Carlos Lupi, presidente do PDT: ele e outro executivo do partido
se hospedaram no resort de luxo Resort Golf & Spa, em Cancún,
durante evento da Internacional Socialista, realizado em outubro do ano
passado. O encontro da esquerda durou apenas dois dias, mas a dupla
permaneceu no local por seis dias.| Foto: EFE/FERNANDO BIZERRA JR
Você é testemunha das viagens dos pré-candidatos, dos dirigentes de
partido. Agora o Estadão e o Metrópoles publicaram, com base em dados do
Tribunal Superior Eleitoral — que recebe informação dos partidos, ou
seja, é o próprio partido que está informando, então certamente não tem
erro a mais, pode ter erro a menos — que, por exemplo, o presidente do
PDT, Carlos Lupi, foi a Cancún para uma reunião da Internacional
Socialista, no ano passado. Ele ficou seis dias em Cancún. Cancún é uma
maravilha, é bom ficar lá. Custou R$ 30 mil.
O ex-presidente Lula andou pelo país em 2021 com a Rosângela (Silva, a
Janja), com quem ele casou este ano, e seguranças e tal, fretou
jatinhos, deu R$ 699 mil. É do seu imposto, que você foi obrigado a
pagar. Foram os deputados e senadores que criaram esse fundo partidário
para ajudar os partidos. O PSL [que este ano se fundiu com o DEM para
formar o União Brasil] comprou um imóvel de 500 m2 lá em São Paulo que
custou R$ 5,4 milhões. O PSDB, com toda aquela briga de Dória e Eduardo
Leite, gastou R$ 12 milhões. O PP, o MDB, o DEM gastaram de jatinhos por
aí R$ 3,2 milhões. É um bom dinheiro, não é? Este ano já gastaram mais
de meio bilhão de reais. Só para a gente saber, afinal o dinheiro é
nosso, é dos nossos impostos. Então é bom que a gente pelo menos fique
sabendo disso.
Desvio de função
E hoje é o dia em que o presidente Bolsonaro vai mostrar a todos os
embaixadores convidados, no Palácio Alvorada, o que aconteceu nas
eleições de 2014 e 2018. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal)
foi convidado e o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
também. Os ministros Edson Fachin e Luiz Fux disseram que não vão para
manter a isenção. Ora, isenção! Com os pronunciamentos que têm feito no
exterior, não tem isenção nenhuma. Além disso, para todos os efeitos,
Bolsonaro ainda não é um candidato, ele é um chefe de governo que
convidou presidentes de tribunais.
Embora o ministro Fux não queira, o Supremo está sendo usado por
pequenos partidos a toda hora. Agora mesmo, uma vereadora do Recife, do
PT, acionou a ministra Rosa Weber para saber se Bolsonaro tem a ver com o
tiroteio lá em Foz do Iguaçu. Pequenos partidos, como o PSOL, que tem
só dez deputados em 513, e não tem nenhum senador, estão toda hora
acionando o Supremo porque não têm voto no plenário da Câmara. O único
senador da Rede — uma andorinha sozinha não faz verão, e ele é uma
andorinha sozinha no Senado entre 81 senadores — está toda hora
acionando o Supremo e o Supremo vai atrás, fica a serviço de pequenos
partidos.
O Supremo não é um órgão acessório de pequenos partidos, como é o
TCU, que é um órgão auxiliar do poder legislativo. O Supremo, não, é uma
corte constitucional que está totalmente desviada de sua função.
Por Levy Teles e Rayanderson Guerra – Jornal Estadão
Bolsonaristas compartilharam imagens de uma gravação em que um ator
parecido com Bolsonaro aparece caído com manchas de sangue após pilotar
uma moto; Rede Globo diz que seriam cenas de um filme dirigido por Ruy
Guerra
SÃO PAULO, RIO E BRASÍLIA — O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres,
determinou, neste sábado, 16, que a Polícia Federal investigue uma
produção audiovisual após imagens circularem nas redes dos bastidores de
uma gravação em estúdio que mostram um personagem parecido com o
presidente Jair Bolsonaro (PL)
pilotando uma moto e depois caído, com manchas de sangue. “As imagens
são chocantes e merecem ser apuradas com cuidado”, disse o ministro no
Twitter.
Durante o sábado, políticos bolsonaristas compartilharam vídeos e
fotos que exibem parte da gravação. Monitoramento da reportagem observou
que o conteúdo começou a circular em grupos de apoiadores do presidente
no Telegram na manhã deste sábado e atribui a responsabilidade da
produção à Rede Globo.
O presidente Jair Bolsonaro organiza motociatas pelo País. Foto: Werther Santana/Estadão
A deputada Carla Zambelli (PL-SP)
disse que a produção da obra era da Globo em publicação no Twitter. Ela
removeu a postagem logo após. A reportagem pediu mais informações à
deputada. “Chegou a notícia assim pra mim”, justificou, sem apontar a
origem do material.
A Comunicação da Globo negou que tenha “série, novela ou programa”
com o conteúdo das imagens. “A Globo desmente que pertençam a produções
suas – seja para canal aberto, canais fechados próprios ou Globoplay –
vídeo e fotos que estão circulando nas redes sociais de gravação de obra
ficcional mostrando um atentado ao presidente da República”, disse a
empresa em nota. “A Globo não tem nenhuma série, novela ou programa com
esse conteúdo. Segundo foi informada, a gravação seria de um filme do
cineasta Ruy Guerra chamado A Fúria, que pretende fechar a trilogia iniciada com Os Fuzis, de 1964, e A Queda, de 1976.”
Ainda segundo o comunicado, a empresa afirmou que o Canal Brasil tem
uma participação de 3,61% nos direitos patrimoniais do filme, “mas
jamais foi informado dessas cenas e, como é praxe em casos de cineastas
consagrados, não supervisiona a produção”.
“Embora tenha participação acionária no Canal Brasil, a Globo não interfere na gestão e nos conteúdos do canal”, informa.
Em nota, o Canal Brasil diz que não teve conhecimento prévio da cena
que causou a polêmica e que não interferiu na obra. “Ainda não
assistimos a nenhum trecho do longa-metragem, que não foi finalizado por
seus realizadores”, diz o texto.
A produção do filme A Fúria diz que as imagens foram
captadas sem autorização “de uma filmagem à qual atribui-se suposto, e
infundado, discurso de ódio”. Segundo a produção, o cineasta Ruy Guerra
“filmou um longa-metragem de ficção que será lançado no final de 2023,
portanto não há qualquer relação com o processo eleitoral e, muito
menos, forjar fake news simulando um fato real”.
“O fato ilegal neste caso é a divulgação de uma cena retirada do
contexto da história que será contada”, diz o comunicado. “Esclarecidos
estes fatos, o diretor Ruy Guerra avisa que só fala de seu filme quando
estiver pronto, como ele sempre faz.”
Consultado pela reportagem, Guerra disse que não está produzindo nada
que traga cenas como as que foram descritas a ele por telefone.
Segundo informações no site da Agência Nacional do Cinema (Ancine), o
projeto levantou R$ 2 milhões em recursos de financiamento do Fundo
Setorial do Audiovisual. A aprovação inicial aconteceu em março de 2018.
Políticos bolsonaristas atacam produção e o Judiciário
Um vídeo compartilhado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP),
filho do presidente, questiona qual produtora “cometeu esse
crime”.”Quantas horas Alexandre de Moraes dará para os produtores se
manifestarem sobre discurso de ódio? Ou será que isso pode?”, questionou
o parlamentar no Twitter.
“Tentaram matar Bolsonaro uma vez e não conseguiram. Agora, até ensinam como fazer”, tuitou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele ainda disse que os brasileiros não iriam ver os produtores nos tribunais. “Contra Bolsonaro pode tudo.”
A deputada Bia Kicis (PL-DF)
também usou as redes sociais para provocar Alexandre de Moraes. “Seria
isso liberdade artística, liberdade de expressão ou um ato criminoso e
estímulo à agressão contra sua pessoa. Não seria ataque à democracia?
Com a palavra, xandão!”, publicou, em referência pejorativa ao
magistrado.
A qualidade da democracia representativa está vinculada ao nível de
educação cívica dos eleitores. O quadro de representação política no
Congresso é reflexo dessa relação
Notas&Informações, O Estado de S.Paulo
DemonstraÁ¿o do uso da urna eletrÙnica para as eleiÁ¿es de 2006.
A esmagadora maioria dos eleitores (86%) considera bom que haja uma
“alta renovação” no Congresso a partir da próxima legislatura, que se
inicia em fevereiro de 2023. É o que revela uma pesquisa realizada pela
Quaest, a pedido do instituto RenovaBR, publicada pelo Estadão.
À primeira vista, renovar os quadros de representação política no
Poder Legislativo federal pode parecer algo intrinsecamente positivo,
pois subjaz nesse desejo uma ideia de arejamento, de coadunação dos
parlamentares, a cada ciclo eleitoral, com novas pautas e prioridades
para uma sociedade em permanente transformação. No entanto, é preciso
questionar se a mera renovação congressual, de fato, atende a esse
anseio – a resposta é não – e, principalmente, refletir sobre a parcela
de responsabilidade que recai sobre os próprios eleitores pela abissal
distância que os separa de seus representantes eleitos.
A pesquisa revela uma profunda insatisfação dos eleitores com o
trabalho executado pelos parlamentares eleitos em 2018. Fosse bem
avaliada a atual legislatura, obviamente, o porcentual dos que clamam
por renovação não seria tão alto como o apurado pela Quaest. Cabe
lembrar que aquele pleito representara a maior renovação do Congresso
desde a redemocratização do País. Dos 513 assentos na Câmara dos
Deputados, 244 (47%) passaram a ser ocupados por novatos. No Senado, a
renovação foi ainda mais expressiva. Das 54 vagas para a Casa que
estavam em disputa na eleição geral passada, 46 foram conquistadas por
novos senadores – uma impressionante taxa de renovação de 85%. São
números que demonstram de maneira cabal que a renovação política pode
não ser algo necessariamente bom – afinal, o que é bom há de ser
conservado, e não substituído.
Aqui cabe a reflexão sobre a participação dos eleitores na
conformação do quadro de representação política no Congresso e a relação
direta entre educação cívica e qualidade da democracia representativa.
Quando perguntados se acaso lembravam em quem votaram para deputado
federal em 2018, nada menos do que 66% dos entrevistados pela Quaest
disseram que não. O mesmo porcentual de respondentes indicou que
desaprova o trabalho dos deputados. O curioso é que mais da metade dos
respondentes (55%) afirmou não saber o que faz um deputado. Ora, como é
possível avaliar – positiva ou negativamente – o trabalho de um
parlamentar se a própria natureza do ofício é um mistério?
O fortalecimento da democracia no País depende fundamentalmente da
educação cívica dos eleitores, não só para votar com consciência e
responsabilidade, mas para acompanhar bem o trabalho daqueles que
exercem o múnus público. Essa confusão gerada pela falta de informação
política da maioria dos eleitores é habilmente explorada por
parlamentares, que, a rigor, deveriam representar os interesses de seus
constituintes, não interesses de classe. Disso decorrem aberrações como o
“orçamento secreto”, emendas constitucionais que zombam da própria
Constituição e arremedos de reforma política que, em muitos casos, só
beneficiam detentores de mandato, entre outras anomalias.
O presidencialismo e a cultural propensão do eleitor brasileiro a
escolher, apaixonadamente, entre nomes, não ideias e projetos, para
cargos majoritários tiram a devida atenção das escolhas para a
composição do Congresso. É algo que precisa mudar. E só a educação da
população – a educação política em especial – será capaz de romper esse
círculo vicioso: os eleitores escolhem seus representantes sem dar a
devida atenção ao que pretendem fazer com o mandato; os parlamentares
negligenciam temas caros à sociedade e se voltam para seus interesses no
Congresso; a sociedade não se vê representada e clama por renovação.
Busca-se sempre por uma legislatura melhor do que a anterior, o que,
de maneira alguma, é negativo. Mas, sem escolhas mais criteriosas para
compor o Congresso e, sobretudo, sem um detido acompanhamento da
atividade parlamentar pelos eleitores, será muito difícil superar a
crise de representação política que tantos males tem causado ao País.
Apesar de simples, esse foi o esboço, desenhado em um guardanapo, com
o modelo de negócios que seria o primeiro passo para uma das maiores e
mais inovadoras empresas do mundo:
Note que no centro da estrutura vemos a palavra “growth”. Um termo
muito bem definido pelo Bruno Nardon, co-fundador e mentor aqui do G4,
que diz:
“Growth não é vendas nem marketing. Growth é uma mentalidade de
constante busca pelo crescimento, de forma eficiente, através da análise
de dados e melhoria dos processos, do começo ao fim do seu negócio, com
foco na jornada do cliente.”
E foi exatamente com esse nível de mentalidade que Jeff Bezos,
fundador da Amazon, desenhou a estratégia que ficou conhecida como
Amazon Flywheel. E, a partir disso, as operações da empresa começaram no
ano seguinte.
Parece simples, certo?
Um dos insights que isso me mostra é que, por mais simples que
pareça, uma boa estratégia de Growth é capaz de potencializar os
resultados e acelerar o crescimento de qualquer negócio.
Para a Amazon, ter processos e operações direcionadas por
experimentos, dados e otimizações permitiram que a empresa encontrasse
diversas oportunidades para alavancar os resultados e impulsionar o
crescimento.
E essa é a melhor parte: seu negócio também tem grandes oportunidades
para crescer e, quando você passa a aplicar técnicas de Growth, você
começa a enxergá-las. Isso acontece porque você começa a:
Priorizar e valorizar experimentos;
Tomar decisões baseadas em dados;
E, principalmente, focar nos resultados.
Sem dúvidas, um dos pilares para que as metodologias de Growth
funcionem são os experimentos, uma vez que são a maior fonte de ideias e
de inovação para qualquer empresa.
O próprio Bezos afirma que: “dentro da Amazon, nosso sucesso é
relativo a quantos experimentos nós podemos realizar a cada ano, a cada
mês, a cada semana, a cada dia.”
Se você também deseja estruturar essa metodologia na sua empresa, aqui está uma ótima oportunidade de dar o primeiro passo.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a
oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de
divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma
Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa
livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua
empresa seja oficializada.
A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando
para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as
melhores marcas do varejo e um mix de opções.
O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o
cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de
compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.
Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que
pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa
plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é
muito abaixo do valor praticado pelo mercado.
Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:
O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
A
Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por
categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja,
tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos
clientes com as lojas.
Não se trata da
digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos
ambientes online e offline na jornada da compra.
No
país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram
três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas,
estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem
retirar o produto em lojas físicas.
O número de visitantes do Site da Valeon tem crescido exponencialmente, até o momento, tivemos 130.000 visitantes.
O
site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de comprar da sua loja
favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e ainda poder retirar
ou receber o pedido com rapidez.
A Plataforma
Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da
exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de
atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo,
cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados,
revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo,
diversão de músicas, rádios e Gossip.
Nós
somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos
tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história
ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.
Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?
Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
Dinheiro
/ Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República
Federativa do Brasil e é conhecida pelo R$l. A cédula de um real deixou
de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares.
As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela
Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto,
detalhes de uma nota de 100 reais.
Tripé macroeconômico adotado no governo FHC foi abandonado e
trocado pela “nova matriz econômica” no governo Dilma.| Foto: Marcelo
Andrade/Gazeta do Povo
Desde o sucesso do Plano Real, implantado
em julho de 1994, com o qual o Brasil conseguiu vencer a inflação
crônica que havia anos vinha impedindo crescimento econômico e
desenvolvimento social seguro e contínuo, tornou-se uma espécie de
consenso que, qualquer que seja o governante eleito, a política
econômica deve ter um eixo estrutural básico estável. Um dado eixo foi
escolhido, planejado e implantado no governo Fernando Henrique Cardoso e
tinha por base um tripé: austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio
flutuante. Embora existam outras opções de política econômica, é
necessário que o eixo estrutural escolhido tenha bases sólidas e seja
mantido por tempo suficiente para apresentar resultados, sem o que não é
possível avaliar suas qualidades e eventuais defeitos.
A economia de um país carrega as bases estruturais de sua realidade,
aquilo que é o esqueleto da economia nacional, e sofre as influências
das situações e eventos conjunturais, aqueles que acontecem em
determinados momentos e mudam com o tempo, mas que interferem fortemente
no desempenho produtivo e no desenvolvimento social. Como elementos
estruturais, o Brasil tem seus recursos naturais – extenso território,
condições para uma rica agropecuária, abundantes fontes de água doce,
amplas reservas minerais, biodiversidade única etc. –, uma realidade
urbana composta de 5.570 municípios, dos quais 80% têm menos de 50 mil
habitantes, as vias de transporte rodoviário e ferroviário, o sistema
portuário aéreo e marítimo, e um sistema estatal consolidado. Essa
realidade está dada e é sobre ela que a política econômica deve
trabalhar.
A estrutura econômica brasileira – que tem outros componentes além
dos citados – é de expansão lenta e relativamente difícil, e é
considerando essa realidade que a política econômica deve escolher as
intervenções onerosas (as que exigem recursos financeiros para sua
execução, como é o caso dos investimentos em infraestrutura física) e as
intervenções não onerosas (que não exigem dinheiro, pois são regras de
comportamento e ação diária, como leis que criam monopólios, velocidade
máxima em rodovias etc.). Praticamente não há discordância quanto aos
objetivos socioeconômicos principais, que são o crescimento econômico, a
geração de empregos, a superação da pobreza, o aumento da renda por
habitante e, por consequência, a melhoria do padrão de vida de toda a
população.
A gestão da política não comporta invencionices nem ideias
mirabolantes, principalmente ameaças de ruir as bases da economia livre
de mercado e o ambiente institucional favorável ao empreendedorismo e
aos negócios
A cada eleição presidencial, os concorrentes sempre prometem fazer o
país crescer e melhorar as condições de vida de todos e, em linhas
gerais, praticamente todos prometem política econômica boa, sólida e
conducente à prosperidade material, ainda que divirjam sobre os caminhos
que prometem trilhar para atingir os objetivos. Há certo consenso no
meio político de que o controle da inflação, o equilíbrio das contas
públicas e os resultados positivos nas contas externas são elementos
necessários para a saúde econômica do país e para criar um clima
favorável ao investimento privado nacional e estrangeiro.
Quando Lula foi eleito presidente, em 2002, havia dúvida razoável
sobre como ele iria gerenciar a economia, já que o discurso radical do
PT, desde a criação do partido, era baseado em certo ódio ao
capitalismo, amor ao socialismo e forte inclinação ao aumento do tamanho
do setor estatal. Percebendo que a imagem de seu partido era de certo
radicalismo anticapitalista, Lula divulgou durante a campanha a “Carta
aos Brasileiros”, na qual prometia respeitar as bases de uma economia
saudável, sem radicalismos nem aventuras socialistas. Uma vez eleito,
seu governo foi beneficiado por uma conjunção de fatores – como a
ausência de crise internacional, expansão das exportações de commodities
e aumento dos preços dos produtos brasileiros exportados – e, apesar do
escândalo do mensalão, surgido em 2005, o primeiro governo de Lula
terminou com bom índice de aprovação, devido à boa situação das contas
externas, controle das contas públicas e da inflação, e crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) que, sem ser extraordinário, foi bom.
Qualquer governo que consiga sucesso em algumas áreas e algumas
políticas públicas não colhe êxito e popularidade caso se saia mal nas
cinco áreas essenciais: situação fiscal, contas externas, inflação,
crescimento e emprego. O mérito de Lula foi o de, no primeiro mandato,
ter apoiado as autoridades econômicas no trato com responsabilidade da
política fiscal, da política monetária e da política cambial, seguindo
as bases montadas no governo Fernando Henrique Cardoso, e não ter cedido
às pressões de alas do seu partido para “mudar tudo que aí está”.
Quanto à boa situação das contas do país com o resto do mundo e o
aumento das reservas internacionais, isso foi possível graças à elevação
nas receitas de exportação causadas pelo aumento constante dos preços
internacionais das commodities exportadas pelo Brasil.
A tentação gastadora, no entanto, revelou-se mais forte no fim do
segundo mandato de Lula, que lançou as bases da “nova matriz econômica”
aplicada com toda a força por sua sucessora, Dilma Rousseff. Os maus
resultados colhidos em seu governo deveram-se, em boa parte, à reversão
da boa situação internacional, à ampliação de gastos com o funcionalismo
estatal deixada como legado por Lula (derivada de generosos reajustes
salariais e aumento do quadro de servidores), além, é óbvio, dos enormes
erros cometidos por Dilma e Guido Mantega – ministro da Fazenda entre
2006 e 2014 –, especialmente o abandono do tripé macroeconômico que
vinha desde FHC. A brutal recessão dos anos 2015 e 2016 resultou da
retração internacional, dos erros de Dilma e da baixa taxa de
investimentos, especialmente em infraestrutura física. Os baixos
investimentos sempre foram a marca do Brasil, permaneceram assim no
governo de Lula e Dilma, e tornaram-se um dos maiores entraves ao
crescimento da economia e da melhoria social.
A questão essencial é que somente uma política econômica com bases
sólidas, reconhecidas e que se mantêm estáveis por anos seguidos é capaz
de fornecer as condições para a expansão dos investimentos estatais,
criar um ambiente favorável ao aumento dos investimentos privados e
fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer continuamente de forma a
elevar a renda por habitante, conseguir baixas taxas de desemprego,
reduzir a pobreza e melhorar o bem-estar social. A gestão da política
não comporta invencionices nem ideias mirabolantes, principalmente
ameaças de ruir as bases da economia livre de mercado e o ambiente
institucional favorável ao empreendedorismo e aos negócios.
O mundo está cheio de exemplos de países, alguns bem próximos do
Brasil, que empobreceram por culpa de governos hostis ao capitalismo, à
propriedade privada e ao empreendedorismo. Se a economia piora todos os
anos, ninguém consegue impedir o aumento do desemprego e da pobreza, o
agravamento dos problemas sociais e o empobrecimento geral, mesmo que o
país seja rico de recursos naturais. A economia não é uma ciência exata,
mas cobra um alto preço das nações que agridem sua lógica e aplicam
experimentos heterodoxos que nunca deram certo em nenhum país.
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento em Brasília em junho| Foto: EFE/Joédson Alves
O
presidente Jair Bolsonaro disse na última semana que o Brasil negocia
com a Rússia a compra de diesel barato. Em tese, isso poderia ajudar a
reduzir a inflação e aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos em
um ano eleitoral. Mas será que o desconto russo realmente faria
diferença na economia brasileira? E, se fizer, não colocaria o Brasil em
uma situação de dependência de Moscou, como ocorreu com a Alemanha e
países europeus em relação ao gás?
A coluna Jogos de Guerra conversou com especialistas da área para
tentar responder essas perguntas. Mas antes é preciso entender como a
questão do diesel ganhou importância no Brasil.
Os preços dos combustíveis vêm subindo mundialmente devido a fatores
como a tentativa de transição energética de combustíveis fósseis para
fontes renováveis e a retomada econômica pós-pandemia. Por último, veio a
tentativa das potências ocidentais de embargar o petróleo russo para
conter a invasão na Ucrânia.
O governo brasileiro fixou uma alíquota máxima para a cobrança do
ICMS sobre os combustíveis. O preço da gasolina caiu nas bombas, mas o
diesel não foi tão afetado, pois já tinha uma alíquota baixa, segundo o
economista Luciano Losekann, da Universidade Federal Fluminense.
Em paralelo, a Europa começou a estocar diesel como uma forma de
diminuir o impacto da tentativa de embargo dos hidrocarbonetos russos e
os Estados Unidos aumentaram o consumo. Tudo isso elevou o preço do
diesel no mercado global.
Isso também afetou os preços no mercado brasileiro, pois cerca de 30%
do diesel que o país consome vem do exterior – principalmente do Golfo
do México e, em alguns casos, do Oriente Médio. O valor do litro subiu
quase 60% em um ano, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo.
“Subir o preço do diesel no Brasil é tenebroso para o custo de
alimentos, porque a maior parte dos alimentos no país é transportada por
caminhões”, afirmou o analista Emanuel Pessoa, doutor em direito
econômico pela Universidade de São Paulo.
Desde o início das sanções à Rússia devido à guerra na Ucrânia,
Moscou tem vendido petróleo e seus derivados com preços abaixo do
mercado para países como Índia e China. A Índia chegou a obter desconto
de US$ 30 por barril. A ideia do Brasil é aproveitar a oportunidade
gerada pela crise e comprar diesel barato da Rússia.
Mas qual seria o impacto real na economia brasileira?
Não se sabe ainda qual seria o valor do desconto oferecido pelo
governo de Vladimir Putin. Por isso, os analistas se dividem sobre a
possibilidade da medida ter um impacto significativo na inflação.
Segundo Losekann, o Brasil não poderia simplesmente “virar a chave” e
substituir de uma hora para outra todas as importações dos Estados
Unidos e de países árabes por diesel russo.
Isso ocorre por causa de contratos e de questões técnicas
relacionadas a especificações do produto. Segundo ele, o mercado de
diesel é menos líquido, ou versátil, que o mercado de petróleo cru.
Além disso, pode haver dificuldades de se encontrar intermediários
para viabilizar as transações, pois muitas empresas que atuam no
processo de importação têm medo de serem sancionadas pelos Estados
Unidos.
Outra possibilidade é que o desconto se perca por causa dos altos
custos de se transportar diesel do outro lado do mundo. Ou ainda que a
economia seja absorvida pelas redes de distribuição antes de chegar às
bombas.
Por isso, na opinião de Losekann, o cenário mais provável é que o
Brasil comece a importar diesel da Rússia, porém, em um volume limitado.
Assim, é pouco provável que a manobra gere um impacto muito
significativo na inflação.
Já Pessoa afirmou que só uma parte do desconto russo deve se perder
pelo caminho. Dependendo do preço estabelecido pelo governo de Vladimir
Putin, a redução de valor pode chegar, sim, ao bolso do consumidor.
“O desconto não se perde 100% no caminho. Se o Brasil comprou
combustível 20% mais barato, não quer dizer que vai ser 20% mais barato
na bomba, mas alguma coisa fica”, disse ele.
Já na opinião de Armando Cavanha, consultor especializado em óleo e
gás da PUC-Rio, é provável que o diesel russo chegue ao Brasil com um
preço similar ao que é praticado pela Petrobras – que tem adotado preços
um pouco mais baixos que os do mercado internacional. O lado positivo
seria a diversificação das fontes de importação.
Refinarias Mas não podemos descartar totalmente a hipótese de que o
desconto oferecido pela Rússia seja baseado em interesses geopolíticos.
A barreira dos custos de transporte, em tese, também poderia ser
superada com o uso de navios petroleiros russos – não sujeitos às
sanções ocidentais.
Se esse for o caso, é concebível que o diesel chegue ao Brasil a um preço muito abaixo do mercado.
Antes de finalizar este texto, debati essa possibilidade com alguns
leitores pelo Twitter. Alguns deles trouxeram a seguinte solução: o
Brasil poderia se beneficiar do diesel barato da Rússia por um tempo,
até possuir mais refinarias e não depender mais da importação do
produto.
Segundo Cavanha, essa hipótese é improvável. O Brasil atualmente
tenta privatizar parte das 14 refinarias da Petrobras. Dificilmente o
país encontraria investidores interessados em construir mais refinarias
no Brasil, por causa do processo de transição energética para fontes
limpas.
“O processo de refino dá uma margem de lucro pequena em comparação à
extração de petróleo. Por isso, as refinarias têm que funcionar por 20
ou 30 anos para compensar o investimento”, afirmou.
Além disso, segundo ele, é saudável que o país importe parte de sua
necessidade de diesel. Isso porque, se houver algum problema com a
produção nacional, o país já tem fornecedores e corre menos risco de
ficar sem o produto.
Dependência energética Nos anos 1970, a Alemanha decidiu começar a
importar gás natural da então União Soviética, atraída por preços
convidativos. Na época, a OTAN (aliança militar ocidental) alertou o
governo alemão sobre o risco de o país se tornar dependente da energia
russa. Na época, Norbert Plesser, o então chefe do departamento de gás
do governo alemão, respondeu que o país nunca dependeria da Rússia para
prover mais de 10% de sua necessidade de gás.
Além de se beneficiar dos preços convidativos, a Alemanha acreditava
na época que aumentar o comércio era a melhor forma de tornar a União
Soviética menos autocrática e mais dependente dos bens manufaturados da
Europa.
Mas, recentemente, alerta similar sobre a dependência do gás russo
foi dado pelo governo do ex-presidente Donald Trump aos alemães.
Contudo, quando a Rússia invadiu a Ucrânia neste ano, 55% da necessidade de gás alemã era suprida pela Rússia.
Sob pressão dos EUA e dos vizinhos europeus, Berlim reduziu para 35%
sua dependência do gás russo desde a invasão da Ucrânia. Parte dessa
pressão se explica em um conceito de geoestratégia (Heartland) que
desperta um temor histórico de Washington: uma possível aliança entre
Alemanha e Rússia.
Mas então, guardadas as proporções, qual é a possibilidade do Brasil
estar caindo em uma armadilha estratégica similar ao comprar diesel da
Rússia?
O Brasil não é uma potência industrial, mas neste momento o embargo
ocidental à energia russa tem feito Moscou buscar qualquer tipo de
comprador para seus hidrocarbonetos.
Para os especialistas ouvidos pela coluna, essa possibilidade é baixa
devido a alguns fatores. Um deles é que, diferente da Alemanha, o
Brasil produz petróleo e possui uma matriz energética diversificada.
“O Brasil importa diesel de diversas fontes e, futuramente, quando a
guerra acabar e as relações do mundo ocidental com a Rússia se
normalizarem, a Rússia deverá voltar a comercializar no preço do mercado
internacional”, disse Pessoa.
Além disso, apesar de o Brasil utilizar o modal rodoviário de
transportes, a participação do diesel importado é relativamente pequena
em relação a outras fontes de energia usadas pelo país.
Não podemos deixar de observar, porém, que não se sabe se as relações
de comércio internacional vão algum dia voltar a ser o que eram antes
da guerra da Ucrânia. E vale lembrar ainda que a dependência alemã da
energia russa também começou de forma praticamente inexpressiva no
século passado.
Questão ética Assumindo a hipótese de que o governo brasileiro
consiga negociar um preço vantajoso com Putin e derrube os preços nas
bombas, como fica a questão moral?
Segundo Pessoa, as sanções ocidentais à energia russa visavam que a
economia do país encolhesse de 12% a 14%. Dessa forma, Moscou teria
grande dificuldade para continuar financiando a guerra na Ucrânia e
seria obrigada a retirar suas tropas.
Porém, a Rússia conseguiu controlar relativamente sua inflação,
países europeus não cortaram totalmente as importações de petróleo e gás
russos e nações como China e Índia firmaram parcerias para comprar a
energia que deixava de ser exportada ao Ocidente. Isso fez analistas
revisarem suas projeções e estimarem uma retração da economia russa para
este ano de 7,8%, segundo Pessoa.
O dilema ético está no fato de que, ao comprar diesel russo para se
aproveitar da crise, o Brasil estaria colaborando com a Rússia para
prolongar a guerra.
“Embora moralmente não se devesse, é muito difícil você justificar
deixar o preço do diesel subir, o preço da comida subir, em um país como
o Brasil, em que a maioria da população é pobre”, disse Pessoa.
Algum leitor pode lembrar que, quando os Estados Unidos e seus
aliados europeus invadiram países como Iraque ou Afeganistão, ninguém
tentou aplicar sanções contra eles.
Isso é verdade, mas a questão moral aqui não é de apontar heróis e
bandidos, culpados ou inocentes no cenário global. O que está à prova é a
capacidade da comunidade internacional de encerrar um conflito por meio
da economia e não mandando tropas para o campo de batalha.
“Alienação eleitoral” Por Olavo Soares – Gazeta do Povo Brasília
Lula e Bolsonaro.| Foto: Paulo Pinto/Fotos Publicas e Alan Santos/PR
A
eleição de 2022 pode reverter um quadro registrado nas últimas
disputas: o do crescimento de votos brancos e nulos, e também do elevado
número de cidadãos que não comparecem para votar. A polarização entre o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair
Bolsonaro (PL), somada ao declínio da pandemia de coronavírus, deve
levar a uma diminuição do desinteresse pelo voto.
Desinteresse pelo voto, ou “alienação eleitoral”, é o termo utilizado
pela ciência política para contabilizar, em um único indicador, os
votos brancos e nulos e também os eleitores ausentes, seja por decisão
própria ou por outros fatores. O desinteresse saltou de 18% para 25%
entre 2006 e 2018, período que compreende quatro eleições presidenciais.
Os números foram detectados em pesquisa do Instituto Votorantim e
divulgados em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O levantamento
identificou que o crescimento da alienação se deu principalmente na
Região Sudeste, que sofre uma elevação tanto na abstenção quanto nos
votos brancos e nulos. Outro dado das pesquisas é o de que o eleitorado
jovem, de até 24 anos, é o de menor comparecimento às urnas.
A eleição de 2020, em que foram eleitos vereadores e prefeitos, foi a
de maior abstenção nos últimos anos: 24,27%. É o maior patamar da série
histórica analisada pelo Votorantim. Parte da falta de comparecimento
se explica pela pandemia de coronavírus – o pleito foi, até agora, o
único realizado desde a deflagração da crise sanitária causada pela
Covid-19. No Brasil, o voto é obrigatório, mas as punições para quem não
comparece às urnas são brandas.
Foco nos jovens para reverter desinteresse pelo voto A abstenção
entre os jovens é “muito preocupante” e foi um dos fatores responsáveis
pelas vitórias da esquerda nas eleições presidenciais do Chile e da
Colômbia. A análise é de Evandro Araújo, coordenador do Movimento
Conservador do Distrito Federal e apoiador do presidente Bolsonaro. Ele
identifica nas redes sociais um caminho para reverter o quadro, e
acredita que a mobilização em torno das duas principais candidaturas ao
Palácio do Planalto também deve contribuir.
“Não sei dizer se a abstenção agora vai ser maior ou menor que a de
anos anteriores. Mas uma coisa está muito clara: só existem duas
escolhas, Bolsonaro ou Lula”, declarou.
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz,
atribui a elevação do desinteresse pelo voto ao que chama de “ascensão
das ideias da negação e da criminalização da política, e de muita
desinformação”.
“Porém, como atuamos na base, nas escolas, universidades, o que vejo é
um grande interesse de participação dessa geração, e hoje incluindo o
mundo virtual e redes sociais, muitos estudantes estão entendendo mais a
política como um meio para combater opressões e na defesa dos seus
direitos”, afirmou.
Ela também destacou campanhas de estímulo ao voto jovem promovidas por entidades como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nulos e brancos podem diminuir, diz pesquisador O quadro de
polarização pode ser decisivo para a diminuição dos votos nulos e
brancos, explica Marcelo Tokarski, diretor do Instituto FSB Pesquisa. “É
a primeira vez que temos uma disputa entre um presidente e um
ex-presidente”, afirmou.
Ele relata que pesquisas produzidas pela instituição mostram que, até
o momento, é pequeno o percentual de eleitores que rejeita tanto Lula
quanto Bolsonaro. “Lula tem rejeição de cerca de 44%, Bolsonaro tem de
50%. Mas quando vemos quem vai votar em um ou em outro, verificamos
90%”, disse.
Tokarski citou ainda que os levantamentos mostram uma faixa de
brancos e nulos que oscila próximo de 7%. É um patamar, segundo ele,
menor do que o registrado nas eleições presidenciais realizadas entre
2002 e 2018, que ficou entre 8,8% e 10,4%.
O diretor da FSB Pesquisa disse ainda que a abstenção eleitoral é um
fenômeno complexo de ser medido em pesquisas. “É difícil, no Brasil, a
gente medir isso por pesquisa, porque o voto é obrigatório. Então quando
pergunta para a pessoa se ela vai votar, 93% do eleitorado diz que com
certeza vai votar. E a gente sabe que a abstenção é bem maior do que
esses 7% que dizem que provavelmente não vão, ou que com certeza não vão
votar”, ressaltou.
Granja de frangos da familia Ballarini, integrados da BRF em Vespaziano Correia, Rio Grande do Sul. Expedicao Avicultura 2015.
Granja de frangos da familia Ballarini, integrados da BRF em
Vespaziano Correia, Rio Grande do Sul.| Foto: Hugo Harada / Arquivo
Gazeta do Povo
No sentido figurado do economês, falar em “voo de
galinha” é remeter a um desempenho que não se sustenta. Mal decola e já
está no chão novamente. Contudo, a saga da criação de galinhas no
Brasil, ou da criação de frangos (como são chamados os galináceos
jovens), é de fazer questionar se o ditado não mereceria, afinal, ser
reformulado.
O voo do frango brasileiro é vertical e duradouro. Os números falam
por si. Mesmo considerando que 69% das criações são destinadas ao
abastecimento interno, em duas décadas as exportações das aves renderam
R$ 145 bilhões. Olhando para os embarques mais recentes, em junho a
exportação de frango, suínos e ovos bateu pela primeira vez a casa de
US$ 1 bilhão ao mês. E o frango respondeu por 80% desse montante.
“Devemos continuar nesse ritmo. Nossa meta era exportar 500 mil
toneladas por mês. Esse projeto tinha maturação em um prazo muito mais
alongado, mas já está acontecendo agora. Neste ano a gente só não
exportou 500 mil toneladas nos dois primeiros meses. Não é nada
ufanista, mas as projeções são para mais crescimento”, afirma Ricardo
Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA),
que representa o segmento de aves, suínos e ovos.
Frango brasileiro está livre de doenças como gripe aviária
Contam para a avicultura brasileira as condições favoráveis de solo,
água e clima – que se traduzem em disponibilidade de grãos para encher o
papo das galinhas – como também a saúde dos planteis. Dentre os grandes
produtores mundiais, o Brasil é o único que nunca registrou casos de
gripe aviária e há mais de 20 anos não tem ocorrência da peste suína
africana. Essas doenças assolam atualmente a Europa e a Ásia, e a gripe
aviária ressurgiu há poucos meses nos Estados Unidos, depois de sete
anos, exigindo o sacrifício sanitário de quase 40 milhões de frangos.
Por outro lado, logo após a pressão na demanda pela pandemia de
Covid, veio a guerra da Ucrânia, que interrompeu o envio de grãos para
alimentar milhões de frangos em outros países. O conflito abalou as
próprias exportações ucranianas, de 440 mil toneladas por ano, que
situavam o país na 5ª posição global.
“Todo esse contexto está dizendo ao Brasil: vamos precisar comprar de
quem tem capacidade de aumentar a produção. A previsão é de que em
cinco anos será preciso aumentar a oferta mundial de alimentos em torno
de 12% a 15%, mas, do Brasil, espera-se 41%. Por aqui temos
sustentabilidade e capacidade de produção”, enfatiza Santin.
Aves devem avançar no Centro-Oeste e Matopiba
Esse crescimento poderá vir tanto pelo incremento da produção no Sul
do país, que já responde por 64% do total, como em novos empreendimentos
no Centro-Oeste e na região do Matopiba (acrônimo com as iniciais dos
estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que têm farta colheita
de milho e soja. Um avanço possível, segundo Thiago Bernardino, analista
de Pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea /
Esalq-USP), por causa da competitividade da cadeia produtiva.
“Para o frango, não é preciso grandes áreas. E você agrega valor ao
milho e à soja, assim como o subproduto, que é a cama aviária, que pode
ajudar como adubo, e os biodigestores para queima de gás e energia. São
fatores que facilitam o comércio de proteína próxima a regiões
consumidoras, principalmente o Nordeste. Vão pesar outros fatores, como
clima, maior gasto com energia para refrigeração devido ao calor, tudo
isso impacta. Mas a capacidade produtiva e o fato de ser uma proteína
barata, isso faz romper barreiras”, assegura.
Índia na mira do frango brasileiro Um mercado “aberto”
recentemente foi o da Índia, que tem uma população de 1,38 bilhão de
pessoas. As aspas do “aberto” é porque, na prática, os indianos
inviabilizam a importação do frango brasileiro impondo uma taxa de 100%
nos cortes e 30% na ave inteira. Neste ano, a exportação para a Índia se
resumiu a irrisórios 2.820 kg. Em todo o ano passado foram 121.000 kg. É
uma situação que tende a mudar por força do mercado, segundo
Bernardino, do Cepea. “Países como a Índia taxam visando proteger o
mercado doméstico, mas infelizmente penalizam a população, o consumidor
final. No longo prazo, isso tende a melhorar. O mercado globalizado vai
buscar eficiência, e tendo produção mais eficiente no Brasil,
invariavelmente tendemos a chegar nesses países que criam taxas para
proibir a entrada”.
No curto prazo, são os europeus que devem correr atrás de mais
frango. “Na Europa, quando entrarem no inverno vão ter um problema sério
de gás e energia, vão ter que se curvar para a Rússia e vão ter que se
curvar para o frango brasileiro”, prevê Bernardino.
No ano passado, os abatedouros do País processaram 6,18 bilhões de
cabeças de frango, quase um frango para cada habitante do planeta. A
liderança nas exportações é algo consolidado. O total de embarques
anuais para clientes em 151 países chega a 4,6 milhões de toneladas, um
milhão à frente do segundo colocado, os EUA, e mais de três milhões
adiante do terceiro lugar, a União Europeia. Lideram as compras a China
(14,33% de participação), Japão (10,04%), Emirados Árabes Unidos
(8,71%), Arábia Saudita (7,91%), África do Sul (6,64%) e União Europeia
(4,32%).
Consumo per capita de frango disparou desde 1970 Se um prato à
base de frango é corriqueiro hoje à mesa dos brasileiros, não é preciso
voltar muito no tempo para atestar uma realidade bem diversa. Em 1970,
cada brasileiro consumia em média 3 kg de frango por ano. Em 2000, eram
29,9 kg e, hoje, já são 45 kg. “Estamos falando de uma conquista
expressiva em muito pouco tempo. Hoje o frango já é nossa principal
fonte de proteína animal, de boa qualidade e custo razoável”, aponta
Dirceu Talamini, engenheiro-agrônomo pesquisador da Embrapa Aves e
Suínos, em Caxias do Sul.
Atualmente, a pesquisa tem concentrado esforços para encontrar
alternativas viáveis de alimentação para o frango, que ajudem a
diminuir a dependência das commodities valorizadas de soja e milho. Na
região Sul, apenas o Paraná é autossuficiente em milho. A saída pode
estar nos cereais de inverno – trigo, centeio, aveia e cevada, entre
outros.
Essa mudança de dieta, no entanto, ocorre a passos lentos. Porque o
agricultor precisa confiar no mercado antes de plantar, e isso vem de
uma relativa segurança quanto à demanda e ao preço. “Nesse ano
principalmente, com problemas na Ucrânia e Rússia, os cereais se
valorizaram muito, então o produtor deve ter uma resposta muito grande,
expandindo as lavouras. Há um enorme potencial para os cereais de
inverno, até porque isso liberaria o milho para exportação”, sublinha
Talamini.
DDG: subproduto do etanol do milho vira ração Para dar conta de
alimentar milhões de frangos, outra fonte que ganha espaço é o DDG, que
nada mais é que o grão seco após a destilação do etanol de milho. “Tem
alta taxa de proteína bruta e tem ainda composição de energia
interessante, é altamente viável na dieta de frangos, suínos e bovinos”,
diz o pesquisador, acrescentando que, hoje, o etanol de milho já
consome 10 milhões de toneladas de grãos por ano, gerando um volume
expressivo de disponibilidade de DDG.
Ainda que haja preocupação em variar a dieta do frango por questões
econômicas, não há risco de faltar milho para abastecer o mercado
interno. A safra atual que está sendo colhida no inverno deve ser cheia,
depois de dois anos com quebras por geadas. “Não tem risco de faltar
milho. O que pode haver é um câmbio favorável para exportação. Se formos
exportar tudo o que o mercado quer levar, pode ser que o milho aqui
dentro fique caro. Teremos de pagar a paridade com o preço de
exportação, mas não haverá falta”, assegura Sidnei Botazzari, sócio da
Jaguá Frangos, com sede em Londrina, no Norte do Paraná.
O empresário aponta que a elevação dos custos dos combustíveis, e,
por extensão, dos fretes, tornou mais difícil neste ano movimentar o
milho dentro do país. “Se pegar milho no Mato Grosso, que é um grande
produtor, para trazer ao Paraná tem que por mais 20 reais por saca
devido à distância. Acaba inviabilizando, é melhor comprar em casa
mesmo, no seu quintal”.
Na comparação com a renda, frango está mais barato do que no Plano Real Essa
competitividade fica evidente ao se comparar o preço do frango no
início dos anos 90, época do Plano Real, com o custo atual para o
consumidor brasileiro da população de mais baixa renda. “O quilo do
frango resfriado custava R$ 1,00, em torno de 1,4% da renda, que girava
em torno de R$ 70,00. Hoje o frango abatido é comprado por R$ 10,00, em
cima de uma renda deR$ 1.200,00. Ou seja, abaixo de 1% do
comprometimento da renda. Mesmo com os custos altos, o frango tem
ganhado eficiência produtiva”, sublinha Bernardino, do Cepea.
A Cooperativa C.Vale, de Palotina, no Paraná, inaugura em duas
semanas um novo frigorífico em Iporã, com capacidade de abate de 90 mil
frangos/dia, na primeira etapa. Com esse aporte, os abates diários
chegarão 840 mil frangos/dia. A escassez de mão de obra faz com que a
empresa tenha de buscar trabalhadores a 120 km de distância do
frigorífico de Palotina. “Essa dificuldade tende a aumentar nos próximos
anos com a abertura do frigorífico de suínos da Frimesa em Assis
Chateaubriand e com o nosso próprio frigorífico de frangos em Iporã. A
solução vai ser providenciar moradias para esses trabalhadores se
instalarem mais próximos das indústrias e aí vamos precisar da
colaboração do governo do Estado e das prefeituras”, diz Alfredo Lang,
presidente da C.Vale.
Estátua
da Justiça Supremo Ttribunal Federal
A Justiça é uma escultura localizada em frente ao prédio do Supremo
Tribunal Federal, em Brasília, feita em 1961 pelo artista plástico
mineiro Alfredo Ceschiatti.
Publicado em 21/11/2019 –
Símbolo da Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O
trágico incidente em Foz do Iguaçu mostra o quanto os ânimos estão
acirrados por causa da eleição de outubro. Muita gente alerta para o
risco de uma ruptura institucional. Gente que deve estar em outro país,
porque rupturas institucionais estão ocorrendo na cara de todos nós. A
primeira foi em 31 de agosto de 2016, quando a presidente foi condenada,
mas não respeitaram o parágrafo único do artigo 52 da Constituição,
pelo qual presidente condenado fica inabilitado de exercer função
pública por oito anos. Presidia a sessão de julgamento no Senado o
próprio presidente do Supremo, tribunal guardião da Constituição. Depois
disso, infringiram até cláusulas pétreas do artigo 5.º, em que direitos
e garantias fundamentais foram cancelados, a despeito de o artigo 60
proibir sua abolição.
Além disso, o artigo 53, sobre a inviolabilidade de senadores e
deputados por quaisquer palavras, foi para o lixo, assim como o artigo
220, que trata da liberdade de expressão por qualquer processo e a
vedação da censura. E, culminando, veio o “inquérito do fim do mundo”,
assim chamado pelo dissidente ministro Marco Aurélio, que deixa perplexo
quem pensa que é pedra de toque do direito o devido processo legal. No
inquérito, quem se sente vítima ou ofendido é quem investiga, denuncia,
julga e pune, seja quem for, mesmo sem ter foro no Supremo. Tudo isso
sem falar nas intromissões em outros poderes, como mandar o Senado abrir
CPI ou proibir o chefe de governo de nomear um subordinado.
Muita gente alerta para o risco de uma ruptura institucional. Gente
que deve estar em outro país, porque rupturas institucionais já estão
ocorrendo na cara de todos nós
Assim, preocupar-se com ruptura futura é passar recibo de alienação
da realidade. E quem não fica preocupado com isso age como o personagem
do poema de Martin Niemöller: um dia levaram seu vizinho judeu; no
outro, seu vizinho comunista; depois, seu vizinho católico, e ele não se
importou por não ser judeu, comunista, nem católico. No quarto dia o
levaram e já não havia ninguém para reclamar. Tem gente que até torceu
para levarem seus contrários, mas vejam o que escreveu Eduardo Alves da
Costa em “No Caminho, com Maiakovski”: Primeiro roubam nossa flor e nada
dizemos; depois, pisam no jardim e matam nosso cão, e não dizemos nada.
Depois, o mais frágil deles entra em nossa casa, rouba-nos a luz e,
“conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e já não podemos
dizer nada”.
Enquanto for com os outros, silêncio. Mas esse silêncio cúmplice
também é um silêncio do suicídio de nossos direitos e liberdades. Está
tudo posto na mesa; já aconteceu, já pisaram nas nossas flores, já
levaram nosso vizinho. Poucas vozes gritam no Senado, onde se ouve o
silêncio da omissão. O ativismo judicial se expande ante o passivismo de
senadores, nos quais o medo arranca a voz da garganta. No crime de
estupro, a medicina legal estuda o hímen complacente. No Brasil de hoje,
o estupro da Constituição é admitido por mentes complacentes.
Em prestações de contas de 2021, PDT declara gasto de quase R$ 30
mil por ida de Carlos Lupi a evento no Caribe; PT apresenta despesa de
R$ 699 mil com viagens de ex-presidente
Nos últimos anos, montantes cada vez mais expressivos de dinheiro
público foram depositados nas contas dos partidos políticos brasileiros.
Uma dessas fontes é o Fundo Partidário, um aporte anual do Tesouro para
as legendas que tem por objetivo, na letra da lei, custear o
funcionamento das agremiações. Na prática, porém, serve também como
reserva para bancar luxos e privilégios de dirigentes e líderes das
siglas.
As prestações de contas de 2021, apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dão uma clara ideia da falta de parcimônia no gasto dos recursos. Levantamento feito pelo Estadão encontrou
despesas milionárias com voos de jatinhos e hotéis. O PDT, por exemplo,
gastou quase R$ 30 mil para enviar seu presidente, Carlos Lupi, e outro filiado ao encontro da Internacional Socialista, realizado em um resort em Cancún.
Conforme os documentos apresentados pela sigla trabalhista, a dupla
chegou dois dias antes e retornou três dias depois do evento da esquerda
no Caribe, realizado na primeira quinzena de outubro.
Os partidos prestaram contas no ano passado de pelo menos R$ 18
milhões com hospedagens e passagens aéreas para seus dirigentes e
filiados, além de R$ 3,1 milhões em despesas com jatinhos.
A reabilitação dos direitos políticos do ex-presidente e pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva,
após a anulação das condenações do petista na Lava Jato, movimentou os
recursos do Fundo Partidário da sigla com uso de jatinhos. Os voos
tiveram a presença da socióloga Rosângela da Silva, mulher de Lula,
assessores e seguranças. A informação foi antecipada pelo site
Metrópoles, e confirmada pelo Estadão.
O
PDT gastou quase R$ 30 mil para enviar seu presidente Carlos Lupi, e
outro filiado ao encontro da Internacional Socialista, realizado em um
resort em Cancún. Foto: JF Diorio/Estadão
Para os deslocamentos de Lula e seu staff, o PT gastou R$ 698,8 mil.
Em maio, o petista viajou a Brasília por R$ 83 mil. Em agosto, preencheu
sua agenda com cidades do Nordeste, e voou para o Recife, São Luís,
Fortaleza, Natal e Salvador. Todo o giro custou R$ 498 mil. Entre os
passageiros dos voos estavam também a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-prefeito Fernando Haddad e o secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto.
O ex-assessor da Presidência da República Edson Antônio Moura Pinto,
que ficou conhecido por comprar pedalinhos para o sítio Santa Bárbara,
em Atibaia (SP), também estava na lista de passageiros.
Do total de gastos com jatos informados ao TSE, R$ 2,1 milhões serviram às campanhas dos deputados Arthur Lira (Progressistas-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP)
à presidência da Câmara. O tour de Lira passou por 27 cidades,
percorridas em 31 voos de jatinho, pelo valor de R$ 1,1 milhão, em um
Cessna, avaliado em US$ 7 milhões em valor de mercado. Estavam na lista
de habilitados a viajar no jato executivo seis correligionários do
parlamentar e políticos de outras legendas, como os deputados Marcelo
Ramos (PSD-AM), Hugo Leal (PSD-RJ), Celso Sabino (União-PA), Elmar
Nascimento (União-BA), Luis Tibé (Avante-MG), Luis Miranda
(Republicanos-DF) e Silas Câmara (Republicanos-AM).
Parte dos aliados na carona do jatinho de Lira ganharia papel de
destaque em assuntos sensíveis. Hugo Leal foi o relator do Orçamento,
que reservou R$ 16 bilhões em emendas parlamentares para 2022. Ele disse
ao Estadão que esteve na campanha de Lira representando o PSD na coligação.
Rival de Lira, Baleia Rossi pagou R$ 1 milhão em 23 voos a 13
diferentes cidades de norte a sul. Nos documentos de prestações de
contas não constam os nomes dos passageiros. Segundo o MDB, além de
Baleia, estavam na lista mais nove deputados, incluindo o ex-presidente
da Câmara Rodrigo Maia (PSDB) – atualmente licenciado do mandato.
O União Brasil custeou jatinhos para viagens entre Salvador e
Brasília por R$ 267 mil. Em parte dos documentos, consta como único
passageiro o dirigente do partido ACM Neto.
A maior parte destes gastos se dá para a realização de eventos e
painéis temáticos. Em alguns casos, há o pagamento de hotéis luxuosos.
No PDT, uma viagem a Cancún custou R$ 29,7 mil à legenda. O valor
bancou seis diárias no Resort Golf & Spa para Lupi e Eduardo Martins
Pereira, integrante da Executiva Nacional do partido. O hotel tem
acesso irrestrito a comida e bebida, além de quartos com vista para o
mar do Caribe. O hotel sediou o encontro da Internacional Socialista, do
qual a dupla participou, nos dias 8 e 9 de outubro. A estadia, porém,
durou entre os dias 6 e 12 daquele mês.
No PSDB, somente as prévias que levaram à escolha do ex-governador João Doria –
cuja candidatura ao Planalto naufragou – custaram mais de R$ 12
milhões, se somados os gastos com passagens aéreas, aluguel de imóveis e
do software para votação que apresentou diversas falhas durante o
pleito. As prévias tucanas foram também o evento mais caro promovido por
um partido em 2021. O PSDB acabou retirando a pré-candidatura de Doria.
Os recursos do Fundo Partidário costumam ser usados para custear o
aluguel de imóveis para sediar as legendas. O maior gasto de 2021
relacionado à sede de uma agremiação foi feito pelo PSL, que comprou uma
casa de 500 metros quadrados por R$ 5,4 milhões na Avenida Nove de
Julho, em São Paulo. Hoje, este é o escritório do União Brasil.
O Fundo Partidário chegou a quase R$ 1 bilhão no ano passado. Desde
2018, se somou ao fundo eleitoral (R$ 4,9 bilhões disponíveis para 2022)
como recursos públicos para campanhas e partidos. Com a aprovação da
minirreforma eleitoral, passou a ser permitido o uso do Fundo Partidário
para custear de forma indireta serviços nas campanhas, como
impulsionamento de conteúdo na internet, compra de passagens aéreas e
contratação de advogados, segundo o TSE.
Os partidos citados disseram que os gastos foram legais e devidamente
informados ao TSE. O PT afirmou que os deslocamentos de Lula e de
dirigentes “muitas vezes têm de ser feitos em aeronaves fretadas” e
disse ter como critérios para a contratação do serviço “a capacidade de
passageiros, autonomia de voo, disponibilidade de datas e
competitividade de preços”.
O MDB afirmou ter feito os fretamentos de Baleia Rossi “de forma
extraordinária e única, sob critérios de economicidade”, somente em
janeiro de 2021, período que antecedeu a eleição da Câmara.
Segundo o PDT, a viagem de Lupi a Cancún “contempla dias de ida e
retorno e agendas da Internacional Socialista, e reuniões do colegiado
dos vice-presidentes, nos dias anteriores e posteriores à reunião”.
O PSDB afirmou que as prévias envolveram nove meses de trabalho, e
que os gastos de R$ 12 milhões foram com viagens da militância e dos
pré-candidatos, cadastramento de filiados, debates internos e externos e
a realização de evento em Brasília com mais de 700 mandatários tucanos
de todo o País.
Procurados, Progressistas, PL e PSL não responderam.
Para entender: Verba existe para manter os partidos
O que é
O Fundo Partidário distribui recursos públicos para os partidos. O
cálculo é feito a partir das cadeiras que as legendas têm na Câmara.
Quanto é
Até 2014, os valores não ultrapassavam R$ 500 milhões, mas, em 2015, a
doação de empresas para campanhas foi proibida. Em 2021, as legendas
receberam R$ 939 milhões do Fundo Partidário e, até junho deste ano, R$
509,7 milhões em repasses e multas /COLABORARAM MILKA MOURA E LAVÍNIA KAUCZ