segunda-feira, 18 de julho de 2022

FARRA DO DINHEIRO PÚBLICO COM OS PARTIDOS POLÍTICOS

 

Por
Alexandre Garcia


Carlos Lupi, presidente do PDT: ele e outro executivo do partido se hospedaram no resort de luxo Resort Golf & Spa, em Cancún, durante evento da Internacional Socialista, realizado em outubro do ano passado. O encontro da esquerda durou apenas dois dias, mas a dupla permaneceu no local por seis dias.| Foto: EFE/FERNANDO BIZERRA JR

Você é testemunha das viagens dos pré-candidatos, dos dirigentes de partido. Agora o Estadão e o Metrópoles publicaram, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral — que recebe informação dos partidos, ou seja, é o próprio partido que está informando, então certamente não tem erro a mais, pode ter erro a menos — que, por exemplo, o presidente do PDT, Carlos Lupi, foi a Cancún para uma reunião da Internacional Socialista, no ano passado. Ele ficou seis dias em Cancún. Cancún é uma maravilha, é bom ficar lá. Custou R$ 30 mil.

O ex-presidente Lula andou pelo país em 2021 com a Rosângela (Silva, a Janja), com quem ele casou este ano, e seguranças e tal, fretou jatinhos, deu R$ 699 mil. É do seu imposto, que você foi obrigado a pagar. Foram os deputados e senadores que criaram esse fundo partidário para ajudar os partidos. O PSL [que este ano se fundiu com o DEM para formar o União Brasil] comprou um imóvel de 500 m2 lá em São Paulo que custou R$ 5,4 milhões. O PSDB, com toda aquela briga de Dória e Eduardo Leite, gastou R$ 12 milhões. O PP, o MDB, o DEM gastaram de jatinhos por aí R$ 3,2 milhões. É um bom dinheiro, não é? Este ano já gastaram mais de meio bilhão de reais. Só para a gente saber, afinal o dinheiro é nosso, é dos nossos impostos. Então é bom que a gente pelo menos fique sabendo disso.

Desvio de função

E hoje é o dia em que o presidente Bolsonaro vai mostrar a todos os embaixadores convidados, no Palácio Alvorada, o que aconteceu nas eleições de 2014 e 2018. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) foi convidado e o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também. Os ministros Edson Fachin e Luiz Fux disseram que não vão para manter a isenção. Ora, isenção! Com os pronunciamentos que têm feito no exterior, não tem isenção nenhuma. Além disso, para todos os efeitos, Bolsonaro ainda não é um candidato, ele é um chefe de governo que convidou presidentes de tribunais.

Embora o ministro Fux não queira, o Supremo está sendo usado por pequenos partidos a toda hora. Agora mesmo, uma vereadora do Recife, do PT, acionou a ministra Rosa Weber para saber se Bolsonaro tem a ver com o tiroteio lá em Foz do Iguaçu. Pequenos partidos, como o PSOL, que tem só dez deputados em 513, e não tem nenhum senador, estão toda hora acionando o Supremo porque não têm voto no plenário da Câmara. O único senador da Rede — uma andorinha sozinha não faz verão, e ele é uma andorinha sozinha no Senado entre 81 senadores — está toda hora acionando o Supremo e o Supremo vai atrás, fica a serviço de pequenos partidos.

O Supremo não é um órgão acessório de pequenos partidos, como é o TCU, que é um órgão auxiliar do poder legislativo. O Supremo, não, é uma corte constitucional que está totalmente desviada de sua função.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/partidos-gastam-o-seu-dinheiro-com-viagens-para-cancun-e-jatinhos/
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FILME QUE ENCENA ATAQUE CONTRA O BOLSONARO SERÁ INVESTIGADO

 

Foto: Adriano Machado/Reuters

Por Levy Teles e Rayanderson Guerra – Jornal Estadão

Bolsonaristas compartilharam imagens de uma gravação em que um ator parecido com Bolsonaro aparece caído com manchas de sangue após pilotar uma moto; Rede Globo diz que seriam cenas de um filme dirigido por Ruy Guerra

SÃO PAULO, RIO E BRASÍLIA — O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, determinou, neste sábado, 16, que a Polícia Federal investigue uma produção audiovisual após imagens circularem nas redes dos bastidores de uma gravação em estúdio que mostram um personagem parecido com o presidente Jair Bolsonaro (PL) pilotando uma moto e depois caído, com manchas de sangue. “As imagens são chocantes e merecem ser apuradas com cuidado”, disse o ministro no Twitter.

Durante o sábado, políticos bolsonaristas compartilharam vídeos e fotos que exibem parte da gravação. Monitoramento da reportagem observou que o conteúdo começou a circular em grupos de apoiadores do presidente no Telegram na manhã deste sábado e atribui a responsabilidade da produção à Rede Globo.

O presidente Jair Bolsonaro organiza motociatas pelo País.
O presidente Jair Bolsonaro organiza motociatas pelo País. Foto: Werther Santana/Estadão

A deputada Carla Zambelli (PL-SP) disse que a produção da obra era da Globo em publicação no Twitter. Ela removeu a postagem logo após. A reportagem pediu mais informações à deputada. “Chegou a notícia assim pra mim”, justificou, sem apontar a origem do material.

A Comunicação da Globo negou que tenha “série, novela ou programa” com o conteúdo das imagens. “A Globo desmente que pertençam a produções suas – seja para canal aberto, canais fechados próprios ou Globoplay – vídeo e fotos que estão circulando nas redes sociais de gravação de obra ficcional mostrando um atentado ao presidente da República”, disse a empresa em nota. “A Globo não tem nenhuma série, novela ou programa com esse conteúdo. Segundo foi informada, a gravação seria de um filme do cineasta Ruy Guerra chamado A Fúria, que pretende fechar a trilogia iniciada com Os Fuzis, de 1964, e A Queda, de 1976.”

Ainda segundo o comunicado, a empresa afirmou que o Canal Brasil tem uma participação de 3,61% nos direitos patrimoniais do filme, “mas jamais foi informado dessas cenas e, como é praxe em casos de cineastas consagrados, não supervisiona a produção”.

“Embora tenha participação acionária no Canal Brasil, a Globo não interfere na gestão e nos conteúdos do canal”, informa.

Em nota, o Canal Brasil diz que não teve conhecimento prévio da cena que causou a polêmica e que não interferiu na obra. “Ainda não assistimos a nenhum trecho do longa-metragem, que não foi finalizado por seus realizadores”, diz o texto.

A produção do filme A Fúria diz que as imagens foram captadas sem autorização “de uma filmagem à qual atribui-se suposto, e infundado, discurso de ódio”. Segundo a produção, o cineasta Ruy Guerra “filmou um longa-metragem de ficção que será lançado no final de 2023, portanto não há qualquer relação com o processo eleitoral e, muito menos, forjar fake news simulando um fato real”.

“O fato ilegal neste caso é a divulgação de uma cena retirada do contexto da história que será contada”, diz o comunicado. “Esclarecidos estes fatos, o diretor Ruy Guerra avisa que só fala de seu filme quando estiver pronto, como ele sempre faz.”

Consultado pela reportagem, Guerra disse que não está produzindo nada que traga cenas como as que foram descritas a ele por telefone.

Segundo informações no site da Agência Nacional do Cinema (Ancine), o projeto levantou R$ 2 milhões em recursos de financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual. A aprovação inicial aconteceu em março de 2018.

Políticos bolsonaristas atacam produção e o Judiciário

Políticos bolsonaristas criticaram as imagens e atacaram o Poder Judiciário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Um vídeo compartilhado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, questiona qual produtora “cometeu esse crime”.”Quantas horas Alexandre de Moraes dará para os produtores se manifestarem sobre discurso de ódio? Ou será que isso pode?”, questionou o parlamentar no Twitter.

Na sexta-feira, 15, o magistrado deu dois dias para que o chefe do Executivo se manifeste em ação sobre supostos discursos de ódio e incitação à violência.

“Tentaram matar Bolsonaro uma vez e não conseguiram. Agora, até ensinam como fazer”, tuitou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele ainda disse que os brasileiros não iriam ver os produtores nos tribunais. “Contra Bolsonaro pode tudo.”

A deputada Bia Kicis (PL-DF) também usou as redes sociais para provocar Alexandre de Moraes. “Seria isso liberdade artística, liberdade de expressão ou um ato criminoso e estímulo à agressão contra sua pessoa. Não seria ataque à democracia? Com a palavra, xandão!”, publicou, em referência pejorativa ao magistrado.

VOTO SIGNIFICA CIDADANIA E RESPONSABILIDADE

  1. Opinião 

A qualidade da democracia representativa está vinculada ao nível de educação cívica dos eleitores. O quadro de representação política no Congresso é reflexo dessa relação

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

DemonstraÁ¿o do uso da urna eletrÙnica para as eleiÁ¿es de 2006.

A esmagadora maioria dos eleitores (86%) considera bom que haja uma “alta renovação” no Congresso a partir da próxima legislatura, que se inicia em fevereiro de 2023. É o que revela uma pesquisa realizada pela Quaest, a pedido do instituto RenovaBR, publicada pelo Estadão.

À primeira vista, renovar os quadros de representação política no Poder Legislativo federal pode parecer algo intrinsecamente positivo, pois subjaz nesse desejo uma ideia de arejamento, de coadunação dos parlamentares, a cada ciclo eleitoral, com novas pautas e prioridades para uma sociedade em permanente transformação. No entanto, é preciso questionar se a mera renovação congressual, de fato, atende a esse anseio – a resposta é não – e, principalmente, refletir sobre a parcela de responsabilidade que recai sobre os próprios eleitores pela abissal distância que os separa de seus representantes eleitos.

A pesquisa revela uma profunda insatisfação dos eleitores com o trabalho executado pelos parlamentares eleitos em 2018. Fosse bem avaliada a atual legislatura, obviamente, o porcentual dos que clamam por renovação não seria tão alto como o apurado pela Quaest. Cabe lembrar que aquele pleito representara a maior renovação do Congresso desde a redemocratização do País. Dos 513 assentos na Câmara dos Deputados, 244 (47%) passaram a ser ocupados por novatos. No Senado, a renovação foi ainda mais expressiva. Das 54 vagas para a Casa que estavam em disputa na eleição geral passada, 46 foram conquistadas por novos senadores – uma impressionante taxa de renovação de 85%. São números que demonstram de maneira cabal que a renovação política pode não ser algo necessariamente bom – afinal, o que é bom há de ser conservado, e não substituído.

Aqui cabe a reflexão sobre a participação dos eleitores na conformação do quadro de representação política no Congresso e a relação direta entre educação cívica e qualidade da democracia representativa. Quando perguntados se acaso lembravam em quem votaram para deputado federal em 2018, nada menos do que 66% dos entrevistados pela Quaest disseram que não. O mesmo porcentual de respondentes indicou que desaprova o trabalho dos deputados. O curioso é que mais da metade dos respondentes (55%) afirmou não saber o que faz um deputado. Ora, como é possível avaliar – positiva ou negativamente – o trabalho de um parlamentar se a própria natureza do ofício é um mistério?

O fortalecimento da democracia no País depende fundamentalmente da educação cívica dos eleitores, não só para votar com consciência e responsabilidade, mas para acompanhar bem o trabalho daqueles que exercem o múnus público. Essa confusão gerada pela falta de informação política da maioria dos eleitores é habilmente explorada por parlamentares, que, a rigor, deveriam representar os interesses de seus constituintes, não interesses de classe. Disso decorrem aberrações como o “orçamento secreto”, emendas constitucionais que zombam da própria Constituição e arremedos de reforma política que, em muitos casos, só beneficiam detentores de mandato, entre outras anomalias.

O presidencialismo e a cultural propensão do eleitor brasileiro a escolher, apaixonadamente, entre nomes, não ideias e projetos, para cargos majoritários tiram a devida atenção das escolhas para a composição do Congresso. É algo que precisa mudar. E só a educação da população – a educação política em especial – será capaz de romper esse círculo vicioso: os eleitores escolhem seus representantes sem dar a devida atenção ao que pretendem fazer com o mandato; os parlamentares negligenciam temas caros à sociedade e se voltam para seus interesses no Congresso; a sociedade não se vê representada e clama por renovação.

Busca-se sempre por uma legislatura melhor do que a anterior, o que, de maneira alguma, é negativo. Mas, sem escolhas mais criteriosas para compor o Congresso e, sobretudo, sem um detido acompanhamento da atividade parlamentar pelos eleitores, será muito difícil superar a crise de representação política que tantos males tem causado ao País.

 

GROWTH SIGNIFICA EXPERIMENTOS E FOCO NOS RESULTADOS

 

João Vitor | G4 Educação

Apesar de simples, esse foi o esboço, desenhado em um guardanapo, com o modelo de negócios que seria o primeiro passo para uma das maiores e mais inovadoras empresas do mundo:

Note que no centro da estrutura vemos a palavra “growth”. Um termo muito bem definido pelo Bruno Nardon, co-fundador e mentor aqui do G4, que diz:

“Growth não é vendas nem marketing. Growth é uma mentalidade de constante busca pelo crescimento, de forma eficiente, através da análise de dados e melhoria dos processos, do começo ao fim do seu negócio, com foco na jornada do cliente.”

E foi exatamente com esse nível de mentalidade que Jeff Bezos, fundador da Amazon, desenhou a estratégia que ficou conhecida como Amazon Flywheel. E, a partir disso, as operações da empresa começaram no ano seguinte.

Parece simples, certo?

Um dos insights que isso me mostra é que, por mais simples que pareça, uma boa estratégia de Growth é capaz de potencializar os resultados e acelerar o crescimento de qualquer negócio.

Para a Amazon, ter processos e operações direcionadas por experimentos, dados e otimizações permitiram que a empresa encontrasse diversas oportunidades para alavancar os resultados e impulsionar o crescimento.

E essa é a melhor parte: seu negócio também tem grandes oportunidades para crescer e, quando você passa a aplicar técnicas de Growth, você começa a enxergá-las. Isso acontece porque você começa a:

Priorizar e valorizar experimentos;

Tomar decisões baseadas em dados;

E, principalmente, focar nos resultados.

Sem dúvidas, um dos pilares para que as metodologias de Growth funcionem são os experimentos, uma vez que são a maior fonte de ideias e de inovação para qualquer empresa.

O próprio Bezos afirma que: “dentro da Amazon, nosso sucesso é relativo a quantos experimentos nós podemos realizar a cada ano, a cada mês, a cada semana, a cada dia.”

Se você também deseja estruturar essa metodologia na sua empresa, aqui está uma ótima oportunidade de dar o primeiro passo.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

  • O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon tem crescido exponencialmente, até o momento, tivemos 130.000 visitantes.
  • O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

domingo, 17 de julho de 2022

BRASIL PRECISA DE ESTABILIDADE ECONÔMICA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Dinheiro / Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República Federativa do Brasil e é conhecida pelo R$l. A cédula de um real deixou de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares. As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto, detalhes de uma nota de 100 reais.


Tripé macroeconômico adotado no governo FHC foi abandonado e trocado pela “nova matriz econômica” no governo Dilma.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Desde o sucesso do Plano Real, implantado em julho de 1994, com o qual o Brasil conseguiu vencer a inflação crônica que havia anos vinha impedindo crescimento econômico e desenvolvimento social seguro e contínuo, tornou-se uma espécie de consenso que, qualquer que seja o governante eleito, a política econômica deve ter um eixo estrutural básico estável. Um dado eixo foi escolhido, planejado e implantado no governo Fernando Henrique Cardoso e tinha por base um tripé: austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante. Embora existam outras opções de política econômica, é necessário que o eixo estrutural escolhido tenha bases sólidas e seja mantido por tempo suficiente para apresentar resultados, sem o que não é possível avaliar suas qualidades e eventuais defeitos.

A economia de um país carrega as bases estruturais de sua realidade, aquilo que é o esqueleto da economia nacional, e sofre as influências das situações e eventos conjunturais, aqueles que acontecem em determinados momentos e mudam com o tempo, mas que interferem fortemente no desempenho produtivo e no desenvolvimento social. Como elementos estruturais, o Brasil tem seus recursos naturais – extenso território, condições para uma rica agropecuária, abundantes fontes de água doce, amplas reservas minerais, biodiversidade única etc. –, uma realidade urbana composta de 5.570 municípios, dos quais 80% têm menos de 50 mil habitantes, as vias de transporte rodoviário e ferroviário, o sistema portuário aéreo e marítimo, e um sistema estatal consolidado. Essa realidade está dada e é sobre ela que a política econômica deve trabalhar.

A estrutura econômica brasileira – que tem outros componentes além dos citados – é de expansão lenta e relativamente difícil, e é considerando essa realidade que a política econômica deve escolher as intervenções onerosas (as que exigem recursos financeiros para sua execução, como é o caso dos investimentos em infraestrutura física) e as intervenções não onerosas (que não exigem dinheiro, pois são regras de comportamento e ação diária, como leis que criam monopólios, velocidade máxima em rodovias etc.). Praticamente não há discordância quanto aos objetivos socioeconômicos principais, que são o crescimento econômico, a geração de empregos, a superação da pobreza, o aumento da renda por habitante e, por consequência, a melhoria do padrão de vida de toda a população.

A gestão da política não comporta invencionices nem ideias mirabolantes, principalmente ameaças de ruir as bases da economia livre de mercado e o ambiente institucional favorável ao empreendedorismo e aos negócios

A cada eleição presidencial, os concorrentes sempre prometem fazer o país crescer e melhorar as condições de vida de todos e, em linhas gerais, praticamente todos prometem política econômica boa, sólida e conducente à prosperidade material, ainda que divirjam sobre os caminhos que prometem trilhar para atingir os objetivos. Há certo consenso no meio político de que o controle da inflação, o equilíbrio das contas públicas e os resultados positivos nas contas externas são elementos necessários para a saúde econômica do país e para criar um clima favorável ao investimento privado nacional e estrangeiro.

Quando Lula foi eleito presidente, em 2002, havia dúvida razoável sobre como ele iria gerenciar a economia, já que o discurso radical do PT, desde a criação do partido, era baseado em certo ódio ao capitalismo, amor ao socialismo e forte inclinação ao aumento do tamanho do setor estatal. Percebendo que a imagem de seu partido era de certo radicalismo anticapitalista, Lula divulgou durante a campanha a “Carta aos Brasileiros”, na qual prometia respeitar as bases de uma economia saudável, sem radicalismos nem aventuras socialistas. Uma vez eleito, seu governo foi beneficiado por uma conjunção de fatores – como a ausência de crise internacional, expansão das exportações de commodities e aumento dos preços dos produtos brasileiros exportados – e, apesar do escândalo do mensalão, surgido em 2005, o primeiro governo de Lula terminou com bom índice de aprovação, devido à boa situação das contas externas, controle das contas públicas e da inflação, e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que, sem ser extraordinário, foi bom.

Qualquer governo que consiga sucesso em algumas áreas e algumas políticas públicas não colhe êxito e popularidade caso se saia mal nas cinco áreas essenciais: situação fiscal, contas externas, inflação, crescimento e emprego. O mérito de Lula foi o de, no primeiro mandato, ter apoiado as autoridades econômicas no trato com responsabilidade da política fiscal, da política monetária e da política cambial, seguindo as bases montadas no governo Fernando Henrique Cardoso, e não ter cedido às pressões de alas do seu partido para “mudar tudo que aí está”. Quanto à boa situação das contas do país com o resto do mundo e o aumento das reservas internacionais, isso foi possível graças à elevação nas receitas de exportação causadas pelo aumento constante dos preços internacionais das commodities exportadas pelo Brasil.

A tentação gastadora, no entanto, revelou-se mais forte no fim do segundo mandato de Lula, que lançou as bases da “nova matriz econômica” aplicada com toda a força por sua sucessora, Dilma Rousseff. Os maus resultados colhidos em seu governo deveram-se, em boa parte, à reversão da boa situação internacional, à ampliação de gastos com o funcionalismo estatal deixada como legado por Lula (derivada de generosos reajustes salariais e aumento do quadro de servidores), além, é óbvio, dos enormes erros cometidos por Dilma e Guido Mantega – ministro da Fazenda entre 2006 e 2014 –, especialmente o abandono do tripé macroeconômico que vinha desde FHC. A brutal recessão dos anos 2015 e 2016 resultou da retração internacional, dos erros de Dilma e da baixa taxa de investimentos, especialmente em infraestrutura física. Os baixos investimentos sempre foram a marca do Brasil, permaneceram assim no governo de Lula e Dilma, e tornaram-se um dos maiores entraves ao crescimento da economia e da melhoria social.

A questão essencial é que somente uma política econômica com bases sólidas, reconhecidas e que se mantêm estáveis por anos seguidos é capaz de fornecer as condições para a expansão dos investimentos estatais, criar um ambiente favorável ao aumento dos investimentos privados e fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer continuamente de forma a elevar a renda por habitante, conseguir baixas taxas de desemprego, reduzir a pobreza e melhorar o bem-estar social. A gestão da política não comporta invencionices nem ideias mirabolantes, principalmente ameaças de ruir as bases da economia livre de mercado e o ambiente institucional favorável ao empreendedorismo e aos negócios.

O mundo está cheio de exemplos de países, alguns bem próximos do Brasil, que empobreceram por culpa de governos hostis ao capitalismo, à propriedade privada e ao empreendedorismo. Se a economia piora todos os anos, ninguém consegue impedir o aumento do desemprego e da pobreza, o agravamento dos problemas sociais e o empobrecimento geral, mesmo que o país seja rico de recursos naturais. A economia não é uma ciência exata, mas cobra um alto preço das nações que agridem sua lógica e aplicam experimentos heterodoxos que nunca deram certo em nenhum país.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/uma-base-estavel-para-a-politica-economica/
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A RÚSSIA É UMA ARMADILHA ENERGÉTICA?

 

Diesel

Por
Luis Kawaguti


O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento em Brasília em junho| Foto: EFE/Joédson Alves

O presidente Jair Bolsonaro disse na última semana que o Brasil negocia com a Rússia a compra de diesel barato. Em tese, isso poderia ajudar a reduzir a inflação e aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos em um ano eleitoral. Mas será que o desconto russo realmente faria diferença na economia brasileira? E, se fizer, não colocaria o Brasil em uma situação de dependência de Moscou, como ocorreu com a Alemanha e países europeus em relação ao gás?

A coluna Jogos de Guerra conversou com especialistas da área para tentar responder essas perguntas. Mas antes é preciso entender como a questão do diesel ganhou importância no Brasil.

Os preços dos combustíveis vêm subindo mundialmente devido a fatores como a tentativa de transição energética de combustíveis fósseis para fontes renováveis e a retomada econômica pós-pandemia. Por último, veio a tentativa das potências ocidentais de embargar o petróleo russo para conter a invasão na Ucrânia.

O governo brasileiro fixou uma alíquota máxima para a cobrança do ICMS sobre os combustíveis. O preço da gasolina caiu nas bombas, mas o diesel não foi tão afetado, pois já tinha uma alíquota baixa, segundo o economista Luciano Losekann, da Universidade Federal Fluminense.

Em paralelo, a Europa começou a estocar diesel como uma forma de diminuir o impacto da tentativa de embargo dos hidrocarbonetos russos e os Estados Unidos aumentaram o consumo. Tudo isso elevou o preço do diesel no mercado global.

Isso também afetou os preços no mercado brasileiro, pois cerca de 30% do diesel que o país consome vem do exterior – principalmente do Golfo do México e, em alguns casos, do Oriente Médio. O valor do litro subiu quase 60% em um ano, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo.

“Subir o preço do diesel no Brasil é tenebroso para o custo de alimentos, porque a maior parte dos alimentos no país é transportada por caminhões”, afirmou o analista Emanuel Pessoa, doutor em direito econômico pela Universidade de São Paulo.

Desde o início das sanções à Rússia devido à guerra na Ucrânia, Moscou tem vendido petróleo e seus derivados com preços abaixo do mercado para países como Índia e China. A Índia chegou a obter desconto de US$ 30 por barril. A ideia do Brasil é aproveitar a oportunidade gerada pela crise e comprar diesel barato da Rússia.

Mas qual seria o impacto real na economia brasileira?

Não se sabe ainda qual seria o valor do desconto oferecido pelo governo de Vladimir Putin. Por isso, os analistas se dividem sobre a possibilidade da medida ter um impacto significativo na inflação.

Segundo Losekann, o Brasil não poderia simplesmente “virar a chave” e substituir de uma hora para outra todas as importações dos Estados Unidos e de países árabes por diesel russo.

Isso ocorre por causa de contratos e de questões técnicas relacionadas a especificações do produto. Segundo ele, o mercado de diesel é menos líquido, ou versátil, que o mercado de petróleo cru.

Além disso, pode haver dificuldades de se encontrar intermediários para viabilizar as transações, pois muitas empresas que atuam no processo de importação têm medo de serem sancionadas pelos Estados Unidos.

Outra possibilidade é que o desconto se perca por causa dos altos custos de se transportar diesel do outro lado do mundo. Ou ainda que a economia seja absorvida pelas redes de distribuição antes de chegar às bombas.

Por isso, na opinião de Losekann, o cenário mais provável é que o Brasil comece a importar diesel da Rússia, porém, em um volume limitado. Assim, é pouco provável que a manobra gere um impacto muito significativo na inflação.

Já Pessoa afirmou que só uma parte do desconto russo deve se perder pelo caminho. Dependendo do preço estabelecido pelo governo de Vladimir Putin, a redução de valor pode chegar, sim, ao bolso do consumidor.

“O desconto não se perde 100% no caminho. Se o Brasil comprou combustível 20% mais barato, não quer dizer que vai ser 20% mais barato na bomba, mas alguma coisa fica”, disse ele.

Já na opinião de Armando Cavanha, consultor especializado em óleo e gás da PUC-Rio, é provável que o diesel russo chegue ao Brasil com um preço similar ao que é praticado pela Petrobras – que tem adotado preços um pouco mais baixos que os do mercado internacional. O lado positivo seria a diversificação das fontes de importação.

Refinarias
Mas não podemos descartar totalmente a hipótese de que o desconto oferecido pela Rússia seja baseado em interesses geopolíticos. A barreira dos custos de transporte, em tese, também poderia ser superada com o uso de navios petroleiros russos – não sujeitos às sanções ocidentais.

Se esse for o caso, é concebível que o diesel chegue ao Brasil a um preço muito abaixo do mercado.

Antes de finalizar este texto, debati essa possibilidade com alguns leitores pelo Twitter. Alguns deles trouxeram a seguinte solução: o Brasil poderia se beneficiar do diesel barato da Rússia por um tempo, até possuir mais refinarias e não depender mais da importação do produto.

Segundo Cavanha, essa hipótese é improvável. O Brasil atualmente tenta privatizar parte das 14 refinarias da Petrobras. Dificilmente o país encontraria investidores interessados em construir mais refinarias no Brasil, por causa do processo de transição energética para fontes limpas.

“O processo de refino dá uma margem de lucro pequena em comparação à extração de petróleo. Por isso, as refinarias têm que funcionar por 20 ou 30 anos para compensar o investimento”, afirmou.

Além disso, segundo ele, é saudável que o país importe parte de sua necessidade de diesel. Isso porque, se houver algum problema com a produção nacional, o país já tem fornecedores e corre menos risco de ficar sem o produto.

Dependência energética
Nos anos 1970, a Alemanha decidiu começar a importar gás natural da então União Soviética, atraída por preços convidativos. Na época, a OTAN (aliança militar ocidental) alertou o governo alemão sobre o risco de o país se tornar dependente da energia russa. Na época, Norbert Plesser, o então chefe do departamento de gás do governo alemão, respondeu que o país nunca dependeria da Rússia para prover mais de 10% de sua necessidade de gás.

Além de se beneficiar dos preços convidativos, a Alemanha acreditava na época que aumentar o comércio era a melhor forma de tornar a União Soviética menos autocrática e mais dependente dos bens manufaturados da Europa.

Mas, recentemente, alerta similar sobre a dependência do gás russo foi dado pelo governo do ex-presidente Donald Trump aos alemães.

Contudo, quando a Rússia invadiu a Ucrânia neste ano, 55% da necessidade de gás alemã era suprida pela Rússia.

Sob pressão dos EUA e dos vizinhos europeus, Berlim reduziu para 35% sua dependência do gás russo desde a invasão da Ucrânia. Parte dessa pressão se explica em um conceito de geoestratégia (Heartland) que desperta um temor histórico de Washington: uma possível aliança entre Alemanha e Rússia.

Mas então, guardadas as proporções, qual é a possibilidade do Brasil estar caindo em uma armadilha estratégica similar ao comprar diesel da Rússia?

O Brasil não é uma potência industrial, mas neste momento o embargo ocidental à energia russa tem feito Moscou buscar qualquer tipo de comprador para seus hidrocarbonetos.

Para os especialistas ouvidos pela coluna, essa possibilidade é baixa devido a alguns fatores. Um deles é que, diferente da Alemanha, o Brasil produz petróleo e possui uma matriz energética diversificada.

“O Brasil importa diesel de diversas fontes e, futuramente, quando a guerra acabar e as relações do mundo ocidental com a Rússia se normalizarem, a Rússia deverá voltar a comercializar no preço do mercado internacional”, disse Pessoa.

Além disso, apesar de o Brasil utilizar o modal rodoviário de transportes, a participação do diesel importado é relativamente pequena em relação a outras fontes de energia usadas pelo país.

Não podemos deixar de observar, porém, que não se sabe se as relações de comércio internacional vão algum dia voltar a ser o que eram antes da guerra da Ucrânia. E vale lembrar ainda que a dependência alemã da energia russa também começou de forma praticamente inexpressiva no século passado.

Questão ética
Assumindo a hipótese de que o governo brasileiro consiga negociar um preço vantajoso com Putin e derrube os preços nas bombas, como fica a questão moral?

Segundo Pessoa, as sanções ocidentais à energia russa visavam que a economia do país encolhesse de 12% a 14%. Dessa forma, Moscou teria grande dificuldade para continuar financiando a guerra na Ucrânia e seria obrigada a retirar suas tropas.

Porém, a Rússia conseguiu controlar relativamente sua inflação, países europeus não cortaram totalmente as importações de petróleo e gás russos e nações como China e Índia firmaram parcerias para comprar a energia que deixava de ser exportada ao Ocidente. Isso fez analistas revisarem suas projeções e estimarem uma retração da economia russa para este ano de 7,8%, segundo Pessoa.

O dilema ético está no fato de que, ao comprar diesel russo para se aproveitar da crise, o Brasil estaria colaborando com a Rússia para prolongar a guerra.

“Embora moralmente não se devesse, é muito difícil você justificar deixar o preço do diesel subir, o preço da comida subir, em um país como o Brasil, em que a maioria da população é pobre”, disse Pessoa.

Algum leitor pode lembrar que, quando os Estados Unidos e seus aliados europeus invadiram países como Iraque ou Afeganistão, ninguém tentou aplicar sanções contra eles.

Isso é verdade, mas a questão moral aqui não é de apontar heróis e bandidos, culpados ou inocentes no cenário global. O que está à prova é a capacidade da comunidade internacional de encerrar um conflito por meio da economia e não mandando tropas para o campo de batalha.


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POLARIZAÇÃO FAZ DIMINUIR ABSTENÇÃO DE VOTOS NAS ELEIÇÕES

 

“Alienação eleitoral”
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília


Lula e Bolsonaro.| Foto: Paulo Pinto/Fotos Publicas e Alan Santos/PR

A eleição de 2022 pode reverter um quadro registrado nas últimas disputas: o do crescimento de votos brancos e nulos, e também do elevado número de cidadãos que não comparecem para votar. A polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), somada ao declínio da pandemia de coronavírus, deve levar a uma diminuição do desinteresse pelo voto.

Desinteresse pelo voto, ou “alienação eleitoral”, é o termo utilizado pela ciência política para contabilizar, em um único indicador, os votos brancos e nulos e também os eleitores ausentes, seja por decisão própria ou por outros fatores. O desinteresse saltou de 18% para 25% entre 2006 e 2018, período que compreende quatro eleições presidenciais.

Os números foram detectados em pesquisa do Instituto Votorantim e divulgados em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O levantamento identificou que o crescimento da alienação se deu principalmente na Região Sudeste, que sofre uma elevação tanto na abstenção quanto nos votos brancos e nulos. Outro dado das pesquisas é o de que o eleitorado jovem, de até 24 anos, é o de menor comparecimento às urnas.

A eleição de 2020, em que foram eleitos vereadores e prefeitos, foi a de maior abstenção nos últimos anos: 24,27%. É o maior patamar da série histórica analisada pelo Votorantim. Parte da falta de comparecimento se explica pela pandemia de coronavírus – o pleito foi, até agora, o único realizado desde a deflagração da crise sanitária causada pela Covid-19. No Brasil, o voto é obrigatório, mas as punições para quem não comparece às urnas são brandas.

Foco nos jovens para reverter desinteresse pelo voto
A abstenção entre os jovens é “muito preocupante” e foi um dos fatores responsáveis pelas vitórias da esquerda nas eleições presidenciais do Chile e da Colômbia. A análise é de Evandro Araújo, coordenador do Movimento Conservador do Distrito Federal e apoiador do presidente Bolsonaro. Ele identifica nas redes sociais um caminho para reverter o quadro, e acredita que a mobilização em torno das duas principais candidaturas ao Palácio do Planalto também deve contribuir.

“Não sei dizer se a abstenção agora vai ser maior ou menor que a de anos anteriores. Mas uma coisa está muito clara: só existem duas escolhas, Bolsonaro ou Lula”, declarou.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, atribui a elevação do desinteresse pelo voto ao que chama de “ascensão das ideias da negação e da criminalização da política, e de muita desinformação”.

“Porém, como atuamos na base, nas escolas, universidades, o que vejo é um grande interesse de participação dessa geração, e hoje incluindo o mundo virtual e redes sociais, muitos estudantes estão entendendo mais a política como um meio para combater opressões e na defesa dos seus direitos”, afirmou.

Ela também destacou campanhas de estímulo ao voto jovem promovidas por entidades como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nulos e brancos podem diminuir, diz pesquisador
O quadro de polarização pode ser decisivo para a diminuição dos votos nulos e brancos, explica Marcelo Tokarski, diretor do Instituto FSB Pesquisa. “É a primeira vez que temos uma disputa entre um presidente e um ex-presidente”, afirmou.

Ele relata que pesquisas produzidas pela instituição mostram que, até o momento, é pequeno o percentual de eleitores que rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro. “Lula tem rejeição de cerca de 44%, Bolsonaro tem de 50%. Mas quando vemos quem vai votar em um ou em outro, verificamos 90%”, disse.

Tokarski citou ainda que os levantamentos mostram uma faixa de brancos e nulos que oscila próximo de 7%. É um patamar, segundo ele, menor do que o registrado nas eleições presidenciais realizadas entre 2002 e 2018, que ficou entre 8,8% e 10,4%.

O diretor da FSB Pesquisa disse ainda que a abstenção eleitoral é um fenômeno complexo de ser medido em pesquisas. “É difícil, no Brasil, a gente medir isso por pesquisa, porque o voto é obrigatório. Então quando pergunta para a pessoa se ela vai votar, 93% do eleitorado diz que com certeza vai votar. E a gente sabe que a abstenção é bem maior do que esses 7% que dizem que provavelmente não vão, ou que com certeza não vão votar”, ressaltou.


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EXPORTAÇÕES DE FRANGO VIRAM LIDERANÇA GLOBAL

 

Proteína animal

Por
Marcos Tosi

Granja de frangos da familia Ballarini, integrados da BRF em Vespaziano Correia, Rio Grande do Sul. Expedicao Avicultura 2015.


Granja de frangos da familia Ballarini, integrados da BRF em Vespaziano Correia, Rio Grande do Sul.| Foto: Hugo Harada / Arquivo Gazeta do Povo

No sentido figurado do economês, falar em “voo de galinha” é remeter a um desempenho que não se sustenta. Mal decola e já está no chão novamente. Contudo, a saga da criação de galinhas no Brasil, ou da criação de frangos (como são chamados os galináceos jovens), é de fazer questionar se o ditado não mereceria, afinal, ser reformulado.

O voo do frango brasileiro é vertical e duradouro. Os números falam por si. Mesmo considerando que 69% das criações são destinadas ao abastecimento interno, em duas décadas as exportações das aves renderam R$ 145 bilhões. Olhando para os embarques mais recentes, em junho a exportação de frango, suínos e ovos bateu pela primeira vez a casa de US$ 1 bilhão ao mês. E o frango respondeu por 80% desse montante.

“Devemos continuar nesse ritmo. Nossa meta era exportar 500 mil toneladas por mês. Esse projeto tinha maturação em um prazo muito mais alongado, mas já está acontecendo agora. Neste ano a gente só não exportou 500 mil toneladas nos dois primeiros meses. Não é nada ufanista, mas as projeções são para mais crescimento”, afirma Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa o segmento de aves, suínos e ovos.

Frango brasileiro está livre de doenças como gripe aviária

Contam para a avicultura brasileira as condições favoráveis de solo, água e clima – que se traduzem em disponibilidade de grãos para encher o papo das galinhas – como também a saúde dos planteis. Dentre os grandes produtores mundiais, o Brasil é o único que nunca registrou casos de gripe aviária e há mais de 20 anos não tem ocorrência da peste suína africana. Essas doenças assolam atualmente a Europa e a Ásia, e a gripe aviária ressurgiu há poucos meses nos Estados Unidos, depois de sete anos, exigindo o sacrifício sanitário de quase 40 milhões de frangos.

Por outro lado, logo após a pressão na demanda pela pandemia de Covid, veio a guerra da Ucrânia, que interrompeu o envio de grãos para alimentar milhões de frangos em outros países. O conflito abalou as próprias exportações ucranianas, de 440 mil toneladas por ano, que situavam o país na 5ª posição global.

“Todo esse contexto está dizendo ao Brasil: vamos precisar comprar de quem tem capacidade de aumentar a produção. A previsão é de que em cinco anos será preciso aumentar a oferta mundial de alimentos em torno de 12% a 15%, mas, do Brasil, espera-se 41%. Por aqui temos sustentabilidade e capacidade de produção”, enfatiza Santin.

Aves devem avançar no Centro-Oeste e Matopiba

Esse crescimento poderá vir tanto pelo incremento da produção no Sul do país, que já responde por 64% do total, como em novos empreendimentos no Centro-Oeste e na região do Matopiba (acrônimo com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que têm farta colheita de milho e soja. Um avanço possível, segundo Thiago Bernardino, analista de Pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea / Esalq-USP), por causa da competitividade da cadeia produtiva.

“Para o frango, não é preciso grandes áreas. E você agrega valor ao milho e à soja, assim como o subproduto, que é a cama aviária, que pode ajudar como adubo, e os biodigestores para queima de gás e energia. São fatores que facilitam o comércio de proteína próxima a regiões consumidoras, principalmente o Nordeste. Vão pesar outros fatores, como clima, maior gasto com energia para refrigeração devido ao calor, tudo isso impacta. Mas a capacidade produtiva e o fato de ser uma proteína barata, isso faz romper barreiras”, assegura.

Índia na mira do frango brasileiro
Um mercado “aberto” recentemente foi o da Índia, que tem uma população de 1,38 bilhão de pessoas. As aspas do “aberto” é porque, na prática, os indianos inviabilizam a importação do frango brasileiro impondo uma taxa de 100% nos cortes e 30% na ave inteira. Neste ano, a exportação para a Índia se resumiu a irrisórios 2.820 kg. Em todo o ano passado foram 121.000 kg. É uma situação que tende a mudar por força do mercado, segundo Bernardino, do Cepea. “Países como a Índia taxam visando proteger o mercado doméstico, mas infelizmente penalizam a população, o consumidor final. No longo prazo, isso tende a melhorar. O mercado globalizado vai buscar eficiência, e tendo produção mais eficiente no Brasil, invariavelmente tendemos a chegar nesses países que criam taxas para proibir a entrada”.

No curto prazo, são os europeus que devem correr atrás de mais frango. “Na Europa, quando entrarem no inverno vão ter um problema sério de gás e energia, vão ter que se curvar para a Rússia e vão ter que se curvar para o frango brasileiro”, prevê Bernardino.

No ano passado, os abatedouros do País processaram 6,18 bilhões de cabeças de frango, quase um frango para cada habitante do planeta. A liderança nas exportações é algo consolidado. O total de embarques anuais para clientes em 151 países chega a 4,6 milhões de toneladas, um milhão à frente do segundo colocado, os EUA, e mais de três milhões adiante do terceiro lugar, a União Europeia. Lideram as compras a China (14,33% de participação), Japão (10,04%), Emirados Árabes Unidos (8,71%), Arábia Saudita (7,91%), África do Sul (6,64%) e União Europeia (4,32%).

Consumo per capita de frango disparou desde 1970
Se um prato à base de frango é corriqueiro hoje à mesa dos brasileiros, não é preciso voltar muito no tempo para atestar uma realidade bem diversa. Em 1970, cada brasileiro consumia em média 3 kg de frango por ano. Em 2000, eram 29,9 kg e, hoje, já são 45 kg. “Estamos falando de uma conquista expressiva em muito pouco tempo. Hoje o frango já é nossa principal fonte de proteína animal, de boa qualidade e custo razoável”, aponta Dirceu Talamini, engenheiro-agrônomo pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, em Caxias do Sul.

Atualmente, a pesquisa tem concentrado esforços para encontrar alternativas viáveis de alimentação  para o frango, que ajudem a diminuir a dependência das commodities valorizadas de soja e milho. Na região Sul, apenas o Paraná é autossuficiente em milho. A saída pode estar nos cereais de inverno – trigo, centeio, aveia e cevada, entre outros.

Essa mudança de dieta, no entanto, ocorre a passos lentos. Porque o agricultor precisa confiar no mercado antes de plantar, e isso vem de uma relativa segurança quanto à demanda e ao preço. “Nesse ano principalmente, com problemas na Ucrânia e Rússia, os cereais se valorizaram muito, então o produtor deve ter uma resposta muito grande, expandindo as lavouras. Há um enorme potencial para os cereais de inverno, até porque isso liberaria o milho para exportação”, sublinha Talamini.

DDG: subproduto do etanol do milho vira ração
Para dar conta de alimentar milhões de frangos, outra fonte que ganha espaço é o DDG, que nada mais é que o grão seco após a destilação do etanol de milho. “Tem alta taxa de proteína bruta e tem ainda composição de energia interessante, é altamente viável na dieta de frangos, suínos e bovinos”, diz o pesquisador, acrescentando que, hoje, o etanol de milho já consome 10 milhões de toneladas de grãos por ano, gerando um volume expressivo de disponibilidade de DDG.

Ainda que haja preocupação em variar a dieta do frango por questões econômicas, não há risco de faltar milho para abastecer o mercado interno. A safra atual que está sendo colhida no inverno deve ser cheia, depois de dois anos com quebras por geadas. “Não tem risco de faltar milho. O que pode haver é um câmbio favorável para exportação. Se formos exportar tudo o que o mercado quer levar, pode ser que o milho aqui dentro fique caro. Teremos de pagar a paridade com o preço de exportação, mas não haverá falta”, assegura Sidnei Botazzari, sócio da Jaguá Frangos, com sede em Londrina, no Norte do Paraná.

O empresário aponta que a elevação dos custos dos combustíveis, e, por extensão, dos fretes, tornou mais difícil neste ano movimentar o milho dentro do país. “Se pegar milho no Mato Grosso, que é um grande produtor, para trazer ao Paraná tem que por mais 20 reais por saca devido à distância. Acaba inviabilizando, é melhor comprar em casa mesmo, no seu quintal”.

Na comparação com a renda, frango está mais barato do que no Plano Real
Essa competitividade fica evidente ao se comparar o preço do frango no início dos anos 90, época do Plano Real, com o custo atual para o consumidor brasileiro da população de mais baixa renda. “O quilo do frango resfriado custava R$ 1,00, em torno de 1,4% da renda, que girava em torno de R$ 70,00. Hoje o frango abatido é comprado por R$ 10,00, em cima de uma renda deR$ 1.200,00. Ou seja, abaixo de 1% do comprometimento da renda. Mesmo com os custos altos, o frango tem ganhado eficiência produtiva”, sublinha Bernardino, do Cepea.

A Cooperativa C.Vale, de Palotina, no Paraná, inaugura em duas semanas um novo frigorífico em Iporã, com capacidade de abate de 90 mil frangos/dia, na primeira etapa. Com esse aporte, os abates diários chegarão 840 mil frangos/dia. A escassez de mão de obra faz com que a empresa tenha de buscar trabalhadores a 120 km de distância do frigorífico de Palotina. “Essa dificuldade tende a aumentar nos próximos anos com a abertura do frigorífico de suínos da Frimesa em Assis Chateaubriand e com o nosso próprio frigorífico de frangos em Iporã. A solução vai ser providenciar moradias para esses trabalhadores se instalarem mais próximos das indústrias e aí vamos precisar da colaboração do governo do Estado e das prefeituras”, diz Alfredo Lang, presidente da C.Vale.

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ESTAMOS COMPLACENTES COM A RUPTURA INSTITUCIONAL EXISTENTE

 

Crise institucional

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Estátua da Justiça Supremo Ttribunal Federal A Justiça é uma escultura localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, feita em 1961 pelo artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatti. Publicado em 21/11/2019 –


Símbolo da Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O trágico incidente em Foz do Iguaçu mostra o quanto os ânimos estão acirrados por causa da eleição de outubro. Muita gente alerta para o risco de uma ruptura institucional. Gente que deve estar em outro país, porque rupturas institucionais estão ocorrendo na cara de todos nós. A primeira foi em 31 de agosto de 2016, quando a presidente foi condenada, mas não respeitaram o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, pelo qual presidente condenado fica inabilitado de exercer função pública por oito anos. Presidia a sessão de julgamento no Senado o próprio presidente do Supremo, tribunal guardião da Constituição. Depois disso, infringiram até cláusulas pétreas do artigo 5.º, em que direitos e garantias fundamentais foram cancelados, a despeito de o artigo 60 proibir sua abolição.

Além disso, o artigo 53, sobre a inviolabilidade de senadores e deputados por quaisquer palavras, foi para o lixo, assim como o artigo 220, que trata da liberdade de expressão por qualquer processo e a vedação da censura. E, culminando, veio o “inquérito do fim do mundo”, assim chamado pelo dissidente ministro Marco Aurélio, que deixa perplexo quem pensa que é pedra de toque do direito o devido processo legal. No inquérito, quem se sente vítima ou ofendido é quem investiga, denuncia, julga e pune, seja quem for, mesmo sem ter foro no Supremo. Tudo isso sem falar nas intromissões em outros poderes, como mandar o Senado abrir CPI ou proibir o chefe de governo de nomear um subordinado.

Muita gente alerta para o risco de uma ruptura institucional. Gente que deve estar em outro país, porque rupturas institucionais já estão ocorrendo na cara de todos nós

Assim, preocupar-se com ruptura futura é passar recibo de alienação da realidade. E quem não fica preocupado com isso age como o personagem do poema de Martin Niemöller: um dia levaram seu vizinho judeu; no outro, seu vizinho comunista; depois, seu vizinho católico, e ele não se importou por não ser judeu, comunista, nem católico. No quarto dia o levaram e já não havia ninguém para reclamar. Tem gente que até torceu para levarem seus contrários, mas vejam o que escreveu Eduardo Alves da Costa em “No Caminho, com Maiakovski”: Primeiro roubam nossa flor e nada dizemos; depois, pisam no jardim e matam nosso cão, e não dizemos nada. Depois, o mais frágil deles entra em nossa casa, rouba-nos a luz e, “conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e já não podemos dizer nada”.

Enquanto for com os outros, silêncio. Mas esse silêncio cúmplice também é um silêncio do suicídio de nossos direitos e liberdades. Está tudo posto na mesa; já aconteceu, já pisaram nas nossas flores, já levaram nosso vizinho. Poucas vozes gritam no Senado, onde se ouve o silêncio da omissão. O ativismo judicial se expande ante o passivismo de senadores, nos quais o medo arranca a voz da garganta. No crime de estupro, a medicina legal estuda o hímen complacente. No Brasil de hoje, o estupro da Constituição é admitido por mentes complacentes.

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PATIDOS POLÍTICOS FAZEM GASTOS EXAGERADOS DAS VERBAS PÚBLICAS

Foto: Nelson Almeida/AFP

Por Luiz Vassallo e Gustavo Queiroz

Em prestações de contas de 2021, PDT declara gasto de quase R$ 30 mil por ida de Carlos Lupi a evento no Caribe; PT apresenta despesa de R$ 699 mil com viagens de ex-presidente

Nos últimos anos, montantes cada vez mais expressivos de dinheiro público foram depositados nas contas dos partidos políticos brasileiros. Uma dessas fontes é o Fundo Partidário, um aporte anual do Tesouro para as legendas que tem por objetivo, na letra da lei, custear o funcionamento das agremiações. Na prática, porém, serve também como reserva para bancar luxos e privilégios de dirigentes e líderes das siglas.

As prestações de contas de 2021, apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dão uma clara ideia da falta de parcimônia no gasto dos recursos. Levantamento feito pelo Estadão encontrou despesas milionárias com voos de jatinhos e hotéis. O PDT, por exemplo, gastou quase R$ 30 mil para enviar seu presidente, Carlos Lupi, e outro filiado ao encontro da Internacional Socialista, realizado em um resort em Cancún.

Conforme os documentos apresentados pela sigla trabalhista, a dupla chegou dois dias antes e retornou três dias depois do evento da esquerda no Caribe, realizado na primeira quinzena de outubro.

Os partidos prestaram contas no ano passado de pelo menos R$ 18 milhões com hospedagens e passagens aéreas para seus dirigentes e filiados, além de R$ 3,1 milhões em despesas com jatinhos.

A reabilitação dos direitos políticos do ex-presidente e pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, após a anulação das condenações do petista na Lava Jato, movimentou os recursos do Fundo Partidário da sigla com uso de jatinhos. Os voos tiveram a presença da socióloga Rosângela da Silva, mulher de Lula, assessores e seguranças. A informação foi antecipada pelo site Metrópoles, e confirmada pelo Estadão.

O PDT gastou quase R$ 30 mil para enviar seu presidente Carlos Lupi, e outro filiado ao encontro da Internacional Socialista, realizado em um resort em Cancún.
O PDT gastou quase R$ 30 mil para enviar seu presidente Carlos Lupi, e outro filiado ao encontro da Internacional Socialista, realizado em um resort em Cancún. Foto: JF Diorio/Estadão

Para os deslocamentos de Lula e seu staff, o PT gastou R$ 698,8 mil. Em maio, o petista viajou a Brasília por R$ 83 mil. Em agosto, preencheu sua agenda com cidades do Nordeste, e voou para o Recife, São Luís, Fortaleza, Natal e Salvador. Todo o giro custou R$ 498 mil. Entre os passageiros dos voos estavam também a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-prefeito Fernando Haddad e o secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto. O ex-assessor da Presidência da República Edson Antônio Moura Pinto, que ficou conhecido por comprar pedalinhos para o sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), também estava na lista de passageiros.

Do total de gastos com jatos informados ao TSE, R$ 2,1 milhões serviram às campanhas dos deputados Arthur Lira (Progressistas-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara. O tour de Lira passou por 27 cidades, percorridas em 31 voos de jatinho, pelo valor de R$ 1,1 milhão, em um Cessna, avaliado em US$ 7 milhões em valor de mercado. Estavam na lista de habilitados a viajar no jato executivo seis correligionários do parlamentar e políticos de outras legendas, como os deputados Marcelo Ramos (PSD-AM), Hugo Leal (PSD-RJ), Celso Sabino (União-PA), Elmar Nascimento (União-BA), Luis Tibé (Avante-MG), Luis Miranda (Republicanos-DF) e Silas Câmara (Republicanos-AM).

Parte dos aliados na carona do jatinho de Lira ganharia papel de destaque em assuntos sensíveis. Hugo Leal foi o relator do Orçamento, que reservou R$ 16 bilhões em emendas parlamentares para 2022. Ele disse ao Estadão que esteve na campanha de Lira representando o PSD na coligação.

Rival de Lira, Baleia Rossi pagou R$ 1 milhão em 23 voos a 13 diferentes cidades de norte a sul. Nos documentos de prestações de contas não constam os nomes dos passageiros. Segundo o MDB, além de Baleia, estavam na lista mais nove deputados, incluindo o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB) – atualmente licenciado do mandato.

O União Brasil custeou jatinhos para viagens entre Salvador e Brasília por R$ 267 mil. Em parte dos documentos, consta como único passageiro o dirigente do partido ACM Neto. A maior parte destes gastos se dá para a realização de eventos e painéis temáticos. Em alguns casos, há o pagamento de hotéis luxuosos.

No PDT, uma viagem a Cancún custou R$ 29,7 mil à legenda. O valor bancou seis diárias no Resort Golf & Spa para Lupi e Eduardo Martins Pereira, integrante da Executiva Nacional do partido. O hotel tem acesso irrestrito a comida e bebida, além de quartos com vista para o mar do Caribe. O hotel sediou o encontro da Internacional Socialista, do qual a dupla participou, nos dias 8 e 9 de outubro. A estadia, porém, durou entre os dias 6 e 12 daquele mês.

No PSDB, somente as prévias que levaram à escolha do ex-governador João Doria – cuja candidatura ao Planalto naufragou – custaram mais de R$ 12 milhões, se somados os gastos com passagens aéreas, aluguel de imóveis e do software para votação que apresentou diversas falhas durante o pleito. As prévias tucanas foram também o evento mais caro promovido por um partido em 2021. O PSDB acabou retirando a pré-candidatura de Doria.

Os recursos do Fundo Partidário costumam ser usados para custear o aluguel de imóveis para sediar as legendas. O maior gasto de 2021 relacionado à sede de uma agremiação foi feito pelo PSL, que comprou uma casa de 500 metros quadrados por R$ 5,4 milhões na Avenida Nove de Julho, em São Paulo. Hoje, este é o escritório do União Brasil.

O Fundo Partidário chegou a quase R$ 1 bilhão no ano passado. Desde 2018, se somou ao fundo eleitoral (R$ 4,9 bilhões disponíveis para 2022) como recursos públicos para campanhas e partidos. Com a aprovação da minirreforma eleitoral, passou a ser permitido o uso do Fundo Partidário para custear de forma indireta serviços nas campanhas, como impulsionamento de conteúdo na internet, compra de passagens aéreas e contratação de advogados, segundo o TSE.

Os partidos citados disseram que os gastos foram legais e devidamente informados ao TSE. O PT afirmou que os deslocamentos de Lula e de dirigentes “muitas vezes têm de ser feitos em aeronaves fretadas” e disse ter como critérios para a contratação do serviço “a capacidade de passageiros, autonomia de voo, disponibilidade de datas e competitividade de preços”.

O MDB afirmou ter feito os fretamentos de Baleia Rossi “de forma extraordinária e única, sob critérios de economicidade”, somente em janeiro de 2021, período que antecedeu a eleição da Câmara.

Segundo o PDT, a viagem de Lupi a Cancún “contempla dias de ida e retorno e agendas da Internacional Socialista, e reuniões do colegiado dos vice-presidentes, nos dias anteriores e posteriores à reunião”.

O PSDB afirmou que as prévias envolveram nove meses de trabalho, e que os gastos de R$ 12 milhões foram com viagens da militância e dos pré-candidatos, cadastramento de filiados, debates internos e externos e a realização de evento em Brasília com mais de 700 mandatários tucanos de todo o País.

Procurados, Progressistas, PL e PSL não responderam.

Para entender: Verba existe para manter os partidos

O que é

O Fundo Partidário distribui recursos públicos para os partidos. O cálculo é feito a partir das cadeiras que as legendas têm na Câmara.

Quanto é

Até 2014, os valores não ultrapassavam R$ 500 milhões, mas, em 2015, a doação de empresas para campanhas foi proibida. Em 2021, as legendas receberam R$ 939 milhões do Fundo Partidário e, até junho deste ano, R$ 509,7 milhões em repasses e multas / COLABORARAM MILKA MOURA E LAVÍNIA KAUCZ

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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