quinta-feira, 19 de maio de 2022

A ELETROBRAS AGORA SERÁ PRIVATIZADA

 

Agenda de desestatizações
TCU aprova privatização da Eletrobras; quais os próximos passos

Por
Cristina Seciuk

A privatização da Eletrobras é considerada prioritária na agenda do governo federal para o ano de 2022.| Foto: Divulgação

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (18) o modelo de privatização da Eletrobras. Em uma análise prévia, sobre pedido para interrupção do julgamento, a paralisação da análise foi rejeitada por 7 votos a 1, em placar que acabou por se repetir no resultado final, com seis votos de acompanhamento ao relator, ministro Aroldo Cedraz, mas com ajustes determinados ou recomendados ao Ministério de Minas e Energia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que, entretanto, não impedem o seguimento do processo.

A tese vencida foi do ministro revisor Vital do Rêgo, que abriu a sessão da Corte com pedido da suspensão do processo de privatização da Eletrobras sob argumentação da existência de irregularidades, subavaliação e erros no cálculo de ativos, pendência judiciais vinculadas e outros, com risco de prejuízos à União. Segundo o ministro, “erros que significam um montante de [R$] 40 bilhões, que devem ser corrigidos como premissa para o seguimento do processo”.

A contagem dos votos sobre o modelo de privatização da companhia começou ainda em abril, quando o relator, Aroldo Cedraz, apresentou entendimento favorável ao processo de desestatização da Eletrobras desenhado pelo Executivo, ainda que com pedido de revisão na metodologia de cálculo do preço mínimo por ação (que é sigiloso, mas que estaria prejudicado por inconsistências apontadas pelos auditores do TCU). Ao final da sessão, Cedraz leu um acórdão de consenso em que foram incluídos ajustes indicados por ministros favoráveis ao seu voto. Entre os pontos cobrados estão mais explicações sobre as premissas de precificação utilizadas e a manutenção de item que dificulta uma eventual reestatização.

O julgamento voltou ao plenário da Corte após ficar paralisado por pedido de vista coletiva, motivada por pedido de Vital do Rêgo, em sessão do dia 20 de abril. O prazo extra para análise do processo foi de 20 dias, o que frustrou as expectativas iniciais do governo federal de realizar a venda da estatal elétrica ainda no mês de maio.

Na véspera do julgamento desta quarta houve movimentações na tentativa barrar sua continuidade, com ação enviada por parlamentares de oposição ao Supremo Tribunal Federal com pedido de suspensão do andamento no TCU. Caso houvesse novos obstáculos, aventava-se riscos de comprometimento para realização do negócio ainda em 2022. Com o fim da análise pelo TCU, a nova previsão é de que a venda seja finalizada no mais tardar até meados de julho – evitando contaminações e perda de interesse de investidores em decorrência das incertezas típicas do período eleitoral.

O mercado fechou antes da conclusão do julgamento, então ainda não é possível medir reação ao resultado. Em meio à incerteza sobre o resultado da análise pelo TCU, as ações da Eletrobras fecharam a quarta-feira em queda e variação de -2,15% no dia.


Em nota oficial divulgada após a consagração do resultado do julgamento, o Ministério de Minas e Energia celebrou a aprovação que dá sinal verde para a operação. No texto, a pasta se diz comprometida “em cumprir, de forma diligente e tempestiva, as próximas etapas do processo”, mas não detalha quaisquer informações sobre as providências em andamento para tal. O ministério fala em “convicção de que o processo foi extremamente escrutinado, culminando com a decisão mais fundamentada e ponderada entre os processos de privatização do País” e rende agradecimentos ao ministro relator no TCU, às presidências da Câmara e do Senado e ao ex-ministro Bento Albuquerque, exonerado da pasta recentemente.

O governo considerava ideal que o processo ocorresse até 13 de maio, pois, até lá, seria possível usar na operação os resultados da Eletrobras referentes ao quarto trimestre do ano passado. Agora, deverão ser utilizados os demonstrativos do primeiro trimestre de 2022, recém divulgados, com registro de lucro de R$ 2,7 bilhões, conforme anúncio feito pela companhia na segunda-feira (16).

A primeira fase do processo de privatização foi aprovada pelo TCU em fevereiro; naquele momento foi dado aval ao bônus de outorga (também com voto contrário do ministro Vital do Rêgo). Neste segundo e último julgamento pela Corte de Contas, a decisão tomada pelo Tribunal diz respeito ao modelo de venda definido pela União.

A desestatização da Eletrobras foi autorizada pela lei nº 14.182/2021, aprovada como Medida Provisória no Congresso e sancionada por Jair Bolsonaro, e será feita por meio de aumento do capital social da empresa, inclusive com oferta secundária de ações de propriedade da União ou de empresas controladas por ela direta ou indiretamente (como o BNDES e suas subsidiárias). O processo reduzirá a participação federal dos atuais 72% para, no máximo, 45% e deve movimentar um total de R$ 100 bilhões, conforme estimativas da Economia.

Depois desta decisão final do TCU, a venda precisa ainda de aprovações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Securities and Exchange Commission (SEC, comparável a uma CVM norte-americana). Anteriormente, em fevereiro, assembleia de acionistas da própria Eletrobras aprovou o processo de privatização da empresa; estando pendente ainda a aprovação das contas de 2021 e a divulgação do relatório financeiro, etapas que atendem normas para a publicação do prospecto a investidores quando da realização de ofertas de ações.

O passo final será o lançamento do edital com a emissão das novas ações ordinárias na Bolsa de Valores (B3). A participação do governo, então, será diluída e ele perderá o posto de acionista controlador, fazendo com que essa figura desapareça. Nos bastidores, aponta-se que a capitalização poderia ocorrer no dia 9 de junho.

Além de prioridade do governo federal para 2022, essa será a maior privatização do governo de Jair Bolsonaro, que não conseguiu avançar na agenda, apresentada como uma das principais bandeiras do ministro da Economia, Paulo Guedes, que chegou a citar a intenção de arrecadar R$ 1 trilhão com medidas do tipo. Apesar dos objetivos, das 46 estatais sob controle direto da União, só a Companhia de Docas de Espírito Santo (Codesa) foi vendida, em leilão de março. Em paralelo, o BNDES se desfez de participações em várias empresas, e o governo leiloou concessões de dezenas de ativos.

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PAÍSES VIZINHOS A RÚSSIA PEDEM PROTEÇÃO À OTAN

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, durante cerimônia em que Suécia e Finlândia protocolaram pedido de adesão à aliança militar, em 18 de maio de 2022.| Foto: Johanna Geron/EFE/EPA/Pool

Quando invadiu a Ucrânia, no fim de fevereiro, Vladimir Putin usou como pretexto para o ataque a possibilidade de os ucranianos se juntarem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que poderia trazer os mísseis ocidentais perto demais da Rússia, ameaçando a própria existência do país. É uma alegação que não faz sentido, mas, ainda que fosse verdadeira, com a invasão Putin está prestes a conseguir exatamente o oposto do que pretendia: nesta quarta-feira, tanto Finlândia quanto Suécia abandonaram a neutralidade diplomática que caracterizou sua atuação internacional nas últimas décadas e apresentaram formalmente, de forma conjunta, seu pedido de entrada na aliança militar, cuja existência remonta à Guerra Fria.

A rigor, a Otan já estava presente na fronteira russa desde a época da antiga União Soviética, pois a Noruega estava entre as nações fundadoras da aliança. Em 1999, com a adesão da Polônia, a fronteira entre Otan e Rússia se expandiu mais um pouco, incluindo o enclave russo de Kaliningrado. Mas foi em 2004, com a entrada dos países bálticos, que a Otan chegou a apenas algumas centenas de quilômetros de Moscou – por este ponto de vista, a adesão da Ucrânia não faria muita diferença. A aliança ocidental e a Rússia chegaram a estabelecer um processo de cooperação, que no entanto regrediu após o ataque russo à Geórgia, em 2008, e a anexação russa da Crimeia, em 2014. Ainda assim, nos últimos anos a Otan se empenhou em afirmar que não buscava nem isolar, nem ameaçar a Rússia.

Ainda que Putin jamais o admita, foi sua agressão unilateral à Ucrânia que levou suecos e finlandeses a abandonar uma neutralidade que lhes era muito cara

A invasão da Ucrânia, motivada principalmente pelo neoimperialismo de Putin, para quem é inaceitável que os ucranianos sejam mestres de seu próprio destino e escolham a maior integração com o Ocidente em vez de permanecer na órbita russa, mostrou a várias nações que não há motivos para confiar no vizinho gigante do leste. A Suécia (que nem sequer faz fronteira com a Rússia) e a Finlândia (que já foi invadida pelos soviéticos no início da Segunda Guerra Mundial) perceberam que a melhor chance de não terem o mesmo destino da Ucrânia é buscar logo a proteção da Otan. Ainda que Putin jamais o admita, foi sua agressão unilateral à Ucrânia que levou suecos e finlandeses a abandonar uma neutralidade que lhes era muito cara e que muito provavelmente perduraria caso os russos não tivessem optado pelo uso da força bruta.

E é por isso que não faz tanto sentido falar em “expansionismo” da Otan, como se a aliança militar fosse simplesmente anexando os antigos integrantes da Cortina de Ferro e as ex-repúblicas soviéticas. Foram esses países que buscaram a organização, da mesma forma como fizeram como a União Europeia, e nem sempre a Otan aceitou os pedidos. A própria Ucrânia já havia manifestado interesse na adesão em 2007, mas no ano seguinte a aliança militar optou por não oferecer nem à Ucrânia, nem à Geórgia a chance de se tornarem membros. A Bósnia-Herzegovina entrou no chamado “Membership Action Plan” em 2010 e até hoje não faz parte da Otan. E mesmo a agressão russa não necessariamente estimulará os atuais membros a abraçar entusiasticamente a ideia da adesão ucraniana, pois há quem tema a possibilidade de a obrigação de assistência mútua em termos de defesa levar a um conflito em grande escala entre Rússia e Otan em solo ucraniano, mais cedo ou mais tarde.


Mesmo a adesão de Suécia e Finlândia não é garantida; novos membros precisam da unanimidade dos países que já fazem parte da aliança, e a Turquia já prometeu dificultar o processo. O presidente Recep Tayyip Erdoğan acusa ambos os países de abrigar “terroristas” – como ele chama tanto militantes pela independência curda quanto seguidores do líder religioso Fetullah Gulen, que Erdoğan acusa de ter instigado um golpe de Estado fracassado em 2016. Já nesta quarta-feira, a Turquia bloqueou uma votação no encontro de embaixadores dos países-membros. De qualquer forma, independentemente do resultado do processo de adesão de Suécia e Finlândia, o fato é que Vladimir Putin já mostrou a todo o mundo que qualquer nação do leste europeu que busque ingressar na Otan estará repleta de razões para buscar a proteção do ocidente contra eventuais agressões que, já se sabe, o presidente russo não hesita em cometer.


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HOMESCHOOLING É APROVADO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Opinião

Por
Jônatas Dias Lima – Gazeta do Povo

Famílias defensoras da educação domiciliar assistem à votação no plenário da Câmara dos Deputados.| Foto: Cortesia/Pedro Hollanda

Ao fim da votação do projeto de lei que regulamenta o homeschooling no Brasil, a relatora, deputada federal Luísa Canziani, fez um agradecimento especial a “uma família do Paraná”. Era a minha. De fato, Luísa virou amiga da família no decorrer dessa batalha pela educação domiciliar que foi bem mais longa e difícil do que gostaríamos que fosse, mas a qual, no fim, vencemos. Teve de tudo. Fogo amigo, sabotagens, intimidações. Até meu emprego tentaram tirar por causa do apoio que dei ao texto, o qual, desde o início, mostrou-se o único viável, mas esses são detalhes para contar em outra ocasião. Hoje é dia de celebrar e agradecer.

Nos últimos três anos, eu e minha família moramos em Brasília, onde assumi posições profissionais dentro do Congresso Nacional. Primeiro na Câmara, depois no Senado. Foi nesse período que mergulhamos com tudo no mundo da educação domiciliar, em parte, motivados pela promessa do governo Bolsonaro de regulamentar a modalidade nos primeiros 100 dias de mandato. Já escrevi muito por aqui sobre os obstáculos e omissões que provocaram um atraso tão grande no cumprimento dessa promessa, mas agora é hora de apontar o que deu certo, ou pelo menos alguns dos fatores determinantes para que grupos de famílias comuns fossem capazes de rivalizar com agressivos sindicatos aparelhados pela esquerda, gananciosas entidades de educação privada e ONGs milionárias.

As associações de família, é claro, foram fundamentais. AssociaçõeS, no plural. A ênfase é necessária porque o passado de derrotas na história do homeschooling no Brasil está diretamente vinculado com o fato de que por tempo demais houve carência de representação das famílias junto ao Poder Público e, sobretudo, junto aos parlamentares no Congresso. Avanços reais só vieram quando as vozes se multiplicaram e o tema deixou de ser monopolizado pelos mesmos que já haviam tentado antes, sem sucesso. Foram essas corajosas famílias, que toparam o risco de se expor em audiências públicas, nos plenários das casas legislativas, em conversas com ministros e até com o Ministério Público, as verdadeiras geradoras do movimento vitorioso que hoje comemora.

Faço questão de destacar aqui a Associação de Famílias Educadoras do Distrito Federal (FAMEDUC-DF), a qual tive a honra de fundar e presidir ao lado de amigos que se tornaram muito mais; a Associação de Famílias Educadoras de Santa Catarina (AFESC); a Associação de Famílias Educadoras de Minas Gerais (AFEMG) e até a recém-chegada Associação Paranaense de Homeschooling (ASPAHS), que embora seja a caçula, foi absolutamente determinante para o resultado desta quarta-feira, graças a uma mobilização recente feita com foco no líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros.

É indispensável mencionar também a resiliência sobre-humana da ex-ministra Damares Alves, que será para sempre lembrada como mãe da lei que logo vai nascer. Só mesmo uma pessoa de fé muito convicta para suportar e superar as pressões e os ataques que tentaram derrubá-la ou dissuadi-la da ideia em incontáveis ocasiões, dentro e fora do governo. Mesmo nesses últimos dias, quando cumpria outra missão, providencialmente em Israel – em outro fuso horário, frise-se -, seu espírito articulador se fez presente nos corredores da Câmara dos Deputados, bem como seus aliados mais leais, desarmando armadilhas de última hora.

Retribuo também a gratidão manifestada pela relatora, a deputada mais jovem da Câmara dos Deputados, em primeiro mandato, a qual muitos não acreditavam que seria capaz de levar à aprovação uma pauta complexa e tão envolta em paixões como o homeschooling. Acompanhando o trabalho da Luísa (como voluntário, não como assessor), fui testemunha de algumas das armações mais sorrateiras que a política de Brasília é capaz de produzir, promovidas sobretudo por quem não queria vê-la como relatora e tentava cansá-la, desgastá-la, até o ponto da desistência. Ela não apenas se manteve de pé, como costurou articulações que geraram uma respeitável maioria, inclusive com nomes que não estiveram do seu lado desde o início. Isso é habilidade política de verdade.

Por fim, faço questão de registrar o mérito do professor Ricardo Martins, nome que poucos saberão a quem se refere, mas que no simples cumprimento de seu dever como consultor legislativo da Câmara, elaborou e redigiu a maior parte do texto aprovado nesta noite pelos deputados. Para mim, fica um baita orgulho por ter contribuído com a produção desse texto graças às reuniões das quais pude participar com a equipe da deputada Canziani. Martins foi meu professor – o melhor professor – no Mestrado Profissional em Poder Legislativo, do CEFOR da Câmara dos Deputados, e duvido que alguém entenda mais de legislação educacional no país do que esse homem.

Agora vem o Senado e lá são outros atores, outro cenário e outros problemas, mas essa conquista na Câmara ninguém mais nos tira. Vencemos gigantes e isso está na história.

Jônatas Dias Lima é editor na Gazeta do Povo, autor do livro “Homeschooling no Brasil: fatos, dados e mitos”, fundador da Associação de Famílias Educadoras do Distrito Federal (FAMEDUC-DF) e da Associação Paranaense de Homeschooling (ASPAHS).


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QUEM PODE RESOLVER O LITÍGIO ENTRE BOLSONARO E O STF É O SENADO

 

Crise entre poderes

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

(Brasília – DF, 01/02/2021)Sessão Solene de Abertura do Ano Judiciário. Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente do STF, Luiz Fux, e o presidente da República, Jair Bolsonaro: desavenças entre Executivo e Judiciário persistem| Foto: Marcos Corrêa/PR

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a cassação do deputado estadual Arthur do Val, o “Mamãe Falei” de forma unânime, assim como foi também no Conselho de Ética. Vejam só o que faz a imaturidade de alguém que teve muitos votos para representar o povo paulista. O exibicionismo de alguém que tem problemas internos e que precisava contar para os outros as suas bazófias. Se vangloriar de onde estava e o que estava fazendo na fronteira com a Ucrânia. Só para a gente pensar a respeito.

Desestatização da Eletrobras
Nós tivemos, finalmente, uma decisão do Tribunal de Contas da União sobre a privatização da Eletrobras. Está aprovada. Agora é tocar para a frente. A empresa está sendo preparada para ser desestatizada.

O novo ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, já foi chamado ao Congresso para explicar quais são os planos da desestatização da Eletrobras, que é a venda das ações da União, sem que o governo brasileiro perca o controle estratégico em ações vitais, direito de veto, por exemplo, em algo que diga a respeito a questões mais sérias do país.

Guerra declarada
Agora a questão mais séria do país, neste momento, é o desgaste do Judiciário. O Supremo Tribunal Federal está se desgastando há bastante tempo. Primeiro com aquilo que o próprio ministro Luiz Fux já relatou no discurso de posse dele na presidência da Corte: aceitar ações movidas por partidos que não têm voto nos plenários da Câmara e do Senado.

O Supremo acaba exercendo aquilo que Fux chamou de protagonismo deletério, com o STF se metendo em questões políticas que deveriam ser resolvidas na arena política, que é o plenário da Câmara e do Senado, e não o plenário do tribunal. O Supremo é uma Corte constitucional e não política. E muito menos uma corte constituinte.

O tribunal não pode mudar a Constituição e tem modificado, e esse é um segundo ponto. Modificou durante a pandemia, entregando ao arbítrio de prefeitos e governadores direitos e garantias individuais que são cláusula pétrea no artigo 5º da Constituição.

Foi contra tudo isso que o presidente Jair Bolsonaro entrou no Supremo com uma queixa-crime contra o ministro Alexandre de Moraes, focada naquele inquérito que o ministro Marco Aurélio Mello, hoje aposentado, chamava de inquérito do fim do mundo, porque foi ex-ofício. Não teve Ministério Público, não teve devido processo legal, onde o que se sente ofendido é o mesmo que investiga, denuncia, julga, pune… E esse inquérito continua à revelia de tudo que os advogados aprenderam nos livros e nas faculdades de Direito.

Mas não adiantou nada o presidente recorrer ao STF porque o próprio criador do inquérito do fim do mundo, o ministro Dias Toffoli, foi sorteado e imediatamente negou, dizendo que não havia razão para isso e que é um absurdo inverter a situação e um juiz virar réu. Só que nós temos um litígio claro entre um dos candidatos da eleição presidencial e o juiz que vai presidir a eleição.

Como é que se resolve isso? À luz do direito, do Código de Processo Penal, da Lei Orgânica da Magistratura… Essa é uma questão que o país precisa decidir. Infelizmente, quem poderia decidir isso, o Senado Federal, como já disse o senador Eduardo Girão, está “surdo e mudo”. Quer pacificar, mas pelo silêncio, pela alienação. Assim não vai pacificar nada.


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IMAGINA SE FOSSE O BOLSONARO CASANDO

 

Jaula

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

Casamento de Lula e Janja é tratado com o devido respeito, quando não com devoção. Agora imagina se fosse Bolsonaro se casando…| Foto: Ricardo Stuckert

Hoje (18) o ex-presidente, ex-presidiário e ex-condenado Lula e a socióloga Janja trocam alianças naquele que promete ser o evento político-romântico do ano. Casamento de rico, de gente que não precisa se preocupar com essa coisa de levantar cedo na quinta-feira. Duzentos privilegiados, em vários sentidos, terão a oportunidade de comer e beber do bom e do melhor, esquecendo-se momentaneamente de que são “a voz dos despossuídos”, tirando a fantasia de justiceiros sociais e se refestelando no que a vida burguesa tem de mais caro e cafona.

Tem um pessoal aí em polvorosa. Fala-se no triunfo do amor da esquerda sobre o ódio da direita. Os mais idólatras celebram a forma física do noivo e a consciência social da noiva. Uns mais afoitos temem que o casamento possa vir a ser interrompido por oficiais de justiça que há tempos tentam notificar a futura sra. Lula por dívidas do tempo em que ela não sonhava em se tornar primeira-dama.

Como teoricamente acontece numa prisão de segurança máxima, celulares estão proibidos. Assim os convidados (e os noivos) poderão se dar ao luxo (mais um!) de serem eles mesmos, sem se preocuparem com a reação da opinião pública. E sem darem trabalho a uma já assoberbada equipe de relações públicas empenhada em limpar a imagem dos esquerdistas.

A ostentação que cerca as núpcias do casal Janja e Lula (Jaula) ganhou contornos epicuristas. Nas conversas, os devotos do petista trazem no bolso do paletó Ermenegildo Zegna um saquinho com vários mas, poréns, contudos, entretantos e todavias a serem prontamente usados para justificar um detalhe na prataria ou, mais provavelmente, uma fala tresloucada do noivo. Que, depois de uma ou duas doses de oncinha, com certeza transformará o casório num comício.

A milésima segunda noite
Se os noivos fossem outros, ah, como a cobertura do evento seria diferente! Sei que mencionei o presidente Jair Bolsonaro lá no título, mas não precisamos ir tão longe. Bastava ser o casamento de qualquer pessoa que não estivesse associada à elite petista ou à extrema-esquerda que vai ter que pedir dinheiro ao papai para alugar um terno.

Não fosse o casamento do Pai dos Pobres 2.0, certamente algum editor teria a brilhante ideia de enviar um repórter com aspirações literárias para acompanhar o casamento de um casalzinho pobre na favela ou no interior do Piauí. “João e Maria, ao contrário dos ricaços que lotaram Espaço Bisutti…”, escreveria o repórter logo na primeira frase, sem pudor de fazer da luta de classes seus estandarte.

Sem falar no batalhão que se dedicaria a investigar a vida pregressa de cada um dos convidados, expondo detalhes do comportamento deles e invariavelmente os retratando como bichos-papões. “A socialite Amelinha Figueroa se recusa a cumprimentar o porteiro”. Ou: “O industrial Adolfo Furz, que tem esse nome em homenagem a Hitler…”. Ou ainda: “Na safra passada, o magnata do agronegócio Francisco Bento usou agrotóxicos o suficiente para encher milhões de piscinas olímpicas”.

Daí viriam as considerações histórico-antropológicas sobre a festa. A prataria forjada em indústrias que usam mão de obra infantil. As flores do buquê colhidas por bisnetos de escravos colombianos. “Todos os convidados portavam armas de grosso calibre, escondidas em coldre de couro de coala e sob ternos cortados por alfaiates que, nas horas vagas, se dedicam a botar fogo na Amazônia”, escreveria o repórter, já pensando em inscrever a obra-prima em algum desses prêmios de jornalismo literário. Ou, quem sabe, até um Jabuti!

Por fim, viriam análises mais amplas. “Entenda como o casamento de Bolsonaro mexe com o seu bolso”. Ou: “Militares tramam golpe durante brinde em casamento de Bolsonaro”. Ou ainda: “Ministro do Meio Ambiente se engasga com canapé de pão com leite condensado enquanto a Amazônia arde em chamas”. E por aí vai.


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HUMOR SARCÁSTICO DE GEORGE ORWELL

 

Artigo
Por
Jonathan Clarke
Tradução de Bruna Frascolla -Gazeta do Povo
City Journal

| Foto: EFE/Robin Townsend

Não pensamos fácil em George Orwell como escritor cômico. Tampouco pensamos nele como um romancista em primeiro lugar, embora tenha escrito seis romances, incluindo A Revolução dos Bichos (Animal Farm) e 1984, os livros que lhe valeram a fama duradoura. Enquanto gênero, o romance reivindica um grau de irresponsabilidade e desinteresse inconsistente com nossa ideia do homem que criou a Sala 101. [Trata-se da sala de tortura do Ministério do Amor em 1984. (N. t.)]

Os dois romances cômicos de Orwell da década de 1930, Keep The Aspidistra Flying (1936) e Um pouco de ar, por favor! (Coming Up For Air) (1939), lembram como o impulso satírico era essencial ao seu anti-totalitarismo. E ainda que tenham sido publicados com um intervalo de apenas três anos, esses romances mostram a transformação de Orwell em profeta sombrio enquanto a Inglaterra se preparava para a guerra com a Alemanha. [O primeiro romance recebeu pelo menos três títulos no Brasil: Mantenha o sistema, Moinhos de vento e A flor da Inglaterra. (N. t.)]

Talvez as nossas dificuldades em aceitar Orwell como um humorista comecem com o seu rosto. O George Orwell que nos encara das capas de livro é grave e sério, usando um casacão duro, cinza e marrom, sob a face comprida e sorumbática, de magreza ascética e opressa pelo peso do conhecimento indesejado. Tal é o Orwell icônico e global, o que foi lido por dissidentes na Birmânia e no Irã. É claro que Orwell era sério, no sentido fundamental de preferir uma realidade nefasta a uma ilusão reconfortante. Ele atribuía a si próprio o crucial “poder de se defrontar com fatos desagradáveis.”

Orwell desconfiava do prazer e sobretudo do conforto. A decisão axial da sua vida foi declinar a bolsa em Oxford que o admitiria na elite da Inglaterra e preferir um posto nada promissor como oficial de polícia colonial na Birmânia. As escolhas que ele fez depois disso – levar uma vida de vagabundo, duro feito um coco nas ruas de Paris e Londres; lutar pelos republicanos na Guerra Civil Espanhola; e, por último, dar as costas aos ex-camaradas da esquerda stalinista – parecem todas uma coda da primeira.

Como um contrapeso para essa integridade pétrea, o humor era essencial para Orwell, não como uma mera forma de alívio, senão como um aspecto do seu realismo. Seus escritos sobre chá são em si mesmos um compêndio cômico. Ele levava o chá muitíssimo a sério (“o chá é uma das bases da civilização neste país”), o que ele entendia ser engraçado como qualquer obsessão trivial. Estava perfeitamente disposto a morrer pela República Espanhola e quase morreu, mas passou por grandes penas (ou fez sua mulher passá-las) para conseguir que chás decentes fossem enviados à frente de batalha. Quinze anos depois, enquanto morria de tuberculose num hospital londrino, o seu último presente, enviado pelo amigo Paul Potts, era um sachê de chá que ele não viveu para tomar. Em A Nice Cup of Tea [Uma boa xícara de chá], Orwell afeta uma rigidez doutrinária quanto ao preparo adequado, escrevendo com uma ironia tão leve que passa despercebida fácil. (“Estes não são os únicos pontos controvertidos a surgirem em relação ao ato de beber chá, mas bastam para mostrar como a coisa toda se tornou sutil.”) É um tipo complexo de humor, ao mesmo tempo alerta e tolerante quanto à excentricidade humana – o que somos tentados a chamar de humor do liberalismo democrático, exceto pelo fato de que é abundante na literatura russa também. É o humor que celebra a parte de nós que o Estado nunca pode alcançar.

De modo adequado, a incapacidade de Gordon Comstock de se servir de uma xícara de chá em seu quarto sem os truques de Philbyish, uma prática proibida por sua senhoria, é uma das suas maiores humilhações em Keep the Aspidistra Flying, o romance semi-autobiográfico de Orwell sobre etiqueta e pobreza no mundo das letras: “Gordon foi até a porta, empurrou-a um pouquinho e escutou. Nenhum som da Srª. Wisbeach. É preciso muito cuidado; ela era bem capaz de se espreitar escada acima e pegá-lo em flagrante. Esse jeito de fazer chá era uma grave ofensa à casa, mais ou menos como trazer mulheres para dentro.”

Keep the Aspidistra Flying é uma espécie de anti-bildungsroman: a história de Comstock, um jovem poeta pobre de Londres que “fez do seu propósito especial não ter sucesso.” O romance começa depois de Gordon desistir de seu emprego como publicitário, o que previsivelmente o leva a uma queda do seu padrão e ao que ele acredita ser a determinação definida de sua namorada, Rosemary, de não dormir com ele até ele melhorar. Não é que Gordon não entenda a sua relutância. “Você não vê que toda a personalidade de um homem está atrelada à renda?”, pergunta a ela. “A personalidade dele é a renda dele. Como pode ser atraente para uma moça quando não tem dinheiro?”

Gordon odeia os jovens bem-sucedidos que entram na livraria. “Essas jovens bestas endinheiradas deslizam tão graciosas de Cambridge para as resenhas literárias.” A pobreza se insinua em cada aspecto de sua vida, em parte porque Gordon, com sua sensibilidade de poeta, é tão permeável. Ele é o tipo de reclamão incansável que leva tudo para o pessoal. “Num país como a Inglaterra”, observa ácido, “é mais fácil ter cultura sem dinheiro do que entrar para o Clube de Cavalaria sem dinheiro.”

O segundo volume de poesia de Gordon, no qual ele nunca tem tempo para trabalhar, se chama Prazeres de Londres – uma piada sutil com um homem que tem dificuldade para encontrar prazer no que quer que seja. Não há nada que de fato o impeça de escrever – exceto o seu próprio ódio curtido. No começo, sua indignação é engraçada; depois, cansativa. O autor corre um grande risco ao pedir que nos identifiquemos com alguém tão tedioso. (Uma versão cinematográfica da Aspidistra de 1997, estrelada pelo travesso Richard Grant, corrige algumas das falhas do romance aliviando o tom e dando a Gordon um pouco mais de energia.) Gordon representa o relato masoquista de Orwell sobre o jovem que ele por pouco escapou de ser.

A sátira amarga da Aspidistra com certeza foi, em termos psicológicos uma postura defensiva de Orwell – em particular, uma resposta ao problema do sexo numa sociedade puritana. O sexo é ao mesmo tempo santificado e, no aspecto físico, tido por indecoroso, o que cria uma forma especial de dissonância cognitiva. Gente sem humor tende a ser gente sem sexo; ou, nos extremos da opinião boêmia ou vanguardista, profundamente interessada nos aspectos sensuais do sexo enquanto nega espalhafatosamente sua validade cultural e moral.

O problema de Orwell com sexo era tanto um problema do seu tempo e espaço quanto um problema dele próprio. Tivera o azar de ser ao mesmo tempo sexualmente ávido de incompetente com as mulheres. Era improvável que fosse um belo espécime físico, muito alto e magro, com cara de velho desde jovem e um bigode algo sinistro. Suas roupas em geral eram erradas, não apenas fora de moda, mas com mau caimento e, quando jovem e muito pobre, nem sempre limpas. Em tempos mais licenciosos, um homem com sua argúcia e gentileza básica poderia dar um jeito de encontrar satisfação sexual, mas na Inglaterra dos anos 20 e 30, sexo sem casamento era difícil para homens sem boas perspectivas.

Orwell não se via só como feio, mas também fisicamente ridículo. Gordon Comstock é descrito em termos análogos: “Do vidro empoeirado, sua própria cara o olhava de volta. Não era uma boa cara […], já carcomida. Muito pálida, com linhas amargas inerradicáveis […], um queixo pontudo e pequeno […]. Cabelo cor de rato descabelado […]. Ele odiava espelhos nos dias de hoje.”

A vergonha corporal de Orwell, redobrada pelo que ele deve ter sentido algumas vezes como uma falta de continência e auto-respeito ao lidar com as mulheres, era um poderoso tema para sátira. Ele entendeu que um homem com a aparência nada heroica de Gordon poderia ser torturado pelo seu criador sem a reprovação do leitor.

Contemporâneo exato de Orwell, Evelyn Waugh (também nascido em 1903), teve êxito como um romancista cômico num nível não alcançado por Orwell, e a comparação é instrutiva. Waugh tinha várias vantagens sobre Orwell. Foi uma das “coisas jovens brilhantes” da Londres do pós-guera e portanto teve a segurança de um insider. Quanto a Orwell, a dor de não ter os pais corretos, não ter dinheiro bastante e nem saber os jeux d’esprit que só essas duas coisas permitem, impossibilitou-lhe o tom leve, brilhante e desalmado que Waugh assumiu tão bem. O destino de Tony Last (de A Handful of Dust, de Waugh), o aristocrata decente porém incompetente que é capturado e forçado a ler Dickens para um taberneiro analfabeto e tirânico, é algo engraçado; em Aspidistra, os sofrimentos mais prosaicos de Gordon Comstock cortam mais fundo porque o reconhecemos como o do próprio Orwell. [Eis um testemunho de diferença cultural: entre os anglófonos, a tristeza e a amargura são associadas à pobreza, coisa bem diferente no Brasil. Essa diferença cultural irritava bastante os comunistas daqui, que não encontravam sentimentos revolucionários no povo. (N. t.)]

Embora tenha sido escrito apenas uns anos mais tarde, Um pouco de ar, por favor! é um romance muito mais negro. A começar pela epígrafe, tomada de uma canção popular: “He’s dead, but he won’t lie down.” O romance conta a história da sacada de George “Gordinho” Bowling de que, embora tenha só 45 anos, sua vida emocional e sentimental já tinha acabado. [Lie down tem duplo sentido: ficar deitado e submeter-se. Daí: “Ele está morto, mas não vai ficar deitado”, ou “Ele está morto, mas não vai se submeter.” (N. t.)]

“Sou um tipo de gordo alegre e fortinho”, Gordinho nos conta. “Um camarada como eu é incapaz de parecer um gentleman […] vocês imediatamente me tomariam por algum tipo de panfleteiro.” Orwell tendia a pensar nas pessoas como tipos; em A caminho de Wigan (The Road to Wigan Pier) (1937), os carvoeiros são feitos de modo que pareçam exatamente iguais. A individualidade, segundo pensava Orwell, era justo o que se negava à classe trabalhadora inglesa. Ainda assim, há algo irreprimível em Gordinho Bowling. A especificidade de suas memórias de infância e a excentricidade de suas afeições fazem dele um indivíduo.

No começo do romance, Bowling, um corretor de seguros de meia idade, ganhou algum dinheiro numa corrida de cavalos, e começa uma viagem extravagante para visitar Lower Binfield, uma cidade nas Terras Médias onde crescera como filho do comerciário. Ao chegar, porém, acha o local irreconhecível. Por acaso, encontra uma ex-namorada, mas agora ela está exaurida pelo tempo e pela labuta, e o cumprimenta como a qualquer cliente (“Procurando um cano, senhor?”). Sua decepção final é descobrir que a roça aonde ele ia pescar quando criança dera lugar a construções, e o lago particular do qual ele pretendia desfrutar tinha virado um depósito de lixo. Durante da viagem, a guerra iminente se intromete, e a ameaça se torna real quando uma bomba cai acidentalmente na cidade, matando uma mulher do local. Quando Bowling volta para casa, descobre que não consegue compartilhar essas experiências nem o seu significado com sua mulher, Hilda, que ele vê como sem empatia nem imaginação. Resolve mentir quanto à viagem e prefere correr o risco de ela achar que ele foi visitar uma amante, em vez de tentar dividir com ela algo de sua vida interior.

O humor se funde com a elegia quando Orwell nota o fim da Inglaterra de sua juventude. Todos nos tornamos Gordinho Bowling quando o mundo de nossa infância vai embora, substituído por um outro que tendemos a olhar com desconfiança. Ninguém cuja vida dure morre no mesmo mundo em que nasceu, e os avanços tecnológicos em aceleração tornaram esse processo ainda mais desorientador. A nostalgia de Gordinho é a reação mais comum a essa perda, e provavelmente a mais inofensiva. Ao fim de Um pouco de ar, por favor!, sentimos afeição até algo parecido com amor por esse homem, o qual poderíamos conhecer ordinariamente em nossa porta tentando nos vender algo que não queremos comprar. Há uma doçura no romance de Orwell, uma beleza abandonada. Bowling parece bom o bastante, quando pensamos no que veio depois dele. Ele é amável porque é um homem; ele é um homem porque é um indivíduo; e ele é um indivíduo porque seus apegos e memórias assim o fizeram.


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O COMÉRCIO ELETRÔNICO SEGUE EM ALTA NO BRASIL

 

Franklin Bravos, CEO da Signa

Os marketplaces já representam 78% do faturamento do e-commerce brasileiro e a tendência é que o comércio eletrônico siga em alta. Dados do IBM apontam que, mesmo com a flexibilização das regras sanitárias, 94% dos consumidores pretendem continuar comprando online.

“Há muitos marketplaces no Brasil e milhares de lojistas, ou seja, para se destacar e vender mais nesse mercado, é preciso ir além do óbvio, buscar alternativas que diferenciam seu produto e sua loja”, ressalta Franklin Bravos, CEO da Signa.

Para ajudar quem busca empreender com sucesso em marketplaces, o especialista indica quatro principais dicas para alavancar vendas na modalidade.

Abaixo segue release completo. Acha que o tema interessa? Consegue aproveitar. Temos disponibilidade para entrevistas sobre o tema.

Especialista em varejo explica que para alavancar vendas e resultados é preciso diferenciar produtos e lojas da concorrência

Os marketplaces estão em crescimento no país e, segundo dados da Ebit/Nielsen, já são responsáveis por 78% do faturamento do e-commerce brasileiro. E a tendência é que o comércio eletrônico siga em alta. Dados do IBM apontam que, mesmo com a flexibilização das regras sanitárias, 94% dos brasileiros pretendem continuar comprando online.

Para se ter um exemplo da força desse nicho de negócios, o Mercado Livre, que se tornou a empresa mais valiosa da América Latina, conta com mais de 300 milhões de usuários e registra 10 vendas por segundo. Outros marketplaces, como Americanas, Amazon e Submarino, também ocupam importante espaço no e-commerce nacional.

“Há muitos marketplaces no Brasil e milhares de lojistas, ou seja, para se destacar e vender mais nesse mercado, é preciso ir além do óbvio, buscar alternativas que diferenciam seu produto e sua loja”, ressalta Franklin Bravos, CEO da Signa, startup de soluções digitais que já profissionalizou mais de 500 e-commerces.

Para ajudar quem busca empreender com sucesso em marketplaces, Bravos traz quatro dicas:

1- Escolha o produto certo

Muitas vezes, lojistas optam por comercializar algo que muitas pessoas já vendem, o que não é errado. Mas, para se destacar neste mercado, é preciso ir atrás de novas tendências. “Pesquise o que é novidade, fique atento às mudanças, veja o noticiário para saber o que está em alta. Observe também as redes sociais, pois os influencers ditam o que se pode esperar do futuro em relação ao consumo”, explica Bravos.

2- Crie Kits

Oferecer kits atrai clientes, fideliza e vende mais. Eles podem ter dois formatos: um com itens diferentes, mas que sejam complementares, e outro contendo um mesmo produto, porém em grande quantidade. “É possível também usar os kits de forma estratégica em datas comemorativas e promoções, oferecendo descontos reais”, sugere o especialista.

3- Capriche na embalagem

As embalagens são capazes de impactar, atrair e conquistar o consumidor. Caprichar no embrulho pode mudar a forma com que o cliente recebe a mercadoria em casa e isso dirá se ele voltará a comprar com você ou não. “O embrulho faz parte da experiência de compra. Fazer um bilhete e enviar brindes também melhora essa experiência e com isso você fideliza e vende mais”, garante o CEO.

4- Faça upsell

Upsell é uma forma de induzir o cliente a comprar complementos ou quantidades maiores ou versões mais sofisticadas do que ele pretendia. Vai desde a venda de um pacote de batata frita, em que, por R$ 1, ele aceita um upgrade no tamanho, até a oferta de um smartphone melhor do que ele almejava. “O retorno do upsell é alto. Porém, para ser bem sucedido, ele exige a construção de um relacionamento com o cliente, ganhar sua confiança, identificar suas possíveis necessidades, para que se possa recomendar os produtos ou serviços adequados”, finaliza Bravos.

Preferências de Publicidade e Propaganda

Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago

Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais veículos de propaganda você tem preferência?

Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.

Vantagens da Propaganda no Rádio Offline

Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.

É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio funciona bem demais!

De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim, concretizar suas vendas.

Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline

Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no rádio. Frequentemente, os rádios também são usados ​​como ruído de fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,

A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...