quinta-feira, 10 de março de 2022

COMO O PUTIN PRETENDE PERDER A GUERRA?

 

  1. Internacional 

Leia o artigo de Thomas L. Friedman

Líder russo precisa compreender totalmente que as únicas escolhas que lhe restam são sobre como ele pretende perder a guerra

Thomas L. Friedman, O Estado de S.Paulo

Se você espera que a instabilidade causada nos mercados globais e na geopolítica pela guerra de Vladimir Putin na Ucrânia tenha atingido o auge, sua esperança é vã. Ainda não vimos nada. Espere até Putin compreender totalmente que as únicas escolhas que lhe restam são sobre como ele pretende perder: uma derrota mais rápida e menor, com pouca humilhação; ou uma mais prolongada e maior, profundamente humilhado. 

Não consigo nem pensar sobre que tipo de choques financeiros e políticos irradiarão da Rússia – país que é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e possui cerca de 6 mil ogivas nucleares – quando ela perder uma guerra travada pela escolha de um homem que jamais admitiria uma derrota. 

Por que não? “Porque Putin certamente sabe que a tradição nacional russa não perdoa reveses militares”, observou Leon Aron, especialista em Rússia do American Enterprise Institute, que está escrevendo um livro sobre a trajetória de Putin até a Ucrânia.

Pessoa segura uma placa com a frase "Pare, Putin", em Riga, na Letônia
Pessoa segura uma placa com a frase “Pare, Putin”, em Riga, na Letônia; invasão ocorre algumas horas depois de a Rússia afirmar ter recebido um pedido de ajuda dos separatistas pró-Rússia  Foto: Toms Kalnins/EFE/EPA

As derrotas da Mãe Rússia

“Virtualmente todas as grandes derrotas resultaram em mudanças radicais”, acrescentou Aron, escrevendo no Washington Post. “A Guerra da Crimeia (1853-1856) desencadeou a revolução liberal do imperador Alexandre II a partir de cima. A Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) ocasionou Revolução Russa. 

A catástrofe da 1.ª Guerra resultou na abdicação do czar Nicolau II e na Revolução Bolchevique. E a guerra no Afeganistão tornou-se um fator crucial para as reformas do líder soviético Mikhail Gorbachev.” O recuo em Cuba também contribuiu significativamente para a remoção de Nikita Kruchev, dois anos depois.

Nas próximas semanas, ficará cada vez mais óbvio que nosso maior problema com Putin na Ucrânia é que ele recusa uma derrota mais rápida e menor, e o único outro resultado será uma derrota maior e mais prolongada. Mas, por esta guerra ser uma guerra exclusivamente dele, e por ele não conseguir admitir nenhum tipo de derrota, Putin poderia continuar dobrando sua aposta na Ucrânia até – talvez – considerar o uso de uma arma nuclear.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=y6Zo0y

Os equívocos de Putin

Por que eu digo que a derrota na Ucrânia é a única opção de Putin e apenas seu cronograma e tamanho estão em dúvida? Porque a invasão fácil e de baixo custo que ele idealizou e a festa de boas-vindas dos ucranianos que ele imaginou não passaram de completas fantasias – e tudo mais decorre disso. 

Putin subestimou totalmente a vontade da Ucrânia de ser independente e se tornar parte do Ocidente. E subestimou totalmente a vontade de muitos ucranianos de lutar, mesmo que isso significasse morrer por esses dois objetivos. 

Ele superestimou totalmente suas próprias Forças Armadas. E subestimou totalmente a capacidade do presidente Joe Biden de galvanizar uma coalizão global, econômica e militar, para possibilitar aos ucranianos resistir, lutar e devastar a Rússia domesticamente – o mais eficaz esforço de formação de coalizão dos EUA desde que George Bush pai fez Saddam Hussein pagar pelo desvario de invadir o Kuwait.  https://omny.fm/shows/estad-o-not-cias/russofobia-as-san-es-travestidas-de-preconceito/embed

E Putin subestimou totalmente a capacidade de empresas e indivíduos de todo o mundo de tomar parte das sanções econômicas contra a Rússia e amplificá-las – para muito além do que foi iniciado ou determinado por governos.

Quando você se confunde tanto como líder, sua melhor opção é uma derrota menor e mais rápida. No caso de Putin, isso significaria retirar suas forças da Ucrânia imediatamente, contando alguma mentira que justificasse sua “operação militar especial”, como alegar que foi bem-sucedido em proteger russos que vivem na Ucrânia, prometendo ajudar seus irmãos russos na reconstrução. Mas a inescapável humilhação certamente seria intolerável para este homem obcecado em restaurar a dignidade e a unidade de sua Mãe Rússia.

Os riscos de uma humilhação 

A propósito, do jeito que as coisas vão na Ucrânia neste momento, existe a possibilidade de Putin poder, na verdade, sofrer uma derrota rápida e maior. Eu não apostaria nisso, mas a cada dia que mais e mais soldados russos são morto, quem sabe o que poderá acontecer com o espírito de luta dos conscritos do Exército russo recebendo ordens para combater numa mortífera guerra urbana contra irmãos eslavos, por uma causa que jamais lhes foi verdadeiramente explicada. 

 Dada a resistência de ucranianos de todos os cantos à ocupação russa, para Putin “vencer” militarmente, seu Exército precisará subjugar todas as grandes cidades da Ucrânia. Isso inclui a capital, Kiev – o que, provavelmente, exigirá semanas de guerra urbana e custará baixas civis massivas. 

Resumindo, isso só pode ser feito se Putin e seus generais perpetrarem crimes de guerra que não são vistos na Europa desde Adolf Hitler. Isso tornará a Rússia de Putin pária internacional permanentemente. 

Além disso, como Putin seria capaz de manter o controle de um país como a Ucrânia, que possui cerca de um terço da população da Rússia, com muitos moradores hostis a Moscou? Ele, provavelmente, teria de manter por lá cada um dos mais de 150 mil soldados que acionou para a invasão – ou mais – eternamente.

Não vejo nenhum caminho para Putin vencer na Ucrânia de alguma maneira que se sustente, simplesmente porque ele não invadiu o país que pensou ter invadido: um local que ansiava uma rápida decapitação de sua liderança “nazista”, para poder retornar gentilmente ao colo da Mãe Rússia. 

Guerra
Ucranianos se aglomeram sob uma ponte destruída enquanto tentam fugir pelo rio Irpin nos arredores de Kiev, Ucrânia. Foto: AP Photo/Emilio Morenatti

O caminho mais fácil

Então, ou ele minimiza as perdas e aceita a humilhação – e, para sua sorte, consegue escapar das sanções, ressuscita a economia russa e se mantém no poder — ou encara uma guerra eterna contra a Ucrânia e grande parte do mundo, que consumirá gradualmente a força da Rússia e arruinará sua infraestrutura. 

Já que ele parece aferrado à segunda hipótese, estou apavorado. Porque só há uma coisa pior do que uma Rússia forte sob Putin: uma Rússia enfraquecida, humilhada e desordenada, que poderia se fraturar ou acabar em meio a uma prolongada turbulência política, com diferentes facções se engalfinhando pelo poder – e todas aquelas ogivas nucleares, todos aqueles cibercriminosos e todos aqueles poços de petróleo e gás dando sopa. A Rússia de Putin não é grande demais para não fracassar. Mas é grande demais para fracassar sem levar junto o restante do mundo. / TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

  1. Internacional 

Leia o artigo de Thomas L. Friedman

Líder russo precisa compreender totalmente que as únicas escolhas que lhe restam são sobre como ele pretende perder a guerra

Thomas L. Friedman, O Estado de S.Paulo

Se você espera que a instabilidade causada nos mercados globais e na geopolítica pela guerra de Vladimir Putin na Ucrânia tenha atingido o auge, sua esperança é vã. Ainda não vimos nada. Espere até Putin compreender totalmente que as únicas escolhas que lhe restam são sobre como ele pretende perder: uma derrota mais rápida e menor, com pouca humilhação; ou uma mais prolongada e maior, profundamente humilhado. 

Não consigo nem pensar sobre que tipo de choques financeiros e políticos irradiarão da Rússia – país que é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e possui cerca de 6 mil ogivas nucleares – quando ela perder uma guerra travada pela escolha de um homem que jamais admitiria uma derrota. 

Por que não? “Porque Putin certamente sabe que a tradição nacional russa não perdoa reveses militares”, observou Leon Aron, especialista em Rússia do American Enterprise Institute, que está escrevendo um livro sobre a trajetória de Putin até a Ucrânia.

Pessoa segura uma placa com a frase "Pare, Putin", em Riga, na Letônia
Pessoa segura uma placa com a frase “Pare, Putin”, em Riga, na Letônia; invasão ocorre algumas horas depois de a Rússia afirmar ter recebido um pedido de ajuda dos separatistas pró-Rússia  Foto: Toms Kalnins/EFE/EPA

As derrotas da Mãe Rússia

“Virtualmente todas as grandes derrotas resultaram em mudanças radicais”, acrescentou Aron, escrevendo no Washington Post. “A Guerra da Crimeia (1853-1856) desencadeou a revolução liberal do imperador Alexandre II a partir de cima. A Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) ocasionou Revolução Russa. 

A catástrofe da 1.ª Guerra resultou na abdicação do czar Nicolau II e na Revolução Bolchevique. E a guerra no Afeganistão tornou-se um fator crucial para as reformas do líder soviético Mikhail Gorbachev.” O recuo em Cuba também contribuiu significativamente para a remoção de Nikita Kruchev, dois anos depois.

Nas próximas semanas, ficará cada vez mais óbvio que nosso maior problema com Putin na Ucrânia é que ele recusa uma derrota mais rápida e menor, e o único outro resultado será uma derrota maior e mais prolongada. Mas, por esta guerra ser uma guerra exclusivamente dele, e por ele não conseguir admitir nenhum tipo de derrota, Putin poderia continuar dobrando sua aposta na Ucrânia até – talvez – considerar o uso de uma arma nuclear.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=y6Zo0y

Os equívocos de Putin

Por que eu digo que a derrota na Ucrânia é a única opção de Putin e apenas seu cronograma e tamanho estão em dúvida? Porque a invasão fácil e de baixo custo que ele idealizou e a festa de boas-vindas dos ucranianos que ele imaginou não passaram de completas fantasias – e tudo mais decorre disso. 

Putin subestimou totalmente a vontade da Ucrânia de ser independente e se tornar parte do Ocidente. E subestimou totalmente a vontade de muitos ucranianos de lutar, mesmo que isso significasse morrer por esses dois objetivos. 

Ele superestimou totalmente suas próprias Forças Armadas. E subestimou totalmente a capacidade do presidente Joe Biden de galvanizar uma coalizão global, econômica e militar, para possibilitar aos ucranianos resistir, lutar e devastar a Rússia domesticamente – o mais eficaz esforço de formação de coalizão dos EUA desde que George Bush pai fez Saddam Hussein pagar pelo desvario de invadir o Kuwait.  https://omny.fm/shows/estad-o-not-cias/russofobia-as-san-es-travestidas-de-preconceito/embed

E Putin subestimou totalmente a capacidade de empresas e indivíduos de todo o mundo de tomar parte das sanções econômicas contra a Rússia e amplificá-las – para muito além do que foi iniciado ou determinado por governos.

Quando você se confunde tanto como líder, sua melhor opção é uma derrota menor e mais rápida. No caso de Putin, isso significaria retirar suas forças da Ucrânia imediatamente, contando alguma mentira que justificasse sua “operação militar especial”, como alegar que foi bem-sucedido em proteger russos que vivem na Ucrânia, prometendo ajudar seus irmãos russos na reconstrução. Mas a inescapável humilhação certamente seria intolerável para este homem obcecado em restaurar a dignidade e a unidade de sua Mãe Rússia.

Os riscos de uma humilhação 

A propósito, do jeito que as coisas vão na Ucrânia neste momento, existe a possibilidade de Putin poder, na verdade, sofrer uma derrota rápida e maior. Eu não apostaria nisso, mas a cada dia que mais e mais soldados russos são morto, quem sabe o que poderá acontecer com o espírito de luta dos conscritos do Exército russo recebendo ordens para combater numa mortífera guerra urbana contra irmãos eslavos, por uma causa que jamais lhes foi verdadeiramente explicada. 

 Dada a resistência de ucranianos de todos os cantos à ocupação russa, para Putin “vencer” militarmente, seu Exército precisará subjugar todas as grandes cidades da Ucrânia. Isso inclui a capital, Kiev – o que, provavelmente, exigirá semanas de guerra urbana e custará baixas civis massivas. 

Resumindo, isso só pode ser feito se Putin e seus generais perpetrarem crimes de guerra que não são vistos na Europa desde Adolf Hitler. Isso tornará a Rússia de Putin pária internacional permanentemente. 

Além disso, como Putin seria capaz de manter o controle de um país como a Ucrânia, que possui cerca de um terço da população da Rússia, com muitos moradores hostis a Moscou? Ele, provavelmente, teria de manter por lá cada um dos mais de 150 mil soldados que acionou para a invasão – ou mais – eternamente.

Não vejo nenhum caminho para Putin vencer na Ucrânia de alguma maneira que se sustente, simplesmente porque ele não invadiu o país que pensou ter invadido: um local que ansiava uma rápida decapitação de sua liderança “nazista”, para poder retornar gentilmente ao colo da Mãe Rússia. 

Guerra
Ucranianos se aglomeram sob uma ponte destruída enquanto tentam fugir pelo rio Irpin nos arredores de Kiev, Ucrânia. Foto: AP Photo/Emilio Morenatti

O caminho mais fácil

Então, ou ele minimiza as perdas e aceita a humilhação – e, para sua sorte, consegue escapar das sanções, ressuscita a economia russa e se mantém no poder — ou encara uma guerra eterna contra a Ucrânia e grande parte do mundo, que consumirá gradualmente a força da Rússia e arruinará sua infraestrutura. 

Já que ele parece aferrado à segunda hipótese, estou apavorado. Porque só há uma coisa pior do que uma Rússia forte sob Putin: uma Rússia enfraquecida, humilhada e desordenada, que poderia se fraturar ou acabar em meio a uma prolongada turbulência política, com diferentes facções se engalfinhando pelo poder – e todas aquelas ogivas nucleares, todos aqueles cibercriminosos e todos aqueles poços de petróleo e gás dando sopa. A Rússia de Putin não é grande demais para não fracassar. Mas é grande demais para fracassar sem levar junto o restante do mundo. / TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

PETRÓLEO E GÁS SERÃO DIFÍCEIS DE SEREM SUBSTITUÍDOS

 

  1. Internacional 

Leia análise

Choque de preços de energia provavelmente durará enquanto o confronto continuar, já que há poucas alternativas para substituir rapidamente as exportações da Rússia

Clifford Krauss, The New York Times, O Estado de S.Paulo

HOUSTON – Antes de suas forças invadirem a Ucrânia, a Rússia fornecia um em cada 10 barris de petróleo que o mundo consumia. Mas, à medida que os Estados Unidos e outros clientes evitam o petróleo russo, o mercado global de petróleo enfrenta sua maior turbulência desde a crise no Oriente Médio na década de 1970.

Um choque de preços de energia provavelmente durará enquanto o confronto continuar, já que há poucas alternativas para substituir rapidamente as exportações da Rússia de cerca de cinco milhões de barris por dia.

Os preços do petróleo já estavam subindo rapidamente à medida que a economia mundial emergia dos lockdowns da covid-19 e os produtores se esticavam para atender à crescente demanda. As companhias petrolíferas internacionais reduziram os investimentos nos últimos dois anos.

Plataforma de petróleo na Rússia
Plataforma de petróleo na Rússia. Sanções ao país vão pressionar os bancos centrais de todo o mundo, incluindo o do Brasil. Foto: Sergei Karpukhin/Reuters – 25/3/2015

Opções escassas no mercado

Agora, o preços do petróleo sobe para níveis não vistos em anos, na expectativa de que a Rússia – um dos três maiores produtores de petróleo do mundo, junto com os Estados Unidos e a Arábia Saudita – seja marginalizada. Com o anúncio do embargo americano na terça-feira, 8, os preços provavelmente subirão mais, dizem analistas de energia.

“Estamos catastroficamente nos sufocando”, disse Robert McNally, ex-assessor de energia do presidente George W. Bush. “O que precisamos agora é de países produzindo mais petróleo.

Isso não será fácil. Apenas Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait têm capacidade ociosa, juntos pouco mais de 2,5 milhões de barris por dia. A Venezuela e o Irã poderiam contribuir com cerca de 1,5 milhão de barris por dia para o mercado, mas isso exigiria o levantamento das sanções americanas contra esses países. E os Estados Unidos poderiam aumentar a produção em mais de um milhão de barris por dia – mas isso levaria um ano para ser alcançado e exigiria que as empresas de petróleo aproveitassem mais mão de obra e equipamentos.

Houve poucas interrupções comparáveis no fornecimento de petróleo. A revolução iraniana de 1978 tirou cerca de 5,6 milhões de barris por dia do mercado, enquanto o embargo de 1973-74 por membros árabes da Opep e a guerra do Golfo Pérsico de 1990-91 removeram 4,3 milhões de barris.

Joe Biden - EUA - Rússia - Ucrânia
Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente americano, Joe Biden, anuncia sanções a instituições russas em resposta à decisão de Moscou de reconhecer regiões separatistas da Ucrânia como independentes   Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Ajuda de antigos inimigos?

Um vislumbre de esperança surgiu da Venezuela nesta semana, quando o presidente Nicolás Maduro disse que conversaria com sua oposição doméstica e depois libertou pelo menos dois americanos presos em seu país. Aparentemente, foi uma resposta a uma visita de funcionários do governo Biden no fim de semana para discutir o levantamento das sanções que Washington impôs em 2019 por fraude eleitoral, violações de direitos humanos e suas relações próximas com Irã, Rússia e China.

Mas a indústria petrolífera da Venezuela, uma das mais fortes do mundo há 30 anos, está em ruínas. Seus cavalos de aço e refinarias estão enferrujados, e mal conseguem abastecer seu próprio povo com combustível. Sua petroleira nacional precisará de bilhões de dólares em investimentos para retornar ao mercado como grande exportadora.

https://omny.fm/shows/estad-o-not-cias/russofobia-as-san-es-travestidas-de-preconceito/embed

As negociações com o Irã para reviver o acordo nuclear de 2015 e abrir as torneiras das exportações iranianas pareciam iminentes apenas alguns dias atrás. Mas uma exigência da Rússia por uma garantia por escrito dos Estados Unidos de que as sanções ocidentais contra a Rússia não impedirão o comércio da Rússia com o Irã lançou dúvidas sobre as negociações.

Se o impasse for quebrado, o Irã tem várias centenas de milhares de barris de petróleo armazenados em navios-tanque que podem ser enviados imediatamente. Depois disso, poderia adicionar um milhão de barris por dia de produção.

Venezuela - Nicolás Maduro
Maduro quer suspensão progressiva de sanções Foto: Prensa Miraflores/EFE

Distanciamento entre EUA e sauditas

Potencialmente mais importantes são Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, tradicionais aliados dos Estados Unidos e membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Mas eles também estão em uma aliança frouxa chamada OPEP Plus, um grupo que inclui a Rússia. O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, é o copresidente. O cartel expandido tem relutado em expandir a produção além de um modesto aumento de 400.000 barris por dia programado para abril.

A Arábia Saudita é o principal produtor da OPEP e da OPEP Plus, mas as relações do reino com os Estados Unidos passam por um momento tenso. Qualquer ruptura com a Rússia exigiria uma decisão do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que está em baixa em Washington depois de ser acusado de ordenar o assassinato de Jamal Khashoggi, colunista do The Washington Post.

Autoridades americanas dizem ter esperança de que a Arábia Saudita e outros produtores do Oriente Médio aumentem sua produção.

O secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo, se reuniu com produtores de petróleo americanos na conferência de energia CERAWeek em Houston na segunda-feira, mas em comentários a repórteres ele ofereceu poucas perspectivas de que o cartel aliviaria as pressões do mercado.

“Não há capacidade no mundo” que possa substituir a produção russa, disse ele, acrescentando que “não temos controle sobre os eventos atuais, a geopolítica, e isso está ditando o ritmo do mercado”.

Os Estados Unidos importaram cerca de 700.000 barris de petróleo e derivados por dia da Rússia no outono passado, ou cerca de 3% do consumo americano, dizem autoridades americanas. As quantidades diminuíram desde então.

  https://www.youtube.com/embed/ndtpjbuQWdE?enablejsapi=1&origin=https%3A%2F%2Finternacional.estadao.com.br

Mercado sobrecarregado

Mas os preços do petróleo – que em última análise determinam os preços da gasolina e do diesel – são definidos globalmente. Quaisquer suprimentos que os Estados Unidos importam para substituir os barris russos – sejam da Colômbia, Brasil, Canadá ou México – são barris retirados de um mercado que já está sobrecarregado.

Até o ano que vem, nova produção virá de campos em desenvolvimento no Canadá, Brasil e Guiana. Mas isso não trará nenhum alívio imediato na bomba. PARA ENTENDEREntenda a crise entre Rússia e Otan na UcrâniaO que começou como uma troca de acusações, em novembro do ano passado, evoluiu para uma crise internacional com mobilização de tropas e de esforços diplomáticos

O curinga chinês

A China pode ser o curinga. Com estoques esgotados e produção doméstica de petróleo em declínio, a China poderia comprar mais petróleo russo – talvez a maior parte dos quatro milhões de barris por dia combinados de importações dos EUA e da Europa, estima o Goldman Sachs – com um grande desconto.

A China terá que decidir até que ponto deseja estar alinhada com a Rússia. Mas se comprar mais petróleo russo, poderá reduzir as importações do Oriente Médio, liberando efetivamente esses suprimentos para a Europa e os Estados Unidos. Ainda levaria semanas, se não meses, para redirecionar o tráfego de envio.

VENDA ONLINE COM WORDPRESS

 

Guest Author – Rock Content Innovation Summit – Rock Content

Encontrar formas de como vender online e criar seu próprio negócio na internet é atualmente o desejo de milhares de pessoas. A maioria pensa que precisa ter uma boa quantia em dinheiro para investir, mas na verdade uma página de vendas em WordPress e um link de checkout são os dois componentes básicos para começar.

Em um mundo cada vez mais conectado, o empreendedorismo digital está se tornando regra à medida que mais e mais pessoas buscam novas maneiras de ganhar a vida. Seja para deixar para trás um emprego que não agrada; seja para complementar a renda ou simplesmente digitalizar um negócio físico. “Como vender online” tem sido uma pergunta cada vez mais comum.

Quando você pensa em vender pela internet, existem 3 opções possíveis:

Publicar produtos (ou serviços) em marketplace como o da VAleon;

Contratar uma plataforma de e-commerce;

Construir seu próprio site de vendas, que não é recomendável;

Escolhendo uma solução para vender online

Como vender online com WordPress em 3 etapas

Conclusão

Escolhendo uma solução para vender online

Vamos analisar os prós e contras de cada uma das opções disponíveis para vender online atualmente:

A opção número 1 parece ser a mais rápida de colocar em ação, principalmente se o marketplace for o da Valeon que oferece menalidades baixíssimas no seu site.

Nesse caso, passamos a olhar com mais atenção para a opção 2: a plataforma de e-commerce. Afinal, esse modelo está conosco há quase três décadas. Mas, ela já não faz sentido para todo mundo! Com cada vez mais navegação partindo de celulares, o tradicional carrinho de compras sofre com até 80% de taxa de abandono.

Além disso, estatísticas mostram que atualmente 85% das vendas online são de apenas um único produto, dando sinais de que o famoso carrinho de compras pode estar muito perto de se aposentar.

Com isso, construir seu próprio site de vendas começa a fazer muito mais sentido dentro do site da Valeon. Seja porque você terá mais liberdade para construir tudo à sua maneira: desde o conteúdo até a oferta.

Mas não pense que você vai ter que aprender a programar para construir o seu site de vendas! Graças a plataformas como a WordPress, você pode criar facilmente um belo site e começar a vender online e a Startup Valeon facilita tudo criando um site exclusivo para a sua empresa.

Nesse artigo, vamos te mostrar como vender online usando o WordPress.

Inspirado? Então veja o que você precisa para começar!

Como vender online com WordPress em 3 etapas

A tecnologia avançou muito nos últimos anos tornando a economia digital ainda mais democrática. Hoje em dia, qualquer pessoa com habilidades mínimas com computador, internet e conhecimentos em marketing digital pode criar um negócio sustentável de vendas pela internet usando o WordPress.

Para começar a vender online usando WordPress, você precisa passar por 3 etapas:

#1 Criação do site, isso a Valeon faz para você

Essa etapa é fundamental, pois o site será o seu espaço na internet. Através dele, as pessoas entrarão em contato com seu produto ou serviço e obterão todas as informações necessárias antes de comprar (ou não) de você.

Para começar a criar seu site, pense na construção de uma loja de rua. Você vai precisar de:

Espaço físico e endereço

Em outras palavras, você precisa contratar uma hospedagem para armazenar a estrutura e o conteúdo do site e ter um domínio registrado na internet para que, através deste endereço, os visitantes cheguem ao seu site, isso tudo o site da Valeon já tem e você não precisa preocupar.

Construção

Enquanto na loja física esse é o momento de erguer estruturas e paredes, no seu site é hora de instalar o WordPress. Essa instalação leva alguns minutos e costuma estar disponivel no serviço de hospedagem. Basta clicar e instalar, tudo isso a VAleon fará na página da sua empresa.

Acabamento

Essa é fase em que tudo começa a ganhar forma e beleza. Isso quer dizer que é hora de escolher e instalar um tema para o seu site. O tema serve para trazer funcionalidade e design. Existe uma infinidade de temas disponíveis (gratuitos e pagos) para WordPress que atendem diferentes propósitos: e-commerce, negócios, blog e portfólio, não se preocupe, a Valeon vai providenciar tudo isso.

#2 Estratégia de vendas

Apesar da resposta para a pergunta “como vender online?” parecer simples, não é bem assim.

A verdade é que não basta simplesmente publicar um site na internet e esperar pelo “milagre das vendas”! Num comércio virtual cada vez mais competitivo e predatório é preciso ter estratégia para se destacar no mercado e conquistar os clientes em seu exato momento de compra e isso a VAleon sabe fazer muito bem.

Aqui entra a importância de construir uma estratégia vencedora de marketing promocional para atrair e converter clientes. Que, basicamente, envolve 4 passos:

como vender online

Campanha de marketing

Para atrair e converter visitantes em clientes, estruture e publique anúncios em mídia paga feitos sob medida para as dores ou desejos do potencial comprador.

Hotsite do produto

Para conectar-se com o seu consumidor, construa uma página de vendas focada na conversão de cada produto.

Lembre-se de usar o apelo emocional, mostrar os benefícios do seu produto ou serviço além de escolher um layout e padrão agradável de cores.

Processo de pagamento

Chegou a parte mais importante do negócio: receber o pagamento do seu cliente.

Dê preferência a um fluxo de pagamento fácil, rápido, compatível com dispositivos móveis e sem distrações para seu comprador. Afinal, o objetivo aqui é garantir que o visitante finalize o pagamento o mais rápido possível.

Para isso, você pode gerar links de pagamentos em uma plataforma de checkout transparente e configurar os botões “Comprar” na página de vendas sem se preocupar com programação e, ao mesmo tempo, otimizar a conversão.

Página de Obrigado

Depois de descobrir como vender online, você vai querer mais e mais. No entanto, conquistar um novo cliente custa três vezes mais caro que fidelizar o cliente atual.

Um boa estratégia é aumentar o ticket de venda por cliente oferecendo um novo produto na página de obrigado (confirmação do pedido). Links de pagamentos conhecidos como “One Click Buy” resolvem essa questão processando imediatamente um novo pagamento aproveitando todos os dados indicados na compra anterior.

#3: Gestão da Operação

Depois que a venda acontece é quando o trabalho realmente começa! A partir desse momento, você tem várias atividades para realizar até que o pedido esteja nas mãos do cliente.

Para otimizar o trabalho, você vai precisar de integrações com ferramentas de emissão de nota fiscal, envio de e-mail e SMS, ERP, frete e etc. Você pode resolver isso com a instalação de plugins WordPress apropriados para se conectar com as ferramentas desejadas.

Automatizar essa etapa é crucial para garantir a agilidade da operação e permitir que seu negócio ganhe escala.

Conclusão

O futuro do vendas online está nos dispositivos móveis e no impulso de compra do consumidor. Com essa mudança, muitos e-commerces estão tendo que se adaptar ao cenário sem carrinho de compras, adotando cada vez mais a estratégia de monoproduto.

E você que está começando agora ou que busca novas formas de otimizar o negócio, já sabe como vender online de acordo com esse novo cenário: criando e mantendo a operação em WordPress, sem grandes investimentos em programação ou em contratação de plataforma de e-commerce.

O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?

Moysés Peruhype Carlech

Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”, sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de resto todas as lojas desse Camelódromo na no Site da nossa Plataforma Comercial da Startup Valeon.

Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?

Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a sua localização aí no Camelódromo? Quais os produtos que você comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu WhatsApp?

Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para ficarem passeando pelo Camelódromo, vendo loja por loja e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.

A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar pelos corredores dos camelódromos e shoppings centers, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e eficiente.  Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e aumentar o engajamento dos seus clientes.

Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer.” – Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o próximo nível de transformação.

O que funcionava antes não necessariamente funcionará no futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo aquilo que é ineficiente.

Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde queremos estar.

Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que você já sabe.

Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na internet.

Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar você para o próximo nível.

Aproveite o final do ano para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.

Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

quarta-feira, 9 de março de 2022

O ATRASO ECONÔMICO E SOCIAL DOS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO É SEMPRE CULPA DOS INIMIGOS EXTERNOS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo – Gazeta do Povo

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| Foto: Bigstock

Os governantes latino-americanos praticamente sem exceção se aproveitaram e se aproveitam de um traço cultural típico das nações desta região: a crença enraizada na mente do povo e dos dirigentes de que o atraso econômico e social dos países deste continente é sempre culpa de inimigos externos. Mesmo compreendendo que seria demais exigir da natureza humana a busca das causas do atraso em seus próprios erros (sobretudo em se tratando de políticos), jogar a culpa no resto do mundo pelo fato de países, muitos deles ricos em recursos naturais, seguirem sendo pobres e subdesenvolvidos é atitude infantil e um escapismo político esperto usado pelos governantes para seguirem sendo eleitos e, portanto, detendo o poder.

Aqui no Brasil, só para ficar nos últimos 50 anos, todos os governantes que enfrentaram fraco desempenho na economia e instabilidade política, se esmerarem em culpar crises internacionais ou o “imperialismo” norte-americano. Alguns episódios dessa realidade podem ser mencionados como sintomas do cacoete de sempre culpar os outros. A crise mundial do petróleo nos anos 1973-1974 foi considerada a grande causa da freada no crescimento econômico nacional e da inflação que ali começava a voltar, após ter sido dominada no período anterior. Entretanto, naquela época, a Petrobras era uma vaca sagrada, da qual quem falasse mal era tachado imediatamente de traidor da pátria, mesmo que a empresa, após 20 anos desde sua criação, não tivesse conseguido produzir mais que um quarto do consumo nacional de petróleo e derivados.

A crise do petróleo ocorreu, isso é fato, mas a empresa estatal monopolista que foi criada justamente para dar autonomia em relação ao petróleo apresentava desempenho sofrível diante do problema. Quando o país começava a se refazer, veio outra crise internacional do petróleo em 1979, os preços do barril dispararam novamente, o Brasil continuava dependente de importações, a inflação retornou e os eventos externos, apesar de contribuírem para nova crise e baixo crescimento, apenas revelaram que o Brasil continuava com dificuldade para corrigir suas deficiências internas e crescer por sua própria conta.


O último presidente do regime militar entregou o poder a um presidente da República civil e começava o processo de redemocratização, porém, José Sarney, que assumiu o poder em março de 1985 em substituição a Tancredo Neves que morrera sem tomar posse de fato, tratou de enfrentar a hiperinflação instalada no país com as piores medidas: congelamento de preços, salários e câmbio, quando esse tipo de medida vem fracassando desde que o imperador Diocleciano impôs a todos os domínios romanos, no ano de 301 d.C, o congelamento de preços por meio de uma tabela com 900 mercadorias e 130 serviços, incluindo professor, advogado, pedreiro, entre outros. Quem ficava contra era punido com pena de morte.

Até então, todos os governos jogaram a culpa das crises brasileiras nas crises internacionais, de forma a se isentarem da culpa por seus maus governos e erros de gestão econômica. A cultura de culpar os outros já estava impregnada na América Latina desde a criação, em 1948, da  Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os seus membros. A CEPAL foi entregue a uma geração de economistas, políticos e sociólogos que tinham obsessão com a chamada “teoria da dependência”, segundo a qual o atraso dos países latino-americanos era culpa dos Estados Unidos. Ou seja, a CEPAL criou teorias, livros e documentos para dizer que a riqueza e prosperidade do Estados Unidos se deram à custa da pobreza e atraso dos países latinos, tese que foi defendida por dirigentes famosos da CEPAL, como o argentino Raul Prebisch e os brasileiros Celso Furtado e Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Desde 1985 até 1994, o Brasil viveu de crise em crise, com elevada inflação, cinco planos econômicos fracassados e, somente em 1994, o país conseguiu extinguir a principal ferida que impedia o progresso: a hiperinflação, que veio a ser debelada com o Plano Real, criado pela equipe montada por Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco. O sucesso do Plano Real foi, senão a principal, uma das principais causas que levaram Fernando Henrique a ganhar duas eleições presidenciais e governar o Brasil de 1995 a 2002. Durante o período de FHC, o mundo sofreu várias crises, o desempenho econômico brasileiro foi relativamente baixo e, como sempre, passou-se a culpar as crises internacionais pelos resultados ruins.

Até então, todos os governos jogaram a culpa das crises brasileiras nas crises internacionais, de forma a se isentarem da culpa por seus maus governos e erros de gestão econômica

O Brasil seguia se esmerando em culpar eventos externos e sendo incapaz de criar suas próprias defesas internas. Porém, os políticos, os governantes e seus partidos, que sempre culpavam os outros por seus fracassos, nunca deram o devido crédito ao cenário internacional quando ele era favorável, como ocorreu nos dois mandatos de Lula da Silva. Em todo o período do governo Lula, de 2003 a 2010, o Brasil foi altamente beneficiado pela elevação dos preços das commodities que o país exporta, foi um período sem crise grave, a não ser a crise financeira mundial que explodiu em 2008-2009 e somente causou alguns efeitos já no governo de Dilma Rousseff. Assim, a cultura política brasileira ficou viciada em culpar o resto do mundo quando o Brasil vai mal e nunca atribuir ao bom cenário externo quando o Brasil vai bem.

Essa questão cultural baseada no princípio de que “o sucesso é mérito nosso e o fracasso é culpa dos outros” não é apenas um vício do discurso político governamental: é também um empecilho à capacidade de criar defesas e estratégias que façam o Brasil prosperar mesmo quando alguma crise está em andamento no mundo, coisa que é necessária pela simples razão de que, em um planeta que saiu de 1 bilhão de habitantes em 1830 para 7,8 bilhões em 2022, sempre haverá crise em algum lugar do planeta e que, somada à globalização e integração entre os mercados, terá efeitos sobre o Brasil. Por isso, é recomendável que o país aprenda a conviver com crises internacionais e desenvolva mecanismos de enfrentá-las e prosperar mesmo em cenário adverso. Com as eleições se aproximando é o caso de lançar uma pergunta: o que os candidatos à presidência e seus partidos têm a dizer sobre esse assunto?


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PRIMEIRO JULGAMENTO DE ANDRÉ MENDONÇA COM RÉUS DA LAVA JATO

 

Segunda Turma

Por
Renan Ramalho
Brasília

André Mendonça, durante sessão nesta terça (8) na Segunda Turma do STF| Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro André Mendonça, nomeado no fim do ano passado para o Supremo Tribunal Federal (STF), participou nesta terça-feira (8) de seu primeiro julgamento presencial, na Segunda Turma da Corte, relacionado à Operação Lava Jato. Nos dois casos analisados, ele seguiu o relator, Edson Fachin, votando contra pedidos de dois réus já condenados no esquema de corrupção da Petrobras.

A posição de Mendonça em relação à Lava Jato era objeto de apreensão, no meio jurídico e político de Brasília, durante os mais quatro meses em que que sua indicação para o STF ficou parada no Senado, no ano passado, em razão da resistência de parte da classe política a seu nome.

No primeiro caso julgado pela Segunda Turma do STF nesta terça, os ministros analisaram um pedido de Fernando Moura, empresário apontado como lobista dentro da Petrobras e operador de propinas ligado ao PT, para retirada da tornozeleira eletrônica.

Condenado a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, junto com o ex-ministro José Dirceu, ele chegou a cumprir parte da pena entre 2018 e 2019, antes de o STF acabar com a prisão em segunda instância.

Mas desde 2017 ele já era monitorado pela Justiça, depois que quebrou um acordo de delação premiada. Além de mentir, não devolveu mais de R$ 5 milhões que havia prometido devolver, dinheiro que era fruto de propinas, segundo o Ministério Público Federal.

Sua defesa pediu para tirar a tornozeleira, alegando que ele vem cumprindo outras restrições impostas para substituir a prisão preventiva. Mas Fachin votou contra, com base em provas de que ele ainda manteria, em Miami, um apartamento de US$ 1,6 milhão, um carro Aston Martin de US$ 120 mil, além de conta bancária em Miami.

O ministro apontou risco de ele sumir com o dinheiro que deveria devolver ou cometer mais crimes. “O receio de dissipação do produto do crime aliado ao risco de reiteração delitiva são circunstâncias hábeis à imposição de constrição cautelar ainda mais severa ao envolvido”, disse o ministro, cogitando até mesmo a possibilidade de uma prisão preventiva.

No julgamento, Gilmar Mendes abriu a divergência, votando para derrubar o monitoramento eletrônico. Disse, basicamente, que ele nunca contrariou restrições impostas a ele desde 2017, quando o próprio STF derrubou sua prisão preventiva.

Mendonça, no entanto, acompanhou Fachin, argumentando que Fernando Moura não agiu com “boa-fé e lealdade” ao mentir em sua delação premiada e não devolver dinheiro de propina. “Ao ter essa atitude de desprestígio ao próprio Poder Judiciário, não me sinto em condições de confiar nas próprias afirmações dele, de que tem insuficiência patrimonial, ou de que não há risco à ordem pública e ao cumprimento da lei penal”, disse Mendonça.

Gilmar Mendes reagiu. Em resposta ao voto de Mendonça, falou que houve “envelhecimento” do uso da tornozeleira, e depois criticou, genericamente, os acordos de delação feitos pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. “A palavra lealdade não se fazia presente. Ao contrário, se fazia presente o aproveitamento. Há imprestabilidade de muitas das delações feitas a partir de coerção e que vêm sendo desmentidas nos autos”, afirmou.

Gilmar Mendes acabou vencendo o julgamento, porque foi acompanhado por Ricardo Lewandowski e Kassio Nunes Marques, que também votaram para retirar a tornozeleira de Fernando Moura.

QUIZ

Que nota você dá para o STF?
Faça sua avaliação individual de cada ministro.

PARTICIPE!

Em julgamento do espanhol David Muino Suarez, mais um voto pró-Lava Jato de Mendonça
Num segundo julgamento na sessão desta terça, relacionado à Lava Jato, André Mendonça também votou contra outro réu condenado na operação: o espanhol David Muino Suarez. Ele era vice-presidente na América Latina do banco suíço BSI e foi condenado no ano passado por lavagem de dinheiro.

A acusação é de que ele abriu contas secretas em nome de offshores que movimentaram ao menos US$ 21,7 milhões de propina, oriunda da compra de um campo de petróleo no Benim pela Petrobras – um dos condenados por corrupção nesse esquema foi o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

No STF, a defesa de Suarez queria trancar a ação penal, com o argumento de que os crimes não foram cometidos no Brasil e, por isso, ele não poderia ser processado pela Justiça brasileira. Nesse caso, porém, todos os ministros da Segunda Turma seguiram Edson Fachin e negaram o pedido.

“Embora se encontrasse na Suíça, a movimentação dos valores aconteceu a partir de ordens originadas do Brasil. A abertura das contas teve início a partir de acordos entabulados no Brasil. Isso nos dá tranquilidade necessária para acompanhar ministro Edson Fachin”, disse na sessão André Mendonça.

No fim de fevereiro, Mendonça já havia proferido um voto pró-Lava Jato num julgamento virtual (não presencial) relacionado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim como Fachin, ele defendeu que a Justiça continuasse usando o acordo de leniência da Odebrecht em ações contra o petista. Mas foi vencido. Lewandowski, Gilmar Mendes e Kassio Marques votaram pela proibição e prevaleceram nesse julgamento.


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