quarta-feira, 18 de maio de 2022

CONTAS DE LUZ CARA NO BRASIL COM HIDRELÉTRICAS TOTALMENTE PAGAS

 

Setor elétrico

Por
Cristina Seciuk – Gazeta do Povo

Com contas de luz em média 17% mais caras em 2022, Congresso tem se movimentado na tentativa de baixar as tarifas.| Foto: Pedro França/Agência Senado

A conta de luz do brasileiro já subiu 17% em média em 2022 e ganhou a atenção do Congresso. Tanto na Câmara quanto no Senado, parlamentares têm encampado propostas que variam em formato, mas convergem para o objetivo comum de derrubar a tarifa de modo imediato.

A movimentação mais recente surgiu no Senado, cuja comissão de infraestrutura debateu nesta terça-feira (17) a possibilidade de forçar uma queda no preço da energia a partir do aporte acelerado de créditos tributários originários da retirada do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.

Definido pelo Supremo Tribunal Federal em decisão de 2017, em julgamento que ficou conhecido como Tese do Século, o crédito em questão diz respeito à devolução de valores referentes a bitributação que era praticada antes do entendimento então definido pelo STF, inclusive nos cálculos da tarifa de energia.

Dados apresentados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) durante a sessão da comissão dão conta de que o volume total de créditos relacionados a ações já transitadas em julgado é de R$ 48 bilhões. Deles, quase R$ 13 bilhões já foram revertidos aos consumidores nos processos tarifários, por meio de abatimentos promovidos em cálculos de reajustes.

A defesa feita pelo senador Fabio Garcia (União-MT), autor do requerimento que originou a reunião, é pela aplicação total e imediata do saldo, de R$ 35 bilhões, de modo a reduzir a conta de energia de forma emergencial.

Representantes de entidades setoriais, entretanto, são resistentes a medidas de natureza imediata e insistem que não há caminho sustentável para baixar a conta de luz no curto prazo. A avaliação tem por base a composição da conta de energia elétrica, em que 38% se resumem a tributos e encargos.

Para o segmento, a redução na tarifa de energia no país depende de uma reformulação e modernização do setor, com a diminuição da carga tributária e de encargos setoriais, que tem avançado exponencialmente, em especial em decorrência de avanços na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que reúne encargos e subsídios do setor (como tarifas social e rural). A conta saiu de R$ 24 bilhões para R$ 32 bilhões entre 2021 e 2022, um aumento de 34%,com repercussão nas contas de modo geral. Segundo o presidente-executivo da Abrace, Paulo Pedrosa, “as questões estruturais podem contribuir com R$ 100 bilhões a menos ao ano na conta de energia no país”.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, destacou ainda que a Aneel tem regra própria para a utilização dos créditos tributários, com abatimento já promovido nas tarifas dos últimos dois anos, e defendeu que as regras do setor devem ser respeitadas “em prol da estabilidade regulatória e o respeito aos contratos”.

A declaração puxa outro ponto de preocupação: o de risco de aumento da insegurança jurídica, já levantado pelas entidades setoriais em reação a outra movimentação de parlamentares, mas na Câmara.

Câmara quer sustar reajustes para impedir altas na conta de luz
Os deputados federais aprovaram urgência para a votação de um projeto de decreto legislativo que pode sustar os reajustes nas tarifas de energia de todo o país. Originalmente, a proposta trata apenas da alta de 23,99% autorizada pela Aneel nas contas da Enel Distribuição Ceará, mas medidas similares relacionadas a outros estados vem sendo apensadas ao texto e o próprio presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), defende que o plenário estenda a suspensão de altas para todo o mercado cativo.

A expectativa é de que o projeto entre em breve na pauta da Casa. Se aprovado, ele deve barrar a alta no preço da energia, que veio apesar do fim da bandeira tarifária escassez hídrica, criada em 2021 para dar conta dos pesados gastos puxados pelo esvaziamento dos reservatórios das hidrelétricas. Isso porque caiu a cobrança adicional, mas vieram os reajustes tarifários anuais na conta de luz.


Previstos nos contratos das distribuidoras de energia, os aumentos dependem de autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que anunciou 13 índices desde o início do ano – e há outros por vir, com cronograma que depende do aniversário de cada concessão.

No horizonte curto, Minas Gerais e São Paulo têm anúncios esperados para as próximas semanas (respectivamente, no final de maio e início de julho), o que pode acelerar as discussões, por se tratarem dos dois maiores colégios eleitorais do país.

A avaliação feita pelas entidades setoriais, entretanto, é de que a suspensão do reajuste acarretaria em efeitos nocivos no médio prazo, apesar de aparecer como bem sucedida no que se refere à redução imediata da conta de luz. As preocupações apontadas são de aumento da insegurança jurídica e encarecimento dos investimentos (uma vez que a elevação dos riscos seria precificada e se traduziria em conta ainda mais alta na ponta do consumo), além das chances de um “efeito rebote”, com novos aumentos a partir de 2023, que seriam necessários para cobrir reduções tarifárias forçosas e momentâneas e promover o reequilíbrio financeiro do setor (a exemplo dos custos represados de 2020 e 2021 e que estão por trás dos altos índices de reajustes observados agora).

O Ministério de Minas e Energia também se mostra contrário a eventuais movimentos de postergações de reajuste, conforme fala do chefe da assessoria especial de assuntos econômicos do MME, Gustavo Gonçalves Manfrim, que representou a pasta na agenda no Senado. De acordo com Manfrin, “a ação pode ter até um efeito de curto prazo no exercício presente, mas certamente nos próximos períodos os consumidores vão ter que arcar com reajustes ainda mais expressivos. Estaríamos falando apenas de uma mera troca temporal de reajustes”. o representante do Ministério também destacou a importância da “questão da credibilidade das nossas instituições no que se refere ao respeito aos contratos e previsibilidade de atuação dos agentes, especialmente no setor de energia elétrica que demanda investimentos expressivos ao longo do tempo”, em consonância com a preocupação apontada pelo setor.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira, destaca que os reajustes mais altos observados em 2022 são fruto do que chamou de “financeiros não realizados” que remontam a anos anteriores, nos quais aumentos foram represados, deixando de ir para as contas de luz.

“Tivemos anos complicados em 2020 e 2021. [Primeiro] em função da pandemia da Covid-19, que teve impacto muito significativo na economia e houve preocupação de minimizar os reajustes naquele momento. Em seguida entramos num processo de crise hídrica e as distribuidoras fizeram um papel importante para minimizar esses custos, com as diversas medidas tomadas pela Aneel. À medida que os valores que foram reduzidos da tarifa naquele [ano], não o foram agora e nós temos reajustes mais elevados”, completou, ao ponderar que as altas foram motivadas por custos anteriores e que precisam ser cobertos.


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CUBA PERSEGUE OS DEMOCRATAS E TEM PARTIDO AQUI NO BRASIL QUE APROVA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

HAB15. LA HABANA (CUBA), 11/07/2021.- Manifestantes frente al Instituto de Radio y Televisión (ICRT) son montados en un camión hoy, en una calle en La Habana (Cuba)- Cientos de cubanos salieron este domingo a las calles de La Habana al grito de “libertad” en manifestaciones pacíficas, que fueron interceptadas por las fuerzas de seguridad y brigadas de partidarios del Gobierno, produciéndose enfrentamientos violentos y arrestos. EFE/Ernesto Mastrascusa

Manifestantes pró-democracia são colocados em caminhão por simpatizantes do governo durante protestos de 11 de julho de 2021 em Havana, Cuba.| Foto: Ernesto Mastrascusa/EFE

A lei nunca foi empecilho para ditaduras estabelecem seus regimes de repressão e perseguição, mas, quando podem, as autocracias sempre acabam adaptando a lei para que se dê um verniz de legalidade às arbitrariedades que cometem. É o que acaba de acontecer em Cuba, cuja Assembleia Nacional aprovou por unanimidade – em sessão extraordinária realizada no domingo, dia 15, na presença do ditador Miguel Díaz-Canel e seu antecessor, Raúl Castro – um novo Código Penal que dificulta ainda mais qualquer manifestação contrária ao governo comunista. O texto é uma resposta às manifestações de 11 de julho do ano passado, consideradas as maiores desde o início do atual regime, em 1959, e que tinham sido respondidas com violência feroz e censura, incentivada pelo próprio Díaz-Canel: além da pancadaria e das prisões, a internet móvel na ilha fora cortada para impedir tanto a convocação de mais manifestantes quanto o compartilhamento das imagens de repressão.

Uma característica dos novos crimes aprovados pelo Legislativo cubano é sua redação intencionalmente vaga, de modo a permitir que qualquer dissidente acabe enquadrado em algum tipo penal, independentemente do que faça. É o caso, por exemplo, do crime de “desordem pública”, que permite punir quem, “mediante atos de violência, intimidação ou provocação, desrespeite os direitos dos demais ou afete a ordem, a paz e a tranquilidade das famílias, da comunidade ou da sociedade”, com pena agravada em caso de bloqueio de via pública. Não falta a criminalização de quem “divulgue notícias falsas ou previsões maliciosas com o objetivo de causar alarmismo, descontentamento ou desinformação entre a população, ou para provocar alterações na ordem pública”. Ainda pode ir preso quem “difame, denigra ou menospreze as instituições da República de Cuba, as organizações políticas, de massas ou sociais do país”, ou quem “promova incitação contra a ordem social, a solidariedade internacional ou o Estado socialista reconhecidos na Constituição da República, mediante propaganda oral, escrita ou em qualquer outra forma”.

Uma característica dos novos crimes aprovados pelo Legislativo cubano é sua redação intencionalmente vaga, de modo a permitir que qualquer dissidente acabe enquadrado em algum tipo penal, independentemente do que faça

Com os tipos penais definidos dessa forma, qualquer autoridade zelosa (até porque aquelas que não forem suficientemente duras no exercício da repressão também ficam sujeitas a punição) encontrará justificativa legal para colocar no banco dos réus o mais inofensivo dos dissidentes, bastando uma simples manifestação de opinião contrária ao regime comunista; pior ainda será a situação daqueles que, numa suprema demonstração de coragem semelhante à do 11 de julho, forem às ruas protestar contra o governo. Também o jornalismo independente está praticamente criminalizado, já que sua independência consiste justamente em expor fatos desagradáveis ao regime, que tem a prerrogativa de classificar como “notícia falsa” qualquer verdade inconveniente.

O presidente do Tribunal Supremo Popular, Rubén Remigio Ferro, esteve presente à sessão para apresentar o projeto do Código Penal, que chamou de “lei moderna, justa e adequada à realidade socioeconômica do país”. Não que houvesse alguma dúvida a respeito da severidade que o Judiciário pretende exibir na aplicação da nova lei, já que ditaduras como a cubana e a venezuelana se caracterizam pela abolição da separação entre poderes – tanto parlamentares quanto juízes são completamente subservientes ao Poder Executivo; quando muito, permite-se uma dissidência mínima para que o regime tenha uma falsa pluralidade para exibir ao mundo. Nas raras ocasiões em que a vontade de liberdade da população consegue abrir uma brecha neste dique, como ocorreu nas eleições parlamentares venezuelanas de 2015, vencidas pela oposição, o regime logo age para restaurar o status quo, como fez Nicolás Maduro ao sacar da cartola uma Assembleia Constituinte e ao transformar as eleições seguintes em farsas sem reconhecimento da comunidade internacional.


O que ocorre em Cuba importa para o Brasil porque uma das principais forças políticas do país é grande admiradora do regime ditatorial implantado por Fidel Castro e continuado por seu irmão Raúl e por Díaz-Canel. No dia seguinte aos protestos de 11 de julho, o PT emitiu nota em que não mencionava nem os protestos, nem a repressão, preferindo atacar o embargo econômico e manifestando “apoio e solidariedade incondicionais ao povo e ao governo da irmã República de Cuba”. Em novembro do ano passado, Lula minimizou a violência policial contra os manifestantes pró-democracia, afirmando que “essas coisas não acontecem só em Cuba, mas no mundo inteiro. A polícia bate em muita gente, é violenta”. O petista não esconde o sonho de colocar um cabresto na imprensa, sob o eufemismo de “regulamentação da mídia”. E ainda há quem considere este bajulador de ditaduras um “moderado” ou mesmo um “democrata” – e, pior ainda, tente impor essa narrativa à opinião pública.


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BOLSONARO PROCESSA MINISTRO DO STF

 

Queixa-crime
Por
Gazeta do Povo

O presidente Jair Bolsonaro (PL).| Foto: Alan Santos/PR.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta terça-feira (17) no Supremo Tribunal Federal (STF) uma queixa-crime contra o ministro da Corte Alexandre de Moraes por abuso de autoridade. Segundo o advogado Eduardo Magalhães, que representa o mandatário na ação, a inclusão de Bolsonaro no inquérito das fake news é “injustificável”.

No documento, o chefe do Executivo alega que Moraes teria realizado “sucessivos ataques à democracia, desrespeito à Constituição e desprezo aos direitos e garantias fundamentais”. A notícia-crime foi encaminhada ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux.

O presidente pede “a instauração de investigação em face do ministro Alexandre de Moraes para apurar cinco fatos e o possível cometimento dos delitos”. Bolsonaro apresentou cinco justificativas que, segundo ele, fundamentam a ação contra o ministro na própria Corte em que atua.

O primeiro motivo alegado pelo presidente é a “injustificada investigação no inquérito das Fake News, quer pelo seu exagerado prazo, quer pela ausência de fato ilícito”. O segundo é, de acordo com o mandatário, o fato de o ministro “não permitir que a defesa tenha acesso aos autos”. O terceiro motivo apontado é que “o inquérito das Fake News não respeita o contraditório”.

“Ou o Inquérito no 4.781 (fake news) está, injustificadamente, sendo estendido em prejuízo dos investigados, uma vez que após mais de trinta e seis meses não há nem mesmo um relatório parcial das investigações. Ou, então, há relatórios parciais e justificativas para prosseguimento do Inquérito que estão sendo ocultados das defesas”, consta na queixa-crime.

Já o quarto motivo para a ação seria que Moraes teria decretado, contra investigados, medidas não previstas no Código de Processo Penal, contrariando o Marco Civil da Internet. O quinto ponto alega que a Polícia Federal já teria concluído que Bolsonaro não teria cometido crime na live sobre as urnas eletrônicas – motivo pelo qual o presidente se tornou alvo do inquérito das fake news – e Moraes “insiste em mantê-lo como investigado”.

A petição tem 21 páginas e também afirma que Moraes acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para arquivar o extinto inquérito dos atos antidemocráticos, mas que, na sequência, o ministro determinou a abertura do inquérito das milícias digitais e continuou usando materiais obtidos na investigação anterior. “Ou seja, trata-se de novo Inquérito (milícias digitais), mas cujo conteúdo e temas investigados são exatamente os mesmos do Inquérito arquivado (atos antidemocráticos)”, justifica o advogado.

O relator do processo será o ministro Dias Toffoli. Ele está cumprindo agenda na República Dominicana e volta ao país nesta quinta-feira (19).

A queixa apresentada pelo advogado pessoal do presidente vem em um momento em que as relações entre Executivo e Judiciário estão abaladas. Em 20 de abril, o STF condenou a oito anos e nove meses de prisão o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) por ataques feitos nas redes sociais contra os ministros da Corte. No dia seguinte, Bolsonaro concedeu uma graça presidencial a Silveira, perdoando a pena – um decreto que foi questionado pela oposição e ainda será analisado pelo próprio STF. Os dois poderes também travam uma batalha retórica sobre a segurança das urnas eletrônicas e do processo eleitoral.


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STF ESTÁ SE PREOCUPANDO MUITO EM REGULAR A MÍDIA PARA COMBATER A DESINFORMAÇÃO

 

Suprema Corte

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília

Presidente do STF, Luiz Fux, anunciará nesta quarta-feira (18) novas medidas e parcerias do Programa de Combate à Desinformação| Foto: Carlos Moura/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, apresentará nesta quarta-feira (18) as novas ações e parcerias do Programa de Combate à Desinformação, criado no ano passado para esclarecer a população sobre o papel da Corte e seu funcionamento.

A iniciativa parte da avaliação de que muita gente critica o tribunal sem entender corretamente suas funções, previstas na Constituição, que incluem arbitrar conflitos entre entes estatais, examinar a constitucionalidade de leis e atos administrativos, julgar altas autoridades, sempre mediante provocação de partidos, Ministério Público, entidades representativas de algum segmento ou por outras instituições públicas.

Há também a avaliação de que parte da imprensa acaba contribuindo para criar uma percepção de conflito permanente do STF com os demais poderes, como se todas as decisões relevantes tivessem uma conotação política. Um dos objetivos do programa é desfazer essa impressão.

Entre as medidas a serem anunciadas estão parcerias com entidades públicas e privadas que facilitem a disseminação de informações oficiais, esclarecimentos sobre a atuação dos ministros em casos relevantes, e que também possam desmentir notícias falsas ou distorcidas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – que criou um programa semelhante em 2020, com colaboração das principais redes sociais e aplicativos de mensagens – será um aliado. O presidente do TSE, Edson Fachin, vai assinar, ainda pela manhã, a cooperação com o STF, junto com Fux.

Segundo a assessoria do STF, o foco é aprimorar a comunicação do tribunal de modo a melhorar sua imagem, e as ações não têm qualquer relação com a atuação jurisdicional dos ministros.

Ao contrário do que já foi aventado, por exemplo, não se trata de uma ação de inteligência para identificar detratores do tribunal, o que eventualmente poderia alimentar inquéritos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, como o das fake news e o das milícias digitais.

Quem são os parceiros do STF nesse esforço
Entre os parceiros privados do STF estão as empresas Fasius, uma plataforma de inteligência jurídica, e a Positus, especializada no uso do WhatsApp para atendimento a clientes de estabelecimentos comerciais e de serviços.

A primeira vai acompanhar postagens no Twitter sobre o STF e elaborar relatórios que detalhem as percepções mais correntes sobre julgamentos, temas e ministros. A segunda vai disponibilizar um “chatbot”, um canal automatizado por onde os usuários vão poder acompanhar o andamento de processos, acessar notícias e comunicados oficiais, etc.

O STF também vai fechar parcerias com entidades que atuam na internet para desmascarar “fake news” e promover “educação midiática”, como a Rede Nacional de Combate à Desinformação (que reúne agências de checagem), o curso Vaza Falsiane (de professores de comunicação que ensinam a identificar notícias falsas), o Instituto Palavra Aberta (fundado por associações de mídia para promover a liberdade de imprensa e o jornalismo) e o Internet Lab (centro de pesquisas sobre tecnologia, direito e comportamento nas redes).

Um dos objetivos é capacitar servidores, para que ajudem a esclarecer conhecidos sobre mal entendidos relacionados ao STF, bem como alertar a equipe de comunicação do tribunal para tratá-los. As entidades também poderão ajudar o STF a disseminar informações corretas.

Por fim, o STF ainda chamou pesquisadores de diversas universidades, nas áreas de história, direito, comunicação, principalmente, que poderão orientar o STF sobre como produzir conteúdo que possa ajudar a combater a desinformação sobre a Corte.

Todas essas parcerias serão detalhadas nesta quarta e quinta-feira (19), por servidores do tribunal e dirigentes dessas empresas e entidades civis.

Programa traça um protocolo para rebater notícias falsas de grande alcance nas redes Fonte: STF

Pano de fundo é preocupação de ministros com a democracia
O programa nasceu num momento em que o tribunal enfrenta duras críticas na sociedade, parte delas impulsionadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que costuma reclamar de decisões de ministros que interferem nas políticas do governo; e também do TSE, por ter supostamente atuado contra a implementação do voto impresso e de sugestões das Forças Armadas que aumentariam a segurança do sistema eletrônico de votação.

Apesar de ministros não terem participado da elaboração – a iniciativa foi da área administrativa do tribunal – vários deles expressam uma preocupação sobre o que veem como um processo de “deterioração” ou de “erosão” da democracia, causada, entre outros fatores, pela desinformação.

Na raiz do problema estaria uma descrença da população na capacidade das instituições estatais e dos agentes políticos para resolver problemas persistentes, como desigualdade econômica, baixa qualidade de serviços públicos e falta de representatividade no poder público. Nesse contexto, um alvo constante é o Judiciário, a quem cabe mediar conflitos e cujo papel tem crescido, sobretudo na garantia de direitos fundamentais previstos na Constituição.

A avaliação, compartilhada por muitos ministros, é inspirada em obras acadêmicas e estudos internacionais recentes. Eles apontam que, concomitantemente a essa descrença na democracia, há a ascensão, em várias partes do mundo, de líderes populistas que desprezam princípios como a separação entre os poderes (que dá aos tribunais constitucionais, como o STF, legitimidade para impedir violação a direitos fundamentais), o Estado Democrático de Direito (que submete às leis o poder público e a sociedade), o sistema representativo (pelo qual a vontade popular é exercida e mediada por instituições) e a civilidade no debate público.


Nesse sentido, a desinformação, o discurso de ódio e notícias falsas, produzidas intencionalmente para atacar órgãos de Estado e elites políticas, seriam instrumentos para catapultar eleitoralmente líderes populistas e autoritários mundo afora. Não raramente, segundo os teóricos dessa tese, eles questionam a autoridade do Judiciário, quando este atua em defesa de minorias, e dos órgãos eleitorais, para contestar derrotas nas urnas.

É uma teoria já verbalizada por ministros do STF como Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes em palestras e eventos recentes, e que também tem influência sobre Edson Fachin.

Nesta terça, por exemplo, o presidente do TSE promoveu na Corte uma palestra com o professor argentino Daniel Zovatto, diretor regional para América Latina e Caribe do Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA Internacional), entidade sediada em Estocolmo e uma das organizações internacionais convidadas para observar as eleições do Brasil em outubro.

Em sua exposição, com base em pesquisas de opinião e estudos acadêmicos, ele corroborou a tese de que “o mundo está passando por um período de recessão democrática”. Esse retrocesso não se materializa, segundo ele, na forma de golpe de Estado, como ocorria no século passado, mas por meio da eleição de chefes do Executivo que “corroem a democracia por dentro”.

Fariam isso, segundo Zovatto, “enfraquecendo a divisão de poderes, buscando cooptar o Judiciário, manipulando o uso de redes para dividir, semear ódio e mentira, atacando a mídia e os jornalistas independentes, fechando os espaços da sociedade civil”.

Antes da palestra do argentino, Fachin demonstrou preocupação com “conturbações” e “discórdias” quanto ao resultado de eleições recentes no Equador, Peru, México e Estados Unidos, em alguns casos motivados por questionamentos à apuração dos votos.

“Vários dias, por vezes semanas, se passavam sem que pudesse ser divulgado o resultado definitivo, encorajando pedidos de recontagem e recursos judiciais de todos os lados, quando não o conflito puro e aberto. A ninguém interessa reprisar essa realidade no nosso país”, disse.


Alertas de outros ministros do STF
Alertas semelhantes têm sido feitos por Luís Roberto Barroso, ex-presidente do TSE, como por ocasião de uma palestra, no fim de abril, para estudantes da universidade Hertie School, de Berlim, na Alemanha, em que criticou o risco de politização, no Brasil, das Forças Armadas.

Além de dizer que elas estariam sendo usadas para atacar a desacreditar o processo eleitoral – declaração que suscitou uma dura resposta do Ministério da Defesa –, o ministro disse que o desfile de tanques na Esplanada dos Ministérios, em meio à discussão sobre o voto impresso, rejeitado pelo Congresso no ano passado, foi “um episódio com intenção intimidatória”.

“Um fenômeno que em alguma medida é preocupante, mas que até aqui não tem ocorrido. Mas é preciso estar atento, é o esforço de politização das Forças Armadas. Esse é um risco real para a democracia e aqui gostaria de dizer que, eu que fui um crítico severo do regime militar, militante contra a ditadura, nesses 33 anos de democracia, se teve uma instituição de onde não veio notícia ruim foi as Forças Armadas”, afirmou.

Barroso foi quem convidou as Forças Armadas, em setembro do ano passado, para participar da fiscalização do processo eleitoral. Muitos ministros consideram que a iniciativa foi um “tiro no pé”, porque os militares passaram a questionar vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação e fazer sugestões de melhorias que o TSE acabou rejeitando.

No último sábado (14), o ministro Alexandre de Moraes, futuro presidente do TSE, reforçou o recado de que não vai tolerar “agressões” ao Poder Judiciário, que, segundo ele, “não vai se acovardar” diante do que chama de “milícias digitais de extrema direita”.

Em palestra num congresso para juízes, em Salvador (BA), Moraes afirmou que o Judiciário é o “último obstáculo” a avanços populistas e ditatoriais. “Vamos garantir a democracia no Brasil com eleições limpas, transparentes, por urnas eletrônicas”, declarou.

Em sua exposição, ele descreveu que as milícias digitais seriam “extremamente bem organizadas, bem coordenadas e extremamente perigosas”, com “núcleos” de produção, divulgação e financiamento de “notícias fraudulentas”.

“Os políticos extremistas passam a [atribuir] uma falsa legitimidade a essa notícia […] E tudo isso é o núcleo financeiro bancando, seja com a finalidade de ganhar mais dinheiro seja com a finalidade de ser uma extensão do poder”, explicou, com base nas investigações que conduz.


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ESTATAIS BEM ADMINISTRADAS E FISCALIZADAS VOLTAM A DAR LUCRO

 

Balanço financeiro

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

AME8929. RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 12/05/2022.- Una mujer pasa hoy con su bebé frente al edificio de la empresa estatal Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), en Río de Janeiro (Brasil). El nuevo ministro de Energía de Brasil, Adolfo Sachsida, ha expresado su intención de avanzar hacia la privatización de la petrolera Petrobras, un anuncio de impacto en un año en que el presidente Jair Bolsonaro aspira a su reelección. EFE/André Coelho

Petrobras superou as maiores petroleiras do mundo e registrou um lucro líquido recorde no primeiro trimestre deste ano.| Foto: André Coelho/EFE

Não tem como não comentar essa atitude da prefeitura de Magé (RJ), que estava em uma operação “tapa-buraco” e tapou uma passagem de nível da linha férrea achando que fosse um buraco. Gente, eles asfaltaram o trilho do trem. Eu não sei onde estava o cérebro de quem tomou essa decisão.

O trem chegou perto da passagem de nível e parou, não quis correr o risco de sofrer um descarrilamento. Aí foi aquela correria para remover o asfalto.

Não confio em pesquisas

O presidente Jair Bolsonaro esteve em Própria, no Sergipe, nesta terça-feira (17), para inaugurar a duplicação de um trecho da BR-101 e as alças de acesso a uma ponte sobre o Rio São Francisco.

Depois disso, de forma totalmente inusitada, ele se dirigiu ao município vizinho de Capela. Foi uma parada não planejada, mas, mesmo sem prever, a cidade toda veio ao campo de futebol onde o helicóptero pousou.

Isso também é campanha eleitoral, claro, assim como Lula fez no showmício em frente ao Pacaembu, com Daniela Mercury sendo paga para ir lá, e depois em Juiz de Fora também. Ninguém fala que é campanha eleitoral, mas é.

O presidente convidado a ser homenageado no Expocenter Norte em São Paulo, depois em Campos do Jordão (SP) num evento do comércio, sempre com muita gente. Lá em Maringá (PR), naquela feira agropecuária, também tinha uma multidão imensa.

Então são essas multidões que cercam o presidente que desmentem o que vocês veem em pesquisa eleitoral. Eu não porque não vejo pesquisa. Sempre digo que pesquisa que me enganou em 2018 não vai me enganar de novo. Se eu vir alguma pesquisa e for enganado de novo, aí a culpa é minha, porque já me avisaram que eu não deveria confiar.

Pura hipocrisia
Essa história de abrir um inquérito para investigar a transferência do domicílio eleitoral de Sergio Moro de Curitiba para São Paulo, alegando que ele não mora em São Paulo, que está num hotel, é uma hipocrisia.

Recordemos o caso do ex-presidente da República José Sarney. Todo mundo sabia que ele morava e sempre viveu no Maranhão, mas transferiu seu domicílio eleitoral para o Amapá e foi eleito senador várias vezes. Então é a mesma coisa que a campanha eleitoral, não precisa levar tudo a ferro e fogo.

Boas perspectivas do PIB
Um notícia para desanimar os pessimistas que torcem contra o país, não contra o governo. Porque economia, milagre econômico, é feito com entusiasmo e otimismo, enquanto o pessimismo puxa para baixo. Fizeram isso durante todo o tempo da pandemia.

Pois agora, nós estamos explodindo em PIB. O nosso crescimento certamente chegará ao fim do ano muito melhor que o PIB da União Europeia. Está com excelentes resultados no primeiro trimestre e na passagem para o mês de abril e maio. Agora em maio, o índice de preços, o IGP-10, cravou em 0,1%. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto, deve estar festejando.

Além de tudo, outra coisa que a gente vê caminhando bem são as estatais, todas com excelentes resultados de produtividade, produção, entrega de serviço e lucro. A última é a Eletrobras, que teve um lucro de R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre. Ainda nesta terça, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, passou o dia no Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar acelerar a privatização da Eletrobras. Ou seja, basta não roubar.

A Petrobras também vai bem, teve o maior lucro do mundo no primeiro trimestre, perdendo apenas para para a Saudi Arabia. Mas ganhou de todas as outras grandes petroleiras do mundo. Na Caixa Econômica e no Banco do Brasil não tem mais ninguém enchendo mala de dinheiro e levando para Salvador. Lá nos Correios ninguém mais está pagando mensalão para ninguém. Essa é a diferença que a gente não pode esquecer, sob pena de viver isso de novo.


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PARA O TSE NÃO É DEMOCRÁTICO DUVIDAR DO PROCESSO ELEITORAL NO BRASIL

 

Liberdade de expressão

Por
Thaméa Danelon – Gazeta do Povo

Presidente do TSE, ministro Edson Fachin.| Foto: Divulgação/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, afirmou recentemente o seguinte: “quem põe em dúvida o processo eleitoral não confia na democracia”. Entretanto, eu não vejo qualquer correlação entre esses pontos, pois é plenamente possível alguém colocar em dúvida o processo eleitoral e confiar plenamente na democracia, não havendo, assim, relação de causalidade entre essas duas crenças.

Mas, afinal, o que significa a palavra democracia? Democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo. Em uma nação democrática é o povo que governa, através da eleição de seus representantes, e é o povo que legisla, ao outorgar mandatos aos deputados e senadores. Por outro lado, o povo não exerce as funções de julgar, pois nossos juízes não são eleitos, diferentemente do que ocorre em alguns países.

Pois bem, ser contrário à democracia significa adotar uma posição favorável a regimes ditatoriais, onde não há qualquer tipo de liberdade: seja a liberdade de empreender, trabalhar, crer, de ir e vir e de se expressar. Por outro lado, em um regime democrático as pessoas são livres para opinar e exercer sua liberdade de expressão, que é prevista constitucionalmente; logo, os cidadãos têm o pleno direito de elaborar livremente suas ideias e exercer suas opiniões, entendimentos e pensamentos, por mais “imbecis” que esses sejam.

Essas opiniões podem ser lançadas em conversas particulares entre amigos e familiares; na televisão; na imprensa escrita; e principalmente na internet, através das redes sociais, as quais democratizaram a comunicação e ampliaram concretamente a possibilidade da livre manifestação do pensamento.

Assim, em decorrência deste direito constitucional, cada indivíduo é livre para acreditar ou não em determinados equipamentos eletrônicos; e também o é para ter sua opinião sobre qual mecanismo de apuração de votos é o mais adequado. Afinal, penso que vivemos em uma democracia, certo?

Nesse sentido, caso uma pessoa acredite que o nosso processo eleitoral não é plenamente seguro significa dizer que ela não confia na democracia? Caso alguém entenda que o melhor sistema de apuração eleitoral seja a urna eletrônica desde que acompanhada do voto impresso sugere que ela confia em governos ditatoriais?

Eu não vejo qualquer correlação entre a não confiança no nosso sistema eleitoral e a falta de confiança na democracia. Além disso, todos somos livres para expressar nossas convicções e ideias. Assim, se um indivíduo acredita que as urnas eletrônicas não são confiáveis, ele poderá ser cerceado caso exponha a sua opinião? Poderá ser preso? Quem se manifesta contrariamente ao sistema de apuração atual no Brasil está cometendo atos atentatórios à democracia? Ou ao Poder Judiciário?

É evidente que não, pois quando se pretende limitar a população a apenas uma ideia, a uma única forma de pensar, esse ato reflete os regimes ditatoriais, onde tecer uma crítica ao governo ou a um integrante deste resultará em prisão. Assim, quem põe em dúvida a segurança do processo eleitoral não desconfia da democracia, mas a exerce, usufruindo de seu direito constitucional da livre manifestação do pensamento e da liberdade de expressão, a qual, atualmente, está custando muito caro ao cidadão brasileiro.

Em contrapartida, desconfia da democracia aquele indivíduo que pretende cercear ideias; impedir o diálogo; tolher o questionamento, e sem esse não há formação de novos pensamentos, de debates saudáveis e de discussões construtivas.

O fato de uma pessoa sustentar que no Brasil deveriam existir apenas três instâncias, ou seja, três degraus de julgamento, não significa que ela esteja atentando contra o Poder Judiciário; se em nossa opinião o número de deputados federais é elevado – pois existem 513 cargos no Brasil – também não caracteriza uma ofensa ao Poder Legislativo.

Nesse sentido, se pensamos que deveria haver uma alteração no processo de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como, por exemplo, a fixação de um mandato de oito anos, em hipótese alguma esse pensamento poderá ser classificado como um ataque ao STF, e nessa mesma linha, as opiniões que não avalizam muita confiança a respeito das urnas eletrônicas e do processo eleitoral brasileiro também não podem ser catalogadas como desconfiança na democracia ou atentados à Justiça Eleitoral.

A liberdade de expressão garante que opiniões diversas das nossas sejam proferidas e respeitadas. Uma nação que assegura esse direito constitucional é de fato uma nação democrática, e não poderemos aceitar que o cerceamento, o impedimento, e o cancelamento judicial sejam implementados, sob pena de uma real aproximação a regimes nada democráticos. Sejamos livres para opinar, por mais imbecis que esses opinadores sejam.

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COMO É FEITO O PROCESSO ELEITORAL NO BRASIL NA BASE DO SIGILO

 

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Por Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Após os eleitores dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros depositarem seus votos no dia 02 de outubro, em poucas horas será possível saber quais candidatos foram eleitos para a presidência da república . Da mesma forma, também será possível saber quem vai disputar o segundo turno. Toda essa essa agilidade é graças a um pequeno computador: a urna eletrônica.

Adotado no país desde 1996, o chamado sistema eletrônico de votação já é bem conhecido do eleitor. Basicamente ele é composto de dois terminais: um que fica com o mesário e onde é realizada a identificação do eleitor, em alguns terminais por meio da biometria, e a sua liberação para votar. O outro terminal é o terminal do eleitor, onde ele registra o seu voto.

Sigilo

Importante observar que a urna eletrônica grava somente a indicação de que o eleitor já votou. Pelo embaralhamento interno e outros mecanismos de segurança, não há nenhuma possibilidade de se verificar em quais candidatos um eleitor votou, assegurando o sigilo do voto.

Contagem dos votos

Mas o que acontece antes e depois de encerrada a eleição? Como os votos são apurados e transferidos para o cálculo do resultado?

Antes do início da votação, é realizada impressão de uma listagem de todos os candidatos, chamada de zeresíma. A zerésima tem por objetivo demonstrar a inexistência de votos nas urnas eletrônicas de todos os candidatos regularmente registrados.

O procedimento é realizado pelo presidente da seção eleitoral na presença dos mesários que atuarão na seção e de fiscais de partidos políticos que participam das eleições. Após a impressão da zerésima, o presidente da seção, os mesários e os fiscais dos partidos ou coligações que estiverem presentes devem assiná-la.

Somente após o horário de início da votação, que este ano será às 07h, é que a urna eletrônica permite a habilitação dos eleitores e consequentemente de seus votos.

Ao final da votação, às 17h pelo horário local, o presidente da seção eleitoral deve digitar uma senha na urna para encerrar a votação. Em seguida, o equipamento emitirá cinco vias do boletim de urna (BU), que informa o total de votos recebidos por cada candidato, partido político, votos brancos, votos nulos, número da seção, identificação da urna e a quantidade de eleitores que votaram na respectiva seção eleitoral. Assim como a zerésima, o boletim de urna será encaminhado para a junta eleitoral.

“O BU é um extrato dos votos que foram depositados para cada candidato e cada legenda, sem fazer nenhuma correspondência entre o eleitor e o voto. Ele também informa qual seção eleitoral o emitiu, qual urna e ainda o número de eleitores que compareceram e votaram”, informou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A primeira via do BU é afixada na porta da respectiva seção, onde é possível saber o resultado daquela seção; três são juntadas à ata da seção e encaminhadas ao respectivo cartório eleitoral; e a última via é entregue aos representantes ou fiscais dos partidos – caso seja necessário, é possível imprimir mais vias do BU.

Os dados de cada urna eletrônica são codificados em mídias de memória, como flash cards. Após a eleição, essas mídias são transportadas até um local da zona eleitoral. Depois ela é aberta e tem a sua autenticidade verificada. Somente a partir daí os dados são transmitidos, por canais próprios, ao respectivo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que os retransmite ao TSE. Não é utilizada a internet.

“Esses dados só conseguem ser lidos nos equipamentos da Justiça Eleitoral que possuem as chaves para as diversas camadas de segurança, integrantes do sistema eletrônico de votação. Assim, depois de ser verificada na zona eleitoral, a autenticidade dos votos da urna eletrônica é checada mais uma vez no TSE, antes de serem incluídos na totalização”, informou o TSE.

Após essa etapa, o resultado da eleição será obtido a partir da totalização dos votos de cada BU. Este ano a totalização dos votos ocorrerá no TSE.

Imprevistos

Em caso de problemas na urna eletrônica, a Justiça Eleitoral prevê a adoção de procedimentos como a substituição da urna ou até mesmo a realização de votação manual (com a utilização de cédulas e urna convencional) ou votação mista (parte eletrônica e parte manual).

Na fase de preparação das urnas, na audiência de carga e lacre, algumas são preparadas para essa finalidade, são as urnas de contingência. Essas urnas são utilizadas para substituir aquelas que apresentarem defeitos durante a votação.

Caso haja necessidade de substituição, o flash card e o disquete de votação são transferidos da urna com defeito para essa urna, havendo dessa forma uma migração dos votos já registrados para a urna de contingência, que é lacrada e passa a ser a urna da seção. Também há a possibilidade de substituição de um flash card, eventualmente defeituoso, com posterior lacração da urna.

Caso a medida não consiga sanar o problema, não resta outra alternativa a não ser adotar a votação manual por cédulas.

Edição: Aline Leal

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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