quarta-feira, 23 de março de 2022

PROMOÇÕES AJUDAM NAS VENDAS

 

* Ísis Vasques, Diretora Executiva da Agência Ecco

Num mundo cada vez mais digital e globalizado, em que as pessoas são bombardeadas por conteúdos, fotos, textos e vídeos a todo o momento, as marcas precisam ser extremamente cuidadosas e assertivas na hora de produzirem ações para atingir o seu público-alvo. Mesmo tendo essa dificuldade em mente, campanhas e promoções seguem sendo uma das ferramentas mais poderosas na hora de reforçar ou aproximar a sua empresa ao seu cliente, alavancar os seus negócios e mostrar-se presente no mercado.

É por meio dessas ações que é possível criar um posicionamento e uma lembrança na mente dos consumidores, se moldando como uma referência para a aquisição de produtos e serviços. Porém, não é fácil se destacar ou se evidenciar no meio competitivo atual. Para que isso aconteça, o seu case precisará contar com diferenciais importantes, além de um detalhado planejamento estratégico prévio bem estruturado para que atinja os objetivos traçados.

Entre os pontos que demandam mais atenção no momento da concepção do projeto está a adequação da ação a diversos fatores fundamentais relacionados à marca. Dentre eles, é necessário estar atento e alinhado aos anseios do público-alvo e, principalmente, aos valores e propostas que a marca pretende externar a essa audiência. Esse momento de ordenamento da sua marca com o grupo-alvo é fundamental para que a sua campanha realmente atinja o engajamento esperado e reforce os valores e awareness da marca de forma coerente e compatível.

Além disso, outros fatores serão essenciais para o sucesso da promoção, tais como uma mecânica simples, uma boa e estratégica divulgação do projeto através dos meios escolhidos, seja ela feita para as mídias físicas, televisão ou redes sociais.

Outro ponto fundamental no momento de planejar, será contemplar o projeto com um alicerce criativo e que estimule o engajamento por parte do público. Isso porque a tendência mostra que as ações mais criativas são as que estimulam a participação da audiência e automaticamente reforçam a sua marca dentro do imaginário.

Nesse sentido, podemos ressaltar, por exemplo, mecânicas em que o objetivo era que o público compartilhasse um pouco de sua história, postando fotos de momentos marcantes, e percebemos que isso faz com que a participação em si já seja divertida e significativa, não tendo o prêmio como o único objetivo.

Por outro lado, da mesma forma que podemos citar diversos pontos para uma ação bem sucedida, precisamos elencar fatores que certamente influenciam negativamente um projeto. Desde uma mecânica muito complexa, ou premiação ruim, até estar em desacordo com a legislação ou socialmente. Todos são pontos básicos que não só podem simbolizar o fracasso do projeto, mas também prejudicar a credibilidade da empresa, acarretando consequências perigosas.

Por conta disso, apesar da clara importância e benefícios que uma promoção pode trazer, é importante reafirmar a necessidade de um planejamento prévio e um detalhamento criativo para que a proposta atinja o sucesso esperado e não gere um resultado contrário. Nesse sentido, é sempre aconselhável estar bem assessorado do começo ao fim dessa campanha.

                   O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?                   

Moysés Peruhype Carlech

Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”, sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de resto todas as lojas desse Camelódromo na no Site da nossa Plataforma Comercial da Startup Valeon.

Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?

Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a sua localização aí no Camelódromo? Quais os produtos que você comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu WhatsApp?

Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para ficarem passeando pelo Camelódromo, vendo loja por loja e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.

A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar pelos corredores dos camelódromos e shoppings centers, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e eficiente.  Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e aumentar o engajamento dos seus clientes.

Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer.” – Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o próximo nível de transformação.

O que funcionava antes não necessariamente funcionará no futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo aquilo que é ineficiente.

Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde queremos estar.

Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que você já sabe.

Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na internet.

Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar você para o próximo nível.

Aproveite o final do ano para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.

Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

terça-feira, 22 de março de 2022

CONGRESSO QUER INSTALAR O SEMIPRESIDENCIALISMO NO BRASIL

 

Mudanças em discussão
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília

Proposta é encampada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)| Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), instituiu um grupo de trabalho para discutir a adoção do semipresidencialismo no Brasil. Os integrantes da comissão irão debater a proposta por até 120 dias, podendo o prazo ser prorrogado por igual período.

Além disso, Lira criou um Conselho Consultivo, presidido pelo jurista Nelson Jobim e com a participação da ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie e do ex-presidente Michel Temer (MDB), que vai assessorar os deputados do grupo. A instalação do grupo foi mais um movimento de Arthur Lira no intuito de avançar com as discussões sobre as mudanças no sistema de governo do Brasil.


O presidente da Câmara passou a defender publicamente a proposta desde o começo do ano passado sob a justificativa de dar mais estabilidade para o Executivo em momentos de crises institucionais. “O Brasil vive no cai não cai, todos os presidentes ou caíram por impeachment ou responderam por impeachment”, argumentou Lira recentemente.

O grupo de trabalho será coordenado pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata sobre o semipresidencialismo e que está em tramitação no Congresso. O colegiado contará ainda com outros nove deputados de oito partidos –  Novo, PP, PV, Republicanos, PTB, PCdoB, União e Pros.

Para o tucano, no atual modelo, constrói-se um “semipresidencialismo no varejo”, com o governo tendo que manter sua base de apoio a todo custo. “A gente percebe o Brasil com crise constantemente, temos mais de 120 pedidos de impeachment. Todo esse processo é muito duro para o sistema presidencialista, especialmente para um povo que precisa de governança melhor, de um governo andando”, avalia o deputado.

Agora, o colegiado poderá realizar audiências públicas e reuniões com órgãos e entidades da sociedade civil organizada, além de ouvir profissionais, juristas e autoridades sobre o tema. De acordo com Lira, a adoção do sistema seria apenas para 2030, o que não afetaria nenhum dos pré-candidatos à Presidência que disputarão este ano, e o anteprojeto ficaria elaborado para ser votado apenas pela próxima legislatura.

Oposição reage ao grupo de trabalho criado por Lira 
A oposição, liderada pela bancada do PT, reagiu contra a instalação do grupo de trabalho criado pelo presidente da Câmara. Para os integrantes da bancada, o tema só poderia ser discutido a partir da próxima legislatura.

“O golpe vem pelas mãos do Arthur Lira. A fórmula do Arthur Lira é a de propor o semipresidencialismo e abastecê-lo com orçamento secreto”, reagiu o deputado Paulo Teixeira (SP), vice-líder do PT na Câmara.

Na mesma linha, o deputado Glauber Braga (SP), vice-líder do Psol, afirmou que há “cheiro de golpe no ar”. “Tem até conselho consultivo com Michel Temer. Na proposta existiria cargo de primeiro-ministro a ser aprovado pelo Congresso. Dizem que é só para 2030. Não dá para confiar. Com essa turma tem sempre cheiro de golpe no ar”, afirmou o parlamentar.

Relatora da reforma eleitoral aprovada pela Câmara no ano passado, a deputada Margarete Coelho (PP-PI), chegou a tratar do tema durante as discussões sobre as regras para as eleições. A medida, no entanto, acabou enfrentando resistências por parte dos parlamentares.

“A adoção do regime semipresidencialista é um desdobramento natural da nossa Constituição, que foi elaborada para um regime parlamentarista, mas os constituintes acabaram adotando o presidencialismo”, explica Coelho.

O que é o modelo do semipresidencialismo 

O semipresidencialismo, defendido por Lira, é uma mistura do modelo presidencialista atual com a flexibilidade do parlamentarismo. Neste sistema de governo, a figura do presidente da República fica mantida como nos moldes atuais, escolhido em eleições diretas. Mas introduz no cenário político o primeiro-ministro, que pode ser indicado pelo presidente eleito ou pelo Congresso. Ambas as figuras dividem as funções do poder Executivo.

Geralmente, países semipresidencialistas têm presidentes da República atuando na política externa e na chefia das Forças Armadas. O primeiro-ministro é o chefe de governo. Neste papel, ele pode, por exemplo, escolher os ministros de Estado e criar políticas econômicas. Além disso, o premiê é o responsável pela articulação política com o Legislativo. Cada país, no entanto, costuma estabelecer papéis diferentes para os presidentes.

Na França, o presidente é eleito pelo voto direto e é responsável por coordenar a política externa, comanda as Forças Armadas e intervém em crises políticas. Em Portugal, o presidente também é eleito diretamente pela população e pode dissolver o Legislativo, mas tem funções executivas mais limitadas do que o chefe de Estado da França.

Além do presidente da Câmara, a mudança conta com apoio de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. “Esse [modelo de semipresidencialismo] é a inovação que eu acho que nós devemos implementar no Brasil para 2026. Para que não haja mais nenhum interesse posto sob a mesa”, defendeu Barroso no ano passado.

Grupo do Senado discute revisão da lei do impeachment
Paralelamente, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), criou um grupo para propor mudanças na lei do impeachment, criada em abril de 1950. Neste caso, os trabalhos estão sendo coordenados pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, que, em 2016, presidiu a sessão de julgamento do Senado que determinou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

De acordo com Pacheco, a Lei 1.079/50 mostrou-se uma “fonte de instabilidade institucional” quando o “impeachment deve ser solução, e não parte de um problema nacional”. O grupo, que terá até 180 dias para concluir os trabalhos, pretende atualizar o rol de crimes de responsabilidade e propor regras mais claras sobre como e quando começa e termina o processamento de um pedido de impeachment de um presidente.

“Diversos dispositivos dessa lei não foram recepcionados pela Constituição. A intenção é que, em relação a um tema tão discutido e tão falado no Brasil, não tenhamos uma lei tão anacrônica, com mais de 70 anos de existência. A decisão sobre a redação final é do Parlamento brasileiro”, argumentou Pacheco.

Nesta sexta-feira (18), o presidente do Senado sinalizou que também considera discutir o semipresidencialismo proposto pela Câmara. “Poderemos avançar para aquilo que a Câmara tem debatido hoje. O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, tem suscitado muito isso e acho que em algum momento isso pode ser discutido, mas não agora”, avaliou Pacheco no seminário Educação e Inclusão dos Jovens no Mundo do Trabalho, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) do Paraná.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/semipresidencialismo-o-que-esta-por-tras-da-ideia-que-pode-tirar-poderes-do-presidente/?ref=foi-manchete
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SISTEMA DE EDUCAÇÃO BRASILEIRO É BASEADO NA DESCONFIANÇA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

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| Foto: Bigstock

Não existe fórmula pronta para uma boa educação. Aqui e ali, métodos, grades curriculares, disciplinas, modelos de gestão, velocidade e eficácia do ensino podem variar. Pode-se discutir quais os padrões e modelos que devem servir de referência geral para este ou aquele desafio, mas não dá para dizer que existe um único ou o melhor de todos os modos de educar uma pessoa. Por causa disso, a descentralização e a riqueza interna de variedades têm sido pilares de muitos sistemas educacionais do mundo, que deixam grande liberdade para as próprias escolas definirem na ponta a organização de seus currículos e os métodos pedagógicos a serem empregados.

No Brasil, propostas recentes de mudança no ensino têm tentado abrir o nosso sistema para essa variedade positiva. A chamada Reforma do Ensino Médio, por exemplo, estabeleceu a possibilidade de que escolas adotem vocações distintas para determinados tipos de estudante, bem mais alinhadas com os desafios do mercado de trabalho e com as aptidões de cada indivíduo. As diretrizes da nova política nacional de alfabetização também seguem os mesmos princípios, procurando fundamentar cientificamente o uso de métodos pedagógicos, para promover aqueles que demonstrem melhores resultados do ponto de vista prático.

Infelizmente, a tendência contrária, de engessamento e centralização, ainda domina a concepção de muitos políticos, gestores, ideólogos e mesmo educadores brasileiros. Na sua expressão mais recente, o afã de controle se traduziu na proposta do Sistema Nacional de Educação, aprovado pelo Senado no último dia 11, que deve seguir para a Câmara dos Deputados. O texto aprovado por unanimidade foi o substitutivo de Dário Berger (MDB-SC) ao projeto de Flávio Arns (Podemos-PR). O Projeto de Lei Complementar (PLP) 235/2019, apelidado de “SUS da educação”, deve sofrer acréscimos na Câmara, que já discute proposta análoga, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 25/19, aprovado em dezembro pela Comissão de Educação da Casa.


O que é prioridade na educação
O PLP tem sido apresentado como uma panaceia para a solução de problemas que se arrastam há décadas no ensino do país, mas parece repetir o mesmo erro de velhas soluções, combinando centralização, burocratização e desprezo pela iniciativa privada. A proposta cria uma estrutura nacional de decisões que, na prática, retira do Ministério da Educação (MEC) a função de induzir políticas de qualidade, mas também impede que prefeitos, governadores e a própria União procurem métodos inovadores de ensino. Isso seria operacionalizado por uma Comissão Tripartite formada por 15 membros titulares, divididos entre representantes da União, estados e municípios, com o MEC ocupando uma posição minoritária.

Com a aprovação do projeto no atual formato, o potencial de iniciativas locais em implementar mudanças que podem servir de case para outros municípios terminaria abafado pela voz de órgãos de atuação estritamente política. A efetividade dos sistemas escolares locais não é tomada em consideração, assim como a definição de objetivos claros em termos de aprendizagem que considerem as particularidades de cada instituição. A voz das famílias, que deveriam ser agente ativo para discussões na ponta, em contato direto com as escolas, tampouco tem sido levada em consideração. Da mesma forma, o MEC torna-se mero coadjuvante no processo de tomada de decisão.

Nesse modelo do tipo “one size fits all” (um tamanho serve para tudo), mesmo os poucos exemplos de mudança efetiva que tivemos no país nos últimos anos estariam submetidos à decisão de instâncias superiores. É o caso, por exemplo, da rede pública de ensino de Sobral (CE), que foi de uma das piores do país em 2007 para o topo do ranking em 2017 segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Isso só foi possível pela iniciativa de resolver problemas de gestão da ponta, com a incorporação de mecanismos típicos de empresas privadas, definição e acompanhamento de indicadores claros de qualidade, sistemas de monitoramento e avaliação do ensino etc. O problema é que o foco de um sistema de ensino local não necessariamente deve ser o mesmo de outro. Há municípios cujas escolas possuem problemas particulares de ordem e disciplina, com incidência forte de atuação de organizações criminosas e uso de drogas entre estudantes. Há outros que carecem de formação específica para profissionais responsáveis pela alfabetização de crianças, prejudicando o desempenho da rede de uma ponta a outra. Há sistemas em que o salário de professores é um problema significativo e outros que podem encontrar soluções para melhorar o desempenho profissional na instauração de bonificações por resultado. Em um país diverso como o Brasil, nem mesmo o aumento da quantidade de dinheiro gasto para a educação deve ser visto como um consenso, já que o Brasil gasta mais que muitos países em melhor situação nos testes internacionais.

O PLP tem sido apresentado como uma panaceia para a solução de problemas que se arrastam há décadas no ensino do país, mas parece repetir o mesmo erro de velhas soluções, combinando centralização, burocratização e desprezo pela iniciativa privada

Um sistema nacional de educação deveria contemplar a necessária descentralização, com mais liberdade de iniciativa para entes públicos e privados. Isso significa possibilitar mais flexibilidade para gestores na ponta, que são aqueles que estão mais próximos dos alunos e de suas famílias. A iniciativa privada e a sociedade civil precisam se tornar parcerias efetivas nesse processo, que pode incluir até alternativas baseadas em vouchers ou escolas “charter”. Os parâmetros de referência para mudanças precisam se assentar em indicadores claros, mecanismos de gestão que facilitem seu acompanhamento e auxílio técnico de órgãos competentes para facilitar a sua operacionalização. Da mesma forma, deve haver abertura para a inovação em termos dos conteúdos e habilidades necessários a uma nova formação, principalmente considerando a velocidade do avanço tecnológico em nossa sociedade. Educar é apostar na confiança e na capacidade que mais pessoas com a pele em jogo têm para resolver seus próprios problemas. O PLP ora em discussão na Câmara parece ir na direção contrária, desconfiando de tudo e de todos, deixando para comitês de burocratas iluminados a possibilidade de decidir sobre o destino de toda uma nação.


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AUMENTO DO PETRÓLEO FAZ AUMENTAR OS ROYALTIES DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS

 

Arrecadação

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo

Navio-plataforma FPSO Carioca no campo de Sépia, no pré-sal da Bacia de Santos.| Foto: Bram Titan/Agência Petrobras

As participações governamentais na produção de petróleo e gás natural tiveram um crescimento de 110% – ou seja, mais que dobraram – no primeiro bimestre do ano, comparativamente a igual período do ano passado. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (ANP), foram distribuídos R$ 21,02 bilhões à União, estados e municípios.

Dois fatores explicam o crescimento das participações governamentais: a disparada dos preços do petróleo e gás natural no mercado internacional, em primeiro lugar, e o aumento da produção nacional.

Em fevereiro de 2021, o barril do tipo Brent era negociado na casa dos US$ 60. O preço foi subindo nos meses seguintes e, com a guerra na Ucrânia, chegou a alcançar US$ 140 por algumas horas. Chegou a cair abaixo de US$ 100 na semana passada, com algum “alívio” vindo dos lockdowns na China, mas voltou a subir na sequência e nesta segunda-feira (21) voltou a subir com força, chegando à casa dos US$ 116.

Os preços do gás natural também estão em alta. A Rússia é o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA. Nos últimos 12 meses, o preço do milhão de BTUs variou quase 90%.

A produção média brasileira de petróleo também subiu neste início de ano. Segundo a ANP, em janeiro (dado mais recente), ela foi de 3,03 milhões de barris por dia, um crescimento de 5,55% em relação ao mesmo mês de 2022. A principal fonte de alta foi a extração marítima no pré-sal. A produção de gás teve variação positiva de 0,76%, atingindo 137 milhões de metros cúbicos diários.

Participações especiais
A principal fonte de recursos direcionados aos entes da federação foram as chamadas participações especiais, que tiveram um crescimento de 127% no comparativo entre os dois primeiros meses de 2021 e 2022. Foram liberados R$ 12,49 bilhões, segundo a ANP.

A participação especial é uma compensação financeira extraordinária – adicional aos royalties – devida pelos concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural em campos de grande volume.

Segundo a ANP, metade dos recursos das participações especiais é repassada para a União, 40% vão para os estados e 10% para os municípios. Em todo o ano passado, foram liberados R$ 39,66 bilhões, 66% mais que em 2020.


Royalties do petróleo

Outra importante fonte de recursos são os royalties do petróleo. A distribuição nos dois primeiros meses do ano foi de R$ 8,16 bilhões, 94% acima do mesmo período de 2021.

Os royalties são uma compensação financeira devida à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios beneficiários pelas empresas que produzem petróleo e gás natural. Incidem sobre o valor da produção e são recolhidos mensalmente. O cálculo leva em consideração a alíquota do campo produtor (que pode variar de 5% a 15%), a produção mensal e o preço de referencia do petróleo ou gás natural.

Dos R$ 37,8 bilhões de royalties distribuídos no ano passado, 34,5% foram para os municípios; 29,5% para a União; e 27,6% para os estados. Outros 8,4% foram para um fundo especial, destinado às unidades da federação, cujo rateio obedece às regras do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

O estado que mais ganhou, com R$ 7,8 bilhões, foi o Rio de Janeiro, onde está concentrada a maior parte da produção brasileira de petróleo e gás natural. Entre os municípios, os que mais receberam foram os fluminenses, com R$ 8,6 bilhões, com Maricá, Macaé e Saquarema no topo. Nove dos dez maiores recebedores de royalties estão no Rio de Janeiro. A exceção nessa lista é Ilhabela (SP), em sexto lugar.


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GENERAL BRAGA NETTO SERÁ VICE NA CHAPA DO BOLSONARO

Futuro vice

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

General Walter Braga Netto, atual ministro da Defesa, é favorito para compor chapa com Bolsonaro como candidato a vice-presidente| Foto: Alexandre Manfrim/Ministério da Defesa

O presidente Jair Bolsonaro indicou já estar escolhido o seu candidato a vice-presidente na disputa para a reeleição. Disse ser ele um ministro nascido em Belo Horizonte e que tem formação militar. Será, portanto, o general Walter Souza Braga Netto, que estudou no tradicional Colégio Militar de BH e que se formou na Academia Militar das Agulhas Negras de 1978 – Bolsonaro foi da turma de 1979.

Recentemente, Braga Netto foi interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, comandante militar do leste, chefe do Estado-Maior do Exército e ministro da Casa Civil de Bolsonaro no auge da pandemia, quando organizou um gabinete de crise que operou 24 horas por dia para atender aos estados, principalmente na crise de Manaus.

Hoje, ele é ministro da Defesa e uma garantia de amizade, discrição e confiança. Não é político, mas é uma garantia política, que dá respaldo, para o presidente Bolsonaro.

Lula ofende Congresso; Moro na Alemanha
Adversário de Bolsonaro nas eleições, o ex-presidente Lula disse que nunca viu um Congresso pior que o atual. Até achei estranho que um político experiente tenha resolvido ofender deputados e senadores que são cabos eleitorais de qualquer candidato à Presidência da República.

Estranho também é o candidato Sergio Moro que, em um momento de decisões e ajustes na sua chapa, esteja na Alemanha, distante, num congresso tecnológico. Estranha também foi a declaração da candidata do MDB, senadora Simone Tebet, que disse: “estamos doente de corpo e alma”. Esse “estamos”, se ela não restringir a “nós do MDB ou políticos”, subentende-se que somos todos. Mas todos estamos doentes, de alma doente? Acho que não. Assim como Lula ofendeu os políticos, ela ofende os eleitores.

Bolsonaro pega ônibus

Nesta segunda-feira (21) foi aniversário do presidente Jair Bolsonaro e ele festejou indo de ônibus de casa para o trabalho, do Palácio da Alvorada para o Palácio do Planalto.

Foi em um ônibus movido à biometano, um gás produzido a partir da decomposição de lixões e dejetos da agropecuária, e que já está sendo usado para movimentar veículos experimentais em Ribeirão Preto (SP).

É mais um pioneirismo brasileiro, que já desenvolveu o etanol, o combustível vindo da cana de açúcar, e agora vem aí o combustível criado a partir de dejetos. E num momento em que o gás de cozinha e todos os derivados de petróleo estão muito caros.

China sai ganhando

Um analista palestino falando sobre a situação do Oriente Médio em função da guerra na Ucrânia disse que eles estão descontentes com os países petrolíferos e a política de Joe Biden, presidente dos EUA, sobre o petróleo. E afirmou que a Arábia Saudita convidou o presidente chinês Xi Jinping para fazer uma visita e que eles estão pensando em vender petróleo para a China em iuane, a moeda chinesa, e não em dólar.

Ou seja, é aquilo que se previa desde o início. As posições dos Estados Unidos afastam a Rússia, seus aliados e até outros países em direção à China. A sanção é um tiro saindo pela culatra.

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SUSPENSÃO DO TELEGRAM FOI UMA VERGONHA NACIONAL

 

Rede social

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu o funcionamento do aplicativo de mensagens Telegram e só voltou atrás depois de a empresa assumir compromisso de colaborar com a Justiça brasileira.| Foto: Divulgação/Telegram

Foi mais um passo, na escalada permanente de repressão ao direito de livre expressão que o ministro Alexandre Moares conduz no STF com o seu inquérito perpétuo contra “atos antidemocráticos”. Num dia, o ministro mandou “suspender” o funcionamento no Brasil da plataforma de comunicação Telegram. No outro, mandou retirar a suspensão. No meio tempo, os responsáveis pelo Telegram, que não tem representantes no Brasil, comunicaram que estavam satisfazendo as instruções dadas pelo ministro – basicamente, retirar postagens das quais ele não gosta.

O caso do Telegram é uma vergonha – mais uma, na sucessão inevitável de vergonhas públicas trazidas por esse inquérito ilegal, abusivo e típico de ditaduras subdesenvolvidas. Diante de um Congresso Nacional que se ajoelha, e dos grandes faróis da “sociedade civil” que preferem ficar apagados, o ministro Moraes viola abertamente a Constituição a cada um dos seus despachos. Não há nada de certo na sua guerra santa para “defender a democracia”, mas poucas coisas são tão agressivamente contra a lei como sua perseguição a jornalistas de direita, ou “bolsonaristas”, ou que desagradam a ele e ao STF.

O caso mais gritante é o de Allan dos Santos, banido das redes sociais pelo ministro, e que se utilizava do Telegram para escrever a seus leitores. Allan tem sido, desde o início dessa aberração toda, a besta negra de Moraes. Está sendo processado, mas não é informado que crime teria cometido. Não dizem qual artigo do Código Penal, ou de qualquer outra lei brasileira, ele teria desrespeitado. Seus advogados não têm acesso aos autos do inquérito – e o próprio Allan não consegue informar a ninguém do que, exatamente, está sendo acusado. A única coisa clara é que virou uma ideia fixa para o ministro.

Moares está intensamente frustrado porque não consegue prender o jornalista. Ele está nos Estados Unidos – e nem a Interpol, nem as autoridades americanas, tomaram conhecimento dos pedidos oficiais de “extradição” feitos pelo ministro. É uma humilhação: a polícia internacional ignora uma ordem da Suprema Corte brasileira porque nos países democráticos onde opera não se admite a prisão de cidadãos que não cometeram crime definido em lei.

É, além disso, um dos piores momentos para quem, no Brasil, vive angustiado com ameaças à democracia, mas se cala diante da perseguição contra Allan dos Santos. Como o jornalista é uma figura detestada pela esquerda, considera-se que no seu caso a lei não se aplica; não vale, para ele, o direto constitucional à livre expressão, nem o princípio de que nenhum cidadão pode ser acusado de algo que não está previsto em lei.

O que não vale para um hoje pode não valer para outro amanhã. Ao silenciar diante do abuso serial às liberdades individuais feito pelo STF, a classe política brasileira está rifando a segurança que a democracia deveria oferecer a todos.


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MICHEL TEMER QUER PACTO NACIONAL


  1. Política
     

‘As pesquisas de hoje não são as de amanhã’, diz Temer, que aposta numa ‘coluna do meio’

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

As coisas não estão fáceis. Aliás, andam muito complicadas. É por isso que o ex-presidente Michel Temer tem sido procurado por todos os presidenciáveis, exceto o petista Lula, e defende que só há uma solução para quem se eleger presidente da República em outubro: propor um pacto nacional consistente para reconstruir as condições políticas e o País.

Um pacto com presidentes de Poderes, partidos, governadores, empresários e as frentes da sociedade civil, mas principalmente dirigido para os derrotados e seus seguidores, para o(a) eleito(a) ter condições de governabilidade, poder virar a página e escrever o futuro, depois de uma polarização tão destrutiva.

Se o ex-presidente Lula vencer, os bolsonaristas estarão em pé de guerra contra as urnas eletrônicas, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleito e o novo governo. Se o presidente Jair Bolsonaro conquistar a reeleição, os petistas vão lotar as ruas, pintar e bordar.

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Procurado pela maioria dos presidenciáveis, Michel Temer defende um pacto nacional para reconstruir as condições políticas e o País Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

“O presidente que ganhar a eleição nesse clima vai passar quatro anos atormentado, com denúncias, ameaças, pedidos de impeachment”, disse Temer ontem, em seu escritório de São Paulo. Ele ligou para o TSE sugerindo que a propaganda institucional deste ano seja focada na paz. “O Brasil precisa de paz, de pacificação. Aliás, como a Constituição determina.”

Como professor de Direito Constitucional, teoriza: “A vontade primeira é a do povo. Todo poder emana do povo e as autoridades constituídas são secundárias, não existem três Poderes, existe um, o povo. Eles são órgãos do poder, exercem funções para atender o povo”.

Já o político Temer, mais prático, condena quem insiste que a terceira via não vai dar em nada. “Isso desmotiva o eleitor, desarticula os que tentam construir uma coluna do meio, o que não é uma homenagem a um candidato, mas ao eleitor que não quer nem um nem outro (Lula e Bolsonaro).”

O ex-presidente diz que há “uma grande intranquilidade” e aponta um dos grandes problemas da polarização: “Todo mundo vota contra, não a favor de alguma coisa. O próprio voto do Bolsonaro foi contra Lula, como o de Lula agora é contra Bolsonaro”.

Segundo Temer, “ainda há muita indefinição na eleição”. “As certezas de ontem já não são certezas hoje. As pesquisas de hoje refletem hoje, não amanhã.” Pode haver surpresas? Ele: “Claro!”.

Uma pulga atrás da orelha: será que Temer, 81 anos, sonha em ser a “coluna do meio”? Medindo as palavras, ele diz que, daqui e dali, falam nisso e ele desconversa: “Se a eleição fosse aqui (onde a ideia surge), quem sabe? Mas um presidente precisa de 60 milhões de votos. Com oito, nove candidatos? É muito difícil”. 

COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

 

O PLANO B DE PUTTIN É INUNDAR A UNIÃO EUROPEIA DE REFUGIADOS

 

Leia artigo de Thomas Friedman

Estratégia do Kremlin se opõe ao ‘plano A’ de Zelenski e Biden: fazer a Ucrânia resistir em uma espécie de ‘empate militar’ com os russos

NEW YORK TIMES – Após um mês confuso, agora está claro quais estratégias estão sendo jogadas na Ucrânia: estamos observando o plano B de Vladimir Putin versus o plano A de Joe Biden e Volodmir Zelenski. Esperemos que Biden e Zelenski triunfem, porque o plano C de Putin é realmente assustador – e eu nem quero escrever o que temo ser seu plano D.Leia tambémTribunal russo chama empresa-mãe do Facebook e do Instagram de organização extremista e a proíbe

Não tenho nenhuma fonte secreta no Kremlin, apenas a experiência de ter visto Putin operar no Oriente Médio por muitos anos. Assim, parece óbvio para mim que Putin, tendo percebido que seu plano A falhou – a expectativa de que o Exército russo marcharia para a Ucrânia, decapitaria sua liderança “nazista” e esperaria que o país caísse pacificamente nos braços da Rússia – mudou para seu plano B.

O plano B é que o Exército russo atire deliberadamente contra civis ucranianos, prédios de apartamentos, hospitais, empresas e até abrigos antiaéreos – tudo isso aconteceu nas últimas semanas – com o objetivo de encorajar os ucranianos a fugir de suas casas, criando uma crise de refugiados dentro da Ucrânia e, ainda mais importante, dentro das nações vizinhas da Otan.

Bombeiro apaga fogo em prédio atingido pela artilharia russa em Kiev, na Ucrânia

Bombeiro apaga fogo em prédio atingido pela artilharia russa em Kiev, na Ucrânia Foto: AP / AP

Um mar de refugiados no leste

Putin, suspeito, está pensando que, se não puder ocupar e manter toda a Ucrânia por meios militares e simplesmente impor seus termos de paz, o melhor passo seguinte seria conduzir 5 ou 10 milhões de refugiados ucranianos, principalmente mulheres, crianças e idosos, para a Polônia, Hungria e Europa Ocidental – para criar ônus sociais e econômicos tão intensos que esses Estados da Otan acabarão pressionando Zelenski a concordar com quaisquer termos que Putin exija para parar a guerra.

Putin, provavelmente, espera que, embora esse plano envolva cometer crimes de guerra que possam deixar ele e o Estado russo párias permanentes, a necessidade de petróleo, gás e trigo russos – e da ajuda da Rússia para lidar com questões regionais como o iminente acordo nuclear com o Irã – logo forçariam o mundo a voltar a fazer negócios com o “Bad Boy Putin”, como sempre fez no passado.

O plano B de Putin parece estar se desenrolando como planejado. A agência de notícias France-Presse informou de Kiev no domingo: “Mais de 3,3 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da guerra – a crise de refugiados que mais cresce na Europa desde a 2.ª Guerra – a grande maioria mulheres e crianças, segundo a ONU. Outros 6,5 milhões estão deslocados dentro do país.”

A matéria continuou dizendo: “Em uma atualização de inteligência, o Ministério da Defesa do Reino Unido disse que a Ucrânia continua a defender seu espaço aéreo, forçando a Rússia a confiar em armas lançadas de seu próprio espaço aéreo. Assim, a Rússia foi forçada a “mudar sua abordagem e agora está buscando uma estratégia de atrito. Isso envolve o uso indiscriminado de poder de fogo, resultando em aumento de vítimas civis, destruição da infraestrutura e intensificação da crise humanitária.”

Destroços provocados pelos ataques russos a áreas civis em Kiev

Destroços provocados pelos ataques russos a áreas civis em Kiev  Foto: Heidi Levine/Washington Post

Um empate militar

O plano B de Putin, no entanto, está colidindo com Biden e Zelenski. O plano A de Zelenski, que suspeito estar se saindo ainda melhor do que ele esperava, é lutar contra o Exército russo até um empate, quebrar sua vontade e forçar Putin a concordar com os termos de Zelenski para um acordo de paz – com apenas o mínimo para poupar a imagem do líder do Kremlin. Apesar de todo o derramamento de sangue bárbaro e bombardeios das forças russas, Zelenski está – sabiamente – ainda de olho em uma solução diplomática, sempre pressionando por negociações com Putin enquanto reúne suas forças e seu povo.

Times informou, no domingo, que “a guerra na Ucrânia chegou a um impasse após mais de três semanas, com a Rússia obtendo apenas ganhos marginais e cada vez mais visando civis, segundo analistas e autoridades dos EUA. “As forças ucranianas derrotaram a campanha russa inicial desta guerra”, disse o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede em Washington. “Os russos não têm homens ou equipamento para tomar Kiev, a capital, ou outras grandes cidades como Kharkiv e Odessa”, concluiu o estudo.

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Sanções devastadoras

O plano A de Biden, sobre o qual ele explicitamente alertou Putin antes do início da guerra, em um esforço para impedi-lo, era impor sanções econômicas à Rússia como nunca haviam sido impostas antes pelo Ocidente – com o objetivo de paralisar a economia russa.

A estratégia envolvia enviar armas aos ucranianos para pressionar militarmente a Rússia. Está tendo sucesso, provavelmente, além das expectativas de Biden porque foi amplificada por centenas de empresas estrangeiras que operam na Rússia e também suspendendo suas operações no país – voluntariamente ou por pressão de funcionários.

As fábricas russas agora estão tendo de fechar porque não podem obter do Ocidente microchips e outras matérias-primas de que precisam; as viagens aéreas para e ao redor da Rússia estão sendo reduzidas porque muitos de seus aviões comerciais eram, na verdade, de propriedade de empresas de leasing irlandesas, e a Airbus e a Boeing não prestam serviços aos que a Rússia possui.

Enquanto isso, milhares de jovens trabalhadores de tecnologia russos estão demonstrando ser contra a guerra e simplesmente deixando o país – tudo em apenas um mês após Putin iniciar essa guerra ilegítima.

“Mais da metade dos bens e serviços que chegam à Rússia vêm de 46 ou mais países que aplicaram sanções ou restrições comerciais, com os EUA e a União Europeia liderando o caminho”, informou o Washington Post, citando a empresa de pesquisa econômica Castellum.

A matéria do Post acrescentou: “Em um discurso televisionado, na quinta-feira, um desafiador presidente russo, Vladimir Putin, parecia reconhecer os desafios do país. Ele disse que as sanções generalizadas forçariam difíceis mudanças estruturais profundas em nossa economia, mas prometeu que a Rússia superaria as tentativas de organizar uma blitzkrieg econômica.” Putin acrescentou: “É difícil para nós no momento. Empresas financeiras russas, grandes empresas, pequenos e médios negócios estão enfrentando uma pressão sem precedentes”.

Hospital de Mariupol foi alvo de ataques russos em 9 de março

Hospital de Mariupol foi alvo de ataques russos em 9 de março Foto: AP / AP

Pressão humanitária x pressão econômica

Então, aí está a pergunta do momento: será que a pressão sobre os países da Otan, de todos os refugiados que a máquina de guerra de Putin está criando – mais e mais a cada dia – superará a pressão que está sendo criada em seu Exército estagnado na Ucrânia e em sua economia em casa, cada vez mais a cada dia?

A resposta a essa pergunta deve determinar quando e como essa guerra termina – se com um claro vencedor e perdedor ou, talvez mais provavelmente, com algum tipo de acordo sujo inclinado a favor ou contra Putin.

Digo “talvez” porque Putin pode sentir que não pode tolerar qualquer tipo de empate ou acordo sujo. Ele pode sentir que qualquer coisa além de uma vitória total é uma humilhação que minaria seu controle autoritário do poder. Nesse caso, ele poderia optar por um plano C – que, suponho, envolveria ataques aéreos ou com foguetes contra linhas de suprimentos militares ucranianos do outro lado da fronteira com a Polônia.

A Polônia é membro da Otan e qualquer ataque ao seu território exigiria que todos os outros membros da aliança agissem em defesa da Polônia. Putin pode acreditar que, se puder forçar essa questão, e alguns membros da Otan se recusarem a defender a Polônia, a Otan poderá ser fraturada.

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Planos C e D: as escolhas impensáveis de Putin

Certamente, desencadearia debates acalorados em todos os países da Otan – especialmente nos EUA – sobre se envolver diretamente em uma 3.ª Guerra Mundial com a Rússia. Não importa o que aconteça na Ucrânia, se Putin pudesse fragmentar a Otan, isso seria uma conquista que poderia mascarar todas as suas outras perdas.

Se os planos A, B e C de Putin falharem, porém, temo que ele se torne um animal encurralado e possa optar pelo plano D – lançar armas químicas ou a primeira bomba nuclear desde Nagasaki. Essa é uma frase difícil de escrever, e ainda pior de imaginar. Mas ignorá-la como uma possibilidade seria ingênuo ao extremo. / TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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