terça-feira, 18 de janeiro de 2022

O QUE ESPERAR DE CADA PARTIDO NO CONGRESSO EM RELAÇÃO ÀS ELEIÇÕES

 

Eleições
Eleições 2022
Oposição, base ou “café com leite”? O que esperar de cada partido no Congresso em 2022
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

Comportamento dos partidos no Congresso Nacional depende sobretudo das eleições de outubro| Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O Brasil tem 33 partidos oficializados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Destes, 24 têm ao menos um representante no Congresso Nacional – relação que vai desde os 88 parlamentares do União Brasil até os dois da Rede Sustentabilidade, o menor partido do Legislativo. Alguns deles, como PT, PL e PSDB, já lançaram nomes para a disputa presidencial de outubro.

Mas mesmo os partidos sem candidatos à Presidência serão influenciados pela disputa ao Palácio do Planalto. Afinal, a eleição presidencial envolve coligações e uma corrida por apoios que já está em curso. Além disso, as eleições de 2022 selecionarão os titulares de outros cargos, como deputados federais e estaduais, senadores e governadores.

Confira abaixo um raio-x com a expectativa para o comportamento de cada um dos partidos no Congresso Nacional em 2022.

União Brasil (PSL e DEM)

O maior partido do Congresso Nacional iniciou o ano sem existir formalmente. Anunciada em outubro, a fusão entre PSL e DEM ainda não foi homologada pelo TSE. O quadro ainda motiva um certo grau de incerteza sobre qual será o real tamanho do União Brasil dentro de Câmara e Senado.

Além dos impasses burocráticos ligados à fusão, a força do União Brasil é também afetada pela debandada que a legenda registrará quando for aberta a janela partidária. Isso porque parte significativa de sua bancada é formada por deputados apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que estão em crise com o PSL desde 2019 e não deixaram a sigla apenas pelas limitações impostas pela legislação de fidelidade partidária.

Indefinições à parte, o União Brasil será, no mínimo, uma bancada de médio porte dentro do Congresso, e contará com pesos-pesados na casa, como o senador Davi Alcolumbre (AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o deputado Luciano Bivar (PE), primeiro-secretário da Câmara.

O partido desistiu de apresentar um nome para a corrida presidencial e a tendência de momento é de apoio à candidatura do ex-ministro Sergio Moro (Podemos). Lideranças da legenda, inclusive, esperam emplacar o vice de Moro. Bivar e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta são cotados para o posto.

No Congresso, se realmente ficar sem os bolsonaristas, a expectativa é que o União Brasil não se porte como uma força de oposição clássica ao governo. A maior parte dos integrantes da legenda endossa diversas pautas do governo, em especial no campo econômico. Um exemplo é o deputado Kim Kataguiri (SP), que se declara adversário de Bolsonaro desde o início da legislatura, mas endossa projetos como a reforma administrativa e as privatizações, que o governo tentará emplacar em 2022.


PT
O principal partido da oposição a Bolsonaro deve se comportar no Congresso em 2022 como tem agido desde o início da legislatura: centrando forças contra o governo.

Com 53 deputados e dez senadores, o PT registrou vitórias nos últimos meses, como decisões judiciais contrárias à Operação Lava Jato, o restabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a filiação de novos quadros ao partido, como o ex-deputado federal Jean Wyllys (RJ) e o senador Fabiano Contarato (ES), de atuação destacada na CPI da Covid.

O partido tem também driblado resistências na esquerda e pode montar, para atuação no Congresso, uma federação com outras legendas, como PV, PSB, Psol e PCdoB. As federações partidárias foram recentemente criadas por lei e permitem que partidos se agrupem e somem forças dentro do Congresso Nacional, sendo tratados como uma força única.

MDB

As perspectivas para a atuação do MDB no Congresso em 2022 são a da continuidade do perfil que caracteriza o partido nos últimos anos – a fragmentação entre as diferentes correntes políticas, e também a presença de alguns parlamentares que agem de modo individual. O MDB tem em suas fileiras o líder do governo Bolsonaro no Congresso, Eduardo Gomes (TO), parlamentares de inclinação lulista, como o senador Renan Calheiros (AL), e bolsonaristas de carteirinha, como o deputado Osmar Terra (RS), ex-ministro.

O partido lançou a senadora Simone Tebet (MS) como pré-candidata à Presidência. O apoio à parlamentar, entretanto, não é consensual. Há segmentos do MDB que preferem migrar para candidaturas de maior expressão, ao menos no cenário atual, em que Tebet não tem mostrado desempenho significativo junto ao eleitorado.

A fragmentação do MDB no Congresso ficou nítida na CPI da Covid, quando o mesmo partido teve Tebet e Eduardo Braga (AM) apresentando críticas à gestão Bolsonaro, e Fernando Bezerra Coelho (PE) defendendo o presidente da República. Coelho era, na ocasião, líder de Bolsonaro no Senado, cargo que ostentava desde o início da Legislatura. Ele deixou a função em dezembro, após perder a eleição que selecionou o representante do Senado no Tribunal de Contas da União (TCU). Bolsonaro ainda não escolheu um novo líder.

PP

O partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), e do ministro da Casa Civil, o senador licenciado Ciro Nogueira (PI), deve continuar ao lado de Bolsonaro. A sigla tem alguns nomes menos próximos do governo, como a senadora Kátia Abreu (TO) e o deputado Fausto Pinato (SP), mas eles são minoria.

É possível que o PP do Congresso receba, ao longo do ano, o reforço de figuras que hoje são ministros do governo Bolsonaro e terão que deixar o Esplanada caso queiram disputar as eleições de 2022. Dois nomes são cotados para integrar o partido: Tereza Cristina (MS), titular da Agricultura, e Onyx Lorenzoni (RS), atual ministro do Trabalho. Ambos são filiados ao DEM, e indicaram que não vão querer prosseguir no União Brasil, justamente por conta do alinhamento com Bolsonaro.

PL
O PL foi um dos partidos que mais mudou sua imagem pública no último ano. A legenda foi de “sinônimo de Centrão” a “partido do presidente da República”, por conta de ter recebido, em dezembro, Bolsonaro em suas fileiras. Até então, o PL era historicamente uma das siglas que presta apoio ao governo de ocasião e não participava, como cabeça de chapa, das eleições presidenciais.

O PL passou a ter Bolsonaro e, na mão oposta, perdeu o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (AM), que deve migrar par o PSD. O parlamentar deixou o partido justamente por conta do alinhamento com Bolsonaro.

O partido trabalha agora com a hipótese de atrair bolsonaristas que estão em outras siglas, em especial o União Brasil, e chegar ao período eleitoral em outro patamar. “Queremos disputar as eleições com uma bancada de 65 a 70 deputados”, afirmou o líder do partido na Câmara, Wellington Roberto (PB).

Em termos de votações no Legislativo, o partido conta com a expectativa de liderar discussões para a aprovação da reforma tributária e da reforma administrativa. O deputado Luiz Carlos Motta (SP) foi indicado pelo presidente Lira para ser o relator de um dos projetos da reforma tributária que transcorre na Câmara.

PSD

Também partido de um pré-candidato ao Planalto – o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG) – o PSD deve ter um ano cauteloso no Legislativo. O partido refutará a adesão ao bolsonarismo, mas também evitará a adoção de posturas abertamente oposicionistas.

“Esperamos um ano de muito trabalho, em que atuaremos de forma independente, continuando na liderança de projetos dos campos econômico e social”, declarou o líder do partido na Câmara, Antonio Brito (BA). O parlamentar disse acreditar que a pré-candidatura de Pacheco e a dinâmica do ano eleitoral não devem afetar a agenda do partido na Câmara e no Senado.

Na mão oposta ao discurso de independência, o PSD é o partido de alguns dos mais fiéis aliados de Bolsonaro no Congresso, como os deputados Éder Mauro (PA) e Sargento Fahur (PR). Brito disse não temer que os congressistas mais alinhados com o governo deixem o PSD quando da janela partidária. “Não houve nenhuma sinalização para a troca de partido”, declarou.

PSDB

Outro partido com um presidenciável, o governador João Doria (SP), o PSDB deverá passar o ano de 2022 no Congresso à volta de seus dilemas internos. O partido viveu conflitos em razão das prévias que escolheram Doria como seu nome para o Planalto e, no Legislativo, tem disputas entre alas mais simpáticas a Bolsonaro e outras que almejam distância do governo federal. A ala liderada pelo deputado federal Aécio Neves (MG), por exemplo, defende que o partido não tenha candidato ao Planalto e foque esforços em aumentar sua bancada no Congresso.

Divisões internas à parte, a perspectiva é de que os tucanos sigam votando com o governo em pautas econômicas, mas busquem o afastamento em temas mais controversos, como a agenda de costumes.

Republicanos
Partido vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus, que é base de apoio de Bolsonaro, o Republicanos deve se manter alinhado com o Planalto ao longo das votações do Legislativo em 2022. O partido tem um ministro na Esplanada: João Roma, da Cidadania.

No entanto, o Republicanos é, atualmente, foco de um conflito com a Presidência. O líder do partido na Câmara, Hugo Motta (PB), está entre os parlamentares que fez críticas públicas à ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, que é deputada licenciada pelo PL-DF. O cargo dela é cobiçado por outras forças do Centrão, como o próprio Republicanos.

PSB
A legenda, que atualmente tem 30 deputados federais e nenhum senador, deve aprimorar seu discurso oposicionista ao longo de 2022. A aproximação com o PT será intensificada, já que o PSB não deve lançar candidato ao Planalto e é provável que faça parte da coligação de Lula. É possível que o vice de Lula seja filiado ao partido – e um dos nomes especulados para tal é o do ex-governador Geraldo Alckmin (SP), que recentemente deixou o PSDB.

O PSB tem negociações abertas com o PT para formar uma federação partidária a partir da próxima legislatura, mas o tema vem causando divergências dentro do partido, o que pode inviabilizar o acordo.

PDT
O PDT também deve fortalecer seu posicionamento de oposição a Bolsonaro, mas o partido vive um momento de indefinição que pode afetar sua atuação no Legislativo. A sigla rediscute a pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes.

Apesar de lançado ao Planalto logo após o fim das eleições de 2018, Ciro até agora não deslanchou na preferência dos brasileiros e membros do partido já contestam a pré-candidatura; para eles, seria mais vantajoso apoiar o projeto Lula e focar no fortalecimento de bancadas estaduais.

O PDT se ressente ainda, justamente por causa da candidatura de Ciro, de estar alijado das discussões para formação de uma federação partidária com outras siglas de esquerda, o que pode deixá-lo isolado nas eleições de outubro.

Podemos
Partido do ex-ministro Sergio Moro, o Podemos deverá ter uma agenda própria no Congresso ao longo de 2022. O partido buscará consolidar, também no Legislativo, a abordagem de “terceira via” que a pré-candidatura Moro adotará perante a sociedade. Para tanto, investirá em se manter distante tanto de Bolsonaro quanto do PT e apostará em agendas de combate à corrupção, como a derrubada do foro privilegiado e a prisão dos condenados em segunda instância.


Pros

Tal qual outros partidos de menor peso na Câmara, o Pros não deve priorizar a adoção de um discurso único por parte de seus parlamentares. A bancada do partido no Senado é um exemplo da diversificação. Dos três senadores da legenda, dois são próximos do governo Bolsonaro, Fernando Collor (AL) e Telmário Mota (RR), e a outra é adversária do Planalto: Zenaide Maia (RN).

Os mandatos de Collor e Mota se encerram no próximo ano, o que deve colocá-los na disputa eleitoral de outubro. Já na Câmara, o partido pode formar uma federação com outros partidos simpáticos a Bolsonaro, como Republicanos e PTB.

Solidariedade
Partido liderado pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente da Força Sindical, o Solidariedade deu amostras recentes de aproximação com o PT – embora, durante o governo Dilma Rousseff, tenha integrado a oposição à petista. Silva declarou publicamente que gostaria de ter no partido o ex-governador Alckmin e posicioná-lo como vice na chapa presidencial de Lula.

PSC e PTB
Os dois partidos, que agem como um bloco na Câmara, devem se manter ao lado do governo ao longo de 2022. O PTB vive tumultos internos por conta de disputas em torno de sua presidência – a sigla tem como comandante histórico o ex-deputado Roberto Jefferson, que se encontra preso acusado de ameaçar membros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, na Câmara, o ambiente deve ser de mais consenso.

Cidadania
A legenda deve continuar em 2022 com sua conduta de oposição ao governo Bolsonaro – embora tenha em sua bancada uma apoiadora do presidente da República, a deputada Paula Belmonte (DF). A expectativa é que o partido mantenha a defesa de pautas como a prisão dos condenados em segunda instância, cujo autor é o atual líder da bancada na Câmara, Alex Manente (SP).

Já no Senado, o partido tem Alessandro Vieira (SE), lançado como pré-candidato ao Planalto, mas que deve abrir mão da sua candidatura para apoiar a do governador de São Paulo, João Doria.

Psol
Tradicional força de esquerda do Legislativo, o Psol manterá o posicionamento oposicionista, mas com foco também no apoio ao projeto presidencial de Lula e do PT. A federação com os petistas e outras forças de esquerda não está descartada. O partido precisa, contudo, solucionar um impasse interno gerado após o deputado Glauber Braga (RJ) se apresentar como pré-candidato a presidente. O Psol, desde sua fundação, tem nomes para a Presidência no primeiro turno. A decisão de apoiar Lula desde o início da corrida presidencial ainda não é consenso na legenda, principalmente após o convite para o ex-tucano Geraldo Alckmin ocupar o posto de vice na chapa do PT.

Novo

Outro partido com nome para o Planalto, o cientista político Felipe d’Ávila, o Novo deverá ter ao longo de 2022 no Congresso a conduta de apoio a pautas econômicas liberalizantes, mas de crítica ao governo federal em agendas de costumes e na aproximação de Bolsonaro com o Centrão. Ex-líder do partido na Câmara, o deputado Vinícius Poit deverá se candidatar ao governo de São Paulo.

Avante
O partido tem apenas oito deputados federais e historicamente é um dos menos expressivos do Congresso. Para 2022, entretanto, poderá ter outro papel no Legislativo, já que apresentou o deputado André Janones (MG) como pré-candidato ao Planalto. O parlamentar é fenômeno nas redes sociais e surpreendeu ao aparecer, em um levantamento recente para a Presidência da República, à frente de medalhões como Pacheco e Tebet.

Em entrevista à Gazeta do Povo, o deputado assegurou que o partido estará concentrado em torno de sua candidatura.

PCdoB e PV
O PCdoB é aliado histórico do PT e em 2022 deverá manter a parceria com o partido do ex-presidente Lula. Já o PV, embora tenha se distanciado do PT em anos anteriores, poderá também integrar o projeto petista para retornar ao Palácio do Planalto. Os dois partidos, que somados têm 12 deputados federais e nenhum senador, deverão formar a federação ao lado de outras siglas de esquerda, para continuar na oposição a Bolsonaro.

Patriota
O partido é mais um que vive dilemas internos por conta da disputa pelo seu comando. Apesar disso, no âmbito do Legislativo, deverá prosseguir com o apoio ao governo. Os membros da sigla habitualmente votam favoravelmente às pautas do Palácio do Planalto.

Rede
O partido da ex-ministra Marina Silva encerrará a atual legislatura muito menor do que começou: dos cinco senadores eleitos em 2018, apenas um permanece na agremiação, Randolfe Rodrigues (AP). Um alento veio ao apagar das luzes de 2021, que foi a indicação de que o deputado Túlio Gadêlha (PE) integrará o partido. Além de Randolfe e Gadêlha, o outro único nome da sigla no Congresso é a deputada Joênia Wapichana (RR).


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ALIANÇA LULA E ALCKMIN CAUSA DESGASTE POLÍTICO

 

Eleições

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Lula e Alckmin em encontro público, em dezembro: aliança eleitoral com o ex-tucano como vice está bem encaminhada.| Foto: Ricardo Stuckert/PT

Como é que dois políticos experientes como Lula e Geraldo Alckmin, que já foram adversários em eleição presidencial e representam partidos rivais em todas as eleições de 1994 até 2014, decidiram se juntar agora com tanta possibilidade de desgaste?

O ex-presidente do PT e que foi o coordenador da campanha de Dilma, deputado federal Rui Falcão, deu uma entrevista à Folha de S. Paulo em que diz que Lula não precisa de uma muleta eleitoral se referindo a Alckmin e que o ex-tucano representa exatamente o contrário do que o PT fez e pretende fazer se vender as eleições. Disse ainda que Alckmin na campanha de Lula seria a negação da campanha.

Já ex-presidente Dilma Rousseff teria dito a Lula que “Alckmin será o Temer dele”. Ainda assim, muita gente no PT continua firme com a ideia de que Geraldo Alckmin será o vice de Lula na eleição de outubro próximo.

Aí eu pergunto: isso não vai promover um grande desgaste entre os eleitores que são “PT raiz” e entre os partidários de Alckmin? Vejam bem, Alckmin está deixando de ser um candidato com grandes probabilidades de vitória ao governo de São Paulo para ser vice de Lula.

E Lula está entrando neste desgaste por quê? Será que Alckmin seria um cavalo de troia para enfraquecer a candidatura dele? Seria um kamikaze por conta própria para enfraquecer Lula e enfim se vingar da derrota que teve na eleição presidencial de 2006? A gente não sabe. Porque é tão fora de propósito essa união que a gente fica sem entender.

Falta de empatia
Tem dois candidatos que todo mundo vê que não têm muito futuro, porque não tem fala para o povo, não tem empatia popular. O ex-juiz Sergio Moro disse numa entrevista em rádio que é mentira que vá ser candidato ao Senado pelo Paraná. Ou seja, ele está acreditando na sua candidatura presidencial. Mas o fato de fazer esse desmentido, de certa forma, é uma confissão lá do inconsciente dele que, no fundo, as pessoas não estão botando muita fé.

A mesma coisa acontece com a candidatura de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Em entrevista ao Correio Braziliense, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse que a candidatura de Pacheco, que foi lançada com pompa no memorial JK, como se ele fosse um novo Juscelino Kubitschek, vai até o fim. Equivale quase a uma confissão de que a candidatura já acabou, mas que “a gente vai continuar nadando”.

As pessoas querem se enganar mesmo sem ter apelo popular. É um pouco dessa história de terceira via, quando todo mundo sabe que essa eleição está simplesmente polarizada e não tem jeito.

Vacina para adultos em crianças
É inacreditável isso que ocorreu em um assentamento da reforma agrária no município de Lucena, região metropolitana de João Pessoa (Paraíba). Uma agente comunitária de saúde e uma auxiliar técnica de enfermagem da prefeitura simplesmente foram ministrando vacinas contra Covid-19 para quem estava na fila, inclusive crianças trazidas pelas mães, no dia 29 de dezembro, quando nem estava autorizada a vacinação infantil. Depois repetiram a dose nos dias 7 e 11 de janeiro.

Segundo depoimento ao Ministério Público Federal, a técnica de enfermagem disse que recebeu orientação para aplicar vacinas Pfizer para adultos que estavam vencendo. Estas doses parece que foram ministradas para mais de 40 crianças. Isso está sendo investigado.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que é de João Pessoa, ficou preocupado e fez recomendação aos pais, a mesma que a Anvisa faz, para que fiquem atentos a possíveis reações adversas. E, nesse caso, que procurem imediatamente atenção médica.

Eu acho que os pais deveriam pesquisar nas redes sociais o nome do próprio laboratório para ver o que eles próprios dizem sobre a vacina que produzem e os riscos envolvidos. Na internet, eles não escondem nada, principalmente sobre as doses para crianças.


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LULA E O CANALHA AO SEU LADO

 

É sobre isso

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

Ao procurar uma imagem para ilustrar este texto, me ocorreu esta pergunta: Barrabás foi perdoado?| Foto: Reprodução/ Wikipedia

Não existe nada mais difícil do que ser misericordioso. Ou caridoso. Por isso os ensinamentos cristãos de 2000 anos atrás são tão fascinantes. E tão difíceis de serem assimilados e incorporados à vida cotidiana. Sobretudo aqui na nossa contemporaneidade, com tantos guerreiros narcisistas que, por detrás de uma tela de computador ou celular, travam guerras sem sangue, mas não isentas de vítimas.

Há anos, e aos sobressaltos, tento aplicar a ideia da misericórdia (como humildemente a compreendo) à guerra ideológica – com pouco sucesso e muito fracasso. Afinal, imagine chegar aqui hoje, em plena segunda-feira, e sugerir aos leitores da Gazeta do Povo que vejam Lula pelo que ele é: um homem que, apesar do poder, da influência e da riqueza, não pode nem tomar uma cachacinha no bar da esquina com os amigos de sindicato. Um homem corrompido pela própria ideia de grandeza e benevolência, incapaz de se olhar no espelho e se ver por inteiro. Um homem tão escravizado pela imagem que os outros fazem dele que já nem sabe quem é. Um leproso moral que anda pelas ruas negando o caráter contagioso das próprias chagas.

Para mim, tudo isso é castigo o bastante. E é justamente por isso que a anulação das sentenças contra Lula não faz nem cócegas. Tá, talvez faça um pouquinho, mas só na planta do pé. Mas sou exceção, reconheço. E também vacilo nessa minha excepcionalidade. A depender da cor do meu café-com-leite matinal e do formato e do peso das nuvens, tendo a ser mais ou menos severo com esses líderes que se veem como deuses, mas (sabemos eu e você e até a torcida do Flamengo) não passam de cadáveres prematuros à espera da terra que os cobrirá – porque cobrirá a todos nós.

Castigo maior, para mim, seria dar a Lula uma cópia de “A Morte de Ivan Ilitch” ou “Lições de Abismo” e trancafiá-lo por alguns anos, até que ele saísse do cativeiro com uma compreensão profunda de sua existência. Mas talvez isso seja uma forma de tortura proibida pela Convenção de Genebra – menos pelas obras-primas citadas e mais pela crueldade de obrigar alguém a se olhar no espelho por tanto tempo. Eu mesmo talvez não suporte se um dia for obrigado a passar mais de cinco minutos diante do amontoado de pecados e erros que sou.

E, antes que você fique aí todo revoltadinho porque citei Lula e não Bolsonaro ou Moro ou Doria ou o Cabo Daciolo, aqui está a frase que, apesar da obviedade, há de me redimir na manhã nublada de domingo em que escrevo este texto: não estamos cercados nem somos liderados por santos de nenhum tipo. E todos esses homens que sobem ao púlpito da política para oferecer nossa sanidade em sacrifício à deusa Democracia, fomentando uma guerra fratricida (ou parricida, no caso do meu amigo que brigou com o pai petista), são dignos, sim, da nossa mais sincera pena, misericórdia, caridade.

E na vida?
Exercer a misericórdia na vida cotidiana é ainda mais difícil do que na política. E eu, como todos nós, erro mais do que acerto. Mas, na base do estudo, da experiência e das muitas (muitas mesmo!) surras da vida, essa professorinha atraente, mas severa, aprendi um bocado ao longo dos últimos anos. E se você acha que a frase anterior é expressão de uma vaidade repreensível e até repugnante (e é mesmo), tente ser misericordioso comigo agora (tentarei também).

Hoje em dia, com os joelhos eternamente ralados pelos tropeços da juventude, quando vejo perto de mim uma manifestação do que considero canalhice & perversidade, não saio correndo para escrever sobre o assunto e o ofensor e, pateticamente, tentar fazer justiça com as parcas sílabas que me sói encadear na forma de argumentos e insultos literários. De jeito nenhum! Quando vejo perto de mim (real ou virtualmente) o dito-cujo se regozijando com a maldade própria ou alheia, só me permito ceder à raiva privada – àquele xingamento dito para o apartamento vazio e que talvez se prolongue pela Eternidade, mas tomara que não.

Exige esforço. Nunca ninguém disse que era fácil. A mim o silêncio só me vem a muito custo – espero que não o de uma gastrite nervosa. Outro dia mesmo, ao me deparar com a perversidade pública e mal-disfarçada de um desses parasitas, tive ganas de gritar ao mundo o nome dele. De compor uma crônica que deixasse clara a minha revolta. E até de procurar meios formais de reparação – talvez a maior estupidez do nosso tempo, à qual, ao que parece, não estou imune.

Mas daí me lembrei dessa milenar ideia frágil: a misericórdia. Fechei os olhos por um instante e me lembrei da voz mansa e covarde, da magreza pachequenta, dos olhos vazios de quem alcançou a velhice sem jamais ter saboreado um único momento de sabedoria. E entendi, numa lição que precisa ser reaprendida diariamente, que para alguns a vida é apenas uma sucessão de dias. “Coitado”, concluí, sem brilhantismo nem indignação. E fui dormir o sono pesado que me é de direito.

Porque, parafraseando o historiador e político romano Tácito, numa frase que serve tanto para o canalha-ao-lado quanto para o líder no palanque, na vida sempre haverá aqueles que, cercados pela mais cretina miséria moral (e política), insistirão em chamar isso de vitória. E até de vida.


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A TERRCEIRA VIA É A MELHOR SOLUÇÃO PARA O PAÍS?

 


  1. Política
     

Há espaço, sim, para buscar uma terceira via pé no chão, que trabalhe mais contra a crise e menos para ampliar confrontos ideológicos

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

As reações à coluna de domingo (“Ainda tem jeito?”) confirmam que o melhor do mundo para bolsonaristas e petistas é manter a polarização entre o continuísmo e a volta ao passado. Tudo que o presidente Jair Bolsonaro sonha é disputar com o ex-presidente Lula. Tudo o que Lula pretende é ter Bolsonaro como adversário. Nenhum dos dois quer ouvir falar em terceira via.

Sim, se a eleição fosse hoje, daria Lula no primeiro turno ou ele e Bolsonaro no segundo. O problema é que a eleição não é hoje e há milhões de brasileiros incomodados e se sentindo emparedados entre as duas soluções – o que também surgiu, claramente, nas reações à coluna.

E os monoblocos vão se desfazendo no ar, porque em todos os segmentos da sociedade há divisões, dúvidas, insatisfação. Vale para a maioria, com menor renda e escolaridade, mas também para setores com grande reverberação.

Palácio do Planalto
Palácio do Planalto, em Brasília;  o eleitorado desiludido de Bolsonaro hoje está no limbo. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Pode-se dizer que “os militares” são incorrigivelmente bolsonaristas? Não, depois de Bolsonaro se sentir compelido a demitir o ministro da Defesa e os três comandantes. Menos ainda depois de, na mesma semana, o contra-almirante Barra Torres reagir a ataques do presidente, o Exército reforçar diretrizes contra a covid na contramão de Bolsonaro e o general Silva e Luna, da Petrobras, lembrar que cabe ao Executivo fazer políticas públicas.

É possível insistir em que “os evangélicos” estão com Bolsonaro? Não. Há evangélicos e evangélicos, que se dividem entre designações, graus de seriedade, regiões e segmentos sociais. Os mais pobres, por exemplo, sentem na pele os efeitos da política econômica – ou da falta dela.

E “o capital”, continua com Bolsonaro? Banqueiros, grandes empresários, líderes do agronegócio não passaram a troco de nada a defender democracia, Amazônia e justiça social, até em manifestos. Foi um movimento tumultuado, mas deixou uma evidência: há insatisfações e muita conversa.

Quem decide eleição é “o povo”, mas militares, evangélicos, banqueiros, empresários e o agronegócio moderno caíram do outro lado, o de Lula? Provavelmente, não. Há uma enorme aflição com Bolsonaro, mas isso não apaga a desconfiança quanto a Lula, petrolão, ligações com Venezuela, Cuba…

Logo, o eleitorado desiludido de Bolsonaro hoje está no limbo (ou num mato sem cachorro), assim como, em 2018, o eleitor do PT que ficou chocado com o petrolão e o eleitor que se descolou do PSDB. Há espaço, sim, para buscar uma terceira via pé no chão, que trabalhe mais contra a crise e menos para ampliar confrontos ideológicos. Uma opção preguiçosa a essa busca é ceder à polarização. Outra é o melancólico voto nulo de 2018. 

COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

METAVERSO É A MISTURA DO MUNDO OFFLINE E O MUNDO ONLINE

 

Por Sabrina Bezerra – StartSE

Na corrida para marcar território na inovação do futuro (ou seria do agora?), companhias — dos mais variados segmentos — estão apostando na mistura entre o mundo online e o offline por meio de dispositivos digitais. Confira!

Por Sabrina Bezerra

A esta altura, você sabe que o Facebook Inc. virou Meta. O rebranding da companhia foi pautado pelo metaverso — mistura entre o mundo online e o offline por meio de dispositivos digitais.

O objetivo da Meta é marcar território no que muitos acreditam ser o futuro da internet. Mas não pense você que o metaverso trata-se de uma inovação pronta. Para você ter uma ideia, é algo tão novo, que é difícil até defini-lo. Porém, o fato é que já está sendo construído — e engloba uma série de experiências que faz e fará parte de jogos, redes sociais, e-commerces, entre outros.

“A gente não vai ter um metaverso, a gente vai ter vários”, disse em entrevista ao MVP Vinicius Gusmão, CEO e cofundador da MedRoom.

Podemos fazer uma comparação com outras inovações tecnológicas, como o início da internet, as redes sociais, a internet das coisas (IoT), a nuvem — todas nasceram como conceitos sem muitos detalhes, mas logo estabeleceram grandes transformações em vários setores.

COMO SURGIU?

Os pioneiros que trouxeram a tendência metaversa foram jogos online, como Animal Crossing, Fortnite e Roblox, em que os jogadores podem construir seus próprios mundos online usando experiências imersivas como realidade virtual e aumentada (falaremos mais sobre isso no próximo tópico).

E, consequentemente, puxou o mundo da moda para esse ecossistema. Como assim? Os jogadores passaram a comprar acessórios, roupas e tênis digitais para vestir seus avatares. Os NFTs também estão se integrando no metaverso. A Gucci, por exemplo, lançou bolsas, chapéus e óculos em “token não fungível” no Roblox. E as pessoas estão comprando. Veja: em média, os jogadores gastam cerca de US$ 100 bilhões em acessórios e roupas virtuais.

No e-commerce, a Boson Protocol, startup do Reino Unido, integra o metaverso, blockchain, NFT, ERC-20, DeFi, Web3, eGames, DAO numa rede descentralizada. Na prática, o usuário vende seus produtos físicos em NFT. “Foi-se o tempo que os maiores problemas do varejo eram coisas como arrumar uma boa vitrine ou fazer funcionar o código de barras”, diz Cristiano Kruel, Chief Innovation Officer.

Agora, confira 6 empresas que estão apostando, de certa forma, no metaverso — e vão de games a futuro do trabalho:

1 – MICROSOFT

No início do ano, a empresa anunciou o Mesh, plataforma de colaboração de realidade mista em que transforma reuniões de home office em realidade virtual. A expectativa é ser lançado no início de 2022.

A lógica? Marcar território no futuro do trabalho. O que faz sentido, já que tudo indica que muitas empresas vão adotar o modelo de trabalho híbrido.

Obviamente que a estratégia da transformação digital não para por aí — e tem até parceria com a Meta. Vai funcionar assim: o Microsoft Teams e o Workplace serão integrados.

Na prática, os usuários do Teams ou Workplace poderão visualizar, comentar e reagir a reuniões em tempo real, sem ter que alternar entre os aplicativos. Muito provável que o Mesh faça parte desta jornada.

Microsoft Mesh (foto: divulgação/Microsoft)

2 – ROBLOX

A Roblox, plataforma de games, que abriu capital na bolsa, está engajada em explorar ainda mais o metaverso. Para a empresa, a visão é a de “criar uma plataforma para experiências imersivas, onde as pessoas possam se reunir em experiências 3D para aprender, trabalhar, criar e socializar”, diz em comunicado. Ou seja, ir além dos jogos.

Para isso, está investindo em comunicação e tecnologia de expressões faciais dinâmicas e chat de voz espacial. A ideia é que os membros conversem e façam interações sociais na plataforma como fazem no mundo físico.

“Por exemplo, falamos mais alto quem está longe nos ouvir, sussurramos quando queremos ser discretos. Mudamos nossa forma de comunicação dependendo de estarmos com outras pessoas ou a sós”, conta a empresa.

“Com a voz espacial, os criadores começarão a testar o desenvolvimento de experiências onde as conversas podem ocorrer de forma realística, refletindo a maneira que ouvimos e respondemos ao mundo ao nosso redor todos os dias”, completa.

No Roblox, jogadores usam Robux para comprar coisas (foto: Roblox)

3 – EPIC GAMES

A criadora do Fortnite — jogo online — tem expandido a sua atuação no metaverso. Não é mais apenas um game, e sim, uma plataforma da qual é possível até assistir shows interativos virtuais. Travis Scott foi um dos participantes. Durante o show virtual, reuniu mais de 12 milhões de jogadores.

O negócio com foco no futuro tem se mostrado tão promissor que, no início deste ano, a Epic Games recebeu o aporte de US$ 1 bilhão, com participação da Sony e outras empresas de tecnologia, para construir novas experiências do conceito metaverso.

+ Lições da batalha Apple vs. Fortnite: “a sua margem é a minha oportunidade”

(Foto: Divulgação site Epic Games)

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4 – NIKE

Parece que a Nike também vai ingressar no metaverso. Ainda não está claro como, mas em um documento divulgado mostra que, a marca de roupas esportivas, fez 7 pedidos junto ao Escritório de Marcas de Patentes dos Estados Unidos para proteger seus bens virtuais para download. Seguindo o racional, tudo indica que o foco será em roupas digitais e NFT.

+ O que é NFT? Conheça a nova tendência bilionária para colecionadores

5 – GUCCI

A Gucci entrou no ecossistema de moda virtual dentro dos games (como falamos na abertura desta matéria). Além disso, a grife testou provadores de realidade aumentada (RA).

Por meio do app, os usuários podem experimentar os looks. Como assim? Por exemplo, se o comprador quiser experimentar um tênis, basta mirar a câmera do celular para os pés e pronto, será possível visualizar como o item por meio da imagem.

+ Gucci lança tênis virtual por US$ 12; conheça a tendência de vender roupas digitais

6 – NVIDIA

A Nvidia tem a NVIDIA Omniverse, plataforma virtual de simulação e colaboração online, que tem como foco o metaverso. Na prática, a tecnologia permite que criadores, designers, pesquisadores e engenheiros de sistemas trabalhem juntos em tempo real num espaço virtual compartilhado.

“Ou seja, enquanto os usuários finais e criadores de conteúdo aproveitam a plataforma Omniverse para se conectar e acelerar o fluxo de trabalho 3D, os desenvolvedores podem construir novas ferramentas e serviços”, diz a empresa.

(Foto: divulgação site Wanna)

7 – BOEING

A fabricante de aeronaves pretende investir em projetos 3D, robôs e inovações imersivas para os colaboradores ao redor do mundo. Por quê? Para unir as operações de design, produção e serviços aéreos em apenas um ambiente digital.

“Trata-se de fortalecer a engenharia. Estamos falando sobre mudar a forma como trabalhamos em toda a empresa”, disse Greg Hyslop, engenheiro-chefe da Boeing à Reuters.

Avião virtual

A empresa também pode ter a própria versão de suas aeronaves virtuais — uma espécie de cópias virtuais tridimensionais capazes de fazer simulações.

Para o executivo, as inovações ajudam a “obter velocidade, qualidade aprimorada, melhor comunicação e melhor capacidade de resposta quando ocorrerem problemas”, disse Hyslop.

POR QUE IMPORTA?

Se o metaverso é o futuro, só o tempo vai dizer. Mas as empresas (dos mais variados segmentos) listadas acima estão engajadas em buscar a inovação dentro do tema. O que faz sentido, já que as companhias que inovam são as que mais têm chances de permanecer no sucesso. E o que podemos aprender com isso? Que nenhuma empresa está imune à disrupção tecnológica — nem mesmo a sua. Clique aqui para conhecer mais sobre as estratégias que as grandes empresas estão adotando.

ValeOn UMA STARTUP INOVADORA

A Startup ValeOn um marketplace que tem um site que é uma  Plataforma Comercial e também uma nova empresa da região do Vale do Aço que tem um forte relacionamento com a tecnologia.

Nossa Startup caracteriza por ser um negócio com ideias muito inovadoras e grande disposição para inovar e satisfazer as necessidades do mercado.

Nos destacamos nas formas de atendimento, na precificação ou até no modo como o serviço é entregue, a nossa startup busca fugir do que o mercado já oferece para se destacar ainda mais.

Muitos acreditam que desenvolver um projeto de inovação demanda uma ideia 100% nova no mercado. É preciso desmistificar esse conceito, pois a inovação pode ser reconhecida em outros aspectos importantes como a concepção ou melhoria de um produto, a agregação de novas funcionalidades ou características a um produto já existente, ou até mesmo, um processo que implique em melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade ao negócio.

A inovação é a palavra-chave da nossa startup. Nossa empresa busca oferecer soluções criativas para demandas que sempre existiram, mas não eram aproveitadas pelo mercado.

Nossa startup procura resolver problemas e oferecer serviços inovadores no mercado.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

ARTHUR LIRA PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS GASTA MUITO DINHEIRO DO GOVERNO COM VIAGENS

 

O blog que fiscaliza o gasto público e vigia o poder em Brasília

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo

Arthur Lira, Jair Bolsonaro e Fernando Collor na inauguração da 4ª Etapa do Canal do Sertão.| Foto: Reprodução/Facebook

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), foi o campeão de gastos com viagens nacionais e internacionais em 2021, na comparação com os presidentes do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram R$ 2,17 milhões com 104 voos em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) e R$ 860 mil com diárias e passagens para assessores e seguranças – um total de R$ 3 milhões. Tudo isso no ano em que a pandemia da Covid-19 atingiu o seu auge.

Quando a crise sanitária perdeu a força, Lira aproveitou e fez duas viagens à Europa, para Roma e Lisboa, mas com muito cuidado, em jatinhos da FAB, longe dos aviões de carreira. Só esses eventos custaram R$ 800 mil, com jatos, passagens e diárias para servidores. Lira chegou ao patamar do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ)), que torrou R$ 6,2 milhões nos dois últimos anos como presidente da Câmara.

Nos 96 voos de Lira pelo país, 51 foram de ida e volta para Maceió, seu reduto eleitoral, com um custo total de R$ 1 milhão. Lira passou os finais de semana em visitas às principais cidades de Alagoas, inaugurando obras para populações carentes e “entregando” caminhões, tratores, equipamentos agrícolas – produtos com retorno eleitoral garantido, financiados pelas famosas emendas ao Orçamento da União.

Nos grandes eventos, como na entrega de uma etapa do Canal do Sertão, estava acompanhado do presidente Jair Bolsonaro e do senador Fernando Collor (PROS-AL) – aquele que gastou R$ 22 mil num banquete oferecido a 97 convidados numa churrascaria em Brasília. A conta foi paga pelo contribuinte, é claro.

Reportagens do blog mostraram que as despesas do presidente do STF, Luiz Fux, chegaram a R$ 1,6 milhões. Quase 90% dos voos foram para a sua residência, nos finais de semana. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), gastou R$ 2 milhões. Nos últimos meses do ano, passou a percorrer o país em jatinhos da FAB na condição de pré-candidato a presidente da República.


Maratona de inaugurações
Em 28 de setembro, uma terça-feira, Lira mostrou o seu prestígio. Pegou um jatinho e partiu para Maceió, onde chegou às 13h25. Seguiu para a cidade de Teotônio Vilela, para a entrega de 400 apartamentos populares, pelas comemorações dos 1.000 dias do governo Bolsonaro. O presidente da República chegou ao evento às 15h30, no seu jatão, e lá ficou durante 1 hora. Lira permaneceu apenas cinco horas em Alagoas e retornou a Brasília, sempre no seu jatinho. Nas redes sociais, afirmou que estava honrado com a visita dos ministros Tarcísio Freitas, Rogério Marinho, João Roma, Onyx Lorenzoni e Flávia Arruda, além de Collor.

Bolsonaro e Lira entregam apartamentos populares em Teotônio Vilela. Foto: Reprodução/Facebook
Em 13 de maio, Lira esteve na inauguração do quarto trecho do Canal do Sertão, que capta água no Rio São Francisco. Estão concluídos 123 km de canal de um total de 250 km previstos. Estava presente Collor, que lançou o projeto da obra no seu governo, no início da década de 90. O projeto ainda vai render mais umas quatro inaugurações. “No Sertão de Alagoas, com o presidente Jair Bolsonoro e o ministro da Cidadania, João Roma”, anunciou Lira nas redes sociais. Pelo menos, o presidente da Câmara dessa vez não usou o seu jatinho, mas foi acompanhado de quatro seguranças.

Lira foi mais explícito no evento em 3 de julho. Pegou o jatinho e passou o final de semana em Alagoas. Anunciou nas redes: “Entregamos na manhã deste sábado diversos maquinários às prefeituras de Jequiá da Praia, Coruripe e Feliz Deserto. São caminhões-compactores, retroescavadeiras e grades aradoras viabilizadas por convênio da Codevasf”. Importante ressaltar que os equipamentos foram comprados com dinheiro público.

O presidente da Câmara partiu para Maceió no seu jatinho em 17 de julho, durante o recesso parlamentar. No dia 23, participou de um encontro com mais de 40 prefeitos, deputados estaduais e lideranças políticas alagoanas. “Debatemos sobre a questão do saneamento básico, as eleições de 2022 e outros temas de desenvolvimento socioeconômico do Estado”, relatou o presidente. Os gastos com passagens e diárias dos seis seguranças que o acompanharam somaram R$ 31 mil. Os deslocamentos do jatinho custaram mais R$ 45 mil.


As viagens internacionais
A viagem mais cara de Lira para o exterior foi para Lisboa, de 11 a 17 de novembro, onde participou das comemorações dos 25 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, do seminário sobre o Agronegócio Sustentado no Brasil e do Fórum Jurídico de Lisboa. O Fórum foi promovido pelo Instituto de Direito Público (IDP) – faculdade controlada pelo ministro do STF Gilmar Mendes –, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

As diárias de assessores e policiais legislativos em Lisboa custaram R$ 123 mil. As passagens aéreas, mais R$ 72 mil. Só as 22 diárias para dois policiais, no valor unitário de R$ 3,2 mil, somaram R$ 71 mil. Os deslocamentos do jatinho de ida e volta até Lisboa custaram mais R$ 237 mil.

As diárias e passagens para três servidores que acompanhariam o presidente na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), em Glasgow (Escócia), somaram R$ 129 mil. Mas Lira desistiu da viagem para articular a aprovação da PEC que criou recursos para pagar o Auxílio-Brasil – projeto prioritário de Bolsonaro para a disputa eleitoral deste ano.

O presidente da Câmara também esteve em Roma, em Roma, de 7 a 9 de outubro, para participar da Cúpula de presidentes de Parlamento do G20 e da Reunião Parlamentar Pré-Cop26, acompanhado de cinco deputados. As diárias dos servidores somaram R$ 153 mil; as passagens, mais R$ 75 mil. O jatinho, R$ 230 mil.

Lira postou fotos da sua participação no evento, dia 7, no luxuoso Palazzo Madama, em Roma. “Participei agora do segundo painel, com o tema ‘Reinicializando o Crescimento Econômico em termos de Sustentabilidade Social e Ambiental’”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/arthur-lira-gasta-r-3-milhoes-com-viagens-pelo-pais-e-mundo-afora/
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