Apesar da alta cobertura vacinal no País, efeitos de uma nova variante em momento de flexibilização ainda são incertos e causam preocupação
João Ker, O Estado de S.Paulo
O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, afirmou na última quarta-feira, 16, que o aumento global de casos da covidpode ser apenas “a ponta do iceberg”. Na Europa e na Ásia, alguns países têm visto o número de testes positivos aumentar a ponto de fazer o órgão internacional declarar um aumento mundial desses índices pela primeira vez desde janeiro. Diante desse cenário, especialistas apontam que dificilmente o Brasil vai escapar de uma possível nova onda, mas ponderam qual poderá ser o seu efeito real por aqui.
Países como China, Alemanha e Reino Unido, onde o número de casos tem aumentado no último mês, paralelamente implementam também medidas menos restritivas de combate à pandemia. No Brasil, um movimento similar começa a tomar forma à medida em que Estados e capitais liberam a obrigatoriedade do uso de máscara facial e as restrições de lotação em ambientes e eventos fechados.
“Os países europeus têm condições multifatoriais de enfrentamento à doença e conseguem fazer restrições nos locais com surtos, assim como o incentivo fiscal e apoio financeiro às regiões específicas”, observa Rodrigo Stabeli, pesquisador e diretor da Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz) em São Paulo. “No Brasil, temos a flexibilização de medidas preventivas, mas nunca tivemos políticas que garantam o emprego e renda das pessoas com o retorno de altas infecções”, complementa.
Hoje, mais de 79% da população brasileira vacinável (com 5 anos ou mais) já tomou duas doses da vacina contra a covid, enquanto o índice para as três doses entre esse público é 35,36%. Entretanto, apesar de prevenirem contra internações, quadros graves e óbitos da doença, os imunizantes que temos até hoje não impedem completamente a transmissão do vírus.
Passageiros em metrô de Londres em horário de rush, alguns com máscaras, outros não Foto: Victoria Jones/PA via AP
Há também o alto percentual de quem não compareceu para a 3ª dose e, ainda nesta semana, o Estado de São Paulo anunciou a 4ª aplicação para idosos acima dos 80 anos, como uma forma de aumentar a imunidade em um dos grupos populacionais mais frágeis em relação à pandemia.
“O que a gente ainda não pode falar é como essas ondas vão se comportar na Europa, se vão ser grandes ou não, se duram muito ou não. Não temos bola de cristal e o vírus faz o que quer, mas podemos falar com um pouco mais de certeza que certamente vai atingir o Brasil”, explica a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacina.
Alguns estudos apontam que a BA.2 pode ser até 30% mais transmissível que sua cepa original, a Ômicron, responsável por um surto no início deste ano, que deixou hospitais e postos de saúde abarrotados de pacientes.
“Aqui, as vacinas funcionaram muito bem contra a variante Delta, nem tanto contra a Ômicron. Mas não vejo o Brasil com risco de uma nova onda significativa da pandemia, nem em termos de mortes, nem de casos”, avalia Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, infectologista e epidemiologista da Unesp. Apesar de se definir como um “otimista moderado”, ele também acredita que a flexibilização no uso de máscaras anunciada em São Paulo e já adotada por outras seis capitais brasileiras é precoce.
Nesta quinta-feira, 17, o Brasil registrou 484 novas mortes pela covid e outros quase 50 mil casos. A média móvel de óbitos está 334, muito abaixo dos picos já registrados no País, mas também acima do que é considerado “estável” ou das baixas já registradas no fim do ano passado. “Não estamos falando de lockdown, mas sim do comportamento das pessoas de não se aglomerarem ainda. Ainda temos cerca de 300 mortes diárias, é como se caísse um boeing todo dia no Brasil. A gente ‘rotinizou’ a doença e esse talvez seja o maior problema de enfrentamento à covid que ainda temos”, alerta Stabeli.
Aprenda tudo sobre como começar seu próprio negócio e aproveite os benefícios da escalabilidade.
Todos os dias, surgem empreendedores em todo o mundo que procuram criar negócios que visem a escalabilidade, ou seja, negócios que, com pouco investimento e uma ótima ideia na cabeça, alcancem grandes lucros.
Com toda certeza, você alguma vez já ouviu falar sobre Netflix, Mercado Livre e Spotify, certo?
Você provavelmente é cliente de, pelo menos, uma dessas empresas. E, apesar delas comercializarem serviços completamente diferentes, todas têm algo em comum: são empresas escaláveis.
Se você ainda não sabe o que é isso, não se preocupe, porque neste post te ensinamos o que é um negócio escalável e, além disso, mostramos algumas ideias que podem servir de inspiração para você criar o seu.
O que é escalabilidade?
Escalabilidade é um termo que define que um negócio pode multiplicar sua renda sem ter que aumentar seus custos na mesma proporção.
Em outras palavras, podemos dizer que um negócio escalável é aquele que tem potencial de crescimento muito forte e pode até ser internacionalizado, sem necessidade de maiores investimentos.
Atualmente, criar negócios rentáveis com essas características é o sonho de todo empreendedor, porque eles trazem muitas vantagens. Entre elas, maiores lucros com o mesmo esforço, menos estresse e crescimento contínuo.
Confira as principais características de um negócio escalável:
É capaz de suportar volumes maiores de usuários sem ter que recorrer a custos adicionais.
Busca a melhoria contínua e a otimização de processos e custos.
Requer um investimento inicial para começar a atividade, mas, muitas vezes, é um investimento pequeno.
Um único cliente pode gerar lucros recorrentes, como no caso de algumas startups que cobram uma mensalidade pelo serviço oferecido.
Podemos usar a Netflix como exemplo. Ela consegue oferecer o mesmo serviço de streaming para todos os clientes, sejam eles 100 usuários ou 100.000. Agora, é mais fácil entender o que é um negócio escalável, certo
Exemplos de negócios escaláveis
Aplicativos móveis como Facebook e Instagram
Os aplicativos móveis como o Instagram ou o Facebook são um tipo de negócio escalável ideal para os empresários que têm conhecimento em programação.
Um aplicativo móvel é um negócio escalável porque dá no mesmo entregar o serviço a um usuário ou a um milhão.
A melhor vantagem dos aplicativos móveis é que as possibilidades são infinitas: você pode criar um aplicativo voltado para qualquer tipo de mercado ou nicho, e suprir necessidades que vão das mais gerais às mais específicas.
Para isso, você só precisa ser criativo e apresentar uma proposta de negócios verdadeiramente inovadora ou que, pelo menos, ofereça algo que os aplicativos existentes ainda não fazem.
Todo tipo de software
Outra ideia de negócio escalável que tem uma rentabilidade muito alta é desenvolver um software na nuvem (ou também conhecido como software como serviço) e comercializá-lo pela internet. Pode ser um software de gestão financeira, marketing, desenho e muito mais.
Um software é um modelo de negócio que, uma vez desenvolvido, pode ser vendido inúmeras vezes, e tudo o que entrar é lucro.
Além disso, você não precisa se preocupar com custos de envio ou assuntos logísticos por ser um negócio completamente digital.
Serviços como Uber ou Airbnb
Serviços como Uber, Rappi ou Airbnb também fazem parte de um modelo de negócio escalável.
O Airbnb, por exemplo, não possui as casas ou os quartos que aluga, mas é proprietário do aplicativo. Ou seja, quanto mais usuários entram na plataforma, mais lucro eles obtêm, sem ter que gastar mais dinheiro para isso.
Pode ser que, à primeira vista, esses grandes negócios sejam vistos como algo impossível de alcançar. No entanto, é importante lembrar que essas empresas começaram com poucos usuários e, também, poucos recursos econômicos.
Então, quem diz que você não pode começar um negócio como esse e ser bem-sucedido?
Ebooks
Um ebook, ou livro eletrônico, é um produto digital que está cada vez mais em voga, e o melhor é que é um dos modelos de negócios online que tem maior rentabilidade e escalabilidade.
Você só terá o trabalho de criar seu livro digital uma única vez e, depois, pode vendê-lo para um número infinito de pessoas.
Então, se você tem algum tipo de conhecimento ou habilidade que pode ser transformado em um material rico para um determinado público, é uma boa ideia vender seus próprios ebooks na internet e começar a ganhar dinheiro.
As principais vantagens desse tipo de negócio são sua portabilidade, preço e custo de fabricação. Você pode começar a vender ebooks sem ter que investir dinheiro!
Cursos online
Criar e vender cursos online é outra ideia de negócio escalável ideal para aqueles empreendedores que não possuem conhecimento em programação e, também, não têm muito dinheiro para investir.
Vender cursos a distância tem muitas vantagens: é escalável, você não precisa se preocupar com custos de produção e distribuição, é possível automatizar a venda e os temas são infinitos.
Você pode criar um curso online de inglês, de técnicas de oratória e comunicação ou, inclusive, um curso ensinando a tocar um instrumento, por exemplo.
Além disso, colocar essa ideia em prática é muito fácil, pois você só precisa criar o conteúdo base, gravar suas aulas e, finalmente, montar o curso em plataformas de aprendizagem ou publicá-lo em sua própria plataforma.
Dicas para criar um negócio escalável
Trace um objetivo específico
Embora uma das particularidades dos negócios escaláveis é que eles vão melhorando e mudando ao longo do tempo, uma das dicas que podemos dar é ter um objetivo claro, que tem que ser proporcional ao investimento que será feito.
É importante que, no momento de empreender, você seja realista com o que tem e com o que aspira.
Uma ideia pode parecer muito inovadora, mas é importante se perguntar:
Há mercado para isso?
Tenho recursos suficientes para iniciar o negócio?
Tenho a capacidade tecnológica para desenvolver a ideia?
Valide sua estratégia
Outra dica para criar um negócio escalável é validar sua estratégia.
Na verdade, se necessário, você pode começar com uma versão beta de sua proposta de negócio para fazer os testes correspondentes antes de liberá-lo oficialmente para o mercado.
Inspire-se
Procure inspiração em todos os lugares, consiga um mentor que te encoraje a aproveitar as oportunidades de negócios que se apresentam e que, além disso, te dê a sabedoria e o conhecimento para ser um empreendedor de sucesso.
Sistematize processos
Para que um negócio possa usufruir da verdadeira escalabilidade, ele deve funcionar sem você estar lá. Portanto, é importante que você crie um manual de operações, deixando a improvisação de lado.
Faça melhorias contínuas
Nunca perca o entusiasmo para melhorar e inovar todos os dias, mas você deve ter muito cuidado para que a inovação não perca a essência da escalabilidade. Ou seja, a inovação não deve exigir um custo adicional que seja superior ao rendimento esperado.
Outras dicas para empreender
Seja positivo e controle suas inseguranças.
Faça networking, você nunca sabe quem pode te ajudar a transformar sua ideia de negócio em realidade.
Não tenha medo de pedir conselhos e ajuda as pessoas com experiência em assuntos de empreendedorismo. Você pode, inclusive, pedir dicas a amigos ou familiares que tenham um empreendido ou estudado nessa área.
Organize-se. Ainda não conhecemos o primeiro caso de sucesso de um empresário desorganizado!
Não tenha medo de fazer negócios online! Esse tipo de negócios nos mostram todos os dias, sua grande capacidade de gerar renda, crescer e ser bem-sucedido.
Empreender é, sem dúvida, uma das melhores ideias que você ter. Quando você empreende, você se torna seu próprio chefe, vai atrás de seus próprios interesses, tem a oportunidade de trabalhar em casa, pode obter maiores benefícios e rentabilidade econômica, além de conseguir maior prestígio em nível profissional e social.
Além disso, é uma forma muito atrativa de sair do desemprego!
Preparado para começar seu próprio negócio e usufruir da escalabilidade?
Esperamos que este post sirva de inspiração para que você se torne um verdadeiro empreendedor de sucesso.
Convidamos você para se juntar a essa nova geração de pessoas que, todos os dias, aproveitam os benefícios de trabalhar de forma independente e gerar renda de forma passiva.
Pensando em começar um negócio na internet?
Aqui no blog, ensinamos um passo a passo para criar cursos a distância, uma ideia de negócio escalável que se torna cada vez mais popular e rentável.
Muito sucesso e bons negócios!
ESCALANDO NEGÓCIOS DA VALEON
1 – Qual é o seu mercado? Qual é o tamanho dele?
O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes, lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.
A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com CNPJ ou não e coloca-las na internet.
2 – Qual problema a sua empresa está tentando resolver? O mercado já expressou a necessidade dessa solução?
A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer outro meio de comunicação.
Viemos para suprir as demandas da região no que tange a divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.
O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao utilizar a plataforma da ValeOn.
3 – Quais métodos você usará para o crescimento? O seu mercado está propício para esse tipo de crescimento?
Estratégias para o crescimento da nossa empresa
Investimento na satisfação do cliente. Fidelizar é mais barato do que atrair novos clientes.
Equilíbrio financeiro e rentabilidade. Capital de giro, controle de fluxo de caixa e análises de rentabilidade são termos que devem fazer parte da rotina de uma empresa que tenha o objetivo de crescer.
Desenvolvimento de um planejamento estratégico. Planejar-se estrategicamente é como definir com antecedência um roteiro de viagem ao destino final.
Investimento em marketing. Sem marketing, nem gigantes como a Coca-Cola sobreviveriam em um mercado feroz e competitivo ao extremo.
Recrutamento e gestão de pessoas. Pessoas são sempre o maior patrimônio de uma empresa.
O mercado é um ambiente altamente volátil e competitivo. Para conquistar o sucesso, os gestores precisam estar conectados às demandas de consumo e preparados para respondê-las com eficiência.
Para isso, é essencial que os líderes procurem conhecer (e entender) as preferências do cliente e as tendências em vigor. Em um cenário em que tudo muda o tempo todo, ignorar as movimentações externas é um equívoco geralmente fatal.
Planeje-se, portanto, para reservar um tempo dedicado ao estudo do consumidor e (por que não?) da concorrência. Ao observar as melhores práticas e conhecer quais têm sido os retornos, assim podemos identificar oportunidades para melhorar nossa operação e, assim, desenvolver a bossa empresa.
4 – Quem são seus principais concorrentes e há quanto tempo eles estão no mercado? Quão grandes eles são comparados à sua empresa? Descreva suas marcas.
Nossos concorrentes indiretos costumam ser sites da área, sites de diretório e sites de mídia social. Nós não estamos apenas competindo com outras marcas – estamos competindo com todos os sites que desejam nos desconectar do nosso potencial comprador.
Nosso concorrente maior ainda é a comunicação offline que é formada por meios de comunicação de massa como rádios, propagandas de TV, revistas, outdoors, panfletos e outras mídias impressas e estão no mercado há muito tempo, bem antes da nossa Startup Valeon.
5 – Sua empresa está bem estabelecida? Quais práticas e procedimentos são considerados parte da identidade do setor?
A nossa empresa Startup Valeon é bem estabelecida e concentramos em objetivos financeiros e comerciais de curto prazo, desconsideramos a concorrência recém chegada no mercado até que deixem de ser calouros, e ignoramos as pequenas tendências de mercado até que representem mudanças catastróficas.
“Empresas bem estabelecidas igual à Startp Valeon devemos começar a pensar como disruptores”, dizPaul Earle, professor leitor adjunto de inovação e empreendedorismo na Kellogg School. “Não é uma escolha. Toda a nossa existência está em risco”.
6 – Se você quiser superar seus concorrentes, será necessário escalar o seu negócio?
A escalabilidade é um conceito administrativo usado para identificar as oportunidades de que um negócio aumente o faturamento, sem que precise alavancar seus custos operacionais em igual medida. Ou seja: a arte de fazer mais, com menos!
Então, podemos resumir que um empreendimento escalável é aquele que consegue aumentar sua produtividade, alcance e receita sem aumentar os gastos. Na maioria dos casos, a escalabilidade é atingida por conta de boas redes de relacionamento e decisões gerenciais bem acertadas.
Além disso, vale lembrar que um negócio escalável também passa por uma fase de otimização, que é o conceito focado em enxugar o funcionamento de uma empresa, examinando gastos, cortando desperdícios e eliminando a ociosidade.
Sendo assim, a otimização acaba sendo uma etapa inevitável até a conquista da escalabilidade. Afinal de contas, é disso que se trata esse conceito: atingir o máximo de eficiência, aumentando clientes, vendas, projetos e afins, sem expandir os gastos da operação de maneira expressiva.
Pretendemos escalar o nosso negócio que é o site marketplace da Startup Valeon da seguinte forma:
objetivo final em alguma métrica clara, como crescimento percentual em vendas, projetos, clientes e afins;
etapas e práticas que serão tomadas ao longo do ano para alcançar a meta;
decisões acertadas na contratação de novos colaboradores;
O presidente russo chegou ao poder em 31 de dezembro de 1999. Nos 20 anos que se passaram desde então, Putin tem tentado minar a ordem liberal internacional.
O ex-espião da KGB quer reviver a grandeza russa czarista e restaurar o poderio e a ameaça da União Soviética antes de sua dissolução, em 1991.
Ele buscou – às vezes, com sucesso – redesenhar o mapa da Europa. Ele tentou – às vezes, com sucesso – imobilizar as Nações Unidas. Ele tem estado determinado – às vezes, com sucesso – a enfraquecer os EUA e promover sua divisão e seu declínio.
Fim da História?
Putin chegou ao poder numa época de arrogância ocidental. Os EUA eram a única superpotência num mundo unipolar.
A tese de intelectual americano Francis Fukuyama, falando do “fim da História” e proclamando o triunfo da democracia liberal, era amplamente aceita.
Alguns economistas até mesmo venderam a teoria de que o mundo não veria mais recessões, parcialmente graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela nova economia digital.
Também se pensou que a globalização e a interdependência que ela criou evitariam que grandes potências econômicas travassem guerras, e a internet era amplamente vista como uma força para o bem global.
Sucessivos presidentes americanos deixaram-se levar. Bill Clinton, o ocupante da Casa Branca quando Putin ascendeu ao poder, deu de bandeja a esse ultranacionalista um popular ressentimento, ao promover a expansão da aliança militar Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) até a fronteira da Rússia.
Como George F. Kennan, o famoso arquiteto da estratégia dos EUA na Guerra Fria, alertou na época: “Expandir a Otan será o mais fatídico erro da política americana em toda a era pós-Guerra Fria”.
George W. Bush errou completamente em sua leitura do colega russo. “Eu olhei nos olhos daquele homem”, Bush disse depois de seu primeiro encontro com ele, em Eslovênia, em 2001. “Eu o achei bastante direto e confiável… Eu fui capaz de ter uma ideia sobre sua alma.”
Bush cometeu o erro de pensar que ele poderia seduzir Putin e gentilmente persuadi-lo a seguir o caminho democrático.
No entanto, embora Bush tenha visitado a Rússia mais que qualquer outro país – incluindo, como um favor pessoal, duas viagens em 2002 à cidade-natal de Putin, São Petersburgo -, o líder russo já exibia tendências perigosas.
Em 2008, ultimo ano de Bush como presidente, Putin invadiu a Geórgia – o que ele chamou de “operação para garantir o cumprimento da paz”.
Barack Obama tentou reestruturar as relações entre EUA e Rússia. Sua primeira secretária de Estado, Hillary Clinton, até entregou a seu colega russo, Sergey Lavrov, um botão de reinício (reset) de brinquedo.
Mas Putin sabia que os EUA, após suas longas guerras no Afeganistão e no Iraque, não queriam mais policiar o mundo.
Quando Obama recusou-se, em 2013, a cumprir seu alerta anterior contra Bashar al-Assad, quando o ditador sírio usou armas químicas contra seu próprio povo, Putin viu uma oportunidade.
Ao ajudar Assad a travar sua guerra assassina, ele estendeu a esfera de influência de Moscou no Oriente Médio quando os EUA queriam sair da região.
No ano seguinte, ele anexou a Crimeia e estabeleceu uma presença no leste da Ucrânia.
O magnata não escondia sua admiração por Putin, uma bajulação que parece ter encorajado o presidente russo ainda mais.
Para o deleite de Moscou, Trump criticou a Otan publicamente, enfraqueceu o sistema de alianças dos EUA do pós-guerra e tornou-se uma figura tão polarizadora que deixou os EUA mais divididos politicamente do que em qualquer momento desde a Guerra Civil (1861-1865).
É possível dizer que precisamos voltar 30 anos para encontrar um líder americano cuja postura diante do Kremlin resistiu ao tempo.
Depois da queda do Muro de Berlim, George H.W. Bush resistiu à tentação de festejar a vitória dos EUA na Guerra Fria — para o espanto dos jornalistas que cobriam a Casa Branca, ele se recusou a viajar para Berlim como forma de comemorar vitória —, sabendo que isso fortaleceria radicais no Politburo e um Exército russo que buscava a derrubada de Mikhail Gorbachev.
Aquela vitória magnânima ajudou quando veio a missão de reunificar a Alemanha, o que foi provavelmente o maior sucesso de Bush em política externa.
Putin é obviamente um adversário mais difícil, até mesmo mais duro de se lidar do que Leonid Brezhnev ou Nikita Khrushchev, o premiê soviético durante a crise dos mísseis em Cuba.
Desde a virada do século, porém, nenhum presidente americano realmente soube como lidar com Putin. Joe Biden, como George H.W. Bush, é um combatente da Guerra Fria que dedicou sua presidência à defesa da democracia, nos EUA e no exterior.
Ao buscar o restabelecimento do papel tradicional dos EUA do pós-guerra como líder do mundo livre, ele buscou mobilizar a comunidade internacional, ofereceu ajuda militar à Ucrânia e adotou o mais duro regime de sanções até hoje direcionado contra Putin.
Conforme as forças russas concentravam-se na fronteira com a Ucrânia, Biden também compartilhou informações da inteligência americana mostrando que Putin havia decidido invadir o vizinho, em maneiras que buscaram abalar as costumeiras campanhas de desinformação e operações de bandeira falsa do Kremlin.
Seu discurso sobre o Estado da União tornou-se uma convocação. “A liberdade sempre triunfará sobre a tirania”, disse. Apesar de Biden não discursar com a clareza ou força de John Kennedy (1961-63) ou Ronald Reagan (1981-89), foi entretanto um discurso significativo.
O que tem sido chocante desde o início da invasão russa, entretanto, é uma liderança presidencial contundente vinda de outro lugar.
Volodymyr Zelensky tem sido louvado e celebrado, conforme ele continua sua extraordinária jornada pessoal de comediante para colosso churchilliano.
O papel da Alemanha
Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem sido outra presença imponente.
Seu compatriota, o chanceler alemão, Olaf Scholz, também demonstrou mais determinação na sua relação com Putin que sua antecessora, Angela Merkel.
Em alta velocidade, ele alterou décadas de política externa alemã pós-Guerra Fria, uma abordagem frequentemente baseada em cautela e timidez nas relações com o líder russo.
Berlim enviou sistemas antitanques e antiaéreos para a Ucrânia (encerrando a política de não enviar armamentos para zonas ativas de guerra), paralisou o projeto de gasodutos do Mar Báltico Nord Stream 2, retirou sua oposição ao bloqueio da Rússia do sistema internacional de pagamentos Swift e até mesmo comprometeu-se com um gasto de 2% do Produto Interno Bruto alemão com a área da defesa.
O maior ataque contra um Estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial endureceu a determinação europeia. Mas também parece que a relativa fraqueza dos EUA tenha contribuído para isso.
Cientes da atabalhoada retirada dos EUA do Afeganistão e da possibilidade de uma presidência Trump 2.0, líderes europeus parecem ter percebido que não podem mais depender tanto de Washington para defender a democracia neste momento de perigo máximo.
A liderança do mundo livre tornou-se, nesta crise, um esforço comum.
Após o fim da Guerra Fria, Washington pediu às nações europeias que fizessem mais para policiar sua própria vizinhança, algo que eles não conseguiram fazer quando o desmembramento da ex-Iugoslávia levou à guerra civil na Bósnia.
Historiadores podem muito bem concluir que foi preciso uma combinação da agressividade de Putin, a fragilidade americana, a heroica determinação da Ucrânia e o medo de que a estabilidade pós-guerra da Europa esteja verdadeiramente ameaçada para que isso finalmente acontecesse.
Seria ingênuo ser levado pelo romantismo dos discursos de Zelensky ou sucumbir a uma elevação de dopamina ao vermos a tomada de um superiate de propriedade russa nas redes sociais. Putin está intensificando a guerra.
A semana passada, porém, enviou uma mensagem a Moscou – e também a Pequim – de que a ordem internacional pós-guerra continua a funcionar, apesar do emprego da máquina de guerra russa para levá-la ao colapso.
Da mesma forma que a história nunca acabou, também não acabou a democracia liberal.
Como Joe Biden disse em seu discurso sobre o Estado da União, durante uma passagem em que a retórica também serviu como uma sóbria análise: Putin “pensou que ele podia entrar, e o mundo ficaria deitado. Em vez disso, ele encontrou um muro de resistência que ele nunca havia imaginado”.
* Nick Bryant é autor do livro When America Stopped Being Great: a history of the present (Quando a América Parou de Ser Grande: uma história do presente). Ele é ex-correspondente da BBC em Nova York (EUA) e vive hoje em Sydney (Austrália).
Zentralbild 153-40 II. Weltkrieg 1939-45 24.10.1940 Adolf Hitler begrüßt den französischen Staatschef Marschall Henry Philippe Petain in Montoire-sur-le-Loir. In der Mitte Chefdolmetscher Gesandter Dr. Paul Schmidt. Rechts Reichsaußenminister Joachim von Ribbentrop.
Encontro entre Adolf Hitler e o Marechal Henry Philippe Pétain.| Foto: Wikimedia Commons
A França, que em meados do Século XX, era uma das maiores potências militares e econômicas, se rendeu para a Alemanha nazista em um mês. Paris foi conquistada praticamente sem que um tiro fosse disparado. Segundo relatos dos historiadores, o governo francês não queria que os alemães destruíssem a “Cidade Luz”. Melhor se render ao inimigo. A invasão começou em 10 de maio de 1940 e a rendição oficial foi em 22 de junho. Demorou um pouco, pois Hitler fez questão de que o documento fosse assinado no mesmo vagão de trem onde a rendição alemã foi assinada ao término da I guerra. Era sua vingança.
Após a derrota acachapante, Adolf Hitler incorporou a Alsácia e Lorena como territórios germânicos. O norte da França, incluindo Paris, virou Zona de Ocupação alemã. O centro-sul, chamado de França Livre, o que era mentira, foi entregue para administração do traidor Marechal Henri Philippe Benoni Omer Joseph Pétain, um belo nome para um traidor, colaboracionista dos nazistas, um pau mandado.
Vladimir Putin achou que conquistaria a Ucrânia tão fácil como Hitler conquistou a França. Mais ainda, acreditou que tomaria a Ucrânia da mesma maneira que Hitler anexou a Áustria. Em 1938, os austríacos receberam a Wermarcht com flores e aplausos. Putin se enganou, o exército russo foi recebido a tiros por um povo que não aceita ser dominado e subjugado por uma potência estrangeira.
Putin também pensou que Volodymyr Zelensky se entregaria facilmente, como fez o Marechal Pétain, ou fugiria para os Estados Unidos, como fez De Gaulle ao ir para a Inglaterra. Zelensky uniu o povo ucraniano na defesa da pátria e, enquanto escrevo este texto, 15 dias depois da invasão, comanda de um bunker a resistência contra os invasores.
Vladimir Putin, como todos os ditadores, vive num palácio de marfim, isolado da realidade, ouve apenas quem o elogia e concorda com ele. Calou a oposição (já prendeu até agora mais de 13 mil russos que protestavam contra a guerra) e eliminou a imprensa livre. Na Rússia, até a palavra guerra está proibida.
O carniceiro de Moscou vive numa realidade paralela e por isso tomou essas decisões tão erradas. Como todos os ditadores, ele imagina que é adorado pelo povo, seus comparsas e os oligarcas repetem sempre isso, e os ucranianos se ajoelhariam para ele. Ele jamais imaginou que a Ucrânia não aceitaria ser controlada pela Rússia. Afinal de contas, quem não sonha em ser dominado por um líder que caça ursos, é faixa preta de judô e anda a cavalo sem camisa?
Putin é o perfeito ditador retratado por Woody Allen no seu filme Bananas, onde o ridículo beirava o surreal. Para Putin, Zelensky era apenas um humorista que fugiria ao primeiro tiro e os ucranianos um povo fraco a ser dominado pelo seu imenso ego.
Volodymyr Zelensky continua a pedir que a Europa e os Estados Unidos não tenham medo de enfrentar Putin, assim como os ucranianos não tiveram e mostraram que o exército russo não é tudo o que a propaganda dizia. O presidente Macron, que volta e meia liga para Putin, acha que vai convencê-lo a depor as armas na conversa, deveria lembrar o que aconteceu com a França em 1940.
O medo é o pior conselheiro numa guerra, a Rússia tem que ser parada com todas as forças.
A Ucrânia não é a França de Vichy, Zelensky não é Pétain, Putin pensa que é Hitler, mas é uma caricatura de Stalin.
Marcio Pitliuk é escritor e palestrante especialista no Holocausto, membro do Conselho Acadêmico do Stand With US e curador do Memorial do Holocausto de São Paulo.
KN95 face mask. FFP2 mask as covid-19 protection. Coronavirus protection mask on black table.
Desde o início da pandemia, o uso de máscaras foi levantado como uma medida de caráter prudencial, de custo relativamente baixo para implementação, mas com resultados prováveis satisfatórios. Afinal, existe quase que um instinto no homem em proteger seu aparelho respiratório em ambientes tóxicos ou pestilentos. Como o coronavírus é um vírus transmitido pelos aerossóis e gotículas de secreções respiratórias, a ideia de proteger a boca com algum equipamento nunca pareceu má ideia. Com o tempo, a ciência tem apresentado progressos ainda inconclusivos sobre o tema, com estudos apontando para a eficácia do uso de máscaras, estudos apontando para a relevância de alguns tipos de máscaras em detrimento de outros e estudos que alegam eficácia insuficiente do objeto para prevenir a infecção por COVID-19.
Nesse ponto, a metodologia científica parece seguir seu curso normal. É possível que sejam necessários alguns anos para que os cientistas cheguem a um consenso. Mas, do ponto de vista da saúde pública, decisões precisam ser tomadas para preservar vidas e nem sempre isso é possível ser feito com 100% de acertos. Por isso, a política pública é sempre uma mistura de saber técnico e prudencial, levando em conta os custos envolvidos e os benefícios prováveis de medidas que nem sempre podem ser tomadas como indisputáveis. Usar máscaras pode prevenir a infeção? O custo para sua adoção em momento de emergência é muito alto? Essas foram as perguntas que levaram gestores públicos nas mais diversas esferas a optar por sua adoção em praticamente todo o território nacional, ainda em 2020, e durando até o presente momento em muitos lugares.
Porém, é fato que a pandemia não é mais a mesma. A variante Ômicron, apesar de seu alto índice de transmissibilidade, tem uma taxa de letalidade consideravelmente menor que a anterior. Muitos locais do mundo já começaram a flexibilizar as exigências de distanciamento social, passaporte vacinal e uso obrigatório de máscaras, sendo a pandemia já classificada como endemia em algumas nações, como Espanha, Reino Unido, entre outras. Portanto, hoje, parece haver razões suficientes, de cunho prático e científico, para sustentar a posição de que chegou a hora de discutir com mais tranquilidade, também aqui no Brasil, quando e de que forma se dará o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras, como alguns estados e municípios já começaram a fazer.
Convém destacar que, se o uso da máscara podia ser considerado em face de um momento de exceção, como um razoável comportamento de natureza prudencial, sua normalização ad aeternum não deveria ser cogitada como possibilidade. É preciso considerar que o atual índice de vacinação da população brasileira cumpre a maior parte das exigências dos especialistas em saúde pública a respeito do que seria necessário para retornarmos, gradativamente, àquilo que um dia chamamos de normalidade. O fato que isso se associa a um enfraquecimento progressivo da própria doença reforça em muito o argumento de que, em algum momento, precisamos normalizar a convivência com o vírus.
Nesse debate, há um campo que merece atenção prioritária, tendo em vista que já foi demasiadamente prejudicado com a pandemia: a educação. Nas escolas brasileiras, é sabido ser impossível garantir a correta utilização da máscara por um contingente numeroso de crianças e jovens, além disso o item também prejudica o desenvolvimento da linguagem, a socialização e o reconhecimento de emoções. Mais ainda, por ser um lugar em que professores precisam lidar cotidianamente com problemas de concentração das crianças, as máscaras se tornam um empecilho não desprezível para o bom andamento das aulas e apreensão dos conteúdos. Em outros ramos de atividade humana, como a segurança pública ou a prática de esportes, o uso de máscaras pode ser prejudicial em mais de um aspecto, envolvendo o reconhecimento de suspeitos, o desempenho de atletas e até mesmo a saúde das pessoas.
É importante ressaltar que essa decisão deveria estar ao cargo do Poder Executivo, principalmente na esfera municipal, não ao do Poder Legislativo e muito menos ao Judiciário. Isso porque o atual nível de disseminação do vírus não é uniforme para todas as unidades da federação e municípios brasileiros. Num país continental como o nosso, é natural que algumas regiões registrem uma queda mais acentuada no número de infecções do que outras. A prioridade às realidades locais para a tomada de decisões se provou um caminho mais razoável no enfrentamento da pandemia. Não deveria ser diferente no caso das máscaras. Prefeitos e governadores precisam tomar decisões nessa direção conforme o cenário for se apresentando como mais favorável. A busca da normalidade deve ser uma meta factível para todos eles.
Convém destacar que, se o uso da máscara podia ser considerado em face de um momento de exceção, como um razoável comportamento de natureza prudencial, sua normalização ad aeternum não deveria ser cogitada como possibilidade
Conviver com a doença, desde início, era previsto como etapa inevitável pelas autoridades de saúde pública. Agora, com a imunização suficientemente ampla e acessível, e a rede hospitalar com capacidade para atender casos mais graves, temos condições de dar um passo adiante rumo ao cotidiano como o conhecíamos e planejar, de modo concreto, responsavelmente, o momento em que se dará o retorno à vida sem máscaras.