones

No início da guerra, a Ucrânia usou extensivamente seu inventário de drones de lançamento de bombas guiados a laser Bayraktar TB2 fabricados na Turquia para atingir longos comboios de tropas russas e colunas de suprimentos. Bayraktars, no entanto, tornaram-se menos eficazes em face das defesas aéreas e eletrônicas russas mais densas no leste da Ucrânia.

Os EUA e aliados ocidentais enviaram centenas de outros drones, incluindo um número não especificado de Switchblade 600 “kamikaze” que carregam ogivas perfurantes de tanques e usam inteligência artificial para rastrear alvos. Mas seu alcance é limitado e eles só podem ficar no ar por cerca de 40 minutos.

Um veículo aéreo de combate não tripulado Bayraktar TB2
Um veículo aéreo de combate não tripulado Bayraktar TB2  Foto: Aziz Karimov/Reuters

A Ucrânia pressionou fortemente por drones de longo alcance mais avançados que possam sobreviver a interferências de rádio e interferências de GPS e contar com comunicações por satélite para controle e navegação.

Sistemas de defesa aérea

Os EUA e outros aliados da Otan forneceram à Ucrânia mais de 2.000 sistemas portáteis de mísseis de defesa aérea, como Stingers e outras armas semelhantes.

Esses sistemas compactos são eficientes contra helicópteros de combate e jatos de baixa altitude, e os militares ucranianos os usaram para infligir perdas significativas à força aérea russa, restringindo sua capacidade de fornecer apoio aéreo próximo às forças terrestres e ajudando a diminuir o ritmo da ofensiva de Moscou.

A Ukrainian soldier carries a U.S.-supplied Stinger as he goes along the road, in Ukraine's eastern Donetsk region Saturday, June 18, 2022. (AP Photo/Efrem Lukatsky)
A Ukrainian soldier carries a U.S.-supplied Stinger as he goes along the road, in Ukraine’s eastern Donetsk region Saturday, June 18, 2022. (AP Photo/Efrem Lukatsky) Foto: AP / AP

Ao mesmo tempo, a Ucrânia também estimulou o Ocidente a fornecer sistemas de defesa aérea de médio e longo alcance que seriam capazes de derrubar mísseis de cruzeiro e aeronaves de voo alto. O país recebeu da Eslováquia vários sistemas de longo alcance S-300 construídos pelos soviéticos, o tipo de arma que os militares ucranianos operam há muito tempo.

Os EUA também se comprometeram a dar à Ucrânia dois sistemas de defesa aérea de médio alcance NASAMS. A Alemanha prometeu fornecer 30 canhões antiaéreos autopropulsados Gepard, mas eles ainda não chegaram.

Aviões de guerra

Desde o início da invasão, a Ucrânia vem pedindo aos aliados ocidentais que forneçam aviões de guerra para desafiar a superioridade aérea da Rússia.

No entanto, os EUA e seus aliados estão relutantes em dar à Ucrânia os caças que ela pede, temendo que isso provoque uma resposta escalada de Moscou, que já alertou à Otan que fornecer aviões de combate à Ucrânia pode equivaler a entrar no conflito.

Um caça ucraniano MIG-29 estacionado na base aérea de Vasilkov nos arredores de Kiev em 23 de novembro de 2016
Um caça ucraniano MIG-29 estacionado na base aérea de Vasilkov nos arredores de Kiev em 23 de novembro de 2016 Foto: Efrem Lukatsky/AP

Em março, o Pentágono rejeitou a proposta da Polônia de entregar seus caças MiG-29 de fabricação soviética para a Ucrânia, transferindo-os por meio de uma base dos EUA na Alemanha, citando um alto risco de desencadear uma escalada Rússia-Otan. A Ucrânia tem sua própria frota de MiG-29, mas não está claro quantos desses e outros jatos ainda estão em serviço.

No início deste mês, a Eslováquia anunciou a intenção de entregar sua frota MiG-29 à Ucrânia, enquanto aguarda a entrega de jatos F-16 dos EUA, mas nenhuma ação foi tomada./AP

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...