segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

GOVERNO FEDERAL FARÁ SUBSTITUIÇÃO DE MINISTROS EM ABRIL

Mudanças na Esplanada

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília-DF. Foto: Ana Volpe/Agência Senado

Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília.| Foto: Ana Volpe/Agência Senado

O presidente Jair Bolsonaro (PL) retomou as discussões sobre a reforma ministerial que fará até o início de abril. No último dia 8, Bolsonaro disse a jornalistas que 12 de seus 23 ministros devem deixar o governo para a disputa das eleições – e, para que possam concorrer, a lei determina que têm de deixar seus cargos pelo menos seis meses antes das eleições (ou seja, até 2 de abril). “Já começamos a pensar em nomes para substituí-los e alguns já estão mais que certos”, afirmou o presidente.

Mas os nomes dos sucessores “mais do que certos” ainda é mantido a sete chaves pelo governo. Mesmo interlocutores do Planalto e aliados da base ouvidos pela Gazeta do Povo não têm certeza dos nomes de substitutos. Mas dizem haver uma tendência de alguns ministros serem substituídos pelos atuais secretários-executivos, o segundo cargo mais importante em cada ministério.

O próprio Bolsonaro deu indicativo de que isso vai ocorrer. Disse à imprensa que “a maioria será por escolha interna”. “Até mesmo porque seria um mandato tampão até o fim do ano”, comentou.

Quais as chances de Bolsonaro atender a base na reforma ministerial
É possível que Bolsonaro nomeie políticos para ocupar alguns ministérios na reforma ministerial. Na conversa com jornalistas do dia 8 de janeiro, ele disse que aliados da base no Congresso poderão vir a ocupar as vagas abertas. “Existem bons parlamentares… eu fui deputado por 28 anos. Todo mundo é possibilidade real”, destacou.

O presidente alertou, entretanto, que “dificilmente vai ter um acordo por fora”. Bolsonaro sabe que os partidos aliados cobiçam estruturadas no governo e vão sondar o políticos e técnicos para indicar à equipe do primeiro escalão do governo. O PL é um dos que almeja pastas de destaque no governo.

O Ministério da Infraestrutura é almejado pelo PL. Desde 2003, ou seja, ainda na primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o partido presidido por Valdemar Costa Neto detém o controle do Ministério dos Transportes, tendo sempre feito indicações para o comando da pasta. O Ministério da Infraestrutura englobou as atribuições da antiga pasta dos Transportes; e a indicação de Tarcísio de Freitas para o cargo foi uma escolha pessoal de Bolsonaro.

Em 2022, Tarcísio deve disputar o governo de São Paulo com o apoio do PL. Tal costura tem levado o partido de Bolsonaro querer o controle da pasta. Mas Tarcísio e o presidente querem que o atual secretário-executivo, Marcelo Sampaio, assuma o ministério. A possibilidade de um acordo, com o partido indicando nomes para outras secretarias, não está descartado.

A aliados, Bolsonaro tem dito que está aberto a receber sugestões de caciques aliados para os segundos e terceiros escalões, mas tem deixado claro que quer ter a última palavra para a escolha de sua equipe ministerial. O presidente está aberto, no entanto, a ouvir sugestões e considerar os indicados de aliados.

O Republicanos e o PP são outros partidos da base que desejam ser ouvidos na reforma ministerial. Ambos ameaçam o governo com a possibilidade de não apoiar a candidatura de Bolsonaro à reeleição, e a barganha por ministérios pode ser determinante para o governo mantê-los na coligação da chapa presidencial.

Há também uma demanda encampada por Republicanos e pelo PSC de uma ampliação da influência evangélica na Esplanada. Ambos os partidos desejam que a bancada evangélica tenha mais membros no governo.

Partidos de menor expressão também querem apresentar sugestões a Bolsonaro. PTB, Pros e Avante são três siglas que, segundo dizem aliados governistas, sondam o governo com o interesse de integrar a coligação de reeleição de Bolsonaro e pedem apoio para o apadrinhamento de indicados políticos em escalões inferiores em troca. É incerto se alguma dessas legendas ficaria com algum ministério.

Apesar da pressão de aliados, a meta pessoal Bolsonaro é fazer a reforma ministerial apenas no início de abril. “Gostaria que eles [ministros] saíssem somente um dia antes do limite máximo, para não termos qualquer problema”, disse o presidente a jornalistas recentemente.

Do total de 12 ministros que podem vir a disputar as eleições, a Gazeta do Povo detalhou em dezembro a expectativa em torno da candidatura de 11 ministros: Tereza Cristina (DEM), da Agricultura; João Roma (Republicanos), da Cidadania; Fábio Faria (PSD), das Comunicações; Rogério Marinho (PL), do Desenvolvimento Regional; Tarcísio de Freitas (sem partido), da Infraestrutura; Anderson Torres (sem partido), da Justiça e Segurança Pública; Damares Alves (sem partido), da Mulher, Família e Direitos Humanos; Marcelo Queiroga (sem partido), da Saúde; Flávia Arruda (PL), da Secretaria de Governo; Onyx Lorenzoni (DEM), do Trabalho e Emprego; e Gilson Machado (sem partido), do Turismo.

Aqueles que são deputados licenciados ou já exerceram algum cargo eletivo anteriormente têm suas candidaturas mais bem definidas. Outros ainda avaliarão até abril. Os que nunca haviam exercido um cargo eletivo ainda não dão como certa a possibilidade de candidatura. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é alguém que poderia oferecer palanque a Bolsonaro na Paraíba, por exemplo, mas, segundo interlocutores da pasta, ele não está disposto a se candidatar. Em contrapartida, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, não descarta uma candidatura.

Como a pressão de aliados justifica a cautela de Bolsonaro
A opção do presidente e dos auxiliares mais próximos a não revelarem potenciais nomes é politicamente estratégica. “Não quero falar agora [sobre nomes] porque vai começar uma ciumeira: por ele e não eu? E ciúme de homem é pior do que mulher”, disse ao participar da festa de aniversário do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Bruno Bianco.

O cuidado de Bolsonaro em não revelar nomes que podem substituir alguns postos na Esplanada dos Ministérios é elogiado por interlocutores do governo. Ao não falar em nomes, ele evita, assim, especulações e ruídos na base. Sobretudo ao considerar o atual momento político vivido pela a ministra-chefe da Secretaria de Governo, que estava sendo sendo “fritada” por lideranças de partidos da base como o Republicanos, PP, parte do PSL até o PL.

Bolsonaro assegurou a permanência de Flávia, que é deputada federal licenciada do PL, novo partido do presidente. Mas, na sexta-feira (14), os rumores de que ela sofre pressão para sair foram reanimados com a notícia de que ela havia tirado licença do cargo, até o dia 21, para tratar de assuntos particulares.

Ante disso, Flávia Arruda esteve sob a mira das críticas de nomes influentes de partidos aliados, que queriam a demissão dela como pontapé da reforma ministerial. Aliados do governo sustentam que, como ela sairá candidata em 2022 – provavelmente ao Senado –, a saída dela poderia dar início às mudanças.

Os insatisfeitos reclamavam que ela não estaria cumprindo acordos acertados na liberação de verbas do orçamento. Para resolver o impasse com sua base política, Bolsonaro editou um decreto tirando poderes do ministro da Economia, Paulo Guedes, e dando a palavra final da execução orçamentária para o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, líder do Centrão.

Ainda assim, o episódio da fritura de Flávia Arruda mostrou as preocupações de aliados do Centrão com a reforma ministerial. Eles defendiam que a demissão de Flávia poderia ser feita ainda em janeiro, no mais tardar em fevereiro, até mesmo para evitar maiores ruídos no início do ano legislativo. Partidos da base lembram que, até março, serão escolhidas as presidências das comissões permanentes da Câmara, do Senado e do Congresso. O início de uma reforma ministerial, segundo esses aliados, poderia ajudar o governo a evitar maiores “surpresas” nas eleições.

Na Câmara, por exemplo, aliados da base “raiz” de Bolsonaro no PSL esperam ficar com a presidência de até quatro colegiados. Na Comissão Mista de Orçamento (CMO), há um acordo para que o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) assuma o colegiado.

Além disso, a própria Secretaria de Governo é uma pasta que gera interesse de políticos da base de Bolsonaro, pois é um cargo de prestígio e poder, responsável pela articulação política entre o Planalto e o Congresso.

O deputado Aroldo Martins (Republicanos-PR), vice-líder do partido na Câmara, defendeu a possibilidade de Hugo Motta (Republicanos-PB), atual líder do partido na Câmara, assumir algum posto no governo, inclusive como um substituto de Flávia Arruda. “No caso de uma mudança de ministério, incluindo, inclusive, o que atualmente é liderado pela ministra, e que fosse pedido na minha opinião um nome do Republicanos, eu defenderia o do deputado Hugo Motta”, disse. O deputado federal Hugo Motta foi um dos que pressionou pela demissão de Flávia e negociou a sucessão da pasta.


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FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS FEDERAIS PARALIZAM AMANHÃ

 

Greve

Por
Isabelle Barone – Gazeta do Povo

Paulo Guedes, ministro da Economia| Foto: Ministério da Economia.

Funcionários públicos federais de mais de 20 categorias devem cruzar os braços na próxima terça-feira (18), em reivindicação à reposição das perdas inflacionárias. O movimento se acalorou após aceno do governo a algumas categorias do funcionalismo público, como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Os trabalhadores pretendem realizar atos em frente ao Banco Central a partir de 10 horas e no Bloco P do Ministério da Economia, a partir de 14 horas, em Brasília. Nas capitais, os protestos devem ocorrer de acordo com a mobilização local das entidades. Outras manifestações são esperadas para os dias 25 e 26. E, caso suas demandas não sejam atendidas pelo governo federal, os servidores prometem estender a greve por tempo indeterminado.

Entre os servidores que devem parar estão auditores da Receita Federal, funcionários do Banco Central, servidores da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), auditores e técnicos da CGU (Controladoria-Geral da União) e do Tesouro Nacional, servidores da Susep (Superintendência de Seguros Privados), auditores do trabalho, oficiais de inteligência e servidores das agências de regulação.

Em protesto, os servidores também estão realizando a chamada “operação-padrão”, conhecida como “operação-tartaruga” – trata-se da realização dos serviços seguindo os procedimentos operacionais padrão com rigor excessivo.

Além disso, trabalhadores de algumas categorias também têm entregado seus cargos. Entre os funcionários da Receita, mais de 1,2 mil já entregaram seus postos comissionados. Auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil, membros das cinco equipes regionais OEA (Operador Econômico Autorizado) e do Centro Nacional de Operadores Econômicos Autorizados (CeOEA), por exemplo, decidiram que, “enquanto não forem atendidas as justas reivindicações”, não farão nenhuma nova certificação OEA.

“As empresas OEA’s atualmente respondem por cerca de 25% do volume de importações e exportações nacionais. Entretanto, no presente momento, em função do absoluto desprezo com que são tratados pelo governo tanto os Auditores-fiscais quanto a própria Receita Federal, não restou alternativa aos auditores a não ser interromper provisoriamente as novas certificações, até que essa situação seja revertida. Os auditores estão cientes das enormes responsabilidades, da importância da categoria para o Estado e é chegada a hora de o governo também reconhecer os auditores-fiscais como se merece”, diz nota do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).

Representante da categoria, Isac Falcão afirmou que a reunião recente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi “frustrante” e não atendeu às expectativas dos servidores. “O movimento dos auditores fiscais, em decorrência da insensibilidade do governo às reivindicações da categoria, tende a intensificar”, disse.

“O ministro se manifestou no sentido de compreender o pleito, e achar justo, mas disse que não pode dar um prazo para a implementação do bônus de eficiência, que já se arrasta há cinco anos, sem regulamentação, e entende que esse não é o momento da solução dessas questões. Estamos na expectativa de que o movimento se acirre”, afirmou Falcão.

Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que representa cerca de 20% de todos os servidores federais, também afirma que o movimento deve se intensificar nas próximas semanas, “sobretudo se não houver uma repostas satisfatória do governo”.

“Queremos uma solução dialogada e esperamos que o governo abra imediatamente uma mesa de negociação para receber os nossos pedidos e dar respostas efetivas de quanto poderia ser essa recomposição linear”, disse à Gazeta do Povo.

O grupo acredita que há espaço no Orçamento da União para a recomposição salarial dos servidores, mesmo em meio ao contexto de cobertor curto. “O governo tem uma certa tranquilidade para conceder um reajuste linear e atender senão integralmente o nosso pedido de recomposição das perdas, ao menos parcialmente. E se não o fizer agora, só poderá ser feito em 2023 com validade para 2024. Mas seriam sete anos de congelamento, e nenhum trabalhador consegue viver com tamanha perda salarial”, diz o representante do Fonacate.

Segundo avaliação da União, o aumento de 1% linear a todos os servidores teria o potencial de gerar um impacto de R$ 3 bilhões no Orçamento. O Executivo reservou R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 para atender ao reajuste, espaço possível após a aprovação da PEC dos precatórios que, entre outras coisas, permite o parcelamento de parte dos R$ 89,1 bilhões em dívidas com decisão judicial definitiva, que a União tem com credores.

Promessa a funcionários públicos federais da área de segurança
O presidente Jair Bolsonaro (PL) vinha prometendo um reajuste às forças de segurança federais, exclusivamente, sob o argumento de que é “preciso valorizar” a categoria. A mudança atenderia apenas a Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), grupos considerados como base eleitoral do presidente.

No entanto, apesar de reconhecer que os servidores “perderam bastante poder aquisitivo” nos últimos anos, o presidente recuou da ideia. Em dezembro, após outras categorias reivindicarem reposição, Bolsonaro afirmou que o reajuste salarial não estava “garantido” para nenhuma categoria dos funcionários públicos federais.

“Primeiramente, não está garantido reajuste para ninguém. Tem uma reserva de R$ 2 bilhões, que você pode usar, poderia ser usado para PF (Polícia Federal), PRF (Polícia Rodoviária Federal), e também o pessoal do sistema prisional, mas não está nada garantido no tocante a isso aí. Alguns pegaram isso daqui e falaram: ‘Também quero’, e foi feita essa onda toda”, disse o chefe da República a jornalistas.

Em resposta, a categoria falou em “traição” por parte do presidente. “Caso o governo volte atrás e desista dessa reestruturação, a categoria poderá sentir isso como uma traição por parte do governo… Contudo, o momento é de crer que o governo Bolsonaro vai honrar com seu compromisso com o fortalecimento e a valorização da segurança pública”, disse Dovercino Neto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (Fenaprf).

Outro motivo que teria influenciado Bolsonaro a desistir da ideia é o recrudescimento da pandemia de Covid-19 no início de 2022 e, por consequência, o aumento da demanda por verbas públicas. O martelo ainda não foi batido, e servidores esperam uma resposta da União até o fim do mês. Enquanto isso, o governo federal também é pressionado pelo movimento de estados e municípios, que têm prometido e realizado aumentos salariais locais.

Procurada, a assessoria da FenaPRF afirmou que “entende como legítima toda manifestação de qualquer categoria do funcionalismo público em busca de melhores condições salariais e de trabalho”. “No entanto, é importante frisar que não estamos lutando por reajuste para os PRFs. O sistema sindical preza pelo respeito a todas as categorias, mas se foca na necessidade de fortalecimento institucional e na reestruturação da carreira dos profissionais da segurança pública. Há mais de uma década, a maior parte das carreiras típicas de estado tiveram este fortalecimento institucional, mas a PRF e as demais polícias da União foram deixadas para um segundo momento, como se a Segurança Pública não fosse igualmente essencial ao Estado e ao desenvolvimento da nação”, afirma nota enviada à reportagem.

As assessorias da ADPF e Depen não responderam aos questionamentos da reportagem até a publicação deste conteúdo.


Inflação aumenta pressão por reajuste
Sob a gestão Bolsonaro, apenas os servidores das forças armadas, policiais militares e bombeiros do Distrito Federal receberam reajuste, em 2020. Em 2021, em função da pandemia, o Executivo congelou o salário de todo os funcionários públicos federais.

Segundo o Fonacate, a maior parte do funcionalismo público está há pelo menos cinco anos sem reajuste salarial. A inflação anual de dois dígitos, que fechou 2021 em 10,06% – maior alta em seis anos -, também intensifica a pressão pela recomposição. Desde 2017, os servidores já perderam 27% do poder aquisitivo dos salários, afirma o Fórum. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), caso não haja reajuste neste ano, isso só poderá ocorrer em 2024.

“Estamos cobrando do governo a manutenção do poder aquisitivo. Não estamos falando de aumento real, mas de reposição das perdas inflacionárias”, afirma Rudinei. “O momento é de pressão total para que tenhamos recomposição do poder aquisitivo dos salários”.

Por outro lado, o movimento dos servidores é tido por críticos como “oportunista”. A remuneração média de um empregado do setor privado com carteira assinada estava em R$ 2.345 no trimestre encerrado em outubro. É 8% a menos do que no mesmo período de 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os empregados no setor público recebiam, em média 65,5% a mais. Contra um salário mínimo no Brasil de R$ 1,2 mil, uma parcela de servidores militares e civis recebe remunerações que ultrapassam o teto constitucional de R$ 33 mil.

Apesar da pauta principal da paralisação ser a reposição salarial, os servidores também reivindicam a reestruturação das carreiras, mudanças nos cargos, aumento de prerrogativas, melhoria das condições legais para o exercício das funções e aumento do nível inicial de escolaridade para cargo de técnico, por exemplo.

Presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad afirma que o “governo ainda não deu uma resposta” à categoria. Os servidores têm uma reunião agendada com o presidente do BC, Roberti Campos Neto, no final de janeiro e, a depender da proposta, parte dos trabalhadores deve começar a entregar seus cargos. Eles pedem uma reposição salarial de 26,3%.

Um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta que, nos dez primeiros meses do ano passado, somente 19,4% das categorias tiveram reajuste acima do INPC, que fechou o ano passado em 10,16%.

Em resposta às críticas de que a greve, especialmente em meio a um contexto de cobertor curto, é oportunista, Faiad contesta e afirma que o movimento é “resultado de três anos sem diálogo com o governo sobre reajuste salarial. Ninguém está pedindo aumento extraordinário, ganho real, produtividade, nada disso. Pedimos apenas reposição da inflação”, disse.

“Quanto à ideia de que é uma greve de ‘elite’, as pessoas não entendem que o Pix, a estabilidade financeira e conquistas de altíssima complexidade e responsabilidade têm que vir de órgão igual ao Banco, com autonomia e quadro altamente qualificado e motivado. Então, para isso, os salários têm que ser condizentes. Estamos simplesmente pedindo a reposição, é justo para todo trabalhador brasileiro”, afirma o representante.

Serviço prestado à sociedade será impactado

Segundo a Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra), a “operação padrão dos auditores fiscais causa prejuízos irreversíveis às empresas e pode resultar em falta de mercadorias nas prateleiras”.

Em nota, a entidade alerta que “empresas de diversos setores estão sofrendo com o atraso causado na liberação de cerca de 4% das importações escolhidas aleatoriamente para passarem pelo canal vermelho, uma fiscalização mais rígida que costuma ser de 3 a 5 dias e, com a greve, pode demorar até 20 dias”.

“São casos localizados, mas muito pesados para as empresas atingidas. Os custos, diretos ou indiretos, são muito significativos, aumentando ainda mais o custo Brasil, e alguns totalmente irreversíveis. Nos próximos dias é muito provável que vejamos ausências de produtos de diversas cadeias produtivas, especialmente em regiões com logística mais complicada”, afirma o diretor da Cisbra, Arno Gleisner.

Segundo Faiad, com a possível entrega de cargos de servidores do Banco Central, haverá “dificuldade de distribuir notas, de atendimento ao público, algumas informações que o sistema financeiro precisa vão ficar indisponíveis, parcial ou totalmente, e a manutenção dos sistemas informatizados que os bancos usam vão ficar indisponíveis, parcial ou totalmente”.

Guedes alertou sobre “efeito cascata”
Contrariado, em dezembro, a pedido de Bolsonaro, Guedes encaminhou ao Congresso o pedido de reserva de R$ 2,8 bilhões no Orçamento de 2022, para reajuste e reformulação da carreira de policiais. Na época, o ministro alertou o governo de que a medida poderia gerar um efeito cascata.

“O pedido veio da classe política, eu estou na outra ponta”, justificou Guedes. A ideia da equipe econômica do governo é atrelar as reposições salariais dos funcionários públicos federais à reforma administrativa.

“Se sair uma onda generalizada de reposição de salários, quando a economia acaba de se levantar (da crise provocada pela pandemia) e a inflação está subindo, vamos romper o compromisso com as gerações futuras”, afirmou Guedes. “Quem pede aumento de salários está dizendo: já tomei a vacina e quero meu dinheiro de volta. Quero renegar o meu sacrifício. Se fizermos isso, vamos rolar para a frente esse endividamento, para nossos filhos e netos”.

Mais recentemente, segundo o “O Globo”, Guedes teria comparado os reajustes ao rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Em mensagens de texto enviadas a membros do governo, Guedes faz uma analogia ao desastre: “Brumadinho: pequenos vazamentos sucessivos até explodir barragem e morrerem todos na lama”, afirmou o ministro, escrevendo ainda que se houver o aumento de salários e a pandemia voltar, o país vai quebrar. “Quem pede aumento agora não quer pagar pela guerra contra o vírus. Está dizendo : ‘já tomei minha vacina agora quero reposição de salário: não vou pagar pela guerra ao vírus’”, publicou o ministro.

Procurado, o Ministério da Economia não respondeu à Gazeta do Povo até a publicação desta matéria.

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VARIANTE ÔMICRO CHEGOU NO BRASIL

 

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Muitos estudiosos dizem que é o fim da pandemia| Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

Sergio Moro está percorrendo aí o país, viajando como candidato, acabou pegando Covid. Ele já tomou três doses da vacina e está com Covid. Parece que essa essa variante Ômicron, que muitos estudiosos dizem que é o fim da pandemia, é muito contagiosa, mas em compensação é pouco agressiva. É fraquinha. Parece que chegou enfim a tal gripezinha de que falaram lá no início quando não sabiam bem o que vinha pela frente.

Também pegou, tendo tomado as duas doses, o ministro Gilson Machado, o ministro do Turismo, que está em casa sendo cuidado por sua mulher cardiologista. Não é só ele no ministério. Nesse momento a ministra Damares também está se recuperando.

Tem o caso do prefeito de Porteirinha lá do norte de Minas. O prefeito Juraci Freire, ele tomou as três doses, testou positivo dia 05 e estava quase sem sintoma depois agravou. E ele foi pro hospital lá no norte de Minas, em Montes Claros, e acabou sendo levado para Belo Horizonte e foi entubado. Situação grave, eu não sei qual a situação nesse momento. Tem coisas muito estranhas aí, alguns agravam, outros não, né?

A agência Anvisa da Europa fez mais alertas sobre a AstraZeneca e a Johnson e Johnson, agora falando de mielite transversa na medula espinhal, mas diz que risco, benefício de ambas as vacinas continua inalterada.

PGR pode abrir inquérito contra senador Jorge Kajuru
Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo para investigar se pode abrir inquérito contra o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO). Jorge Kajuru numa entrevista disse que as palestras do ministro Gilmar Mendes seria um disfarce pra vender sentença. E usou termos bem ofensivos e fortes contra o ministro. Foi sorteado o ministro Barroso como relator.

Vai ter que saber se isso se enquadra ou não na inviolabilidade do mandato. Acho que não existe mais inviolabilidade do mandato desde que a Câmara dos Deputados concordou na prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ). O artigo 53 foi derrogado na prática pela Câmara dos Deputados. Agora acho que não vão poder se queixar. Cada vez que alegarem inviolabilidade e não houver essa inviolabilidade.

Acolham os venezuelanos de suas cidades
Eu queria falar também sobre venezuelanos que vem fugindo da ditadura socialista lá de Caracas. Duzentos e oitenta mil já foram regularizados como brasileiros e mais de 65 mil levados a mais de 700 municípios brasileiros. Isso foi elogiado e reconhecido pelo alto comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Eu já falei aqui várias vezes que a Operação Acolhida está merecendo o Nobel da Paz. Agora, claro, tem muito mais venezuelanos refugiado na Colômbia, por causa da identidade linguística. Fica mais fácil para eles conversarem na Colômbia do que no Brasil.

Mas por isso mesmo, se houver venezuelanos no seu município acolha-os de braços abertos. Eles fugiram de um regime que nós não queremos aqui pro Brasil. Uma esquerda ditatorial, totalitária que impede a liberdade de crescer, de trabalhar de ganhar, de lucrar em que o estado quer controlar tudo, quer controlar a vida das pessoas. Vamos receber bem esses venezuelanos onde quer que eles tenham sido alojados pelas autoridades brasileiras.


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PT QUER IMPLANTAR UMA DITADURA DE ESQUERDA NO BRASIL

 

Política
O encanto do PT por ditaduras de esquerda não pode ser moderado

Por
Diogo Schelp – Gazeta do Povo

Lula visita Fidel Castro em Havana, em 2013| Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação

No panteão dos heróis e apoiadores da ditadura cubana quase não há espaço para os brasileiros. O único cuja imagem está exposta no Museu da Revolução em Havana é Chico Buarque, em uma foto ao lado do cantor cubano Pablo Milanés, sem, no entanto, ser sequer citado nominalmente na legenda. E olha que intelectuais e políticos de esquerda brasileiros vêm há anos se empenhando em fazer juras de amor ao regime castrista, relativizando seus crimes e enaltecendo seus falsos feitos — assim como o fizeram até não muito tempo atrás com outras ditaduras de esquerda da América Latina.

Há, obviamente, uma base ideológica e histórica no apoio que o PT e outros partidos sempre manifestaram em relação a essas ditaduras de esquerda, enquanto, em casa, afirmavam defender uma combinação de princípios socialistas com valores democráticos.

É, de certa forma, uma questão de identidade partidária que precisa ser alimentada para manter a militância motivada enquanto os dirigentes se empenham em articulações pragmáticas com vistas a garantir o poder, por meio de alianças eleitorais exdrúxulas ou (uma vez empossados) de compromissos com o centrão para assegurar a governabilidade.

Para falar de um exemplo concreto e recente: uma parcela da militância petista está com dificuldade de engolir as negociações da cúpula do partido para ter o ex-tucano Geraldo Alckmin como vice na chapa com Lula para a disputa presidencial deste ano.

Até não muito tempo atrás, os dirigentes petistas chamavam os políticos do PSDB de fascistas.

Para engolir Alckmin e todo o resto do pacote eleitoral necessário para vencer resistências à volta do PT ao governo federal com mais facilidade, o que inclui acenos de moderação aos setores empresariais e financeiros, a militância ganha algumas migalhas ideológicas, como a promessa, depois suavizada, de reverter a reforma trabalhista e a manutenção de uma postura ambígua em relação às ditaduras de esquerda da região.

Assim foi durante os dois mandatos de Lula, entre 2003 e 2010. Para aplacar a insatisfação das bases mais radicais do partido com as alianças políticas no Congresso e com a política econômica ortodoxa adotada no início, Lula exacerbava, na política externa, a bajulação a ditadores ou projetos de ditadores de esquerda. A reboque de muitas dessas alianças, procurava-se atender aos interesses comerciais de grandes empresas brasileiras.

Há, também, uma dificuldade atávica das lideranças petistas de admitir que são falíveis, que erraram e continuam errando.

Isso é evidente nos comentários de Lula nos últimos meses a respeito da situação na Nicarágua. O PT saudou a reeleição fraudulenta de Daniel Ortega naquele país como “uma grande manifestação popular e democrática”. Lula pediu, quando questionado em entrevista sobre a prisão de candidatos opositores ao longo da campanha nicaraguense, que Ortega respeitasse a democracia e que não se tornasse um ditador. Depois, porém, em outra entrevista, minimizou o autogolpe de Ortega ao comparar sua longevidade no poder à da ex-chanceler Angela Merkel, sem levar em conta de que em um sistema parlamentar, como é o alemão, o chefe de governo pode ser apeado do cargo a qualquer momento pelo Legislativo.

Guilherme Boulos, do PSOL, partido que nasceu como dissidência do PT, foi um pouco mais contundente na crítica a Ortega recentemente, quando este colunista o questionou sobre o assunto durante entrevista em vídeo para a Veja. Boulos justificou o apoio histórico do PSOL a Ortega com o desgastado argumento da “diversidade interna” do partido e comparou a prisão dos seus opositores à de Lula antes das eleições de 2018, mas reconheceu que o processo de reeleição do nicaraguense não foi democrático.

É claro que isso não é suficiente. Boulos, assim como vem fazendo Lula, vale-se de uma retórica equilibrista, com o intuito de distanciar-se de condutas autoritárias sem, no entanto, escancarar o rompimento com ditadores de esquerda.

Reportagem recente da Folha de S.Paulo afirma que o PT pretende moderar o discurso de apoio a essas ditaduras de esquerda, como as da Nicarágua, de Cuba e da Venezuela, para evitar prejuízos à campanha presidencial de Lula.

Mas essa moderação é impossível. Ou há uma condenação clara a esses regimes, ou tudo não passará de uma maquiagem falsa do real encanto que alguns partidos e políticos brasileiros sentem por certos tiranetes.


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ESTREIA DE FAUSTO SILVA NA TV BANDEIRANTES

 

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  2. Televisão 

‘Faustão na Band’ vai ao ar a partir das 20h30 desta segunda-feira, 17, com missão de elevar a audiência da emissora paulista

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

Como dizem, foi o período de uma vida. Sim, por 33 anos, Fausto Silva entrou na sala dos brasileiros todos os domingos para levar diversão e entretenimento. O tempo passou e o que parecia ser eterno tomou outros rumos. Um ano após deixar a Globo, Faustão inicia nesta segunda uma nova etapa de sua trajetória ao estrear nas noites de segunda a sexta, das 20h30 às 22h30, na tela da Band, aliás, sua antiga casa. 

Grande aposta da emissora paulista, o comunicador decidiu dar sua primeira, e única, entrevista ao filho de seu amigo e ex-jogador Zico, o Júnior Coimbra, que comanda o podcast Rap 77, no YouTube. E foi ali que comentou sua saída da Globo, que se deu de forma um tanto apressada. “Fui muito feliz lá, trabalhei durante 33 anos com gente como o Boni, foi o melhor presente que a vida me deu. Daniel Filho, Carlos Manga, Paulo Ubiratan, gente que fez a televisão brasileira”, contou Fausto. E deixou claro que entendia perfeitamente o posicionamento da emissora com relação à sua saída. “A partir do momento em que eu me antecipei, que ia voltar para a Band, é claro que eles não iam me deixar na vitrine, não teve problema nenhum. É página virada.”

Faustão na Band
​O apresentador Fausto Silva fez sua estreia na Band em 1º de janeiro de 2022 Foto: Reprodução de ‘Viradão do Faustão’ (2022)/Band

Palco Novo

Neste retorno à Band, Fausto terá ao seu lado, dividindo a apresentação, seu filho João Guilherme Silva e a jornalista Anne Lottermann. A ideia, segundo o diretor Cris Gomes, em material divulgado para a imprensa, é que “os dois atuem como apoio, dando opinião, informações, trazendo conteúdos e atrações”, afirma o profissional, que trabalha com Faustão há 20 anos. Para ele, esse será um momento de “encontro de gerações”. Ainda no palco, estarão a postos 30 bailarinas, uma marca que o apresentador irá manter, e, na plateia, mais de 400 pessoas, além de contar com uma equipe de 300 profissionais. Os programas são gravados no estúdio João Jorge Saad, uma homenagem ao fundador do Grupo Bandeirantes. 

Moderno, o espaço conta com realidade aumentada, telão de cinco metros de altura, chão de LED, além de ter a mesma tecnologia usada em grandes eventos internacionais, como no caso do Super Bowl e NBA.

Ao todo, Faustão na Band somará 10 horas de permanência no ar. Para isso, o programa foi pensado para abrigar diversos quadros: as Cassetadas do Faustão, a Pizzaria do Faustão, o Grana ou Fama, o Desbravadores do Planeta, Dança das Feras, Esta é a sua Vida, Na Pista do Sucesso e o Churrascão do Faustão.

O QUE FAZER PARA EVITAR O FECHAMENTO DAS EMPRESAS

 

Em vez de se distanciar dos outros players, a solução pode estar em abraçar a concorrência. Em um cenário de crescimento recorde do valor investido em Venture Capital, um exercício sobre como as startups podem levar as grandes corporações brasileiras a uma transformação jamais vista na história do país.

*Felipe Novaes

No momento em que você lê este artigo, com certeza, alguém em algum lugar do mundo está desenvolvendo uma solução, tecnologia ou serviço que vai acabar com o seu negócio da forma como ele é conhecido hoje, ou abocanhar uma fatia considerável do seu mercado, num futuro breve. Quando você se der conta do que está acontecendo, não vai conseguir agir a tempo de se prevenir, porque, atualmente, concorrentes nascem em silêncio e crescem cada vez mais rápido. Em muitos casos, só deixam de ser subestimados quando recebem o primeiro cheque multimilionário – o que tem acontecido cada vez mais cedo na vida de uma startup.

Hoje, esses tipos de negócio, muitas vezes, nem ocupam espaço físico e já nascem totalmente digitais. Seus modelos se materializam de forma ágil, disruptiva e ganham share via redes sociais. Sem fábricas, terceirizam processos na velocidade da luz, contratam parceiros, escutam o consumidor e ajustam produtos, serviços e seus modelos de negócio em um piscar de olhos – quando piscam. Conseguem vender sem sequer ter estoque. Testam demanda, otimizam logística, produzem rapidamente e se articulam com influenciadores. Nascem aos olhos de poucos e, quando você vê, já pertencem aos corações de muitos.

Passamos da Era da Informação à Era da Substituição. Se as áreas de produto costumam falar em obsolescência programada, pode ser estranho que, com tantos dados disponíveis, algumas empresas não consigam reconhecer a sua própria obsolescência. Mas o que fazer para mudar esse cenário, antes que seu negócio desapareça?

Um dos principais caminhos tem sido dar as mãos para aquela que poderia justamente matar o modelo de negócio da sua empresa: a concorrência. Em boa parte dos casos, startups que descobrem maneiras mais eficientes de fazer as coisas.

Em diversos países, as corporações têm buscado superar as diferenças culturais em relação a startups e se aproximar delas para garantir a sobrevivência. Na intenção de vencer a lentidão da máquina corporativa e certas burocracias das empresas gigantes, criam estruturas apartadas para adquirir startups ou investir em novos negócios – o famoso Corporte Venture Capital. Somente este ano, a Microsoft comprou oito empresas, praticamente uma por mês.

O Softbank, um dos maiores investidores em tecnologia do planeta, tinha destinado US$ 5 bilhões a um fundo dedicado à América Latina em 2017 e anunciou há 3 meses outros US$ 3 bilhões, em um novo fundo. O grupo já investiu em Quinto Andar, Madeira Madeira, VTEX, entre outras. O valor das empresas investidas mais do que dobrou em dólares desde os aportes.

A Aliansce Sonae, um dos principais grupos de shopping centers do país, constituiu um braço independente para mergulhar no universo das startups. A partir dessa estrutura, investe em empresas que vão de logística à conexão das lojas com e-commerce. No Magazine Luiza, as fintechs do portfólio de mais de 20 startups adquiridas vão ter destaque ainda maior nos próximos anos. Você tem acompanhado esses movimentos?

Outra estratégia é quando a própria empresa se aventura a criar uma startup do zero, com uma estrutura em separado, para garantir agilidade aos processos e menos amarras. O chamado Corporate Venture Building.

Nessas situações, geralmente contam com a ajuda de Venture Builders, consultorias especializadas em identificar oportunidades de negócio, contratar empreendedores, técnicos, testar soluções e entregar a startup rodando – em certos casos, assumindo até parte do risco do negócio. Uma estratégia que, por contar com times e gestores acostumados à inovação e ao dia a dia de cada setor, aumenta as taxas de sucesso da startup.

No Corporate Venture Building, as soluções nascem e crescem alinhadas à estratégia da empresa. E costumam ser mais acessíveis que as operações de M&A, quando as startups já criadas apresentam maior robustez e valuation. A Nestlé lançou, por exemplo, o Vem de Bolo, plataforma que conecta confeiteiros que fazem seus bolos em casa ao mercado consumidor.

A Ambev criou, antes mesmo da pandemia, o Zé Delivery, aplicativo de entrega de bebidas, baixado 3 milhões de vezes em 2020, mais do que o dobro do ano anterior. Se tivesse feito uma simples parceria com um aplicativo de entregas, talvez não encontrasse condições de saber dados interessantes sobre onde a concorrência tem vendido mais e seus volumes de vendas. No fim das contas, são grandes marcas que encontraram novas possibilidades e souberam inovar com rapidez.

E você? Está tentando fazer tudo sozinho dentro da sua empresa, ou já tem atuado com startups para ajudar a construir seu futuro como a Startup Valeon?

A Startup Valeon reinventa o seu negócio

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para o seu comércio.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por 86.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por 700.000 pessoas , valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos. Todos esses sites contêm propagandas e divulgações preferenciais para a sua empresa.

Temos a plena certeza que o site da Startup Valeon, por ser inédito, traz vantagens econômicas para a sua empresa e pode contar com a Startup Valeon que tem uma grande penetração no mercado consumidor da região capaz de alavancar as suas vendas.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

domingo, 16 de janeiro de 2022

CENTRÃO PARTICIPA DAS DECISÕES DE GASTOS DA ECONOMIA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Ciro Nogueira, do PP, em sua posse como ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, em agosto de 2021.| Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República

Interlocutores do governo minimizam, afirmam que já estava tudo acertado, que Paulo Guedes aceitou, e que no fim todos – até o próprio ministro da Economia – irão ganhar com isso. Mas não há como negar que a nova divisão de responsabilidades sacramentada em decreto pelo presidente Jair Bolsonaro dá ao Centrão, representado por Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, um poder inédito na administração do Orçamento da União. Uma fonte ouvida pela Gazeta do Povo diz que “o decreto não entrega a chave do cofre da União para o Ciro”, mas outro entrevistado afirma: “Ele [Ciro] fica com a caneta na mão” – e, no fim das contas, é a caneta que abre o cofre.

O Decreto 10.937/22, publicado na quinta-feira, segue uma praxe: todo ano, o presidente da República estabelece as competências da equipe econômica na administração do orçamento. Na versão mais recente, há dez itens, que incluem remanejamento orçamentário, abertura ou reabertura de créditos extraordinários, abertura de créditos especiais e alteração de despesas. A novidade está no parágrafo único do artigo 1.º: “A prática dos atos de que trata o caput está condicionada à manifestação prévia favorável do ministro de Estado chefe da Casa Civil da Presidência da República”. Em outras palavras, nada do que o decreto delega ao Ministério da Economia acontecerá sem o aval de Ciro Nogueira. É algo que jamais foi feito desde a redemocratização.

A ala econômica do governo, empenhada em devolver racionalidade ao gasto público, está em colisão constante com a ala política, que segue acreditando firmemente que os recursos públicos são infinitos

Tudo em nome da famosa “governabilidade”, entendida como o esforço de manter satisfeitos os parlamentares que votarão temas de interesse do governo em 2022. O decreto garante que o Ministério da Economia não terá mais como barrar, por exemplo, a execução de emendas parlamentares, inviabilizando acordos feitos entre o governo e sua base. “É uma decisão para organizar o governo de forma que possamos cumprir o que combinamos”, diz um dos interlocutores do Planalto ouvidos pela Gazeta – ainda que o combinado seja avançar sobre o dinheiro do contribuinte sem a menor consideração pela responsabilidade fiscal ou com a arrumação da economia, como tem ocorrido com as famosas “emendas de relator”.

Afinal, é disso que se trata: a ala econômica do governo, empenhada em devolver racionalidade ao gasto público especialmente depois de ter empenhado centenas de bilhões de reais no combate aos efeitos econômicos da pandemia, está em colisão constante com a ala política, que segue acreditando firmemente que os recursos públicos são infinitos e existem não para servir ao público, mas aos próprios interesses. Nesse embate, a equipe econômica tem sido vencida com enorme frequência, e a saída de inúmeros secretários e assessores importantes de Guedes demonstra a frustração de cabeças talentosas com as decisões tomadas em Brasília, ainda que o ministro siga no cargo, adaptando seu discurso e relativizando cada derrota.


Cada vez mais fica evidente que há duas “agendas liberais” dentro do governo federal, uma que caminha e outra que está travada. De um lado, há esforços de desburocratização, desregulamentação e valorização da iniciativa privada; com exceção das privatizações, que apenas engatinham, estes objetivos vêm sendo cumpridos – aqui se incluem marcos legais como os do saneamento, das ferrovias e do câmbio, a Lei de Liberdade Econômica e as concessões de infraestrutura. Já o ajuste fiscal e a racionalização do gasto público com o enxugamento do Estado se tornaram um sonho cada vez mais distante, à medida que as reformas estruturantes são dadas como impossíveis em 2022, substituídas pela erosão do teto de gastos, pelo aumento das despesas – inclusive com as emendas de relator e imoralidades como o fundão eleitoral – e, agora, pela entrega da execução do orçamento ao Centrão.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/o-centrao-ganha-a-chave-do-cofre/
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PARLAMENTARES PREOCUPAM MAIS EM FALAR COM A REDE DO QUE COM O PRÓPRIO PARLAMENTO

 

Redes sociais
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

Deputados interagem com os próprios celulares durante sessão da Câmara em 2019.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O começo da atual legislatura do Congresso Nacional, marcada pela presença de muitos parlamentares com pouca ou nenhuma experiência na política, teve como uma das características de maior destaque o grande uso das redes sociais por parte dos congressistas, em especial dos novatos. Votações, audiências e até mesmo reuniões reservadas viraram pretexto para a realização de postagens e transmissões ao vivo nas comunidades virtuais de deputados e senadores. Esses novatos chegaram a ser chamados pejorativamente de “caçadores de pokémons” – em referência ao jogo de realidade virtual que fazia sucesso à época. Passados três anos, aquilo que era visto com receio pelos parlamentares mais experientes se consolidou. O uso das redes segue forte, mas houve uma tendência ao “amadurecimento”. E, para 2022, o uso da internet deve aumentar por causa das eleições do segundo semestre.

“Alguns parlamentares refletiram sobre o papel que prestam aqui. Aprenderam com os excessos do começo e hoje cumprem um bom mandato. Teve gente que passou por um bom amadurecimento”, declarou o deputado Daniel Coelho (Cidadania-PE), que cumpre seu segundo mandato na Câmara.

Coelho foi um dos principais críticos do que chamou de “excesso” por parte de outros deputados. Em 2019, o deputado apelidou de “caçadores de pokémons” os colegas que, segundo ele, mais se preocupavam em utilizar as redes do que em cumprir a atividade parlamentar.

“Alguns ainda se preocupam mais em falar com a rede do que com o próprio Parlamento. Colocam-se na terceira pessoa, como se não tivessem nenhuma ligação com o que está sendo feito pelo Congresso. Atuam mais como ‘jornalistas do Congresso’ do que como parlamentares eleitos”, diz Coelho, reforçando parte da crítica apresentada há três anos.

Um evento em particular motivou a crítica de Coelho: a postura de deputados apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) após uma votação na Câmara em 22 de abril de 2019, quando o Legislativo determinou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deixaria a estrutura do Ministério da Justiça. Na ocasião, após a definição do resultado, diversos deputados da base mais ideológica de Bolsonaro acionaram seus celulares para fazerem transmissões ao vivo. Fotos com os deputados próximos entre si, cada um com o celular em punho, figuraram entre as mais divulgadas na semana.

“Os que fizeram piadinha hoje caçam pokémon”, diz deputado novato
O deputado André Janones (Avante-MG) não é da base mais ideológica de Bolsonaro. Mas está em primeiro mandato e é um usuário recorrente das redes sociais. Apesar de ser do “baixo clero” do Congresso, é um dos líderes do Legislativo em engajamento nas redes sociais. A popularidade na internet o motivou a se apresentar como pré-candidato a presidente da República.

Segundo ele, o tempo que se passou entre 2019 e os dias atuais levou os críticos ao uso da internet reverem seus conceitos. “Nada como o tempo, né? O tempo é o senhor da razão. Os que fizeram piadinha hoje ‘caçam pokémon’. Estão tentando ter relevância na internet”, diz.

Janones acredita, contudo, que os parlamentares que não se interessaram pelas redes no passado terão dificuldades para se destacarem, hoje em dia, no ambiente virtual: “São como aquele aluno que não estudou o ano inteiro e quer passar de ano apenas com as notas do último bimestre”.

O deputado qualifica as redes como uma “ferramenta de comunicação direta com o eleitorado”. O parlamentar pondera que a imprensa tradicional não perdeu sua função, mas avalia que “o eleitor não quer mais apenas receber as notícias prontas”.

Para ele, a eleição de 2022 será “a eleição da rede social”. “Não tenho dúvida que o ápice das redes sociais nas eleições será agora. Os últimos anos deixaram bem claro que não dá para fazer política fora das redes.”

Janones ganhou fama em 2018, quando ainda não tinha mandato, ao publicar vídeos em apoio às greves dos caminhoneiros em todo o Brasil naquele ano. Cndidatou-se a deputado por Minas Gerais e obteve 178.660 votos, ficando à frente de veteranos da política do estado, como Aécio Neves (PSDB), Eros Biondini (Pros) e Patrus Ananias (PT).

Direita está na liderança nas redes sociais
A ligação do uso das redes sociais com os apoiadores de Bolsonaro não se resume ao episódio de 2019 ou a eventos do início da gestão do presidente da República. Os parlamentares governistas figuram, em diferentes levantamentos, entre os congressistas mais influentes nas redes.

Pesquisa do Instituto FSB publicada em agosto de 2021, que avaliou a força dos congressistas ao longo do primeiro semestre do ano passado, identificou que os parlamentares da base de Bolsonaro ocupam os seis primeiros lugares na lista dos mais influentes. Considerando o “top 20” da relação, apenas oito parlamentares não são identificados com o governo.

Um dos parlamentares da base mais ideológica de Bolsonaro apontados entre os mais influentes nas redes sociais – o quinto do país, segundo o Instituto FSB –, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) avalia que a força da direita nas redes se explica por um descompasso entre as preferências da população e a ideologia da maior parte dos jornalistas.

“A grande mídia tende a ser de esquerda, algo que parcela considerável da população não é. As redes sociais permitiram, simplesmente, que as pessoas pudessem falar suas opiniões, ou compartilhar opiniões com as quais concordam. Então todos, na prática, se tornaram pequenos jornalistas”, diz ele.

Barros, assim como Janones, também viu uma mudança no perfil dos congressistas na comparação entre 2019 e os dias atuais. “As redes sociais se tornaram tão essenciais e imprescindíveis que parte dos que nos criticaram lá no passado hoje pedem ajuda para fazerem sucesso na rede.”

Ele vê, no entanto, que a liderança de momento da direita não é garantia que o segmento terá vida tranquila nas redes à época das eleições. “O quadro que teremos em 2022 será bem distinto do visto em 2018. Porque naquela época nós estávamos fora do mandato; hoje, nós estamos no mandato. Uma parcela do nosso eleitorado não vai querer saber apenas da batalha ideológica, e sim ver o que fazemos e o que enfrentamos dentro do Congresso”, diz Barros.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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