quinta-feira, 21 de abril de 2022

VOTAÇÃO DOS JOVENS É MUITO DISPUTADA PELOS PARTIDOS

 

Eleitor de 16 a 24 anos

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Segundo turno da eleição para presidente em Curitiba. #voto #cabine #justificativa #eleitoral #urna #biometria

Jovens prometem ir em grande volume às urnas em 2022 e seus votos terão um peso importante na eleição de deputados, senadores, governadores e presidente da República| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Os jovens prometem ir em grande volume às urnas em 2022 e ser protagonistas das eleições. Os cerca de 19,7 milhões de eleitores entre 16 e 24 anos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março podem exercer um peso significativo no debate político ao longo dos próximos meses e no resultado final do pleito. E esse número ainda pode subir até 4 de maio, quando se encerra o prazo para emissão e regularização de títulos de eleitor.

O interesse dos jovens pela eleição pode ser notado nos recentes dados divulgados pelo TSE. Em março, 445.553 pessoas com idade entre 15 e 18 anos emitiram o seu título de eleitor. Em fevereiro, foram registrados 349.160 novos eleitores nesta faixa etária. A Gazeta do Povo questionou a Corte eleitoral sobre o volume de novos novos títulos emitidos em igual período em 2018, mas não obteve retorno.

O portal do TSE não permite ao público esmiuçar os dados na faixa de eleitores com 15 anos, mas que completam 16 até 2 de outubro — data do primeiro turno das eleições —, nem especificamente para 18 anos, a fim de obter uma base comparativa entre 2022 e 2018. Mas é possível mensurar um crescimento na faixa etária onde o voto é facultativo na comparação entre este ano e quatro anos atrás.

Entre janeiro e fevereiro de 2018, o banco de dados do TSE aponta que a base de jovens com 16 e 17 anos subiu em 53.869 eleitores. Entre fevereiro e março daquele ano, foram contabilizados 86.148 novos títulos de eleitor na mesma faixa etária.

Já entre janeiro e fevereiro de 2022, o TSE registrou 104.293 novos eleitores com 16 e 17 anos. Entre fevereiro e março, 216.198 pessoas na mesma faixa etária emitiram o seu título de eleitor. Ou seja, o saldo em fevereiro na comparação com igual período em 2018 é 93,6% superior e em março foi 150,9% maior.

Qual o peso do voto dos jovens nas eleições de 2022
Apesar do crescimento de novos títulos de eleitor na faixa etária onde o voto é facultativo, o TSE registrou em março de 2018 mais eleitores entre 16 e 24 anos. Naquele período, eram 22,4 milhões de eleitores jovens, acima dos 19,7 milhões atuais.

O encolhimento do público jovem reflete um aspecto demográfico. Até por esse motivo, o cientista político e sociólogo Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que os jovens terão, sim, um peso significativo nas eleições, como em 2018, mas não serão eles que decidirão o resultado das urnas.

“A pirâmide etária no Brasil mudou. Há 20 anos, o jovem tinha um peso de decisão muito maior em termos demográficos do que temos agora. Atualmente, a faixa que define a eleição está entre 30 e 50 anos”, pondera Baía. Dados de março do TSE apontavam cerca de 30,3 milhões de eleitores entre 25 e 34 anos, 31 milhões com idade entre 35 e 44 anos, e 37 milhões entre 45 e 59 anos.

Contudo, embora possam não ser demograficamente decisivos nas urnas, Baía acredita que os jovens possam ter um peso importante à medida em que tentem influenciar as pessoas nas redes sociais e em seus círculos sociais e familiares. “A presença do jovem torna a eleição mais alegre, barulhenta, ele é mais ativo e pode vocalizar seu pensamento aos mais próximos, inclusive a seus pais, o público que define as eleições”, destaca.

O professor da UFRJ analisa que os pais podem até influenciar seus filhos, mas entende que é mais difícil. “Os jovens a partir dos 14 e 15 anos já têm uma autonomia de decisão enorme, e as suas redes de sociabilidade face a face hoje ampliadas com o mundo digital fazem com que eles tomem seus próprios caminhos”, justifica. “Isso é bom e ruim, você não pode negar isso. Um menino ou menina de 12 e 13 anos tem, hoje, poder de decisão e pressão sobre o que quer, e isso ocorre, em geral, em todas as regiões [do Brasil]”, complementa.

Os filhos podem até pertencer à mesma rede de sociabilidade dos pais, mas Baía reforça que a expansão da internet, dos smartphones, das redes sociais e dos grupos de WhatsApp atenuam a influência que os pais e pessoas com maior idade possam exercer sobre os jovens. “E no caso de uma eleição, essas redes, incluindo as da escola, da igreja e afins, são mais fortes que as dos pais”, sustenta.

Outro fator que pode levar os jovens a terem um peso relevante nas eleições deste ano é o que tem estimulado o público de 16 e 17 anos a tirar o título de eleitor: a influência exercida por artistas como os cantores Emicida e Anitta, que têm usado seus shows e redes sociais para incentivá-los a ir às urnas.

Na opinião do especialista, influenciadores e cantores como Anitta e Emicida atingem uma presença grande na massa jovem pobre em periferias de grandes capitais e podem estimular não apenas os eleitores das classes socioeconômicas mais elevadas a votarem, como também os menos abastados, principalmente em cidades com mais de 200 mil eleitores.

“Hoje, temos um protagonismo sobretudo da juventude nas favelas do Rio, de São Paulo, de Belo Horizonte e de Brasília. Você tem um jovem que é pobre, mas é trabalhador, ele trabalha em aplicativo de entrega, então isso faz com que ele tenha uma inserção importante no processo social e, portanto, no processo político. Por isso, não se pode dizer que apenas o jovem da Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, é mais participativo do que o jovem da Ceilândia [cidade satélite do Distrito Federal]”, destaca Baía.

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Para onde vão os votos do eleitorado jovem
O eleitorado jovem é comumente associado à esquerda, mas o cientista político Enrico Ribeiro, diretor da Queiroz Assessoria em Relações Institucionais e Governamentais, prevê que o presidente Jair Bolsonaro (PL) absorverá uma parcela significativa de votos do público de 16 a 24 anos.

O especialista se baseia nos dados divulgados pela pesquisa Quaest de março (veja a metodologia ao fim desse texto), que apontam uma desaceleração de 56% para 49% entre os que avaliam o governo negativamente na faixa etária analisada. Já o índice dos que o avaliam como regular subiu de 27% para 30% e o indicador que avalia o governo como positivo avançou de 16% para 19%.

“O jovem entre 16 e 24 anos viveu a época do impeachment, da Lava Jato, e toda a formação dele se deu no momento em que o PT estava combalido em decorrência das denúncias de corrupção e as pressões de movimentos jovens como o MBL e o Vem pra Rua”, analisa Ribeiro. “Esse eleitor cresceu nas redes sociais interligado com essa visão e quem ‘comanda’ e consegue falar muito bem nessas mídias é o Bolsonaro. Por isso, eu não cravaria que os votos dos jovens seguiriam uma constante na esquerda como sempre foi esperado e como sempre foi colocado ao longo dos anos”, acrescenta.

O cientista político entende que a eleição já está polarizada e que o atual quadro limita o alcance que candidatos de centro podem ter, seja os da centro-direita, como a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o ex-governador João Doria (PSDB), ou o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) no campo da centro-esquerda.

“A polarização tende a manter o foco principal justamente entre aqueles mais bem posicionados nas pesquisas e que têm a maior força de captar a atenção da mídia e dos formadores de opinião”, aponta Ribeiro. “A gente não sabe nem quem é o candidato da terceira via, o que propõe, está mais no campo das ideias do que colocado de forma prática. Mais brigam do que tentam apresentar algo”, complementa.

O cientista político Paulo Baía concorda que Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tendem a dividir entre si a maioria dos votos entre os jovens nas mais diferentes classes sociais. “É até difícil dizer se o eleitor jovem vai pesar para um lado ou para o outro, porque nas periferias Bolsonaro está bem e Lula também, então é difícil dizer para qual lado pende mais”, destaca.

O professor da UFRJ analisa que Lula terá uma presença jovem grande e ativa em sua campanha, sobretudo em movimentos organizados e com grande penetração entre os jovens de uma faixa universitária entre 18 a 23 anos. Para ele, o mesmo vale para o presidente da República. “É curioso porque Jair Bolsonaro também está bem posicionado nessa faixa [etária]”, diz.

O voto do eleitorado jovem não se distingue da maioria que vota em um candidato, afirma Baía. “Se um candidato tem 35% dos votos, você vai lá ver que ele também tem 35% de votos dos jovens”, destaca. Para o especialista, desconsiderar a presença do pensamento conservador nos jovens é um equívoco.

“Os jovens estão muito ligados ao pensamento conservador, estão muito ligados a um pensamento de direita, com igual intensidade aos que estão ligados ao pensamento de centro esquerda e esquerda. Isso sem falar no papel do jovem nas igrejas cristãs, evangélica e católica, que é muito grande”, avalia.

O sociólogo diz que houve uma mudança ao longo dos anos até chegar ao atual cenário de uma presença considerável de jovens identificados com o pensamento conservador. Baía diz que o processo passa pela inserção de mais jovens pobres nas universidades. “E o fato do jovem pobre entrar na universidade não significa que ele ‘vira esquerda’. Esse jovem é a maioria do público universitário, e onde ele está? Cerca de 70% está nas universidades privadas, tendo entrado pelo Fies ou o Prouni, não nas federais e estaduais”, sustenta.

Segundo Baía, mesmo as universidades públicas não são dominadas pelo jovem progressista na faixa até 24 anos. “Os jovens que mais aparecem no ativismo das universidades federais ou estaduais são da área de humanas, da pedagogia, das ciências sociais”, diz. “E aonde estão os estudantes das engenharias e ciências exatas? São poucos os que estão em movimentos estudantis bem visíveis. Esse outro jovem vota no Bolsonaro em igual intensidade aos que votam em Lula, só que são silenciosos”, complementa.

E como fica o centro? O que pensam lideranças jovens da centro-direita
Embora a polarização limite as chances de um candidato do centro furar os pólos, lideranças jovens de centro-direita mantêm a confiança de que a juventude ainda pode tentar mudar esse cenário. A deputada federal Luiza Canziani (PSD-PR), eleita a parlamentar mais jovem da Câmara dos Deputados em 2018, aos 22 anos, admite que o “Fla-Flu” político coloca a discussão de ideias em segundo plano e contribui para o afastamento dos jovens. Mas ela confia na possibilidade de mobilização deste público.

“Acredito que os jovens têm grande poder de mobilização. Nas últimas eleições, muitos jovens foram às ruas e expressaram as suas opiniões e essa participação foi muito importante naquele momento e é importante que seja mantida. Em um período de polarização como o que estamos vivendo, todo voto vai fazer a diferença no resultado final da eleição”, pondera.

A deputada acredita que os jovens votam mais com a emoção e conforme seus próprios valores pessoais. Por esse motivo, acha difícil apontar uma tendência de votos entre jovens para uma candidatura ou outra. “Assim como o voto dos adultos ou das mulheres, por exemplo, cada pessoa vota conforme a sua expectativa de futuro, sua leitura dos acontecimentos e valores pessoais”, defende Canziani.

Para que a juventude possa fazer a diferença, a parlamentar reconhece que as lideranças políticas precisam fazer a sua parte a fim de evitar o afastamento dos jovens da política, principalmente os com idade entre 16 e 17 anos. A deputada tem incentivado a participação dos jovens na política em suas redes sociais desde o início do ano. Para ela, as mídias têm papel fundamental na interlocução com esse público, não à toa sua equipe tem desenvolvido estratégias de comunicação direcionadas.

“E temos tido um resultado muito positivo, um retorno muito grande por parte dessa parcela da população. Em todas as minhas agendas pelo Paraná, procuro conversar com os jovens e estimular a participação na política”, sustenta. Além disso, Canziani destaca o acordo de cooperação firmado entre a Câmara e o TSE para impulsionar o voto dos jovens de até 18 anos após uma reunião em que teve com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em companhia da deputada federal Margarete Coelho (PP-PI).

O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP), eleito o parlamentar mais jovem da Câmara em 2018, também aos 22 anos, concorda com Canziani sobre a importância da participação político-partidária para o engajamento dos jovens, mas lamenta que isso seja pouco difundido entre os partidos. “Os movimentos de influenciadores e artistas ajudam, mas os protagonistas em atrair a juventude deveriam ser os partidos, dando espaço e ouvindo, e não é isso o que acontece”, lamenta.

Até hoje, as legendas perpetuam um “jogo” de “cartas marcadas” que dificulta a ascensão de jovens nos partidos e não os estimula a participar das eleições com maior vigor, analisa Kataguiri. “São raros os quadros que surgem na base e começam fazendo política em juventude partidária e ascendem para posições de comando”, analisa. “A maioria dos partidos não têm visão de mundo e o jovem quer defender e participar de uma causa que é maior que ele próprio, mas falta democracia partidária e poder dos filiados dentro da própria sigla”, complementa.

O máximo de esforço notado por Kataguiri nas siglas para o engajamento do eleitor jovem é a contratação de peças publicitárias pouco atraentes e que não dialogam com a juventude durante as campanhas eleitorais. “São peças pedantes e desinteressantes para o jovem. Falta democracia partidária e poder dos filiados dentro do próprio partido. É uma cultura de debates internos que não temos, seleção de candidatos que a gente não tem, é tudo muito centralizado, tudo muito definido e focado em quem tem mandato”, diz.

Um dos fundadores do MBL, Kataguiri entende que as siglas e parlamentares podem engajar a juventude tornando a política mais leve e simples de entender. Para ele, a comunicação com os jovens precisa despertar sentimentos de solidariedade, indignação ou afeto por determinadas causas. “Acho que o que a gente puder fazer de associações com a cultura pop, usar os memes, algo de entretenimento, arte, cultura, música, são esforços que ajudam e engajam a se comunicar com a linguagem do dia a dia do jovem”, destaca. “O principal desafio é vencer a desesperança. A maior parte dos mais jovens, hoje, querem ir embora do país”, complementa.

Assim como Canziani, Kataguiri acredita que o voto jovem pode ajudar a desequilibrar as eleições e fortalecer o centro político. Para ele, a juventude está majoritariamente mais à esquerda identitária e os votos à direita podem não migrar para Bolsonaro e ficar no centro. “Tem uma parcela significativa que ainda está muito mais propensa a defender uma terceira via do que estar com Bolsonaro, que ficou muito desmoralizado”, analisa.

O deputado acredita que o MBL ainda terá um papel importante na disputa presidencial e na eleição de legisladores, mas admite que o momento é de “baixa”. “Estamos em luto pela retirada da pré-candidatura do [ex-juiz Sergio] Moro”, diz.

O que pensa a juventude que defende a centro-esquerda de Ciro Gomes
A juventude da centro-esquerda capitaneada por Ciro Gomes também irá às ruas com a esperança de que é possível eleger o presidenciável pedetista. A vereadora Gabriela Ortiz (PDT), de Sapucaia do Sul (RS), eleita em 2020 como a mais jovem de seu município, aos 23 anos, reconhece, porém, que a tarefa será desafiadora.

O mesmo “efeito Anitta” celebrado por ela que ajudou a engajar os jovens também pode levar votos a Lula. “Muitos dos que estimulam a emissão do título de eleitor puxam [o voto] para seu candidato, como é o caso da [cantora] Pablo Vittar, que manifestou sua ideologia e preferência partidária”, pondera Ortiz. Na outra pauta, ela também admite que o Auxílio Brasil pode render votos a Bolsonaro, mesmo nas periferias, apesar das críticas que tem ao governo.

A vereadora explica que o PDT trabalha um movimento de conscientização junto à juventude a fim de superar a polarização. “Temos feito movimento de mostrar para o jovem não só a necessidade do voto, mas o voto consciente, a importância do voto”, diz.

Tal como Ciro, a vereadora defende uma profunda revisão da economia para não repetir os modelos aplicados e busca sempre trabalhar isso junto aos jovens. Ortiz manifesta seu respeito aos demais partidos de esquerda, mas aponta que apenas o PDT traz um programa de desenvolvimento econômico e propõe, por exemplo, como reduzir a inflação e corrigir o sistema tributário regressivo, onde o pobre paga proporcionalmente mais que o rico.

“Por que o preço do tomate está caro? Por que a gasolina está cara? Como mudar isso? É isso que temos debatido, e a juventude, com aqueles 280 caracteres do Twitter, pode fazer a diferença. O Ciro tem tentado esse diálogo com a juventude e meu gabinete está muito focado no jovem”, destaca Ortiz. “Meu principal papel é inspirar, trazer liderança, porque nossas meninas ainda são criadas para ser mães. Tentamos mostrar que não. É possível, sim, ser tão jovem e estar na política. Todos os movimentos de transformação pelo país passaram pelas mãos da juventude”, complementa.

Pré-candidata a deputada estadual em seu estado, Ortiz analisa, porém, que ainda há muito a evoluir para o engajamento dos jovens na política ser permanente, não apenas uma estratégia casuística em eleições. “O jovem não é ouvido porque [os partidos] não dão voz, não escutam. A juventude não é valorizada nem mesmo durante as nominatas [relação de candidatos ao legislativo]”, lamenta.

A vereadora cita seu próprio exemplo e o de outros dois correligionários da juventude do PDT nas eleições de 2020 que foram menosprezados até internamente. “Três estudantes da juventude em Sapucaia concorreram com bandeiras distintas e tivemos que ouvir de membros comentários de que, juntos, não faríamos 300 votos. Fizemos quase 2 mil votos. Ninguém aposta na gente, e na configuração das nominatas, se tem que cortar alguém, vão cortar o membro da juventude, as mulheres, a reserva de cota”, desabafa Ortiz.

O eleitorado entre 16 e 24 anos representa cerca de 13,3% do total do país, mas apenas 1,9% são filiados em partidos políticos, lamenta Ortiz. A fim de mudar isso, a Juventude do PDT trabalha na organização de um documento que oficialize que deputados eleitos pelo partido precisarão destinar valores mensais aos diretórios estaduais e municipais para financiar reuniões e materiais. “Os partidos não podem usar a juventude apenas para carregar bandeira e levar militantes às ruas”, diz a vereadora.

O secretário-geral da Juventude Socialista do PDT, João Marcos Grams, diz que o partido está atento aos jovens e que há uma articulação nacional para definir quadros políticos para as eleições deste ano. “Até porque não é só botar o nome, é construir essa base”, destaca. Ele sustenta, ainda, que o PDT permite a juventude estar presente em todos os protestos e manifestações em movimentos de base e que o partido e Ciro estão com uma estratégia de comunicação mais direcionada a esse público, como a “Ciro Games”, nome dado às lives semanais organizadas pelo pedetista.

A despeito da polarização, Grams se diz animado com a campanha de Ciro e acredita que ele possa conseguir tirar votos de Lula e virar outros votos que poderiam ir a candidatos do centro. “Eu acho que o discurso dessa terceira via progressista tem muita força. Acho que essa juventude vai se engajar pelas redes sociais e atuar cada vez mais para espalhar esse interesse no seu círculo de amigos e família. O jovem vira um replicador do debate político e pode virar mobilizador em prol de um interesse saudável político”, destaca.

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A despeito das análises de viabilidade feitas no centro político, os eleitores conservadores entendem que Bolsonaro tem grandes chances de ser reeleito, inclusive com votos de uma juventude posicionada à direita política. O cineasta e escritor Josias Teófilo, que dirigiu o filme “Nem Tudo se Desfaz”, que faz uma conexão das Jornadas de Junho de 2013 com a eleição de Bolsonaro, acredita que a polarização limitará o alcance de votos para as candidaturas de centro.

“A terceira via não tem mais a mesma capacidade de mobilização das ruas de antes, se enfraqueceu muito”, analisa. “E as campanhas do Ciro e do Moro parecem que foram feitas por um velho de 70 anos. Agora você vê as coisas que Bolsonaro posta nas redes, ainda têm um tom jovem”, acrescenta Teófilo, que concedeu entrevista antes da desistência do ex-juiz em sua pré-candidatura. Para ele, mesmo Lula também não tem um perfil segmentado para os jovens e vai absorver os votos pelo que entende ser uma tendência do jovem ao progressismo político.

O cineasta avalia que Bolsonaro pode surpreender a muitos analistas e políticos que menosprezam seu alcance político, mesmo entre os jovens. “Bolsonaro tem muito voto envergonhado, gente que não se manifesta, mas termina votando nele. E neste momento de polarização o voto envergonhado é muito forte. A história do Lula e os crimes que ele cometeu todo mundo sabe, todo mundo reconhece, é uma coisa que tende a pegar muitas pessoas também “, avalia.

Outros dois aspectos observados por Teófilo que podem beneficiar Bolsonaro são os votos de jovens conservadores e pobres. “Muitos tentam polarizar como se só rico votasse em Bolsonaro, mas tem muito clichê envolvido nisso. Muita gente pobre vota nele, ele é adorado entre os pobres”, diz.

O cineasta ressalta, inclusive, um trecho de seu filme em que ele entrevistou o designer gráfico Guilherme Julian, que deu pontapé no Facebook às páginas de memes que apoiaram Bolsonaro em sua trajetória à campanha presidencial. “A força física e a imposição e a coragem de falar de modo direto de Bolsonaro chegou a jovens que trabalham com agentes sociais, inclusive da periferia de Fortaleza. A página “Bolsonaro Zoeiro” é a prova disso”, sustenta.

Na opinião de Teófilo, a direita domina a “linguagem dos memes” mais do que a esquerda e o domínio disso pode fazer a diferença na “guerra” travada em atingir o eleitor jovem. “A ‘nova direita’ surge muito ainda e a esquerda indentitária também cresce, mas é a direita que domina os memes”, diz. “Bolsonaro sai fortalecido porque a direita foi pioneira no uso da internet. Ela não tinha o uso dos espaços convencionados das universidades e instituições da arte, e nem falo por torcida. Eu tenho uma posição muito crítica ao governo na administração da cultura”, acrescenta.

O cineasta é um defensor da Lei Rouanet e entrou em conflito com a gestão da cultura no governo. E mesmo entendendo que a direita sabe se comunicar bem com o eleitor jovem, ele pondera que será preciso inovar para não perder o eleitorado. “Antigamente, tudo na direita era orgânico, não era uma coisa artificial. Agora, tem toda uma estrutura, quem faz meme é funcionário de deputado tal. Se continuar por esse caminho, as pessoas vão se encher da política, porque aparece um monte de aproveitador querendo cargo”, alerta.

O vereador Carmelo Neto (PL), de Fortaleza, o mais jovem eleito na capital cearense em 2020, aos 19 anos, se coloca como uma prova de que a direita está presente entre os jovens, mesmo no Nordeste. “A esquerda se engana quando pensa que a maioria desses votos entre 16 e 20 anos vão para Lula. Apesar de que quem tem 16 anos hoje tinha apenas 8 anos durante os escândalos de corrupção do PT, sigo acreditando que os pais e a internet tratarão de esclarecer os fatos aos novos eleitores”, analisa.

Para o vereador, que foi conselheiro de juventude no governo Bolsonaro, a eleição presidencial não será definida por nenhuma faixa etária específica, mas pondera que, no Legislativo, o voto dos jovens pode ser um diferencial. “O público jovem pode abraçar candidatos que sejam jovens ou que representem diretamente o interesse das juventudes, o que pode sozinho ser suficiente para eleger candidatos com essas pautas”, pondera.

Pré-candidato a deputado estadual pelo Ceará, Carmelo Neto sustenta que o movimento de influenciadores da esquerda também foi rebatido pela direita ao mostrar eleitores entre 16 e 17 anos tirando o título. Para o vereador, que procura engajar a juventude conservadora pelas suas redes sociais e por seu mandato, Bolsonaro tem boas chances de obter uma grande quantidade de votos entre jovens. “O jovem quer ter um futuro digno, uma economia sólida para proporcionar oportunidades e um governo sem corrupção. No embate entre Bolsonaro e Lula, não há nem dúvida de quem sai favorecido”, diz.

O que a juventude de esquerda espera da candidatura de Lula
A juventude da esquerda capitaneada por Lula entende, por sua vez, que a maioria dos votos irão ao ex-presidente da República. “A impressão que eu tenho é que, majoritariamente, os jovens tendem a ser mais progressistas do que as outras faixas etárias. Mas isso não exclui a existência de jovens de direita, extrema-direita, centro-direita e centro-esquerda”, analisa a vereadora Duda Hidalgo (PT), de Ribeirão Preto (SP), a mais jovem eleita em 2020 no município, aos 21 anos, e a 10ª mulher eleita na história da Câmara Municipal.

A vereadora entende que as redes sociais serão ferramentas imprescindíveis para engajar o voto do eleitor jovem, mas alerta que elas também podem ser disseminadoras de informações falsas. “Nesse clima político que a gente vive de gabinete de fake news, de ódio disseminado dentro das redes sociais, tudo isso também afeta os jovens que estão na categoria que está ali imersa dentro da tecnologia”, analisa.

A vereadora afirma que seu mandato funciona como uma espécie de grande movimento de pertencimento à cidade para envolver as pessoas que estão no município nos debates políticos, principalmente os jovens, e acredita que esse trabalho de mobilização faz a diferença para engajar o voto dos jovens. “A gente faz algumas idas do gabinete às ruas, aos bairros e debatemos pautas raciais, sobre as mulheres, a fim de construir projetos e políticas públicas que possamos aplicar dentro do mandato”, destaca.

O PT, segundo ela, tem se preocupado com a transmissão geracional e procurado envolver o jovem dentro da política. “É uma questão que vem de anos, inclusive dentro das instâncias partidárias. Temos número mínimo de jovens que precisam participar de cada uma das instâncias, e isso promove a formação de novas lideranças e fortalece o movimento de juventude dentro do partido”, afirma. “O movimento não deve se dar somente dentro da juventude, mas dentro dos grandes temas, e o PT tem tido muito isso e temos uma juventude já organizada há muito tempo e que vem crescendo cada vez mais”, acrescenta.

O engajamento mobilizado por influenciadores e artistas, inclusive, foi incorporado pelo PT ainda em dezembro passado, após o Congresso Nacional da Juventude do PT, afirma Hidalgo, com a ação do “Meu Primeiro Voto”. A medida teve como foco justamente os jovens entre 16 e 18 anos que ainda não haviam tirado o título de eleitor.

Mesmo com os esforços internos do PT em estimular o voto do jovem, a vereadora, que é pré-candidata a deputada estadual e militante desde 2017, destaca os desafios de superar preconceitos político-partidários entre os jovens. “Me diziam que era só uma menina que teria 100 votos, que estava caminhando para um sonho impossível de ser realizado e é isso que é dito aos jovens e os desestimula todos os dias. Mas acredito que sou a prova viva de que os jovens podem, sim, estar na política e construir mandatos transformadores, muito diferente do que vemos na política hoje”, diz.

O vácuo de representação da juventude dentro da sociedade é apontado por Hidalgo como a construção de uma narrativa de que o jovem não é experiente o suficiente. “Isso leva o jovem a subestimar o seu papel. É fundamental que o jovem não só pode como deve participar da política. A história dos movimentos de juventude se confundem até com a história da democracia”, defende.

“E os jovens também são os mais afetados pelos principais problemas que temos hoje. A pauta do desemprego, os maiores afetados são eles, pela falta de experiência, dificuldade de acessar a universidade e o sucateamento da educação dentro da nossa sociedade. Todos os problemas são problemas gravíssimos dentro do Brasil”, complementa Hidalgo.

O estudante Luigi Berzoini, 23 anos, filho do ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, acredita que o jovem possa ter o poder de mudar votos nessas eleições e endossa a argumentação de Hidalgo de que o engajamento da juventude nos partidos deve ser trabalhado com uma estratégia orgânica e sustentável de longo prazo para não apenas engajar o público no período eleitoral.

Para Berzoini, o peso do voto dos jovens pode ser decisivo, sobretudo por entender que a massa histórica de votos nulos e brancos pode reduzir à medida em que mais jovens tirem seus títulos de eleitor para optar por um candidato. “Uma coisa que em 2018 foi muito determinante foi o voto dos que se abstiveram, e grande parte desses foram jovens também que estão desiludidos com a política. Então, eu acho que os jovens que estão tirando o título de eleitor irão votar, e considerando que temos uma grande população jovem, eles podem fazer a diferença nessa eleição”, analisa.

Metodologia da pesquisa citada
A pesquisa foi realizada pelo instituto Quaest e contratada pelo Banco Genial. Foram ouvidos 2.000 eleitores entre os dias 10 e 13 de março de 2022 em todas as regiões do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral, sob o protocolo BR-06693/2022.
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TCU IMPEDE A PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRAS

Tribunal de Contas

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Ministro do TCU Vital do Rêgo, que já foi deputado e senador, pediu vista de novo no processo que analisa a privatização da Eletrobras.| Foto: Divulgação/TCU/Flickr

O filho do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que é advogado e que estava cotado para ser desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, agora é réu. A Justiça aceitou uma denúncia contra ele por compra de voto no TRE.

Erick Wilson Pereira é filho de Emanoel Pereira, o presidente do TST. Certamente, o filho não pensou no quanto isso atinge o pai, ainda que o pai não tenha nada a ver com os malfeitos dele. Todo mundo sabe nesse país que filhos, genros, nora, afilhados, primo, parentes que têm escritório de advocacia, muitas vezes sucumbem à tentação de traficar influência aproveitando-se do parentesco com um ministro de tribunal superior.

Títulos de propriedade

O presidente Jair Bolsonaro esteve em Rio Verde, Goiás, nesta quarta-feira (20), para entregar novos títulos de propriedade. Só no mês de abril, o Incra vai fazer 50 mil novos proprietários rurais. Isso é uma derrota para o MST, que vive de assentamentos. Tinha gente que estava há 16 anos esperando pelo título.

E na hora que vem o título, o sujeito vira proprietário rural, companheiro dos outros proprietários, e não vai querer invadir terra de nenhum colega. Essa é a conquista do Brasil verdadeiro. O beneficiado vai produzir mais, deixar terra para os seus filhos e ter documento para apresentar a garantia no banco.

Já são quase 330 mil títulos de propriedade entregues neste governo. É muito mais que todos os governos fizeram até 2016 no atual milênio. O presidente do Incra, Geraldo Melo Filho, que é o grande arquiteto disso tudo, elogiou muito o presidente Bolsonaro pelas realizações.

TCU pede vista

Quero falar também sobre o TCU e a privatização da Eletrobras. Faz três anos que o governo prepara esse processo, o Congresso já aprovou e já tem alguns meses que o Tribunal de Contas da União está mexendo nisso. Mas é uma enrolação no TCU que só prejudica o país.

A Eletrobras já perdeu R$ 360 bilhões nos últimos 20 anos. Fez uma política de preço distorcida, populista, demagógica, que bagunçou os preços da energia elétrica. Teve vários escândalos lá dentro. Agora, privatizada, terá investimento de R$ 13 bilhões por ano. Vai gerar renda e emprego direto e indireto para 10 mil pessoas.

Mas o ministro Vital do Rêgo, que já foi deputado e senador, não foi reeleito e virou ministro do TCU, pediu vista, o que, na prática, só serve para adiar ainda mais o processo e afundar a privatização. O TCU resolveu que ele só tem 20 dias para isso.

Mas é uma brincadeira com as reais necessidades do povo brasileiro. Parece que é alguém que não vive no país real. É uma pena que nós não tenhamos brasileiros trabalhando pelo país, tem gente que rema no sentido contrário. Por isso, que com todo esse potencial gigantesco desse país, a gente continua se arrastando.


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VIDA NO BRASIL VOLTA AO NORMAL APÓS A PANDEMIA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Leitos vazios em Curitiba em 22 de março de 2022, primeiro dia em que a cidade não teve nenhuma internação por Covid-19.| Foto: Reprodução Facebook

Em linha com outras nações, como França e Reino Unido, o Brasil está formalmente deixando para trás o estado excepcional motivado pela pandemia de Covid-19. Em cadeia nacional de rádio e televisão, na noite de domingo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que encerrará a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. A medida, que ainda depende de publicação em Diário Oficial, forçará uma revisão massiva de normas de toda natureza – principalmente regras sanitárias, econômicas e trabalhistas – publicadas durante a pandemia, muitas das quais só puderam ser editadas por se tratar de uma situação extraordinária, como dispensas de licitação. Especialmente no campo sanitário, o fundamental é que a transição para o pós-pandemia ocorra de forma gradual para que não seja necessário regredir mais adiante.

Globalmente, é claro, a pandemia continua; muitos países ainda têm cobertura vacinal deficiente ou convivem com surtos intensos da Covid-19 – caso da China, que agora vai descobrindo as falhas de sua política de “Covid zero”. Mas, no caso brasileiro, os indicadores de população vacinada, mortes e ocupação de leitos dão margem para o fim da emergência sanitária. Diversas regras já vinham sendo revistas ao longo das últimas semanas, caso do uso de máscaras, da ocupação máxima em locais fechados e de exigências para entrada no Brasil. Estados como o Paraná aprovaram leis proibindo a imposição de passaportes vacinais. A flexibilização feita até o momento não trouxe novos surtos, mostrando que a estratégia de mudar aos poucos enquanto se mantém atenção aos números de contágio tem sido bem-sucedida, e não pode ser trocada por um “liberou geral” súbito apenas porque o “status formal” da Covid-19 no Brasil foi alterado.

O respeito por tantas vidas e famílias destruídas pede que o fim da emergência sanitária seja recebido mais com serenidade que com festa

“A Covid não acabou e nem vai acabar, pelo menos nos próximos tempos”, afirmou o ministro Queiroga, e ter isso em mente é essencial. A doença seguirá circulando; ainda que novas variantes sejam menos agressivas para a população em geral, continuará a haver grupos mais vulneráveis à doença e que justificam precaução no mínimo semelhante àquela que os brasileiros já adotam em relação a outros males como a gripe ou a dengue. Comportamentos que se tornaram obrigatórios durante a pandemia, especialmente em relação à higiene, continuarão fazendo sentido mesmo quando tornados facultativos, e não deixarão de ser recomendáveis.

Especialmente importante para manter a Covid sob controle é o esforço de vacinação; espera-se que, com o passar dos anos, a indústria farmacêutica aperfeiçoe seus imunizantes, que haja mais transparência quanto a eventuais efeitos colaterais, e que a população não abandone a prática; surtos recentes de doenças como sarampo mostram o que ocorre em uma comunidade quando há uma redução da cobertura vacinal. A vacinação permitiu ao Brasil deixar para trás o pior da Covid e passar pela onda da variante ômicron sem repetir os dias de hospitais sobrecarregados e os vários milhares de mortes notificadas diariamente, apesar dos números recordes de novos casos.


E, enquanto o Brasil retorna gradualmente ao cotidiano pré-Covid, é preciso também aprender com todos os erros cometidos neste período. Alguns deles já são evidentes: a insensibilidade com o drama de tantos brasileiros, o desprezo inicial pelas vacinas, restrições econômicas exageradas e arbitrárias, violações a liberdades democráticas, o descaso com tantas crianças e adolescentes privados de educação. Em outros casos, só a passagem do tempo e o surgimento de dados consolidados permitirá avaliar o acerto ou erro de determinadas decisões. E talvez nunca saibamos ao certo quem agiu – seja errando, seja acertando – movido por um profundo desejo de fazer a coisa certa e quem submeteu suas escolhas mais à agenda política ou moral preferida que à consideração pela saúde coletiva.

Dois anos de um “novo normal” que de normal não tem nada e 660 mil mortes não serão jamais esquecidos pelo país. O respeito por tantas vidas e famílias destruídas pede que o fim da emergência sanitária seja recebido mais com serenidade que com festa. Cuidado e reflexão são as palavras de ordem para o momento.


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BOLSONARO CONFIA NA REELEIÇÃO

 

  1. Economia 

Série de dados positivos e revisões para cima da previsão de crescimento da economia neste ano animam governo; próximos meses vão mostrar se melhora nos dados estimada pelo mercado vai se sustentar

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

A confiança do governo Jair Bolsonaro na vitória nas eleições deste ano é cada vez maior com o potencial efeito da bateria de medidas lançada em março e ao longo das últimas semanas de abril. 

Absolutamente tudo o que o presidente pediu e cobrou da equipe econômica está saindo, e os dados da economia vêm apresentando melhora.

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro; possível melhora da economia anima auxiliares do presidente, que já falam em vitória no primeiro turno, com reviravolta para os próximos meses.  Foto: Adriano Machado/Reuters

Embora muitos analistas econômicos do setor privado avaliem que a melhora vai perder fôlego a partir do segundo semestre, com o aperto de juros maior esperado para conter a aceleração da inflação.

Como mostrou o Estadão, uma série de dados positivos, como alta nas vendas do varejo, aumento no preço das commodities e liberação do FGTS, já levou bancos, consultorias e o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar para cima a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano.

O FMI projetou que o PIB brasileiro deverá crescer 0,8%, ante 0,3% estimado anteriormente. O País foi um dos poucos que tiveram aumento na estimativa de crescimento da economia: o FMI reduziu a previsão para a expansão de diversas nações por causa das consequências econômicas da guerra na Ucrânia.

Essa melhora na projeção tem gostinho de revanche para a equipe econômica do ministro Paulo Guedes, que bateu de frente com o FMI no ano passado contra as projeções feitas pelo Fundo em 2020 e 2021 durante a pandemia da covid-19, causando um guerra de bastidores entre o governo Bolsonaro e o comando da organização.

Nos bastidores, também citam a melhora da projeção de crescimento do PIB pelo Itaú, banco que puxou no fim do ano passado as projeções negativas para o desempenho da economia brasileira ao projetar uma queda de 0,5%. O banco passou a ver crescimento de 1% do PIB, estimativa que integrantes da equipe econômica consideram que está próxima do 1,5% projetado pelo Ministério da Economia em 2022. Para o maior banco do País, dos três motores de crescimento do PIB, dois têm trajetória positiva, como o preço das commodities e o estímulo fiscal feito pelo governo.

A possibilidade de melhora da economia, mesmo com a inflação e os juros, e os recursos do Orçamento para os redutos dos aliados nas eleições animam o governo a ponto de auxiliares do presidente já falarem em vitória no primeiro turno, com uma reviravolta para os próximos meses. Se é blefe, as próximas pesquisas vão mostrar. Como também será possível saber se essa melhora nos dados de agora estimada pelo mercado vai se sustentar um pouco mais.  

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

CASSAÇÃO E PRISÃO DE DANIEL SILVEIRA

 

Caso pode afetar futuro político de deputado bolsonarista, condenado pelo Supremo à perda de mandato ‘automática’

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 20, para que o Poder Legislativo tenha a palavra final em casos de cassação de parlamentares em julgamentos da Corte.

A medida foi tomada no mesmo momento em que o tribunal condenava o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ) por ataques à democracia e determinava a perda de seu mandato.

Lira não citou o caso de Silveira, mas protocolou o recurso em uma ação de 2018 que trata do tema enquanto o julgamento do deputado bolsonarista se desenrolava, às 18h15. Procurado pela reportagem, Lira não se manifestou.

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Arthur Lira (Progressistas-AL) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para Congresso decidir sobre cassação de parlamentares condenados pela Corte Foto: Adriano Machado/Reuters

A perda de mandato de parlamentar por ordem do STF é controversa e virou um embate entre congressistas e ministros da Corte nos últimos anos.

Aliado do governo Jair Bolsonaro, Lira afirmou no recurso que, “diante das condenações penais transitadas em julgado, compete às Casas do Congresso Nacional decidir pela perda do mandato eletivo”.

O Supremo, no entanto, tem defendido que cabe ao Congresso apenas cumprir a decisão do Judiciário. Para os parlamentares, há interferência nas prerrogativas constitucionais da Câmara e do Senado quando a Corte determina a perda de mandato.

A Constituição prevê, no artigo 55, que a cassação de deputados e senadores deve ser decidida em uma votação no Legislativo, sendo exigida maioria absoluta.

Em casos precedentes, a Mesa Diretora da Câmara, sob protestos de congressistas, apenas declarou a perda de mandato. Nesses episódios, o ato da Mesa foi lido em plenário, sem a necessidade de votação. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o ex-deputado Paulo Maluf (Progressistas-SP), em 2018. 

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Com condenação, Daniel Silveira deverá perder o mandato Foto: Dida Sampaio/Estadão

No entanto, no caso do ex-deputado Paulo Feijó (PL-RJ), a Câmara questionou a decisão. O parlamentar foi cassado em maio de 2017 pela 1ª Turma do Supremo. Feijó recorreu, mas a decisão foi mantida em novembro. Em fevereiro de 2018,  o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (hoje PSDB-RJ), decidiu levar a questão ao Supremo, para que haja uma decisão pacificando o procedimento em casos em que a Corte determine a perda de mandato por condenação criminal.

Duas semanas antes do julgamento de Silveira, no dia 5 de abril, o ministro relator da ação de Maia, Luís Roberto Barroso, extinguiu o processo por uma questão técnica, sem analisar o mérito. A ação se referia justamente ao caso de Paulo Feijó, cujo mandato encerrou-se em 2019. No entendimento de Barroso, a ação havia, portanto, perdido o sentido.

Nesta quarta-feira, 20, quando a decisão sobre Silveira era analisada, Lira pediu reconsideração da decisão de Barroso e que o STF volte a analisar o mérito da questão de fundo.

“A ação não possui como objeto simplesmente reverter a perda do mandato do ex-deputado federal Paulo Fernando Feijó, mas sim impedir que prerrogativas constitucionais da Câmara dos Deputados sejam subtraídas”, disse recurso de Lira.

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Ministros concluíram que declarações de Daniel Silveira não estão protegidas pela imunidade parlamentar. Foto: Nelson Jr./STF

Para ele, o Supremo estaria violando a separação entre os Poderes, ao determinar que ao Congresso cabe apenas uma “mera declaração” da Mesa Diretora, em ato de formalidade, sem necessidade de votação em plenário. É o que congressistas apelidaram de perda “automática” do mandato, quando o condenado não tem mais chances de recorrer.

O entendimento de Lira é similar ao de seu antecessor. Quando apresentou a ação, em 2018, Maia disse por meio de nota que a questão tratava de interferência entre Poderes. “Não compete ao Poder Judiciário, mas ao Poder Legislativo, decretar a perda de mandato de parlamentares em razão de condenação criminal. Trata-se de prerrogativa constitucional irrenunciável, que não pertence a esta Presidência ou a esta Legislatura, mas ao Poder Legislativo, enquanto instituição permanente da democracia”, disse ele.

A VIDA É BOA OU RUIM?

 

HeroNews #52

Tem quem jure de pés juntos que a vida é morango, mas é porque esconde os abacaxis que descasca todos os dias.

Basta entrar no supermercado para perceber que a vida não anda doce, né?

O segredo para tudo melhorar é aprender a descascar os abacaxis que aparecem. 🍍

E não se iludir pensando que a vida é um morango – bem do jeito que vovó dizia. 🍓

Hoje vou te mostrar um caso real do que acontece com quem não encara os desafios com seriedade. Se você empreende talvez até já conheça.

Agora a boa notícia:

Também vou te ensinar o jeito mais fácil de descascar abacaxis. 😉                         

FIQUE DE OLHO

Assuntos importantes que merecem a sua atenção

A Blockbuster foi a maior rede de locadoras do mundo durante as décadas de 1990 e 2000. Só que com o passar dos anos, aconteceu o seguinte:

👉 Ela não atualizou o seu modelo de negócios.

👉 Fechou 99,99% das lojas.

👉 Acumulou 1 bilhão de dólares em dívidas.

Esse é um estudo de caso famoso porque mostra o que acontece com quem pensa que a vida é um morango.

Uma concorrente da Blockbuster preferiu descascar abacaxi.

Talvez você conheça, é uma tal de Netflix. 👀

Ela mudou o seu modelo de negócios de entrega de DVDs para streaming de filmes. E o resto é história.

Muitas pessoas vão te tentar te convencer de que a vida é um morango.

“Empreender é fácil.”

“Uma pessoa diz: meu sobrinho só grava uns vídeos pro TikTok e ficou rico…”

“É só fazer o conteúdo de qualquer jeito e sair vendendo curso.”

 Será mesmo? 🤔 Eu acho que não.

Se fosse fácil assim, quem estava rica era a pessoa, não o sobrinho dela.

A Startup Valeon reinventa o seu negócio

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para o seu comércio.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por mais de 100.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por mais de 1.000.000 de pessoas , valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos. Todos esses sites contêm propagandas e divulgações preferenciais para a sua empresa.

Temos a plena certeza que o site da Startup Valeon, por ser inédito, traz vantagens econômicas para a sua empresa e pode contar com a Startup Valeon que tem uma grande penetração no mercado consumidor da região capaz de alavancar as suas vendas.

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quarta-feira, 20 de abril de 2022

RÚSSIA COM SANÇÕES INTERNACIONAIS TEM CONDIÇÕES DE SEGUIR COM A GUERRA?

 

Custos da invasão
Por
Bruna Komarchesqui – Gazeta do Povo

Tanque russo nas proximidades de Kiev| Foto: EFE/OLEG PETRASYUK

A agência de classificação de risco Moody’s disse que a Rússia pode estar inadimplente, após a tentativa de pagar em rublos dois de seus títulos em dólar, com vencimento em 4 de abril. Caso a conta não seja sanada até o fim do período de carência, em 4 de maio, o país pode ser declarado em default (descumprimento de obrigações de um empréstimo) em títulos estrangeiros pela primeira vez desde 1918, pouco após os bolcheviques tomaram o poder.

“Os contratos de títulos não têm previsão de pagamento em nenhuma outra moeda que não seja dólares”, declarou a Moody’s em comunicado, na quinta-feira (14). Com a quarta maior reserva do mundo, construída por Vladimir Putin justamente para uma crise como a atual, a Rússia tem dinheiro, mas não pode pagar a dívida, porque suas reservas estão congeladas pelas potências ocidentais.

Com as sanções internacionais e o prolongamento da guerra – que estima-se custar ao país mais de US$ 20 bilhões por dia, incluindo gastos diretos e perdas na produção econômica –, a situação financeira da Rússia seria capaz de frear a investida de Putin na Ucrânia?

Analistas internacionais acreditam que, no curto prazo, o calote iminente não alteraria o resultado da guerra. “Especialmente se a Rússia for capaz de alcançar seus novos e mais limitados objetivos militares na região leste de Donbass rapidamente”, afirma o The Conversation, com base na análise dos especialistas em economia política e conflito Michael Allen e Matthew DiGiuseppe.

Para o professor de Relações Internacionais no Ibmec SP Alexandre Pires, mais do que parar Putin, o estrangulamento da Rússia deve gerar uma intensificação na brutalidade dos meios de guerra, com mais mortes de civis, como uma forma de “ultimato” para que a Ucrânia se renda.

“Provavelmente esse terceiro mês seja o mais brutal. Já temos visto a Rússia mirando a parte ocidental, não por ser rica, porque rico é o distrito industrial do lado oriental que eles querem controlar, mas para que os ucranianos tenham que partir para uma negociação de paz. Eles vão buscar vencer o quanto antes, para depois pensar na normalização econômica”, aposta.

Pires defende que isso é possível porque a Rússia tem usado armamentos antigos que estavam estocados e, possivelmente, estejam com o prazo de validade se esgotando. Além disso, a autossuficiência do país em combustíveis, um ativo importante para a guerra, e em grãos, para garantir a segurança alimentar da população, enfraquece um pouco os efeitos das sanções, na opinião do professor.

“Vemos notícias de bombas de vácuo, de pequenos dardos encontrados em algumas vilas, como os que eram usados pelos Estados Unidos no Vietnã. Esse é o lado cruel da guerra: despejar artilharia antiga, que já ia deixar de ter uso. Não temos visto os russos perderem muitas coisas novas e valiosas, como caças. A Rússia tem poder militar para destruir a Ucrânia muitas vezes”, aponta.

O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena concorda que a autossuficiência russa em armamentos e combustíveis a coloca em uma posição de vantagem, mas pondera que o país depende do mercado externo para itens como peças para aviões, tanques e microchips para mísseis.

“A Airbus e a Boeing, por exemplo, anunciaram que não vão mais fornecer peças de aeronaves para companhias aéreas russas. Isso impacta a aviação dentro do país. A grande quantidade de ativos e de produtos necessários complica a situação não só na guerra, mas no dia a dia”, acrescenta.

Com “parte do custo da guerra em moeda estrangeira” e as reservas russas bloqueadas no exterior, Lucena explica que o país tem adotado a estratégia de prolongar sua capacidade financeira, mantendo internamente o máximo de reservas estrangeiras. Por isso, a tentativa de pagar a dívida externa em rublos.

O especialista recorda que, diferentemente do que acontece no Brasil (cuja dívida é basicamente 95% em real), a maior parte da dívida externa russa tem contratos em dólar ou euro. “Essa tentativa de alterar unilateralmente a moeda do contrato, nunca antes vista, na prática é um default. A Rússia quer forçar os credores a receber em rublo, e hoje existe praticamente uma inconversibilidade do rublo. Ninguém quer receber nessa moeda e os bancos não querem aceitá-la mais”, reforça.

Dessa forma, na opinião do economista, a situação financeira da Rússia no cenário internacional, com a máxima desvalorização do rublo, poderia forçar um acordo de paz com a Ucrânia.

O fato é que quanto mais a Ucrânia resistir, mais desgastante a guerra se tornará financeiramente para a Rússia. Diante da impossibilidade de obter crédito no mercado, a tendência é o enfraquecimento russo, sobretudo com a redução da dependência europeia do combustível vindo do país.

“A principal artilharia econômica que poderia ser mirada na Rússia é o gás da Alemanha”, defende Alexandre Pires. No entanto, ele acrescenta, o Ocidente ainda não tem condições de arcar com essa sanção. “Não existe logística de enviar gás americano para a Alemanha, seria preciso construir navios para isso, o que leva tempo”, pondera.

Pires recorda que a economia ucraniana já sofreu uma retração de 45% neste ano e que a russa teve um impacto bem menor, em torno de 15%. A conta pela guerra, no entanto, deve chegar para a Rússia. “Do ponto de vista de futuro, a Rússia está contratando pobreza. Até o país recuperar o grau de investimento, vai demorar. O Ocidente vai cobrar essa conta, fazer com que ressarça a Ucrânia. O horizonte de declínio econômico é de 30 anos”, projeta.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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