Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF).| Foto: Ana Volpe/Agência Senado
Recentemente,
o presidente da República Jair Bolsonaro mencionou a criação de novos
ministérios, justificando que essa decisão se daria para melhor
administração do país. Seriam eles: Indústria e Comércio, Segurança
Pública e Pesca. No entanto, essa ideia vai contra sua própria proposta
de governo, em que constava a diminuição de pastas e não o aumento.
Entretanto, o que temos visto é o oposto. Em 2018, Bolsonaro havia
prometido diminuir o número de ministérios para 15, o que não aconteceu.
Temos hoje 23 pastas ministeriais, sendo 18 ministérios, duas
secretarias e três órgãos equivalentes a ministérios. Agora, ele diz
que, se for reeleito, poderá recriar, já no início do mandato, mais
três.
Neste caso, menos é mais. O governo brasileiro poderia funcionar
muito bem com 15 ministérios, justamente os mais necessários para o
efetivo desenvolvimento do país. A criação de novas pastas aumentaria os
gastos públicos, mas não a eficiência da gestão pública.
Existe uma dificuldade para mensurar o impacto econômico da criação
de novas pastas, já que isso depende da forma e da condição de
funcionamento delas, como a quantidade de servidores, número de cargos
comissionados, áreas de atuação, entre outras. Mas podemos tomar como
modelo o impacto no orçamento do Ministério da Mulher, Família e
Direitos Humanos (MDH), que dispõe de um custo anual de quase R$ 43
milhões , conforme consta no Portal da Transparência do Governo Federal.
Logo, se multiplicarmos esse valor pelo número de novos ministérios,
seria um gasto exorbitante para o país.
Esse aumento do gasto público levaria – até em razão da grande
recessão econômica em que o Brasil vive – à quase anulação do aumento do
PIB (Produto Interno Bruto), o qual apresentou um crescimento de 4% em
2021. O aumento do gasto público com a recriação de ministérios exige
que o governo arrecade mais para poder custear as despesas públicas, o
que pode levar a medidas como o aumento na carga de tributos e impostos –
o que gerará no futuro próximo a redução automática do PIB; aumento de
inflação; ou medidas de incentivo ao consumo – fazendo crescer ainda
mais o endividamento da população.
Além disso, criação desses novos ministérios aumentaria ainda o
espaço político para alianças, a distribuição de cargos para atingir o
fim de acolhimentos de políticos da base política, principalmente o
Centrão. Aliás, a meu ver, esse é um dos únicos objetivos das novas
pastas, e não a criação e a estruturação de políticas públicas –
principal função de um ministério. Já temos um excesso de ministérios, e
as atividades dos que estão por vir já estão sendo trabalhadas dentro
de outras pastas. O mais coerente seria o corte de estruturas supérfluas
para o fim de redução do peso (leia-se gastos) da máquina pública.
Mas não é só Bolsonaro que prometeu criar mais ministérios. Outros
presidenciáveis já fizeram anúncios semelhantes, como Lula, que
mencionou a possível criação de um ministério para as causas indígenas, e
Simone Tebet, que cogita criar um Ministério da Segurança Pública.
A cultura dos governantes brasileiros se transformou em discursos de
campanha e propostas de governo que não se concretizam. Tais posturas
compõem a prática política do Brasil. A Lei 9.5054/97, a “lei das
eleições”, determina que o candidato ao Poder Executivo (presidente,
governador ou prefeito) obrigatoriamente tem de apresentar o seu plano
de governo para fins de registro de candidatura, mas não traz nenhuma
penalidade pelo seu não cumprimento.
No início do mandato, o presidente Bolsonaro criou um
“superministério”, que abrangia vários temas dentro de uma mesma pasta.
Mas não demorou muito para desmontar essa estrutura, cedendo às
negociações, mais uma vez, com os partidos do Centrão. Isso mostra que o
governo teve, para fins de governabilidade, de fazer concessões e ter
de lançar por terra muitas de suas propostas de governo.
Marinho Silva é advogado, mestre em Direito Constitucional, e professor na FAE Centro Universitário.
Presidente Jair Bolsonaro (PL) terá a palavra final na elaboração do plano de governo| Foto: Isac Nobrega/PR
A
coordenação eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalha para
finalizar o novo plano de governo até o início da segunda quinzena de
julho, às vésperas do período de convenções partidárias, que ocorre
entre 20 de julho e 5 de agosto. A meta é ter toda a proposta concluída e
revisada antes do prazo para apresentá-la até a convenção partidária do
PL, prevista para 22 de julho.
O plano de governo é coordenado pelo senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), que tem recebido sugestões de integrantes do governo e de
caciques políticos. A elaboração do programa, porém, é construída com o
apoio de membros do “núcleo duro” de Bolsonaro, que inclui o
ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, o presidente nacional do
PL, Valdemar Costa Neto, e o general Braga Netto, o ex-ministro da
Defesa que deve ser escolhido pelo presidente como seu vice.
Mesmo ex-integrantes do governo também auxiliam na elaboração do
plano de governo, a exemplo do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da
Saúde. Recentemente, Flávio recebeu sugestões das áreas de segurança,
defesa nacional e meio ambiente do militar e também de Braga Netto.
O pré-candidato a vice da chapa contribui “em tudo” na formação do
plano de governo, asseguram interlocutores do Palácio do Planalto. Braga
Netto é apontado como um dos principais nomes na formação do programa. O
secretário de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha, e os
ministros da Secretaria de Governo, Célio Faria Júnior, e das
Comunicações, Fábio Faria, também auxiliam.
As áreas que devem ganhar destaque no plano de Bolsonaro O
plano de governo é o documento responsável por apresentar as propostas e
visões de um candidato. É dito no Planalto que o programa para uma
segunda gestão de Bolsonaro trará princípios muito alinhados ao plano
apresentado em 2018. A exemplo das privatizações, da responsabilidade
fiscal e da defesa por uma reforma tributária.
A agora presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques,
apresentou sugestões a Flávio Bolsonaro para o plano de governo quando
ainda era secretária especial de Produtividade e Competitividade do
Ministério da Economia, segundo afirmam interlocutores da coordenação de
campanha.
A pauta moral, ética e de costumes é outra que tende a seguir uma
linha já adotada pelo governo. Interlocutores não descartam a defesa de
princípios muito semelhantes aos apresentados no plano de governo de
2018, como o enfrentamento à ideologia de gênero e a defesa à vida, em
uma clara oposição ao aborto — pauta que ganhou força junto à base
eleitoral e política mais ideológica de Bolsonaro.
Diferentemente do plano de governo apresentado em 2018, que não
trouxe detalhamentos para a agenda ambiental, são esperadas propostas no
programa deste ano que vão de encontro à defesa do desenvolvimento
sustentável propagado pelo governo. A atual política ambiental propõe
soluções que remunere quem cuida de florestas nativas e ajuda a reduzir a
emissão de gases poluentes, por exemplo.
O governo também deve manter o destaque para a agenda do combate à
corrupção, a despeito de críticas e acusações feitas pela oposição de um
suposto esquema de corrupção envolvendo o Ministério da Educação. São
esperadas referências ao sistema de compliance implementado nos
ministérios e ações da Controladoria-Geral da União (CGU) em
enfrentamento a denúncias e suspeitas.
Bolsonaro dará a palavra final no plano de governo Uma vez
concluído, o plano de governo será analisado por Bolsonaro e seu núcleo
duro. A palavra final e a aprovação do documento que será registrado no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficará a cargo do presidente da
República. Ele quer a segurança de que o programa apresentará propostas
em um tom considerado adequado.
A meta de Bolsonaro é apresentar um plano de governo objetivo e de
fácil compreensão ao eleitor, como em 2018. Por isso, interlocutores do
Planalto e da coordenação eleitoral afirmam que o programa vai ter as
digitais do presidente, não de profissionais de marketing político.
Segundo a TV Bandeirantes, desentendimentos entre os marqueteiros
Sérgio Lima e Duda Lima, que atuam na elaboração de peças publicitárias e
nas inserções eleitorais em rede nacional de rádio e televisão,
estariam impondo dificuldades para a consolidação do plano de governo a
ser registrado no TSE. A Band informou que Sérgio seria a favor de
Bolsonaro manter uma linha mais ideológica e apostar em mais temas da
pauta de costumes. Já Duda seria mais pragmático.
A Gazeta do Povo foi informada por interlocutores que, de fato, o
relacionamento profissional entre os dois marqueteiros não é tão próximo
e isso tem ocasionado conflitos. Porém, fontes palacianas e da base
governista no Congresso afirmam que a relação não afeta o plano de
governo.
Por conta das sugestões e ideias colhidas por Flávio, a coordenação
da campanha ainda não tem um programa fechado. O senador está
concentrado na montagem do plano, mas precisou dividir os esforços nos
últimos dias com a articulação política a favor da aprovação da proposta
de emenda à Constituição (PEC) que cria auxílios a caminhoneiros e
amplia benefícios a programas sociais.
O que explica as “rusgas” entre os marqueteiros
A ausência de um “supermarqueteiro”, como é natural em candidaturas
presidenciais e nas principais campanhas majoritárias, é apontado como o
principal fator de “ruídos” e divergências, avaliam interlocutores.
Na pré-campanha presidencial à reeleição, Bolsonaro é o
“marqueteiro-chefe” e, com o núcleo político dando as cartas, cada um
dos marqueteiros tenta convencer a coordenação eleitoral de suas
propostas para a comunicação. A disputa por espaço e ideias entre os
profissionais de marketing gera, por consequência, eventuais atritos.
As divergências sobre a estratégia de comunicação não são uma
novidade na pré-campanha de Bolsonaro. Interlocutores da coordenação
eleitoral minimizam os ruídos e ponderam que o debate de ideias é
positivo e complementar às diretrizes do presidente da República, que
tem a palavra final.
As “rusgas” entre os marqueteiros Sérgio Lima e Duda Lima, como dizem
interlocutores da pré-campanha, são perceptíveis nos bastidores. Porém,
o atrito entre os dois não é visto como intenso, sendo classificado por
integrantes da coordenação eleitoral como “ciúmes” e “briga por espaço”
gerada pela ausência de um “supermarqueteiro”.
O relacionamento entre Duda e Sérgio não é classificado como
desarmônico, até porque eles têm uma visão semelhante sobre a
importância dada pela pré-campanha em romper a “bolha” da base eleitoral
mais ideológica a fim de atingir outros nichos do eleitorado. Entre
ambos há apenas divergências e ponderações sobre como fazer isso.
Marqueteiro de confiança do presidente nacional do PL, Valdemar Costa
Neto, Duda é tido como um profissional mais experiente em campanhas
gerais e tem um perfil mais próximo do marketing político profissional.
Sérgio tem menos experiência, mas é mais próximo da família Bolsonaro e
tenta incorporar mais o personalismo do presidente. Ele foi o
marqueteiro do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente e sua base
política mais ideológica tentaram criar.
Ingerência política em estatais como a Petrobras significaria um
retrocesso, na visão do ex-presidente Michel Temer.| Foto: Antonio
Lacerda/EFE
A alta no preço dos combustíveis, que passou de 27%
no acumulado de 12 meses até junho e é motivada pela elevação dos preços
do petróleo no mercado internacional, está ameaçando uma das
legislações criadas no contexto do combate à corrupção: a Lei das
Estatais, aprovada e sancionada em 2016, no governo Michel Temer.
Entidades e especialistas afirmam que, além de representar um
retrocesso na governança dessas empresas, eventual mudança na legislação
ameaça a ambição do governo de ingressar na Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), “clube” de boas práticas
que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo.
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), cobrou do
Ministério da Economia a apresentação de uma medida provisória com
objetivo de alterar a Lei das Estatais, e o líder do governo na Casa,
Ricardo Barros (PP-PR), confirmou que uma medida provisória nesse
sentido estava em estudo.
O objetivo declarado é assegurar uma maior “sinergia” entre as
empresas e o governo no momento. Na prática, a ideia é fazer com que a
diretoria da Petrobras obedeça às ordens do presidente Jair Bolsonaro
(PL) de não reajustar os combustíveis.
Embora tenha surgido de aliados do governo, a proposta encontrou eco
na oposição. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu que a Lei das
Estatais deve ser revista para permitir a indicação de políticos para
cargos de diretoria e conselhos de administração. Ela diz que a lei
teria criminalizado a política.
Em meio à tentativa de restabelecer a ingerência de políticos sobre
as estatais, o Ministério da Economia informou que as companhias
controladas pela União faturaram quase R$ 1 trilhão no ano passado,
alcançando o maior lucro em 13 anos. A equipe econômica – contrária a
mudanças na Lei das Estatais – atribui esses resultados justamente à
profissionalização das estatais.
“A Lei das Estatais fechou portas para o uso político das estatais,
ao estabelecer impedimentos e requisitos para a nomeação em cargos de
gestão e no conselho de administração”, destaca o gerente de relações
institucionais e governamentais do Instituto Brasileiro de Governança
Corporativa (IBGC), Danilo Gregório.
Em meio à discussão sobre a revisão da legislação, o ex-presidente
Temer disse que iniciativas que promovam alterações na Lei das Estatais
nem sequer deveriam ser cogitadas. “O que se espera do mundo político é
que aperfeiçoe continuamente a legislação e as instituições brasileiras,
que não promova retrocessos. A lei que se pretende amputar significou a
moralização das atividades públicas pelas empresas estatais e um grande
avanço nos costumes políticos do país”, disse, em nota.
Estratégia equivocada para mudar política de preços da Petrobras Outra
crítica à postura dos políticos vem do vice-presidente da Associação
Nacional dos Auditores da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber
Cabral. Ele reconhece que os preços dos combustíveis estão exorbitantes,
mas aponta que o caminho para mudar esse cenário não passa por promover
mudanças na Lei das Estatais. “Mexer na lei significaria tirar a
blindagem à má gestão e à corrupção e abrir espaço para a ineficiência e
o aparelhamento.”
Segundo ele, os principais ganhos obtidos com a Lei das Estatais, e
que atenderam ao clamor popular, foram a direção não política das
empresas públicas e sociedades de economia mista, a melhoria no
compliance (o cumprimento das leis e normas de conduta) delas e a maior
transparência nas auditorias. “Os mesmos atores que há seis, sete anos
estavam ‘pendurados’ nas estatais e que foram denunciados e condenados
querem voltar à tona”, diz Cabral.
Marcus Dantas, auditor da Receita Federal que trabalhou na Operação
Lava Jato, diz também que a forma de resolver os problemas com a
política de preços da Petrobras não passa por mexer no arcabouço legal
de combate à corrupção. “Uma modificação na Lei das Estatais favoreceria
o retorno à corrupção.”
Os limites à atuação política nas estatais, estabelecidos pela
legislação aprovada em 2016, são rígidos. A legislação estabelece que é
vedada a indicação para o conselho de administração e para a diretoria
de empresa de:
Representante do órgão regulador ao qual a empresa pública ou a sociedade de economia mista está sujeita; Ministro de Estado, secretário de Estado, secretário municipal; Titular
de cargo, sem vínculo permanente com o serviço público, de natureza
especial ou de direção e assessoramento superior na administração
pública; Dirigente estatutário de partido político; Titular de mandato no Poder Legislativo de qualquer ente da federação, ainda que licenciado do cargo; Pessoa
que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura
decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização,
estruturação e realização de campanha eleitoral; Pessoa que exerça cargo em organização sindical; Pessoa
que tenha firmado contrato ou parceria, como fornecedor ou comprador,
demandante ou ofertante, de bens ou serviços de qualquer natureza, com a
pessoa político-administrativa controladora da empresa pública ou da
sociedade de economia mista ou com a própria empresa ou sociedade em
período inferior a três anos antes da data de nomeação; e Pessoa que
tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse com a pessoa
político-administrativa controladora da empresa pública ou da sociedade
de economia mista ou com a própria empresa ou sociedade. Segundo
Dantas, a lei é clara: “os administradores têm de ser pessoas com
capacidade técnica e experiência e ter escolaridade compatível com o
cargo”.
Como entidades do mercado financeiro reagiram à ideia de mudar a Lei das Estatais Entidades
ligadas ao mercado financeiro também se manifestaram contra as mudanças
na Lei das Estatais. A Associação dos Investidores no Mercado de
Capitais (Amec), a Associação dos Analistas e Profissionais de
Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec), o IBGC, o
Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) e o Instituto
Ethos de Empresas e Responsabilidade Social encaminharam, em 24 de
junho, um ofício a parlamentares e ao Executivo Federal alertando sobre o
risco de retrocesso caso alterações sejam promovidas na Lei das
Estatais.
Segundo as entidades, a proposta de mudança vai contra conquistas
relevantes recentes e põe em xeque a ambição brasileira de entrar na
OCDE. O documento destaca que as investidas contra a legislação visam a
desidratação dos requisitos e vedações para a ocupação de cargos de
membros do conselho de administração e de diretoria.
“Esses dispositivos formam a principal blindagem da legislação
contra o risco de captura das empresas estatais por interesses
político-partidários, que foram responsáveis por casos notórios de
corrupção, de ineficiência de alocação de recursos públicos e de
atendimento a objetivos eleitorais e pessoais, em detrimento dos
objetivos sociais para os quais as companhias foram criadas”, diz o
texto.
As entidades apontam que os danos de interferências
político-partidárias não se limitam aos cofres públicos e à qualidade
dos serviços prestados à população: “no caso de sociedades de economia
mista, listada em bolsa de valores, os impactos atingem investidores
privados, prejudicando a atratividade do mercado brasileiro de capitais
como fonte de financiamento das atividades econômicas”.
Segundo os signatários do ofício, as normas contidas na lei servem
para garantir que a gestão das companhias seja profissional, por meio da
aplicação de critérios técnicos para a escolha dos administradores e
atendem a recomendações de referências nacionais e internacionais,
incluindo diretrizes de governança para empresas estatais da OCDE. O
alinhamento a esses padrões é um dos passos previstos no processo
brasileiro de adesão ao organismo internacional.
A entidade reconheceu, em relatório publicado no final de 2020, que
os conselhos das estatais se tornaram mais independentes de
interferências político-partidárias em função dos impedimentos
estabelecidos pela Lei das Estatais.
E recomendou que o Brasil fosse além, buscando aprimoramentos como a
extensão dos requisitos e vedações para todos os comitês dos conselhos
de administração e fiscal, a concessão efetiva ao conselho de
administração do poder de indicar e demitir o diretor-presidente da
empresa e o aperfeiçoamento das regras e procedimentos de indicação e
nomeação dos administradores.
Pesquisas mostram melhoria da governança das estatais Relaxamentos
na Lei das Estatais também acabariam com o ciclo virtuoso de
amadurecimento dos sistemas de governança e de integridade das estatais,
destacam as entidades. Segundo a Secretaria de Coordenação e Governança
das Empresas Estatais Federais do Ministério da Economia, o indicador
para avaliação do cumprimento de normas e boas práticas de governança
por parte das estatais federais quase dobrou entre 2017 e 2021,
atingindo 8,07 em uma escala que vai até dez.
Outra pesquisa, feita pelo IBGC, aponta que entre 2018 e 2020, o
crescimento da proporção de crescimento de conselheiros independentes
nas estatais independentes (de 21% para 30%) e na adoção de processos
formais de avaliação de desempenho dos conselheiros de administração (de
51% para 83%).
A Anatel confirmou que Brasília receberá o 5G nesta quarta-feira
(6) e anunciou as próximas capitais a receberem o sinal.| Foto: Isac
Nóbrega/Presidência da República
Quarta-feira começa, em Brasília, o 5G no Brasil. A Anatel está
terminando o trabalho de deixar limpo o canal, que ainda é usado por
televisão e internet. Depois de Brasília, virão Belo Horizonte, Porto
Alegre e São Paulo. Daqui a pouco o Brasil inteiro, principalmente as
áreas mais longínquas, estarão ligadas ao 5G. A Amazônia, as escolas, os
hospitais, o grande Centro-Oeste, pegando a área do agro… que maravilha
essa modernidade chegando!
Brasileiros de valor estão a postos enquanto nós descansamos Ontem,
em Mato Grosso do Sul, com desfecho em São Paulo, aconteceu algo que me
faz perguntar o que vocês faziam no domingo, no horário de almoço.
Estava no boteco, na praia, na casa dos amigos, na churrasqueira tomando
uma cerveja, um vinho, uma cachaça? Enquanto isso, havia brasileiros de
plantão pela nossa segurança. Plantão nos radares, fiscalizando a
fronteira; plantão nos hangares, prontos para subir à cabine de um Super
Tucano e decolar; plantão nos postos da Polícia Federal, prontos para
atender; tudo isso no domingo, na hora do almoço.
O radar acusou um avião invasor na fronteira do Mato Grosso do Sul.
Imediatamente, dois Super Tucanos decolaram, interceptaram o invasor,
deram-lhe uma rajada de metralhadora avisando, mas o invasor continuou
fugindo. Veio mais uma, já como um último aviso; o invasor viu que era
sério, pousou em qualquer lugar entre Pontalinda e Jales (SP), e os dois
homens que estavam no avião saíram correndo. Na sequência, os pilotos
acionaram a Polícia Federal, que estava de plantão, e deram as
coordenadas. Os agentes chegaram lá e encontraram meia tonelada de pasta
de coca esperando. Estou contando essa história para dizer a vocês que,
enquanto a gente descansa, ri, bebe e come, tem brasileiros de plantão
garantindo a nossa segurança.
Constituição do Chile é aviso para quem resolve não ir votar Ontem,
no Chile, foi entregue ao presidente, um jovem de 35 anos, solteiro, a
nova Constituição, aprovada pela assembleia constituinte de 156
integrantes. Essa Constituição prevê aborto, fim do Senado (que tem 200
anos), diminuição do poder da polícia e mais direitos sociais. Os
constituintes que fizeram essa Constituição foram eleitos por 36% dos
eleitores. E, agora, os eleitores estão dizendo nas pesquisas que querem
antecipar o referendo de 4 de setembro sobre a Constituição, que não
aprovam. Apenas 25% a 33% concordam com essa nova Constituição, a
maioria discorda.
Mas o que estava fazendo essa maioria quando a assembleia
constituinte foi eleita em maio do ano passado? Ficou em casa? Pois é:
assim como na Colômbia, onde 18 milhões ficaram em casa e 11 milhões
elegeram o presidente. É uma lição que a gente precisa aprender. Por lá,
eles têm voto facultativo; aqui é obrigatório, mas depois de 70 anos
não precisa votar e os demais que não votarem têm uma sanção leve. Fica a
lição: se você abrir mão do seu poder de votar, não pode se queixar
depois se for eleito alguém errado, alguém que vá destruir a sua família
e deixar um péssimo futuro para seus filhos, netos e bisnetos.
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, e sua vice, Cristina Kirchner.| Foto: EFE
Um
país em que o PIB caiu 10% no último ano, a inflação passou dos 60%
anuais, pela conta deste último mês de junho, está devendo as calças no
mercado financeiro internacional e não quer ou não pode pagar, vai muito
mal, não é mesmo? Depende. Se houver ali um governo “progressista” e
uma política econômica de “esquerda” fica tudo bem – os analistas de
mesa redonda, os professores de economia e os banqueiros de esquerda não
veem problema nenhum em nada disso.
É o caso, neste momento, da Argentina: com os números citados acima,
está no bico do corvo, mas nenhum crítico econômico brasileiro faz
qualquer crítica a respeito. Problema mesmo, para todos eles, é o
Brasil, onde o governo “destruiu” a economia – o PIB não cresceu muito
além do 1% e a inflação de 12% ao ano está “descontrolada”. Não faz nexo
algum, é claro. Deveria estar claro, até para uma criança de dez anos
de idade, que quem está com problemas, de verdade, é a Argentina – e não
o Brasil, que segue uma política oposta. Mas o economista brasileiro
padrão, desses que você vê todo dia na mídia, acha que não. Quem está
errando tudo, dizem, é “esse governo do Bolsonaro”. A Argentina não
existe para eles.
O interessante, no caso, é que a presidente de fato da Argentina não
está, ela mesmo, satisfeita com os resultados que o seu governo vem
dando – e tanto não está que demitiu o ministro da Economia para colocar
uma irmã ideológica no seu lugar. Mais interessante ainda é que a nova
ministra é uma entusiasta de todas as “políticas” que, comprovadamente,
já deram errado na economia argentina. Vai se consertar o erro,
portanto, errando de novo – ou insistindo em fechar os olhos para o que
estão fazendo de errado.
Deveria estar claro, até para uma criança de dez anos de idade, que
quem está com problemas, de verdade, é a Argentina – e não o Brasil, que
segue uma política oposta
Para o governo peronista, por exemplo, a inflação não é causada pelo
descontrole do gasto público. É mesmo? Nada a ver? E a recessão de 10%,
então, uma das mais sinistras do mundo? Considera-se no palácio do
governo, da mesma forma, que o brutal fechamento da produção imposto
pelas autoridades – a Argentina foi uma das campeãs mundiais no
campeonato do “fique em casa” – não tem nenhuma relação com isso. É
complicado. A economia argentina já não produzia grande coisa antes da
pandemia. Com todo mundo obrigado a parar, só poderia mesmo haver
recessão “top de linha” – mas a esquerda econômica acha que está tudo
bem. Economia com problema, nos dizem, é o Brasil.
O CEO da V4 Company revelou como se tornar referência e faturar no marketing digital
O marketing digital é composto por estratégias e ações que visam alavancar pessoas, produtos ou serviços na internet
No
último ano a busca pelo termo já cresceu mais de 200%, ou seja, cada
vez mais as pessoas sonham em trabalhar no marketing digital
Pensando
nisso, conversei com Dener Lippert, CEO da V4 Company, para
desmistificar tudo sobre o marketing digital e ainda dar dicas de como
ter sucesso nesse mercado
O marketing digital é composto por estratégias e ações que visam
alavancar pessoas, produtos ou serviços na internet. No último ano a
busca pelo termo já cresceu mais de 200%, ou seja, cada vez mais as
pessoas sonham em trabalhar no marketing digital. Pensando nisso,
conversei com Dener Lippert, CEO da V4 Company, para desmistificar tudo
sobre o marketing digital e ainda dar dicas de como ter sucesso nesse mercado.
Muita gente faz ideia do que é marketing digital, mas não sabe exatamente. O que é na prática?
Marketing digital nada mais é que um canal de comunicação. O
marketing tem uma definição só: colocar o mercado em movimento. Já o
digital é um canal, como uma avenida ou um shopping, só que nele passam
mais de 156 milhões de brasileiros. Assim, eu posso conseguir muito mais
resultados do que tentando outra estratégia de canal, como um ponto de venda, por exemplo.
Uma loja física de roupas, por exemplo, que fatura R$ 10 mil
por mês, pode crescer seu faturamento em quanto com o marketing digital?
Uma loja que fatura R$10 mil por mês pode aumentar seu faturamento dependendo
do tamanho do mercado endereçável. Então, essa é a primeira pergunta
que você precisa fazer. Se é uma loja de roupas femininas, por exemplo,
que só é capaz de entregar em um Estado, qual é a porcentagem das
pessoas que estão comprando essa categoria de produtos? Vamos supor que
seja 10% do Estado. A partir disso tu vai olhar para o total do mercado.
Normalmente uma empresa líder de mercado tem 30% de mercado
endereçável, ou seja, esse seria o máximo que ela poderia conquistar.
Agora basta entender qual porcentagem dele está na internet. Esse é o
total que ela poderia conquistar, o que chamamos de SAM (Serviceable
Available Market, o mercado endereçável).
Qual o futuro de uma empresa que não faz marketing digital?
Perder competitividade em relação a uma que faz. A empresa que faz
marketing digital consegue ser muito mais profunda e presente na vida do
cliente, afinal ele está 100% do tempo com o celular na mão. Por esse
motivo, além de fazer isso com mais eficiência ela ainda possibilita um
ganho de consumidores por um custo menor, tendo em vista que as outras
opções de comunicação ou não são tão profundamente presentes na vida do
cliente ou não custam mais barato.
Como a V4 Company conseguiu se diferenciar no mercado?
Por ser focada na venda em um mundo que está todo mundo focado em
arte. No mundo da publicidade as pessoas acham que marketing digital é
fazer algo bonito, ganhar seguidores. A V4 Company está aqui para vender
seu produto, vender para mais pessoas, vender mais vezes e vender pelo
maior valor. A gente não vende marketing digital, não vende anúncios no
Facebook, não vende gestão de tráfego. A gente vende um processo de
vendas por meio da internet, que no fim é o que realmente importa para o
empresário.
Me fala de alguns cases que surpreenderam até mesmo vocês?
O primeiro é o case da Lebs. Foi foi uma loja física em que a gente
implementou campanhas direcionando o fluxo de usuários para o WhatsApp
dos vendedores das lojas físicas. Com isso, chegamos a mais de R$ 10
milhões em vendas nas lojas físicas usando mídia no Facebook para gerar
demanda para o WhatsApp.
Outro case é o da Lugano, do Rio Grande do Sul, em que a gente
conseguiu pegar a marca que tinha em torno de 50 a 80 franquias e vender
100 novas pela internet, em um processo de Inside Sales (vendas a
partir de dentro da empresa). Assim, em um ano conseguimos chegar a
vender 20 franquias novas por mês, em um processo 100% inside sales, ou
seja, sem visita presencial, sem nada, só gerando leads na internet.
Quais são os planos da V4 Company para os próximos 5 anos?
Se tornar líder absoluto de 20% a 30% do market share (fatia de
mercado) de serviços de marketing digital do Brasil. A gente pretende
executar isso não só por meio dos nossos próprios canais de crescimento,
mas também por meio de aquisição, consolidação, absorção e conversão de
outras empresas do setor para dentro do ecossistema da V4. Além disso,
queremos abrir capital e fazer o mesmo processo fora do Brasil,
tornando-se o maior provedor de serviços de profissionais de marketing
digital do mundo até o final desse século.
Vocês abriram um modelo parecido com franquia, algo que
confesso que ainda não tinha visto no marketing. Como funciona e qual o
faturamento que pode atingir?
O modelo de franquias é, sim, inovador, poucos players fizeram isso
no mundo todo. É uma ideia baseada muito em eu não ter um histórico do
mercado de comunicação. Então, eu usei outros poderes de negócio para
construir. Afinal, eu não tinha os vícios do mercado. Assim, dá pra
fazer um paralelo muito próximo ao da XP no modelo de escritórios de
investimento, assessoria de investimento.
O faturamento de uma unidade pode chegar a R$ 10 milhões por ano.
Isso é o que temos já realizado. Mas estimamos que no futuro nossos
escritórios façam 30 vezes esse resultado por ano. Afinal, já vimos isso
acontecer dentro do nosso setor.
Saiba como empreender me ajudou a alcançar R$ 1 milhão:
Mudança de hábitos ajuda a prevenir Alzheimer e outras demências, dizem cientistas; saiba quais
Grupo de especialistas propõe focar na eliminação de fatores de
risco conhecidos, como pressão alta não tratada, perda auditiva e
tabagismo, para evitar doenças degenerativas
Paula Span, The New York Times – Jornal Estadão
Os casos de demência estão aumentando junto com o envelhecimento da população mundial, e mais uma vez um medicamento para Alzheimer muito
esperado, o crenezumab, provou ser ineficaz em ensaios clínicos – a
última de muitas decepções. Especialistas argumentam que já passou da
hora de voltarmos nossa atenção para uma abordagem diferente: focar na
eliminação de uma dúzia de fatores de risco conhecidos, como pressão
alta não tratada, perda auditiva e tabagismo, em vez de uma nova droga de preço exorbitante.
“Seria ótimo se tivéssemos drogas que funcionassem”, afirma Gill
Livingston, psiquiatra da University College London e presidente da
Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados da Demência.
“Mas eles não são o único caminho a seguir.”
Enfatizar os riscos modificáveis – coisas que sabemos como mudar –
representa “uma mudança drástica de conceito”, afirma Julio Rojas,
neurologista da Universidade da Califórnia, em San Francisco. Ao focar
em comportamentos e intervenções já amplamente disponíveis e para os
quais há fortes evidências, “mudamos a forma como entendemos o
desenvolvimento da demência”, diz ele.
O fator de risco modificável mais recente foi identificado em um
estudo sobre deficiência visual nos Estados Unidos, publicado
recentemente no JAMA Neurology. Usando dados do Estudo de Saúde e
Aposentadoria, os pesquisadores estimaram que 62% dos casos de demência
poderiam ter sido evitados por fatores de risco e que 1,8% – cerca de
100 mil casos – poderiam ter sido evitados por meio de uma visão
saudável.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=zL9Zky
Embora seja uma porcentagem bastante pequena, representa uma solução
comparativamente fácil, diz Joshua Ehrlich, oftalmologista e pesquisador
de saúde populacional da Universidade de Michigan e principal autor do
estudo. Isso porque exames oftalmológicos, prescrições de óculos e
cirurgia de catarata são intervenções relativamente baratas e
acessíveis. “Globalmente, 80% a 90% dos problemas de visão e cegueira
são evitáveis por meio de detecção e tratamento precoces, ou ainda
precisam ser resolvidos”, afirma.
A influente comissão da Lancet começou a liderar o movimento de
fatores de risco modificáveis em 2017. Um painel de médicos,
epidemiologistas e especialistas em saúde pública revisou e analisou
centenas de estudos de alta qualidade para identificar nove fatores de
risco responsáveis por grande parte da demência mundial: pressão
arterial, menor escolaridade, deficiência auditiva, tabagismo,
obesidade, depressão, sedentarismo, diabete e baixo nível de convívio
social.
Em 2020, a comissão acrescentou três: consumo excessivo de álcool,
lesões cerebrais traumáticas e poluição do ar. O grupo calculou que 40%
dos casos de demência em todo o mundo poderiam teoricamente ser
prevenidos ou retardados se esses fatores fossem eliminados. “Uma grande
mudança pode ser feita no número de pessoas com demência”, diz
Livingston. “Mesmo porcentagens pequenas – porque muitas pessoas têm
demência e é muito caro – podem fazer enorme diferença para indivíduos e
famílias e para a economia”.
Fatores de risco
– Pressão arterial
– Baixa escolaridade
– Deficiência auditiva
– Tabagismo
– Obesidade
– Depressão
– Sedentarismo
– Diabete
– Baixo nível de convívio social
– Consumo excessivo de álcool
– Lesões cerebrais traumáticas
– Poluição do ar
De fato, nos países mais ricos, “já está acontecendo à medida que as
pessoas recebem mais educação e fumam menos”, aponta ela. Como as
chances de demência aumentam com a idade, à medida que mais pessoas
atingem idades mais avançadas, o número de casos de demência continua
aumentando. Mas as proporções estão caindo na Europa e na América do
Norte, onde a incidência de demência caiu 13% por década nos últimos 25
anos.
Ehrlich espera que a comissão Lancet adicione deficiência visual à
sua lista de riscos modificáveis quando atualizar seu relatório, e
Livingston disse que realmente estaria na agenda da comissão.
Por que a perda de audição e visão pode contribuir para o declínio cognitivo?
“Um sistema neural mantém sua função por meio da estimulação de
órgãos sensoriais”, explica Rojas, coautor de um editorial de
acompanhamento no JAMA Neurology. Sem essa estimulação, “haverá uma
morte de neurônios, um rearranjo do cérebro”. A perda da audição e visão
também pode afetar a cognição, limitando a participação dos idosos em
atividades físicas e sociais.
“Você não pode ver as cartas, então você para de jogar com os amigos”, diz Ehrlich, “ou você para de ler”.
A ligação entre demência e perda auditiva, o fator mais importante
que a comissão Lancet citou como um risco modificável, já foi bem
estabelecida. Há menos dados clínicos sobre a conexão com deficiência
visual, mas Ehrlich é co-investigador de um estudo no sul da Índia para
ver se fornecer óculos a idosos afeta o declínio cognitivo.
É claro que essa abordagem para reduzir a demência é “aspiracional”,
ele reconhece: “Não vamos eliminar a baixa escolaridade, a obesidade,
tudo isso”.
Alguns esforços, como aumentar os níveis de educação e tratar a
pressão alta, devem começar na juventude ou na meia-idade. Outros exigem
grandes mudanças de política; é difícil para um indivíduo controlar a
poluição do ar, por exemplo. Alterar hábitos e fazer mudanças no estilo
de vida – como parar de fumar, reduzir o consumo de álcool e se
exercitar regularmente – não são simples.
Mesmo práticas médicas bastante rotineiras, como medir e monitorar a
pressão alta e tomar medicamentos para controlá-la, podem ser difíceis
para pacientes de baixa renda.
Além disso, os americanos mais velhos provavelmente perceberão que os
cuidados rotineiros de visão e audição são dois serviços que o sistema
de saúde tradicional não cobre.
Ele pagará pelos cuidados relacionados à retinopatia diabética,
glaucoma ou degeneração macular relacionada à idade e cobre a cirurgia
de catarata. Mas para problemas mais comuns corrigíveis com óculos, “o
sistema de saúde tradicional não vai ajudá-lo muito”, afirma David
Lipschutz, diretor do Center for Medicare Advocacy. Tampouco cobrirá a
maioria dos aparelhos auditivos ou exames, que são despesas muito mais
altas.
Programas fornecidos por seguradoras privadas, geralmente incluem
alguns benefícios de visão e audição, “mas observe o escopo da
cobertura”, alerta Lipschutz.
Expandir o plano de saúde tradicional para incluir benefícios de
audição, visão e odontológicos foi parte da Lei Build Back Better da
administração Biden. Mas depois que a Câmara a aprovou em novembro, os
republicanos e o senador Joe Manchin, um democrata, a rejeitaram no
Senado.
Apesar das ressalvas, a redução dos fatores de risco modificáveis
para a demência pode ter um enorme retorno, e os Centros de Controle e
Prevenção de Doenças incorporaram essa abordagem em seu Plano Nacional
de Combate à Doença de Alzheimer. Um foco nesses fatores também pode
ajudar a tranquilizar os americanos mais velhos e suas famílias.
Alguns riscos importantes para a demência estão além do nosso
controle: genética e histórico familiar e o próprio avanço da idade.
Fatores modificáveis, no entanto, são coisas sobre as quais podemos
agir.
“As pessoas têm tanto medo de desenvolver demência, perder sua
memória, sua personalidade, sua independência”, diz Livingston. “A ideia
de que você pode fazer muito sobre isso é poderosa.” Mesmo retardar seu
início pode ter um grande efeito.
“Se, em vez de conseguir aos 80, você conseguir aos 90, isso é uma grande coisa”, diz ela.
Exames oftalmológicos e auditivos, exercícios, controle de peso,
parar de fumar, medicamentos para pressão arterial, cuidados com o
diabetes – “não estamos falando de intervenções caras ou cirurgias
extravagantes ou consultas com especialistas que estão a horas de
distância”, acrescenta Ehrlich. “São coisas que as pessoas podem fazer
nas comunidades onde vivem.” / TRADUÇÃO DE RENATA MESQUITA
Pensamento computacional é uma estrutura repleta de atividades,
criadas para auxiliar crianças no seu desenvolvimento, usando conceitos
da computação. Saiba mais neste texto!
Cada vez mais, usa-se esse conceito para estimular o raciocínio em
adultos, e particularmente de crianças e jovens na escola regular e de
programação.
Através dessa técnica, que tem como base os mais recentes avanços
tecnológicos, a pessoa consegue “desenhar” soluções rápidas e práticas
para diversos tipos de problemas.
Especialmente no período da infância, quando se aprende noções
socioemocionais e intelectuais, esse método pode ser bastante útil para o
seu desenvolvimento.
Além disso, estamos em um novo momento, o da quarta revolução industrial. Isso tem relação direta com toda sociedade.
São muitas muitas demandas, as quais as crianças de agora deverão
absorver, portanto, é crucial que desde cedo aprendam a dominar alguns
elementos como podemos ler nesta matéria da Gazeta do Povo sobre a
influência dos recursos tecnológicos na educação.
Neste texto, vamos compartilhar um panorama geral a respeito do
desenvolvimento computacional e sua importância na vida da criança e do
jovem atual. Acompanhe!
Definindo o pensamento computacional
De um modo geral, é uma estratégia de aprendizado cujo intuito é formular melhor soluções para problemas por meio da tecnologia.
Porém, apesar do nome, é bom dizer que esse método nem sempre tem a
ver com programação de computadores ou até mesmo com a internet. A
tecnologia aqui pode aparecer de diversas maneiras.
Além disso, o conceito dessa metodologia se baseia em 4 pilares fundamentais:
Decomposição
Reconhecimento de padrões
Abstração
Algoritmos
Com relação à decomposição, essa parte do método consiste em dividir um problema muito complicado em algumas partes.
Já o reconhecimento de padrões é a parte onde a pessoa precisa
identificar padrões que sejam comuns entre os processos que foram
separados antes.
A abstração é a capacidade de raciocinar quais elementos dos processos têm relevância, e quais podem ser descartados.
Por fim, temos o que chamamos de algoritmos, que simplesmente reúnem
os pilares anteriores em busca de soluções para o problema proposto. Ou
seja, simplificando, o pensamento computacional reformula problemas
difíceis para torná-los mais compreensíveis.
Importância do pensamento computacional
Esse método pode ser usado por qualquer um, independente da idade e em várias circunstâncias.
Mas, especificamente, na área da educação, o conceito computacional é
bem importante para o desenvolvimento cognitivo de crianças.
De uma forma geral, ele combina a sala de aula com o mundo
contemporâneo, fazendo com que crianças e adolescentes tenham um
entendimento mais próximo do seu cotidiano.
Como muitas crianças já sabem mexer em aparelhos tecnológicos desde muito cedo, esse método é uma ótima ferramenta pedagógica.
Assim sendo, esse “saber” natural sobre tecnologia que geração atual
dispõe, pode ser unido ao pensamento computacional para desenvolver
habilidades.
Só pra citar alguns exemplos dessas habilidades:
Construção do pensamento lógico;
Melhor alfabetização digital;
Melhor autonomia na resolução de problemas;
Estímulo à criatividade.
Mais uma vez cabe lembrar que o pensamento computacional não se
restringe apenas à área tecnológica, mas, desenvolve também o
entendimento nesta área.
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Como aplicar o pensamento computacional?
A educação e a criatividade computacional já são realidade em países como EUA, Espanha e Austrália, por exemplo.
Você pode entender a importância deste conceito e sua aplicabilidade
na vida de crianças e jovens, nessa matéria da Amazon sobre a tecnologia
para 2022, que mostra que as mudanças tecnológicas daqui para frente
serão cada vez mais densas.
Em síntese, é graças a essas informações, será possível adotar
modelos de aprendizado com esse método através de experiências que deram
certo.
Nesse sentido, algumas escolas brasileiras já estão adotando o pensamento computacional com sucesso.
A aplicação vem se dando através do seguinte:
• Ensino de programação e robótica
Muitas crianças e jovens podem vir a trabalhar em profissões que não existem ou que ainda estão em fase de testes.
Por isso, a programação e robótica são duas áreas onde é possível
incluir o pensamento computacional à rotina dos estudantes sem grande
esforço.
Fora que a instituição ainda estará preparando os alunos para um mercado de trabalho verdadeiramente promissor.
• Auxílio no letramento digital
O letramento digital e os processos que envolvem o pensamento
computacional são ferramentas que podem ser trabalhadas juntas em sala
de aula.
Com isso, os alunos irão se adaptar mais às inovações tecnológicas, ao mesmo tempo em que desenvolvem suas linhas de raciocínio.
Antes, contudo, é preciso desenvolver uma base para um ambiente
digital na escola, pois, assim, todos irão se acostumar melhor com essa
rotina.
• Uso de metodologias inovadoras
Com o auxílio do pensamento computacional, é possível tanto
desenvolvimento melhor o entendimento dos alunos em ciências exatas como
melhorar seu aprendizado geral.
Assim, é importante valorizar uma instituição de ensino adote um currículo com multiplicidade de conhecimentos.
Dessa forma, será possível interligar disciplinas por parte da
tecnologia, e o pensamento computacional ajudará em um aprendizado mais
eficaz.
E, pra conseguir isso, o ideal é adotar metodologias novas e que fujam do padrão.
Atividades que desenvolvem o pensamento computacional
Existem algumas atividades ou mesmo cursos para crianças, que ajudam a
inserir bem o conceito de pensamento computacional nas escolas.
Há três tipos de atividades que podem ser feitas seguindo esses parâmetros. São elas:
Atividades alquimétricas
Basicamente se trata de trabalhos que mesclam conceitos de métrica (ou medida) e alquimia (que significa transformador).
Com isso, é possível montar brinquedos didáticos, e que podem, inclusive, ser feitos pelas próprias crianças e jovens.
Para isso, a escola ou em casa, pode-se usar material reciclável e
alternativo, unindo também o conceito de responsabilidade ambiental.
Computação desplugada
Aqui, trata-se de atividades que podem ser feitas fora do campo
virtual, mas que ainda contenham conceitos do pensamento computacional.
Para isso, a instituição fará atividades que simulem tarefas no computador ou em outros aparelhos eletrônicos.
Assim, crianças e jovens podem captar melhor o aprendizado antes
mesmo de mexerem com aparelhos tecnológicos e decidirem por um curso de
programação para criar um game ou além disso.
Computação plugada
Essas atividades são basicamente todas feitas com computador (ou simplesmente com aparelhos eletrônicos).
As possibilidades de atividades educativas com esses aparelhos são
imensas, e isso pode melhorar bastante o nível de aprendizado das
crianças.
Dentro dessa classificação, alguns trabalhos práticos podem ser feitos, como é o caso do desenho no escuro.
Trata-se da simulação na qual os alunos aprenderão os comandos de linguagem que realizam a programação dos computadores.
Com isso, aprenderão que as máquinas executam tarefas ao pé da letra por meio desses comandos.
A brincadeira aqui pode consistir em colocar os alunos em duplas, onde um representará a máquina, e o outro, o programador.
O programador recebe um desenho e deve dar instruções simples para a “máquina” reproduzir esse desenho.
Outra brincadeira para adotar o pensamento computacional na rotina
dos alunos pode ser a Torre de Hanói, aquele jogo com dois pinos e
discos de tamanhos diferentes.
Com essa atividade, todas as etapas desse conceito serão trabalhadas
enquanto os alunos se divertem transferindo os discos de um pino a
outro.
Enfim, vimos aqui o que é pensamento computacional, sua importância para o desenvolvimento de crianças e jovens e como aplicar.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
QUEM SOMOS
A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional,
desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em
divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo
as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade,
ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como
vantagem competitiva.
Nosso principal produto é a Plataforma Comercial Valeon um
marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das
empresas da região e alavancar as suas vendas.
A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região
no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma
proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior
de mais clientes e públicos.
Diferenciais
A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de
forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus
serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
A
ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para
todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o
nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à
comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
A ValeOn
atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos
pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no
comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
A
ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das
suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil
habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os
produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro
região do Vale do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua
audiência.
Protestos no Equador motivaram processo de impeachment contra o
presidente Guillermo Lasso: faltaram apenas 12 votos para sua
destituição| Foto: EFE/Santiago Fernández
Os protestos no Equador
quase tiraram do cargo na semana passada o presidente de centro-direita
Guillermo Lasso, que foi salvo de um processo de impeachment convocado
por parlamentares aliados do ex-presidente Rafael Correa e ligados aos
movimentos indígenas porque faltaram apenas 12 votos.
Embora também tenham sido registrados protestos no Peru e na
Argentina, onde há governos de esquerda, a direita parece mais acuada na
América do Sul, com as recentes vitórias eleitorais de esquerdistas no
Chile e na Colômbia, o cerco a Lasso no Equador e a Bolsonaro no Brasil.
O governo do Equador e o movimento indígena chegaram a um acordo na
quinta-feira (30) para encerrar os protestos que já duravam 18 dias, mas
num país em que outras grandes manifestações foram realizadas
recentemente, essa trégua está longe de representar alívio para a gestão
Lasso.
Para o venezuelano José Gustavo Arocha, especialista em segurança
nacional e mestre em administração pública pela Universidade de Harvard,
o modus operandi dos protestos do Equador foi o mesmo de manifestações
realizadas nos últimos anos no próprio país e também no Chile e na
Colômbia: usar reivindicações legítimas, como perda da renda e da
qualidade de vida (nos últimos dois anos, em um contexto de pandemia),
para emplacar narrativas ilegítimas.
“Há nesses protestos uma violência sistemática, para fazer com que a
força pública cometa excessos e, se houver pessoas feridas ou mortas,
tomá-las como mártires e usar isso para dizer que as instituições de
Estado não funcionam, não servem, o que gera novas ondas de protestos
que têm a função de deslegitimar o governo do momento”, explicou o
especialista, em entrevista à Gazeta do Povo.
Arocha acredita que, assim como ocorreu na Venezuela, o objetivo é
implantar um modelo que ele chama de paz criminal, em que instituições
paraestatais assumem o poder no vácuo do Estado e controlam populações
em todas as frentes, da segurança à distribuição de alimentos.
“É uma paz criminal porque é uma paz que advém do controle social,
não há a quem reclamar, porque não há instituições. É como fazem os
coletivos, organizações paramilitares, guerrilhas, narcotraficantes”,
descreveu o especialista. “Os mais pobres seguem pobres e não são
capacitados para sair dessa situação.”
Guillermo Lasso acusou diretamente o correísmo pela tentativa de destituí-lo com base nos protestos das últimas semanas.
“Todos somos testemunhas da tentativa da Unes [União para a
Esperança] de atacar a democracia, de aproveitar o caos para destruir a
institucionalidade no Equador”, disse Lasso, em mensagem de vídeo
postada nas redes sociais.
Venezuela impõe narrativas José Gustavo Arocha conhece a realidade
venezuelana não só por ser do país, mas porque sentiu na pele o peso do
autoritarismo chavista: tenente-coronel reformado do Exército, fugiu do
país em 2015 para se estabelecer nos Estados Unidos, após enfrentar o
regime chavista e ser preso e torturado.
O especialista descreveu a Venezuela como “um ponto crítico na
desestabilização da região”, não só por oferecer recursos humanos e
materiais para a esquerda radical da América do Sul, mas também por meio
de narrativas.
“A Venezuela ofereceu uma grande plataforma ao ex-presidente Rafael
Correa, que era um grande aliado do regime chavista e juntos eles
fizeram a Alba [Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América].
Nessa associação, eles oferecem todas as plataformas de um estado
legítimo e pressionam a ONU, a OEA [Organização dos Estados Americanos] e
outros organismos internacionais para que enxerguem o que acontece na
região sob sua ótica, ou, através das redes sociais, geram tendências e
narrativas”, detalhou.
“O ex-presidente Lenín [Moreno, que governou o Equador entre 2017 e
2021] acusou a presença da Venezuela nos protestos que enfrentou [em
2019], e esta começou a ficar na clandestinidade e a prestar outro tipo
de apoio.”
Na semana passada, o vice-presidente do governista Partido Socialista
Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, criticou o que chamou de
“silêncio” das Nações Unidas e da OEA sobre a resposta do governo
equatoriano aos protestos no país.
“Queremos expressar a nossa preocupação com o silêncio escandaloso da
OEA, do que resta do Grupo de Lima, de alguns governos que gostam de
criticar, da ONU, com a sua Comissão de Direitos Humanos, de todo o
mundo, que hoje permanecem em silêncio sobre o que está acontecendo no
Equador e o massacre que estão fazendo contra os nossos irmãos
indígenas”, disse o número 2 do chavismo.
Em entrevista à TV equatoriana, o coronel reformado Mario Pazmiño,
ex-diretor de Inteligência do Exército do país e analista de segurança e
defesa, apontou o envolvimento de quatro grupos locais em ações de
desestabilização do governo Lasso: Comitê de Defesa da Revolução (que
opera nacionalmente, mas em especial em Quito), Coletivo Insurgente (que
atua em áreas de fronteira), Grupo Guevarista (com vinculações com
facções de guerrilhas colombianas) e Grupo Mariateguista.
Entretanto, Pazmiño também apontou a atuação de grupos estrangeiros,
como o venezuelano Tren de Aragua, o colombiano Comandos da Fronteira e
até o brasileiro Comando Vermelho, que opera na província amazônica de
Sucumbíos.
Esquerda “light”: mesmos objetivos dos bolivarianos? José Gustavo
Arocha desconfia da chegada ao poder de presidentes sul-americanos de
esquerda que se dizem mais moderados, como o chileno Gabriel Boric e o
colombiano Gustavo Petro, a quem chama de “títeres” adeptos da mesma
estratégia de outrora de “gerar mal estar e deslegitimar as
instituições” para depois colher vitórias eleitorais.
“No fundo, eles têm os mesmos objetivos: controle social,
enfraquecimento das instituições, fim do Estado de Direito, aumento das
migrações, cerco à propriedade privada”, acusou.
Preocupado com as ameaças de destituição de Guillermo Lasso e crítico
de Lula, Arocha apontou que a direita e a centro-direita precisam
aprender a vender melhor suas propostas.
“O objetivo deles [esquerda] é criar uma sociedade dependente do
Estado, enquanto queremos o contrário. Mas como podemos vender melhor
essa narrativa? Porque ao final, o que a outra narrativa gera é mais
pobreza, mais caos, decepção, migrações, mas não estamos sabendo
divulgar isso de maneira mais eficiente. Abandonamos as escolas, as
universidades, os espaços públicos. Precisamos seguir edificando os
valores da propriedade privada, liberdade, esforço, trabalho, ao invés
dos que querem vender uma ideia de vida fácil”, concluiu.
Adidos militares recebem altos salários e várias indenizações no exterior.| Foto: EDVALDO BELITARDO
A
crise econômica e fiscal que assola o país não chegou às embaixadas
brasileiras. Os adidos militares do Brasil no exterior têm renda mensal
de até R$ 157 mil – cinco vezes o salário do presidente da República.
Oficiais superiores, eles têm salário em torno de R$ 25 mil no Brasil.
Em alguns meses, quando assumem ou deixam o cargo, apenas as
indenizações superam os R$ 200 mil. O adido militar no Japão, capitão de
mar e guerra André Luiz Melo Silva, por exemplo tem renda total de R$
157 mil, incluindo as indenizações.
O coronel da Aeronáutica Cruz Cyro André tinha salário de R$ 26,4 mil
até dezembro do ano passado. Foi nomeado para o cargo adido militar no
Reino Unido a partir de março deste ano. Em janeiro, recebeu verbas
indenizatórias no valor total de R$ 149 mil. Contando com a remuneração
básica do mês, a renda total chegou a R$ 189 mil.
Adido militar em Angola, o coronel do Exército Fábio Alexandro
Dockhorn de Oliveira tem remuneração básica de R$ 66 mil e recebe
mensalmente verbas indenizatórias no valor de R$ 83 mil. A sua renda
total fixa é de R$ 145 mil. O coronel do Exército Átila Leme Larsen é
adido militar na China. Tem remuneração básica de R$ 52 mil e recebe R$
66 mil de verbas indenizatórias, num valor total de R$ 118 mil.
Indenizações e remunerações eventuais O capitão de mar e
guerra Fernando Pereira de Almeida era adido militar em Cabo Verde, com
renda mensal de R$ 101 mil. No último mês no cargo, em fevereiro deste
ano, recebeu remuneração básica de R$ 69 mil, indenizações no valor de
R$ 218 mil e mais R$ 100 mil de “outras remunerações eventuais”. A renda
total chegou a R$ 387 mil. Em abril, o salário no Brasil ficou em R$
24,7 mil. Todos os valores citados na reportagem – pagos em dólar no
exterior – foram cambiados para reais.
O contra-almirante Carlos Roberto Rocha e Silva foi adido militar no
Uruguai até janeiro deste ano. Naquele mês, a sua remuneração básica foi
de R$ 72 mil. Ele recebeu mais R$ 165 mil de verbas indenizatórias e R$
103 mil de “outras remunerações eventuais”. A renda total chegou a R$
340 mil. Em maio, já no Brasil, ele recebeu salário de R$ 28,3 mil.
O capitão de mar e guerra Márcio Rossini Barreira exerceu o cargo de
adido naval na Venezuela até janeiro de 2022. Naquele mês, recebeu
remuneração básica de R$ 62 mil, “outras remunerações eventuais” no
valor de R$ 94 mil e indenizações no valor de R$ 148 mil. Um total de R$
304 mil. Já no Brasil, tem renda mensal de R$ 24,7 mil. Questionada
sobre o que são essas “remunerações eventuais” e quais indenizações
foram pagas, o Comando da Marinha nada respondeu.
Praças também são adidos O cargo de adido militar não é apenas
para oficiais superiores. Subtenentes e suboficiais desempenham a
função de auxiliar de adido. Mas a fartura é a mesma. Com renda em torno
de R$ 12 mil no Brasil, eles recebem até R$ 50 mil no exterior. O
subtenente do Exército Cláudio Ferreira de Moraes, auxiliar de adido em
Israel, tem renda básica de R$ 27 mil e indenizações no valor de R$ 24,6
mil – um total de R$ 52 mil.
O subtenente Robert Sena Vieira tinha renda de R$ 12,4 mil no Brasil
até dezembro do ano passado. Como auxiliar de adido no México desde
fevereiro deste ano, tem renda total de R$ 48 mil.
O que eleva a renda no exterior Os salários e demais direitos
de civis e militares em serviço no exterior são regulamentados pela Lei
5.809/72, assinada pelo general-presidente Emílio Garrastazzu Médici. O
salário dos militares no exterior, oficialmente chamado de soldo, é
constituído da remuneração básica, a gratificação por tempo de serviço e
as indenizações. A maior delas é a indenização de representação no
exterior (Irex), “destinada a compensar as despesas inerentes à missão
de forma compatível com suas responsabilidades e encargos”.
A definição é muito vaga, mas a lei especifica que o valor dessa
indenização é calculado em razão da natureza da missão, do cargo
exercido, da hierarquia militar, do custo de vida local e das condições
peculiares de vida na sede no exterior.
Há, ainda, o auxílio-familiar, a ajuda de custo de exterior, diárias,
auxílio funeral, auxílio-moradia, 13º salário e 1/3 de férias. O
auxílio-familiar é pago mensalmente para atender às despesas de educação
e assistência, no exterior, a seus dependentes.
Filhas solteiras não foram esquecidas São considerados
dependentes a esposa, menor de 21 anos ou estudante menor de 24 anos,
filha solteira sem remuneração, mãe viúva sem remuneração, enteados,
adotivos, tutelados e curatelados.
A ajuda de custo é paga adiantadamente ao servidor para custeio das
despesas de viagem, de mudança e da nova instalação. Tem o valor de duas
vezes a retribuição básica e duas vezes o auxílio-familiar, mais 1
indenização de representação no exterior.
O transporte é assegurado com o pagamento de passagem aérea para o
servidor e seus dependentes, com o translado da bagagem. O transporte é
assegurado, ainda, anualmente, no período mais longo de férias
escolares, “com passagens via aérea que possibilitem aos dependentes
reunirem-se à família na sede no exterior onde o servidor se encontrar
em missão”.
O auxílio-moradia no Exterior é devido ao servidor, em missão
permanente ou transitória no exterior, a título de indenização, para
custeio de locação de residência, na forma de ressarcimento por despesa
comprovada pelo servidor.