sexta-feira, 4 de março de 2022

BRASIL É PUNIDO POR EXCESSO DE DEPENDÊNCIA


  1. Política
     

Efeitos da guerra em si, e do cerco e das sanções à Rússia, já começam a chegar, não na forma de bombas, tanques e tiros, mas de ameaça ao fornecimento e aos preços de gás, combustível, fertilizantes e trigo

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

Depois de falar com o russo Vladimir Putin, o francês Emmanuel Macron avisou ao mundo que “o pior está por vir na Ucrânia”. Quem avisa amigo é, e o pior não atinge só a Ucrânia, bombardeada, invadida e ameaçada de extinção, mas também potências e países periféricos. O Brasil não passa ileso.

Os efeitos da guerra em si, e do cerco e das sanções à Rússia, já começam a chegar, não na forma de bombas, tanques e tiros, mas de ameaça ao fornecimento e aos preços de gás, combustível, fertilizantes e trigo. Logo, às famílias, empresas e economia, com mais inflação e juros, menos crescimento e empregos.

Na pandemia de covid-19, o Brasil foi pego de calças curtas pelo excesso da dependência externa de insumos para vacinas e medicamentos, respiradores e equipamentos hospitalares e até máscaras. Há uma década, produzia 55% dos IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) e, agora, 5%. Ou seja, importa 95%.

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Segundo a ministra Tereza Cristina, dependência de fertilizantes será problema na próxima safra, entre agosto e setembro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Na guerra da Rússia contra a Ucrânia, o Brasil está novamente frágil, pelo excesso de dependência de fertilizantes, apesar de ser um dos três maiores produtores agrícolas do mundo, e também de trigo, um dos dois principais alimentos na mesa dos brasileiros, junto com o arroz.

O País importa 85% dos fertilizantes que consome, 1/3 disso da Rússia e de Belarus. Segundo a ministra Tereza Cristina, o problema será na próxima safra, entre agosto e setembro. E propõe: ampliar os fornecedores, com foco no Canadá; facilitar os processos de importação; a Embrapa ensinar como usar menos fertilizantes.

E o Brasil é autossuficiente e até exporta soja e milho, utilizados para a pecuária, mas é dependente do trigo, único grão de consumo estritamente humano, base para pães, macarrão, bolos e biscoitos. Importa 60% do consumo interno, 85% da Argentina, mas a Rússia é o maior exportador no mundo e a Ucrânia está entre os dez maiores produtores. Os preços internacionais dispararam. Bom para a Argentina, ruim para o Brasil.

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Brasil é dependente do trigo, único grão de consumo estritamente humano, base para pães, macarrão, bolos e biscoitos. Foto: José Luís da Conceição/AE

Ontem, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), ex-embaixador Rubens Barbosa, pediu a Tereza Cristina atenção a dois planos há anos na gaveta do governo. Um, de 2019, é da própria associação e o outro, de 2020, é da Embrapa – estatal –, prevendo produzir trigo no Cerrado. Custaria R$ 3 milhões e acarretaria uma economia de R$ 450 milhões por ano.

O presidente Jair Bolsonaro, aliás, tem uma saída para os fertilizantes: explorar potássio em reservas indígenas. E ataca: “o Brasil foi em parte inviabilizado no passado com a indústria da demarcação das terras indígenas”. Guerra? Que nada! O problema são os indígenas.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA


  1. Política
     

Efeitos da guerra em si, e do cerco e das sanções à Rússia, já começam a chegar, não na forma de bombas, tanques e tiros, mas de ameaça ao fornecimento e aos preços de gás, combustível, fertilizantes e trigo

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

Depois de falar com o russo Vladimir Putin, o francês Emmanuel Macron avisou ao mundo que “o pior está por vir na Ucrânia”. Quem avisa amigo é, e o pior não atinge só a Ucrânia, bombardeada, invadida e ameaçada de extinção, mas também potências e países periféricos. O Brasil não passa ileso.

Os efeitos da guerra em si, e do cerco e das sanções à Rússia, já começam a chegar, não na forma de bombas, tanques e tiros, mas de ameaça ao fornecimento e aos preços de gás, combustível, fertilizantes e trigo. Logo, às famílias, empresas e economia, com mais inflação e juros, menos crescimento e empregos.

Na pandemia de covid-19, o Brasil foi pego de calças curtas pelo excesso da dependência externa de insumos para vacinas e medicamentos, respiradores e equipamentos hospitalares e até máscaras. Há uma década, produzia 55% dos IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) e, agora, 5%. Ou seja, importa 95%.

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Segundo a ministra Tereza Cristina, dependência de fertilizantes será problema na próxima safra, entre agosto e setembro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Na guerra da Rússia contra a Ucrânia, o Brasil está novamente frágil, pelo excesso de dependência de fertilizantes, apesar de ser um dos três maiores produtores agrícolas do mundo, e também de trigo, um dos dois principais alimentos na mesa dos brasileiros, junto com o arroz.

O País importa 85% dos fertilizantes que consome, 1/3 disso da Rússia e de Belarus. Segundo a ministra Tereza Cristina, o problema será na próxima safra, entre agosto e setembro. E propõe: ampliar os fornecedores, com foco no Canadá; facilitar os processos de importação; a Embrapa ensinar como usar menos fertilizantes.

E o Brasil é autossuficiente e até exporta soja e milho, utilizados para a pecuária, mas é dependente do trigo, único grão de consumo estritamente humano, base para pães, macarrão, bolos e biscoitos. Importa 60% do consumo interno, 85% da Argentina, mas a Rússia é o maior exportador no mundo e a Ucrânia está entre os dez maiores produtores. Os preços internacionais dispararam. Bom para a Argentina, ruim para o Brasil.

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Brasil é dependente do trigo, único grão de consumo estritamente humano, base para pães, macarrão, bolos e biscoitos. Foto: José Luís da Conceição/AE

Ontem, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), ex-embaixador Rubens Barbosa, pediu a Tereza Cristina atenção a dois planos há anos na gaveta do governo. Um, de 2019, é da própria associação e o outro, de 2020, é da Embrapa – estatal –, prevendo produzir trigo no Cerrado. Custaria R$ 3 milhões e acarretaria uma economia de R$ 450 milhões por ano.

O presidente Jair Bolsonaro, aliás, tem uma saída para os fertilizantes: explorar potássio em reservas indígenas. E ataca: “o Brasil foi em parte inviabilizado no passado com a indústria da demarcação das terras indígenas”. Guerra? Que nada! O problema são os indígenas.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

 

O FUNCIONÁRIO DEVE TER PAIXÃO PELO SEU TRABALHO

STARTSE

A definição de profissionais ideal para Jobs surgiu quando ele ainda jovem contratou profissionais experientes. Entenda!

Ao realizar um processo seletivo há apenas uma única qualidade que o seu futuro funcionário deve ter, segundo Steve Jobs. Para ele “ter uma visão e poder articular isso para que as pessoas ao seu redor possam entendê-lo e obter um consenso sobre uma visão comum” era o primordial para adentrar na Apple. Essa visão, e a paixão que vem acompanhada dela, são itens importantes que definem o processo seletivo e entrevista funcionava como um teste.

Andy Hertzfeld, um dos primeiros engenheiros de software da Apple, afirmou que ao serem apresentados a um protótipo do Macintosh se os olhos dos entrevistados brilharem e respondessem com entusiasmo “nós sabíamos que eles eram um de nós”.

A Apple visa contratar pessoas que possuem nas “pontas dos dedos e na paixão o último entendimento de onde a tecnologia era e o que eles poderiam fazer com essa tecnologia “, disse Jobs.

A definição de profissionais ideal para Jobs surgiu quando ele ainda jovem contratou profissionais experientes. Naquela época ele afirmou que  “não funcionou. A maioria deles eram palhaços. Eles sabiam como gerenciar, mas não sabiam como fazer nada”.

Foi a partir desse fiasco na contratação que Jobs percebeu que profissionais experientes não eram o ideal e começou a buscar “pessoas que eram boas demais no que faziam, mas não eram necessariamente profissionais experientes”.

Em outras palavras, ele procurava funcionários que tinham paixão, principalmente por resolução de problemas – por ter uma visão clara do que queriam fazer.

Steve Jobs, quem foi? História, inovação e sucesso da Apple

Steve Jobs transformou a tecnologia da informática iniciando sua empresa na garagem de casa. Co-criador da Apple, faleceu em 2011.

Steve Jobs, quem foi? História, inovação e sucesso da Apple

Danyla Martin

Não é preciso acompanhar a evolução tecnológica da Apple para associá-la a Steve Jobs. Junto de Steve Wozniak e Mike Markkula, a marca tornou-se uma das empresas de informática mais expressivas mundialmente. Além disso, o início do empreendimento começou na garagem da própria casa do empreendedor, em Los Altos, na Califórnia.

Steve Jobs, aliás, firmou renome ao implementar uma política industrial que valoriza a inovação e o design dos seus produtos. Além da Apple, durante sua trajetória no empreendedorismo, ele também criou a Next e a Pixar. Entre os produtos, estão o “Macintosh”, o “iPod”, o “iPhone” e o “iPad”.

Inicialmente, ele denominou o primeiro produto de Apple I, porém, a relevância comercial surgiu com o Apple II. A partir disso, a empresa passou a ser uma das mais notórias da área de tecnologia. Em 2011, após sua morte, a sua biografia foi lançada. Após isso, também foram produzidos filmes sobre sua história.

Filiação

Steve Paul Jobs nasceu em 24 de fevereiro de 1955 em São Francisco, Califórnia. Apesar de ser filho biológico do sírio Abdulfattah Jandali e de Joanne Schieble ele foi adotado pelo membro da Guarda Costeira, Paul Jobs e pela contadora Carla Jobs.

A inspiração iniciou desde cedo ao observar o pai adotivo, que também era mecânico, a montar e desmontas aparelhos eletrônicos. Até então, eles moravam em Mountain View, na Califórnia, local que hoje é conhecido por Vale do Silício.

Inicialmente, no processo de adoção Joanne tinha receio sobre a educação que seria dada a Steve Jobs, devido a baixa escolaridade dos pais adotivos. Contudo, eles Paulo se compromete a enviar o filho para a faculdade.

Trajetória de Steve Jobs

Steve Jobs ingressou na Homestead High School entre 1968 e 1972, após concluir o estudo básico. Durante esse período, ele conheceu Steve Wozniak, especialista em programas e circuitos integrados.

Após o curso médio, ele entrou na Reed College, porém o deixou após seis meses. No entanto, Steve Jobs continuou frequentando a faculdade como ouvinte das aulas de caligrafia, tema influenciou na concepção da tipografia do Macintosh.

Nesse mesmo período, em 1972, o criador da Apple foi morar com a então namorada, Chrisann Brennan, mesmo sem a aprovação dos pais. Com ela teve uma filha, Lisa Brennan  quando tinha 23 anos. Steve Jobs casou em 1991 com Laurene Powell  e teve três filhos: Eve Jobs, Brin Siena Jobs e Reed Jobs.

Primeiro emprego

Em 1974 iniciou no seu primeiro emprego na Atari, atuando como designer de videogames. Contudo, após alguns meses eles deixou a empresa e viajou para Índia, onde foi buscar de desenvolvimento espiritual. Antes disso, em parceria com Steve Wozniak, desenvolveu uma versão do jogo Pong limitada a um jogador. Ademais, em 1976 criou a Apple Computer Inc, cujo produto era um computador desenvolvido anteriormente por Wozniak.

Como surgiu a Apple

Steve Jobs e Wozniak usaram a garagem da família para iniciar os trabalhos de criação de computadores. Com isso, em 1976 lançaram o primeiro computador pessoal, o Apple I. Basicamente, a invenção continha uma placa mãe com alguns chips e que foi instalada em uma caixa de madeira.

Diante disso, a primeira demanda do Apple I, de apenas 50 unidades, foi vendida para a Byte Shop por US$ 25.000. Assim, com a renda, ambos usaram para instalar a equipe da Apple, ainda na garagem. Um ano depois, já em 1977, o Apple II surgiu com uma versão que continha mouse e disco rígido interno.

Não obstante, o aperfeiçoamento de ambos os criadores fez com que a marca “Apple”, transformasse a indústria de computadores, ou seja, disponibilizando no mercado equipamentos menores e com menor custo.

Alguns anos depois, no início de 1984 foi lançado o “Macintosh” que recebeu o apelido de “torradeira bege”, pois aquecia por não ter ventilador. Mesmo pelo grande número de vendas e é ser melhor do que os PCs da IBM, o computador não era compatível.

Apesar do sucesso, em 1985 Steve Jobs foi afastado da própria empresa devido a divergências nas estratégias de vendas. Entretanto, ele retornou à Apple na condição de consultor em 1997 como consultor, diante de um cenário diferente.

No entanto, na época, 40% das ações pertenciam a Microsoft.  Após o retorno à empresa ele permaneceu como CEO até 2009, passando o bastão para Tim Cook. Porém, ele não se desligou completamente já que intervinha em algumas decisões da empresa.

Steve Jobs – história, inovação e sucesso da Apple

Nova sede da Apple no Vale do Silício

Outras empresas

Após deixar a Apple, Steve Jobs comprou, em 1986, a empresa de animação de George Lucas, que passou a Pixar Animation Studios. Aliás, ao investir US$ 50 milhões  na empresa, começou a produzir alguns filmes, entre eles: Toy Story e Procurando Nemo.

Ainda expandindo, em 2006, a Pixar juntou-se aos estúdios Walt Disney. Ele criou a NEXT, que desenvolvia softwares, que após de dez anos foi adquirida pela Apple.

Produtos Apple

A Apple continuou expandindo mesmo com a saída de Steve Jobs. Contudo, novos produtos com tecnologias inovadoras ganharam o mercado como por exemplo, o Ipod, lançado em 2001, causando uma revolução na indústria fonográfica.

Ainda assim, em 2007 a Apple migrou para os celulares com o iPhone, com a novidade da tela digital. Dois anos depois, a empresa cria o computador “Netbook”, computador portátil, fácil manuseio e com acesso a internet.

Ainda em 2009, o iPad ganhou o mercado e em 2011, Steve Jobs veio com a novidade do “iCloud”, direcionado ao armazenamento de arquivos, ou seja, itens guardados na “nuvem”.

Tumor no pâncreas

Antes de deixar a Apple, Steve Jobs foi diagnosticado com câncer no pâncreas, em 2003. Entretanto, ele optou por tratamentos alternativos e descartou cirurgia. Porém, a decisão da cirurgia durou nove meses e foi realizada em 2004 para remoção do tumor.

Antes de nomear Tim Cook para o cargo de diretor, Steve Jobs já estava com a saúde debilitada. Sendo assim agosto de 2001 ele deixou definitivamente o cargo de CEO e faleceu em outubro em Palo Alto, na Califórnia.

ValeOn UMA STARTUP INOVADORA

A Startup ValeOn um marketplace que tem um site que é uma  Plataforma Comercial e também é uma nova empresa da região do Vale do Aço que tem um forte relacionamento com a tecnologia.

Nossa Startup caracteriza por ser um negócio com ideias muito inovadoras e grande disposição para inovar e satisfazer as necessidades do mercado.

Nos destacamos nas formas de atendimento, na precificação ou até no modo como o serviço é entregue, a nossa startup busca fugir do que o mercado já oferece para se destacar ainda mais.

Muitos acreditam que desenvolver um projeto de inovação demanda uma ideia 100% nova no mercado. É preciso desmistificar esse conceito, pois a inovação pode ser reconhecida em outros aspectos importantes como a concepção ou melhoria de um produto, a agregação de novas funcionalidades ou características a um produto já existente, ou até mesmo, um processo que implique em melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade ao negócio.

inovação é a palavra-chave da nossa startup. Nossa empresa busca oferecer soluções criativas para demandas que sempre existiram, mas não eram aproveitadas pelo mercado.

Nossa startup procura resolver problemas e oferecer serviços inovadores no mercado.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

 

quinta-feira, 3 de março de 2022

PUTIN PRECISA CRIAR UM MOTIVO PARA TERMINAR A GUERRA

 

Diz especialista ligado ao governo russo

BBCNEWS

Para que a guerra na Ucrânia chegue a um fim, o presidente russo, Vladimir Putin, vai precisar ter alguma coisa para demonstrar ao seu povo que venceu a guerra na Ucrânia.

Para especialista, a liderança de Putin corre risco se ele for percebido como perdedor da guerra na Ucrânia© Reuters Para especialista, a liderança de Putin corre risco se ele for percebido como perdedor da guerra na Ucrânia

A opinião é de Andrei Kortunov, especialista russo que ocupa o cargo de diretor-geral de um think-tank ligado ao governo russo.

“Na minha opinião, Putin vai precisar de alguma coisa para declarar vitória. Ele não pode aceitar a derrota. Porque politicamente isso é arriscado demais para ele, isso pode ter riscos muito grandes para a sua liderança. Ele precisa ter algo que permita que ele diga basicamente ‘eu ganhei'”, disse Kortunov em entrevista nesta quarta-feira (02/03) à BBC.

Kortunov é diretor-geral do Russian International Affairs Council (Riac), órgão de consultoria em assuntos internacionais ligado ao ministério das Relações Exteriores e comandado por um ex-ministro de Putin.

Por anos, Kortunov apoiou diversas políticas de Putin na Rússia, mas na entrevista concedida à BBC ele critica o presidente pela condução do conflito na Ucrânia.

“A minha lógica e a lógica dos líderes russos não coincidem completamente, porque para mim é muito difícil ver qualquer benefício que a Rússia possa ter dessa operação. E de qualquer forma os efeitos colaterais provavelmente serão muito mais sérios do que qualquer eventual ganho”, disse o especialista.

Kortunov acredita que será difícil chegar a um acordo de paz que apazigue os ânimos de Putin, da Ucrânia e da Otan (aliança militar liderada pelos Estados Unidos).

“É preciso haver algum equilíbrio. Talvez seja preciso haver formas alternativas de se criar um arranjo de segurança para a Ucrânia. Em vez de a Ucrânia entrar para Otan talvez ela possa se concentrar mais em entrar para a União Europeia”, diz.

“Muito disso vai depender de os dois lados — e também o Ocidente, que é parte da equação — chegarem a algum tipo de solução que não será ideal, e que será criticada no campo moral, mas que pelo menos vai permitir que se ponha fim aos confrontos, que continuam a tirar vidas.”

O especialista avalia que o apoio a Putin dentro da Rússia cresceu desde o começo da guerra — já que muitos russos acreditam que esta é a “guerra certa” a ser lutada.

“[A maioria dos russos acredita] que eles não estão combatendo o povo ucraniano, mas sim grupos extremistas que agora estão comandando o sistema na Ucrânia”, diz.

Merkel ou Xi Jinping

Para Kortunov, não existe hoje nenhuma voz dentro do círculo de Putin que possa criticar o presidente e convencê-lo a mudar de rumo na Ucrânia.

Mas ele acredita que há vozes fora da Rússia que poderiam ser ouvidas por Putin: como a da ex-chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente da China, Xi Jinping.Kortunov acredita que Putin ouviria alguém como Merkel, que tem histórico de relações pessoais com o russo© Reuters Kortunov acredita que Putin ouviria alguém como Merkel, que tem histórico de relações pessoais com o russo

“Eu acho que [para mudar a opinião de Putin] precisa ser uma voz de fora, alguma pessoa que ele respeite e com histórico de relações pessoais com Putin, uma pessoa que pudesse demonstrar um pouco de empatia e ao mesmo tempo pudesse pedir mudanças na abordagem.”

“Eu pessoalmente acho que Angela Merkel [é a pessoa certa], porque ela conhece o problema ucraniano. Ela assinou o Protocolo de Minsk. Ela é respeitada na Rússia, na Ucrânia, na Europa, e ela pode ser a pessoa que pode ajudar a se encontrar essa solução. Essa seria a minha sugestão. Imagino que há outros que podem ser importantes. Talvez a China, talvez Xi Jinping.”

“Mas será difícil”, ele conclui.

UCRANIANOS ESTÃO DISPOSTOS AO SACRIFÍCIO PELA SUA PÁTRIA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Manifestantes norte-americanos, em Washington, pedindo por mais ações que encerrem a guerra na Ucrânia| Foto: EFE

Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, na semana passada, as potências ocidentais impuseram, conforme prometido, uma série de sanções econômicas ao país agressor. Nesta quarta-feira (02), por exemplo, foi anunciada a expulsão de sete bancos russos da Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (Swift), a plataforma internacional que conecta 11 mil instituições financeiras ao redor do mundo. A medida trará prejuízos significativos à Rússia e para parte da elite econômica do país, o que pode elevar a pressão sobre o governo para que dê fim à agressão contra o vizinho eslavo.

O próprio Vladimir Putin também foi alvo de medidas específicas, como o congelamento de eventuais bens financeiros e propriedades particulares que estejam sob a jurisdição dos Estados Unidos, da União Europeia e do Reino Unido. Oligarcas e funcionários do alto escalão no Kremlin também sofrerão o mesmo castigo. Além disso, investimentos de grandes companhias ocidentais na Rússia estão praticamente proibidas e gigantes como a Disney e a Apple já anunciaram suas próprias ações. Nos próximos dias o exemplo deve motivar outras multinacionais a fazerem o mesmo.

Cada uma dessas medidas é necessária e bem-vinda, já que buscam contribuir para o fim do conflito. O problema é que a Rússia tem ciência de cada uma das punições, mas não recuou em nenhum milímetro da violenta invasão que chega ao sétimo dia acumulando o terrível saldo de 2 mil civis ucranianos mortos. O presidente russo provavelmente havia incluído em seu frio planejamento de guerra boa parte do que agora enfrenta, mas não a totalidade, contando com a fraqueza dos líderes ocidentais que, felizmente, não se materializou exatamente como ele sonhava.


Guerra na Ucrânia: o mundo não pode retroceder
Nesta quarta-feira, o vice-primeiro ministro da Rússia, Yuri Borisov, chegou a admitir que a economia de seu país está “sofrendo um grande golpe”, o que pode ser lido como um sinal de que as sanções mais rigorosas recentemente anunciadas estejam surtindo algum efeito, se não nos tanques que arrasam Kiev, ao menos no Kremlin. Ainda assim, a frase veio acrescida de estratégicas afirmações de otimismo, como a de que “há reserva de força” e “a economia ficará de pé”.

Independentemente do quanto as sanções anunciadas até aqui estejam afetando a economia russa, o ponto crucial a se colocar nessa equação é o de que, numa guerra, o fator tempo decorrido está diretamente relacionado com o número de vidas humanas perdidas. Esperar que as medidas adotadas atinjam o ápice de seus efeitos significa aceitar que outras centenas, se não milhares de cidadãos inocentes sejam mortos até que o ímpeto expansionista e homicida de Putin seja freado.

É sabido que a tese da gradação na imposição de sanções, em parte, se deve ao fato de que não é apenas o alvo das ações que sofre com elas. As consequências também vêm àqueles que as impõe. Afinal, antes desse trágico episódio da invasão, praticamente todo o mundo fazia negócios com a Rússia. Por causa da economia mundial altamente conectada, a cautela dos governos em usar, desde já, as punições econômicas mais drásticas e efetivas tem base no medo do que perderão se as aplicarem a um país que, até ontem, era um parceiro comercial importante.

Esse é o tipo de dilema cuja melhor solução exige estadistas convictos, dotados da consciência de que a balança comercial é um bem a ser preservado, mas não a qualquer custo. A civilização de que hoje desfrutamos não se baseia fundamentalmente nas vantagens obtidas por negociações de mercado oportunas. Aliás, essa condição favorável à prosperidade é resultado de um ambiente de paz e de liberdade, bens imateriais, não mensuráveis por cálculos matemáticos e que todo o Ocidente, além de boa parte das outras regiões do globo, aprenderam a reconhecer como essenciais, pelo menos até agora.

Esse é o tipo de dilema cuja melhor solução exige estadistas convictos, dotados da consciência de que a balança comercial é um bem a ser preservado, mas não a qualquer custo

Tendo em vista que o elenco de sanções ainda mais duras que poderiam ser tomadas pela comunidade internacional não se esgotou, adiá-las reflete a falta de coragem e de determinação de muitos países e lideranças mundiais. Mais do que isso: constitui uma aposta arriscadíssima da própria ordem global, que pode ser seriamente modificada se tiranos dotados de armas potentes concluírem que podem sair impunes após a violação de soberanias nacionais, anexação de territórios ou extermínio de civis estrangeiros.

Portanto, é inadiável que os países ocidentais assumam a disposição de fazer significativos sacrifícios econômicos e diplomáticos nesse momento. Decisão que não é apenas dos chefes do executivo de cada país, mas de toda as respectivas populações. A liderança que se requer passa pela conscientização e disposição das próprias sociedades ocidentais.  É preciso colocar um fim realmente rápido e definitivo na guerra, salvando vidas e preservando a estabilidade internacional. Se as sanções econômicas forem suficientes para superar o imperialismo de Putin, elas só cumprirão seu propósito sendo impostas pelo maior número possível de países e se aplicadas com intensidade.

Quem ainda considera que o atual conflito diz respeito apenas a uma região específica da Europa, e por isso não vale a pena envolver-se, não entende o mundo conectado no qual vive. Se a decisão de reagir com mais afinco demorar, ela provavelmente virá tarde demais.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/disposicao-para-o-sacrificio/
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O BRASIL IMPORTA 50% DOS FERTILIZANTES PARA A SUA POTÊNCIA AGRÍCOLA

Guerra na Ucrânia
Por
Daniele Siqueira, especial para a Gazeta do Povo

Importação de fertilizantes segue em alta nos portos do Paraná – Paranaguá, 10/12/2021

Desembarque de fertilizantes no porto de Paranaguá (PR): 22% do adubo importado pelo Brasil em 2021 veio da Rússia.| Foto: Rodrigo Felix Leal/SEIL/AENPR

Um dos motivos apontados para a “neutralidade” do presidente Jair Bolsonaro diante da invasão da Ucrânia pela Rússia é a dependência brasileira da importação de fertilizantes. Em 2021, a Rússia foi a principal origem dos adubos importados pelo Brasil, suprindo 22% de nossa demanda externa. Somados aos fertilizantes vindos de Belarus (ex-república soviética alinhada a Moscou e que já sofre uma série de sanções econômicas desde o ano passado por desrespeito aos direitos humanos), a fatia cresce para 28%.

Potência agrícola, maior produtor e exportador mundial de soja, açúcar, café e suco de laranja e dono de posições de destaque na produção e exportação global de milho, algodão e carnes (que se beneficiam dos fertilizantes indiretamente), o Brasil também é gigante na importação de adubo não apenas para corrigir o solo pobre e ácido do Cerrado, onde ocorreu a maior parte da expansão da área de soja nas últimas décadas, mas também para melhorar a produtividade da agricultura das outras regiões do país.

Em 2021 o Brasil importou 41,6 milhões de toneladas de fertilizantes, um novo recorde para o país, que se reveza com a Índia no posto de principal importador global. O estado que mais importou foi Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, milho e algodão, com 19% do total importado. Em seguida vieram Rio Grande do Sul (16%) e Paraná (13%), que são grandes produtores de soja, milho e trigo, e São Paulo (11%), maior produtor de açúcar e etanol de cana no país.

Responsável por um terço das importações brasileiras de fertilizantes (os outros dois terços ficam com nitrogênio e fósforo, seus companheiros na sigla NPK), o cloreto de potássio (amplamente utilizado na soja) é o principal fertilizante que compramos da Rússia. O país também é fornecedor importante de ureia e outros nitrogenados, fertilizantes fabricados a partir da exploração de gás natural e usados, por exemplo, na produção de milho e cana-de-açúcar.


Dificuldade para comprar fertilizantes é anterior à guerra
Encontros com empresários russos para assegurar o fornecimento de fertilizantes ao Brasil foram destaque na agenda de Bolsonaro em sua visita à Rússia em meados de fevereiro, poucos dias antes da invasão da Ucrânia. Apesar do recorde de importação em 2021, o Brasil (assim como o resto do mundo) enfrenta dificuldades desde o ano passado para comprar fertilizantes devido à crise energética na Europa e na China, interrupções das cadeias globais causadas pela pandemia de Covid-19, controle das exportações por parte de alguns países produtores e sanções contra Belarus.

Tudo isso, aliado à demanda firme, resultou em uma explosão dos preços internacionais dos fertilizantes em 2021. A alta não afetou significativamente a última safra do Brasil porque grande parte dos produtores compra os insumos muitos meses antes do plantio e isso os ajudou a fugir do pico dos preços. Na safra 2022/23, porém, o impacto deve ser pesado – e não apenas por causa dos preços, mas também devido à dificuldade de acesso aos produtos.


Governo prepara plano para incentivar produção local de fertilizantes
Já no começo de 2021 o governo criou um Grupo de Trabalho Interministerial para elaboração do Plano Nacional de Fertilizantes, cujas primeiras diretrizes devem ser apresentadas em breve. A ideia não é tornar o país autossuficiente em fertilizantes, e sim reduzir a dependência das importações de 85% para 60% da demanda total.

Não será tarefa fácil, já que aumentar a produção doméstica passa necessariamente por estímulos à mineração – algo de que a maioria dos ambientalistas não quer nem ouvir falar. E também não será tarefa rápida, pois calcula-se que essa diminuição da dependência possa levar de 20 a 30 anos.

O plano é mais do que bem-vindo, mas o plantio da safra 2022/23 de soja começa em setembro e medidas imediatas são necessárias. Logo após a invasão da Ucrânia, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que a guerra “preocupa”, mas que o Brasil tem “alternativas” para substituir a Rússia na importação de fertilizantes. Depois da Rússia (22%), os principais fornecedores do Brasil são China (15%), Canadá (10%) e Marrocos (7%).

Irã é parceiro do agronegócio brasileiro mesmo sob sanções
Na mesma semana da viagem de Bolsonaro à Rússia, por sinal, a ministra da Agricultura encabeçou uma comitiva brasileira que visitou o Irã, país que exporta 600 mil toneladas anuais de ureia para o Brasil e que pretende triplicar esse volume. Representantes da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT) também participaram da visita e voltaram de Teerã com negociações abertas para exportar 5 milhões de toneladas de milho para o país do Oriente Médio em troca do recebimento do equivalente em fertilizantes.

“A venda direta dos produtores de fertilizantes do Irã para os produtores brasileiros e vice-versa em relação à exportação será de grande benefício para os dois lados, tendo em vista mais agilidade e melhores negociações”, afirmou em nota o presidente da Aprosoja-MT, Fernando Cadore.

O Irã está entre os principais importadores do milho brasileiro e também é grande cliente da Ucrânia, cujas exportações tendem a ser prejudicadas pela guerra, abrindo mais espaço para o cereal brasileiro no exterior, especialmente se o conflito se estender até o segundo semestre.

Embora o comércio de alimentos fique de fora das sanções internacionais impostas ao Irã devido ao seu programa nuclear, o país tem dificuldades para importar milho e outros grãos porque a maioria das tradings que dominam o setor tem sede nos EUA.

Também há restrições à movimentação bancária iraniana, o que torna o pagamento das importações mais lento e complicado. Por isso, o país acaba recorrendo a empresas exportadoras de menor porte e a fornecedores que não colocam tantos empecilhos a suas compras, entre eles o Brasil.

Pragmatismo versus valores
A dúvida agora é se esse pragmatismo comercial que permite ao Brasil figurar entre os principais exportadores de alimentos para o Irã, um dos párias da política internacional conduzida por Estados Unidos e União Europeia, vai prevalecer também em relação à Rússia.

De um lado, a exclusão de bancos russos do sistema Swift, por si só, já é um entrave às importações brasileiras de fertilizantes da Rússia, com ou sem a neutralidade de Bolsonaro em relação à invasão da Ucrânia.

De outro, mesmo que o Brasil se coloque ao lado dos defensores da soberania ucraniana, os exportadores russos provavelmente não têm interesse em perder um cliente como o Brasil, que no ano passado pagou US$ 3,5 bilhões pelos fertilizantes russos. Ou seja, ser contra ou a favor da invasão da Ucrânia parece não ajudar, nem prejudicar nosso acesso aos fertilizantes russos neste momento.

O Brasil pode buscar países alternativos para substituir parte dos fertilizantes que não conseguir importar da Rússia, mas pagaria preços mais altos por isso, por uma simples questão de oferta e demanda, e sem conseguir uma substituição completa. O resultado seria uma safra menor em 2022/23, justamente num momento em que as commodities agrícolas atingem preços recordes e em que o Brasil pode aumentar ainda mais o seu protagonismo na produção mundial de alimentos.

A escolha brasileira, portanto, parece ser esta: ficar neutro na tentativa de garantir um suprimento que já está ameaçado não pela falta de vontade dos russos de vender, mas sim pelas sanções que dificultam o comércio internacional; ou juntar-se ao coro que condena a agressão à Ucrânia, defendendo valores que servem de base ao conjunto das democracias ocidentais.


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MINISTRO AMIGO DE LULA LIVRA LULA DE ÚLTIMA AÇÃO PENAL

 

Caso dos caças suecos

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

O ministro do STF Ricardo Lewandowski.| Foto: Nelson Jr./STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), liberou o petista da última ação que corria contra ele na Justiça. As acusações eram de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso da compra dos caças suecos Gripen.

Na decisão, o ministro citou as conversas entre os procuradores da força-tarefa da Lava Jato obtidas por hackers, ou seja piratas, invasores, ilegais, criminosos, que entraram nos celulares dos promotores e se verificou, depois disso, que eles teriam sido “parciais para condenar Lula”. Ora, todo promotor quer condenar, essa é a função dele. Assim como é função do advogado de defesa buscar a absolvição do réu.

Outra coisa que todo mundo sabe é que prova ilícita não vale. Mas o ministro Lewandowski alega que esse caso foi discutido por 15 anos sob a visão de companhias aéreas, dos concorrentes, das autoridades e principalmente da Força Aérea Brasileira e que não poderia ter havido nenhum tipo de ilegalidade no meio. E que, pela jurisprudência, a prova ilícita pode ser usada em defesa do réu.

Vale lembrar, ainda, que Lewandowski presidiu o julgamento da ex-presidente Dilma, em que foi rasgado o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, que diz que o presidente condenado fica inelegível por 8 anos. Dilma não ficou inelegível.

A crise de potássio
Nesta quarta-feira (2), recebi do presidente Jair Bolsonaro (PL) uma mensagem que informa que, devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, o Brasil corre o risco de falta de potássio ou do aumento de preço do produto, fertilizante essencial nas lavouras brasileiras. O texto também afirma que a segurança alimentar, o agronegócio e a nossa economia exigem do Executivo e do Legislativo medidas que permitam a não dependência externa de algo que temos em abundância.

O potássio triplicou de preço no ano passado e já está em falta, porque os grandes produtores do mundo são Canadá, Rússia e Belarus – e Belarus não consegue exportar por problemas com parceiros dos Estados Unidos. E temos esse mineral em abundância na foz do Rio Madeira, onde está parada, desde 2017, o projeto de exploração da companhia Potássio do Brasil por causa do Ministério Público, de decisão judicial e de um ambientalismo exacerbado.

O presidente me informou que tem um projeto de lei, de 2020, que permite a exploração e produtos minerais, hídricos e orgânicos em terras indígenas e que, uma vez isso aprovado, se resolve esse problema.

Hipocrisia das máscaras no Rio
A Prefeitura do Rio de Janeiro disse que vai reunir, na segunda-feira (7), seu comitê científico para decidir se flexibiliza o uso de máscara contra a Covid-19. Isso depois das imagens feitas durante o Carnaval na cidade, inclusive do prefeito Eduardo Paes sambando sem máscara. É incrível. E quem paga por isso, com sérios efeitos, são as crianças, que são obrigadas a usar. Isso é o pior de tudo.


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OCIDENTE ESTÁ COM LIDERANÇAS FRACAS

 

Por
Flavio Quintela – Gazeta do Povo

| Foto: Reprodução Twitter

Quando o ano de 2020 terminou, depois de toda a loucura inicial da pandemia e com as vacinas já em início de aplicação, muita gente achou que 2021 seria um alívio. Não foi, como hoje sabemos. No entanto, ao final de 2021, com a pandemia já em seus últimos suspiros e a vida de volta ao normal, muita gente achou que 2022 seria um alívio. E eis que Putin decide fazer uma guerra e chacoalhar um mundo que mal havia saído do último chacoalhão.

Um breve estudo de geopolítica básica apontará duas razões principais pelas quais Putin decidiu invadir a Ucrânia. A mais óbvia tem a ver com a possibilidade de a Ucrânia se tornar parte da OTAN. Caso isso aconteça, a fronteira leste do tratado estará a menos de 500 quilômetros de Volgogrado, ponto nevrálgico da infraestrutura de transporte de petróleo e gás da Rússia, e não haverá mais uma zona neutra entre os dois lados. Por mais que nossas mentes de pessoas comuns não achem provável que a OTAN inicie um ataque a Rússia, tomando Volgogrado e dominando o acesso do pais ao Mar Cáspio, para o presidente russo essa possibilidade será sempre considerada como real, e por isso a admissão da Ucrânia na OTAN é um ponto inegociável na agenda de Putin.

A segunda razão tem a ver com a Crimeia. Quando Putin tomou a peninsula, em 2014, o objetivo era muito claro: dominar o acesso as reservas energéticas no Mar Negro e impedir que a Ucrânia se tornasse um competidor de peso no fornecimento de gas natural aos países europeus. Lembremos que a venda de gás e petróleo gera quase metade de todo o orçamento do governo federal, incluindo a manutenção e expansão do aparato militar russo. A última coisa que Putin deseja é um novo concorrente bem ali, na loja vizinha. Acontece que a Crimeia é um lugarzinho ruim de se viver. Não há muita água potável por ali. Antes da anexação russa, a população da Crimeia recebia 85% de sua água por meio de um canal construído na era soviética e que conecta a península ao rio Dnieper. Após a anexação, o governo ucraniano bloqueou o canal, cortando o fornecimento de água. E logo no primeiro dia da invasão, 24 de fevereiro, Moscou anunciou que as tropas russas haviam desbloqueado o canal.


Na dúvida, duvide
Obviamente que não sabemos o que se passa na cabeça do presidente que já foi agente da KGB. Pouquíssimas pessoas no planeta sabem até onde ele está disposto a ir. Ele poderia, por exemplo, ocupar a faixa sudeste do país, conectando a Crimeia às regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, garantindo o desbloqueio permanente do aqueduto e consolidando o domínio de mais da metade da costa ucraniana. Ele poderia ir além, avançando até Kiev e depois recuando até a altura da fronteira norte da Moldávia, tomando metade da Ucrânia e cortando por completo seu acesso ao Mar Negro. Ou ele poderia tomar o país inteiro. Em qualquer dos desfechos, no entanto, a Rússia manterá sua posição de principal fornecedor de gás e petróleo dos países europeus, principalmente da Alemanha, maior economia do continente. Essa dependência tem raízes no movimento irracional de banimento da energia nuclear, uma das formas mais limpas de energia que o homem já inventou. Não deixa de ser irônico que o desastre de Chernobyl tenha sido a faísca desse movimento.

Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais irracional. Em seu primeiro dia de governo, Joe Biden assinou ordem cancelando a permissão de construção do oleoduto Keystone XL, que conectaria a província canadense de Alberta aos Estados Unidos. A decisão de Biden foi 100% política: o oleoduto havia recebido sua permissão no governo de Donald Trump, que tinha como plano o fim das importações de petróleo da Rússia, e Biden queria começar o mandato desfazendo aquilo que Trump construiu. Um ano depois, os Estados Unidos estão comprando mais de 650 mil barris de petróleo da Rússia por dia. Keystone XL traria mais de 800 mil barris por dia do Canadá.

Há uma razão clara para Putin ter escolhido esse momento para invadir. Não há alguém forte no ocidente para peitá-lo. Pode parecer simplista, mas não é. Biden é um fantoche e sua família tem conexões espúrias com a oligarquia russa. A resposta americana ao conflito deveria ser dada aqui dentro mesmo, com a retomada de Keystone XL e com novas usinas nucleares. E no tocante a Ucrânia, é necessário manter o país como zona neutra se há de se querer qualquer diálogo com o Kremlin. A preocupação militar de Putin é legítima, ainda que sua invasão seja cruel e desumana. Qualquer pessoa com o mínimo de moral tem a obrigação de condenar a ação russa, mas achar que Putin vai parar porque a Apple deixou de vender seus produtos por lá não passa de ingenuidade pueril.

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