domingo, 3 de abril de 2022

FORMAS DE EMPREENDER

 

Quintino Facci – Arquiteto

Na contramão da crise, o setor de arquitetura pegou ainda mais fôlego nos últimos meses e abriu novas oportunidades para quem tem o sonho de empreender nessa área. Para se ter uma ideia, os setores de comércio e serviços correspondem a mais de 80% dos empreendimentos ativos no país, além disso, registrou recorde no número de novas empresas abertas em 2020 e encerrou o ano com cerca de 20 milhões de negócios ativos – o que representa um aumento de 6% em comparação com 2019, segundo dados do Ministério da Economia. Além disso, nos últimos três meses de 2020, o número de atividades registradas pelos arquitetos e urbanistas cresceu 12% em relação ao mesmo período de 2019.

De olho nesse cenário, o arquiteto Quintino Facci, com mais de 174 mil seguidores no Instagram, enxergou a oportunidade de utilizar sua rede social, tanto para divulgar seus trabalhos como para ajudar outros profissionais a empreender nessa área. “Eu já estive do outro lado, por isso hoje tento levar conhecimento para quem tem o sonho de abrir seu escritório. A maior dificuldade dos profissionais é a falta de informação na parte de gestão e processos. Durante a faculdade não aprendemos como gerir um escritório, contratar, como cobrar, nem mesmo como lidar com os clientes e os possíveis erros que podem acontecer no processo”, revela o arquiteto.

Logo no início do curso, aos 18 anos, o arquiteto Quintino Facci, de apenas 22 anos, decidiu abrir o seu próprio Estúdio de Desenvolvimento Gráfico focado em lançamentos imobiliários. Depois de seis meses, enquanto já estava trabalhando com outras seis pessoas, decidiu abrir o escritório 3D. Três meses depois, abriu o escritório Quintino Facci Arquitetos – que já realizou grandes projetos, como a reforma do escritório da influenciadora e ex-BBB Jade Picon.

Para ajudar arquitetos que ainda estão na faculdade ou que já se formaram e desejam abrir seu próprio escritório, o especialista lista cinco dicas para empreender na área. Confira:

1 – Faça networking: criar relações e conexões é fundamental em qualquer negócio, principalmente quando o assunto é empreender. “O networking – que tem como objetivo criar relacionamentos com outras pessoas em um nível emocional para ajudar a construir um negócio, pode te ajudar tanto com indicações como com novos clientes. Dessa forma, é preciso conhecer e interagir com pessoas que podem fazer parte da sua rede de negócios ou mesmo amizade. Faça isso tanto de forma online como no seu dia a dia”, aconselha Quintino.

2 – Aprenda sobre negócios: “Você precisa ir além da arquitetura, é preciso saber um pouco de tudo: gestão de pessoas, financeiros, jurídico, 3D, executivo, administrativo, comercial. É necessário passar por todas as etapas. No começo você vai precisar se desdobrar em mil, mas com o tempo começa a dividir os processos”, explica o arquiteto.

3 – Menos é mais: preze pela qualidade e não pela quantidade. “No início, quando você é responsável por tudo ou tem apenas um ou dois assistentes é preciso calcular o número de projetos que sua equipe consegue realizar, sem que nada saia prejudicado. Muitos acabam pegando um número muito grande de projetos e entregam com erros, o que além de prejudicar a credibilidade do escritório também impacta no preço do escritório. Lembre-se, na arquitetura não trabalhamos apenas com projetos e execuções, estamos lidando com sonhos”, alerta Quintino.

4 – Saiba delegar na hora certa: crescer muitas vezes “dói”, porque sempre é um novo recomeço, e nessas horas você deve contar com a ajuda de uma rede de apoio. Não centralize tudo, conte com suporte para a parte financeira e contábil, atendimento ao cliente, execução, acompanhamento de obra. Ainda mais nessa hora você deve se posicionar como líder, guiando a equipe e apoiando. Também nunca deixe de lado a parte comercial e o marketing do escritório. Sua imagem deve estar sempre associada ao nome do escritório”, conta o arquiteto.

5 – Faça parcerias e divulgue seus projetos: “Quem não é visto não é lembrado, não se esqueça disso! O arquiteto tem uma vantagem a seu favor, decoração e projetos são muito visuais e tem um engajamento enorme no Instagram, que deve ser usado ao seu favor. Busque parceria com influenciadores para realizar o projeto de algum cômodo, tire fotos dos projetos, mostre muitos antes e depois, fale sobre as tendências, se comunique com outros arquitetos”, orienta Quintino.

Ainda de acordo com ele, pensar em desistir não é uma opção, é preciso seguir em direção ao seu foco. “Como não desistir ao empreender nessa área? Essa é a pergunta que mais chega ao meu Instagram. Quando você tem um objetivo muito bem definido e claro, de onde você quer chegar, o que você quer da vida, quanto quer faturar, o que quer como profissional, é muito difícil desistir. Você pode ficar exausto, mas sempre vai dar seu gás, porque sabe onde quer chegar.

A Startup Valeon reinventa o seu negócio

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para o seu comércio.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por mais de 100.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por mais de 1.000.000 de pessoas , valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos. Todos esses sites contêm propagandas e divulgações preferenciais para a sua empresa.

Temos a plena certeza que o site da Startup Valeon, por ser inédito, traz vantagens econômicas para a sua empresa e pode contar com a Startup Valeon que tem uma grande penetração no mercado consumidor da região capaz de alavancar as suas vendas.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

sábado, 2 de abril de 2022

MENTIRAS DO LULA CRUCIFICAM A VERDADE

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).| Foto: EFE/Joédson Alves

“O que fizeram com a Petrobras foi crucificar a mais importante empresa que nós tínhamos no Brasil”, disse o ex-presidente, ex-presidiário e ex-condenado Lula a uma claque de sindicalistas da Frente Única dos Petroleiros, no Rio de Janeiro, na terça-feira. Quem “fizeram”? Os outros, claro – a Lava Jato, os Estados Unidos, o “capital financeiro” –, não os petistas, que tiveram nas mãos a estatal de petróleo por 13 anos e meio. Lula, mais uma vez, aposta na memória curta do brasileiro e na indignação do cidadão com os altos preços dos combustíveis para espalhar mentiras convenientes e prometer a mesma solução que quase destruiu a Petrobras no passado.

A julgar pelas palavras de Lula, alguém haveria de pensar que foram os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, não um Conselho de Administração cheio de petistas graúdos como Antonio Palocci, Jaques Wagner e Dilma Rousseff, quem tomou a desastrosa decisão de adquirir uma refinaria no Texas por meio de um contrato mal redigido, com cláusulas claramente prejudiciais à Petrobras. Ou, então, que foi Sergio Moro, e não o próprio Lula, quem sugeriu a Evo Morales se apossar de unidades da Petrobras na Bolívia e acertou com o ditador Hugo Chávez a construção de uma outra refinaria, em Pernambuco – Abreu e Lima terminou custando muito mais que o previsto, e o calote venezuelano deixou todo o preço da camaradagem ideológica nas costas dos brasileiros. Ou, ainda, que foram os desembargadores do TRF-4, em Porto Alegre, e não Graça Foster e os diretores a ela subordinados, que represaram artificialmente o preço dos combustíveis em 2014 para não prejudicar a reeleição de Dilma Rousseff, e com isso impuseram tanto prejuízo à Petrobras que fizeram dela a petrolífera mais endividada do mundo. Tudo isso sem falar do gigantesco esquema de corrupção organizado pelo petismo, com o apoio de partidos da base aliada e de empreiteiras, para sangrar a Petrobras e outras estatais em nome do projeto de poder da legenda. A verdade é esta: quem “crucificou” a Petrobras foi o petismo.

O petismo “crucificou” a Petrobras, e foram a Operação Lava Jato e a gestão profissional pós-petista que “ressuscitaram” a estatal

“Uma parcela de promotores, daquela quadrilha da força-tarefa de Curitiba, criou a narrativa de que quem defende a Petrobras é corrupto”, disse Lula, mais uma vez apostando na distorção. Pois aquilo que o petismo chama de “defesa da Petrobras” não passa da defesa do uso político da Petrobras – como naquele célebre evento de 2015 no qual, enquanto Lula discursava dentro da sede da Associação Brasileira de Imprensa, militantes petistas agrediam a pontapés uns poucos manifestantes (incluindo funcionários da Petrobras) que criticavam a roubalheira. O petismo jamais “defendeu” a Petrobras; quem o fez foram aqueles que trabalharam por sua recuperação. Quem recuperou bilhões de reais desviados pela corrupção e devolvidos à Petrobras: o PT ou a Lava Jato? Quem implantou políticas de mercado que reduziram o endividamento da companhia ao encerrar a manipulação política de preços de combustíveis: Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann, ou Pedro Parente, Ivan Monteiro, Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna? Qualquer brasileiro minimamente informado sabe as respostas e tem certeza de que, se foi o petismo que “crucificou” a Petrobras, foram a Operação Lava Jato e a gestão profissional pós-petista que “ressuscitaram” a estatal.


E Lula está tão convicto de que destruir a Petrobras foi a coisa certa a fazer que ele promete, sem o menor pudor, repetir a dose – como, aliás, tem feito em praticamente todas as suas declarações sobre política econômica. O evento com os petroleiros foi marcado por críticas à política de preços que segue as cotações internacionais do petróleo, implantada quando Michel Temer assumiu a Presidência da República e indicou Parente para a estatal. José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras de 2005 a 2012, criticou os “altos lucros” da empresa sem mencionar que eles são necessários para amortizar as dívidas deixadas pelo descalabro petista. Para Lula, é só repetir que “quando o petróleo é nosso, a gasolina é mais barata, o óleo diesel é mais barato, o gás é mais barato”, certo de que basta o slogan para esconder o fato de que a autossuficiência brasileira é apenas nominal, não real, já que o país não é capaz de refinar o petróleo que extrai e, por isso, depende de importações.

Pouco a pouco, graças a decisões do Supremo Tribunal Federal completamente absurdas e sem o menor fundamento jurídico, os petistas estão escapando da obrigação de pagar pelo estrago que fizeram na Petrobras. Mas nenhuma dessas decisões anula os fatos que a Lava Jato comprovou em anos de trabalho incansável e heroico. As evidências podem ter se tornado inúteis nos tribunais, mas permanecem como documentos que contam a verdadeira história do calvário da Petrobras e dos seus reais algozes. Uma história que Lula quer repetir.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/crucificando-a-verdade-lula-petrobras/
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PORTABILIDADE DA CONTA DE LUZ NÃO É GARANTIA DE PREÇOS MAIS BAIXOS

 

Energia

Por
Cristina Seciuk – Gazeta do Povo

Abertura do mercado livre de energia moderniza o setor elétrico, mas não assegura mais inovação, eficiência e tarifas mais módicas a todos os consumidores, diz estudo.| Foto: Pixabay

Estudo do instituto Acende Brasil sobre a abertura do mercado livre de energia à totalidade dos consumidores representa, sim, modernização para o setor elétrico brasileiro, mas não significa necessariamente garantia de mais inovação, eficiência e tarifas mais módicas a todos que venham a ingressar no Ambiente de Contratação Livre (ACL, sigla oficial do mercado livre de energia, em oposição ao ambiente regulado, ou mercado cativo).

A análise se baseia em experiências internacionais para frisar que o sucesso da mudança pretendida no país depende de uma série de fatores a serem considerados e resolvidos previamente. Para o presidente do instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, “o que aconteceu e está acontecendo no resto do mundo traz lições importantes para que a gente faça bem feito [o processo de abertura]”.

Essa abertura a todos os consumidores é tratada informalmente como “portabilidade da conta de luz”, em referência àqueles serviços em que, com o tempo, o brasileiro teve acesso a mais facilidades para trocar de fornecedor, como a telefonia.

No Reino Unido, 70% dos consumidores permaneceram com seus fornecedores após a abertura de mercado, desprezando opções potencialmente mais baratas. Em países como Suécia e Noruega o engajamento segue relativamente baixo, de 40% dos consumidores; na Finlândia é ainda menor, de 15%.

Nos casos avaliados, percebeu-se entraves ao engajamento, por exemplo, por dificuldades na comparação dos serviços, o que desincentivou a saída do ambiente regulado. “Não há segurança de conhecer todas as alternativas disponíveis, o próprio perfil de consumo pode ser incerto. Dificulta a avaliação. E a comparação de diferentes alternativas também é complexa porque as ofertas feitas pelos varejistas não serão todas idênticas”, completa Sales.


Nos EUA, comparações apontam que alguns estados que liberalizaram o mercado do energia têm tarifas mais elevadas do que outros que mantiveram fornecimento regulado, demonstrando que o mercado livre pode melhorar preços a partir da competição, mas não terá esse resultado como regra.

Sales conclui que “a simples liberalização não vai ser capaz de garantir mais inovação, mais eficiência e tarifa mais módica”. A chance de escolher de quem comprar energia, segundo análise do instituto, só trará ambiente vantajoso ao consumidor brasileiro varejista caso seja precedida de uma transição cuidadosa, de olho em resultar numa abertura com amplo benefício social e econômico.

O caminho para tal, conforme o estudo do Acende Brasil, passa por requisitos classificados como “indispensáveis” na preparação da retirada das restrições de acesso ao ACL. Entre eles, aparecem a adoção de garantias robustas de proteção ao consumidor e o fomento ao mercado varejista, com especial foco na promoção de engajamento dos consumidores e de instrumentos que facilitem as comparações de preços e serviços.

“Para aqueles consumidores mais engajados, que fazem uma busca educada pelas melhores alternativas, há benefício. E se isso é verdade, é fundamental que se tomem medidas para promover o engajamento dos consumidores, para que de fato a liberalização do mercado como um todo possa ser bem sucedida”, avalia.

As avaliações da Anatel sobre a abertura do mercado livre de energia
Os pontos levantados pelo Acende Brasil coincidem, em grande medida, com apontamentos já feitos pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Conforme a Aneel, existem 14 itens que precisam passar por regulação ou aprimoramento antes de se avançar para um acesso irrestrito ao mercado livre de energia.

Desta lista constam questões como a implementação de campanhas de esclarecimento e conscientização dos consumidores a respeito do processo de migração e atuação no ACL e a adoção de produtos padrão pelos fornecedores varejistas, de modo a permitir simulações e comparações que garantam ao consumidor uma escolha consciente de custos, benefícios e riscos envolvidos.

O estudo realizado pela Aneel atende a uma portaria de 2019 do Ministério de Minas e Energia. Nela, a pasta prevê iniciar a abertura gradual aos consumidores de menor porte a partir de 2024, mas determina que sejam levantadas pela reguladora as medidas necessárias para permitir o avanço.

Ambiente de contratação de energia ainda é restrito
O atual regramento brasileiro restringe o acesso ao chamado mercado livre de energia. Hoje, a norma limita a possibilidade de compra da eletricidade diretamente do fornecedor a consumidores com demanda igual ou maior do que 500 quilowatts (kW). Em comparação, o consumo médio de uma residência é de aproximadamente 150 kWh.

Consumidores de portes inferiores (incluídos aqui os residenciais) não têm alternativa – até o momento – e seguem obrigatoriamente integrados ao mercado cativo, que é atendido pelas distribuidoras e tem tarifas afixadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O segmento concentra cerca de 70% da energia comercializada no país.

A possibilidade da escolha do fornecedor de energia para todos os consumidores, entretanto, está no horizonte brasileiro. Portarias do Ministério de Minas e Energia falam na tomada de providências para permitir a abertura do mercado livre aos consumidores com carga inferior a 500 kW e cronograma de abertura a ser iniciado em 1.º de janeiro de 2024.

Nesse sentido, a Aneel e a Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE) enviaram ao MME no mês de fevereiro os estudos sobre as medidas regulatórias necessárias à completa abertura do ACL. Segundo a pasta, os materiais estão em análise e “serão colocados, oportunamente, em consulta pública”. O MME não confirmou prazo para a realização. Anteriormente, a consulta havia sido prevista para o primeiro trimestre de 2022.

No Congresso, PL sobre o tema pode avançar

A abertura do mercado livre de energia é tratada também no Congresso, com dois projetos de lei. O mais avançado em termos de tramitação já foi aprovado no Senado e pode ser discutido na Câmara, no mais tardar, em abril. O PL 414 teve aprovação pelos senadores ainda em 2021, mas não entrou na pauta dos deputados. Agora, o debate promete caminhar após ser elencado como prioritário para o governo Jair Bolsonaro na agenda legislativa de 2022.

Relator do projeto na Casa, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) afirmou ao portal especializado Megawhat que a matéria deve ser levada ao plenário dentro dos próximos dias.

O texto prevê um cronograma de gradual de três anos e meio a partir da publicação, o que poderia levar a uma abertura total do mercado livre de energia a partir de 2026. Como o PL sofreu alterações na Câmara e será discutido em substitutivo, a proposta precisará voltar ao Senado caso receba o aval dos deputados.

O presidente da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), Rodrigo Ferreira, afirma que as indicações feitas ao setor são de que o projeto avançará em breve, com expectativa de que possa chegar à sanção presidencial dentro de 60 dias (já contabilizada nessa janela a segunda passagem pelo Senado).


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/mercado-livre-nao-garante-vantagem-para-todos-os-consumidores-aponta-estudo/
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ARMAS BIOLÓGICAS MORTÍFERAS

 

Guerra propagandística
Por
Daniel Sender, especial para a Gazeta do Povo

EPA9034. MOSCÚ (RUSIA), 04/05/2018.- El portavoz del Ministerio de Defensa ruso, Ígor Konáshenkov, ofrece una rueda de prensa para informar sobre la lucha contra el terrorismo en Siria, en el Centro de Defensa Nacional de Moscú, Rusia, el 4 de mayo del 2018. EFE/Maxim Shipenkov

O major-general Igor Konashenkov disse que patógenos de doenças mortais teriam sido destruídos com urgência em laboratórios ucranianos no dia da invasão russa| Foto: EFE/Maxim Shipenkov

Em um vídeo recentemente liberado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), um soldado russo recém-capturado obtém a permissão de telefonar para sua mãe e informar que foi preso, mas está vivo.

Durante o diálogo, os dois entram em uma discussão. O filho diz para a mãe que o que ele presenciou é uma “verdadeira guerra”, e ela discorda dizendo que não há guerra alguma, e sim uma operação militar especial.

A situação escala ao ponto em que ela diz para seu filho, um prisioneiro de guerra, que tudo isso aconteceu em resposta a um ataque anterior, feito pelo Ocidente, que utilizou a Ucrânia para desenvolver o novo coronavírus e enviar ondas migratórias de pássaros infectados para dizimar a população russa.

O diálogo entre mãe e filho revela uma das facetas da guerra propagandística que envolve a invasão da Ucrânia pela Rússia, uma vez que a questão das armas biológicas tornou-se uma das justificativas para o conflito.

De fato, nos últimos anos a Rússia repetiu inúmeras vezes a acusação de que vários laboratórios ucranianos estariam desenvolvendo armas biológicas como a peste negra ou o antraz, porém, com a invasão do país, pela primeira vez foram fornecidos documentos que supostamente comprovariam tais pesquisas.

O que verdadeiramente dizem os documentos apresentados pelo Kremlin?
No dia 6 de março, o Ministério da Defesa da Federação Russa publicou documentos supostamente provando que armas biológicas estariam sendo desenvolvidas na Ucrânia.

O representante oficial do departamento, major-general Igor Konashenkov, disse que em 24 de fevereiro os patógenos de peste negra, antraz, tularemia, cólera e outras doenças mortais teriam sido destruídos com urgência nos laboratórios de Poltava e Kharkiv. O microbiólogo russo Yevgeni Levitin, PhD em biologia molecular, classifica as alegações do Kremlin como “uma mentira absolutamente descarada e incompetente”.

De acordo com o pesquisador, os documentos capturados pela Rússia e apresentados ao público através da agência estatal RIA Novosti expõem as diretrizes de segurança em laboratórios microbiológicos com pesquisas consideradas de baixo risco, contendo instruções do Ministério da Saúde da Ucrânia para que os patógenos potencialmente perigosos fossem destruídos no dia 24 de fevereiro, a fim de evitar sua disseminação devido à guerra.

Além disso, os documentos contêm a lista das cepas destruídas nestes dois laboratórios. “Patógenos causadores da peste negra, antraz, tularemia, cólera – absolutamente nada disto se encontra nos documentos publicados”, diz Levitin. “O cálculo é simples: as pessoas não entendem ucraniano e nem latim e, por isso, não conhecem o nome dos patógenos.”

O cientista acrescenta que, segundo os próprios documentos vazados, de todas as cepas pesquisadas nestes laboratórios, apenas uma é classificada internacionalmente como sendo de “média periculosidade”, o Corynebacterium diphtheriae.

“É um patógeno potencialmente perigoso, mas completamente inviável para a utilização enquanto agente causador da difteria. Para contrair tal doença, seria necessário engolir uma colher inteira desta cultura e somente então uma pessoa poderia ficar doente”, explica o microbiólogo, acrescentando que atualmente toda a população europeia encontra-se vacinada contra a difteria através da vacina tríplice bacteriana (DTP).

Outras cepas apresentadas pelo governo russo como armas biológicas incluem bactérias comuns à microflora do trato respiratório e da pele, além de doenças oportunistas, que podem prejudicar a saúde humana em condições de deficiência imunológica.

“Uma destas cepas, o Bacillus licheniformis, é uma bactéria com a qual se lida todos os dias. Encontra-se ela em qualquer lugar, inclusive no prato de borsch que foi comido no dia anterior”, ironiza o cientista, citando o prato típico da culinária russa e ucraniana à base de beterraba e repolho.

“O que há nessas culturas? Absolutamente nada. Elas são o campo comum de pesquisa para a microbiologia e a epidemiologia em qualquer lugar do mundo. Não há cepa nenhuma neste grupo que seja especialmente patogênica”, conclui Levitin.

A segunda rodada de documentos liberados pelo Kremlin

Três dias após o primeiro vazamento de documentos, o governo russo liberou novas informações, desta vez sobre os laboratórios localizados nas cidades de Lviv e Yavor, que também destruíram suas pesquisas em caráter de emergência.

Nestes arquivos, vê-se um apanhado de materiais das mais diversas origens, desde convites para workshops e instruções acerca da biossegurança, até listas de patógenos recebidos pela Ucrânia da própria Rússia.

Porém, ao contrário das pesquisas nos dois primeiros laboratórios, nestes havia patógenos altamente perigosos, como o do antraz e da peste negra em sua variante “vacinal”. “As cepas classificadas deste modo são selecionadas para terem baixa carga viral e patogenicidade, pois são destinadas ao estudo e à preparação de vacinas”, afirma o microbiólogo russo.

Ele acrescenta ainda que a presença de cepas de alto grau de periculosidade é a norma em qualquer instituto epidemiológico ou laboratório de análises clínicas pelo mundo. “Quando alguém faz um exame de hissopado na garganta, o especialista que coleta a amostra precisa compará-la com algo para ver que doença está se desenvolvendo no paciente”, aponta ele.

Outro dado importante que corrobora a visão do pesquisador russo sobre o caráter das pesquisas na Ucrânia é que a própria lista de cepas virais estudadas pelo laboratório de Lviv está disponível ao público em sua página, onde também se indica que foram realizados inúmeros estudos envolvendo amostras de cada patógeno; de acordo com o instituto, no total foram colhidas 18 amostras em busca de vestígios de antraz no solo da região.

“Isso não apenas desbanca a ideia do ‘desenvolvimento de armas biológicas’, mas até mesmo o acúmulo de material perigoso em laboratório”, conclui o cientista, afirmando ainda que na própria Rússia existem centenas de laboratórios com permissão oficial para trabalhar com este e outros patógenos altamente perigosos e em quantidades muito maiores.

O efeito propaganda
Em resposta às alegações do Ministério da Defesa da Rússia, a Comunidade dos Graduados da Faculdade de Biologia da Universidade Estatal de Moscou circulou uma carta aberta encabeçada pelo microbiólogo russo-americano Eugene Koonin, um dos mais reconhecidos biólogos do mundo, e divulgada na Rússia por Yevgeni Levitin, destinada aos principais meios de comunicação da Rússia, expondo as incongruências das alegações feitas pelos órgãos oficiais do Estado.

Segundo Levitin, as informações divulgadas pelo governo russo não são levadas a sério pelos seus pares na comunidade acadêmica e científica de seu próprio país, porém muitos têm medo de falar abertamente sobre o assunto.

“É por isto que decidi subscrever a esta carta, que representa simplesmente o senso comum da comunidade acadêmica de que tais alegações são simplesmente fraudulentas e desprovidas de qualquer seriedade”, justifica.

Muitos meios independentes veicularam o protesto, porém a mídia oficial ignorou completamente a carta, apesar de haver editado algumas alegações do texto original sobre os laboratórios na Ucrânia “para tornar menos óbvia a discrepância entre as alegações e a documentação apresentada”, pontua o microbiólogo.

De acordo com ele, não há preocupação por parte do Estado russo de que os dados sejam verossímeis a pesquisadores russos e seus pares ao redor do mundo. “A acusação da criação de armas biológicas é urgentemente necessária, e para este momento em específico; não para daqui a seis meses e não para a comunidade internacional. Esta acusação é projetada para ter um efeito imediato sobre a sociedade russa”, destaca.

O microbiólogo afirma ainda que a carta foi lida por muitos cientistas renomados dentro da Rússia, que avaliam do mesmo modo as alegações do Kremlin e privadamente apoiam o protesto; porém, ante a proposta de participarem da divulgação aberta de tal informação, Levitin diz que a resposta mais comum foi: “E vale a pena? Se uma mentira tão óbvia quanto esta continuar a ser levada a sério, eles podem até pensar que haja realmente algo lá… mas isto não passa de um evidente absurdo”.


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INQUÉRITO DAS FAKE NEWS LEVA ALEXANDRE DE MORAIS AO SENADO

 


Parlamentares reúnem assinaturas para votar convite a Alexandre de Moraes para debate no Senado
Por
Gazeta do Povo

O Supremo Tribunal Federal realiza sessão solene de abertura do Ano Judiciário de 2019. Na foto, oministro Alexandre de Moraes.

| Foto: José Cruz/Agência Brasil

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) informou nesta sexta-feira (1.º) que já foram reunidas 29 assinaturas para levar ao plenário da Casa Legislativa a votação do requerimento sobre um convite ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar de um debate no Senado em relação aos chamados inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos. O número mínimo necessário para que o Requerimento n. 242/2022 seja levado ao plenário do Senado é de 27 assinaturas.

De acordo com informações contidas no requerimento, os parlamentares almejam que Moraes participe de uma Sessão de Debates para que esclareça “questões atinentes aos inquéritos nº 4.828 e nº 4781, que investigam respectivamente a promoção de atos antidemocráticos e o uso de fake news para atacar membros do Judiciário, ambos da relatoria do Eminente convidado”.

Mas, para que o requerimento seja votado no plenário, ele terá de ser colocado na pauta pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A expectativa de Girão é de que a deliberação ocorra já na próxima terça-feira (5), mas a decisão cabe a Pacheco. A votação será simbólica.

“Deve-se reconhecer como inadmissível a atitude de pessoas que pregam o fechamento do STF, do Congresso Nacional, a ameaça aos seus membros, e de outras instituições que dão suporte à democracia. As manifestações promovidas pelo País com esta agenda irresponsável e antidemocrática devem merecer o repúdio das pessoas de bem que aspiram um país melhor. Porém, as sanções devem seguir o rito regular do ordenamento jurídico vigente, respeitando as competências dos órgãos segundo os desígnios constitucionais.

Nessa toada, a instauração do inquérito nº 4781 aberto de ofício por decisão do Ministro Dias Toffoli, foi uma clara violação dos mais básicos ditames que regem o devido Processo Legal no âmbito do seu regular sistema acusatório. Na prática, a mais alta Corte de Justiça passou a ser a “vítima, o investigador e o juiz” no caso, já que vai decidir sobre fake news, ataques e ofensas a ele próprio. Nesse festival de irregularidades, que não coadunam com o Direito Positivo e com o próprio Estado democrático de Direito pátrio, cabe ao Ministério Público a iniciativa exclusiva para promover a ação penal pública na forma da lei, porém tal órgão acusatório foi, na prática, impedido de exercer seu múnus público”, afirmam os senadores no requerimento.

“O brasileiro está muito indignado com tudo o que está acontecendo. O Senado é onde se pode, de alguma forma, cumprir a Constituição quando há excessos”, afirmou o senador Eduardo Girão à Gazeta do Povo.

Se o requerimento for aprovado, o ministro Alexandre de Moraes poderá aceitar o convite dos senadores e comparecer à Sessão de Debates; poderá aceitar e enviar um representante – um técnico do STF, por exemplo; ou ainda tem a opção de não comparecer ao Senado.


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IMIGRAÇÃO PARA USA

 

Por
Flavio Quintela – Gazeta do Povo

“Dai-me os seus cansados, os seus pobres, / As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade”, diz poema inscrito na Estátua da Liberdade.| Foto: Pixource/Pixabay

Com tudo o que vem acontecendo no Brasil, e com a recente baixa do dólar, muita gente ressuscitou os planos de emigrar para os Estados Unidos. Pensando nessas pessoas, eu estive com a advogada Andrea Bowers, do escritório Andrade Law Firm, em Orlando, especializado em processos imigratórios de todos os tipos. Agradeço a gentileza e a disponibilidade não só dela, mas de toda a equipe. Nossa conversa traz muita informação boa para quem tem se perguntado se não é hora de fazer as malas e rumar para o aeroporto.

Quando e por que o visto EB-2 passou a ser uma das principais opções dos brasileiros que buscam imigrar para os EUA?

O visto EB2-NIW é um visto analisado por dois setores: qualificações acadêmicas da pessoa (ou ela tem doutorado ou mestrado, ou um bacharelado e mais cinco anos de experiência na área) ou ela possui habilidades especiais, configuradas pelo preenchimento de três entre sete requisitos da lei que regulamenta esse visto. Isso é o que faz a pessoa se tornar elegível para pedir o EB2-NIW. Mas a grande vantagem desse visto é a pessoa conseguir um visto de trabalho que leva ao Green Card sem precisar de uma oferta formal de emprego. Tem sido cada vez mais difícil conseguir um empregador disposto a patrocinar um pedido de visto imigratório, e o EB2-NIW evita essa rota.

Esse visto tem se tornado comum no Brasil pelo fato de haver muitas pessoas bem qualificadas no país e ao mesmo tempo extremamente insatisfeitas com a situação da nação. Assim, pessoas com carreiras consolidadas ou credenciais acadêmicas relevantes têm como programar seu processo de imigração sem precisar de um sponsor.

O EB2-NIW ganhou ainda mais popularidade no fim de 2016, com a jurisprudência criada por uma decisão judicial conhecida como Matter of Dhasanar. Essa decisão estabeleceu que um indivíduo que seja elegível ao EB2 será também elegível a um National Interest Waiver (NIW), que pode ser traduzido como “Exceção de Interesse Nacional”: é a provisão mencionada acima e que livra o indivíduo da necessidade de um sponsor desde que ele prove, com evidências, que seu plano profissional tem mérito substancial e importância nacional, que está bem posicionado profissionalmente para cumprir esse plano, e que sua vinda não impactará negativamente o mercado de trabalho. O Matter of Dhasanar estabelece critérios mais objetivos para aferir se a proposta profissional do aplicante se encaixa ou não nesses requisitos. Ele estabelece, por assim dizer, um tripé sobre o qual se dará a aprovação do caso, com exemplos elucidativos. Por exemplo, ele diz que um empreendimento local pode ter importância nacional, que importância nacional não implica necessariamente em importância econômica etc.

“Tem sido cada vez mais difícil conseguir um empregador disposto a patrocinar um pedido de visto imigratório, e o EB2-NIW evita essa rota.”

Andrea Bowers, advogada especializada em processos de imigração e obtenção de visto norte-americano.
Há tantos brasileiros pedindo o EB2-NIW que em algum momento a imigração vai acordar e fazer algo para dificultar esse processo. Isso é verdade ou não passa de lenda?

Eu acredito que não haja discriminação de nacionalidade no processamento dos pedidos. O que nós já notamos é uma diferença no nível de exigência dos agentes dependendo de quem é o advogado ou a firma que está cuidando do processo. Por isso, é muito importante que a pessoa que deseja contratar um advogado de imigração investigue a reputação do advogado ou escritório, verificando se o profissional é realmente licenciado para trabalhar. Tem de perguntar o número do BAR e o estado em que o profissional é licenciado, e com isso é possível ver se há muitas reclamações contra ele.

Houve mudança significativa de política de imigração do governo Trump para o governo Biden?

A política interna determina muita coisa dentro da imigração. O que a gente vê é que nesta administração me parece que estão sendo bem mais minuciosos na apreciação de qualquer tipo de pedido. Da minha perspectiva – não estou lá dentro e não sei o que está sendo implementado em termos de regulamento interno –, na época do Trump havia uma flagrante intenção de eliminar alguns tipos de processos, como o do asilo e de Green Card por família, e havia alguns erros crassos e abusos gritantes nas análises dos processos. Nesta administração, parece haver uma intenção política no sentido de criar mais processos para a obtenção de mais Green Cards, parece haver uma intenção política de acelerar a análise de alguns processos, mas ao mesmo tempo temos visto uma análise mais minuciosa dos casos.

Por exemplo, no processo de casamento, quando o indivíduo está aqui e trabalhou sem autorização, isso é perdoado pela lei pois se está casando com um cidadão americano. Na administração anterior e até mesmo na época do Obama, a pessoa colocava no formulário que havia trabalhado sem autorização e violado os termos do seu visto, e na entrevista esse tópico nem sequer era trazido à tona – as perguntas eram todas para comprovar que o casamento era verdadeiro, e não algo arranjado apenas para dar o visto. Nesta administração, eles começaram a perguntar ao indivíduo quando ele ou ela começou a trabalhar sem autorização. Aí, se a pessoa diz que começou a trabalhar logo que chegou aqui com um visto de turista, configura-se um outro tipo de violação, que é o falso testemunho ao agente de fronteira, lá no aeroporto, que pergunta o motivo da viagem antes de conceder a entrada. Essa violação não é perdoada e pode inviabilizar o processo de visto de casamento.

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Eu já ouvi muita gente dizendo que o agente de imigração que analisa o seu caso é alguém com formação básica de segundo grau, e que pode negar seu visto se tiver acordado com o pé esquerdo, ou de mau humor por ter brigado com o cônjuge na noite anterior. Há alguma verdade nisso?

Os processos de imigração têm um teor altíssimo de subjetividade, que vem do agente que está analisando o caso. Dependendo do processo, há graus maiores e menores de subjetividade. A decisão final, porém, não pode ser arbitrária e nem por capricho, ou seja, precisa ter uma fundamentação e informar de onde veio o critério de avaliação que gerou a resposta negativa. O que varia muito é quão duro o agente é na análise do caso e nas perguntas feitas durante as entrevistas. Quando a abordagem é mais rigorosa, o agente costuma fazer perguntas com o propósito de levantar fatos até então ocultados e que podem gerar a negação do visto.

Temos sempre de lembrar que, por sermos imigrantes, sentimos que temos o direito de receber um determinado visto se fizemos o processo da maneira correta e verdadeira. Na verdade, o visto é um privilégio, uma discricionariedade dos Estados Unidos para com o aplicante. Alguns poucos vistos têm um critério extremamente objetivo, mas a maioria depende da intenção do agente de ir mais fundo ou não na investigação do caso. Assim, por exemplo, se em um caso de EB2-NIW o agente descobrir que o aplicante possuía uma empresa aberta no país antes mesmo de se inscrever para o visto, ele pode tanto ignorar esse fato e fazer a aprovação como questionar o aplicante a respeito, para saber se a empresa tinha funcionários, se tinha outros sócios, se gerava receita, se tinha lucro, tudo com o intuito de descobrir se o aplicante usava a empresa como fachada para trabalhar sem autorização. A função dos agentes é separar quem está falando a verdade de quem está mentindo.

“Sentimos que temos o direito de receber um determinado visto se fizemos o processo da maneira correta e verdadeira. Na verdade, o visto é um privilégio, uma discricionariedade dos Estados Unidos para com o aplicante.”

Andrea Bowers, advogada

A pessoa precisa ter curso superior para conseguir um visto EB2-NIW? Isso é condição sine qua non?

Não precisa. O EB2-NIW tem a parte de habilidades especiais, que possui sete requisitos, dos quais o aplicante deve preencher três, e ao mesmo tempo mostrar que preencheu os três acima da média de seus pares. Esse requisito de preencher acima da média foi uma mudança recente no manual do EB2-NIW, e ainda não sabemos o que eles estão esperando com isso.

Os sete requisitos são: se a pessoa tem alguma formação acadêmica ou certificado na área da habilidade informada; se tem mais de dez anos de experiência em tempo integral nessa área; se tem licença para praticar a profissão; se participa de alguma organização profissional; se tem como comprovar que fez diferença notável em seu mercado de trabalho, algo que é geralmente satisfeito com as cartas de recomendação; se teve salário acima da média de seus pares; e se fez alguma coisa fora do comum em sua área, algo que ajude a demonstrar que é um profissional de destaque. Portanto, alguém que preencha três desses requisitos não precisa necessariamente ter um bacharelado.

A confusão mais comum que as pessoas fazem é pensar que você precisa ter uma formação acadêmica e mais três dos requisitos acima. Na verdade, se alguém possui um bacharelado e mais cinco anos de experiência em tempo integral, ou mestrado ou doutorado em sua área de atuação, basta que seu plano profissional contemple aqueles três requisitos dos quais falamos anteriormente para que o EB2-NIW seja concedido na parte de formação acadêmica. Alternativamente, a pessoa pode satisfazer três dos sete requisitos de habilidades especiais, caso em que também precisa que o plano profissional atenda ao tripé de requisitos.

Uma informação importante: a pós-graduação válida para a comprovação acadêmica não é lato sensu, que compreende grande parte dos MBAs de aplicação profissional e terminam com um trabalho de conclusão de curso, e sim stricto sensu, que dá os títulos de mestre e doutor e terminam sempre com uma defesa de dissertação (no mestrado) ou tese (no doutorado). A última versão do manual de EB2-NIW também privilegia as carreiras de “Stem” – Science, Technology, Engineering and Mathematics (“Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática”) –, que são consideradas de grande importância nacional.

“Alguns poucos vistos têm um critério extremamente objetivo, mas a maioria depende da intenção do agente de ir mais fundo ou não na investigação do caso. A função dos agentes é separar quem está falando a verdade de quem está mentindo.”

Andrea Bowers, advogada
Pensando na pessoa que está no Brasil, lendo esta entrevista, qual é o primeiro passo a tomar para saber se ela tem a possibilidade de tentar um desses vistos de imigração?

Consultar um advogado de imigração. Eu gosto quando os clientes chegam e já estudaram sobre o assunto. É importante pesquisar e ver outras fontes, para ter ideia do que está sendo dito. Quando entrar em contato com o advogado, precisa perguntar o número do BAR e verificar se há reclamações ou processos contra ele. Se não conhecer nenhum advogado e nem tiver uma indicação, é melhor fazer um investimento e conversar com três profissionais diferentes do que confiar logo no primeiro. A segurança do advogado, a forma da comunicação, tudo vai ajudá-lo a decidir. Se você tem uma indicação, é claro que é melhor.

Quando estiver com o advogado na consulta, o que você precisa avaliar? A pessoa tem de sentir confiança de que o advogado possui conhecimento técnico suficiente para fazer o processo. Outra coisa é entender como funciona o processo do escritório, já que os escritórios de advocacia dos Estados Unidos são bem diferentes dos brasileiros. Aqui você não tem o WhatsApp do seu advogado. Eu fui imigrante aqui, eu sei bem o que é isso. Mandava e-mail para o meu advogado e recebia uma resposta 15 dias depois. E só estive com ele duas vezes, na consulta inicial e na preparação para a entrevista. Funcionou, porque eu me valia do pessoal da recepção para me manter informada e para passar recados. Agora, se a pessoa precisa ter um contato mais próximo, se não consegue levar um processo com esse distanciamento, ela deve perguntar logo de cara como funciona o escritório. Aqui em nossa firma, se a pessoa deixa recado e tenta falar com a gente, ou eu ou a Marisol (sócia fundadora do escritório) pedimos para que seja marcada uma ligação de 15 minutos em nossas agendas. O processo de imigração pode levar anos, e é importante que o aplicante tenha algum conforto nesse tempo, pois o cliente tem dúvidas, quer saber que haverá alguém para falar quando bater a angústia da falta de resposta.
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-quintela/entrevista-imigracao-visto-trabalho-estados-unidos/
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REFORMA TRIBUTÁRIA TEM PROBLEMAS NO SENADO E NA CÂMARA FEDERAL

 

  1. Economia 

Ex-secretário da Receita, Marcos Cintra criou grupo nos bastidores para se movimentar contra a aprovação e diz que guerra entre indústria e serviços que tem marcado o debate vai atrasar o País por décadas; setor defende um pacto federativo

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2022 | 04h00

Após tantas idas e vindas, chegou a hora da verdade para a reforma tributária. Com votação prevista para a próxima semana na CCJ, no esforço concentrado do Senado, vai para o tudo ou nada depois de adiamentos recentes.

PEC 110, relatada pelo senador do PTB do Maranhão Roberto Rocha, ganhou prioridade com aval do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que ainda busca um carimbo positivo para a sua administração, marcada até agora muito mais por engavetar os projetos ruins que saíram da Câmara, como o do Imposto de Renda e o avanço do orçamento secreto.

Senado
Defensores da PEC sabem que, se a reforma passar no Senado, estaciona na Câmara Foto: André Dusek/Estadão

Na CCJ, as negociações avançaram com concessões feitas no parecer. Mas, nas últimas semanas, com a proximidade da votação, o setor de serviços vem trabalhando nos bastidores para impedir a votação, com o argumento de que é preciso um pacto federativo.

Eles reclamam que Rocha não os ouve. Ex-secretário da ReceitaMarcos Cintra criou grupo para se movimentar contra a aprovação da PEC e diz que a guerra entre indústria e serviços que tem marcado o debate vai atrasar o Brasil por décadas.

Já os defensores da PEC 110 dizem o contrário e alegam que as lideranças do setor de serviços não querem reforma nenhuma para o Brasil crescer porque seguem apostando no Simplifica Já (proposta de padronização de normas tributárias). Que não é reforma.

O script desse roteiro é o mesmo, mas os patrocinadores da PEC acham que, com as concessões feitas, foi possível afastar muitas resistências.

Foram fechados vários apoios importantes, entres eles, com o PT e o Sebrae. O Simples não vai ser afetado. Um ponto de discussão é que o senador Fernando Bezerra quer manter explicitamente o benefício fiscal da Fiat em Pernambuco, que de certa forma os negociadores avaliam que já foi atendido. Para outro entrave importante com as cooperativas, o acordo está quase pronto e deve atender às demandas do setor. Os serviços de saúde e educação terão a garantia de tratamento favorecido – com alíquota reduzida ou outro mecanismo equivalente.

Pacheco só colocará em votação na CCJ se tiver garantia de que a PEC passará no plenário logo em seguida. O momento é decisivo porque, se a votação falhar, esquece. Depois é só eleição, eleição…

Os defensores da PEC sabem que, se a reforma passar no Senado, estaciona na Câmara. Mas a votação só pelo plenário do Senado não é ruim. Fica o terreno pavimentado para ser aprovada logo no início do próximo governo. Depois, o vencedor das urnas poderá negociar mudanças no texto, e a tramitação já estará avançada. Afastando, assim, o fantasma de três décadas em que se fala de reforma tributária, e nada.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...