segunda-feira, 7 de março de 2022

AVIÃO MILITAR RUSSO É ABATIDO NA UCRÂNIA

 

 IGOR GIELOW – FOLHA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma estrela do arsenal aeroespacial russo sofreu sua primeira baixa em combate neste fim de semana na guerra da Ucrânia: ao menos um avião de ataque e caça-bombardeiro tático Sukhoi Su-34 foi abatido ao norte de Kiev.

Não é uma perda casual, e também indica que a guerra aérea sobre a Ucrânia está entrando em uma nova fase —e isso não deverá trazer boas notícias nem para quem está no solo, nem para as forças de Vladimir Putin.

O avião estrelou um vídeo amplamente circulado no sábado (5), que o mostrava caindo sobre uma área residencial de Tchernihiv, nordeste da capital, sob aplausos de moradores. As fotos dos destroços permitiram identificar a aeronave com precisão.

Trata-se do Su-34 número 24 Vermelho, que foi entregue à Força Aérea em 2018, sendo baseado em Tcheliabinsk (Sibéria). Na sexta (4), houve o relato da derrubada de outro modelo desses em Volkhonava, perto de Kiev, mas não foram apresentadas ainda provas.

Segundo a imprensa ucraniana, o avião foi derrubado por um míssil disparado pelo lançador portátil russo de origem soviética Igla-S, que é usado no Brasil. Isso significa que ele estava voando a menos de 5 km de altitude, e há uma implicação militar clara.

O Su-34 é um potente bimotor de longo alcance, equipado para ataques de precisão a alta altitude. Se ele voava baixo e, pelas imagens disponíveis carregava bombas de queda livre FAB-500, supunha ser possível fazer um ataque próximo ao solo sem oposição.

Desde o começo da guerra, em 24 de fevereiro, a Rússia vem degradando as defesas aéreas ucranianas. Mas lançadores portáteis e antigos sistemas móveis soviéticos são quase impossíveis de erradicar. Aí entram duas considerações.

Primeiro, que os russos pode ter abusado da soberba na ação. Mais importante, contudo, é que eles estão dispostos a expor as joias de sua coroa nessa nova fase. Até aqui, o grosso dos ataques aéreos de Putin foi conduzido com mísseis de cruzeiro Kalibr, balísticos Iskander, e antirradar Kripton.

Ao empregar a aviação tática, os riscos de perdas sobem no ar, mas principalmente na terra. Sendo alvos de bombas “burras” como a FAB-500, civis ucranianos vão enfrentar áreas maiores de destruição, o que condiz com a ideia de que Putin quer agora pressionar Kiev a se render por meio de uma campanha mais intensa e com cercos a grandes cidades.

O próprio Ministério da Defesa da Rússia fez questão de marcar a inflexão com um vídeo, publicado no YouTube neste domingo (6), mostrando um Su-34 e um caça-bombardeiro Su-25 levantando voo com bombas para atacar a Ucrânia.

Há um preço de prestígio a pagar. Além do Su-34, há relatos não confirmados que só no sábado outras sete aeronaves foram abatidas, incluindo caças multimissão Su-30SM e helicópteros de ataque Mi-24/35M.

Um dos últimos protagonizou outro vídeo que viralizou no fim de semana, sendo derrubado próximo ao solo. Ali, a curiosidade adicional é sobre qual lançador de míssil portátil foi usado, se o Stinger americano, cuja entrega foi anunciada por países europeus e pelos EUA, ou se foi um Starstreak britânico —a rapidez e o rastro de fumaça sugerem o segundo, que até agora não se sabia estar em mãos de Kiev.

Analistas militares ocidentais vinha mostrando surpresa pela falta de ação da Força Aérea no conflito e com o fato de que os ucranianos ainda operam, aparentemente, seus aviões e defesas de forma algo limitada. Agora será a hora de aferir se o fiasco da aviação russa na guerra de 2008 contra a Geórgia, que levou à reorganização e modernização das Forças Armadas de Putin, realmente deu certo na prática.

No caso do Su-34, o piloto ejetou e sobreviveu, mas seu navegador ficou preso no cockpit e morreu. O aviador foi capturado e sua imagem começou a circular, causando espanto pela notoriedade da figura: trata-se de um certo major Krasnorutchev, que em 2016 posou ao lado de Putin e o ditador Bashar al-Assad na base russa de Hmeimin, na Síria.

Com outros pilotos e aviões russos ao fundo, celebrava-se a intervenção militar promovida por Putin em 2015 para salvar o aliado na brutal guerra civil iniciada em 2011. Moscou teve lá a oportunidade de experimentar suas aeronaves e táticas em combate real, e o Su-34 ganhou rapidamente fama de avião implacável.

Seu desempenho foi tão elogiado que a produção, tímida desde sua entrada em serviço em 2014, foi acelerada e até a guerra havia 122 unidades distribuídas por três regimentos, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres). Com velocidade máxima de 1.900 km/h, ele carrega até oito toneladas de bombas e mísseis, em diversas configurações.

O Su-34 é um redesenho do clássico Su-27, cujo primeiro protótipo voou em 1990, no ocaso soviético. Ficou anos em desenvolvimento. Ele tem uma cabine amplamente modificada: maior, com o fundo mais achatado e toda blindada. Os dois pilotos vão lado a lado, enquanto em versões bipostas de variantes modernas como o Su-30 eles ficam um atrás do outro.

Seguindo uma tendência de forças modernas, ele deverá substituir outros modelos mais antigos, como o venerando avião de ataque a solo Su-25 e o Su-24, ambos em ação na Ucrânia, dos dois lados do conflito.

O BRASIL É 10ª POTENCIAL MILITAR MUNDIAL

 

Forças Armadas
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

Militares do Exército durante cerimônia em 2019| Foto: Palácio do Planalto

O poderio militar do Brasil é o 10º maior do mundo. O país é o segundo mais forte das Américas, perdendo no continente apenas para os Estados Unidos, que são os líderes mundiais. Os dados são do site GlobalFirePower, que faz anualmente um levantamento do poder militar de países por todo o planeta, denominado GFP Index. O ranking das potências militares de 2022, divulgado em janeiro, avaliou 140 países.

Veja abaixo os dados comparativos do ranking mundial das potências militares

O desempenho do Brasil foi classificado como “excelente” pelo GFP Index em 34 dos 47 itens considerados, que se subdividem em oito grandes áreas: recursos humanos, força aérea, força em terra, força naval, recursos naturais, logística, finanças e fatores geográficos. Já em quatro quesitos o Brasil recebeu avaliação ruim: dívida externa, fronteiras e quantidade de porta-aviões e de destróieres.

No levantamento das potências militares de 2021, o Brasil ocupava a 9ª posição. A queda, porém, não representa um declínio do poder militar brasileiro. Isso porque o GFP Index atribui a cada país uma nota, que é mais positiva quanto mais próxima estiver de zero. A nota do Brasil em 2021 foi de 0,2026, e a de 2022 é de 0,1695 – pelos números, portanto, o Brasil teria evoluído entre um ano e outro.

A queda no ranking ocorreu porque o país foi ultrapassado pelo Paquistão, que era o décimo no ano passado. Oscilações na posição são habituais na lista. O Brasil chegou a ocupar o 25º lugar em 2006 e saltou para a nona colocação em 2007. A melhor colocação já obtida pelo país foi o oitavo lugar alcançado em 2010, sob a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os vizinhos do Brasil, o de desempenho mais próximo no ranking das potências militares é a Argentina, que ficou na 40ª posição, com nota 0,6091. O Brasil supera no ranking algumas potências econômicas, como Itália (11ª colocada), Alemanha (18ª) e Canadá (23ª). Também está à frente de países que vivem situação habitual de guerra, ataques terroristas ou conflitos internos, como Coreia do Norte, Israel e Irã.

Os EUA lideram o ranking, com nota 0,0453. A Rússia é a segunda colocada, com 0,0501. Os demais países que estão à frente de Brasil e Paquistão são a China (3º lugar, nota 0,0511); Índia (4º, 0,0979); Japão (5º, 0,1195); Coreia do Sul (6º, 0,1261); França (7º, 0,1283) e Reino Unido (0,1382). A Ucrânia, atualmente sob invasão russa, está no 22º lugar.

População é destaque do Brasil no ranking das potências militares

O Brasil fica nas primeiras posições do ranking especialmente nos critérios relacionados à população e ao contingente das Forças Armadas. O Brasil tem, atualmente, 213 milhões de habitantes, sendo o sétimo maior do mundo no critério. O GFP Index posiciona o Brasil como o 13º maior do mundo em pessoal ativo nas Forças Armadas, com 360 mil militares; o quinto maior em população “pronta para o serviço”, com mais de 86 milhões de cidadãos; e o segundo maior do mundo em militares da reserva, com 1,3 milhão de pessoas.

O país também é bem avaliado em critérios como a produção de barris de petróleo, estimada como a 10ª maior do mundo, e o orçamento da defesa – que, com US$ 18,7 bilhões, foi considerado o 15º maior do mundo.

Em números de equipamentos militares, o Brasil cai algumas posições no ranking. O país é o 16º em número de aeronaves para uso militar, com 679 unidades – como comparação, os EUA têm 13.247 e a Rússia, 4.173. O país fica em posição pior na quantidade de tanques de guerra. É o 33º colocado. São 439 tanques de guerra à disposição do Brasil, número menor do que o de países como Cuba, Turcomenistão, Romênia e Mongólia.

No campo das frotas navais, o Brasil é posicionado pelo GFP Index como o 29º maior do mundo na categoria. As vizinhas Bolívia e Colômbia e países de porte menor, como Sri Lanka e Suécia, superam o Brasil. Pesa contra também o fato de o Brasil não ter nenhum porta-aviões e também nenhum destróier. Pela ausência dos equipamentos, é o último colocado na lista, ao lado de outros países que também não têm embarcações com esses perfis.

Mas é no quesito gestão de fronteiras que o Brasil tem pior desempenho no ranking militar: está na 126º posição. O país tem mais de 16 mil quilômetros de fronteiras com outros países, e o GFP Index define as fronteiras como “cada vez mais cruciais na defesa da terra” em tempos de guerra.

“As fronteiras de maior abrangência são um obstáculo natural para o poder de defesa”, aponta o relatório. O Brasil é vizinho de 10 países: Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e França (por meio da Guiana Francesa).

Bom desempenho vai de encontro ao “pessimismo” de lideranças militares
A melhoria do Brasil entre 2021 e 2022 e o posicionamento quase constante do país entre as 10 maiores forças militares do mundo vão de encontro com declarações de lideranças das Forças Armadas, que, em mais de uma ocasião, expuseram preocupação quanto ao poderio do país.

Em novembro de 2020, por exemplo, o general Edson Leal Pujol, então comandante do Exército, disse que o Brasil tinha um dos menores exércitos do mundo em relação à área a ser monitorada pelas Forças Armadas. A declaração de Pujol fez parte de um debate instalado à época sobre a gestão da Amazônia. Dias antes da fala do general, o presidente Jair Bolsonaro havia declarado que o Brasil poderia recorrer “à pólvora” caso percebesse interesses estrangeiros sobre a Amazônia que seriam contrários à soberania nacional.

Oito anos antes, em agosto de 2012, o general na reserva Maynard Marques de Santa Rosa disse que o Brasil tinha munição apenas para “uma hora de combate”. Ele declarou também que os equipamentos à disposição dos militares brasileiros eram obsoletos.

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GFP Index é baseado em levantamento da CIA

O livro “CIA World Factbook”, elaborado anualmente pela CIA, agência de inteligência do governo dos EUA, é a principal referência de dados para a formação do GFP Index. A publicação apresenta dados gerais sobre os países, como número de habitantes, conteúdos geográficos e capacidade financeira.

O GlobalFirePower aponta que seu levantamento leva em conta apenas dados oficiais e informações relacionadas a “métodos convencionais” de guerra, o que exclui armas nucleares e mecanismos como ações de guerrilha e ataques cibernéticos.

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EXIGÊNCIAS DE PUTIN PARA ACABAR COM A GUERRA NA UCRÂNIA

 

“Negociação ou guerra”

Por
Isabelle Barone – Gazeta do Povo

Entre as principais reinvindicações de Putin para o fim da ofensiva militar na Ucrânia estão a desmilitarização e “desnazificação” de Kiev, a renúncia de entrada da Ucrânia na Otan e o reconhecimento da soberania da Rússia sobre a região da Crimeia e de Donbas.| Foto: EFE/EPA/ALEKSEY NIKOLSKYI

Iniciada pela Rússia há mais de dez dias, a ofensiva militar na Ucrânia só deve ser interrompida – se depender do Kremlin – caso Kiev cumpra uma séria de exigências que têm sido impostas pelo presidente Vladimir Putin. O presidente russo já disse estar disposto a alcançar todos os objetivos do Kremlin seja por meio de “negociação ou guerra”.

Entre as principais reivindicações de Putin para o fim da ofensiva militar na Ucrânia estão a desmilitarização e “desnazificação” de Kiev, a renúncia de entrada da Ucrânia na Otan e o reconhecimento da soberania da Rússia sobre a região da Crimeia e de Donbas.

“Foi sublinhado que a suspensão da operação especial só é possível se Kiev interromper as operações militares e cumprir as conhecidas exigências russas”, disse Putin em telefonema com o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, neste domingo (6). O presidente russo foi taxativo e afirmou que a guerra contra a Ucrânia só deve acabar quando o governo de Volodymyr Zelensky se render.

“Esperamos que durante a próxima rodada de negociações planejada, os representantes da Ucrânia mostrem uma abordagem mais construtiva, levando plenamente em conta as realidades emergentes”, informou o Kremlin em nota sobre a conversa entre os dois presidentes. A Rússia ainda alertou para a “futilidade de qualquer tentativa de prolongar o processo de negociação, que está sendo usado pelas forças de segurança ucranianas para reagrupar suas forças e recursos”.

Em conversa com o presidente da França, Emmanuel Macron, também neste domingo, Putin se mostrou inflexível e disse não ter intenção de renunciar aos objetivos impostos à Kiev.

1) Desmilitarização e “desnazificação” da Ucrânia
Uma das metas declaradas do Kremlin desde o início da ofensiva é desmilitarizar o país vizinho, de modo que a Rússia tenha “garantias de que não haverá ameaças por parte da Ucrânia”. Para Putin, isso implicaria, necessariamente, em anular as Forças Armadas ucranianas, especialmente seu poder aéreo. Pelas exigências russas, ainda, a Ucrânia não poderia mais receber armas de seus aliados ocidentais.

Putin exige, além disso, o que tem chamado de “desnazificação” da Ucrânia, em referência a milícias neonazistas que ascenderam no país desde 2014. A declaração tem sido amplamente criticada por interlocutores, dado o fato de que Zelensky, que comanda o país, é judeu.

“Tomei a decisão de realizar uma operação militar especial. Seu objetivo será defender as pessoas que há oito anos sofrem perseguição e genocídio pelo regime de Kiev. Para isso, visaremos a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia”, afirmou o presidente russo em discurso televisionado.

Zelensky, por sua vez, rebateu acusações de que seu governo é nazista. “Dizem a vocês [russos] que somos nazistas. Mas pode um povo que deu mais de oito milhões de vidas pela vitória sobre o nazismo apoiar os nazistas? Como posso ser nazista? Explique isso ao meu avô, que passou por toda a guerra na infantaria do exército soviético e morreu como coronel na Ucrânia independente”, afirmou ele, também em discurso televisionado.

2) Ucrânia fora da Otan
A Rússia também requer, por meio de “guerra ou acordo”, obter uma garantia formal de não adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O compromisso formal deveria contar com o aval do parlamento ucraniano e a realização de um referendo sobre a questão. Atualmente, a Ucrânia é classificada como um “país-associado” à Otan – isso significa que a nação pode se unir à organização no futuro.

Para a Rússia, trata-se de uma “questão de vida ou morte”, já que a entrada do país vizinho na aliança militar fortaleceria a expansão da Otan no leste europeu. Na prática, isso poderia se transformar numa ameaça à Rússia na medida em que possibilitasse a entrada de armas nucleares e a instalação de bases militares de outros países – em especial dos EUA – em suas proximidades. Obrigatoriamente, países membros da Otan têm o compromisso de se defender mutuamente em caso de ataque armado contra qualquer um deles.

“Para os EUA e seus aliados, é a chamada política de detenção da Rússia, com óbvios dividendos políticos. E para nosso país, é uma questão de vida ou morte, é uma questão do nosso futuro histórico como povo. Não é exagero. É uma ameaça real não só aos nossos interesses, mas à própria existência do nosso Estado e sua soberania”, disse Putin no último dia 24 de fevereiro. “Imagine que a Ucrânia seja membro da Otan, totalmente equipada com armas, com meios avançados de ataque como os da Polônia e da Romênia, e inicia uma operação na Crimeia”.

3) Reconhecimento da Crimeia e Donbas como territórios russos
A Rússia também tem estabelecido como condição para interromper a guerra contra a Ucrânia que Kiev aceite a soberania de Moscou sobre o território da Crimeia e de Donbas, além de entregá-los a rebeldes apoiados pelo Kremlin no leste do país.

A península da Crimeia foi anexada pela Rússia no ano de 2014, apesar de parte da comunidade internacional não ter reconhecido a ação. “Países europeus, incluindo a França, acreditam que a Crimeia faz parte da Ucrânia, mas nós achamos que ela faz parte da Federação Russa”, disse Putin em fevereiro. “E o que acontece se você tentar mudar essa situação por meios militares? […] tenham em mente que as doutrinas da Ucrânia declaram a Rússia como adversária e estabelecem a possibilidade de ela retomar a Crimeia, inclusive usando força militar”.

Quanto à Donbas, a Rússia tenta anexar a região desde 2014, ano em que rebeldes apoiados pelo Kremlin tomaram prédios do governo e outras instalações em Luhansk e Donetsk. As áreas controladas pelos separatistas ficaram conhecidas como República Popular de Luhansk (RPL) e a República Popular de Donetsk (RPD).

Putin afirma que o objetivo da medida é defender um povo submetido a anos de “genocídio pelo regime de Kiev”. “As circunstâncias nos obrigam a tomar medidas decisivas e imediatas. As repúblicas populares de Donbass pediram ajuda à Rússia”, disse o presidente ao iniciar a ofensiva contra a Ucrânia.

“A este respeito, de acordo com o artigo 51, parte sete da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), com a sanção do Conselho da Federação e em cumprimento de tratados de amizade e assistência mútua com a RPD e a RPL, ratificados pela Assembleia Federal, decidi realizar uma operação militar especial”, afirmou ele.


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PUTIN AGRADA BOLSONARO E LULA

 

Internacional

Por
Diogo Schelp – Gazeta do Povo

Soldado ucraniano na Praça da Independência, em Kiev| Foto: Roman Pilipey/EFE

No jogo de interesses globais, governos estrangeiros frequentemente têm preferências por este ou aquele candidato em eleições de outros países. Geralmente, são preferências inconfessáveis. Outras vezes, nem tanto. Por exemplo, em tuíte publicado esta semana, o ex-embaixador da China no Brasil, Yang Wanming (que viveu às turras com o bolsonarismo), escreveu que “na próxima primavera” brasileira, “daremos belas risadas quando ‘as flores da montanha estiver (sic) em plena floração'”. Trata-se de uma referência irônica a uma possível derrota de Jair Bolsonaro nas eleições a serem realizadas no segundo semestre deste ano, que justificaria comemorações por parte do diplomata chinês. A China prefere Lula como presidente, está claro. E o presidente Vladimir Putin? Quem é o candidato de Putin no Brasil?

O maior teste para descobrir quem poderia ser o candidato de Putin já está sendo feito: os posicionamentos de Lula e Bolsonaro diante da invasão da Ucrânia pela Rússia. Ambos pegaram leve com Putin, buscando justificar o ato de agressão contra um país soberano e de violação das leis internacionais.

“É inadmissível que um país se julgue no direito de instalar bases militares em torno de outro país. E é absolutamente inadmissível que um país reaja invadindo outro país”, escreveu Lula no Twitter, fazendo coro ao argumento de que a culpa pela guerra na Ucrânia é da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos. Como já escrevi aqui, essa é uma visão torpe da realidade, que ignora a vontade do povo ucraniano e o histórico recente de interferências políticas e militares da Rússia no país vizinho.

Já o presidente Jair Bolsonaro, depois de visitar Putin em Moscou e dizer que era “solidário” à Rússia, que naquele momento cercava a Ucrânia com tropas, seguiu buscando justificativas para uma pretensa neutralidade em relação ao conflito.

Digo “pretensa neutralidade” porque, apesar da postura oficial do Brasil na ONU, de se opor tanto à invasão da Ucrânia contra a Rússia quanto às sanções impostas pelo Ocidente em retaliação à guerra, as declarações de Bolsonaro apontam em sentido contrário. Toda a vez que o presidente abre a boca para falar do conflito, ele encontra um jeito de demonstrar seu apoio e sua admiração a Putin e de apresentar justificativas para a guerra.

Putin teria vetado uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que colocaria a soberania da Amazônia sob ameaça, disse Bolsonaro em sua live de quinta-feira. A afirmação é falsa. A tal resolução não discutia a Amazônia. Tentava, isso sim, estabelecer uma nexo causal estapafúrdio entre mudanças climáticas e risco de ações terroristas, e por isso foi rechaçada.

Bolsonaro também afirmou, em entrevista, que “não tem o que conversar” com o presidente da Ucrânia, Volodomir Zelensky, depois de ter criticado o povo ucraniano por ter confiado o destino do país a um comediante, repetindo um dos argumentos centrais usados pelo aparato de propaganda russa para desmoralizar o governante ucraniano, que está liderando a resistência à invasão ordenada por Moscou.

Curiosamente, certos blogueiros de esquerda brasileiros, cujo esporte preferido é atacar Bolsonaro por qualquer coisa, até por aquilo que ele não merece ser atacado, adotaram a mesma linha de críticas a Zelensky, classificando-o como “irresponsável e inapto”.

Diante da condescendência tanto de Lula quanto de Bolsonaro com a guerra na Ucrânia, qual seria o candidato de Putin no Brasil? Quem será o preferido do Kremlin nas eleições presidenciais?

Pode-se argumentar que, neste caso, para Putin tanto faz.

Bolsonaro ficou muito bem impressionado com a recepção que teve na Rússia e acha que o ditador russo representa a defesa dos valores conservadores que tanto preza. O presidente brasileiro até distribuiu no WhatsApp um texto anônimo em que se afirma que “só existem a Rússia, a China e a Liga Árabe capazes de enfrentar a NOM (Nova Ordem Mundial). O Brasil está no radar da NOM e de toda a esquerda.” Essa tal Nova Ordem Mundial seria uma conspiração para impor valores progressistas no mundo, a partir da Europa.

E Lula estaria no papo dos russos por causa da própria visão de mundo petista, que sempre procurou privilegiar, quando no poder, as relações com as potências emergentes e com o chamado Sul Global, supostamente “reequilibrando” uma política externa antes muito focada na proximidade com a Europa e os Estados Unidos.

Ou seja, Lula ou Bolsonaro, qualquer um dos dois poderia ser o candidato de Putin.

No entanto, justamente por ter uma base ideológica mais arraigada, ancorada no anti-imperialismo americano e no terceiro-mundismo, a postura de Lula e outros petistas diante do governo russo tende a ser mais consistente e duradoura.

Já a posição de Bolsonaro em relação a Putin é potencialmente instável. Sustenta-se em argumentos improvisados de última hora, como a necessidade de garantir a importação de fertilizantes russos, ou puramente fantasiosos, como a ideia de que o russo é uma liderança conservadora que faz frente ao avanço das pautas identitárias e progressistas no Ocidente.

Tanto o discurso anti-imperialista de Lula quanto a retórica pró-conservadora de Bolsonaro são úteis a Putin, mesmo que o autocrata russo seja ele próprio imperialista e mesmo que única coisa que ele realmente se importe em conservar seja o próprio poder.


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VOCÊ QUER SER FIADOR DO FRACASSO PETISTA?

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

| Foto: Ricardo Stuckert/PT

Durante a 2° Assembleia da Associação dos Legisladores do Morena e partidos aliados, na Cidade do México, o ex-presidente Lula deu uma declaração translúcida sobre suas intenções caso seja eleito para Palácio do Planalto em outubro: “Eu tenho avisado para as empresas nas entrevistas: não comprem as empresas públicas brasileiras, porque, se nós ganharmos as eleições, vamos querer rediscutir”. Em seguida, disse que seu governo não vai abrir mão “do patrimônio que foi construído pelo povo brasileiro”, numa mensagem taxativa que deveria servir de alerta ao mercado sobre os rumos de um eventual novo governo petista.

Ironicamente, a liderança nas pesquisas de opinião parece estar levando o ex-presidente a não se preocupar tanto com moderação nos discursos, ostentando com surpreendente frequência seu ímpeto estatizante e interventor, o mesmo que tentou amenizar no passado, em outras circunstâncias. Já falou em regular os meios de comunicação, desfazer a reforma trabalhista e, agora, reverter os avanços das privatizações em curso, principalmente a da Eletrobrás e dos Correios.

Durante mais de uma década, a esquerda conseguiu imprimir na população brasileira a ideia de que empresas estatais são “patrimônio do povo”, como se este se confundisse de maneira indissociável com o próprio Estado. A rapinagem que se viu durante a gestão PT nas maiores estatais do país ajudou a despertar a consciência dessa diferenciação para grande parte do povo. Na prática, o brasileiro pagava caro por serviços de péssima qualidade, enquanto o partido governante e seus próceres tratavam as empresas como fontes ilimitadas de ganhos escusos e instrumentos de poder.

Isso se deu, em parte, pela notável baixa capacidade histórica da antiga oposição ao petismo de defender o legado positivo das privatizações implementadas desde a década de 1990. Antes da privatização das empresas de telecomunicações, por exemplo, os brasileiros demoravam anos para conseguir uma linha telefônica, que se tornava praticamente uma herança a ser passada de pais para filhos nas mãos de seus usuários. Caso a visão esquerdista tivesse predominado na condução da economia nesse aspecto, o Brasil teria perdido os benefícios dos incrementos em telecomunicações que permitiram a popularização da internet, dos smartphones e a modernização de inúmeros negócios e serviços que facilitam a vida da população.

Pleito após pleito, a esquerda nunca foi capaz de se desapegar do falacioso conceito de “patrimônio construído pelo povo” ao se referir às estatais, até que os escândalos da Petrobrás revelados pela Lava Jato mostraram para a população quem de fato era o usufrutuário de toda essa riqueza.

O novo recado de Lula é claramente voltado aos setores do funcionalismo que se veem ameaçados com a agenda de privatizações, e direciona-se também a um dos grandes elementos de entrave para o seu avanço: o chamado Centrão, esse agregado de parlamentares fisiológicos no Congresso Nacional, que consideram as estatais como feudos, nos quais se reservam cargos vantajosos, um ativo a sempre ser negociado com o Palácio do Planalto para garantir a governabilidade. Lula sabe disso, e procura atiçá-las para que operem em ano eleitoral no sentido de paralisar o avanço das privatizações, pois num possível retorno seu à presidência, cada um dos que colaborarem com seu projeto receberá sua recompensa. Ao menos, essa é a implícita promessa.

Na prática, o brasileiro pagava caro por serviços de péssima qualidade, enquanto o partido governante e seus próceres tratavam as empresas como fontes ilimitadas de ganhos escusos e instrumentos de poder

Esta Gazeta do Povo defende que privatizações são uma questão de princípio. O Estado não deve atuar na atividade econômica quando estão em jogo tarefas que a iniciativa privada pode desempenhar sem problemas. A violação reiterada do princípio da subsidiariedade atrofia a sociedade civil e o mercado, o verdadeiro motor de desenvolvimento de uma nação. Um grande número de estatais altera os padrões normais de concorrência, desestimula as inovações em face de competidores privilegiados e estimula a corrupção generalizada.

Novamente, é muito importante que a sociedade atente para as palavras do ex-presidente Lula. Particularmente, certos setores do mercado que sentem atraídos pelo progresso artificial produzido na era petista, sem perceberem os riscos que correm de atuarem como fiadores do retrocesso. Se eleito um candidato que ostenta um projeto econômico desses, antes que as forças de oposição possam se organizar novamente, o estrago estará feito, com o esfacelamento da nossa credibilidade no exterior e uma situação econômica bem pior do que a que atualmente nos encontramos.


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CHINA SAI GANHANDO COM SANSÕES À RÚSSIA

 

Guerra

Por
Alexandre Garcia

“A China ganhará um papel ainda maior na economia do mundo por causa das sanções ocidentais”| Foto: EFE/EPA/ALEXEI DRUZHININ/KREMLIN/SPUTNIK

A oposição quer que o presidente Jair Bolsonaro (PL) cometa um erro no ano eleitoral tomando partido nessa guerra no Leste europeu. É claro que ele não vai fazer isso, exatamente porque é a oposição que quer. Bolsonaro passou por São José dos Campos neste fim de semana e afirmou que o Brasil não vai mergulhar em uma aventura e que o Brasil quer a paz. A aventura, neste caso, seria tomar partido na guerra.

Além de fazer o necessário, que é evacuar os brasileiros, inclusive seus animais de estimação, prestar ajuda e entrar num mutirão pela paz, o Brasil está tomando algumas medidas que são decorrência econômica das sanções contra a Rússia. Essas medidas não são apenas contra a Rússia, mas contra todos os que com ela cooperam.

Investimento estrangeiro

O ministro Paulo Guedes, que já vinha gestando essa ideia há algum tempo, vai desencadear, essa semana, a isenção do Imposto de Renda para investimentos estrangeiros em papéis nacionais da empresa privada nacional. O investimento estrangeiro cresceu muito nesse ano, provavelmente por causa do conflito entre os dois países no Leste europeu. E, agora, o Brasil toma atitudes tributárias para estimular isso.

Sanções à Rússia
As sanções pegam os dois lados: os cartões de crédito que deixam de operar em um mercado imenso como a Rússia, os compradores de produtos russos, os vendedores de produtos para a Rússia, os bancos que operam na Rússia. Todos serão prejudicados. Na economia é assim. De um lado, oferta, do outro, procura. De um lado, o comprador, de outro, o vendedor.

A sanção carrega uma hipocrisia também: não vale para o gás russo, que aquece a Europa. Os bancos que operam com gás russo não tem problema de pagar, receber e mandar o gás. Os outros meios de pagamento – como o Swift, por exemplo – bloqueia a Rússia.

O que fará a Rússia? Vai usar os meios de pagamento chineses. E isso será um “empurrão” na economia chinesa. A China ganhará um papel ainda maior na economia do mundo por causa das sanções ocidentais. O Brasileiro que for comprar na Rússia, por exemplo, terá de fazê-lo via China, usando meios de pagamento chineses. Isso não é uma boa.

Arthur do Val
Foi um fiasco o que fez esse deputado estadual de São Paulo, Arthur do Val (Podemos), que teve 478 mil votos e foi o segundo em votação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Como é que pode um bobo desses, imaturo? Não há adjetivo para esse tipo de mentalidade de gente, de homem, que nunca ouviu falar em cavalheirismo ou boa educação. Nunca, ele é de outro nível.

Bolsonaro chamou-o de “asqueroso”. A ministra Damares Alves, por sua vez, chamou-o de “moleque”, e afirmou que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) mobilizará todos os meios jurídicos para ele tenha seu mandato cassado. Arthur, que queria ser governador apoiado pelo Sergio Moro (Podemos), já desistiu da candidatura ao governo do Estado de São Paulo. Moro, no dia 18, estava furioso com as pesquisas eleitorais porque não tinha o nome do seu “mamãe, falei”.

MDB
Por falar em eleição, o MDB, que é um partido grande e o mais tradicional dos partidos, anunciou que não entra em federação. O presidente do partido, Baleia Rossi, disse que vai insistir com a candidatura da senadora Simone Tebet e que conversará com o União Brasil – ex-DEM e ex-PSL – e com PSDB, que está perdido depois do estrago que o Doria fez no partido. No troca troca deste mês de março, o PSB vai ficar reduzido à metade.



O MUNDO DIGITAL É UM VALE DE LÁGRIMAS DE CROCODILO

 

Marketing empático

Por
Luiz Felipe Pondé

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| Foto: Gazeta do Povo

As redes sociais são como um enxame de moscas atraídas por restos de comida. Um dos restos mais atraentes para essas moscas digitais é o mundo das paixões, privadas e públicas. O mundo digital é um oceano de lágrimas de crocodilo. Mas esse oceano já é uma ciência do ramo das ciências sociais aplicadas, subárea “marketing empático”.

A ideia de “páthos”, do grego, significa ser tocado, sofrer ação de agente exterior, sofrimento esse de ordem psicológica ou física, por isso a palavra grega em português pode ser traduzida por doença – patologia – ou paixão. Palavra da moda que já encheu o saco, “empatia” vem daí, claro.

O que seria o marketing empático? Não poderíamos dizer que todo marketing é empático? De certa forma sim, porque todo marketing quer nos impactar de forma a nos levar para onde a marca quer que sigamos. E as tais emoções sempre foram a melhor forma de nos arrastar para qualquer lugar.

Num sentido mais restrito, o marketing empático é algo que com as redes sociais se tornou um campo mais específico, pois joga no campo das emoções privadas de forma capilarizada. Você se sente amigo ou amiga daquela celebridade que sofre com infidelidades como você. Todos unidos na humanidade que nos faz sentir entre iguais. Uma verdadeira democracia emocional. Uma coisa bem brega, na verdade.

Nas redes, todos são culpados a priori. Na realidade, sempre foi assim quando se trata da opinião do que se chamava de “populacho”. As pessoas, principalmente em grandes quantidades, como já dizia Elias Canetti no seu clássico “Massa e Poder”, publicado aqui pela Companhia das Letras, adoram jogar ovo, xingar e destruir o suposto culpado.

Se alguém te acusa de assédio, você é culpado, se alguém te acusa de maus-tratos a animais, você é culpado, e por aí vai. Ninguém precisa de provas. E ainda tem gente que considera as redes “democráticas”. São democráticas na medida em que a massa é democrática pelo seu volume à disposição para a violência. A “quantidade estocada” de violência é a matéria-prima para o uso das paixões negativas.

Quando essa “quantidade estocada” passa a ser usada, seja para despertar paixões positivas ou negativas, temos o caminho pavimentado para a disciplina que lida com as paixões como commodities vinculantes – seja no caso de me sentir junto com uma celebridade que sofre com infidelidades como eu – ou desvinculantes – seja para eu odiar alguém como no caso de acusações quaisquer.

Fala sério. Existe coisa mais ridícula do que celebridades ficarem expondo seus problemas nas redes sociais? Aliás, mesmo sem ser celebridade, é uma forma de humilhação da privacidade. Tanto esforço da modernidade para inventar o indivíduo e ele acabou se revelando um retardado com direito a voto.

Um bando de gente falando que está deprimido, sofrendo disso e daquilo. Um dos conceitos mais baratos por aí é o de “superação”. Expõe-se filhos, pets, pais, irmãos, cônjuges. Fala-se de baixarias como quem comeu quem na hora errada. A indústria jurídica de processos baba de alegria.

Mas essa commodity emocional está profissionalizada. Alguém fala uma merda nas redes ou na TV, se ferra. Perde patrocínio, perde emprego, perde engajamento ou seguidores. Contrata um especialista, alguém entre psicólogo, coach e picareta (na verdade, um especialista em marketing empático), e se refaz, superando a má fase, contando que está deprimido, sofreu assédio, chora. Tudo virou aqueles programas ridículos de fofoca da TV do passado.

Não nos enganemos. Todo mundo sabe que há uma fúria pela exposição da vida privada por parte dos seguidores em relação as suas celebridades. É claro que os profissionais de marketing empático bem pagos (os mortais expõem suas pequenas misérias cotidianas de graça) sabem muito bem como aconselhar os profissionais que querem ganhar engajamento, emprego, patrocínio, graças aos sofrimentos da vida.

Não há mais saída dessa democratização do ridículo das paixões privadas porque isso implica dinheiro e eleições. Russos e chineses devem gargalhar diante dessa miséria ocidental fofa.


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