segunda-feira, 14 de março de 2022

TRANSPLANTES HUMANOS COM ORGÃOS DE ANIMAIS ESTÁ BASTANTE ADIANTADO

  1. Ciência 

Entenda como funciona

Cirurgias com coração e rins de porco abrem caminho na ciência e podem reduzir espera de pacientes

Leon Ferrari, O Estado de S.Paulo

David Bennett, de 57 anos, ganhou um novo coração em janeiro, em um transplante. A diferença para outros pacientes é que ele recebeu o órgão geneticamente modificado de um porco – foi o primeiro procedimento do tipo já registrado. A recuperação do paciente nas semanas seguintes animou médicos, mas após dois meses ele não resistiu. O nome dele, porém, já entrou para a história: o fato de a cirurgia ter sido concluída com êxito e ele ter sobrevivido dois meses são considerados marcos para a medicina e a ciência. 

Para comparação, o primeiro humano a receber transplante de coração convencional, em 1967, viveu mais 18 dias. Nos anos seguintes, a técnica foi melhorada e vem salvando milhares de vidas. “Vai aperfeiçoando a técnica, para que a cada vez se tenha resultado clínico melhor”, diz a geneticista da Universidade de São Paulo (USP) Mayana Zatz.

Xenotransplante
Transplante de coração suíno em humano na Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland; comunidade científica, antes reticente, passou a ter mais compreensão de que vale a pena testar xenotransplantes (entre espécies diferentes) Foto: University of Maryland School of Medicine (UMSOM)/Apostila via REUTERS

Nas últimas décadas, especialistas buscam alternativas aos transplantes homólogos (entre humanos), diante do cenário de alta demanda de órgãos e de escassez de oferta. Casos como o de Bennet e de dois outros pacientes, que receberam rins de suínos no ano passado, inauguram uma outra fase na área dos xenotransplantes (transplantes entre espécies diferentes). 

Nos dois outros casos, nos Estados Unidos, o órgão modificado foi acoplado ao corpo de paciente com morte cerebral. Segundo publicações em revistas científicas e material divulgado à imprensa, os procedimentos foram bem sucedidos. Para os próximos meses, os cientistas esperam mais estudos em humanos. “Vai explodir agora”, avalia Mayana, envolvida em pesquisa de xenotransplantes no Brasil. 

“Acompanhando a evolução desses primeiros pacientes, teremos mais informações do que tivemos nos últimos dez anos”, acrescenta o pesquisador Silvano Raia, pioneiro do transplante de fígado na América Latina. 

Ganha espaço na comunidade científica a compreensão de que vale a pena autorizar testes do tipo. David Cooper, cirurgião do Hospital Geral de Massachusetts (EUA) e um dos pioneiros nas pesquisas de xenotransplantes, disse à revista Nature que está na hora de “irmos para as clínicas” para ver como esses órgãos se comportam em humanos.

Desafios

Em 1984, a recém-nascida Stephanie Fae Beauclair, com doença congênita terminal, recebeu transplante de um coração de babuíno e sobreviveu por cerca de 20 dias. O caso Baby Fae chocou a sociedade da época. 

“(A reação) foi muito contrária tanto na classe médica quanto na sociedade”, lembra Raia. A criança, porém, não foi a primeira a receber órgão de espécie diferente. Desde os anos 1960, profissionais estudam essa possibilidade. Ele explica que, já na década de 1980, houve a compreensão de que porcos são a melhor opção. Isso por serem de fácil manuseio e similares, fisiológica e anatomicamente, aos humanos. “Há semelhança de 96% entre o genoma humano e o do suíno. Se fosse muito diferente, provavelmente não daria para usar os órgãos,” diz Mayana.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=yqrmlQ

O transplante de um porco comum, porém, cria rejeição hiperaguda, que exige explante imediato. Por isso, até por volta de 2005, os cientistas se dedicaram a modificar geneticamente esses animais. Mayana destaca que os avanços nos xenotransplantes se deram por descobertas na genética. “Primeiro, a clonagem da ovelha Dolly (em 1996). Depois, o sequenciamento. E, mais recentemente, a técnica do CRISPR (tesoura genética)”, lista.

A edição genética envolve knockouts (bloqueios) e knock-ins (adições) de genes. O cientista pega células de porcos recém-nascidos, bloqueia os genes responsáveis pela produção dos açúcares que geram a rejeição e insere genes humanos para moderar a resposta imune do paciente. A célula modificada é introduzida em um óvulo sem núcleo (sem material genético). Mesmo não sendo uma clonagem, usa-se técnica de transferência de núcleo aprendida com a Dolly.

Mayana destaca que rim, coração, córnea e pele são as estruturas mais visadas nas pesquisas. Rins suínos modificados devem ser a aposta mais comum. Isso não é por acaso: se o xenotransplante falha, é possível colocar o paciente em hemodiálise, máquina que funciona como rim artificial. 

Por ora, um grupo específico de pacientes deve receber o órgão modificado: doentes em fase terminal, quando o transplante seja a única terapia viável. “A previsão de sobrevida deve ser menor do que o tempo para receber transplante humano”, diz Raia. O paciente precisa também ser meticulosamente informado sobre a cirurgia e assinar documento de consentimento.

Avanços

Food and Drug Administration (FDA), agência americana similar à Anvisa, tem avançado nas liberações. Em 2020, aprovou a primeira alteração genômica intencional em uma linha de porcos domésticos, os GalSafe, para uso como alimento e fonte potencial para tratamentos humanos. No fim de 2021, deu autorização emergencial para Bennett receber o coração suíno.

Com doença cardíaca terminal, Bennett havia sido considerado inelegível para o transplante convencional ou para receber bomba cardíaca artificial. “Era morrer ou fazer esse transplante”, declarou ele, um dia antes da cirurgia. “Sei que é um tiro no escuro, mas é minha última escolha”, disse. 

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David Bennett,  57 anos, com doença cardíaca terminal, com doença cardíaca terminal aceitou receber o transplante de coração de porco Foto: University of Maryland School of Medicine (UMSOM)/Apostila via REUTERS

“Se chegar ao ponto em que 100 pessoas no mundo tiverem mais 12 meses de vida (com coração de porco) nos próximos cinco ou dez anos, será incrível”, disse ao Estadão Darren Griffin, professor de Genética da Universidade de Kent, no Reino Unido. 

Para que o órgão não fosse rejeitado pelo sistema imune, Bennett tomava remédios imunossupressores. Um bom sinal foi ele ter vencido a rejeição hiperaguda, que geralmente ocorre minutos após o enxerto, seguida de trombose disseminada nos vasos do transplante e necrose, exigindo explante imediato. Pesquisadores devem criar suínos cada vez mais “compatíveis” com os humanos, para evitar rejeição, além de calibrar o uso de imunossupressores.

Na opinião de Raia, os dilemas éticos não serão os mesmos da época do caso Baby Fae. “As sociedades que defendem os princípios éticos sempre visam a salvar vidas”, afirma. Já Griffin prevê pressão de ativistas defensores de animais. “Eles provavelmente vão achar problemático criar um animal para salvar uma vida humana”, aponta.

Ele também vê risco de desigualdades. “Sempre haverá doadores humanos. Cria uma ‘classe’ de ricos ou privilegiados o suficiente para receber um órgão humano. E o resto recebe o de um porco que, mesmo sendo o melhor do mundo, não funcionará tão bem quanto um humano”, destaca. “Quem vai escolher?”

Benefícios

A busca por “órgãos adicionais” tem por trás uma limitação dos transplantes homólogos: não há órgãos suficientes para quem precisa e milhares morrem nas filas de espera – o que deve aumentar com a tendência de envelhecimento populacional. “Com o decorrer dos anos, os resultados dos transplantes melhoraram muito”, diz Raia. “Ao mesmo tempo, tem aumentado a idade média da população e, em consequência, o número de doenças graves que podem chegar a estágios cuja única solução é substituir o órgão.”

“Vamos precisar de soluções”, ressalta o médico Gustavo Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). O Brasil fechou 2021 com 47.974 pacientes adultos e 976 crianças e adolescentes na espera. Esse total, porém, traz distorções criadas pela pandemia. “O número de pacientes cresceu, mas não conforme seria esperado pela redução de transplantes”, diz. “Reduzimos de 2019 para 2020 em torno de 30%. E 2021 foi o pior ano da atividade.”

Xenotransplante
Transplante inédito demonstrou que um coração de porco geneticamente modificado pode funcionar no lugar de um órgão humano sem rejeição imediata pelo corpo Foto: University of Maryland School of Medicine (UMSOM)/Apostila via REUTERS

O transplante renal é o mais demandado. Isso, explica Ferreira, pela possibilidade de hemodiálise, que permite o doente viver sem a estrutura funcional, e pelo avanço de doenças como hipertensão e diabete. 

Cirurgião-chefe do serviço de transplante de fígado do Hospital de Base de Rio Preto, Renato Ferreira da Silva vislumbra, em uma segunda fase dos xenotransplantes, a possibilidade de um animal desenvolvido especificamente para um único indivíduo, com base nas características do sistema imune. “Você terá o seu porco-irmão”, explica. Isso associado a exames de previsão de desenvolvimento de doenças.

Conforme a revista Nature, há só uma empresa com instalações adequadas para criar porcos para estudo clínico, a Revivicor. A tecnologia é cara. “O que temos de ver é a relação de custo e benefício”, diz. Para o cirurgião, o xenotransplante permite reduzir outros gastos envolvidos em um transplante homólogo. Quando houver xenotransplantes em larga escala, aponta, será possível diminuir despesas com internações em UTI, de pacientes à espera de órgãos. 

Haverá, também, mais previsibilidade no horário e evitar operações à noite – o que baixa os valores pagos à equipe. Como não é possível conservar os órgãos em boas condições por longos períodos, muitas vezes os profissionais são acionados às pressas para o transplante. Além disso, reduz-se o período em que o doente fica improdutivo economicamente, aguardando o novo órgão. 

Pesquisa brasileira depende de recurso para construir criadouro de porcos

A equipe liderada pelo pesquisador Silvano Raia estuda xenotransplantes suínos desde 2017 no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células Tronco da USP. Com a edição genética pronta, o grupo agora espera recursos para construir um criadouro biosseguro, ou pig facility, e contratar mais bolsistas. A iniciativa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e da farmacêutica EMS.

Recentemente, após contato com cientistas de Auckland, na Nova Zelândia, começou a ser estudada a possibilidade de importar células embrionárias de uma raça de porco especial, segundo Raia. Esses animais pesam, no máximo, 140 kg – diferente de outras raças, que alcançam 400 kg. Além disso, os animais ficam isolados no Polo Sul, longe do contato com patógenos. Assim, a edição genética é simplificada. “Diminui o custo, o trabalho”, explica a geneticista Mayana Zatz.

 

EXEMPLOS DE GRANDES MARCAS DE SUCESSO

 

Renato Ribeiro

Histórias de sucesso de grandes marcas como Apple e AirBnB servem de exemplo e inspiração para qualquer empreendedor e profissional. Por isso, vamos contar sobre elas e outras 5 empresas bem-sucedidas.

Quando somos apresentados a uma pessoa logo começamos a fazer perguntas para entendê-la melhor. Por quais experiências já passou, de onde veio e o que faz são apenas alguns pontos em que buscamos algo em comum para que possamos nos identificar. Além disso, queremos saber suas histórias de sucesso (e de fracassos também).

Com as marcas não é tão diferente. Não são só missão, visão e valores que nos fazem escolher um negócio como nosso favorito. A maneira como os conceitos são passados influencia bastante na nossa percepção.

Empreendimentos que apostam em contar histórias para se aproximar do público, por exemplo, são mais bem-sucedidos ao transmitir essas ideias, que por sua vez se tornam fáceis de memorizar.

Talvez você não se lembre em que ano a Microsoft foi fundada, mas sabe que Bill Gates a criou em sua garagem. São as histórias de sucesso contadas por grandes marcas que continuam em nossas mentes e corações e compõem nosso entendimento delas.

Neste texto, vamos visitar algumas narrativas que se tornaram parte do imaginário popular, geraram buzz e serviram para aumentar o reconhecimento de empresas ao redor do mundo. Confira!

1. Converse

É provável que você já teve um All Star Chuck Taylor. Esse símbolo de rebeldia, criado pelo Converse em 1917, foi lançado para servir a jogadores de basquete, mas algumas décadas depois foi substituído por tênis da Adidas e da Puma que ofereciam melhor performance para a prática esportiva. O marketshare da empresa diminuiu e, em 2003, ela foi comprada pela Nike.

Porém, ainda vemos muitos tênis da Converse por aí. O que aconteceu? A nova gestão da marca passou a priorizar o valor sentimental da peça que comercializa e a associá-la a quem nunca a abandonou: as grandes estrelas do rock. De Joe Ramone a Kurt Cobain, muitos artistas integraram esse sapato a seu estilo e criaram moda com ele.

Em 2007, a campanha“History Made and The Making” concentrou-se em evocar justamente essa história, mostrando a importância cultural dos Converses desde a criação da NBA até a popularização do rock’n’roll.

Associada a um revival de modelos tradicionais, em versões inspiradas em quem já os vestiu, ela se tornou um grande exemplo de como marcas podem se inspirar no que aconteceu a elas para se fixarem no imaginário coletivo. Um grande marco nas histórias de sucesso!

2. Apple

A campanha“Get a Mac” da Apple é estudada em todos os cursos de publicidade pela eficácia que teve junto ao público. Criada a partir da comparação entre os computadores da marca de Steve Jobs e aqueles produzidos pela Microsoft, ela durou 3 anos e é provavelmente uma das mais conhecidas do mundo.

Utilizando dois atores, a marca personificou seus produtos neles, comparando um jovem descolado e um executivo sisudo. Ali, a Apple contava uma história: a de que seus produtos são diferentes porque podem fazer de você eficiente, sem torná-lo “quadradão”.

Para uma empresa que sempre valorizou designs ousados, sistemas que se integram facilmente uns aos outros e softwares que podem ser utilizados com facilidade mesmo por quem acabou de ser apresentado a um computador, nada poderia transpor melhor essas ideias do que as conversas entre os dois personagens.

Em alguns anúncios de 20 segundos, os criativos da Apple conseguiram passar todos os valores da organização em que trabalham, sem remeter diretamente a eles. A Apple tem até hoje algumas das maiores histórias de sucesso na tecnologia.

3. O Boticário

Há alguns anos as campanhas mais importantes da O Boticário, como aquelas lançadas para o dia dos namorados, dos pais e das mães são baseadas em histórias. É esse o caso dos filmes criados em“Toda forma de Amor”, um minicurta metragem sobre como as pessoas se conhecem e se apaixonam.

Ali, dá para ver como a marca valoriza todos os seus clientes, independentemente do credo, cor ou sexualidade deles e cria produtos com a única aspiração de que sejam símbolos do amor, para que sejam suas próprias histórias de sucesso.

4. Always

Você sabe de onde veio a expressão “lute como uma garota”? A Always, marca de produtos femininos, resolveu inspirar toda uma campanha na ideia de que meninas podem fazer o que quiserem e reuniu depoimentos de suas consumidoras sobre como elas quebraram barreiras em suas áreas.

Na primeira parte do filme, vemos estereótipos do que uma garota pode fazer e, na segunda, o que elas fazem de verdade. Voltada para o público que acaba de chegar a puberdade, a campanha foi um sucesso na arte de contar histórias.

5. Old Spice

O desodorante Old Spice é um dos produtos masculinos mais conhecidos no mundo, mas as coisas não andavam bem para a marca nos anos 2000. O mercado tinha mudado de linguagem e produtos, como os produzidos pela Axe, se tornado cada vez mais comuns, apelando para um público mais jovem do que o clássico Old Spice fazia. Os novos produtos não chamavam a atenção dessa fatia do mercado e as vendas estagnaram.

Até que nasceu a campanha “Smells like a Man”, com prints, anúncios na TV e sites interativos inspirados na masculinidade representada há muitos anos pela marca e por jogadores da NBL como Isaiah Mustafa. Sem mudar de identidade ou tentar ser jovem como a concorrente, o anúncioThe Man Your Man Could Smell Like sozinho foi o suficiente para aumentar as vendas do produto em27% nos EUA.

6. Do Bem

A do Bem utiliza a própria história para inspirar consumidores desde que foi lançada. Criada por “jovens cansados da mesmice”, ela já contou em suas peças publicitárias tanto a narrativa de como seus sócios largaram os empregos tradicionais para virarem especialistas em suco quanto a origem das frutas que vão parar na caixinha (a fazenda do senhor Francisco).

Sua missão, visão e valores estão presentes em todas as peças, que prezam pela simplicidade e pela inovação. Dentre seus promocionais o mais importante é a caixinha do produto, que a cada vez que é manuseada lembra, em texto, como tudo começou.

7. Airbnb

Algumas marcas têm como consumidores os seus protagonistas e a Aibnb é uma delas. Afinal, são eles que movem todas as operações do negócio, abrindo suas casas para terceiros e oferecendo atrações como passeios guiados pela cidade. Por isso, a comunicação da empresa é voltada para as histórias da comunidade do Airbnb, que são contadas noblog da marca.

Mas foi a campanha“Belong Anywhere” o maior acerto da startup. Ali, ela mostra o que alguém pode esperar ao se hospedar pelo Airbnb e quantas histórias terá para contar depois da experiência.

Quando marcas contam boas histórias nos lembramos delas. Isso nos torna mais próximos do que fazem, ajuda a nos identificarmos mais com os produtos que comercializam e permite que elas criem campanhas de marketing inspiradoras.

Vendas pela internet com o site Valeon

Você empresário que já escolheu e ou vai escolher anunciar os seus produtos e promoções na Startup ValeOn através do nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace aqui da região do Vale do Aço em Minas Gerais, estará reconhecendo e constatando que se trata do melhor veículo de propaganda e divulgação desenvolvido com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas daqui da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e conseguimos desenvolver soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

Insistimos que os internautas acessem ao nosso site (https://valedoacoonline.com.br/) para que as mensagens nele vinculadas alcancem um maior número de visitantes para compartilharem algum conteúdo que achar conveniente e interessante para os seus familiares e amigos.

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nas lojas passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nas lojas a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para as empresas.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por 83.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por 700.000 pessoas , valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

domingo, 13 de março de 2022

PETROBRAS JUSTIFICA AUMENTO PARA EVITAR DESABASTECIMENTO

 

ISTOÉ

Após os reajustes promovidos esta semana nos preços de gasolina, diesel e gás de cozinha, a Petrobras publicou neste sábado, 12, dois vídeos em sua página na internet justificando os aumentos. Conforme a estatal, o último reajuste foi necessário para manter o fornecimento por todas as empresas, mitigando riscos de desabastecimento. A empresa diz que não repassou imediatamente a elevação recente nas cotações do petróleo pois “não transmite volatilidade e sabe da importância de contribuir com combustível acessível.”

Na publicação, a companhia alega que seu lucro recorde em 2021 pode parecer alto, mas na verdade não é. Segundo a empresa, o lucro é compatível com o tamanho dos investimentos. A estatal fechou o ano passado com um lucro inédito de R$ 106,7 bilhões. “Você imagina o quanto é necessário de investimentos para produzir o combustível que chega até você. É um investimento bilionário”, diz.

De acordo com a Petrobras, a taxa anual de retorno empregado na operação da companhia em 2021 foi de 8%, ficando, conforme a estatal, “apenas 2% acima do custo da sua dívida, um retorno justo.”

A publicação diz que a empresa é uma das que mais investem no Brasil e que mais da metade do seu caixa retorna para a sociedade através de tributos, participações governamentais e dividendos para os Estados.

Em 2021, a estatal informa que pagou por hora R$ 23 milhões em impostos e tributos, e que gerou cerca de 10 mil empregos para cada R$ 1 bilhão de investimentos em exploração e produção. “Estamos investindo mais de R$ 70 bilhões por ano, estamos beneficiando mais de 4 milhões de pessoas com aquisição de gás de cozinha para famílias vulneráveis.”

Por fim, a companhia afirma que “aqui não existe monopólio e outras empresas, assim como a Petrobras, também produzem e importam combustíveis”. Segundo a empresa, preços do mercado asseguram o funcionamento e o abastecimento do País. promovido por diversas empresas.

TSE PRECISA DE AUDITORIA EXTERNA DURANTE A VOTAÇÃO

 

Eleições
Eleições 2022
Segurança do voto

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília

Formado pelo ITA, Carlos Rocha batalha há anos pela patente do primeiro modelo de urna eletrônica.| Foto: Arquivo pessoal

O engenheiro Carlos Rocha, que nos anos 1990 participou da criação da urna eletrônica, defende o controle externo sobre o processo de votação. Com isso, para ele, nem haveria necessidade de implementar o voto impresso para conferir os resultados. Seria uma solução intermediária em meio a uma nova guerra aberta entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o presidente Jair Bolsonaro em torno das urnas eletrônicas, que agora também conta com a participação do Exército.

Formado pelo ITA e empresário do ramo de tecnologia, Rocha batalha há mais de 20 anos na Justiça pelo reconhecimento de que pertence a ele a patente pelo primeiro modelo da urna eletrônica, que foi depois adotado pelo TSE e que, de lá para cá, passou por vários aperfeiçoamentos.

Ele considera o equipamento bom e também reconhece a capacitação de técnicos do TSE. Mas sustenta que, sem certificação independente da urna eletrônica e de seus sistemas, não há como garantir a confiabilidade da votação eletrônica. Essa certificação, segundo ele, poderia ser realizada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), autarquia pública vinculada ao governo; e também por auditorias externas, feitas por empresas especializadas.

De acordo com Rocha, o problema está na centralização de todo o processo no TSE, em que um grupo restrito de técnicos controla a elaboração do código-fonte, as ferramentas que o protegem e sua instalação nas urnas, e os testes feitos com especialistas externos.

“São necessárias auditorias independentes do TSE, que sigam as melhores práticas consolidadas, para garantir a integridade dos equipamentos e sistemas, antes, durante e após a eleição, e para assegurar a assertividade da totalização de resultados”, disse o engenheiro e empresário, em entrevista à Gazeta do Povo.

Assim como outros especialistas, ele não corrobora declarações de Bolsonaro e parte de seus apoiadores de que teria ocorrido fraude na eleição de 2018 ou de que existiria manipulação para adulterar votos no programa que roda dentro da urna. Mas avalia, por outro lado, que não há instrumentos disponíveis para rechaçar de forma segura essas hipóteses, justamente porque o sistema é fechado.

Carlos Rocha entende que a centralização aumenta os riscos, porque falhas humanas internas ou mesmo vulnerabilidades dos sistemas do TSE podem abrir brechas para invasores externos que queiram adulterar o software da urna. Isso ocorreu em 2018, quando um hacker, passando-se por funcionário da Justiça Eleitoral, conseguiu entrar em sistemas internos a partir de máquinas de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e navegar por eles durante meses.

O engenheiro considera que o Comando de Defesa Cibernética do Exército, que passou a integrar uma comissão formada pelo TSE para fiscalizar o sistema de votação, pode colaborar para aperfeiçoar o sistema. Mas ele avalia que o melhor seria “segregar as funções”, permitindo que outros atores participem da certificação e verificação do sistema.

Leia abaixo, a entrevista concedida pelo engenheiro. Ela partiu das respostas dadas pelo TSE a dezenas de perguntas feitas pelo Exército no âmbito da comissão de fiscalização. da votação eletrônica.

É possível identificar vulnerabilidades, problemas ou falhas no sistema eletrônico de votação, com base nas respostas dadas pelo TSE ao Exército? Se sim, o que seria o mais grave, na sua visão?

Carlos Rocha – As respostas confirmam a falta de controle externo independente sobre o TSE, sobre os técnicos da administração eleitoral. Isso gera um grave risco de quebra de segurança no sistema eleitoral brasileiro, sem deixar qualquer rastro, a partir de uma invasão interna.

Invasão interna é uma invasão que nasce dentro da organização. Como ocorre? Tem várias formas. Alguém que trabalha dentro da organização e que tem permissão de acesso a diferentes sistemas – por exemplo, ao sistema que constrói o software das urnas. A forma mais comum, 95% das vezes de invasões identificadas, nascem de erros, falhas humanas. Quando uma pessoa comete um erro, alguém que quer fazer uma intervenção, pode se aproveitar daquele erro e, por exemplo, assumir as credenciais daquela pessoa que cometeu o erro.

Em casos mais raros, pode acontecer uma invasão interna por uma atividade indevida, [alguém de dentro] faz um ilícito. E pode ocorrer até por falha no programa, que não se comporta como deveria.

QUIZ

Que nota você dá para o STF?
Faça sua avaliação individual de cada ministro.

PARTICIPE!
O que é o controle externo e como se previnem ataques internos?

Um controle externo significa ações de certificação externa. O TSE define as especificações técnicas e funcionais do produto, escrevendo um documento, dizendo que o produto tem que entregar tais resultados. Alguém fabrica o equipamento. Depois, precisa haver uma cadeia de confiança de outras pessoas, que vão receber as especificações técnicas, dos equipamentos e programas, fazer testes e emitir um laudo técnico, uma certificação e vão atestar, dentro das metodologias conhecidas, que aquilo que está especificado de fato acontece nos objetos de entrega, que são equipamentos e programas. A urna tem que ligar, coletar o voto de certa maneira, registrar daquela maneira. O que vai garantir a integridade, é aquilo que está certificado dentro da urna.

Portanto, alguém especifica o que deve ser entregue, alguém diferente desenvolve e entrega o produto, um terceiro diferente verifica a qualidade, e ainda um quarto certifica. A garantia do que é entregue se torna independente de pessoas. Tem um órgão que é administração que contrata, e outro órgão de certificação, que emite um laudo.

Qual a diferença para o que faz o TSE?

Hoje, a integridade dos resultados da eleição depende de um pequeno grupo de pessoas, segundo o site do TSE.

E, sem uma certificação externa independente, a administração eleitoral não consegue demonstrar tecnicamente que o conteúdo de cada voto recebido é o mesmo do registro digital do voto, que não é realizado de modo individual. Todos os votos são reunidos em um arquivo único chamado RDV, sem proteção.

[Comentário: RDV é um arquivo, no formato de uma tabela, que registra os votos dados por cada eleitor nos candidatos a cada um dos cargos em disputa. Nesse arquivo, não se identifica o eleitor e a ordem em que cada um votou naquela seção eleitoral é embaralhada. O TSE diz que há “assinatura digital de cada voto” pela urna eletrônica, “obtido mediante a aplicação de sistema de criptografia baseada em tecnologia de chaves assimétricas, conhecido como infraestrutura de chaves públicas”]

O risco se torna ainda mais grave, porque cada voto não é registrado de forma individual, em um documento eletrônico com validade legal, o eleitor não confere o seu voto, após o registro digital, e não há contagem pública dos votos, a contagem é secreta, sem qualquer controle da sociedade.

O TSE reconheceu a ocorrência de 712 riscos à votação eletrônica, sendo 68 riscos considerados críticos e 257 riscos altos. É um número grande e grave, no seu entender?

Essa ocorrência comprova que nem o sistema eletrônico de votação e nem a urna eletrônica, em particular, são invioláveis a quebras de segurança. Em especial, se mostra absolutamente falsa a afirmação repetida inúmeras vezes de que “as urnas eletrônicas são imunes a ataques, porque nunca são conectadas à internet ou a qualquer tipo de rede, o que impede invasões”.

Há um alto risco de invasão interna para alteração dos programas que operam a urna eletrônica, quando não há controle externo independente do TSE. Não existe sistema inviolável 100% seguro. Simples, assim.

Estatisticamente, seria impossível que não tivessem havido muitas tentativas de fraude, desde a eleição de 1996. Assim, a afirmação de que até hoje não foi identificada qualquer fraude no sistema eleitoral confirma que não há ferramentas para rastrear tentativas de quebra de segurança, que permitiriam garantir que não houve fraude.

No caso da invasão da rede do TSE por um hacker, em 2018, os logs [arquivos que guardam o histórico do acesso] foram apagados e não havia uma cópia de segurança para viabilizar um diagnóstico do que teria ocorrido.

A resposta do TSE também diz que “não são raros” ataques conhecidos “negação de serviço (DoS/DDoS)”. O que é isso? E o que a recorrência desses ataques diz sobre a segurança dos sistemas do TSE? O tribunal afirma trabalhar com operadoras de telecomunicações para bloquear os ataques de modo a restabelecer os serviços, e que é prática “bastante operacionalizada e, portanto, testada de modo a aferir sua efetividade”.

DDoS ou negação distribuída de serviço é um tipo de ataque cibernético que tenta tornar um sistema ou recurso de rede indisponível, ao inundá-lo com tráfego mal-intencionado a partir de múltiplas origens.

A prevenção a ataques de negação distribuída de serviços é uma ação necessária, em qualquer sistema de segurança de informação. A administração eleitoral deve implantar um sistema de segurança da informação, que passe por auditorias independentes e seja certificado na norma ISO 27001 de segurança da informação.

Mas reitero que o maior risco não vem de fora; é o de invasão interna à administração eleitoral. E ocorre quando não há o essencial controle externo.

Nas respostas do TSE aos questionamentos dos militares, é possível verificar que 224.999 (38,9%) das urnas eletrônicas a serem usadas neste ano são de um modelo lançado em 2020 que não passou pelo teste público de segurança realizado no ano passado, com técnicos externos chamados ao tribunal para invadir o equipamento. É um risco?

Os testes públicos de segurança não seguem uma metodologia consolidada, nas melhores práticas de segurança da informação. Mostra-se essencial a implantação da segregação de funções recomendada pela norma ISO27001 de segurança da informação, pelo Tribunal de Contas da União e por qualquer empresa de auditoria qualificada.

São necessárias auditorias independentes do TSE, que sigam as melhores práticas consolidadas, para garantir a integridade dos equipamentos e sistemas, antes, durante e após a eleição, e para assegurar a assertividade da totalização de resultados. A totalização dos votos deve ser realizada, de forma distribuída, pelos Tribunais Regionais Eleitorais. A centralização aumenta muito o risco de manipulação, sem deixar rastros.

Outro problema sério é que não há certificação prévia independente dos equipamentos e programas, como ocorre com qualquer produto técnico – como o celular, o roteador WiFi e a balança da padaria. No Brasil, a urna eletrônica deve ser o único equipamento eletrônico profissional, em um sistema de missão crítica, que não é certificado por um laboratório independente credenciado pelo Inmetro, Anatel ou similar.

Há tempos a comunidade científica cobra mais transparência do TSE por meio da divulgação pública do código-fonte da urna eletrônica. Restringi-los aos técnicos do tribunal não o deixa mais seguro? Se não, por quê?

Concordo plenamente que a publicação do código-fonte de todo o sistema eleitoral traria governança e transparência, com significativo aumento da segurança do sistema. O site do TSE informa que “somente um grupo restrito de servidores e colaboradores do TSE tem acesso ao repositório de código-fonte e está autorizado a fazer modificações no software. Uma consequência disso é que o software utilizado nas eleições é o mesmo em todo o Brasil e está sob o controle estrito do TSE”.

É exatamente aí que reside o grave risco de quebra de segurança do sistema eleitoral, incompreendido pelos ministros do TSE, por falta da qualificação técnica mandatória para conduzir a administração eleitoral.

O TSE tem uma estrutura institucional adequada para a segurança do voto?

Uma ótima solução para garantir isenção política e competência técnica na administração eleitoral seria o Congresso Nacional transformá-la em um órgão de Estado exclusivamente técnico, independente do TSE.

Na minha opinião, devemos adotar uma organização similar à de uma agência reguladora, seguindo as melhores práticas de governança organizacional pública, transparência, segregação de funções e segurança da informação.

O conselho diretor da administração eleitoral, incluindo o seu presidente, deveria ser absolutamente isento, proibido de qualquer atuação política, e possuir a qualificação profissional construída pela formação técnica superior acadêmica e pela experiência executiva acumulada na administração de organizações complexas com forte base tecnológica, durante dez anos, no mínimo.

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O Exército pode realmente colaborar para atestar a integridade do sistema?

O Comando de Defesa Cibernética do Exército ( ComDCiber) já está contribuindo de modo relevante, através da interação construtiva com o TSE, para o aperfeiçoamento técnico do sistema eletrônico de votação. O ComDCiber é uma organização altamente qualificada, que coordena e executa ações para proteger o país de ataques cibernéticos.

Para atestar a integridade do sistema eletrônico de votação, a administração eleitoral deve implantar a segregação de funções, recomendada pela norma ISO 27001, pelo Tribunal de Contas da União e por qualquer empresa de auditoria qualificada, através da certificação prévia independente de equipamentos e sistemas, pela cadeia de confiança do Inmetro. Deve-se realizar, adicionalmente, auditorias da integridade do sistema e da assertividade da totalização dos votos, por empresas independentes, previamente credenciadas.

O voto impresso é necessário para trazer segurança e transparência aos resultados das eleições?

Como a impressão do voto, usada em vários países, não foi aprovada pelo Congresso, há uma solução de baixo custo e viável para implantar nas eleições deste ano. Minha sugestão é criar um documento eletrônico para cada voto, com validade legal certificada pela ICP-Brasil [Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, sistema brasileiro de certificação digital, mantido pelo governo], utilizando um token criptográfico conectado na urna eletrônica.

Um token e um certificado digital, para cada urna eletrônica, seriam fornecidos por empresas certificadoras credenciadas pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação [ITI, órgão do governo responsável pelo ICP-Brasil], independentes do TSE.

Em seguida, o voto é gravado em uma nova memória de resultados, com tecnologia de última geração para proteger o voto contra apagamento ou alteração. O sigilo do voto do eleitor fica garantido, com a gravação do documento na memória, de modo aleatório, sem dados do eleitor e sem informação temporal.

O documento eletrônico do voto poderá ser exibido ao eleitor, na tela da urna eletrônica, para a sua verificação e confirmação. A contagem pública ocorreria na seção eleitoral, com a exibição de cada voto na tela, para a fiscalização dos partidos. Auditorias independentes fariam a recontagem dos documentos eletrônicos dos votos, após a eleição.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2022/votacao-eletronica-do-tse-precisa-de-auditoria-externa-diz-um-dos-criadores-da-urna/?ref=mais-lidas
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RELAÇÕES DO BRASIL COM A UCRÂNIA É ANTIGA DESDE A ÉPOCA DE LULA

 

“Sem posição”

Por
Leonardo Coutinho – Gazeta do Povo

O presidente russo, Vladimir Putin, e a então presidente Dilma Rousseff em encontro dos Brics, na Turquia, em 2015| Foto: EFE/EPA/YURI KOCHETKOV

“O Brasil não tem posição no caso da Ucrânia.” A frase que abre esta coluna foi dita por um presidente brasileiro. Merece um prato de varenyky de queijo cottage e mirtilos – uma das maravilhas da cozinha ucraniana – quem acertar qual deles. Se você, induzido pelos eventos recentes, cravou Jair Bolsonaro, lamento informar. Você errou. Quem disse que “o Brasil não tem posição no caso da Ucrânia”, em 2014, foi a então presidente Dilma Rousseff. Mas, por questão de justiça, você segue merecendo o prêmio. Afinal, quando o assunto são as invasões russas na Ucrânia, Rousseff e Bolsonaro são idênticos.

O PT de Dilma nutre um affair de longa data com Putin e a Rússia. Para eles, embora a União Soviética tenha se desmanchado no ar em 1991, segue sendo o berço de uma utopia. Uma espécie de polo (eternamente ativo) contra o capitalismo ocidental, que o PT busca eternamente como herança de algo que vem impresso em seu DNA.

Recentemente, o bolsonarismo passou a se derreter de amores por Putin. A atração se deve ao fato de o autocrata russo ter se transformado em uma espécie de defensor máximo da moral e dos bons costumes, que combate a ideologia de gênero, o globalismo, o climatismo e não se dobra à agenda idiotizada de movimentos sociais que ocupa o topo das prioridades dos governos ocidentais. Há quem entenda que nas ruas de Moscou há mais liberdade que em Viena, Zurique ou Estocolmo. Um julgamento baseado apenas na repulsa às exigências sanitárias durante a pandemia de Covid-19.

O “conservador” Putin soube aproveitar cada uma das insatisfações nos países ocidentais para apresentar-se como resposta e exemplo, por meio da sua eficientíssima máquina de propaganda. Quem considera Putin como modelo de conservadorismo não está muito longe de aceitar na mesma categoria de lanternas morais o ditador Xi Jinping, da China, e o aiatolá Ali Khamenei, do Irã. Xi instituiu programas para fomentar a masculinidade nos estudantes que estavam efeminados demais para o gosto do regime. Khamenei é tão eficiente que oficialmente não existem gays no Irã. Aqueles que dão a menor bandeira encontram a redenção em enforcamentos em praça pública.

Como se vê, por caminhos diferentes, esquerda e direita no Brasil se encontram em Moscou.

A história de amor mais longeva, obviamente, pertence aos petistas. Em 2003, no seu primeiro ano de governo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um contrato com a Ucrânia para o estabelecimento de uma empresa binacional para construção de foguetes e o lançamento de satélites em Alcântara, no Maranhão. A parceria havia sido costurada por Putin, como uma alternativa para os petistas que passaram o governo anterior inteiro minando os planos de Fernando Henrique Cardoso de montar um sítio de lançamento idêntico, mas em sociedade com os americanos. Petistas e assemelhados viam sérios riscos para a soberania nacional.

Lula mostrou que, com a intermediação de Putin, a parceria com os ucranianos colocaria o Brasil no bilionário mercado de satélites sem a dependência dos Estados Unidos. A realidade: as obras atrasaram e o que estava previsto para estar pronto em três anos não passava de obras de engenharia civil uma década depois da assinatura do contrato. E como se não fosse suficiente, em 2013, os ucranianos se rebelaram contra a influência russa. Colocaram o presidente Viktor Yanukovych, um boneco de ventríloquo de Putin, para correr e passaram a mirar uma conexão mais forte com o Ocidente, aspirando à entrada na União Europeia.

Coincidência ou não, o Brasil esfriou a relação com os ucranianos. Deixaram o projeto morrer de inanição e os mais de R$ 2,6 bilhões que os dois países investiram, até aquele momento, foram para o lixo.

Putin não aceitou que os ucranianos voltassem os seus olhos para o Ocidente e em 2014 invadiu a Crimeia, alegando estar defendendo uma região de identidade russa que estava em risco. As democracias ocidentais condenaram o avanço de Putin sobre o vizinho, mas Dilma Rousseff (vale recordar) disse: “O Brasil não tem posição no caso da Ucrânia”.

Naquele mesmo ano, os separatistas armados por Putin abateram um Boeing 777, da Malaysia Airlines, matando 288 pessoas. Questionada, Dilma Rousseff disparou: “O governo brasileiro não se posicionará quanto a isso até que fique mais claro por uma questão não só de seriedade, mas também de prudência”.

A “seriedade” e “prudência” de Dilma se explicam por uma outra declaração da presidente: “Tem um segmento da imprensa dizendo que… este avião que foi derrubado estava na rota da volta do avião do presidente (russo, Vladimir) Putin. Coincidia com o horário e com o percurso. Então, que o míssil seria dirigido ao avião do presidente Putin”.

Depois disso, a parceria espacial do Brasil com a Ucrânia melou de vez. Dilma deixou missivas do então presidente ucraniano Petro Poroshenko sem resposta e mandou cortar a verba do programa, que viria a morrer de inanição.

Lula, Dilma e o PT sempre lidaram com a Ucrânia como se o país fosse um puxadinho da Rússia. Seja quando da ocupação da Crimeia em 2014, seja agora com a invasão total.

Não faz muito tempo, o bolsonarismo sonhava em “ucranizar” o Brasil. O termo maldosamente associado ao neonazismo ou fascismo nada mais era que uma referência ao processo de descomunização que levou a Ucrânia a proibir a apologia ao comunismo, que passou, por lei, a ser equiparado ao nazismo. Mais de mil monumentos em homenagem a líderes soviéticos foram destruídos e mais de 50 mil ruas e praças receberam novos nomes em substituição aos que eram dados em homenagem a Stalin, Lênin e outros monstrengos soviéticos.

Mas a ucranização do Brasil parece ter ocorrido de outra forma. Desde Lula, passando por Dilma e chegando a Bolsonaro, o Brasil se deixa ucranizar funcionando como um satélite dos interesses de Moscou.


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