Lula, Bolsonaro e Ciro já avisaram que querem mudar a política de
preços da estatal; perspectiva é de que o problema dos combustíveis
seguirá vivo em 2023
A presidência da Petrobras é sempre um dos cargos mais cobiçados na
troca de governo durante o período de transição. Nas eleições deste ano,
a escolha ganha contornos ainda mais estratégicos.
Sede
da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro; presidência da estatal é
sempre um dos cargos mais cobiçados Foto: Marcos de Paula/ Estadão
A perspectiva é de que o problema dos combustíveis seguirá vivo em
2023. Mesmo que sejam prorrogados a desoneração de tributos e os
auxílios extraordinários, como o bolsa-caminhoneiro, estaremos longe de
uma solução estrutural.
Mudanças na gestão da empresa estão em curso pelo governo do
presidente Jair Bolsonaro e deverão continuar, independentemente do
candidato que sair vitorioso nas urnas nas eleições de outubro.
Os três primeiros colocados nas pesquisas (Lula, Bolsonaro e Ciro
Gomes) sinalizaram intenção de mudar a política de preços da Petrobras.
Estaria Lula disposto a torrar de cara, por exemplo, R$ 120 bilhões,
R$ 150 bilhões para segurar os preços dos combustíveis com risco
elevadíssimo de descontrole fiscal num ambiente de gastos maiores já
contratados para 2023?
É nesse contexto que as apostas para a presidência da Petrobras e a
nova política de preços da estatal começam a ser colocadas à mesa.
Outro ponto nesse xadrez é que o próximo ministro da Economia não
terá mais a força dos tempos do passado. Além de a pasta ser novamente
dividida, hipótese dada como certa em todos os cenários, não se espera
nessa eleição um novo Posto Ipiranga. O Congresso tomou para si o
controle de boa parte da agenda econômica. Não vai largar o osso.
Brigada permanente anti-incêndio e câmeras buscam evitar tragédia de 2020, que atingiu mais de 90% da área
ENVIADA ESPECIAL AO PANTANAL – As cicatrizes do incêndio sem precedentes registrado no Pantanal mato-grossense
em 2020 ainda estão por todo lado. Árvores carbonizadas ou secas e
quantidade menor de pássaros e outros animais na região da Serra do
Amolar, a mais atingida pelo fogo naquele ano, indicam que, apesar de
sua grande capacidade de regeneração, a floresta e a fauna vão levar
anos para uma recuperação completa.
Em agosto, quando a temporada de seca se intensifica, há riscos de novos incêndios mas, desta vez, a Serra do Amolar está mais preparada.
Para que a tragédia não se repita, desde o ano passado foram feitas
ações como a criação de uma brigada permanente de combate a incêndios e,
mais recentemente, a instalação de câmeras que monitoram focos de
fumaça.
O incêndio de dois anos atrás começou em setembro e atingiu mais de
90% da Serra do Amolar, área protegida de 300 mil hectares entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso,
onde está o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense. Foram estimados
17 milhões de animais vertebrados mortos, principalmente répteis, e
perda de 742 mil árvores.
À impressão, ao percorrer hoje a Serra do Amolar, é de que a maior
parte da área queimada se recuperou. Há muito verde, principalmente nos
entornos do Rio Paraguai, que atravessa a região. A nova flora, contudo,
em sua maioria são cipós e vegetação primária, explica Ângelo Rabelo,
presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), organização que há 20 anos atua na preservação da Serra do Amolar.
“Grande parte das espécies demora de 10 a 20 anos para se recuperar”,
diz Rabelo. Como o fogo foi também subterrâneo, diversas sementes
desapareceram. A equipe do IHP conseguiu recuperar algumas delas, em
parceria com a ONG Nós Fazemos o Clima (NFC), e hoje mantém um viveiro
de mudas de árvores frutíferas aguardando a época certa para o plantio.
“O que aconteceu há dois anos não vai se repetir”, acredita o
brigadista Manuel Garcia da Silva, que acompanha o grupo de combate ao
fogo criado pelo IHP.
No ano passado já houve importante avanço, com registro de apenas 7%
de área queimada na região. A Brigada Alto Pantanal foi formada em meio
ao incêndio provocado por ação humana num momento de seca histórica,
ventos fortes que ajudaram na sua propagação e focos vindos de
diferentes regiões, incluindo da vizinha Bolívia.
A equipe é formada por brigadistas locais que conhecem o terreno e
sabem como se movimentar. Em 2020, vários Estados enviaram brigadistas,
mas eles não conheciam a área e, por isso, demoravam para chegar aos
focos do incêndio.
A região conta também com o Sistema Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PrevFogo), do Ibama, criado pelo governo federal após o grande incêndio.
Nos últimos meses, a brigada do IHP tem feito aceiros – limpeza de
faixas de áreas no meio da mata para evitar que o fogo passe de um lado
para outro e que também servem para a fuga de animais.
Outra parte visita as comunidades e fazendas vizinhas para alertar
sobre a prática de queima de pasto para a pecuária. Segundo Rabelo, os
pantaneiros sempre manejaram o fogo em áreas de pastagens, mas sabem a
época correta para fazer isso. Já os proprietários novatos de terras não
são familiarizados com a técnica.
Câmeras
Uma das mais importantes ferramentas que o IHP acaba de implantar são
cinco câmeras de alta definição instaladas em torres de comunicação.
Elas operam com inteligência artificial e detectam, em no máximo três
minutos, o surgimento de focos de calor e fumaça. Um alerta é enviado à
central, na sede do instituto, em Corumbá (MS), e a área passa a ser monitorada.
“Sabemos o local exato onde está o foco e avisamos as equipes de
brigadistas mais próximas, voluntários e pessoal das fazendas do entorno
para estarem prontas para irem ao local”, informa Josiel Coelho,
técnico do IHP que acompanha as telas de monitoramento das câmeras.
Os equipamentos acompanham um raio de 70 mil hectares ao redor do
Parque Nacional. Antes, com o uso apenas de satélites, o fogo era
detectado apenas 3 a 6 horas depois de seu início. Com a dificuldade de
mobilização, feira normalmente por barcos, às vezes as equipes de
combate chegavam ao local dias após o início do incêndio.
O inédito sistema de câmeras, chamado de Pantera, foi desenvolvido pela startup umgrauemeio, com sede em Jundiaí (SP).
Osmar Bambini, um dos fundadores da empresa, afirma que, juntando
outras áreas do Pantanal, como a do Sesc Pantanal, há 11 torres com
câmeras nessa região.
“Com 28 câmeras seria possível cobrir todas as áreas críticas do
Pantanal, cerca de 2,5 milhões de hectares”, diz Bambini. Mas, para
isso, seria necessária ajuda financeira para aquisição do sistema. As 11
já instaladas são financiadas pela JBS, um investimento de R$ 8
milhões.
A umgrauemeio trabalha agora no desenvolvimento de um sistema de
modelagem do fogo, que vai prever para onde ele vai e em qual
velocidade.
Outro projeto é promover a integração entre o Pantera e drones. “Com
isso, é possível acompanhar o trabalho dos brigadistas e até transportar
água para ajudar no combate com o uso de drones de grande porte”,
afirma Bambini.
Torres de comunicação ganharam câmeras de alta definição que detectam fumaça Foto: Umgrauemeio/Divulgação
Patrocínios
Criado em 2002 por Rabelo, o IHP é mantido por doações de pessoas
físicas e privadas e participa de licitações de projetos do governo e de
empresas.
Além de atuar na preservação e no combate a incêndios, o IHP mantém
os projetos Cabeceiras do Pantanal (de preservação e gestão de nascentes
de rios), Amolar Experience (de ecoturismo sustentável) e Rede Amolar
(parceria entre instituições privadas, governamentais e ONGs voltada à
proteção e preservação da biodiversidade e da cultura da região).
Outro projeto é o Felinos Pantaneiros, para preservação da
onça-pintada, que está na lista de risco de extinção. O Felinos tem
apoio do Banco BTG Pactual e, desde maio, também da General Motors, com doações financeiras e de uma picape S10 para o trabalho de campo da equipe do instituto.
Nesta semana, a GM anunciou parceria também com a Conservação Internacional (CI-Brasil) para a restauração da Floresta Amazônica na região de Tapajós, com ajuda financeira e cessão de duas picapes S10.
O instituto se prepara para iniciar a venda de créditos de carbono
baseados nos projetos que evitaram o desmatamento da região, assim como a
preservação da onça-pintada, animal que, por estar no topo da cadeia
alimentar e precisar de grandes áreas preservadas para sobreviver, é
indicador de qualidade do bioma. / VIAGEM A CONVITE DA GM
This
photo taken on November 21, 2019, shows the logo of the social media
video sharing app Tiktok displayed on a tablet screen in Paris. (Photo
by Lionel BONAVENTURE / AFP) (Photo by LIONEL BONAVENTURE/AFP via Getty
Images)
Rede social chinesa lançou o “Follow Me”, programa focado em pequenas
e médias empresas, para ensinar empreendedores a usar a plataforma.
Entenda a estratégia!
O TikTok lançou um novo programa focado em pequenas e médias empresas
(PMEs), o “Follow Me”. O objetivo é ensinar gratuitamente como usar a
rede social — de dicas práticas ao uso do recurso campanha — para
alavancar os resultados.
A ação está longe de ser pontual. Ela faz parte de uma estratégia
focada em atrair e reter empreendedores — público que, atualmente, é
engajado em seu principal rival, o Instagram. Para você ter uma noção, a
rede social de Mark Zuckerberg tem mais de 25 milhões de perfis
corporativos, que são responsáveis por parte da receita em anúncios na
rede social.
O apetite por fisgar empreendedores não é em vão. Com a aceleração da
digitalização dos negócios e a pandemia de Covid-19 — que fez muitas
pessoas empreenderem para sobreviver —, as redes sociais se tornaram
importantíssimas para divulgar o serviço ou produto das marcas.
Neste cenário, os anúncios pagos se tornaram os novos panfletos.
Tanto que a publicidade em redes sociais aumentou 60% no primeiro
trimestre de 2021 na comparação com 2020, segundo dados do Relatório da
Socialbakers. Para as empresas do nicho, é mais uma fonte de receita — e
ganha quem oferecer mais recursos e bons resultados. Não à toa o TikTok
se aproxima dessa comunidade ao oferecer um programa com roteiros de
aprendizado com base nos objetivos dos negócios.
“Durante seis semanas, vão aprender as melhores práticas para
executar campanhas no TikTok e integrar a história da marca nos vídeos. O
programa também inclui um guia para configurar uma conta comercial
gratuita, acessar ao Creative Center para inspiração de conteúdo e
insights”, diz a rede social chinesa.
REDES SOCIAIS PARA PROMOVER PEQUENOS E MÉDIOS NEGÓCIOS
Instagram, celular
Celular com o logo do Instagram (Foto: Claudio Schwarz on Unsplash)
A Meta, dona do Instagram, e o TikTok não são únicas redes sociais de olho no público empreendedor.
O Pinterest, na tentativa de aumentar o número de usuários e de
receita, tem lançado uma série de ferramentas — como API de compras,
tags de produtos, aba comprar, entre outras — voltadas ao
empreendedorismo.
Os movimentos também vão ao encontro do comércio eletrônico, que deve
movimentar US$ 5,5 trilhões no mundo todo este ano, segundo a
eMarketer.
Mas, para efeito de comparação, quando o assunto é YouTube, TikTok,
Snapchat e Twitter, a boa notícia vem para a rede social chinesa:
segundo estimativa da eMarketer, espera-se que até 2024, o TikTok tenha,
por exemplo, o mesmo nível de anúncio que o YouTube — chegando a US$ 23
bilhões. Snapchat, por sua vez, alcançaria US$ 8,7 bilhões e Twitter
ficaria atrás deles, em último, com US$ 7,9 bilhões.
POR QUE IMPORTA?
O TikTok, apesar de ter um dos algoritmos mais desejados pelas
empresas — já que consegue reter, em média, 10 minutos seguidos da
atenção dos internautas —, não se limita e está buscando formas de
inovar e aumentar a receita.
Mas por que focar em pequenos e médios empreendedores? Porque cada
vez mais os PMEs estão se digitalizando, logo, este público pode se
tornar anunciante pago na plataforma. Afinal, no ano passado, dos quase
US$ 4 bilhões de receita, parte dela veio de anúncios, segundo a
Bloomberg.
Outro ponto a observar na nova estratégia do TikTok é a análise de
dados: a empresa lançou o novo programa após identificar a digitalização
e o alto engajamento dos vídeos na plataforma. “De acordo com um
relatório recente publicado pela Hello Alice, 81% das pequenas empresas
dizem que o TikTok é divertido e 73% dizem que é fácil de usar”, diz a
empresa.
Preferências de Publicidade e Propaganda
Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago
Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para
divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais
veículos de propaganda você tem preferência?
Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das
empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros
meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.
Vantagens da Propaganda no Rádio Offline
Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.
É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda
existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou
produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio
funciona bem demais!
De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas
vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender
que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará
entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim,
concretizar suas vendas.
Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline
Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que
costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no
rádio. Frequentemente, os rádios também são usados como ruído de
fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles
também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o
ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo
quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao
usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,
A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade
para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de
marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e
a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos
smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia
digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo
o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é
colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e
de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a
mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente
estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que
não estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de
alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários
dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce,
os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles
funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os
consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo
ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas
encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus
produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa
que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em
2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas
vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver
seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do
nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a
visibilidade da sua marca.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Os presidentes do Uruguai, Luis Lacalle Pou (à esquerda); do
Paraguai, Mario Abdo Benítez (ao centro); e da Argentina, Alberto
Fernández (à esquerda), conversam durante reunião de cúpula do Mercosul
em 21 de julho de 2022.| Foto: Nathalia Aguilar/EFE
As divergências que vêm minando a atuação comum dos países do
Mercosul se tornaram ainda mais evidentes nas reuniões de chefes de
Estado, ministros da área econômica, presidentes de Bancos Centrais e
chanceleres, ocorridas ao longo desta semana. O presidente brasileiro,
Jair Bolsonaro, não viajou à cidade paraguaia de Luque, participando da
cúpula desta quinta-feira por videoconferência – os demais presidentes, o
argentino Alberto Fernández, o uruguaio Luis Lacalle Pou e o paraguaio
Mario Abdo Benítez, compareceram pessoalmente. Além disso, não houve
consenso para que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enviasse
uma mensagem aos presidentes.
Mas é na questão da inserção comercial que as diferenças se
aprofundam. Por mais que o bloco tenha anunciado a conclusão de um
acordo de livre comércio com Singapura, facilitando a entrada de
produtos sul-americanos no Sudeste Asiático, e tenha finalmente acertado
uma redução de 10% na Tarifa Externa Comum (algo que o Brasil já havia
realizado unilateralmente), as boas notícias terminaram aí. São as
perspectivas de um outro acordo, que vem sendo costurado entre o Uruguai
e a China, que dominam as preocupações dos países-membros. As regras do
Mercosul exigem que tratados sejam negociados pelo bloco, não de forma
isolada, mas há um ano o Uruguai já havia avisado os demais parceiros
que passaria a agir sozinho mesmo sem o aval dos outros três países do
Mercosul, intenção que Lacalle Pou reafirmou nesta quinta-feira.
Argentina e Paraguai já se declararam enfaticamente contrários a
qualquer acordo entre China e Uruguai, enquanto o Brasil, defensor de
uma flexibilização das regras de negociação, tem evitado tomar partido.
Os países do Mercosul dificilmente conseguem falar o mesmo idioma em termos econômicos
“Seríamos mais fracos sem o Mercosul”, afirmou o chanceler argentino,
Santiago Cafiero; seu colega paraguaio, Julio César Arriola,
acrescentou que o bloco tem “maior capacidade e força negociadora”. Ora,
se há um país que sabe muito bem disso é o Uruguai. Um país de 3,5
milhões de habitantes e PIB de US$ 50 bilhões tem muito menos poder de
fogo em uma mesa de negociação que um gigante de 270 milhões de
habitantes e PIB de cerca de US$ 2 trilhões. A questão não é essa, mas o
que fazer quando o desejo de maior inserção internacional de um país é
freado pelos parceiros de bloco – no entanto, a discussão do problema em
tese ainda deixa de lado algumas questões mais práticas, que se tornam
cruciais quando do outro lado estão os produtos chineses.
Caso os uruguaios de fato assinem um tratado de livre comércio com a
China, e permaneçam no Mercosul, o país asiático teria abertas as portas
para seus produtos dentro de todo o bloco sem pagar tarifas, bastando
que eles chegassem pelo Uruguai, jogando o pêndulo para o outro lado: se
hoje há uma boa dose de protecionismo dentro do bloco, passar-se-ia a
uma situação de concorrência quase desleal. O próprio Paulo Guedes,
defensor da abertura comercial, reconheceu essa situação em um evento
organizado pelo Senado em abril de 2021, comemorando os 30 anos do
Mercosul. “Nós sempre dissemos para os nossos industriais que nós não
íamos abrir de repente a economia brasileira, considerando que o
industrial brasileiro tem uma bola de ferro na perna direita, que eram
os juros de dois dígitos; uma bola de ferro na perna esquerda, que eram
justamente os impostos excessivos; e um piano nas contas, que são os
encargos trabalhistas. Você não pode de repente abrir e falar: ‘pode
correr que o chinês vai te pegar’”, afirmou à época o ministro da
Economia. A situação escancara as diferenças internas dentro do bloco,
pois, enquanto o Uruguai é o 34.º colocado no Índice de Liberdade
Econômica da Heritage Foundation, considerado uma “economia livre” (e
cujos negócios, teoricamente, teriam mais condições de concorrer com o
produto chinês), o Brasil amarga o 133.º lugar e a Argentina, a 144.ª
posição, ambos no grupo dos países “majoritariamente não livres” – o
Paraguai fica em um intermediário 73.º lugar, entre as economias
“moderadamente livres”.
Os países do Mercosul, portanto, dificilmente conseguem falar o
mesmo idioma em termos econômicos. Há os que, já tendo uma economia bem
desenvolta, gostariam de avançar mais na inserção comercial
internacional; os que entendem o valor da abertura comercial, mas não
conseguem realizar reformas que deem competitividade ao produtor
nacional e permitam que essa abertura possa ocorrer sem solavancos; e os
que abraçam sem pudores o protecionismo. É fundamental que o Mercosul
siga buscando a elevação do comércio exterior com outros países e blocos
– o que inclusive servirá como empurrão para reformas que elevem a
competitividade do produto nacional – em uma velocidade que seja
aceitável para todos.
Estados alegam que crescimento de arrecadação não é estrutural| Foto: Lia de Paula/Agência Senado
As
estratégias utilizadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) para reduzir
o preço final dos combustíveis atingiram em cheio as finanças das
administrações estaduais, altamente dependentes da arrecadação com o
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Apenas a Lei
Complementar 194/2022, que limitou as alíquotas do tributo sobre
combustíveis, energia, transportes e comunicações, deve reduzir as
receitas das unidades federativas em cerca de R$ 54 bilhões até o fim do
ano, de acordo com as secretarias de Fazenda estaduais.
Diante dos protestos de governadores, o governo federal argumenta que
a arrecadação, a poupança e os investimentos dos estados cresceram nos
últimos anos em razão de ganhos proporcionados pela inflação de
combustíveis e energia na retomada econômica, além de transferências
federais para o combate à pandemia de Covid-19.
Segundo dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),
em 2021 a arrecadação líquida do ICMS com combustíveis e lubrificantes
foi de R$ 112,5 bilhões, uma alta de 40% em relação a 2020, quando foram
contabilizados R$ 80,4 bilhões. Os números foram utilizados pelo
senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), em seu relatório ao PLP 18,
que deu origem à Lei Complementar 194. Arrecadação do ICMS cresce 23% em 2021 com disparada de combustível e energia
Um relatório divulgado no fim de junho pela Secretaria do Tesouro
Nacional, do Ministério da Economia, mostra que todas as 27 unidades da
federação tiveram crescimento em suas receitas no segundo bimestre, na
comparação com o mesmo período de 2021. As maiores elevações ocorreram
no Rio de Janeiro (40%) e no Pará (34%).
De acordo com o documento, houve aumento também nas despesas, mas em
20 das 27 unidades federativas em escala inferior à das receitas. No Rio
de Janeiro, por exemplo, os gastos subiram 19%, e no Pará, 20%.
Crescimento das receitas e despesas correntes Receitas correntes
realizadas e despesas liquidadas até o 2º bimestre de 2022 em relação ao
mesmo período do exercício anterior (%)
UF Receita Despesa AC 20% 12% AL 21% 23% AM 17% 22% BA 21% 10% CE 18% 19% DF 12% 6% ES 31% 12% GO 17% 2% MA 19% 27% MG 9% 16% MS 18% 0% MT 26% 12% PA 34% 20% PB 25% 18% PE 3% 5% PI 19% 15% PR 24% 9% RJ 40% 19% RN 16% 9% RO 32% 38% RR 10% 35% RS 4% 0% SC 33% 16% SE 14% 2% SP 22% 19% TO 27% 16% Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional São Paulo e Minas Gerais anunciam redução na alíquota do ICMS do etanol Outro
indicador que aponta melhora na saúde fiscal dos estados é a poupança
corrente, ou seja, a diferença entre as receitas correntes e as despesas
correntes empenhadas. Segundo o Tesouro Nacional, o dado, se positivo,
aponta a autonomia para realização de investimentos com recursos
próprios.
O melhor indicador foi observado no Amapá, onde a diferença entre
receitas e gastos chegou a 60% da receita corrente líquida (RCL). No
segundo bimestre de 2019, antes da pandemia, o nível de poupança
corrente do estado era de 47% da RCL. Na época, estados como Goiás e Rio
Grande do Sul apresentavam taxas negativas, de 7% e 6%,
respectivamente. Segundo o último relatório, agora têm 22% e 21%.
Poupança corrente em relação à receita corrente líquida (RCL) UF Poupança corrente/RCL AC 37% AL 28% AM 25% AP 60% BA 33% CE 34% DF 25% ES 39% GO 22% MA 26% MG 20% MS 29% MT 48% PA 33% PB 33% PE 29% PE 29% PI 32% PR 42% RJ 31% RN 28% RO 37% RR 34% RS 21% SC 33% SE 22% SP 35% TO 31% Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional
Com isso, estados estão conseguindo quitar restos a pagar, ou seja,
despesas orçadas durante um ano fiscal e que não foram honrados. O
Distrito Federal chegou a quitar 74% das despesas inscritas ao fim de
2021. Paraíba se desfez de 72% de seus restos a pagar, e o Pará, 70%. Na
outra ponta, Rio Grande do Sul, Amapá e Minas Gerais conseguiram quitar
apenas 9%, 10% e 11%, respectivamente.
Com isso, houve aumento nos investimentos dos estados. Até o segundo
bimestre de 2022, a Bahia aplicou 10% de sua receita total com esse tipo
de despesa. Espírito Santo, Maranhão e Alagoas investiram 9%, enquanto
Mato Grosso do Sul, Piauí e Santa Catarina, 8%. Para se ter uma ideia,
em 2019, no mesmo período, o maior índice, da Bahia, era de 5%.
Composição das despesas em relação à receita total UF % custeio % pessoal % investimento % dívida AC 17% 47% 2% 5% AL 24% 46% 9% 6% AM 25% 40% 3% 3% AP 12% 37% 2% 0% BA 22% 46% 10% 3% CE 22% 44% 4% 5% DF 26% 51% 1% 2% ES 21% 39% 9% 3% GO 27% 52% 2% 1% MA 28% 44% 9% 7% MG 19% 50% 5% 15% MS 17% 55% 8% 4% MT 10% 46% 2% 6% PA 24% 45% 7% 2% PB 12% 54% 5% 2% PE 24% 48% 4% 2% PI 25% 45% 8% 6% PR 12% 48% 3% 2% RJ 22% 50% 2% 1% RN 10% 65% 1% 1% RO 19% 46% 0% 1% RR 19% 47% 1% 3% RS 15% 65% 2% 1% SC 17% 50% 8% 4% SE 27% 51% 4% 3% SP 21% 45% 3% 8% TO 18% 53% 2% 3%
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional
Governo e Congresso querem mudar a Lei das Estatais, criada após a
Lava Jato para evitar interferências político-partidárias nessas
empresas. Você é a favor ou contra a mudança na lei? A favor Contra Estados alegam que crescimento não é estrutural Os
estados, por sua vez, afirmam que o aumento recorde na arrecadação não
foi estrutural. “A receita de ICMS cresceu muito acima do habitual,
pulando de 7% para 7,6% do PIB, sem haver um real aumento de carga
tributária para os contribuintes, nem qualquer outra mudança estrutural
na economia que justificasse a crença de que esse resultado se repetirá
pelos próximos anos”, diz o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda
dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em nota.
A partir de análise do economista Sérgio Gobetti, a entidade alega
que a receita estadual advinda do ICMS poderá cair até 1,5% do PIB nos
próximos anos, em decorrência da reversão dos ganhos extraordinários de
arrecadação obtidos em 2021 e da redução permanente das alíquotas de
combustíveis, energia e telecomunicações.
Segundo o economista, a alta recente na arrecadação tratou-se de uma
conjunção de fatores atípicos, que tende a se reverter. “O que ocorreu
foi a combinação de dois eventos extraordinários: o aumento do preço do
petróleo bem acima da média histórica e o crescimento do PIB industrial,
que serve de base para o ICMS, bem acima do PIB geral da economia
brasileira”, explica Gobetti.
Governo eleva projeção de crescimento do PIB de 2022 para 2% e reduz previsão de inflação Embora
tenham reduzido suas alíquotas de ICMS, 11 estados ainda tentam
reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) os efeitos da Lei
Complementar 192/2022, que estabeleceu alíquota única e uniforme para
todo o país do ICMS sobre combustíveis. Na segunda-feira (18), o
ministro Gilmar Mendes, relator do caso na Corte, determinou a criação
de uma comissão especial de conciliação com o objetivo de buscar um
consenso dos interesses dos estados e da União.
Para o economista Raul Velloso, especialista em análise
macroeconômica e finanças públicas, não há exatamente um lado certo
nessa disputa. “Há interesses se cruzando. Do ponto de vista do governo
federal, o ideal é que não haja inflação, que a Petrobras continue
lucrando e que as alíquotas do ICMS diminuam para não ter esse impacto
sobre as pessoas que consomem o combustível nas bombas dos postos”, diz.
“Do ponto de vista do gestor estadual, ele tende a ser contra isso
porque ele vai sempre procurar aumentar a arrecadação não só para pagar
suas dívidas, mas também para fazer frente aos gastos que precisa fazer e
que também têm subido muito”, explica. “O estado é o primo pobre da
federação”.
Segundo Velloso, que foi secretário de Assuntos Econômicos do
Ministério do Planejamento, diversas unidades federativas têm enfrentado
graves crises em razão do aumento desproporcional de despesas com as
previdências estaduais, que as obrigam a reduzir investimentos.
“Estados vão acabar perdendo as despesas financiadas por receitas
cativas nas áreas de educação e saúde, que são críticas também. Mas
previdência é uma conta que precisa ser paga. Subiu, vai ter de
enfrentar, e aí o que sobra é cortar investimentos. É isso que está
acontecendo no Brasil: estamos seguidamente cortando investimentos há 12
anos para poder pagar a conta da previdência”, afirma. “O que os
governadores estão vendo agora é uma possibilidade de reagir melhor a
isso.”
Em live promovida pelo jornal Valor Econômico, o economista Daniel
Couri, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), disse
que as limitações à arrecadação de ICMS dos estados devem representar,
mais para frente, uma espécie de “reforma tributária forçada” nos
estados.
“Nenhum estado que tem perda de arrecadação relevante como essa vai
ficar parado”, disse. Para ele, o impacto das medidas deve ser
heterogêneo, “mas todos vão sentir de alguma forma”.
“Temos vários regimes especiais no âmbito dos estados. Essa perda de
arrecadação do PLP 18 vai forçar todos os governos estaduais a
repensarem outros benefícios que serão concedidos”, afirmou Couri. “Isso
vai forçar a gente a ter uma composição de arrecadação estadual
diferente da que a gente tem hoje.”
Depois de 30 anos, fui a uma igreja evangélica. Enfrentei meus
próprios preconceitos e saí de lá pensando: e se Alexandre de Moraes
tivesse uma revelação?| Foto: Montagem de Eli Vieira
Terça-feira
(19). Estou cansado. E, confesso envergonhadamente, estou tomado por um
cinismo infeliz acumulado ao longo de décadas. É assim que enfrento o
friozinho para entrar num culto evangélico pela primeira vez em trinta
anos. A denominação – Igreja Batista da Lagoinha – é totalmente
desconhecida para mim. “Vamos ver o que é que acontece”, penso, a título
de automotivação. Antes, permita-me esclarecer o “cinismo infeliz”.
Não apenas acumulado, esse cinismo infeliz foi cultivado ao longo de
três décadas. A origem, eu a localizo na igreja evangélica que eu era
obrigado a frequentar enquanto pré-adolescente. Durante um tempo, achava
que o problema estava na obrigatoriedade. Depois, entendi que eram
outras coisas, sobretudo a música ruim e as pregações que misturavam
religião e política, sem falar no moralismo sexual que definitivamente
não comovia um menino pubescente.
Depois vieram anos e anos consumindo jornalismo e entretenimento que
retratavam o mundo evangélico como um amontoado de gente na melhor das
hipóteses ignorante e na pior, mal-intencionada. Por fim, teve aquela
tarde de domingo em que, sem nada melhor para fazer e movido por uma
curiosidade mórbida, liguei a TV para acompanhar o culto de um desses
pastores caricatos – e fiquei assustado com a caricatura que vi.
Me sentei na antepenúltima fila. Cruzei os braços. Não estava
mal-humorado nem nada. Era só meu jeito de esperar. A todo instante,
porém, era levado a estender a mão e abrir um sorriso para os
desconhecidos que vinham me cumprimentar com o “paz, irmão” que não
ouvia há 30 anos. Já aí desmoronou o cinismo infeliz. “Como fazem falta
gestos assim, de generosidade desinteressada”, pensei.
Começou o culto. Não havia liturgia alguma. Tudo era muito espontâneo
– e não sei direito o que pensar a respeito disso. Digo, sou católico e
conservador; gosto da Tradição. Mas havia tanta boa intenção nessa
espontaneidade que era difícil não admirá-la. A primeira meia hora foi
tomada por músicas bem melhores do que as que animavam os cultos da
minha época. Destaque para uma moça de dreads coloridos que cantava
divinamente bem e com um fervor digno de sinceros aplausos.
Depois das músicas vieram pastores que, alternadamente, oraram cada
um por uma causa: família, saúde, trabalho (não dinheiro; trabalho) e
Pátria. Ao meu redor, chamou a atenção a sinceridade com que as pessoas
pediam e sobretudo agradeciam. Pensei que naquele exato momento alguém
mais cínico e infeliz do que eu provavelmente estava entrando nas redes
sociais para reclamar, reclamar, reclamar – num rito semelhante ao de
uma oração blasfema. E até por isso me senti cercado por pessoas de bem.
Improvável
Por fim, começou a pregação. Não sem antes o pastor pedir que a
bandeira do Brasil fosse mantida no telão. Intitulada “Deus Capacita os
Improváveis”, a pregação foi feita tendo por base a história de Davi e a
conversão do apóstolo Paulo ao Cristianismo. (A coincidência dos nomes
não me escapou). E foi ao longo do monólogo que durou uma boa hora que
refleti sobre a possibilidade de Alexandre de Moraes cair do cavalo.
Paulo, talvez você se lembre das aulas de catecismo, teve uma
epifania e “caiu em terra”. Ou seja, ele pode ter mesmo caído do cavalo,
como popularmente se diz, mas pode muito bem ter “caído da própria
altura”. Não importa. O que importa é que um homem que antes perseguia
os cristãos se tornou um cristão perseguido por pregar os valores que,
como bem expõe Tom Holland no obrigatório “Domínio: o cristianismo e a
criação da mentalidade ocidental”, moldaram a Civilização que nos
rodeia.
O que aconteceria se um ministro do STF passasse pela mesma
experiência e mudasse completamente de ideia? E aqui acredito que valha
um aviso: sou totalmente responsável por essas elucubrações que associam
a história bíblica ao Brasil do ano da Graça de 2022. O pastor jamais
mencionou o nome de qualquer autoridade. Até porque o objetivo dele era
alcançar o homem comum, e não tecer considerações jurídico-políticas.
Imaginei o pedido de desculpas, os debates sobre a sinceridade ou não
de um arrependimento, uma turma se sentindo traída e a outra desejando
vingança. Imaginei, porque imaginar é o que faço de melhor, o martírio
por que passaria o ministro ao substituir o voluntarismo maquiavélico
pelo que é belo & moral. Pelo que é correto e justo. Ou ao menos
pelo que é constitucional. E, já que estava no embalo, imaginei até um
Alexandre de Moraes asceta, a barba comprida adornando a cabeça calva,
envolto nos retalhos de sua autoridade togada, imerso numa redenção para
nós talvez incompreensível.
Alexandre de Moraes é um dos “improváveis” de que falava o pastor. A
lógica (cínica, infeliz e elementar) nos leva a crer que ele jamais
alcançará qualquer epifania que o desvie do caminho autoritário que vem
trilhando. E eu estaria mentindo se dissesse que tenho esperança de que
esse milagre venha a se concretizar. Assim como aconteceu com o apóstolo
Paulo e incontáveis pessoas que não figuram nem na Bíblia nem nas
manchetes dos jornais, o poder tende a despertar o que há de pior nas
pessoas. Uma tentação que os vaidosos têm ainda mais dificuldade para
rejeitar.
Saí da igreja igual, mas diferente. Não tenho intenção de
frequentá-la nem nada. Mas, depois de duas experiências nos círculos
infernais (aqui e aqui), foi bom saber que há no mundo pessoas gratas.
Pessoas que, a despeito do olhar cínico e infeliz de tantos, não hesitam
em enfrentar o cansaço e o friozinho curitibano para, numa noite
qualquer de terça-feira, refletir. Hoje, com a esperança renovada, posso
atestar: o cidadão de bem existe. E está mais perto de mim e de você do
que fazem supor os tratados sociológicos.
AME1793.
RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 06/07/2022.- El expresidente y candidato a la
Presidencia de Brasil Luiz Inácio Lula da Silva participa en una reunión
con representantes de la Samba para participar en un debate sobre el
sector cultural, hoy, en la cancha de la escuela de samba Unidos da
Tijuca, en Río de Janeiro (Brasil). El dirigente de la izquierda
brasileña Luiz Inácio Lula da Silva mantiene una distancia de 14 puntos
porcentuales frente al presidente Jair Bolsonaro en una encuesta sobre
intenciones de voto con vistas a los comicios del 2 de octubre divulgada
este miércoles. EFE/ André Coelho
O ex-presidente Lula cumpre agenda em Pernambuco durante a semana.| Foto: André Coelho/EFE
Vocês notaram como ficam repetindo o chavão da “ameaça à democracia”?
O que é “ameaça à democracia”? Corrupção é uma ameaça à democracia,
porque o dinheiro público passa a ser dos corruptos e não mais do
público, do pagador de impostos. Não vai mais para hospitais, escolas,
assistência social, infraestrutura, tratamento de esgoto, saneamento
básico. Isso, sim, é um crime muito grande contra a democracia, porque
falta dinheiro para os hospitais, e isso mata. Mata-se o futuro quando
falta dinheiro para o ensino. Esse é um dos problemas. O outro é quando
há uma ideologia que quer se impor, e todo mundo sabe que ela só se
impõe em regimes de força como foi na União Soviética, por mais de 70
anos, em Cuba, na Venezuela, na China, como a gente está vendo nesses
dias. Para funcionar, tem de ter um Estado forte e uma liberdade fraca
para as pessoas físicas e jurídicas, assim o Estado pode se impor. Outro
dia, até o ex-presidente Lula falou nisso, que na China era bom porque o
governo podia governar, ninguém reclamava.
Por que eu estou contando isso? Porque foi homologada a candidatura
dele em São Paulo e, na ausência dos dois candidatos, Lula e Alckmin,
foi homologada a candidatura deles pelo Partido Comunista do Brasil e
pelo Partido Verde, formando federação com o Partido dos Trabalhadores.
Os componentes da chapa, Lula e Alckmin, estavam em Pernambuco, estado
natal de Lula, no município onde ele nasceu, Garanhuns. Eu vi as
imagens, tinha pouca gente e houve até vaias. Nos jornais e redes
sociais só aparece a foto de Lula, não a do público. Mas vi alguém
gravando por trás e ouvi vaias. O eleitor chega lá e vê Lula e Alckmin
juntos, aqueles que eram os grandes adversários na eleição presidencial
de 2006, um dizendo que o outro era o pior do mundo. Como é que o
cidadão, que tem o pensamento claro, lógico, vai admitir? Fica estranho.
O ex-presidente ainda está por lá, e agora está fazendo reuniões
fechadas.
A explicação que Fachin quer está no artigo 84 da Constituição O
ministro Edson Fachin, atendendo a PCdoB, Rede, PDT e PT, deu cinco dias
para o presidente Bolsonaro explicar por que convidou os embaixadores
para falar sobre a falta de segurança da apuração. Eu acho que Bolsonaro
devia responder que a Constituição, no artigo 84, afirma que compete
privativamente ao presidente da República manter relações com Estados
estrangeiros. E, se é “privativamente”, isso exclui o próprio ministro
Fachin, que dias antes havia também convidado os representantes de
Estados estrangeiros para falar sobre o mesmo assunto, a segurança da
urna eletrônica e da apuração. Mas só quem pode fazer isso é o
presidente da República, e ele usou esse poder.
Até o Brasil da pré-história já foi pilhado Lá no Nordeste tem
muito achado do período Paleolítico. Agora mesmo um museu alemão
finalmente reconheceu isso, porque até agora dizia que um certo objeto
era da Alemanha. São fósseis de um dinossauro ancestral das aves, com
mais de 100 milhões de anos. Esse fóssil foi levado da Bacia do Araripe,
uma região entre o Ceará e o Piauí por onde pesquisadores estrangeiros
andam, levando fósseis para fora.
O Ministério Público já recuperou muitos desses fósseis. São dezenas.
Isso aqui era casa da mãe Joana nos anos 1990; esse dinossauro chegou à
Alemanha, mas não se sabe como. Pegaram muita coisa da Bélgica e ficam
se metendo em nossa vida depois de levar madeira, minerais, até fósseis.
Roubando do Brasil de 100 milhões de anos atrás.
O governo dos Estados
Unidos acaba de declarar, neste momento em que o presidente Jair
Bolsonaro tanto fala das suas dúvidas sobre a segurança do sistema
eletrônico a ser utilizado na eleição presidencial, que chegou à
conclusão exatamente contrária. O sistema, avisou a Casa Branca, não tem
falhas, como juram os ministros do STF que vão cuidar da votação e da
apuração dos votos; os americanos garantem que as eleições brasileiras
serão um modelo de limpeza para o mundo. O presidente Joe Biden deve
saber o que está falando. Ele tem a seu serviço a CIA, o FBI, a NASA e
sabe Deus o que mais; seus sistemas de informação são os mais avançados
que existem sobre a face da Terra. Mas só pode dizer o que disse porque é
Bolsonaro quem está na presidência do Brasil. Se as queixas em relação
ao sistema eleitoral viessem de algum outro candidato – Lula, por
exemplo – o mundo político brasileiro estaria vindo abaixo neste
momento.
“Intervenção inaceitável em questões internas do Brasil”, estaria
protestando o PT, a esquerda e mais tudo o que existe em nosso Brasil
“progressista” e nos seus subúrbios. “Agressão à soberania brasileira”,
“tentativa clara de intervir no resultado da eleição”, etc. etc. etc. – é
melhor nem imaginar o tamanho da indignação e da ira santa que iriam
desabar sobre todos se os americanos, por um minuto que fosse, dissessem
uma sílaba de contestação a algum dos mandamentos de Lula. Mas, para
sorte da paz, concórdia e amizade entre os povos, os Estados Unidos de
hoje têm um governo de “esquerda”, que combate o “fascismo”, luta pela
“igualdade” e defende a causa operária. Biden gosta de Lula, do PT e do
STF. Pode, então, dizer o que bem entende sobre o Brasil, as eleições e o
que mais vier – qual seria o problema?
É melhor nem imaginar o tamanho da indignação e da ira santa que
iriam desabar sobre todos se os americanos, por um minuto que fosse,
dissessem uma sílaba de contestação a algum dos mandamentos de Lula
É curioso, hoje em dia, que os amigos reais dos Estados Unidos sejam
tratados como inimigos pelo governo americano – e os inimigos como
amigos. Há no mundo de hoje poucos presidentes tão a favor dos Estados
Unidos como Bolsonaro – a favor da liberdade econômica, dos valores da
democracia americana, do estilo de vida da América e de tudo o mais que
tem a ver com o conservadorismo, o capitalismo e a ideia de “ocidente”.
Mas ele, por ser amigo dos Estados Unidos, é um inimigo para a Casa
Branca. Para ser amigo do governo americano, hoje, é preciso fazer o
contrário: ser um inimigo dos Estados Unidos. Lula é inimigo há 40 anos –
e continuará a ser, por tudo o que promete em sua campanha eleitoral.
Ele diz que a miséria de Cuba é culpa dos Estados Unidos. Diz que a
miséria da Venezuela é culpa dos Estados Unidos. Diz que a guerra da
Ucrânia é culpa dos Estados Unidos. Pense num problema qualquer do
mundo, da fome na África ao aquecimento da calota polar – para Lula, a
culpa é dos Estados Unidos. É isso tudo, pelo jeito, que faz dele o mais
querido do presidente Biden.
Ministério do Trabalho irá abrir cadastro às prefeituras para o envio de informações de taxistas que devem receber o benefício;
BRASÍLIA – O Ministério do Trabalho e Previdência enviou nesta quinta-feira, 21, ofícios às prefeituras de todo o Brasil para solicitar o envio das informações referentes aos taxistas regularmente
cadastrados junto aos municípios. A previsão é de que o primeiro lote
do chamado Benefício Emergencial aos Motoristas de Táxis, criado pela PEC “Kamikaze”, seja pago em 16 de agosto.
Já o auxílio aos caminhoneiros começa
a ser pago em 9 de agosto, segundo o ministério. Os transportadores
autônomos de carga receberão seis parcelas de R$ 1 mil.
As informações de cadastro dos caminhoneiros foram repassadas pela
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e já estão em
processamento pela Dataprev para permitir o pagamento aos elegíveis. Os
detalhes sobre o pagamento de cada benefício serão regulamentados em
breve por meio de portaria.
No caso dos taxistas, os prefeitos poderão enviar as informações de
cadastro a partir da próxima segunda-feira, 25. As orientações para a
inserção dos dados e demais informações sobre o pagamento do auxílio
estarão em um portal criado pelo ministério. O sistema ficará aberto às prefeituras para receber os cadastros até o dia 31 de julho.
Aqueles prefeitos que no dia 25, eventualmente, ainda não tiverem
recebido a comunicação do ministério poderão acessar o sistema
igualmente para enviar as informações.
O envio dos cadastros dos taxistas pelas prefeituras é necessário
pela competência municipal ou distrital do tema. Os dados cadastrados
serão processados pela Dataprev.
Serão considerados os motoristas de táxi com Carteira Nacional de
Habilitação válida e alvará em vigor no dia 31 de maio de 2022.
BRASILIA
BSB DF 15/05/2017 ECONOMIA LINK Fachada do predio do Ministerio do
Trabalho e Ministerio da Fazenda FOTO: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO
O valor e o número de parcelas do benefício poderão ser ajustados de
acordo com o número de beneficiários cadastrados, respeitando o limite
disponível para o pagamento do auxílio, previsto na Emenda
Constitucional aprovada pelo Congresso.
Mais cedo, em entrevista ao SBT, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, havia dito que o objetivo do governo era começar a pagar a bolsa-caminhoneiro de R$ 1 mil no próximo dia 5.
O ministro também falou que a parcela de R$ 600 do Auxílio Brasil
deve começar a ser paga até o dia 9 de agosto. Por ora, segundo portaria
publicada ontem, o benefício começa a ser pago no dia 18.
O pacote de benefícios promulgado no Congresso na
semana passada, pela PEC “Kamikaze”, eleva as despesas do governo em R$
41,25 bilhões fora do teto de gastos – e é visto como uma das apostas do
governo para aumentar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.
Envio de equipamento militar do Ocidente tem sido crucial para a
resistência ucraniana contra a invasão russa, mas Kiev diz que os
números ainda são pequenos e quer aviões de guerra
KIEV – Na última quarta-feira, 20, a primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, foi ao Congresso dos Estados Unidos repetir um pedido constante de seu marido, Volodmir Zelenski: mais armas ocidentais. Desde que a Rússia deu início à invasão da Ucrânia há
quase cinco meses, o envio de ajuda militar pelo Ocidente tem sido
crucial para que o país resistisse tanto tempo contra um gigante bélico.
Agora, o pedido de Zelenska aos americanos foi bastante específico: sistemas de defesa aérea. O apelo ocorreu ao mesmo tempo em que a Rússia afirmava que planeja conquistar áreas mais amplas para além do leste ucraniano, região conhecida como Donbas, com o ministro das Relações Exteriores Serguei Lavrov enfatizando que Moscou também reivindica a região de Kherson e parte de Zaporizhzhia e expandirá “contínua e persistentemente” seus ganhos a outros lugares.
A primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, pede mais
armas, especialmente sistemas de defesa área, ao Congresso dos
EUA Foto: Jabin Botsford/EPA/EFE
Os bilhões de dólares em assistência militar ocidental foram cruciais
para os esforços da Ucrânia para se defender dos ataques russos,
chegando o forçar a recuada de Moscou da capital e do Norte do país. Mas
autoridades em Kiev dizem que os números ainda são pequenos demais para
mudar o rumo da guerra, já que os equipamentos são usados muito
rapidamente e logo se esgotam.
Mas o pedido por aviões de guerra ainda causa enorme resistência nos aliados da Otan, já que a
Rússia fez diversos alertas de que fornecer aviões de combate à Ucrânia
equivaleria a uma entrada oficial da aliança no conflito.
Veja o que a Ucrânia já recebeu e como essas armas têm ajudado o país na guerra até agora:
Lançadores de foguetes Himars
Os sistemas Himars fornecidos pelos Estados Unidos e M270 similares do Reino Unido reforçaram significativamente a capacidade de ataque de precisão dos militares ucranianos.
O Himars e o M270 têm um alcance maior, uma precisão muito melhor e
uma cadência de tiro mais rápida em comparação com os lançadores de
foguetes múltiplos Smerch, Uragan e Tornado projetados pelos soviéticos
usados pela Rússia e pela Ucrânia.
Os lançadores Himars montados em caminhão disparam mísseis guiados
por GPS capazes de atingir alvos a até 80 Km de distância, uma distância
que os coloca fora do alcance da maioria dos sistemas de artilharia
russos. Os lançadores móveis são difíceis de detectar pelo
inimigo e podem mudar rapidamente de posição após o disparo para escapar
de ataques aéreos.
Um
Sistema de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade, ou Himars. Os
sistemas Himars fornecidos pelos EUA e similares M270 fornecidos por
aliados reforçaram significativamente a capacidade de ataque de precisão
do exército ucraniano Foto: Corey Dickstein/Savannah Morning News via
AP
Os militares ucranianos até agora receberam uma dúzia de sistemas
Himars e vários M270, mas já os utilizaram para atingir, com sucesso,
depósitos russos de munição e combustível no leste da Ucrânia,
essenciais para apoiar a ofensiva de Moscou. Na quarta-feira, as forças
ucranianas usaram o Himars para atingir uma ponte estratégica na região
sul de Kherson, ocupada pela Rússia.
“Himars quase não descansa durante o dia ou à noite. Seu potencial
foi usado ao máximo”, disse o especialista militar ucraniano Oleh
Zhdanov à Associated Press. “Os resultados foram impressionantes. Mais
de 30 alvos russos importantes foram atingidos com alta precisão nas
últimas duas semanas.”
As autoridades dos EUA até agora se abstiveram de fornecer à Ucrânia
mísseis de longo alcance para lançadores Himars que podem atingir alvos
de até 300 Km, o que permitiria que os militares atinjam áreas dentro do
território russo.
Artilharia pesada
A Ucrânia recebeu entregas de mais de 200 sistemas de artilharia pesada dos EUA e seus aliados da Otan. Eles incluíram os obuses M777 dos EUA, o francês CAESAR, o alemão PzH 2000 e alguns outros sistemas de artilharia de longo alcance rebocados e autopropulsados.
Os obuses ocidentais têm algumas vantagens sobre os sistemas
soviéticos mais antigos nos arsenais russo e ucraniano, mas leva tempo
para as tripulações ucranianas aprenderem a operá-los. Sua ampla
variedade apresenta desafios logísticos óbvios.
Membros do serviço ucraniano disparam um projétil de um obus M777 em uma linha de frente em Kharkiv Foto: Gleb Garanich/Reuters
“A Ucrânia recebeu uma quantidade enorme de equipamentos de
artilharia muito diversificados”, disse Michael Kofman, especialista em
forças armadas russas e diretor de programas do centro de estudos CNA,
com sede na Virgínia. “O que eles acabaram recebendo no fim foi um
zoológico de artilharia, e é muito difícil fazer manutenção, sustentação
e logística.”
Um problema mais sério é que o número de armas ocidentais ainda é muito pequeno.
O conselheiro presidencial ucraniano Mikhailo Podoliak disse no mês
passado que o país precisa de pelo menos 1.000 obuses pesados, 300
lançadores de foguetes múltiplos, 500 tanques e 2 mil veículos blindados
– muito mais do que o Ocidente forneceu até agora.
“As armas ocidentais são superiores às análogas da era soviética, mas
os números têm sido muito pequenos para virar a maré da guerra”, disse
Zhdanov.
Blindagem
A Ucrânia pediu ao Ocidente mais blindagem para reabastecer suas pesadas perdas no campo de batalha. O país recebeu mais de 300 tanques T-72 de fabricação soviética da Polônia e da República Checa, e já os usou em combate.
A entrega há muito prometida de tanques Leopard alemães está suspensa, no entanto, um atraso que gerou uma resposta desapontada na mídia e nas redes sociais ucranianas.
Militares ucranianos dirigem um tanque T-72 na linha de frente no leste da Ucrânia Foto: Miguel Medina/AFP
A Ucrânia recebeu várias centenas de veículos blindados de transporte
de pessoal dos EUA e de alguns aliados da Otan, uma coleção heterogênea
de veículos que não compensou totalmente o que já perdeu.
Aliados ocidentais também forneceram à Ucrânia um grande número de armas antitanque portáteis – Javelin, que desempenharam um papel fundamental em ajudar os soldados ucranianos a dizimar comboios blindados russos.
Drones
No início da guerra, a Ucrânia usou extensivamente seu inventário de drones de lançamento de bombas guiados a laser Bayraktar TB2 fabricados na Turquia para
atingir longos comboios de tropas russas e colunas de suprimentos.
Bayraktars, no entanto, tornaram-se menos eficazes em face das defesas
aéreas e eletrônicas russas mais densas no leste da Ucrânia.
Os EUA e aliados ocidentais enviaram centenas de outros drones, incluindo um número não especificado de Switchblade 600 “kamikaze”
que carregam ogivas perfurantes de tanques e usam inteligência
artificial para rastrear alvos. Mas seu alcance é limitado e eles só
podem ficar no ar por cerca de 40 minutos.
Um veículo aéreo de combate não tripulado Bayraktar TB2 Foto: Aziz Karimov/Reuters
A Ucrânia pressionou fortemente por drones de longo alcance mais
avançados que possam sobreviver a interferências de rádio e
interferências de GPS e contar com comunicações por satélite para
controle e navegação.
Sistemas de defesa aérea
Os EUA e outros aliados da Otan forneceram à Ucrânia mais de 2.000 sistemas portáteis de mísseis de defesa aérea, como Stingers e outras armas semelhantes.
Esses sistemas compactos são eficientes contra helicópteros de
combate e jatos de baixa altitude, e os militares ucranianos os usaram
para infligir perdas significativas à força aérea russa, restringindo
sua capacidade de fornecer apoio aéreo próximo às forças terrestres e
ajudando a diminuir o ritmo da ofensiva de Moscou.
A
Ukrainian soldier carries a U.S.-supplied Stinger as he goes along the
road, in Ukraine’s eastern Donetsk region Saturday, June 18, 2022. (AP
Photo/Efrem Lukatsky) Foto: AP / AP
Ao mesmo tempo, a Ucrânia também estimulou o Ocidente a fornecer
sistemas de defesa aérea de médio e longo alcance que seriam capazes de
derrubar mísseis de cruzeiro e aeronaves de voo alto. O país recebeu da Eslováquia vários sistemas de longo alcance S-300 construídos pelos soviéticos, o tipo de arma que os militares ucranianos operam há muito tempo.
Os EUA também se comprometeram a dar à Ucrânia dois sistemas de defesa aérea de médio alcance NASAMS. A Alemanha prometeu fornecer 30 canhões antiaéreos autopropulsados Gepard, mas eles ainda não chegaram.
Aviões de guerra
Desde o início da invasão, a Ucrânia vem pedindo aos aliados
ocidentais que forneçam aviões de guerra para desafiar a superioridade
aérea da Rússia.
No entanto, os EUA e seus aliados estão relutantes em dar à Ucrânia
os caças que ela pede, temendo que isso provoque uma resposta escalada
de Moscou, que já alertou à Otan que fornecer aviões de combate à
Ucrânia pode equivaler a entrar no conflito.
Um
caça ucraniano MIG-29 estacionado na base aérea de Vasilkov nos
arredores de Kiev em 23 de novembro de 2016 Foto: Efrem Lukatsky/AP
Em março, o Pentágono rejeitou a proposta da Polônia de entregar seus caças MiG-29 de
fabricação soviética para a Ucrânia, transferindo-os por meio de uma
base dos EUA na Alemanha, citando um alto risco de desencadear uma
escalada Rússia-Otan. A Ucrânia tem sua própria frota de MiG-29, mas não
está claro quantos desses e outros jatos ainda estão em serviço.
No início deste mês, a Eslováquia anunciou
a intenção de entregar sua frota MiG-29 à Ucrânia, enquanto aguarda a
entrega de jatos F-16 dos EUA, mas nenhuma ação foi tomada./AP