sexta-feira, 11 de março de 2022

RANQUEAMENTO DO GOOGLE PODE AFETAR O SEU SITE

 

 Por Rafaela Thimoteo 

Para ter um bom posicionamento que traga mais tráfego orgânico e conversões é fundamental se atentar para os fatores de ranqueamento do Google. Eles estão cada vez mais personalizados, com o objetivo de proporcionar bons resultados somada a uma experiência positiva aos usuários que utilizam o buscador.

Entender como cada fator funciona o guiará a colocar o seu site na primeira página de resultados quando o usuário pesquisar por palavras-chave relacionadas ao seu segmento. Dessa forma, você irá construir uma imagem de autoridade em sua área de atuação!

Mas quais são esses critérios do buscador? Neste artigo vamos apresentar alguns exemplos para você entender melhor. Confira!

Quais são os fatores que afetam o ranqueamento do Google?

Ranqueamento do Google

Os fatores de ranqueamento do Google existem para determinar se um site fica ou não em um bom posicionamento nos resultados de pesquisa. Como existem mais de 200 critérios para definir quais páginas ficam entre as melhores posicionadas, reunimos os principais que não podem ser ignorados.

Portanto, para gerar mais credibilidade e visibilidade para seu site, e inclusive, evitar penalizações do Google, atente-se para:

1. Relevância dos links

Esse critério analisa o quanto os outros sites estão linkando para a sua página. Por isso, quanto mais você for usado como referência em outras páginas do seu segmento, mais o Google entende que seu site é uma autoridade, com conteúdo valioso e que pode ficar nas primeiras posições.

Isso pode ocorrer organicamente ou também a partir de relações criadas com outras empresas, com blogs de empresas relevantes e que atuem em mercados complementares ao seu.

2. Links quebrados

Os links quebrados e que levam as pessoas para páginas de Erro 404 devem ser evitados, pois quando há muitos deles em seu site, a experiência do usuário é frustrada, já que ele não tem acesso a informação que gostaria. Com isso, esses erros podem levar o Google a rebaixar o posicionamento do seu site.

3. Canonical tags

Quando há mais de uma página com o mesmo texto, a canonical tag é utilizada para mostrar para o Google qual é a principal, a “original”. Portanto, ela é um recurso muito importante para evitar que o buscador penalize seu site devido a conteúdo duplicado.

4. Erros no HTML

Erros de HTML também causam frustrações no usuário, já que afeta as funcionalidades do site, que não carregam corretamente e ainda prejudicam o rastreamento pelo buscador. Por isso, quando o site tem muitos problemas de programação, o seu ranqueamento é afetado negativamente.

5. Velocidade de carregamento da página

Um dos fatores de ranqueamento do Google mais importantes é a velocidade de carregamento das páginas. O tempo máximo que seu site deve levar para carregar é de 2 segundos. Passou disso, ele poderá ser penalizado pelo Google porque prejudica a experiência do usuário.

Afinal, pense em quando você quer abrir um site e ele demora para carregar. Com certeza a demora faz o usuário perder o interesse e procurar o conteúdo em outras páginas.

Uma ação simples e que ajuda a aumentar a velocidade de carregamento é a redução do tamanho de imagens e GIFs no site. Combinado a outras melhorias de SEO, isso pode melhorar o desempenho da página.

6. Responsividade

As pesquisas feitas no Google por meio de dispositivos móveis têm aumentado. Afinal, só em 2020, no Brasil, foram registrados mais de 234 milhões de acessos móveis à internet. Levando isso em conta, a gigante das buscas prioriza sites que são responsivos – o que é diferente de ter uma versão mobile.

Sites responsivos são aqueles que possuem layout que se ajusta a qualquer resolução ou dispositivo, proporcionando uma boa experiência de leitura ao usuário. Isso também ajuda na velocidade de carregamento.

7. Otimização das imagens

Por falar em imagens, os mecanismos de busca do Google não conseguem enxergá-las como o olho humano, pois eles identificam apenas pixels. Por isso, é fundamental colocar:

o tema principal da imagem e a palavra-chave como nome do arquivo da hora de salvar a foto;

texto alternativo;

descrição;

legenda.

Dessa forma, o robô consegue entender sobre o que a imagem se refere e, assim, deixando o conteúdo da sua página mais completo, o que colabora como um dos fatores de ranqueamento do Google Imagens. Além disso, é uma forma de acessibilidade, pois facilita a experiência para os usuários com deficiência visual.

8. Palavras-chave

A palavra-chave deve estar presente em diversos pontos do seu site. Um dos principais deles é na title tag. Title tag é uma marcação no código que identifica o título da página para os mecanismos de busca. Colocar essa informação mostra para o algoritmo qual é o assunto principal da página, além de atrair o interesse e o clique do usuário.

E se a palavra-chave estiver no início da title tag, é melhor ainda!

A meta description atua como uma forma de atrair o usuário para o seu site, por isso é importante colocar a palavra-chave nela também, pois a descrição é a prévia que aparece nos resultados da página de pesquisa do Google.

As heading tags também precisam de palavra-chave. Elas servem para mostrar a hierarquia do conteúdo da sua página para o Google e ajudam o usuário a encontrar a informação que procura com mais facilidade. Entre elas, as mais importantes são:

a tag H1, que representa o título do conteúdo que aparece na página;

as tags H2 e H3, que vêm na sequência da hierarquia das heading tags.

Para reforçar o tema do texto que está na página, além da palavra-chave também é possível usar sinônimos e termos relacionados.

Esses são apenas alguns dos fatores de ranqueamento do Google que afetam o seu site.  A Agência Mestre é especialista no assunto e está sempre atualizada para trazer esses elementos para ajudar o seu site a conquistar melhores posicionamentos.

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Ética e Transparência
  • Profissional, ambiental e social
  •  – Busca pelo melhor

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

quinta-feira, 10 de março de 2022

BRASIL DEPENDE QUASE 100% DOS FERTILIZANTES IMPORTADOS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O Porto de Antonina recebe nesta terça-feira (26) o navio russo MS Livadia, carregado com cloreto de potássio granulado, para produção de fertilizantes. A embarcação é a primeira a utilizar a preferência de atracação concedida pela Administração dos Portos do Paraná através da Ordem de Serviço 148/2010

Navio russo carregado de fertilizantes atracado no Porto de Antonina, Paraná.| Foto: Marcel Fernandes/Appa/Governo do Estado do Paraná

A presente crise no Leste Europeu colocou em evidência o que agora se revela uma fragilidade da economia brasileira, e que precisa ser objeto de especial atenção do Estado e dos empresários. Com uma das maiores produções agrícolas do mundo, o Brasil depende muito da importação de fertilizantes para garantir suas safras. Cerca de 85% do produto utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora do país.

Em tempos de paz, quando o comércio internacional está fluindo com tranquilidade, o grande volume de importação de determinado item não chega a ser um problema, já que, em geral, a opção por trazer um produto de fora costuma ser justificada por um raciocínio econômico bastante simples: é mais barato importar do que produzir internamente. Contudo, eis que Vladimir Putin decidiu que era hora de o mundo regredir aos tempos em que países invadiam uns aos outros, em busca de expansão territorial, e assim a normalidade na relação entre as nações sofre um choque nada desprezível. As mais afetadas, é claro, são aquelas que faziam negócios estratégicos com os países diretamente envolvidos no conflito. No caso do Brasil, a metade de todo o fertilizante importado vinha justamente da Rússia e de seu principal aliado na região, Belarus.

Atualmente, as informações do governo dão conta de que os estoques brasileiros durariam até outubro em caso de interrupção do abastecimento, mas estimativas menos otimistas no mercado falam que o limite se encontra mais próximo do final de junho. O preço pago pela tonelada de fertilizante importado já subiu nos primeiros meses deste ano cerca de 128,8% em relação ao mesmo período do ano passado – e isso ainda sem o impacto do conflito no Leste Europeu. Essa dependência colocou a diplomacia brasileira numa saia justa em um momento em que todo o mundo livre se mobiliza contra a potência invasora.


É verdade que o assunto não é novo. Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), a dependência do país vem aumentando consideravelmente na última década. Em 2015, o montante de fertilizantes que vinha do exterior era de 70%. O percentual subiu para 83% em 2020 e segundo os dados mais recentes chegou ao atual patamar de 85% no ano passado. A demanda pelos insumos cresceu 14,2% em relação a 2020, ano em que já havia uma alta de 11,9% em relação a 2019.

Atualmente, O Brasil se encontra na quarta posição entre os maiores consumidores de fertilizante, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos. No entanto, quando se trata do chamado de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), somos os campeões. Nenhum outro país importa tanto quanto o nosso.

Quais as razões disso? De maneira geral, o clima brasileiro é favorável à agricultura, mas o solo é relativamente pobre de nutrientes. O agronegócio se modernizou e a demanda de exportação aumentou consideravelmente, assim como a área reservada ao plantio. Isso contribuiu para um aumento exponencial da necessidade de fertilizantes com o passar dos anos.

Segundo o governo, o que explica em parte a falta de produção nacional seriam regulações ambientais que impedem o país de utilizar seu potencial máximo de mercado para a extração dos insumos em seu próprio solo. Em 2021, o Ministério de Minas e Energia anunciou a descoberta de novas jazidas de potássio na Bacia do Amazonas. Isso amplia em 70% a potencialidade sobre depósitos de silvinita, do qual se extrai o potássio. Segundo a pasta, é possível afirmar a existência de ao menos 3,2 bilhões de toneladas do minério. Somente na região de Autazes, haveria uma mina com potencial de exploração que supriria 25% do que o país importa de potássio. O problema é que essa reserva se encontraria localizada em terra indígena e a atual legislação brasileira não permite sua exploração, nem sequer com o consentimento e compensação dos povos que ali residem.

A questão, porém, parece ser mais complexa do que um dilema legislativo. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou recentemente um estudo apontando que, na verdade, o Brasil teria reservas de potássio suficientes para sustentar sua demanda interna até 2100. De toda essa riqueza, apenas 11% se encontrariam em solo pertencente a povos nativos. Somente os estados de Minas Gerais, Sergipe e São Paulo possuem reservas na ordem de 894,8 toneladas do minério.

O que é preciso fazer para resolver esse imbróglio? Tudo indica que o debate atual não irá solucionar o problema mais imediato. Uma indústria de fertilizantes não se constrói da noite para o dia, com ou sem entraves de regulamentação. A diplomacia brasileira precisará demonstrar habilidade para lidar com os riscos de escassez e encontrar alternativas de curto prazo para mitigar os seus efeitos sobre o agronegócio brasileiro e a mesa dos consumidores.

O momento, na verdade, pode até mesmo se converter em oportunidade para resolver impasses e alavancar ainda mais nosso potente agronegócio. Por um lado, convém que o problema legal seja debatido nas instâncias pertinentes, desde que respeitada a autonomia dos povos indígenas para decidir sobre autorização ou não da extração. Por outro, entendemos que o debate não deve se restringir a esse único ponto. É hora de colocar empresários, pesquisadores e governantes na mesa para entender todas as razões envolvidas no subaproveitamento desse potencial. A negociação de eventuais subsídios ou benefícios fiscais para permitir o florescimento de uma indústria tão vital para o futuro da economia brasileira não deve ser um tabu num momento em que a cadeia de distribuição global de insumos se encontra ameaçada por sucessivos acontecimentos inusuais.

Tudo indica que o debate atual não irá solucionar o problema mais imediato. Uma indústria de fertilizantes não se constrói da noite para o dia, com ou sem entraves de regulamentação

Em outros momentos da nossa história, setores inteiros do mercado precisaram de um pontapé inicial do Estado brasileiro que permitisse seu estabelecimento e consolidação. Parece que estamos diante de um desses momentos, em que há a necessidade de um novo arranjo que diminua a dependência do país de fertilizantes a médio e longo prazo. Talvez seja uma importante chance de reorganizar um campo estratégico de nossa economia para encarar os desafios desta década, que começou intensa e imprevisível.


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INFLAÇÃO E ALTA DE PREÇOS É UMA CONSTANTE DEVIDO À GUERRA DA UCRÂNIA

 

Custo de vida

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo

| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As famílias brasileiras terão de conviver mais tempo com a inflação elevada. O principal reflexo econômico de curto prazo da invasão russa à Ucrânia será o avanço dos preços. E, consequência direta disso, a tendência é de juros mais altos e por mais tempo.

“A guerra intensifica o choque de custos que já havia com as cadeias produtivas desestruturadas”, afirma Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos. E não bastasse isso, havia uma demanda aquecida.

Os principais impactos deverão vir por conta do encarecimento do petróleo e das commodities agrícolas. “Dadas as restrições financeiras impostas à Rússia, menor oferta de petróleo e gás e possível interrupção no suprimento de grãos provenientes da região, o preço dessas commodities disparou no mercado internacional”, aponta relatório semanal do Bradesco.

O último relatório trimestral da inflação, divulgado em dezembro pelo Banco Central, aponta que o petróleo e as commodities agrícolas são os itens que mais pressionam a alta de preços no Brasil. Pelos cálculos do BC, uma alta de 10% no preço do petróleo do tipo Brent, tem impacto de 0,66 ponto percentual na inflação após quatro trimestres.

Na segunda-feira, o barril chegou a encostar na marca de US$ 140, depois que a Casa Branca afirmou estar negociando com outros países a possibilidade de um embargo ao petróleo russo. O preço atingiu seu maior nível desde 2008 – embora os contratos futuros do petróleo tenham fechado em forte queda nesta quarta-feira (9).

Para evitar maiores impactos, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), defendeu a revisão da política de preços da Petrobras para conter a alta nos combustíveis. No Brasil, desde o início do ano, a gasolina teve uma variação nos preços de -1,64% e o diesel, de 3,99%, segundo o IPCA-15, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E desde o início da invasão russa à Ucrânia, no dia 24, o barril do petróleo tipo Brent teve uma elevação de 30% em dólares.

Medidas estão em discussão no Congresso, como a possibilidade de zerar a tributação federal sobre os combustíveis. O governo também cogita a possibilidade de estabelecer um subsídio para os combustíveis que duraria de três a seis meses. Mas, segundo a analista da XP, os pacotes em discussão terão apenas o papel de mitigar as elevações nos preços dos combustíveis.

O peso da Rússia e da Ucrânia sobre a oferta de commodities agrícolas
A Rússia responde por aproximadamente 10% da produção mundial de petróleo e 20% da oferta de gás natural. E, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), os dois países envolvidos no conflito respondem por 28,3% da oferta mundial de trigo e 19,5% do milho.

Segundo o Itaú BBA, a disponibilidade internacional das duas commodities já era limitada e o bloqueio das vendas externas, por sanções ou problemas logísticos, pode sustentar ou até aumentar ainda mais os preços, que se encontram em patamares elevados.

A reboque, a alta dos preços de trigo e milho pode impactar no preço da soja, mesmo que Rússia e Ucrânia não sejam grandes produtores da oleaginosa. “Tais commodities competem entre si no que diz respeito a alocação de área a ser plantada e são substitutos nas rações”, informa o Itaú BBA. Isto traz impactos indiretos para a produção de proteína animal.

Preços de petróleo mais elevados também tendem a beneficiar a produção de biocombustíveis, influenciando nos preços da soja.

Com preços subindo, Banco Central pode aumentar ainda mais os juros
Economistas do Itaú apontam que em um quadro de inflação bastante elevada no mundo, as pressões adicionais sobre preços de commodities também levarão a oscilações na percepção dos mercados sobre altas nas taxas de juros ao redor do globo, e seus efeitos sobre o crescimento econômico.

Os impactos também deverão ser sentidos no Brasil. “O comitê [de Política Monetária, o Copom do Banco Central] alerta sobre os riscos pela incerteza da política fiscal e observa o elevado nível de incerteza decorrente dos preços de ativos e commodities. Com o conflito no Leste Europeu, o comitê deve reforçar esta preocupação à frente”, aponta relatório do Itaú.

Segundo o banco, o mercado irá monitorar de perto a reação dos membros do Copom aos impactos da guerra nos preços, visto que a maior pressão inflacionária sobre combustíveis e grãos pode levar a uma mudança no plano de voo, com uma taxa terminal ligeiramente maior.

Bancos, corretoras e consultorias projetam que a taxa Selic chegará a 11,75% ainda neste mês e a 12,25% no final do ano, segundo dados da pesquisa Focus, divulgada na segunda (7) pelo BC. Mas já há especialistas trabalhando com o cenário dos juros indo a 14%, principalmente por causa do avanço nos preços do petróleo.

A economista da XP não acredita que serão necessários aumentos adicionais na taxa Selic para controlar a inflação. “O BC se antecipou nas altas de juros desde o ano passado. O que vai acontecer é que será necessário conviver por mais tempo com uma taxa de juro mais elevada. O corte nos juros foi postergado.”

Outro aspecto que é descartado é a convergência para as metas da inflação, ou seja, a aproximação à meta. Analistas descartam que ela ocorra em 2022 e, mesmo para 2023, o cenário é complicado.

“Já está havendo uma desancoragem das expectativas”, afirma Tatiana. A meta para o próximo ano é de 3,25%, com uma variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. E o ponto médio das expectativas já está em 3,51%, segundo o último relatório Focus.

“A única certeza é a completa incerteza”, diz gestora
Analistas da gestora de fundos Infinity Asset apontam que, em um cenário como o atual, “a única certeza é a completa incerteza”, dadas as características imponderáveis dos eventos – exemplo disso é que, até recentemente, acreditava-se que Putin fazia das movimentações militares uma bravata para evitar que a Ucrânia se unisse à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Muitos analistas ainda acreditam nisso e veem no movimento russo um erro de cálculo, que vai desde a reação dos ucranianos, o que surpreendeu Putin, pois não aconteceu na Crimeia em 2014, até a expectativa que, devido ao arsenal nuclear, o restante do mundo não interferiria no evento, o que aconteceu por via financeira”, cita relatório da gestora.


Choque internacional nos preços e juros
O resultado desse cenário bélico fará, de acordo com o Bradesco, causar novo choque em grande parte dos países. “Somado a isso, devemos considerar os impactos baixistas sobre a atividade econômica, diante das incertezas decorrentes do conflito em si, dos efeitos dos preços de commodities mais elevados sobre a renda e, principalmente, das restrições da oferta de energia”, apontam os economistas do banco.

Eles consideram que os efeitos devem se concentrar principalmente neste primeiro semestre e a Europa deve ser a região mais afetada. Antes do início do conflito, em janeiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava que o continente cresceria 3,9% neste ano.  “Os países desenvolvidos não vão se dar ao luxo de não reagir em relação a esta situação”, diz Tatiana, da XP.


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ESTADOS UNIDOS RECUSAM AJUDA DE AVIÕES DA POLÔNIA PARA A UCRÂNIA

 

Guerra no Leste europeu
Por
Agência EFE

O secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, agradeceu nesta quarta-feira a oferta polonesa, mas reiterou inviabilidade da proposta| Foto: EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS

O secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, afirmou nesta quarta-feira (9) ao seu homólogo polonês, Mariusz Blaszczak, que não apoia a transferência de aviões de guerra da Polônia às forças dos Estados Unidos na Europa para que possam ser enviados para a Ucrânia.

O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, John Kirby, disse em entrevista coletiva que Austin conversou por telefone com Blaszczak e agradeceu a ele “pela disposição da Polônia de continuar procurando maneiras de ajudar a Ucrânia”.

No entanto, Kirby ressaltou que “atualmente não apoiamos a transferência de mais aeronaves de combate para a Força Aérea ucraniana e, portanto, não desejamos vê-las sob nossa custódia”.

Na terça-feira (8), o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Zbigniew Rau, anunciou que a Polônia estava “preparada” para entregar seus jatos MiG-29 de fabricação russa “de forma imediata e gratuita” às forças americanas na base aérea de Ramstein, na Alemanha, em troca de um equivalente número de aeronaves F-16 usadas, de fabricação americana.

Ao saber desta oferta, que descreveu como um “movimento surpresa”, Kirby declarou em um comunicado na terça-feira que aceitar tal proposta levantaria “sérias preocupações para toda a aliança atlântica [Otan]” e concluiu que a operação não seria “sustentável”.

O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA acrescentou nesta quarta-feira que os EUA rejeitam esta medida porque, com base em relatórios de inteligência, a transferência desses aviões para a Ucrânia pode ser entendida pela Rússia como uma provocação e resultar em “uma reação russa significativa, que poderia aumentar as perspectivas de uma escalada militar com a Otan”.

Outro dos motivos de Kirby é a crença dos EUA de que a melhor maneira de ajudar a Ucrânia é fornecer as armas e os sistemas necessários para derrotar a Rússia, especificamente defesas anti-blindados e antiaérea.

“Juntamente com outras nações, continuamos enviando essas armas para eles e sabemos que estão sendo usadas com grande efeito: retardaram o avanço russo para o norte e a disputa pelo espaço aéreo da Ucrânia é prova disso”, detalhou Kirby.

O porta-voz enfatizou que, embora as capacidades aéreas da Rússia sejam significativas, sua eficácia foi limitada por sistemas de defesa antiaérea, como mísseis guiados terra-ar portáteis conhecidos como Manpads.

Outra das razões apontadas por Kirby foi o fato de a Força Aérea ucraniana já possuir vários esquadrões capazes de realizar missões completas.

“Estimamos que adicionar a aviação ao inventário da Ucrânia provavelmente não resultará em qualquer mudança significativa na eficácia da Força Aérea ucraniana em relação às capacidades russas”, declarou.

Kirby opinou ainda que existem alternativas que podem ser mais úteis para as Forças Armadas ucranianas.

“Estamos trabalhando com outros aliados e parceiros em todo o mundo que podem ter capacidades e sistemas de defesa aérea adicionais que possam estar dispostos a fornecer à Ucrânia”, disse Kirby.

Nesse sentido, especificou que o possível fornecimento de mais mísseis terra-ar, que, segundo lembrou, os ucranianos são treinados para usar, faz parte dessas discussões.

Ucrânia volta a solicitar zona de exclusão aérea
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que milhões de pessoas podem morrer se os países ocidentais não fornecerem apoio aéreo contra a invasão russa e “fecharem” os céus da Ucrânia.

“No futuro será tarde demais. Acreditem, se continuar assim, verão como eles vão acabar fechando o céu, mas vamos perder milhões de pessoas”, disse Zelensky em entrevista transmitida pela emissora britânica Sky News.

“Não podemos parar isso sozinhos, isso só acontecerá se o mundo se unir em torno da Ucrânia”, acrescentou o presidente, considerando que essa unidade está avançando “muito lentamente”.

“Ontem o mundo não fez nada, sinto muito, mas é verdade”, disse Zelensky. Os aliados da Otan deveriam “pedir desculpas” aos ucranianos que perderam seus filhos por “não terem feito isso ontem, há uma seman”, afirmou.

Falando sobre o cerco da cidade de Mariupol, ele acusou a Rússia de tratar seus habitantes como “animais” e bloquear o acesso a comida e água.

“Se (os países ocidentais) estão unidos contra o nazismo e contra esse terror, eles devem fechar (o espaço aéreo ucraniano). Não esperem que eu peça tantas vezes, milhões de vezes. Fechem o céu”, disse.

Questionado sobre a possibilidade da guerra se espalhar para além da Ucrânia, Zelensky afirmou: “A Terceira Guerra Mundial começará e só então eles farão uma zona de exclusão aérea, mas será tarde demais”


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NOVAS REGRAS PARA DESENVOLVER GARIMPO

 

Mineração artesanal
Por
Gabriel Sestrem

Governo cria programa de desenvolvimento do garimpo e muda legislações sobre extração mineral em pequena escala| Foto: Reprodução YouTube Kell Andrade

O presidente Jair Bolsonaro (PL) editou dois decretos com o objetivo de desenvolver as atividades de extração mineral em pequena escala, que se concentram principalmente no bioma amazônico. A finalidade das novas normas é atender parte das demandas do setor garimpeiro, em especial quanto à redução dos prazos para análise das concessões de licença para a realização das atividades e à elaboração de políticas públicas específicas para trabalhadores do garimpo.

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Enquanto um dos decretos cria o Pró-Mape – Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala –, o outro altera diferentes leis que atingem o setor. De acordo com nota da Secretaria-Geral da Presidência da República a respeito das novas normas, “a mineração artesanal e em pequena escala é fonte de riqueza e renda para uma população de centenas de milhares de pessoas e é fundamental que as ações de governo reconheçam as condições em que vive o pequeno minerador, o alcance de sua atividade e as necessidades primárias da sociedade circundante”.

Apesar de os decretos, publicados em 14 de fevereiro, não autorizarem o garimpo ilegal (em áreas indígenas e unidades de conservação) e não flexibilizarem as regras ambientais para a concessão de licenciamento, entidades ambientalistas têm criticado os decretos e alegam que a medida seria um incentivo à extração ilegal.

Na última sexta-feira (4), o deputado federal Denis Bezerra (PSB-CE) apresentou um projeto de lei para suspender o decreto que cria o programa de apoio ao garimpo, sob a alegação de que as regras “vão na contramão das melhores práticas do desenvolvimento sustentável e representam ameaça à preservação ambiental e aos povos indígenas”. A proposta será analisada pelas comissões de Integração Nacional; Desenvolvimento Regional e da Amazônia; Minas e Energia; e de Constituição e Justiça e de Cidadania e só em seguida pode seguir para o Plenário.

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Entenda os novos decretos sobre mineração
O primeiro decreto (Nº 10.965) altera uma norma anterior, de junho de 2018, que regulamenta o Código de Mineração, datado de 1967. O texto também faz mudanças na Lei 6.567/1978, que trata de minerais para a construção civil; na Lei 7.805/ 1989, que estabelece condições para garimpagem; e na Lei 13.575/2017, que criou a Agência Nacional de Mineração (ANM).

A norma determina que a ANM estabeleça critérios simplificados ao analisar os pedidos de liberação para as atividades – principalmente no caso de empreendimentos de pequeno porte ou de aproveitamento das substâncias minerais para uso imediato na construção civil. O setor garimpeiro aponta que esses prazos de análise costumam chegam a até dez anos em alguns casos, inviabilizando a execução das atividades por um longo período.

O texto também destaca a responsabilidade do minerador pela prevenção, mitigação e compensação dos impactos ambientais decorrentes dessa atividade, pela preservação da saúde e da segurança dos trabalhadores, e pela prevenção de desastres ambientais.

Já o segundo decreto (Nº 10.966), que cria o Pró-Mape, tem como propósito a elaboração de políticas públicas que estimulem o desenvolvimento da mineração em pequena escala, com foco no desenvolvimento sustentável. De acordo com o texto, o programa busca fomentar “políticas setoriais, sociais, econômicas e ambientais para o desenvolvimento da atividade de garimpo no país”.

Para conduzir as atividades, o decreto cria a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala (Comape), que é formada por integrantes de seis ministérios do governo, coordenados pelo Ministério de Minas e Energia. A Amazônia Legal, região que concentra a maior parte das atividades de mineração no país, é apontada como prioritária para o desenvolvimento dos trabalhos da Comape.

Entidades ambientais temem que decretos estimulem garimpo ilegal
O garimpo ilegal é responsável por prejuízos ambientais, gerando danos a rios, animais, plantas e comunidades ribeirinhas, sobretudo pela contaminação com o mercúrio utilizado para separar o ouro do cascalho. Sob a alegação de que os decretos devem estimular a extração em áreas protegidas, diversas entidades ambientalistas, em especial as que atuam no bioma amazônico, têm se posicionado contra as novas normas.

De acordo com Déborah Silva, gerente de biodiversidade da I Care Brasil – consultoria especializada em estratégia ambiental –, os decretos do governo podem estimular o avanço do garimpo para áreas indígenas e unidades de conservação, ainda que essa flexibilização não conste no texto.

“Uma grande preocupação com esses decretos, especialmente o que fala da mineração artesanal, é esse estímulo desenfreado, agora institucionalizado pelo governo federal, para flexibilizar algo que notadamente já é feito sem a fiscalização adequada e que já causa impactos assustadores não só para o meio ambiente, mas também para o meio socioeconômico da região”, afirma.

A gerente de biodiversidade explica que nos últimos anos tem ocorrido um avanço significativo do garimpo ilegal. Ela cita um levantamento do MapBiomas, divulgado no ano passado, que apontou que entre 2010 e 2020 a área ocupada pelo garimpo dentro de terras indígenas cresceu 495%. Nas unidades de conservação, o aumento foi de 301%.

“Por mais que o decreto não faça alusão a áreas protegidas, sabemos que o avanço do garimpo tem se dado nessas áreas que, como mostram dados oficiais, estão sofrendo muito com o avanço dessas atividades”, diz.

Medidas não fomentam ilegalidade, diz presidente da ABPM
Na avaliação de Luís Maurício Azevedo, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), as novas regras não flexibilizam mecanismos para combater o garimpo ilegal e têm como principal contribuição promover a celeridade na análise dos processos de outorga.

“O governo não está dizendo que vai conceder todas essas licenças ou que vai deixar que o garimpo se estabeleça em qualquer território, como terras indígenas ou áreas protegidas, mas sim que esse processo de análise tem que ser acelerado, porque são atividades de menor impacto e, principalmente, de caráter quase que artesanal”, declara. “Se está sendo pleiteado o trabalho em uma unidade de conservação, por exemplo, isso vai continuar sendo negado, porque essas áreas são vedadas”.

Conforme explica Azevedo, além dos longos prazos para a conclusão das análises de outorga, em alguns casos os custos financeiros para a obtenção da licença chegam a dezenas de milhares de reais, ainda que para pequenos garimpeiros, dentre taxas e custos com geólogo e empresas responsáveis pelo licenciamento ambiental.

“Infelizmente, a opinião pública tem uma visão sobre a mineração que é calcada em atividades que são muito polêmicas e danosas, como por exemplo a mineração no leito dos rios em terras indígenas. Não tenho dúvida de que isso deva ser coibido. E, de acordo com um dos decretos, aquele que está minerando ilegalmente vai ter responsabilidade aumentada e multas mais pesadas”, ressalta.


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MINISTROS COTADOS PARA SEREM VICES DE BOLSONARO

 

Eleições 2022
Como os ministros Gilson Machado e João Roma viraram opções de vice para Bolsonaro

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Ministro do Turismo, Gilson Machado, foi condecorado com a Ordem do Rio Branco por Bolsonaro: aliado é cotado para ser o vice na chapa com o presidente da República| Foto: Alan Santos/PR

Os ministros do Turismo, Gilson Machado, e da Cidadania, João Roma, entraram no radar do presidente Jair Bolsonaro (PL) como nomes bem cotados para ser vice em sua chapa de reeleição. Além de quadros da confiança do presidente, eles também contam com o apoio do caciques do Centrão. Além disso, ambos são do Nordeste – região em que Bolsonaro tem menos popularidade.

Gilson Machado – o “ministro sanfoneiro”, apelido que ganhou por tocar sanfona – conta com o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para eventualmente ser vice de Bolsonaro. Natural de Recife (PE), o ministro sempre se posicionou como um defensor das tradições e da cultura nordestina e manteve o hábito de tocar uma sanfona, mesmo em eventos oficiais do governo.

Já João Roma, que articulou o Auxílio Brasil e cuida da execução do programa, conta com o apoio tanto dos caciques do PP, como também do Republicanos, seu partido. Roma poderia vir a ser um pacificador na relação de Bolsonaro com o Republicanos. O presidente da legenda, deputado federal Marcos Pereira (SP), deu sinais públicos de insatisfação com Bolsonaro.

A avaliação feita por Lira e Nogueira é de que Machado e Roma são nomes que podem agregar mais eleitoralmente a Bolsonaro do que o ministro da Defesa, Braga Netto, que segue como o nome mais cotado pela vontade pessoal de Bolsonaro. O Centrão entende que os ministro do Turismo e da Cidadania podem ajudar a puxar votos à chapa no Nordeste.

Por mais que Bolsonaro tenha em Braga Netto seu nome ideal, ele se mantém aberto para ouvir sugestões e gostou da sugestão de Machado e Roma para ser seu vice. Como Machado agrada à cúpula do PP e Roma é bem cotado também no Republicanos, a informação que circula no Palácio do Planalto e entre parlamentares da base do presidente na Câmara é de que os ministros estão bem cotados e com chances de serem escolhidos.

Entretanto, Bolsonaro ainda não fechou a escolha pelo vice e nem tem pressa para bater o martelo agora. Ele e o núcleo político que o auxilia na coordenação eleitoral entendem que o momento é de sondar o terreno. Segundo o próprio presidente, ele busca um nome “forte” para sua chapa. “As articulações existem. Estamos conversando”, disse em em live de 18 de fevereiro. Em dezembro, afirmou em entrevista para a emissora VTV, afiliada do SBT, que desejava um vice que “agregue” e tenha “conhecimento de Brasil”.


Como a relação entre Lira e Gilson Machado fortalece o ministro do Turismo
Um dos motivos que fortalece o nome de Gilson Machado para o posto de vice é a relação dele com Arthur Lira. Quando foi indicado ao Ministério do Turismo e tomou posse, em dezembro de 2020, muitos apontaram que ele foi uma escolha pessoal de Bolsonaro. Mas interlocutores do Planalto e aliados da base mais ideológica na Câmara dizem que ele foi uma indicação negociada em comum acordo entre os presidentes da Câmara e da República.

“A chegada do Gilson foi uma exigência do PP, que pediu a retirada do [deputado e ex-ministro da pasta] Marcelo Álvaro [Antônio] para a chegada do ‘sanfoneiro’ quando o Jair se aproximou do Centrão. Foi um apadrinhamento do Ciro [Nogueira] e do Arthur [Lira]”, diz um deputado aliado da base governista.

Ao fim de 2020, o então ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, atual ministro-chefe da Secretaria-Geral, atuava junto à base para articular a candidatura de Lira à presidência da Câmara. Em um grupo de WhatsApp de ministros, Álvaro Antônio disse que Ramos havia oferecido o seu cargo ao Centrão para influenciar na eleição da Câmara. A mensagem de Álvaro Antônio foi mal vista e sua demissão se tornou iminente – e ocorreu em dezembro daquele ano.

Mas o que nem todos previam era que Gilson Machado permaneceria no cargo até 2022. “O Marcelo era um cara da extrema confiança do Jair, não tinha por que sair. Quando entrou o Gilson ninguém entendeu nada. Achava-se que era só uma exigência do PP e que ele iria ficar como um ministro ‘tampão’ para o partido definir quem colocaria no Turismo”, relata um outro deputado aliado de Bolsonaro.

O que os governistas constataram posteriormente é que Machado foi uma indicação de Lira desde que foi indicado para a presidência da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) – cargo que ele ocupou antes de assumir o Ministério do Turismo. “Ele e o Arthur têm uma relação de proximidade. Quando foi a Alagoas, o Gilson já ficou na fazenda do Arthur”, afirma um parlamentar da base.

No Planalto, interlocutores confirmam a proximidade entre Lira e Machado. Mas sustentam que o ministro tem as qualidades para a indicação para o posto de vice. “Ele encaixou bem no Turismo, performou corretamente e demonstrou habilidade política. É alguém que tem uma boa aceitação no PP e está com grandes chances de ser o vice”, diz um assessor.

Por que Roma pode deixar de ser candidato a governador e virar vice
João Roma (Republicanos-BA), ministro da Cidadania.
Até o momento, o discurso de João Roma ao público é de que sua pré-candidatura ao governo da Bahia está mantida. A ideia é que ele forneça palanque a Bolsonaro no estado, onde a disputa está polarizada entre o PT – que ainda vai definir seu pré-candidato após desistência do senador Jaques Wagner (BA) – e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

Contudo, interlocutores do governo asseguram à Gazeta do Povo a possibilidade de o ministro sair candidato a vice de Bolsonaro. “O João Roma começou a ser sondado. Ele tem que estar preparado para ser convocado caso o ACM resolva fazer um gesto ao presidente [Bolsonaro]”, afirma um assessor. Ou seja, se ACM Neto garantir palanque ao presidente na Bahia.

O governo está confiante de que Bolsonaro vai ascender nas pesquisas eleitorais nos próximos meses e que isso tornará sua candidatura mais atraente sob o ponto de vista de outros candidatos, a ponto de ACM Neto cogitar ceder palanque ao presidente da República. “Muita gente que está arredio vai começar a vir, por isso o Roma entrou no radar”, afirma um deputado da base.

Outra possibilidade cogitada para Roma é tentar uma vaga ao Senado. No caso de ele não ser escolhido como vice, a alternativa estudada no Planalto seria uma composição com ACM para alçá-lo senador em uma costura política para atrair o ex-prefeito de Salvador para uma aliança com Bolsonaro. “O que se fala é que o vice será de um partido que não é do presidente, para agregar força política. Aí, temos que estudar um nome que pode, realmente, agregar força, e um quadro do Nordeste seria muito interessante”, diz o deputado aliado.

Quais as entraves para que Gilson Machado ou João Roma sejam vice
Embora contem com o prestígio e apoio de Bolsonaro e do Centrão, Gilson Machado e João Roma ainda não são unanimidade entre os “cabeças” da coordenação eleitoral do presidente. E não se trata de uma situação específica em relação a eles. Outros nomes ainda são discutidos e testados junto à base do presidente da República.

Além de Machado e Roma, com quem Bolsonaro já sondou como alternativas para a vice, o presidente também já teve conversas com Braga Netto e outros três ministros: o das Comunicações, Fábio Faria; a da Agricultura, Tereza Cristina; e a da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

No Planalto, é dito que Bolsonaro conversou com cada candidato, mas não deu garantias a nenhum deles. “O que o presidente faz: joga para a plateia e quem fizer mais ‘barulho’ junto ao eleitor vence. Como percebeu que ninguém fez muito ‘barulho’, ele vai deixar essa decisão para depois”, afirma um interlocutor de um dos ministros cotados.

A forma do Planalto e dos ministros “testarem” seus nomes como candidatos é pelo vazamento de informações à imprensa ou a blogs e sites de confiança. Após isso, as assessorias pessoais monitoram o engajamento pelas redes sociais e a reação de potenciais eleitores e dos próprios aliados das bases no Congresso e nos estados. Segundo um interlocutor palaciano, as avaliações colhidas sugerem que nenhum nome teve um engajamento muito superior ao outro.

Por esse motivo, embora esteja bem cotado por ter o apoio de caciques do Centrão e do próprio Bolsonaro, nem Machado, Roma e os outros ministros despontam como favoritos. Fora isso, é dito que o presidente da República e o núcleo político e eleitoral respeitarão as vontades e projetos pessoais de cada um.

Tereza Cristina, por exemplo, tem como desejo pessoal sair candidata ao Senado por Mato Grosso do Sul, embora também não descarte uma candidatura ao governo estadual, segundo aliados. Já Damares Alves tem dado indícios de que pode sair candidata ao Senado. Bolsonaro sugeriu que ela saísse candidata por São Paulo, mas ela ainda estuda outros estados, como o Amapá.

O deputado federal Sanderson (PSL-RS), vice-líder do governo na Câmara, confirma que Gilson Machado e outros quatro ministros são cotados para ser vice de Bolsonaro, mas sustenta que não há nada definido. “Ainda estão construindo o nome. Dizer que bateu o martelo e que vai ser um ou outro é apostar alto, porque a vice em 2018 foi definida nos últimos três dias”, diz à Gazeta do Povo. “Eles vão testando se o cenário é bom, se cai bem entre o eleitorado ‘bolsonarista’ e do eleitorado em geral”, complementa.

Que outros candidatos despontam como nomes para a vice-presidência
Outro motivo pelo qual Gilson Machado e João Roma podem não ser os indicados para a vice de Bolsonaro é a indefinição política de Fábio Faria. O próprio ministro das Comunicações anunciou no último dia 22 que não será candidato ao Senado. O arranjo costurado no Rio Grande do Norte, sua base eleitoral, é de que ele vai apoiar para a Câmara dos Deputados seu pai, o ex-governador Robinson Faria, e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para o Senado.

Uma alternativa que chegou a ser sondada pelo ministro foi sair como candidato ao governo do Rio Grande do Norte em uma chapa com Marinho ao Senado, o que permitiria apoiar o pai à Câmara. Contudo, o arranjo discutido atualmente é que ele apoie o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do estado, ao governo.

Sem um cargo para disputar, ele, que é deputado federal licenciado pelo PSD, pode despontar como um nome para a vice de Bolsonaro. No PP, é dada como certa a filiação de Fábio Faria ao partido. Ciro Nogueira, presidente licenciado da sigla, gosta muito do ministro e vai discutir com ele a melhor alternativa, o que inclui a vice ou a permanência de Faria como ministro e como auxiliar na nova estratégia de comunicação institucional liderada pela Casa Civil.

“A possibilidade de ele [Faria] não ser candidato a nenhum cargo e atuar na campanha do presidente é bem significativa”, sustenta um interlocutor do Planalto. Segundo o deputado Sanderson, os ministros Faria, Machado, Roma, Braga Netto, Tereza Cristina e Damares são nomes ainda sendo sondados, mas ele não descarta que surja um outro nome de fora. “E isso, nem o presidente Bolsonaro sabe”, pondera.

Um deputado da base insiste, contudo, que Faria já está descartado quanto à possibilidade de ser candidato a vice. “O Fábio tá fora do radar já. Ele vai se dedicar às coisas pessoais da família”, diz, citando que o ministro das Comunicações estaria mais propenso a adotar uma espécie de quarentena política.

Um dos nomes cotado nos bastidores é o do ex-senador Magno Malta (PL-ES), que chegou a ser procurado por Bolsonaro em 2018 para ser seu vice. Em seu partido, a informação não é confirmada, uma vez que o discurso é de que ele será o pré-candidato ao Senado. Mas outros parlamentares da base e interlocutores do governo dizem que ele é um nome que desponta com força.

“O Magno está ganhando força porque refez a imagem dele. E, quando não está com o presidente, está com os ministros. É o único cara que tem rodado o país inteiro com o governo”, diz um interlocutor do governo. “Quando era deputado, por diversas vezes Bolsonaro ficava na sala de espera do Magno para ser atendido e pedir conselho. Magno sempre foi respeitado pelo presidente. Muito do movimento pró-vida e o combate à pedofilia se deve a ele, porque ele sabe fazer barulho”, complementa.

No Planalto, o nome de Malta não tem muita força. A informação de bastidor é de que ele não tem o perfil de discrição almejado por Bolsonaro – alfo que torna o ministro da Defesa seu nome favorito. “O Braga Netto é a pessoa da absoluta confiança dele [de Bolsonaro]. Se o presidente puder e o Centrão deixar ele escolher, ele ficaria com o Braga Netto”, diz um interlocutor. “Mas a vice é a última coisa que ele vai escolher, vai bater o martelo no último segundo.”


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