sábado, 19 de março de 2022

MATURIDADE EMOCIONAL É NECESSÁRIA NA VIDA

 

Por Monica Machado, psicóloga pela USP, fundadora da Clínica Ame.C, pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein

Uma crítica consiste em um julgamento, uma análise ou avaliação de algo ou alguém. Embora na filosofia o termo “crítica” não tivesse na sua origem a ideia de algo necessariamente negativo, a palavra adquiriu esta conotação, e quando falamos de crítica, sempre se considera algo desaprovado.

As críticas podem ser eficientes ferramentas de crescimento e aprendizagem, uma vez que geralmente apontam comportamentos, atitudes e pensamentos que precisam ser mudados. Além disso, transformam a maneira de lidar com problemas e situações de dificuldade, gerando melhores resultados no âmbito pessoal ou profissional.

Mas, e quando a crítica é destrutiva?

As críticas destrutivas costumam ter afirmações negativas, com o intuito de julgar, ressaltar defeitos ou até diminuir uma pessoa. Mas há como ouvir algo desagradável sem que você se desestabilize emocionalmente (e perca a pose)!

Reflita antes de responder

Ninguém gosta de ser julgado, muito menos negativamente, mas saiba que é possível responder a uma crítica destrutiva de forma inteligente e madura. Se a pessoa, ainda que tenha tido más intenções, estiver correta, concorde com ela. Diga que ela tem razão, mas que poderia ter sido mais sutil.

Caso o comentário seja totalmente infundado, feito somente para te depreciar na frente dos outros, rebata com uma bobagem qualquer, deixando claro que a crítica foi infantil e não te atingiu. Em ambos os casos, a pessoa será pega de surpresa e a vergonha será dela. Posteriormente, aproveite o que foi dito para repensar em suas qualidades, seus comportamentos e identificar o que pode ser melhorado. Por mais destrutiva que seja, uma crítica é sempre uma oportunidade de auto avaliação.

Maturidade emocional

A forma como a crítica é recebida também depende da maturidade emocional da pessoa, de sua capacidade de filtrar os elementos do comentário, analisa-los friamente e saber separar para si aquilo que considera útil ou produtivo para modificar sua forma de ser.

Uma pessoa com baixa tolerância à frustração, terá uma tendência maior a tomar a observação do outro como negativa ou destrutiva, e simplesmente rechaçá-la integralmente, sequer chegando a considerar que possa ter elementos positivos. O sentimento predominante nestas situações é o de rejeição, como se a crítica do outro abrangesse sua pessoa como um todo, e não um aspecto específico de sua pessoa.

Nestes casos, é bem provável que haja necessidade de buscar ajuda psicoterápica, pois o autoconhecimento nos leva a lidar melhor com as opiniões ou com os argumentos de outras pessoas. Quando nos conhecemos e passamos a enxergar tanto nossos potenciais como nossas dificuldades, conseguimos separar o que é nosso e o que é do outro. Afinal, todos teremos que lidar com críticas a vida toda.

A Startup Valeon reinventa o seu negócio

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios passa pelo digital.

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sexta-feira, 18 de março de 2022

PUTIN PRECISA DE UM MOTIVO PARA ACABAR COM A GUERRA NA UCRÂNIA

 

 John Simpson – BBCNEWS

Até a pior guerra chega ao fim. Às vezes, como em 1945, o único desfecho é lutar até a morte. Na maioria das vezes, porém, as guerras terminam com um acordo que não satisfaz a ninguém inteiramente, mas pelo menos põe um fim ao derramamento de sangue.Tanque russo destruído pelas forças ucranianas em Luhansk© Fornecido por BBC News Tanque russo destruído pelas forças ucranianas em Luhansk

E geralmente, mesmo após os piores e mais amargos conflitos, os dois lados retomam gradualmente seu relacionamento antigo, menos hostil.

Se tivermos sorte, estamos começando a ver o início deste processo acontecendo agora entre a Rússia e a Ucrânia.

O ressentimento, sobretudo do lado ucraniano, vai durar décadas. Mas ambos os lados querem e precisam de paz: a Ucrânia, porque suas vilas e cidades sofreram um terrível golpe, e a Rússia, porque, segundo o presidente ucraniano, já sacrificou mais homens e aparato do que perdeu em suas duas guerras incrivelmente violentas na Chechênia — embora isso seja impossível de verificar.

Mas ninguém assina voluntariamente um acordo de paz que provavelmente levará à sua própria derrocada.

Para o presidente russo, Vladimir Putin, continua a busca por maneiras de livrar a cara. O presidente da Ucrânia, Zelensky, já demonstrou notável habilidade como diplomata, e está claramente disposto a dizer e fazer o que for aceitável para ele e seu povo para tirar os russos de seu país.

Para ele, há um objetivo primordial — garantir que a Ucrânia saia desta experiência terrível como um país unido e independente, e não com uma província da Rússia, que é no que o presidente Putin inicialmente parecia pensar que poderia transformá-la.

Para Putin, tudo o que importa agora é que ele seja capaz de declarar vitória. Não importa que todos em seu governo entendam que a Rússia saiu arranhada desta invasão desnecessária. Não importa que os cerca de 20% de russos que entendem o que realmente está acontecendo no mundo saibam que Putin apostou tudo em uma fantasia criada por ele mesmo e perdeu.

A batalha vai ser pelo apoio da maioria da população restante, que tende a acreditar tacitamente no que é dito na televisão estatal — mesmo quando há momentos como o súbito aparecimento na tela da extraordinariamente corajosa editora de TV Marina Ovsyannikova com um cartaz para dizer que tudo o que está sendo dito é propaganda.Marina Ovsyannikova segurando um cartaz que diz "Não à Guerra" ao vivo na TV russa, em 15 de março© Fornecido por BBC News Marina Ovsyannikova segurando um cartaz que diz “Não à Guerra” ao vivo na TV russa, em 15 de março

Então, o que Putin vai fazer para sair desta guerra desastrosa bem na fita aos olhos da maioria na Rússia?

Em primeiro lugar, uma garantia, talvez até mesmo a ser escrita na Constituição da Ucrânia, de que o país não tem intenção de aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) num futuro próximo. Zelensky já preparou o terreno para isso, pedindo à Otan algo com o qual a aliança não poderia concordar (estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia), criticando depois a organização por desapontá-lo e, finalmente, refletindo em voz alta que não tinha certeza de que, se a Otan se comportasse assim, valeria a pena se juntar à mesma.

Nesse cenário, a Otan leva a culpa, com a qual pode lidar facilmente, e a Ucrânia obtém a liberdade de agir como quiser.

Mas esta é a parte fácil. Será mais difícil lidar com a ambição urgente que Zelensky e a Ucrânia têm de aderir à União Europeia, à qual a Rússia é quase igualmente hostil, embora também haja maneiras de contornar isso. O mais difícil de tudo para a Ucrânia engolir será o roubo descarado do território ucraniano pela Rússia, no mais completo desrespeito ao solene tratado internacional que ela havia assinado para proteger as fronteiras da Ucrânia.

A perda da Crimeia em 2014 é algo que a Ucrânia pode ser forçada a aceitar formalmente. E a Rússia pretende claramente manter as áreas no leste da Ucrânia que já estão efetivamente sob controle russo — e talvez mais.

Em 1939, Joseph Stalin invadiu a Finlândia, que já havia sido parte do império russo. Ele tinha certeza de que suas tropas abririam caminho rapidamente — assim como Putin pensou em relação à Ucrânia em 2022. Os generais de Stalin, que compreensivelmente temiam por suas vidas, disseram que ele estava certo. E, é claro, não estava.

A Guerra de Inverno se arrastou até 1940, o exército soviético foi humilhado, e a Finlândia sentiu um orgulho nacional justificável por resistir a uma superpotência. Perdeu território, porque autocratas como Stalin e Putin precisam sair dessas coisas parecendo que conquistaram uma vitória. Mas a Finlândia manteve a coisa mais importante e imperecível: sua total independência como nação livre e autodeterminada.

Do jeito que as coisas estão hoje, a Ucrânia — tendo repelido tantos ataques russos e feito as forças de Putin parecerem fracas e ineficazes — deve ser capaz de fazer isso. A menos que os exércitos de Putin consigam capturar Kiev e muitas outras partes, a Ucrânia sobreviverá como entidade nacional, assim como a Finlândia em 1940.

Perder a Crimeia e partes do leste da Ucrânia seria uma perda amarga, ilegal e totalmente injusta. Mas Putin teria que começar a usar armas muito mais pesadas do que já usa, se quiser sair por cima. Do jeito que as coisas estão, na terceira semana de combate, ninguém pode duvidar seriamente quem será o verdadeiro vencedor desta guerra.

FUTURO DOS BRICS COM O ISOLAMENTO DA RÚSSIA

Relações internacionais

Por
Fábio Galão – Gazeta do Povo

Videoconferência dos Brics, em novembro de 2020: outros países da aliança têm evitado uma condenação enfática da invasão russa à Ucrânia| Foto: EFE/EPA/ALEXEI NIKOLSKY/SPUTNIK/KREMLIN

Com as sanções do Ocidente devido à invasão da Ucrânia estrangulando a economia da Rússia, o futuro dos Brics, a aliança de países que inclui também Brasil, Índia, China e África do Sul, está em xeque.

A condenação da comunidade internacional ao governo de Vladimir Putin pode levar ao estreitamento dos laços entre os componentes do grupo ou levar a aliança, que não esteve muito ativa recentemente, ao esfacelamento?

Ricardo Bruno Boff, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), citou que antes da invasão da Rússia à Ucrânia, os Brics, criados com o objetivo de construir alternativas de cooperação ao sistema ocidental de regras e instituições estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial, já vinham perdendo fôlego, devido ao alinhamento do Brasil ao governo Trump nos dois primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro e a problemas econômicos da África do Sul.

“Agora, nesse momento, do jeito que as coisas estão, é claro que os Brics deixam de ser prioridade, inclusive para a Rússia. A instituição em si fica adiada, até mesmo encontros, certamente o Putin tem outras coisas na cabeça no momento”, explicou Boff, em entrevista à Gazeta do Povo.

Os companheiros da Rússia nos Brics têm evitado uma condenação enfática da invasão da Ucrânia. No dia seguinte ao início da guerra, Índia e China se abstiveram numa votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas que condenou a operação (a resolução foi derrubada com o veto russo) – a África do Sul não faz parte do conselho, e o Brasil votou contra os russos.

Posição que manteve dias depois numa votação na Assembleia-Geral da ONU, quando sul-africanos, indianos e chineses se abstiveram.

Entretanto, apesar dessas condenações, Bolsonaro não impôs sanções à Rússia e tem defendido uma posição pragmática, devido aos interesses do Brasil no comércio exterior com Moscou, como a importação de fertilizantes.

A China, considerada a grande parceira geopolítica de Putin, criticou as sanções impostas pelo Ocidente e tem se oferecido para mediar uma solução para o conflito, mas nesta semana a imprensa americana noticiou que o país planeja ajudar financeiramente e com armas a ação russa na Ucrânia – o que o Kremlin e Pequim negaram.

Relações desde a União Soviética
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que foi convidado a intermediar negociações. Seu partido, o Congresso Nacional Africano, é simpático a Moscou, pelo apoio da União Soviética à legenda durante o apartheid.

“A Rússia é nossa amiga por completo”, declarou recentemente Lindiwe Zulu, ministra do Desenvolvimento Social da África do Sul, que, segundo o New York Times, estudou em Moscou na época do apartheid. “Não vamos criticar essa relação que sempre tivemos.”

Sem dar maiores detalhes, a Embaixada da Rússia na África do Sul agradeceu recentemente no Twitter pela solidariedade da população do país africano.

“Caros seguidores, recebemos um grande número de cartas de solidariedade de sul-africanos, tanto de indivíduos quanto de organizações. Agradecemos seu apoio e estamos felizes por vocês terem decidido ficar conosco neste momento, quando a Rússia, como há 80 anos, está lutando contra o nazismo na Ucrânia!”, publicou.

No caso da Índia, o histórico de relações com a União Soviética também pesa, segundo Somdeep Sem, professor associado de estudos de desenvolvimento internacional na Universidade de Roskilde (Dinamarca).

Os comunistas assinaram um acordo de cooperação com os indianos em 1971 e ficaram ao seu lado nas disputas com o Paquistão sobre a Caxemira, posição que foi mantida pela Rússia.

“Em 1955, declarando apoio à soberania indiana sobre a Caxemira, o líder soviético Nikita Khrushchov disse: ‘Estamos tão perto que, se vocês nos chamarem do topo das montanhas, apareceremos ao seu lado’”, lembrou Sem, em artigo publicado no site da Al Jazeera.

Questões militares e comerciais também contribuem para essa parceria: de acordo com Sem, armas russas corresponderiam a de 60 a 85% do armamento das forças indianas hoje, e a Índia informou nesta semana que está conversando com Moscou para importar mais petróleo da Rússia – num momento em que Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia anunciam que vão deixar de comprar o produto russo.

Dependência da China pode desequilibrar aliança
Ricardo Bruno Boff destacou que, por questões militares e territoriais, a Rússia talvez seja o segundo membro mais poderoso dos Brics, e consequentemente seu isolamento pode fazer o grupo perder força. Entretanto, mesmo com as parcerias com a Rússia, individualmente os outros países não devem ser penalizados, acredita o professor – isso, é claro, se não colaborarem na guerra.

“Eu acredito que não devem ocorrer represálias abertas, como embargos econômicos, sanções, até porque não teria justificativa. O que os outros países podem sofrer é algum tipo de isolamento diplomático, de afastamento, por exemplo, deixar de receber visitas, críticas abertas, na imprensa, mas não acredito que devam temer alguma coisa mais concreta”, justificou Boff.

Internamente, porém, a correlação de forças dos Brics pode mudar, já que a Rússia aposta principalmente nas relações comerciais com a China para amenizar as perdas que vem sofrendo com as sanções ocidentais.

“Com uma China mais poderosa, acaba ficando um Brics em que o ‘c’ adquire um tamanho maior que as outras letras”, afirmou Boff. “A China já é o país mais poderoso dentro dos Brics, o mais significativo, eu diria que sem a China os Brics não andam, e acredito que o desequilíbrio [dentro da aliança] aumenta, sim, com o enfraquecimento da Rússia.”

A respeito do Brasil, o professor não acredita que o país sofrerá grandes consequências dentro dos Brics, por ter sido o único país do grupo a ter votado contra os russos na ONU.

“Acho que tem que ser por aí: condena em termos humanitários, de direito internacional, mas olhando para seus interesses comerciais. Eu acredito que essa posição brasileira, se bem explicada, bem trabalhada pelo Itamaraty, se o Brasil não aderir a sanções e a questões mais concretas contra a Rússia, dá para manejar no meio termo”, projetou o professor.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/com-o-isolamento-da-russia-como-sera-o-futuro-dos-brics/
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INDENIZAÇÕES MILIONÁRIAS AOS PROCURADORES DA REPÚBLICA

 

O blog que fiscaliza o gasto público e vigia o poder em Brasília

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo

Fachada da sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília| Foto: PGR

Indenizações pagas a procuradores da República em dezembro do ano passado custaram R$ 75 milhões aos cofres públicos. Eram conversão de licença-prêmio em dinheiro, abonos e indenização de férias não usufruídas. O maior pagamento foi feito ao procurador Mário Lúcio Avelar, da Procuradoria da República em Goiás, no valor de R$ 362 mil. O procurador-chefe da Procuradoria da República da 1ª Região, José Robalinho, recebeu R$ 352 mil. A renda total de 18 procuradores superou os R$ 400 mil.

A maior parte dos pagamentos resultou de conversão de licença prêmio em “pecúnia” – num total de R$ 63 milhões. Os abonos pecuniários renderam mais R$ 12,5 milhões. As indenizações de férias ficaram em R$ 800 mil. A soma das “verbas indenizatórias” resultou em valores acima de 200 mil para 94 procuradores – ou acima de R$ 100 mil para 318 deles. Nos primeiros 11 meses do ano, essas verbas tiveram valores médios de R$ 4 milhões para todos os procuradores. Em dezembro, totalizaram R$ 79 milhões. Entre os 18 membros do Ministério Público Federal que receberam boladas acima de R$ 300 mil, estão 11 subprocuradores-gerais da República, que atuam da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O procurador regional José Robalinho recebeu R$ 104 mil de indenizações de férias, R$ 35 mil de abono pecuniário e R$ 211 mil de conversão de licença prêmio não usufruída em pecúnia, além de adicional de férias de 2022 que, “por razões administrativas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu pagar adiantado a procuradores e servidores”, informou ao blog a Procuradoria da 1ª Região. A renda bruta do procurador chegou a R$ 446 mil.

O procurador Mário Lúcio Avelar recebeu R$ 291 mil de conversão de licença prêmio em pecúnia e R$ 68 mil de abono pecuniário, além de outras indenizações menores. Sua renda bruta naquele mês bateu em R$ 471 mil. O subprocurador-geral Rogério de Paiva Navarro ficou com a terceira posição no ranking dos pagamentos extras: R$ 350 mil. Foram R$ 282 de conversão de licença prêmio e R$ 66 mil de abono pecuniário. A sua renda total bruta chegou a R$ 456 mil.

O ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenou a Operação Lava Jato e deixou a carreira no início de novembro, recebeu R$ 191 mil de indenização de férias em dezembro do ano passado. O procurador-geral da República, Augusto Aras, teve direito a R$ 70 mil de abono pecuniário. Com renda base de R$ 43,2 mil, teve renda total de R$ 174 mil em dezembro, incluindo 13º salário, terço constitucional de férias e abono permanência. A ex-procuradora-geral Raquel Dodge, que antecedeu Aras, recebeu R$ 198 mil de conversão de licença prêmio. A renda bruta foi de R$ 273 mil. (Veja abaixo a lista das 30 maiores indenizações e rendas totais)


A indenização de licença prêmio é devida no momento da aposentadoria ou de desligamento, a qualquer agente público, se não gozada durante a carreira, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2017, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) definiu que, “de acordo com a disponibilidade orçamentária e conveniência da administração, estes valores poderiam ser antecipados e pagos na ativa”, segundo nota da Procuradoria da 1ª Região.

“O procedimento do Ministério Público da União (MPU), portanto, foi uma antecipação de pagamentos e diminuição de passivos. Considerando que o procurador José Robalinho tem 30 anos de serviços públicos, esteve, como outros procuradores, na lista dos indenizados pelo MPU, em antecipação de gastos obrigatórios, que a PGR decidiu executar na ocasião do fechamento do ano orçamentário. As regras de pagamento de verbas indenizatórias se aplicam não só a membros, mas também para servidores do MPF”, diz a nota.

As indenizações de férias ocorrem quando os servidores não podem usufruir as férias por “necessidade de serviço”. No caso dos procuradores e juízes, as férias são de 60 dias, o que resulta no acúmulo de indenizações. Como são indenizações, não há desconto do imposto de renda nem contribuição para a Previdência Social. O pagamento cai inteiro na conta do procurador ou juiz. A Proposta de Emenda Constitucional da Reforma Administrativa (PEC 32/2020) veda a concessão de férias acima de 30 dias por ano e também a licença-prêmio.

Robalinho, que foi presidente por dois mandatos da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), conta com renda base de R$ 35,4 mil e teve renda total de R$ 446 mil em dezembro. Pagou R$ 13 mi de previdência e R$ 22,6 mil de imposto de renda, mais R$ 9 mil de abate-teto. Com renda bruta de R$ 471 mil, Avelar pagou R$ 12,7 mil de previdência, R$ 29 mil de imposto de renda a nada de abate-teto.

A Procuradoria da 1ª Região afirmou ainda que as regras relativas às férias “são rígidas; e não é comum a indenização de férias, o que só ocorre se não tiver havido possibilidade de gozo por dois anos, por absoluta necessidade de serviço e rigidamente comprovadas. Esta foi a única situação do tipo percebida pelo procurador [Robalinho] em 22 anos de MPF. Houve uma parcela menor paga por volta de 2017. O restante, imagina-se, em razão de restrições orçamentárias, foi paga agora. Era devida há anos”.


A Procuradoria Geral da República afirmou que os pagamentos feitos em dezembro de 2021 “são excepcionais e tratam de obrigações previstas em lei e reconhecidas pela Justiça e regulamentadas pelo CNMP”. Augusto Aras, disse que cumpriu decisões judiciais e do CNMP anteriores à sua gestão, iniciada em 26 de setembro de 2019.

Segundo o procurador-geral, trata-se da quitação de dívidas da União para com membros do MPF, tais como licença-prêmio, abonos e indenizações de férias não usufruídas. Parte dessas dívidas é antiga (algumas da década de 1990) e foi reconhecida por decisões judiciais: “Referem-se a direitos previstos em lei, reconhecidos e disciplinados pelos órgãos superiores e de controle, caso do CNMP. Todos os valores pagos pelo MPF a seus membros atendem os princípios da legalidade e da transparência, tanto que estão disponíveis para escrutínio de qualquer cidadão no portal da instituição”.

O procurador-geral afirmou que a aplicação do teto constitucional às despesas de caráter remuneratório e indenizatório segue o disposto na Resolução CNMP nº 9/2006. A resolução diz que não estão sujeitas ao teto as verbas de caráter indenizatório, ajuda de custo para mudança e transporte, auxílio-alimentação, auxílio-moradia, diárias, auxílio-funeral, indenização de férias não gozadas, indenização de transporte; licença-prêmio convertida em pecúnia e outras parcelas indenizatórias previstas em lei. São os chamados “penduricalhos”.

Aras acrescentou que a folha de dezembro de 2021 apresenta valores maiores do que a média de outros meses inclusive em razão de pagamentos obrigatórios efetivados sempre nessa época do ano, como parcela de 13º salário devida a membros e servidores. “Os adiantamentos feitos – antecipação de férias de 2022 e de auxílio alimentação de janeiro – observam critérios técnicos de gestão administrativa e têm o objetivo de garantir a integral execução orçamentária, inclusive no sentido de se evitar a rolagem de dívidas para exercícios futuros”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/indenizacoes-de-ate-r-360-mil-a-procuradores-custaram-r-75-milhoes-aos-cofres-publicos/
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GUERRA NA UCRÂNIA PODE MELHORAR O AGRONEGÓCIO

Desabastecimento

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo fez o encerramento da Expedição Avicultura 2018, no terminal de contêineres reefers da Brado Logística, em Cambé, no Paraná. – Terminal da Brado logística de movimentação de Contêineres, vagões, locomotivas, terminais e armazénagem frigorificos – frango congelado – armazenamento de carnes congeladas –

Contêineres armazenam carne congelada para exportação: guerra causa desabastecimento de alimentos na União Europeia| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

A União Europeia está muito preocupada com a guerra na Ucrânia porque o país é um grande fornecedor de alimentos. os ucranianos abastecem os europeus com carnes, cereais, oleaginosas, etc. A grande produção lá é o girassol.

Por isso, a Europa já fala em usar fundos emergenciais para estimular a produção de carne e usar até terras velhas, que deveriam estar descansando, para plantio, o que vai forçar o uso de muito fertilizante e adubo, muita correção de solo.

O que significa isso? Oportunidade para o agronegócio brasileiro. Mais mercado, mais consumidores. E o agro já está se preparando.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, voltou do Canadá trazendo um acordo de fornecimento de mais 400 mil toneladas de potássio para o Brasil. Nós somos grandes importadores de potássio da Rússia, da Belarus e do Canadá. E abriu o mercado para a carne brasileira, suína e bovina.

Então qual é a oportunidade? Aumentar a produção. Nós temos capacidade. Evaristo de Miranda, da Embrapa, diz que o país pode dobrar a área plantada sem derrubar uma árvore. Mas a gente pode triplicar, ainda, com o crescimento vertical, com produtividade.

Agora tem que tirar a “quinta coluna”, aqueles que trabalham contra o Brasil, fazendo tudo para atrapalhar. É gente que tem caneta na mão, que usa a lei para fazer isso.

Agora mesmo, o grande perigo está no Supremo Tribunal Federal: a interpretação do artigo 231 da Constituição diz que são indígenas as terras tradicionalmente ocupadas por aqueles povos. Mas a partir de que data? O Supremo vai decidir.

Se disser que é até o dia 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição, está tudo bem. Agora, terra indígena depois dessa data, depois que a Constituição estabeleceu isso, é invenção. É gente que saiu correndo para inventar terra indígena. Aí será um estrago enorme na capacidade brasileira de crescer e dar um futuro melhor para nossos filhos e netos.

Mérito indigenista
A medalha do mérito indigenista será entregue pelo Ministério da Justiça nesta sexta-feira (18). Entre os agraciados está o presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier da Silva, e posso dizer que ele merece porque está fazendo uma administração sensacional.

A Funai está tirando de terra indígena aquele ocupante de boa fé e indenizando como nunca. Está estimulando a atividade agrícola dos indígenas. Tem povos como os Parecis, que eu costumo citar, que são um exemplo de avanço equiparado à melhor tecnologia dos demais agricultores brasileiros.

Eles estão vendendo, exportando e produzindo café, cacau, castanha, frutas, milho, açúcar, soja, feijão e arroz, além de investir em piscicultura. A Funai está distribuindo tratores para eles, que estão se integrando como brasileiros à produção agrícola, aproveitando essa imensidão de terras que receberam.

Agora, tem muita desonestidade no meio disso. Gente que inventou terra indígena só para criar problema para construir uma rodovia, uma ferrovia, um linhão de energia, como o que agora finalmente vai unir Roraima com o restante da Amazônia. Foi algo que a Funai ajudou muito a resolver e, por isso, a gente precisa considerar.

Noticiário sobre a guerra
Alguns exageros do noticiário sobre a guerra na Europa chamam a atenção. Chega a ser risível, cômico. Eu vi uma notícia dizendo que a rainha Elizabeth II já tem um plano de fuga se a guerra da Ucrânia chegar ao Reino Unido.


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EDUCAÇÃO BRASILEIRA VAI FICAR PREJUDICADA POR MUITOS ANOS DEVIDO PROVIDÊNCIAS TOMADAS DURANTE A PANDEMIA

 

Prejuízo irreversível

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Colégio estadual Instituto de Educação do Paraná – Escola especial – Ensino de habilidades especiais – sala de aula – quadra esportiva do Instituto de Educação – quadro negro – sala de aula vazia – evasão escolar – vitral e escadaria do instituto educação.

Sala de aula vazia durante a pandemia: alunos de escolas públicas do Brasil ficaram sem aula presencial por quase um ano e meio.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Após mais de dois anos de desgraças, a pandemia de Covid-19 vai finalmente entrando na sua fase de dissolução, com infecções, mortes e internações hospitalares em baixa, e o desmanche progressivo das medidas impostas pela autoridade pública para administrar a doença.

Nunca se saberá, no Brasil e no resto do mundo, o custo real dessa tragédia sanitária sem precedentes. As ciências médicas e biológicas não chegaram até hoje, apesar do imenso esforço feito em pesquisas, a reunir respostas realmente satisfatórias sobre a pandemia, e nem sobre a real eficácia das providências tomadas por governos e pelas pessoas para lidar com ela.

Hoje, quando o desastre se encaminha para o seu fim, há quase tantas dúvidas quanto havia no começo – e uma sensação de que se pagou um preço alto demais para combater essa guerra.

Fala-se muito das calamidades em cascata causadas pela desaceleração, ou pura e simples paralisação, da atividade produtiva em todo o mundo – dois anos de recessão, desemprego, falências, gasto público desesperado e por aí afora. Menos mencionada, porque não interessa aos governos nem aos beneficiários das medidas de “lockdown”, é a devastação causada na educação dos jovens e crianças pobres com o fechamento das escolas – e o ataque sem precedentes às liberdades que as autoridades e as elites têm feito ao longo dos dois últimos anos.

Os países desenvolvidos fizeram uma defesa muito melhor do futuro de suas crianças, percebendo, desde o início, que era essencial manter as escolas em funcionamento. O Brasil fez exatamente o contrário. Até hoje há escolas fechadas. Os alunos do ensino privado ainda se defenderam melhor, por terem mais recursos, mas a imensa maioria dos alunos brasileiros do ensino básico não aprendeu nada durante este tempo todo.

As aulas “a distância”, para as crianças pobres, foram uma piada: como dar aulas “online” sem computadores, sem internet estável, sem assistência técnica, sem a presença de monitores? Como ensinar sem professores, que trataram de toda essa tragédia como uma questão sindical, fazendo greves para não voltar às escolas e ficando dois anos seguidos em casa?

Os alunos que perderam os anos de 2020 e 2021, e ainda vão receber um ensino deficiente em 2022, sofreram um prejuízo que vai lhes perseguir pelo resto de suas vidas. É muito simples: o que não aprenderam agora não será aprendido nunca.

Nenhum Estado e nenhuma empresa com “sensibilidade social” vai lhes pagar ou compensar por isso. Só vão lhes oferecer empregos ruins, salários baixos, trabalho de má qualidade, sem perspectivas de progresso profissional ou de melhoria de vida – o que sempre se oferece a quem sabe pouco.

O fechamento das escolas, sob a mais completa indiferença dos que mandam e dos que pensam neste país, foi a maior e mais perversa ação de retrocesso social que o Brasil já teve em sua história moderna. A distância entre ricos e pobres aumentou ainda mais, e não há “políticas de igualdade” que possam resolver isso.


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EXÉRCITO DA UCRÂNIA RESISTE HERÓICAMENTE AO EXÉRCITO RUSSO

 

Foto: Tyler Hicks/The New York TimesPor Sudarsan Raghavan – Jornal Estadão

Ucranianos, armados por aliados, usam táticas de guerrilha para conter as forças de Putin

THE WASHINGTON POST – Quando as forças russas tomaram o controle de um aeroporto militar em Hostomel, poucos quilômetros ao norte de Irpin, no primeiro dia da guerra, muitos observadores militares previram uma rápida conquista de Kiev. Mais de duas semanas depois, porém, as tropas russas têm enfrentado dificuldade para avançar.

Uma visita a dois frontes ativos – em Irpin e nas proximidades de Brovari, a nordeste do centro da capital – revelou estratégias, táticas e capacidades das forças ucranianas que defendem Kiev, assim como aparentes erros táticos e erros de cálculo dos russos sobre a resistência na Ucrânia.

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Os Estados Unidos e até 20 outros países, a maioria membros da Otan e da União Europeia, prometeram enviar armamentos às forças ucranianas, incluindo mísseis antitanque Javelin, mísseis terra-ar Stinger, metralhadoras e fuzis. Não ficou claro quantas dessas armas adicionais chegaram às forças ucranianas em Kiev, que dependiam do arsenal que tinham à mão e da adaptação de suas táticas de batalha.

Força de voluntários ucranianos protege estrada nas imediações de Kiev

Força de voluntários ucranianos protege estrada nas imediações de Kiev Foto: GLEB GARANICH

“Os russos não estavam prontos para uma guerra não convencional”, afirmou Rob Lee, pesquisador-sênior do Foreign Policy Research Institute e especialista em política de defesa russa. “Eles não sabem como lidar com essa situação de insurgência e guerra de guerrilha.”

Certamente, a maioria dos analistas militares e autoridades do Ocidente ainda preveem que as forças russas eventualmente cercarão Kiev e tentarão invadir a capital, possivelmente com auxílio de ataques aéreos. Ainda que isso possa se comprovar, não está nada claro se a Rússia sairá vencedora.

Para as forças ucranianas, esta guerra é uma guerra de desgaste. Os ucranianos parecem estar tentando exaurir o Exército russo, criando condições para uma estagnação nos limites de Kiev. Isso poderia dar tempo aos ucranianos para pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, de outras maneiras.

Longe dos campos de batalha, essas pressões incluem a intensificação das sanções internacionais contra a Rússia e esforços diplomáticos para obter concessões dos russos. Nas linhas de frente, as forças de Putin enfrentam cada vez mais armamentos pesados do Ocidente entregues à Ucrânia e um crescente ultraje global em razão das mortes de civis e dos bombardeios contra bairros residenciais e hospitais – ações que têm potencial para configurar crimes de guerra.

Drones russos destroem tanques ucranianos e defesas fortificadas

O Ministério da Defesa da Rússia divulgou o vídeo na quarta-feira, 16 de março

Em entrevistas, soldados ucranianos também afirmaram que capitalizam sobre falhas dos russos, incluindo seu uso de estratégias previsíveis, sua falta de conhecimento sobre o terreno e até seu surpreendente despreparo para um conflito excruciante. Relatos surgiram em redes sociais e campos de batalha sobre os soldados russos estarem ficando sem comida, água e combustível para seus veículos. Alguns, segundo relatos, se renderam depois de se perderem no território ucraniano ou em razão da baixa moral. Comboios militares russos reduziram o ritmo de seu avanço ou pararam por causa de problemas mecânicos.

“A principal tática da Ucrânia é ganhar tempo”, afirmou Michael Kofman, diretor de estudos russos do Centro para Análises Navais. “Tentar outra coisa desperdiçará muito o potencial militar que eles têm disponível. Eles estão posicionados para expulsar as forças russas da Ucrânia? Não. Estão posicionados para vencer a guerra? Sim.”

Por todo o país, as forças ucranianas recuaram para as cidades, recusando-se a enfrentar as forças russas em áreas rurais, em campo aberto. Enquanto Moscou tomou o controle de cidades do sul, como Kherson e Melitopol, suas forças ainda lutam para conquistar Mariupol, também no sul ucraniano, assim como outros centros urbanos do país, como Kharkiv, Chernihiv e Sumi.

Isso também é verdadeiro em Mikolaiv, no sul, onde há mais de uma semana forças ucranianas têm repelido um avanço maior das forças russas para o oeste, na direção do estratégico Porto de Odessa.

Em Kiev, a sede do governo, o risco não poderia ser mais alto.

Helicópteros

Até agora, os defensores da Ucrânia bloquearam o principal esforço da Rússia: sitiar e conquistar a capital, usando o aeroporto de Hostomel como ponte aérea para a chegada de mais tanques, veículos pesados e outros armamentos. Forças ucranianas derrubaram vários helicópteros russos e até agora têm evitado que uma grande coluna de blindados pressione a capital. Enquanto isso, um sólido sistema de defesa aérea foi mobilizado contra bombardeios aéreos e ataques de mísseis.

“O maior problema é que (a Rússia) não organizou uma operação militar apropriada”, afirmou Kofman. “Os russos acharam que iam simplesmente entrar sem enfrentar nenhuma resistência. Isso os levou a muitas desgraças, porque não houve planejamento.”

Batalhas em que a vantagem se alternou ocorreram em Hostomel, Bucha e Irpin – num possível prenúncio da guerra urbana, rua a rua, que poderá envolver a capital se as forças russas entrarem.

No sábado, enormes colunas de fumaça escura emergiram da cidade de Bucha, em meio a incessantes estrondos de artilharia. “Instalamos minas antitanque por todo lado”, afirmou Casper com um sorriso no rosto.

A cerca de 65 quilômetros de lá, forças russas tentavam invadir Kiev pelo noroeste. Uma coluna de tanques movia-se por uma estrada principal na direção da cidade de Brovari. Quando os blindados passavam por um trecho margeado por casas, as forças ucranianas perceberam uma oportunidade – e despejaram sobre o comboio projéteis de artilharia e mísseis antitanque.

Fogo aéreo russo
Sem avanços por terra, Rússia ataca civis na Ucrânia

Os soldados russos fugiram dos veículos e correram na direção de árvores para se proteger, segundo mostraram vídeos postados nas redes sociais pelo Exército ucraniano. Em chamas, um dos tanques moveu-se vagarosamente até parar. (Os vídeos não puderam ser verificados independentemente, mas confirmam descrições da batalha fornecidas por combatentes ucranianos e médicos que cuidaram dos feridos.)

Os tanques e outros veículos militares estavam trafegando vagarosamente numa autoestrada aberta, o que fez deles alvos fáceis. Também estavam agrupados proximamente entre si, o que permitiu a uma única cápsula de artilharia atingir vários veículos. Também não havia soldados a pé movendo-se paralelamente pelas árvores ou ao longo da coluna para detectar possíveis emboscadas.

Tanques antigos

O que também surpreendeu, afirmaram analistas, foi que alguns dos tanques eram antigos e mal equipados – entre eles, um T-72 da era soviética, cuja produção foi iniciada mais de 50 anos atrás.

“É meio bizarro ver isso”, afirmou Lee, do Foreign Policy Research Institute. “Kiev é a missão decisiva, o objetivo definitivo, e mesmo assim eles mandam algumas unidades muito velhas para a operação de tomada.”

A emboscada também ocasionou mortes de civis. Soldados russos que fugiram do comboio se esconderam em vilarejos próximos e atiraram em qualquer um que consideraram suspeito. Ao longo dos dois dias seguintes, 23 civis e soldados deram entrada no Hospital do Distrito Central de Brovari, afirmou Valentin Baganiuk, diretor da unidade médica. Entre eles, membros de uma mesma família que foram baleados ao sair de casa. Enquanto o pai dirigia, disparos atingiram sua mão, decepando três dedos, e também o feriram na cabeça.

Camufladas em florestas a noroeste de Kiev, baterias de artilharia ucraniana castigaram posições russas dentro de Irpin e Bucha na tentativa de evitar um possível avanço. A ponte que conecta a capital a Irpin foi demolida por forças ucranianas para impedir a passagem de blindados russos.

Trincheiras

Do outro lado da ponte, na entrada do centro de Irpin, grupos de voluntários armados cavaram trincheiras numa colina, em posição de vantagem estratégica para atacar forças russas ou tentar emboscá-las.

Diante da colina, combatentes ucranianos vestidos com trajes camuflados estavam posicionados atrás de árvores. Outros combatentes estavam dentro de edifícios, vigiando as ruas que os russos precisariam usar para avançar na direção de Kiev.

“Eles têm sua própria linha para defender, e nós temos de manter nossas posições”, afirmou Igor Zadorozhni, de 30 anos, ex-oficial do Exército que agora defende a cidade em um grupo armado organizado pelo prefeito de Irpin. “Neste momento, há um empate.”

O conflito é uma combinação de breves confrontos ocorridos com frequência em postos de controle ucranianos, trocas de disparos de artilharia e momentos de pesadas batalhas urbanas.

Abraçado ao seu fuzil, o ex-oficial do Exército Zadorozhni afirmou que as forças ucranianas estavam esperando que os civis deixassem Irpin antes de “começarmos a livrar a cidade” dos russos. “Eles não têm provisões suficientes, comida, água”, disse, afirmando que moradores da cidade contaram que soldados russos saquearam residências e comércios. “Eles não têm muita gasolina. Ficarão exaustos. E, então, atacaremos e os expulsaremos daqui.”

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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