quinta-feira, 28 de abril de 2022

CRISE NO PT E SUA CAMPANHA NÃO EMPLACA

Mudança de marqueteiro
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília

Estratégia de comunicação de Lula com os jovens nas redes sociais será revista pelo PT| Foto: Ricardo Stuckert/PT

Além das dificuldades para atrair apoio de partidos fora do campo da esquerda, o PT tem enfrentado discordâncias na comunicação da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido demitiu recentemente o marqueteiro Augusto Fonseca, que estava na condução dos trabalhos havia menos de três meses.

Fonseca foi escolhido por Lula e pela presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, por indicação do ex-ministro Franklin Martins. O marqueteiro já tinha atuado ao lado de Duda Mendonça na campanha vitoriosa de Lula em 2002. Além disso, trabalhou nas campanhas presidenciais de Aécio Neves (PSDB), em 2014, e de Ciro Gomes (PDT) em 2018.

Até então, além de Fonseca e Franklin Martins, a estratégia de comunicação contava ainda com os trabalhos do secretário nacional de comunicação do PT, Jilmar Tatto. O trio, no entanto, entrou em rota de colisão depois das polêmicas falas de Lula sobre temas como aborto e nas críticas contra a classe média e a elite brasileira.

A disputa entre os setores do partido vinha sendo alvo de críticas por parte de lideranças petistas que questionaram a falta de uma unidade na disseminação de ideias e pautas e o vaivém nas declarações do próprio ex-presidente. “Estamos discutindo a estrutura de comunicação tanto do partido como da campanha. Vamos tomar medidas que acharmos necessárias para ajustar, mas isso não é um problema relevante”, afirmou Gleisi.

Nesta segunda-feira (25), o PT anunciou a contratação da empresa Leiaute, do marqueteiro Sidônio Palmeira, para assumir o posto deixado por Fonseca. Palmeira cuidou da campanha vitoriosa à reeleição do petista Rui Costa a governador da Bahia em 2018 e, no segundo turno, atuou como consultor da campanha presidencial de Fernando Haddad. No entanto, integrantes do partido avaliam que a estratégia de comunicação também precisa ser revista.

Se a proposta inicial for mantida, o PT deve desembolsar cerca de R$ 44,5 milhões para o marqueteiro redesenhar a estratégia de comunicação da campanha de Lula. Do total, R$ 31,8 milhões seriam empregados para o primeiro turno e R$ 12,7 milhões para o segundo.

A desorganização do setor foi alvo de críticas até por parte do escritor Paulo Coelho, simpatizante da campanha de Lula. De acordo com ele, o ex-presidente “precisa entender – e rapidamente – que deve reformular toda sua maneira de se comunicar com o eleitor. Não basta trocar os marqueteiros, precisa trocar o conceito”. A publicação foi feita nas redes do escritor, que logo em seguida apagou a postagem.

Aliados criticam comunicação do PT e de Lula nas redes sociais 
Além dos embates entre os responsáveis pela articulação, líderes do partido criticam a estratégia de comunicação adotada pelo partido e pelo ex-presidente nas redes sociais. Integrantes do PT admitem que o principal adversário de Lula, o presidente Jair Bolsonaro (PL), sabe se comunicar melhor com os eleitores na internet.

Na avaliação de petistas, havia um visível abismo nas redes sociais, onde as páginas do PT e seus parlamentares não reproduziam postagens de Lula por não serem previamente avisados sobre essas publicações. “Nossa comunicação estava voltada para o tempo analógico, enquanto o bolsonarismo nada de braçada na comunicação das redes sociais”, avalia reservadamente um integrante da bancada petista.

Na semana passada, por exemplo, a pré-campanha de Lula anunciou a criação de um perfil no TikTok, no intuito de ampliar a comunicação com os jovens. Na rede, onde os vídeos curtos costumam chamar atenção, Bolsonaro já acumula mais de 1,3 milhão de seguidores.

Como parte da nova estratégia, Lula reforçou o discurso na tentativa de atrair o eleitorado mais jovem. “Se a juventude não se mobilizar com 18 anos, não tiver vontade, fica muito difícil mudar o país. Se você quer mudar a sua cidade, você tem que participar, tirar o título de eleitor e participar da democracia do país”, afirmou o petista.

Inserções de Lula na propaganda partidária do PT também são criticadas
Outro ponto de divergência entre a cúpula petista diz respeito às inserções feitas por Lula na propaganda partidária do PT. Na avalição dos petistas, as peças, produzidas pela empresa de Augusto Fonseca, não passavam “emoção” e mostrava o ex-presidente Lula de forma “fria”.

Nas inserções, a frase escolhida para encerrar os vídeos de Lula é: “Se a gente quiser, a gente pode”. Contudo, o entorno do ex-presidente avalia que o texto é uma versão menos enfática do mote “Sim, nós podemos”, popularizado pelo ex-presidente americano Barack Obama em sua vitoriosa campanha à Casa Branca, em 2008.

Publicamente, o PT agradeceu pelos trabalhos feitos pela empresa de Fonseca. “O PT reconhece a qualidade dos serviços prestados pela MPB na criação e produção das inserções partidárias de rádio e TV e agradece a dedicação e o empenho de seus dirigentes e profissionais neste período”, escreveu o partido em nota.

Crise de comunicação atrasa estratégia de Lula para atrair eleitores evangélicos 
Como forma de atrair o eleitorado evangélico, o ex-presidente Lula havia recomendado que o PT criasse um podcast para tratar de pautas religiosas. A medida seria uma das estratégias do petista no intuito de diminuir a preferência desse segmento do eleitorado pelo presidente Bolsonaro.

A crise na comunicação do PT, no entanto, atrasou o projeto que seria lançado em março e teria apresentação do pastor Paulo Marcelo. O objetivo era adaptar a comunicação das campanhas aos valores religiosos.

Questionados pela reportagem, integrantes do PT não souberam afirmar se o projeto será deixado de lado ou retomado após a reorganização da comunicação do partido. De acordo com essas lideranças, o martelo será batido até 7 de maio, data em que o partido pretende oficializar a pré-candidatura de Lula.


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EMMANUEL MACRON SUA REELEIÇÃO E SEUS PROBLEMAS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O presidente da França, Emmanuel Macron, conseguiu a reeleição no segundo turno realizado no domingo, 24 de abril.| Foto: EFE/EPA/Yoan Valat

No fim, a vitória de Emmanuel Macron no segundo turno da eleição presidencial francesa foi mais tranquila que o previsto nas pesquisas de opinião. Pela primeira vez desde 2002, um mandatário conseguiu a reeleição; o centrista do República Em Marcha teve 58,5% dos votos, contra 41,4% de sua adversária, Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, partido da direita nacionalista. A margem tranquila só foi possível graças à migração de quase metade dos votos da extrema-esquerda, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno – dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon ouvidos na boca de urna, 42% votaram em Macron e 17%, em Le Pen.

Não que haja um grande entusiasmo entre os franceses com o primeiro governo de Macron e suas propostas para o segundo mandato: 40% dos que disseram ter votado no atual presidente no último domingo afirmaram tê-lo feito principalmente para impedir que Marine Le Pen saísse vencedora. E, de fato, algumas das plataformas do mandatário reeleito não são das mais palatáveis em um país que se acostumou com uma enorme rede de bem-estar social, subsídios pesados para alguns setores da economia e uma legislação trabalhista bastante engessada em comparação com a de outras nações europeias.

Boa parte do futuro de Macron como líder de dimensão global dependerá do desfecho da campanha de agressão realizada por Vladimir Putin na Ucrânia

Uma primeira tentativa de reformar a previdência social francesa terminou em fracasso – oficialmente, graças à pandemia de Covid-19, embora seja mais acertado atribuir a culpa à enorme resistência de sindicatos. Macron queria elevar a idade mínima de aposentadoria de 62 para 65 anos, unificar todas as dezenas de regras previdenciárias existentes e acabar com “aposentadorias especiais” em setores como as ferrovias estatais; agora, fala-se em uma idade mínima de 64 anos. O sistema previdenciário francês é um dos mais caros da Europa (custa 14% do PIB, abaixo apenas de Grécia e Itália) e, assim como o brasileiro, está destinado à falência no médio e longo prazo se não for reformado. Macron espera deixar um legado ao país caso consiga alterar as regras de aposentadoria.

E, para isso, ele precisará também vencer o “terceiro turno”: as eleições legislativas francesas, que ocorrem em junho. As perspectivas, até o momento, são favoráveis: o Em Marcha e seus aliados têm tudo para manter a maioria absoluta da Assembleia Nacional (o equivalente francês da Câmara dos Deputados), conquistada em 2017. No entanto, há tendência de crescimento dos extremos: o Reagrupamento Nacional pode pular das atuais 7 para 90 cadeiras; a França Insubmissa, de Mélenchon, que hoje tem 17 deputados, pode chegar a 30. Caso as pesquisas de opinião se confirmem, os grandes derrotados seriam os Republicanos, de centro-direita, que veriam seus 99 assentos reduzidos pela metade.

Se Macron ainda depende da manutenção de sua maioria parlamentar para implementar suas reformas internas, ele pode ter um caminho mais aberto no cenário europeu para se tornar o grande líder dentro da União Europeia. A era “Merkozy” ficou no passado: os herdeiros políticos de Nicolas Sarkozy foram derrotados pelo próprio Macron já em 2017, e Angela Merkel deixou de ser chanceler da Alemanha no fim de 2021; seu substituto, Olaf Scholz, ainda briga para se firmar no posto. Mas boa parte do futuro de Macron como líder de dimensão global dependerá do desfecho da campanha de agressão realizada por Vladimir Putin na Ucrânia.

O presidente francês tem apostado na negociação e chegou a criticar declarações mais incisivas feitas por outros líderes, como quando o norte-americano Joe Biden chamou o russo de “criminoso de guerra” e “açougueiro”. No entanto, a diplomacia até agora também não foi capaz de parar Putin, que já desrespeitou algumas promessas feitas a Macron. Está mais que evidente que, na situação atual, diante de todas as atrocidades cometidas pela Rússia, a verdadeira liderança exige firmeza na condenação à campanha militar de Putin e na busca por todos os meios possíveis de frear a ofensiva russa sem provocar uma escalada do conflito que leve a uma guerra generalizada. Se Macron quer se consolidar como um dos grandes líderes mundiais da atualidade, este é o caminho que tem de seguir, e não o do apaziguamento diante de um autocrata que se julga onipotente.


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CASO DANIEL SILVEIRA CHEIO DE FALHAS DO STF

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Deputado Daniel Silveira exibe quadro emoldurado com o decreto de perdão concedido por Jair Bolsonaro, um presente do deputado Coronel Tadeu.| Foto: Anderson Riedel/PR

O pessoal do WhatsApp e do Facebook foram recebidos nesta quarta-feira (27) pelo presidente da República e o ministro das Comunicações, Fábio Faria. As empresas explicaram que não houve pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para segurar a entrada em funcionamento de uma ferramenta chamada Comunidade.

Eles disseram que não há exceção para o Brasil e que o país vai entrar junto com o mundo inteiro. Só que o mundo inteiro vai entrar depois das eleições aqui no Brasil. Foi a explicação que o ministro Fábio Faria deu depois do encontro.

Perfume da liberdade

Não sei se vocês notaram, mas está crescendo o número de seguidores de quem está no Twitter. Em 48 horas, eu já recebi 42 mil novos seguidores. Parece que tinha uma porteira fechada, um algoritmo que não deixava passar certos simpatizantes da gente. E agora que o Elon Musk comprou o Twitter se abriu a porteira da liberdade. É o “perfume da liberdade” chegando.

A gente está vendo até que alguns assuntos que eram tabu agora estão sendo discutidos. Depois que passou aquele período obscuro de censura da pandemia. Agora parece que a gente está levantando aquela “cortina escura” que puseram sobre a verdade dos fatos.

STF insiste em querer cassar mandato de Silveira
Os presidentes da Câmara e do Senado avisaram que só a casa legislativa ao qual pertence um deputado ou um senador é que pode tirar o mandato de um ou de outro. As falas foram feitas em reação à perda de mandato determinada pelo Supremo Tribunal Federal ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ).

Mas é óbvio: ninguém sem voto pode cassar o mandato de quem tem voto, porque fazendo isso está se tirando o voto dos eleitores dele.

Ainda assim, o ministro Alexandre de Moraes insiste em dizer que o “indulto tudo bem, mas vamos tirar o mandato dele”. Como assim vamos? Ele já sabe o voto de todo o Supremo ou já está pré-julgando, fazendo uma ameaça, o que é isso? O ministro Marco Aurélio Mello, que já está aposentado do Supremo, diz que só falta pregar uma estrela de xerife no ministro Moraes.

Explicação no artigo 84
Já a ministra Rosa Weber, que virou relatora de um monte de pedido de partido político, deputado e senador que não leram a Constituição, deu 10 dias para o presidente Bolsonaro explicar porque deu o indulto. Ora, ele não precisa de 10 dias, basta um segundo. É só dizer: artigo 84 da Constituição e ponto final, não tem que dizer mais nada.

E ainda tem alguns que perguntaram na terça-feira (26): “Daniel Silveira tirou a tornozeleira com ordem de quem?”. Ora, ordem do Diário Oficial, que publicou no dia 21 de abril o decreto de indulto de Bolsonaro. Está lá: “entra em vigor na data de sua publicação”. Pronto, acabou. Ele não é mais prisioneiro, até porque nem deveria, não existe isso, não está na Constituição, ele é detentor de mandato.

E ainda tem uma comissão da OAB que diz que o indulto é inconstitucional. E eu fico pensando: a OAB tem um exame muito rigoroso para ter o número da Ordem, mas ainda assim tem uma comissão que não sei como passou pelos bancos escolares. Não sei se é a cartilha Paulo Freire que atrapalha na leitura, na interpretação, sei lá.

Eu imagino que algum professor de Direito deve estar com vontade de chamar ex-alunos de volta, sentá-los na sala de aula e mandar um por um escrever no quadro negro cem vezes: “compete privativamente ao presidente da República conceder indulto”.

Depois pega um dicionário Aurélio e explica o que é privativamente. O presidente é soberano para fazer o que fez, não tem nem que dar explicação alguma.


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A CENSURA DOS GOVERNANTES É O MORRO DIGITAL

 

Big Techs

Por
Bruna Frascolla – Gazeta do Povo

Gruenheide (Germany).- (FILE) – Tesla and SpaceX CEO Elon Musk (R) gives a statement at the construction site of the Tesla Giga Factory in Gruenheide near Berlin, Germany, 03 September 2020 (Reissued 07 January 2021). According to reports on 07 January 2021, Tesla and SpaceX CEO Elon Musk became the world richest person with a net worth of more than 185 billion US dollars, surpassing Jeff Bezos, CEO of Amazon, who is currently worth 184 billion US dollars. (Alemania) EFE/EPA/ALEXANDER BECHER *** Local Caption *** 56315718

O CEO da Tesla e da SpaceX, CEO Elon Musk.| Foto: ALEXANDER BECHER/ EFE

O Direito não surgiu dentro de um Estado onde todos eram cidadãos. O paterfamilias romano era o árbitro e senhor da sua casa, que compreendia os servos, a mulher e os próprios filhos. Ele era uma espécie de monarca dentro de sua propriedade e, fora dela, um cidadão sujeito à autoridade da República ou do Império. O Brasil herdou algo disso, seja nos costumes ou na legislação.

Onde o poder privado reina, o Estado não bole. E para se ter uma boa ideia de como era o interior brasileiro, tomemos nota de que no Segundo Reinado não havia mapa do Semiárido brasileiro, embora essa seja uma região ocupada por lusófonos desde pelo menos o século XVII. Os mapas foram encomendados por D. Pedro II ao polímata Theodoro Sampaio, e seriam de grande valia à República para debelar Canudos. Se o Estado nem sabia os caminhos das brenhas do Semiárido, tem-se uma ideia do poder que um coronel estava habituado a exercer em sua propriedade privada.

Ao menos até o século XX, entendia-se que modernização implicava o crescimento do Estado sobre esses enclaves privados. Com a universalização da cidadania, são iguais, perante o Estado, o coronel e seu cortador de cana analfabeto. Ambos estão sob a autoridade estatal, e o coronel não é livre para açoitá-lo num tronco ou vendê-lo.

No entanto, a modernização fez com que o exercício do poder privado sobre cidadãos teoricamente livres chegasse às cidades. À figura rural do coronel, somou-se a figura urbana no dono do morro. Mas ainda assim os políticos e os intelectuais dirão que tal estado de coisas não é o ideal. E, por mais que haja uma bandidolatria da parte dos intelectuais, muita tinta já correu para tratar do “Estado paralelo”. A apologia do tráfico é algo envergonhada e disfarçada. O jeito de elevar o tráfico é rebaixar o Estado legítimo, dizendo que é racista etc., sem dizer palavra sobre as barbaridades do tráfico. Quanto ao seu financiamento, tampouco esperem uma campanha pela conscientização do custo humano do uso de drogas ilícitas: mais fácil se preocuparem com baleia do que com favelado. Há campanha para parar de comer carne e salvar animaizinhos, mas parar de usar droga, nem pensar!

Assim sendo, a mobilização de políticos para que entes privados exerçam seu poder discricionário sobre a população deverá ser recebido com muita surpresa. E era exatamente o que os governos vinham fazendo com as Big Techs.


Donos de morro digitais
Vejam bem: o Estado brasileiro não pede para coronéis e donos de morro criarem códigos de conduta privados e aplicarem aos cidadãos brasileiros que adentrem seus territórios. Ninguém diz: “Seu Traficante, Allan dos Santos entrou no seu morro e transitou livremente! Você não tem um código que pune discurso de ódio com micro-ondas? Como você não o executou? Se ele pisar aí mais uma vez e escapar impune, vou mandar a polícia tomar conta do seu morro e acabar com o seu negócio!”. Mas no Judiciário, no Legislativo e na academia, muitos dizem que as Big Techs têm que punir quem faça isso e aquilo.

O Estado Democrático do Brasil tem leis que punem calúnia, injúria e difamação. Não existe nenhuma lei focada nessa coisa vaga chamada de “discurso de ódio”, mas existem limitações legais à liberdade de expressão. Ninguém pode defender a superioridade de uma raça, por exemplo. Tampouco se pode fazer apologia de crimes. Assim, o Estado brasileiro deveria se modernizar para fazer valer suas leis na internet. Como não temos censura prévia, a internet deveria acarretar apenas uma explosão de crimes de calúnia e difamação, que sobrecarregaria o Judiciário. Problema de gestão, não de surgimento de crimes novos.

No entanto, a corporação jornalística vinha nos oferecido um senso comum artificial segundo o qual Mark Zuckerberg (Facebook, Instagram e WhatsApp), Jack Dorsey (Twitter) e Pavel Durov (Telegram) tinham que aplicar em seus respectivos morros digitais um código censor que os progressistas tiraram da cabeça deles e que não foi sancionada por lei nenhuma no Brasil. Agora, com a compra do Twitter por Elon Musk, a coisa parece mudar de figura. A burocrata não-eleita Jen Psaki já veio a público falar de regulação de redes sociais nos Estados Unidos. A União Europeia, idem, através de um tal Thierry Breton, outro burocrata não-eleito.

Elon Musk foi claro e sucinto em seu tuíte a respeito do assunto: “Por ‘liberdade de expressão’ entendo simplesmente o que condiz com a lei. Sou contra a censura que vai além da lei. Se as pessoas quiserem menos liberdade de expressão, vão pedir ao governo que passem leis com esse efeito. Portanto, ir além da lei é ir contra a vontade do povo.” Na mosca.

Preocupação com a salvaguarda de dogmas

Eu posso encontrar com facilidade no Twitter violações à liberdade de expressão que deveriam preocupar as autoridades brasileiras. Uma delas foi coberta pela Gazeta: a propaganda explícita do Comando Vermelho. Logo após a matéria, as contas foram apagadas. Mas voltou a haver um monte de contas do Comando Vermelho e ninguém reclama. Isso não tira o sono dos ministros do Supremo, nem de jornalistas esclarecidos. Perigoso mesmo é Allan dos Santos.

Na verdade, o curioso é que todo mundo sabe qual é a lei de censura não escrita. Isso ficou bem claro no primeiro dia após a compra do Twitter: uma chuva de tuítes com a expressão “testando” violava a censura. Tuitavam que homem é homem e mulher é mulher, ou que ivermectina é bom. Resumidamente, ficou muito claro que os dogmas do identitarismo e da “seita da vacina” (para usar a expressão de Guilherme Fiuza) se converteram numa ortodoxia capaz de punir hereges.

Os CEOs eram donos de morros digitais que agiam a mando de governantes. Governantes estes que traíram os seus povos e adoraram ter censores intermediários. Vamos ver agora se a União Europeia e os Estados Unidos dispõem de randolfes para dar um jeito na situação.

Guerra de bilionários

Assim como um cidadão esclarecido dos anos 40, nós não temos como saber agora o que está acontecendo no mundo. Dada a informação disponível, podemos considerar que o vago corpo doutrinário ESG está afinado com o corpo censório abolido no Twitter. O ESG, sigla de Governança Ambiental e Social, reúne identitarismo e ambientalismo neomaltusiano. Por mera observação, vemos também que todo identitário é da seita da vacina (embora nem todo fiel da vacina seja identitário), de modo que ambas as coisas devem estar conectadas. E sabemos ainda que Bill Gates e Klaus Schwab são os principais difusores do ESG mundo afora.

O ESG é feito para regular empresas e pessoas a partir de rankings identitários de “inclusão” e de créditos de carbono. São critérios que não estão claros para ninguém – exceto, talvez, para Bill Gates. Elon Musk tem postado contra ele no Twitter, e até vazou uma conversa privada entre ambos, com ele cobrando de Bill Gates satisfação por investir na queda da Tesla. Ao que parece, a Tesla, de Musk, apesar de produzir carros elétricos (que são propagandeados como “energia verde”) teria uma nota ESG baixa, e por isso Bill Gates se preparava para a desvalorização da empresa. Musk também usou o Twitter para chamar o ESG de “demônio encarnado”. No mais descobrimos também que ele é contra o neomaltusianismo de Bill Gates, já que lastima a queda da natalidade na pandemia e acha que a humanidade tem que evoluir para ficar de luto pelos não-nascidos.

Aí vem briga de cachorro grande, e é provável que só daqui a alguns anos entendamos o que está se passando agora.


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GUERRA NA UCRÂNIA MOSTRA SOLDADOS UCRANIANOS SEM NOME E POLÍTICOS SEM VERGONHA

Thomas Friedman: leia o artigo

Foto: Finbarr O’Reilly/The New York TimePor Thomas Friedman – Jornal Estadão

Não consigo lembrar de outro momento em minha vida em que tenha duvidado do futuro da democracia americana e do futuro da democracia no mundo

THE NEW YORK TIMES – Estou pensando a respeito de três pessoas cujo atual comportamento poderia surtir um impacto significativo no mundo nos próximos meses e possivelmente nos próximos anos: um soldado sem nome, um político sem vergonha e um líder sem alma.

O primeiro eu admiro, o segundo não deveria receber nada além de desprezo e o terceiro deverá ser conhecido eternamente como um criminoso de guerra.

Os soldados sem nome são os milhares de ucranianos — os que usam uniforme e os homens e mulheres civis — que estão defendendo a recente democracia de seu país contra a tentativa bárbara de Vladimir Putin de varrer a Ucrânia do mapa.

Militar ucraniana reza durante celebração da Páscoa ortodoxa na catedral de St. Volodymyr, em Kiev

Militar ucraniana reza durante celebração da Páscoa ortodoxa na catedral de St. Volodymyr, em Kiev  Foto: DIMITAR DILKOFF / AFP

Sejam soldados treinados profissionalmente ou “babushkas” usando seus smartphones para denunciar coordenadas de tanques russos que se escondem nas florestas atrás de suas fazendas, sua disposição de lutar e morrer anonimamente para preservar a liberdade e a cultura da Ucrânia é a refutação absoluta da alegação de Putin de que a Ucrânia não é um país “real”, mas em vez disso parte integrante da “da história, da cultura e do espaço espiritual” da Rússia.

Nós não conhecemos seus nomes — não sei o nome de nenhum general ucraniano, apesar de todos os seus sucessos até agora — mas seus feitos mostraram a Putin que o país pelo qual eles lutam é muito real, muito distinto do dele e está disposto a se defender ferozmente.

Se os líderes da Ucrânia escolherem negociar um acordo de paz com a Rússia, devemos ajudar a lhes dar apoio nas negociações, mas enquanto eles escolherem lutar, devemos ajudar a armá-los. Porque eles não estão defendendo apenas a Ucrânia, estão defendendo a possibilidade de uma Europa inteira e livre — onde um país não pode simplesmente devorar outro. Isso não torna apenas a Europa um lugar melhor, torna o mundo inteiro um lugar melhor.

A segunda pessoa em quem estou pensando é Kevin McCarthy, o líder do Partido Republicano na Câmara dos Deputados — um homem que, agora sabemos, não teve coragem para manter sua própria manifestação fugaz de coragem.

Devemos à reportagem de meus colegas do Times Jonathan Martin e Alexander Burns a oportunidade de apreciar o quanto o comportamento de McCarthy representa um perfil de covardia em quatro atos:

1.º Ato. Martin e Burns citam que McCarthy confessou a colegas republicanos seus sentimentos em relação ao ex-presidente Donald Trump imediatamente após o ataque de 6 de janeiro de 2021 contra o Capitólio. “Cansei desse sujeito”, afirmou McCarthy, que descreveu as ações de Trump no 6 de Janeiro como “deploráveis e totalmente erradas”. Trump poderia sofrer impeachment, afirmou McCarthy, então ele queria recomendar ao ex-presidente, “o sr. deveria renunciar”.

2.º Ato. Após essas revelações serem publicadas na manhã da quinta-feira passada, McCarthy emite um comunicado declarando que “a reportagem do New York Times sobre mim é totalmente falsa e equivocada”.

3.º Ato. Naquela noite, graças a uma gravação de áudio vazada que foi publicada online pelo Times e reproduzida no programa de Rachel Maddow na MSNBC, o mundo inteiro pôde escutar McCarthy falando a uma conferência da liderança republicana na Câmara, em 10 de janeiro, que seu plano era dizer a Trump que seu impeachment “será aprovado, e minha recomendação é que o sr. renuncie” — exatamente o que McCarthy negou ter afirmado horas antes.

4.º Ato. McCarthy — em vez de se desculpar com seus eleitores e com o povo americano por mentir — telefona para Trump para se explicar e convencer o ex-presidente de que deve continuar sob suas boas graças. Trump perdoa magnanimamente o puxa-saco McCarthy pelo pecado de ter falado a verdade.

Líder da minoria na Câmara, o republicano Kevin McCarthy, chega ao Capitólio, em 26 de abril

Líder da minoria na Câmara, o republicano Kevin McCarthy, chega ao Capitólio, em 26 de abril  Foto: EFE / EFE

John Wooden, o lendário técnico do time de basquete da UCLA, gostava de afirmar que “o verdadeiro teste para o caráter de um homem é o que ele faz quando ninguém está vendo”.

A maioria dos legisladores preferiria que o mundo acreditasse que, quando tudo estava em jogo para os EUA, eles falaram a verdade e ficaram do lado da Constituição contra um presidente que tentava subvertê-la. Foi essa a posição que McCarthy expressou aos seus colegas republicanos, privadamente, que estava adotando.

Mas McCarthy revelou, então, seu verdadeiro caráter. Quando se deu conta de que fazer a coisa certa pelo país poderia lhe custar o apoio de Trump e seu sonho de se tornar presidente da Câmara, McCarthy mentiu a respeito de ter falado a verdade. E ainda pior, quando a mentira e o mau caráter de McCarthy foram expostos, muitos em seu partido o apoiaram de qualquer modo.

Este é o novo “macarthismo” — o Kevin McCarthismo — segundo o qual um político pode dizer o que bem entender, até mesmo mentiras a respeito de ter falado a verdade, e se dar bem.

Linha de sucessão

Essa tendência ameaça tanto a democracia americana quanto qualquer coisa que Vladimir Putin esteja fazendo. Porque se um picareta sem vergonha e infame como McCarthy for capaz de vender sua alma para pessoas suficientes e se tornar presidente da Câmara, ele se torna o segundo na linha de sucessão presidencial, após a vice-presidente.

E isso é uma ameaça porque tudo o que McCarthy e seus colegas fizeram erode a distinção entre o nosso sistema a o sistema liderado pelo homem sem alma — Vladimir Putin, que também não hesitará em se valer de qualquer meio para se manter no poder, seja encarcerando ou supostamente envenenando seus críticos ou envenenando democracias com desinformação.

Putin, contudo, não está obcecado apenas em se manter no poder e disposto a violar qualquer norma para retê-lo. Ele está obcecado também com a perda de poder, dignidade e respeito da Rússia — que resultou da queda da União Soviética — e precisa restaurá-los.

Sua irresponsável decisão de invadir a Ucrânia foi alimentada por um desejo de impedir a expansão da Otan e da União Europeia para as proximidades das fronteiras russas. Mas ele quis fazer isso de uma maneira que mostrasse a todos como o Ocidente é fraco e dividido e provasse que a Ucrânia não é um país real, ao subjugar o lugar em uma semana. A aula havia começado, e Putin ensinaria ao Ocidente uma lição.

Presidente Vladimir Putin em uma reunião no Kremlin, em 6 de abril

Presidente Vladimir Putin em uma reunião no Kremlin, em 6 de abril  Foto: Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

Mas o programa de aula de Putin deu muito errado. Em vez de ensinar para o Ocidente — e para todos aqueles ucranianos que querem ser parte do Ocidente — uma lição e apagar as humilhações da Rússia, Putin foi ainda mais humilhado.

Precisamos pisar em ovos nesse sentido — não há nada mais perigoso do que um líder duplamente humilhado que possui armas nucleares.

Putin é capaz de qualquer coisa. Quando consideramos como esta guerra arrasou as economias e os Exércitos tanto da Rússia quanto da Ucrânia, o lugar de Putin na história já está garantido: Ele é o líder que destruiu dois países para salvar uma imagem — a sua própria. Mas ele fará de tudo para continuar tentando salvar sua imagem.

Então, aqui vai minha conclusão: vários anos atrás, uma biografia de Ariel Sharon foi publicada em hebraico sob o título Ele não para no farol vermelho. Trata-se de um título adequado para os nossos tempos, também. Algo que muito me irrita a respeito do estado atual do mundo é a quantidade de líderes prontos para furar o sinal vermelho de maneira desavergonhada, em plena luz do dia — e com um senso de impunidade absoluta.

O serviço de segurança do Capitólio chegou a fechar o complexo durante a invasão e pedir para os funcionários e parlamentares usarem canais subterrâneos para transitar entre os prédios

O serviço de segurança do Capitólio chegou a fechar o complexo durante a invasão e pedir para os funcionários e parlamentares usarem canais subterrâneos para transitar entre os prédios Foto: SHANNON STAPLETON

Ou seja, uma disposição de atropelar os impedimentos legais e normativos que mantiveram o mundo relativamente em paz nos 70 anos recentes, durante os quais não testemunhamos nenhuma guerra entre grandes potências e que permitiram às pessoas emergir da extrema pobreza mais rapidamente do que em qualquer outra era da história.

Sentiremos falta dessa condição se isso acabar. Para manter a paz, contudo, é necessário que ajudemos todos aqueles ucranianos sem nome que lutam pela liberdade a serem bem-sucedidos. E é necessário garantirmos que a busca de Putin para encontrar dignidade esmagando esse movimento ucraniano de liberdade fracasse.

Mas nada disso é suficiente se todos esses políticos americanos que também acham que podem atravessar o farol vermelho para conquistar ou se manter no poder forem bem-sucedidos. Desta maneira, quem seguiria nosso exemplo?

Não consigo lembrar de outro momento em minha vida em que tenha duvidado do futuro da democracia americana e do futuro da democracia no mundo. E não se engane, eles estão ligados. E não se engane; ambos podem ir bem ou mal. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

 

COMO ELON MUSK ADQUIRIU TODA A RIQUEZA QUE TEM

Homem mais rico do mundo, Musk aumentou seu patrimônio em quase dez vezes nos últimos dois anos

 Por Daniel Tozzi – O Estado de S. Paulo

Fortuna do homem mais rico do mundo é estimada em US$ 220 milhões 

Fortuna do homem mais rico do mundo é estimada em US$ 220 milhões 

Elon Musk, o homem mais rico do mundo, comprou o Twitter na segunda-feira, 25, por US$ 44 bilhões, no maior negócio da história envolvendo redes sociais. Para concretizar a transação, Musk vai usar cerca de US$ 21 bilhões do próprio bolso, o que faz da compra do Twitter a maior transação já realizada por uma única pessoa. Tudo isso, claro, levanta a questão: de onde vem tanto dinheiro? 

Com uma fortuna avaliada em aproximadamente US$ 220 bilhões, a maior parte do império está ancorado nas participações na Tesla, montadora de carros elétricos (que, em outubro de 2021, alcançou o valor de mercado de US$ 1 trilhão), e na SpaceX, empresa de foguetes e voos espaciais comerciais, avaliada em pouco mais de US$ 100 bilhões. 

A participação do executivo na montadora é estimada em 20% das ações. Isso significa que Musk enriquece conforme a Tesla se valoriza, algo que vem acontecendo em ritmo constante. Nos últimos dois anos, a companhia valorizou mais de 540%. O salto é tão grande que Musk era dono de um patrimônio de “meros” US$ 24,6 bilhões na edição de 2020 do ranking de bilionários da Forbes

Em relação à SpaceX, é mais difícil precisar quanto ela compõe a fortuna do bilionário – a empresa tem capital fechado, ou seja,não comercializa ações na bolsa de valores, o que torna mais difícil apurar qual porcentagem pertence a Musk. Algumas estimativas apontam, por exemplo, que ele é dono de metade da companhia em valores societários, embora exerça controle total sobre os rumos da empresa.

Porém, a companhia é uma das empresas de capital fechado mais valiosas do mundo. Segundo ranking da consultoria CB Insights, a SpaceX é a segunda startup mais valiosa do mundo , atrás apenas da chinesa ByteDance (US$ 140 bilhões), dona do TikTok.  

Como ele chegou lá 

Nascido em Pretória, na África do Sul, em 1971, Musk é filho do engenheiro e empresário Errol Musk e da modelo e nutricionista Maye Musk. Há bastante controvérsia a respeito de como era a condição financeira de sua família. 

Em 2018, por exemplo, uma reportagem da versão sul-africana do site Business Insider afirmou que o pai de Elon Musk teria sido dono de uma mina de diamantes na Zâmbia, o que teria impulsionado o enriquecimento da família na África do Sul durante o período do regime segregacionista do apartheid. Musk nega as informações e, em um post no Twitter, chegou a afirmar que seu pai e sua família foram financeiramente dependentes dele por mais de 20 anos. 

Desde criança interessado em games e computadores, Musk aprendeu programação sozinho e, com 12 anos, desenvolveu o seu próprio game para computador, o “Balstar”, vendido a uma revista especializada por US$ 500, ainda na África do Sul. 

Aos 17, Musk mudou-se para o Canadá e depois para os Estados Unidos, onde concluiu a graduação em Física e Economia na Universidade da Pensilvânia, na cidade da Filadélfia.

É nesse momento que sua carreira de empresário ganha força. Já no Vale do Silício, em 1995, ao lado do irmão Kinbal Musk, Elon criou um software chamado “Zip2”, que consistia em uma espécie de plataforma para reunir informações sobre empresas no ambiente digital e conectá-las aos consumidores.

Considerada inovadora para a época, a Zip2 atraiu o interesse de investidores maiores e, em 1999, foi vendida por US$ 307 milhões. Desse valor, Musk teria ficado com aproximadamente US$ 22 milhões. 

PayPal e o salto rumo ao clube dos bilionários

Com os ganhos obtidos a partir da venda da Zip2, Musk investiu no negócio que mudaria o patamar de sua carreira: a criação do sistema de pagamentos online X.com. Pouco tempo depois, a X.com se uniu ao banco online Confinty, fusão que deu origem ao PayPal, ainda hoje uma gigante do setor de pagamentos online. 

Então dono da maior parte das ações da empresa recém-formada, Musk ganhou aproximadamente US$ 165 milhões com a venda do PayPal para o eBay, em outubro de 2002. Foi também nesse ano que Musk utilizou boa parte de seus rendimentos para fundar a Space Exploration Technologies, a SpaceX, seu sonho de infância. 

Dois anos depois, em 2004, Musk investiu pouco mais de US$ 7 milhões na recém-criada Tesla, fundada pelos engenheiros Martin Eberhard e Marc Tarpenning. Desde então, Musk sempre esteve envolvido com a companhia, até se tornar CEO em 2008. Em 2010, a empresa abriu capital na Bolsa de Valores e, em 2012, com o sucesso do empreendimento, Musk apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes. 

Diversificação  e a compra do Twitter 

Nos últimos dez anos, Musk encarregou-se não apenas de administrar seus negócios, mas também de fazer novas apostas. 

Além da Tesla e da SpaceX, fazem parte do império de Elon Musk hoje a SolarCity, ligada à geração de energia solar, a NeuraLink, que desenvolve chips cerebrais, e a The Boring Company, empresa de infraestrutura dedicada à escavação de túneis para trens de alta velocidade. 

Todas elas se juntam ao Twitter na lista de propriedades do homem mais rico do mundo, posição que ocupa desde setembro de 2021, quando ultrapassou Jeff Bezos, fundador da Amazon. 

Criptomoedas

Excêntrico, Elon Musk também ganhou destaque nos últimos anos por sua relação muitas vezes ambígua com o investimento em criptomoedas. Embora já tenha feito críticas, por exemplo, à mineração das moedas digitais, Musk revelou que investe parte de sua fortuna nas criptomoedas Bitcoin, Ether e Dogecoin, e que aguarda retorno de “longo prazo” dessas aplicações — mas nunca revelou valores exatos dos investimentos nesses ativos. 

Em outra oportunidade, quando interagia com um usuário no Twitter, Musk ressaltou que, embora invista nos ativos digitais, não é correto “apostar tudo em criptomoedas”. “O verdadeiro valor está em construir produtos e fornecer serviços aos seus semelhantes, e não fazer dinheiro de qualquer forma”, acrescentou. 

O primeiro trilionário 

Previsões apontam que Elon Musk pode se tornar o primeiro trilionário da história do mundo, em 2024. Isso porque a expectativa é que seus dois principais empreendimentos, Tesla e SpaceX, em especial esta última, continuem se valorizando no mercado. 

Ambas empresas trabalham com setores estratégicos, principalmente sob o ponto de vista do futuro da economia. A Tesla se consolidou como a principal referência no setor de carros elétricos e lidera a ideia da transição mundial para o uso de energias sustentáveis no transporte rodoviário. O sucesso da empresa é tão grande que seu valor de mercado já é o maior entre todas as montadoras de veículos do mundo. 

Já a SpaceX, que no início do ano completou 20 anos de fundação, vive o que pode ser considerada a sua fase de ouro, batendo recordes de viagens ao espaço e se tornado responsável pela maior parte dos lançamentos de foguetes nos EUA. Não à toa, ao longo de toda sua trajetória, a SpaceX coleciona contratos milionários com a Nasa (agência espacial dos EUA). E, a depender de Musk, ainda vai ser a responsável por levar o homem à Marte

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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