Convenção nacional do PDT que confirmou pré-candidatura a presidente de Ciro Gomes: muita gente no partido acha que o dinheiro do fundo eleitoral deveria ser investido nas campanhas a deputado| Foto: Divulgação/PDT
O presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, disse em entrevista que, se uma pessoa abastecer o carro com R$ 200 de combustível, a Petrobras só estará recebendo R$ 71. O resto fica pelo caminho. O imposto federal é pequenininho e o grosso mesmo dessa margem vai para o governo estadual. A mesma coisa com o botijão de gás. De um botijão vendido a R$ 96, a Petrobras recebe apenas R$ 38. Já o governo estadual leva R$ 43.
Aí as pessoas dizem: “poxa, mas por que a Petrobras não baixa o preço?”. É que ela não é a única produtora de combustíveis no Brasil. Existem 18 refinarias, sendo que 14 são da Petrobras. Mas se ela baixa o preço, as outras quatro vão falir, e a ideia não é essa, pelo contrário, o objetivo é estimular a iniciativa privada.
Aliás, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (16) que seria muito melhor que a Petrobras fosse privatizada, porque aí não pesava sobre o governo a alta dos combustíveis. E tinha garantia de que nunca mais partidos políticos e corruptos iriam meter a mão na empresa como fizeram no passado.
Reforma tributária Os senadores adiaram, mais uma vez, a apreciação da proposta de reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça que estava prevista para esta quarta-feira (16). Passaram para a quarta-feira da semana que vem. Agora eles foram rápidos para pegar R$ 3,8 bilhões dos nossos impostos para botar na cultura na tal da Lei Paulo Gustavo.
Será que agora é tempo de se fazer isso? A cultura é importante, mas já tem a Lei Rouanet para isso e agora mais essa. Eu não consigo entender o que passa na cabeça dos senadores.
Dinheiro para campanha
O jurista Modesto Carvalhosa diz que deveria ter havido um plebiscito para perguntar ao povo brasileiro se ele quer dar dinheiro para sustentar campanha eleitoral. Por que destinaram R$ 4,9 bilhões dos nossos impostos para campanha eleitoral. E o Supremo Tribunal Federal chancelou isso que o Congresso fez.
É um dinheiro enorme, mais do que o dobro do que era antes. E tudo porque o Supremo proibiu que tenha contribuição de empresas para campanha eleitoral. Eu acho que quem deve dar dinheiro é aquele que segue o partido, o seu filiado, que gosta do partido. Mas o STF proibiu e agora todo contribuinte é obrigado a destinar parte do seu imposto para bancar campanha de partido político.
Isso ainda está causando o maior problema no pessoal da terceira via, porque tem a cláusula de barreira esse ano. Quem não eleger no mínimo 11 deputados federais em nove estados, está fora, não recebe mais um tostão de dinheiro público. Os partidos estão disputando internamente para ver quem fica com mais dinheiro.
O Podemos, por exemplo, que tem Sergio Moro como pré-candidato, já tem 11 deputados, ou seja, já está no mínimo. Se não eleger 11 na próxima eleição, não sei como vai sobreviver. O partido tem R$ 200 milhões do fundo eleitoral para gastar e pretende dar só 10% desse dinheiro para a campanha do Moro. Só que esses “só” 10% são R$ 20 milhões, quase dez vezes o dinheiro que Jair Bolsonaro usou para se eleger em 2018.
O PDT tem R$ 250 milhões. Muita gente está dizendo que Ciro Gomes não terá chance de se eleger, que tem que usar esse dinheiro para reeleger quem já está no Câmara e de quebra garantir uma bancada maior. O União Brasil, que vai receber R$ 700 milhões, já está pensando em botar esse dinheiro para eleger governador.
Resumo da ópera: é uma festa com o nosso dinheiro. Deveriam no mínimo dizer obrigado para nós, pagadores de impostos, e que ainda vamos dar mandato a eles através do voto.
Em 2021, a energia elétrica brasileira ficou em média quase 1/3 mais cara. Além da inflação mundial elevada em virtude dos problemas econômicos causados pelas medidas de lockdown, a energia destoou negativamente do restante dos bens por força da maior crise hídrica enfrentada pelo país em quase um século somada à alta dependência pela matriz energética nacional da energia gerada por hidroelétricas.
O tema foi objeto constante de abordagem midiática. Há, contudo, um dado muito relevante nessa equação que, a meu ver, recebe insuficiente atenção: a oferta reduzida de energia elétrica não é só um problema de custo da conta de luz ou do risco de ficar uma noite no escuro. A oferta abundante de energia barata é um fator fundamental para o crescimento econômico e para a redução da pobreza.
Com efeito, há um farto registro de dados demonstrando que existe uma correlação clara entre a disponibilidade de energia e o padrão de vida. Veja no gráfico abaixo, por exemplo, o qual coteja níveis de uso de energia por pessoa e riqueza per capita no país, com números do ano de 2019. A curva ascendente deixa patente que à medida que o consumo de energia sobe (coluna da esquerda) a renda tende a subir também (linha inferior).
O gráfico também demonstra que a população nos países de renda elevada consumiu em geral mais de 30 mil kWh. A América do Norte ficou em quase 90 mil, ao passo que a maioria das mais importantes nações europeias giravam acima dos 40 mil kWh.
Enquanto isso, países africanos famosos pela extrema pobreza tiveram consumo de menos de mil kWh, e a média mundial registrou consumo de pouco mais de 20 mil kWh. O Brasil, por sua vez, ficou na casa dos 16 mil kWh.
Logo, é evidente que para o Brasil crescer e gerar melhores padrões de vida para sua população ele precisa ampliar significativamente sua oferta de energia a preços razoáveis. Isso exige que ele aumente de modo considerável sua produção de modo acelerado e sustentável. Dentre as fontes possíveis, a energia hidrelétrica já apresenta saturação de suas fronteiras em vista da dimensão das obras, o que implica em fortes impactos ambientais, além de que crises hídricas têm fortes efeitos sobre sua capacidade produtiva. A energia eólica e a solar, cada vez mais importantes, apresentam o problema da intermitência, fator de perda de eficiência e de menor segurança de fornecimento de energia para o sistema. As termelétricas, por sua vez, como veremos em detalhe à frente, são altamente poluentes, inseguras e, no Brasil, bastante caras.
Resta, portanto, a opção da energia nuclear. Seu uso destaca-se na Europa, Estados Unidos, Canadá e Rússia. Na França, por exemplo, quase 70% da energia elétrica é produzida por fontes nucleares, enquanto na Suécia e na Finlândia, por volta de 1/3. Após forte expansão na segunda metade do século passado, os níveis mundiais de energia nuclear produzida estagnaram nos anos 2000, sendo que no Brasil menos de 2% provém dela.
Aqui apontamos 3 razões pelas quais acreditamos que o Brasil deve investir pesada e urgentemente em energia nuclear.
1) ENERGIA NUCLEAR É ALTAMENTE SEGURA Todas as fontes energéticas possuem efeitos negativos, dentre os quais destacam-se: 1) poluição do ar; 2) acidentes ocorridos durante a construção das plantas, transporte ou manejo do processo produtivo; e, 3) emissão de gases de efeito estufa.
Examinando todas essas variáveis, a energia nuclear – assim como as demais renováveis – são muito mais seguras do que as energias geradas por combustíveis fósseis ou biomassa.
Veja os dados no seguintes gráfico:
A partir dele, podemos concluir que a energia nuclear resulta em 99,75% menos mortes do que o carvão (brown coal e coal); 99,6% menos que o petróleo (oil); e 97,5% menos que o gás.
Para tornar os números mais concretos: para cada cidade que consuma 1 terawatt-hora de energia elétrica por ano (na média, isso é consumido por uma cidade europeia de quase 200 mil habitantes), anualmente teríamos o seguinte número médio de mortes para cada tipo de energia:
i) 25 pessoas morreriam por ano a partir da produção de energia por carvão;
ii) 18 por petróleo;
iii) 3 por gás;
iv) enquanto, na média, ninguém morreria pela produção de energia nuclear. De fato, com uma taxa de mortes de 0,07 por ano, demoraria na média 14 anos para que a primeira pessoa fosse vitimada.
Ou seja, morrem mais de 350 vezes mais pessoas em decorrência da produção de energia utilizando carvão do que energia nuclear.
É curioso, porque esses fatos tendem a chocar-se contra o senso comum. O que ocorre com a energia nuclear é semelhante ao que acontece com os meios de transporte. Em geral, as pessoas têm muito mais receio de viajar de avião do que de carro ou ônibus, embora a chance de morrer num acidente de carro seja muito superior. Contudo, acidentes de avião tendem a ser mais chocantes, em virtude do número de pessoas que morrem em cada um deles e da forma como são noticiados. Do mesmo modo, ao ouvir falar de energia nuclear, o público tende a pensar em Chernobyl ou Fukushima, mas eventos como aqueles são extremamente raros e acidentes com contaminação não são a única causa de morte relevante.
Vale a pena chamar a atenção para o fato de que o raciocínio que você deve fazer não é: morrem pessoas por causa da energia nuclear, logo é melhor não utilizá-la. Na verdade, a energia será produzida, por uma fonte ou outra. Então a questão é: com qual fonte pouparei mais vidas? Logo, tendo em vista que no Brasil os gargalos energéticos são cobertos com energia fóssil das termelétricas, cada usina nuclear que dispense aquelas fontes estará salvando vidas.
2) ENERGIA NUCLEAR É UMA DAS FONTES DE ENERGIA MAIS LIMPAS Para além dos impactos de curto prazo, temos de levar também em conta os impactos de longo prazo de cada fonte de energia. Ou seja, examinar seus impactos não só para as presentes, mas também para as futuras gerações. Aqui, temos uma boa notícia: os interesses são coincidentes, visto que as energias mais seguras são também as menos poluentes.
É sabido que as energias renováveis tendem a ser mais limpas. O que é interessante perceber é que mesmo dentre as energias renováveis, a nuclear é a responsável pelas menores emissões de gases de efeito estufa.
Todos esses dados constam do seguinte gráfico, sendo que as barras da direita apontam os níveis de emissão:
Como se percebe, para cada tonelada de gases de efeito estufa emitida pela produção de energia nuclear cerca de 11 toneladas são lançadas na atmosfera pelas energias hídricas, as mais utilizadas no Brasil. Em relação aos combustíveis fósseis, a disparidade torna-se ainda maior: seguindo essa métrica, o carvão polui 273 vezes mais; o petróleo 180 vezes; enquanto o gás natural, 163 vezes.
3) ENERGIA NUCLEAR TEM CUSTO COMPETITIVO EM RELAÇÃO A OUTRAS FONTES Embora o custo de produção de energia eólica e solar tenha despencado velozmente ao longo dos últimos anos, os custos de produção de energia nuclear são competitivos em relação a outras fontes, tendo a vantagem de ser limpa, segura e constante (não intermitente).
De fato, embora a construção de usinas nucleares apresente custo elevado, o combustível nuclear é barato e de baixo volume, implicando em reduzidos custos de operação.
Conforme matéria veiculada neste jornal,
“Depois de construídos, reatores nucleares demandam pouca manutenção e, por isso, geram eletricidade a um custo mais baixo do que usinas movidas a vento ou luz do Sol — cuja oferta, no mundo inteiro, ainda é altamente subsidiada. Elas também ocupam muito menos espaço do que, por exemplo, uma usina hidrelétrica. Como podem ser construídos em qualquer lugar, os reatores nucleares reduzem os custos com linhas e estações de transmissão e distribuição.”
No Brasil, com exceção de Angra 3 (por razões particulares e excepcionais), a energia nuclear – gerada por Angra 1 e 2 – é comparativamente barata. Segundo dados fornecidos pela Eletronuclear relativos a setembro de 2021, a energia nuclear apresentou naquele período um custo entre R$ 20,12 e R$ 31,17 por mWh, enquanto a termelétrica mais barata não ficou abaixo de R$ 80,11, com a grande maioria pairando acima de R$ 200,00 e algumas delas ultrapassando R$ 700,00 e chegando a mais de R$ 900,00.
Por conseguinte, visto que a produção abundante de energia é essencial para o aumento do padrão de vida e a redução da pobreza, e levando em conta que a energia nuclear é limpa, segura e pode ser produzida com custos competitivos, cremos que o Brasil deve investir pesado e o mais rápido possível nessa espécie de fonte energética.
Foto: Alexander ZemlianichenkoPor Christian Shepherd e Lily Kuo
Em Pequim, pressão para que o país tenha uma ação decisiva sobre a Guerra na Ucrânia começa a aumentar
THE WASHINGTON POST – Em uma conversa recente entre especialistas americanos e chineses, o lado chinês, citando pequenas mudanças na linguagem, insistiu que Pequim estava se distanciando da guerra de Vladimir Putin.
Para os participantes americanos, segundo Jude Blanchette, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, que estava lá, a resposta incrédula foi: “Ah, é mesmo?”
“O argumento deles era que a linguagem estava mudando, embora sutilmente, para mostrar descontentamento com a Rússia”, disse Blanchette sobre a discussão durante o intercâmbio entre os especialistas. “Isso nos pareceu um molho muito fraco.”
O presidente da China, Xi Jinping, durante cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Inverno; pressão no país por posicionamento mais firme sobre a Guerra na Ucrânia aumenta. Foto: Gabriela Bhaskar/The New York Times
Três semanas após o início do maior confronto militar na Europa desde a 2ª. Guerra, o esforço da China para não desagradar nem a Rússia nem a coalizão internacional que impõe sanções a Putin parece cada vez mais insustentável.
Está crescendo uma desconexão entre a imagem de neutralidade que Pequim quer projetar e a estratégia de longo prazo do presidenteXi Jinping de promover laços com a Rússia como parceiro prioritário no impasse com os Estados Unidos e seus aliados.
Um risco geopolítico
A pressão dos governos ocidentais – e de acadêmicos e da opinião pública chinesas – está aumentando sobre a liderança chinesa para usar seus laços econômicos com a Rússia para forçar um cessar-fogo. Mas fazer isso é um risco para os líderes chineses, que têm pouca experiência em lidar com crises geopolíticas longe de seu território.
“A maioria da comunidade internacional está muito descontente com a posição da China, e a imagem internacional da China pode não melhorar como resultado”, disse Tong Zhao, membro do Carnegie Endowment for International Peace, com sede em Pequim. “Parece que a China não é muito habilidosa em jogar jogos geopolíticos internacionais.”
Apesar de algumas tentativas de se distanciar da Rússia, disse ele, a abordagem de Pequim permanece fundamentalmente a mesma e “muito genérica, porque não acho que a China saiba neste momento quais principais mudanças políticas deve adotar”.
Russian President Vladimir Putin attends a meeting with Chinese President Xi Jinping in Beijing, China February 4, 2022. Sputnik/Aleksey Druzhinin/Kremlin via REUTERS ATTENTION EDITORS – THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. Foto: SPUTNIK
Entre as mudanças de linguagem estava a decisão de Xi de chamar a invasão de “guerra” pela primeira vez ao falar com seus colegas alemães e franceses na semana passada – um afastamento de semanas de descrição oficial da guerra como uma “operação militar especial” ou uma “situação”.
O embaixador da China na Ucrânia, Fan Xianrong, reuniu-se na segunda-feira, 14, com o chefe da administração regional de Lviv e prometeu que a China seria “uma boa força para a Ucrânia, tanto econômica quanto politicamente”.
Sinais positivos de Pequim?
Esses ajustes nas mensagens diplomáticas e aberturas para a Ucrânia foram considerados sinais positivos por aqueles na Europa que estão ansiosos para que a China use sua influência sobre a Rússia para pressionar por um acordo negociado.
Mas suas esperanças provavelmente são infundadas, de acordo com Andrew Small, membro sênior do German Marshall Fund. “Existem pequenos pedaços de posicionamento tático para lidar com as consequências do apoio que eles estenderam à Rússia, mas nada se desvia dos fundamentos de apoio [a Putin]”, disse ele.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, sugeriu que seu país está disposto a ser um mediador, mas a China tem pouca experiência em atuar como pacificadora em disputas internacionais. Durante anos, a política externa chinesa tem sido uma extensão das prioridades políticas domésticas, onde a principal prioridade é preservar a segurança do regime. As poucas vezes em que a China esteve diretamente envolvida em negociações envolveu assuntos em sua esfera imediata de influência, como sediar diálogos de seis partes para retardar os programas de desenvolvimento nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, ou organizar conversas entre grupos rebeldes e a junta em Mianmar para evitar uma crise de refugiados em sua fronteira.
O melhor que a China poderia fazer, disse Small, seria sediar reuniões ou enviar mensagens entre as partes, mas as autoridades carecem de compreensão ou incentivo para pressionar as partes em direção a um acordo duradouro. “Eles não vão correr atrás de novas propostas para arranjos de segurança na Europa, porque isso pode explodir em seus rostos”, disse ele.
Teorias da conspiração e propaganda
Os esforços da China para se apresentar como uma parte neutra foram ainda mais prejudicados quando seu Ministério das Relações Exteriores apoiou teorias da conspiração russa sobre supostos programas de armas biológicas apoiados pelos EUA na Ucrânia, na semana passada.
“Isso é um mau presságio não apenas para o relacionamento da China com os Estados Unidos, mas também para seus laços com a Europa”, escreveram analistas da Alliance for Securing Democracy em um estudo recente sobre desinformação coordenada entre China e Rússia. “A resposta da China à invasão da Rússia é vista como um teste decisivo – e Pequim está falhando”.
Yang Jiechi, principal diplomata da China, encontra-se com o conselheiro de segurança nacional dos EUA Jake Sullivan em Roma em 14 de março de 2022. Foto: Jin Mamengni/Xinhua via AP
Há argumentos dentro da China de que Pequim está cometendo um erro tático ao ficar com Moscou e atacar o Ocidente. Um ensaio incomumente franco de um estudioso chinês sênior publicado no fim de semana argumentou que a tentativa de dividir a diferença entre a Rússia e o Ocidente poderia alienar grande parte do mundo e deixar a China em uma situação pior.
Para salvaguardar os interesses da China, Pequim deve escolher “o menor dos dois males e descarregar o fardo da Rússia o mais rápido possível”, escreveu Hu Wei, vice-presidente do Centro de Pesquisa de Políticas Públicas do Gabinete do Conselheiro do Conselho de Estado da China. “Atualmente, estima-se que ainda haja um período de janela de uma ou duas semanas antes que a China perca seu espaço de manobra. A China deve agir de forma decisiva”.
A liderança da China parece indiferente a tais apelos. O artigo de Hu foi censurado logo após ser publicado.
As autoridades chinesas, em vez disso, promovem o “princípio de segurança indivisível” da Rússia e argumentam que as preocupações de segurança de Putin são legítimas e causadas pela expansão da Otan e do apoio ocidental a “revoluções coloridas” e reformas democráticas. Embora as autoridades chinesas afirmem que a China apoia a paz e o fim da guerra o mais rápido possível, a mídia estatal é predominantemente pró-russa em suas reportagens, e as vozes e comentários antiguerra foram silenciados.
Em um ano em que Xi deve romper com a tradição e assumir um controverso terceiro mandato e estender seu governo sobre o país indefinidamente, uma reviravolta na crise da Ucrânia é impensável.
“Uma mudança dramática na Rússia vai levantar questões sobre sua liderança”, disse Yun Sun, diretor do programa da China no Stimson Center.
Muitas das preocupações da Rússia sobre a hegemonia ideológica dos EUA e os blocos de segurança ocidentais são compartilhadas pela China. Observar como os países ocidentais pressionam a Rússia pode ter consolidado uma visão de que reparar as relações com o Ocidente é uma causa perdida.
Os ministros da Defesa da Rússia, Serguei Shoigi, e da China, Wei Fenghe, assistem a exercício militar conjunto em 13 de agosto de 2021. Foto: Savitskiy Vadim/Russian Defense Ministry Press Service via AP
“Isso só contribui para a visão chinesa de que o próximo alvo estratégico do Ocidente é a China, e haverá um confronto entre a China e o Ocidente mais cedo ou mais tarde”, disse Zhao.
A mudança fundamental na posição da China em relação à Rússia pode ser vista comparando sua resposta à Ucrânia com a forma como ela lidou com a anexação da Crimeia por Putin em 2014. Naquela época, Pequim adotou uma posição mais cautelosa, nunca reconheceu a demanda russa e evitou apoiar as exigências de Moscou para que a Otan voltasse ao seu status anterior a 1997.
Desta vez, embora a China tenha expressado consternação com o conflito, seu apoio à posição anti-Otan da Rússia não vacilou.
“Esta é uma aposta de longo prazo que Xi Jinping fez”, disse Small. “Existem muitos relacionamentos que a China está disposta a descartar, mas também há uma visão de que você se apega a certos países e a Rússia é um pelo qual você se inclinará para trás”.
A título de baratear o diesel, congressistas interferem na autonomia dos Estados e, de quebra, podem ter contribuído para aumentar o preço do combustível
Notas & Informações, O Estado de S.Paulo
Nove Estados e o Distrito Federal (DF) poderão ser forçados a aumentar a carga tributária para se ajustar à nova lei, já sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo de São Paulo, um dos Estados com alíquota mais baixa, deve estar entre aqueles obrigados a aumentar a cobrança para se ajustar à nova regra. A decisão dos congressistas, alinhada aos interesses pessoais do presidente da República, indica despreparo, improvisação e disposição para intervir de forma autoritária na ordem federativa.
Os governos estaduais tributam o diesel, pelo velho sistema, cobrando um porcentual sobre o preço da bomba de combustíveis. A alíquota do tributo, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pode ser diferente em cada Estado. Pela nova lei, será cobrado, em todo o País, um valor fixo, em reais, por litro do combustível.
Na média do preço atual do diesel, a alíquota média do ICMS, convertida em valor, corresponderia a R$ 0,81 por litro, levando-se em conta a média do preço de referência. A alíquota de São Paulo equivaleria a R$ 0,74. Outros oito Estados, além do DF, também teriam espaço para aumentar a cobrança e se ajustar à nova regra. Os dados são de uma simulação produzida por secretários de Fazenda e publicada pelo Estadão.
Ao aprovar essa lei, congressistas embarcaram no populismo tosco do presidente da República, sem examinar as condições atuais da tributação e os problemas de adaptação ao novo sistema. Mostraram desinformação, despreparo e desconhecimento de um padrão tributário implantado há mais de meio século.
Quando o Brasil importou o modelo do tributo sobre o valor agregado, os governos estaduais abandonaram o Imposto sobre Vendas e Consignações e adotaram, em 1967, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (a palavra Serviços e a letra S apareceriam depois da reforma ocasionada pela Constituição de 1988).
Desde a implantação do ICM, há 55 anos, a diversidade federalista produziu efeitos positivos e negativos. Os Estados puderam ajustar o novo tributo às suas prioridades. Houve alíquotas menores para alguns produtos, como alimentos básicos, e maior tributação de itens selecionados, como viria a ser o caso da energia elétrica. Mas a diversidade levaria também à concessão de facilidades para atração de investimentos. Isso facilitou a modernização de áreas menos desenvolvidas, mas criou condições para a guerra fiscal.
Governos estaduais tentaram coordenar seus interesses por meio de um conselho de secretários de Fazenda. Nem sempre conseguiram. Por isso, alguns problemas foram levados, nem sempre com solução rápida e eficiente, ao Supremo Tribunal Federal. Houve, também, tentativas de eliminar a guerra fiscal por meio de reformas legais, às vezes muito tímidas. Mas, de modo geral, evitou-se o risco de soluções contrárias aos padrões federativos, mantidos desde a reforma de 1967.
O ICM, baseado num modelo em vigor na Europa e discutido no Brasil por vários anos, foi implantado, no período militar, como parte de um grande conjunto de reformas. A subordinação do tributo ao poder estadual foi uma diferença importante, e às vezes muito criticada, em relação ao modelo original. Mas a adoção do sistema foi um avanço, apesar de seus muitos problemas, quando comparado com o padrão anterior.
Hoje, é um tanto estranho, e com certeza assustador, ver os valores do federalismo atropelados no Congresso – e especialmente no Senado, a casa da Federação – mais de quatro décadas depois de extinta a ditadura. Mais que a improvisação e os erros técnicos, inquieta ver um Legislativo alinhado aos arroubos autoritários de um presidente da República tão distante dos valores democráticos quanto dedicado a seus interesses pessoais. O debate sobre combustíveis e ICMS envolve instituições, muito mais que problemas de mercado e de finanças públicas.
Imagine que a necessidade de estar próximo, mesmo em tempos de isolamento, seja suprida ou complementada pela possibilidade de interagir virtualmente com pessoas e objetos em ambientes virtuais, criados a partir de soluções tecnológicas que emulem com perfeição a realidade que conhecemos e estamos habituados. Não se trata apenas mais de bater um papo no chat, assistir a uma live ou compartilhar vídeos e fotos, mas ter uma experiência de convívio de fato em outra dimensão. Pois essa transformação digital, que podemos classificar como um ‘novo marco’ na era da Internet, já está acontecendo e é certo que com a universalidade do 5G, vai revolucionar, mais uma vez, nossos conceitos sobre convergência e interatividade.
Para aqueles que dizem se tratar de apenas mais uma panaceia marqueteira com elementos de teoria evolutiva futurista, posso afirmar que vestígios do Metaverso já fazem parte do nosso ecossistema digital, mesmo sem nos darmos conta disso, e os próximos capítulos dessa história mudarão radicalmente a maneira como nos socializamos em todos os sentidos.
Você acredita mesmo que estamos tão distantes desse mundo? Na verdade, essa tão comentada e discutida internet do futuro já existe e pode ser percebida de diferentes formas. As referências mais conhecidas desse múltiplo universo estão presentes nos games de realidade virtual como o Second Life e o Avakin, por exemplo. Mas, para se ter uma ideia melhor das possibilidades, junte a isso as funcionalidades da inteligência artificial utilizadas como ferramenta de evolução em inúmeros segmentos da cadeia produtiva e aos gadgets de realidade virtual, além da diversidade de dispositivos conectados à internet das coisas que dão sustentabilidade às smart cities, e teremos um panorama mais claro da revolução a qual já estamos imersos.
Calma, não é só isso. O Metaverso vai além, pois funciona como uma conversão de elementos que se conectam para trazer ao usuário uma experiência mais completa. Estamos diante de uma rede de ambientes virtuais em 3D mais imersiva e colaborativa que permite às pessoas (ou melhor, avatares) uma interação multidimensional entre si e com objetos digitais. Entretanto, é preciso que exista uma mixagem entre a realidade aumentada e a realidade atual para termos, de fato, o Metaverso que gere sensações únicas para as pessoas.
A National Retail Federation, federação que representa o varejo americano, promove anualmente o evento Retail Big Show. Na edição deste ano, o Metaverso é um dos temas recorrentes durante as palestras. Por ser uma tendência e ter ganho força neste período pandêmico que estamos vivendo, o Metaverso atrai marcas e consumidores para o mundo virtual. Segundo dados apresentados na NRF 2022, apenas 38% dos consumidores globais afirmaram ter ouvido falar do termo Metaverso, entretanto, temos visto o digital redefinir às relações de consumo, na qual 62% dos usuários disseram que se sentem mais próximos ao interagir com uma marca digitalmente. Já 85% das pessoas relataram que a presença digital será essencial para que uma marca seja bem-sucedida no futuro.
O trabalho, o lazer, a diversão e o aprendizado nunca serão mais como antes. Imagine o número de possibilidades que teremos, incorporando recursos que podem se estender a métodos educacionais virtuais mais interativos, advergames mais simplificados e ferramentas corporativas para integração dos espaços presenciais das sedes empresariais aos home offices de colaboradores ao redor do mundo. Isso, só para citar algumas.
Como não poderia deixar de ser, o universo Campus Party já foi impactado por essas ideias, como nas últimas edições digitais, onde palestrantes e campuseiros puderam compartilhar sensações e experiências no Campus Verso, plataforma desenvolvida em parceria com a Benkyou, com modelagem em 3D de alguns ambientes físicos do evento.
Durante a pandemia, à propósito, os eventos digitais tiveram que cumprir um papel ainda mais agregador, conectando pessoas de todos os cantos do mundo e expandindo relações, em contraposição às restrições de convívio presencial. Agora, com um pouco mais de liberdade para sair de casa em segurança, podemos aprofundar ainda mais essas experiências, construindo experiências híbridas definitivamente sem fronteiras.
Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.
São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.
Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.
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A Igreja dos Apóstolos Sagrados Pedro e Paulo, no centro de Lviv, está lotada. Uma multidão se despede de quatro militares mortos no ataque de mísseis à base militar de Yavoriv no último domingo, com cânticos e orações.
Os quatro caixões estão na nave central. Em um altar lateral, uma bandeira com o rosto de Cristo pende de uma cruz rodeada por pedaços de mísseis, de granadas de artilharia, cantis varados por projéteis e uma massa irreconhecível de metais retorcidos por explosões.
O ataque a Yavoriv foi o maior na região de Lviv desde o início da guerra. Pelo menos 35 pessoas morreram e 134 ficaram feridas. Os russos afirmaram ter matado 180 “mercenários” e destruído um estoque de armas enviadas pelo Ocidente.
A base está na principal rota de entrada de armas de “defesa” da Otan (na maioria mísseis e foguetes antitanque) da Polônia para a Ucrânia. O ataque é uma indicação de que a Rússia passará a bombardear as linhas de suprimento ucranianas.
Mas um bombardeio tão próximo de uma região outrora vista como um porto seguro na Ucrânia parede ter afetado o ânimo de milhares de voluntários e civis, que há alguns dias procuravam animados formas de se engajar na luta contra a Rússia. Eles faziam trabalhos como organizar e distribuir alimentos, produzir redes de camuflagem ou atuar na “guerra de internet” – a propaganda ucraniana feita nas redes sociais.
Segundo o governo ucraniano, ao menos 1,3 mil militares já foram mortos no confronto com a Rússia. As potências ocidentais estimam que esse número pode chegar na realidade a 4,5 mil, no momento atual. O número de mortes de civis passa de 635, segundo a ONU.
Essas estatísticas começam a tomar a forma de funerais e dor. A euforia da batalha dá lugar à tristeza, mas não a ponto dos ucranianos deixarem de acreditar na vitória contra o invasor russo. As dificuldades parecem unir ainda mais o povo.
Em uma base do exército de localização secreta em Lviv, centenas de pessoas que conseguiram escapar de cidades bombardeadas em todo o país se apresentam para o governo local. Mulheres e crianças são encaminhadas para abrigos ou para fora da Ucrânia.
Os homens recebem documentos e são encaminhados para unidades militares, onde receberão armas e um treinamento breve. Em um prédio próximo da fila de deslocados internos, é possível ver um grupo de senhores em roupas civis saindo de um quartel carregando fuzis de assalto Kalashnikov e baionetas com aspecto de novos.
“Eu vim aqui para defender o meu país. Tive que deixar a minha cidade, que agora está nas mãos dos russos. Eles estão fazendo pilhagens e matando todos, inclusive crianças”, disse o voluntário Viktor Bilanko.
Ele também afirmou que sua família está com medo do que pode acontecer a ele, mas entende que nada pode ser pior que o cenário em que o país é dominado pelos russos.
Com todos os homens em idade militar sendo enviados para as trincheiras, parece só restar agora aos ucranianos esperar por ajuda internacional.
“Nós esperamos que a Otan venha nos ajudar, mas também desejamos que os países de todo o mundo venham nos ajudar. Porque essa guerra é contra o mal número 1 do mundo: a Rússia. As pessoas do mundo todo têm que entender que hoje travamos uma batalha entre o mundo civilizado e o mal”, disse o militar do exército ucraniano Taras Esachyk.
A recente crise dos combustíveis quase fez com que os brasileiros não atentassem para a boa notícia da semana: em janeiro deste ano, o Brasil criou 155.178 postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.
O setor de serviços liderou a retomada do emprego, com 102 mil novos postos de trabalho, na esteira do fim das restrições provocadas pela pandemia da Covid-19. Em seguida, com 51,4 mil empregos, vem a indústria, e a construção, com 36,8 mil novos postos de trabalho. A maior parte dos empregos (48,3 mil) foi criada em São Paulo, seguido de Santa Catarina (23,4 mil), Paraná (18,4 mil), Rio Grande do Sul (17,1 mil) e Mato Grosso (14,7 mil).
A renda média dos trabalhadores brasileiros também registrou aumento real. O salário médio de admissão em janeiro de 2022 foi de R$ 1.920,59, um aumento de R$ 115,24 comparado com o mês anterior – aproximadamente 6,38% de variação.
Os números confirmam a resiliência da economia brasileira. Em números absolutos, o país já superou o período da pandemia com folga. O desemprego já está chegando aos níveis anteriores da COVID-19, mas não dá para descansar. O país ainda está muito longe dos níveis de empregabilidade que marcaram o início da segunda década deste século. Levantamento publicado pela consultoria IDados no início fevereiro deste ano aposta que o país deve terminar o ano de 2022 com saldo positivo de apenas 500 mil novos postos de trabalho, ficando cerca de 12 milhões de brasileiros na condição de desempregados, uma redução projetada de 0,4% no índice de desemprego se comparada com os números de dezembro de 2021, quando o IBGE divulgou uma taxa de desemprego de 11,6%.
É claro que essa projeção levava em conta os riscos então incertos da variante ômicron. Com a pandemia dando sinais de recrudescimento, o mercado já dava sinais de maior alívio, mas o advento da crise internacional de combustíveis trouxe de volta a incerteza, dado os riscos de recessão global. O preço dos combustíveis e do gás de cozinha tem impacto direto no orçamento dos brasileiros, gerando aumentos nos preços das passagens, da comida e de outros produtos. E a incerteza envolvida no futuro da economia internacional traz insegurança para investidores e empresários.
Em face da atual ameaça ao emprego formal representada pelos riscos de recessão global, conforme tratamos em profundidade noutra ocasião, faz-se necessário olhar atento para transformar turbulências em oportunidade. Nesse sentido, convém reconhecer que algumas medidas da equipe econômica do governo têm resultado num clima de negócios favorável. É o caso do prosseguimento na agenda de concessões e privatizações, redução da burocracia, redução de barreiras de entrada em setores muito regulados (combustíveis, por exemplo), flexibilização das relações trabalhistas e programas que possam melhorar a qualificação dos trabalhadores, como o carteira verde-amarela.
Contudo, medidas estruturais mais impactantes necessitam de empenho maior por parte do governo, já que, num momento de crise, o ônus político da paralisia cobra muito mais caro do que muitas medidas que podem parecer impopulares num primeiro momento. É o caso da reforma tributária, cuja aprovação permanece ainda pendente no Senado. E da reforma administrativa, igualmente sem avanço, que poderia representar uma folga importante nos cofres públicos para permitir maiores investimentos num cenário tão incerto. Em outras situações recentes, o governo já mostrou que é possível usar emergências para apresentar soluções estruturadas. Não há motivo para acreditar que seria impossível fazer o mesmo com a retomada do emprego. Basta a vontade política de não deixar o Brasil parar.