O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de
Moraes acatou liminar do Partido dos Trabalhadores (PT) na noite desse
domingo (17) e exigiu a retirada de supostos conteúdos falsos contra a
legenda e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moraes apontou que os conteúdos se baseiam em três temas principais:
ligação do PT com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital
(PCC), falas de Lula igualando pobres ao papel higiênico e a relação do
PT com o nazismo e o fascismo.
“O sensacionalismo e a insensata disseminação de conteúdo inverídico
com tamanha magnitude pode vir a comprometer a lisura do processo
eleitoral, ferindo valores, princípios e garantias constitucionalmente
asseguradas, notadamente a liberdade do voto e o exercício da
cidadania”, pontuou o ministro na decisão.
A liminar de Moraes cita 16 pessoas, entre elas os deputados federais
Otoni de Paula (MDB-RJ), Carla Zambelli (PL-SP) e Helio Lopes (PL-RJ),
além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A pena diária pela manutenção
desses conteúdos é de R$ 10 mil, enquanto novas postagens ou conteúdos
irão render multas de R$ 15 mil.
Leandro Ruschel comentou a decisão: “A denúncia sobre ligação entre
PT e PCC foi feita por Marcos Valério, em delação premiada homologada
pelo próprio Supremo. A gravidade da decisão: o ministro que assumirá
presidência do TSE antes das eleições acabou de censurar mensagens que
criticam o PT, com base em delação premiada homologada pelo próprio
Supremo. É só uma pequena amostra do que está por vir. O Brasil JÁ É UMA
DITADURA. Ainda mais sério: parlamentares que contam com imunidade
constitucional, com liberdade de expressão ainda menos restrita, estão
sendo censurados por fazer críticas ao PT. Você já viu uma ÚNICA
mensagem de um parlamentar petista ser censurado por criticar o
presidente? Se não houver liberdade de expressão na campanha eleitoral,
nem adianta discutir a confiabilidade das urnas. Se um lado tem
liberdade de expressão irrestrita, e o outro lado é sistematicamente
censurado e perseguido pela própria justiça, já sabemos qual será o
resultado”.
A economista Renata Barreto perguntou: “Alexandre de Moraes
determinou que sites, influenciadores e políticos APAGUEM posts e vídeos
onde dizem que existe ligação do PT com o PCC e de Lula com a morte de
Celso Daniel. Ele já descartou que seja verdade, houve investigação?”
Ainda faltam mais de dois meses para as eleições. O que mais o
ministro tucano vai inventar? Qual será o grau de arbítrio para tentar
manipular o debate e impedir um lado de se manifestar? Até onde o STF
está disposto a ir para proteger Lula e perseguir Bolsonaro? Se a
postura continuar essa, a “piada” das redes sociais passará a ganhar
contornos de pura verdade: o Supremo pretende lançar candidato próprio
ou vai apoiar Lula mesmo?
Na decisão, Moraes destaca que montagem é sabidamente inverídica e configura propaganda eleitoral negativa.| Foto: STF
O ministro Alexandre de Moraes, atendendo a um pedido do PT, está
proibindo que nas redes sociais se diga que há ligações entre o PCC e o
PT, ou ligação entre o assassinato do prefeito Celso Daniel e o PT, PCC
etc. Isso vai atingir o senador Flavio Bolsonaro, os deputados Carla
Zambelli e Otoni de Paula, e mais uma dúzia de canais.
A deputada Carla Zambelli reagiu dizendo que se baseou em uma
denúncia do Marcos Valério homologada pelo próprio Supremo, e que acha
estranha essa decisão. O ministro Alexandre de Moraes, que deu essa
determinação, disse que é mentira e que o caso Celso Daniel está
encerrado. Parece que nessa decisão ele está emitindo mais julgamento,
além de tudo. Mas o fato é que em um caso desses, se é mentira, o
caminho é processar por calúnia. Afinal, a Constituição, no artigo 220,
veda a censura; e o problema aqui é a censura.
A consequência disso acaba sendo ruim para o PT, que tomou a
iniciativa. É como no caso da bandeira; a juíza do Rio Grande do Sul que
queria proibir a bandeira a tornou muito mais popular. Agora, todos
estão noticiando o caso, as pessoas que não sabiam dessa história de
Celso Daniel e PCC ficaram sabendo, não creio que tenha sido bom, só
tornou o assunto mais popular.
Do boi tudo se aproveita Acaba de voltar da Rússia uma delegação
da Apex Brasil e da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra),
com 13 empresas brasileiras de reciclagem para vender farinha animal
para a Rússia. Vai ser um negócio de dezenas de milhões de dólares.
Lembro que, quando era menino, dizia-se que em frigorífico até o
berro do boi era aproveitado. E é isso mesmo, não tem nada que vá fora.
Ossos, sangue, tudo isso é transformado em farinha e tem utilidade. Só
para conheceremos mais esse ramo da indústria brasileira e da pecuária.
Bolsonaro e os embaixadores no Alvorada Por fim, eu queria falar
do encontro entre embaixadores e o presidente Bolsonaro na residência
oficial do presidente, o Palácio da Alvorada. O presidente, não
acreditando nas notícias brasileiras, acreditando que tudo o que vai
para o exterior é deturpado, distorcido, resolveu ser a fonte primária
dos embaixadores. Falou a eles sobre um inquérito da Polícia Federal
referente à invasão de um hacker que ficou oito meses circulando pelos
computadores do TSE, pegando senhas e chaves. Ele relata que o TSE não
contribuiu para a Polícia Federal investigar porque, sete meses depois
do pedido, apagou tudo. Alegou que estavam apagadas as digitais, ou
seja, as marcas do hacker, que facilitariam a identificação.
Então, Bolsonaro quis explicar que está querendo transparência e
segurança na eleição; disse que o resultado tem de ser respeitado, mas
que também é preciso evitar discussões posteriores, dúvidas. Os
militares foram convidados a participar pelo próprio TSE, mas o TSE não
aceitou as sugestões, que ainda há tempo de aceitar. O presidente até
ofereceu o inquérito aos embaixadores, se quiserem, porque ele não está
marcado como sigiloso. E terminou com uma frase muito significativa, que
o ministro da Defesa já usou outro dia, encaminhando um documento ao
TSE: eleição é questão de segurança nacional.
Gravação de imagens simulando a morte do presidente Jair
Bolsonaro (PL) seria de um filme do cineasta Ruy Guerra chamado “A
Fúria”.| Foto: Reprodução/Redes sociais
Anote os seguintes fatos
e, em seguida, forme a sua opinião sobre os responsáveis pelo caráter
cada vez mais perverso das eleições presidenciais de outubro próximo:
1 – Circulam nas redes sociais cenas de um filme que mostra o
presidente Jair Bolsonaro assassinado durante uma passeata de
motocicletas – seu corpo, representado por um boneco, está jogado no
chão, coberto de sangue e uma bandeira do Brasil. É sabido por todo
mundo que o diretor do filme é o cineasta Ruy Guerra. Os produtores são
conhecidos; a Rede Globo, aliás, é uma das financiadoras do filme,
através de uma pequena participação, e sem interferência no roteiro.
2 – Circulou antes disso, também com autores conhecidos publicamente,
um vídeo em que uma moça rouba de um tumulo de cemitério a cabeça do
presidente Bolsonaro. Em seguida, um grupo de pessoas, em clima de
festa, passa a jogar uma partida de futebol com a cabeça roubada.
3 – Um colaborador do jornal Folha de S. Paulo escreveu em julho de
2020 um artigo com o seguinte título: “Por que torço para que Bolsonaro
morra”.
4 – Durante a campanha eleitoral de 2018 o presidente levou uma
facada no estômago, fato ocorrida numa manifestação em Juiz de Fora, e
ficou entre a vida e a morte. O autor do crime foi um militante do Psol.
5 – Uma deputada do PT declarou em público, no ano anterior, que “sem
derramamento de sangue” não haverá solução para os problemas do Brasil.
6 – O ex-presidente Lula, por sua livre e espontânea vontade, acaba
de fazer elogios públicos a um militante do PT processado por tentativa
de homicídio; empurrou contra um ônibus que passava na rua, e quase
matou, um empresário que protestava diante do “Instituo Lula”, por
ocasião da sua prisão pelos crimes de corrupção e de lavagem de
dinheiro. A vítima ficou 20 das na UTI.
A lista pode continuar, mas o que está aí já é suficiente para se ter
uma ideia do que a esquerda, o PT e Lula estão fazendo na vida real.
Diante disso, a pergunta é: “Quem está agindo com ódio na política e na
campanha eleitoral?” É realmente algo extraordinário que em nenhum
momento, até agora, as autoridades da justiça, a mídia ou as classes
intelectuais tenham considerado que qualquer dos episódios citados acima
faça parte do “discurso do ódio” que tanto os horroriza. Em vez disso, o
ministro Alexandre Moraes, atendendo a mais um pedido do habitual
consórcio de partidecos de esquerda que vivem no STF, acaba de cobrar
“explicações” do presidente Bolsonaro – acredite se quiser, mas é ele
quem está sendo acusado de “discurso do ódio”, porque suas “falas se
configuram em estímulos psicológicos que vão construindo no imaginário
de seus apoiadores e seguidores a desumanização do opositor”.
Não é toda hora que se encontra tanta cretinice exposta em tão poucas
palavras. “Estímulos psicológicos?” “Imaginário” dos apoiadores? Que
raio quer dizer essa conversa toda? Desde quando uma alucinação como
essa pode ser recebida oficialmente e levada a sério pela corte suprema
do país? Mas o problema não é o que a esquerda diz ou pensa. O problema é
o ministro Moraes aliar-se a ela e mostrar que está participando da
atual campanha eleitoral como um inimigo declarado da candidatura do
presidente da República. Honestamente: qual a imparcialidade que se pode
esperar de um magistrado que age assim? É ele que preside, justamente, a
repartição pública que cuida das eleições, o TSE. Não há hipótese de
que Moraes e os colegas de STF achem que qualquer dos fatos relacionados
no início deste artigo tenha algo a ver com ódio. Para eles, só quem
vota em Bolsonaro é capaz de odiar.
Cabe aos líderes políticos sensibilizar a sociedade sobre defesa do
meio ambiente, ainda que os eleitores estejam mais preocupados com
inflação do que com as mudanças climáticas
Notas & Informações, O Estado de S.Paulo
Uma combinação de calor extremo e tempo seco tem causado incêndios
florestais devastadores na Europa desde o último fim de semana. As
noites em Madri têm registrado temperaturas de 25 graus, o que teria
ocorrido apenas 27 vezes nos últimos cem anos – 12 delas desde 2012. São
vários, além de óbvios, os efeitos das mudanças climáticas em todo o
planeta – de catástrofes a alterações na culinária, como observado na
Itália e na França. Estudos não apenas provaram, como mensuraram as
consequências de ações diretas do homem sobre a temperatura do planeta,
um fato inequívoco e irreversível. O desafio que se impõe para conter
emissões e mitigar suas consequências é gigantesco, especialmente para
as nações que dependem majoritariamente de combustíveis fósseis.
Felizmente, esse não é o caso do Brasil. Pioneiro em biocombustíveis e
dono de uma matriz elétrica predominantemente renovável, o País tem
todas as condições de liderar a transição rumo a uma economia verde.
Essa posição de destaque, porém, fica completamente desmoralizada quando
o País se recusa a fazer o mínimo que dele se espera. Como mostrou o Estadão, a mais recente edição do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil,
da MapBiomas, uma iniciativa do Observatório do Clima realizada por
ONGs, universidades e empresas de tecnologia, apontou que o desmatamento
aumentou assustadores 20,1% no ano passado e alcançou 16,5 mil
quilômetros quadrados, o equivalente a uma área verde próxima do Estado
do Rio de Janeiro.
O relatório é um dos mais completos diagnósticos do desmazelo do
governo Jair Bolsonaro na área ambiental. Quase 70 mil alertas foram
identificados, validados e refinados em todo o território nacional, com
elaboração de laudos com imagens anteriores e posteriores às
ocorrências. O principal alvo, em termos territoriais, não surpreende: a
Amazônia, que gerou 66,8% de todos os alertas e perdeu 18 árvores por
segundo. Nada menos que 86% da área total desmatada na região no ano
passado ficava, total ou parcialmente, em um imóvel registrado no
Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural, o que permitiria
identificar e punir os responsáveis com precisão.
Mas o projeto de destruição da democracia e do tecido social liderado
por Bolsonaro, tão agressivo com os adversários, é benevolente com
aqueles que cometem crimes ambientais e ameaçam não só o futuro da
sociedade, mas a própria economia. Estudos sobre rios voadores da Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) provaram, ainda na
década de 1970, que boa parte das chuvas no centro-sul tem origem na
Amazônia. É sabido que o desmate da floresta comprometeria de forma
irreparável o balanço hídrico das regiões que concentram as maiores
lavouras do País.
Apostando na impunidade de aliados e de si mesmo, Bolsonaro acredita
que não será cobrado pelos eleitores por sua conivência com a devastação
da Amazônia. Em tempos de guerra na Ucrânia, preços elevados e avanço
da fome, preocupações sobre o meio ambiente e as mudanças climáticas de
fato tendem a ficar em segundo plano para a parcela da sociedade que
luta pela sobrevivência diária.
Isso não acontece só no Brasil. Uma pesquisa nos EUA, publicada pelo jornal The New York Times,
mostrou que apenas 1% dos eleitores apontou as mudanças climáticas como
a questão mais importante a ser enfrentada no país, muito atrás da
inflação e da economia – e o fracasso do pacote socioambiental de US$ 6
trilhões do presidente Joe Biden talvez seja o reflexo mais claro dessa
percepção.
Não há razões para acreditar que no Brasil os eleitores pensem de
forma muito diferente, mas isso não autoriza a classe política a ignorar
essa temática. Defender o meio ambiente e reduzir as emissões para
conter as mudanças climáticas é obrigação de qualquer liderança que
tenha uma visão de longo prazo sobre o papel do Estado e o futuro do
País. No Brasil, a tarefa de sensibilizar a sociedade a respeito de sua
relevância é relativamente fácil: basta preservar a Amazônia, algo que
une os interesses do agronegócio, o setor mais pujante da economia, aos
das novas gerações, mais conectadas a uma causa que deveria ser de
todos.
A escassez de fertilizantes químicos, agravada pela guerra na
Ucrânia, deixou produtores desesperados; acontece que a urina humana tem
os nutrientes que as culturas precisam
THE NEW YORK TIMES – LIFE/STYLE – BRATTLEBORO, Vermont – Quando Kate
Lucy viu um cartaz na cidade convidando as pessoas a aprender sobre algo
conhecido como peecycling (reciclagem de xixi), ela
ficou perplexa. “Por que alguém faria xixi em uma jarra e guardaria?”
ela imaginou. “Parece uma ideia tão estranha.”
Kate
Lucy e Jon Sellers em casa com seus filhos. No início, coletar a urina
em uma jarra era “um pouco nojento”, disse Lucy. Foto: John Tully/The
New York Times
Ela teve que trabalhar na noite em que dariam informações, então ela
mandou seu marido, Jon Sellers, para aplacar sua curiosidade. Ele voltou
para casa com uma jarra e um funil.
A urina humana, Sellers descobriu naquela noite sete anos atrás, está cheia dos mesmos nutrientes que as plantas precisam para florescer.
Na verdade, ela tem muito mais do que o número dois, com quase nenhum
dos patógenos. Os agricultores normalmente aplicam esses nutrientes –
nitrogênio, fósforo e potássio – às plantações na forma de fertilizantes
químicos. Mas isso vem com um alto custo ambiental de combustíveis
fósseis e mineração.
O grupo local sem fins lucrativos que realizou a sessão, o Rich Earth Institute, estava trabalhando em uma abordagem mais sustentável: as plantas nos alimentam; nós as alimentamos.
Esforços como esses são cada vez mais urgentes, dizem os especialistas. A invasão da Ucrânia pela Rússia agravou a escassez mundial de fertilizantes que
está levando os agricultores ao desespero e ameaçando o abastecimento
de alimentos. Os cientistas também alertam que alimentar uma população
global crescente em um mundo de mudanças climáticas ficará cada vez mais difícil.
Agora, após mais de 1.000 galões de urina doada, Lucy e seu marido
fazem parte de um movimento global que busca enfrentar uma série de
desafios – incluindo segurança alimentar, escassez de água e saneamento inadequado – sem desperdiçar nossos resíduos.
No início, coletar a urina em uma jarra era “um pouco nojento”, disse
Lucy. Mas ela era enfermeira e ele professor de pré-escola; fazer xixi
não os assustava. Eles começaram a deixar alguns contêineres quase toda
semana na casa de um organizador e depois instalaram grandes tanques em
sua própria casa que são bombeados profissionalmente.
Agora Lucy sente uma pontada de arrependimento quando usa um banheiro comum.
“Fazemos esse fertilizante incrível com nossos corpos e depois o
eliminamos com galões de outro recurso precioso”, disse Lucy. “Isso é
realmente uma loucura.”
Arthur
Davis, pesquisador e diretor de programa do Rich Earth Institute,
preparou um caminhão de coleta de urina para suas rondas em
maio. Foto: John Tully/The New York Times
Ajuda ao meio ambiente
Os banheiros, de fato, são de longe a maior fonte de uso de água
dentro das casas, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental. Uma
gestão mais sábia poderia economizar grandes quantidades de água, uma
necessidade urgente à medida que as mudanças climáticas pioram a seca em lugares como o oeste americano.
Também poderia ajudar com outro problema profundo: sistemas de saneamento inadequados –
incluindo fossas sépticas com vazamento e infraestrutura de esgoto
envelhecida – sobrecarregam rios, lagos e águas costeiras com nutrientes
da urina. O escoamento de fertilizantes químicos piora a situação. O
resultado é a proliferação de algas que desencadeiam a morte em massa de
animais e outras plantas.
Em um exemplo dramático, os peixes-boi na Indian River Lagoon, na
Flórida, estão morrendo de fome depois que a proliferação de algas
alimentadas pelo esgoto destruiu as ervas marinhas das quais dependem.
“Os ambientes urbanos e aquáticos tornam-se terrivelmente poluídos,
enquanto os ambientes rurais não têm o que precisam”, disse Rebecca
Nelson, professora de ciência de plantas e desenvolvimento global da
Universidade de Cornell.
Além dos benefícios práticos de transformar urina em fertilizante,
alguns também são atraídos por uma ideia transformadora por trás do
esforço. Ao reutilizar algo que foi descartado, eles dizem que estão
dando um passo revolucionário para enfrentar as crises climáticas e da
biodiversidade: afastando-se de um sistema que constantemente extrai e
descarta, em direção a uma economia mais circular que reutiliza e
recicla em um ciclo contínuo.
O fertilizante químico está longe de ser sustentável. A
produção comercial de amônia, que é usada principalmente para
fertilizantes, usa combustíveis fósseis de duas maneiras: primeiro, como
fonte de hidrogênio, necessário para o processo químico que converte
nitrogênio do ar em amônia, e segundo como combustível para gerar o
calor intenso necessário. Segundo uma estimativa, a fabricação de amônia contribui com 1% a 2% das emissões globais de dióxido de carbono. O fósforo, outro nutriente essencial, é extraído das rochas, com um suprimento cada vez menor.
Um
programa no sul do Níger começou como uma forma de ajudar agricultoras
que não podiam comprar fertilizantes químicos. Foto: Will
Miller/McKnight Collaborative Crop Research Program via The New York
Times
Mais em conta
Do outro lado do Atlântico, na zona rural do Níger, outro estudo
sobre fertilização com urina foi projetado para abordar um problema mais
local: como as agricultoras podem aumentar o fraco rendimento das
colheitas? Muitas vezes relegadas aos campos mais distantes da cidade,
as mulheres lutavam para encontrar ou transportar estrume animal
suficiente para reabastecer seus solos. O fertilizante químico era muito
caro.
Uma equipe que inclui Aminou Ali, diretor da Federação dos Sindicatos
dos Agricultores Maradi, no centro-sul do Níger, adivinhou que os
campos relativamente férteis mais próximos das casas das pessoas estavam
recebendo um impulso das pessoas que faziam suas necessidades do lado
de fora. Eles consultaram médicos e líderes religiosos sobre se seria
bom tentar fertilizar com urina e receberam sinal verde.
“Então dissemos: ‘Vamos testar essa hipótese’”, lembrou Ali.
Demorou algum tempo de convencimento, mas no primeiro ano, 2013, eles
tiveram 27 voluntários que coletaram urina em jarras e aplicaram em
plantas junto com esterco animal; ninguém estava disposto a arriscar sua
colheita apenas com xixi.
“Tivemos resultados muito fantásticos”, disse Ali.
No ano seguinte, cerca de mais 100 mulheres estavam fertilizando assim, depois 1.000. A pesquisa de sua equipe descobriu que a urina, com esterco animal ou sozinha, aumentou a produção de milheto,
a cultura básica, em cerca de 30%. Isso pode significar mais comida
para uma família ou a capacidade de vender seu excedente no mercado e
obter dinheiro para outras necessidades.
Era tabu para algumas mulheres usar a palavra urina, então a renomearam para “oga”, que significa “chefe” na língua ibo.
Para pasteurizar o xixi, ele fica na jarra por pelo
menos dois meses antes de o agricultor aplicá-lo, planta por planta. A
urina é usada com força total se o solo estiver úmido, ou, se estiver
seco, diluída com água na proporção 1:1 para que os nutrientes não
queimem as plantações. Lenços ou máscaras são incentivados, para ajudar
com o cheiro.
No início, os homens estavam céticos, disse Hannatou Moussa, uma
agrônoma que trabalha com Ali no projeto. Mas os resultados falaram por
si, e logo os homens começaram a guardar sua urina também.
“Agora se tornou uma competição em casa”, disse Moussa, com cada um
do casal disputando urina extra tentando persuadir as crianças a usar
seu recipiente.
Sabendo da dinâmica, algumas crianças começaram a exigir dinheiro ou doces em troca de seus serviços, acrescentou.
As crianças não são as únicas que veem potencial econômico. Alguns jovens agricultores empreendedores começaram a coletar, armazenar e vender urina, disse Ali, e o preço disparou nos últimos dois anos, de cerca de US$ 1 por 25 litros para US$ 6.
Um agricultor em Dummerston, Vermont, rebocou um aplicador cheio de urina pasteurizada. Foto: John Tully/The New York Times
“Você pode pegar sua urina como se estivesse pegando um galão de água ou um galão de combustível”, disse Ali.
Até agora, a pesquisa sobre a coleta e embalagem dos nutrientes da
urina não é avançada o suficiente para resolver a atual crise de
fertilizantes. A coleta de urina em escala exigiria, por exemplo, mudanças transformadoras na infraestrutura de encanamento.
Um dos maiores problemas, porém, é que não faz sentido ambiental ou
econômico transportar urina, que é principalmente água, das cidades para
fazendas distantes.
Para resolver isso, o Rich Earth Institute está trabalhando com a Universidade de Michigan em um processo para fazer um concentrado de xixi higienizado.
E em Cornell, inspirados pelos esforços em Níger, Nelson e colegas
estão tentando ligar os nutrientes da urina ao biocarvão, um tipo de
carvão feito, neste caso, de fezes. (É importante não esquecer o cocô,
observou Nelson, porque contribui com carbono, outra parte importante do
solo saudável, juntamente com quantidades menores de fósforo, potássio e
nitrogênio.)
Experimentos semelhantes e projetos-piloto estão em andamento em todo
o mundo. Na Cidade do Cabo, na África do Sul, os cientistas estão
encontrando novas maneiras de coletar os nutrientes da urina e
reutilizar o restante. Em Paris, as autoridades planejam instalar
banheiros separadores de xixi em 600 novos apartamentos, tratar a urina e
usá-la nos viveiros de árvores e espaços verdes da cidade. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES
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escrito do The New York Times
Fábio Pontes, Estrategista e Consultor de Negócios/Marketing
A favor do conteúdo original, Instagram muda seu algoritmo; especialista comenta as mudanças e impacto no mercado
De acordo com o report da We Are Social e da Hootsuite, o Instagram
já é a 3ª rede social mais usada no Brasil em 2022, com cerca de 122
milhões de usuários no país. No ranking mundial, os brasileiros só
perdem para o Estados Unidos no índice de pessoas ativas nesta rede
social. Além disso, segundo um levantamento da Opinion Box, 58% dos
usuários já compraram algum produto indicado por um influenciador e 55%
já usou o aplicativo para conversar com empresas.
Tudo isso evidencia um fato: o Marketing Digital deixou de ser apenas
um diferencial e se tornou um requisito para que empresas ou
profissionais de diferentes segmentos consigam crescer. No entanto, uma
coisa que causa dúvidas diárias e até receio em quem precisa utilizar as
redes sociais para vender ou criar credibilidade é o famoso algoritmo.
Afinal, ele está ali para ajudar ou atrapalhar os negócios?
As mudanças causadas pela pandemia
O estrategista e especialista em Marketing Digital, Fábio Pontes,
conta que, com a pandemia de Covid-19, diversas marcas perceberam que
não era necessário apenas ter uma interface de usuário conveniente e
criar conteúdo para atrair os usuários a consumir seu produto. “Eles
perceberam que também seria importante obter uma forma original para
cativar e prender a atenção do público. A princípio, eles viram que uma
das melhores maneiras de fazer isso era ao trabalhar com YouTubers,
devido ao número crescente de pessoas consumindo vídeos curtos, muitas
vezes sem nexo, para entretenimento rápido. Nesse momento, a guerra
estava travada”, ressalta.
Fábio destaca que, em meio ao isolamento social, o TikTok se tornou
uma “febre” ainda maior do que já estava se tornando. “Isso não só pelo
formato de vídeos curtos, mas pela forma dinâmica de criar conteúdo com
reações, parcerias – as chamadas “collabs” – e pelo bom alinhamento com a
indústria fonográfica”, acrescenta.
Porém, apesar de tudo isso, o Instagram ainda era o lugar para ser
reconhecido como influenciador (agora, chamados de “embaixadores”).
“Então, o mais prático era criar conteúdo usando todas as ferramentas do
TikTok e repostar no Instagram”.
A estratégia do Instagram
Fábio explica que para lidar com a concorrência, foi necessário
limitar o alcance orgânico de vídeos com marcas d’água de outras
plataformas. “E isso não funcionou muito bem. Como o TikTok cresceu em
popularidade ao longo do tempo, o Instagram decidiu fazer um esforço
extra para manter os usuários na plataforma. Eles iniciaram o formato de
IGTV. Mas a verdade é que os usuários não tiveram muitos resultados com
isso”, comenta.
Já no ano passado, com o crescimento do reels, foi possível observar
que o Instagram se tornou mais dinâmico, ou seja, uma espécie de TikTok.
“A rede até afirmou que não era mais um aplicativo de compartilhamento
de fotos. Porém, o que todas essas ações têm em comum? Nenhum deles
realmente se concentra nos criadores de conteúdo ou em sua experiência
com a plataforma. Era, basicamente, fazer apenas aquilo que o
concorrente já estava fazendo – mais do mesmo – e usar o nome da marca
para ficar no topo”, argumenta.
Novos tempos
Fábio ressalta que, em poucos anos, os tempos mudaram. “Não estamos
em 2018 e essa estratégia já não está mais funcionando. Depois de
finalmente entender isso, o Instagram decidiu atualizar seu algoritmo
para priorizar os conteúdos originais. Apesar de parecer ser um pequeno
passo para o Instagram, por outro lado é uma grande mudança para o
mercado”, destaca.
Segundo Fábio, isso também é um bom termômetro para ver se a maioria
dos vídeos estão sendo editados fora da plataforma, o que significa que
as ferramentas de edição do Instagram devem ser aprimoradas. “Portanto,
podemos esperar alguns anúncios relacionados a essa nova atualização do
algoritmo. Muito provavelmente, teremos mudanças ainda maiores em um
futuro próximo”, acrescenta.
Fonte: Fábio Pontes, Estrategista e Consultor de Negócios/Marketing. É
CEO da FP.CONSULTING (@fp.consulting), especialista em Marketing
Digital e advogado, com mais de 10 anos de prática.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a
oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de
divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma
Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa
livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua
empresa seja oficializada.
A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando
para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as
melhores marcas do varejo e um mix de opções.
O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o
cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de
compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.
Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que
pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa
plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é
muito abaixo do valor praticado pelo mercado.
Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:
Nós somos a mudança,
não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo
do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas
sabemos que ela está apenas começando.
Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?
Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
Brasília – O novo ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de posse (José Cruz/Agência Brasil)
O então presidente Lula teve parte da campanha pela reeleição paga pela Presidência| Foto: José Cruz/Agência Brasi
Dinheiro
público pagou despesas com seguranças e pessoal de apoio nos comícios
pela reeleição do presidente Lula em 2006. Em 21 de setembro daquele
ano, por exemplo, ficaram registrados os gastos no “comício de campanha à
reeleição” de Lula, em Jacareí (SP). As despesas com alimentação,
hospedagem, aluguel de veículos, estão registradas nas prestações de
contas dos cartões corporativos da Presidência da República.
O pagamento dessas despesas está previsto na legislação, mas
representa uma vantagem do candidato à reeleição na disputa com os seus
opositores. Por meio da Lei de Acesso à Informação, o blog teve acesso
às prestações de contas dos gastos de Lula com cartões corporativos em
agosto e setembro de 2006. Os dados mostram as maratonas de comícios e
as despesas com alimentação de seguranças e aluguel de carro.
Reportagem do blog mostrou também os gastos da então presidente Dilma
Roussef na campanha pela sua reeleição, em 2014, pagos com cartões
corporativos. Em alguns comícios, ela contou com a presença do
ex-presidente Lula.
Comício, plano de governo, encontros Em 18 de agosto, uma
sexta-feira, Lula foi para São Paulo na aeronave presidencial para
cumprir uma maratona de comícios e atos de campanha. Às 17h, participou
de reunião com lideranças da Força Sindical num hotel. Em seguida,
esteve na plenária com sindicalistas, no clube Juventus. Pernoitou no
hotel Sofitel. Na manhã seguinte, esteve em Resende, na Academia Militar
das Agulhas Negras. Retornou à São Paulo à tarde, onde participou de
“Ato político eleitoral” em Campo Limpo. Às 18h, esteve no “Ato político
eleitoral em Diadema”. No domingo, teve mais um ato eleitoral em
Osasco.
Lula realizou “viagem de campanha” a Guarulhos (SP) no dia 26 de
agosto, um sábado. O “Comício da campanha à reeleição à Presidência”
ocorreu às 17h. Imediatamente, retornou a Brasília. No dia 28,
segunda-feira, foi para São Paulo. Às 19h, teve uma “atividade de
campanha”: um encontro com intelectuais, na sala Versailles do Hotel
Sofitel. No dia seguinte pela manhã, teve reunião com representantes da
Indústria Canavieira. Ao meio dia, mais uma “atividade de campanha:
lançamento do programa de governo”. Nos eventos em Guarulhos e São
Paulo, foram servidos 533 lanches à equipe de segurança.
Lula partiu para o Rio de Janeiro numa sexta-feira, dia 1º de
setembro. No sábado pela manhã, esteve num encontro suprapartidário de
prefeitos, classificado como “atividade de campanha”. Às 15h30,
prestigiou um encontro com jovens na Cidade de Deus, outra “atividade de
campanha”. Nessa viagem, foram servidos nove cafés da manhã para os
agentes de segurança, mais 64 quentinhas e 237 lanches aos membros do
Exército, Polícia Militar, Polícia Civil, bombeiros e batedores que
fizeram a segurança nos locais dos eventos e em deslocamentos do
presidente Lula. Nota fiscal da Padaria da Barra registra despesa de R$
6,4 mil com 267 lanches.
Churrascaria, frotas de carros
Em 5 de setembro, uma terça, o presidente esteve em “Ato político
eleitoral com agricultores familiares”, em Caruaru. A equipe de
segurança local consumiu 249 refeições (almoço e jantar), no valor de R$
9,4 mil, como registra a nota fiscal da Churrascaria Bovinu´s. Três
dias após, o presidente já estava em Santa Maria (RS), para o “Comício
de campanha à reeleição”, no Largo da Estação Rodoviária.
Em 9 de setembro, sábado, Lula voou para o aeroporto Afonso Pena, em
São José dos Pinhais (PR). A comitiva seguiu em comboio terrestre até
Colombo (PR), onde ocorreu um “comício de campanha à reeleição”, às 18h.
Encerrado o evento, retornou a Brasília. Em 15 de setembro, o
presidente foi a um “ato político eleitoral – comício” em Aracaju. Foram
servidos 553 lanches aos servidores “envolvidos na missão”.
Na “viagem de campanha” a Goiânia, dia 11 de setembro, foram
disponibilizados 1 automóvel blindado, 1 ônibus executivo, 9 veículos
executivos, 6 Sprinter, 1 van, 1 automóvel popular, 2 ônibus com ar, 1
micro-ônibus, um Doblo e um guincho. Em 15 de setembro, Lula participou
de “comício de campanha” em Natal, no Largo do Machadão. Na chegada,
recebeu cumprimentos de 20 prefeitos da região. No comício, além das
manifestações dos candidatos aliados no estado, houve o agradecimento de
beneficiária do Programa Luz para Todos, criado pelo presidente.
Salas reservadas, helicópteros Em 13 de setembro, Lula realizou
“Ato político eleitoral com mulheres” na cidade do Rio de Janeiro. Em 16
de setembro, sábado, fez uma “viagem presidencial de campanha” para
Salvador, onde esteve no “ato político eleitoral”, às 20h. Dali, seguiu
para Belém.
No dia seguinte, no Hotel Hilton, recebeu cumprimentos de políticos
locais em sala reservada. No salão Karajás, cumprimentou os prefeitos da
região. Seguiu, então, em comitiva para a casa da senadora Ana Júlia
(PT), candidata ao governo do Pará, para o café da manhã. A comitiva de
28 pessoas foi transportada em vans. Ao meio dia, participou do “comício
de campanha”, retornando logo a Brasília. Foram servidos 240 lanches à
equipe de segurança. Em 22 de setembro, Lula fez “viagem de campanha”
para São Vicente, para participar de “Ato Político Eleitoral”.
A prestação de contas dos gastos com cartões corporativos registra,
em 23 de setembro, os gastos com o “Comício pela reeleição” de Lula em
Uberlândia. O presidente chegou à Praça Tubal Varela às 10h50. Recebeu
cumprimentos de dirigentes locais e foi conduzido à sala reservada,
“onde aguardou o início do comício”. Falaram o prefeito de Belo
Horizonte, Fernando Pimentel, coordenador estadual da campanha, e outros
líderes mineiros, além de Lula. Foram distribuídos 150 lanches para a
equipe de segurança.
O presidente Lula voou para a Base Aérea de São José dos Campos (SP)
no início da noite de sábado, dia 23 de setembro. Dali, foi levado de
helicóptero para a Praça dos Trilhos, no centro de Jacareí, onde ocorreu
“Comício da campanha à reeleição” de Lula à Presidência da República.
Naquela viagem, foram servidos 280 lanches a integrantes do dispositivo
de segurança do presidente.
Em 25 de setembro, uma segunda-feira, Lula viajou para Porto Alegre.
Visitou as obras da fábrica de tecnologia eletrônica Ceitec, às 18h, e
seguiu com a sua comitiva para o “Ato político eleitoral”. O “Comício
para a reeleição “ de Lula teve início às 21h. O presidente pernoitou no
hotel Deville. Está registrada a distribuição de 206 lanches às equipes
de segurança nos deslocamentos do presidente na fábrica e no “comício
de campanha à reeleição”. Foram ainda fornecidos 400 litros de gasolina
para abastecer as motocicletas e veículos que deram apoio aos
deslocamentos do presidente. No dia 26 de setembro, Lula esteve em “ato
político eleitoral” em Belo Horizonte.
O que diz a Presidência A Secretaria Geral da Presidência da
República, que faz os pagamentos, afirmou ao blog que as despesas dos
“servidores necessários à segurança e ao apoio técnico que ocorrem em
qualquer deslocamento presidencial não são objeto de ressarcimento. Tais
despesas são indispensáveis à segurança, atendimento logístico e
pessoal nas viagens do presidente”.
A Resolução TSE 23.610/2019 diz que, “no transporte do presidente em
campanha ou evento eleitoral, serão excluídas da obrigação de
ressarcimento as despesas com o transporte dos servidores indispensáveis
à sua segurança e atendimento pessoal, bem como a utilização de
equipamentos, veículos e materiais necessários à execução daquelas
atividades”. Apenas as despesas com o transporte oficial pelo presidente
e sua comitiva, em campanha eleitoral, será de responsabilidade do
partido político a que esteja vinculado, diz a Lei 9.508/1997. Como a
lei não mudou, o presidente Jair Bolsonaro poderá usar os mesmos
benefícios.
O blog questionou a assessoria de Lula se, mesmo sendo previsto em
lei, o pagamento de parte das despesas da campanha pela reeleição em
2006, pela Presidência da República, não teria representado uma vantagem
do então presidente em relação aos demais candidatos. A assessoria
respondeu: “Sem comentários”.
Dinheiro
/ Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República
Federativa do Brasi e é conhecida pelo R$l. A cédula de um real deixou
de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares.
As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela
Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto,
detalhes de uma nota de 100 reais.
Tripé macroeconômico adotado no governo FHC foi abandonado e
trocado pela “nova matriz econômica” no governo Dilma.| Foto: Marcelo
Andrade/Gazeta do Povo
Desde o sucesso do Plano Real, implantado
em julho de 1994, com o qual o Brasil conseguiu vencer a inflação
crônica que havia anos vinha impedindo crescimento econômico e
desenvolvimento social seguro e contínuo, tornou-se uma espécie de
consenso que, qualquer que seja o governante eleito, a política
econômica deve ter um eixo estrutural básico estável. Um dado eixo foi
escolhido, planejado e implantado no governo Fernando Henrique Cardoso e
tinha por base um tripé: austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio
flutuante. Embora existam outras opções de política econômica, é
necessário que o eixo estrutural escolhido tenha bases sólidas e seja
mantido por tempo suficiente para apresentar resultados, sem o que não é
possível avaliar suas qualidades e eventuais defeitos.
A economia de um país carrega as bases estruturais de sua realidade,
aquilo que é o esqueleto da economia nacional, e sofre as influências
das situações e eventos conjunturais, aqueles que acontecem em
determinados momentos e mudam com o tempo, mas que interferem fortemente
no desempenho produtivo e no desenvolvimento social. Como elementos
estruturais, o Brasil tem seus recursos naturais – extenso território,
condições para uma rica agropecuária, abundantes fontes de água doce,
amplas reservas minerais, biodiversidade única etc. –, uma realidade
urbana composta de 5.570 municípios, dos quais 80% têm menos de 50 mil
habitantes, as vias de transporte rodoviário e ferroviário, o sistema
portuário aéreo e marítimo, e um sistema estatal consolidado. Essa
realidade está dada e é sobre ela que a política econômica deve
trabalhar.
A estrutura econômica brasileira – que tem outros componentes além
dos citados – é de expansão lenta e relativamente difícil, e é
considerando essa realidade que a política econômica deve escolher as
intervenções onerosas (as que exigem recursos financeiros para sua
execução, como é o caso dos investimentos em infraestrutura física) e as
intervenções não onerosas (que não exigem dinheiro, pois são regras de
comportamento e ação diária, como leis que criam monopólios, velocidade
máxima em rodovias etc.). Praticamente não há discordância quanto aos
objetivos socioeconômicos principais, que são o crescimento econômico, a
geração de empregos, a superação da pobreza, o aumento da renda por
habitante e, por consequência, a melhoria do padrão de vida de toda a
população.
A gestão da política não comporta invencionices nem ideias
mirabolantes, principalmente ameaças de ruir as bases da economia livre
de mercado e o ambiente institucional favorável ao empreendedorismo e
aos negócios
A cada eleição presidencial, os concorrentes sempre prometem fazer o
país crescer e melhorar as condições de vida de todos e, em linhas
gerais, praticamente todos prometem política econômica boa, sólida e
conducente à prosperidade material, ainda que divirjam sobre os caminhos
que prometem trilhar para atingir os objetivos. Há certo consenso no
meio político de que o controle da inflação, o equilíbrio das contas
públicas e os resultados positivos nas contas externas são elementos
necessários para a saúde econômica do país e para criar um clima
favorável ao investimento privado nacional e estrangeiro.
Quando Lula foi eleito presidente, em 2002, havia dúvida razoável
sobre como ele iria gerenciar a economia, já que o discurso radical do
PT, desde a criação do partido, era baseado em certo ódio ao
capitalismo, amor ao socialismo e forte inclinação ao aumento do tamanho
do setor estatal. Percebendo que a imagem de seu partido era de certo
radicalismo anticapitalista, Lula divulgou durante a campanha a “Carta
aos Brasileiros”, na qual prometia respeitar as bases de uma economia
saudável, sem radicalismos nem aventuras socialistas. Uma vez eleito,
seu governo foi beneficiado por uma conjunção de fatores – como a
ausência de crise internacional, expansão das exportações de commodities
e aumento dos preços dos produtos brasileiros exportados – e, apesar do
escândalo do mensalão, surgido em 2005, o primeiro governo de Lula
terminou com bom índice de aprovação, devido à boa situação das contas
externas, controle das contas públicas e da inflação, e crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) que, sem ser extraordinário, foi bom.
Qualquer governo que consiga sucesso em algumas áreas e algumas
políticas públicas não colhe êxito e popularidade caso se saia mal nas
cinco áreas essenciais: situação fiscal, contas externas, inflação,
crescimento e emprego. O mérito de Lula foi o de, no primeiro mandato,
ter apoiado as autoridades econômicas no trato com responsabilidade da
política fiscal, da política monetária e da política cambial, seguindo
as bases montadas no governo Fernando Henrique Cardoso, e não ter cedido
às pressões de alas do seu partido para “mudar tudo que aí está”.
Quanto à boa situação das contas do país com o resto do mundo e o
aumento das reservas internacionais, isso foi possível graças à elevação
nas receitas de exportação causadas pelo aumento constante dos preços
internacionais das commodities exportadas pelo Brasil.
A tentação gastadora, no entanto, revelou-se mais forte no fim do
segundo mandato de Lula, que lançou as bases da “nova matriz econômica”
aplicada com toda a força por sua sucessora, Dilma Rousseff. Os maus
resultados colhidos em seu governo deveram-se, em boa parte, à reversão
da boa situação internacional, à ampliação de gastos com o funcionalismo
estatal deixada como legado por Lula (derivada de generosos reajustes
salariais e aumento do quadro de servidores), além, é óbvio, dos enormes
erros cometidos por Dilma e Guido Mantega – ministro da Fazenda entre
2006 e 2014 –, especialmente o abandono do tripé macroeconômico que
vinha desde FHC. A brutal recessão dos anos 2015 e 2016 resultou da
retração internacional, dos erros de Dilma e da baixa taxa de
investimentos, especialmente em infraestrutura física. Os baixos
investimentos sempre foram a marca do Brasil, permaneceram assim no
governo de Lula e Dilma, e tornaram-se um dos maiores entraves ao
crescimento da economia e da melhoria social.
A questão essencial é que somente uma política econômica com bases
sólidas, reconhecidas e que se mantêm estáveis por anos seguidos é capaz
de fornecer as condições para a expansão dos investimentos estatais,
criar um ambiente favorável ao aumento dos investimentos privados e
fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer continuamente de forma a
elevar a renda por habitante, conseguir baixas taxas de desemprego,
reduzir a pobreza e melhorar o bem-estar social. A gestão da política
não comporta invencionices nem ideias mirabolantes, principalmente
ameaças de ruir as bases da economia livre de mercado e o ambiente
institucional favorável ao empreendedorismo e aos negócios.
O mundo está cheio de exemplos de países, alguns bem próximos do
Brasil, que empobreceram por culpa de governos hostis ao capitalismo, à
propriedade privada e ao empreendedorismo. Se a economia piora todos os
anos, ninguém consegue impedir o aumento do desemprego e da pobreza, o
agravamento dos problemas sociais e o empobrecimento geral, mesmo que o
país seja rico de recursos naturais. A economia não é uma ciência exata,
mas cobra um alto preço das nações que agridem sua lógica e aplicam
experimentos heterodoxos que nunca deram certo em nenhum país.
Camila
Cecconello, delegada na Delegacia de Homicídios, fala sobre o
depoimento de Carlos Eduardo dos Santos, preso desde 2016 em Sorocaba ,
que confessou durante depoimento ontem, a morte da menina Rachel
Genofre, quase 11 anos depois .
A delegada Camila Cecconello disse que é “difícil afirmar que foi crime de ódio”| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Em
nota divulgada neste domingo (17), a Polícia Civil do Paraná afirmou
que “não há nenhuma qualificadora específica para motivação política
prevista em lei” que pudesse se aplicar ao indiciamento, por homicídio
qualificado, do agente penal Jorge Guaranho, responsável pela morte, no
último domingo (10), do tesoureiro do PT Marcelo Arruda, em Foz do
Iguaçu (PR).
Na sexta (15), a delegada-chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à
Pessoa, Camila Cecconello, apresentou as conclusões da investigação do
caso. Guaranho foi indiciado por homicídio duplamente qualificado – por
motivo torpe, vil e socialmente reprovável e por causar perigo comum,
uma vez que expôs terceiros a riscos.
Desde então, a delegada passou a ser criticada por não atribuir
motivação política ou crime político ao agente penal, que, segundo
testemunhas, teria gritado “aqui é Bolsonaro”, antes de atirar em
Marcelo Arruda, que comemorava seu aniversário homenageando o PT e o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“A qualificação por motivo torpe indica que a motivação é imoral,
vergonhosa. A pena aplicável pode chegar a 30 anos. Não há nenhuma
qualificadora específica para motivação política prevista em lei,
portanto isto é inaplicável. Também não há previsão legal para o
enquadramento como “crime político”, visto que a antiga Lei de Segurança
Nacional foi pela revogada pela nova Lei de Crimes contra o Estado
Democrático de Direito, que não possui qualquer tipo penal aplicável.
Portanto, o indiciamento, além de estar correto, é o mais severo capaz
de ser aplicado ao caso”, afirmou a Polícia Civil na nota.
Na sexta, Cecconello também explicou o motivo de não ter incluído o fator político no crime.
“Estão claras a provocação e a discussão em razão de opiniões
políticas, mas falta provar que o retorno dele [Guaranho] ao local foi
por esse motivo, uma vez que a esposa disse que ele se sentiu humilhado
[após a discussão]. Por isso, é difícil afirmar que foi crime de ódio”,
disse a delegada. Ato Pela Paz Amigos e familiares de guarda morto em festa de aniversário realizam manifestação em Foz PorGazeta do Povo
Manifestação em Foz do Iguaçu pela morte de Marcelo Arruda, tesoureiro do PT na cidade. | Foto: Reprodução/Twitter/PT Amigos
e familiares do guarda municipal Marcelo Arruda, tesoureiro do PT que
foi morto pelo policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho,
realizaram na manhã deste domingo (17) uma manifestação na Praça da Paz,
em Foz do Iguaçu, para relembrar a morte do petista e pedir paz e
respeito por posições políticas divergentes. Todos os participantes
estavam vestidos de branco. Um inquérito da Polícia Civil concluiu que o
crime não foi causado por motivação política.
O encontro teve a presença de líderes religiosos, sindicais e
políticos, como dirigentes da CUT, MST e a presidente do PT, Gleisi
Hoffmann. “Muitos questionaram se esse seria um ato partidário ou
eleitoral. Ele não é partidário, não é eleitoral. Mas ele é um ato
político, no sentido de enfrentar uma situação que nós estamos vivendo
no país. Que não é de normalidade. Nós não podemos deixar normalizar
crimes e assassinatos como esse. O Marcelo morreu por acreditar numa
ideia e ter uma posição política”, discursou a dirigente petista.
Crime Em Foz MP vai oferecer denúncia em até 5 dias contra agente penal que matou tesoureiro do PT Gazeta do Povo
Momento em que Jorge Guaranho atira contra o aniversariante em Foz do Iguaçu. | Foto: Reprodução/Internet
O
promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça informou, nesta sexta-feira
(15), que o Ministério Público do Paraná (MP-PR) deve oferecer, em até
cinco dias, que é o prazo legal, denúncia contra Jorge José da Rocha
Guaranho. O agente penal, que está internado em estado grave, matou a
tiros Marcelo Aloízio de Arruda, tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no
Oeste do Paraná, no último sábado (9).
O processo será analisado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate
ao crime Organizado (Gaeco), a partir da conclusão do inquérito da
Policia Civil do Paraná apresentado nesta sexta-feira (15).
Crime MP requer perícia de celular de homem que matou guarda municipal em festa de aniversário Por Gazeta do Povo
Jorge Guaranho, que matou o guarda municipal Marcelo Arruda em Foz do
Iguaçu, segue internado na UTI. | Foto: Reprodução/Facebook
O
Ministério Público do Paraná requereu à Justiça, nesta quinta-feira
(14), que o telefone celular de Jorge Guaranho, guarda municipal que
matou Marcelo Aloízio de Arruda em Foz do Iguaçu na noite de sábado (9),
seja encaminhado ao Instituto de Criminalística para perícia.
Consultado, o MP-PR afirma que isso faz parte do processo natural de
investigação.
O pedido, feito pelo núcleo de Foz do Iguaçu do Gaeco (Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), também compreende,
entre outros itens, a perícia do aparelho que gravou as imagens das
câmeras de segurança no local do crime. A investigação tenta entender o
que aconteceu durante a festa de aniversário de Arruda, que tinha como
tema o Partido dos Trabalhadores (PT).
A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, participando de um evento
nos Jardins do Museu Mupanah, durante sua visita ao Haiti, em 2019.|
Foto: EFE/ Jean Marc Herve Abelard
Localizada a apenas 180 Km da
China, a nação insular de Taiwan é um dos principais alvos da “missão
histórica de reunificação chinesa”, segundo as palavras do ditador Xi
Jinping. Desde a invasão russa à Ucrânia, o Ocidente tem se preocupado
mais com um possível ataque do gigante chinês à Taiwan. E os Estados
Unidos declararam que não medirão esforços para proteger a ilha.
Entre as duas maiores potências mundiais, a região Indo-Pacífico é
estratégica para os dois países. Por isso, há navios militares chineses
circulando em torno do território, ao mesmo tempo que estão presentes
homens e mulheres do exército americano, em maior quantidade do que em
qualquer outra região do mundo: são cerca de 300 mil soldados.
Os Estados Unidos já declararam que as ilhas indo-pacíficas estão no
“coração da grande estratégica americana”, sendo Taiwan a principal
delas, conforme afirmou o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin.
Por outro lado, no mês passado o seu homólogo na China, Wei Fenghe,
ameaçou: “se alguém tentar separar Taiwan da China, o exército chinês
não hesitará em começar uma guerra, custe o que custar”.
Além do cabo de guerra histórico na região e das disputas
imperialistas, hoje Estados Unidos e China concorrem por Taiwan dentro
de uma Guerra Fria tecnológica que envolve a internet 5G. Essa briga
entre os dois países mais ricos do mundo, na verdade, silenciosamente,
arrasta seus aliados para mais uma divisão de dois grandes blocos
mundiais.
O que a guerra na Ucrânia tem a ver com as disputas por Taiwan Ricardo
Fernandes, analista de riscos da ARP Digital e especialista em OTAN,
considera que “só o Ocidente está achando que existe uma guerra contra a
Ucrânia”. Para ele, trata-se de um conflito entre correntes ideológicas
e o vizinho da Rússia foi apenas o país disponível no momento para se
tornar o bode expiatório.
Com a OTAN, os países do continente europeu que fazem parte da
aliança acabam sendo arrastados para os conflitos que envolvem o
Ocidente. Entre outras consequências, através dessa movimentação
geopolítica, “os EUA fecham as portas dos europeus para o mercado 5G da
China”, aponta Fernandes.
Na briga pela liderança no desenvolvimento da tecnologia, os
americanos dominam o tratamento de dados e os chineses têm o maior
controle sobre a construção de antenas. Enquanto isso, Taiwan é a líder
mundial na produção de chips (92% dos chips usados por americanos são
exportados pela ilha).
Disputas no mar: cenário de guerra A China posicionou navios de
guerra de mais de 300 metros de comprimento no estreito que fica entre
Taiwan e China para desafiar a marinha americana. “A China tem a
soberania, os direitos soberanos e a jurisdição do Estreito de Taiwan”,
afirmou Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações
Internacionais, em junho. A afirmação vai contra a Convenção sobre o
direito marítimo, que delimita as águas territoriais a 22 Km da costa
dos países.
A imprensa oficial chinesa também anunciou que Jinping autorizava a
marinha do país a agir pela “proteção da segurança nacional”. O
Ministério da Defesa da China informou que estaria pronto para a guerra,
em caso de declaração de independência de Taiwan, o que não surpreende,
mas deixa evidente a intenção da ditadura chinesa de oficializar um
conflito maior para dominar a região.
Já o presidente americano, Joe Biden, declarou-se pronto para
defender militarmente Taiwan, quando visitou Tóquio, no mês passado.
As chancelarias se questionam sobre se os movimentos chineses no mar
se tratam apenas de propaganda ideológica ou se realmente é uma
movimentação militar agressiva. “Tudo vai depender da determinação dos
americanos e das marinhas de exercer a liberdade da navegação no
estreito”, diz Mathieu Duchâtel, diretor de conteúdos asiáticos no
Institut Montaigne ao jornal Le Figaro.
“Se os navios e aviões militares do continente asiático controlarem
completamente o estreito, Taiwan se tornará apenas um pedaço do Exército
chinês”, completa Duchâtel.
De quem é Taiwan? O posicionamento da própria nação taiwanesa faz
pouco barulho internacionalmente. A presidente do país, Tsai Ing-wen,
não ousa cruzar a linha da declaração de independência e as eleições
presidenciais só acontecem novamente em 2024.
A ilha de 24 milhões de habitantes se considera independente desde
1949, quando o então líder chinês Chiang Kai-Shek se refugiou em Taiwan
após ser derrotado pelo exército comunista de Mao Tsé-Tung, mas nenhuma
grande potência reconhece hoje Taiwan como um país soberano.