quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

REFERENDO PODE COLOCAR FIM DA DITADURA VENEZUELANA

Editorial
Por
Gazeta do Povo

MIA002. MIAMI (FL, EE.UU.), 19/09/2018.- Decenas de venezolanos y cubanos radicados en EE.UU. protestan frente al restaurante de Nusret Gökçe, el chef turco que ofreció recientemente un festín al presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, durante su visita a Estambul, y pidieron un boicot contra este negocio, hoy, miércoles 19 de septiembre de 2018, en Miami (EE.UU.). Con banderas de Venezuela y carteles de repudio a “Salt Bae”, como es conocido el dueño del lujoso restaurante, los manifestantes lo instaron a irse de Miami, ciudad donde reside un importante número de exiliados venezolanos. EFE/Giorgio Viera

Manifestantes venezuelanos e cubanos protestam contra Nicolás Maduro em Miami, em 2018. No cartaz está escrito: “Servir a tiranos é zombar dos oprimidos”| Foto: EFE/Giorgio Viera

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano, responsável pela organização das eleições no país, anunciou na segunda-feira que três “pedidos de ativação de referendo revogatório” foram aceitos pela entidade, o que, em tese, poderia levar ao fim da ditadura de Nicolás Maduro. “Em tese” porque a notícia da aprovação dos três pedidos precisa ser lida cum grano salis: há muitos aspectos e riscos envolvidos no processo, e que o ditador pode aproveitar para reforçar sua pretensão ilegítima ao posto de líder máximo da Venezuela.

A Constituição venezuelana prevê que, passada a primeira metade de qualquer mandato eletivo, incluindo o do presidente, a população pode aprovar um referendo que casse este mandato. Para levar o pedido de ativação de referendo ao CNE, é necessário ter o apoio de 1% do eleitorado; depois, é preciso que 20% dos eleitores endossem a convocação do referendo; por fim, na votação propriamente dita, mais de 25% dos eleitores devem comparecer as urnas, e os votos pela cassação devem superar os que haviam eleito o político. Agora, o CNE montará um cronograma para que os grupos interessados no referendo – o Movimento Venezuelano para o Revogatório (Mover), o Todos Unidos pelo Referendo Revogatório, o Comitê Executivo Nacional da Confedejunta e o Comitê de Democracia Nacional e Internacional – busquem esses 20% de eleitores, cerca de 4 milhões de venezuelanos.

Bastaria a Maduro permitir que o referendo ocorresse e manipular os resultados da votação para que ele tivesse em mãos um trunfo para usar contra os que desejam a volta da democracia à Venezuela

No entanto, há um precedente bastante preocupante, o de 2016. Naquele ano, a oposição disparou o mesmo processo, e o CNE passou a dificultar a ativação do referendo: determinou um período de apenas três dias para a busca pelos 4 milhões de assinaturas; determinou que o objetivo de 20% precisava ser cumprido em todos os estados, e não apenas nacionalmente (o que não está na Constituição); e ofereceu menos de 30% das máquinas de votação solicitadas pela oposição. Além disso, a lei determina que haja novas eleições caso o presidente seja cassado antes de transcorridos dois terços do mandato; depois deste limiar, o vice assume até o fim do período. Pelo cronograma do CNE, o referendo só ocorreria depois de 10 de janeiro de 2017, garantindo a permanência do chavismo no poder ainda que Maduro saísse derrotado.

As pesquisas de opinião indicavam que, se o referendo ocorresse, Maduro perderia o cargo, e por isso a ditadura encontrou outros meios de sobreviver. Uma semana antes do período marcado para a coleta dos 20% de assinaturas, o processo foi bloqueado pelo CNE e por vários tribunais estaduais, todos completamente aparelhados pelo chavismo. O ente eleitoral e as cortes alegaram que teria ocorrido fraude na primeira fase do processo, o recolhimento de assinaturas de 1% dos eleitores – a oposição entregara 1,9 milhão de nomes, quando o necessário eram apenas 200 mil.

Se em 2022 não se repetir a arbitrariedade de 2016, os movimentos democráticos ainda têm outro obstáculo a superar: a possibilidade de fraude eleitoral, apontada em vários pleitos recentes no país, incluindo aquele que Maduro supostamente venceu em 2018. Bastaria ao ditador permitir que o referendo ocorresse e manipular os resultados da votação para que ele tivesse em mãos um trunfo para usar contra os que desejam a volta da democracia à Venezuela, afirmando que foi desejo dos venezuelanos que ele permanecesse comandando o país, assim como ocorrera com Hugo Chávez em 2004 – o caudilho enfrentou um referendo revogatório, que venceu com 60% dos votos.

Por fim, há um detalhe a que Maduro ainda poderia se apegar como peça de propaganda: ele poderia afirmar que, ao desejarem um referendo que revogue o mandato do ditador, os movimentos democráticos estariam finalmente admitindo que Maduro tem um mandato, o que não é verdade. O chavista ocupa o poder de forma ilegítima e fraudulenta, sem reconhecimento de ampla maioria das democracias ocidentais. Ainda que Maduro detenha o poder de fato, graças à lealdade do poder armado oficial e paramilitar, o presidente de direito continua a ser o interino Juan Guaidó.

Os partidos e movimentos democráticos venezuelanos já estiveram diante deste dilema em outras ocasiões. Há, por exemplo, quem defenda o boicote às eleições porque participar delas seria uma espécie de legitimação do poder dos bolivarianos; já os grupos que pretendem o referendo revogatório acreditam que é preciso explorar todos os meios previstos institucionalmente para finalmente remover o ditador da vida política venezuelana. O fato é que todas as tentativas de restaurar a democracia no país falharam até o momento: a pressão internacional e os esforços de mediação não funcionaram; o comando das Forças Armadas, comprado com petrodólares, continua leal ao ditador; todas as demais instituições (à exceção da Assembleia Nacional legítima, eleita em 2015) seguem aparelhadas pelo bolivarianismo; e o povo doente e faminto está incapaz de tomar as ruas contra quem o oprime. Se há uma fresta legal pela qual o regime pode ser retirado, vale a pena usá-la.


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CONGRESSO QUER CONTROLAR AUMENTOS SUCESSIVOS DE COMBUSTÍVEIS

 

  1. Opinião 

Voluntarista e imprudente, o Legislativo pode mexer perigosamente no mercado de combustíveis e na gestão estadual

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

Voluntarismo, imprudência e populismo podem levar o Congresso Nacional a erros tão desastrosos quanto aqueles acumulados pelo presidente Jair Bolsonaro. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), prometeu pautar a discussão de medidas para limitar o impacto da alta de preços dos combustíveis. Se o fizer, acompanhará o presidente da Câmara, Arthur Lira, já envolvido numa tentativa de mudança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo estadual. O mesmo jogo poderá envolver uma interferência na fixação de preços pela Petrobras. Legislando de forma leviana e incompetente, o Parlamento poderá afetar ao mesmo tempo a administração de uma estatal de capital aberto, a operação do mercado e o financiamento dos governos de 26 Estados, do Distrito Federal e de mais de 5 mil municípios, dependentes de repasses estaduais.

O presidente da Petrobras, general da reserva Joaquim Silva e Luna, tem resistido às tentativas de intervenção na política da companhia. Repeliu com sucesso as invasões do presidente da República, empenhado em sujeitar os preços do diesel e da gasolina a seus interesses eleitorais. Sem disfarce, Jair Bolsonaro procurou, nos primeiros lances, beneficiar caminhoneiros já apoiados por ele em 2018, quando bloquearam estradas para impedir o transporte de cargas. Mas o esforço para impedir ou limitar reajustes de preços acabou, sem surpresa, vinculado a objetivos mais amplos: votos podem provir tanto de caminhoneiros quanto de outras categorias de cidadãos motorizados.

Em pouco tempo o presidente se voltou contra os governos estaduais, tentando apontar a cobrança do ICMS como causa de aumento de preços dos combustíveis. Essa tese é uma evidente bobagem, reconhecível por qualquer pessoa familiarizada com o conceito de imposto indireto. Pessoas menos informadas levaram a sério a ideia do imposto como causa de variação de preços do diesel e da gasolina. Governadores podem ter dado alguma respeitabilidade a esse engano, quando resolveram, num esforço de contribuição, congelar temporariamente o valor do tributo recolhido.

Essa manifestação de boa vontade só seria sustentável por tempo limitado. Os governadores já anunciaram a normalização da cobrança do ICMS e foram, naturalmente, criticados por isso. No Congresso, como em outras áreas, pessoas parecem esquecer alguns detalhes nada irrelevantes da administração estadual. Governadores precisam de dinheiro para financiar segurança pública, Justiça, educação, saúde e outras atividades custeadas pelo Tesouro público. Prefeitos também dependem dessa fonte de recursos. Afinal, uma fatia da receita do ICMS vai para os municípios.

Que o presidente Bolsonaro desconheça ou despreze esses fatos pode parecer natural. Ele é assim mesmo e seria surpreendente se, depois de três anos de um mandato catastrófico, demonstrasse haver aprendido alguma coisa sobre funções presidenciais e governo. Mas é especialmente preocupante observar, na Câmara e no Senado, atitudes semelhantes às do presidente da República. É assustadora a hipótese de dois Poderes – Legislativo e Executivo – igualmente afetados por vírus do voluntarismo, do populismo, da irresponsabilidade e da incompetência.

A discussão de um fundo para atenuar oscilações de preços dos combustíveis poderá produzir algum resultado menos perigoso e talvez benéfico. Mas esse debate, já iniciado, envolve riscos evidentes. Um deles é o do aumento da carga tributária. Vale a pena rever a experiência da Cide Combustíveis, uma das formas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, hoje aparentemente esquecida. Subsidiar derivados de petróleo e moderar flutuações de preços foi uma de suas funções.

Também convém evitar o risco de tributar a exportação de petróleo, uma proposta infeliz em discussão no Congresso. O Parlamento deveria estar maduro para se distanciar de ideias como essa, típicas de países menos desenvolvidos – e ainda mais maduro, é claro, para evitar jogadas populistas com o dinheiro dos Estados.

PGR LIBERA PAGAMENTOS DE QUASE MEIO MILHÃO A PROCURADORES

 

  1. Política 

Decisões do procurador-geral permitiram o recebimento de indenizações e outros ‘penduricalhos’ no contracheque de dezembro; maior valor pago no mês foi de R$ 446 mil

Weslley Galzo, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Duas decisões tomadas no fim de 2021 pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, permitiram que procuradores recebessem um valor “extra” de quase meio milhão, em dezembro. O maior contracheque foi do procurador regional José Robalinho Cavalcanti, que tem um salário base de R$ 35,4 mil, mas ganhou R$ 446 mil em rendimentos brutos, naquele único mês, a partir de indenizações e outros “penduricalhos”.

Robalinho é ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e foi um dos que se opuseram à indicação de Aras, escolhido para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro fora da lista tríplice, ou seja, sem o aval da categoria. As benesses do PGR para agradar a seus colegas custaram ao menos R$ 79 milhões aos cofres do Ministério Público da União, segundo dados do Portal da Transparência.

Durante a apuração da reportagem pelo Estadão, o Sistema de Gestão de Pessoal (GPS-Hórus) da Procuradoria-Geral da República modificou as planilhas, que indicavam o recebimento de R$ 545 mil brutos por parte de Robalinho. A justificativa para as mudanças foi a de que havia inconsistências na base disponível anteriormente.

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Aras liberou pagamentos; valores estão dentro da legalidade, diz PGR. Foto: Rosinei Coutinho/STF – 17/12/2021

“Os relatórios de remuneração de membros do Ministério Público Federal do mês de dezembro de 2021 estão sendo republicados para corrigir falha que gerou resultado diferente do efetivamente pago aos procuradores da República. O que leva à conclusão equivocada acerca de um acréscimo nos valores recebidos”, destacou nota incluída pela PGR nas planilhas do site até a noite de ontem. “Reiteramos que não houve falha no pagamento, mas apenas na divulgação dessa informação no Portal da Transparência”, acrescentou a Procuradoria.

Teto salarial

A Constituição limita o pagamento de salários no funcionalismo ao que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal – R$ 39,3 mil. Em alguns casos, porém, órgãos públicos conseguem driblar a regra ao incluir vantagens recebidas como verbas indenizatórias, que não entram nesse cálculo. Em 2017, o Conselho Nacional do Ministério Público permitiu que licenças-prêmio – descanso remunerado por até três meses a cada cinco anos trabalhados – fossem convertidas em valores no contracheque, mesmo ultrapassando o teto salarial. No Congresso, uma proposta que regulamenta os pagamentos acima do teto no Judiciário, no Executivo e no Legislativo aguarda há mais de cinco anos para ser votada. Após passar no Senado, em 2016, a medida nunca foi analisada pela Câmara.

No Ministério Público da União, os pagamentos foram possíveis porque, a poucos dias do recesso no Judiciário, Aras abriu edital permitindo que procuradores solicitassem, de uma só vez, o recebimento em dinheiro de licenças-prêmio acumuladas há anos. Com a autorização, quem tinha folgas para gozar pôde converter esses dias em dinheiro no contracheque de dezembro. A prática é incomum em empresas privadas, nas quais horas extras ou dias a mais trabalhados são transformados em valores pagos ao funcionário apenas quando há aposentadoria ou demissão.

Uma portaria de Aras também determinou o pagamento antecipado das férias deste ano. O resultado das concessões feitas pelo chefe do Ministério Público foi que um grupo de 675 procuradores recebeu cifras acima de R$ 100 mil em dezembro, montante comparável aos bônus pagos por grandes empresas a seus diretores.

No caso de Robalinho, a soma dos valores supera até mesmo a soma do bônus de até R$ 400 mil que cada um dos nove diretores da Petrobras, a segunda maior empresa do Brasil, recebeu em 2020. A cifra destinada ao procurador, que atualmente chefia a Procuradoria Regional da República da 1ª Região, corresponde a R$ 104 mil por férias não gozadas, R$ 34,9 mil de abono pecuniário (pagamento de férias) e outros R$ 210 mil de conversão da licença prêmio em vencimentos na folha de pagamento. Ele recebeu, ainda, R$ 1,8 mil de auxílio alimentação no mês – o que corresponde a R$ 85 por dia útil de dezembro. Com descontos, o valor líquido recebido foi de aproximadamente R$ 401 mil.

Ao ser questionado pelo Estadão sobre o acúmulo de quase meio milhão em apenas um mês, Robalinho destacou que o pagamento de todas as indenizações a que os procuradores fazem jus, em um único contracheque, nunca havia ocorrido em outros momentos de sua carreira. No fim do ano passado, por exemplo, suas gratificações somaram R$ 18 mil. 

“Essa questão das férias foi uma questão pontual, excepcional, porque não foi possível gozar férias por interesse do serviço. Isso é uma coisa raríssima. No meu caso, em 22 anos de Ministério Público, isso só aconteceu agora. É uma situação realmente excepcional. Isso não acontece a torto e a direito. Só que também são pouquíssimos os que têm situações limite de serviço para que isso aconteça”, disse Robalinho.

As decisões de Aras também beneficiaram aliados, como o vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, segundo na hierarquia da PGR, que recebeu R$ 332 mil em dezembro entre remunerações e indenizações. Procurado, ele disse que não participou da elaboração dos atos assinados e atribuiu os valores aos seus 40 anos de funcionalismo público.

Pandemia

A PGR informou, por sua vez, que os pagamentos foram feitos porque houve uma diminuição dos gastos durante os meses mais críticos da pandemia, o que garantiu um excedente no orçamento, capaz de destinar os R$ 79 milhões aos procuradores. 

“Todos os valores pagos pelo MPF aos seus membros atendem aos princípios da legalidade e da transparência, tanto que estão disponíveis para escrutínio de qualquer cidadão no referido portal”, destacou a PGR, em nota. “Trata-se de pagamentos referentes a dívidas da União para com membros do Ministério Público Federal como licença-prêmio, Parcela Autônoma de Equivalência e abonos e indenizações de férias (não usufruídas). Parte dessas dívidas é antiga (algumas da década de 1990) e foi reconhecida por decisões judiciais, que determinaram o respectivo pagamento.”

Professor de Direito Trabalhista da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio), Paulo Renato da Silva disse que as decisões de Aras precisam ser analisadas sob o ponto de vista dos princípios da legalidade e da moralidade. “Licença-prêmio é uma coisa que não faz sentido, já deveria ter acabado. São arranjos que o legislador vai fazendo à mercê de interesses políticos e do lobby. Isso vai produzindo na legislação um monte de penduricalhos com verbas muito expressivas.” 

O jurista é crítico aos pagamentos de licença prêmio e aponta para a falta de transparência das decisões do Ministério Público Federal, que faz a autogestão das questões orçamentárias por meio do seu Conselho Superior, também presidido pelo procurador-geral da República.

De acordo com Silva, o Ministério Público e o Judiciário têm autonomia financeira, o que tende a gerar problemas relacionados ao corporativismo. “São eles que gerem o próprio dinheiro e há muitos interesses corporativos convergentes”, argumentou.

Ubiratan Cazetta, atual presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), discorda. “Não são penduricalhos, como geralmente se fala”, afirmou. Segundo Cazetta, nenhum dos pagamentos foi feito de forma ilegal. “São valores que se referem às licenças-prêmio que foram convertidas em pecúnia (dinheiro) ou a períodos de férias que estão sendo marcados para agosto de 2022 e sendo pagos”. 

Cazetta observou que, somados, os valores dão uma impressão equivocada do valor da remuneração de um integrante do Ministério Público. “A administração poderia ter pago esses valores que devia durante o ano, e aí não teríamos a concentração em um único contracheque em dezembro de 2022”, disse o presidente da ANPR.

Para entender:

O que compõe os valores pagos a procuradores

  • Abono pecuniário: venda de 1/3 das férias, que são convertidos em valor extra na remuneração.
  • Ajuda de custo: despesas relacionadas ao desempenho da função do servidor, como mudança em caso de transferência do local de trabalho.
  • Auxílio pré-escolar: benefício pago para despesas com berçário, creche, maternal, jardim de infância e pré-escola dos dependentes dos servidores, no valor de R$ 719,62.
  • Auxílio-alimentação: destinado ao servidor para se alimentar durante o período de trabalho. O valor padrão é de R$ 910,08.
  • Auxílio-natalidade: benefício devido aos servidores por motivo de nascimento de filho. O valor padrão é de R$ 659,25.
  • Conversão de licença prêmio em pecúnia: o servidor público tem direito a três meses de descanso, a título de licença prêmio, a cada cinco anos efetivamente trabalhados. Desde 2017, procuradores podem converter esses dias de folga em dinheiro, com valores calculados de acordo com a remuneração.
  • Indenização de férias: pagamento sobre períodos de férias não gozados pelos servidores.

ANTECIPAÇÃO DO FUTURO PODE TER CHANCE DE ERRO

 

  1. Cultura 

Nas obras de ficção existe uma crítica ao mundo que se vive e uma utopia/distopia pela frente

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo

Antecipar o futuro contém chance alta de erro. Quem poderia ter avaliado a experiência pandêmica de 2020/2021 alguns meses antes da crise? Apesar disso, muitos autores conseguiram prever características do que estava pela frente. Intuição? Palpite aleatório? Pessoas com dom de vidência?

Futuro robótico
Em épocas pessimistas como a nossa, costumamos pensar em futuros terríveis. Foto: Psycoma via Reuters

Júlio Verne descreveu ficções próximas do que encontramos, em especial no livro Paris no Século XX. Aldous Huxley fez o mesmo com seu Admirável Mundo Novo. Cada vez mais, a robótica torna os livros de Isaac Asimov próximos da realidade. Para não entrar tão densamente na literatura: na infância, a gente via os Jetsons e havia consultas e reuniões por vídeo. Como sempre, nas obras de ficção existe uma crítica ao mundo que se vive e uma utopia/distopia pela frente. 

Em épocas pessimistas como a nossa, costumamos pensar em futuros terríveis. Exemplo? Quais os impactos da implantação de um chip direto no cérebro como Elon Musk pretende? Se isso representar um salto de memória e de capacidade será que, em breve, entrevistas de emprego apenas selecionarão quem tiver um bom chip? Ainda faz sentido falar em controle na nossa sociedade com essa tecnologia? O que controlamos hoje? Pior: um mundo controlado diretamente por um empreendedor inteligente será pior do que o nosso onde os controles ainda são indiretos? 

Então: quando alguém lê borra de café, coloca cartas de tarô ou joga búzios, associamos tais ideias de antecipação como parte do imenso universo do “pensamento mágico”. Porém, muitos avanços possuem origem em uma espécie de delírio (um sonho, devaneio lúcido ou inspiração prática) como simbolizamos em Arquimedes na água ou a queda da maçã perto de Newton. No cérebro desses gênios, algo que vinham pensando encontra uma iluminação e uma lei abre caminho para o futuro. 

Na Bíblia, há dois Josés que lidam com sonhos proféticos: o do Egito e o marido de Maria. O do Antigo Testamento interpretou o mundo onírico de funcionários reais e, depois, do próprio faraó. A arte de decifrar o fez sair da prisão e subir na carreira. O sonhador do Novo recebeu inspirações noturnas e soube da inocência da noiva, do risco enfrentado pelo filho recém-nascido e da possibilidade de retornar a Nazaré. 

Quem ousa imaginar o futuro ou sonhar em janeiro de 2022? Estamos muito carentes e amargos. Tenho sonhado com a esperança, ainda sem chip.

PREFEITURA DE IPATINGA-MG REBATE ACUSAÇÃO QUE A CIDADE É UMA ROÇA

 

Entre vários destaques, a prefeitura de Ipatinga lembrou que a cidade tem o 8º maior PIB do Estado de Minas Gerais

A Prefeitura de Ipatinga, por meio de sua conta oficial no Instagram, respondeu a participante Natália Deodato, do Big Brother Brasil 22, que disse em um bate-papo na casa que a cidade é “boa para quem gosta de roça”.

O assunto rapidamente espalhou nas redes sociais e chegou a ser mencionado no programa Encontro, da TV Globo.

Na resposta, a prefeitura lembrou que o município de Ipatinga é uma cidade polo e que é a única região metropolitana do interior de Minas Gerais. Além disso, a prefeitura também disse que o município possui o 8º maior Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, e um o 4º maior do interior do Estado. Ipatinga possui em torno de 270 mil habitantes.

Confira a resposta da Prefeitura Municipal de Ipatinga na íntegra:

prefeituradeipatinga

📍Ipatinga no @bbb ? ✅Isso mesmo, fomos citados na telinha.

Então, pra quem não conhece, vamos dar uma prévia rápida dessa cidade linda, arborizada e super acolhedora.

🌳Embora tenhamos uma área rural fantástica, que abriga diversos pontos turísticos para passear e curtir bons momentos, não somos uma “roça” @deonaty_! Mas, temos vários ambientes que nos permitem atender a todos os gostos: quem gosta de roça também pode vir pra cá.

🏭Somos cidade polo e única região metropolitana do interior de Minas;

🔺Possuímos algo em torno de 270 mil habitantes;

🔺Temos o 8º maior PIB de Minas Gerais, e o 4º maior do interior do Estado;

🔺Abrigamos uma grande siderúrgica;

🔺Estamos entre os maiores potenciais de consumo de Minas;

🔺77 escolas de ensino Fundamental e 23 do Ensino Médio; além de faculdades e escolas técnicas;

🔺57 estabelecimentos do SUS, além de hospitais e instituições particulares;

Investimos no esporte e temos ótimos espaços e projetos direcionados.

👏🏻Que legal já ter competido aqui @iampauloandre.

🎭Teatro, cinema, shopping, bares variados, e uma vida noturna super animada.

🌳Ah, também temos a maior área verde localizada em uma área urbana em MG, o Parque Ipanema.

👋🏻Bora lá! Quando sair do @bbb, venha conhecer Ipatinga de verdade.

🫂Temos um povo super acolhedor e será um prazer receber todos vocês.

INVESTIMENTO EM TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E ESTRATÉGIAS BENEFICIAM AS EMPRESAS

 

Nataly Souza

Especialista da Opah IT traz cinco dicas essenciais para as empresas se digitalizarem durante o ano

Estudo “Combustível digital – impulsionando a transformação e o crescimento empresarial”, desenvolvido pela KPMG, destacou que 46% dos líderes de tecnologia entrevistados sobre a transformação digital em suas empresas programaram crescimento no orçamento da estratégia dessa área para os próximos 12 meses. A pesquisa ainda revelou que 71% dos líderes participantes do estudo entendem que o investimento em transformação digital e automação trouxe vantagens estratégicas de suas empresas sobre a concorrência.

Mas afinal, o que é transformação digital? E como ela, mesmo em um período complicado como o que estamos vivendo, pode ser aplicada para melhorar os negócios? João Moressi Jr., fundador e CEO da Opah IT, empresa especializada no desenvolvimento de soluções customizadas de TI, esclarece o conceito de transformação digital e traz dicas para as empresas poderem se digitalizar.

O que é transformação digital

A transformação digital marca uma maneira de repensar a estrutura e o funcionamento de uma organização, usando a tecnologia para melhorar processos e desempenho, alcançar melhores resultados e oferecer experiências melhores para o cliente. “Em alguns casos, pode significar a adoção de novos modelos de negócio ou o desenvolvimento de produtos digitais, como apps ou plataformas de e-commerce”, explica João.

Como aplicar

Implementar a transformação digital em uma empresa pode ser desafiador. Líderes de TI das companhias podem seguir algumas etapas que facilitam esse processo. Confira:

Alinhe objetivos com metas de negócios

Responda à pergunta: quais resultados de negócios você deseja alcançar? Cabe aos líderes de TI saber o problema que a empresa está tentando resolver e alinhar suas metas com o resultado que se busca alcançar. “Empresas que têm um bom desempenho estão alinhadas com o resultado esperado do negócio”, ressalta o CEO da Opah IT.

TI e negócios devem co-criar

Tradicionalmente, os departamentos de TI eram chamados para consertar serviços interrompidos. Hoje, a área de TI deve trabalhar como co-criadora na solução de problemas e agregar valor aos clientes. E a empresa não pode simplesmente sentar e exigir tecnologia. Tem que saber sempre o quê e para quê está pedindo.

Escolha parceiros estratégicos

Quer se trate de uma consultoria Big 5, de um integrador de sistema ou de uma loja de design boutique, líderes de TI precisam de ajuda para cumprir os imperativos digitais e reduzir o tempo para o valor do negócio. “Aposte naqueles parceiros com histórico comprovado, cujos valores se alinham mais de perto com a sua empresa”, recomenda João.

Redesenhe negócios e produtos em torno dos resultados do cliente

Isso pode incluir o uso de software em nuvem para acelerar a mudança e abraçar a inteligência artificial para aumentar a eficiência operacional. Empresas de serviços bancários, por exemplo, estão mudando a forma como oferecem seus serviços aos consumidores por meio dos canais digitais.

Retreine os funcionários no mundo digital

“As empresas que buscam alinhar seus imperativos digitais com as preferências do cliente devem garantir que seus funcionários estejam na mesma página”, alerta o CEO. Companhias de serviços financeiros estão requalificando as equipes em nuvem, DevOps, CI / CD e outras tecnologias e práticas modernas para se fortalecerem para o futuro.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

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TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

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  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon tem crescido exponencialmente, até o momento, tivemos 83.000 visitantes.
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  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

INFLAÇÃ0, DEFLAÇÃO E DESINFLAÇÃO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Dinheiro / Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República Federativa do Brasil. A cédula de um real deixou de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares. As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto, detalhes de uma nota de 100 reais.

| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

Neste início de 2022, a palavra “desinflação” apareceu com certa frequência nas notícias econômicas e, dado que não é uma expressão corriqueira no debate público, tem provocado alguma confusão. A solução de um problema qualquer começa com o conhecimento da essência, do funcionamento e das leis científicas do problema, suas causas e consequências. Certa confusão na compreensão da inflação se estabeleceu em função de a inflação do ano passado, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ter fechado em 10,06%, bastante alta se comparada com a meta oficial inicial de 3,75%.

Os economistas considerados ortodoxos dizem que a inflação (que vem do verbo “inflar”, ou seja, inchar), em sua origem, é o aumento da moeda circulante em porcentual superior ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Isto é, se a expansão monetária em determinado ano supera o crescimento do PIB, a consequência é a desvalorização da moeda, que se dá pelo aumento do nível geral de preços. O aumento de preços, para essa corrente de pensamento, é o efeito da expansão do estoque de moeda em circulação (“moeda” se refere a todos os meios de pagamentos, seja moeda manual, moeda escritural ou moeda digital). Então, para os puristas a inflação é a emissão de dinheiro em todas suas formas, e cabe ao Banco Central atuar para impedir que o estoque de dinheiro aumente mais que o crescimento da produção real do país.

Com o retorno gradativo ao normal e a volta do crescimento do PIB, tudo ajudado pelo fim da crise hídrica, se está prevendo importante desinflação

Porém, para os fins mais imediatos, convencionou-se chamar de inflação a taxa de aumento generalizado e contínuo dos preços, que no Brasil é medida por vários índices; o IPCA é a “inflação oficial” medida pelo IBGE. Dito isso, o IPCA de 10,06% verificado em 2021 é uma média da elevação de preços de 377 itens de bens e serviços, basicamente aqueles consumidos pelas pessoas com renda de um a 40 salários mínimos, cuja aferição é feita em 11 regiões metropolitanas. Considerando a meta original de 3,75% definida pelo Banco Central (BC), o IPCA de 2021 efetivamente subiu muito e, além de criar certa apreensão entre os agentes econômicos, provocou efeitos imediatos: reduziu o poder de compra dos salários, desorganizou o sistema de preços, prejudicou o cálculo econômico e orçamentário e empobreceu parte da população.

Quanto à deflação, ela significa, de forma direta, o contrário de inflação. Ou seja, há deflação quando os preços nominais têm uma queda generalizada e contínua, de forma que os bens e serviços passam a ter preços inferiores aos preços que tinham no início do período medido. Deflação é um fenômeno raro, porém, quando ocorre, cria sérios problemas no sistema econômico: produz desemprego, eleva a pobreza e, geralmente, deriva de crises graves, especialmente depressões econômicas como a que ocorreu nos anos 1930, quando o PIB chegou a cair 40% em algumas regiões. Neste início de 2022, em função da realidade brasileira, começou-se a falar em “desinflação”, que não se confunde com deflação.

Em relação à desinflação, seu significado pode ser explicado comparando a inflação a um tumor (um inchaço verificado em um corpo), que diminui de tamanho após um processo de desinflamação, sem, contudo, desaparecer. O que vem sendo dito por alguns analistas é que a inflação de 10,06% verificada em 2021 contém elementos atípicos (especialmente a recessão e a desordem provocadas pela pandemia) e que, uma vez encerrado o isolamento social, com o sistema produtivo voltando ao normal, os preços poderão continuar crescendo, mas a uma taxa em torno de 5%, que é a previsão feita por vários analistas. Ou seja, a taxa de inflação deve desinflar (desinchar) e continuará existindo, embora em um nível menor.


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