Infelizmente o assunto hoje é ódio. É radicalismo ideológico, político.
Na sexta-feira, mataram o ex-primeiro-ministro do Japão, um homem
muito querido lá. Aliás, no domingo o partido dele ganhou a eleição. Ele
foi morto por um sujeito que construiu a arma em casa, porque lá é
proibido vender armas.
No dia seguinte, o ex-presidente Lula agradeceu a um vereador que
cumpriu pena de sete meses por ter empurrado um empresário adversário
contra um caminhão e ele foi ferido gravemente na cabeça.
Um dia depois, numa associação que era ser recreativa e esportiva do
pessoal da segurança de Itaipu, dois policiais se confrontam por motivos
políticos. Um deles fez lá na associação sua festa de 50 anos e cobriu o
cenário da festa com propaganda para Lula. O outro chegou lá, um agente
penal federal, viu aquilo, se irritou, bateram boca e acabaram trocando
tiros. O guarda municipal, aniversariante, morreu e o outro está na
UTI.
Além das cenas chocantes do tiroteio – que é uma explosão de ira, de
raiva -, a cena que se seguiu é uma cena de brutalidade, de horror, mas
pensada. A gente vê nas imagens. O policial penal, que agora está na
UTI, estava no chão e vem um sujeito de bermuda e chuta a cabeça dele
várias vezes. Aí vai até o outro, constata que ele está baleado, e volta
acompanhado de dois, que ficam chutando o corpo deste homem. Ele está
na UTI, talvez pelos tiros que recebeu, mas talvez também pelos chutes.
Um horror. E tudo isso é consequência desta ideologia que vende o ódio.
Na própria sexta-feira, o presidente Bolsonaro estava na formatura da
Academia da Força Aérea, em Pirassununga, quando disse “corneteiro
prossiga” e o corneteiro deu sentido e um toque de silêncio, que é um
toque emocionante. A gente via o rosto de Bolsonaro com lágrimas saindo
dos olhos, engolindo em seco, certamente ele estava lembrando da
tentativa de matá-lo no 6 de setembro de 2018 pelo Adélio. Teve outro
“Adélio” lá no Japão que foi bem sucedido. E esse caso do Adélio até
hoje não foi ainda esclarecido. Só não matou porque estava perto da
Santa Casa de Juiz de Fora – se estivesse em um local sem socorro, a
história seria outra.
Fica aqui um registro das violências que a gente teme, e a gente até
de certa forma até prevê pelo jeito que as coisas estão aqui no Brasil.
As fontes de ódio.
Transparência Está marcada para esta semana, para quinta-feira,
uma conversa no Senado sobre transparência da apuração exigida pelo
artigo 37 da Constituição. A presença do presidente do TSE, ministro
Fachin, ainda não está confirmada porque ele estava em Washington. O
ministro da Defesa, general Paulo Sérgio, já confirmou. O relator da PEC
que estava aprovando o comprovante de voto e depois derrubou, o
deputado Filipe Barros, e o chefe da Polícia Federal Márcio Oliveira
também estão convidados.
Tomara que o ministro Fachin participe, porque eu soube que os dois
ministros do STF convidados para falar na semana passada sobre ativismo
judicial e independência de poderes, Barroso e Moraes, nem responderam
ao convite. O senador Espiridião Amin se irritou com isso. Disse que
quando precisaram dos senadores para serem aprovados como ministros eles
iam lá com frequência. Mas agora dão as costas para aqueles que os
conduziram ao Supremo.
A resposta efetiva para as dificuldades que alcançam os mercados globais de energia e agroalimentar é a cessação da guerra.
Josep Borrell, O Estado de S.Paulo
São úteis sanções contra a Rússia? Sim, elas já estão golpeando
duramente Vladimir Putin e seus cúmplices e seus efeitos sobre a
economia russa tendem a crescer ao longo do tempo.
Desde que a Rússia violou deliberadamente o direito internacional ao
invadir a Ucrânia, a União Europeia impôs seis pacotes de sanções contra
Moscou. Nossas medidas restritivas atingem cerca de 1.200 indivíduos e
98 entidades na Rússia, bem como um significativo número de setores
econômicos russos. Tais sanções foram adotadas em coordenação com os
membros do G7 e sua efetividade tem sido ampliada pelo fato de cerca de
outros 40 países (incluindo países tradicionalmente neutros) terem-nas
implementado ou adotado medidas similares.
Até o fim de 2022, teremos reduzido em 90% nossas importações de
petróleo da Rússia e contraído drasticamente nossas importações de gás.
Tais decisões estão gradualmente liberando-nos de uma dependência que
por longo tempo inibiu nossas escolhas políticas diante da agressividade
de Vladimir Putin.
Alguns podem questionar se tais sanções têm impacto real sobre a economia russa. A resposta simples é sim.
Embora a Rússia exporte muitas matérias-primas, ela encontra-se
obrigada a importar manufaturas de alto valor agregado que não fabrica.
No segmento de alta tecnologia, ela depende em 45% de fornecimentos da
União Europeia e 21% dos Estados Unidos, comparativamente a apenas 11%
da China.
A indústria petrolífera está sendo afetada não apenas pela partida de
operadores estrangeiros, mas também pela dificuldade de acesso a
tecnologias avançadas, como perfuração horizontal. A capacidade da
indústria russa de manter o fluxo de petróleo dos poços deverá ser
bastante limitada. Finalmente, para assegurar a manutenção do tráfego
aéreo, a Rússia terá de retirar a maior parte de suas aeronaves de
circulação para prover peças de reposição necessárias para permitir a
utilização da frota restante. Acrescentem-se a isso o bloqueio ao acesso
a mercados financeiros, a desconexão das principais redes de pesquisa
globais e a massiva fuga de cérebros.
Relativamente à alternativa oferecida pela China à economia russa,
esta permanece limitada em termos reais, sobretudo quanto a produtos de
alta tecnologia. Até o presente momento, o governo chinês, em razão da
grande dependência do país de suas exportações para países
desenvolvidos, não tem auxiliado a Rússia a contornar as sanções
impostas pelo Ocidente. Ao contrário, as exportações chinesas para a
Rússia têm declinado em escala comparável àquela dos países ocidentais.
Em que medida esses significativos e crescentes impactos conduzirão
Vladimir Putin a modificar seus cálculos estratégicos? Provavelmente,
não no futuro imediato: suas ações não são precipuamente guiadas por
lógica econômica. Contudo, ao forçá-lo a escolher entre manteiga e
canhões, as sanções irão trancá-lo num torniquete a comprimir-se
gradualmente.
Com relação ao impacto das sanções sobre países terceiros,
particularmente na África, bastante dependentes do trigo e de
fertilizantes ucraniano e russo, a responsabilidade por eventual crise
de insegurança alimentar deve recair sobre o agressor: nossas sanções de
nenhuma maneira visam às exportações russas de trigo e fertilizantes,
enquanto as exportações ucranianas de trigo estão retidas pelo bloqueio
do Mar Negro e a destruição de infraestrutura de transporte pela
agressão russa. Caso emerjam quaisquer impactos dessa natureza
vinculados às nossas sanções, estamos prontos para implementar
mecanismos apropriados para seu enfrentamento e superação. Informei meus
contrapartes africanos dessa determinação e solicitei a eles não se
deixarem enredar pelas inverdades divulgadas pelas autoridades russas
sobre nossas sanções.
A resposta efetiva para as dificuldades que alcançam os mercados
globais de energia e agroalimentar é a cessação da guerra. Tal objetivo
não pode ser concretizado pela aceitação do ditame russo, mas apenas
pela retirada russa da Ucrânia. O respeito pela integridade territorial
de Estados soberanos e o não uso da força não constituem princípios
exclusivos ocidentais ou europeus. Trata-se de elementos basilares do
Direito Internacional que têm sido irreverentemente atropelados pela
Rússia. Aceitar tal violação representa abrir as portas para a lei da
selva em escala global.
Contrariamente ao nosso pensamento quase ingênuo de poucos anos
atrás, a interdependência econômica não implica automaticamente
pacificação das relações internacionais. Essa é razão pela qual a
transição da Europa em potência, que venho conclamando desde o início de
meu mandato, é imperativa. Confrontados com a invasão da Ucrânia,
começamos a nos mover da intenção para a ação, demonstrando que, quando
provocada, a Europa pode reagir. Visto que não pretendemos entrar em
guerra com a Rússia, sanções econômicas constituem o núcleo de nossa
reação. Elas estão começando a produzir efeitos e vamos aplicá-las cada
vez mais nos próximos meses.
ALTO REPRESENTANTE DA UNIÃO PARA OS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E A POLÍTICA DE SEGURANÇA, É VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA
Ricardo Martins, CEO e principal estrategista da TRIWI.
Não é de hoje que falamos sobre a importância do Marketing para as
indústrias, quando pensamos em estratégias para falar de Marketing e
ignorar que a maior parte da população digital está na internet é algo
indispensável.
O Marketing Digital para Indústrias é atualmente umas das principais
fontes das atividades de negócios que influenciam o crescimento e a
receita de várias maneiras, seja no câmbio dos serviços e produtos e
contribuição constante de relacionamento, identificação e difusão das
empresas.
O CEO e principal estrategista da TRIWI Marketing Digital, Ricardo
Martins destaca que é evidente o uso de canais digitais, a internet como
ferramenta para se posicionar digitalmente casado com ferramentas
tradicionais de Marketing é a receita essencial para gerar valor,
posicionar e comunicar.
“O que o Marketing Digital dispõe às empresas é a capacidade de
controlar e democratizar exponencialmente, alinhando de forma
personalizada suas campanhas, orçamentos, e seus objetivos em tempo
real’. Pontua.
Observando o mercado é possível constatar que pouquíssimas empresas
têm um site, que hoje é o cartão de visitas de uma empresa. “Quando me
refiro a site, há uma deficiência real, em questões que muitas empresas
não se atentam, e que são simples de solucionar, como apostar em
indicadores de localização para o potencial cliente me identificar
geograficamente, um telefone ou celular que possa contactar de maneira
fácil e rápida, tudo isso precisa estar fácil dentro do site não apenas
questões como visão e valores que vemos com mais frequência por aí”.
Destaca.
Posicionamento, conexão e comunicação.
Com todo o cenário atual que temos hoje, as pessoas estão cada vez
mais conectadas e mesmo no contexto B2B, é extremamente importante
considerar que empresas vendem para outras empresas para a conexão a
transação se dá de pessoa para pessoa e o direcionamento da comunicação é
construída unicamente com o relacionamento.
Diante dessa premissa, outras constatações nos levam a embasar o
entendimento do Marketing Digital para indústrias, observando o
comportamento de compra das mesmas.
Em levantamento feito pela Forbes, aponta que cerca de 90% dos
executivos usam smartphones no dia a dia, incorporando o uso deles
exclusivamente para execução de tarefas e tomadas de decisões, no
próprio dispositivo móvel.
Na prática isso nos mostra o caminho a seguir, com executivos e
pessoas que têm o poder de decisão, 100% conectados, estar conectado e
bem posicionado é uma oportunidade clara de aparecer, interagir e se
relacionar a partir desses dispositivos.
No mesmo cenário, a mesma pesquisa mostra que cerca de 50% das
consultas no contexto B2B, ou seja de produtos ou serviços, é feita por
dispositivos móveis também. Considerando o que foi pontuado acima,
pensar e construir sites que atendam ao funcionamento pleno também nos
dispositivos é outra tarefa indispensável nos dias atuais.
Marketing Digital para Indústrias – Princípio da Atração
O Marketing Digital Industrial oferece um escopo vibrante para as
indústrias em termos de obtenção de leads mais qualificados e
acionáveis, com alta probabilidade de conversão. As empresas podem optar
por várias estratégias em uma ampla gama de canais, como LinkedIn,
E-Mail Marketing, Pesquisa Orgânica, PPC, Marketing de Conteúdo, etc.
para conquistar clientes influentes de negócios em uma abordagem com
diferentes escalas.
Atualmente, as estratégias de marketing baseadas em anúncios em
diferentes canais e formas de abordagem também são bastante poderosas
para atrair os consumidores certos no momento certo, o que também
resulta em conversões mais rápidas de leads.
Ou seja, podemos ver que o marketing já não se limita mais ao
boca-a-boca ou à extensa abordagem de rede. É possível identificar que
concorrentes, compradores e vendedores buscam com mais critério marcas e
negócios genuínos on-line através de vários modos da esfera digital.
Tráfego Orgânico
SEO e aspectos técnicos
O SEO é um elemento essencial para a classificação dos principais
resultados nos mecanismos de pesquisa. O SEO na página garante que
várias diretrizes e detalhes técnicos sejam seguidos, de acordo com as
recomendações dos mecanismos de pesquisa para aumentar a visibilidade do
site.
Ele inclui metatags, descrições, tags de título, otimização de
conteúdo etc. que podem lhe proporcionar uma grande vantagem sobre seus
concorrentes. É importante que cada página do site seja completamente
otimizada para se obter os resultados desejados.
Conteúdo
O conteúdo é o principal braço do SEO. Um site com ótimo conteúdo,
informativo e compreensível, como o site da Plataforma Comercial da
Startup Valeon, pode fazer com que seu site seja exibido em posição
privilegiada nos principais resultados de pesquisa. Isso também irá
facilitar o entendimento do seu negócio pelos impactados em seu público
alvo.
O Conteúdo bem feito diminui as taxas de rejeição e aumenta as
chances de gerar leads em potencial. Você pode ainda criar um blog em
seu site para obter ainda mais visibilidade do seu negócio nos
mecanismos de busca.
Vídeos, redes sociais, e mais recentemente podcasts formam um
conglomerado de canais que dão base para que o conteúdo chegue em todos
os ambientes possíveis e disponíveis.
Tipos de Conteúdo
Cases – Mostrar de forma aplicada que solução o seu produto ou serviço trouxe para clientes;
Estatísticas – Dados que validam e impulsionam o valor do seu produto ou serviço;
Notícias – Crie relacionamento com a mídia através de assessoria
Posts – Conteúdos para redes sociais e blogs/ sites.
Tráfego pago
Anúncios Gráficos
Os anúncios gráficos são bastante influentes e assertivos em termos
de apelo visual aos clientes-alvo. Essa pode ser uma estratégia eficaz
de publicidade paga para gerar leads e clientes em potencial por meio de
várias redes de anúncios gráficos.
O Google oferece potencialmente vários canais, como anúncios do Gmail
, do YouTube, da GDN etc., que podem influenciar de maneira abrangente a
gerar conscientização sobre sua empresa.
Em pesquisa realizada em canais de indústrias que praticam Marketing
Digital, pode-se observar que boa parte das empresas optam por anúncios
gráficos para alcançar potenciais consumidores e, com maior
probabilidade de conversão.
Automação
Os leads identificados como consumidores são direcionados para os
revendedores que se encontram na mesma região. A equipe responsável pela
parte comercial da indústria recebe os leads que representam
oportunidades de vendas. Assim, ambos grupos de leads são abastecidos de
conteúdo ainda mais específico, o que fará com que eles avancem no
funil de vendas.
Esse processo também é muito útil quando a indústria participa ou
promove eventos do seu setor. Neste caso, o profissional de Marketing
pode criar uma Landing Page e iniciar uma nutrição do público
participante com conteúdos específicos, isto é, com o que será
apresentado nos eventos ou até mesmo conteúdos noticiosos, mas que
indiretamente vendem os serviços.
Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver,
gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma
consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do
mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados
satisfatórios para o seu negócio.
Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.
Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?
Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada
para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui
profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem
potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto
resulta em mais vendas.
Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?
A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu
projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas
considerações importantes:
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e
a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos
smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia
digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo
o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é
colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e
de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma
permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão
interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não
estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar
potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos:
computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce,
os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles
funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os
consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo
ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas
encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus
produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa
que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em
2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas
vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver
seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do
nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a
visibilidade da sua marca.
VOCÊ CONHECE A ValeOn?
A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO
TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Novos contratos de concessão de 22 hidrelétricas da
recém-privatizada Eletrobras podem reduzir reajustes tarifários em 2%,
estima Aneel.| Foto: Reprodução/Furnas Centrais Elétricas
O processo de privatização da Eletrobras teve na venda de ações,
liquidada em 14 de junho, a sua etapa mais visível, mas a desestatização
da companhia se tornou plenamente vigente apenas alguns dias depois, a
partir da assinatura de uma série de novos contratos com a Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A concessão de novas outorgas para
22 hidrelétricas da empresa era requisito previsto na lei da Eletrobras
para que a privatização se concretizasse, e deve mexer com o preço da
energia nos próximos anos.
Após a assinatura dos contratos, em 17 de junho, a Eletrobras
realizou o pagamento da bonificação pelas novas outorgas, em parcela
única no dia 20. Conforme fato relevante divulgado pela empresa, o valor
direcionado à União foi de R$ 26,6 bilhões. Esse pagamento é um de dois
benefícios econômicos previstos como condição para as novas concessão
da Eletrobras privatizada.
O segundo diz respeito a um aporte total de R$ 71 bilhões a ser
utilizado ao longo de 25 anos como ferramenta de modicidade tarifária,
ou seja, para segurar os reajustes nas tarifas de energia elétrica entre
2022 e 2047. A expectativa da Aneel é de que os repasses atenuem em 2%
os índices de reajuste das distribuidoras.
Para este ano o valor a ser destinado pela Eletrobras à modicidade
tarifária é de R$ 5 bilhões. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o
pagamento está previsto para 17 de julho, mas o dinheiro já passou a ser
considerado para processos examinados pela Aneel em junho. Aumentos
recém aprovados nas tarifas da paranaense Copel e da Energisa Minas
Gerais, por exemplo, contaram com reduções em comparação aos índices
calculados inicialmente. Reajustes aprovados antes do aporte ainda podem
ser impactados, com chance de revisões.
Enquanto isso, a reguladora abriu consulta pública para aprimorar as
regras de formação de tarifas de modo a refletir os aportes anuais. A
ideia é “delimitar o tratamento tarifário para assegurar o efetivo
repasse à modicidade tarifária em benefício dos consumidores atendidos
no Ambiente de Contratação Regulada (ACR)”.
Quanto dinheiro a Eletrobras vai repassar para baixar a tarifa Os
aportes da Eletrobras serão depositados na Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE), fundo setorial que banca políticas públicas do setor
elétrico, em pagamentos anuais. Superado o aporte inicial, os seguintes
serão de:
R$ 574,6 milhões em 2023; R$ 1,1 bilhão em 2024; R$ 1,7 bilhão em 2025; R$ 2,2 bilhões em 2026; e R$ 2,8 bilhões ao ano entre 2027 e 2047. O cronograma traçado prevê repasses sempre em abril, com valores corrigidos pelo IPCA.
Como não foi incluído no orçamento da CDE para este ano, o repasse
poderia significar redução no volume de encargos pagos pelo consumidor
de energia, que é o seu principal financiador. Para este ano a CDE
somará R$ 32,09 bilhões, quase 95% (ou R$ 30,21 bilhões) dos quais são
relativos a quotas anuais pagas pelos consumidores na conta de luz.
A lei da Eletrobras, entretanto, prevê regra de rateio dos valores
aportados, a serem distribuídos de forma proporcional aos montantes
descontratados em decorrência da alteração do regime de contratação da
energia vinculada às usinas da Eletrobras.
Dentre os 22 contratos assinados no último dia 17, quatorze promovem
mudanças no modelo de comercialização da eletricidade gerada nas
hidrelétricas, que saem do regime de cotas de garantia física para o de
produção independente.
Com a mudança, a eletricidade produzida na maior parte das usinas que
são objeto das novas concessões poderá ser vendida no Ambiente de Livre
Contratação, comumente chamado de mercado livre em alusão à sua
principal característica: a relação direta entre gerador e consumidor,
sem a figura de um intermediário – a distribuidora de energia, que é
central no mercado cativo, no qual não é possível escolher de quem se
compra a energia.
No regime de cotas, grosso modo, toda a garantia física de energia e
de potência das usinas hidrelétricas é disponibilizada ao mercado
regulado para atendimento da demanda das distribuidoras, com previsão de
um preço fixo (e mais baixo) para a energia. O modelo, criado por meio
de decreto de 2012, considera operação e manutenção da usina, mas
elimina do cálculo os riscos e eventuais prejuízos da variação de
produção (como o ônus da falta de chuvas), repassando-os diretamente ao
consumidor por meio da tarifa.
Por outro lado, o regime de produção independente não está sujeito a
fixações e opera a preço de mercado, mas cabe à empresa gerenciar seus
riscos e arcar com os custos atrelados a eles. Conforme avaliação do
Conselho Nacional de Política Energética, a alteração permite que os
consumidores fiquem “menos expostos aos fatores hidrológicos que afetam o
sistema elétrico”.
A descotização será gradual. Começa em 2023 e se estenderá até 2027,
com retirada anual de 20% do total da garantia física das usinas
cotistas da Eletrobras do portfólio das distribuidoras até sua liberação
total para comercialização. O escalonamento pretende suavizar eventuais
efeitos no preço ao consumidor, uma vez que a energia cotizada é mais
barata que a de mercado.
Os novos contratos entre Eletrobras e Aneel incluem ainda novas
concessões das usinas de Tucuruí, Curuá-Una e Mascarenhas de Moraes (com
livre disponibilidade de energia já a partir da assinatura, uma vez que
nunca chegaram a operar sob o regime de cotas) e das hidrelétricas de
Sobradinho e Itumbiara (que são subsidiadas por grandes consumidores e,
por isso, têm regras diferenciadas previstas em lei).
Com raras exceções, a educação estatal fracassou. Os sindicatos
capturaram as secretarias de educação e não operam com foco no
aprendizado do aluno.| Foto: Unsplash
O filósofo romano Sêneca cunhou a frase: “A educação exige os
maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida.” Passados 2 mil anos,
o Brasil ainda não entendeu a lição. Embora tenha um gasto elevado com
educação – o Brasil investe 5,6% do PIB (Produto Interno Bruto),
enquanto a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico) é de 4,4% do PIB –, a distribuição dos
investimentos por aluno é muito menor. Ou seja, o foco não está no
estudante, e nossos resultados são péssimos.
No ranking de competitividade mundial de 2022 (World Competitiveness
Booklet 2022) do International Institute for Management Development
(IMD), sediado na Suíça, o Brasil ocupa a posição 63 no índice de
educação, a última. Está atrás, até mesmo, da Venezuela, que ocupa a
57.ª posição na avaliação. Como se não bastasse estar atrás do pior país
da América do Sul no ranking educacional do IMD, o Brasil também é um
fracasso no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).
Nos resultados do Pisa de 2018, os estudantes brasileiros obtiveram
os piores resultados da América do Sul em matemática (com empate
estatístico com a Argentina) e ciências (empatado com Argentina e Peru).
Os estudantes brasileiros também se saíram mal em leitura, ficando na
segunda pior posição – 50% não atingiram o conhecimento mínimo em
leitura que deveriam possuir até o final do ensino médio. A educação
brasileira é tão ineficiente que 38% dos estudantes universitários não
chegaram nem ao nível intermediário de alfabetismo: entraram no ensino
superior sem saber o básico, conforme dados do Indicador de Alfabetismo
Funcional (Inaf).
A pandemia demonstrou claramente que muitos sindicatos de professores
não consideram a educação como um serviço essencial, que deveria ser o
último a fechar e o primeiro a abrir. A perda de aprendizagem dos
estudantes brasileiros por causa das escolas fechadas na pandemia é
espantosa: de 10 pontos na escala Saeb (Sistema de Avaliação da Educação
Básica) para estudantes do ensino médio até o fim de 2020. Até o fim de
2021, a perda teria dobrado para 20 pontos. A estimativa é de um estudo
que tem o economista Ricardo Paes de Barros entre os autores, uma
parceria do Insper com o Itaú Unibanco.
“Para termos uma ideia do que são 10 pontos de perda na escala Saeb,
ou 20 pontos de perda na escala Saeb, é importante comparar com o que um
aluno tipicamente aprende no ensino médio na escala Saeb. Em língua
portuguesa, ele aprende 20 pontos. Logo, perder 10 pontos é perder
metade do que você vai aprender no ensino médio. Perder 20 pontos quer
dizer que você perdeu tudo o que você aprenderia no ensino médio. Então,
essa perda é gigantesca”, explicou Paes de Barros ao Nexo Jornal.
Enquanto isso, ao aprovar a Lei 14.276/21, que modifica regras do
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o Congresso não
dirigiu recursos para melhorar o aprendizado do estudante. Em vez disso,
manteve a exigência de aplicação mínima de 70% dos recursos anuais
totais dos Fundos para o pagamento de salários dos profissionais da
educação básica. Assim, perdemos a oportunidade de garantir que os
recursos fossem investidos com foco no aprendizado dos alunos, com
incentivos para que novos mecanismos e metodologias de ensino pudessem
gerar melhores resultados.
Colocar mais recursos em um modelo com indicadores ruins é a lógica
perfeita para o fracasso futuro. Embora as políticas públicas devam ser
baseadas em dados e evidências, quando os dados e evidências são
negativos para os interesses sindicais, eles costumam ignorar os
resultados. É como se dados e evidências pudessem ser simplesmente
descartados.
Precisamos de coragem para repensar a educação pública, que foi
completamente estatizada no Brasil, principalmente a educação
fundamental, para prover um futuro melhor para as crianças. As crianças
de famílias carentes, que mais dependem da educação pública e que,
muitas vezes, não possuem estrutura de apoio, são as que mais sofrem com
a estatização da educação. Não há nada mais importante para uma nação
do que ter uma boa educação fundamental. Como Sêneca alertou, a boa
educação ecoa por toda a vida, fazendo com que, diariamente, as pessoas
possam fazer melhores escolhas, gerando um círculo virtuoso.
As consequências da falta de educação fundamental de qualidade são
brutais. O impacto econômico, embora seja gigantesco, não é o maior. O
pior impacto é a baixa qualidade cívica de uma sociedade que não
consegue ler, interpretar a bula de um remédio, avaliar adequadamente as
políticas públicas nem fazer cálculos aritméticos simples. Isso impacta
o futuro do país em todas as suas áreas.
Quando uma criança adquire as habilidades básicas de ler, escrever,
interpretar textos e de dominar matemática na idade certa, um novo mundo
se descortina para ela e, também, para o resto da sociedade. Com essas
habilidades, as crianças poderão adquirir qualquer outra habilidade
desejada. Cada cidadão com uma boa educação fundamental trará benefícios
para todos os demais. Com os alicerces sólidos, não há limite para
crescer e se desenvolver. Justamente por isso, todos os estudos mostram
que a primeira infância (período de 0 aos 7 anos de idade) é tão
importante para as crianças.
A conduta de boa parte dos sindicatos durante a pandemia mostrou que,
na visão deles, educação não é tão essencial quanto saúde e segurança.
Enquanto os profissionais da saúde e da segurança trabalharam,
praticamente, durante toda a pandemia, cientes da importância e
essencialidade dos seus papéis, destacados sindicatos de professores se
empenharam para que as escolas fossem as primeiras instituições públicas
a fechar e as últimas a abrir. Em países desenvolvidos, onde a educação
é considerada um dos serviços mais essenciais, não foi isso que
aconteceu.
Antes de se exigir que mais recursos sejam investidos em um modelo
que se mostrou ineficiente, ineficaz e inefetivo, é preciso repensar a
estrutura da educação. Com raras exceções – que precisam ser comemoradas
e replicadas –, como regra, a educação estatal fracassou. Os sindicatos
capturaram as secretarias de educação e não operam com foco no
aprendizado do aluno. O foco foi, apenas, aumentar salários e benefícios
dos profissionais da educação, mesmo que isso não signifique melhoria
dos indicadores educacionais. Ou mudamos esse sistema, ou continuaremos
sem aplicar a grande lição que Sêneca nos deixou.
Colheitadeira. Colheita de trigo. Foto: Wenderson Araujo/Trilux
Colheita de trigo| Foto: Wenderson Araújo / CNA Divulgação
Considerado
por muitos anos o “patinho feio” das commodities agrícolas no Brasil,
devido às dificuldades no manejo de doenças, riscos climáticos e baixo
retorno financeiro, o trigo vive uma nova realidade de mercado e de
conceito perante agricultores, técnicos, pesquisadores e governantes.
Atualmente, o cereal tem peso negativo de quase 2 bilhões de dólares por
ano na balança comercial brasileira, mas já há projetos para colocar a
cultura no “azul” e transformá-la numa fonte de divisas.
A guerra na Ucrânia escancarou os índices acentuados de dependência
externa para produção do pão de cada dia – já estávamos “acostumados” a
importar metade de nossas necessidades – e, mais do que isso, abriu
oportunidade para os produtores obterem lucro com a cultura. Para muitos
agricultores, o trigo, até então, tinha suas virtudes não na
rentabilidade, mas na amortização dos custos do sistema de produção e em
seu papel de controlar pragas e preparar o solo para o cultivo que
realmente importa, o da soja, no verão.
Pois a guerra virou esses conceitos do avesso. As cotações do trigo,
que já vinham numa tendência de valorização desde 2020 por problemas
climáticos nos EUA, Canadá e na Europa, registraram uma disparada
inédita. Em 24 meses, a cotação do cereal na Argentina saiu de 200
dólares a tonelada para mais de 450 dólares, posto no porto. Os
vizinhos, a propósito, abastecem quase todo o déficit do mercado
brasileiro.
Plano quer dar impulso ao “trigo tropical”
Cerca de um mês após o início da guerra, no fim de março, o
Ministério da Agricultura aprovou um plano de trabalho da Embrapa para
impulsionar a pesquisa e o incremento da produção do “trigo tropical” no
cerrado brasileiro. Num prazo de 36 meses, a meta é expandir a área em
100 mil hectares na região que abrange partes de São Paulo, Goiás, Minas
Gerais Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Só
esse acréscimo representaria uma desoneração de R$ 450 milhões na
balança das importações de trigo. Os próprios egípcios, maiores
importadores mundiais do grão, estão de olho numa parceria para ter
acesso a esse trigo tropicalizado, que poderia trazer mais segurança
alimentar ao país árabe.
Para atrair novos produtores de trigo no Cerrado, há um esforço
articulado de moinhos, sindicatos, empresas de pesquisa e outros órgãos
de governo, que pretendem organizar a produção de sementes, transferir
tecnologias e traçar uma estratégia de comunicação que ajude a quebrar
resistências. “É um trabalho forte para desmistificar a questão de que o
trigo só dá no Sul. Hoje tem muitas áreas em nossa região em que não se
planta nada no período de inverno, que estamos mapeando e que poderiam
começar a cultivar o grão”, diz Sergio Scodro, presidente do Sindicato
dos Moinhos de Trigo da Região Centro-Oeste.
“Tem agricultor que ainda fala: não, trigo é lá do Paraná e do Rio
Grande do Sul, onde o clima é frio. Ele não tem noção de toda a pesquisa
que hoje é feita não somente pela Embrapa, mas por outras empresas
privadas, que estão adaptando o trigo ao cerrado”, emenda Scodro.
Somente em Goiás, os moinhos têm capacidade para processar 450 mil
toneladas de trigo, mas a produção é de apenas 200 mil toneladas. Ou
seja, não faltariam compradores.
Fronteira para a autossuficiência está no trigo sequeiro
Fazer o trigo “subir o mapa” de forma mais acentuada, no entanto, é
algo que esbarra na concorrência de outras culturas rentáveis no
Centro-Oeste, com uso de irrigação. O cereal tem tradição de cultivo
irrigado em áreas de Goiás e do Distrito Federal, mas concorre com
hortaliças e feijão, que, por vezes, são mais rentáveis. O cenário atual
mexeu nesta balança. Para Márcio Só e Silva, da Semevinea Genética de
Sementes, atualmente é possível colocar trigo no cerrado, com pivô
central de irrigação, competindo com qualquer cultura. “Mas numa
situação normal, é difícil que isso aconteça”, diz. “A grande fronteira
para atingir a autossuficiência é no sequeiro, nas áreas não irrigadas.
São milhões de hectares que ficam praticamente em pousio no inverno.
Isso permite entrar com o milho safrinha, com o sorgo e o trigo
safrinha. São muitos hectares que sobram. E hoje o trigo está tendo um
retorno bem superior ao preço do milho”, avalia.
Antes ainda das circunstâncias ficarem mais favoráveis, já existia um
grupo de técnicos e produtores tentando fazer o trigo reproduzir o
caminho da soja no Brasil, mapa acima. E mais além ainda do
Centro-Oeste. A Semevinea está dando consultoria para produtores
oriundos do Sul do país que querem “experimentar” o trigo em áreas de
grãos do Maranhão e do Piauí. Num primeiro momento, estão sendo levadas
para lá as cultivares que já demonstraram resistência à seca no
Centro-Oeste. Mas, com o tempo, a ideia é desenvolver variedades
adaptadas às condições locais.
Seleção genética buscar cultivares tolerantes ao calor “Estamos
fazendo pesquisas para desenvolver variedades tropicalizadas. É como se
estivéssemos varrendo o DNA com uma vassoura, limpando o gene do frio e
deixando o gene de temperaturas mais elevadas. A gente vai fazendo isso
de geração em geração, o que vai tornando o material mais adaptado às
condições”, diz Só e Silva.
Nenhuma das equações envolve a derrubada de árvores. “Temos áreas
potenciais no cerrado para produzirmos trigo em quatro milhões de
hectares sem precisar desmatar. Novas fronteiras para expansão da
cultura no Maranhão, Piauí, Ceará e Roraima estão sendo pesquisadas.
Mas, para que essa nova fronteira agrícola seja aberta, é necessário que
se criem políticas de governo para incentivar o cultivo nessas regiões.
Condições climáticas, pesquisa, genética e produtores qualificados nós
temos”, aponta Julio Albrecht, da Embrapa Cerrados.
Há grande expectativa para saber como o trigo transgênico, uma
novidade deste ano, vai se comportar no Cerrado. Uma das características
é a resistência à seca, o que “é maravilhoso para o que precisamos no
Centro-Oeste e no Nordeste” – sublinha Sergio Scodro, dos moinhos. Os
testes estão sendo feitos pela Embrapa desde março, com autorização da
CTNBio.
Experimentos têm dado bons resultados do Matopiba ao Ceará Se o
caminho da autossuficiência em trigo passará realmente pelo incremento
significativo das colheitas no Cerrado e até no Matopiba (partes do
Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) é algo que só o tempo vai dizer. Os
experimentos têm dado bons resultados, inclusive, em campos de Roraima,
Ceará e Alagoas. “Já existem dados promissores em fase experimental
nesses estados. Nos experimentos no Ceará, obtivemos acima de 3.000 kg
por hectare em algumas avaliações. Em outras, onde houve problemas com o
sequeiro, caiu para 1.500 kg por hectare. Ainda precisamos trabalhar
com zoneamento de risco climático e época de semeadura. As questões
econômicas e de variedades estão muito associadas. Quando se
disponibiliza variedades mais produtivas e mais resistentes a doenças,
automaticamente o trigo vai ficando mais viável”, aponta Eduardo
Caierão, pesquisador da Embrapa Trigo em Passo Fundo.
O que não pode ser desprezado é o papel da região Sul nessa expansão.
No Rio Grande do Sul, que com o Paraná responde por 87% do trigo
produzido no país, o ciclo atual atingiu área plantada que não se via há
42 anos. A Emater estima o cultivo de 1,41 milhão de hectares, contra
1,18 milhão no inverno anterior. No entanto, o total de culturas de
inverno ocupa apenas um quarto da área plantada no verão, que é de 8,5
milhões de hectares. “Só aí tem espaço para duplicar, triplicar,
quadruplicar a área. O Rio Grande poderia ocupar mais quatro milhões de
hectares; em Santa Catarina, mais um milhão, e no Paraná também, mais um
milhão. Essa região temperada vai ser por alguns anos ainda a área de
abastecimento do país, em quantidade”, avalia o pesquisador Gilberto
Rocca da Cunha, responsável pelo zoneamento agroclimático do cereal na
Embrapa.
País terá primeira usina de etanol de trigo Além do trigo para
alimentação humana e animal, e do mercado exportador, um novo uso bate à
porta. A BSBios, da área de biodiesel, assinou no mês passado protocolo
de intenções para construir a primeira usina de etanol de trigo do
país, em Passo Fundo. Um investimento de 316 milhões de reais que terá,
ainda, como subproduto, o farelo para alimentação animal. “Estamos num
novo patamar. O etanol é mais um mercado que se abre. Já não é só um
mercado gaúcho e nacional. Tem agora a possibilidade de exportação. É um
arranjo extremamente salutar e tecnicamente interessante, já que o
inverno é essencial para o sistema de produção dar resultado na soja e
no milho. E isso deve trazer mais produtores para o trigo”, diz Alencar
Ruggieri, diretor-técnico da Emater do Rio Grande do Sul.
Nem tudo conspira a favor do trigo. Um fator recente que turva o
cenário é o temor de uma recessão global. Desde que o FED (banco central
americano) aumentou os juros de forma mais agressiva, no mês passado, e
sinalizou tendência de alta, muitos fundos de ativos que estavam nas
commodities agrícolas migraram para alternativas de risco mais baixo,
como títulos do Tesouro americano e o dólar. “O mercado vê que a demanda
vai se deteriorar muito mais do que a oferta. Enquanto houver muita
incerteza, há tendência de sair das commodities. Mas é comida, é
primeira necessidade. Tem oferta bastante restrita ainda. Persistem os
fundamentos altistas, guerra, sanções contra a Rússia e um mercado com
consumo alto. Vai diminuir a demanda? Quanto de risco tem essa recessão?
No momento, o mercado preferiu recuar”, avalia Fabio Lima, analista da
consultoria StoneX.
Lima é cético quando à capacidade de o país manter a expansão de
trigo nos níveis atuais, ou mesmo de modestos 5% ao ano. “Não vejo essa
possibilidade por enquanto. O trigo é uma cultura arriscada em termos
climáticos e em média não tem uma alta rentabilidade. Esse ano o
estímulo veio dos bons preços”, argumenta.
Autossuficiência deve chegar em dez anos, segundo Embrapa As
estimativas da Embrapa apontam para uma provável autossuficiência de
trigo no Brasil num prazo de dez anos. O consumo atual é de 12,7 milhões
de toneladas, das quais metade precisa ser importada. Durante anos
seguidos, até 2012, o País era o segundo maior importador mundial de
trigo, atrás apenas do Egito, que ainda hoje importa 11 milhões de
toneladas.
Mais do que ser autossuficiente, o desafio, segundo Gilberto Rocca da
Cunha, é pensar em exportação. “Precisamos sim olhar para nossa demanda
de 12 milhões de toneladas, mas é preciso olhar para um comércio
mundial que chega a 220 milhões de toneladas. É aí que o Brasil precisa
focar. É um dos raros produtos em que não ocupamos as primeiras posições
para exportação, como soja, milho, carnes, celulose e café”.
A China, maior produtor mundial de trigo, colhe anualmente uma safra
de 135 milhões de toneladas. A Índia, segundo maior produtor, com 106
milhões de toneladas, barrou as exportações do cereal em maio sob a
justificativa de garantir preços acessíveis à população local. A Rússia
deve produzir neste ano 81 milhões de toneladas, das quais 40 milhões
serão destinadas à exportação (um recorde), segundo dados mais recentes,
de junho, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A Ucrânia
deve colher no ciclo 2022/23 um total de 21,5 milhões de toneladas de
trigo, 11,5 milhões a menos do que em 2021/22, devido à guerra. Rússia e
Ucrânia respondiam até antes do conflito por 30% das exportações
globais de trigo.
Edson Fachin na assinatura de acordo com o presidente do
Parlasul, Tomás Enrique Bittar Navarro, no TSE| Foto: Antonio
Augusto/Secom/TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já firmou
acordos com cinco organizações internacionais que mandarão
representantes ao Brasil para verificar a legitimidade e normalidade das
eleições de outubro. A Corte confirmou o envio de missões da
Organização dos Estados Americanos (OEA), do Parlamento do Mercosul
(Parlasul), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da
Fundação Internacional dos Sistemas Eleitorais (Ifes, na sigla em
inglês) e da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore).
Além delas, o TSE ainda está em tratativas para trazer ao país
observadores do Carter Center e da Rede Mundial de Justiça Eleitoral,
segundo informou nesta quarta-feira (6) o presidente do tribunal, Edson
Fachin, durante palestra no Wilson Center, centro de estudos sobre
relações internacionais baseado em Washington, nos Estados Unidos.
Segundo ele, só a missão da OEA terá 100 observadores espalhados
pelo país. A da Uniore já enviará representantes em agosto, para
acompanhar a fase final de preparação das urnas eletrônicas. “O Brasil
quer ser visto, porque isso aumenta a legitimidade do processo eleitoral
e contribui decisivamente para a defesa de democracia”, disse o
ministro.
A Ifes, por sua vez, está constituindo um grupo de peritos em
informática e deve fazer uma visita ao Brasil nas próximas semanas. O
objetivo, segundo informou Anthony Banbury, presidente da fundação, é
conhecer presencialmente os sistemas eletrônicos de votação e
totalização, incluindo o acesso ao código-fonte dos programas.
O número de entidades estrangeiras é significativamente superior ao
das eleições de 2018, quando apenas a OEA enviou representantes. Todas
as entidades foram convidadas pelo TSE, que bancará parte das despesas.
Esse esforço é parte da estratégia de Fachin e do ministro Alexandre de
Moraes, que o sucederá em agosto, de obter apoio da comunidade
internacional para rechaçar um eventual questionamento do resultado pelo
presidente Jair Bolsonaro, em caso de derrota, e talvez pelas Forças
Armadas.
“A questão democrática no Brasil é uma questão na região [da
América], e terá efeitos não só aqui [EUA], como também na Europa
continental. Há um dever planetário de preservar o básico da democracia
liberal”, disse ainda Fachin na palestra no Wilson Center – ele
ressalvou, depois, que os acordos não almejam “nenhum tipo de tutela”
sobre as eleições brasileiras.
Durante toda a semana, aliás, o ministro fez um périplo em diversas
instituições baseadas na capital americana e arredores para reforçar os
convites e alertar para o risco de contestações violentas – ainda nesta
quarta, disse, por exemplo, que “poderemos [no Brasil] ter um episódio
mais agravado do que o 6 de janeiro daqui, do Capitólio”, em referência à
invasão da sede do Congresso americano, no início de 2020, para impedir
a diplomação do presidente Joe Biden, por apoiadores do ex-presidente
Donald Trump que contestavam o resultado da eleição.
Missões de observação nacionais são novidade nas eleições de 2022 O
esforço não é apenas internacional. Fachin também disse na quarta que
sete instituições brasileiras farão observações nacionais, uma nova
modalidade de verificação da regularidade das eleições e que foi
sugerida pela OEA em 2018. O TSE ainda não divulgou a lista oficial
dessas missões brasileiras, que tiveram até terça (5) para se
inscreverem. A única instituição, já anunciada por Fachin com destaque é
a Universidade de São Paulo.
Em nota à reportagem, o TSE informou que ainda vai processar os
pedidos e que, depois, as entidades serão intimadas a indicar os nomes
das pessoas observadoras. Os nomes deverão ser apresentados até o
próximo dia 15 de julho.
O TSE diz que os observadores internacionais terão autonomia e devem
ter expertise na função e o mesmo vale para observadores nacionais. A
estes, o TSE impõe os deveres de manter imparcialidade
político-partidária nas atividades; atuar de forma “independente,
transparente, imparcial e objetiva, prezando pela exatidão das
observações, pelo profissionalismo na atuação e pela ética nas
manifestações”. Outras obrigações são não obstruir ou interferir no
processo eleitoral, adotar “metodologia consistente de coleta e análise
dos dados, compatível com a ética, a transparência e o
profissionalismo”.
O acordo com a OEA prevê “pleno acesso aos tribunais eleitorais
responsáveis pela votação, contagem e totalização dos votos nos níveis
municipal, estadual e nacional”. O TSE se comprometeu a entregar à
missão cópia digital dos resultados, mesmo naqueles locais onde os
observadores não estiverem presentes, além de fornecer, “de maneira
ágil”, todas as informações necessárias sobre a condução e supervisão do
processo eleitoral
A OEA, por sua vez, deverá informar ao TSE eventuais irregularidades
ou interferências que sejam observadas, solicitando depois informações
sobre as medidas adotadas.
Auditoria do PL sobre votação eletrônica está parada no TSE
Enquanto o TSE multiplica o número de observadores, em busca de apoio
contra contestações, o Partido Liberal ainda não definiu se, como e com
qual empresa vai auditar o sistema de votação eletrônica, como deseja o
presidente Jair Bolsonaro.
Na quarta-feira (6), completou-se um mês do pedido do partido junto
ao tribunal para credenciar o Instituto Voto Legal (IVL), presidido por
um dos criadores da urna eletrônica, o engenheiro e empresário Carlos
Rocha. Desde então, Fachin analisa com técnicos da Corte a viabilidade
da proposta de auditoria. Mas o próprio PL está em dúvida: ainda não
fechou um contrato com o instituto e, segundo informou a assessoria do
partido, ainda não definiu como vai fazer a auditoria. “A empresa é uma
possibilidade, mas não tem nada contratado ainda.”
Na última segunda-feira (4), venceu o prazo para que partidos ou
outras entidades fiscalizadoras interessadas em fazer uma auditoria
externa – isto é, independente e fora dos eventos realizados e
programados pelo próprio TSE – apresentassem os softwares que querem
usar para verificar o correto funcionamento dos sistemas de apuração e
totalização.
A Polícia Federal também manifestou interesse em fazer uma auditoria
própria. Mas nem a corporação, nem o PL apresentaram qualquer programa
ao TSE para a verificação dos sistemas, segundo informou à reportagem a
assessoria da Corte.
A reportagem apurou que o IVL não dispõe de softwares próprios para
isso, porque pretende realizar um tipo diferente de auditoria.
O objetivo não é verificar os códigos-fonte da urna, por exemplo, mas
levantar todas as tecnologias usadas pelo TSE e depois verificar se
elas estão em conformidade com o que diz a lei eleitoral e se atendem a
requisitos consagrados de segurança da informação previstos em normas
internacionais, principalmente a ISO 27001.
A principal preocupação e interesse do instituto é verificar se
realmente há um registro digital de cada voto e a forma como ele pode
ser recontado com segurança, em caso de necessidade.
Há também interesse em conhecer que programas o TSE utiliza para
monitorar a integridade de arquivos do sistemas (tecnologia conhecida
como “FIM”, sigla em inglês de “file integrity monitoring”) e também
para registrar todos os eventos que se passam na urna eletrônica
(programa que funciona de forma análoga a uma caixa-preta de um avião,
por exemplo).
O objetivo do instituto é saber se são tecnologias consagradas no
mercado e certificadas por entidades externas e independentes ou se são
confeccionadas pelo próprio TSE, sem garantia de qualidade atestada e
reconhecida externamente.
Como mostrou a Gazeta do Povo semanas atrás, o IVL ainda cogita
contornar algumas limitações impostas pelo TSE para realizar a auditoria
externa, como, por exemplo, a proibição do uso de internet e a própria
homologação prévia de softwares de fora que venham a ser utilizados
dentro das instalações da Corte.
O instituto, por sua vez, considera que pode chegar a um acordo para
viabilizar a auditoria, sem qualquer risco e de modo a colaborar para o
aperfeiçoamento do sistema. A direção do PL, no entanto, cogita uma
fiscalização mais modesta, que não gere qualquer atrito com o TSE.
Guerra no leste europeu Luis Kawaguti – Gazeta do Povo
Destruição causada por bombardeio russo em Kharkiv, cidade onde
brasileira integrante da legião internacional foi morta no final de
junho| Foto: EFE/EPA/SERGEY KOZLOV
A legião internacional é uma
tropa criada por ordem do presidente Volodymyr Zelensky para ajudar na
defesa da Ucrânia contra a invasão da Rússia. Ela é formada por
combatentes internacionais, como os brasileiros Douglas Búrigo e Thalita
do Valle – mortos em um ataque de mísseis no último dia 30 na cidade de
Kharkiv.
Thalita, de 39 anos, era modelo, atriz, ativista de causas animais,
socorrista e atiradora de elite, segundo reportagem do jornalista
Herculano Barreto, do UOL. Ela já havia se envolvido no conflito curdo
no Iraque e viajou à Ucrânia para lutar contra os russos.
Mas a base militar onde estava em Kharkiv foi atingida por mísseis.
Búrigo, que serviu nas Forças Armadas do Brasil, morreu tentando
salvá-la. Voluntários com perfis parecidos com os deles chegaram aos
milhares na Ucrânia usando seus próprios recursos desde o início da
guerra. Conversei com muitos deles durante minha cobertura do conflito
no país.
Em geral, se diziam motivados pela defesa das democracias liberais
contra a autocracia ou pela vontade de salvar vidas inocentes. Eram
britânicos, alemães, franceses, portugueses, poloneses, entre muitas
nacionalidades. Os voluntários do leste europeu normalmente afirmavam
lutar movidos pelo sentimento antirrusso – gerado pelas invasões
soviéticas a países europeus no século XX e pelos atuais crimes de
guerra cometidos pelas tropas de Moscou na Ucrânia.
Outros simplesmente diziam ser atraídos pela aventura, pela
possibilidade de matar russos ou pelo pagamento de 3,5 mil euros mensais
para quem vai à frente de batalha.
Essa motivação menos nobre tem motivado Moscou e parte da opinião
pública a classificar os legionários ucranianos como mercenários. Em
março, o chanceler ucraniano Dmytro Kuleba disse que a legião
internacional era formada por cerca de 20 mil combatentes, mas não há
números verificados de forma independente. É inegável que são muitos,
pois é fácil reconhecê-los caminhando pelas ruas de qualquer cidade da
Ucrânia. Usam a farda do exército ucraniano (por vezes ostentando nela
as bandeiras de seus países) e falam em inglês ou francês.
Mas qual é a diferença entre um legionário e um mercenário?
Na prática, do ponto de vista do Direito Internacional Humanitário, a
diferença entre o combatente e o mercenário é que este, em caso de
captura ou rendição, não obterá o privilégio da imunidade previsto no
Estatuto do Prisioneiro de Guerra, segundo Carlos Frederico Cinelli,
autor do livro “Direito Internacional Humanitário – Ética e Legitimidade
no Uso da Força em Conflitos Armados” (Editora Juruá).
Ou seja, embora o mercenário capturado tenha o direito ao “tratamento
de prisioneiro de guerra” (água, alimentação, não exposição, respeito à
sua integridade física), ele não obterá o “status de prisioneiro de
guerra”, podendo ser submetido a julgamento por ter atuado nos combates
como mercenário.
“Quando um combatente regular é capturado, ele é mandado para um
campo de prisioneiros de guerra para aguardar o fim do conflito ou uma
troca de prisioneiros, devendo ser repatriado tão cedo quanto possível.
Ainda que ele tenha matado combatentes inimigos, se tiver feito isso
respeitando as leis e os costumes da guerra, ele vai para casa sem
qualquer tipo de julgamento”, disse Cinelli em uma conferência destinada
a jornalistas no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, na
última quinta-feira (7).
Já o mercenário não goza do status de combatente reconhecido. Ele
pode ser julgado pelas leis do país que o capturou e responder
criminalmente por suas ações no contexto da guerra.
Para ser reconhecido como um combatente legítimo, o participante do
conflito não precisa ser um militar de carreira nem ter nacionalidade do
país que está em guerra. Mas precisa cumprir alguns requisitos: estar
devidamente identificado no campo de batalha (com farda, braçadeira,
símbolo do exército beligerante), estar subordinado a uma estrutura
hierárquica de comando, usar sua arma abertamente (ou seja, sem mantê-la
escondida para se passar por civil) e respeitar as leis e costumes da
guerra.
Atualmente, os voluntários da legião internacional da Ucrânia possuem
os pré-requisitos para o reconhecimento como combatentes legítimos.
Eles usam os uniformes e distintivos ucranianos, respondem a comandantes
subordinados ao Ministério da Defesa da Ucrânia e, ao serem
incorporados, assinam um contrato, passam por um período de treinamento e
recebem documentos ucranianos que indicam sua incorporação ao exército
nacional.
No papel, eles recebem pagamentos em quantias iguais às pagas aos
militares ucranianos. Os mercenários costumam se caracterizar por
receber pagamentos mais altos que o soldo dos militares regulares. Na
prática, o valor do salário do legionário varia de acordo com o tempo
que ele passa na linha de frente.
Da mesma forma que os legionários ucranianos, voluntários da
Chechênia, do Daguestão e da etnia Yakut, que também estão no campo de
batalha, mas lutando pela Rússia, dizem atender aos pré-requisitos que
os equiparam aos combatentes dos exércitos nacionais.
Mas, se todos esses combatentes voluntários estão “legalizados”, quem então são os temidos mercenários?
Na prática, ninguém quer assumir esse status. Em teoria, são
combatentes que lutam na guerra apenas com o objetivo de obter dinheiro,
vantagens pessoais ou pilhagens. Em geral, eles não respondem
formalmente ao comando central dos países em guerra.
No começo da invasão russa na Ucrânia, em fevereiro deste ano, muitos
voluntários da legião ucraniana caíram na categoria de mercenários –
lutando ao lado das forças regulares, mas sem qualquer tipo de
documentação ou vínculo formal com o Ministério da Defesa. Eles apenas
recebiam armas, munições e começavam a combater imediatamente.
Mas, ao longo do conflito, essas pessoas foram identificadas pelo
Ministério da Defesa e enviadas para passar por um processo de triagem
em bases de treinamento situadas próximo da fronteira polonesa.
O que mudou para eles com esse processo foi perder a liberdade de
sair do país quando quisessem (benefício gozado por estrangeiros na
Ucrânia). Isso porque passaram a pertencer às forças armadas nacionais.
Muitos deles, que haviam viajado ao país movidos por uma sede de
aventura ou lucros rápidos, se recusaram a assinar o contrato no
processo de triagem e foram mandados de volta para seus países.
Outro aspecto normalmente associado ao conceito de mercenário é o uso
abusivo da violência. Para o Direito Internacional Humanitário, o bem
maior não é a vida humana (que pode ser tirada no contexto da guerra),
mas sim a dignidade dos participantes do conflito. Em outras palavras, o
Direito Internacional Humanitário assume que nem sempre é possível
evitar as guerras e tenta criar regras para evitar sofrimento
desnecessário.
Assim, como os mercenários não respondem a uma cadeia de comando (com
hierarquia e disciplina características de um exército profissional),
são normalmente associados a práticas de tortura e uso abusivo da força
contra inimigos – e também ao uso de violência contra não combatentes e
civis.
Mas entramos aqui em uma zona cinzenta. Ao reportar de Bucha e Irpin
(cidades próximas à capital Kyiv, que foram tomadas pelos russos no
início do conflito), ouvi relatos de moradores afirmando que os
chechenos e os yakuts, que combatem ao lado dos russos, teriam atirado
indiscriminadamente contra civis ucranianos, por vezes, executando-os
diante de suas famílias.
Também ouvi relatos de legionários ucranianos que disseram ter torturado e matado soldados russos capturados.
Ou seja, a realidade do campo de batalha pode diferir da letra fria
do Direito. Aliada a isso, está a variedade de critérios jurídicos das
Convenções de Genebra usados para designar os mercenários.
Tudo isso dificulta a tarefa de classificar quem é um mercenário e
quem é um combatente regular de um exército nacional. Isso cria um campo
fértil para os países em guerra usarem a participação de estrangeiros
em ações de propaganda e na chamada guerra da informação.
Para complicar ainda mais a interpretação do cenário, estão presentes
no campo de batalha os membros das chamadas Companhias Militares
Privadas, ou PMCs, em sua sigla em inglês. O leitor já pode ter ouvido
falar do Wagner Group, formado por ex-militares russos que atuavam na
África e no Oriente Médio. A própria menção do grupo é usada como peça
de propaganda pela Rússia para tentar aterrorizar os combatentes
ucranianos.
A própria Ucrânia também contrata Companhias Militares Privadas (que
não são os legionários). Mas não vamos entrar no mérito de se essas
empresas, tanto russas como ucranianas, usam mercenários ou não. Esse é
um debate jurídico sem fim.
A Rússia frequentemente anuncia a presença de combatentes voluntários
chechenos e yakuts em suas fileiras na Ucrânia. Assim como no caso do
Wagner Group, o objetivo é levar o medo às fileiras inimigas.
Diferente dos militares russos, chechenos e yakuts não compartilham
elementos de identidade cultural e laços de sangue com os ucranianos,
pois há grande miscigenação entre russos e ucranianos. Por causa disso,
esses voluntários seriam capazes de agir sem restrições morais,
cometendo atrocidades contra os soldados e contra a população civil da
Ucrânia. Esse é o discurso corrente.
Mas, se por um lado o Kremlin divulga e valoriza a presença desses
combatentes na batalha, por outro, acusa Zelensky de contratar
mercenários ao oficializar a existência da legião internacional.
A Ucrânia, por sua vez, faz propaganda da legião como uma forma de mostrar o apoio espontâneo internacional à causa ucraniana.
Contudo, a relevância militar tanto de chechenos como de legionários no campo de batalha é questionável.
A presença das tropas chechenas na Ucrânia é, antes de tudo, um gesto
de apoio do líder Ramzan Kadyrov ao governo de Vladimir Putin. Isso
quer dizer, nas entrelinhas, que por ora o presidente russo não vai
precisar se preocupar com um eventual novo levante na Chechênia, pois o
poder político de Kadyrov está forte o suficiente para impedir isso.
Há combatentes chechenos anti-Kadyrov lutando também do lado da Ucrânia, mas a Chechênia não é o tema da coluna de hoje.
Muitos combatentes ucranianos dizem em seus relatos de guerra ter se
deparado com os chechenos (pró-Rússia) no campo de batalha, mas não é
possível saber o quanto disso é verdade. Por ora, a única coisa que se
sabe é que Kadyrov e seus apoiadores têm gravado vídeos caprichados na
retaguarda do combate, afirmando que vão avançar até Berlim.
Enquanto isso, líderes da República Separatista de Donetsk (também
aliados dos russos) têm criticado os chechenos (pró-Rússia), dizendo que
são mal equipados e não têm capacidade de combater.
A própria relevância da legião internacional ucraniana também é
questionável. Por um lado, os legionários participaram ativamente do
início da guerra, destruindo inúmeras colunas de blindados russos em
emboscadas próximas da capital Kyiv.
Por outro lado, os voluntários internacionais têm acesso limitado a
armas e equipamentos. Testemunhei muitos deles comprando, em lojas
civis, rádios de comunicação, botas, acessórios para armas e
equipamentos que não são fornecidos pelo governo ucraniano.
Membros de algumas unidades da legião também afirmaram que têm sido
mandados para missões suicidas, que as tropas ucranianas nacionais
evitam fazer. Fora isso, há relatos não confirmados de corrupção e de
desvio de armamentos enviados pelas potências ocidentais por supostos
legionários corruptos.
O leitor mais persistente, que chegou a esse ponto do texto, deve
estar me perguntando: afinal, a legião internacional é ou não um
exército de mercenários?
Não há uma resposta puramente jurídica para a pergunta. Ou seja, eles
estão na chamada zona cinza, tão comum nas guerras. Segundo as
informações que chegam do campo de batalha, não há uma regra clara.
Enquanto alguns legionários são executados pelos russos no campo de
batalha, outros têm sido tratados de acordo com o Estatuto do
Prisioneiro de Guerra.
Ao leitor que permanece insatisfeito com a resposta, lembro que neste
exato momento há dezenas de milhares de pessoas em combate nos campos
de batalha ucranianos. Trata-se de um conflito de dimensões sem
precedentes neste século. Regras e definições, por vezes, não se aplicam
como gostaríamos nesse tipo de contexto.
Para especialistas, disputa política que terminou com troca de ministro da Economia põe país no caminho da estagflação
Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo
Lojas de comércio popular do bairro Once, em Buenos Aires, demoraram
para abrir na última terça-feira e, quando passaram a receber
consumidores, tinham em suas vitrines cartazes que avisavam que todos os
produtos estavam 20% mais caros do que o registrado nas etiquetas.
Tanto o atraso para abrir como os cartazes decorriam do fato de os
empresários simplesmente não saberem quanto cobrar dos clientes.
“A semana começou com uma incerteza muito grande. Ninguém sabia se o
dólar ia aumentar ou se ia faltar mercadoria. Na segunda, muitos
comércios nem funcionaram porque não tinham mais um preço de referência
para vender as mercadorias”, diz o porta-voz da Confederação Argentina da Média Empresa (Came), Salvador Femenía.
A incerteza já era alta no país nos últimos meses, mas aumentou depois da renúncia, no sábado passado, 2, de Martín Guzmán, que vinha comandando o Ministério da Economia desde o início do governo Alberto Fernández. Guzmán havia fechado um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para
pagar a dívida de US$ 44 bilhões entre 2026 e 2034. Como contrapartida,
o órgão pediu para que o país reduzisse o déficit fiscal de 3% do PIB
neste ano para 0,9% em 2024. A vice-presidente, Cristina Kirchner, porém, se posicionou contra esse acordo, gerando uma crise no governo. Ela acabou vencendo a disputa no último fim de semana.
O país ficou mais de 24 horas sem um ministro da Economia. Fernández anunciou que Silvina Batakis (próxima
de Cristina e tida como mais heterodoxa) substituiria Guzmán apenas na
manhã de segunda-feira. “Ficamos um dia e meio sem ministro. Parecia que
ninguém queria (o cargo). Isso gerou um nível de desconfiança gigante”, diz o economista-chefe da consultoria argentina EconViews, Andres Borenstein.
A incerteza no país vem crescendo desde o começo do ano, conforme
aparecem sinais de que o governo não vai conseguir cumprir o acordo
fechado com o FMI, considerado um programa de ajuste relativamente leve
para os padrões do órgão internacional. Como resultado, a cotação do
dólar no mercado paralelo (257 pesos) já supera o dobro da do mercado
oficial (126 pesos).
Em
meio à crise, argentinos protestam contra presidente Alberto Fernández
no sábado, 9, Dia da Independência do país Foto: Agustin
Marcarian/Estadão
Para piorar, as reservas internacionais estão em um patamar muito
baixo. Apesar de anunciar que elas chegam a US$ 42,3 bilhões, o governo
não dispõe de todo esse volume. Estimativas do mercado apontam que
apenas US$ 3,5 bilhões são reservas líquidas. Isso porque os argentinos
podem abrir contas bancárias em dólares no país. Nesse caso, seus
recursos não são emprestados e ficam depositados no Banco Central, como
um compulsório. Outra parte das reservas é proveniente de um acordo
feito com a China e corresponde a yuans que só podem ser usados para
fins comerciais.
Como se isso não bastasse, o país precisa de dólares para importar
energia, principalmente agora no inverno, quando o consumo cresce devido
ao uso de aquecedores. O preço, porém, também aumentou com a guerra na Ucrânia.
Diante desse cenário, o governo tem ampliado as restrições de acesso
ao mercado cambial. Na semana que passou, por exemplo, proibiu o
pagamento parcelado no cartão de crédito de compras em free shops.
Antes, o parcelamento já não era permitido para passagens internacionais
e hotéis no exterior. Na semana anterior, havia determinado que as
empresas só terão divisas para importar um volume 5% superior ao de
2021.
Segundo Femenía, da confederação das empresas de médio porte, a
dificuldade de acesso ao câmbio já resulta na escassez de insumos
importados, como matéria-prima para produção de papel e borracha para
pneu. Há uma preocupação crescente de que falte itens como café e
eletrônicos nos próximos meses.
Dono da rede Café Martínez, Marcelo Martínez conta
que tem café para as 200 unidades da empresa até setembro. Para isso,
no entanto, deixou de vender o produto em supermercados. “Alguns de nós,
empresários, estamos com problemas de estoque ou tendo de escolher em
que canais vender. Também está muito difícil planejar algo nessa
situação.”https://arte.estadao.com.br/uva/?id=z7ROK2
Foi essa possibilidade de que as mercadorias sumam das prateleiras e
de que o dólar dispare mais no mercado paralelo que levou lojistas a
atrasarem a abertura de seus comércios na terça. “Hoje há uma ausência
de preços. Ninguém sabe por quanto vender, porque ninguém sabe quando e
por quanto vai conseguir repor a mercadoria”, explica o economista Dante Sica,
que foi ministro da Produção no governo Macri. Berenstein acrescenta
que há empresas que não querem nem vender seus produtos agora por medo
de não conseguir fazer a reposição.
De acordo com Sica, esse impasse deve estancar a economia argentina
neste semestre. Ele projeta também estagflação para 2023. “Não vemos um
cenário em que o governo trabalhe nas causas do desequilíbrio. Devemos
ver ele trabalhando para não piorar a economia até chegar as eleições (no fim de 2023).”
Para a economista Paula Malinauskas, da consultoria argentina LCG,
como a origem da crise da última semana está na política, e não na
economia, uma solução parece, agora, ainda mais difícil. “Uma parte do
governo hoje se coloca como oposição. Cristina queria mostrar que ela e
uma parte do partido não estavam de acordo com as decisões de Alberto e
das pessoas mais próximas a ele.”
Borenstein diz que praticamente não há o que fazer para salvar a
economia no curto prazo. “A situação de debilidade política faz com que
até as boas ideias não avancem. Desvalorizar a moeda e subir a taxa de
juros quando houve o acordo com o FMI era uma coisa. Fazer isso agora
provavelmente não funcionará, porque não há mais credibilidade.”
As principais tendências do Vale do Silício| Foto: Unsplash, UK Black Tech/Reprodução
Segundo
dados da última pesquisa da McKinsey & Company, empresas com
diversidade étnica e racial têm 35% mais chances de terem rendimentos
acima da média. Quando falamos de diversidade de gênero a porcentagem
fica em 15%. Esses dados refletem uma cultura que ainda caminha a passos
lentos no Brasil, mas que já é realidade nas empresas do Vale do
Silício.
“A primeira vez que ouvi falar do Vale do Silício imaginei uma cidade
com robôs, drones e carros autônomos, mas na verdade o que acontece em
Palo Alto é muito mais do que simplesmente tecnologia, é sobre pessoas e
como a diversidade, inerente a elas, têm o poder de impactar
diretamente na geração de valor e na potencialização dos negócios”,
conta a especialista em inovação e business partner da Startse, Ticiana
Pereira.
Ticiana, que passou o último mês no Vale pesquisando empresas e
tendências, conta que a diversidade é tida como uma joia bruta, pois já
está claro o quanto investir em variedade é fundamental no fomento de
novas ideias e soluções. “A diversidade de estilos e culturas, tem
impacto direto no que faz o Vale ser o Vale, pois quando um profissional
ou uma empresa precisa identificar uma solução, seja para alterar um
processo, segmento ou criar novos produtos e serviços, será a
diversidade existente entre as pessoas que enriquecerá o processo. São
as diferentes formas de ver a situação que apontam as inúmeras
possibilidades do que fazer, como e para quem.”
Inquietude e a cultura do erro
A inquietude das pessoas em sempre questionarem o motivo de um
processo, segmento, produto ou serviço funcionar da forma como funciona,
desafiando o tradicional, também faz parte do dia a dia das empresas
que estão no Vale. Outro ponto de estímulo é o incentivo ao erro,
reforçando uma cultura que entende que errar é uma parte fundamental do
processo. “A curiosidade em aprender com o que já existe e a autonomia
em buscar novas formas para construir esse processo, sem receios de
errar, diferencia o Vale dos demais hubs de inovação do mundo. Aqui as
pessoas são os principais fatores e a tecnologia é o produto disso”,
conta a especialista.
Aspectos tecnológicos Sob o aspecto tecnológico, o Blockchain e o
metaverso, são consideradas como as principais apostas para os próximos
meses, sendo que, segundo Ticiana, empresas de referência mundial em
tecnologia estão destinando seus maiores esforços financeiros e de
trabalho nessas frentes. “É um caminho sem volta, por isso é muito
importante que as empresas brasileiras invistam em entender como seus
negócios podem se adequar a essas novidades. O metaverso há tempos já
deixou de ser algo relacionado apenas a games, ele é hoje um conceito
amplo que pode ser implantado no trabalho, na educação, na publicidade,
em vendas e em muito mais. Já o Blockchain é a tecnologia mais inovadora
em questões financeiras e de segurança, sendo que, entre as startups
que mais recebem investimentos, a maioria são corretoras ou provedoras
de infraestrutura tecnológicas. Relutar contra essas tecnologias, como
tentou-se no surgimento de outras, como a própria internet, é
considerada por aqui uma atitude pouco inteligente”, reforça Ticiana.
Modelo de trabalho
A pandemia afetou negócios e empresas em todo mundo e não foi
diferente no Vale do Silício e o debate em torno do trabalho remoto e a
volta do trabalho presencial está em pauta por lá também. Para alguns
profissionais, o e-mail enviado por Elon Musk exigindo a volta imediata
dos funcionários aos escritórios de forma presencial, funcionou como um
incentivo geral. “Acredita-se que a criatividade das pessoas e equipes
não têm hora para surgir e que não se pode exigir o surgimento de uma
ideia ou resolução de um problema, em uma reunião online, mas que esse
processo é impulsionado pelas interações que acontecem nos corredores e
reuniões presenciais nas empresas. Além disso, o trabalho remoto
desconstrói a cultura da empresa, que é tida como uma das principais
ferramentas que elas possuem na gestão de pessoas”, finaliza.