terça-feira, 19 de abril de 2022

É POSSÍVEL ASSIMILAR NOVAS INFORMAÇÕES DE FORMA PERMANENTE

 

Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA

É possível assimilar novas informações de forma permanente. Entenda;

Acontece com quase todo mundo: a escola é o nosso primeiro contato com algum grau de frustração. É nela que percebemos, pela primeira vez, que precisamos aprender para não esquecer.

O que deveria ser regra nem sempre é tão simples, uma vez que o nosso cérebro é único e reage de diferentes maneiras aos estímulos que recebemos.

Como aprender para não esquecer a partir de agora

Segundo Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginástica para o Cérebro, podemos resumir a aprendizagem como a capacidade de adquirir e armazenar dados para pensar e agir. Essa capacidade está intimamente ligada a outra habilidade cognitiva essencial, que é a memória.

A todo momento temos contato com o mundo e recebemos milhares de estímulos e informações pelos canais sensoriais, como durante a leitura, por exemplo, onde por meio da visão é possível codificar frases e interpretar o sentido.

Essa é a primeira fase do processo: a aquisição da informação.

“Após o primeiro contato, esse conteúdo fica na memória de curto prazo e pode ser recuperado de horas a alguns dias. Para um conteúdo sair da memória de curto prazo e se tornar memória de longo prazo, é necessário acontecer um processo neurofisiológico conhecido como consolidação”

Como fazer para que o cérebro aprenda e não esqueça mais

A primeira coisa que temos que entender neste processo é que o cérebro só consolida as informações que considera mais relevantes, e existem duas maneiras de “mostrar” pra ele que aquilo que queremos aprender é relevante:

1.      Repetição – Ou seja, voltando ao conteúdo várias vezes, pensando sobre ele e procurando fazer conexões com outros conhecimentos já consolidados;

2.      Impacto emocional e/ou sensorial – Pois nós sempre vamos registrar com mais facilidade aquilo que gera apelos emocionais ou que ativam intensamente nossos sentidos;

“Imagine que você estuda dois assuntos, um que não se interessa tanto e outro que gosta bastante. Será muito mais fácil consolidar as memórias do assunto que se gosta, por causa do emocional estar mais envolvido, potencializando a atenção. Mas não é impossível aprender mesmo sem ter muito interesse, aí nesse caso a repetição é uma boa estratégia”, destacou Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginástica para o Cérebro.

Os segredos para aprender um conteúdo para sempre são: se envolver com o assunto, procurando ter interesse suficiente para pensar profundamente sobre ele, focar bastante a atenção e repetir sempre!

Continue para saber mais

E depois que aprendeu, como não esquecer mais?

E por que algumas coisas ficam em nossa memória para sempre? Para entender isso, novamente precisamos falar sobre memória.

No cérebro, a memória declarativa (aquela que expressamos por meio da linguagem) de longo prazo é ilimitada, ou seja, tudo que passar pela consolidação ficará disponível para evocação ao longo de anos.

Por outro lado, se o aprendizado aconteceu em um momento e a pessoa passa muito tempo sem utilizar aquilo ou sem pensar de novo sobre o assunto, quando ela quiser retomar, o esforço será bem grande e talvez não consiga lembrar de tudo.

Imagine que você guardou um caderno, mas quando foi buscar, já tinha uma pilha de outros cadernos e livros por cima, o esforço será grande para achá-lo lá no fundo.

“Isso acontece porque o cérebro tem mecanismos de ‘limpeza’, apagando memórias que ele percebe que já não são acessadas ou usadas. Então nós temos sim a capacidade de memorizar algo para sempre, mas é necessário retomar essas informações vez ou outra para reforçá-las!”, pontuou Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginástica para o cérebro.

Fique até o final com a gente

Aprender para não esquecer: quem aprender mais fácil?

Somos capazes de aprender em todas as idades, mas de fato, as crianças conseguem aprender mais rápido que adultos e idosos, pelo fato de terem a neuroplasticidade trabalhando intensamente, afinal, é um cérebro que está aprendendo a lidar com o ambiente para conseguir sobreviver.

“Nos adultos, o cérebro já está organizado e já faz um gerenciamento da plasticidade, como se direcionasse mais ‘recursos’ para aquelas áreas que são mais exigidas. Por exemplo, um guitarrista usa muito a percepção auditiva e a motricidade das mãos, então ele tem essas áreas no cérebro mais desenvolvidas e com mais facilidade para aprender uma música nova ou um movimento novo”, destacou Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginástica para o Cérebro.

E o que é determinante para aprender e não esquecer mais?

Por fim, é importante entender que as preferências, profissões e estilo de vida influenciam muito no tipo de aprendizado de longo prazo que a pessoa terá mais facilidade na vida adulta e idosa.

“Os idosos também têm capacidade de aprender, mas provavelmente com uma menor velocidade de processamento das informações, que é algo natural do envelhecimento ou também devido à problemas nos órgãos dos sentidos, como a visão ou audição. Nessa fase da vida é importante não parar”, concluiu a especialista.

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segunda-feira, 18 de abril de 2022

STF PRESSIONA O CONGRESSO PARA A VOTAÇÃO DAS FAKE NEWS

 

Ativismo judicial
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília

O ministro do STF Luís Roberto Barroso discursou em sessão na Câmara em 2021.| Foto: Câmara dos Deputados

No começo de abril, parlamentares disseram reservadamente à reportagem da Gazeta do Povo que membros da cúpula do Judiciário estariam fazendo pressão pela aprovação do PL das Fake News no Congresso. “O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] sentou com o [deputado Arthur] Lira [presidente da Câmara] e disse que, se a Câmara não votasse, eles fariam uma regulamentação por resolução”, chegou a afirmar um deles.

Essa não teria sido a primeira vez, nos últimos meses, que membros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) atuam diretamente para influenciar uma tramitação de projeto no Congresso. Em agosto do ano passado, durante uma manifestação, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) afirmou que havia pressão de ministros do TSE e do STF contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso auditável, e que isso estaria fazendo alguns parlamentares mudarem seu voto. A PEC acabou sendo rejeitada na Câmara.

Para o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) – que, recentemente, fez um requerimento para que o ministro do STF Alexandre de Moraes fosse ao Senado discutir o inquérito contra o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) –, a influência política da cúpula do Judiciário é “explícita”. “Virou uma casa política. Querem mostrar que estão acima dos outros poderes e não respeitam a independência deles. Basta lembrar que, no ano passado, sobre a questão do voto auditável, o presidente do TSE na época, o (ministro Luís Roberto) Barroso, foi à Câmara e fez reunião com as lideranças partidárias, e a comissão que estava montada com certo número de parlamentares com certas posições foi desmontada, e entraram outros contrários ao voto auditável, e o negócio foi para o espaço. É uma interferência política, uma manipulação grande. Perdeu-se o pudor”, critica ele.

O deputado Paulo Eduardo Martins (PL-PR), que foi presidente da comissão da PEC do voto impresso, relata que “a maioria dos membros era favorável à mudança constitucional, até que o Supremo Tribunal Federal, mais especificamente o ministro Barroso, entrou em campo”. Publicamente, sabe-se que o magistrado teve uma reunião em junho com os presidentes de partido para falar sobre o voto impresso. Para Martins, a virada de jogo que ocorreu depois dessa reunião dá razão para suspeitas. “Depois daquela reunião, os partidos trocaram os membros da comissão. Eu não estava lá, mas é muita coincidência, não? Uma reunião para tratar disso, e vira completamente o jogo.”

Câmara rejeita regime de urgência para projeto de lei sobre fake news
Atuação político-partidária do Judiciário é inconstitucional
Martins não vê nada de errado em um diálogo harmônico entre membros dos três poderes, mas lembra que cada poder deve respeitar seus limites constitucionais. “Uma conversa entre o Judiciário e Legislativo é normal. Uma conversa. Isso é normal. Os poderes existem, são harmônicos, o cara está ali do outro lado… Ele pode me receber, solicitar que eu vá lá, ou o contrário… E os poderes podem contribuir com as suas experiências entre si. Isso é uma coisa. Outra coisa é fazer intimidação, um lobby público ou ameaças. E isso tem acontecido, e não é de agora”, diz.

O professor Alessandro Chiarottino, doutor em Direito Constitucional pela USP, recorda que ministros de tribunais superiores, assim como qualquer juiz, não podem se envolver publicamente em discussões político-partidárias. “A Constituição diz, no artigo 95, que o membro do Judiciário não pode ter atividade político-partidária. Isso significa que, embora existam certamente nos tribunais superiores decisões que de alguma maneira têm um cunho político, não poderia o membro do Poder Judiciário de qualquer nível, da primeira instância até o Supremo, adotar uma posição político-partidária. Isso quer dizer não apenas a vedação da pertença a partidos, mas também da defesa de determinada posição política. Isso não cabe ao Poder Judiciário”, afirma.

Para ele, as recentes declarações de Barroso na Brazil Conference, evento realizado em Boston, nos Estados Unidos, vão contra esse princípio constitucional. O juiz disse que “é preciso não supervalorizar o inimigo” e, dirigindo-se aos outros participantes da conversa, entre eles a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), completou: “Nós somos a democracia. O mal existe e precisamos enfrentá-lo, mas o mal não pode mais do que o bem”.

“O Barroso estava falando em como derrotar determinado candidato. Isso é um absurdo. É um partidarismo escancarado, coisa que não deveria existir. E isso acaba levando à erosão da confiança das pessoas nas instituições”, diz Chiarottino. “Isso não quer dizer que o juiz não tenha suas convicções e seus posicionamentos políticos, como qualquer outra pessoa. Mas, na sua ação como magistrado, ele não pode jamais assumir uma posição partidária. E é isso o que a gente está vendo”, acrescenta.

Para o professor, falta a alguns membros do Judiciário brasileiro o que em inglês se chama de “judicial self-restraint”, isto é, a autocontenção judicial, princípio segundo o qual o Judiciário deve ser ponderado na interpretação da lei, evitando inovações que extrapolem o texto constitucional. Trata-se de um valor contrário ao ativismo judicial em voga no Brasil.

“O juiz, idealmente, não deve tomar uma posição de extrema exposição pública, muito menos quando essa posição ocorre no sentido de privilegiar determinado partido, determinado candidato, determinada linha ideológica. Assim fazendo, os tribunais vêm erodindo a sua autoridade. Embora tenhamos uma grande maioria de bons juízes, alguns membros da cúpula do Judiciário não vêm dando o bom exemplo republicano. Pelo contrário: vêm dando um exemplo de partidarismo, de protagonismo”, critica Chiarottino.

Sobre o diálogo entre o Judiciário e o Legislativo, o especialista traça uma linha entre o que se pode fazer e o que é ilícito: “Em princípio, o ministro ir ao Congresso, enquanto representante da instituição, discutir uma legislação, não haveria nisso problema nenhum. Seria uma coisa perfeitamente lícita. Agora, quando isso acaba se transformando em parte de uma guerra política que envolve facções partidárias, grupos de partido, facções ideológicas, e o ministro toma partido, aí, evidentemente, há um desvirtuamento da função institucional.”

Por outro lado, para Chiarottino, se essa influência é exercida com tanta facilidade, isso também pode denotar que o Legislativo está mais maleável do que deveria. “Os parlamentares são pessoas bastante crescidinhas. Se eles modificam um projeto porque houve influência, houve sugestões, isso aí não retira a responsabilidade deles”, salienta.


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DISCURSO RADICAL DA OPOSIÇÃO NÃO VEM ENTUSIAMANDO OS SEUS ELEITORES

 

Editorial
Lavanderia de biografias
Por
Gazeta do Povo

Alckmin foi indicado pelo PSB para ser o vice na chapa de Lula (PT) nas eleições presidenciais de outubro.| Foto: Ricardo Sruckert/Lula

Apesar do enorme esforço do petismo e de formadores de opinião para fazer de Lula um “democrata moderado”, que seria a única opção válida contra um suposto “autoritarismo” do presidente Jair Bolsonaro, o discurso não vem entusiasmando muitas outras forças políticas fora dos círculos já habitualmente subservientes ao PT. A maior parte da oposição ao governo segue empenhada em construir uma alternativa à polarização, a chamada “terceira via”. Mas os poucos que aderiram podem ao menos se beneficiar da lavanderia de biografias petista, em que o único critério de avaliação de um político ou partido é o fato de estar ou não aliado (ou, melhor dizendo, submetido) a Lula e ao PT.

O caso mais emblemático desta pré-campanha é o de Geraldo Alckmin, que chegou a enfrentar Lula no pleito presidencial de 2006, nunca poupou palavras para se referir ao desastre econômico e moral das gestões petistas, mas resolveu jogar toda a sua biografia no lixo, trocando de partido para compor chapa com o ex-adversário, abraçá-lo e exaltá-lo como “o maior líder popular do país”, antes de dedicar um “viva!” ao novo companheiro em evento com sindicalistas. Em troca, aquele que já foi chamado de “mais fascista que Bolsonaro” pelo petismo, com direito a montagens fotográficas, ganhará definitivamente o perdão da cúpula do partido.

O petismo se notabilizou por ter inaugurado no país o “nós contra eles”, em que o adversário político é muito mais que simplesmente alguém que almeja o mesmo cargo ou tem ideias diferentes: é o mal encarnado, a personalização de todos os vícios possíveis e imagináveis

Mais recentemente, foi a vez de Paulinho da Força, o sindicalista convertido em deputado federal e cacique partidário do Solidariedade. Vaiado por petistas em evento, por ter apoiado o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, o parlamentar bancou o ressentido. Disse seguir “no intuito de apoiar o Lula, mas queremos rediscutir esse formato, saber qual é o pensamento do PT com relação a uma aliança mais ampla, se realmente o PT quer isso”, e ganhou afagos de Gleisi Hoffmann: “O Solidariedade e o companheiro Paulinho da Força são muito importantes na nossa frente pela democracia e pela reconstrução do Brasil”, tuitou a presidente do PT, em mensagem retuitada pelo próprio Lula.

A prática não tem nada de nova, é bem verdade. O petismo tem histórico de “reabilitar” antigos desafetos em troca do seu apoio. Em 2009, o então presidente Lula defendeu José Sarney, presidente do Senado e alvo de inúmeras denúncias de nomeação de parentes por meio de atos secretos, dizendo que “ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. Em 2012, Lula e seu ex-ministro Fernando Haddad posaram sorridentes ao lado de ninguém menos que Paulo Maluf, cujo apoio buscaram na campanha de Haddad para a prefeitura de São Paulo. E, nas eleições municipais de 2016, realizadas pouquíssimos meses depois do impeachment de Dilma, o PT já havia se aliado a partidos que apoiaram a cassação em quase 2 mil dos 5,5 mil municípios brasileiros – aliás, enquanto a militância insiste no discurso do “golpe”, a cúpula do PT esconde Dilma e descarta qualquer participação sua em um futuro governo Lula, negando uma reabilitação que seria natural, tratando-se de alguém que é descrito como vítima de uma enorme injustiça.


Não se ignora que as alianças são parte da política e da busca pelo poder, e que adversários de ontem podem se tornar os aliados de hoje. Mas mesmo a política real não prescinde, ou não deveria prescindir, de alguns princípios mínimos. A questão, aqui, é outra: o petismo se notabilizou por ter inaugurado no país o “nós contra eles”, em que o adversário político é muito mais que simplesmente alguém que almeja o mesmo cargo ou tem ideias diferentes: é o mal encarnado, a personalização de todos os vícios possíveis e imagináveis. No entanto, uma avaliação tão severa, que em tese inviabilizaria qualquer tipo de composição com gente considerada tão abjeta, é rapidamente abandonada diante da possibilidade de um “fascista” ou um “golpista” beijar a mão de Lula. Isso já transcende a dinâmica política para entrar na seara da hipocrisia e da mentira.


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RÚSSIA VINGA O AFUNDAMENTODO DO SEU MAIOR NAVIO DE GUERRA EM CIMA DOS UCRANIANOS

 

Novos ataques

Por
Luis Kawaguti – Gazeta do Povo

– (Russian Federation), 22/04/2021.- A handout still image taken from a video footage made available 18 February 2022 by the press service of the Russian Defence Ministry shows Russian Navy missile cruiser ‘Moskva’ participating in exercise in the Black Sea off the coast of Crimea, 18 February 2022. The Black Sea fleet’s flagship, the RTS Moskva, was damaged after ammunition on board the vessel caught fire, according to Russian state media citing the Defence Ministry. (Incendio, Rusia, Ucrania) EFE/EPA/RUSSIAN DEFENCE MINISTRY/HANDOUT MANDATORY CREDIT / BEST QUALITY AVAILABLE HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

Fontes do Pentágono afirmam que mísseis que atingiram o principal navio da frota russa são de origem ucraniana. Kremlin nega.| Foto: EFE

Desde que o cruzador Moscou foi a pique na última quinta-feira (14), a Ucrânia vem experimentando uma mistura de alegria e apreensão. O contentamento vem da conquista simbólica e militar sem precedentes da destruição do navio capitânia da Rússia no Mar Negro. A apreensão se baseia na possibilidade de vingança dos russos, que já começou a ocorrer por meio de ataques a instalações militares em cidades como Kyiv e Lviv.

Na sexta-feira (15), foi possível ver nas ruas da capital ucraniana pessoas fazendo fila para comprar um selo comemorativo lançado pelo correio. Ele retrata um militar ucraniano apontando o dedo médio para o cruzador Moscou. Nas ruas, esse parecia ser o assunto corrente.

Mas a animação se transformou em receio quando as sirenes de ataque aéreo começaram a soar às 22h30. Na noite anterior, a Rússia havia bombardeado uma fábrica de mísseis antiaéreos e antinavio no subúrbio de Kyiv. O ataque foi interpretado por analistas militares como retaliação ao afundamento do Moscou.

Os alertas de ataque aéreo têm feito parte da rotina ucraniana desde o início da guerra. Mas a perspectiva de vingança russa contra a capital Kyiv fez não só boa parte da população local, mas também este colunista, perderem o sono.

Eu associava qualquer barulho na rua a uma possível explosão à distância. Definitivamente essa não é a melhor maneira de ter uma boa noite de sono.

As sirenes de ataque aéreo soaram às 22h30 e cessaram uma hora depois. Depois voltaram a ser acionadas 5h20 do sábado, mas o ataque só veio mesmo às 10h. Não foi possível ouvir explosões no centro da capital, como eu passara a noite imaginando. A notícia do ataque veio por meio de uma publicação do prefeito Vitali Klitschko no Telegram: o subúrbio chamado Darnytskyi havia sido atingido.

Logo depois, o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, afirmou que mísseis de precisão atingiram 16 alvos em toda a Ucrânia, entre eles uma fábrica de blindados e depósitos de armas e equipamentos militares em Kyiv. A polícia e a milícia ucraniana não deixaram qualquer jornalista se aproximar do complexo. Informações não confirmadas davam conta de que sete militares ucranianos teriam morrido no local, mas Klitschko confirmou só uma morte.

Ataques similares também foram tentados na cidade de Lviv, no oeste do país, mas os quatro mísseis disparados por aviões bombardeiros russos teriam sido abatidos por baterias antiaéreas, segundo autoridades ucranianas.

Na noite de sábado, o alarme voltou a soar às 21h30 por uma hora. Mas o ataque veio só às 5h30 da manhã. Uma fábrica de munições foi destruída no subúrbio da capital ucraniana por mísseis de cruzeiro. Klitschko deu uma declaração afirmando que não é hora de as pessoas voltarem para Kyiv.

A escalada de ataques na capital ucraniana – que não vinha sendo bombardeada desde a retirada da Rússia da região há duas semanas – ocorre no momento em que Kyiv começava a retomar sua rotina normal. Autoridades locais afirmaram que até o fim da semana cerca de 50 mil pessoas estavam retornando por dia para a cidade.

Os ataques de mísseis russos ocorrem também em um momento em que o Kremlin deu um ultimato ao Ocidente – afirmando que se as remessas de armas para a Ucrânia não pararem, haverá “consequências sem precedentes”. Analistas passaram a associar essa declaração um tanto vaga ao uso de armas nucleares. A possibilidade também ganhou força após ser citada pelo diretor da CIA, William Burns.

A tensão aumentou ainda mais com um discurso do presidente Volodymyr Zelensky sobre a necessidade de a Ucrânia se preparar para a possibilidade de um ataque nuclear da Rússia.

Em teoria, o Kremlin poderia escalar a violência usando as chamadas armas nucleares táticas. Ou seja, detonando um artefato com potência de metade ou um décimo do poder de destruição da bomba de Hiroshima. Analistas afirmam que a potência reduzida seria uma forma de usar uma bomba nuclear sem deflagrar uma guerra nuclear de larga escala.

Mas, essa não parece ser, por ora, a estratégia da Rússia. Desde o alegado ataque ucraniano ao cruzador Moscou (a versão russa é que um incêndio levou o navio o pique), o que se vê é a Rússia concentrando fogo em alvos militares. Ou seja, o Kremlin não admitiu que o Moscou foi afundado por mísseis Neptune ucranianos, conforme dizem ucranianos e americanos, e até agora tem adotado uma resposta proporcional, com ataques restritos a alvos militares.

Aliás, ao caminhar pelo centro de Kyiv, percebo que, apesar da ofensiva no início da guerra, a maior parte da cidade tem sido poupada dos bombardeios russos. Com o armamento que Moscou possui, Kyiv poderia estar hoje parecida com Mariupol, que teve 80% de seus edifícios afetados pela guerra. Não é o caso.

Outra hipótese levantada pelas autoridades locais é que a vingança russa venha por meio de um desembarque anfíbio em um dos dois grandes portos ainda controlados pelos ucranianos: Odesa e Mykolaiv.

“Nós entendemos que o inimigo vai retaliar e não excluímos uma operação de desembarque”, afirmou a capitã Natalia Humeniuk, porta-voz das Forças de Defesa do Sul da Ucrânia. Na prática, isso significaria que a marinha russa bombardearia essas cidades e depois enviaria navios com fuzileiros navais para desembarcar nas praias e tomar o litoral.

Segundo o Think Tank americano Instituto de Estudos de Guerra, Odesa seria alvo desse tipo de operação no início da guerra, mas os russos teriam abortado a ideia. Isso porque o avanço de seu exército em terra foi parado na cidade de Mykolaiv, antes de chegar a Odesa. Se os fuzileiros desembarcassem, poderiam ficar isolados.

Estive em Odesa há algumas semanas e encontrei praias minadas e protegidas por trincheiras e ninhos de metralhadora.

Há alguns dias surgiram ainda rumores de que navios de desembarque de tropas russos teriam sido vistos próximos ao mar do Japão, supostamente se dirigindo para o Mar Mediterrâneo. Mas, mesmo que isso seja verdade, não está claro se a Turquia autorizaria a passagem deles para o Mar Negro.

Além disso, Mykolaiv permanece resistindo e é hoje a maior fortaleza ucraniana no sul do país. Segundo Humeniuk, a cidade foi recentemente bombardeada com munições de fragmentação – mísseis que se dividem em bombas menores antes de atingir o solo e são considerados muito perigosos para a população civil porque são destinados a atingir um número maior de pessoas que as bombas convencionais ou até espalhar minas terrestres pelo terreno. Porém, essa alegação não foi comprovada por fontes independentes.

Segundo a ONU, desde o início da guerra ao menos 1900 civis foram mortos e mais de 2.500 foram feridos. Mas essas estatísticas podem ser muito maiores.

O chefe de polícia de Kyiv Andrii Niebyto afirmou na sexta-feira que 900 corpos de civis não combatentes foram encontrados em 180 cidades e vilarejos no entorno de Kyiv depois que as tropas russas deixaram a região em 31 de março. “Eu ressalto que eram civis cujos corpos nós encontramos e mandamos para a perícia médica para exames mais detalhados. Todas essas pessoas morreram nas mãos do exército russo”, afirmou.

Mais de 350 estavam na cidade de Bucha, palco dos maiores massacres na região até agora. A Rússia argumenta que os corpos teriam sido colocados no terreno pelas forças ucranianas.

Mas a contagem de mortos da ONU é considerada conservadora. Isso porque não é possível saber ao certo o número de civis mortos em cidades sob controle russo. Segundo autoridades de Mariupol, por exemplo, os russos estariam exumando corpos de civis que foram enterrados por familiares em seus quintais. O objetivo seria cremá-los para apagar evidências de crimes de guerra. Os russos negam as afirmações e dizem ter “libertado” Mariupol.

Com o número de mortes aumentando a cada dia, é alarmante que a mídia russa esteja cobrando uma vingança pelo afundamento do cruzador Moscou. Felizmente por ora, a resposta russa no campo de batalha tem sido proporcional (com os ataques restritos a alvos militares).

Mas essa situação de momento pode mudar com a esperada ofensiva na região de Donbas, no leste do país, que pode começar a qualquer momento.

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BOLSONARO DISCORDA DO ACORDO ENTRE TSE E WHATSAPP

 

Eleições 2022

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Presidente passa o feriado de Páscoa em Guarujá, no litoral de São Paulo| Foto: Reprodução/CNN Brasil

Em 2018, mal a campanha eleitoral tinha começado e se via um deputado do baixo clero, com apenas um celular, sem dinheiro, com pouco tempo no horário eleitoral de rádio e televisão, já sendo temido. Houve uma declaração da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, dizendo que precisava falar com a Rosa Weber, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para suspender ou por trava no WhatsApp.

Estavam reclamando que descobriram um novo tipo de comunicação em que uma pessoa pode gritar para ser ouvida por mais dez, mais cem ou mais mil outras, mas por meio das redes sociais. “Vamos tratar de impedir isso, porque é um poder muito grande que está se dando às pessoas”: em outras palavras, foi isso.

Agora, estranhamente, o WhatsApp anuncia que um novo tipo de disparo coletivo vai valer para o mundo inteiro mas não para o Brasil antes da eleição. Coincidentemente, gente do WhatsApp esteve com ministros do TSE antes desse anúncio.

TSE e WhatsApp
O presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma entrevista que deu ao repórter Renan Fiúza, da CNN, em Guarujá (SP), disse que vai atrás do pessoal do Whatsapp para saber por que o Brasil é tratado diferente.

A decisão do aplicativo implica na suposição de que vai haver mentira. Só que a gente não pode tapar a boca de alguém supondo que ele vai falar mentira. Ninguém pode ser punido antes do crime, na suposição de que vá cometer um crime. O código penal prevê calúnia, injúria, difamação. As leis eleitorais estão punindo disseminação de notícia falsa. Mas não pode supor que a pessoa vá fazer. Então isso está muito estranho.

Parece uma medida parcial, tanto do WhatsApp quanto do TSE, para atingir um lado que já se deu bem em uma campanha eleitoral usando as redes sociais. Isso é o que todo mundo faz, para vender qualquer coisa, inclusive ideias. Teve empresas que quebraram porque demoraram a aderir a esse novo mundo digital.

Bolsonaro diz que Putin estava preocupado com mísseis na Ucrânia
Outro assunto interessante que o presidente Bolsonaro abordou na entrevista foi sobre uma parte da conversa com o presidente russo Vladimir Putin que ele desvendou: Putin estava preocupado com mísseis que poderiam atingir Moscou em poucos minutos, caso fossem instalados na Ucrânia.

Foi como os americanos, que se preocuparam quando chegaram mísseis soviéticos a Cuba em 1962. É igualzinho, o mesmo caso. Os americanos iam reagir atacando Cuba, e os mísseis acabaram sendo retirados e voltaram para a União Soviética. Lá na Ucrânia, Zelensky reafirmou que entraria na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, portanto, se armaria contra os russos. Essa é uma grande questão a ser considerada.


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GANHAR UMA ELEIÇÃO NO BRASIL FICA MUITO CARO

Campanhas eleitorais
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

DINHEIRO – CURITIBA – 06/06/2014 – VIDA E CIDADANIA – Fotos de cédulas de cinquenta e de dez reais. Foto do um bolo de dinheiro para pagar as contas – Foto: Antônio More / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Pesquisa mostra que o custo para se eleger no país é elevado.| Foto: Gazeta do Povo/Arquivo

O resultado final das eleições de 2018 comprovou que o dinheiro é peça-chave para o sucesso dos candidatos. Embora alguns políticos tenham sido bem-sucedidos gastando pouco, a maior parte dos vitoriosos desembolsou grandes cifras para garantir a preferência do eleitorado. O custo médio para a eleição de um deputado federal, por exemplo, foi de cerca de R$ 1,3 milhão. E o cargo que exigiu menos investimento, de deputado estadual, ainda assim exigiu pouco mais de R$ 300 mil, em média, para que alguém se elegesse.

Os dados são do levantamento “Quanto custa ganhar uma eleição?”, produzido recentemente pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). A pesquisa verificou as prestações de contas de todos os candidatos vitoriosos em 2018 para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual (ou distrital, no caso de Brasília). As informações foram fornecidas pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e os dados tiveram seus valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial.

O levantamento mostrou que o custo médio para ganhar a eleição ao cargo de governador foi de R$ 6,77 milhões. De senador, de R$ 2,12 milhões. Para deputado federal, o valor médio desembolsado pelos 513 eleitos foi de R$ 1,31 milhão. E para o cargo de deputado estadual foi de R$ 373,2 mil.

A identificação dos valores mínimos e máximos para cada um dos cargos em disputa revela outras informações de destaque. A candidatura vitoriosa mais cara para um governo estadual foi a de João Doria (PSDB) em São Paulo, que custou R$ 26,8 milhões. Já a com menor gasto para um governo estadual foi a de Marcos Rocha (União Brasil), em Rondônia,, que teve despesas de R$ 624 mil.

A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) foi, entre os 54 senadores eleitos em 2018, a que teve a campanha mais custosa, com despesas próximas de R$ 6,5 milhões. Já o senador eleito que menos gastou em 2018 foi Styvenson Valentim (Podemos-RN), cuja campanha foi orçada em R$ 43 mil.

Entre os deputados federais, o maior gasto para se eleger foi o de Professor Alcides (PP-GO), cuja campanha ficou em R$ 3,1 milhões. Já o deputado eleito com o menor custo de campanha foi Daniel Silveira (União Brasil-RJ), que gastou R$ 12 mil.

O deputado estadual Sargento Lima (PL-SC), que recebeu 35.053 votos na eleição de 2018, investiu na campanha menos de R$ 1 mil. Foram exatamente R$ 924,27, com os valores corrigidos para 2022. O oposto foi a campanha de Maísa Mitidieri (PSD), eleita deputada estadual por Sergipe com um investimento de R$ 1,2 milhão.

Em que o dinheiro gasto na campanha foi usado
O levantamento do IBPAD analisou também o destino dos recursos investidos em campanhas. E o resultado foi a identificação de que as despesas “tradicionais” seguem tendo expressivo peso no orçamento dos candidatos.

Por exemplo, nas campanhas vitoriosas de governadores e senadores, os gastos que lideraram a lista de despesas foram os de produção de programas de rádio e TV. Foram 31,34% do total dos recursos dos candidatos vitoriosos aos governos estaduais, e 24,84% ao Senado.

Já em relação aos deputados, federais e estaduais, o que liderou a lista de despesas foram os gastos com materiais impressos: 25,04% para os federais, e 22,51% para os estaduais.

Outra despesa eleitoral tradicional que teve peso significativo em todas as candidaturas vencedoras foi a produção de adesivos. Nenhum dos quatro grupos de vencedores analisados gastou menos de 5% dos seus orçamentos de campanha com esse tipo de material de propaganda. Entre os deputados estaduais, o custo chegou a 8,40% do total das despesas de campanha.

Para todas as subdivisões de candidaturas analisadas, o gasto com adesivos foi superior a despesas efetuadas com divulgação na internet. As despesas com impulsionamento de conteúdos online oscilaram entre 2,90% a 1,62% do total da campanha. Já os custos com criação e inclusão de páginas na internet não superou 1%, na média, em nenhum dos quatro grupos.

Pesquisa expõe que não se ganha eleição sem dinheiro, diz especialista

A consultora Gisele Meter, especialista em marketing e influência digital, afirma que, neste ano, a tendência é que o custo para se eleger seja igual ou maior do que em 2018. “A primeira coisa que essa pesquisa faz é passar aos candidatos que uma campanha custa. E eles precisam entender que em 2022 também vai custar – o equivalente a 2018, senão um pouco mais”.

Segundo ela, embora o histórico das eleições registre exceções bem-sucedidas, a regra é que as campanhas de candidatos eleitos tenham também uma boa gestão financeira. “Um candidato precisa saber que uma campanha deve ter a estrutura de uma empresa. Assim como eu preciso de capital para abrir uma empresa, é preciso capital para ser candidato”, destacou.

Além do mito da campanha sem dinheiro, segundo Gisele, outro pensamento que o estudo mostra estar errado é o da campanha integralmente digital. “Não adianta pensar que as campanhas serão 100% digitais”, diz ela.

Segundo a especialista, a pesquisa também indica uma possível diferença entre os cenários de 2018 e 2022. “Tivemos em 2018 o movimento do bolsonarismo que foi todo estruturado no digital. Mas agora vivemos um período pós-pandêmico em que o digital é essencial, mas não ficará somente nisso. As pessoas querem saber os resultados da política. Essas questões e outras pendências vão mudar o resultado das eleições”, diz Gisele Meter.


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FALAS DE LULA E BOLSONARO TÊM SENTIDO E DIREÇÃO AOS SEUS ELEITORES

 

Política

Por
Diogo Schelp – Gazeta do Povo

This handout photo taken on May 14, 2020 and received on May 15 from Lula’s press office shows former Brazilian president Luiz Inacio Lula da Silva speaking during an interview with AFP via video link from his home in Sao Bernardo do Campo, Sao Paulo state. – Former president Luiz Inacio Lula da Silva says he fears a “genocide” in Brazil because of fierce opposition to coronavirus containment measures by current President Jair Bolsonaro, whom he said should be impeached. (Photo by Ricardo STUCKERT / PRESS OFFICE OF LUIZ INACIO LULA DA SILVA / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE – MANDATORY CREDIT “AFP PHOTO / PRESS OFFICE OF LUIZ INACIO LULA DA SILVA / RICARDO STUCKERT” – NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS – DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS — NO ARCHIVES —

O ex-presidente e pré-candidato Lula| Foto: RICARDO STUCKERT/

A não ser que uma grande surpresa aconteça (pois isso nunca pode ser descartado em se tratando da política brasileira) e a julgar pelas pesquisas que há meses refletem uma estabilidade no quadro eleitoral, o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro estarão no segundo turno das eleições deste ano.

Algumas atitudes polêmicas recentes dos dois pré-candidatos, que sob certo ângulo podem parecer contraditórias ou prejudiciais a eles próprios, na realidade são calculadas e pensadas já em antecipação ao jogo do segundo turno.

Lula tem o voto seguro de petistas, de uma parcela significativa de eleitores de baixa renda e de cidadãos que elegem até o diabo para não dar a Bolsonaro um segundo mandato.

Bolsonaro conta com uma base de apoiadores que o idolatram e a ele são fieis até o fim do mundo ou apocalipse pandêmico, é aceito como opção menos pior por quem já votou nele e está disposto a fazer isso de novo para evitar o retorno do PT e cada vez mais também ganha adeptos entre favorecidos pelo Auxílio Brasil (o Bolsa Família com outro nome e momentaneamente com valor turbinado).

Tanto Lula quanto Bolsonaro, porém, precisam disputar os votos daqueles que, no primeiro turno, não vão preferir nenhum dos dois e também dos indecisos e daqueles que, por enquanto, declaram voto nulo ou branco.

Uma análise rápida poderia fazer crer que, para isso, Lula precisaria neste momento amenizar o discurso e mostrar-se moderado para atrair o voto do centro.

Em vez disso, aventurou-se no espinhoso debate da liberação do aborto, criticou a classe média, cutucou os militares e sugeriu à sua militância que fosse à casa de parlamentares para constranger suas famílias e pressioná-los por pautas políticas.

Bolsonaro, por sua vez, vem colhendo índices de aprovação crescentes ao seu governo, em grande parte devido também à moderação do seu discurso. Passou um tempo sem falar mal das vacinas contra a covid-19, vem tentando chamar atenção para uma agenda positiva com pegada social e de realização de obras e reduziu confrontos com os outros poderes da República, em especial o Judiciário.

Nos últimos dias, porém, voltou a levantar a voz contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manifestando, em comício após motociata realizada na Sexta-feira Santa, sua indignação contra a decisão do WhatsApp de só permitir a criação de comunidades com grande número de pessoas no aplicativo de mensagens após as eleições deste ano. O adiamento só acontecerá no Brasil, enquanto o resto do mundo já desfrutará da funcionalidade.

O anúncio feito pelo WhatsApp foi feito depois de, em fevereiro, a Meta, empresa que detém também o Facebook e o Instagram, se comprometer junto ao TSE em não adotar no Brasil medidas que possam facilitar a difusão de fake news nas eleições.

A criação das comunidades no WhatsApp possibilitaria novamente o disparo em massa de mensagens, recurso muito usado pela campanha de Bolsonaro em 2018.

A indignação de Bolsonaro com uma decisão que é, acima de tudo, uma escolha estratégica de uma empresa privada poderia ser compreendida como um atestado de que ele se valeu e pretende novamente se valer da disseminação de mensagens inorgânicas e inautênticas nas redes sociais, tática que favorece o espraiamento de desinformação e ataques a adversários com notícias falsas.

Suas falas de indignação também reavivam os embates com a Justiça Eleitoral brasileira e com seus principais ministros, que igualmente integram o Supremo Tribunal Federal (TSE).

Mas tanto Lula quanto Bolsonaro têm método em suas atitudes aparentemente polêmicas.

Lula radicaliza o discurso neste momento porque precisa energizar sua militância. Tempo de TV e estratégia digital não bastam. Eleição se ganha com o bloco na rua, e a mobilização da petezada é a maior força do ex-presidente. E é um desafio maior conseguir esse empenho dos militantes quando se acaba de anunciar como vice um ex-adversário político associado ao malvado “neo-liberalismo” e ao “fascismo” tucano.

Bolsonaro se sente de fato prejudicado por uma decisão empresarial que limita sua estratégia de chegar ao celular das tias do zap. Por outro lado, essa limitação vale também para o seu adversário. A regra não é só para ele; petistas também terão mais dificuldade de disseminar fake news. Afinal, apoiadores de Bolsonaro não vivem dizendo que a esquerda também se vale desse expediente?

O que Bolsonaro realmente está explorando com sua indignação contra o acordo entre WhatsApp e o TSE é a narrativa de que há um complô para impedir sua reeleição. O presidente busca, desde já, uma justificativa para a derrota ou — no limite — para uma recusa de aceitar o resultado da eleição.

Lula e Bolsonaro sabem como se comunicar com suas bases. E sentem que é chegada a hora de antecipar o segundo turno. A campanha em si já foi antecipada há muito tempo.


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