segunda-feira, 30 de maio de 2022

BOLSONARO ESTÁ CHEIO DE INQUÉRITOS E LULA NENHUM

 

Na mira de Moraes

Por
Renan Ramalho
Brasília


O ministro do STF Alexandre de Moraes, próximo presidente do TSE, e o presidente Jair Bolsonaro, durante encontro em 2019.| Foto: Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro (PL) responde a diversos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) há mais de dois anos. Atualmente, existem cinco investigações em andamento e não há, no curto prazo, perspectiva de que alguma delas avance para eventual denúncia, por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR), que possa levar o presidente a se tornar réu pelos supostos crimes de que é suspeito.

Sob o comando do procurador-geral Augusto Aras, indicado pelo próprio presidente, a PGR já se manifestou a favor do arquivamento de dois inquéritos, relativos a uma suposta prevaricação nas negociações para a compra da vacina indiana Covaxin (pedido aceito pela ministra Rosa Weber, do STF, que encerrou o caso) e outro relacionado à divulgação de uma investigação supostamente sigilosa sobre um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018 (apesar do pedido, o ministro do STF Alexandre de Moraes não encerrou o caso e decidiu estender a investigação).

Os outros inquéritos são os das fake news, das milícias digitais, um pela associação feita por Bolsonaro de que a vacina contra Covid pode causar Aids e outro por suposta interferência na Polícia Federal (PF). Nesses, também tocados por Moraes, não há qualquer indicação nos autos de que a PGR cogite imputar crimes ao presidente.

Se isso ocorresse, a denúncia teria de ser remetida à Câmara dos Deputados, a quem caberia autorizar o STF a analisar o caso. E, se entendesse que há indícios suficientes, abriria uma ação penal contra o presidente, o que acarretaria seu afastamento do cargo. Trata-se, hoje, de uma hipótese distante.

Entenda melhor, abaixo, a origem, o atual estágio e a perspectiva futura de cada uma dessas investigações.

  1. Inquérito 4781: fake news
    Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito das fake news em agosto de 2021, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No final de julho, Bolsonaro realizou uma live apenas para questionar a integridade das urnas eletrônicas, com base em vídeos que circulam na internet. A expectativa, como ele mesmo havia anunciado, é que fossem apresentadas provas incontestáveis de uma suposta fraude na eleição de 2018, o que Bolsonaro não fez.

O então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, pediu diretamente a Alexandre de Moraes para incluir Bolsonaro no inquérito das fake news. Sem consultar a PGR, Moraes aceitou o pedido, apontando que o presidente teria cometido crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação), de apologia ao crime, associação criminosa, denunciação caluniosa, crimes contra a segurança nacional e eleitorais.

Moraes disse que Bolsonaro teria se posicionado de forma “criminosa e atentatória às Instituições”, imputando aos ministros do STF a intenção de fraudar a eleição deste ano para favorecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de dizer que o voto eletrônico é fraudado e não é auditável. A ligação com o inquérito das fake news estaria no fato de que essas “afirmações falsas” fariam parte de uma “narrativa” que deslegitima as instituições, incluindo o STF, para destituir as pessoas que as representam e substituí-las por outras alinhadas a Bolsonaro.


A investigação sobre Bolsonaro passou a tramitar em autos apartados, dentro de uma petição sigilosa (PET 9842), dentro da qual foram tomados depoimentos de quem teria colaborado para a realização da live, como o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o coronel do Exército Eduardo Gomes da Silva. Ao ouvi-los, a delegada Denisse Ribeiro concluiu que a live foi preparada de maneira enviesada para reforçar o discurso de fraude nas urnas.

Num relatório elaborado em setembro, a delegada também pediu que a investigação fosse apensada (juntada) a um inquérito aberto de ofício por Moraes no final de julho, o das “milícias digitais” (INQ 4874), que substituiu outro, o dos “atos antidemocráticos” (INQ 4828), arquivado a pedido da PGR por falta de indícios envolvendo autoridades com foro privilegiado no STF.

Denisse Ribeiro afirmou que a live de Bolsonaro estava relacionada à atuação de uma organização criminosa, composta por seus apoiadores e que atua nas redes sociais para disseminar notícias falsas sobre a conduta dos ministros do STF e sobre o sistema de votação.

Em dezembro, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, enviou ao STF parecer contrário a um recurso de Bolsonaro para retirá-lo da investigação e concordando com os pedidos da PF para incluí-lo no inquérito das milícias digitais.

“A suposta divulgação de informação com baixa confiabilidade ocorrida no episódio apurado aparentemente foi seguida dos mesmos mecanismos de propagação de fake news nas redes sociais utilizados pelos grupos investigados no INQ 4874”, afirmou a subprocuradora.

No início de maio, Moraes acolheu o pedido da delegada e juntou a investigação sobre a live de Bolsonaro ao inquérito das milícias digitais, “cujo objeto é uma organização criminosa complexa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político, com objetivo de atacar o Estado Democrático de Direito”.

  1. Inquérito 4874: milícias digitais
    Aberta por Alexandre de Moraes no final de julho do ano passado, a investigação sobre as milícias digitais está focada em apoiadores de Bolsonaro que, segundo o ministro, formariam uma organização criminosa. O foco do inquérito, segundo o próprio Moraes, é apurar o financiamento da disseminação, nas redes sociais, de “ataques” às instituições, ao Estado de Direito e à democracia.

Informações sobre esse grupo começaram a ser levantadas nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos. Delegados da PF que respondem diretamente a Moraes apontaram a existência de quatro núcleos: o primeiro voltado para produção de notícias falsas; o segundo de divulgação desse material nas redes; um terceiro composto por políticos; e um quarto, por financiadores.

“Foram observados em ambos os inquéritos ataques coordenados e sistemáticos contra as Instituições, o Estado de Direito e a Democracia, todos ocorrendo no mesmo dia ou no dia seguinte de manifestações presidenciais, por uma série de perfis e páginas nas redes mundiais de computadores, sempre visando a ameaçar, agredir e a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal e à própria Corte”, descreveu o ministro numa decisão de agosto de 2021.

Os “ataques sistematizados” se iniciariam de forma concomitante e cessariam a partir um “comando específico” e usariam as redes como “instrumento de agressão, de propagação de discurso de ódio e de ruptura ao Estado de Direito e da Democracia”. Estariam envolvidos parlamentares, assessores parlamentares e do governo, incluindo pessoal ligado à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, que fariam parte do “gabinete do ódio”.

A base dessas investigações é um relatório de 2020 da empresa Atlantic Council, contratada pelo Facebook para identificar perfis anônimos que promoveriam desinformação política na plataforma. Foram banidas contas ligadas a auxiliares de Bolsonaro e de seus filhos.

Desde a live de julho de 2021 em que Bolsonaro levantou suspeitas sobre as urnas, Moraes indicou que ele deveria fazer parte do inquérito das milícias digitais. “Observou-se, como consequência das condutas do Presidente da República, o mesmo modus operandi de divulgação utilizado pela organização criminosa investigada em ambos os inquéritos, com intensas reações por meio das redes virtuais, pregando discursos de ódio e contrários às Instituições, ao Estado de Direito e à Democracia, inclusive defendendo de maneira absurda e inconstitucional a ausência de eleições em 2022”, afirmou no mesmo documento de agosto do ano passado.

Antes das “ilações” contra as urnas, o ministro disse que o mesmo modo de agir foi usado para culpar o STF pela impossibilidade de o governo federal atuar na pandemia e também para acusar ministros de beneficiar Lula eleitoralmente livrando-o das condenações na Lava Jato.

Por estar focado nas críticas de Bolsonaro às urnas eletrônicas, o inquérito tende a ser usado também no âmbito do TSE, onde tramita desde o ano passado um inquérito administrativo, conduzido pelo corregedor-geral eleitoral, atualmente o ministro Mauro Campbell, que reúne todas as declarações do presidente contra o sistema eleitoral.

Há a possibilidade de que as provas desse inquérito do TSE sejam usadas por partidos, candidatos adversários ou Ministério Público para impugnar a candidatura de Bolsonaro à reeleição. Em novembro do ano passado, ao receber um relatório da PF sobre a live de julho do presidente, o próprio Moraes destacou uma decisão do TSE à época que cassou o mandato do deputado estadual Fernando Francischini por causa de uma live em 2018, no dia das eleições, na qual apontou que estariam ocorrendo fraudes nas urnas para retirar votos de Bolsonaro.

“Ataques ao sistema eletrônico de votação e à democracia, disseminando fatos inverídicos e gerando incertezas acerca da lisura do pleito, em benefício de candidato, podem configurar abuso de poder político ou de autoridade – quando utilizada essa prerrogativa para tal propósito – e/ou uso indevido dos meios de comunicação quando redes sociais são usadas para esse fim […] O ataque ao sistema eletrônico de votação, noticiando-se fraudes que nunca ocorreram, tem repercussão nefasta na legitimidade do pleito, na estabilidade do Estado Democrático de Direito e na confiança dos eleitores nas umas eletrônicas”, diz o acórdão da condenação.

Na época, o TSE também arquivou ações do PT que acusavam Bolsonaro de estar por trás de um suposto esquema de disparo de fake news para atacar o partido, via WhatsApp, nas eleições de 2018. Os ministros concluíram que não havia provas do envolvimento do presidente, mas ressaltaram que isso também pode levar à cassação por abuso de poder.

  1. Inquérito 4878: divulgação de dados do TSE
    O inquérito foi aberto em agosto do ano passado, por causa de uma entrevista ao vivo em que Bolsonaro revelou detalhes de uma investigação da PF sobre um ataque hacker ao TSE em 2018, e em seguida publicou nas redes sociais links que davam acesso aos autos.

O TSE alegou que foram divulgados dados sigilosos e sensíveis do tribunal, ligados à segurança de sua área de tecnologia. Moraes abriu o inquérito e assumiu a relatoria por ver ligação do caso com o inquérito das fake news, em razão do contexto de críticas do presidente ao sistema eleitoral e aos ministros do STF, que também integram a Corte Eleitoral.

A hipótese apontada é que Bolsonaro teria cometido os crimes de divulgação de segredo e violação de sigilo funcional. A investigação da PF revelou que havia divergência interna quanto ao sigilo do inquérito divulgado por Bolsonaro: o delegado que investigava o ataque hacker disse que não havia segredo, mas a delegada Denisse Ribeiro, que investigou a divulgação, entendia que sim.

Em fevereiro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu o arquivamento do inquérito, por não ver crime na conduta de Bolsonaro. Argumentou que não havia sigilo no inquérito e que sua divulgação, portanto, não poderia ser punida.

Apesar desse pedido de arquivamento, até o momento Moraes manteve o inquérito em andamento. Em março, resolveu compartilhar seu conteúdo com o TSE, a pedido do corregedor-geral eleitoral, Mauro Campbell, que também quer usar o material no inquérito administrativo que tramita na Corte Eleitoral.

Já em maio, o Moraes pediu à PF um novo relatório, dessa vez para analisar mais a fundo os dados obtidos na quebra de sigilo telemático de Mauro Cid, um ajudante de ordens de Bolsonaro. Foi ele quem providenciou a disponibilização, na internet, de cópia do inquérito divulgado pelo presidente.

A PF conseguiu acessar arquivos armazenados em sua conta de e-mail e encontrou textos curtos, críticos às vacinas e às medidas restritivas adotadas para conter a pandemia de Covid. No primeiro relatório relacionado a esse material, o delegado Fábio Shor indicou que esses textos seriam usados por Bolsonaro em suas lives, transmitidas todas as quintas-feiras.

Moraes quer um novo relatório sobre esse material, para que a PGR se manifeste se existem crimes. A PF ainda não enviou esse novo relatório ao ministro. A Advocacia-Geral da União (AGU) já recorreu, para requerer o imediato arquivamento do inquérito.

  1. Inquérito 4888: associação de vacina à Aids
    O inquérito foi aberto por Alexandre de Moraes em dezembro do ano passado, a pedido do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid. O motivo foi uma live de outubro em que Bolsonaro disse que “relatórios oficiais do governo do Reino Unido sugerem que os totalmente vacinados estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida [Aids] muito mais rápido do que o previsto”.

Na época, os senadores da CPI pressionavam a PGR a abrir várias investigações sobre Bolsonaro por vários crimes que teria cometido na pandemia, mas estavam incomodados com a demora de Aras em abrir inquéritos. Assim, acionaram diretamente Alexandre de Moraes para investigar a declaração ligando vacinas à Aids.

O ministro abriu o inquérito, por ver relação com as fake news, mesmo contrariando a PGR, que pediu que o caso fosse analisado por outro ministro, no caso, Luís Roberto Barroso, que já havia recebido um pedido de apuração sigiloso relacionado ao assunto.


“Não há dúvidas de que as condutas noticiadas do Presidente da República, no sentido de propagação de notícias fraudulentas acerca da vacinação contra o Covid-19 utilizam-se do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais, revelando-se imprescindível a adoção de medidas que elucidem os fatos investigados, especialmente diante da existência de uma organização criminosa”, justificou Moraes.

A PGR disse que apurava o caso internamente, num procedimento sigiloso. Mas Moraes disse que era necessária supervisão judicial e pediu que tudo fosse esclarecido dentro do inquérito pedido pela CPI, relacionado à desinformação na pandemia.

Em abril, a PF pediu uma gravação integral da live. O ministro requisitou o material do Google, que hospeda o YouTube. E a empresa remeteu o vídeo no final do mês. Desde então, não houve mais decisões ou novidades na investigação.

  1. Inquérito 4831: interferência na PF
    Trata-se da investigação mais antiga aberta contra Bolsonaro, na condição de presidente, em tramitação no STF. Foi aberta a pedido da PGR, em 2020, logo após a saída do ex-ministro Sergio Moro do governo. No final de abril daquele ano, numa entrevista à imprensa, ele anunciou que pediu demissão do Ministério da Justiça por supostas tentativas do presidente de interferir na direção da PF, para que pudesse obter informações de investigações sobre familiares e aliados.

Desde 2019, Bolsonaro pressionava Moro a substituir na direção-geral da PF o delegado Maurício Valeixo, escolhido por Moro, por outro mais próximo e de sua confiança, como o delegado Alexandre Ramagem, que chefiou sua equipe de segurança na campanha de 2018.

Moro resistia e, diante do impasse, deixou o governo em 2020 e passou a criticar Bolsonaro. Diante de suas declarações, a PGR pediu inquérito ao STF para apurar se o presidente teria cometido crimes como obstrução de Justiça, coação no curso do processo e advocacia administrativa. O ex-juiz e ex-ministro também passou a ser investigado por denunciação caluniosa, na hipótese de ter mentido sobre Bolsonaro.

Desde então, diversos delegados e militares do governo prestaram depoimento, todos negando que a troca no comando da PF tenha dado a Bolsonaro informações privilegiadas ou poder de prejudicar ou direcionar as investigações.

Em março deste ano, a PF concluiu que Bolsonaro não cometeu nenhum crime e que também não seria possível imputar delitos a Moro. “No decorrer dos quase dois anos de investigação, dezoito pessoas foram ouvidas, perícias foram realizadas, análises de dados e afastamentos de sigilos telemáticos implementados.

Nenhuma prova consistente para a subsunção penal foi encontrada. Muito pelo contrário, todas testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações conduzidas na Polícia Federal”, escreveu no relatório final o delegado Leopoldo Soares Lacerda.

A PF analisou seis investigações que poderiam ser de interesse de Bolsonaro, incluindo uma sobre suposto vazamento ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre movimentações financeiras de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, investigado por operar, em seu favor, um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Outro caso de interesse seria o próprio inquérito das fake news, por envolver parlamentares que apoiam Bolsonaro.

Moraes negou o compartilhamento das provas do inquérito das fake news, o que inviabilizou o aprofundamento da investigação sobre a suposta interferência. “Os vastos elementos reunidos nos autos demonstram a inexistência de ingerência política que viessem a refletir diretamente nos trabalhos de Polícia Judiciária da União”, afirmou o delegado.

No fim de abril, Moraes, que assumiu a relatoria da investigação (substituindo Celso de Mello, que se aposentou em 2020), pediu a manifestação final da PGR sobre o caso. A tendência é que o órgão peça o encerramento do caso sem denunciar ninguém.

Inquérito 4875: prevaricação no caso Covaxin (arquivado)
Aberto no ano passado contra Bolsonaro, o inquérito sobre uma suposta omissão do presidente ante irregularidades nas negociações para compra da vacina Covaxin foi arquivado em abril deste ano pela ministra Rosa Weber, do STF.

A investigação foi aberta em julho de 2021 a pedido de senadores da CPI da Covid, após um depoimento do deputado Luís Miranda (Republicanos-DF), em que relatou uma “pressão incomum” dentro do Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana contra a Covid. Ele disse ter comunicado o caso diretamente ao presidente, que não teria acionado a PF para investigar o caso.

Num relatório sobre o caso entregue no final de janeiro, a PF concluiu que Bolsonaro não tinha a obrigação legal de comunicar irregularidades nas negociações, que não foram concretizadas. “Ainda que não tenha agido, ao Presidente da República Jair Messias Bolsonaro não pode ser imputado o crime de prevaricação. Juridicamente, não é dever funcional (leia-se: legal), decorrente de regra de competência do cargo, a prática de ato de ofício de comunicação de irregularidades pelo Presidente da República”, escreveu o delegado William Marinho.

Na mesma linha, o procurador-geral Augusto Aras pediu em fevereiro o arquivamento do inquérito, por não ver crime na conduta do presidente. Em março, Rosa Weber negou esse pedido, pois considerou que a omissão poderia sim configurar crime do presidente da República.

Aras então recorreu, acrescentando que não seria possível reunir provas contra Bolsonaro. Só então a ministra aceitou o pedido e encerrou o caso. “Não me resta alternativa senão acolher, desta feita, o pedido formulado”, escreveu Rosa Weber.


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GATANÇA DOS EX-PRESIDENTES DA REPÚBLICA

 

  • Lúcio VazPorLúcio Vaz – Gazeta do Povo

Presidência da República paga gastos com segurança em viagens de presidentes em campanha pela reeleição| Foto: Roberto Stuckert Filho

Presidentes candidatos à reeleição contam com uma mordomia que não está à disposição dos seus adversários. A Presidência da República paga as despesas com servidores da segurança e apoio técnico em qualquer deslocamento presidencial, inclusive para eventos eleitorais. As despesas com hospedagem e alimentação desses servidores são consideradas indispensáveis à segurança, atendimento logístico e pessoal nas viagens do presidente. Esta prática fica clara nos gastos com cartões corporativos nos deslocamentos da então presidente Dilma Rousseff em agosto e setembro de 2014, quando ela presidia o país e estava em campanha eleitoral. Ela teve o reforço de Lula em comícios de 2010.

Os dados foram obtidos pelo blog por meio da Lei de Acesso à Informação. Nas prestações de contas dos pagamentos feitos com cartões corporativos estão registrados os “eventos eleitorais” e as despesas com hospedagem de seguranças e assessores e alimentação de policiais civis, federais, rodoviários, bombeiros e até militares das Forças Armadas. Eles participam do esquema de segurança quando há presença de público.

As prestações de contas estão registradas em meio físico, em arquivos que enchem uma sala de um anexo da Secretaria Geral da Presidência. A análise de milhares de documentos foi feita em visitas presenciais ao arquivo, com a solicitação e entrega de cópias das páginas selecionadas pela reportagem. O pedido de acesso foi apresentado em 25 de abril.

Não estão incluídas as diárias pagas aos servidores integrantes da comitiva presidencial. Mas nem tudo é de graça. O ressarcimento das despesas com o uso de transporte oficial pelo presidente da República e sua comitiva, em campanha eleitoral, é responsabilidade do partido político ou coligação a que esteja vinculado. Todos esses dados são mantidos em sigilo durante o mandato presidencial, por questões de segurança, e divulgados somente após o término do mandato.

Eventos da “presidenta”

Na viagem para Belém, em 10 de setembro de 2014, o relatório de viagem é explícito: “Participação da excelentíssima senhora presidenta no comício de campanha eleitoral”. No documento, Dilma é tratada como “presidenta”, como ela exigia. A presidente chegou à capital paraense com a sua comitiva numa quarta-feira e teve apenas um evento da cidade – justamente o comício. Encerrado o evento, ela retornou para Brasília.

Em 6 de setembro, esteve em São Paulo num “Evento Eleitoral”, como descrevem os registros da viagem. Foi um “encontro com taxistas”, na sede do Sindicato dos Taxistas do Estado de São Paulo. Dilma chegou ao aeroporto de Congonhas ás 9h50. A comitiva presidencial deslocou-se para o sindicado às 10h, em comboio terrestre. O encontro, na Vila Clementina, durou 1 hora, com encerramento às 11h15.

Dali, a comitiva seguiu em comboio terrestre para a quadra do Sindicato dos Bancários, onde foi realizado o “Ato político mulheres com Dilma”, também classificado como “Evento Eleitoral”. Nos registros de custos de viagens da Presidência, a estada em São Paulo custou R$ 35 mil aos cofres públicos, (em valores atualizados pela inflação).

Em 25 de setembro, já nas proximidades do primeiro turno das eleições, a presidente Dilma esteve em Feira de Santana (BA). Os registros arquivados na Presidência deixam clara a finalidade dessa viagem: “Participar de caminhada (Evento Eleitoral), em Feira de Santana”. O evento ocorreu às 11h.

Participação em debates

Dilma visitou a cidade de Aparecida (SP) em 16 de setembro. A finalidade era apenas uma: “Participar de debate com os candidatos à Presidência da República”, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e TV Aparecida. Ficou registrado que se tratava de um “Evento Eleitoral”. A presidente chegou à cidade e dirigiu-se à Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Terminado o debate, pegou o avião presidencial e partiu para Brasília.

As equipes de segurança local não passaram fome. O sistema de segurança presidencial no município serviu 318 lanches para militares do Exército, 75 para policiais militares, 60 para policiais rodoviários federais, 60 para guardas municipais, 15 para policiais civis e 12 para policiais federais, num total de 540, com preço unitário de R$ 17,00. Como não houve pernoite em Aparecida, não houve despesa com hospedagem.

Em 1º de setembro, uma segunda-feira, Dilma participou do debate com candidatos à Presidência da República na emissora de TV SBT, em São Paulo. Ela chegou a Congonhas no domingo à noite. Deslocou-se de helicóptero até a Base do Ibirapuera e, depois, em veículos, até o hotel Unique. Na segunda, preparou-se para o debate no hotel, até às 16h. Chegou ao heliponto do SBT às 16h35. Dali, seguiu em comboio de veículos até os estúdios da emissora. O debate teve início às 17h45, com duração de duas horas. Chegou ao hotel, onde pernoitou, às 20h. A hospedagem de 28 integrantes da comitiva, paga com cartão corporativo, custou R$ 47,8 mil.

No dia seguinte, ao meio dia, ela foi de helicóptero para o Campo de Futebol 1º de maio. Seguiu logo em comboio até o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde participou de caminhada na Praça da Matriz de São Bernardo do Campo, às 15h. Chegou de helicóptero a Congonhas, de onde partiu para Brasília às 15h40.

Aviões, helicópteros, comboio terrestre

Como mostraram os registros da viagem para São Paulo, os deslocamentos nos locais dos eventos exigem uma enorme estrutura de transporte. Na viagem para Belo Horizonte, dia 13 de setembro, Dilma partiu do Palácio da Alvorada de helicóptero, às 9h, com cinco assessores, com destino à Base Aérea. Chegou ao aeroporto da Pampulha às 10h30, sendo recebida pelo “candidato a governador”, Fernando Pimentel; o “candidato a vice-governador”, Antônio Andrade; e o “coordenador da Campanha em Minas Gerais”, Walfrido Mares Guia, como registram os documentos oficiais.

A comitiva de 17 autoridades, políticos e servidores ocupou dois helicópteros. Todos seguiram para o heliponto do Clube das Quintas. Dali, seguiram em veículos para o heliponto da Igreja Nossa Senhora do Rosário, em três carros e duas vans. Dilma foi recebida nas escadarias da Igreja por grupo religioso de matriz africana para “agradecimento das lideranças do Movimento Negro pelo avanço na política pública de promoção da igualdade racial”. Em seguida, entrou na igreja e foi conduzida ao palco.

Às 11h, a “comitiva de campanha” chegou ao Marco Zero. Usaram a palavra os candidatos a senador, Josué Alencar; a governador; e o representante do Movimento Negro. Às 13h, a comitiva partiu para a residência do “coordenador da Campanha em Minas”, onde houve um almoço privado. Às 15h30, no Marco Zero, Dilma participou do “Encontro com a Juventude”, ao lado dos seus candidatos. Logo após, todos retornaram à Pampulha em veículos. A comitiva presidencial partiu para Brasília às 17h20.

Mas a campanha não teve apenas “almoços privados”, reservados à cúpula da campanha. Dilma foi ao Rio de Janeiro em 15 de setembro, para o lançamento do livro “Um País Chamado Favela”, na Central Única de Favelas (CUFA), em Madureira. Um cartão corporativo pagou R$ 22 mil por 1.163 kit-lanches, sendo 700 para agentes de segurança de área (Exército); 250 policiais militares, 28 bombeiros e 10 operadores de ambulâncias.

  • Lúcio VazPorLúcio Vaz – Gazeta do Povo

Presidência da República paga gastos com segurança em viagens de presidentes em campanha pela reeleição| Foto: Roberto Stuckert Filho

Presidentes candidatos à reeleição contam com uma mordomia que não está à disposição dos seus adversários. A Presidência da República paga as despesas com servidores da segurança e apoio técnico em qualquer deslocamento presidencial, inclusive para eventos eleitorais. As despesas com hospedagem e alimentação desses servidores são consideradas indispensáveis à segurança, atendimento logístico e pessoal nas viagens do presidente. Esta prática fica clara nos gastos com cartões corporativos nos deslocamentos da então presidente Dilma Rousseff em agosto e setembro de 2014, quando ela presidia o país e estava em campanha eleitoral. Ela teve o reforço de Lula em comícios de 2010.

Os dados foram obtidos pelo blog por meio da Lei de Acesso à Informação. Nas prestações de contas dos pagamentos feitos com cartões corporativos estão registrados os “eventos eleitorais” e as despesas com hospedagem de seguranças e assessores e alimentação de policiais civis, federais, rodoviários, bombeiros e até militares das Forças Armadas. Eles participam do esquema de segurança quando há presença de público.

As prestações de contas estão registradas em meio físico, em arquivos que enchem uma sala de um anexo da Secretaria Geral da Presidência. A análise de milhares de documentos foi feita em visitas presenciais ao arquivo, com a solicitação e entrega de cópias das páginas selecionadas pela reportagem. O pedido de acesso foi apresentado em 25 de abril.

Não estão incluídas as diárias pagas aos servidores integrantes da comitiva presidencial. Mas nem tudo é de graça. O ressarcimento das despesas com o uso de transporte oficial pelo presidente da República e sua comitiva, em campanha eleitoral, é responsabilidade do partido político ou coligação a que esteja vinculado. Todos esses dados são mantidos em sigilo durante o mandato presidencial, por questões de segurança, e divulgados somente após o término do mandato.

Eventos da “presidenta”

Na viagem para Belém, em 10 de setembro de 2014, o relatório de viagem é explícito: “Participação da excelentíssima senhora presidenta no comício de campanha eleitoral”. No documento, Dilma é tratada como “presidenta”, como ela exigia. A presidente chegou à capital paraense com a sua comitiva numa quarta-feira e teve apenas um evento da cidade – justamente o comício. Encerrado o evento, ela retornou para Brasília.

Em 6 de setembro, esteve em São Paulo num “Evento Eleitoral”, como descrevem os registros da viagem. Foi um “encontro com taxistas”, na sede do Sindicato dos Taxistas do Estado de São Paulo. Dilma chegou ao aeroporto de Congonhas ás 9h50. A comitiva presidencial deslocou-se para o sindicado às 10h, em comboio terrestre. O encontro, na Vila Clementina, durou 1 hora, com encerramento às 11h15.

Dali, a comitiva seguiu em comboio terrestre para a quadra do Sindicato dos Bancários, onde foi realizado o “Ato político mulheres com Dilma”, também classificado como “Evento Eleitoral”. Nos registros de custos de viagens da Presidência, a estada em São Paulo custou R$ 35 mil aos cofres públicos, (em valores atualizados pela inflação).

Em 25 de setembro, já nas proximidades do primeiro turno das eleições, a presidente Dilma esteve em Feira de Santana (BA). Os registros arquivados na Presidência deixam clara a finalidade dessa viagem: “Participar de caminhada (Evento Eleitoral), em Feira de Santana”. O evento ocorreu às 11h.

Participação em debates

Dilma visitou a cidade de Aparecida (SP) em 16 de setembro. A finalidade era apenas uma: “Participar de debate com os candidatos à Presidência da República”, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e TV Aparecida. Ficou registrado que se tratava de um “Evento Eleitoral”. A presidente chegou à cidade e dirigiu-se à Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Terminado o debate, pegou o avião presidencial e partiu para Brasília.

As equipes de segurança local não passaram fome. O sistema de segurança presidencial no município serviu 318 lanches para militares do Exército, 75 para policiais militares, 60 para policiais rodoviários federais, 60 para guardas municipais, 15 para policiais civis e 12 para policiais federais, num total de 540, com preço unitário de R$ 17,00. Como não houve pernoite em Aparecida, não houve despesa com hospedagem.

Em 1º de setembro, uma segunda-feira, Dilma participou do debate com candidatos à Presidência da República na emissora de TV SBT, em São Paulo. Ela chegou a Congonhas no domingo à noite. Deslocou-se de helicóptero até a Base do Ibirapuera e, depois, em veículos, até o hotel Unique. Na segunda, preparou-se para o debate no hotel, até às 16h. Chegou ao heliponto do SBT às 16h35. Dali, seguiu em comboio de veículos até os estúdios da emissora. O debate teve início às 17h45, com duração de duas horas. Chegou ao hotel, onde pernoitou, às 20h. A hospedagem de 28 integrantes da comitiva, paga com cartão corporativo, custou R$ 47,8 mil.

No dia seguinte, ao meio dia, ela foi de helicóptero para o Campo de Futebol 1º de maio. Seguiu logo em comboio até o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde participou de caminhada na Praça da Matriz de São Bernardo do Campo, às 15h. Chegou de helicóptero a Congonhas, de onde partiu para Brasília às 15h40.

Aviões, helicópteros, comboio terrestre

Como mostraram os registros da viagem para São Paulo, os deslocamentos nos locais dos eventos exigem uma enorme estrutura de transporte. Na viagem para Belo Horizonte, dia 13 de setembro, Dilma partiu do Palácio da Alvorada de helicóptero, às 9h, com cinco assessores, com destino à Base Aérea. Chegou ao aeroporto da Pampulha às 10h30, sendo recebida pelo “candidato a governador”, Fernando Pimentel; o “candidato a vice-governador”, Antônio Andrade; e o “coordenador da Campanha em Minas Gerais”, Walfrido Mares Guia, como registram os documentos oficiais.

A comitiva de 17 autoridades, políticos e servidores ocupou dois helicópteros. Todos seguiram para o heliponto do Clube das Quintas. Dali, seguiram em veículos para o heliponto da Igreja Nossa Senhora do Rosário, em três carros e duas vans. Dilma foi recebida nas escadarias da Igreja por grupo religioso de matriz africana para “agradecimento das lideranças do Movimento Negro pelo avanço na política pública de promoção da igualdade racial”. Em seguida, entrou na igreja e foi conduzida ao palco.

Às 11h, a “comitiva de campanha” chegou ao Marco Zero. Usaram a palavra os candidatos a senador, Josué Alencar; a governador; e o representante do Movimento Negro. Às 13h, a comitiva partiu para a residência do “coordenador da Campanha em Minas”, onde houve um almoço privado. Às 15h30, no Marco Zero, Dilma participou do “Encontro com a Juventude”, ao lado dos seus candidatos. Logo após, todos retornaram à Pampulha em veículos. A comitiva presidencial partiu para Brasília às 17h20.

Mas a campanha não teve apenas “almoços privados”, reservados à cúpula da campanha. Dilma foi ao Rio de Janeiro em 15 de setembro, para o lançamento do livro “Um País Chamado Favela”, na Central Única de Favelas (CUFA), em Madureira. Um cartão corporativo pagou R$ 22 mil por 1.163 kit-lanches, sendo 700 para agentes de segurança de área (Exército); 250 policiais militares, 28 bombeiros e 10 operadores de ambulâncias.

Lula também esteve em comícios

Em setembro de 2010, em campanha para o seu primeiro mandato como presidente, Dilma recebeu uma força do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, seu maior cabo eleitora. No dia 22, Lula voou para Curitiba, onde tinha um “compromisso “privado”, às 17h30. Seguiu do aeroporto para o compromisso em comboio terrestre. Às 19h30, chegou a um “Comício de Campanha”. O evento aconteceu na Praça do Semeador, no bairro Sítio Cercado, com a presença de Dilma e do candidato ao governo do estado Osmar Dias (PDT.

Depois, Dilma seguiu em comboio para o /Bourbon Convention Hotel, onde pernoitou. Os policiais e militares que atuaram na segurança local receberam 187 lanches, sendo 69 para militares do Exército, 72 para policiais militares, 10 para policiais rodoviários e 20 para servidores da Força Aérea, entre outros.

Em 17 de setembro, Lula visitou Juiz de Fora (MG). Deixou Brasília às 14h, utilizando uma numa aeronave Legacy, numa sexta-feira. Às 16h, já estava na inauguração das instalações do Campi Universitário do município. Às 18h, partiu para o local do “evento privado (comício)”. O comício ocorreu no Terreirão do Samba, ao lado da candidata Dilma, na presença de um público de 15 mil pessoas. Depois, seguiu para São Paulo.

Bem mais cedo, foi servido almoço em restaurante para “alimentar a tropa antes do evento”. Foram servidos 130 lanches para militares do Exército, 19 para policiais militares, 8 para bombeiros e 3 para agentes de saúde.

O que diz a Lei Eleitoral

A Secretaria Geral da Presidência da República, que faz o pagamento das despesas feitas pelo presidente da República, afirmou ao blog que somente as despesas elencadas no art. 76 da Lei 9.508/1997 são objeto de ressarcimento. O art. 76 diz que o ressarcimento das despesas com o uso de transporte oficial pelo Presidente da República, e sua comitiva, em campanha eleitoral, será de responsabilidade do partido político ou coligação a que esteja vinculado.

Mas a Secretaria Geral acrescentou que as despesas dos “servidores necessários à segurança e ao apoio técnico que ocorrem em qualquer deslocamento presidencial não são objeto de ressarcimento. Estes encontram-se desempenhando suas atividades vinculadas à competência institucional dos órgãos da Presidência da República”.

Em nota anterior, relativa ao pagamento das despesas com hospedagem de servidores e alimentação, a Secretaria Geral já havia informado que “tais despesas são inerentes à indispensável segurança, atendimento logístico e pessoal nas viagens do presidente, em consonância com a Resolução TSE 23.610/2019. A resolução diz que, “no transporte da(o) presidente em campanha ou evento eleitoral, serão excluídas da obrigação de ressarcimento as despesas com o transporte dos servidores indispensáveis à sua segurança e atendimento pessoal, bem como a utilização de equipamentos, veículos e materiais necessários à execução daquelas atividades”.

Como não houve alteração na Lei Eleitoral, o presidente da República, Jair Bolsonaro, terá direito a todas as mordomias oferecidas aos ex-presidentes Lula e Dilma em campanha pela reeleição. A pré-campanha de Bolsonaro já está em ritmo acelerado, com muitas visitas e inauguração de obras pelo país. Em março e abril, ele gastou R$ 2,9 milhões com cartões corporativos.

Lula também esteve em comícios

Em setembro de 2010, em campanha para o seu primeiro mandato como presidente, Dilma recebeu uma força do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, seu maior cabo eleitora. No dia 22, Lula voou para Curitiba, onde tinha um “compromisso “privado”, às 17h30. Seguiu do aeroporto para o compromisso em comboio terrestre. Às 19h30, chegou a um “Comício de Campanha”. O evento aconteceu na Praça do Semeador, no bairro Sítio Cercado, com a presença de Dilma e do candidato ao governo do estado Osmar Dias (PDT.


Depois, Dilma seguiu em comboio para o /Bourbon Convention Hotel, onde pernoitou. Os policiais e militares que atuaram na segurança local receberam 187 lanches, sendo 69 para militares do Exército, 72 para policiais militares, 10 para policiais rodoviários e 20 para servidores da Força Aérea, entre outros.

Em 17 de setembro, Lula visitou Juiz de Fora (MG). Deixou Brasília às 14h, utilizando uma numa aeronave Legacy, numa sexta-feira. Às 16h, já estava na inauguração das instalações do Campi Universitário do município. Às 18h, partiu para o local do “evento privado (comício)”. O comício ocorreu no Terreirão do Samba, ao lado da candidata Dilma, na presença de um público de 15 mil pessoas. Depois, seguiu para São Paulo.

Bem mais cedo, foi servido almoço em restaurante para “alimentar a tropa antes do evento”. Foram servidos 130 lanches para militares do Exército, 19 para policiais militares, 8 para bombeiros e 3 para agentes de saúde.

O que diz a Lei Eleitoral

A Secretaria Geral da Presidência da República, que faz o pagamento das despesas feitas pelo presidente da República, afirmou ao blog que somente as despesas elencadas no art. 76 da Lei 9.508/1997 são objeto de ressarcimento. O art. 76 diz que o ressarcimento das despesas com o uso de transporte oficial pelo Presidente da República, e sua comitiva, em campanha eleitoral, será de responsabilidade do partido político ou coligação a que esteja vinculado.

Mas a Secretaria Geral acrescentou que as despesas dos “servidores necessários à segurança e ao apoio técnico que ocorrem em qualquer deslocamento presidencial não são objeto de ressarcimento. Estes encontram-se desempenhando suas atividades vinculadas à competência institucional dos órgãos da Presidência da República”.

Em nota anterior, relativa ao pagamento das despesas com hospedagem de servidores e alimentação, a Secretaria Geral já havia informado que “tais despesas são inerentes à indispensável segurança, atendimento logístico e pessoal nas viagens do presidente, em consonância com a Resolução TSE 23.610/2019. A resolução diz que, “no transporte da(o) presidente em campanha ou evento eleitoral, serão excluídas da obrigação de ressarcimento as despesas com o transporte dos servidores indispensáveis à sua segurança e atendimento pessoal, bem como a utilização de equipamentos, veículos e materiais necessários à execução daquelas atividades”.

Como não houve alteração na Lei Eleitoral, o presidente da República, Jair Bolsonaro, terá direito a todas as mordomias oferecidas aos ex-presidentes Lula e Dilma em campanha pela reeleição. A pré-campanha de Bolsonaro já está em ritmo acelerado, com muitas visitas e inauguração de obras pelo país. Em março e abril, ele gastou R$ 2,9 milhões com cartões corporativos.

ELEIÇÕES DA TERCEIRA VIA

 

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Eleições 2022

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Alexandre Garcia – Gazeta do Povo
Porto Alegre


A senadora Simone Tebet e o ex-governador Eduardo Leite| Foto: Divulgação
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O presidente Jair Bolsonaro está indo nesta segunda-feira a Recife. Vai ver in loco os males causados pela chuva. São mais de 60 mortos e mais de mil desabrigados já. Tragédias brasileiras em todas as épocas do ano. No Rio de Janeiro, é no verão. Agora é Recife com chuvas torrenciais.

Maratona de viagens
Não sei como o presidente aguenta, é a maior correria, não tem parada. Estava em Goiânia na Marcha para Jesus. Depois foi para Manaus, com aquela multidão gigantesca também na marcha.  Antes disso teve Minas Gerais, também acompanhado de multidões, inclusive em Belo Horizonte.

Em Minas, no auditório da federação das indústrias, Bolsonaro levantou o braço de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, mostrando uma aliança. Depois levantou o braço de Arthur Lira (Progressistas), que ficou satisfeitíssimo, mostrando que está tudo bem entre o presidente da Câmara e o presidente da República. Eu faço uma ressalva, porque eu perguntei ao Palácio sobre o Rodrigo Pacheco, que muitos reclamam e chamam de roda presa. O Palácio disse que não tem queixas dele, que está encaminhando bem as questões de interesse da presidência da República.

PSDB provavelmente vai de Eduardo Leite
Aqui em Porto Alegre está todo mundo esperando para ver o que decide agora na quinta-feira o PSDB. Porque está entre Simone Tebet, que é MDB, e Eduardo Leite, que perdeu as prévias para João Doria. Dentro do partido não queriam Doria, ele não decolou. Eduardo Leite está se oferecendo para ser candidato, aliás já renunciou ao governo do Rio Grande do Sul exatamente para isso, não renunciou por nada, nem para ser vice de ninguém. Simone Tebet também não quer ser vice de Eduardo Leite, então já dá para prever que o PSDB siga com Eduardo Leite como cabeça de chapa.

Leite não vai ganhar mais votos que os outros dois, Bolsonaro e Lula, nem no estado onde foi governador. Estou sentindo aqui o ambiente, e é o seguinte: todo mundo sabe que ele saldou as dívidas do estado com o dinheiro recebido do governo federal para tratar de pandemia. E da pandemia todo mundo se queixa que ele, assim como outros governadores e prefeitos, o que fez foi tirar emprego e renda, porque não teve nenhum outro efeito o tal de lockdown.

Tríplex sorteado e o ridículo passado pelo STF
Foi sorteado no sábado o tríplex do Guarujá, que a OAS deu para Lula, conforme o processo que já foi revisado duas vezes e comprovou as condenações. Foi revisado no tribunal regional e superior, que comprovou as condenações, só que o Supremo que resolveu decidir que houve um erro de CEP, que não era em Curitiba que deveriam tratar disso.

Fernando Gontijo comprou e fez um sorteio numa plataforma chamada “Pancadão”. Quem pagasse R$ 19,90 poderia participar do sorteio. Duzentos e cinquenta mil pessoas pagaram e quem ganhou foi Antônio Tarcísio. Ele ganhou o tríplex que era de Lula, e que Lula disse que não era dele e sim de um amigo, assim como o sítio de Atibaia.

O Supremo passa por um ridículo com essas coisas, mas é um assunto seríssimo, um assunto de confiança na Justiça. Agora mesmo, vão para Algarve, em Portugal, segundo o Estadão, juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores para um evento sobre maus pagadores, débitos não pagos. Tudo de graça, pago exatamente pela entidade Instituto Brasileiro da Insolvência (Ibajud). Os juízes que estão indo lá são responsáveis por processos de mais de R$ 8 bilhões de devedores insolventes. Vai ser aberto pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Morte em abordagem da PRF
A Polícia Rodoviária Federal abriu inquérito, vai tomar medidas, afastou os cinco policiais que causaram a morte de Genivaldo de Jesus Santos. Ele, esquizofrênico, foi abordado e reagiu com susto. Puseram gás onde ele foi preso e acabou morto.

Eu vi uma postagem do ministro Gilmar Mendes dizendo “o assassinato do homem negro Genivaldo de Jesus Santos”. Gente, se houvesse uma petição do advogado dele, o texto seria “Genivaldo de Jesus Santos, brasileiro, casado, aposentado”. Ninguém falaria em cor de pele, Gilmar Mendes viu cor de pele. É o contrário do que diz a Constituição, em que todos são iguais sem distinção de qualquer natureza.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/eduardo-leite-nao-ganha-nem-no-proprio-estado/
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ELEIÇÕES NA COLÔMBIA

Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Por Carolina Marins – Jornal Estadão

Gustavo Petro vai disputar o segundo turno com Rodolfo Hernández em um resultado que demonstra o descontentamento dos colombianos com a política tradicional

MEDELLÍN – Em um surpreendente avanço na reta final da campanha, o candidato populista Rodolfo Hernández desbancou o candidato da direita tradicional, Federico “Fico” Gutiérrez, e vai ao segundo turno contra o esquerdista Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro que concorre à sua terceira eleição presidencial. Segundo analistas, o resultado deixa clara a insatisfação dos colombianos com os políticos tradicionais e o uribismo, a ala conservadora ligada o ex-presidente Álvaro Uribe.

Com 99,99% das urnas apuradas, Gustavo Petro avançou com 40,33% dos votos. Hernández, um magnata do setor da construção civil com um patrimônio avaliado em US$ 100 milhões e investimentos em todo o país, ficou com 28,15% (5,9 milhões) dos votos.

Com uma campanha forte nas redes sociais e encampando um discurso antissistema e de ataque à corrupção dos partidos tradicionais, Hernández cativou um eleitorado insatisfeito com a direita tradicional, que apoiava Gutiérrez, ligado ao atual presidente, Iván Duque. Essa será a primeira vez que o uribismo não terá um candidato próprio ou apoiado no segundo turno desde 2002.

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Pessoas caminham em Bogotá e passam por cartazes de Gustavo Petro, que tenta pela terceira vez ser presidente da Colômbia
Pessoas caminham em Bogotá e passam por cartazes de Gustavo Petro, que tenta pela terceira vez ser presidente da Colômbia  Foto: Mauricio Dueñas Castañeda/EFE

Já muito polarizada no primeiro turno, a nova rodada deve esquentar ainda mais o debate ideológico até 19 de junho, quando ocorre a disputa final entre os candidatos. Um deles à esquerda, que pela primeira vez pode governar o país, e o outro da direita radical.

Para Edgar Andrés Londoño, cientista político da Universidad Nacional de Colombia e doutor pela UERJ, a principal razão da ascensão de Hernández é e ele representar uma mudança nessa política tradicional, assim como o Petro. “Os resultados desse primeiro turno demonstram precisamente o fracasso das políticas da direita e do uribismo” diz Londoño. “Ele (Hernández) é um empresário e sua plataforma está organizada a partir dessa questão mais de negócios. Ele também tem a proposta de diminuir os impostos”. Duque – que não poderia concorrer à reeleição – tem o desempenho muito criticado nas áreas de economia, saúde, e na segurança pública, tema caro aos colombianos.

Insatisfação com o tradicional

Fico Gutiérrez – como é conhecido – do Equipo por Colombia é um representante do uribismo que há décadas governa a Colômbia. Em um país marcado pela violência, Fico apoiou toda a sua campanha na bandeira da segurança pública, prometendo combater o narcotráfico e demais grupos criminosos.

Embora tenha se distanciado do impopular partido governista de Iván Duque, Gutiérrez tem um discurso semelhante ao que levou Álvaro Uribe ao poder em 2002, promotor do atual presidente e influente político que conquistou grande parte de sua aceitação com uma estratégia de luta sem trégua contra os guerrilheiros de esquerda.

“A principal razão da ascensão de Hernández é porque ele representa uma mudança nessa política tradicional, assim como o Petro”, explica Londoño. “Ele é um empresário e sua plataforma está organizada a partir dessa questão mais de negócios. Ele também tem a proposta de diminuir os impostos e coisas que com Fico Gutiérrez pareciam que iam ser uma continuidade do governo de Duque que tem uma impopularidade muito grande.”

O candidato pela Liga de Gobernantes Anticorrupción, Rodolfo Hernández
O candidato pela Liga de Gobernantes Anticorrupción, Rodolfo Hernández Foto: REUTERS / REUTERS

Duque – que não pode concorrer à reeleição – tem uma impopularidade em torno de 67%. Sem conseguir cumprir suas promessas na área da segurança e com um desempenho muito criticado na economia e na saúde em meio à pandemia, Duque foi rejeitado por todos os candidatos ao cargo presidencial.

“O Duque tem a maior desaprovação dos presidentes recentes da história da Colômbia. Isso faz com que muitas pessoas tenham considerado que Fico Gutiérrez seria a continuidade e não queriam votar por Petro que representa uma esquerda que aqui no país é rejeitada por muitos setores políticos poderosos e por parte da população”, afirma Londoño.

Cenário na América Latina

A votação expressiva de Petro repete um roteiro de eleições em outros países da América Latina. Liderados por liberais, países como a Argentina, de Mauricio Macri, elegeu Alberto Fernández, e o Chile, então governado por Sebastián Piñera, escolheu Gabriel Boric – nos dois casos, políticos identificados com a esquerda.

Na Colômbia, porém, o candidato do Pacto Histórico, terá de superar uma intensa polarização e um aumento da violência eleitoral. Segundo dados da organização civil Misión de Observación Electoral, em 2018, na vitória de Duque, o país registrou 322 casos de violência com motivação eleitoral, sendo que 131 foram direcionados a líderes políticos.

Em 2022, o número total saltou para 683, alta de 112.1%.Analistas projetam um segundo turno ainda mais tenso, com uma clara tendência de setores da direita se unindo para evitar uma vitória do ex-guerrilheiro. Ainda no domingo, Gutiérrez, que obteve 23,9% (5 milhões) dos votos, anunciou apoio a Hernández. “Não queremos perder o país e não vamos colocar em risco o futuro da Colômbia”, disse.

Após o resultado, Petro disse que uma vitória do seu adversário “é um risco para a democracia e para as liberdades da Colômbia”Para Londoño, o resultado das urnas no domingo, 29, torna as previsões sobre um segundo turno mais difíceis, pois Hernández se mostra muito competitivo. “Acho que muitos votos de ‘Fico’ Gutiérrez devem ir para Hernández e não pra Petro.”

A polarização, no entanto, tende a ser bastante diferente da que seria em um cenário Petro e Fico. “A polarização estará mais distante do uribismo. Vão entrar outros temas, outras questões que Uribe e esquerda como era antes”, finaliza.

 

GUERRA NA UCRÂNIA

 

Leia artigo de 35 diplomatas

Foto: Redação

Por Diplomatas de 35 países* – Jornal Estadão

Guerra de desinformação travada pelo Kremlin faz parte da tentativa de minar a solidariedade internacional e o apoio à Ucrânia

Nossos países estão de luto, juntamente ao Brasil e à comunidade internacional, pela perda de vidas inocentes e o deslocamento forçado de milhões de pessoas causado pela invasão não provocada, injusta e ilegal da Ucrânia pela Rússia. A invasão viola o direito internacional e ameaça a ordem global baseada em regras, que ajudou a preservar a paz na Europa e além desde a Segunda Guerra Mundial.

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Assim como nossos países, o Brasil condenou a invasão da Rússia na Assembleia Geral das Nações Unidas. E, como muitos de nós, o Brasil está dando apoio humanitário à Ucrânia e proporcionando um porto seguro para os ucranianos que tiveram que fugir de suas casas.

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Enquanto a Ucrânia luta para se defender da guerra de agressão da Rússia, a comunidade internacional se vê lutando uma guerra de desinformação travada pela Rússia. Isso faz parte da tentativa do Kremlin de minar a solidariedade internacional e o apoio à Ucrânia.

A guerra da Rússia prejudica a todos nós

A invasão da Ucrânia pela Rússia está afetando a todos. O mundo inteiro se vê defrontado com interrupções na cadeia de suprimentos e dolorosos aumentos no preço dos alimentos e da gasolina. O Brasil é particularmente afetado pelo risco de escassez de fertilizantes. E, no entanto, o governo russo está tentando convencer o mundo de que não é responsável por nada disso.

Residente anda em meio a destroços de um prédio bombardeado por forças russas em Severodonetsk
Residente anda em meio a destroços de um prédio bombardeado por forças russas em Severodonetsk 

Mas é a Rússia que está bombardeando campos e estoques de grãos, impedindo as colheitas de trigo e milho. É a Rússia que está bloqueando os portos e paralisando a capacidade da Ucrânia de exportar alimentos, provocando uma potencial escassez de alimentos. É a Rússia que está expulsando milhões de pessoas de suas casas ao bombardear cidades e vilarejos. Se a Rússia se retirar da Ucrânia, muitas das interrupções no fornecimento de alimentos e bens essenciais se dissiparão.

As sanções impostas pela comunidade internacional foram apropriadas e necessárias – elas não incluem alimentos ou fertilizantes. As sanções visam líderes políticos e militares russos, oligarcas e propagandistas, não o povo russo. Se o direito internacional significa algo, as elites russas não podem violá-lo impunemente; elas devem pagar um preço.

A propaganda grosseira deve ser vista pelo que é

A Rússia está usando mentiras para justificar a invasão, alegando que a Ucrânia é governada por nazistas que cometeram atrocidades contra russos étnicos. Mas foi incapaz de fornecer qualquer evidência dessas supostas atrocidades. A verdade é que a última vez que a Ucrânia experimentou o uso de foguetes e artilharia pesada para atingir e aterrorizar civis foi quando ela foi invadida por nazistas de verdade durante a Segunda Guerra Mundial.

A Rússia está tentando desviar a culpa pelas violações de direitos humanos alegadas contra ela, que o Conselho de Direitos Humanos da ONU está agora investigando. Ela nega qualquer responsabilidade pelos massacres e estupros em Bucha e em outros lugares, o ataque aéreo na estação de trem de Kramatorsk que abrigava mulheres e crianças, e os mais de 10.000 civis mortos em Mariupol. Mas todos nós sabemos onde está a verdade.

Precisamos reconhecer onde está a responsabilidade

Assim como nós, o Brasil acredita nos princípios das Nações Unidas – que os direitos humanos e a independência dos Estados soberanos devem ser respeitados, as disputas devem ser resolvidas pacificamente, e o poder militar não deve espancar o direito moral. Todos temos um interesse comum em defender o Estado de direito na Ucrânia e rejeitar as tentativas da Rússia de culpar os outros pelas consequências de sua agressão.

SAFRA DE GRÃOS VAI FICAR MAIS CARA

 

Fertilizante, defensivo e óleo diesel são os vilões dos custos de produção da próxima safra e devem encarecer em 45% o plantio da soja e em quase 50% o do milho no País

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

Produtor rural há dez anos, Fabrício Maestrello pela primeira vez vai reduzir a área plantada com soja na safra a ser semeada em setembro. Dos 1,2 mil alqueires (cerca de 2,9 mil hectares ou a área equivalente a quase 3 mil campos de futebol), próprios e arrendados que normalmente cultiva na região de Paranacity, noroeste do Paraná, ele vai plantar a metade. O motivo do corte foi a alta de preços dos insumos. “O aumento foi muito superior à valorização do grão, é um negócio que você entra devendo”, afirma.

Produtor
O produtor Fabrício Maestrello, do Paraná, vai cortar pela metade áreas de produção de soja, entre próprias e arrendadas Foto: ROGÉRIO RECCO/COCAMAR

Os três vilões da alta de custos, segundo o produtor, são o fertilizante, o defensivo e o combustível. Neste ano, Maestrello desembolsou R$ 6,2 mil pela tonelada de adubo, 120% a mais do que na última safra. Pelo litro do herbicida, pagou R$ 90, quatro vezes o que gastou em 2021. Isso sem falar no diesel usado nos tratores. “Custava R$ 4 e pouco o litro e agora está quase R$ 7.” No período, a soja no mercado futuro subiu cerca de 40%.

Recorde indesejado

 A forte pressão de custos dos insumos enfrentada por Maestrello é a realidade dos agricultores brasileiros que vão plantar a safra mais cara da história, apontam levantamentos de várias instituições. A guerra entre a Ucrânia e a Rússia, esta última um dos principais exportadores de adubos para o Brasil e a crise energética e logística da China, onde estão as fábricas de defensivos, além da alta do diesel, levaram os preços de insumos às alturas.

Pressões de custos dos grãos soam como um sinal de alerta para uma inflação de alimentos “encomendada”, que pode se concretizar em 2023 ou não, a depender da situação do mercado na hora da comercialização da safra.

Nas contas da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o gasto médio no País para produzir um hectare este ano deve crescer 45% para a soja e aumentar quase 50% para o milho em relação ao anterior. “Pode ser que o custo seja ainda maior”, frisa Maciel Silva, coordenador de Produção Agrícola da CNA. É que, neste momento, nem todos os insumos foram comprados e, portanto, estão sujeitos a altas de preços, diz.

No entanto, o aumento de custos em regiões específicas e consolidadas na produção de grãos supera a média nacional calculada pela CNA. A alta dos gastos com insumos para a próxima safra de soja varia entre 60% e 70% no norte do Paraná e no Mato Grosso em relação à anterior, apontam a cooperativa Cocamar, de Maringá (PR), e o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. 

Fertlizante

O fertilizante é o item que mais deve contribuir para que a próxima safra de grãos seja a mais cara da história recente, segundo analistas especializados em agronegócio. Nas contas do superintendente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Anderson Bertoletti, o aumento do preço do produto no último ano foi de 140%, seguido pelo dos defensivos (de 60% a 70%) e pelo das sementes (15% a 20%). 

Diante do cenário de incerteza sobre a disponibilidade de produto e do risco de preços ainda mais elevados, a cooperativa, que reúne 16 mil produtores no norte do Paraná, tem antecipado as compras. Hoje, 80% dos insumos já foram comercializados, ante 60% nesta mesma época de anos anteriores. Além da alta de preços, pode faltar algum produto, alerta o superintendente.

Neste momento, a indústria de adubos está fazendo uma ginástica enorme para disponibilizar os fertilizantes em razão de problemas logísticos decorrentes da guerra na Ucrânia, aumento de custos de frete marítimo e a maior demanda mundial por adubos, segundo o diretor executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella.

 No primeiro bimestre, o dado mais recente disponível, houve retração de 11% nos volumes de fertilizantes entregues aos agricultores brasileiros para todas as lavouras em relação a igual período de 2021, segundo dados da Anda.

“O mundo mudou, não é como antes, tem um sinal amarelo ligado”, afirma Tortorella, fazendo referência às incertezas geopolíticas no mercado provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Apesar disso, ele diz que o setor está conseguindo atender a demanda, mas não no ritmo desejado.

Hoje o Brasil produz só 15% dos fertilizantes que consome. O Plano Nacional de Fertilizantes, recentemente lançado, só vai começar a ter efeitos na oferta no longo prazo. Esses fatores contribuem para um cenário incerto de preço dos adubos no curto prazo.

Em resposta ao aumento de custos de insumos e ao juro mais elevado para o custeio da próxima safra, o gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, Guilherme Belotti, acredita que os agricultores vão reduzir o ritmo de expansão da área plantada de grãos. “O produtor deve ficar mais cauteloso”, diz, lembrando que nas duas últimas safras houve avanços significativos. Para ele, por mais que os preços das commodities estejam elevados, as margens de ganho dos produtores devem ser achatadas em razão dos aumentos de custos.

ANSIEDADE FAZ ALIMENTAR MAIS

 

CAMILA TUCHLINSKI – O ESTADO DE S.PAULO

  • Como lidar com o ‘comer emocional’ quando as temperaturas estão mais baixas? 
Quando a temperatura cai, nossa tendência é sentir mais fome e buscamos alimentos mais quentes e calóricos. 

Quando a temperatura cai, nossa tendência é sentir mais fome e buscamos alimentos mais quentes e calóricos.  Foto: Pixabay/congerdesign

Você já reparou que sentimos mais fome no frio? Não, isso não é coisa da sua cabeça. Existe uma explicação: os seres humanos se sentem ameaçados pelas baixas temperaturas e essa percepção faz com que haja uma busca por calor, que pode ser suprida também através dos alimentos. 

“Com certeza as pessoas sentem mais fome no frio por uma questão de sobrevivência. Ele baixa a nossa capacidade de esquentar o corpo, portanto, precisamos de mais calorias. Na parte psicológica, tem a ver com essa informação que o corpo recebe que vem em dissonância com o que sabemos. Por exemplo, sabemos que não estamos no inverno e, teoricamente, não deveríamos estar sentindo frio, mas estamos. Então, gera um conflito. É uma quebra da lógica orgânica”, explica a neuropsicóloga Gisele Calia.

A endocrinologista Lívia Marcela acrescenta que, nessa época, é comum optarmos por alimentos mais quentes e, com isso, mais calóricos, mais gordurosos. “Isso porque eles demoram mais para serem digeridos, produzindo, assim, maiores quantidades de calor. Um estudo da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, rastreou o quanto as pessoas comiam em cada estação do ano e com que rapidez. Os entrevistados consumiram cerca de 200 calorias a mais por dia a partir do outono, principalmente quando os dias ficaram mais escuros”, afirma. 

Outro dado importante é que, nesse período do ano, ocorre uma diminuição na produção de serotonina, um neurotransmissor que promove a sensação de bem-estar. Para suprir esta sensação de tristeza e desânimo, a maioria das pessoas acaba compensando com os alimentos.

A neuropsicóloga Gisele Calia ressalta que a comida gordurosa fornece mais caloria com menos quantidade: “E aí é uma escolha lógica e saborosa, porque o nosso paladar também foi moldado há anos para que gostássemos de coisas gordurosas, de energia rápida como o açúcar. E isso de fato aquece o corpo”.

Hambúrguer, batata frita e alimentos gordurosos demoram mais para serem digeridos, produzindo, assim, maiores quantidades de calor. 

Hambúrguer, batata frita e alimentos gordurosos demoram mais para serem digeridos, produzindo, assim, maiores quantidades de calor.  Foto: Pixabay/PortalJardin

Outro fato importante é que, no frio, nós gastamos mais energia para exercer as mesmas funções. “Isso porque nosso corpo tem que manter a temperatura estável e isso requer um gasto calórico maior. Esse gasto calórico gira em média em 200 calorias por dia. Porém, às vezes, nós exageramos na reposição de calorias nessa época do ano, o que pode render alguns quilinhos extras no final da estação”, destaca a doutora em Endocrinologia pela Unifesp Lívia Marcela. 

A especialista também lembra que essa sensação de frio pode variar entre os gêneros. “Algumas pesquisas revelam que as mulheres sentem mais frio do que os homens. Uma das explicações fisiológicas para essa diferença na sensação térmica é a quantidade e distribuição de pelos pelo corpo, também pela constituição física e pelos hormônios. Os pelos estão ligados a nervos que os contraem no frio e ajudam a elevar a temperatura corporal. Como as mulheres estão sempre depiladas e constitucionalmente têm menos pelos que os homens, tendem a ter menos contrações acontecendo abaixo da pele e tremem com qualquer brisa”, diz.

Doces e outras guloseimas são irresistíveis para algumas pessoas e essa vontade pode ficar acentuada no inverno. 

Doces e outras guloseimas são irresistíveis para algumas pessoas e essa vontade pode ficar acentuada no inverno.  Foto: Pixabay/silviarita

Ansiedade pode ser agravada diante do frio e a necessidade de comer mais

Você já ouviu falar sobre o ‘comer emocional’? Este é um termo usado para pessoas que, mesmo sem estar com fome, têm uma vontade irresistível de ingerir comida e, normalmente, de forma voraz. Essa situação fica mais evidente na compulsão alimentar. Porém, outras questões de saúde mental, como ansiedade e até mesmo quadros de depressão, podem ter os sintomas exacerbados.

“Qualquer reação física de falta, por exemplo, falta de cobertor, de alimento, ou outras necessidades como matar a sede e até vontade de ir ao banheiro, isso tudo gera ansiedade. O corpo interpreta que está faltando isso e, se não suprir essas necessidades, vai ter alguma consequência. E a ansiedade está muito relacionada à perigo, seja real, físico ou psicológico. Então, comer mais por ansiedade acontece quando está mais frio também”, avalia Gisele Calia. 

Portanto, segundo a neuropsicóloga, a ansiedade é ‘disparada’ por questões fisiológicas como a queda de temperatura climática e a fome: “Quando a pessoa tem algum tipo de desequilíbrio emocional, quer seja por depressão, ansiedade e transtorno alimentar, sentir mais fome agrava os sintomas. Isso desequilibra o já frágil controle de ingestão de alimentos”. 

O nosso organismo tenta se adaptar às mudanças do ambiente mas, para pacientes com qualquer tipo de transtorno mental, de leve a grave, a situação é mais desafiadora. “Uma revisão publicada em 2013 na revista Frontiers in Neuroscience, que analisou dados tanto em pessoas quanto em animais, descobriu que mudanças sazonais afetam muitos hormônios relacionados à fome e apetite, incluindo glicocorticóides, grelina e leptina”, aponta Lívia Marcela. 

Além das alterações nos hormônios, os dias de inverno são, em geral, mais escuros, e somos menos expostos à luz solar. Esse fato também aumenta a ansiedade e pode despertar sentimentos de tristeza

“Esses são sentimentos que estão diretamente relacionados com a procura de alimentos mais palatáveis e geralmente também existe um aumento da quantidade de alimentos. Além disso, nesta época ocorre uma diminuição na produção de serotonina, um neurotransmissor que promove a sensação de bem-estar. Para suprir esta sensação de tristeza e desânimo, a maioria acaba compensando com os alimentos”, analisa a endocrinologista, que cita um estudo realizado em Campinas e que acompanhou 227 mil indivíduos, entre 2008 e 2010. 

Os pesquisadores verificaram que os níveis de colesterol “ruim” (LDL) aumentaram significativamente no inverno e diminuíram no verão. 

Dicas para evitar comer exageradamente no inverno

Se você percebe que sente mais fome quando fica ansioso, triste, com raiva ou com qualquer outro sentimento, é preciso redobrar a atenção no inverno. “Uma dica importante para driblar o ‘comer emocional’, quando realmente não é uma necessidade orgânica, é fazer uma leitura antes de colocar o alimento na boca. Uma vez que o alimento está na boca, deflagra todo o processo de dificuldade de interromper ou compulsão”, enfatiza Gisele Calia.

A neuropsicóloga propõe uma espécie de ‘conversa’ com o alimento e simula um diálogo: “Então, você olha para a comida e reflete: ‘Sim, estou com vontade de comer esse doce porque sei que é gostoso, mas como está meu estado emocional agora?’. ‘Que hora almocei e jantei? Bom, não importa, sigo com vontade de comer o doce’. Na sequência, você pode raciocinar assim: ‘O que que estou sentindo, intendente da vontade de comer doce?’. É como se a vontade de comer doce se sobrepusesse a todas as outras sensações e desejos. ‘Se não existisse o doce aqui, o que estaria sentindo além desta vontade?’. É difícil traduzir isso de um jeito prático, mas é tentar tirar o doce da frente ou o alimento que está te ‘tentando’ e ver o que realmente está te fazendo falta”. 

A vontade de comer doce, a batatinha frita ou a macarronada podem estar escondendo outros sentimentos como aceitar um conflito, um sentimento negativo ou a ansiedade por ter de tomar alguma decisão, por exemplo. A dica é tentar, racionalmente, refletir sobre o comer, do contrário, você pode ceder à tentação e deixar o instinto ‘impulso’ imperar.  

Aqui no Brasil, a época mais fria do ano coincide com as tradicionais festas juninas, com diversas guloseimas como canjica, paçoca, pé-de-moleque, bolo de milho e quentão. E isso aumenta a dificuldade de controle do peso.

A endocrinologista Lívia Marcela fez uma lista de dicas para a reportagem do Estadão para você evitar comer exageradamente no frio:

– Comidas mais quentes e cremosas: “Temos a sensação do aumento de fome e também ficamos imaginando delícias como um brigadeiro de panela naquelas noites frias e chuvosas. Isso acontece porque o nosso organismo precisa de mais energia para manter a temperatura corporal. Então, a orientação para esses momentos de gula é procurar comer mais vezes durante o dia, evitando o consumo de alimentos mais gordurosos à noite”, afirma. 

– Carnes, risotos e queijos são bem-vindos: “Mas uma ótima ideia é incluir no cardápio temperos termogênicos, que aquecem o corpo e aumentam o gasto calórico. Tente não confundir tédio com fome, por exemplo, ‘estou sem nada para fazer então vou comer’. Isso realmente acontece normalmente no inverno”, diz

– Sopas e cremes: é preciso ter cuidado, pois alguns são preparados com ingredientes altamente calóricos. Avalie sempre antes de tomar.

 – E se não conseguir beber água no frio: uma opção para manter a hidratação em dia é investir em uma variedade de bebidas quentes, como os chás.

“A diminuição da prática de atividade física também ocorre, já que no frio as pessoas tendem a se exercitar menos. Esses comportamentos acabam se enquadrando como fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes”, conclui a endocrinologista Lívia Marcela.

sábado, 28 de maio de 2022

CÂMARA DOS DEPUTADOS VAI VOTAR PROJETOS QUE REFORÇAM SEGURANÇA PÚBLICA

Semana de votações

Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília


Carro abandonado por bandidos que praticaram ações do “novo cangaço” em Guarapuava (PR): esse tipo de ação está no radar do pacotaço da segurança.| Foto: Divulgação/Sesp

A Câmara dos Deputados deve promover, no início de junho, uma semana de votação de propostas ligadas à segurança pública. A ideia é costurada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e tem o apoio de parlamentares alinhados com o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Os defensores da iniciativa esperam a votação de propostas que combatam o chamado “novo cangaço”, que ampliem punições a quem comete feminicídio e também que atendam a demandas corporativas dos profissionais da segurança pública. As categorias do setor apoiaram Bolsonaro em 2018 e tendem a defender a reeleição do presidente em outubro, mas contestam decisões administrativas do governo e muitos falam em “abandono” da categoria por parte do governo. Uma das medidas tomadas pelo Planalto que desagradou o setor foi a reforma da Previdência, que reduziu o valor de aposentadorias de profissionais da segurança.


A fonte das propostas que serão submetidas a votação é a Comissão de Segurança Pública, que atualmente é presidida por Aluísio Mendes (PSC-MA) e que tem apoiadores do governo em sua cúpula – o vice-presidente é Daniel Silveira (PTB-RJ).

Na próxima quarta-feira (25), a comissão deve se reunir para fechar uma lista de proposições que poderão fazer parte do mutirão de votações. Segundo Mendes, a ideia é apresentar a Lira proposições que tenham “o mínimo consenso” e, portanto, tenham mais chances de aprovação. No sistema de votação idealizado por Lira, as propostas estarão em regime de urgência, e portanto não precisarão ser apreciadas por comissões, podendo ser levadas diretamente ao plenário.

“Foi um acordo, fiz isso com ele [Lira] no início do ano. Eu, junto com ele, queríamos uma semana de votações. Há débito grande [com a agenda da segurança pública]”, diz Mendes. “Daremos prioridade a projetos que aumentam pena contra crimes de feminicídio, crianças e adolescentes, novo cangaço, projeto que visam a aumentar as penas com relação à violência e crimes contra idosos. Temos projetos também que restringem as ‘saidinhas’, um projeto que restringe a concessão de liberdade condicional para presos”, acrescentou o parlamentar.

O deputado Capitão Augusto (PL-SP), presidente da Frente Parlamentar de Segurança, elenca ainda o projeto que cria um novo Código de Processo Penal, em tramitação há anos na casa. Augusto, que lidera a “bancada da bala”, citou também a criação das leis orgânicas da Polícia Militar e da Polícia Civil como projetos que podem ser votados em junho.

O projeto da lei para a Polícia Militar tramita há mais de 20 anos na Câmara e busca substituir a norma que regula a categoria, um decreto-lei elaborado em 1969. Já Mendes disse esperar apoio do Ministério da Justiça para o avanço da iniciativa.

Como a oposição vê o pacote de segurança pública
Membro da Comissão de Segurança Pública da Câmara, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse que a prioridade da oposição no período será a de “evitar retrocessos” no combate à violência. “Eles [base aliada de Bolsonaro] estão querendo discutir pautas corporativas, propostas que dão autonomia às polícias, que nós somos contra. Nada disso é para ampliar a segurança, é sim para fazer corporativismo, atender às corporações”, diz.

Teixeira afirma que não foi chamado para conversar sobre a semana de votações. Além dele, o único outro integrante do PT que é titular na comissão é Reginaldo Lopes (MG). Outros partidos de oposição, como Psol e PCdoB, não têm atualmente titulares no colegiado.

Qual pode ser a influência do tema nas eleições
Teixeira acusa os aliados de Bolsonaro de “fazer populismo com a legislação” de segurança pública. O parlamentar avalia que o tema “terá um peso grande” no debate eleitoral de 2022.

O combate à violência foi um dos temas que norteou a eleição presidencial de 2018. Então candidato, Bolsonaro reforçou suas bandeiras de endurecimento da legislação penal, que defendera ao longo de sua carreira como deputado. Ele também explorou o crescimento dos índices de violência durante os 13 anos de gestão do PT no país. O plano de governo de Bolsonaro relacionava o aumento da criminalidade com o tráfico de drogas e vinculava o comércio de entorpecentes com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), grupo que participou do Foro de São Paulo, entidade que reúne partidos de esquerda e que é liderada pelo PT.

Para o deputado Capitão Augusto, a votação de temas ligados à segurança “acaba agradando bastante as instituições policiais” e evita que a categoria, historicamente alinhada com Bolsonaro, rejeite o presidente. “Com certeza o pessoal fica mais entusiasmado para trabalhar para a reeleição do presidente Bolsonaro”, diz.

Colaborou Rodolfo Costa.
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/quais-projetos-estao-no-pacotaco-de-seguranca-publica-que-lira-quer-votar-em-junho/
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