domingo, 27 de março de 2022

PANORAMA DA GUERRA NA UCRÂNIA

 

Ucrânia

Por
Luis Kawaguti – Gazeta do Povo

Soldados ucranianos patrulham a periferia de Kiev, capital do país| Foto: EFE/EPA/ATEF SAFADI

Após um mês de guerra, as forças russas estão dando sinais de que vão restringir suas ações a objetivos militares específicos – ao invés de atacar a Ucrânia como um todo.

Segundo a inteligência britânica, as forças russas subestimaram a capacidade de resistência ucraniana. O que havia sido planejado pelo Kremlin para ser uma guerra de movimento (blitzkrieg) parece ter se tornado um impasse. Ou seja, uma guerra de atrito marcada por cercos e bombardeios prolongados de cidades.

Por outro lado, mesmo se forem levadas em conta as estimativas mais otimistas da Ucrânia sobre baixas no inimigo, a Rússia ainda conta com aproximadamente 90% de suas forças intactas. Elas foram estimadas entre 150 mil e 200 mil tropas no início da invasão.

Além disso, há registro de que grandes quantidades de tropas russas manobram em Belarus para entrar no teatro de operações em breve.

Assim, um dos cenários mais prováveis é que a Rússia se concentre em tomar a região mais a leste do país antes de concordar com um cessar-fogo. Dessa forma, Vladimir Putin poderia clamar vitória na guerra.

Mas ainda não está claro se a tomada da capital Kiev permanece um objetivo essencial para os russos. A tentativa de conquista da cidade tem potencial para gerar um número de baixas militares e civis visto apenas nos conflitos mundiais do século XX.

Confira abaixo o que aconteceu nas principais frentes de batalha na guerra e quais são as tendências dos combates para as próximas semanas.

1) Kiev

Segundo fontes de inteligência britânicas e americanas, o objetivo inicial da Rússia era lançar um ataque surpresa para tomar a capital ucraniana. A ideia era invadir os prédios do governo e prender ou assassinar o presidente Volodymyr Zelensky.

O passo seguinte seria tomar cidades importantes, como Kharkiv, Mariupol e Odessa, e a região de Donbass. Moscou então instauraria um governo pró-Rússia e encerraria a guerra garantindo que a Ucrânia se tornaria uma zona neutra entre a fronteira russa e os países da frente oriental da Otan.

Mas isso não aconteceu. Paraquedistas russos foram lançados sobre uma base aérea de Hostomel para tomar a área e esperar a chegada da força de ataque principal, que se deslocava de Belarus, ao norte.

Uma coluna de veículos de combate russos de quase 60 quilômetros de extensão se dirigiu à capital. Mas em vez de investir diretamente contra Kiev, a coluna começou a tomar pequenas cidades da periferia. Ou seja, como o objetivo inicial de conquista rápida não foi atingido, a ideia era cercar a capital, bombardear a área e forçar uma rendição.

Uma represa do rio Dnieper foi explodida e inundou todo o subúrbio norte da cidade. A área se tornou intransponível.

As tropas russas não conseguiram cercar completamente a capital, que nunca perdeu seu flanco ao sul nem teve sua linha de suprimentos interrompida.

A guerra de movimento se tornou uma guerra de atrito – onde pequenos ganhos territoriais passaram a acontecer ao custo de muitas vidas de combatentes e civis.

Na última semana, as forças ucranianas começaram a lançar contra-ataques contra as cidades de Irpin, Bucha e Hostomel. O objetivo era afastar a artilharia russa do alcance de ataque sobre a capital.

Os russos cavaram trincheiras para resistir ao contra-ataque e investem atualmente em uma ofensiva para tentar tomar a cidade de Brovary, a nordeste da capital.

Kiev foi desde o início um objetivo político, mas de relevância militar questionável. Após um mês de guerra, as forças russas parecem estar direcionando suas atenções para regiões mais a leste do país – essas, sim, alvos militares inquestionáveis.

Não é possível afirmar se a cidade será mesmo alvo de um ataque total das forças russas nas próximas semanas.

2) Sumy

Sumy foi uma das primeiras cidades ucranianas a ser alvo de bombardeios russos. A partir dela, é possível controlar as principais rodovias que seguem do nordeste do país para a capital Kiev e as regiões leste e sul.

Devido à umidade do solo provocada pelo degelo da neve, as tropas russas estão avançando e conquistando apenas as áreas próximas às rodovias. Blindados pesados que tentaram avançar pela zona rural e de florestas acabaram atolados na lama.

Bombardeios acabaram atingindo depósitos de amônia na região. A substância química é usada em indústrias de fertilizantes. Havia o risco de uma explosão de grandes proporções (como a que ocorreu em Beirute em 2020), caso essas instalações fossem atingidas por um bombardeio direto.

Forças russas tentam no momento completar o cerco à cidade de Sumy, com o objetivo de impedir a entrada de suprimentos e reforços.

3) Kharkiv
Ex-capital soviética da Ucrânia e a segunda maior cidade do país, Kharkiv foi cenário de alguns dos piores bombardeios contra alvos civis da campanha russa até agora.

Logo no início da guerra, a explosão de um míssil na Praça da Liberdade, uma das maiores da Ucrânia, mostrou que alvos civis não seriam poupados pelos russos. Desde então, teve ruas, prédios residenciais e edifícios públicos completamente arrasados por mísseis e fogo de artilharia.

A população de 1,4 milhão de habitantes vem sendo retirada do local por meio de corredores humanitários.

A tomada da cidade é considerada de elevada importância para a concretização do plano russo de tomar a porção mais a leste da Ucrânia. De lá, a Rússia pode lançar um ataque do norte para o sul contra a região norte do território de Donbass.

4) Lugansk e Donetsk
Essas duas províncias ficam na região conhecida como Donbass, cuja porção leste foi tomada por rebeldes separatistas financiados pela Rússia em 2014.

Lá, a população ucraniana é marcada pela miscigenação com os russos. O presidente Vladimir Putin chegou a usar como justificativa para a guerra a missão de “libertar” os russos étnicos da região do domínio do governo ucraniano.

Pouco antes do início da guerra, a Rússia reconheceu Lugansk e Donetsk como repúblicas independentes da Ucrânia.

Para conter o avanço dos rebeldes para oeste, o exército ucraniano vem construindo há oito anos um sistema de fortificações ao longo de toda a região. Estima-se que a nata das forças armadas ucranianas opere na área.

Na sexta-feira (25), o vice-comandante das forças armadas russas, o general Sergei Rudskoi, afirmou que a campanha russa passará a se focar na conquista militar de Lugansk e Donetsk.

As forças russas devem tentar atacar os defensores ucranianos pela retaguarda, fazendo um movimento de “pinça” na tentativa de isolá-los.

A seção norte da pinça deve ser formada por uma força de ataque que partirá da região de Kharkiv para tomar as cidades de Izium e depois Kramatorsk.

A seção sul da pinça deve partir da região de Donetsk para tomar Hrodivka e se unir às tropas do norte na região de Kramatorsk.

Se as forças russas forem bem sucedidas, as tropas ucranianas podem ser cercadas nas regiões de Lysychansk e Sieverodonetsk.

O objetivo das tropas ucranianas é não deixar a pinça se fechar e tentar empurrar as tropas russas para fora da fronteira. Mas, se isso não for possível, não está claro se as tropas ucranianas vão abandonar suas posições (e se retrair para oeste) ou lutar até a rendição ou aniquilação total.

5) Mariupol
Mariupol é o último enclave ucraniano ainda não conquistado completamente pelos russos da região conhecida como Azov. A cidade portuária teve cerca de 80% das suas edificações destruídas pelas tropas russas – exceto pelo porto, que foi deixado intacto para o desembarque de tropas e suprimentos.

Os ataques à cidade geraram algumas das cenas mais dramáticas da guerra até agora, como o bombardeio de uma maternidade – onde grávidas foram retiradas feridas por estilhaços – e de um teatro onde mais de 1,2 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, tentavam se proteger de mísseis e de fogo de artilharia e blindados.

Acredita-se que cerca de 100 mil pessoas estejam vivendo em escombros sem comida, água e energia elétrica. Os russos ofereceram uma rota de fuga para a população em troca da rendição das tropas defensoras, mas os ucranianos não aceitaram a oferta.

Mariupol é um alvo estratégico de alto valor. Sua conquista permitiria a Moscou criar um corredor terrestre ligando o território russo e a região de Donbass à península da Crimeia, tomada em 2014.

A cidade também é um importante porto no mar de Azov. Sua conquista daria à Rússia mais um “porto quente”, cujas águas não congelam durante o inverno. Sua perda seria um golpe forte na economia ucraniana e poderia minar o moral de suas tropas.

Segundo analistas militares, a queda de Mariupol deve acontecer a curto prazo, pois tropas russas já controlam parcelas da região central da cidade.

6) Mykolayiv

Mykolayiv é considerada uma “cidade fortaleza” no sul da Ucrânia. A grande concentração de tropas e as defesas construídas na região impediram o exército russo de avançar da Crimeia para a cidade de Odessa, na fase inicial da ofensiva.

De lá está partindo o contra-ataque ucraniano para tentar retomar a cidade de Kherson – o primeiro grande centro urbano ucraniano a cair nas mãos russas. A cidade tinha uma defesa desorganizada e foi facilmente tomada por tropas russas vindas da Crimeia.

Analistas militares também acreditam que a resistência ucraniana em Mykolayiv impediu que as forças russas avançassem não só para Odessa – em uma tentativa de bloquear todo o litoral ucraniano – mas também para o norte, para tomar toda a margem oeste do rio Dnieper. Se isso tivesse ocorrido, possivelmente a Ucrânia estaria dividida em dois territórios atualmente.

7) Lviv

Lviv e outras cidades da região oeste da Ucrânia, como Lutsk e Ivano-Frankivsk, estão servindo como porto seguro para milhares de refugiados e deslocados internos.

A região é a principal rota de fuga para a Polônia, a Romênia e a Eslováquia. A ONU estima que quase 4 milhões de refugiados tenham deixado a Ucrânia e cerca de 6 milhões fugiram de suas cidades mas ainda estão em território ucraniano.

A região abriga bases de treinamento de militares e depósitos de material bélico. Por isso, já foi alvo de uma série de ataques de mísseis russos. Porém, a possibilidade de uma invasão por tropas terrestres na região é considerada remota.

Um cenário possível é que tropas de Belarus se envolvam na guerra para tentar tomar as principais ferrovias e estradas que ligam essa região a Kiev – em uma tentativa de isolar a capital.

Um mês de guerra: entenda como está a invasão russa na Ucrânia

1Kiev: Rússia tenta cercar a capital e concentra ataques por nordeste; Ucrânia tenta contra-atacar em Irpin, Bucha e Hostomel
2Sumy: Russos tentam cercar e sitiar Sumy para abrir caminho para o oeste e sul
3Kharkiv: É um dos principais alvos militares da Rússia, sua tomada permitiria que russos avançassem para a região de Donbass
4Lugansk e Donetsk: Lá estão as melhores fortificações e tropas ucranianas. Russos tentam fazer um movimento de pinça para cercar a região
5Mariupol: Cidade foi 80% destruída. Russos querem tomar toda a região para criar um corredor terrestre entre a Rússia e a Crimeia
6Mykolayiv: Fortaleza ucraniana no sul do país, essencial para defender Odessa. Ucranianos usam cidade para lançar contra-ataque e retomar Kherson
7Lviv: Oeste da Ucrânia está servindo de porto seguro para refugiados e entrada de armas vindas do Ocidente

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PREÇO DO ETANOL CAI E PODERIA SER BEM MENOR

 

Combustíveis

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo

Na semana encerrada em 19 de março, preço do etanol equivalia a 68% do preço da gasolina na média nacional.| Foto: Divulgação/Unica

Às vésperas do início da colheita da cana de açúcar, encher o tanque do carro com etanol hidratado está compensando em pelo menos quatro estados: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. É o melhor cenário para um início de safra desde 2019. Um ano atrás, usar o biocombustível não era vantajoso em nenhum estado.

Em geral, entende-se que abastecer com este combustível é mais compensador quando seu preço corresponde a menos de 70% do valor do litro da gasolina, devido à diferença da combustão no motor – esse porcentual, no entanto, pode variar para mais ou para menos, conforme o veículo.

Na média de mais de 4 mil postos pesquisados em todo o país pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana encerrada em 19 de março o preço do etanol (de R$ 4,94 por litro) equivalia a 68% do preço da gasolina (R$ 7,27). Essa relação, porém, varia conforme o local. Em regiões mais distantes de usinas de álcool, abastecer com esse combustível raramente compensa, dado o custo de transporte.

No ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o etanol foi o item que mais aumentou em uma cesta de 361 produtos e serviços que servem de base para o cálculo do IPCA, a inflação oficial. A alta para o consumidor foi de aproximadamente 62%, enquanto a gasolina subiu 47%. Segundo a analista de açúcar e etanol do Itaú BBA, Annelise Sakamoto, a alta no biocombustível em 2021 foi provocada por problemas climáticos que afetaram a safra de cana.

Neste ano, a realidade é outra. Desde o início do ano até a semana encerrada em 19 de março, o preço do etanol ao consumidor recuou 2,5% na média nacional, segundo pesquisas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No mesmo período, a gasolina subiu 10% nas bombas, em média.

O recuo dos preços do etanol era ainda mais forte até o início deste mês, quando chegou a acumular queda próxima de 9% desde 1.º de janeiro. Porém, o derivado da cana subiu de preço – devolvendo boa parte da queda anterior – após a forte alta da gasolina.


Clima prejudicou a safra passada de cana

“Tivemos muitos problemas na última safra”, diz o diretor técnico da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues. Geadas atingiram, no inverno, áreas de produção em São Paulo, Mato Grosso e Paraná. E a falta de chuva entre agosto e setembro complicou o cenário.

Os problemas climáticos contribuíram para diminuir a produtividade, que caiu para o menor nível da série histórica, iniciada na safra 2003/04. Segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), até novembro, em média, tinham sido colhidas 67 toneladas por hectare. E o volume de açúcar total recuperável por tonelada (ATR) caiu 1,4%.

Dados da Unica estimam que houve uma redução de 13,3% na moagem de cana de açúcar na safra 2021/22. A produção de açúcar caiu 16,7% e a de etanol, 8,7%. Com essa queda, a produção de etanol hidratado teve de ir para o sacrifício para que as usinas fizessem mais anidro (usado na mistura com a gasolina) e assim assegurassem o abastecimento do derivado de petróleo.


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MENDIGO DOM JUAN

 

Pessoa em situação de rua

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

O interesse pelo combo pornografia + luta de classes no caso do mendigo conquistador ressalta a devassidão real que sustenta a devassidão das ideias.| Foto: Reprodução

São muito os aspectos imorais da história que, sem trocadilho ou com trocadilho, seduziu o Brasil nesta semana: a do mendigo flagrado em ato libidinoso com uma mulher de classe média dentro de um carro. Para piorar, quem surpreendeu os dois amantes foi o marido que, à moda antiga, deu uns tabefes no Don Juan socialmente desprovido. Como sói acontecer em tempos de Grande Irmão, tudo foi devidamente filmado e expostos nas redes sociais.

O mundo cão, acho que já disse por aqui, não me interessa. Quando me vejo obrigado, por dever profissional, a prestar um pouco de atenção a ele, tento guardar uma distância intelectual, moral e olfativamente segura. O mundo cão, para mim, é como aquele vira-lata caramelo de olhos tristonhos que você acaricia apenas na imaginação, com medo de pegar pulga, sarna ou, pior ainda, raiva.

Minha colega Madeleine Lacsko já explorou bem os aspectos absolutamente repreensíveis da exploração jornalística do caso. Por um lado, trata-se a tentativa desesperada de conquistar a atenção dispersíssima dos usuários de redes sociais. Por outro, é a irresistível tentação do combo pornografia + luta de classes que mexe com o imaginário de um público acostumado a consumir o miojo-com-vina do noticiário.

Numa semana marcada pela violência pornográfica da guerra, por ministro do STF traindo desavergonhadamente princípios jurídicos e por Geraldo Alckmin expondo a impudicícia de sua ambição e a indecência de seu oportunismo político, o caso do mendigo conquistador me chamou a atenção por trazer a discussão sobre esse Zeitgeist de devassidão para o mundo muito real. (Tem muito eco nessa frase, né? Vou fingir que é intencional e dizer que é estilo).

O adultério envolvendo duas pessoas de classes sociais distintas ajudou, inclusive, a atiçar deliciosos e inócuos preconceitos que a sacanagem jurídica tenta eliminar por meio da canetada. A própria palavra “mendigo”, obrigada a pedir esmola para aparecer em textos de uns poucos cronistas politicamente incorretos, voltou à boca do povo em toda a sua glória, legando ao limbo dos ofícios, memorandos, pareceres e portarias os detestáveis “morador de rua” ou “pessoa em situação de rua”.

Da imoralidade em si também dá para se tirar alguma lição útil a uma geração acostumada à amoralidade ou, na melhor das hipóteses, ao relativismo. Era justamente isso o que Nelson Rodrigues fazia com seus contos e peças de teatro. Talvez seja o otimismo de outono (sou desses), mas vejo com bons olhos o fato de o adultério estar sendo visto pelo ridículo que é. Um ridículo que causa sofrimento e que jamais deveria ser visto como “normal” ou um vício “inerente à natureza humana”.

Isto é, apesar das décadas de romantização do personagem, Don Juan não tem nada de admirável. É um mendigo moral que pode até ser esperto e muito eficiente em seus esforços de sedução. Mas o objetivo final de um Don Juan é a satisfação de um prazer fugaz que não compensa o sofrimento causado. Ele vai dizer que “foi por amor” ou “foi pelo bem comum” ou ainda que “foi em defesa da democracia”. Mas só acredita quem já está predisposto a se deixar seduzir por explicações fáceis e doces.

Nelson Rodrigues sabia muito bem que a devassidão pequena do sexo casual feito dentro de um carro e com um mendigo é o que explica e inconscientemente sustenta a devassidão maior, a devassidão das ideias, a devassidão das corriqueiras traições políticas – e jurídicas, convém agora acrescentar. Porque no fundo as duas devassidões têm uma origem em comum: o desejo de saciar rapidamente vontades que uma consultinha rápida ao bom senso seria capaz de reprimir.


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TSE GASTA MILHÕES PARA COMBATER NOTÍCIAS FALSAS

 

Em ano de eleição, Corte faz parcerias para enfrentar problema

Alessandra Monnerat, Samuel Lima e Gustavo Côrtes, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

Em um de seus primeiros atos como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Edson Fachin determinou a criação de uma assessoria especial incumbida da gestão do Programa de Enfrentamento à Desinformação – lançado em 2019, mas que só ganhou status de permanente em agosto passado. A medida faz parte do esforço para coibir o que, hoje, são vistas por Cortes Superiores como as principais ameaças às eleições de outubro e à normalidade do processo democrático: as informações enganosas.

O grupo de trabalho é composto por sete integrantes de diferentes áreas, como direito, computação, ciência política e tecnologia de dados. A tarefa é tornar mais ativa a atuação do TSE contra mentiras, em vez de respondê-las depois que elas já tomaram a internet. 

Até outubro, quando os eleitores brasileiros irão às urnas, os tribunais regionais eleitorais deverão atualizar estruturas similares. “Todas as energias do TSE, enquanto instituição, estão voltadas à questão da desinformação e da erosão democrática por meio das fake news”, disse a secretária-geral da presidência da Corte, Christine Peter. Ela afirmou que servidores do órgão têm recebido treinamento e orientações com a ajuda de instituições aliadas do programa.

A iniciativa constituiu uma comunidade de mais de 70 organizações parceiras, como o Estadão Verifica – serviço de checagem de fatos do Estadão – e outros organismos que fazem trabalho semelhante. Empresas de telefonia, redes sociais, institutos de pesquisa e órgãos públicos também participam da coalizão. Desde dezembro, publicações no Facebook e no Instagram com conteúdo referente às eleições acompanham o “Rótulo Eleitoral”, um aviso por meio do qual internautas podem acessar as fontes oficiais com um clique. 

Resultado de uma parceria do TSE com a Meta, empresa que administra as redes sociais, o projeto levou a um aumento de dez vezes no volume de acessos ao portal da Corte em janeiro e fevereiro em relação a outubro e novembro do ano passado, antes da implementação do rótulo. De acordo com levantamento do órgão, houve 1,4 milhão de visitas ao site no primeiro bimestre. 

TSE quer ter postura ativa no combate à desinformação
‘Todas as energias estão voltadas à questão da desinformação e da erosão democrática por meio das fake news’, diz Christine Peter, do TSE.  Foto: Dida Sampaio/Estadão (07/10/2018)

Parcerias

O TSE ainda busca ampliar o número de parcerias com empresas de tecnologia. O aplicativo de mensagens WhatsApp e as plataformas Google, Twitter e YouTube também aderiram ao projeto, assim como o TikTok, uma das novidades de 2022. Até o Telegram decidiu cooperar. No último dia 18, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes chegou a determinar o bloqueio da plataforma por descumprir decisões judiciais e ignorar contatos das autoridades brasileiras. A ordem de suspensão foi revogada após o Telegram cumprir as determinações do magistrado.

Na semana passada, Fachin havia enviado novo ofício ao CEO da companhia, o russo Pavel Durov, e ao escritório de advocacia Araripe & Associados, que tem procuração da empresa no Brasil, com convite de adesão ao Programa de Enfrentamento à Desinformação. Em pronunciamento público, no mesmo dia, o ministro fez um apelo para que fosse atendido.

“Os acordos em questão propiciam subjacentemente a abertura de canais para um diálogo direto e profícuo, necessário para garantir que a transgressão generalizada e sistemática dos limites da liberdade de expressão, notadamente na senda das práticas desinformativas e disseminadoras de ódio, não comprometa a eficácia do estado de direito, por meio da demissão do direito posto.”

O esforço da Corte resultou no anúncio do TSE, feito no dia 25: “O Telegram Messenger INC assinou termo de adesão ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação no Âmbito da Justiça Eleitoral”. De acordo com o tribunal, a “parceria vai combater informações falsas sobre a Justiça Eleitoral, o sistema eletrônico de votação, o processo eleitoral e os atores nele envolvidos”.

Costurar acordos de cooperação como esse é fundamental para gerir o processo eleitoral, pois o TSE só pode implementar sanções ou medida judicial restritiva de direitos quando provocado, observou Christine Peter. “Oferecemos um incentivo à colaboração, porque ainda não temos legislação que permita atuação mais preventiva.

Aprovado pelo Senado e em trâmite na Câmara dos Deputados, o projeto de Lei das Fake News (PL 2630/2020) propõe medidas para coibir a disseminação de conteúdos de desinformação veiculados em plataformas com mais de 2 milhões de usuários. Apresentado pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), o texto prevê que redes sociais e aplicativos de mensagens devem excluir contas falsas, criadas “com o propósito de assumir ou simular identidade de terceiros para enganar o público”.

A ação seria permitida apenas em casos de páginas de humor e paródias. A proposta ainda pede a limitação do número de mensagens enviadas e remoção de conteúdos que infrinjam as leis. Críticos da proposta, por outro lado, advertem sobre o caráter vago de alguns trechos e manifestam preocupação com a liberdade de expressão e a privacidade.

‘Opinão’

Para a coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Mídia, Discurso e Análise de Redes Sociais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Raquel Recuero, as táticas de desinformação evoluíram desde as eleições de 2018 também como uma reação às medidas tomadas pelas plataformas para reduzir o alcance desses conteúdos, incluindo a suspensão de contas.

Uma das estratégias mais comuns, hoje, é a de espalhar mentiras com o verniz da “opinião” ou do “humor”, segundo ela. “A pessoa começa a dizer ‘olha, eu acho que a vacina não presta’, porque esse tipo de conteúdo problemático é mais difícil de se reconhecer e marcar (como falso nas redes sociais)”, afirmou.

A pesquisadora entende que a atuação do TSE e o trabalho de verificação ajudam a reduzir o problema da desinformação, mas não dão conta de resolvê-lo. “É preciso colaboração das plataformas e atenção dos tribunais, mas também de educação: ensinar o que é desinformação nas escolas e a pesquisar sobre aquele assunto em lugares que tenham algum fundamento”, disse Raquel.

Produtores de material enganoso driblam restrições nas redes

Pesquisadores temem pelo aumento de volume e alcance de conteúdos enganosos nas eleições de outubro. Além da proliferação de canais com milhões de seguidores em diferentes plataformas com níveis distintos de moderação, a produção desse material está mais treinada para driblar restrições e ser mais efetiva no público-alvo.

“Quem produz desinformação tem as mesmas ferramentas de análise de audiência que um veículo de comunicação usa. Eles podem testar novos modelos e dinâmicas o tempo todo”, afirmou o editor-chefe do Projeto Comprova, Sérgio Lüdtke. O Comprova reúne jornalistas de 40 veículos, incluindo o Estadão, para monitorar e investigar conteúdos suspeitos sobre eleições, políticas públicas e covid-19.

Para Lüdtke, a pandemia serviu como “pós-graduação” para agentes de desinformação que polarizaram os discursos e investiram em temas que envolvem emocionalmente os seguidores. Entram nessa lista conteúdos sobre vacinas, máscaras e isolamento social. Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a chamar de “infodemia” a elevada circulação de informações desencontradas sobre a covid-19.

“A desinformação começa com uma dúvida, geralmente a partir de algo que tenha certa verossimilhança. Depois, vem a fase do questionamento e a tentativa de destruir o crédito e a confiança nas fontes. Isso tudo leva a um isolamento, a um contato reduzido com o contraditório”, disse Lüdtke.

Algoritmos

Por influência, em parte, do algoritmo das plataformas, as pessoas passam a interagir em “bolhas”, onde recebem conteúdos semelhantes diariamente e formam “convicções”. A partir de certo ponto, segundo Lüdtke, não é mais necessário enviar conteúdo claramente falso para enganá-las. “Podem simplesmente lançar dúvidas, que vão servindo para confirmar crenças.”

Produtores de desinformação passaram, então, a adotar modelos simples, fáceis de se reproduzir. O “viés de confirmação”, definido pelo The Trust Project como a tendência natural das pessoas de lembrarem, interpretarem ou pesquisarem informações para confirmar hipóteses já internalizadas, ajuda a explicar o fenômeno. Para analistas, a motivação por trás da produção de ruídos passa pela perspectiva de obter lucro, via monetização de canais, mas influência política, domínio do debate e interesse em promover o caos também são apontados como incentivos à prática.

BRASIL TEM O SEGUNDO PARLAMENTO MAIS CARO DO MUNDO

 

  1. Política 

Brasil tem o segundo Congresso mais caro do mundo, atrás apenas dos EUA; maior parte do orçamento vai para salários e benefícios do Legislativo

André Shalders, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O Brasil tem o segundo Congresso mais caro do mundo, em números absolutos. Só o parlamento dos Estados Unidos – a maior economia do mundo – possui orçamento superior. É como se cada um dos 513 deputados e 81 senadores brasileiros custasse pouco mais de US$ 5 milhões por ano, o equivalente a R$ 23,8 milhões na cotação da última sexta-feira. Os dados, aos quais o Estadão teve acesso, são a conclusão de um estudo de pesquisadores das universidades de Iowa e do Sul da Califórnia e da UnB.

Numa relação com a renda média dos cidadãos, o Poder Legislativo no Brasil é o primeiro em despesas. O gasto com cada congressista corresponde a 528 vezes a renda média dos brasileiros. O segundo lugar é da Argentina. Lá, cada congressista custa o equivalente a 228 vezes a renda média local. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores compararam o orçamento dos parlamentos e congressos de 33 países, compilados pela União Parlamentar Internacional (IPU, na sigla em inglês); o Banco Mundial e o escritório do FED (o Banco Central dos EUA) em St. Louis (no Estado do Missouri).

Em 2020, o orçamento da Câmara e do Senado brasileiros somaram US$ 2,98 bilhões – ou 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Nos Estados Unidos, o valor total chegou a US$ 4,73 bilhões, o que representa apenas 0,02% de tudo que o país produziu naquele ano. O terceiro lugar em gastos totais ficou com o Japão (US$ 1,12 bilhão, ou 0,02% do PIB), seguido pela Argentina (US$ 1,1 bilhão).

Congresso Nacional
Congresso Nacional: folha de pagamento cara e extensa.  Foto: Dida Sampaio/Estadão – 23/7/2021

“Tem uma frase do professor Barry Ames, no livro The Deadlock of Democracy in Brazil (O impasse da democracia no Brasil), segundo a qual a tragédia do sistema político brasileiro não é que ele beneficie as elites, e sim que ele beneficia a si próprio”, diz o pesquisador Luciano de Castro, que é professor associado na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. “Você tem uma situação em que o sistema político trabalha, em grande parte, para se beneficiar”, ressaltou. Além de Castro, o artigo é assinado por Odilon Câmara (Universidade do Sul da Califórnia) e Sebastião Oliveira, da Universidade de Brasília (UnB).

Câmara

Em 2022, os gastos do Legislativo brasileiro continuarão elevados. Juntos, Câmara, Senado e Tribunal de Contas da União têm R$ 14,5 bilhões de orçamento autorizado. O maior limite de gastos é o da Câmara (R$ 6,95 bilhões), seguido pelo Senado (R$ 5,1 bilhões) e o Tribunal de Contas (R$ 2,4 bilhões) – apesar do nome, este último não é parte do Poder Judiciário, e sim um órgão de assessoria do Legislativo. O valor corresponde a pouco mais de US$ 3 bilhões, na cotação de sexta-feira.

O orçamento à disposição do Legislativo este ano é maior que o de quatro ministérios somados: Comunicações (R$ 4,2 bilhões); Meio Ambiente (R$ 3,6 bilhões); Turismo (R$ 3,5 bilhões) e Mulher, Família e Direitos Humanos (R$ 947 milhões). Também é maior que o montante disponível para o Ministério Público da União (MPU), de cerca de R$ 8 bilhões.

A maior parte do orçamento do Legislativo irá para o pagamento dos salários e benefícios de congressistas e servidores: R$ 6,43 bilhões. Só para a assistência médica e odontológica são R$ 495 milhões. O segundo maior gasto é com aposentadorias e pensões, totalizando R$ 5,5 bilhões. Além disso, Câmara e Senado dispõem de quatro superquadras residenciais inteiras em Brasília para os apartamentos funcionais: em 2022, há R$ 21 milhões reservados para a manutenção desses imóveis. Se o congressista decidir não morar num desses imóveis, pode requisitar o auxílio-moradia: são R$ 10,5 milhões reservados a esta finalidade neste ano.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=2VapRQ

Além de custar caro, a folha de pagamento do Legislativo federal é extensa, somando mais de 20 mil pessoas. Dos três órgãos, a Câmara é de longe o que possui a maior força de trabalho. Atualmente são 14.778 servidores comissionados, efetivos (concursados) e estagiários, sendo o maior grupo o dos assessores dos gabinetes (10.821), os chamados secretários parlamentares. No Senado há outros 6.132 servidores, sendo a maioria (4.121) de comissionados. Já o TCU conta com outras 831 pessoas na força de trabalho.

‘Dinheiro’

Ao Estadão, o analista político e professor da Fundação Dom Cabral Bruno Carazza disse acreditar que a origem das distorções mostradas no estudo é o fato de o Legislativo brasileiro ter a última palavra na definição do Orçamento Público – e o fato de que este poder não é sujeito a controle externo. “Os próprios parlamentares definem o Orçamento do Legislativo e também os montantes do fundo eleitoral e partidário. E como não há nenhum outro Poder para fazer o contrapeso, o que a gente observa é que esses valores estão crescendo ano após ano. Isto torna a política cada vez mais atraente: há mais dinheiro no sistema político-partidário e com controles cada vez mais frouxos”, disse.

Atualmente envolvida num estudo no Capitólio, em Washington, sobre o funcionamento do legislativo americano, a doutora em ciência política pela Syracuse University, de Nova York, Beatriz Rey avalia que seria preciso qualificar a forma como cada Congresso gasta para evitar comparações indevidas. “Como se trata de um ranking de estatística descritiva, há fatores que podem impactar esse montante de gastos nos Legislativos e que os autores não estão levando em consideração. Por exemplo: o processo orçamentário em cada um desses países é muito diferente.”

A assessoria da Câmara disse que não comenta pesquisas científicas. O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o primeiro-secretário da Câmara, o deputado Luciano Bivar (União-PE), foram procurados, mas não se pronunciaram.https://open.spotify.com/embed/episode/3zxFxnndcFLIkQtOByMr5A?utm_source=generator

Prerrogativas às quais os deputados têm direito

Cota parlamentar

Cada deputado federal tem direito a uma quantia para gastar ao longo do mês com despesas como alimentação, passagens aéreas, aluguel de veículos e divulgação do mandato (como impressão de materiais gráficos e envio de mala direta para eleitores).

Montante

O valor varia conforme o Estado – quem é de locais mais distantes recebe mais. O menor montante é o do Distrito Federal (R$ 30,7 mil) e o maior, o de Roraima (R$ 45,6 mil). O saldo não utilizado em um mês pode ser aproveitado no seguinte, mas não de um ano para o outro.

Assessores

Cada deputado dispõe de R$ 111,6 mil para contratar assessores. O número desses auxiliares pode variar de 5 a 25 profissionais, e os salários vão de R$ 1.025 a R$ 15,6 mil. A jornada é de 40 horas semanais, e os assessores podem trabalhar tanto nos gabinetes em Brasília quanto nos Estados.

Reembolso de saúde

Deputados e assessores dispõem do Departamento Médico da Câmara para atendimentos básicos nas dependências da Casa. Os deputados também podem pedir reembolsos por procedimentos médicos no valor de até R$ 135,4 mil.

Salário e aposentadoria

O salário de um deputado é de R$ 33,7 mil. Em novembro de 2019, a emenda constitucional da reforma da Previdência acabou com a aposentadoria especial para os novos deputados federais, e alterou regras para quem já está inscrito no Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC). No PSSC, a contribuição dos deputados é de R$ 5,5 mil, e a Câmara contribui com o mesmo valor.

Auxílio-moradia e imóveis funcionais

A Câmara possui 432 apartamentos funcionais distribuídos em quatro quadras residenciais de Brasília (duas na Asa Sul e duas na Asa Norte). Quem opta por não morar no apartamento funcional recebe o auxílio-moradia, no valor de R$ 4.253. Este montante pode ser pago como reembolso, mediante apresentação de um recibo; ou em espécie.

LIÇÕES PARA COLABORADORES E GESTORES

 

*Gabriel Kessler – CGO do Dialog.ci

Em 2020 e 2021 o cenário econômico global foi afetado por causa da pandemia – a qual deixou grandes lições para gestores de negócios. Para se ter uma ideia, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto) sofreu uma queda histórica de 9,7% no segundo trimestre de 2020.

Assim, as empresas tiveram que enxergar novas possibilidades de crescimento em meio a dificuldades, sendo que uma delas foi o fortalecimento da relação empresa-colaborador e da cultura organizacional.

Esses dois pontos são extremamente importantes dar esteio a empresas de todos os portes em momentos de crise. Uma lição foi a valorização da comunicação entre funcionários e gestores de forma remota e constante para evitar ruídos e desalinhamentos que pudessem interferir no desempenho das tarefas.

Abaixo, listo as 10 lições que os colaboradores aprenderam em 2021. Confira:

1. Tecnologia e equipes estruturadas têm de ter total foco no cliente e na resolução de possíveis problemas.

2. Planejamento com opções A, B e C são fundamentais para um bom andamento das corporações nesse momento de readaptação.

3. Lidar com novas gerações de colaboradores requer da liderança entendê-las e, sobretudo, as engajar. Acredito que o uso de tecnologias e formatos que se assemelham com redes sociais são boas alternativas nesse sentido.

4. Conhecer colaboradores significa também gerar e analisar métricas de alcance, absorção e engajamento.

5. Encontrar influenciadores internos é um benefício, já que todas as empresas têm alguns colaboradores que são mais “populares”. Esse colaborador pode ajudar tanto no processo de comunicação dentro da empresa, quanto engajar outros colegas.

6. Flexibilização em relação à quantidade de dias que o colaborador precisa estar presente no escritório. Hoje, o modelo híbrido é bem mais aceito no mundo corporativo e há ferramentas que contribuem para manter a cultura organizacional em pleno funcionamento.

7. O colaborador precisa conhecer diferentes setores e unidades da empresa e incentivá-lo a publicar conteúdos em canais horizontais de comunicação interna, descentralizando a função que normalmente é atribuída a um único departamento, criando uma cultura de comunicação horizontal.

8. A contratação de novos talentos para as empresas passou por uma implantação de processos realizados de forma remota no recrutamento, no onboarding e no engajamento do dia a dia.

9. Uma preparação adequada na política de trabalho remoto fez toda a diferença para desenvolver planos de contingência no gerenciamento das equipes que trabalhavam de forma remota.

10. Para finalizar, considero importante também ressaltar que a comunicação da empresa pode andar de forma integrada com o RH. As redes sociais corporativas também tornaram possível entregar métricas aos gestores de RH e ter uma visão clara do alcance, absorção e eficácia dos comunicados internos.

 A Startup Valeon reinventa o seu negócio

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para o seu comércio.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

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sábado, 26 de março de 2022

GUERRA NA UCRÂNIA COMPLETA UM MÊS

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Alemães protestam contra Vladimir Putin, em Munique| Foto: EFE

A invasão russa à Ucrânia completou um mês nesta quinta-feira (24), trazendo ao mundo mais incertezas do que desfechos. A possibilidade de um conflito breve parece ter ficado para trás e isso não é nada tranquilizador para nenhum dos envolvidos, pois todos sabem que a situação atual é insustentável. O leque de possibilidades de mudanças na guerra para os próximos dias ou semanas traz opções sombrias e uma questão latente que vai nos angustiar até que tudo termine: o Ocidente fez mesmo tudo o que podia para parar o agressor?

Essa é uma questão necessária quando se observa que as sanções impostas até aqui contra a Rússia, embora duras, pouparam em muito o setor de hidrocarbonetos, que é o coração econômico daquele país. Por óbvio, isso se deve à dependência energética que principalmente os países europeus desenvolveram em relação ao gigante do Leste nas últimas décadas.

A hesitação inicial ficou evidente com as notícias de que a Alemanha, por exemplo, decidiu só agora substituir seu fornecedor de gás, cerca de trinta dias depois da agressão à soberania de um país vizinho. O governo de Olaf Scholz anunciou ter fechado um acordo com o governo dos Estados Unidos para um aumento expressivo na importação do gás liquefeito norte-americano. Na ocasião, o governo alemão disse que as importações de petróleo da Rússia agora representam 25% do total comprado pelo país, uma queda em relação aos 35% de antes da invasão da Ucrânia. Já os volumes de importação de gás caíram de 55% para 40% e as de carvão de 50% para 25%.


Se por um lado esses números revelam reação, por outro, a forma gradativa como a diminuição da dependência ocorre expõe uma verdade dolorosa: a invasão russa à Ucrânia ainda é financiada com dinheiro europeu. As sanções não isolaram completamente o Kremlin de suas fontes de recursos estrangeiros, pois países europeus continuam comprando petróleo e gás russo, mesmo aqueles que estão sancionando autoridades russas em outras áreas econômicas. É impossível não cogitar que seja justamente esse o ponto que torna as medidas aplicadas até agora insuficientes para forçar um recuo de Putin.

Não se pretende com essa constatação subestimar as complexidades envolvidas na substituição de fornecedores internacionais de energia, mas sim jogar luz no fato de que, pelo que as informações atuais indicam, o disparo dos primeiros mísseis russos contra solo ucraniano, quando a violação da soberania se concretizou, não foi visto como suficiente para que os líderes europeus fizessem lá atrás o que estão fazendo agora, ou seja, interromper o comércio com a Rússia naquilo que seria realmente capaz de fazê-los parar. Apesar dos mortos e da crise humanitária, houve espera.

Essa demora, que já tem consequências, expõe que apesar da solidariedade expressada ao povo ucraniano, ainda há hesitação por parte do Ocidente em fazer sacrifícios que afetem suas próprias nações. Os governantes europeus parecem saber que há opções de dissuasão que não foram utilizadas até agora e que têm potencial para encerrar a guerra, mas se para isso for necessário aumentar dívidas comprando petróleo mais caro, correr o risco de passar por racionamento energético ou tomar medidas que coloquem em risco sua popularidade, então, o ímpeto solidário arrefece.

As sanções não isolaram completamente o Kremlin de suas fontes de recursos estrangeiros, pois países europeus continuam comprando petróleo e gás russo, mesmo aqueles que estão sancionando autoridades russas em outras áreas econômicas

Dada a comoção global que o sofrimento dos ucranianos despertou, com manifestações pelo fim do conflito em todos os continentes, convém refletir se tais autoridades não estariam discernindo equivocadamente, chamando de prudência o que pode ser tibieza. Se especialmente os vizinhos da Ucrânia envolvessem a sociedade num debate franco e amplo sobre o futuro do continente, a necessidade de resgatar a paz com rapidez e o quanto isso exigiria um momento de sacrifício, será mesmo que seriam rechaçados por seus cidadãos? Lembrando que estes assistem dia após dia a tragédia da guerra consumir com a vida de quem mora no país ao lado, além de conviverem com a ameaça permanente de que todo aquele horror pode, em algum momento, atravessar a fronteira.

Um movimento de tal ordem seria extraordinário, mas não pode demorar. Embora muitos analistas vejam com bons olhos o modo como os líderes ocidentais se uniram contra a Rússia agressora, a história prova que conflitos prolongados são terreno fértil para transformar convergências em fissuras, até porque as sanções também afetam quem sanciona, motivo a mais para celeridade na adoção de estratégias mais drásticas e efetivas.

Se o Ocidente esperar demais, corremos o risco de descobrir até onde Vladimir Putin pode chegar, caso a impaciência o motive a fazer algo ainda mais chocante do que a invasão em si. Estamos falando de um homem sem a menor disposição para admitir derrota, que tem 6 mil ogivas nucleares à sua disposição, um provável arsenal de armas químicas e biológicas, além do comprovado desprezo por tratados internacionais. Um golpe econômico realmente determinante, focado no setor vital do agressor, pode ser o que falta para a costura de um acordo que impeça a chegada de dias ainda piores.


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