domingo, 22 de maio de 2022

DEVEMOS EVITAR A PROCRASTINAÇÃO

 

Thayla Silvestre

Você raramente procrastina por coisas que você ama fazer ou por coisas que são emergências, você apenas age. Isso ocorre porque a procrastinação só acontece em situações em que não há urgência imediata, em que não há dor ou ganho de curto prazo.

O objetivo de longo prazo e profundamente gratificante de terminar seu projeto de escrita, muitas vezes, não é suficiente para lhe dar a motivação necessária para combater sua procrastinação. Mas há uma solução.

Se você realizou o exercício de tendências à procrastinação e descobriu que algumas das suas atividades de procrastinação são conscientes, é hora de enganar seu cérebro para acreditar que seu projeto de escrita de longo prazo é mais urgente e recompensador do que realmente é.

Pare de procrastinar projetando seu ambiente antiprocrastinação!

Quando você começa a projetar seu ambiente antiprocrastinação, é provável que nenhum método combaterá sua procrastinação inteiramente. Experimente diferentes métodos e use as ideias abaixo em diferentes combinações — vá com o que funciona.

Introduza “guardiões” em seu processo de escrita!

É muito mais difícil decepcionar alguém do que você mesmo. Quando você introduz “guardiões” de responsabilidade em seu processo de escrita, você está usando o poder da dinâmica social para mantê-lo focado e avançando.

Configurar um sistema de responsabilidade pode ser simples. Para alguns, apenas anunciar sua intenção de escrever nas mídias sociais pode ajudá-lo a manter o foco. Alguns escritores preferem coescrever, juntar-se a grupos de escrita ou encontrar amigos de responsabilidade e assinar “contratos” de escrita mais formais. De qualquer maneira que você escolher, comprometer-se com alguém lhe dá pressão externa e, portanto, te ajuda a priorizar a escrita.

Aumente a urgência: use as restrições!

Projetos de escrita longos são difíceis pelo fato de parecerem abertos — e é aí que a procrastinação pode tomar conta. Escrever dentro dos limites pode ajudar a dar definição ao seu projeto e forçá-lo a concentrar seu tempo e energia. Muitos escritores usam o “Pomodoro” — trabalhando em pedaços cronometrados de 25 minutos seguidos de uma pequena pausa — para tornar a escrita mais urgente.

Outros escritores preferem escrever “sprints”, em que você escreve em rajadas curtas e semanais ou desafia-se a escrever em menos tempo. Ter muito tempo para escrever pode ser tão prejudicial quanto ter pouco. Então, se a “carapuça” serviu, coloque restrições a sua escrita.

Reduza as barreiras: agende!

Quando você tem um tempo de escrita reservado em seu calendário, parece mais um compromisso e, portanto, é mais provável que você o faça. Se você não se comprometer a escrever e apenas “tentar encontrar tempo” todos os dias, isso esgotará sua energia.

Quando você agenda um horário com antecedência e, idealmente, conta para outra pessoa, você diminui as barreiras e faz com que a escrita pareça mais normal e cotidiana, o que torna menos propenso à procrastinação.

Ignore a sobrecarga: use pequenos passos!

Assumir um projeto de escrita grande aciona alarmes em seu cérebro que podem levar à procrastinação. Progredir em etapas pequenas e incrementais é a chave para combater a sensação de opressão que, muitas vezes, leva ao atraso e à procrastinação.

Quando você se concentra na próxima pequena ação que precisa realizar, não no grande projeto de escrita assustador que precisa terminar, sua procrastinação pode ser mantida sob controle.

Remova seu crítico de escrita interior!

Se você é propenso à procrastinação, tenha uma estratégia para desbloqueá-lo quando ficar preso. Quando você está preso em seu projeto, a pior coisa que você pode fazer é sentar em sua mesa e tentar escrever usando apenas a força de vontade. Quando estiver bloqueado, tente um destes métodos:

Escreva livremente por 10 minutos sobre qualquer assunto sem julgamento e sem edição.

Em vez de se concentrar na escrita, escreva sobre o que você vai escrever, por exemplo, agora, explicarei X, Y e Z ou o personagem A encontrará o personagem B.

Seja criativo! Tente mapear sua história ou argumento usando post-its e canetas coloridas.

Esqueça completamente de escrever e fale sobre seu enredo ou plano em voz alta – grave-se fazendo isso sem consultar as notas.

Condense seu trabalho. Resuma seu trabalho em 100 palavras. Se você tivesse que explicar para uma criança, o que você diria?

Remova as distrações: projete seu espaço de escrita!

Mantenha seu ambiente de escrita livre de tentações — isso ajuda a evitar distrações. Há muito tempo que faz dieta é instruído a tirar guloseimas de seus armários e substituí-las por lanches saudáveis, o que é muito mais difícil se empanturrar de biscoitos se eles não estiverem lá em primeiro lugar. Da mesma forma, é muito mais difícil se distrair de sua escrita se você remover as coisas que o distraem ou causam procrastinação. Portanto use um bloqueador de internet, deixe seu telefone em uma sala diferente, arrume sua mesa antes de começar ou encontre um novo espaço inteiramente, como um café local para escrever. Quando você souber o que causa sua procrastinação, organize seu espaço de trabalho para projetar esses gatilhos.

Introduza um sistema de recompensas!

Sempre planeje uma recompensa por alcançar marcos em sua escrita. Quando você se dá algo pelo que esperar ou quando atinge um determinado marco, está se incentivando a escrever e criando conexões em seu cérebro entre escrever com prazer. Pense em algo pequeno o suficiente para encorajá-lo a continuar escrevendo, mas não tão grande que a escrita se torne uma recompensa e você encontrará seu ponto ideal motivacional.

Bônus

Use suas tendências de procrastinação como recompensas ou rituais de escrita

Se você realizou o exercício de tendências e sabe quais são suas atividades favoritas de procrastinação, agora é hora de assumir o controle delas. Uma maneira de fazer isso é transformá-los em recompensas. Por exemplo, se você sabe que se distrai com o YouTube, faça uma maratona de 10 minutos assistindo algo depois de uma sessão de redação.

Outra maneira de fazer isso é incorporar uma ou mais de suas atividades de procrastinação em seu ritual de pré-escrita. Por exemplo, se você procrastina editando e pesquisando, use uma sessão de revisão de 15 minutos, o que você sempre faz antes de começar a escrever — no entanto certifique-se de definir limites de tempo rígidos! Seja qual for a abordagem que você escolher, a chave aqui é obter controle sobre suas tendências de procrastinação e usá-las, antes de que elas usem você.

Vantagens Competitivas da Startup Valeon

pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise.

Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras.

Em vez de andar pelos comércios, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira.

Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

Contudo, para esses novos consumidores digitais ainda não é tão fácil comprar online. Por esse motivo, eles preferem comprar nos chamados Marketplaces de marcas conhecidas como a Valeon com as quais já possuem uma relação de confiança.

Inovação digital é a palavra de ordem para todos os segmentos. Nesse caso, não apenas para aumentar as possibilidades de comercialização, mas também para a segurança de todos — dos varejistas e dos consumidores. Não há dúvida de que esse é o caminho mais seguro no atual momento. Por isso, empresas e lojas, em geral, têm apostado nos marketplaces. Neste caso, um shopping center virtual que reúne as lojas físicas das empresas em uma única plataforma digital — ou seja, em um grande marketplace como o da Startup Valeon.

Vantagens competitivas que o oferece a Startup Valeon para esse Shopping:

1 – Reconhecimento do mercado

O mercado do Vale do Aço reconhece a Startup Valeon como uma empresa de alto valor, capaz de criar impactos perante o mercado como a dor que o nosso projeto/serviços resolve pelo poder de execução do nosso time de técnicos e pelo grande número de audiências de visitantes recebidas.

2 – Plataforma adequada e pronta para divulgar suas empresas

O nosso Marketplace online apresenta características similares ao desse shopping center. Na visão dos clientes consumidores, alguns atributos, como variedade de produtos e serviços, segurança e praticidade, são fatores decisivos na escolha da nossa plataforma para efetuar as compras nas lojas desse shopping center do vale do aço.

3 – Baixo investimento mensal

A nossa estrutura comercial da Startup Valeon comporta um baixo investimento para fazer a divulgação desse shopping e suas empresas com valores bem inferiores ao que é investido nas propagandas e divulgações offline.

4 – Atrativos que oferecemos aos visitantes do site e das abas do shopping

 Conforme mencionado, o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores tem como objetivos:

  • Fazer Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
  • Fornecer Informações detalhadas do Shopping Vale do Aço;
  • Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
  • Notícias da região e do mundo;
  • Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
  • Fazemos métricas diárias e mensais de cada aba desse shopping vale do aço e destacamos:
  • Média diária de visitantes das abas do shopping: 400 e no pico 800
  • Média mensal de visitantes das abas do shopping: 5.000 a 6.000

Finalizando, por criarmos um projeto de divulgação e propaganda adequado à sua empresa, temos desenvolvido intensa pesquisa nos vários sites do mundo e do Brasil, procurando fazer o aperfeiçoamento do nosso site para adequá-lo ao seu melhor nível de estrutura e designer para agradar aos mais exigentes consumidores. Temos esforçado para mostrar aos srs. dirigentes das empresas que somos capazes de contribuir com a divulgação/propaganda de suas lojas em pé de igualdade com qualquer outro meio de divulgação online e mostramos o resultado do nosso trabalho até aqui e prometemos que ainda somos capazes de realizar muito mais.

                                                               Site: https://valedoacoonline.com.br/

sábado, 21 de maio de 2022

COMO FOI A VISITA DE 4 HORAS DE ELON MUSK NO BRASIL

 

Foto: KENNY OLIVEIRA / AFPPor Fernando Scheller – Jornal Estadão

Dono da Tesla teve reuniões com representantes das operadoras de telefonia e do governo para vender seu serviço Starlink; em almoço, seu principal interlocutor foi André Esteves, do BTG Pactual

A passagem de Elon Musk pelo Brasil deu o que falar, embora tenha durado pouco mais de quatro horas. O dono da Tesla e da SpaceX chegou ao aeroporto executivo Catarina, nos arredores de São Paulo, por volta das 10h. Musk, que só voa em aeronaves próprias, chegou em um jato Gulfstream G650 ER. Em seguida, recusou a oferta de embarcar em um helicóptero do Exército brasileiro, e seguiu de carro até o Fasano Boa Vista, em Porto Feliz (SP), a cerca de 40 km de distância do aeroporto.

Ao chegar, posou para fotos com o presidente Jair Bolsonaro e outros membros do governo. O executivo foi apresentado aos cerca de 20 empresários presentes pelo ministro das Comunicações, Fabio Faria. Apesar de o ministro ter dito que a associação com a Starlink, que tem o projeto de conectar milhares de escolas na Amazônia à internet, “ajudaria a revelar a verdade sobre a Amazônia”, o empresário saiu sem fazer qualquer menção à política ambiental brasileira.

Faria, por seu lado, reclamou que artistas e a imprensa só divulgam o “dark side” sobre a Amazônia. De acordo com fontes, o governo vê essa aproximação com Musk como um potencial ativo na campanha eleitoral, especialmente na conquista de votos de eleitores mais jovens.

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta o bilionário Elon Musk no Fasano Boa Vista; dono da Tesla foi apresentado a 20 empresários brasileiros
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta o bilionário Elon Musk no Fasano Boa Vista; dono da Tesla foi apresentado a 20 empresários brasileiros Foto: KENNY OLIVEIRA / AFP

Como Musk veio para vender um projeto de telecomunicações, o empresário teve reuniões com os cinco executivos das operadoras presentes ao evento: Christian Gebara (Telefônica/Vivo), José Félix (Claro), Rodrigo Abreu (Oi), Alberto Griselli (Tim) e Pietro Labriola (da Telecom Itália, dona da Tim). Segundo apurou o Estadão, nesses encontros a pauta se resumiu aos serviços da Starlink.

Posteriormente, Musk teve um encontro rápido com membros do governo, incluindo o presidente Bolsonaro. Alguns empresários chegaram a entrar no encontro, mas acabaram sendo convidados a sair. Inicialmente, a visita de Musk acabaria por aí, mas o empresário acabou ficando para o almoço.

Esteves como ‘cicerone’, Hang como surpresa

À mesa, Musk sentou-se entre Bolsonaro e o fundador do BTG Pactual, André Esteves, que acabou se tornando uma espécie de “cicerone” do dono da Tesla. A questão da barreira do idioma fez diferença: Musk passou a maior parte do tempo conversando com Esteves e quase não interagiu com Bolsonaro, apesar de um tradutor estar o tempo todo posicionado próximo a ambos.

Entre os executivos presentes, Rubens Ometto, do grupo Cosan, acabou ganhando uma posição de destaque, ao lado do presidente Bolsonaro. Outros lugares próximos a Musk foram reservados a Fábio Faria (mente por trás do encontro) e a Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil. Os demais empresários tiveram poucas chances de interação com o quase trilionário.

Um nome que inicialmente não estava na lista de convidados, mas compareceu ao evento, foi o de Luciano Hang, fundador da varejista Havan e apoiador de primeira hora do presidente Bolsonaro. Segundo fontes presentes ao almoço, a chegada de Hang foi uma quase surpresa, e ele ainda trouxe a esposa e um amigo a reboque. O executivo postou ainda em suas redes sociais uma foto em que aperta a mão de Elon Musk, com o recado: “Será que vai ter uma megaloja da Havan em Marte?”

Mesmo com o almoço, a presença de Musk no Brasil não durou muito mais de quatro horas: segundo pessoas presentes ao evento, ele saiu por volta das 14h10, em direção ao aeroporto Catarina, de onde deixaria o País.

CANDIDATOS DA TERCEIRA VIA NÃO DECOLAM

 

  1. Opinião 

Pesquisa não pode ser decisiva na definição de candidaturas. Importa a capacidade de estimular a esperança com propostas sólidas para os problemas do presente e as ambições do futuro

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

É desanimadora a notícia de que o candidato da chamada “terceira via”, aquele cuja incumbência é atrair os muitos eleitores que desprezam os populistas que lideram as pesquisas, pode ser escolhido por meio de pesquisas para avaliar sua viabilidade eleitoral.

Há uma clara inversão de valores aqui. O que dá solidez a uma candidatura, sobretudo uma candidatura que se propõe a enfrentar a demagogia de Lula da Silva e Jair Bolsonaro, é a capacidade do postulante e de seu partido de se apresentarem ao eleitorado como veículos de um projeto concreto de país. É isso que tem potencial de atrair votos. Ao definir uma candidatura não por sua substância programática, ora inexistente, mas apenas pelo grau de rejeição dos nomes apresentados, a “terceira via” parece estar disputando não a chefia do governo, mas o lugar de maior destaque na prateleira de um supermercado. 

É óbvio que política envolve carisma, isto é, a qualidade extraordinária de transpirar poder. Logo, nem a mais sofisticada das plataformas eleitorais é suficiente para vencer uma eleição se o candidato que a propõe não inspirar essa força nos eleitores. No entanto, um candidato escolhido somente por ser supostamente mais bem aceito que outros em enquetes, e não por suas ideias ou propostas, tende a ser apenas mais um enlatado na gôndola. Pode até ganhar a eleição, mas empobrece a política e, por tabela, a democracia.

Hoje, infelizmente, os partidos são apenas veículos das ambições pessoais de seus donos ou caciques. Votar neste ou naquele partido faz pouca ou nenhuma diferença para os eleitores, que são convidados não a pensar nos grandes problemas nacionais, mas somente no atendimento imediato – e invariavelmente precário – de suas necessidades. É por isso que os dois líderes das pesquisas de intenção de voto para presidente sejam rematados irresponsáveis, a prometer unguentos mágicos para solucionar problemas que demandam remédios bem mais amargos.

É fundamental que haja entre os postulantes à Presidência uma candidata ou um candidato que represente genuinamente os valores da democracia liberal, especialmente nesta quadra histórica, marcada pelo que o sociólogo Larry Diamond, da Universidade Stanford, chamou de “recessão democrática”, a ascensão de líderes autoritários em diversos países mundo afora. Ou bem se constrói uma candidatura com esse propósito claro, disposta a disputar votos sem abrir mão de convicções liberais nem fazer concessões a demandas estranhas à livre-iniciativa e às liberdades, ou não restará aos brasileiros alternativa senão ter que escolher o “mal menor” entre candidaturas retrógradas. Não é assim que se faz um país.

Não se pode criticar o cidadão verdadeiramente democrata que olhe para o quadro político-eleitoral de momento e não seja tomado por um misto de frustração e desalento. Até aqui, em instante algum se viu os partidos do centro democrático discutindo propostas concretas para tirar o País do atoleiro político, econômico, social e moral em que se encontra há muito tempo. Fala-se muito em impedir que o futuro do Brasil continue condicionado aos desvarios de um presidente demagogo, seja de que partido for. De fato, seria um desastre de consequências funestas. 

Mas o que oferecer ao eleitor no lugar da gritaria iliberal bolsonarista ou do retrocesso estatólatra do lulopetismo? As possíveis candidaturas alternativas até agora postas não deram uma resposta sólida a essa questão. Pelo contrário: perdem tempo e energia digladiando-se em público, pensando unicamente em meios de ganhar a eleição, e não em articular e defender projetos, com confiança e honestidade. É legítimo que todo partido almeje o poder, mas, antes disso, deve ter claro e dizer a todos o que pretende fazer com esse poder. Só então o eleitor fará sua escolha.

Em resumo, não se pode privar os eleitores da chance de sonhar com um futuro melhor, em que prevaleçam a razão, o diálogo e o respeito à democracia – ainda que, ao fim e ao cabo, a vitória não venha.

MORTES POR COVID ESTÁ AUMENTANDO NOVAMENTE

Óbitos estão acima de cem vítimas diárias há uma semana, enquanto menos de 40% das pessoas abaixo de 60 anos tomaram dose de reforço, o que facilita circulação do vírus

Paulo Favero e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

O Brasil está passando por um novo aumento de mortes por covid-19, com um crescimento de 16% nos óbitos, em relação aos últimos 14 dias, e o sétimo registro diário acima de 100 mortes. Em 6 de maio, o Brasil tinha 94 mortes por dia, em média. Na sexta-feira, 20, atingiu 109. O novo avanço ocorre no momento em que se observa uma estagnação nos números de vacinação e o Boletim Infogripe da Fiocruz alerta que os casos de covid voltaram a predominar entre as causas de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e já respondem por 41,8% dos registros.

Embora 80% da população já tenha tomado pelo menos duas doses do imunizante, a proteção com reforço não é tão alta em algumas faixas etárias. Nos grupos mais jovens, está abaixo da média considerada satisfatória. Entre os menores de 60 anos, por exemplo, menos de 40% das pessoas tomaram a dose de reforço. Nas crianças entre 5 e 11 anos, 32% estão com esquema vacinal completo. Esse porcentual permite que o vírus continue circulando. “Mesmo que essas pessoas não apresentem casos graves da doença, elas mantêm o vírus em circulação, e podem levá-lo para os mais vulneráveis”, explicou o pesquisador da Fiocruz Marcelo Gomes, responsável pelo Infogripe.

Brasil tem novo aumento de mortes por covid-19
Pedestres agasalhados caminham enquanto termômetros registram 7ºC na zona oeste da cidade de São Paulo; números de óbitos da covid-19 voltam a crescer Foto: Felipe Rau/Estadão

É importante dizer que os números ainda estão distantes dos momentos mais graves. O pico foi relatado em 8 de abril no ano passado, com 4.249 óbitos – considerando relatos diários das Secretarias de Saúde.

Mas, o dado em relação às mortes em decorrência do novo coronavírus não foi o único indicador preocupante divulgado na sexta-feira. Depois de quase três meses de estabilidade, a taxa de transmissão do Sars-CoV-2 voltou a subir e já alcança 1,25 (o ideal é que o número fique abaixo de um). Isso indica circulação mais intensa do vírus, segundo dados da plataforma de monitoramento da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).https://datawrapper.dwcdn.net/col9p/4/  

MÁSCARAS

Outra questão importante é que as medidas de proteção aplicadas ao longo dos últimos dois anos, como o uso de máscaras e as restrições às aglomerações, foram praticamente eliminadas. Com o aumento da circulação de outros vírus respiratórios e a chegada de um inverno que promete ser mais rigoroso este ano, especialistas temem que a alta se mantenha por algum tempo.

“Esperamos que o número de novos casos suba mais”, afirmou a especialista em saúde pública Chrystina Barros, do Comitê de Combate ao Coronavírus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “A adesão ao reforço vacinal foi baixa, deixamos de lado medidas de proteção e, agora, com a chegada do inverno, o impacto deve ser maior, ainda que sem a gravidade que vimos em ondas anteriores, quando a população não estava imunizada.”

aumento no número de mortes por covid-19 e a queda no ritmo de vacinação estão levando municípios a retomarem a atenção com a pandemia. Muitos estão recomendando a volta do uso de máscara em locais fechados, como Londrina (PR), Petrópolis (RJ) e Poços de Caldas (MG), enquanto outros, como Belo Horizonte, cogitam retomar a obrigatoriedade da proteção individual. Isso em um momento de baixa testagem, o que pode revelar uma subnotificação. 

Na quarta-feira, a Prefeitura de Belo Horizonte chegou a divulgar comunicado alertando para a possibilidade de voltar a exigir máscara em locais fechados, apenas 20 dias após seu uso ter sido declarado opcional. O boletim divulgado na véspera mostrava aumento de 18% nos casos em sete dias. 

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e responsável pelo setor de infectologia da Unesp, Alexandre Naime Barbosa diz que ainda é muito cedo para falar em quarta onda. “Estamos vendo um aumento de novos casos por conta da extrema flexibilização das medidas de proteção; não há mais obrigatoriedade de uso de máscara em nenhum lugar, por exemplo”, afirmou o médico. “A situação acende uma luz de alerta até para que tenhamos a possibilidade de rever certas medidas de prevenção, como o uso de máscaras em locais fechados. Mas não significa que vamos enfrentar nada comparável ao que vimos nas ondas anteriores.”

SÃO PAULO

A curva de óbitos no Estado está em ascensão. Há 14 dias, em 6 de maio, a média móvel estava em 20 óbitos. Chegou a cair para 16 e, depois disso, os números têm crescido. No Estado, a média móvel ficou em 42 nesta sexta, mais do que o dobro dos registros de duas semanas atrás. A média móvel elimina distorções entre dias úteis e fim de semana.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforçou que nos últimos meses os números estão em queda. “No momento, a taxa de ocupação dos leitos de UTI destinados à doença no Estado está em 25,7% (em janeiro esse índice chegou a 75,1%)”. / COLABOROU ALINE RESKALLA, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

 

BOLSONARO ATRASA PROPOSITALMENTE A ESCOLHA DE MINISTROS

 

Indicações no Judiciário
Por que Bolsonaro vai atrasar a escolha de novos ministros do TSE e do STJ

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília


O ministro do STF Alexandre de Moraes, próximo presidente do TSE, e o presidente Jair Bolsonaro, durante encontro em 2019.| Foto: Palácio do Planalto

Está nas mãos do presidente Jair Bolsonaro (PL) a escolha de dois novos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um novo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o prazo para a definição deve demorar. Além de contrariado com os nomes indicados por ambas as Cortes, o chefe do Executivo entende que pode aproveitar o momento para elevar seu capital político.

Em maio, Bolsonaro recebeu dos tribunais duas listas. Uma do TSE, encaminhada no início do mês, que contém nomes de três advogados eleitorais para assumir a vaga de ministro-substituto aberta com a renúncia do ministro Carlos Mário da Silva Velloso. A lista do STJ foi encaminhada na última semana e contém nomes de quatro desembargadores. Dois deles precisam ser definidos para substituir os ministros aposentados Napoleão Nunes Maia Filho e Nefi Cordeiro.

Ocorre, porém, que nenhum dos integrantes da lista tríplice do TSE e da lista quádrupla do STJ agradam Bolsonaro, que tem a prerrogativa de atrasar a escolha por não haver prazo para as nomeações. A decisão de postegar as escolhas têm respaldo de aliados políticos e até mesmo de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Coordenadores da pré-campanha de Bolsonaro à reeleição apontam que ele pode tirar proveito do momento para barganhar apoio, sobretudo às vésperas das eleições.

Quanto mais tempo Bolsonaro demora para fazer a escolha, maior tende ser a “romaria” de parlamentares do Congresso Nacional, caciques políticos, presidentes partidários e magistrados que tentam influenciar o processo de escolha. Consequentemente, isso dá ao presidente da República poder de barganha e “capital político”.

Por que a lista tríplice do TSE desagradou Bolsonaro e o que ele fará
A lista tríplice do TSE irritou Bolsonaro de diferentes maneiras. A começar pela indicação da advogada Vera Lúcia Santana, ativista da esquerda, apoiadora declarada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e crítica do presidente da República. A escolha dela, que foi a terceira mais votada, é apontada na Corte como a “dama de companhia”, um movimento de natureza política do Judiciário para que acompanhe a lista mesmo ciente de que não será escolhida.

O TSE se articulou internamente para que ela fosse uma das mais votadas. A ideia, que teve o aval de ministros da Corte e do STF, é que a indicação dela na lista tríplice forçaria Bolsonaro a escolher um dos outros dois advogados, Fabrício Medeiros, o segundo mais votado, ou André Ramos Tavares, o vencedor da eleição interna.

Ocorre, no entanto, que nenhum dos nomes agrada Bolsonaro. Medeiros é apoiado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, desafeto do presidente, e advoga para Rodrigo Maia (PSDB-RJ), ex-presidente da Câmara. Já Tavares, embora tenha menos resistência do presidente, advogou pelo PT a favor dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Em 2015, Tavares apresentou parecer contrário ao impeachment de Dilma. Naquele mesmo ano, ele se posicionou contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, alegando tratar-se de cláusula pétrea. A matéria foi aprovada na Câmara e está parada no Senado. Em 2018, defendeu o registro de candidatura de Lula nas eleições daquele ano no TSE.

A possibilidade de nomeação de Tavares só não é descartada no Palácio do Planalto devido ao tempo em que ele integrou a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, entre 2018 e 2021, e pelo apoio de seu principal padrinho político, o ex-presidente Michel Temer (MDB). Em 2021, o emedebista ajudou o governo a colocar panos quentes na crise institucional após os atos de 7 de setembro.

Alguns no governo suspeitam, porém, que Tavares também tenha a simpatia de Moraes, por terem Temer como padrinho político em comum e serem docentes da Universidade de São Paulo (USP). Por todos esses motivos, Bolsonaro entende que o TSE não deu a ele opções para fazer uma escolha minimamente “razoável”.

Como Bolsonaro é obrigado a nomear um dos três, é dito nos bastidores que a influência de Temer pode levá-lo a nomear Tavares. No entanto, o governo vai negociar com o MDB a liberação de bancadas do partido para que nomes da legenda possam apoiar a reeleição do presidente. A sigla deve oficializar na próxima semana a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS) à Presidência da República com o apoio de PSDB e Cidadania.

Pela possibilidade de barganha, há quem aposte no Planalto que Bolsonaro possa segurar a nomeação pelo menos até junho ou julho, como um instrumento para forçar o MDB e outros partidos e caciques políticos a, no mínimo, apoiarem os palanques do governo nos estados.


Quem era o candidato do Planalto para o TSE
Outro motivo pela irritação de Bolsonaro com a lista tríplice do TSE foi a ausência do nome apoiado por ele e aliados, o advogado eleitoral Gustavo Severo. Além do presidente da República, é dito no governo que ele também tinha o apoio do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Além do apoio de Bolsonaro e de nomes do Centrão, também é citado nos bastidores que ele tinha o apoio dos ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli, e uma “predileção” inicial de Gilmar Mendes, todos do STF. Mesmo com simpatia e apoios na Suprema Corte, Severo foi rifado da disputa.

É dito nos bastidores que Severo foi um dos pelo menos 10 postulantes que se articularam junto a ministros do TSE e STF para pleitear o cargo de ministro-substituto. Porém, o advogado ficou muito associado a Bolsonaro, que tem subido o tom contra magistrados do Supremo e adotado uma estratégia de polarizar e descredibilizar oponentes que desagrada o Judiciário.

Os ministros Edson Fachin, presidente do TSE, e Alexandre de Moraes, tomaram conhecimento de como Severo é querido e “palatável” no entorno do governo e mesmo entre aliados da base “raiz” de Bolsonaro, que já davam como favas contadas que ele estaria na lista final. Cientes disso, os magistrados atuaram com o aval de outros no STF para que ele não figurasse na lista final.

Para excluir Severo, Fachin aceitou até mesmo colocar o pé no freio em seu apoio à advogada Rogéria Dotti, filha do jurista falecido René Dotti, um amigo pessoal do presidente do TSE que foi assistente de acusação da Petrobras na Lava Jato. Houve um pedido de Gilmar, que havia sinalizado predileção por Severo, para que ela não obtivesse apoio.

A advogada fez a defesa do promotor Leonir Batisti, ex-coordenador-geral do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público do Paraná (Gaeco), em uma ação de indenização por danos morais contra a União por conta de falas de Gilmar. Por esse motivo, o ministro atuou contra ela na lista tríplice. Como gesto ao colega, Fachin não usou todo seu capital político como presidente do TSE por Dotti, que obteve quatro votos.

A articulação de Fachin e Moraes teve o objetivo de assegurar uma lista final com chances de obrigar Bolsonaro a nomear alguém que não possa “contaminar” politicamente o TSE nem com um nome muito alinhado ao Planalto, nem tão próximo a Lula, sob o temor de perder a independência da Corte, segundo avaliações internas.

Por que a lista quádrupla do STJ desagradou Bolsonaro e o que ele fará
A lista quádrupla do STJ irritou Bolsonaro tanto quanto a tríplice do TSE. Mesmo diante da possibilidade de escolher dois nomes entre os quatro, nenhum dos indicados pelo tribunal agradaram o presidente ou mesmo aliados políticos e ministros do STF. A começar pelo nome mais votado no primeiro escrutínio, o desembargador Messod Azulay Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

O magistrado da segunda instância do TRF-2, que tem sob sua jurisdição os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, é o apadrinhado do ministro Luis Felipe Salomão, que, em 2021, pediu a abertura de um inquérito administrativo contra Bolsonaro quando era corregedor-geral do TSE.

O segundo nome mais votado no primeiro escrutínio é o desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que tem 14 estados sob a sua jurisdição. O magistrado é rejeitado por Bolsonaro por suas ligações com a esquerda. Maranhense, ele é apontado como um nome próximo de Flávio Dino (PSB), ex-governador do Maranhão e desafeto do presidente da República.

Além de Dino, Bello também tem afeição pelo PT. Em 2016, escreveu artigo defendendo o ex-governador e, indiretamente, Dilma, no episódio das interceptações telefônicas divulgadas pelo ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil). É comentado no Judiciário que, nas eleições, ele teria emitido manifestação contrária a Bolsonaro nas redes sociais. A mensagem teria sido apagada.

O terceiro nome da lista do STJ saiu como o mais votado no segundo escrutínio. Trata-se do desembargador Paulo Sérgio Domingues, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que tem sob a sua jurisdição os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Diferentemente dos outros dois, ele não tem rejeição significativa no governo, mas não é um nome apoiado pelo Palácio do Planalto.

O que joga contra o magistrado é não ter grandes padrinhos no Judiciário e no meio político atuando por sua nomeação. Ele é tido como um quadro muito técnico e discreto, o que, em se tratando de um indicado para o STJ, pode ser desfavorável. É dito que seu padrinho com maior força é o ministro Dias Toffoli, seu contemporâneo de formação acadêmica (USP), com quem sempre teve boa relação.

O quarto nome da lista saiu como vencedor apenas no terceiro escrutínio. É o desembargador Fernando Quadros da Silva, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que tem sob a sua jurisdição os estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Assim como a advogada Vera Lúcia é vista como “dama de companhia” na lista do TSE para forçar a indicação de outros, ele é visto no STJ como “cavalheiro de companhia” dos outros três.

O principal padrinho do magistrado é o ministro Edson Fachin. A relação entre os dois é tão próxima e “umbilical”, como dizem alguns ministros, que ele foi juiz auxiliar de Fachin no STF quando já era desembargador, algo visto como uma excepcionalidade no meio jurídico. É comum ministros terem como auxiliares juízes de primeira instância, tal como o ex-juiz Sergio Moro foi auxiliar da ministra Rosa Weber no julgamento do Mensalão, mas não desembargadores.

Quem eram os candidatos do Planalto para o STJ
Tal como na lista do TSE, Bolsonaro não conseguiu emplacar um único candidato apoiado por ele na lista do STJ, mesmo com três nomes apoiados pelo governo. Os desembargadores Carlos Augusto Pires Brandão, do TRF-1, Aluísio Gonçalves de Castro Mendes, do TRF-2, e Cid Marconi Gurgel de Souza, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que tem jurisdição sob seis estados do Nordeste.

Dos três, Castro Mendes era o nome favorito de Bolsonaro. O desembargador do TRF-2 esteve junto com o presidente em cerimônias no Rio de Janeiro e também adquiriu proximidade com os filhos do chefe do Executivo. Outro que também o apoia é o presidente do STF, ministro Luiz Fux.

O apadrinhamento de Fux ao magistrado é outro motivo pelo qual a nomeação do desembargador Messod Azulay Neto é avaliada como complexa. Bolsonaro quer evitar desgaste com o presidente do STF, uma vez que ele e o ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, entraram em rota de colisão pela indicação de seus apadrinhados.

Tamanha foi a pressão de Fux para emplacar Castro Mendes que Salomão – apoiado pelos outros ministros da ala fluminense do STJ, Benedito Gonçalves, Marco Aurélio Bellizze e Antonio Saldanha Palheiro – pediu apoio a outros ministros no STF para frearem o lobby do presidente do Supremo.

A relação entre Fux e Salomão era próxima antes da discussão da lista quádrupla, mas ficou estremecida após a queda de braço por seus respectivos apadrinhados. O ministro do STJ foi até o STF tentar reatar as relações, mas é apontado que o relacionamento segue abalado.

A articulação de Salomão e demais ministros do STJ se assemelha à de Fachin no TSE no sentido de evitar que Bolsonaro emplaque um desembargador mais próximo sob o discurso evitar uma maior “contaminação” política do tribunal. A oposição aos nomes defendidos pelo governo irritou o Planalto, que esperava nomear ao menos um dos três desembargadores apoiados.

O desembargador Brandão teve o apoio do ministro Kássio Nunes Marques, do STF, e do ministro Ciro Nogueira, da Casa Civil, mas foi preterido por Ney Bello, um apadrinhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, que também fez lobby por ele no STJ e colocou o pé no freio após críticas de ministros.

Já o desembargador Gurgel de Souza foi apadrinhado pelo presidente do STJ, ministro Humberto Martins, que também se aproximou muito de Bolsonaro e sua família, principalmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mesmo com seu apoio, obteve quatro votos de 33 possíveis na primeira votação.

O que o atraso na escolha dos novos ministros pode acarretar ao TSE e STJ
O atraso de Bolsonaro em definir seus nomeados das listas do TSE e STJ e até mesmo a possibilidade de uma retaliação em não escolher nenhum deles este ano não é uma situação que gera ônus políticos ao governo ou mesmo operacionais a ambos os tribunais, segundo analisam interlocutores do governo e até mesmo nos tribunais.

Em reuniões privadas, Bolsonaro disse que não pretende definir tão cedo seu nome da lista tríplice do TSE sob o argumento de que não gera nenhuma lesão ao processo eleitoral. A ideia é analisar sem pressa os pleitos apresentados por aliados políticos que queiram influenciar o processo e calcular os ganhos políticos.

Já no TSE é dito que, embora fosse ideal operacionalizar com todos os ministros, a ausência de um ministro-substituto não acarreta danos irreparáveis. O cargo costuma ser o responsável por julgar decisões sobre propaganda irregular na campanha eleitoral, mas é dito que a ministra Carmen Lúcia vai assumir ações referentes sobre lesão à lei eleitoral como propaganda antecipada.

Sobre a lista do STJ, Bolsonaro tem dito em reuniões que o tribunal demorou mais de um ano para definir sua lista e que ele não tem a obrigação de escolher “a toque de caixa”, ainda mais sem um único dos três desembargadores apoiados pelo governo. Uma vez escolhidos os dois nomes, eles ainda precisariam ser sabatinados pelo Senado.

Da mesma forma que no TSE, também é dito no STJ que uma demora ou recusa de Bolsonaro em fazer sua escolha não gera danos ao funcionamento do tribunal. Diferentemente do STF, quando um ministro se aposenta na Corte Superior, ele é substituído por um desembargador temporário. Ou seja, não há ônus operacionais.

Desde a aposentadoria dos ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Nefi Cordeiro, em 2021, os dois foram substituídos pelos desembargadores Manoel de Oliveira Erhardt, do TRF-5, e Olindo Herculano de Menezes, do TRF-1, respectivamente, e atuam como ministros temporários.

Quem são os advogados e desembargadores indicados por TSE e STJ

Apesar de nenhum nome ser do agrado de Bolsonaro e o presidente seguir sem pressa para fazer sua escolha, não é descartado que alguma escolha seja feita, mesmo entre nomes tidos como improváveis nos próprios tribunais. Em nomeações como ao TSE e ao STJ, quanto mais o tempo passa, mais os candidatos buscam apoio político e mais aliados poderão pedir ao Planalto suas nomeações.

Por isso, mesmo sendo apontado no STJ como um “cavalheiro de companhia” para forçar Bolsonaro a escolher um dos outros três nomes, há quem não descarte no governo o desembargador Fernando Quadros, do TRF-4. “O tempo é inimigo daqueles que entraram na lista como favorito, pois os outros candidatos começam a arregimentar apoio político”, alerta um interlocutor.

Confira um breve perfil dos advogados e desembargadores presentes nas listas tríplice e quádrupla do TSE e do STJ:

TSE

ANDRÉ RAMOS TAVARES, professor de direito econômico da USP e que integrou a Comissão de Ética Pública da Presidência da República entre 2018 e 2021. Antes do governo Bolsonaro, ele chegou a redigir pareceres encomendados pelo PT contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a favor da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018. Ele é o favorito do STF: recebeu 9 votos entre os 11 ministros da Corte;
FABRÍCIO MEDEIROS, advogado eleitoral, já atuou em defesa do União Brasil, fusão entre DEM e PSL, que ainda tenta lançar um candidato de “terceira via” contra Lula e Bolsonaro. Tem o apoio de Alexandre de Moraes, futuro presidente do TSE, e de Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara que também virou um grande desafeto de Bolsonaro. No STF, ele recebeu 8 votos;
VERA LÚCIA SANTANA ARAÚJO, ativista de esquerda e apoiadora declarada de Lula, é dirigente da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e do grupo Prerrogativas, que milita contra a Lava Jato. No mês passado, publicou em suas redes sociais que “o bolsonarismo estupra crianças indígenas”. Entre os ministros do STF, ela recebeu 7 votos.
STJ
MESSOD AZULAY NETO, desembargador e presidente do TRF-2. Apadrinhado pelo grupo de ministros do Rio de Janeiro, que se opuseram ao ministro Luiz Fux, do STF, é formado pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi advogado e ingressou no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, há cerca de 15 anos, pelo chamado quinto constitucional da parte que cabe à OAB. Foi o mais votado no primeiro escrutínio, com 19 votos.
NEY BELLO FILHO, desembargador do TRF-1. Nome apoiado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, e com apoio na esquerda, é pós-doutor em Direito Constitucional pela PUC-RS e iniciou suas atividades profissionais como promotor público. Tornou-se depois Procurador da República ingressou na magistratura como juiz federal em São Luís e juiz assistente da presidência do Supremo.
PAULO SÉRGIO DOMINGUES, desembargador do TRF-3, o apadrinhado do ministro Dias Toffoli, do STF, é juiz federal de carreira e presidente da 7ª Turma do TRF-3. É mestre em Direito pela Johann Wolfgang Goethe Universität, em Frankfurt, Alemanha, e professor de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI). Foi presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE) entre 2002 e 2004.
FERNANDO QUADROS DA SILVA, desembargador do TRF-4, é o apadrinhado do ministro Dias Toffoli, do STF. Doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi procurador do Ministério Público do Trabalho e atuou como conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) indicado pelo Supremo. Na advocacia, atuou como advogado privado e como Procurador do Estado do Paraná.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/por-que-bolsonaro-atrasar-escolha-novos-ministros-tse-stj/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

ALEXANDRE DE MORAIS SEPARA OS BRASILEIROS EM IMBECIS DA INTERNET E NÃO IMBECIS

Declaração de Moraes

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Ministro Alexandre de Moraes, do STF, disse que “a internet deu voz aos imbecis”.| Foto: Fellipe Sampaio/STF

Muita gente ficou chocada com a declaração do ministro Alexandre de Moraes, num congresso de juízes, de que a internet deu voz aos imbecis. Como ele não citou Umberto Eco (escritor de “O Nome da Rosa”), assume a afirmação como essencialmente dele próprio. E é o juiz que vai presidir as eleições de outubro, em que a maioria dos eleitores ganhou voz na internet.

O que me choca não é a declaração do ministro, que já proferiu outras semelhantes; o que me choca é a omissão ou a passividade de uma boa parte dos meios de informação, como se fosse algo muito normal. Para mim, que exerço o jornalismo formal desde 1971, é algo anormal. Nunca vi, antes da atual composição do Supremo, nada semelhante.

Por isso fico a imaginar se o próprio Supremo irá considerar, à luz da Lei Orgânica da Magistratura, alguma providência para preservar o tribunal. Por parte do presidente Luiz Fux já existe essa preocupação desde que a expressou em seu discurso de posse, dois anos atrás.

A Suprema Corte tem sofrido um desgaste diretamente proporcional às decisões que contrariam a Constituição e os ditames do devido processo legal. Está cada vez mais parecida com um diretório de partido político e, às vezes, com um diretório acadêmico em vésperas de eleição. Como se trata do topo de um poder, tudo abaixo fica afetado. Até mesmo atinge os estudantes de Direito, no seu idealismo juvenil pelos princípios da Justiça e do Direito.

É necessidade absoluta de o país ter uma Justiça confiável, impessoal e imparcial. Sem isso não há paz social e muito menos desenvolvimento, cuja base é a segurança jurídica. Se num ano eleitoral, o juiz que vai presidir a eleição já separa os brasileiros entre os imbecis da internet e os outros, o que se tem é uma farsa trágica. O Conselho Nacional de Justiça, que pode julgar juízes, não tem jurisdição sobre o Supremo. Só quem pode fazer isso é o Senado.

Mas o presidente do Senado acaba de declarar que “não deixarei o Supremo isolado”. É um caso inédito de o presidente de um poder se mobilizar para proteger o outro, o que tem por consequência abandonar o dever de preservar a Constituição no encargo de processar e julgar ministros do Supremo. Significa justificar sua ação de não dar transito aos inúmeros pedidos de senadores.

Em tempos de modismos politicamente corretos – e já que nos chamou de imbecis – lembro que imbecilidade é uma patologia grave de atraso mental de que sofrem muitos brasileiros, o que soa como desrespeito às suas famílias.

Um ministro da Suprema Corte precisa ter cuidado com as palavras. É isso que se espera, mas se alguns esperam ser tratados como se estivessem no Olimpo, precisam respeitar para serem respeitados. Se prendem, ainda que ilegalmente, os que os desrespeitam, precisam respeitar aqueles que os sustentam com seus impostos, a quem servem. Não devem esquecer que os que votam, pagam impostos, são a origem do poder. E devem ser respeitados.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/os-imbecis/
Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...