terça-feira, 19 de julho de 2022

PROIBIDO FALAR DOS PODRES DO PT

 


Por
Rodrigo Constantino – Gazeta do Povo


O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes acatou liminar do Partido dos Trabalhadores (PT) na noite desse domingo (17) e exigiu a retirada de supostos conteúdos falsos contra a legenda e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Moraes apontou que os conteúdos se baseiam em três temas principais: ligação do PT com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), falas de Lula igualando pobres ao papel higiênico e a relação do PT com o nazismo e o fascismo.

“O sensacionalismo e a insensata disseminação de conteúdo inverídico com tamanha magnitude pode vir a comprometer a lisura do processo eleitoral, ferindo valores, princípios e garantias constitucionalmente asseguradas, notadamente a liberdade do voto e o exercício da cidadania”, pontuou o ministro na decisão.

A liminar de Moraes cita 16 pessoas, entre elas os deputados federais Otoni de Paula (MDB-RJ), Carla Zambelli (PL-SP) e Helio Lopes (PL-RJ), além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A pena diária pela manutenção desses conteúdos é de R$ 10 mil, enquanto novas postagens ou conteúdos irão render multas de R$ 15 mil.

Leandro Ruschel comentou a decisão: “A denúncia sobre ligação entre PT e PCC foi feita por Marcos Valério, em delação premiada homologada pelo próprio Supremo. A gravidade da decisão: o ministro que assumirá presidência do TSE antes das eleições acabou de censurar mensagens que criticam o PT, com base em delação premiada homologada pelo próprio Supremo. É só uma pequena amostra do que está por vir. O Brasil JÁ É UMA DITADURA. Ainda mais sério: parlamentares que contam com imunidade constitucional, com liberdade de expressão ainda menos restrita, estão sendo censurados por fazer críticas ao PT. Você já viu uma ÚNICA mensagem de um parlamentar petista ser censurado por criticar o presidente? Se não houver liberdade de expressão na campanha eleitoral, nem adianta discutir a confiabilidade das urnas. Se um lado tem liberdade de expressão irrestrita, e o outro lado é sistematicamente censurado e perseguido pela própria justiça, já sabemos qual será o resultado”.

A economista Renata Barreto perguntou: “Alexandre de Moraes determinou que sites, influenciadores e políticos APAGUEM posts e vídeos onde dizem que existe ligação do PT com o PCC e de Lula com a morte de Celso Daniel. Ele já descartou que seja verdade, houve investigação?”

Ainda faltam mais de dois meses para as eleições. O que mais o ministro tucano vai inventar? Qual será o grau de arbítrio para tentar manipular o debate e impedir um lado de se manifestar? Até onde o STF está disposto a ir para proteger Lula e perseguir Bolsonaro? Se a postura continuar essa, a “piada” das redes sociais passará a ganhar contornos de pura verdade: o Supremo pretende lançar candidato próprio ou vai apoiar Lula mesmo?


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/nao-pode-falar-da-delacao-de-marcos-valerio/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

É PROIBIDO XINGAR O PT E O OUTRO LADO PODE SER XINGADO

 

Justiça Eleitoral

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Na decisão, Moraes destaca que montagem é sabidamente inverídica e configura propaganda eleitoral negativa.| Foto: STF

O ministro Alexandre de Moraes, atendendo a um pedido do PT, está proibindo que nas redes sociais se diga que há ligações entre o PCC e o PT, ou ligação entre o assassinato do prefeito Celso Daniel e o PT, PCC etc. Isso vai atingir o senador Flavio Bolsonaro, os deputados Carla Zambelli e Otoni de Paula, e mais uma dúzia de canais.

A deputada Carla Zambelli reagiu dizendo que se baseou em uma denúncia do Marcos Valério homologada pelo próprio Supremo, e que acha estranha essa decisão. O ministro Alexandre de Moraes, que deu essa determinação, disse que é mentira e que o caso Celso Daniel está encerrado. Parece que nessa decisão ele está emitindo mais julgamento, além de tudo. Mas o fato é que em um caso desses, se é mentira, o caminho é processar por calúnia. Afinal, a Constituição, no artigo 220, veda a censura; e o problema aqui é a censura.

A consequência disso acaba sendo ruim para o PT, que tomou a iniciativa. É como no caso da bandeira; a juíza do Rio Grande do Sul que queria proibir a bandeira a tornou muito mais popular. Agora, todos estão noticiando o caso, as pessoas que não sabiam dessa história de Celso Daniel e PCC ficaram sabendo, não creio que tenha sido bom, só tornou o assunto mais popular.

Do boi tudo se aproveita
Acaba de voltar da Rússia uma delegação da Apex Brasil e da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), com 13 empresas brasileiras de reciclagem para vender farinha animal para a Rússia. Vai ser um negócio de dezenas de milhões de dólares.

Lembro que, quando era menino, dizia-se que em frigorífico até o berro do boi era aproveitado. E é isso mesmo, não tem nada que vá fora. Ossos, sangue, tudo isso é transformado em farinha e tem utilidade. Só para conheceremos mais esse ramo da indústria brasileira e da pecuária.

Bolsonaro e os embaixadores no Alvorada
Por fim, eu queria falar do encontro entre embaixadores e o presidente Bolsonaro na residência oficial do presidente, o Palácio da Alvorada. O presidente, não acreditando nas notícias brasileiras, acreditando que tudo o que vai para o exterior é deturpado, distorcido, resolveu ser a fonte primária dos embaixadores. Falou a eles sobre um inquérito da Polícia Federal referente à invasão de um hacker que ficou oito meses circulando pelos computadores do TSE, pegando senhas e chaves. Ele relata que o TSE não contribuiu para a Polícia Federal investigar porque, sete meses depois do pedido, apagou tudo. Alegou que estavam apagadas as digitais, ou seja, as marcas do hacker, que facilitariam a identificação.

Então, Bolsonaro quis explicar que está querendo transparência e segurança na eleição; disse que o resultado tem de ser respeitado, mas que também é preciso evitar discussões posteriores, dúvidas. Os militares foram convidados a participar pelo próprio TSE, mas o TSE não aceitou as sugestões, que ainda há tempo de aceitar. O presidente até ofereceu o inquérito aos embaixadores, se quiserem, porque ele não está marcado como sigiloso. E terminou com uma frase muito significativa, que o ministro da Defesa já usou outro dia, encaminhando um documento ao TSE: eleição é questão de segurança nacional.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/alexandre-de-moraes-pt-pcc/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

MINISTRO DO STF DECIDE QUE O ÓDIO SÓ ESTÁ DO LADO DO BOLSONARO

 

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


Gravação de imagens simulando a morte do presidente Jair Bolsonaro (PL) seria de um filme do cineasta Ruy Guerra chamado “A Fúria”.| Foto: Reprodução/Redes sociais

Anote os seguintes fatos e, em seguida, forme a sua opinião sobre os responsáveis pelo caráter cada vez mais perverso das eleições presidenciais de outubro próximo:

1 – Circulam nas redes sociais cenas de um filme que mostra o presidente Jair Bolsonaro assassinado durante uma passeata de motocicletas – seu corpo, representado por um boneco, está jogado no chão, coberto de sangue e uma bandeira do Brasil. É sabido por todo mundo que o diretor do filme é o cineasta Ruy Guerra. Os produtores são conhecidos; a Rede Globo, aliás, é uma das financiadoras do filme, através de uma pequena participação, e sem interferência no roteiro.

2 – Circulou antes disso, também com autores conhecidos publicamente, um vídeo em que uma moça rouba de um tumulo de cemitério a cabeça do presidente Bolsonaro. Em seguida, um grupo de pessoas, em clima de festa, passa a jogar uma partida de futebol com a cabeça roubada.

3 – Um colaborador do jornal Folha de S. Paulo escreveu em julho de 2020 um artigo com o seguinte título: “Por que torço para que Bolsonaro morra”.

4 – Durante a campanha eleitoral de 2018 o presidente levou uma facada no estômago, fato ocorrida numa manifestação em Juiz de Fora, e ficou entre a vida e a morte. O autor do crime foi um militante do Psol.

5 – Uma deputada do PT declarou em público, no ano anterior, que “sem derramamento de sangue” não haverá solução para os problemas do Brasil.

6 – O ex-presidente Lula, por sua livre e espontânea vontade, acaba de fazer elogios públicos a um militante do PT processado por tentativa de homicídio; empurrou contra um ônibus que passava na rua, e quase matou, um empresário que protestava diante do “Instituo Lula”, por ocasião da sua prisão pelos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. A vítima ficou 20 das na UTI.

A lista pode continuar, mas o que está aí já é suficiente para se ter uma ideia do que a esquerda, o PT e Lula estão fazendo na vida real. Diante disso, a pergunta é: “Quem está agindo com ódio na política e na campanha eleitoral?” É realmente algo extraordinário que em nenhum momento, até agora, as autoridades da justiça, a mídia ou as classes intelectuais tenham considerado que qualquer dos episódios citados acima faça parte do “discurso do ódio” que tanto os horroriza. Em vez disso, o ministro Alexandre Moraes, atendendo a mais um pedido do habitual consórcio de partidecos de esquerda que vivem no STF, acaba de cobrar “explicações” do presidente Bolsonaro – acredite se quiser, mas é ele quem está sendo acusado de “discurso do ódio”, porque suas “falas se configuram em estímulos psicológicos que vão construindo no imaginário de seus apoiadores e seguidores a desumanização do opositor”.

Não é toda hora que se encontra tanta cretinice exposta em tão poucas palavras. “Estímulos psicológicos?” “Imaginário” dos apoiadores? Que raio quer dizer essa conversa toda? Desde quando uma alucinação como essa pode ser recebida oficialmente e levada a sério pela corte suprema do país? Mas o problema não é o que a esquerda diz ou pensa. O problema é o ministro Moraes aliar-se a ela e mostrar que está participando da atual campanha eleitoral como um inimigo declarado da candidatura do presidente da República. Honestamente: qual a imparcialidade que se pode esperar de um magistrado que age assim? É ele que preside, justamente, a repartição pública que cuida das eleições, o TSE. Não há hipótese de que Moraes e os colegas de STF achem que qualquer dos fatos relacionados no início deste artigo tenha algo a ver com ódio. Para eles, só quem vota em Bolsonaro é capaz de odiar.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/moraes-ja-decidiu-so-quem-vota-em-bolsonaro-e-capaz-de-odiar/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

CALOR INFERNAL NA EUROPA

 

  1. Opinião 

Cabe aos líderes políticos sensibilizar a sociedade sobre defesa do meio ambiente, ainda que os eleitores estejam mais preocupados com inflação do que com as mudanças climáticas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

Uma combinação de calor extremo e tempo seco tem causado incêndios florestais devastadores na Europa desde o último fim de semana. As noites em Madri têm registrado temperaturas de 25 graus, o que teria ocorrido apenas 27 vezes nos últimos cem anos – 12 delas desde 2012. São vários, além de óbvios, os efeitos das mudanças climáticas em todo o planeta – de catástrofes a alterações na culinária, como observado na Itália e na França. Estudos não apenas provaram, como mensuraram as consequências de ações diretas do homem sobre a temperatura do planeta, um fato inequívoco e irreversível. O desafio que se impõe para conter emissões e mitigar suas consequências é gigantesco, especialmente para as nações que dependem majoritariamente de combustíveis fósseis.

Felizmente, esse não é o caso do Brasil. Pioneiro em biocombustíveis e dono de uma matriz elétrica predominantemente renovável, o País tem todas as condições de liderar a transição rumo a uma economia verde. Essa posição de destaque, porém, fica completamente desmoralizada quando o País se recusa a fazer o mínimo que dele se espera. Como mostrou o Estadão, a mais recente edição do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, da MapBiomas, uma iniciativa do Observatório do Clima realizada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia, apontou que o desmatamento aumentou assustadores 20,1% no ano passado e alcançou 16,5 mil quilômetros quadrados, o equivalente a uma área verde próxima do Estado do Rio de Janeiro.

O relatório é um dos mais completos diagnósticos do desmazelo do governo Jair Bolsonaro na área ambiental. Quase 70 mil alertas foram identificados, validados e refinados em todo o território nacional, com elaboração de laudos com imagens anteriores e posteriores às ocorrências. O principal alvo, em termos territoriais, não surpreende: a Amazônia, que gerou 66,8% de todos os alertas e perdeu 18 árvores por segundo. Nada menos que 86% da área total desmatada na região no ano passado ficava, total ou parcialmente, em um imóvel registrado no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural, o que permitiria identificar e punir os responsáveis com precisão. 

Mas o projeto de destruição da democracia e do tecido social liderado por Bolsonaro, tão agressivo com os adversários, é benevolente com aqueles que cometem crimes ambientais e ameaçam não só o futuro da sociedade, mas a própria economia. Estudos sobre rios voadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) provaram, ainda na década de 1970, que boa parte das chuvas no centro-sul tem origem na Amazônia. É sabido que o desmate da floresta comprometeria de forma irreparável o balanço hídrico das regiões que concentram as maiores lavouras do País.

Apostando na impunidade de aliados e de si mesmo, Bolsonaro acredita que não será cobrado pelos eleitores por sua conivência com a devastação da Amazônia. Em tempos de guerra na Ucrânia, preços elevados e avanço da fome, preocupações sobre o meio ambiente e as mudanças climáticas de fato tendem a ficar em segundo plano para a parcela da sociedade que luta pela sobrevivência diária.

Isso não acontece só no Brasil. Uma pesquisa nos EUA, publicada pelo jornal The New York Times, mostrou que apenas 1% dos eleitores apontou as mudanças climáticas como a questão mais importante a ser enfrentada no país, muito atrás da inflação e da economia – e o fracasso do pacote socioambiental de US$ 6 trilhões do presidente Joe Biden talvez seja o reflexo mais claro dessa percepção. 

Não há razões para acreditar que no Brasil os eleitores pensem de forma muito diferente, mas isso não autoriza a classe política a ignorar essa temática. Defender o meio ambiente e reduzir as emissões para conter as mudanças climáticas é obrigação de qualquer liderança que tenha uma visão de longo prazo sobre o papel do Estado e o futuro do País. No Brasil, a tarefa de sensibilizar a sociedade a respeito de sua relevância é relativamente fácil: basta preservar a Amazônia, algo que une os interesses do agronegócio, o setor mais pujante da economia, aos das novas gerações, mais conectadas a uma causa que deveria ser de todos.

URINA PODE SER USADA COMO FERTILIZANTE

Foto: WILL MILLER

Por Catrin Einhorn

A escassez de fertilizantes químicos, agravada pela guerra na Ucrânia, deixou produtores desesperados; acontece que a urina humana tem os nutrientes que as culturas precisam

THE NEW YORK TIMES – LIFE/STYLE – BRATTLEBORO, Vermont – Quando Kate Lucy viu um cartaz na cidade convidando as pessoas a aprender sobre algo conhecido como peecycling (reciclagem de xixi), ela ficou perplexa. “Por que alguém faria xixi em uma jarra e guardaria?” ela imaginou. “Parece uma ideia tão estranha.”

Kate Lucy e Jon Sellers em casa com seus filhos. No início, coletar a urina em uma jarra era “um pouco nojento”, disse Lucy.
Kate Lucy e Jon Sellers em casa com seus filhos. No início, coletar a urina em uma jarra era “um pouco nojento”, disse Lucy. Foto: John Tully/The New York Times

Ela teve que trabalhar na noite em que dariam informações, então ela mandou seu marido, Jon Sellers, para aplacar sua curiosidade. Ele voltou para casa com uma jarra e um funil.

urina humana, Sellers descobriu naquela noite sete anos atrás, está cheia dos mesmos nutrientes que as plantas precisam para florescer. Na verdade, ela tem muito mais do que o número dois, com quase nenhum dos patógenos. Os agricultores normalmente aplicam esses nutrientes – nitrogênio, fósforo e potássio – às plantações na forma de fertilizantes químicos. Mas isso vem com um alto custo ambiental de combustíveis fósseis e mineração.

O grupo local sem fins lucrativos que realizou a sessão, o Rich Earth Institute, estava trabalhando em uma abordagem mais sustentável: as plantas nos alimentam; nós as alimentamos.

Esforços como esses são cada vez mais urgentes, dizem os especialistas. A invasão da Ucrânia pela Rússia agravou a escassez mundial de fertilizantes que está levando os agricultores ao desespero e ameaçando o abastecimento de alimentos. Os cientistas também alertam que alimentar uma população global crescente em um mundo de mudanças climáticas ficará cada vez mais difícil.

Agora, após mais de 1.000 galões de urina doada, Lucy e seu marido fazem parte de um movimento global que busca enfrentar uma série de desafios – incluindo segurança alimentarescassez de água e saneamento inadequado – sem desperdiçar nossos resíduos.

No início, coletar a urina em uma jarra era “um pouco nojento”, disse Lucy. Mas ela era enfermeira e ele professor de pré-escola; fazer xixi não os assustava. Eles começaram a deixar alguns contêineres quase toda semana na casa de um organizador e depois instalaram grandes tanques em sua própria casa que são bombeados profissionalmente.

Agora Lucy sente uma pontada de arrependimento quando usa um banheiro comum.

“Fazemos esse fertilizante incrível com nossos corpos e depois o eliminamos com galões de outro recurso precioso”, disse Lucy. “Isso é realmente uma loucura.”

Arthur Davis, pesquisador e diretor de programa do Rich Earth Institute, preparou um caminhão de coleta de urina para suas rondas em maio.
Arthur Davis, pesquisador e diretor de programa do Rich Earth Institute, preparou um caminhão de coleta de urina para suas rondas em maio. Foto: John Tully/The New York Times

Ajuda ao meio ambiente

Os banheiros, de fato, são de longe a maior fonte de uso de água dentro das casas, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental. Uma gestão mais sábia poderia economizar grandes quantidades de água, uma necessidade urgente à medida que as mudanças climáticas pioram a seca em lugares como o oeste americano.

Também poderia ajudar com outro problema profundo: sistemas de saneamento inadequados – incluindo fossas sépticas com vazamento e infraestrutura de esgoto envelhecida – sobrecarregam rios, lagos e águas costeiras com nutrientes da urina. O escoamento de fertilizantes químicos piora a situação. O resultado é a proliferação de algas que desencadeiam a morte em massa de animais e outras plantas.

Em um exemplo dramático, os peixes-boi na Indian River Lagoon, na Flórida, estão morrendo de fome depois que a proliferação de algas alimentadas pelo esgoto destruiu as ervas marinhas das quais dependem.

“Os ambientes urbanos e aquáticos tornam-se terrivelmente poluídos, enquanto os ambientes rurais não têm o que precisam”, disse Rebecca Nelson, professora de ciência de plantas e desenvolvimento global da Universidade de Cornell.

Além dos benefícios práticos de transformar urina em fertilizante, alguns também são atraídos por uma ideia transformadora por trás do esforço. Ao reutilizar algo que foi descartado, eles dizem que estão dando um passo revolucionário para enfrentar as crises climáticas e da biodiversidade: afastando-se de um sistema que constantemente extrai e descarta, em direção a uma economia mais circular que reutiliza e recicla em um ciclo contínuo.

O fertilizante químico está longe de ser sustentável. A produção comercial de amônia, que é usada principalmente para fertilizantes, usa combustíveis fósseis de duas maneiras: primeiro, como fonte de hidrogênio, necessário para o processo químico que converte nitrogênio do ar em amônia, e segundo como combustível para gerar o calor intenso necessário. Segundo uma estimativa, a fabricação de amônia contribui com 1% a 2% das emissões globais de dióxido de carbono. O fósforo, outro nutriente essencial, é extraído das rochas, com um suprimento cada vez menor.

Um programa no sul do Níger começou como uma forma de ajudar agricultoras que não podiam comprar fertilizantes químicos.
Um programa no sul do Níger começou como uma forma de ajudar agricultoras que não podiam comprar fertilizantes químicos. Foto: Will Miller/McKnight Collaborative Crop Research Program via The New York Times

Mais em conta

Do outro lado do Atlântico, na zona rural do Níger, outro estudo sobre fertilização com urina foi projetado para abordar um problema mais local: como as agricultoras podem aumentar o fraco rendimento das colheitas? Muitas vezes relegadas aos campos mais distantes da cidade, as mulheres lutavam para encontrar ou transportar estrume animal suficiente para reabastecer seus solos. O fertilizante químico era muito caro.

Uma equipe que inclui Aminou Ali, diretor da Federação dos Sindicatos dos Agricultores Maradi, no centro-sul do Níger, adivinhou que os campos relativamente férteis mais próximos das casas das pessoas estavam recebendo um impulso das pessoas que faziam suas necessidades do lado de fora. Eles consultaram médicos e líderes religiosos sobre se seria bom tentar fertilizar com urina e receberam sinal verde.

“Então dissemos: ‘Vamos testar essa hipótese’”, lembrou Ali.

Demorou algum tempo de convencimento, mas no primeiro ano, 2013, eles tiveram 27 voluntários que coletaram urina em jarras e aplicaram em plantas junto com esterco animal; ninguém estava disposto a arriscar sua colheita apenas com xixi.

“Tivemos resultados muito fantásticos”, disse Ali.

No ano seguinte, cerca de mais 100 mulheres estavam fertilizando assim, depois 1.000. A pesquisa de sua equipe descobriu que a urina, com esterco animal ou sozinha, aumentou a produção de milheto, a cultura básica, em cerca de 30%. Isso pode significar mais comida para uma família ou a capacidade de vender seu excedente no mercado e obter dinheiro para outras necessidades.

Era tabu para algumas mulheres usar a palavra urina, então a renomearam para “oga”, que significa “chefe” na língua ibo.

Para pasteurizar o xixi, ele fica na jarra por pelo menos dois meses antes de o agricultor aplicá-lo, planta por planta. A urina é usada com força total se o solo estiver úmido, ou, se estiver seco, diluída com água na proporção 1:1 para que os nutrientes não queimem as plantações. Lenços ou máscaras são incentivados, para ajudar com o cheiro.

No início, os homens estavam céticos, disse Hannatou Moussa, uma agrônoma que trabalha com Ali no projeto. Mas os resultados falaram por si, e logo os homens começaram a guardar sua urina também.

“Agora se tornou uma competição em casa”, disse Moussa, com cada um do casal disputando urina extra tentando persuadir as crianças a usar seu recipiente.

Sabendo da dinâmica, algumas crianças começaram a exigir dinheiro ou doces em troca de seus serviços, acrescentou.

As crianças não são as únicas que veem potencial econômico. Alguns jovens agricultores empreendedores começaram a coletar, armazenar e vender urina, disse Ali, e o preço disparou nos últimos dois anos, de cerca de US$ 1 por 25 litros para US$ 6.

Um agricultor em Dummerston, Vermont, rebocou um aplicador cheio de urina pasteurizada.
Um agricultor em Dummerston, Vermont, rebocou um aplicador cheio de urina pasteurizada. Foto: John Tully/The New York Times

“Você pode pegar sua urina como se estivesse pegando um galão de água ou um galão de combustível”, disse Ali.

Até agora, a pesquisa sobre a coleta e embalagem dos nutrientes da urina não é avançada o suficiente para resolver a atual crise de fertilizantes. A coleta de urina em escala exigiria, por exemplo, mudanças transformadoras na infraestrutura de encanamento.

Um dos maiores problemas, porém, é que não faz sentido ambiental ou econômico transportar urina, que é principalmente água, das cidades para fazendas distantes.

Para resolver isso, o Rich Earth Institute está trabalhando com a Universidade de Michigan em um processo para fazer um concentrado de xixi higienizado. E em Cornell, inspirados pelos esforços em Níger, Nelson e colegas estão tentando ligar os nutrientes da urina ao biocarvão, um tipo de carvão feito, neste caso, de fezes. (É importante não esquecer o cocô, observou Nelson, porque contribui com carbono, outra parte importante do solo saudável, juntamente com quantidades menores de fósforo, potássio e nitrogênio.)

Experimentos semelhantes e projetos-piloto estão em andamento em todo o mundo. Na Cidade do Cabo, na África do Sul, os cientistas estão encontrando novas maneiras de coletar os nutrientes da urina e reutilizar o restante. Em Paris, as autoridades planejam instalar banheiros separadores de xixi em 600 novos apartamentos, tratar a urina e usá-la nos viveiros de árvores e espaços verdes da cidade. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

The New York Times Licensing Group – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times

 

ALGORITMO SÃO AS INSTRUÇÕES PARA A OPERAÇÃO NO COMPUTADOR

 

Fábio Pontes, Estrategista e Consultor de Negócios/Marketing

A favor do conteúdo original, Instagram muda seu algoritmo; especialista comenta as mudanças e impacto no mercado

De acordo com o report da We Are Social e da Hootsuite, o Instagram já é a 3ª rede social mais usada no Brasil em 2022, com cerca de 122 milhões de usuários no país. No ranking mundial, os brasileiros só perdem para o Estados Unidos no índice de pessoas ativas nesta rede social. Além disso, segundo um levantamento da Opinion Box, 58% dos usuários já compraram algum produto indicado por um influenciador e 55% já usou o aplicativo para conversar com empresas.

Tudo isso evidencia um fato: o Marketing Digital deixou de ser apenas um diferencial e se tornou um requisito para que empresas ou profissionais de diferentes segmentos consigam crescer. No entanto, uma coisa que causa dúvidas diárias e até receio em quem precisa utilizar as redes sociais para vender ou criar credibilidade é o famoso algoritmo. Afinal, ele está ali para ajudar ou atrapalhar os negócios?

As mudanças causadas pela pandemia

O estrategista e especialista em Marketing Digital, Fábio Pontes, conta que, com a pandemia de Covid-19, diversas marcas perceberam que não era necessário apenas ter uma interface de usuário conveniente e criar conteúdo para atrair os usuários a consumir seu produto. “Eles perceberam que também seria importante obter uma forma original para cativar e prender a atenção do público. A princípio, eles viram que uma das melhores maneiras de fazer isso era ao trabalhar com YouTubers, devido ao número crescente de pessoas consumindo vídeos curtos, muitas vezes sem nexo, para entretenimento rápido. Nesse momento, a guerra estava travada”, ressalta.

Fábio destaca que, em meio ao isolamento social, o TikTok se tornou uma “febre” ainda maior do que já estava se tornando. “Isso não só pelo formato de vídeos curtos, mas pela forma dinâmica de criar conteúdo com reações, parcerias – as chamadas “collabs” – e pelo bom alinhamento com a indústria fonográfica”, acrescenta.

Porém, apesar de tudo isso, o Instagram ainda era o lugar para ser reconhecido como influenciador (agora, chamados de “embaixadores”). “Então, o mais prático era criar conteúdo usando todas as ferramentas do TikTok e repostar no Instagram”.

A estratégia do Instagram

Fábio explica que para lidar com a concorrência, foi necessário limitar o alcance orgânico de vídeos com marcas d’água de outras plataformas. “E isso não funcionou muito bem. Como o TikTok cresceu em popularidade ao longo do tempo, o Instagram decidiu fazer um esforço extra para manter os usuários na plataforma. Eles iniciaram o formato de IGTV. Mas a verdade é que os usuários não tiveram muitos resultados com isso”, comenta.

Já no ano passado, com o crescimento do reels, foi possível observar que o Instagram se tornou mais dinâmico, ou seja, uma espécie de TikTok. “A rede até afirmou que não era mais um aplicativo de compartilhamento de fotos. Porém, o que todas essas ações têm em comum? Nenhum deles realmente se concentra nos criadores de conteúdo ou em sua experiência com a plataforma. Era, basicamente, fazer apenas aquilo que o concorrente já estava fazendo – mais do mesmo – e usar o nome da marca para ficar no topo”, argumenta.

Novos tempos

Fábio ressalta que, em poucos anos, os tempos mudaram. “Não estamos em 2018 e essa estratégia já não está mais funcionando. Depois de finalmente entender isso, o Instagram decidiu atualizar seu algoritmo para priorizar os conteúdos originais. Apesar de parecer ser um pequeno passo para o Instagram, por outro lado é uma grande mudança para o mercado”, destaca.

Segundo Fábio, isso também é um bom termômetro para ver se a maioria dos vídeos estão sendo editados fora da plataforma, o que significa que as ferramentas de edição do Instagram devem ser aprimoradas. “Portanto, podemos esperar alguns anúncios relacionados a essa nova atualização do algoritmo. Muito provavelmente, teremos mudanças ainda maiores em um futuro próximo”, acrescenta.

Fonte: Fábio Pontes, Estrategista e Consultor de Negócios/Marketing. É CEO da FP.CONSULTING (@fp.consulting), especialista em Marketing Digital e advogado, com mais de 10 anos de prática.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

                                                                                                                                                                    Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

segunda-feira, 18 de julho de 2022

DESPESAS REALIZADAS POR LULA PARA A SUA REELEIÇÃO

 

Por
Lúcio Vaz

Brasília – O novo ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de posse (José Cruz/Agência Brasil)


O então presidente Lula teve parte da campanha pela reeleição paga pela Presidência| Foto: José Cruz/Agência Brasi

Dinheiro público pagou despesas com seguranças e pessoal de apoio nos comícios pela reeleição do presidente Lula em 2006. Em 21 de setembro daquele ano, por exemplo, ficaram registrados os gastos no “comício de campanha à reeleição” de Lula, em Jacareí (SP). As despesas com alimentação, hospedagem, aluguel de veículos, estão registradas nas prestações de contas dos cartões corporativos da Presidência da República.

O pagamento dessas despesas está previsto na legislação, mas representa uma vantagem do candidato à reeleição na disputa com os seus opositores. Por meio da Lei de Acesso à Informação, o blog teve acesso às prestações de contas dos gastos de Lula com cartões corporativos em agosto e setembro de 2006. Os dados mostram as maratonas de comícios e as despesas com alimentação de seguranças e aluguel de carro.

Reportagem do blog mostrou também os gastos da então presidente Dilma Roussef na campanha pela sua reeleição, em 2014, pagos com cartões corporativos. Em alguns comícios, ela contou com a presença do ex-presidente Lula.


Comício, plano de governo, encontros
Em 18 de agosto, uma sexta-feira, Lula foi para São Paulo na aeronave presidencial para cumprir uma maratona de comícios e atos de campanha. Às 17h, participou de reunião com lideranças da Força Sindical num hotel. Em seguida, esteve na plenária com sindicalistas, no clube Juventus. Pernoitou no hotel Sofitel. Na manhã seguinte, esteve em Resende, na Academia Militar das Agulhas Negras. Retornou à São Paulo à tarde, onde participou de “Ato político eleitoral” em Campo Limpo. Às 18h, esteve no “Ato político eleitoral em Diadema”. No domingo, teve mais um ato eleitoral em Osasco.

Lula realizou “viagem de campanha” a Guarulhos (SP) no dia 26 de agosto, um sábado. O “Comício da campanha à reeleição à Presidência” ocorreu às 17h. Imediatamente, retornou a Brasília. No dia 28, segunda-feira, foi para São Paulo. Às 19h, teve uma “atividade de campanha”: um encontro com intelectuais, na sala Versailles do Hotel Sofitel. No dia seguinte pela manhã, teve reunião com representantes da Indústria Canavieira. Ao meio dia, mais uma “atividade de campanha: lançamento do programa de governo”. Nos eventos em Guarulhos e São Paulo, foram servidos 533 lanches à equipe de segurança.

Lula partiu para o Rio de Janeiro numa sexta-feira, dia 1º de setembro. No sábado pela manhã, esteve num encontro suprapartidário de prefeitos, classificado como “atividade de campanha”. Às 15h30, prestigiou um encontro com jovens na Cidade de Deus, outra “atividade de campanha”. Nessa viagem, foram servidos nove cafés da manhã para os agentes de segurança, mais 64 quentinhas e 237 lanches aos membros do Exército, Polícia Militar, Polícia Civil, bombeiros e batedores que fizeram a segurança nos locais dos eventos e em deslocamentos do presidente Lula. Nota fiscal da Padaria da Barra registra despesa de R$ 6,4 mil com 267 lanches.


Churrascaria, frotas de carros

Em 5 de setembro, uma terça, o presidente esteve em “Ato político eleitoral com agricultores familiares”, em Caruaru. A equipe de segurança local consumiu 249 refeições (almoço e jantar), no valor de R$ 9,4 mil, como registra a nota fiscal da Churrascaria Bovinu´s. Três dias após, o presidente já estava em Santa Maria (RS), para o “Comício de campanha à reeleição”, no Largo da Estação Rodoviária.

Em 9 de setembro, sábado, Lula voou para o aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR). A comitiva seguiu em comboio terrestre até Colombo (PR), onde ocorreu um “comício de campanha à reeleição”, às 18h. Encerrado o evento, retornou a Brasília. Em 15 de setembro, o presidente foi a um “ato político eleitoral – comício” em Aracaju. Foram servidos 553 lanches aos servidores “envolvidos na missão”.

Na “viagem de campanha” a Goiânia, dia 11 de setembro, foram disponibilizados 1 automóvel blindado, 1 ônibus executivo, 9 veículos executivos, 6 Sprinter, 1 van, 1 automóvel popular, 2 ônibus com ar, 1 micro-ônibus, um Doblo e um guincho. Em 15 de setembro, Lula participou de “comício de campanha” em Natal, no Largo do Machadão. Na chegada, recebeu cumprimentos de 20 prefeitos da região. No comício, além das manifestações dos candidatos aliados no estado, houve o agradecimento de beneficiária do Programa Luz para Todos, criado pelo presidente.

Salas reservadas, helicópteros
Em 13 de setembro, Lula realizou “Ato político eleitoral com mulheres” na cidade do Rio de Janeiro. Em 16 de setembro, sábado, fez uma “viagem presidencial de campanha” para Salvador, onde esteve no “ato político eleitoral”, às 20h. Dali, seguiu para Belém.

No dia seguinte, no Hotel Hilton, recebeu cumprimentos de políticos locais em sala reservada. No salão Karajás, cumprimentou os prefeitos da região. Seguiu, então, em comitiva para a casa da senadora Ana Júlia (PT), candidata ao governo do Pará, para o café da manhã. A comitiva de 28 pessoas foi transportada em vans. Ao meio dia, participou do “comício de campanha”, retornando logo a Brasília. Foram servidos 240 lanches à equipe de segurança. Em 22 de setembro, Lula fez “viagem de campanha” para São Vicente, para participar de “Ato Político Eleitoral”.

A prestação de contas dos gastos com cartões corporativos registra, em 23 de setembro, os gastos com o “Comício pela reeleição” de Lula em Uberlândia. O presidente chegou à Praça Tubal Varela às 10h50. Recebeu cumprimentos de dirigentes locais e foi conduzido à sala reservada, “onde aguardou o início do comício”. Falaram o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, coordenador estadual da campanha, e outros líderes mineiros, além de Lula. Foram distribuídos 150 lanches para a equipe de segurança.

O presidente Lula voou para a Base Aérea de São José dos Campos (SP) no início da noite de sábado, dia 23 de setembro. Dali, foi levado de helicóptero para a Praça dos Trilhos, no centro de Jacareí, onde ocorreu “Comício da campanha à reeleição” de Lula à Presidência da República. Naquela viagem, foram servidos 280 lanches a integrantes do dispositivo de segurança do presidente.

Em 25 de setembro, uma segunda-feira, Lula viajou para Porto Alegre.  Visitou as obras da fábrica de tecnologia eletrônica Ceitec, às 18h, e seguiu com a sua comitiva para o “Ato político eleitoral”. O “Comício para a reeleição “ de Lula teve início às 21h. O presidente pernoitou no hotel Deville. Está registrada a distribuição de 206 lanches às equipes de segurança nos deslocamentos do presidente na fábrica e no “comício de campanha à reeleição”. Foram ainda fornecidos 400 litros de gasolina para abastecer as motocicletas e veículos que deram apoio aos deslocamentos do presidente. No dia 26 de setembro, Lula esteve em “ato político eleitoral” em Belo Horizonte.


O que diz a Presidência
A Secretaria Geral da Presidência da República, que faz os pagamentos, afirmou ao blog que as despesas dos “servidores necessários à segurança e ao apoio técnico que ocorrem em qualquer deslocamento presidencial não são objeto de ressarcimento. Tais despesas são indispensáveis à segurança, atendimento logístico e pessoal nas viagens do presidente”.

A Resolução TSE 23.610/2019 diz que, “no transporte do presidente em campanha ou evento eleitoral, serão excluídas da obrigação de ressarcimento as despesas com o transporte dos servidores indispensáveis à sua segurança e atendimento pessoal, bem como a utilização de equipamentos, veículos e materiais necessários à execução daquelas atividades”. Apenas as despesas com o transporte oficial pelo presidente e sua comitiva, em campanha eleitoral, será de responsabilidade do partido político a que esteja vinculado, diz a Lei 9.508/1997. Como a lei não mudou, o presidente Jair Bolsonaro poderá usar os mesmos benefícios.

O blog questionou a assessoria de Lula se, mesmo sendo previsto em lei, o pagamento de parte das despesas da campanha pela reeleição em 2006, pela Presidência da República, não teria representado uma vantagem do então presidente em relação aos demais candidatos. A assessoria respondeu: “Sem comentários”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/as-despesas-com-viagens-de-lula-para-comicios-de-campanha-pela-sua-reeleicao/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

POLÍTICA ECONÔMICA DO GOVERNO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Dinheiro / Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República Federativa do Brasi e é conhecida pelo R$l. A cédula de um real deixou de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares. As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto, detalhes de uma nota de 100 reais.


Tripé macroeconômico adotado no governo FHC foi abandonado e trocado pela “nova matriz econômica” no governo Dilma.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Desde o sucesso do Plano Real, implantado em julho de 1994, com o qual o Brasil conseguiu vencer a inflação crônica que havia anos vinha impedindo crescimento econômico e desenvolvimento social seguro e contínuo, tornou-se uma espécie de consenso que, qualquer que seja o governante eleito, a política econômica deve ter um eixo estrutural básico estável. Um dado eixo foi escolhido, planejado e implantado no governo Fernando Henrique Cardoso e tinha por base um tripé: austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante. Embora existam outras opções de política econômica, é necessário que o eixo estrutural escolhido tenha bases sólidas e seja mantido por tempo suficiente para apresentar resultados, sem o que não é possível avaliar suas qualidades e eventuais defeitos.

A economia de um país carrega as bases estruturais de sua realidade, aquilo que é o esqueleto da economia nacional, e sofre as influências das situações e eventos conjunturais, aqueles que acontecem em determinados momentos e mudam com o tempo, mas que interferem fortemente no desempenho produtivo e no desenvolvimento social. Como elementos estruturais, o Brasil tem seus recursos naturais – extenso território, condições para uma rica agropecuária, abundantes fontes de água doce, amplas reservas minerais, biodiversidade única etc. –, uma realidade urbana composta de 5.570 municípios, dos quais 80% têm menos de 50 mil habitantes, as vias de transporte rodoviário e ferroviário, o sistema portuário aéreo e marítimo, e um sistema estatal consolidado. Essa realidade está dada e é sobre ela que a política econômica deve trabalhar.

A estrutura econômica brasileira – que tem outros componentes além dos citados – é de expansão lenta e relativamente difícil, e é considerando essa realidade que a política econômica deve escolher as intervenções onerosas (as que exigem recursos financeiros para sua execução, como é o caso dos investimentos em infraestrutura física) e as intervenções não onerosas (que não exigem dinheiro, pois são regras de comportamento e ação diária, como leis que criam monopólios, velocidade máxima em rodovias etc.). Praticamente não há discordância quanto aos objetivos socioeconômicos principais, que são o crescimento econômico, a geração de empregos, a superação da pobreza, o aumento da renda por habitante e, por consequência, a melhoria do padrão de vida de toda a população.

A gestão da política não comporta invencionices nem ideias mirabolantes, principalmente ameaças de ruir as bases da economia livre de mercado e o ambiente institucional favorável ao empreendedorismo e aos negócios

A cada eleição presidencial, os concorrentes sempre prometem fazer o país crescer e melhorar as condições de vida de todos e, em linhas gerais, praticamente todos prometem política econômica boa, sólida e conducente à prosperidade material, ainda que divirjam sobre os caminhos que prometem trilhar para atingir os objetivos. Há certo consenso no meio político de que o controle da inflação, o equilíbrio das contas públicas e os resultados positivos nas contas externas são elementos necessários para a saúde econômica do país e para criar um clima favorável ao investimento privado nacional e estrangeiro.

Quando Lula foi eleito presidente, em 2002, havia dúvida razoável sobre como ele iria gerenciar a economia, já que o discurso radical do PT, desde a criação do partido, era baseado em certo ódio ao capitalismo, amor ao socialismo e forte inclinação ao aumento do tamanho do setor estatal. Percebendo que a imagem de seu partido era de certo radicalismo anticapitalista, Lula divulgou durante a campanha a “Carta aos Brasileiros”, na qual prometia respeitar as bases de uma economia saudável, sem radicalismos nem aventuras socialistas. Uma vez eleito, seu governo foi beneficiado por uma conjunção de fatores – como a ausência de crise internacional, expansão das exportações de commodities e aumento dos preços dos produtos brasileiros exportados – e, apesar do escândalo do mensalão, surgido em 2005, o primeiro governo de Lula terminou com bom índice de aprovação, devido à boa situação das contas externas, controle das contas públicas e da inflação, e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que, sem ser extraordinário, foi bom.

Qualquer governo que consiga sucesso em algumas áreas e algumas políticas públicas não colhe êxito e popularidade caso se saia mal nas cinco áreas essenciais: situação fiscal, contas externas, inflação, crescimento e emprego. O mérito de Lula foi o de, no primeiro mandato, ter apoiado as autoridades econômicas no trato com responsabilidade da política fiscal, da política monetária e da política cambial, seguindo as bases montadas no governo Fernando Henrique Cardoso, e não ter cedido às pressões de alas do seu partido para “mudar tudo que aí está”. Quanto à boa situação das contas do país com o resto do mundo e o aumento das reservas internacionais, isso foi possível graças à elevação nas receitas de exportação causadas pelo aumento constante dos preços internacionais das commodities exportadas pelo Brasil.

A tentação gastadora, no entanto, revelou-se mais forte no fim do segundo mandato de Lula, que lançou as bases da “nova matriz econômica” aplicada com toda a força por sua sucessora, Dilma Rousseff. Os maus resultados colhidos em seu governo deveram-se, em boa parte, à reversão da boa situação internacional, à ampliação de gastos com o funcionalismo estatal deixada como legado por Lula (derivada de generosos reajustes salariais e aumento do quadro de servidores), além, é óbvio, dos enormes erros cometidos por Dilma e Guido Mantega – ministro da Fazenda entre 2006 e 2014 –, especialmente o abandono do tripé macroeconômico que vinha desde FHC. A brutal recessão dos anos 2015 e 2016 resultou da retração internacional, dos erros de Dilma e da baixa taxa de investimentos, especialmente em infraestrutura física. Os baixos investimentos sempre foram a marca do Brasil, permaneceram assim no governo de Lula e Dilma, e tornaram-se um dos maiores entraves ao crescimento da economia e da melhoria social.

A questão essencial é que somente uma política econômica com bases sólidas, reconhecidas e que se mantêm estáveis por anos seguidos é capaz de fornecer as condições para a expansão dos investimentos estatais, criar um ambiente favorável ao aumento dos investimentos privados e fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer continuamente de forma a elevar a renda por habitante, conseguir baixas taxas de desemprego, reduzir a pobreza e melhorar o bem-estar social. A gestão da política não comporta invencionices nem ideias mirabolantes, principalmente ameaças de ruir as bases da economia livre de mercado e o ambiente institucional favorável ao empreendedorismo e aos negócios.

O mundo está cheio de exemplos de países, alguns bem próximos do Brasil, que empobreceram por culpa de governos hostis ao capitalismo, à propriedade privada e ao empreendedorismo. Se a economia piora todos os anos, ninguém consegue impedir o aumento do desemprego e da pobreza, o agravamento dos problemas sociais e o empobrecimento geral, mesmo que o país seja rico de recursos naturais. A economia não é uma ciência exata, mas cobra um alto preço das nações que agridem sua lógica e aplicam experimentos heterodoxos que nunca deram certo em nenhum país.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/uma-base-estavel-para-a-politica-economica/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

CRIME EM FOZ DO IGUAÇU NÃO É POLÍTICO

 

Homicídio Qualificado
PorGazeta do Povo

Camila Cecconello, delegada na Delegacia de Homicídios, fala sobre o depoimento de Carlos Eduardo dos Santos, preso desde 2016 em Sorocaba , que confessou durante depoimento ontem, a morte da menina Rachel Genofre, quase 11 anos depois .


A delegada Camila Cecconello disse que é “difícil afirmar que foi crime de ódio”| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Em nota divulgada neste domingo (17), a Polícia Civil do Paraná afirmou que “não há nenhuma qualificadora específica para motivação política prevista em lei” que pudesse se aplicar ao indiciamento, por homicídio qualificado, do agente penal Jorge Guaranho, responsável pela morte, no último domingo (10), do tesoureiro do PT Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu (PR).

Na sexta (15), a delegada-chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Camila Cecconello, apresentou as conclusões da investigação do caso. Guaranho foi indiciado por homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe, vil e socialmente reprovável e por causar perigo comum, uma vez que expôs terceiros a riscos.

Desde então, a delegada passou a ser criticada por não atribuir motivação política ou crime político ao agente penal, que, segundo testemunhas, teria gritado “aqui é Bolsonaro”, antes de atirar em Marcelo Arruda, que comemorava seu aniversário homenageando o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A qualificação por motivo torpe indica que a motivação é imoral, vergonhosa. A pena aplicável pode chegar a 30 anos. Não há nenhuma qualificadora específica para motivação política prevista em lei, portanto isto é inaplicável. Também não há previsão legal para o enquadramento como “crime político”, visto que a antiga Lei de Segurança Nacional foi pela revogada pela nova Lei de Crimes contra o Estado Democrático de Direito, que não possui qualquer tipo penal aplicável. Portanto, o indiciamento, além de estar correto, é o mais severo capaz de ser aplicado ao caso”, afirmou a Polícia Civil na nota.

Na sexta, Cecconello também explicou o motivo de não ter incluído o fator político no crime.

“Estão claras a provocação e a discussão em razão de opiniões políticas, mas falta provar que o retorno dele [Guaranho] ao local foi por esse motivo, uma vez que a esposa disse que ele se sentiu humilhado [após a discussão]. Por isso, é difícil afirmar que foi crime de ódio”, disse a delegada.
Ato Pela Paz
Amigos e familiares de guarda morto em festa de aniversário realizam manifestação em Foz
PorGazeta do Povo

Manifestação em Foz do Iguaçu pela morte de Marcelo Arruda, tesoureiro do PT na cidade. | Foto: Reprodução/Twitter/PT
Amigos e familiares do guarda municipal Marcelo Arruda, tesoureiro do PT que foi morto pelo policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, realizaram na manhã deste domingo (17) uma manifestação na Praça da Paz, em Foz do Iguaçu, para relembrar a morte do petista e pedir paz e respeito por posições políticas divergentes. Todos os participantes estavam vestidos de branco. Um inquérito da Polícia Civil concluiu que o crime não foi causado por motivação política.

O encontro teve a presença de líderes religiosos, sindicais e políticos, como dirigentes da CUT, MST e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. “Muitos questionaram se esse seria um ato partidário ou eleitoral. Ele não é partidário, não é eleitoral. Mas ele é um ato político, no sentido de enfrentar uma situação que nós estamos vivendo no país. Que não é de normalidade. Nós não podemos deixar normalizar crimes e assassinatos como esse. O Marcelo morreu por acreditar numa ideia e ter uma posição política”, discursou a dirigente petista.


Crime Em Foz
MP vai oferecer denúncia em até 5 dias contra agente penal que matou tesoureiro do PT
Gazeta do Povo

Momento em que Jorge Guaranho atira contra o aniversariante em Foz do Iguaçu. | Foto: Reprodução/Internet

O promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça informou, nesta sexta-feira (15), que o Ministério Público do Paraná (MP-PR) deve oferecer, em até cinco dias, que é o prazo legal, denúncia contra Jorge José da Rocha Guaranho. O agente penal, que está internado em estado grave, matou a tiros Marcelo Aloízio de Arruda, tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, no último sábado (9).

O processo será analisado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao crime Organizado (Gaeco), a partir da conclusão do inquérito da Policia Civil do Paraná apresentado nesta sexta-feira (15).


Crime
MP requer perícia de celular de homem que matou guarda municipal em festa de aniversário
Por Gazeta do Povo

Jorge Guaranho, que matou o guarda municipal Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu, segue internado na UTI. | Foto: Reprodução/Facebook

O Ministério Público do Paraná requereu à Justiça, nesta quinta-feira (14), que o telefone celular de Jorge Guaranho, guarda municipal que matou Marcelo Aloízio de Arruda em Foz do Iguaçu na noite de sábado (9), seja encaminhado ao Instituto de Criminalística para perícia. Consultado, o MP-PR afirma que isso faz parte do processo natural de investigação.

O pedido, feito pelo núcleo de Foz do Iguaçu do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), também compreende, entre outros itens, a perícia do aparelho que gravou as imagens das câmeras de segurança no local do crime. A investigação tenta entender o que aconteceu durante a festa de aniversário de Arruda, que tinha como tema o Partido dos Trabalhadores (PT).


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/parana/breves/mp-requer-pericia-de-celular-de-homem-que-matou-guarda-municipal-em-festa-de-aniversario/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

TAIWAN SENDO DISPUTADA PELOS EUA E CHINA

 

EUA x China

Por
Mariana Braga – Gazeta do Povo


A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, participando de um evento nos Jardins do Museu Mupanah, durante sua visita ao Haiti, em 2019.| Foto: EFE/ Jean Marc Herve Abelard

Localizada a apenas 180 Km da China, a nação insular de Taiwan é um dos principais alvos da “missão histórica de reunificação chinesa”, segundo as palavras do ditador Xi Jinping. Desde a invasão russa à Ucrânia, o Ocidente tem se preocupado mais com um possível ataque do gigante chinês à Taiwan. E os Estados Unidos declararam que não medirão esforços para proteger a ilha.

Entre as duas maiores potências mundiais, a região Indo-Pacífico é estratégica para os dois países. Por isso, há navios militares chineses circulando em torno do território, ao mesmo tempo que estão presentes homens e mulheres do exército americano, em maior quantidade do que em qualquer outra região do mundo: são cerca de 300 mil soldados.

Os Estados Unidos já declararam que as ilhas indo-pacíficas estão no “coração da grande estratégica americana”, sendo Taiwan a principal delas, conforme afirmou o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin. Por outro lado, no mês passado o seu homólogo na China, Wei Fenghe, ameaçou: “se alguém tentar separar Taiwan da China, o exército chinês não hesitará em começar uma guerra, custe o que custar”.

Além do cabo de guerra histórico na região e das disputas imperialistas, hoje Estados Unidos e China concorrem por Taiwan dentro de uma Guerra Fria tecnológica que envolve a internet 5G. Essa briga entre os dois países mais ricos do mundo, na verdade, silenciosamente, arrasta seus aliados para mais uma divisão de dois grandes blocos mundiais.

O que a guerra na Ucrânia tem a ver com as disputas por Taiwan 
Ricardo Fernandes, analista de riscos da ARP Digital e especialista em OTAN, considera que “só o Ocidente está achando que existe uma guerra contra a Ucrânia”. Para ele, trata-se de um conflito entre correntes ideológicas e o vizinho da Rússia foi apenas o país disponível no momento para se tornar o bode expiatório.

Com a OTAN, os países do continente europeu que fazem parte da aliança acabam sendo arrastados para os conflitos que envolvem o Ocidente. Entre outras consequências, através dessa movimentação geopolítica, “os EUA fecham as portas dos europeus para o mercado 5G da China”, aponta Fernandes.

Na briga pela liderança no desenvolvimento da tecnologia, os americanos dominam o tratamento de dados e os chineses têm o maior controle sobre a construção de antenas. Enquanto isso, Taiwan é a líder mundial na produção de chips (92% dos chips usados por americanos são exportados pela ilha).

Disputas no mar: cenário de guerra 
A China posicionou navios de guerra de mais de 300 metros de comprimento no estreito que fica entre Taiwan e China para desafiar a marinha americana. “A China tem a soberania, os direitos soberanos e a jurisdição do Estreito de Taiwan”, afirmou Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações Internacionais, em junho. A afirmação vai contra a Convenção sobre o direito marítimo, que delimita as águas territoriais a 22 Km da costa dos países.

A imprensa oficial chinesa também anunciou que Jinping autorizava a marinha do país a agir pela “proteção da segurança nacional”. O Ministério da Defesa da China informou que estaria pronto para a guerra, em caso de declaração de independência de Taiwan, o que não surpreende, mas deixa evidente a intenção da ditadura chinesa de oficializar um conflito maior para dominar a região.

Já o presidente americano, Joe Biden, declarou-se pronto para defender militarmente Taiwan, quando visitou Tóquio, no mês passado.

As chancelarias se questionam sobre se os movimentos chineses no mar se tratam apenas de propaganda ideológica ou se realmente é uma movimentação militar agressiva. “Tudo vai depender da determinação dos americanos e das marinhas de exercer a liberdade da navegação no estreito”, diz Mathieu Duchâtel, diretor de conteúdos asiáticos no Institut Montaigne ao jornal Le Figaro.

“Se os navios e aviões militares do continente asiático controlarem completamente o estreito, Taiwan se tornará apenas um pedaço do Exército chinês”, completa Duchâtel.

De quem é Taiwan? 
O posicionamento da própria nação taiwanesa faz pouco barulho internacionalmente. A presidente do país, Tsai Ing-wen, não ousa cruzar a linha da declaração de independência e as eleições presidenciais só acontecem novamente em 2024.

A ilha de 24 milhões de habitantes se considera independente desde 1949, quando o então líder chinês Chiang Kai-Shek se refugiou em Taiwan após ser derrotado pelo exército comunista de Mao Tsé-Tung, mas nenhuma grande potência reconhece hoje Taiwan como um país soberano.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/taiwan-entre-as-duas-grandes-potencias-como-estao-hoje-as-disputas-na-ilha/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...