domingo, 16 de janeiro de 2022

GOVERNO VAI GASTAR 60 BILHÕES EM RODOVIAS

 

Infraestrutura

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo

Governo pretende realizar ao menos três leilões de rodovias em 2022.| Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Depois de garantir R$ 24,5 bilhões em investimentos privados com a concessão de rodovias em 2021, o governo pretende finalizar 2022 com ao menos mais R$ 60 bilhões contratados para estradas. Os processos licitatórios darão continuidade ao programa de entregas de trechos rodoviários que ficaram suspensos por mais de um ano em razão da pandemia do novo coronavírus.

Em 2021, com a retomada, foram realizados três certames, entre eles aquele que foi considerado o maior leilão rodoviário da história: a nova concessão da Via Dutra, que incluiu, além da ligação pela BR-116 entre São Paulo e Rio de Janeiro, a rodovia Rio-Santos (BR-101).

A disputa foi vencida pela CCR, que fez uma oferta de desconto máximo de 15,31% na tarifa de pedágio e uma outorga de R$ 1,77 bilhão. Ao todo, a concessionária ficará responsável, pelos próximos 30 anos, por 625,8 km de rodovias, nos quais investirá R$ 14,8 bilhões em obras e melhorias.

Também foram concedidos, no ano passado, 850,7 km de trechos das BRs-153, 080 e 414 que ligam a cidade de Anápolis (GO) e Aliança do Tocantins (TO). O projeto, que foi conquistado pelo consórcio ECO153, tem investimentos estimados em R$ 7,8 bilhões.

Outro leilão rodoviário foi o das BRs-163 e 230, no trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), que totaliza 1.009 km de extensão. O certame, realizado em julho, foi vencido pelo Consórcio Via Brasil BR-163, que investirá um total de R$ 1,9 bilhão nos próximos 30 anos.


Para 2022, estão previstos os seguintes leilões de rodovias:

Rodovias integradas do Paraná

O projeto de maior relevância é a concessão de seis lotes de rodovias federais e estaduais do Paraná, que totalizam 3.328 km de extensão e têm investimentos previstos da ordem de R$ 44 bilhões durante o período de 30 anos. Alguns dos trechos tiveram seus contratos de concessão encerrados em 2021, enquanto outros serão entregues à iniciativa privada pela primeira vez.

Os lotes estão divididos da seguinte maneira:

Trechos das rodovias BR-277, BR-373, BR-376, BR-476, PR-418, PR-423 e PR-427, totalizando 473 km de extensão
Trechos das rodovias BR-153, BR- 277, BR-369, BR-373, PR-092, PR-151, PR-239, PR-407, PR-508 e PR-855, totalizando 576 km de extensão
Trechos das rodovias BR-369, BR-376, PR-090, PR-170, PR-323 e PR-445, totalizando 562 km de extensão
Trechos das rodovias BR-272, BR-369, BR-376, PR-182, PR-272, PR-317, PR-323, PR-444, PR-862, PR-897 e PR-986, totalizando 628 km de extensão
Trechos das rodovias BR-158, BR-163, BR-369, BR-467 e PR-317, totalizando 430 km de extensão
Trechos das rodovias BR-163, BR-277, PR-158, PR-180, PR-182, PR-280 e PR-483, totalizando 659 km de extensão
O projeto prevê investimentos na duplicação de 1.782 km de rodovias, implantação de 486 km de faixas adicionais, 211 km de vias marginais e 185 km de acostamentos. Também está no projeto construção de 126 km de contornos, correção de traçado em 54 km de rodovia e criação de três áreas de escape. Serão construídas ainda mais de 439 interseções e passagens inferiores, 185 retornos e rotatórias, 195 passarelas, 357 obras de arte especiais e 73 km de ciclovias.

A licitação, prevista para o primeiro trimestre de 2022, envolverá todos os lotes, e prevê redução significativa no valor dos pedágios praticados na última concessão. Há previsão de desconto de 5% para quem utilizar o serviço de “tag” e redução progressiva para quem utiliza o mesmo trecho diariamente, o chamado Desconto de Usuário Frequente (DUF).

Rio-Governador Valadares
Ainda para o primeiro trimestre de 2022 está previsto o leilão de concessão das BRs-116 e 493 no trecho que liga a cidade do Rio de Janeiro a Governador Valadares (MG). O trecho corresponde ao anteriormente concedido para a CRT (Concessionária Rio-Teresópolis), com um escopo aumentado para 727 km, e um total de R$ 9,22 bilhões em investimentos previstos, segundo o Ministério da Infraestrutura.

Os novos investimentos contemplam a duplicação de 309 km de rodovias e 245 km de faixas adicionais, construção de 65 passarelas para pedestres, 61 km de vias marginais e construção de duas áreas para descanso dos caminhoneiros.

Leilão das BRs-381 e 262 ficou para 2022
Previsto inicialmente para 25 de novembro de 2021 e depois adiado para 20 de dezembro, o leilão de trecho de 670 km das BRs-381 e 262 entre Belo Horizonte (MG) e Viana (ES) ficou para 2022. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o adiamento da disputa, anunciado no início de dezembro, ocorreu em razão da necessidade de ajustes no edital.

A licitação, que será feita por modelo híbrido, deve atrair outros R$ 7,37 bilhões em capital privado. Vence o proponente que apresentar o menor valor de pedágio, com deságio máximo de 15,57%, e, como critério de desempate, a maior outorga.

Os investimentos devem solucionar pontos críticos da rodovia, que é considerada uma das mais perigosas do país. A concessão abrange mais de 670 km de pistas, e prevê a duplicação de 402 km e outros 360 km de faixas adicionais e vias marginais, além de centenas de retornos, correções de traçado e passarelas.


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BRAIL DESENVOLVE TECNOLOGIA DE MÍSSEIS HIPERSÔNICOS IGUAIS AOS DA COREIA DO NORTE

 

Corrida armamentista

Por
Luis Kawaguti – Gazeta do Povo

Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte, participou do teste de um míssil hipersônico em 11 de janeiro. O Brasil tem testado uma tecnologia semelhante| Foto: EFE/EPA/KCNA

No início deste mês, a Coreia do Norte fez dois testes de mísseis hipersônicos que deixaram a comunidade internacional em alerta e geraram novas sanções dos Estados Unidos ao país. No Brasil, um teste em menor escala, mas envolvendo tecnologia semelhante, passou despercebido para a maioria da população.

As armas hipersônicas são um dos principais focos da atual corrida armamentista mundial, que envolve potências como EUA, China e Rússia. Elas são mísseis que voam em velocidades de pelo menos 6 mil km/h, o que equivale a cinco vezes a velocidade do som.

Esse tipo de armamento é difícil de se detectar e quase impossível de se abater com defesas aéreas. Além disso, pode carregar tanto explosivos comuns, quanto ogivas nucleares.

Há dois tipos deles: mísseis e “planadores”. Estes têm chamado mais atenção dos analistas militares. Mas, ao pensar em planadores, esqueça os aviões de lazer de asas compridas que voam lentamente.  Estamos falando de voo hipersônico, em velocidades que deixariam para trás o avião comercial Concorde (já fora de operação) ou os modernos aviões de caça.

Ou seja, o planador hipersônico é um pequeno avião não tripulado que é lançado na ponta de um foguete. Quando chega à estratosfera, a aeronave se separa do foguete e ativa seu motor supersônico, chamado scramjet e segue em velocidades ainda mais altas.

O planador então começa a descer e adota uma trajetória mais próxima da superfície terrestre, onde pode manobrar até atingir seu alvo.

Mas porque ele é melhor que os outros mísseis?

Os mísseis balísticos transcontinentais (chamados no jargão militar de ICBMs) fazem uma trajetória de parábola. Eles sobem até o espaço e depois reentram na atmosfera com velocidades superiores a Mach 25, ou 30 mil km/h, até atingirem seu alvo.

São mais rápidos que os mísseis hipersônicos. Porém, uma vez lançados, sua trajetória pode ser mais facilmente detectada e prevista. Assim, defesas antiaéreas podem ser acionadas.

Já os mísseis hipersônicos podem manobrar para evitar radares por mais tempo, o que torna as defesas com a tecnologia atual pouco efetivas.


Corrida por armas hipersônicas se espalha pelo planeta

Foi esse tipo de planador hipersônico que a Coreia do Norte testou duas vezes neste mês. Um dos testes teve até a presença do líder Kim Jong-un, que não comparecia a esse tipo de evento militar há mais de um ano.

A agência de notícias norte-coreana KCNA afirmou que o planador hipersônico lançado no dia 11 de janeiro voou por 600 quilômetros. Depois, mudou de direção e percorreu mais 240 quilômetros, fazendo manobras ao estilo “saca-rolhas” até atingir um alvo pré-determinado no mar.

Foi o terceiro teste do tipo e aparentemente o mais bem sucedido feito pela Coreia do Norte. O primeiro ocorreu em setembro de 2021.

Mas, quem lidera a corrida por armas hipersônicas é a Rússia. Em 2018, Moscou lançou o míssil Kinzhal e no ano seguinte incorporou ao seu arsenal o planador Avangard, que é lançado conectado a um míssil ICBM convencional.

A China testou seu planador hipersônico em agosto do ano passado, um mês antes dos norte-coreanos. Ele chegou a completar uma órbita completa da Terra, depois reentrou na atmosfera e quase atingiu um alvo programado na China.

Os americanos se assustaram com o teste, que passou a ser chamado de “momento Sputnik”, em referência ao evento de 1957, quando os russos se tornaram os primeiros a lançar um satélite em órbita do planeta.

Os Estados Unidos já fizeram testes de voo de seu planador hipersônico em meados de 2011, mas estariam atrás da China e da Rússia nessa corrida tecnológica, segundo analistas. Washington afirmou que apresentaria seu armamento funcional neste ano de 2022.

A tecnologia hipersônica pode mudar a dinâmica de vários aspectos da guerra. Um deles é, por exemplo, a guerra naval. Uma vez localizado pelo inimigo, um porta-aviões dificilmente conseguiria se defender de um ataque de um míssil hipersônico, atômico ou não. Raciocínio semelhante vale para alvos estratégicos em terra, como bases militares, instalações nucleares e estruturas de comando e controle.

Entretanto, no caso de guerra nuclear de grande escala, o assunto é mais controverso. Um míssil hipersônico poderia se evadir de barreiras antimísseis e detonar em praticamente qualquer lugar do planeta, por mais defendido que seja.

Mas, teoricamente, potências como Estados Unidos e Rússia possuem grande quantidade de ogivas nucleares instaladas em mísseis ICBM. Elas são mais do que suficientes para sobrecarregar qualquer sistema de defesa aérea. Isso tornaria a tecnologia hipersônica menos relevante.

Na prática, há uma nova corrida armamentista. Rússia, China, EUA e Coreia do Norte claramente estão mais avançados. Mas a tecnologia hipersônica também vem sendo desenvolvida por Índia, Japão, Austrália, França, Alemanha e Brasil. Eles estão em diferentes estágios de evolução da pesquisa.

Como é o projeto hipersônico brasileiro?

O planador hipersônico brasileiro terá cerca de quatro metros de comprimento e se chama 14-X, em homenagem a Santos Dumont, o pai da aviação. O Projeto PropHyper vem sendo desenvolvido pela Força Aérea e pela empresa Orbital Engenharia.

É considerado um projeto estratégico, mas está em uma fase de desenvolvimento bem anterior aos das potências como China e Rússia, além da Coreia do Norte.

Seu primeiro ensaio de voo ocorreu há um mês, em 14 de dezembro, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O objetivo do teste era testar a combustão supersônica, ou seja, “dar a partida” em um motor tipo scramjet.

Esse motor foi acoplado como carga em um foguete chamado de Veículo de Aceleração Hipersônico, desenvolvido no Brasil. Isso é necessário pois o motor só pode ser ligado quando a aeronave já está viajando em uma velocidade cerca de cinco vezes mais rápida que o som.

Diferente de um motor a jato comum, o scramjet não tem um sistema de ignição ou compressores e turbinas. A queima da mistura de ar e combustível ocorre no combustor com o atrito causado pela passagem de ar em alta velocidade.

Segundo a FAB, o teste ocorreu assim: durante a subida do foguete em velocidade de 7.500 km/h até a estratosfera, foi injetado hidrogênio no combustor supersônico do motor do 14-X e ele foi ligado.

A aeronave atingiu uma altura de 30 quilômetros e caiu no mar a 200 quilômetros do local de lançamento. O sucesso do teste foi comprovado por filmagens e dados de telemetria, segundo a Força Aérea.

O planador hipersônico brasileiro ainda vai passar por ao menos mais três fases de testes. No próximo passo, o 14-X vai ser acionado na atmosfera para testar a propulsão hipersônica aspirada.

Essa é uma das partes mais desafiadoras do desenvolvimento da tecnologia. Mísseis balísticos e espaçonaves passam a maior parte do voo fora da atmosfera, onde não há atrito com o ar. Isso significa menos pressão e aquecimento.

Mas, em um voo que ocorre em sua maior parte na atmosfera, como no caso dos mísseis e aviões hipersônicos, fica tudo muito mais complicado.

Para se ter ideia, a velocidade é tão alta que modifica as moléculas de ar em volta da aeronave. Elas são quebradas e ganham uma carga, em um processo chamado ionização. A temperatura pode passar de 2 mil graus em poucos minutos. Por isso é preciso desenvolver materiais resistentes e a aeronave deve ter uma aerodinâmica muito específica.

Em uma fase seguinte, o 14-X vai fazer um voo hipersônico planado, para que seja testado o sistema de manobras em voo. Já na fase final de testes, o planador hipersônico será colocado à prova em um voo completo, desde o lançamento até as manobras em voo planado.

O projeto começou em 2006, mas a FAB não respondeu quando essa fase final deve acontecer nem o custo total do projeto. Trata-se de sigilo militar. A instituição tampouco detalhou em quais cenários o 14-X será usado quando estiver pronto.

Informou apenas que o objetivo é dominar a tecnologia de propulsão hipersônica e possibilitar que o Brasil entre em novos projetos espaciais.

Em teoria, esse conhecimento pode fundamentar, no futuro, a construção de drones e aviões civis ou militares muito mais rápidos que os atuais. Mas, no cenário internacional de hoje, a aplicação principal é mesmo a construção de mísseis hipersônicos.

Financiamento estatal

Possuir mísseis hipersônicos ou mísseis de cruzeiro de longo alcance são formas de tentar dissuadir outras nações de usarem a força para impor suas vontades ao Brasil. Essa é a lógica de toda corrida armamentista e também a estratégia de defesa do país.

Analistas militares dizem acreditar que os projetos hipersônicos que estão mais avançados entre as potências mundiais receberam financiamento estatal em larga escala. Nesse modelo, as empresas privadas ou estatais da base industrial de defesa têm como seu principal cliente o governo do país. Ou seja, sua produção depende do orçamento nacional de defesa.

No Brasil, há investimento estatal, porém não o suficiente para garantir a sobrevivência das empresas estratégicas de defesa. Assim, elas acabam recorrendo a financiamentos de instituições bancárias privadas.

“Por isso, essas empresas acabam dependendo muito de exportação, que é um mercado muito incerto”, afirmou o pesquisador Eduardo Brick, do Núcleo de Estudos de Defesa, Inovação, Capacitação e Competitividade Industrial da Universidade Federal Fluminense (UFFDEFESA). Isso retarda os avanços tecnológicos em comparação com outros países que usam modelo diferente.

Uma fonte do Planalto envolvida com a questão de Defesa do Brasil explicou que o governo gostaria de investir mais nas empresas estratégicas de defesa, mas restrições orçamentárias não permitem.

Na Coreia do Norte, os avanços tecnológicos na área de defesa acontecem em paralelo a um cenário de escassez de alimentos, vestuário e habitação para a população. Kim Jong-un disse que em 2022 esses problemas sociais serão prioridade.

O Brasil, nos últimos anos, decidiu dar prioridade à ajuda econômica para a população durante a pandemia, segundo a fonte governista. Independente disso, as exportações de produtos de defesa bateram recorde nacional no ano passado, chegando ao patamar de US$ 1,65 bilhão (R$ 9,4 bilhões).


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JOGOS PELO CELULAR A MAIOR INDÚSTRIA DE ENTRETENIMENTO DO MUNDO

 

Expansão dos jogos complexos

Por
Daniel Coelho – Gazeta do Povo

A expansão dos jogos complexos para o celular também está puxando a inovação em hardware.| Foto: Unsplash, Screen Post/Reprodução

Quando Steve Jobs lançava a App Store, lá em julho de 2008, talvez ele não imaginasse que os jogos para celular se tornariam tão relevantes na vida das pessoas. Ou talvez sim, visto que no final daquele ano, dois jogos já figuravam entre os mais baixados pelas pessoas: Tap Tap Revenge e Labyrinth Lite Edition.

No ano passado, os jogos para celular já dominavam quase 22% dos apps disponíveis na loja da maçã. Já na Google Play Store, 13% de todos os apps disponíveis são jogos. Isso garante aos games a primeira posição entre todas as categorias em ambas as lojinhas.

Claro que a maioria dos jogos são recreativos, apenas para passar o tempo em uma fila de espera ou em uma noite de insônia. Mas a presença da indústria high-end, ou seja, de jogos de desenvolvimento complexos e competitivos está crescendo vertiginosamente nos smartphones.

Prova disso é a recente aquisição de US$ 12 bilhões que movimentou o mercado. A Zynga, uma das maiores desenvolvedoras de jogos casuais do planeta, dona de títulos como Farmville e Words With Friends, foi comprada pela Take-Two Interactive, responsável por jogos como GTA, NBA2K, Mafia e Bioshock. E o CEO da Take-Two, Strauss Zelnick foi claro em afirmar que o negócio tem como principal objetivo passar a entregar nos dispositivos mobile franquias de sucesso dos consoles e PCs.

A expansão dos jogos complexos para o celular também está puxando a inovação em hardware. A Taiwanesa Asus, por exemplo tem uma linha de aparelhos especialmente desenvolvida para quem joga. O mesmo acontece nas chinesas Xiaomi e Lenovo.

Em relatório publicado pela Business Wire, empresa integrante da Berkshire Hathaway do mago dos investimentos Warren Buffet, estima que a indústria de jogos mobile alcançará um valor de mercado de US$ 272 bilhões em 2030, sendo que o principal propulsor desse crescimento será a adoção das conexões 5G por todo o mundo.

Games já é a maior indústria de entretenimento do mundo, maior que música e cinema combinados. E, em 2030, somente a divisão de jogos para celular será maior que o PIB atual de países como Portugal, Nova Zelândia e Grécia.


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ECONOMIAS DE VÁRIOS PAÍSES E O BRASIL VÃO MAL

  1. Política 

Se as economias dos EUA, da Europa e do Japão estão mal, por que o Brasil deveria estar bem?

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

De duas uma: ou o Brasil já pode chamar o padre para receber a extrema-unção, pois o doente vai morrer daqui a cinco minutos, ou então existe alguma coisa muito errada nos boletins médicos sobre a saúde do paciente que estão sendo divulgados para o público. A inflação ficou acima dos 10% em 2021. O desemprego até que está caindo, mas ainda há mais de 13 milhões de desempregados na rua. A renda desabou. A pobreza aumentou. A economia não cresce nada. Não existe mais orçamento federal. O presidente é ruim. O ministro da Fazenda é ruim. Os outros ministros são ruins. Porque, então, o paciente não morre logo de uma vez?

Uma das hipóteses é o mau funcionamento de algo que se poderia chamar de Sistema Nacional de Informação Econômica; é por aí que a população, ou quem se interessa por questões da vida pública, recebe notícias sobre a economia do País. Esse mecanismo, sabidamente, está com as válvulas desalinhadas. É natural. Os jornalistas, quando precisam dizer alguma coisa a respeito, procuram os economistas – que sabem tão pouco sobre o que está acontecendo quanto os próprios jornalistas, mas que, como eles, têm certezas absolutas sobre economia ou qualquer outro assunto. As perguntas que fazem e as respostas que dão, como resultado de sua fé, contentam os desejos de uns e outros – e, se isso não combinar com a realidade, pior para a realidade, e pior para o público pagante.

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No Brasil, inflação ficou acima dos 10% em 2021; economia dos EUA, da Europa e do Japão também estão mal. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A indignação escandalizada diante da inflação, como se vê agora, é um caso claro de diagnóstico que não combina com a doença. É como se o Brasil estivesse fora do sistema solar. A inflação nos Estados Unidos foi de 7% em 2021, o pior resultado em 40 anos. Se a inflação americana foi de 7%, quanto os economistas acham que deveria ser a do Brasil? A inflação nos países ricos em geral, medida no conjunto da OCDE, ficou um pouco abaixo dos 6%. Dá para comparar, em termos de tamanho, organização e qualidade, as economias dos Estados Unidos, Europa e Japão com a economia brasileira, coitada? Se eles estão mal, após dois anos seguidos de destruição econômica por conta da covid e dos seus “fique em casa”, por que raios o Brasil deveria estar bem? 

Não é só a inflação. As contas públicas de 2021, que, por decisão do “sistema”, deveriam ter um déficit de “R$ 250 bilhões”, tiveram um saldo entre R$ 20 bi e R$ 40 bi. O Brasil teve no ano passado gastos no mesmo nível de antes da pandemia; ninguém conseguiu nada assim. O País está com problemas? Sim. Mas achar que só o governo tem alguma coisa a ver com isso é apenas uma ilusão perdida.

 

AMÉLIA SE ENTREGA ÀS PAIXÕES DA VIDA

 


  1. Cultura
     

No limite da morte, teria esbarrado na vida. O prazer, afinal, pode renovar a esperança

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Amélia era uma mulher exemplar. Havia cuidado da mãe e do pai por muitos anos e de forma generosa. Virou modelo para gente que queria falar da importância de amparo a pais idosos. Acabou nunca se casando. Voz leve, sempre sorrindo, cozinheira maravilhosa: tocava uma vida regrada, sem luxos. Em todo aniversário, trazia um pequeno presente de sua lavra: das bem-cuidadas embalagens surgiam brevidades inesquecíveis ou sua apreciadíssima geleia de laranja. O pudim da Amélia era saudado com palmas ao chegar à mesa. Educada, louvada pela família, adepta do terço diário, era sempre adequada. Uma sobrinha mais crítica era uma voz que destoava do coro: afirmava que faltava na tia Amélia um pouco de vida, um toque de humanidade, uma rebeldia talvez. A jovem era silenciada por todos os mais velhos: “Quem dera que o mundo tivesse mais Amélias”. Maria Clara era dura, ainda que gostasse da parente, ressentia-se da excessiva cordialidade. “Perfeita demais, asséptica como uma UTI”, dizia entredentes. 

A prestativa Amélia não se ofendeu ao saber do comentário. Era cordata, equilibrada e previsível… Era uma mulher confiável para o condomínio, para a família e para a igreja. Era, em si, um templo de mármore funcional e – Maria Clara tinha alguma razão – um pouco fria.

A vida é dinâmica e cheia de surpresas. Atendendo ao convite da irmã que possuía casa no litoral, Amélia aceitou passar o feriado de ano-novo 2021/2022. Ao chegar, fez o que sempre se esperava dela: frases gentis, um bolo maravilhoso à tarde e o famoso chazinho da tia Amélia, quando a noite se aproximava. “Ah, se houvesse mais Amélias”…, bradou, novamente, o coro familiar. 

Na tarde seguinte, primeiro dia do ano, todos ainda se recuperavam da festa. Nossa personagem nunca bebia e tinha acordado na hora de sempre. De maiô, decidira fazer algo quase esquecido no escaninho da memória: nadar. A praia era tranquila, a água estava quente, pareceu uma quase aventura na sempre previsível vida que ela levava. Entrou feliz na água e nadou com uma felicidade pouco usual. Chegou a soltar gritinhos de satisfação. Fazia anos que não se entregava à água ou a qualquer outra coisa. Foi se afastando da areia como uma sereia recém-convertida ao reino aquático. Era, exatamente, o que Freud chamava de sentimento oceânico…

Amélia ousou em demasia. Fazia tantos anos, tantos. Sim, e o tempo, sempre ele, tem seus pedágios. As pernas fraquejaram. A escassez de prática cobrava seu preço. A ousadia, tão rara, parecia que começava a desafiar a existência. Amélia perdeu forças. Sua vida toda prudente perigava por uma única decisão destemida. Tentava se acalmar, mas o ar lhe faltava. O pânico crescia. Chegou o desespero e, religiosa, começou a gritar por Deus e por auxílio.

O resgate veio, inesperado como um raio em dia de céu azul. O helicóptero dos bombeiros fazia uma ronda de ano-novo. Era um dia de muitos afogados pelo excesso de bebidas. Vendo o desespero visível da senhora no mar, o aparelho chegou mais perto e um bombeiro saltou com uma boia.

O salvador era um rapaz moreno e forte. Foi fácil agarrar Amélia franzina. Ela, apesar do susto, já percebeu que tinha recebido um sursis do céu para um tempo a mais no mundo. Entregou-se ao prolongado abraço do seu bombeiro e aninhou-se entre seus braços. Ele estava quente e era jovem. Com pés de pato e habilidade, o jovem avançou abraçado a Amélia.

Foto de helicóptero da polícia sobre a praia das Pitangueiras no feriado do carnaval em 4 de março de 2000
Foto de helicóptero da polícia sobre a praia das Pitangueiras no feriado do carnaval em 4 de março de 2000 Foto: Paulo Pinto/Estadão

Dizem que a falta de oxigênio pode produzir um aumento do estímulo sexual. Talvez o alívio contivesse chave na entrega por agonia. Amélia foi invadida de um prazer que nunca havia sentido. Começou a arfar e se agitava um pouco. O rapaz forte dizia: “Calma, senhora, está tudo bem agora”. Sim, ela sabia que tudo estava bem, muito bem, como nunca antes estivera. Sentia-se feliz, estava segura e um pouco envergonhada. Amélia tinha experimentado um prazer inédito, profundo e transformador. Faltando alguns metros para chegar ao solo seguro, ela foi invadida por um tremor profundo, generalizado e um som de satisfação intenso. Amélia, enfim, tinha se entregado à vida.

O barulho do helicóptero, o vozerio e os alertas dados à família inundaram a praia de curiosos, amigos e parentes. Vendo que Amélia chegava sorridente nos braços do bombeiro, todos aplaudiram. “Que alívio!” “Que susto!” “Aleluia!” gritavam os parentes frequentadores de uma comunidade pentecostal. 

A tia sobrevivente tomou um longo banho e foi recebida com nova salva de palmas na sala. A pacata senhora havia galvanizado a casa com sua aventura. Somente a sobrinha crítica, aguda, percebeu que o olhar de Amélia mudara. Ela estava diferente. Amélia parecia mais humana. A tia piscou para a sobrinha com certa cumplicidade. Agradeceu a preocupação. Disse que, no dia seguinte, faria uns doces para o jovem bombeiro que a resgatara. Deu uma nova e discretíssima piscada para Maria Clara. No limite da morte, a boa Amélia parecia ter esbarrado na vida. O prazer, afinal, pode renovar a esperança.

A JORNADA DE COMPRA DE UM CLIENTE TEM QUE PARECER UMA ORQUESTRA

 

Tiago Sanches

Entenda o conceito de atendimento omnichannel, qual a sua importância e como aplicá-lo junto ao consumidor

Elaborado para ser uma estratégia de marketing, vendas e atendimento ao cliente (SAC), o omnichannel busca oferecer uma experiência única e interligada. Isso por meio de um diálogo detalhado e alinhado aos meios de comunicação da empresa. Ou seja, propõe uma orquestra de sistemas, na qual todos trabalham cooperando entre si.

O que significa o atendimento omnichannel?

Em primeira instância, é essencial entender a tradução da palavra. O termo significa “todos os canais”. Seu prefixo “omni” vem do latim e quer dizer “todo/tudo”. Já “channel” tem origem inglesa e é descrito como “canal”.

Também reconhecido como uma tática para alavancar os lucros das corporações, o objetivo é sincronizar os locais de interação com o usuário. Inclusive, tem como propósito fortalecer a relação entre as partes e, para isso, esse método busca oferecer uma vivência consistente em todos eles.

Você também precisa conhecer o consumidor omnichannel

Atualmente, com a abrangência dos smartphones, o poder de compra aumentou. Entretanto, a decisão de realmente efetuar a operação, também. Segundo estudo da entidade inglesa Tecmar, as pessoas olham em média 200 vezes por dia para a tela, seja para interagir ou mesmo encontrar alguma informação de maneira ágil.

Ademais, é inerente ao cotidiano. Para se ter uma ideia, o Brasil está na segunda posição global dentre os países com mais tempo gasto na Internet, conforme dados da Hootsuite e WeAreSocial. Em média, são dez horas por dia conectados, seja para trabalho ou lazer. Desse intervalo, 5 horas e 17 minutos acontecem pelo celular.

Consoante a Tiago Sanches, gerente comercial da Total IP, “tal desenvolvimento impacta diretamente no comportamento de consumir alguma coisa e em suas expectativas em relação às marcas.” Afinal, o público consegue consultar referências sobre qualquer serviço ou produto, aliado à facilidade da web. No alcance de alguns cliques, você pode, por exemplo, avaliar a qualidade, seja em mensagem ou vídeo. Além de ver as opiniões de outros utilizadores.

De acordo com o levantamento Making the Digital Connection, publicado pela Capgemini Consulting, 75% dos entrevistados procuram pelas mercadorias antes de irem até uma loja física. Nesse momento, entra o atendimento omnichannel, unificando o discurso e proporcionando uma assistência eficiente, afinado como os sons de uma orquestra. 

Como funciona o atendimento omnichannel?

Essa modernidade visa otimizar o contato do cliente com o empreendimento, propondo uma sincronia em todas as vias de comunicabilidade. Ou seja, é crucial uma sintonia nesse tratamento, o internauta não deve perceber diferença de manifestação ou conduta. Inclusive, é recomendado um tom neutro e amigável, para dar credibilidade.

Na prática, Sanches pontuou a seguinte situação: o indivíduo escolhe o site da organização para se informar sobre algo desejado, lá ele faz diversas pesquisas. Caso a página seja responsiva, com boa navegabilidade, design atraente e não demore para carregar, ele permanece ativo e considera o consumo.

No entanto, se decidir tirar dúvidas sobre características por intermédio de um chat encontrado na própria plataforma, vai considerar o tempo de retorno, a maneira como foi o procedimento e um feedback coerente. Dessa forma, a compra fica ainda mais próxima. Nessa jornada, ele escolhe o objetivo e se endereça à guia de pagamento, lá ele encontra sua maneira preferida e um checkout transparente. Ou seja, seu trajeto foi bom do início ao fim, por isso, ele a concretizou.

Contudo, ele pode retirar na loja física. Na data marcada, se desloca e é recebido com agilidade e gentileza, rapidamente toma em mãos seu pedido. Ao retornar para casa, surge uma dúvida de como utilizar a ferramenta e ele opta por uma mensagem no WhatsApp, sua pergunta é respondida com velocidade e eficácia. 

Em todo o processo, ele foi bem atendido e sua expectativa foi cumprida, independentemente de onde procurou a instituição. “A experiência foi assertiva, tanto digital quanto presencial. Portanto, ele viveu um atendimento omnichannel. A melodia foi perfeita”, finaliza o gerente comercial. Com a Valeon, é possível ter acesso a diversas soluções integradas, de modo a facilitar o suporte de companhias de todos os setores e tamanhos.

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Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

Insistimos que os internautas acessem ao nosso site (https://valedoacoonline.com.br/) para que as mensagens nele vinculadas alcancem um maior número de visitantes para compartilharem algum conteúdo que achar conveniente e interessante para os seus familiares e amigos.

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sábado, 15 de janeiro de 2022

LEI ROUANET SERÁ DEMOCRATIZADA

 

Cultura
Por
Leonardo Desideri
Brasília

Os atores José de Abreu e Wagner Moura são críticos das mudanças propostas para a Lei Rouanet.| Foto: Reprodução/Twitter e YouTube

Houve um tempo em que a ideia de democratizar o uso do dinheiro público era, ao menos em teoria, apoiada pela esquerda, que zelava por sua imagem de aliada dos setores marginalizados da sociedade. No mundo das artes no Brasil, isso parece fazer parte do passado. Nos últimos meses, o anúncio de diversas mudanças para democratizar o acesso à Lei Rouanet gerou consternação em alguns artistas, que atacaram publicamente as propostas, alegando que o governo federal pratica censura e age com autoritarismo.

As críticas, direcionadas particularmente à Secretaria da Cultura, chegaram a ser levadas por movimentos de esquerda, em dezembro, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que integra a Organização dos Estados Americanos (OEA), em uma audiência da qual participaram o ator Wagner Moura, a cantora Daniela Mercury e o músico Caetano Veloso. As celebridades e outros ativistas de esquerda tentaram comunicar a ideia de que artistas no Brasil estariam sendo vítimas de perseguição e censura, mas a exibição não pareceu impressionar as autoridades da OEA presentes na videoconferência, que pode ser vista no YouTube.

O secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciuncula, que também estava na live, sugere um motivo para a reação quase desinteressada das autoridades da OEA: “O sujeito está ali, normalmente, investigando assassinatos de manifestantes em Cuba, prisões arbitrárias na Venezuela, pessoas morrendo de fome com a ditadura venezuelana, e chegam o Wagner Moura, o Caetano Veloso e a Daniela Mercury com a palhaçada de que estariam sendo censurados e tendo seus direitos humanos violados”.

Nas falas dos artistas criticando mudanças na Lei Rouanet, não faltaram referências à ditadura. Daniela Mercury, por exemplo, disse que o atual governo adota uma “tática inédita, que substitui a censura direta imposta na ditadura” e “paralisa o setor cultural para barrar o acesso a financiamento e crédito, postergar a aprovação de projetos críticos ou não subservientes ao governo, e autorizar apenas aqueles alinhados com determinada pauta de costumes ou com apoiadores políticos”.

Em 2022, as críticas de artistas às mudanças na Lei Rouanet continuam. Desde o começo do ano, Porciuncula tem anunciado, aos poucos, várias novas mudanças no programa de incentivo à cultura. Na quinta-feira, por exemplo, o secretário disse que os beneficiados da Lei Rouanet terão verba para publicidade reduzida. Em meio a esses anúncios, que são feitos via Twitter, ele tem sido um dos principais alvos dos palavrões do ator José de Abreu.

O que vai mudar na Lei Rouanet?
A novidade sobre a redução na verba publicitária é a última, segundo Porciuncula, da série de mudanças que ele tem anunciado via Twitter nos últimos dias, e que ainda não foram oficializadas. Os captadores de recursos, que antes podiam destinar 30% da verba obtida pela Lei Rouanet a peças publicitárias, terão agora um limite de 5% para isso, e um teto de R$ 100 mil.

“Por muito tempo, a lei foi utilizada como uma muleta, como uma substituta do mercado. Mas a lei não serve para divulgar uma empresa ou um projeto. Ela serve para fomentar, para dar a base, o alicerce de um projeto. E não faz parte dessa base uma propaganda em massa do projeto. Nosso objetivo é que a lei atinja as classes mais necessitadas, os pequenos projetos, que não precisam de grandes mecanismos de divulgação na mídia, porque são locais, regionais, bem segmentados. Não é uma lógica de mercado, em que o marketing necessariamente faz parte. É uma lógica de fomento”, diz o secretário.

Outra mudança importante anunciada nos últimos dias é a diminuição do teto estabelecido para a maioria dos tipos de projetos beneficiados pela Lei Rouanet: a verba máxima passará de R$ 1 milhão para R$ 500 mil. Esse limite não valerá para projetos cuja natureza exija gastos mais altos, como aqueles ligados a museus, patrimônios históricos, orquestras, projetos de formação e alguns tipos de patrimônios imateriais, como certas festas tradicionais.

Porciuncula também anunciou que haverá redução no teto do cachê para artistas, de R$ 45 mil para R$ 3 mil. Questionado pela Gazeta do Povo sobre a agressividade dessa redução, que é de 93%, o secretário se justifica ressaltando que “a lei não é um substituto no mercado”.

“Qualquer coisa acima de R$ 3 mil por apresentação é muito dinheiro para 99% dos artistas no Brasil. Eu não posso ignorar 99% dos artistas para privilegiar o 1% que acha pouco R$ 3 mil reais por apresentação. Isso é muito dinheiro para a imensa, a esmagadora maioria dos artistas. Não se pode exigir que o Estado banque isso”, afirma. “Não estou falando de R$ 3 mil por mês. São R$ 3 mil por apresentação. Se a pessoa trabalhar cinco dias na semana, vai ganhar R$ 15 mil. Isso é muito dinheiro!”, acrescenta.

O secretário refuta a tese propagada por alguns veículos de comunicação de que o dinheiro da Lei Rouanet provém de empresas, e não do Estado. “Ao contrário do que se diz, o dinheiro é, sim, do Estado. É dinheiro público, sim. É renúncia fiscal, é dinheiro que iria para saúde, educação, infraestrutura, e que está indo para outra atividade, que é a cultura. O que eu não posso é substituir o mercado e bancar cachês estratosféricos.”

Outra novidade é que as empresas patrocinadoras da Lei Rouanet que destinem a partir de R$ 1 milhão ao programa de fomento serão obrigadas a destinar 10% do valor investido a projetos iniciantes. A ideia é acabar com o monopólio de empreendimentos artísticos maiores.

Porciuncula também anunciou recentemente que o valor dos aluguéis de teatro terá um teto, o que não ocorria antes. O preço máximo do aluguel será de R$ 10 mil. “Tinha um projeto aqui em que o sujeito queria R$ 2 milhões para alugar um teatro. Imagina botar R$ 2 milhões do dinheiro público em aluguel de teatro. O que estava ocorrendo era uma grande especulação financeira nos teatros por conta da Lei Rouanet, já apostando na Lei Rouanet. Isso estava elevando, inflacionando para preços completamente fora do padrão do mercado. O que a gente fez foi trazer razoabilidade.”

O governo ainda vai eliminar a obrigatoriedade de contratar escritórios de advocacia para assessorar os projetos. Para projetos que optem por contratá-los, será obrigatório utilizar a tabela da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para pagar as despesas. Em dezembro, quando a Secretaria de Cultura já havia indicado a ideia de modificar a Lei Rouanet nesse ponto, a OAB entrou com uma ação contra as diversas mudanças propostas pelo governo na lei, alegando que há um “contexto de violações em série”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/democratizacao-da-lei-rouanet-entenda-proposta-que-irrita-artistas-de-esquerda/
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MENSAGEM DO PRESIDENTE DO BC

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

No mesmo dia em que o IBGE divulgou o dado final da inflação oficial de 2021, que ficou em 10,06%, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cumpriu uma exigência legal e enviou uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando por que o IPCA havia estourado o limite máximo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional – a meta era de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Da última vez que isso ocorrera, o antecessor de Campos Neto, Ilan Goldfajn, escreveu sua carta ao antecessor de Guedes, Henrique Meirelles, em condições muito diferentes: sua missão era explicar por que o IPCA de 2017 tinha sido mais baixo que o limite mínimo de tolerância – que era de 3%, para uma meta de 4,5%.

Na carta datada de 11 de janeiro, Campos Neto ofereceu as justificativas que já eram esperadas por todos os que acompanham o noticiário econômico. A recuperação da economia mundial, explicou o presidente do BC, aumentou a demanda internacional por commodities, encarecendo tanto os produtos do agronegócio (reduzindo a oferta interna) quanto o petróleo (encarecendo os combustíveis) – a elevação dos preços em dólares foi potencializada, no Brasil, pela depreciação do real, que tornou ainda mais atrativa a exportação de commodities agropecuárias e deixou ainda mais caro o petróleo importado. Além disso, a crise hídrica forçou o acionamento das usinas termelétricas, deixando a energia elétrica mais cara, e a retomada do setor de serviços normalizou preços que haviam caído muito em 2020, no auge da interrupção de negócios decretada por governadores e prefeitos. Campos Neto lembrou, ainda, fatores como os problemas globais de abastecimento de insumos para vários setores da indústria, e que estão entre as causas do fenômeno generalizado de inflação verificado também em economias desenvolvidas – os Estados Unidos fecharam 2021 com a maior inflação em quase 40 anos, embora inferior à brasileira.

A escalada inflacionária, ainda que inevitável, poderia ter sido amenizada se as ações do campo político tivessem pendido para o lado do ajuste fiscal, fortalecendo a moeda brasileira

No entanto, Campos Neto ressaltou um aspecto importante no caso do câmbio. Havia, segundo o presidente do BC, um “padrão histórico de apreciação da moeda nacional durante ciclos de elevação nos preços das commodities”, ou seja, momentos de commodities em alta costumavam representar entrada forte de dólares no Brasil, reduzindo a cotação do dólar. E, de fato, houve uma “tendência de apreciação no segundo trimestre do ano [de 2021]”, mas que foi “revertida ao longo do segundo semestre, atingindo em dezembro de 2021 uma média 9,83% superior ao do mesmo mês do ano anterior”. Por que isso ocorreu?

Campos Neto responde no mesmo parágrafo: “A tendência de depreciação na segunda metade de 2021 refletiu principalmente questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal vigente e o aumento dos prêmios de risco associados aos ativos brasileiros, diante da maior incerteza em torno da trajetória futura do endividamento soberano”. Os questionamentos a que o presidente do BC se refere foram intensificados à medida que as discussões sobre o Orçamento da União de 2022 deixavam cada vez mais claro que governo e Congresso estavam dispostos a adotar alguma forma de truque orçamentário para acomodar gastos crescentes, que iam do reforçado Auxílio Brasil às emendas de relator, a nova face do balcão de negócios entre Executivo e Legislativo. Como resultado, 2021 terminou sem reforma tributária e sem reforma administrativa, mas com a PEC dos Precatórios.


O diagnóstico dos questionamentos passados se repete mais adiante na carta, desta vez como previsão para o futuro: “questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal resultam em aumento dos prêmios de risco e elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação. Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas. O Copom reitera que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira segue sendo essencial para o crescimento sustentável da economia. Eventual esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, diz o texto, repetindo em parte o palavreado constante nos comunicados divulgados após cada reunião do Copom. A mensagem é clara: muito gasto público e pouca reforma ou ajuste levarão a mais inflação e mais juros no curto prazo, pois haverá uma desconfiança geral em relação à saúde fiscal do país.

Em muitos aspectos, quando se analisa várias das causas da disparada da inflação em 2021, o Brasil foi mais passageiro que motorista, sofrendo as consequências dos ânimos do mercado internacional e de questões climáticas. Mas a carta de Campos Neto mostra que a escalada inflacionária, ainda que inevitável, poderia ter sido amenizada se as ações do campo político tivessem pendido para o lado do ajuste fiscal, fortalecendo a moeda brasileira. Esta é a grande mensagem do texto divulgado pelo presidente do BC; resta saber se ela será ouvida e assimilada por quem tem a responsabilidade de propor, votar e implementar os projetos que definirão o futuro fiscal do Brasil.


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