terça-feira, 12 de julho de 2022

CONCESSÃO DE RODOVIAS FICA MAIS DIFÍCIL

 

Infraestrutura
Vandré Kramer – Gazeta do Povo


Trecho da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), que liga o Rio a São Paulo: mesmo se tratando de uma “joia da coroa”, licitação só atraiu dois concorrentes.| Foto: Ministério da Infraestrutura

O atual modelo de concessões rodoviárias dá sinais de esgotamento. A carteira de projetos é grande, mas leilões recentes atraíram poucos concorrentes, com pouca ou nenhuma participação de estrangeiros, mesmo estando em jogo “joias da coroa” como a rodovia Presidente Dutra.

O cenário se complica com a redução gradual da oferta de rodovias de alto tráfego – mais rentáveis e, portanto, atraentes para o setor privado. Cedo ou tarde o governo terá de encarar a missão de conceder a malha rodoviária que corta regiões de menor atividade econômica e com lucro potencial bem menor aos concessionários.

Na licitação da rodovia Presidente Dutra (BR-116), que liga Rio a São Paulo, e da Rio-Santos (BR-101), realizada no fim de outubro, apareceram apenas dois interessados, ambos nacionais: o grupo CCR e a Ecorodovias.

O edital da BR-381/262, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares (MG) e Viana (ES), na Grande Vitória, lançado em outubro, foi retirado para aperfeiçoamentos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O leilão do trecho Norte do Rodoanel – contorno da região metropolitana de São Paulo, que demandaria investimentos de R$ 2,6 bilhões para a conclusão do trecho de 44 quilômetros – foi adiado no fim de abril devido às incertezas geradas pela crise econômica, aponta a Agência de Transporte de São Paulo (Artesp).

“Faltam mais investidores, principalmente estrangeiros. Quem está no Brasil já se acostumou com a incerteza macroeconômica”, afirma o presidente da consultoria Inter.B, Cláudio Fritschak. E para agravar o cenário, segundo ele, há o aumento da imprevisibilidade regulatória nos últimos anos.


Ele diz que a Lei das Agências, sancionada em 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro, teve artigos vetados erroneamente e permitiu indicações políticas para os órgãos reguladores. O que também afeta a vinda de novos investidores em infraestrutura para o Brasil é a imagem institucional do país, avalia o consultor. “Há problemas na questão ambiental, na dos indígenas”, diz.

Também pesa a questão fiscal, que dificulta a realização de investimentos por parte do governo federal, aponta a gerente executiva de economia da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Schwantes. “Os recursos públicos estão comprometidos com despesas relacionadas à dívida e com obrigações constitucionais.”

Ela destaca que, mesmo com uma maior participação do investimento privado no segmento rodoviário – que deve chegar perto de 32% neste ano, segundo a Inter.B –, é necessária a aplicação de recursos públicos. “O investimento privado complementa o público. Não se consegue conceder toda a infraestrutura”, diz a executiva.

Necessidade de novos modelos para concessão de rodovias
Mas não são só questões macroeconômicas que criam entraves ao investimento em infraestrutura rodoviária. “É necessário inovar, desenvolver novos modelos”, diz Fritschak.

Um estudo realizado por Rennaly Souza e Edison Benedito da Silva Filho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério da Economia, aponta três modelos alternativos que poderiam viabilizar novos investimentos em rodovias:

Concessões com fundo público
Concessões em blocos, também conhecido como “file com osso”
Câmara de compensação
“Entendendo o financiamento como questão central para o planejamento e execução de serviços de infraestrutura, soluções que contemplem a eficiência na gestão de recursos e a atração de capitais privados para projetos de infraestrutura são essenciais para viabilizar a expansão dos investimentos”, afirmam Souza e Silva Filho.

Eles observam que, para grande parte das rodovias concedidas no passado, o risco de demanda não prejudicou sensivelmente a lucratividade das concessões, pois elas envolviam trechos de elevado tráfego em função de sua localização em regiões mais prósperas e com os maiores investimentos já amortizados.

Os especialistas do Ipea destacam que a realidade é diferente para regiões de menor atividade econômica e PIB per capita menor.

“A cobrança de pedágios nesses projetos é insuficiente para atingir um patamar de remuneração do investidor privado suficiente para custear os investimentos dele requeridos, sendo necessária então a participação governamental, não apenas na regulação, mas também como fonte de receita adicional aos projetos, por meio das concessões subsidiadas”, dizem os pesquisadores.

Modelos de concessões com fundo público
Uma das estratégias citadas por Souza e Silva Filho é a realização de concessões com a criação de um fundo público, que funcionária como instrumento de captação de recursos para investimentos em políticas públicas. Ela necessita de autorização legislativa. No Brasil, é popularmente conhecido como parceria público-privada (PPP).

As PPPs introduzem a gestão privada no serviço público por meio de vínculo contratual de longo prazo entre o operador e uma autoridade pública. Elas podem ser realizadas por dois meios: a administrativa, em que a remuneração se dá por meio de contraprestação pública, sem cobrança dos usuários, e a patrocinada, que envolve a cobrança de tarifa dos usuários e a contraprestação pecuniária do parceiro público ao privado de forma complementar ao recurso arrecadado via tarifa.


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“A estrutura de financiamento desempenha um papel fundamental para uma relação exitosa. A instituição de mecanismos de proteção de investimentos e a alocação de riscos de maneira eficiente permite redução do comprometimento financeiro do setor público”, dizem os especialistas.

A primeira tentativa de aplicar esse modelo no Brasil foi em 2006, com o edital de concessão para a reestruturação, manutenção e ampliação da capacidade da BR-116 (Rio-Bahia) e da BR-324. Porém, um ano depois, após novos estudos de viabilidade, o projeto foi abandonado.

A primeira rodovia a usar o mecanismo de PPP foi a MG-050, que liga a região metropolitana de Belo Horizonte à divisa com São Paulo, atendendo 50 cidades das regiões central, centro-oeste e sul de Minas. O contrato passou por oito termos aditivos desde a sua assinatura, em julho de 2007, e a concessionária foi alvo de processos administrativos para apuração de irregularidades na execução do contrato.

Atrasos e não execuções do contrato, prejudicando usuários e afetando a melhoria na qualidade do serviço prestado, fizeram com que que a concessionária fosse autuada e multada. Um novo cronograma de execução de obras foi assinado em maio de 2017. Segundo a CNT, no fim de 2021, os 337 quilômetros da rodovia estavam em estrado regular de manutenção.

“As crises fiscais afetam fortemente os investimentos em manutenção e ampliação da rede rodoviária que fazem uso desse mecanismo. Além disso o fundo de usos públicos deve dedicar atenção à mensuração das obrigações financeiras assumidas pelo setor público em contratos de PPs, de forma a evitar que recaia sobre o Tesouro o ônus da falta de cumprimento das obrigações”, explicam os especialistas do Ipea.

Modelo de concessões em blocos

Também conhecido como modelo “filé com osso”, o modelo da concessão em blocos está sendo utilizado na licitação de aeroportos. Ele tem por princípio a utilização de projetos atrativos como âncora junto a projetos deficitários, formando blocos a serem concedidos à iniciativa privada.

Segundo Souza e Silva Filho, essa modalidade tem se mostrado uma alternativa viável para a entrada de investimentos privados em infraestrutura, além de representar menores gastos com subsídios por parte do governo.

É um modelo que só foi aplicado ao setor rodoviário em janeiro de 2020, em São Paulo, com a concessão do corredor rodoviário Piracicaba-Panorama à gestora de patrimônio Pátria e ao fundo soberano de Cingapura. A concessão, estabelecida para um prazo de 30 anos, abrange 1.273 quilômetros de rodovias que serão modernizadas e ampliadas.

Os especialistas do Ipea apontam que um dos fatores que garantiu a atratividade do empreendimento foi o baixo valor exigido pela outorga fixa. O vencedor foi aquele que ofereceu o maior ágio sobre o valor proposto. E, a cada quatro anos, o projeto será revisto para a possibilidade de adequação de novos investimentos nas pistas.

Outro projeto que usou esse meio, foi a nova concessão da rodovia federal Presidente Dutra (BR-116), que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. O projeto incorporou também a Rio-Santos (BR-101) e foi vencido pelo grupo CCR.

As experiências, de acordo com os pequisadores, são muito recentes. Há alguns riscos, como a consideração sobre os critérios para a seleção das rodovias a serem agregadas em bloco, que pode levar a riscos políticos. Outro problema, de natureza técnica, é a avaliação da eficiência do uso de recursos públicos dentro de um mesmo grupo de projetos concedidos em conjunto. “A formação de um bloco pouco eficiente pode trazer perda de resultados”, dizem os especialistas.

Modelo de câmara de compensação
O modelo de câmara de compensação ou clearing, que tem por base a criação de um sistema que explora a possibilidade de compensação financeira entre diferentes operadores de uma rede, sejam eles superavitários ou deficitários, é um modelo que ainda não foi testado no segmento rodoviário no Brasil.

É mais usada no transporte público urbano, como é o caso do sistema metroviário de São Paulo. “As câmaras de compensação podem ter a gestão da receita tarifária controlada tanto pelo poder público quanto pelos operadores do sistema.”

No segmento rodoviário, a principal experiência é do desenvolvimento do sistema japonês de vias expressas, que tem mais de 9 mil quilômetros e começou a ser implantado na década de 1970.

O estudo do Ipea mostra que o governo do Japão estabeleceu a meta de construir uma rede nacional de vias expressas, incluindo rotas que passam por áreas rurais e transpondo obstáculos naturais como montanhas e rios, com encarecimento significativo dos projetos.

A experiência japonesa demonstra que a com­binação das receitas de pedágio pode contribuir para a expansão da rede por meio de subsídios cruzados, desenvolvendo segmentos não lucrativos e mantendo níveis de pedágio relativamente consistentes ao longo da rede. Mas, com o passar do tempo, o sistema passou a ser deficitário.

Um estudo realizado pelo consórcio BR-500, com a cooperação técnica da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), indica, como solução ao esgotamento do sistema de concessões, a criação de um modelo no qual a malha federal de rodovias funciona como um sistema integrado. Ele toma por base a instituição de uma política tarifária nacional, a criação de classes de rodovias e a implantação de uma câmara de compensação para equilibrar as tarifas de pedágio.

O estudo argumenta que uma maior equivalência entre o valor cobrado do usuário e a qua­lidade do serviço e infraestrutura disponibilizados também permitirá a otimização da aplicação de recursos originados da arrecadação da tarifa de pedágio, podendo reduzir a dependência de recursos públicos para a manutenção do sistema rodoviário.

A ideia, segundo os especialistas do Ipea, seria garantir a sustentabilidade do sistema, permitindo que eventuais riscos e desequilíbrios de concessões sejam diluídos no próprio sistema. Mas eles apontam que, dadas as limitações existentes no atual marco regulatório do setor, seria necessária a apresentação de proposta legislativa específica que discipline, de forma geral, as condições de implantação do sistema.


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TRAGÉDIA EM FOZ DO IGUAÇU

Violência

Por
Alexandre Garcia


Momento da confusão do lado de fora do salão, quando Guaranho deixa o local e, 10 minutos depois, retorna e faz os disparos que mataram Arruda.| Foto: Reprodução/Internet

Se você está procurando imagens da tragédia, do tiroteio em Foz do Iguaçu, preste atenção numa policial civil, que era a companheira do morto. Se a policial Pâmela Suellen Silva tivesse conseguido o seu intento, não teria acontecido nada disso. Ela tentou apaziguar os dois, separá-los, mas foi impossível. A gente vê que o policial penal chega de carro à Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu e certamente fica revoltado ao ver que o aniversário havia se tornado um comício pró-Lula. Ele diz alguma coisa, o aniversariante vem lá de dentro e joga uma pedra na direção dele. Em seguida, vem a companheira do aniversariante, a policial civil, e tenta separá-los; parece que estavam se xingando, e o policial penal vai embora, certamente para buscar uma arma.

O policial municipal que morreu ou já estava armado ou foi pegar a arma no carro; então, quando volta o policial penal, começa o tiroteio. O policial que morreu deu cinco ou seis tiros; o que está na UTI, em estado grave, deu dois ou três tiros, mas foram tiros fatais. Quando chega o policial penal, a policial civil ainda tenta contê-lo, mostra o distintivo já diante da arma apontada. Ela insiste para que ele pare, mas ainda assim ele entra; ele estava armado, ela não pôde fazer nada. Ela ainda foi ao carro pegar a arma, apelou para a arma porque não tinha outra saída. Uma atitude perfeita da policial Pâmela.

O pior de tudo é o sujeito caído no chão – o que está na UTI –, sendo chutado pelos outros. Foi quase um massacre, eu não sei quais foram os ferimentos mais graves, se os da bala ou os chutes na cabeça, rosto, tórax, costas. É terrível esse radicalismo do ódio. As pessoas não são a favor do seu candidato, são contra o outro. Parece que é assim que a coisa funciona.

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Um criminoso de jaleco e um herói da medicina
E seguimos vendo casos de polícia, como o desse anestesista em São João de Meriti, Giovanni Quintella Bezerra, que provavelmente será doutor por pouco tempo, porque o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro já abriu processo. Foi flagrado porque a enfermagem desconfiou e filmou o ato obsceno dele com uma parturiente, que estava anestesiada para fazer uma cesárea. Incrível a tara desse sujeito. Por outro lado, temos esse herói da medicina, fazendo residência em anestesia, Vitor Procópio Trindade, que teve uma homenagem no cemitério, helicóptero da polícia jogando flores, ambulâncias e motos do Samu, todos homenageando esse jovem médico de 27 anos que trabalhou com tanto humanitarismo, tanta caridade e amor ao próximo. Tanto que se doou totalmente; o enterro demorou alguns dias para que retirassem os órgãos que ele doou.

Bolsonaro chamará embaixadores para falar das eleições de 2014 e 2018

Por fim, o presidente Bolsonaro anunciou que está convidando os embaixadores credenciados em Brasília para ouvirem um relato que ele vai fazer, documentado, do segundo turno da eleição de 2014, e dos dois turnos de 2018. Nós sabemos como foi 2014, aquele apagão. Aécio estava na frente e, de repente, depois do apagão, Dilma na frente. O PSDB passou quase 100 dias para fazer auditoria e concluiu que aquilo não era auditável.

O presidente Bolsonaro chegou a dizer que não convida os jornalistas porque sabe que eles vão distorcê-lo, então está convidando os embaixadores, porque chegam notícias distorcidas no exterior e é preciso saber a verdade. Ele lembrou que o TSE convidou as Forças Armadas diretamente, não através do seu comandante supremo, o que é estranho, um erro de protocolo; parece que a corte não leu bem a Constituição. As Forças Armadas foram, fizeram sugestões que não foram aceitas. Então ele se queixou que Fachin não quer conversar mais sobre isso, parece que age como um ditador. É bom a gente lembrar que os ministros do Supremo, do TSE, são servidores do público, do público eleitor, que quer garantir uma apuração segura e transparente.
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ARGENTINA É A RECEITA INFALÍVEL PARA O ABISMO

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


Manifestante protesta contra o governo argentino, em Buenos Aires.| Foto: EFE

A Argentina está mal; há muito tempo, na verdade, não está tão mal como agora. A dívida externa desabou para aqueles abismos onde se agitam os países falidos e sem meios para pagar o que devem. É, no momento, a pior do mundo, e precisa que o Fundo Monetário Internacional, os credores e órgãos financeiros internacionais entrem em ação – naturalmente, com todo aquele drama ruim que vem com esse tipo de intervenção. A inflação passou dos 60% ao ano – e quando as coisas chegam a esse nível fica difícil consertar com medicação natural. Não há crescimento algum; a economia vive em recessão. Para todos os efeitos práticos, o país não tem mais uma moeda própria. Nem os argentinos querem o peso; a única moeda que faz sentido para eles é o dólar. A capacidade para saldar as dívidas internacionais está próxima ao zero. Vai tudo ladeira abaixo.

É nisso que deu, como não poderia deixar de ser, a política econômica esquerdosa do seu governo peronista – uma mistura mortal de “socialismo”, gasto público sem controle, doação de dinheiro para sindicatos e cartórios de todas as naturezas, “nacionalismo” e tudo o que sobra no repertório do “anticapitalismo”. O governo taxa as exportações agrícolas, a única área firme de toda a economia argentina. Acha que vai resolver problemas metendo imposto nas grandes fortunas. Dificulta em tudo o que pode a atividade produtiva. Pense em alguma coisa errada que um governo possa fazer em sua política econômica – o governo argentino com certeza está fazendo isso. Vive-se, lá, no mundo dos “controles de preços”, dos tabelamentos, das empresas estatais encarregadas de resolver tudo, da perseguição à iniciativa privada, do “Estado” como o Deus diante de quem todos têm de se ajoelhar. Sempre dá num desastre. Está dando em outro, mais uma vez.

Para todos os efeitos práticos, o país não tem mais uma moeda própria. Nem os argentinos querem o peso; a única moeda que faz sentido para eles é o dólar

Quanto mais a economia da Argentina afunda, entretanto, mais o governo se convence que está no caminho certo; vai “aprofundar”, em consequência dessas convicções, o que está fazendo do errado. O problema, para eles, não é o peronismo; na sua opinião, é a falta de mais peronismo. É realmente extraordinário, diante de todas essas realidades, que a Argentina e a sua administração econômica sejam um modelo para Lula e o PT na presente campanha eleitoral. O ex-presidente, inclusive, imagina um “pacto” com a Argentina (e a “América Latina”) para que “todos juntos”, como irmãos de continente e de ideologia, possamos nos transformar na luz que ilumina o mundo. Não ocorre a Lula que a Argentina está dando errado. Também não lhe ocorre que o Brasil, com 360 bilhões de dólares em reservas, está numa situação absolutamente oposta em termos de meios de pagamento; tem, portanto, necessidades e interesses muito diferentes, e deveria tratar da sua própria vida, em vez de abraçar pacientes internados na UTI.

Mas Lula se imagina como o homem mais importante do mundo; tem sonhos confusos de comando, achando que pode usar a excelente situação das contas públicas brasileiras que receberá, caso seja eleito, para doar dinheiro à Cuba, Venezuela e outras economias em colapso. O Brasil, à essa altura, é muito pouco para a sua mania de grandeza cada vez mais agressiva. Em nenhum momento lhe passa pela cabeça que o desastre econômico da Argentina é um sinal do tipo; “Não tente nada parecido”. Ele se considera acima desse tipo de consideração, mesmo porque sabe muito bem que ele, seus amigos bilionários e a companheirada não vão sofrer consequência nenhuma pelo desastre que causarem; vão se dar muitíssimo bem, ao contrário.


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PETECÍDO EM FOZ DO IGUAÇU

 

Algodão-doce

Por
Paulo Polzonoff Jr.


Como alguém é capaz de matar outra pessoa por política? E por que alguém chega aos 50 anos idolatrando um político?| Foto: Reprodução/ Twitter

  1. No domingo, a coincidência algo macabra. Leio o comentário de alguém dizendo algo como “o país só vai melhorar depois que a esquerdalha for exterminada”. Quase vomito, mas contenho o nojo e me viro para minha mulher para falar algo a respeito desse ímpeto de acabar com tudo o que nos contraria. Ela escuta pacientemente minha digressão e, sem falar nada, me mostra o celular. É quando fico sabendo da morte do tesoureiro do PT durante sua própria festa de aniversário.
  2. A princípio, as informações são poucas e confusas. O que não impede que a multidão chegue a conclusões apressadas e categoricíssimas. Um sem-número de políticos e celebridades de portes variados repudiaram imediatamente o crime, pondo a culpa no bode expiatório preferido deles, Jair Bolsonaro. Leio que o PT está sob ataque.
  3. Não estou entendendo nada. Mesmo vivendo no caótico Brasil do século XXI, a ideia de alguém entrar aleatoriamente numa festa e atirar contra as pessoas só porque o tema da festa é Lula me parece fantástica demais. Tragicamente fantástica. Mas aí lembro que sou cronista e que preciso reagir rápido aos acontecimentos. E se for um crime comum do qual a esquerda está se apropriando? E se for mesmo um crime político? Quais as consequências disso? Socorro!
  4. As dúvidas se acumulam. Será que o fato de Lula ter exaltado um militante que jogou um senhor contra o para-choque de um caminhão tem alguma coisa a ver com isso? Ou será que o bater de asas de uma borboleta na China é que provocou os disparos em Foz do Iguaçu? Será que o petecídio, isto é, o assassinato de um militante do PT, se tornará agravante em nosso Código Penal? Será? Será? Será?
  5. Sempre que alguém morre por política, seja em grandes protestos, atentados ou discussões como essa de Foz do Iguaçu, fico imaginando como é o acerto de contas do falecido ao chegar ao Céu. E não, não estou de zombaria. Imagino mesmo como a pessoa explica à própria alma ou a São Pedro que deixou este mundo porque acreditava que o comunismo era superior ao capitalismo ou que o líder A era melhor do que o líder B. Deve ser no mínimo constrangedor.
  6. Nesses casos, também imagino sempre quais teriam sido as últimas reflexões da pessoa. Embora muitos não tenham tempo para todas as reflexões que deixaram de fazer em vida.
  7. O cinismo é uma desgraça à qual, infelizmente, não estou imune. Quando dou por mim, me pego escrevendo sobre a festa que teria motivado o assassinato. O aniversariante usando uma camiseta com a cara feia do Lula. O cartaz também com a foto de Lula e os dizeres “pro Brasil voltar a sorrir”. Lula na mesa. Uns docinhos em forma de coração vermelho. Não era minha intenção ridicularizar a vítima. Só não consigo entender como alguém pode chegar aos 50 anos idolatrando um político a esse ponto.
  8. Meu editor tem mais juízo do que eu e me pede para guardar o texto na gaveta por 24 horas, relê-lo e só então decidir ou não pela publicação. Mas preciso de apenas mais uma releitura para perceber que ele tem razão (algo raro).
  9. Tenho umas considerações a fazer sobre as manifestações de idolatria a Bolsonaro e sobre o comentário do “exterminador de esquerdistas” mencionado lá no primeiro item deste texto. Mas, só por hoje, não vou desenvolver essas ressalvas.
  10. O velho e bom Fernando Pessoa falava da sensação agradável de não entender algumas coisas. Uma sensação típica da infância. Quem nunca ficou fascinado diante de uma máquina de algodão-doce pensando “como é possível?!”. Tal qual a criança que fui, procuro manter a ignorância em alguns assuntos. Para não perder o fascínio. Ah, infeliz é aquele que entende tudo – ou acha que entende. A vida é um mistério e o que leva pessoas a matarem ou morrerem por política é algo que está além da minha capacidade de compreensão. E, no que depender de mim, continuará assim.
  11. Também não entendo como as nuvens carregadas pairam nos céus de tempestade. E não há explicação sobre correntes ascendentes capaz de me esclarecer esse fenômeno. Me deixa.
  12. Por mais que os petistas me irritem e me ofendam e até façam ameaças veladas contra mim, e por mais que a esquerda tenha um tenebroso histórico de violência no varejo e no atacado, esses aspectos violentos da política ainda são como o algodão-doce e as nuvens que, pesadonas de chuva, desafiam a lógica da gravidade.
  13. Tampouco entendo o que leva alguém a fazer uma festa de aniversário com tema político. Suponho, sem buscar quaisquer teorias para comprovar minha hipótese à toa, que tenha a ver com vazio espiritual e com a falência do imaginário de que tanto fala meu amigo Francisco Escorsim. Mas é uma realidade tão distante da minha que, sinceramente, prefiro continuar na minha saudável ignorância.
  14. Como este texto ficou com 13 itens, o que talvez desse margem a interpretações esdrúxulas, criei mais este item que me permite desabafar: não gosto do número 14. Nunca gostei. Se você parar para pensar, o 14 é  um desses números absolutamente inócuos, sem mensagens ocultas ou grandes simbolismos esotéricos. E, no entanto, é indispensável ali entre o 13 e o 15. Sem o 14, o mundo seria um caos maior do que é.

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PETISTAS E SUA PAUTA QUE PARIRAM

Polarização política

Por
Bruna Frascolla

07-04-18 – Manifestantes a favor e contrários ao ex-presidente Lula aguardam sua chegada na Superintendência da Policía Federal para o cumprimento da pena estipulada pelo juíz Sergio Moro. / Ambulância com manifestantes pró-Lula feridos passa pela comemoração dos manifestantes pró lava-jato


Manifestações contra e a favor a prisão de Lula em Curitiba. 7/4/18.| Foto: Daniel Caron/ Arquivo/ Gazeta do Povo

É uma imensa perda de tempo discutir o crime cometido em Foz do Iguaçu. O ano de 2022 tem assuntos cruciais a serem debatidos, entre os quais, no meu entendimento, os mais importantes são, nesta ordem, a limitação do ativismo judicial e a autossuficiência em fertilizantes. Afinal, bastará uma canetada de um ministro do Supremo, uma recomendação de um procurador, e todo o trabalho do Legislativo para regulamentar a mineração em área indígena pode ir por água abaixo. No atual estado de coisas, o Brasil pode muito bem deixar de conseguir importar fertilizantes o suficiente e os ativistas judiciais, encastelados no Estado, garantirem que passemos fome.

A violência política é, sim, um assunto importante. No entanto, desde a tentativa de assassinato perpetrada por Maninho do PT, é difícil chocar-se. Lembremos: no circo que foi a prisão de Lula, com Gleisi Hoffmann dizendo que haveria sangue caso o mandado se concretizasse, uma turba de palhaços de filme de terror se reuniu em frente à sede do Instituto Lula para ficar fazendo arruaça. Um transeunte, o empresário Carlos Alberto Bettoni, teve uma altercação com a turba. Maninho do PT, então, empurrou-o à frente do caminhão. Ele teve um traumatismo craniano e jamais recobrou a saúde de antes. O crime ocorreu em abril de 2018 e foi muito bem fotografado: a imagem do homem caído sozinho, com um longo filete de sangue escorrido pelo asfalto, daria para fazer muitas campanhas catárticas de rechaço à violência ou ao petismo.

Não assistimos a nenhuma histeria coletiva sobre como todos os petistas são bestas assassinas. A imagem sangrenta não foi explorada pelas carpideiras da democracia. Não vimos sequer o mea-culpa dos petistas. Se a imprensa e a academia não estivessem tomadas por canalhas enlouquecidos (ou por loucos acanalhados), o PT seria chamado às falas. Não era um bêbado aleatório numa situação aleatório. Era um membro filiado, um ex-vereador eleito pelo partido, cometendo um crime de sangue às claras numa manifestação lulista. O mínimo que se esperaria de um partido decente é a expulsão do membro.

Mas em setembro um esquerdista doido enfiou uma faca na barriga de Bolsonaro e girou-a, para matá-lo. Tinha um álibi pronto em Brasília, mesmo estando em Juiz de Fora. E as carpideiras da democracia, cínicas, não deram um pio contra a esquerda. Desde então essa tentativa de assassinato – bem como a reação a ela – é o elefante na sala de jantar das carpideiras.


Amnésia coletiva e repeteco
Meses após a prisão de Lula, começou o festival de suásticas no noticiário. Qualquer suástica em banheiro de universidade federal ia para o noticiário nacional. Uma feminista, potencial vítima de gordofobia, exibiu a barriga nas redes sociais: uma suástica fininha fora feita cuidadosamente com um objeto cortante por bolsonaristas que a agarraram no meio da rua. Quem quisesse, que acreditasse. Em Nova Friburgo, a polícia conseguiu pegar o grupo que pichava suásticas numa igreja: eram os mesmos que pichavam “Ele não” noutras partes da cidade.

Para alcançar maior dramaticidade, porém, era necessário um cadáver; de preferência, fresco. Em pleno outubro, apareceu. Transformaram num evento da maior magnitude uma briga de bêbados em que um mestre de capoeira do movimento negro terminou morto por um popular. De nada adiantou o assassino dizer em coletiva de imprensa que o Mestre Moa o havia chamado de “viadinho negro” e por isso ele pegou a faca. A morte de Mestre Moa era a prova de que o bolsonarismo mata.

Agora a história se repete. Uma briga privada entre homens de convicções políticas distintas, na qual um esquerdista sai morto, é apresentada como prova cabal de que o bolsonarismo mata. A ilibada Revista Fórum, petista, deu o furo este domingo – e, outra vez, acredita quem quer. Curiosamente, tal “furo” dado domingo, dia 10, se deu após outro furo, o do Metrópoles, dado no sábado, dia 9. O jornal de Brasília divulgara uma fala de Lula, em comício, fazendo uma apologia de Maninho do PT, que passara 7 meses na cadeia por “defendê-lo”. Uma grande coincidência!

Ainda por cima, aprendemos que o quase assassino fora solto em prazo tão curto por uma decisão do STJ. Ao que parece, há não só apologia, como regalias para carniceiros do PT.

“Fulano está se radicalizando”
A desfaçatez dos experts é de cair o queixo. Como já mostrei algumas vezes, existe um líder de seita chamado Luciano Ayan (ex-guru do MBL) que conta com plena anuência do establishment – leia-se, do STF – para fazer coisas que botariam um Daniel Silveira direto na cadeia. Até espalhar fake news contra Marielle recém-morta ele pôde. Não só pôde, como ainda foi convidado por uma autodeclarada “especialista em Cidadania Digital” respeitada pela imprensa para discutir fake news junto com o senador do meu estado Ângelo Coronel, que presidia a CPMI das Fake News..

Outra pupila de Ayan, Michele Prado, não tem nenhuma formação acadêmica, mas é aceita pela academia como especialista em extrema-direita. Tudo o que ela faz é ficar em rede social dizendo que fulano está se radicalizando, apresentando tuítes e declarações como prova disso. Quanto à qualidade de sua obra, Francisco Razzo já leu e fez um fio quilométrico no Twitter. Eu resumo: todo o mundo que tem a menor afinidade com algum autor ou ideia de direita é um radical de extrema direita, menos ela. As críticas de Razzo foram qualificadas como ataque misógino e assédio promovido por um extremista de direita.

Vejamos agorinha mesmo como a especialista em cidadania digital reagiu ao suposto furo da revista petista. Primeiro ela retuíta o ambientalista da GloboNews culpando “os presidenciáveis” (plural) por “ações violentas dos seus correligionários”. Depois, uma desconhecida que faz o mesmo, equivalendo Lula a Bolsonaro. Em seguida, publica uma foto dela própria com Barbara Gancia, dizendo o quanto a admira. Barbara Gancia recentemente se notabilizou por rezar pela morte de Bolsonaro enquanto ele sofria com complicações decorrentes do atentado. Um amor, um exemplo de ser humano a ser abraçado por alguém que passa o dia denunciando “extremismo”. Por fim, ela elogia um tuíte de Michele Prado que fala da radicalização como um problema da direita denunciado por ela em seu livro.

Isso é deboche com a nossa cara.

Estratégia das tesouras e globalismo

Ao meu ver, a pessoa que melhor explica o cenário intelectual atual é Mathieu Bock-Côté. Em O multiculturalismo como religião política, ele diz que maio de 68 foi uma revolução cultural da elite contra o povo, que, no esgarçado vocabulário atual, é conservador. A elite decidiu que o povo não é mais a fonte de legitimidade da democracia, mas sim uma noção muito peculiar de “direitos humanos”. Esta noção é muito rígida e não está sujeita a discussão. Assim, cabe ao judiciário decidir o que é certo e errado. Se o povo discordar, tem que ser reeducado; se não quiser se reeducado, tem que ser punido. Como o Estado foi todo engolido pela burocracia, a eleição de “populistas” se torna inócua, já que a máquina impede o governo conforme aos anseios populares.

Tanto ele quanto Dugin e John Gray colocam Fukuyama como o escritor canônico desse novo utopismo. Seja como for, a estratégia das tesouras consiste em transformar a nova esquerda como lugar comum, rotular como “extrema direita” os egressos da velha esquerda, e aceitar uma direita “moderna” que se restrinja à defesa do mercado, sem tocar na História e nos valores. Com isso, planta-se uma falsa ideia de diversidade política. Um deputado francês chegara a dizer que “precisa haver pró-europeus e antieuropeus em cada campo. Se puséssemos os inteligentes juntos, um dia, com a alternância, os imbecis chegariam ao poder”. Tem-se aí a ideia de direita xucra por oposição à limpinha.

Com isso, a imprensa militante, junto com os progressistas, se empenham ao máximo para limitar a discussão pública, condenando a “polarização”. Nesse esquema, “a democracia contemporânea deve acolher o mínimo possível quaisquer debates sobre as questões que animam as paixões populares e políticas. […] sob vários aspectos, a comunicação política serve até para exacerbar as tensões midiáticas em torno dessas diferenças menores” (p. 252). Noutras palavras, o país discute ad nauseam pronome neutro em vez de encarar problemas urgentes como a legislação pró-bandido, por exemplo. Mas qualquer queixa contra a bandidolatria logo é tachada como “barbárie” etc.

“Se o populismo ganha penetração nas sociedades ocidentais, é também porque corresponde a um desejo de polarização política num sistema político a tal ponto consensual que acaba por sufocar a vitalidade democrática. Se o conflito numa comunidade política não é instituído entre duas facções na elite e entre correntes políticas que se reconhecem como legítimas, ele necessariamente tomará forma, por assim dizer, entre as elites e o povo” (p. 254).

Estamos polarizados, devemos continuar polarizados até que essa palhaçada acabe. Por isso mesmo, essa pauta que os petistas pariram deve interessar só a eles e aos limpinhos. Quanto ao resto do povo, que falemos de fertilizante, de aborto, de direitos dos manos, de ativismo judicial. E o que mais der na telha.
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/bruna-frascolla/que-os-petistas-vao-a-pauta-que-pariram/


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VENDAS EXIGE PERSUASÃO

 

Robert Cialdini – RdStation

Saiba o que você pode aprender com a leitura do livro As Armas da Persuasão, de Robert Cialdini, e como aplicar essas práticas na sua rotina profissional.

“Faça um cliente, não uma venda”, já dizia a empresária Katherine Barchetti. Mas como fazer um cliente? Como conseguir o tão almejado “sim” pela equipe de vendas em suas negociações?

Para que possamos responder a essas perguntas, primeiramente precisamos entender os motivos pelos quais um possível cliente diz “sim” a uma oportunidade de negócio.

Para isso, vamos nos basear em um estudo do psicólogo Robert Cialdini em seu livro As Armas da Persuasão – Como Influenciar e Não Se Deixar Influenciar. Neste livro, o autor menciona que uma pessoa é mais propensa a dizer “sim” quando se identifica com a outra, ao se tornar simpático com ela.

E como isso acontece? Cialdini aborda seis argumentos, que ele chama de “Armas da Persuasão”:

Reciprocidade;

Compromisso e coerência;

Aprovação social;

Afeição;

Autoridade;

Escassez.

A seguir, entenda como essas “armas” podem te ajudar no convencimento de clientes durante o processo comercial!

Armas da persuasão: gatilhos mentais e o processo de tomada de decisão

Os argumentos citados por Cialdini em seu livro funcionam como gatilhos mentais que, quando disparados, se conectam rapidamente com uma parte específica do cérebro.

Esses gatilhos podem ser acionados por meio de atitudes e palavras que “tocam” psicologicamente a mente humana e se instalam nela, convencendo-a, muitas vezes, a tomar uma decisão.

Para entender como funciona cada parte do cérebro, é necessário conhecê-lo um pouco mais. Além do lado direito e do esquerdo, o cérebro humano é dividido basicamente em três partes ou níveis:

Cérebro primitivo ou reptiliano: é a área mais primitiva e interna do seu cérebro. Controla seus reflexos, respiração, batimento cardíaco e digestão e está ligado essencialmente aos instintos mais básicos de sobrevivência e autopreservação. É ativado por sensações mais primitivas, como dor, medo, prazer, perigo, sexo, fome e raiva;

Cérebro intermediário ou límbico: é responsável por emoções mais complexas, parte da memória e do aprendizado. Ele é ativado por símbolos, lembranças e sensações táteis, auditivas, gustativas, olfativas e visuais;

Neocórtex: é o responsável pelas decisões mais racionais, frias e calculistas. Ele controla o seu comportamento social e o raciocínio lógico.

A comunicação de um gatilho mental vai primeiro para o sistema límbico do cérebro da pessoa, que é a parte emocional, onde provoca uma reação. Em seguida, a pessoa busca razões para tomar ou ter tomado aquela atitude, ou seja, ela racionaliza a informação que chegou para ela. Esse processo acontece no neocórtex, onde se localiza a parte racional.

O economista Daniel Kahneman, autor de “Rápido e Devagar: duas formas de pensar” também fala sobre esse processo de tomada de decisão, invocando a divisão do nosso cérebro em dois sistemas: 1 e 2. O sistema 1 é o que age rapidamente, com pouco ou nenhum esforço; já o sistema 2 requer concentração e racionalidade para operar. 

Nesse sentido, é possível pensar sobre as decisões de compra tomadas por impulso. Um gatilho é disparado no nosso cérebro e, antes que possamos racionalizar (porque isso demanda parar, pensar e gastar um pouco de energia e tempo), já compramos. Esse gatilho pode ser uma promoção, uma novidade, a pressa para garantir uma condição especial, um brinde… Algo que nos pareça tão atrativo e familiar, que não será necessário pensar muito antes de decidir. 

Você pode estar se perguntando: mas é possível utilizar essas armas para persuadir pessoas e conseguir um “sim” de forma ética?

Um ponto importante para trazer aqui é que não estamos incentivando a promoção da compra por impulso. Na verdade, em vendas mais complexas, um cliente que compra por impulso é o que menos queremos: ele tem mais chances de se arrepender e pedir um cancelamento/devolução, ou pode demandar muito mais de atendimento e suporte para ficar plenamente satisfeito com a compra.

Levar essa inteligência para a equipe de vendas, portanto, é uma forma de melhorar as táticas de persuasão e convencimento de clientes que realmente precisam do seu produto/serviço, e que podem apresentar objeções por ainda não terem confiança total na sua empresa.

Ser persuasivo não significa ser antiético! Persuadir não é manipular. Persuadir é provar, com argumentos, que uma ideia pode ser interessante, apresentando-a de modo a fazer sentido para a pessoa.

Persuasão e convencimento em vendas

Podemos concordar que já passou o tempo de vendedores que buscavam apenas a venda pela venda. Abordagens sem estratégia, com insistência, posturas invasivas e práticas como a compra de listas de contatos e telemarketing caíram por terra nos últimos anos.

E o motivo é bem simples de entender: como consumidores, estamos mais informados, dispostos a debater e questionar. Temos acesso a dados, concorrentes, comparativos técnicos, reviews feitas por especialistas… O vendedor já não é a única parte da negociação com poder de barganha.

Nesse contexto, o uso da persuasão passa a ser ainda mais necessário. Afinal, o trabalho de convencimento agora vai além de apresentar funcionalidades ou um bom preço.

Como mencionamos, Robert Cialdini aborda seis argumentos por ele denominados como “armas da persuasão”. Abaixo, explicaremos melhor sobre cada uma e como elas influenciam um processo de venda.

1. Reciprocidade

Esse gatilho atua com a troca social e consciente. Alguns estudos demonstram que quase todo mundo se sente pressionado socialmente a devolver um favor ou uma gentileza. Nos estudos, fala-se que o poder da gratidão a favores não solicitados é mais forte, até mesmo do que o da simpatia.

Como usar o argumento da reciprocidade em vendas

Se o vendedor ofereceu um benefício com o intuito de ajudar verdadeiramente o seu cliente, este se sente na “obrigação” de retribuir o favor. O que pesa aqui é a gentileza!

Esse cliente sente a necessidade de retribuir e, com isso, pode ficar mais aberto e receptivo para a solução que o vendedor está oferecendo. Alguns exemplos do que oferecer são cursos, encontros com especialistas da empresa em uma área que o cliente necessita melhorar e materiais educativos em geral. A ideia é proporcionar um ganho extra de valor ao cliente, além da contratação da sua empresa.

2. Compromisso e coerência

Ao comprometer-se publicamente com algo, a pessoa se sente pressionada psicologicamente para se comportar de modo coerente com a missão que foi assumida.

Em “As Armas da Persuasão”, Robert Cialdini dá um exemplo sobre um restaurante que enfrentava problemas com reservas de mesas. Cerca de 30% das reservas não eram utilizadas e não eram canceladas previamente, o que impedia que outros clientes pudessem ocupar as mesas.

A solução do restaurante foi bastante simples. Ao efetuar uma reserva, a atendente sempre perguntava ao cliente: “você poderia me ligar caso precise mudar a data, horário ou desmarcar essa reserva?”, e aguardava ouvir o “sim” do cliente. Com essa prática, as desistências sem aviso prévio caíram para menos de 10%.

A explicação é que os clientes se comprometiam com o restaurante na ligação com a atendente, e se sentiam compelidos a manter esse compromisso firmado. A grande sacada aqui é esperar o “sim” do cliente. A atendente poderia dizer apenas que “qualquer alteração deve ser comunicada com antecedência” e desligar o telefone, mas aí não haveria o estabelecimento do compromisso.

Como usar o argumento do compromisso e coerência em vendas

Uma sugestão é sempre iniciar a abordagem com perguntas que podem ser respondidas com um “sim”, para já estabelecer um clima positivo na conversa. Lembre-se de sempre fazer perguntas, e não tantas afirmações, para que o cliente possa estabelecer o compromisso.

3. Aprovação social

“Como 95% das pessoas são imitadoras e apenas 5% são iniciadoras, elas são convencidas mais pelas ações dos outros do que por qualquer prova que possamos oferecer” – Cavett Robert.

Sylvan Goldman foi o inventor do carrinho de compras em mercados e supermercados. Contudo, percebeu que seu invento não funcionou muito bem no início, pois nenhum dos clientes pareceu aprovar a ideia. Ele tentou diversas formas de fazer com que os clientes utilizassem o carrinho, mas nada funcionava.

Após diversas tentativas mal-sucedidas, Goldman teve uma ideia interessante e inusitada: contratar várias pessoas para andarem com os carrinhos pelos mercados. Dessa forma, alguns clientes viam a cena e imitavam. Atualmente, ir ao mercado e pegar um carrinho é quase uma ação automática.

Tudo isso porque as pessoas são persuadidas a agirem de acordo com o coletivo – o que a maioria faz, de certa forma, nos influencia. As pessoas tendem a buscar uma aprovação social, ou seja, a fazer algo que as outras pessoas também fariam com receio de serem discriminadas.

Como usar o argumento da aprovação social em vendas

Na área comercial, a aprovação social poderia ser utilizada da seguinte forma pela equipe de vendas:

Mostrar ao cliente os casos de sucesso de outras empresas que contrataram o mesmo tipo de serviço;

Trazer o número de clientes da carteira do vendedor;

Mostrar o número total de clientes da empresa;

Durante a negociação, comentar sobre o sucesso de seus clientes em projetos similares;

Utilizar a técnica: “sente, sentiram, se deram conta”. Por exemplo: “eu sei como se SENTE, muitos dos meus clientes já se SENTIRAM assim, até que SE DERAM CONTA que era, de fato, necessário utilizar essa ferramenta para crescer.”

Essas estratégias fazem com que o cliente pense que não é o único que teve receio, que isso é normal, mas que outros viram que o melhor a fazer era investir no produto. Estar em conjunto traz conforto e segurança.

4. Afeição

Socialmente, uma pessoa está mais disposta a se comunicar e relacionar com outra quando existe afeição.

Alguma vez você já comprou algo simplesmente porque a vendedora era tão legal e simpática, que você acabou comprando por causa dela? E, ao chegar em casa e ver o produto adquirido, percebeu que não precisava tanto assim dele?

A profissional soube criar afeição. Te acolheu, aumentou seu interesse no produto, tirou suas dúvidas e te convenceu. E existem diversas técnicas para isso. Uma forma de criar afeição é utilizar a técnica de espelhamento, que acontece quando imitamos, de forma sutil e natural, o comportamento do outro.

No exemplo acima, é provável que a vendedora tenha utilizado essa técnica. Pode ter observado alguma particularidade do cliente, como o nome, as preferências de modelos ou cores do produto, tom da voz, agitação e entusiasmo, e espelhado essas posturas. Dessa forma, o cliente se sentiu à vontade, pois estava conversando com uma pessoa muito parecida consigo.

Quando a afeição é gerada de forma orgânica, seu efeito é muito positivo. Contudo, quando ela é gerada artificialmente, de forma teatral, a outra pessoa consegue perceber, causando o efeito contrário.

Como usar o argumento da afeição em vendas

Nas vendas, pode-se utilizar a afeição de diversas formas, tendo em vista como o cérebro funciona e que é necessário acionar os gatilhos mentais certos com quem se deseja negociar, de forma a alcançá-lo de forma natural e harmônica.

Com isso, basta aplicar o comportamento correto e o pensamento positivo. O vendedor pode iniciar a conversa criando um rapport com alguma informação que seja do seu conhecimento, como observar algo positivo na empresa do cliente e comentar.

É preciso ter cuidado com os tópicos escolhidos! Alguns temas podem ser bastante sensíveis, como política e times de futebol, ou invasivos, como perguntar sobre família e filhos.

Caso a afeição funcione, ao longo da negociação será perceptível que vendedor e cliente têm pontos em comum e estarão cada vez mais confortáveis um com o outro. Em vendas de ticket médio mais alto, complexas ou de processo mais longo, essa intimidade é um ganho muito importante!

5. Autoridade

Os gatilhos de autoridade são os mais conhecidos hoje em dia. Fazemos uso deles o tempo todo, às vezes sem sequer perceber.

Quando penduramos certificados e diplomas na parede, estamos exibindo orgulhosamente nossas conquistas, mas também mostrando aos nossos visitantes o quanto somos capacitados. Virtualmente, fazemos o mesmo em nossos perfis em redes sociais, especialmente no LinkedIn.

Outros métodos também ajudam a transmitir autoridade. Advogados utilizam roupas sociais, com bons cortes e tecidos, para passar essa ideia de profissionalismo e seriedade. Médicos e outros profissionais de saúde vestem jalecos com seus nomes e especialidades bordadas, às vezes até com o nome da instituição onde se formaram.

A própria postura e a entonação da voz podem transmitir autoridade, bem como demonstrar experiência e resultados ao longo da conversa. Tudo isso é fundamental para que o cliente desenvolva confiança e segurança na negociação.

Como usar o argumento da autoridade em vendas

Um representante de vendas pode utilizar esta técnica por meio da oratória, tendo uma comunicação assertiva e objetiva, sabendo se comportar de acordo com a situação, não alterando seu tom de voz de modo agressivo, mantendo a postura.

É importante dar atenção para a vestimenta. Hoje é possível ser menos formal, mas é necessário estar sempre adequado ao ambiente do encontro presencial. A primeira impressão sobre o visual ainda é muito marcante.

Também é importante deixar visível ao cliente toda a sua bagagem profissional e educacional. Dessa forma, irá gerar autoridade e o cliente passará a confiar mais em suas palavras e a tê-lo como referência em um assunto específico. Neste momento é importante deixar claras as soluções e benefícios do produto.

Contudo, é preciso ter cuidado com a pretensão. Não se trata de dar “carteiradas” ou simples exibicionismo ou teatro. Não existe afeição por pessoas consideradas arrogantes!

6. Escassez

O sentimento da perda é mais forte do que o sentimento do ganho. Um gatilho mental é rapidamente acionado quando estamos em posição de perder algo: nosso cérebro reage de forma emocional e tenta evitar essa sensação.

Isso acontece, por exemplo, quando estamos em uma loja e o vendedor comenta que a blusa que estamos experimentando é a última. Nesse momento, esse gatilho mental foi acionado e você, então, não sabe ao certo o que fazer: se leva a blusa, mesmo sabendo que pode não ficar tão bem em você, afinal é a última blusa; ou se não a leva e busca outras peças.

Isso também acontece quando nos apresentam duas opções de um mesmo produto. Sempre existe uma terceira opção, de não comprar nenhum dos dois, mas ela raramente aparece na nossa mente.

Nosso cérebro também entra em modo de competição quando acontece o gatilho da escassez. Basta observar as liquidações de Black Friday, saldões em lojas de departamento e até mesmo filas de ingressos para festivais e shows concorridos.

As oportunidades aparentam ter um maior peso quando menos disponíveis ou escassas, o que é uma excelente forma de acelerar o processo de decisão em vendas.

Como usar o argumento da escassez em vendas

Nas vendas, pode-se utilizar essa arma da persuasão das seguintes formas:

Falando de um benefício de seu produto ou serviço que seja único, exclusivo ou por tempo limitado;

Agregando valor ao cliente de forma a conseguir alguma vantagem competitiva a ele e de forma limitada;

Enviando ações de marketing que informem ao cliente que você liberou um teste em sua ferramenta de forma gratuita, somente para os 10 primeiros que baixarem um conteúdo específico, dizendo que faltam apenas duas pessoas.

Dizendo que faltam poucos minutos para terminar o tempo para baixar um material específico ou se inscrever em um curso.

Dessas maneiras, o gatilho mental da escassez será acionado e a pessoa lutará para não perder essa oportunidade. Nesse momento, torna-se mais simples apresentar os seus benefícios e soluções, pois a pessoa estará mais disposta a interagir com você e seus produtos.

Importante: não finja escassez. A pior experiência possível é achar que adquiriu algo exclusivo e se dar conta de que não era tão exclusivo assim. Mantenha o compromisso!

Conclusão

O livro As Armas da Persuasão nos ensina que, antes de racionalmente dizer o sim, um cliente precisa ser acionado emocionalmente. Ou seja, a sua decisão de compra acontece, antes de tudo, no nível emocional. 

Por isso, um bom vendedor precisa entender como e quando lançar mão de artifícios para guiar esse processo emocional, criando momentos de empatia, conexão e confiança. Será nesses momentos em que o tão sonhado “sim” chegará!

                   O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?                  

Moysés Peruhype Carlech

Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”, sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de resto todas as lojas desse Camelódromo na no Site da nossa Plataforma Comercial da Startup Valeon.

Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?

Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a sua localização aí no Camelódromo? Quais os produtos que você comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu WhatsApp?

Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para ficarem passeando pelo Camelódromo, vendo loja por loja e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.

A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar pelos corredores dos camelódromos e shoppings centers, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e eficiente.  Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e aumentar o engajamento dos seus clientes.

Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer.” – Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o próximo nível de transformação.

O que funcionava antes não necessariamente funcionará no futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo aquilo que é ineficiente.

Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde queremos estar.

Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que você já sabe.

Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na internet.

Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar você para o próximo nível.

Aproveite o final do ano para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.

Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

segunda-feira, 11 de julho de 2022

NOVA CONSTIUIÇÃO CHILENA DITA PROGRESSISTA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


O presidente do Chile, Gabriel Boric (ao centro), recebe o texto da nova Constituição das mãos da presidente da Assembleia Constituinte, María Elisa Quinteros, e do vice-presidente da assembleia, Gaspar Domínguez, na sessão de 4 de julho de 2022.| Foto: Alberto Valdés/EFE


Na última segunda-feira, a Assembleia Constituinte chilena entregou ao presidente Gabriel Boric o texto do que deve ser a nova Constituição do país, caso ela seja aprovada em um referendo marcado para 4 de setembro. Como já era possível antever graças à composição da assembleia eleita em maio de 2021, dominada majoritariamente pela esquerda e que ganhou impulso com a vitória de Boric na eleição presidencial de dezembro de 2021, o novo texto não prima pela busca de reconciliação e criação de pontes em um país dividido; em vez disso, tenta avançar ao máximo as pautas ditas “progressistas” – e, com isso, pode ter semeado o próprio fracasso.

Que o Chile buscasse uma nova Constituição em vez de seguir remendando eternamente a carta do período ditatorial de Augusto Pinochet era algo natural; esta é uma etapa pela qual inúmeros países (incluindo o Brasil) passaram ao trocar regimes autoritários pela democracia. O Chile, no entanto, não apenas demorou demais para dar esse passo – a ditadura terminou em 1990 –, como resolveu fazê-lo em um momento politicamente conturbado, com protestos violentos nas principais cidades do país em 2019. A abstenção em um país onde o voto é facultativo teve papel importante: apenas 51% dos eleitores votaram no plebiscito em que 78% dos votos foram favoráveis à nova Constituição; e apenas 41,5% dos eleitores participaram da escolha dos constituintes. Os apoiadores da esquerda não deixaram de ir às urnas e deram a seus escolhidos a maioria absoluta da assembleia, deixando a direita e centro-direita com menos de um terço das cadeiras, incapazes de bloquear propostas mais radicais.

Em vez de aprimorar o modelo liberal para levar prosperidade aos mais pobres, e com isso contemplar a parte do país que rejeita mudanças mais radicais, os constituintes de esquerda resolveram reinventar a roda a seu bel-prazer

E, com o caminho livre, os ditos “progressistas” trouxeram à luz uma Constituição “abrasileirada” e que estica a corda para o lado oposto ao do autoritarismo pinochetista. O texto é extenso, com 372 artigos, e garante uma espécie de “direito a tudo”: trabalho, moradia, alimentação, cidade, esporte, lazer, “remuneração equitativa, justa e suficiente” e “gozo pleno e livre da sexualidade”. No entanto, os constituintes não explicaram muito bem como tantos direitos serão viabilizados pelo Estado chileno, permitindo concluir que, no fim, o Chile imitará o Brasil não apenas no papel, mas também na prática: um país onde a lei garante inúmeros direitos, mas o Estado não é capaz de proporcionar seu exercício pleno.

Os constituintes também inverteram completamente a lógica econômica herdada do pinochetismo, em que o Estado praticamente se ausentava de serviços importantes, deixando tudo a cargo da iniciativa privada, sem nem mesmo exercer um desejado papel subsidiário. De acordo com a nova Constituinte, previdência, saúde e educação passam a ser obrigação do Estado, com as redes públicas assumindo o protagonismo e deixando a iniciativa privada com atuação mais complementar – ou seja, saltando de um extremo a outro sem considerar o saudável meio-termo que o princípio da subsidiariedade oferece.

Por fim, mas não menos importante, a esquerda também cristalizou na Constituição várias pautas identitárias e morais. A carta garante o direito ao aborto – que terá de ser regulamentado por lei posterior – e à eutanásia, além do “pleno reconhecimento da identidade” das pessoas “em todas as suas dimensões e manifestações, incluindo as características sexuais, identidades e expressões de gênero, nome e orientações sexoafetivas”, acrescentando que “o Estado garantirá o pleno exercício deste direito por meio de ações afirmativas”.


A esquerda, ao olhar apenas para a composição da assembleia constituinte e para a vitória de Boric, resolveu ignorar que a direita teve expressivos 44% dos votos no segundo turno do pleito presidencial, mostrando um país dividido, e desprezou os méritos do liberalismo aplicado até agora, que trouxe bons resultados econômicos e fez do Chile um líder em desenvolvimento na América do Sul. Em vez de aprimorar este modelo para levar essa prosperidade aos mais pobres, e com isso contemplar a parte do país que rejeita mudanças mais radicais, os constituintes resolveram reinventar a roda a seu bel-prazer.

Não surpreende, portanto, que as pesquisas para o referendo de 4 de setembro – em que o voto, desta vez, será obrigatório – estejam registrando uma virada: até março, ainda indicavam a aprovação do texto, mas desde então vêm apontando para a rejeição à nova carta, embora as margens sejam bastante diversas em cada sondagem. A esperança da esquerda já não repousa tanto no mérito que eles enxergam no texto que redigiram, mas no que ela está chamando de “aprovar para reformar”, admitindo (ou fingindo admitir) que no futuro o texto precisará ser alterado. Quem também joga a favor do novo texto é o cansaço do cidadão chileno, já que a rejeição no referendo significará que a Constituição pinochetista seguirá vigorando, mas todo o processo de redação de uma nova carta precisará ser retomado do início, esticando a sensação de instabilidade que já vigora desde 2019.


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MUITAS PROMESSAS DE BENEFÍCIOS SOCIAIS E TAMBÉM MUITA NOSTALGIA

 

Estratégia Eleitoral
Por
Wesley Oliveira
Brasília


Pré-candidatos a presidente Lula (PT) e Bolsonaro (PL) definem estratégias de campanha, com foco na economia| Foto: CHRISTOPHE PETIT TESSON/EFE; Joédson Alves/EFE

Faltando cerca de um mês para o início da campanha eleitoral deste ano, os articuladores dos principais nomes da disputa presidencial deste ano já traçam narrativas que pretendem emplacar ao longo da disputa. Até o momento, pautas da agenda econômica dão o tom dos discursos do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De olho no cenário econômico, o núcleo de campanha do presidente Bolsonaro aposta na aprovação da PEC dos benefícios sociais para ampliar a popularidade do governo. Levantamento do instituto Quaest desta quarta-feira (6), mostrou que 44% eleitores acreditam que o principal problema do Brasil neste momento é a economia.

Na avaliação do entorno de Bolsonaro, se o governo for bem-sucedido na concessão do reajuste do Auxílio Brasil e do vale-gás e na criação do “voucher caminhoneiro”, o presidente deve chegar com mais musculatura para o segundo turno. Nos cálculos, a medida terá impacto, principalmente, sobre o eleitorado do Nordeste, considerado um dos principais redutos do PT.

Para o analista André César, da Hold Assessoria Política, a campanha de Bolsonaro está se movimentando para dar mais destaque à agenda econômica. Na avaliação dele, a pauta de costumes e a agenda anticorrupção não serão tão priorizadas como na disputa de 2018.

“O tema economia volta a ser preponderante. Isso explica a pressão que o governo está fazendo pra aprovar a PEC Kamikaze [PEC dos Benefícios]. No cálculo do governo e dos aliados, essa aprovação vai ter um peso no eleitorado. Esse é um ponto diferencial de 2018, onde Bolsonaro conseguiu emplacar a narrativa do combate à corrupção”, explica César.

Ainda de acordo com o analista, a campanha de Bolsonaro também precisa explorar a falta de planos do PT. “Campanha é isso. Bolsonaro precisa mostrar que o adversário, que no caso é o Lula, não tem proposta. O plano de econômico do PT é uma incógnita. A campanha deveria emplacar a narrativa de que a volta do Lula não seria uma solução, mas sim [que a solução seria] a continuidade do atual governo por mais quatro anos”, completa.

Campanha de Lula investe na “nostalgia” para tentar emplacar narrativa  
A campanha do PT também vai investir nos discursos da recuperação econômica para se contrapor ao governo Bolsonaro. No entorno de Lula, a avaliação é de que o ex-presidente deve focar seus discursos para os mais pobres e na promessa de recuperação de renda lembrando números dos governos petistas.

Entre as estratégias para recuperar o eleitorado pela “memória”, a campanha de Lula regravou o jingle “sem medo de ser feliz” da campanha de 1989. O slogan “Lula lá”, criado pelo marqueteiro Paulo de Tarso, vem sendo utilizado pelos petistas no intuito de emplacar o discurso de que a campanha deste ano será de “retomada” após o governo Bolsonaro.

“Parece que agora a campanha do Lula encontrou a invocadora, que é o termo técnico que chamamos na campanha de ‘fez e fará’. A lógica da campanha do Lula é: eu já fiz, você me conhece, vou fazer de novo. Ele vem fazendo esse apelo emocional no intuito de construir unidade. Não tem como o PT fazer essa campanha sem um apelo emocional”, destaca Paulo de Tarso.

Ainda de acordo com o ex-marqueteiro do PT, essa estratégia traz uma carga emocional que pode reverberar em votos. “Isso traz uma carga de emocional que o PT teve junto aos eleitores. Ele é um ativo que emocional. Em 1989 nós conseguimos uma mobilização de emoção e vejo que eles estão tentando resgatar agora”, completou o marqueteiro.

Ciro e Tebet enfrentam dificuldades para emplacar narrativa junto ao eleitorado

Na contramão de Lula e de Bolsonaro, as campanhas do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e da senadora Simone Tebet (MDB) ainda enfrentam dificuldades para dialogarem com o eleitorado. Na avaliação de Paulo de Tarso, as duas candidaturas não conseguiram emplacar uma narrativa contra a polarização eleitoral.

“A minha avaliação é de que a terceira via é uma invenção política sem demanda popular. Existe uma parcela da sociedade que se opõe aos dois principais candidatos, mas no momento atual não existe uma demanda fora do campo da esquerda ou da direita. Eu fiz a campanha da Marina [Silva] em 2014, e lá tivemos 20% dos votos. Hoje eu não vejo essa demanda. Houve todo um processo de exploração da terceira via, mas o eleitorado não comprou essa narrativa”, defende Tarso.

Para o analista André César, as pesquisas sempre mostraram que o eleitor já tinha optado pela polarização entre Bolsonaro e Lula. “As pesquisas sempre apontaram que a terceira via nunca se mostrou uma alternativa viável. Eram muitos candidatos, mais nomes e egos do que propostas. Ela [terceira via] não encantou o eleitor. O eleitorado optou pela polarização e vai escolher Bolsonaro ou Lula”, explica.

Para marqueteiros, rejeição vai definir o segundo turno entre Bolsonaro e Lula

De acordo com a Quaest, o ex-presidente teria 54%, ante 34% do atual presidente em um eventual segundo turno. Nos cálculos dos marqueteiros ouvidos pela Gazeta do Povo, a rejeição, no entanto, deve pautar a agenda entre os dois candidatos.

Ainda de acordo com o levantamento da Quaest, a rejeição ao presidente Bolsonaro chega a 59% dos entrevistados, enquanto 41% rejeitam o ex-presidente Lula. Para André César, o índice de rejeição será determinante para definir o próximo presidente.

“O índice de rejeição sempre é importante. Se o candidato que aquele eleitor votou não for para o segundo turno, ele vai escolher aquele que considera menos pior. Na média geral das pesquisas, os índices de rejeição estão muito próximos. Dada essa escala, se o Bolsonaro crescer nas próximas semanas e se aproximar do Lula, nós teremos um segundo turno resolvido por quem tiver a menor rejeição”, explica o analista.

Na mesma linha, Maurício Moura, fundador do instituto Ideia, avalia que essa eleição é o que ele chama de “batalha de rejeições”. “Tanto a rejeição ao PT quanto ao presidente Bolsonaro. Nesse momento, a rejeição ao governo maior proporciona a liderança do Lula, mas quem chegar com uma rejeição menor em outubro será o vencedor”, diz.

Para o marqueteiro Marcelo Senise, CEO da agência Social Play, todos esses movimentos reforçam que a eleição ainda está aberta. “Isso mostra que gente ainda está com uma eleição completamente indefinida. Essa eleição vai ser muito menos ideológica que anterior, o que pode tornar a coisa mais instável, mas pode abrir um discurso mais interessante para as narrativas das campanhas”, afirma.

Metodologia de pesquisa citada na reportagem 
A pesquisa Quaest, encomendada pelo banco Genial, ouviu 2 mil eleitores entre os dias 29 de junho e 2 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-01763/2022.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2022/beneficios-sociais-x-nostalgia-quais-serao-as-narrativas-da-campanha-de-bolsonaro-e-de-lula/
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CLASSES PRIVILEGIADAS COTIUAM FATURANDO MUITO ACIMA DO PREVISTO NO TETO

 

Por
Lúcio Vaz

Fachada da Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes Unido, em Abu Dhabi


Fachada da Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes Unido, em Abu Dhabi| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A renda mensal dos embaixadores brasileiros no exterior chega aos R$ 150 mil e alcança os R$ 260 mil no mês em que é pago o 13º salário. O embaixador brasileiro no Japão, Eduardo Paes Saboia, por exemplo, teve renda de R$ 145 mil em fevereiro. Em novembro de 2021, mês da gratificação natalina, a renda foi a R$ 262 mil. Mas os supersalários não são pagos apenas nos países do primeiro mundo.

O embaixador em Luanda (Angola), Rafael de Mello Vidal, por exemplo, teve renda mensal de R$ 152 mil em fevereiro (o registro mais recente). Ele recebeu R$ 261 mil em novembro, sendo a maior parte relativa a indenizações – R$ 144 mil. Ele recebeu mais R$ 135 mil de indenizações em dezembro, quando a renta total chegou a R$ 296 mil. No mês de novembro, há aplicação de abate-teto sobre a remuneração básica.

O embaixador em Togo, Nei Futuro Bitencourt, teve renda de R$ 137 mil em fevereiro. Em novembro, recebeu R$ 115 mil em indenizações, R$ 86 mil de gratificação natalina e R$ 89 mil de remuneração básica. Com um abate-teto de R$ 39 mil, a renda total chegou a R$ 241 mil.


Baku, Ierevan, Burkina Faso
Embaixador em Baku, no Azerbaijão, Adalberto Montenegro Lopes da Cruz teve renda de R$ 127 mil em fevereiro. Em novembro, com indenizações de R$ 103 mil e R$ 77 mil de 13º salário, chegou à renda de R$ 220 mil, já descontado o abate-teto de R$ 34 mil.

O embaixador em Ierevan (Armênia), Agemar de Mendonça Santos, teve renda de R$ 115 mil em fevereiro e chegou a R$ 204 mil em novembro, quando recebeu R$ 94 mil em indenizações. Em dezembro do ano passado, Santos teve o seu nome aprovado para a embaixada em Belmopan (Belize), país do Caribe conhecido pelas de praias paradisíacas.

A embaixadora de Burkina Faso, Ellen Osthoff Ferreira de Barros, tem renda mensal de R$ 125 mil e recebeu R$ 219 mil em novembro, principalmente pelos R$ 104 mil pagos em verbas indenizatórias. Rubem Corrêa Barbosa é embaixador em Astana, no Cazaquistão, com renda mensal de R$ 120 mil. Os R$ 102 mil pagos em indenizações em novembro elevaram a sua renda total para R$ 212 mil.

O embaixador do Brasil no Reino Unido, Fred Arruda, tem renda mensal de R$ 120 mil e recebeu R$ 223 mil em novembro, quando levou R$ 122 mil em indenizações. A renda mensal do embaixador na França, Luís Fernando de Andrade Serra, é de R$ 132 mil. Em novembro, chegou a R$ 244 mil, graças aos R$ 140 mil em indenizações.

O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, não tem renda tão elevada. Ele recebeu R$ 102 mil em fevereiro e R$ 194 mil em novembro do ano passado. O mesmo ocorre na embaixada nos Emirados Árabes, em Abu Dhabi. O embaixador brasileiro Fernando Lemos Igreja recebeu R$ 112 mil em fevereiro e R$ 201 mil em novembro. (Veja tabela abaixo com a renda por embaixada)

A mais significativa das verbas indenizatórias é a indenização de representação no exterior (Irex), calculada em razão da natureza da missão, da hierarquia funcional, do cargo exercido, do custo de vida local e das condições peculiares de vida da sede no exterior . Os direitos dos diplomatas em exercício no exterior são os mesmos assegurados aos militares que cumprem missão no exterior.

O auxílio-familiar é pago mensalmente para atender às despesas de educação e assistência, no exterior, a seus dependentes. São considerados dependentes a esposa, menor de 21 anos ou estudante menor de 24 anos, mãe viúva sem remuneração, enteados, adotivos, tutelados e curatelados.

A ajuda de custo é paga ao servidor para custeio das despesas de viagem, de mudança e da nova instalação. O transporte é assegurado com o pagamento de passagem aérea para o servidor e seus dependentes. O auxílio-moradia é devido ao servidor em missão permanente ou transitória no exterior, a título de indenização, para custeio de locação de residência, na forma de ressarcimento por despesa comprovada pelo servidor. Há ainda diárias, auxílio funeral, auxílio-moradia, 13º salário e 1/3 de férias.

A aplicação do teto
O Ministério das Relações Exteriores afirmou ao blog que passou a aplicar o limite remuneratório constitucional sobre os vencimentos dos funcionários a serviço no exterior a partir de agosto de 2013, cumprindo decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). O Acórdão 2054/13 determinou que o ministério limitasse a remuneração ao teto constitucional, computando as parcelas referentes à retribuição básica, à gratificação no exterior por tempo de serviço e ao fator de correção cambial incidente sobre essas parcelas.

O Itamaraty acrescentou que, a fim de assegurar segurança jurídica e previsibilidade à retribuição paga aos servidores lotados no exterior, passou a adotar, a partir de dezembro de 2021, o índice de câmbio por paridade do poder de compra publicado pela OCDE como critério para cálculo do limite remuneratório.
A maiores rendas
país fevereiro (R$ mil) novembro (R$ mil)
Japão 145 262
Angola 152 261
França 132 244
Togo 134 241
China 127 230
Reino Unido 121 223
Senegal 130 223
Azerbaijão 127 220
Áustria 120 219
Singapura 130 218
Guiné Equatorial 123 217
Mauritânia 125 214
Arábia Saudita 116 213
Cazaquistão 120 212
Zâmbia 122 211
Benin 122 209
Líbano 114 205
Armênia 115 204
Burkina Faso 125 119
Fonte: Portal da Transparêndia da PR
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BOLSONARO E LULA DEVEM EVITAR RADICALIZAR MAIS A DISPUTA POLÍTICA ENTRE ELES

 

Política

Por
Diogo Schelp


O guarda municipal Marcelo Arruda, assassinado em festa de aniversário que teve Lula como tema| Foto: Reprodução/Redes Sociais

Loucura, fanatismo, brutalidade, intolerância. Muitas palavras podem servir para descrever o ato cometido em Foz de Iguaçu neste sábado (11) pelo policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho. Segundo o boletim de ocorrência, ele invadiu uma festa e disparou com sua arma contra o aniversariante, o guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, que revidou. Arruda morreu. Guaranho foi internado.

Guaranho era bolsonarista. Arruda, petista. A orientação política dos dois é relevante para compreender o crime. Guaranho, segundo os relatos, entrou na festa, que tinha o PT e Lula como tema e para a qual não havia sido convidado (consta que sequer fosse conhecido do aniversariante), gritando “aqui é Bolsonaro!” e fazendo ameaças.

Não é possível fingir que esse tem tudo para ser um episódio isolado de violência política, provocado por um louco, fanático, bruto ou intolerante. Não será um episódio isolado se os principais candidatos à Presidência na campanha eleitoral deste ano — Lula e Bolsonaro, portanto — não colocarem a mão na consciência e resolverem, daqui para frente, moderar o discurso.

O tom do discurso dos candidatos tem, sim, influência sobre os ânimos e a disposição à violência de seus apoiadores.

Episódios trágicos como o de Foz de Iguaçu podem ocorrer mesmo sem falas acirradas dos candidatos, é claro. Mas tornam-se mais prováveis se o tom for semelhante ao de um chamado para a guerra, de um tudo ou nada, de ódio ao adversário, de relativização das agressões mútuas.

Lula, por exemplo, precisa evitar declarações como a de sexta-feira (8), quando fez um agradecimento a um ex-vereador do PT que em 2018 foi preso por empurrar um manifestante antipetista, fazendo com que ele batesse a cabeça contra o para-choque de um caminhão, sofrendo traumatismo craniano. A agressão ocorreu em frente ao Instituto Lula, em São Paulo.

Lula disse que o ex-vereador, conhecido como Maninho do PT, foi preso por defendê-lo, para “não permitir que um cara ficasse me xingando na porta do Instituto”. Trata-se do tipo de declaração que legitima atos de violência política.

Bolsonaro, por sua vez, vem adotando cada vez mais um discurso de incitação ao uso da força como meio para resolver disputas políticas. Obviamente, não se trata de dizer explicitamente que os apoiadores ataquem petistas na rua, mas de fazer constantes menções a um possível cenário de guerra civil caso as eleições não sejam “limpas” (ou seja, implicitamente, se o resultado das urnas não for o que ele espera), de exortar seus apoiadores a se armar (não como uma medida complementar de segurança pública, mas como garantia de “liberdade”) e de incentivar a intolerância política ao descrever a campanha eleitoral como uma “guerra do bem contra o mal”.

A retórica de Bolsonaro é propositalmente vaga quando usa tais expressões bélicas, mas, para bons entendedores entre os apoiadores, é o que basta.

Sem uma moderação no discurso dos candidatos, a campanha de 2022 pode se tornar a mais violenta desde a redemocratização. Potencialmente violenta tanto para os eleitores, como para os próprios candidatos.

Não podemos nos esquecer que Bolsonaro já foi vítima de um atentado a faca, do qual saiu vivo por muito pouco, durante a campanha de 2018.

E que, no mesmo ano, em março, uma caravana de ônibus em que viajava Lula foi atacada a tiros. Por sorte, neste caso, ninguém se feriu.

Que os episódios do passado não sirvam de justificativa para uma campanha ainda mais violenta este ano.

É preciso que os candidatos parem de lavar as mãos para a brutalidade que é cometida em nome deles e condenem essa forma de resolver disputas políticas. A responsabilidade para evitar uma campanha violenta também é deles.


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