sexta-feira, 25 de março de 2022

PRIVILÉGIOS E ALTOS SALÁRIOS PAGOS PELA PETROBRAS

 

  1. Economia 

Com poder de pressão favorecido por ‘monopólio’, petroleiros mantêm regalias que só existem na estatal e vivem situação privilegiada no País

José Fucs, O Estado de S.Paulo

Nos idos de 2015, ao se licenciar da presidência do conselho de administração da Petrobras, posto que acabaria deixando em definitivo dois meses depois, o executivo Murilo Ferreira fez um diagnóstico sinistro da estatal a um amigo.

“A Petrobras não é do acionista majoritário nem do acionista minoritário – ela é da corporação”, disse Ferreira, que também era presidente da Vale, de acordo com o site Brazil Journal. “Se eu fosse morador de Nilópolis, São Gonçalo ou da Baixada (regiões pobres do Rio, onde se situa a sede da empresa), ficaria revoltado com os privilégios que os funcionários da Petrobras conseguiram garantir para si mesmos.”

Em seguida, Ferreira tirou da carteira um cartãozinho verde e acrescentou: “Sabe o que é isso? É um cartão com o qual posso comprar o medicamento que quiser, em qualquer farmácia, pagando apenas R$ 15. Nenhuma empresa privada no Brasil tem um convênio desses. Eu nunca usei, tenho vergonha de usar.” Desolado com a sua impotência para mudar a situação, ele fechou o desabafo traçando um paralelo entre a a Vale, privatizada em 1997, e a Petrobras, símbolo maior do gigantismo do Estado no País e das benesses concedidas aos funcionários das estatais: “Na Vale, consegui tirar os carros dos diretores. Na Petrobras, não é possível diminuir qualquer coisa que a corporação não queira.”

Passados quase sete anos do diagnóstico hiper-realista feito por Ferreira, o quadro continua praticamente o mesmo. Desde que ele deixou a companhia, o País já teve mais dois presidentes da República – Temer e Bolsonaro – e a Petrobras já teve quatro comandantes diferentes, mas ninguém conseguiu até agora mexer para valer nas regalias de seu pessoal.  Quem tentou, segundo ex-executivos da empresa, tornou-se alvo de ameaças e de campanhas difamatórias promovidas pela tropa de choque da turma.

Salários generosos

Os privilégios, é certo, vêm se acumulando desde a criação da Petrobras, em 1953, no governo Vargas. Mas, conforme relatos feitos ao Estadão, foi durante os governos Lula e Dilma, quando sindicalistas assumiram o comando da área de recursos humanos, que a situação degringolou de vez. “Sempre houve privilégios na Petrobras, mas as concessões feitas naquele período agravaram muito o problema”, afirma um ex-gestor da estatal.

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Sede da Petrobras; ex-presidente do conselho da estatal afirmou que, se fosse morador de regiões pobres do Rio, ficaria revoltado com os privilégios dos funcionários.  Foto: Pilar Olivares/Reuters – 11/03/2022

Os salários, que já eram bem mais generosos do que os pagos por empresas privadas do setor petrolífero e mesmo do que os de outras estatais, também engordaram ainda mais. Entre 2003 e 2015, de acordo com dados dos sindicatos dos petroleiros, os funcionários da Petrobras tiveram um ganho real (já descontada a inflação) de 34%, sem contar os adicionais por tempo de serviço, que podem alcançar até 45% sobre o salário-base, no caso dos mais antigos. Mesmo com a perda de 5,6% registrada nos governos Temer e Bolsonaro, ainda acumulam um aumento real de 26,4%.

“Não há vantagem que não tenha um peso econômico”, diz Almir Pazzianotto, ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ex-ministro do Trabalho e advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, no ABC paulista, nos tempos em que Lula era o presidente da entidade, nos anos 1970 e 1980. “Acho razoável que haja uma certa liberalidade numa grande empresa. Agora, na Petrobras, eles foram longe demais.”

Nem o economista Roberto Castello Branco, um liberal forjado na Escola de Chicago que comandou a Petrobras de janeiro de 2019 a abril de 2021, conseguiu promover um corte significativo nos privilégios. Como apurou o Estadão, Castello Branco preferiu concentrar esforços na redução de alguns benefícios, de maior impacto nos custos, em vez de atacar tudo de uma vez, para não colocar “a massa toda”, como costumava dizer, contra ele e sua equipe.

Inadimplência

Em troca da manutenção de quase todos os “penduricalhos” no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2020-2022, ainda em vigor, a estatal conseguiu negociar com os sindicatos o “congelamento” dos salários por um ano, no auge da pandemia. Considerando que o reajuste salarial seria de cerca de 3%, conforme a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre setembro de 2019 e agosto de 2020, a medida permitiu uma redução de custos da ordem de R$ 650 milhões.

Favorecida pela Resolução 23/2018, do antigo Ministério do Planejamento, que limitava a participação das estatais no custeio de planos de saúde, a Petrobras também conseguiu incluir no ACT a elevação das contribuições dos funcionários de 30% para 40% do total em 2021 e de 40% para 50% em 2022, com um impacto no caixa de cerca de R$ 750 milhões em dois anos. Mas, no ano passado, com a aprovação de um projeto de decreto legislativo apresentado pela deputada Erika Kokay (PT-DF), o dispositivo criado no governo Temer perdeu validade e a fatia dos funcionários acabou congelada nos 40% já praticados na ocasião.

À margem do ACT, por meio de ações administrativas, a Petrobras ainda cortou 1.500 cargos comissionados – muitos dos quais haviam sido criados para abrigar apadrinhados de antigos gestores –, que ofereciam um ganho extra a seus ocupantes de até R$ 60 mil por mês. Houve também um controle maior da “indústria” de horas extras que prosperava na empresa. Um ex-executivo da Petrobras conta que havia funcionários que chegavam a receber R$ 80 mil por mês graças às horas extras contabilizadas em suas jornadas. “Eles teriam de trabalhar quase 24 horas por dia para ganhar tanta hora extra”, afirma. A companhia também endureceu o jogo com os inadimplentes do plano de saúde, que acumulavam uma pendência de R$ 280 milhões, sem perder o benefício por falta de pagamento.

Regalias

Por fim, a Petrobras conseguir cortar em cerca de 20% o número de funcionários, de 57,1 mil em 2019 para 44,9 mil em 2021, incluindo suas controladas, graças principalmente a um plano de demissão voluntária que atraiu mais de 10 mil trabalhadores que atendiam às condições estabelecidas pela empresa. Com os desligamentos, a estatal calcula que terá uma redução de custos com pessoal de R$ 18 bilhões até 2025, já deduzido o total de R$ 4 bilhões gasto com o pagamento das indenizações, que variam de R$ 400 mil a R$ 1 milhão per capita.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=20ZNYy

Todas essas medidas, porém, apesar de relevantes, não atingiram a maior parte das regalias reservadas aos funcionários da Petrobras, previstas no ACT 2020-2022. Quase todas as “jaboticabas”, como alguns ex-executivos costumam chamar os privilégios que só os funcionários da estatal têm, continuam por aí. Pelos cálculos de um ex-gestor de RH da empresa, o custo das “jaboticabas” alcança cerca de R$ 7 bilhões por ano, o equivalente a um terço do gasto total de pessoal, de R$ 21,7 bilhões em 2020.

Além do auxílio-farmácia largo, mencionado por Ferreira no início desta reportagem, os funcionários da Petrobras recebem 100% a mais por hora extra, em vez do adicional de 50% previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Enquanto os demais trabalhadores ganham um adicional de 33,33% nas férias, eles embolsam 100% a mais. Recebem também, o reembolso de até 90% dos gastos com matrículas e mensalidades escolares de filhos de até 18 anos e uma “ajuda de custo” para assistência alimentar de R$ 1.254 por mês, mais R$ 192 de vale-refeição.

‘Coisa de louco’

Nas plataformas, a jornada funciona no esquema de 14 dias de trabalho por 21 dias de folga, em vez dos 14 dias de trabalho por 14 de folga praticados pela indústria de petróleo mundo afora, de acordo com um ex-dirigente da companhia. O sistema é tão light, em sua avaliação, que há funcionários de plataformas que moram nos Estados Unidos, em Portugal e em outros países. Chegam no aeroporto do Galeão, no Rio, vão direto para o heliporto usado pela empresa em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade, passam duas semanas em alto mar e depois fazem o caminho inverso. Só voltam a trabalhar três semanas depois. Como moram fora do Rio, ainda têm um benefício adicional: o tempo gasto na viagem de ida e volta de helicóptero conta como se já estivessem trabalhando.

“É uma chuva de privilégios sem precedentes no setor privado”, diz Paulo Uebel, ex-secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia e ex-secretário municipal de Gestão de São Paulo. “O acordo coletivo da Petrobras é uma coisa de louco, diferente de tudo o que eu conheço”, afirma Pazzianotto. “Tem muita concessão para os trabalhadores, para a família dos trabalhadores, para os agregados. Tudo o que foi possível fazer foi feito para conceder uma situação privilegiada para o pessoal da Petrobras.”

Mesmo se a empresa cortasse as “jabuticabas”, os petroleiros não poderiam reclamar da vida. Pesquisas encomendadas pela Petrobras apontam que seus funcionários ganham de duas a três vezes mais do que a média paga no mercado para funções semelhantes. Um “inspetor de segurança”, responsável pela proteção das portarias, por exemplo, recebe de R$ 7 mil a R$ 8 mil por mês, enquanto no mercado a média gira em torno de R$ 2,5 mil. Como trabalha em sistema de turno, seus ganhos podem chegar, com todos os “penduricalhos”, a cerca de R$ 15 mil por mês.

Já um técnico de operação, que atua nas refinarias, recebe, em média, R$ 20 mil mensais, enquanto o valor pago no setor privado não passa de R$ 7 mil. Nos cargos de nível superior, como engenheiro, geólogo e psicólogo, a remuneração média é de R$ 25 mil por mês, podendo chegar a R$ 40 mil, dependendo do tempo de serviço, enquanto no setor privado a média fica ao redor de R$ 12 mil.

Quebra do ‘monopólio’

Segundo um levantamento divulgado recentemente pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Economia, a remuneração média dos funcionários da Petrobras atingiu R$ 25.164 por mês em 2020, o equivalente a dez vezes o ganho médio dos brasileiros, de cerca de R$ 2,5 mil, conforme dados do IBGE. A maior remuneração mensal na companhia foi de R$ 145,2 mil e a menor, de R$ 1,5 mil. Pelo estudo, que incluiu as 46 estatais de controle direto da União, o ganho médio na Petrobras, só foi menor do que no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde chegou a R$ 31 mil.

Embora os dados divulgados pela Sest tenham sido fornecidos pela própria Petrobras, a empresa agora contesta as informações e apresenta números diferentes. Em resposta a um questionamento do Estadão, a Petrobras informou que, na verdade, a remuneração média em 2020 ficou em R$ 18,6 mil por mês, enquanto a maior foi de R$ 97,7 mil e a menor, de R$ 3,3 mil. Mesmo que a retificação seja procedente, não altera muito o quadro. A remuneração média na Petrobras ainda seria equivalente a 7,5 vezes a média do País. Em vez de ocupar o segundo lugar na lista das maiores remunerações médias das estatais, a companhia ficaria na terceira posição, atrás também da Embrapa, onde o ganho médio alcançou R$ 20,2 mil em 2020.

Quando se considera o custo total de pessoal, que inclui todos os “penduricalhos” e os encargos socias e tributários, o gasto médio anual da Petrobras por funcionário atingiu R$ 449,3 mil, quase o dobro da média das estatais. Apesar de representar 10,6% de todo o efetivo das estatais, o gasto com pessoal da Petrobras foi equivalente a 20,6% do total.

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Plataforma da Petrobras em Angra dos Reis; ninguém conseguiu até agora mexer para valer nas benesses concedidas aos funcionários da estatal.  Foto: Thelma Vidales/Agência Petrobras – 29/12/2013

Na visão de Paulo Uebel, a situação só chegou a esse ponto porque a Petrobras detém o monopólio no setor de fato, embora não de direito, já que a “reserva de mercado” que a favorecia caiu oficialmente em 1997. Isso, segundo ele, dá um poder enorme para os sindicatos e possibilita a realização de greves que têm enorme impacto na vida dos cidadãos e das empresas. Uebel é favorável à privatização da Petrobras, combatida de forma feroz pelos sindicatos, mas pondera que, enquanto ela não vier, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deveria limitar a participação da empresa no mercado, nas diferentes áreas em que atua, a no máximo 60%.

Ele lembra que, nos Estados Unidos, no início do século passado, a Standard Oil, do magnata John D. Rockfeller, que detinha praticamente o monopólio no setor, foi fatiada de forma compulsória, com bons resultados. “É preciso quebrar o monopólio não só de direito, mas de fato, para que haja várias empresas competindo com a Petrobras”, diz. “Só assim será possível reduzir a força da corporação.”

Conflito de interesses

Uebel também atribui o quadro atual às decisões da Justiça do Trabalho, que garantem estabilidade no emprego para os funcionários de estatais, apesar de eles serem contratados pela CLT e poderem negociar aumentos salariais e benefícios por meio de acordo coletivo. “No poder público isso não existe: ou você tem estabilidade e só pode criar benefícios e definir reajustes salariais por meio de lei ou você não tem estabilidade e aí pode negociar tudo por meio de acordo coletivo”, afirma. “Agora, nas estatais, você tem o pior dos mundos, porque você tem estabilidade, que a Justiça do Trabalho garante, e ao mesmo tempo tem a prerrogativa de gerar benefícios por meio de acordo coletivo.”

Uma saída, para ele, seria realizar uma reforma administrativa que incluísse o corte dos privilégios existentes nas estatais, sujeitando seus funcionários aos mesmos princípios e regras da administração pública direta, inclusive em relação ao teto constitucional, hoje de R$ 39,3 mil. Uebel conta que quis incluir esse ponto no projeto de reforma administrativa que elaborou, mas não conseguiu. “O pessoal era contra. Eles falavam que as estatais precisam competir com as empresas privadas, mas isso não é verdade”, diz. “As estatais não deveriam competir com as empresas privadas. Elas teriam de existir só quando não houvesse empresa privada em atividade na mesma área.”

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Refinaria da Petrobras em Paulínia; uma saída seria o corte dos privilégios das estatais, sujeitando funcionários às mesmas regras da administração pública direta.  Foto: Paulo Whitaker/Reuters – 01/07/2017

Pazzianotto vai mais ou menos na mesma linha. Ele afirma que, se houvesse cinco refinarias privadas competindo com a Petrobras, o poder de pressão dos trabalhadores seria bem menor. “Tudo isso é resultado do nosso corporativismo, do sindicato único, da intervenção da Justiça do Trabalho”, afirma. “Agora, nada disso é definitivo. Só é definitivo o que está na Constituição e na lei.” 

Pazzianotto sugere que a Petrobras contrate “gente de fora” para conduzir as negociações trabalhistas com os sindicatos. “É uma forma de evitar possível conflito de interesses por parte advogados da empresa, que também se beneficiam do acordo coletivo ou de uma decisão favorável aos trabalhadores na Justiça.” Para justificar sua posição, ele relata o caso de um processo trabalhista envolvendo o Banco do Brasil, no qual os trabalhadores reivindicavam o pagamento de um adicional de caráter especial “que não existia”. “Como também eram parte interessada, os advogados do Banco do Brasil perdiam os prazos judiciais e não compareciam às audiências.”

Preços dos combustíveis

Os sindicatos dos petroleiros, obviamente, rejeitam a percepção de que os benefícios recebidos pelos funcionários da Petrobras sejam “privilégios” e de que o salário médio na Petrobras seja maior do que os pagos por outras empresas do setor. “A CLT é um piso”, diz o presidente do Sindipetro de São José dos Campos (SP), Rafael Prado, secretário de comunicação da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), uma dissidência à esquerda da FUP (Federação Única dos Petroleiros). “Isso não quer dizer que não seja possível negociar um acordo coletivo com melhores condições.”

Prado cita um estudo elaborado pelo economista Eric Gil Dantas, assessor da FNP, segundo o qual a Petrobras paga salários menores do que quatro das grandes petrolíferas do mundo – Shell e BP (Reino Unido), Equinor (Noruega) e Total (França). Mesmo que o estudo esteja baseado em dados comparáveis do ponto de vista financeiro, ao dividir os gastos com salários de cada companhia pelo seu número de funcionários, ele não faz a ponderação pela paridade do poder de compra de cada país, o que acaba distorcendo o resultado. No ranking dos 170 países com os maiores preços de gasolina, por exemplo, o Brasil ocupa o 89º lugar. Mas, na lista dos países com o maior custo para encher um tanque de 60 litros em relação ao salário médio mensal, aparece na quarta posição.

De acordo com Prado, os altos lucros da Petrobras justificariam os benefícios e salários recebidos pelos seus funcionários. “Isso precisa ser encarado dentro da realidade do setor de petróleo e gás. Como ele tem uma rentabilidade muito superior à média da economia, paga salários melhores aos seus funcionários”, afirma. “Isso significa que uma parte da riqueza gerada no setor fica com os trabalhadores.”

Mais uma vez, é preciso fazer uma ressalva aqui. Além dos fartos benefícios e salários pagos a seus funcionários, a Petrobras já lhes concede uma participação nos lucros a cada ano, conforme seus resultados. Oferece também um programa de bônus baseado no desempenho individual e coletivo, como muitas empresas, que é outra forma de reconhecer o papel dos trabalhadores no negócio. “Você está questionando a pequena fatia que fica com a maioria que produz a riqueza”, diz Prado. “A fatia que fica com os trabalhadores é ínfima perto do lucro que eles produzem.”

Com os preços dos combustíveis na estratosfera, a tentação de atribuir a alta aos privilégios e à remuneração generosa dos petroleiros é grande. Mas não dá para dizer, segundo ex-gestores da Petrobras, que o impacto nos preços seja significativo. O que se pode afirmar é que isso afeta a eficiência e a produtividade da companhia, assim como a capacidade de investimento e de pagamento de dividendos aos acionistas, inclusive a própria União, o que não é pouca coisa.

“Com o pré-sal e os técnicos, os ativos e a tecnologia que a Petrobras tem, ela poderia estar entre as maiores e melhores empresas de petróleo do mundo, mas não está, porque tudo isso retira a capacidade da empresa de ser produtiva”, afirma um deles. “Embora o custo de extração seja muito baixo, há uma estrutura muito pesada em cima, que é muito cara. O custo de refino também é muito caro por causa disso.” 

Como parece improvável que o presidente Jair Bolsonaro tome qualquer atitude para viabilizar a privatização da Petrobras, abrindo espaço para a redução de seus custos e a melhoria de sua competitividade, talvez ele pudesse contribuir para reduzir, desde já, as benesses conferidas aos funcionários da empresa, em vez de tentar interferir em sua política de preços. A julgar, porém, pelas suas posições em defesa de interesses corporativistas de outras categorias, tudo indica que os privilégios existentes na Petrobras vão continuar por aí até que apareça alguém disposto a enfrentar a questão de frente.

CUT RESSUSCITA AS BRIGADAS DIGITAIS

 

Redes Sociais
Militância virtual do PTTreinamento em massa feito pelo partido em 2011 será feito agora pela Central Sindical, que pretende chegar a 60 mil militantes virtuais.

Por
Madeleine Lacsko – Gazeta do Povo

| Foto: divulgação CUT

Você já deve ter ouvido nas redes sociais alguém falar nos MAVs. Talvez não tenha ideia do que sejam porque, quando surgiram, eram coisa de gente muito nerd. Eu, por exemplo. Em 2011, o PT decidiu montar os núcleos de Militância em Ambiente Virtual, MAVs. Tivesse lido a cartilha do Ibama sobre espécies exóticas invasoras, jamais teria feito isso.

Os MAVs marcam o início não da militância virtual, mas da gourmetização do militante de esquerda. Em 10 anos, ela funcionou como um caracol gigante africano. Gerou alguns bebês de Rosemary: o núcleo de identitarismo estético, o parque de areia antialérgica e os Che Guevara de apartamento. Se você tem dúvida de quem são eles, confira a cartela do bingo:

O caracol gigante africano é uma das piores espécies exóticas invasoras do Brasil. Chegou por volta da década de 1980, quando alguém do parque de areia antialérgica da sociedade teve a maravilhosa ideia de turbinar a indústria de criação de escargots no Brasil. Claro que sempre haverá mercado para escargot, como também haverá mercado para identitarismo. É praticamente o mesmo recorte socioeconômico de público alvo. Mas não é esta a questão.

O Ibama preconiza que, ao introduzir uma espécie exótica no meio ambiente, é preciso avaliar os riscos com cuidado. Até aquela época, o parque de areia antialérgica frequentava a esquerda mais para contrariar os pais, contar vantagem para a moçada e arrumar emprego em jornalismo ou publicidade.

Dentro do partido lideravam, quando muito, o movimento dos alvos de chacota. De repente, eles passaram a liderar a militância. Como só gente com mais dinheiro tinha condições de ter banda larga e tanta internet disponível à época, os militantes tradicionais ficaram de fora. Além disso, a militância gourmet tem mais dinheiro e relacionamentos, o que a colocou como prioridade na imprensa.

Recomendação do Ibama para a introdução de espécies exóticas
Se você não é da velha guarda, pergunte a alguém o que pensa da militância raiz do PT. Se for petista, vai dizer que era maravilhosa, sindical, vinda da classe trabalhadora. Se não for, provavelmente vai dizer que eram arruaceiros, exageravam, eram broncos. Mas ninguém vai te dizer que eram almofadinhas, malas e não faziam nada além de sinalizar virtude. É isso o que os MAVs fizeram pela militância de esquerda.

O caracol gigante africano teve um efeito semelhante no nosso país. O Brasil virou grande produtor e grande consumidor de escargot? Não. Mas, em compensação, temos agora, segundo o Ibama:

  1. Ameaça de extinção para as espécies nativas de caramujos
  2. Criadouros para mosquitos do gênero Aedes sp
  3. Hospedeiros intermediários de parasitas humanos e de animais domésticos para doenças como esquistossomose, fasciolose, meningite eosinofílica e angiostrongilíase abdominal.
    Deu super certo, né?

A gourmetização da CUT e o revival dos MAVs
Quando soube que a CUT é quem faria os novos MAVs, já pensei que poderia ser menos pior. Pelo menos é alguém que já pegou ônibus na vida e sabe a alegria de quitar um carnê. Inocência da minha parte. A CUT está definitivamente gourmetizada.

Dei graças a Deus porque meu pai morreu antes disso. Bancário, era defensor ferrenho do Sindicato dos Bancários do ABC, filiado à CUT. Avalia esse pessoal das Comunidades Eclesiais de Base vendo a CUT virar uma espécie de coxia de desfile do Denner (era mais fino ainda que o Clodovil e Ronaldo Ésper). O anúncio da iniciativa digital da CUT foi feito em francês.

É um jornal de militância política da França. Defende Lula no caso da última rodada de fake news, aquela da foto na lancha que seria do amigo. Era um velho da lancha aleatório, não o Lula.

Eu não tenho maturidade para ver a CUT debater este tema, ainda mais em francês. Tudo dito em francês parece sofisticado e delicado demais, eu não tenho maturidade para isso. Em francês, lixeira se diz “poubelle”. Eu não tenho nem lixo qualificado para jogar numa “poubelle”, avalia os camaradas da CUT.

E eles toparam dar entrevista para um jornal que descreve “velho da lancha” com a frase: “Sur le bateau, un homme barbu, visiblement âgé, en caleçon de bain”. É um disparate. Chega a ser desrespeito com o Lula, com a CUT, com o velho da lancha e até com o cantor Thierry.

O segundo ponto importante que me ocorreu é: sindicato não pode contribuir para campanha eleitoral nenhuma, nem com dinheiro nem com serviços ou mão-de-obra. Tem aí uma saída boa, negar que seja para campanha e dizer que é um investimento em formação digital. Nada a ver com política, mas com defesa dos ideais do sindicato.

Cantaram essa bola para mim e fui atrás. Efetivamente é o que disse o presidente da CUT, Sergio Nobre, ao jornal francês. “Os brigadistas terão a tarefa de resgatar as informações factuais nas redes sociais.  Essas brigadas também são um espaço de formação, portanto estratégicas para que a CUT dê um salto organizativo e representativo”. São as Brigadas Digitais da CUT.

“A população precisa saber de toda a destruição causada por Bolsonaro, mas também precisa de solidariedade, ajuda para resolver seus problemas urgentes e imediatos causados ​​pelo governo.  Quem está com fome, sem trabalho, sem casa para morar, sem dinheiro para o transporte público não pode discutir o amanhã, precisa de uma solução para hoje”, prosseguiu. Se você não é petista, obviamente viu aí uma possível participação do sindicato na campanha. Convenhamos, é uma linha tênue.

Resolvi então ler a cartilha que a CUT fez para as Brigadas Digitais. Será que diriam ali ter a intenção de militar por uma candidatura específica? Bem, eles disseram. Deixo a foto abaixo, mas você pode conferir a cartilha inteira neste link.

A defesa de ideias no campo digital é legítima, guiada pelos mesmos princípios que regem toda nossa vida. O problema está em outro ponto que o trecho acima mostra: colocar o proprio grupo como inerentemente bom e única chance de vitória numa jihad contra um grupo necessariamente ruim, que vai destruir tudo aquilo que você tiver. Eu fiz até um artigo mostrando como essa técnica usada pelo identitarismo e é efetiva em esgarçar o tecido social.

Quando os MAVs apareceram, pela primeira vez precisei bloquear alguém na vida. Um jornalista muito amigo há anos, gente que frequentava a minha casa. Naqueles idos de 2011, havia virado moda entre parlamentares do PT mandar assessores empurrarem repórteres da TV Globo durante transmissões ao vivo em Brasília. Eu reclamei no Twitter. O outro jornalista já lançou algo como: ah, coitadinho do repórter que contribui para o fascismo que esmaga minorias, misoginia contra a Dilma…

Na época, eu assustei. Ainda não havia visto jornalistas defendendo ataque físico contra outros jornalistas em horário de trabalho. Este tipo de comportamento acaba gerando uma reação contrária na mesma intensidade, com intenção de ser mais violenta. Presenciamos essa escalada nos últimos 10 anos.

A virulência como regra, a lama moral nas ações, o esfacelamento de princípios, o crescimento de sonsos e a alta tolerância com canalhice nos trouxeram a um ambiente político onde mal se pode respirar. Adicionar 60 mil Brigadistas Digitais da CUT a esse caldeirão será um belo de um tempero.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/madeleine-lacsko/prepare-a-paciencia-cut-ressuscita-os-mavs-militancia-virtual-do-pt/
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MARKETING DIGITAL ORIENTA O COMÉRCIO PARA CONQUISTAR CLIENTES

 

Redacaoherospark

Começar a empreender no mundo digital pode ser assustador. Mas quando se tem uma grande referência, como Conrado Adolpho, é até possível ter uma boa inspiração na hora de correr atrás do sucesso!

Não sabe quem é Conrado? Ele é simplesmente o criador do famoso método do marketing brasileiro: “Os 8Ps do Marketing Digital”. Além disso, já conquistou vários cases de sucesso, mudando a vida de muitos empreendedores no país.

Por isso, se você está querendo montar seu próprio empreendimento, conheça um pouco mais sobre Conrado Adolpho e os 8Ps do Marketing Digital e se inspire para começar a sua jornada. Boa leitura!

O que você verá:

Quem é Conrado Adolpho?

Como funciona o método 8Ps de Conrado Adolpho?

Quais são os 8ps e o que significam?

Como a Startup Valeon pode ajudar a aumentar suas vendas?

Quem é Conrado Adolpho?

Para quem ainda não conhece, Conrado Adolpho é um empresário carioca com mais de 25 anos de carreira na área de marketing digital.

Antes de conquistar o sucesso, ele fazia palestras ensinando sobre marketing digital para educar o mercado. Assim, Conrado decidiu escrever o livro “Google Marketing”, no qual coletava todas as informações abordadas nas palestras.

Mais tarde esse livro se tornou o famoso best-seller “Os 8Ps do Marketing Digital”. A partir dele, Conrado Adolpho começou a realizar cada vez mais palestras e o livro dos 8Ps ficou entre os mais vendidos do país.

Nessa trajetória, o empresário conseguiu ajudar mais de 20.000 empresas a conquistarem resultados positivos no mercado. Além disso, hoje, seu livro é utilizado como aporte teórico em grandes faculdades no Brasil e em Portugal.

Como funciona o método 8Ps de Conrado Adolpho?

O método 8Ps desenvolvido por Conrado Adolpho funciona transformando estratégias do marketing, consideradas básicas, em um formato mais acessível e de acordo com a atual realidade do mercado.

Quais são os 8ps e o que significam?

Pesquisa: os consumidores estão cada vez mais cautelosos na hora de comprar. Então, é importante conhecê-los e saber quais são suas necessidades para poder oferecer uma solução adequada.

Planejamento: consiste na organização do que foi pesquisado e entendido anteriormente. Assim, será possível definir as metas e os objetivos que se deseja atingir.

Produção: na hora de produzir conteúdos é importante abordar assuntos relacionados ao seu negócio.

Publicação: ao fazer uma publicação, o adequado é adotar estratégias de SEO. Torne seu conteúdo relevante e útil para o seu cliente.

Promoção: a criação de conteúdo é a melhor forma de promover sua empresa, assim como potencializando sua marca com anúncios pagos.

Propagação: o método de Conrado Adolpho comprova que estimular o compartilhamento das informações é uma ótima forma de atingir mais pessoas.

Personalização: personalize a comunicação com a sua persona. Esse é o diferencial para engajar e fidelizar o seu negócio.

Precisão: é a forma como são acompanhadas as métricas das estratégias lançadas e mensurado os seus resultados.

Em síntese, o método mostra a importância de identificar a persona ou representação do seu cliente ideal. Assim, é possível identificar as dores e a forma de resolver o problema do consumidor.

Como a Startup Valeon pode ajudar a aumentar suas vendas?

A Startup Valeon, assim como Conrado Adolpho, apoia a realização do sonho de vários empreendedores! Não por acaso, possuímos uma das plataformas mais completas na América Latina para quem deseja criar um negócio no mundo digital.

Vendas pela internet com o site Valeon

Você empresário que já escolheu e ou vai escolher anunciar os seus produtos e promoções na Startup ValeOn através do nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace aqui da região do Vale do Aço em Minas Gerais, estará reconhecendo e constatando que se trata do melhor veículo de propaganda e divulgação desenvolvido com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas daqui da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e conseguimos desenvolver soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

Insistimos que os internautas acessem ao nosso site (https://valedoacoonline.com.br/) para que as mensagens nele vinculadas alcancem um maior número de visitantes para compartilharem algum conteúdo que achar conveniente e interessante para os seus familiares e amigos.

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nas lojas passa pelo digital.

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quinta-feira, 24 de março de 2022

GUERRA NA UCRÂNIA PODERÁ VIRAR UMA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL

 

 Rosalia Romaniec – DW

Guerra de agressão da Rússia desperta medo generalizado de um conflito global, talvez nuclear. Não faltam os paralelos com Hitler. Quão concreto é o perigo? Deve-se combater Putin de frente ou ceder a suas ameaças?Míssil hipersônico russo © Alexander Zemlianichenko/AP/picture alliance Míssil hipersônico russo

Quando, em 13 de março, mísseis russos atingiram um centro de treinamento militar próximo à cidade ucraniana de Lviv, deixando 35 mortos, o abalo se fez sentir até na Polônia. Mais 20 quilômetros para o oeste, e a carga teria atingido território polonês e, portanto, um Estado-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Um ataque a um país da aliança é um ataque contra todos – esse é o consenso entre os parceiros. Jake Sullivan, assessor nacional de segurança do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu que o país “defenderá cada centímetro do território da Otan”.

Grande parte dos especialistas se recusa no momento a considerar uma Terceira Guerra Mundial, mas há muito está presente o temor de uma escalada nesse sentido.

“A ideia de que vamos enviar equipamento ofensivo e ter aviões e tanques e trens entrando com pilotos e tripulações americanos… isso é o que se chama Terceira Guerra Mundial, OK? Vamos deixar bem claro”, declarou Biden recentemente.

Proporcionalmente pequena é a disposição da Otan de intervir diretamente na guerra na Ucrânia, por exemplo declarando uma zona de exclusão aérea: o risco de uma confrontação com a Rússia seria grande demais, alega.

Nuclear ou não, eis a questão

Mas e se de fato se chegar a esse ponto? Uma consequente guerra mundial poderia ser travada de modo “convencional”, ou seja, sem armas atômicas, porém seria grande o perigo de ogivas nucleares também serem empregadas.

A aliança ocidental reagiria a armas atômicas táticas – lançadas em palcos de guerra delimitados, com baixo ou médio poder explosivo, fora do território da Otan – de modo diferente que a mísseis nucleares estratégicos, que têm o potencial de reduzir o mundo a cinzas, de um dia para o outro.

Enquanto para alguns analistas as ameaças nucleares do presidente russo não passam de um blefe, outros consideram o ex-agente da KGB capaz de precipitar um apocalipse nuclear.

“Putin não deve esquecer que a Otan também é uma aliança nuclear”, argumenta à DW o ex-ministro polonês do Exterior e da Defesa Radek Sikorski. “Ele sabe que não se sobrevive a uma guerra nuclear. O dia em que Putin lançar mão de uma arma atômica será o último da sua vida.”

Imagens de destruição em Hiroshima por bomba atômica dos EUA, em 1945, permanecem uma advertência à humanidade© Reinhard Schultz/imago images Imagens de destruição em Hiroshima por bomba atômica dos EUA, em 1945, permanecem uma advertência à humanidade

O historiador teuto-americano Conrad Jarausch compara a estratégia do chefe do Kremlin à de Adolf Hitler em 1939: Putin desencadeou um conflito regional e adverte o Ocidente de que “se ele reagir de modo proporcionalmente pesado, vai eclodir a Terceira Guerra Mundial”.

No entanto esse automatismo não existe, rebate Stefan Garsztecki, da Universidade Técnica de Chemnitz: “Não é preciso ocorrerem outros estágios de escalada, como em 1939 – contanto que haja oposição maciça.” Os conflitos “congelados” na Geórgia e na Moldávia provariam isso.

O cientista político e historiador acredita que a Otan deveria definir “linhas vermelhas” mais claras: “Se houver o perigo de Kiev e Odessa se transformarem num Aleppo [um dos palcos sangrentos da guerra na Síria] europeu, então será preciso considerar mais seriamente uma zona de exclusão aérea.”

“É preciso deter essa guerra de modo radical”

Um confronto originalmente regional que desencadeia um conflito global é algo que já ocorreu por diversas vezes na história mundial, lembra Sven Lange, comandante do Centro de História Militar das Forças Armadas Alemãs, em Potsdam. O melhor exemplo foi a Primeira Guerra Mundial.

Para uma guerra mundial, contudo, “a contribuição da Rússia não é decisiva”, mas sim como “as duas potências globais, isto é, os EUA e a China”, se posicionarão. Lange avalia que no momento Pequim não pode ter qualquer interesse nisso: “Creio que haverá um apoio da China à Rússia, mas não tão maciço que vá redundar num conflito imediato com os EUA.”

No Leste Europeu cresce o nervosismo, pois a guerra se aproxima cada vez mais, com ofensivas aéreas russas também no oeste ucraniano. Acumulam-se os apelos para que a Otan envie aviões de combate e feche o espaço aéreo da Ucrânia; assim como para que a Alemanha suspenda o fornecimento de energia pela Rússia, cortando essa fonte de financiamento da guerra de Putin.

Quanto mais ao leste, mais uma escalada parece iminente: “Já estamos todos nessa guerra”, declarou recentemente a escritora ucraniana Katja Petrowskaja na TV alemã. “Quem aprendeu alguma coisa com a história sabe que não existe mais possibilidade de deter essa guerra, se não agirmos de modo radical.”

© DW

Putin é o novo Hitler?

Na Alemanha, tais sugestões são recebidas antes com frieza analítica. Para o cientista político Herfried Münkler, da Universidade Humboldt, de Berlim, o mais importante é “delimitar no espaço e no tempo o conflito, para evitar que se alastre num incêndio descontrolado”.

A retórica de Petrowskaja vai no sentido contrário: “Isso pode ser compreensível diante dos horrores na Ucrânia, mas acaba resultando em se invocar uma grande guerra com palavras.” Münkler, no entanto, não vê no momento uma alternativa responsável para a forma como a Otan está agindo.

Embora o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, assegure que “um por todos, todos por um”, os impactos de mísseis hipersônicos não muito longe das fronteiras da Otan despertam medo na região. A visita do presidente americano à Polônia, na sexta-feira (25/03), visa também acalmar o flanco ocidental da aliança transatlântica.

Alguns historiadores já traçam analogias com a Segunda Guerra Mundial, sobretudo no que tange o procedimento de Vladimir Putin: assembleias populares com o fim de legitimar uma anexação, ou a invasão da Polônia pelo Exército Vermelho, em 17 de setembro de 1939, seriam “o mesmo padrão que Putin repetiu na Crimeia e no leste da Ucrânia”, segundo o cientista político Garsztecki.

“A partir de 1938, Adolf Hitler promoveu uma revisão da ordem de paz acordada na Conferência de Paris [de 1919], e Putin tenta, de modo semelhante, revisar as consequências da queda da União Soviética”, reforça Herfried Münkler.

O político polonês Sikorski chega a fazer uma comparação direta entre os dois autocratas: “Putin é como Hitler antes do Holocausto, mas depois da invasão da Polônia, em 1939.” Entretanto Münkler desaconselha tal comparação, “porque ela cria uma indubitabilidade onde ainda não há nenhuma”. Além disso, Hitler teria sido impelido por uma ideologia racial que no momento não se percebe em Putin, frisa o historiador.

Autor: Rosalia Romaniec

APÓS 30 DIAS DE GUERRA O BALANÇO É EXTREMAMENTE FAVORÁVEL À UCRÂNIA

 

 RFI

Em 30 dias de guerra na Ucrânia, Kiev afirma ter conseguido deter parcialmente o avanço russo. O exército ucraniano e as forças de defesa territorial realizaram várias contraofensivas, principalmente nos subúrbios da capital. Um mês após o início da invasão russa, especialistas militares ocidentais acreditam estar detectando cada vez mais sinais que demonstrariam a situação precária do exército russo na ofensiva – entre eles, o francês Vincent Tourret, da Fundação de Pesquisas Estratégicas.© REUTERS – ALEXEY PAVLISHAK

Em entrevista a Stefanie Schüller, da redação internacional da RFI, o pesquisador avalia que o momento atual poderia ser ideal para a Ucrânia começar a tentar recuperar territórios. “O exército russo não tem reserva operacional. Isso quer dizer que já engajou o melhor de suas tropas, a maior parte de suas tropas e que, sem mobilizar mais recursos, sem conseguir novos recrutas e soldados, não será capaz de atingir seus objetivos”, afirma.

RFI: Após um mês de combates na Ucrânia, qual é o resultado para as tropas russas?

Vincent Tourret: A avaliação é extremamente negativa para eles, porque eles não alcançaram nenhum de seus objetivos de campanha: nenhuma grande cidade ucraniana caiu, além de Kherson. A capital, Kiev, ainda está de pé. Ela ainda não está cercada. O governo ucraniano continua a assegurar a representação do seu país no exterior, a obter apoio internacional e continua a comandar as suas tropas de forma eficaz para a defesa do seu país.

As forças russas hoje se encontram lutando com falhas logísticas, desorganização no terreno, mas também no comando. Vemos os efeitos de uma ofensiva que foi confusa. Os russos se neutralizaram, eles mesmos, ao iniciar uma invasão que se mostra mal planejada.

As forças armadas russas sofreram perdas materiais, mas também perdas humanas. O Estado-maior russo tem homens suficientes para substituir soldados mortos ou feridos?

Na minha opinião, há duas respostas: primeiro, é preciso considerar a quantidade de homens que os russos de fato têm para conquistar as cidades ucranianas. Hoje, com o número de 130 mil homens engajados e perdas avaliadas em torno de 10%, é muito insuficiente para garantir o cerco e a conquista de tantas cidades. Eles não podem cercar Kiev, Kharkiv ou outras cidades e, ao mesmo tempo, sitiar Mariupol, por exemplo. E em segundo lugar, o exército russo não tem reserva operacional. Isso quer dizer que já engajou o melhor de suas tropas, a maior parte de suas tropas e que, sem mobilizar mais recursos, sem conseguir novos recrutas e soldados, não será capaz de atingir seus objetivos.

Vários especialistas internacionais, incluindo você, falam hoje de um “ponto alto” ou um “ponto de virada” para o exército russo. O que isso significa, exatamente?

O conceito de “ponto alto” é um conceito militar antigo, mas que ainda funciona. Na ofensiva, mas também na defensiva, se você não for cuidadoso, poderá deixar passar a excelência da sua eficiência. Ou seja, se você não mudar de estratégia, se continuar usando os mesmos meios, terá rendimentos decrescentes, ficará preso nas dinâmicas que lhe são desfavoráveis ​​ou que se tornarão desfavoráveis.

No caso da guerra na Ucrânia, os russos usaram seu potencial ofensivo, mas este potencial tem sido muito mal engajado. E hoje, se não fizerem uma pausa operacional – o que parecem estar fazendo justamente para se rearticular e reorganizar –, correm o risco de se tornarem extremamente vulneráveis ​​às contraofensivas ucranianas. Portanto, correm o risco de se desestabilizar.

Vimos que os ucranianos estão resistindo em vários pontos estratégicos, mas eles seriam capazes de realizar verdadeiras contraofensivas?

Desde o início do conflito, vimos que os ucranianos lideraram uma defesa admirável, muito inteligente, muito ágil. Eles se deslocam e concentram muito bem suas forças. Anteriormente, os ucranianos já haviam realizado contraofensivas em escala limitada, que eram táticas, como pudemos observar, em particular, nos arredores de Kharkiv ou Kiev, onde os ucranianos tentaram limpar as aproximações de suas cidades para não ficarem cercados.

Nos últimos dias, observamos contraofensivas em larga escala dos ucranianos. Isso mostra que eles estão bem cientes de que os russos estão em uma situação muito vulnerável. Para os ucranianos, este é provavelmente o momento mais favorável para tentar contra-atacar e recuperar o terreno perdido.

Os ucranianos têm chance de sucesso?

Os ucranianos estão sob forte pressão para reconquistar seus territórios. Eles não podem ficar paralisados, afinal, as tropas russas ainda estão na Ucrânia. Uma estagnação do conflito, com cidades ucranianas que estariam à mercê do fogo da artilharia russa e que hoje são massivamente bombardeadas pelos russos, não é sustentável.

Portanto, os ucranianos estão sob pressão para retomar esses territórios, uma pressão tão importante, também, por desempenhar um papel fundamental na sua capacidade de negociar com a Rússia. O governo ucraniano sabe que, se quiser fazer valer suas demandas junto às autoridades russas, para ser levado a sério, deve ser capaz de mostrar não apenas que o exército ucraniano pode impedir o avanço das forças russas, mas também pode infligir algumas derrotas realmente grandes e decisivas sobre eles.

O risco que percebemos é que a clara superioridade dos russos permaneça em todo o segmento pesado, como aviação, mísseis, artilharia. Em termos de poder de fogo, os russos estão bem à frente dos ucranianos.

Em que aspectos os ucranianos têm vantagens?

Na defesa, os ucranianos podem se dispersar, eles conhecem o terreno. Eles podem, portanto, compensar sua inferioridade tecnológica, quantitativa e qualitativa com o terreno, com determinação, inteligência e agilidade. Por outro lado, quando eles se movem para a posição contraofensiva, eles têm que correr riscos muito maiores e tornam-se mais vulneráveis ​​aos contra-ataques dos russos.

Existe, portanto, um risco real de que o exército ucraniano acabe com suas forças com contraofensivas excessivas. No entanto, os ucranianos sabem que este é, de fato, um momento favorável para contraofensivas, porque os russos são desorganizados, têm grandes problemas. Então, talvez seja hora de se aproveitar dessas fraquezas. Mas é preciso cuidado, porque as forças ucranianas também estão desgastadas pelos combates. Elas também não podem se dispersar neste momento.

Nesse contexto, como seria o fim do conflito?

A chance de qualquer resolução rápida deste conflito já acabou há muito tempo. Hoje, caminhamos para uma intensificação do conflito. Haverá cada vez mais violência. Mas sobre o final da guerra, prefiro não dizer nada. Seria realmente imprudente de minha parte.

VINGANÇA CONTRA A LAVA JATO DESESTIMULA O COMBATE À CORRUPÇÃO

 


Por
Gazeta do Povo

Procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, durante entrevista no estúdio do jornal Gazeta do Povo

Deltan Dallagnol, ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

A Lava Jato é uma conquista do Brasil reconhecida em todo o mundo. Em mais de cinco anos de operação, a sociedade brasileira teve acesso a um verdadeiro raio-x dos meandros da corrupção no sistema político, foram devolvidos aos cofres públicos bilhões de reais desviados durante os governos petistas, empresários e políticos corruptos foram presos e condenados. Infelizmente, apesar desse passado de conquistas, desde 2018 a Lava Jato vem sofrendo derrotas sucessivas nos planos políticos e institucional. Figuras influentes que foram condenadas têm obtido vitórias espantosas nas instâncias superiores da Justiça, não raro graças a julgamentos repletos de falhas, baseados em convenientes mudanças de jurisprudência, na morosidade do sistema de justiça criminal ou em provas obtidas de maneira fraudulenta. Em 2021, a operação foi encerrada de forma melancólica e, ao que parece, agora os corruptos partem para a desforra.

Essa é a sensação que fica diante da recente condenação de Deltan Dallagnol no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Numa decisão injusta e equivocada, o ex-coordenador da Lava Jato, foi condenado a pagar R$ 75 mil para o ex-presidente Lula devido a uma apresentação de slides feita em 2016, na qual teria ocorrido “violação da imagem e da honra”. Na ocasião, Deltan apresentou para a imprensa a justificativa da primeira denúncia contra o petista na operação, por corrupção e lavagem de dinheiro. O caso em questão era o do triplex do Guarujá (SP). No slide principal da apresentação que ficou amplamente conhecida, o nome de Lula aparecia ao centro, rodeado de termos referentes aos crimes dos quais ele estava sendo acusado ou investigado.

A defesa de Lula, que pede R$ 1 milhão de indenização, alega que, na época da denúncia do triplex, ele não era acusado do crime de organização criminosa, objeto de outra investigação que então tramitava na Justiça Federal, e que desaguaria na absolvição do petista em 2019. Esse argumento foi derrotado nas duas primeiras instâncias, mas saiu vitorioso no STJ, que desconsiderou apontamentos técnicos e a própria jurisprudência do tribunal.


Ainda que haja ressalvas provenientes de competentes juristas a respeito daquela forma de publicizar a investigação, dado o fato de que apresentações como a de Deltan não eram usuais, considerá-la ilícita é um absurdo. Além disso, é preciso enfatizar que a estratégia de comunicação usada pela Lava Jato sempre foi legítima e necessária para o engajamento da população. Não havia nenhum impedimento legal para que o Ministério Público expusesse o panorama geral sobre seu trabalho naquele momento. Na apresentação, não havia factoides. Tudo se referia a investigações efetivas e apresentá-las de forma sistemática e ampla, explicando elementos ou conceitos que poderiam ser de difícil compreensão para a imprensa, não constituía ilicitude alguma, nem afetava o curso da operação, ainda que o conteúdo fosse para além do que constaria nas acusações propriamente ditas. A linguagem usada era composta por descrições e adaptações necessárias para a melhor prestação de contas por parte de agentes públicos.

A exposição do procurador a respeito do papel de Lula nos esquemas investigados foi clara, acessível aos cidadãos e fundamentada em evidências acumuladas em mais de dois anos de trabalho. Só há e só houve “espetacularização do evento”, como alega a defesa de Lula, para quem rechaça ou rechaçava a Lava Jato como um todo, recusando-se a acreditar, de modo pertinaz, nas inúmeras revelações que a operação fez ao longo de sua atividade e preferindo crer que tudo não passava de invenção, a despeito das evidências. Para os brasileiros comuns, dotados de bom senso, não houve espetáculo algum. Na verdade, era apenas uma explicação clara do que os procuradores haviam encontrado. Algo objetivo, eficiente, mas até simples em sua forma.

Há ainda o aspecto de que o envolvimento do ex-presidente Lula, por si só, já atraía holofotes espontaneamente, afinal, tratava-se da figura política mais influente do país, o que obviamente tornava ainda mais importante o apreço à transparência por parte da Lava Jato, de modo a resguardar a própria legitimidade das investigações e torná-la, na medida do possível, imune à pressão de poderosos que se sentissem incomodados.

Essa publicização foi o que impediu – ao menos por um tempo – que sabotagens políticas ocorressem nas sombras, fazendo uso de nociva influência para prejudicar a operação. Essa também era a característica que permitia à sociedade saber das negociatas que ocorriam no submundo da estrutura estatal do Brasil, algo que não deixava de ser, de certa forma, inédito em nossa história.

No momento em que uma figura como Lula é denunciada, era impossível que o fato não tivesse grande repercussão na imprensa. Foi isso o que aconteceu e, na ocasião, mesmo que alguns nomes do mundo jurídico tenham exposto certo desconforto, não houve nenhuma reação relevante na esfera pública apontando para a ilegalidade do ato. Afinal, o caso não corria sob segredo de justiça e não havia nenhum impedimento legal para a coletiva de imprensa.

Agora, o que parece estar em curso é não só uma retaliação contra os responsáveis pela operação, mas a costura de um guarda-chuva de proteção dos poderosos, de modo que nunca mais algum grupo de procuradores tenha a “petulância” de repetir o que fez a Lava Jato. Daqui em diante, agentes públicos envolvidos em investigações de corrupção terão que avaliar bem as probabilidades de vingança por parte daqueles que hoje estão sendo presos, pois, lá na frente, em instâncias superiores, há grandes chances de os punidos serem absolvidos, independentemente da consistência das evidências.

Agora, o que parece estar em curso é não só uma retaliação contra os responsáveis pela operação, mas a costura de um guarda-chuva de proteção dos poderosos, de modo que nunca mais algum grupo de procuradores tenha a “petulância” de repetir o que fez a Lava Jato

Isso transforma o trabalho de combate ao crime numa espécie de arena reservada apenas para aqueles com disposição para o martírio, com incentivos explícitos para que não se faça nada contra quem possui recursos e poder.  Diante dessa infame caçada, quando aparecerão novamente agentes públicos dotados da coragem e do senso de missão que Deltan Dallagnol sempre teve? Quantos estarão dispostos a trocar a comodidade de uma atuação meramente burocrática por um desempenho fora do comum, motivado unicamente pelo desejo de fazer o que deve e o que o país precisa, da melhor forma possível?

Por fim, a decisão é um golpe forte não só no procurador, mas em todos os brasileiros que vibravam, até poucos anos atrás, com um país que parecia estar mudando, no qual políticos poderosos enfim eram julgados com o mesmo rigor que os cidadãos comuns. Em seu auge, a Lava Jato conquistou amplo apoio popular porque era o avanço concretizado do combate à corrupção, uma agenda pública sonhada por gerações, mas que infelizmente foi vivida por tempo curto demais.


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PT E PSDB NUNCA FORAM INIMIGOS

Falsa polarização

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Antigo adversário de Lula, o ex-governador Geraldo Alckmin se filiou ao PSB para agora se tornar vice do petista| Foto: Divulgação/PSB

O ex-governador Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB, assinou ficha de filiação o PSB nesta quarta-feira (23). Ou seja, tirou o “D”, de democrata, para acompanhar Lula, como vice, na chapa 13 para a Presidência da República. Logo Alckmim que foi adversário de Lula a vida toda.

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) escreveu em uma rede social que lamenta que a terceira via não tenha decolado, porque o Brasil não suporta mais a polarização. É que antes a gente tinha uma falsa polarização. Fingia-se que era PSDB contra PT, mas era uma ideologia só: socialista com duas faces tal qual uma moeda. Tanto é que agora estão juntos para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro nas urnas.

O presidente, já se sabe, terá como vice o general Braga Netto. Bolsonaro disse que a escolha dele não é para angariar votos, mas é para dar respaldo, costas quentes, a um segundo mandato dele. Braga Netto é garantia de pessoa de confiança, discreto, amigo de sempre e com força, poder, literalmente. Hoje, ele é ministro da Defesa, pelo menos até se desincompatibilizar no fim do mês.

Dallagnol perde no STJ
O ex-procurador Deltan Dallagnol foi condenado, por 4 a 1, na quarta turma do Superior Tribunal de Justiça, a pagar R$ 75 mil de indenização para Lula, por causa da apresentação em PowerPoint que ele fez demonstrando como funcionava a Lava Jato.

Dallagnol teve uma surpresa nesta quarta de manhã quando, segundo ele, sua esposa foi abrir a conta do banco no celular e viu a entrada de muitos créditos de gente que descobriu o CPF dele e fez transferências no Pix para ajudar a pagar a indenização. Essa é a reação do público tentando fazer Justiça.

Embora tenha servido para alertar o Ministério Público sobre manifestações espetaculosas antes de a pessoa ser condenada. O MP denuncia e ponto. E no caso, ele estava denunciando, não estava condenando. Mas, enfim, serve de lição.

Eu até imagino o Ministério Público hoje que está eivado de militâncias por aí. É como se nos Estados Unidos uma corte superior liberasse Al Capone e condenasse Elliot Ness a indenizá-lo. É mais ou menos isso que está acontecendo.

Agora eu fico preocupado porque os corruptos que devolveram mais de R$ 6 bilhões que o Ministério Público conseguiu pegar de volta, de desvios da Petrobras, podem entrar na Justiça e pedir um estorno – “queremos o dinheiro da corrupção de volta”. Esse é o perigo que a gente está correndo nessa história.

PL cresce a olhos vistos
O PL, partido ao qual se filiou o presidente da República e que vai filiar o pré-candidato a vice, general Braga Netto, hoje é a maior bancada da Câmara, graças à janela partidária. A legenda ficou com um saldo positivo de 21 deputados, com a saída de seis e a entrada de 27. Está em primeiro lugar com um total de 63 parlamentares.

Em segundo lugar vem o PT, com 54. O União Brasil, que era o maior, passou para o terceiro lugar, com 52. Em quarto lugar está o PP, que ganhou mais oito e ficou com 51, assim como o Republicanos, que também ganhou outros oito e tem agora 40. Ou seja, partidos que apoiam o presidente da República só crescem.

Agora uma coisa interessante: a Rede, esse partido que gosta de fazer barulho no Supremo Tribunal Federal, está confirmando a teoria do ministro Luiz Fux, que diz que partido que não tem voto em plenário usa o STF como o seu braço. A Rede tem só um deputado e um senador – bem barulhento, aliás.

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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...