sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

ESTATAIS BRASILEIRAS PAGAM REMUNERAÇÃO ELEVADA AOS SEUS FUNCIONÁRIOS DE ELITE

 

Relatório aponta que BNDES, Petrobras e PPSA são as empresas com remuneração mais elevada; em um dos casos, somente um funcionário ganha R$ 145,1 mil por mês

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Dentre as 46 estatais controladas pela União, há um caso de empregado que recebe como salário mensal R$ 145.184,00, e não tem cargo de diretor. Trata-se de um funcionário do grupo Petrobras, conforme a mais recente radiografia que o Ministério da Economia divulga sobre os benefícios negociados pelas estatais federais nos acordos trabalhistas.

O relatório anual, antecipado ao Estadão e que será publicado hoje, aponta que as três empresas com maior salário médio entre as estatais são a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), com R$ 34 mil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com R$ 31 mil, e a Petrobras, R$ 25 mil. Segundo o Ministério da Economia, os salários muito elevados como o do funcionário da Petrobras resultam de incorporações de benefícios nos salários, muitas vezes obtidas por decisão judicial.

Petrobras
Petrobras paga 100% da remuneração de adicional de férias aos seus funcionários, acima dos 33,3% previsto em lei. Foto: Antonio Lacerda/EFE – 22/2/2021

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, está em quarto lugar, com um salário médio de R$ 20,7 mil. A empresa, sempre muito cobiçada por caciques políticos do Nordeste, tem 1.501 funcionários e está no grupo de estatais dependentes de aportes de recursos do Tesouro Nacional para fechar as contas. 

Estabilidade

Mesmo não sendo servidores públicos e com direito ao FGTS, os funcionários de quatro estatais têm estabilidade no emprego, garantida em acordos salariais por um determinado período: Petrobras, BNDES, Companhia Docas do Pará e a Eletrobras, que está na fila de privatização. No caso da estatal de energia, a estabilidade é garantida para um grupo específico de empregados. Para o período de novembro de 2021 a abril deste ano, 11.612 servidores da Eletrobras não podem ser demitidos.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=zprqXQhttps://arte.estadao.com.br/uva/?id=zprqXQ

Os dados fechados são de 2020 e trazem os benefícios apenas dos empregados – no caso de diretores, as remunerações serão consolidadas em outro boletim. Os gastos com pessoal (salários) somaram R$ 96,6 bilhões para 453,91 mil servidores federais de todas as estatais.

O BNDES e a Petrobras têm a maior lista de benefícios. O banco garante dois tipos de auxílio para a compra de comida (cesta alimentação e refeição), que juntos somam quase dois salários mínimos: R$ 2.157,97 por mês. O BNDES também paga um benefício de assistência educacional limitado a R$ 1.261 por mês por dependente menor de 18 anos. A Petrobras paga 100% da remuneração de adicional de férias, acima dos 33,3% previsto em lei. Ou seja, o trabalhador acaba ganhando mais um salário ao sair em férias.

O secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério da Economia, Ricardo Faria, defende o controle da concessão dos benefícios. “Essas empresas são da sociedade brasileira, e as pessoas têm o direito de saber e perguntar: ‘Está barato?’ Pelo menos ele tem o dado certo para formar a opinião dele.” O secretário adjunto de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, Thiago Longo, também considera alguns benefícios elevados. “Nos parece bastante desproporcional.”

5G INTERFERE NO ALTÍMETRO DAS AERONAVES NOS EUA

Risco a aeronaves leva a cancelamentos de voos nos EUA; inventado nos anos 1920, altímetro das aeronaves está no centro da disputa entre empresas aéreas e operadoras

Stephen Gandel, The New York Times

Uma inovação tecnológica que ajudou os pilotos de caça a voar durante a Segunda Guerra Mundial está no centro da disputa entre as companhias aéreas e as empresas de telecomunicações AT&T e Verizon nos Estados Unidos sobre o 5G, um serviço inovador destinado a aumentar a velocidade de conexão dos dispositivos móveis.

O conflito está acontecendo há anos e veio à tona nas últimas semanas. A AT&T e a Verizon concordaram na terça-feira em restringir o sinal 5G nas proximidades de aeroportos depois que as companhias aéreas alertaram que uma possível interferência poderia causar o mau funcionamento de um dispositivo crucial nos aviões e obrigá-las a cancelar voos. Mesmo com a restrição, diversas companhias aéreas cancelaram voos para os EUA.

O instrumento em questão é um altímetro. Ele foi desenvolvido na década de 1920, mas ainda desempenha uma função importante nos aviões, ajudando os pilotos a determinar a altitude de uma aeronave e sua distância de outros objetos. Segundo especialistas em aviação, o sistema 5G usado pela AT&T e pela Verizon funciona em frequências semelhantes às usadas pelos altímetros.

“Vocês não querem estar em aviões que aterrissam sem o altímetro funcionando”, disse Diana Furchtgott-Roth, ex-secretária adjunta do Departamento de Transportes encarregada pela pesquisa de novas tecnologias. Ela disse que os reguladores estavam corretos ao levantar preocupações em relação ao 5G e estavam tomando as medidas apropriadas para garantir a segurança.

Mas os especialistas em telecomunicações dizem que há pouco ou nenhum risco e que o setor de aviação teve anos para se preparar. “A ciência é bem clara – é difícil anular as leis da física”, escreveu Tom Wheeler, ex-presidente da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês), em um artigo publicado em novembro, no qual observou que os engenheiros da FCC não tinham encontrado nenhum motivo para preocupação.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=zMBnbyhttps://arte.estadao.com.br/uva/?id=zMBnby

Dúvidas

O que preocupa os especialistas em segurança da aviação? O altímetro foi patenteado por Lloyd Espenschied, um inventor que passou mais de 40 anos trabalhando para a Bell Labs, a renomada empresa de pesquisa da AT&T. O dispositivo funciona enviando ondas de rádio para determinar a localização de um avião em relação ao solo e outros objetos.

Se as ondas de um altímetro não voltarem devido à interferência do 5G, ou não puderem ser diferenciadas de outras ondas próximas, o altímetro poderia fornecer uma leitura errada ou não funcionar, segundo Peter Lemme, ex-engenheiro da Boeing que passou 16 anos na empresa projetando sistemas de segurança com altímetros.

Um altímetro com problemas poderia levar os sistemas a avisar os pilotos sobre obstáculos inexistentes ou impedir alertas sobre ameaças reais.

Os pilotos tendem a depender dos altímetros quando a visibilidade está limitada como, por exemplo, pela neblina. Mas eles não são utilizados na maioria das aterrissagens, o que é a razão de especialistas em redes sem fios considerarem as preocupações do setor de aviação como exageradas. Além disso, eles dizem que a maioria dos altímetros modernos seria capaz de filtrar as interferências. “Entendo o motivo de isso ser uma grande preocupação”, disse Tim Farrar, consultor de telecomunicações. “Mas ainda não estou convencido de que haverá qualquer interferência.”

5g avião aeroporto
Funcionário instala equipamento de 5G em antena próxima a aeroporto de Los Angeles; altímetro de aviões está no centro da disputa entre empresas aéreas e operadoras Foto: Patrick T. Fallon/AFP

Problemas

Uma das maiores preocupações dos especialistas em aviação é que o mau funcionamento de um altímetro devido à interferência possa desencadear uma cadeia de erros dos sistemas automatizados e dos pilotos. Tais erros tiveram um papel importante em dois acidentes fatais envolvendo o Boeing 737 Max que levaram, em 2019, à suspensão do uso da aeronave por quase dois anos. “Todos serão mais cautelosos a respeito do impacto das aeronaves com alto grau de automação, devido aos problemas com o 737 Max”, disse Farrar.

Especialistas disseram estar mais preocupados com a interferência do 5G no Boeing 787, um avião maior que costuma ser usado em voos internacionais de longa distância.

Os altímetros são uma peça-chave do sistema de pouso do 787, acionando os reversores que desaceleram o avião durante a aterrissagem. Lemme disse que uma patente da Boeing sugere que a função é automatizada, ou seja, mesmo se um piloto tentasse aterrissar manualmente um 787, ele não conseguiria acionar os reversores se o altímetro estivesse com problemas. 

Os freios do trem de pouso do 787, que são acionados pelo peso, ainda funcionariam, assim como os spoilers das asas, que são apenas parcialmente controlados pelas leituras do altímetro. Mas Lemme disse que a ausência dos reversores tornaria difícil para os pilotos parar os aviões antes do final da pista. A Boeing não respondeu a solicitação de comentário.

Na sexta feira da semana passada, a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) divulgou uma notificação informando ter detectado “anomalias” que “independentemente das condições meteorológicas ou de visão” poderiam levar a interferência do 5G a afetar sistemas automatizados do 787. “A presença de interferência do 5G na banda C pode resultar em desempenho inferior na desaceleração, aumento da distância de aterrissagem e saídas de pista”, disse a agência. A notificação abrange 137 aeronaves do modelo 787 nos EUA e outras 1.010 em todo o mundo.

Precaução

A decisão da AT&T e da Verizon de limitar a nova rede 5G num raio de 3 km dos aeroportos deve contemplar muitas dessas preocupações – pelo menos por enquanto. Mas a inauguração do sinal 5G está sendo programada há anos, levantando dúvidas em relação aos motivos de as companhias aéreas, a FAA, as operadoras de telefonia móvel e a FCC não terem resolvido essas questões antes.

Diana Furchtgott-Roth, a ex-secretária adjunta do Departamento de Transportes, disse que as advertências foram ignoradas. Segundo ela, em dezembro de 2020, o Departamento de Transportes dos EUA enviou uma carta à Administração Nacional de Telecomunicações e Informações do país alertando para os riscos. Ela disse que a carta nunca foi repassada à FCC e às operadoras.

Em vez disso, a FCC, com base em sua própria pesquisa, seguiu em frente com os planos de leilão de frequências. Em fevereiro do ano passado, as operadoras ofereceram mais de US$ 80 bilhões para usar essa parte do espectro para o 5G.

Ainda assim, os especialistas, inclusive funcionários da FCC como Brendan Carr, um integrante da agência, rejeitam as advertências da FAA e das companhias aéreas, argumentando que a interferência do 5G não representa um risco.

Soluções

Diana, que é professora na Universidade George Washington, disse que para resolver o problema, cada modelo de avião teria que ser testado. A FAA diz que já analisou 62% da frota comercial nos EUA.

A indústria da aviação tem trabalhado em novos padrões para altímetros que resolveriam a interferência. Mas esses padrões não devem ser lançados até outubro e seriam aplicáveis apenas aos novos altímetros. A FAA aprovou cinco modelos de altímetros como compatíveis com o 5G na semana passada, mas as aprovações são baseadas na combinação com o modelo de avião, e nenhum deles foi aprovado para uso em aeronaves 787. “A solução mais provável é trocar os altímetros”, disse Lemme, ex-engenheiro da Boeing. Atualizar os altímetros, no entanto, poderia custar bilhões de dólares e levar anos. As companhias aéreas não querem arcar com esse ônus, nem as operadoras.

Em seu artigo, Wheeler, ex-presidente da FCC, indicou três formas de pagar essa conta: o governo poderia gastar parte dos US$ 82 bilhões que recebeu no leilão das frequências 5G; o setor de telecomunicações poderia ser obrigado a pagar taxas adicionais pelo uso dessas frequências; ou a indústria da aviação poderia ser forçada a pagar pela atualização, já que ela sabia há muito tempo que o 5G estava chegando.

Uma solução mais imediata seria tornar permanentes as limitações nas proximidades dos aeroportos. Outras opções: as empresas poderiam reduzir a força do sinal do 5G perto de aeroportos. Isso provavelmente tornaria as redes 5G menos úteis nessas áreas e indisponíveis para aqueles que moram nas zonas de segurança de determinados aeroportos.

Qualquer solução terá de ser negociada entre as companhias aéreas e a FAA de um lado e as operadoras e a FCC do outro. Mas ambos os lados veem o problema de forma tão diferente que pode ser difícil chegar a um acordo. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

OMINICONSUMIDORES DOMINARÃO O COMÉRCIO

Levantamento realizado pela NeoAssist aponta outros fatores importantes que as empresas devem focar na experiência do cliente até 2030, além de explicar o novo perfil de comportamento dos consumidores

, Albert Deweik e Roy Nasse – NeoAssist

Cada vez mais a experiência proporcionada pelas marcas vem se tornando o principal fator na decisão de compra, já que a nova geração de consumidores exige delas cuidado, eficiência e personalização. Com isso vem surgindo novas apostas de mercado, focados em integração através da conectividade. Neste cenário, a NeoAssist, empresa de tecnologia especialista em atendimento ao cliente, preparou um estudo completo sobre a nova década do atendimento ao cliente. Nele, é possível entender o perfil e o comportamento do consumidor dos próximos anos e quais tendências devem surgir em definitivo.

O estudo aponta que falar em público alvo já é algo do passado. O consumidor tem sido cada vez mais “omni”, em tudo e em todo lugar, em sua pluralidade de preferências, estilos de vida, experiências, geografias, perfis etários, expressões e situações. Além disso, estão exercendo o seu poder social e político por meio da tecnologia, portanto, é importante que as empresas passem a vê-los como cidadãos. Marcas ontem socialmente responsáveis, hoje devem se tornar ativistas, abraçando causas com os consumidores. A pesquisa revela também que o relacionamento entre marcas e o cliente, que antes era entre apenas pessoas, passa a ganhar excelência através do relacionamento de máquinas para humanos, porém, de forma humanizada.

“É de extrema importância conhecer os consumidores do futuro. Se a comunicação é omnichannel, o cliente do futuro também será. Os chamados omniconsumidores são ágeis adaptados ao digital, online, imerso e em constante mudança. Esse cenário é, ao mesmo tempo, próspero e desafiador. Se por um lado temos tecnologias que nos ajudam a radiografar os comportamentos e preferências deles, por outro temos um mundo que se tornará mais aberto e menos privado” afirma Anna Moreira Bianchi, CEO da NeoAssist.

A seguir, confira os principais pontos de como será a nova década do atendimento ao cliente e seu novo perfil até 2030.

O grande reset

Segundo o Fórum Econômico Mundial, em 2021 se iniciou uma década chamada de “Grande Reinicialização” ou “Great Reset”: uma nova ordem mundial marcada pela busca de um futuro mais justo, mais sustentável e resiliente. Nessa grande mudança para os próximos anos haverá alguns grandes desafios e mudanças de comportamentos.

Em 2030, a luta contra o clima será sobre a mudança e adaptação, mitigando danos no planeta. Com ocorrências climáticas cada vez mais severas continuando a causar perda de vidas e do habitat, é provável que surjam novos mercados de estoque sustentável, com a incorporação da sustentabilidade em métricas corporativas tornando-se mainstream. Para as organizações, a falta de comprometimento sobre as mudanças climáticas deve ser considerada pelos consumidores um ato imperdoável.

De clientes a ativistas

Por fim, nessa década, as marcas precisarão reconsiderar seus clientes como ativistas, impulsionados em suas tomadas de decisão por uma nova gama de influências e causas, desde mudanças climáticas à privacidade de dados e novas definições de identidade.

Em 2030, o conceito de identidade deve evoluir ainda mais, incorporando uma gama de valores, incluindo atitudes sustentáveis, além de direitos para as minorias. Isso dará aos consumidores novos parâmetros de pertencimento e representatividade, transformando a relação com as marcas.

Os omniconsumidores são habitantes do mundo phygital

As transformações radicais causadas pela pandemia inseriu o mundo na era da experiência do cliente. Os habitantes do mundo Phygital, fusão entre o mundo digital e o físico no desenvolvimento de novas experiências de relacionamento e consumo, estão em todos os espaços e tempos. Agora existem os Omniconsumidores. Para ser Omni é preciso ser Phygital; é na dimensão do Phygital que é possível combinar todas essa pluralidade e transformá-la em experiências marcantes para os “omniconsumidores”. Antes, um único ponto de venda e ampla distribuição bastava. Hoje, os clientes têm uma infinidade de opções para escolher. Como resultado, o melhor atendimento ao cliente, as redes de conversações, os canais de mão-dupla e as avaliações são fundamentais para o sucesso do negócio.

“No futuro da experiência do cliente, a tecnologia será o seu principal impulsionador. Por isso, as marcas deverão repensar seus ecossistemas para acompanhar o ritmo dos consumidores empoderados e das tecnologias de consumo em evolução. O atendimento foi ampliado para o relacionamento – com a era digital não é aconselhável perder possibilidades de estreitar laços com os clientes que já existem e os que ainda estão por ser conquistados” pontua Biancho.

Ainda para a executiva, as empresas terão que encontrar um equilíbrio delicado entre o fornecimento de experiências humanas altamente empáticas com os resultados instantâneos que os consumidores esperam. Os canais digitais, a virtualização de tudo, a robótica, as experiências imersivas e o uso de máquinas trabalhando por humanos, trarão otimização, agilidade, engajamento e personalização. O desafio será ainda humanizar e trazer confiança como elemento-chave.

Tudo como um serviço

No quesito tecnologias há uma grande mudança em direção à automação, com a previsão de que as máquinas inteligentes substituirão humanos. O futuro do comportamento do consumidor na próxima década, é mais digital, mais móvel, mais social e mais envolvente. Preparados pela evolução tecnologias digitais (realidade virtual / aumentada, reconhecimento facial, etc.) e espaços físicos inteligentes, os consumidores estão se acostumando com a conveniência de “tudo como um serviço”e irão esperar relevância em suas interações. As marcas devem criar experiências e serviços que se adaptem ao consumidor digital, ágil, online, imerso e em constante mudança. Não podemos pensar no consumidor de uma forma monolítica – construir um diálogo para poder atender a facilidade, velocidade e conveniência.

Vendas pela internet com o site Valeon

Você empresário que já escolheu e ou vai escolher anunciar os seus produtos e promoções na Startup ValeOn através do nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace aqui da região do Vale do Aço em Minas Gerais, estará reconhecendo e constatando que se trata do melhor veículo de propaganda e divulgação desenvolvido com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas daqui da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e conseguimos desenvolver soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

Insistimos que os internautas acessem ao nosso site (https://valedoacoonline.com.br/) para que as mensagens nele vinculadas alcancem um maior número de visitantes para compartilharem algum conteúdo que achar conveniente e interessante para os seus familiares e amigos.

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nas lojas passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nas lojas a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para as empresas.

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Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

A REALIDADE DA VENEZUELA E O DISCURSO PETISTA NÃO BATE

 

Teoria x prática
Por
Jones Rossi

Vista do lago Maracaibo, no estado de Zulia, na Venezuela, impregnado de resíduos de petróleo vazado pela estatal PDVSA, sucateada pelos governos de Chávez e Maduro.| Foto: EFE/MIGUEL GUTIERREZ

Saúde pública para todos. Salário mínimo digno. Preservação da Amazônia. Liberdade de expressão. Valorização da educação e dos professores. Direito de se manifestar contra os poderosos. Abaixo a ditadura militar!

Esses são tópicos frequentes do discurso da esquerda no Brasil. Fazem parte do programa de partidos como PT, PSB, PDT, PCdoB, PCO, PCB e PSOL, dos quais muitos já demonstraram apoio explícito ou inspiração em países como Coreia do Norte, China e Venezuela. A deputada federal e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, manifestou suporte à ditadura de Nicolás Maduro diversas vezes. Lula, em 2005, disse: “Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela.” E complementou afirmando que essas experiências se tratavam de “democracia em excesso”.

O apoio não se limitou a declarações desastradas de Hoffmann e de Lula. Durante o governo do ex-presidiário, foram emprestados US$ 1,5 bilhão (equivalente a R$ 8,36 bilhões na cotação atual) para o país vizinho. A Gazeta do Povo apurou que a ditadura de Maduro tem 42 parcelas desse empréstimo em atraso. Resumindo: deram o calote no Brasil.

Seja com palavras ou com dinheiro, o apoio dado pela esquerda brasileira à Venezuela serve como uma boa medida da distância entre o discurso e a realidade. Confira a seguir o que os partidos de esquerda pregam no Brasil e o que acontece de verdade no país vizinho, onde há “excesso de democracia”.

Mortes causadas pela ditadura 
O discurso da esquerda no Brasil: Existe uma justa indignação contra as 434 mortes causadas pela ditadura militar (dados do relatório final da Comissão Nacional da Verdade) que ficou no poder entre 1964 e 1985, embora poucos na esquerda admitam que o objetivo da luta armada não era restaurar a democracia no Brasil, e sim instaurar uma ditadura comunista.

O que acontece na Venezuela: O PT, que critica o período ditatorial brasileiro (mas não critica a ditadura fascista de Getúlio Vargas) apóia a ditadura assassina de Nicolás Maduro. Somente entre 2015 e junho de 2017, de acordo com relatório divulgado pela Anistia Internacional, houve 8.200 execuções extrajudiciais — um número 18 vezes maior do que o de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar no Brasil. Nenhum partido de esquerda brasileiro se manifestou condenando as mortes causada pelo regime madurista.

Desastre ambiental

O discurso da esquerda no Brasil: A defesa da natureza é uma das principais bandeiras da esquerda, que politizou e instrumentalizou o debate ecológico a seu favor. Queimadas e desmatamento na Amazônia são usados para enfraquecer os governos adversários perante a comunidade internacional. Convenientemente, esquecem de obras como a usina hidroelétrica de Belo Monte, gestada durante os governos do PT, que se mostrou um desastre do ponto de vista energético e ecológico.

O que acontece na Venezuela: A PDVSA, a companhia estatal de exploração de petróleo da Venezuela, entrou em decadência após Hugo Chávez ascender à presidência. Aos poucos, engenheiros e técnicos foram substituídos por indicados políticos. O apadrinhamento político praticamente destruiu a empresa. Plataformas de petróleo, sem os reparos adequados, passaram a vazar constantemente, poluindo lagos como o Maracaibo e acabando com o sustento dos ribeirinhos. Nos últimos dez anos foram registrados quase 46 mil vazamentos de petróleo e poluentes na Venezuela. Por causa da grave crise econômica pela qual passa o país, o desmatamento aumentou graças a demanda de lenha para cozinhar. E, para completar, a crise também impulsionou o garimpo ilegal no Sul do país, com terríveis consequências ambientais.

Salário mínimo 
O discurso da esquerda no Brasil: No congresso nacional, os parlamentares de esquerda criticam a reposição do salário mínimo seguindo apenas a inflação, e entre as propostas nas campanhas eleitorais estão aumentos irreais.

O que acontece na Venezuela: Qualquer venezuelano se torna milionário ao receber o salário mínimo do país: 10 milhões de bolívares.  Pena que o valor, equivalente a R$ 19, não seja suficiente para comprar nem 1 kg de carne.

Saúde pública 
O discurso da esquerda no Brasil: “Viva o SUS!”, bradam políticos de esquerda que têm planos de saúde de primeira linha bancados pelo povo. Valorizam o sistema de saúde “universal” brasileiro, que deixa os pobres na fila por exames durante meses e faz com que a classe média sofra com altos impostos e gaste grande parte do salário pagando por planos privados.

O que acontece na Venezuela: Na maior parte dos hospitais do país falta água, eletricidade e insumos básicos. De acordo com reportagem publicada pela Gazeta do Povo em março de 2020, quando a pandemia ainda estava no início, uma pesquisa feita entre novembro de 2018 e setembro de 2019 em 104 hospitais de 22 Estados venezuelanos mostrou que ao menos 70% dos hospitais tiveram fornecimento de água apenas uma ou duas vezes por semana e 63% reportaram falta de energia elétrica, causando 164 mortes devido a esses problemas. Para piorar, durante a pandemia, o ditador Nicolás Maduro propôs à população soluções milagrosas contra a Covid-19, como uma infusão de extrato de tomilho que ele diz ter sido elaborada por cientistas venezuelanos.

Direitos dos presidiários 
O discurso da esquerda no Brasil: Deputados de partidos como o PSOL e PT frequentemente denunciam a violação de direitos humanos no sistema prisional brasileiro. Mas se calam sobre as graves violações cometidas pela ditadura madurista porque compartilham da mesma ideologia.

O que acontece na Venezuela: A ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou a falta de acesso à água potável e a alimentação insuficiente dada aos presidiários. De acordo com a ONG, ser detido na Venezuela, onde a taxa de ocupação das prisões é de 177%, é “uma sentença de morte”. Novamente, não se tem notícia de nenhum protesto formal dos partidos de esquerda do Brasil contra estas violações aos direitos humanos.

Liberdade de expressão  

O discurso da esquerda no Brasil: Para a esquerda brasileira, o atual governo é quase uma ditadura, mesmo que todas as liberdades individuais estejam preservadas. Na verdade, os únicos presos por crime de opinião no Brasil foram figuras identificadas à direita no espectro político, como o deputado Daniel Silveira e o ex-deputado Roberto Jefferson.

O que acontece na Venezuela: De acordo dados divulgados em 2021 pela ONG Foro Penal, há 276 presos políticos na Venezuela. Ainda segundo a ONG, foram 15.734 detenções por motivos políticos desde 2014. Em agosto do ano passado, um desses presos, Gabriel Medina Díaz, morreu por falta de atendimento médico. Um caso reportado pela Gazeta do Povo ilustra bem o nível de autoritarismo e violação dos direitos humanos cometido pela ditadura venezuelana. A juíza María Lourdes Afiuni ousou contrariar o então ditador Hugo Chávez em uma decisão. Saiu do tribunal diretamente para a prisão, onde foi estuprada, e ainda perdeu o útero e precisou ter a vagina e o ânus reconstruídos por causa das violências sofridas. Hoje vive em prisão domiciliar. Mais uma vez, silêncio absoluto da esquerda brasileira.

Valorização da educação  
O discurso da esquerda no Brasil: Dizem valorizar a educação, mas sindicatos de professores no Brasil são usados politicamente para enfraquecer governantes de partidos que não são de esquerda. Greves são comuns em escolas e universidades públicas, prejudicando a parcela mais pobre da população, que não tem condição de matricular os filhos em instituições particulares.

O que acontece na Venezuela: O salário dos professores universitários é o pior do mundo, equivalente a US$5 ( R$27 reais na cotação atual), causando êxodo de docentes e alunos. Além disso os professores, para poderem se sustentar, precisam ter dois empregos, já que o que ganham não é suficiente para colocar comida na mesa.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/como-a-realidade-da-venezuela-desmente-o-discurso-da-esquerda-no-brasil/
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BOLSONARO PROIBIDO DE FALAR A PALAVRA LEPRA

 

Decisão judicial

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Juiz Fabio Tenenblat, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, proibiu Bolsonaro de usar o termo lepra em ação movida por associação de portadores de hanseníase.| Foto: Alan Santos/PR

Será que o juiz que ameaçou tirar a guarda dos filhos de pais que não vacinarem as crianças pensou que, com isso, ele vai aplicar a mais grave punição que uma criança pode receber, que é ser retirada dos pais, assim, de repente? Eu não estou falando da criança que é espancada todos os dias e quer se ver livre dos pais. Estou falando da criança que está bem em casa e, de repente, é retirado do convívio dos pais por ordem da Justiça.

Agora, se o juiz obriga que a criança seja vacinada e se, para má sorte do juiz, der uma reação adversa na criança, ele está livrando os pais dessa responsabilidade. Claro que os pais vão sentir, mas o juiz vai ter que assumir a responsabilidade pela vacinação. Será que ele já pensou nisso?

Estou dizendo isso porque tem tanta coisa rolando por aí. Estava vendo os dados do dia 17 de janeiro do hospital da Unimed em Fortaleza, passados pelo próprio presidente da Unimed, dr. Elias Leite. Tem 53 adultos internados lá; desses, 19 tomaram as três doses da vacina; 23 tomaram duas; três tomaram uma; e oito não tomou nenhuma. Na UTI tem 11, sendo que seis tomaram duas doses e quatro tomaram três doses. E sobrou um que não tomou nada. E no Rio Grande do Sul já teve duas mortes de gente que tomou as três doses da vacina.

Presidente censurado
Um juiz proibiu o presidente Jair Bolsonaro de pronunciar a palavra “lepra”. Isso porque lá em Santa Catarina, no mês passado, num discurso citando o Evangelho de Mateus, Marcos e Lucas, Bolsonaro disse que no tempo de Cristo havia lepra e que ela existe até hoje, e nem por isso o mundo acabou. E que hoje tem o coronavírus e que vai existir daqui para frente e o mundo não acabará.

Uma associação de reintegração dos atingidos pela hanseníase moveu contra a União uma ação, o que é muito justo, para que não se aplique rótulos que podem ser desabonadores ou preconceituosos aos portadores dessa doença e pediu multa diária de R$ 50 mil. O juiz não deu a multa porque a lei que ele citou nem fala em multa.

Só que a lei em que o juiz se baseia, de 1995, bane o termo “lepra” e seus derivados nos documentos oficiais e não na boca das pessoas. Tanto que diz os papéis que não observem a terminologia estabelecida serão imediatamente arquivados e não tem punição nenhuma. Mas o juiz avisa que ninguém na União pode pronunciar o termo “lepra”. Então eu fico pensando: um capelão militar, por exemplo, que esteja lendo o Evangelho, vai ter que dizer as palavras “lepra” e “leproso”.

É muito justo que não se pregue estigma em ninguém, mas também o juiz não pode e nem a lei exige que se altere ou censure até o Evangelho. É uma maluquice. É o caso do juiz que é o sapateiro que foi além da sandália.

Asteroide passa perto da Terra
Eu queria terminar falando sobre uma outra ameaça que está muito em voga por causa do filme “Não olhe para cima”. Vocês sabem que nesta terça-feira (18) passou um asteroide perto da Terra, o que chegou mais perto em 200 anos. Só que perto, no caso, segundo a Nasa, foram 2 milhões de quilômetros de distância.

Foi um asteroide até não muito grande: tinha um quilômetro de largura. O último que passou em 2017 chegou a ter 84 quilômetros. Ele passou a uma velocidade de 76 mil quilômetros por hora Só para a gente recordar o filme.


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JUIZ AMEAÇA TIRAR A GUARDA DOS FILHOS CUJOS PAIS NÃO OS VACINE

 

Cultura do Espetáculo
Magistrado exerce a arte de criar problema onde não havia e recebe apoio dos pares, likes e compartilhamentos.

Por
Madeleine Lacsko – Gazeta do Povo

| Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Gazeta do Povo

COVID 19 – VACINAÇÃO – CORONA VIRUS – UNIDADE DE SAÚDE OUVIDOR PARDINHO – PESSOAS SENDO VACINADAS NA UNIDADE DE SAÚDE – VACINA – SERINGA


Um único funcionário do Estado regiamente remunerado é capaz de fazer mais estrago na vacinação do que todos os canais de YouTubbers antivacinas juntos. Temos um campeão da matéria. O negacionismo do bem ganha apoio de associações e figurões do Judiciário sob a desculpa da boa intenção do magistrado. Danem-se a população, a vacinação e a realidade. A prioridade é o parque de areia antialérgica sinalizar virtude. Explico o caso específico.

Pensei várias vezes em dar ou não o nome do magistrado em questão. Resolvi não fazer. Em uma entrevista na CNN, o juiz teve a brilhante ideia de dizer que podem perder a guarda dos filhos os pais que não os vacinarem. O casal gratiluz progressista que entrou no STF para não vacinar filho tem a guarda até hoje. A Justiça paulista não tirou a guarda nem dos pais violentos que acabaram esquartejando o próprio filho (conto o caso neste artigo). Mas, no caso da COVID, vão tirar a guarda sim porque o ECA manda. Ah, está bem.

Ainda não consegui entender qual a intenção do magistrado ao ameaçar tirar guarda de filho das pessoas. Optei por não publicar o nome para não ajudar no efeito esperado da indignação, uma série de ataques e até ameaças. Falar em obrigatoriedade de vacina já prejudica a vacinação, faz com que os reticentes ou desconfiados dêem crédito aos antivacinas. Imagine o efeito de ameaçar tirar os filhos das pessoas. De duas, uma: ou o juiz é antivacina e isso foi proposital ou o juiz é negacionista científico e acha mesmo que ameaça convence alguém a dar vacina em filho.

Meu principal arrependimento profissional é ter incentivado tanto a expressão pública de juízes, desembargadores, promotores e procuradores. Subestimei o poder da vaidade e da celebridade sobre a psique humana, é total. Por que uma pessoa que tem estabilidade vitalícia, salário nababesco e o poder de mandar prender e soltar quer aparecer? Não sei, só sei que isso torna-se mais importante que o ofício e que o cidadão. Foi o caso.

Acredito que o juiz teve boas intenções. Diante do risco de crianças terem seus direitos violados, quis agir. Dizem que juiz pensa que é Deus e jornalista tem certeza. É verdade. Por isso nem um nem outro consultam quem é do ramo na hora de falar publicamente sobre emergências em Saúde Pública e uma pandemia. Confesso que eu mesma só consultei porque fui regiamente paga para fazer a campanha de erradicação da pólio em Angola ter resultado efetivo. Gosto do meu ego, mas gosto mais ainda de dinheiro.

Como todos os temas na era da hipercomunicação e numa sociedade digital, o problema do juiz não é o conteúdo, é o contexto. Digamos que estivesse em uma sala de aula ou num debate filosófico sobre a lei. Normal debater ali se é certo e proporcional tirar a guarda de quem não vacina os filhos. Essas discussões são necessárias e fazem parte da formação profissional. Mas é outra coisa dizer isso numa TV aberta e ficar postando na internet. Faz muito bem para a vaidade, mas as pessoas sentem-se ameaçadas e o tiro sai pela culatra.

Vivemos a apoteose da superficialidade. Parecer ser é muito mais importante do que ser ou fazer qualquer coisa. Aparentemente, muita gente considera importantíssimo sair debochando de quem tem dúvidas sobre vacina e ameaçando prender e tirar guarda de filho. É importante para ter qual consequência na vida real? Elogios, likes, compartilhamento, notoriedade. E talvez menos vacinados, mas danem-se as crianças.

É verdade que a Justiça já decidiu que os pais têm de vacinar os filhos quando as autoridades de Saúde recomendam e há vacina disponível. Também é verdade que uma das penas previstas, a mais grave no papel, é mexer com a guarda. Agora eu te pergunto: quantos dos nossos direitos e deveres estão apenas no papel? Se essa for uma tentativa de efetivar direitos, é a mais desastrada possível. Como sou chata, explico ponto a ponto os motivos dentro da minha área de expertise.

Primeiro vamos à comunicação jurídica ou aos princípios da comunicação do Judiciário Brasileiro. Ocupei cargo com essa função no STF e fiz treinamentos de magistrados em escolas judiciárias do Brasil e exterior, inclusive treinamentos obrigatórios nos cursos de formação inicial de juízes. Fiz a documentação administrativa sobre a entrada do Judiciário brasileiro nas redes sociais e os primeiros treinamentos sobre uso de redes para juízes, em 2008. (Só me apresentando porque, para juiz, provavelmente eu nem sou gente até um ministro de Tribunal Superior dizer que eu sou.)

Qual é o princípio fundamental da comunicação do Poder Judiciário do Brasil? Aproximar a Justiça do cidadão. Dizer na TV e em rede social que vai tomar a guarda dos filhos dele no meio de uma pandemia aproxima o juiz do cidadão? Acho que não exatamente. Ou seja, se imaginou cumprir sua função social de magistrado, fez o avesso da proposta. Ah, mas a intenção é boa. Ele é pago para fazer, não para intencionar.

Digamos que seja um incentivo para que esses casos passem agora a ser tratados dessa forma. Quando eram os gratiluz de classe média-alta da elite paulistana passando doença evitável para os coleguinhas, não se tratava assim. Aliás, nunca me pediram a carteira de vacinação do meu filho em nenhuma escola particular a vida toda. Desconheço esse pedido fora da escola pública. Já fui chamada de nazista por exigir a medida – pedir a carteirinha, não tirar a guarda – depois de um surto de coqueluche nos colégios mais caros de São Paulo.

Outro princípio da comunicação pública é o da transparência, explicar como funciona o poder na prática. Agora estamos no meio de uma pandemia, tudo é muito novo, impera a confusão. Mas o que foi efetivamente feito com o povo que não queria vacinar os filhos e foi até o STF brigar por isso? Agora, o juiz expôs o nome da família na conta dele no Twitter. Perderam a guarda? Claro que não. Mas a Justiça ordenou que as crianças fossem levadas para vacinar e foram.

Sob o ponto de vista da comunicação do Judiciário, a ideia brilhante de botar guarda de criança no meio de papo sobre vacina descumpriu os principais objetivos. Nem aproximou a Justiça do cidadão nem explicou o que realmente ocorre e como o Judiciário decide em casos semelhantes. Bom, mas esse juiz ainda pode julgar assim, né? Não mais. Antecipou qual seria a decisão dele, não pode mais julgar casos do tipo. Belíssimo trabalho pago com dinheiro público.

Associações do Judiciário e figuras públicas de alto calibre expressaram apoio ao magistrado. São contra as ameaças e ataques que ele sofreu após perder a melhor oportunidade de ficar calado na vida. Eu também sou contra isso e quem me acompanha sabe. Esse comportamento de matilha, com ameaças e pressões públicas para quebrar o espírito das pessoas pode até dar vitórias momentâneas, mas arruína o tecido social.

Ser contra ataques é uma coisa, ser a favor das declarações do juiz é outra. Já ouvi o argumento de que ele, no momento, falava como cidadão. Tivesse visto minhas aulas, saberia que isso “non ecziste”, como dizia o saudoso Padre Quevedo. Em teoria, juízes, policiais, políticos, médicos e jornalistas, por exemplo, podem postar nas redes sociais como cidadãos. Na prática, entende-se que a postagem é parte do trabalho da pessoa, não tem como dissociar o cargo do ser humano.

Na prática, por que o juiz foi mandar essa de tirar guarda de filho? Tenho uma aposta: vício. Não em poder, vício em dopamina. Quando reconhecida por um grupo, a sensação de demonstrar superioridade moral é tão prazerosa quanto um orgasmo. Libera hormônios de prazer. Embora não tenha feito nada que preste pela vacinação, pelas crianças e pelo Judiciário, o juiz é visto como quem fez isso pelo grupo ao qual pertence. Está recebendo apoio e likes, postando sem parar sobre o assunto sem nem se importar com as consequências no mundo real.

Logo no início da pandemia, fiz um artigo falando sobre o surto de papais-sabe-tudo que teríamos no debate público. Quem tem voz e poder não pode mais sustentar o luxo da ignorância sobre a convivência digital. Precisamos de autoconhecimento e de conhecimento para analisar as consequências dos nossos atos. Todos podemos cair na tentação da sinalização de virtude. O problema é quando o virtuosismo moral passa a ser mais importante que a vida real. É o caso.


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