domingo, 10 de outubro de 2021

TERCEIRA VIA SÓ VENCE COM CADIDATO ÚNICO

 

  1. Política 

Cientista político aceita convite do Novo para disputar o Planalto e diz que eleitor sabe quem não quer: Lula e Bolsonaro

Entrevista com

Luiz Felipe d’Avila, cientista político filiado ao Novo

Alberto Bombig , O Estado de S.Paulo

O cientista político Luiz Felipe d’Avila está filiado ao Novo e aceitou o desafio do partido de colocar seu nome à disposição de um projeto presidencial em 2022. Ainda há trâmites internos a serem cumpridos e costuras políticas aguardando alinhavo, mas d’Avila, em entrevista ao Estadão, já esboça seu plano de ação e sua visão de como deve ser o País pós-Jair Bolsonaro: liberal, justo socialmente, eficiente no serviço público e vigoroso no crescimento econômico. Apesar da opção pela pré-candidatura, d’Avila entende que derrotar “o populismo” está acima de projetos pessoais e, por isso, afirma estar disposto a abrir mão de uma eventual candidatura em prol de quem, no próximo ano, estiver melhor posicionado no centro. 

Luiz Felipe d
Para d’Avila, partido Novo deve estar unido se quiser fazer campanha pela união do País. Foto: Taba Benedicto/Estadão

O sr. está disposto a ser candidato a presidente da República? 

Sim, quero ser um candidato que vá ajudar a unir o centro, não a dividir. Vamos ter que ter espírito público para, quando chegar em junho e julho, antes das convenções, o candidato que estiver liderando (entre os nomes de terceira via), receber apoio. Pretendo estar liderando, mas, se não estiver, teremos que ter espírito público para apoiar outro. Está claro que o candidato da terceira via só vai vencer se for um nome único. Se fragmentar, fica difícil. O que me anima é que o eleitor já escolheu quem ele não quer. Bolsonaro tem rejeição alta e metade dos brasileiros dizem que não querem nem Lula nem Bolsonaro. O eleitor não sabe quem quer ainda, mas sabe quem não quer. Tem um caminho enorme para a terceira via se sedimentar. PUBLICIDADE

Qual será o principal desafio da terceira via? 

Os candidatos da terceira via carecem de uma narrativa de conexão com as pessoas. A política não faz sentido para quem passa dificuldade, para quem está desempregado, para quem fechou negócios. Há o desespero de um País atolado há dez anos, com recessão, volta da miséria… Você vê fotos trágicas de pessoas pegando restos de carne, ossos, a política precisa falar com essas pessoas. O que pavimentou o radicalismo político foi o discurso tecnocrata e pouco afeito às pessoas. Temos que encontrar esse tom para se conectar com as pessoas. A terceira via ganha a eleição se fizer isso.

A agenda liberal tem respostas não populistas para a crise social e econômica do Brasil?

A frustração e o desencanto com a política é símbolo do fracasso do populismo. Houve uma desilusão. Tentamos o populismo de esquerda e o de direita, mas a vida das pessoas piorou. O que as pessoas querem é alguém para construir pontes, restabelecer o diálogo e a confiança no País. O populismo não vai fazer isso, vai acirrar diferenças. A agenda econômica liberal triunfou no mundo. Até países comunistas como a China entenderam que o capitalismo é fundamental para o crescimento econômico. A inserção no comércio global é a agenda. A locomotiva que puxa os vagões, inclusive o social, é a economia. Se a agenda liberal não estiver na mesa, será uma forma de ludibriar as pessoas. Se a agenda da locomotiva é a do crescimento econômico, da renda e do emprego, o segundo vagão é o da estabilidade política, o Estado eficiente, o serviço público de qualidade. Isso traz previsibilidade e confiança. Se não, é difícil convencer investidores de que as regras são estáveis e confiáveis. Temos de trabalhar na melhoria do serviço público. Como mostrar que a reforma administrativa significa melhores servidores públicos? Essa ligação falta fazer, na narrativa. O terceiro é o vagão das políticas sociais. Elas não existem sem crescimento econômico. A prioridade é a agenda liberal. Se ela for ignorada, o Brasil está perdido.

Como seriam essas políticas sociais? 

A política social não é monopólio da esquerda. Tem que estar na esquerda, na direita. Gastamos 25% do PIB com programas sociais. Se pegarmos 1% e focalizar nos mais pobres, você dobra a renda deles. Não fazemos isso por causa do clientelismo. Um programa social liberal tem que ter saída.

Por que o sr. quer entrar neste ambiente político, tão cercado de desconfianças?

A experiência pelos que estão no poder hoje é que eles perpetuaram o “pcc”: patrimonialismo, corporativismo e clientelismo. Estamos numa armadilha… O que me dá vontade é o enorme amadurecimento da sociedade civil. A sociedade civil mobilizada, aprova medidas incríveis, como a reforma previdenciária, a ficha limpa…

É possível estabelecer canais de diálogo entre diferentes segmentos da sociedade? 

É o que quero fazer na campanha. Quero ouvir o brasileiro. Você pega pessoas com interesses diversos e consegue criar diálogo. O diálogo significa a capacidade de genuinamente ouvir as pessoas. Assim pautaremos a narrativa da terceira via. O que mais falta no mundo radicalizado é escutar o outro. O Piauí, do governador Wellington Dias, do PT, fez um esforço extraordinário na melhoria fiscal. Uma maravilha. Por que não vou elogiar uma política do governador do PT se foi bem feita? 

Lula está à frente de Bolsonaro nas pesquisas. Por que não uma união em torno dele? 

Lula tem uma rejeição gigantesca. Parte da reconstrução do Brasil é uma reconstrução moral e ética. Lula padece desse atributo fundamental para reestruturar a confiança no Brasil. Vamos lembrar na campanha que Lula é o pai de esquemas que enfraqueceram instituições e abriram caminho para o bolsonarismo.

Como fica a situação do Novo, dividido após a eleição de 2018

Se queremos fazer uma campanha para unir o País, temos primeiro de unir o partido.

90 ANOS DO CRISTO REDENTOR DO RIO DE JANEIRO

 

  1. Brasil 

Monumento-símbolo do Rio faz aniversário longe dos quase 2 milhões de visitantes/ano que recebeu em 2019, antes da pandemia

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

A construção do Cristo levou cinco anos para ser concluída e é considerada uma vitória da engenharia para a época. Primeiro, pelo desafio de erguer um monumento que pesa mais de 1.100 toneladas no alto do morro do Corcovado, a 709 metros do nível do mar. Depois, por fazer com que essa estátua de concreto armado e pedra-sabão com 30 metros de altura (além dos 8 de pedestal) suportasse os ventos, as chuvas e os raios por anos.

Nesse período, o Cristo Redentor passou por algumas restaurações. Desde o início do ano, cinco pontos da estátua passam por reforma. O Estadão apurou, contudo, que o monumento ainda precisaria sofrer uma série de intervenções nos próximos anos. O motivo é o desgaste natural do tempo.

Para comemorar o aniversário, diversas ações estão programadas para os próximos dias. Na terça, além de missa em ação de graças com a presença de autoridades – tal qual aconteceu na inauguração, em 1931 –, haverá uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça e o lançamento de selos e de medalhas comemorativas. No mesmo dia, será dado o início a uma festa sustentável que se seguirá até o fim de semana, na Catedral Metropolitana do Rio.

Além disso, o aniversário do Cristo também motivou outras homenagens. Uma delas, bem brasileira: a “Cachaça Redentor”, que antes mesmo de seu lançamento oficial foi dada de presente ao Papa Francisco.

Na quinta-feira, mesmo com o tempo encoberto, o monumento recebeu centenas de turistas. Entre eles estava o casal Guilherme e Renata Fernandes, de Porto Alegre. “É parada obrigatória. No Rio de Janeiro, não tem como não vir ao Cristo. E somos cristãos, então acho que representa muito aquilo que a gente acredita: braços abertos, que nos recebe e que abençoa as pessoas”, disse Guilherme, que é policial civil. “É um pouquinho menor do que imaginava, mas estou igualmente surpreso. O Cristo, a vista, o conjunto todo é surpreendente de qualquer forma.”

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Ministério anunciou um acordo para favorecer ‘direito de uso e de acesso’ Foto: Wilton Junior/Estadão

O encantamento pelo monumento e pela vista não são acompanhados por outras opções de um ponto turístico. Lojinhas de suvenir, quiosques e cantinas no alto do Corcovado estão todos fechadas. Quem quiser alguma lembrança ou mesmo um pouco de água para se hidratar precisa comprar antes de subir o morro. Banheiros também são raros, e pelo menos uma das duas escadas rolantes tem se mantido desativada.

Há anos, a Arquidiocese do Rio e o governo federal não se entendem sobre o controle dos espaços. Oficialmente, a Igreja administra a estátua do Cristo Redentor e o platô do mirante, além da Capela de Nossa Senhora Aparecida, que fica na base do monumento. Os pontos comerciais, por sua vez, ficam em área pertencente ao Parque Nacional da Tijuca, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Em 2019, o ministério conseguiu uma ordem de despejo dos lojistas, e desde o meio deste ano os espaços estão vazios.

Estadão questionou o ministério sobre o tema. Na sexta-feira, a pasta informou apenas que firmará um acordo que dará “direito de uso e acesso ao Cristo Redentor”. Segundo o ministério, a medida vigorará por tempo indeterminado “dando mais liberdade e segurança jurídica aos católicos que acessam o Santuário”. Não foram informados detalhes do acordo.

Restauro

A reforma envolve uma equipe de 40 profissionais, incluindo quatro alpinistas. Um deles, Rodrigo Tavares, vai quase que diariamente ao monumento. O trabalho começa ainda de madrugada, e ao longo do dia ele sobe e desce inúmeras vezes os 12 lances de escadas instaladas no interior do Cristo. Mas o trabalho, conta, é muito gratificante. “Vou te falar: tenho 16 anos de profissão, mas pra mim é uma sensação inexplicável. É surreal. Eu trabalhei em quase todos os grandes projetos que tiveram no Brasil, mas trabalhar no projeto de restauração do Cristo Redentor é um privilégio.”

O alpinista industrial conta que a parte mais difícil do trabalho é lidar com a força dos ventos. Eles mudam a todo momento e, muitas vezes, inviabilizam a atuação da equipe. Mas nada que abale o prazer de atuar no restauro do monumento nonagenário. “Estou no lugar que todo mundo gostaria de estar, e ainda recebo por isso”, brinca.

SÁBIOS CONSELHOS PARA A SUA VIDA

 


  1. Cultura
     

Onde posso justificar o hábito de leitura? Basta ver como agem as pessoas públicas que você sabe que não buscam livros

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Viver é fascinante. Defeitos? Primeiro: não há manual de instruções. Segundo: nunca dá tempo para um bom ensaio, tudo é apresentação real. Como superar tais deficiências? A Bíblia indica: “Escuta o conselho e aceita a correção para seres sábio no futuro” (Prov. 19,20). Conselhos seriam úteis?

Os teólogos acreditam em ser sábio ao ouvir o conselho correto. Os filósofos acreditam que eu possa me tornar amigo da sabedoria refletindo. Selecionei algumas ideias para seu exame. Dizem que, se conselho fosse bom, não seria dado, porém vendido. Não é o caso aqui: você pagou a assinatura do jornal ou, ao menos, a luz elétrica que abasteceu o aparelho… Não foi gratuito, logo, pode ser válido. Não se trata de um manual de instruções. Eu diria que é uma “pesquisa de mercado” de consumidores experientes sobre cuidados com o produto vida. 

1) Aprenda logo: não importa sua decisão, haverá críticos. Decidiu se casar ou tem horror ao compromisso matrimonial? Terá um filho? Optou por dois? Nenhum? Corre todo dia? Viaja bastante? Nunca sai de casa? Contribui para uma ONG de amparo a cães abandonados? Não importa. Lá estará seu detrator: um amigo, um familiar, um vizinho… Por vezes, dorme com você. Se tudo é alvo de algum ataque, tome a decisão, escute quem desejar e “vá fundo”. A universalidade da crítica o liberta. Em outras palavras: já que sempre haverá quem reclame, ao menos conviva com críticos sendo feliz. Gostou da ideia? Procure ler, em qualquer versão, a história do “velho, o menino e o burro” de Esopo e reflita muito. 

2) Os seguintes vêm do filósofo Michel de Montaigne. No capítulo 39, livro primeiro, dos seus Ensaios, ele pensa sobre estar só ou com muitas pessoas. Ponto importante: “O contágio é muito importante na multidão”. Significando que podemos, sem querer, imitar hábitos alheios ao insistir em estar sempre cercados de pessoas, especialmente as de maus hábitos. “Onde quer que a alma esteja ocupada, ali está inteira”, assim ele recomenda o cuidado com sua própria casa ou o governo de um país. Nossos defeitos nos acompanham em todas as viagens, pois “carregamos conosco nossos grilhões”. Buscar estar bem mesmo sozinho é uma meta de sabedoria. O ideal é que nosso contentamento dependa de nós. E na maturidade? “Já vivemos por outros o suficiente; vivamos para nós pelo menos esse final de vida” (segui a tradução de Rosemary Costhek Abílio, ed. Martins Fontes).

3) Indiquei ignorar opiniões muito negativas, já que parecem inevitáveis. Apoiei-me em um renascentista francês para defender a felicidade sem a necessidade de estar acompanhado. O terceiro não contradiz, todavia coroa os dois anteriores: tenha poucos, pouquíssimos amigos. São fundamentais e fruto de uma grande maturidade. A vida é muito difícil sem uns dois ou três amigos realmente sinceros. Siga o conselho de Polônio (Hamlet) ao filho: “Os amigos que tens por verdadeiros, ata-os com fios de aço a tua alma”. Se preferir sabedoria mais recente, reflita com Vinicius de Moraes: “O amigo: um ser que a vida não explica/ Que só se vai ao ver outro nascer/ E o espelho de minha alma multiplica…”. Repito: serão milhares de transeuntes na sua vida, muitos colegas e poucos, escassos, raros amigos. Invista seu tempo e afeto neles, seja simpático com os colegas e tolere, resignado, os outros seres humanos. 

4) Leia sempre, todo dia, a vida inteira! Um livro por semana é algo muito bom. Não consegue? Dois por mês. Um único mensal, ao menos. O feito é melhor do que o perfeito. Livro é banho: tem de fazer diariamente ou o cérebro exalará odores fétidos. Livro é alimento: suas ideias morrem de inanição sem eles. Livros são o sangue do pensamento: nunca deixe que a anemia o domine. Romances, livros técnicos da sua área, poesia, livros de viagem, biografias, análises de temas atuais, reportagens, clássicos: leia tudo! Domine suas desculpas esfarrapadas. Em caso de dúvida, leia mais. Tem filhos? Vacine, ame, alimente e leia para eles. É uma herança maravilhosa, a maior que você possa deixar. 

Biblioteca
Livro foi devolvido a uma biblioteca na Pensilvânia depois de 50 anos de emprestado. Foto: Unsplash/@alfonsmc10

5) Tristeza faz parte da existência. Assuma a dimensão trágica do existir. A vida, fora do Instagram, tem dias ruins. Não confunda tristeza com infelicidade e alegria com felicidade. Seria como misturar chuva (estado passageiro) com clima (característica mais duradoura). Se as coisas deram errado, você perdeu seu emprego, terminou um afeto de forma dolorosa ou você foi traído ou traída, a dor vem e deve ser sentida. Chorar não é erro moral. Nos dias tristes, muito respeito consigo e com seu momento. Há dores mais prolongadas e outras que necessitam de ajuda profissional. Todas necessitam de amigos. Lembra-se do conselho? São nosso espelho e, por vezes, devo olhar para ele. Receita de superação: tempo + chá calmante + sono + amigos. Ler ajuda muito também. 

Inspirado no estoicismo, tratei de como enfrentar a crítica permanente do mundo. Segui apelando a Montaigne e a necessidade de ser feliz consigo. Vagas memórias de Aristóteles e outros reforçam a necessidade de amigos como parte da vida virtuosa. Onde posso justificar o hábito de leitura? Basta ver como agem as pessoas públicas que você sabe que não buscam livros. Excelente exemplo! Por fim, busquei um pouco de Byung-Chul Han para pensar na positividade tóxica que nos acomete. Foi lendo que tive tais ideias. Lendo, você acompanhou meu pensamento e dos meus preceptores. Lendo, você pode criticar a mim e a eles. Boas leituras. 

* Leandro Karnal é historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras, autor de A Coragem da Esperança, entre outros

NEGÓCIOS NO DIA DAS CRIANÇAS 12 DE OUTUBRO

E-commerce na Prática

 Especialista em varejo indica estratégias que podem alavancar resultados de vendas, mesmo em negócios que não têm seus produtos voltados ao público infantil

Comemorado no dia 12 de outubro, o Dia das Crianças não é o período de maior faturamento no fim de ano, mas a data serve como um termômetro para o varejo medir suas potencialidades de venda, já que tem forte apelo comercial. E não são somente lojas de produtos infantis que podem aproveitar para aumentar as vendas. Outros nichos de negócio também podem entrar na onda.

Para fazer com que essa data tenha relevância no seu rendimento ao longo do ano, a sócia e diretora de produtos do Ecommerce na Prática, Babi Tonhela, elenca cinco dicas. Vale lembrar que são dicas importantes para todas as datas sazonais, por isso, não se prenda a uma específica!

1.  Entre no clima do Dia das Crianças

Não é porque você não vende brinquedos, que não pode comemorar a data. Promova ações que despertem lembranças da infância em seus clientes. Invista em iniciativas relacionadas ao tema nas redes sociais e utilize esses canais para lembrar o seu público que o Dia das Crianças está chegando.

Vale falar de filmes antigos, brincadeiras e até alimentos que costumava comer quando era criança. Dessa forma, você gera engajamento com a sua marca, independentemente de vender produtos infantis ou não. “Ao investir em conteúdo com tema de infância, quando a data chegar, as pessoas terão a sua marca na cabeça, pois se lembrarão de algo que podem ter visto nas redes sociais ou recebido por e-mail do seu negócio”, explica Babi.

2. Se seus produtos são para o público infantil, fique atento às tendências e ofereça benefícios

Se você vende brinquedos, roupas infantis, calçados, jogos e livros, há várias formas de aproveitar o Dia das Crianças para dar um “boom” nas vendas. Fique atento ao que é tendência e ofereça promoções, descontos, brindes, frete grátis, etc.

Se você não trabalha com esse segmento, pode pensar em oferecer um bombom de brinde como forma de engajar o público com a data, por exemplo, já que doces são uma memória da infância.

3. Não deposite todos os seus esforços em descontos

No Dia das Crianças, as pessoas não estão procurando, necessariamente, descontos. Afinal, a data comemorativa que tem esse foco acontece no mês seguinte: a Black Friday.

Babi alerta que os empreendedores não devem basear toda a sua ação para vender mais somente nos descontos. “Eles são importantes e podem ajudar a aumentar o faturamento, mas não podem ser a única estratégia”.

Entre outras ações possíveis, a diretora sugere condições diferenciadas, como a venda de kits. Aí sim, vale a pena a aplicação de descontos progressivos e funciona para atrair pessoas que precisam comprar mais do que um único presente. “É muito mais fácil comprar tudo de um mesmo e-commerce, do que ficar procurando produto por produto em diferentes lojas”, reforça Babi.

4. Ofereça frete grátis e frete expresso

Não pagar nada no frete sempre vai ser interessante para o cliente, seja em data comemorativa ou não. Mas sabemos como nós, brasileiros, sempre gostamos de deixar tudo para a última hora. Por isso, oferecer o frete expresso é uma ótima maneira de vender mais no Dia das Crianças, já que as pessoas podem estar dispostas a pagar um pouco mais caro, com a promessa de receber o produto antes.

Para oferecer o frete expresso, busque parceria com alguma transportadora ou companhia de motoboys que tenha condições de fazer a entrega no tempo estipulado.

5. Pense em influenciadores

As crianças hoje assistem a muitos conteúdos na internet, o que estimula o acompanhamento de influenciadores digitais. “É importante estar antenado no que as crianças estão assistindo. E nada melhor que se aproveitar dessa audiência já estabelecida para divulgar uma marca e seus produtos. Dessa forma, vários possíveis clientes estarão sendo expostos à ela”, explica a diretora.

Estude a sua persona, identifique algum influenciador que se comunique com ela e ofereça algum tipo de parceria, como no caso da Startup Valeon que tem um site que é a sua Plataforma Comercial mais acessada do Vale do Aço, uma verdadeira Máquina de Vendas.

Assim, você conseguirá atingir mais pessoas e, consequentemente, aumentará suas chances de vender.

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Ética e Transparência
  • Profissional, ambiental e social
  •  – Busca pelo melhor

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

 

sábado, 9 de outubro de 2021

STF SUSPENDE INVESTIGAÇÃO CONTRA GUEDES E CAMPOS NETO

 

 Da Redação –

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli decidiu arquivar os pedidos de investigação contra o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre as offshores abertas pelos dois em paraísos fiscais. As informações são do colunista Josias de Souza, do UOL.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, em Brasília, em 3 de fevereiro de 2020 - AFP© Fornecido por IstoÉ O presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, em Brasília, em 3 de fevereiro de 2020 – AFP

O caso foi revelado pela série de reportagens Pandora Papers, produzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. A ações contra Guedes e Campos Neto foram movidas pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e pelo PDT.

A ação pedia para que o Supremo requisitasse ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a abertura de investigação contra os dois, porém Toffoli decidiu determinar o arquivamento sem ouvir o PGR.

Em seu despacho, Toffoli diz que a PGR “detém, privativamente, a atribuição de promover a ação penal pública em face dos alegados crimes praticados por autoridades com foro por prerrogativa de função, caso de ministros de Estado”.

Segundo o magistrado, “não há como o Judiciário substituir a atividade” do Ministério Público Federal, “exercendo juízo valorativo sobre fatos alegadamente criminosos”, pois essa seria uma “atribuição exclusiva” da Procuradoria.

CPI DA COVID PUNINDO POR CRIME DE OPINIÃO

 

Por
Flavio Gordon – Gazeta do Povo

A ministra do STF Cármen Lúcia| Foto: Nelson Jr./STF

“Os efésios começam a lapidar sua vítima com tal fúria que acabam vendo nela o que Apolônio pede que vejam: o autor de todos os seus males, o ‘demônio da peste’, que deve ser eliminado para curar a cidade” (René Girard, “O horrível milagre de Apolônio de Tiana”, em Eu via Satanás cair como um relâmpago)

“O Céu é justo, todo o subterfúgio é inútil; ali os nossos atos são justamente avaliados e os nossos crimes conhecidos. Que devo fazer? Nada me resta. Tentemos o arrependimento.” (William Shakespeare, Hamlet, Ato III, Cena 3)

Em artigo publicado na Gazeta em 23 de agosto, analisei o requerimento da “CPI da pandemia” que pedia a quebra do meu sigilo fiscal por conta de minhas opiniões. Mostrei então o absurdo do pedido, que apresentava como supostas provas do meu delito “contra a ciência, a saúde pública e a vida” três postagens minhas no Twitter. A primeira lamentava a cobertura desonesta de parte da imprensa sobre manifestações contra o lockdown na Espanha. A segunda criticava a censura que aquela rede social estava praticando em postagens favoráveis ao tratamento precoce da Covid-19. A terceira condenava o caráter de obrigatoriedade da vacina, não a vacinação em si.

Quem me lê sabe que minhas opiniões se lastreiam em informações e referências públicas e notórias, mas que são frequentemente ignoradas, ou mesmo deliberadamente ocultadas, por parte da assim chamada grande imprensa, informações e referências que faço questão de compartilhar com o público, que, assim, na condição de indivíduos autônomos, pode formar sobre elas o seu próprio juízo. É isso que, em sociedades tidas por democráticas, chamamos de debate público, que só se realiza plenamente com liberdade de expressão e direito ao contraditório.

A CPI, desde o início, pretendeu instaurar à força no país um pensamento único sobre a pandemia. Com frequência, desrespeitou, intimidou e assediou moralmente todos os depoentes com visões contrárias ao esperado

Ao contrário do que consta no requerimento para a minha quebra de sigilo, não pratico e nunca pratiquei “desinformação”. Desde sempre, o meu trabalho em jornal e nas mídias sociais cuida de elaborar criteriosamente a minha visão sobre a realidade em que vivemos, com base em fatos e dados reais, mesmo que descredenciados por aqueles que se arvoram o papel de donos da verdade. Nesse mister, naturalmente, faço análises que agradam a uns e desagradam a outros. Esforço-me constantemente para lapidar os argumentos, e, sempre que novos fatos o exijam, mudo de opinião com tranquilidade.

Ainda que os debates nas mídias sociais sejam muitas vezes acalorados, ou até mesmo agressivos, sua vantagem é a de não serem desleais, nem desequilibrados em poder, precisamente por neles se engajarem cidadãos livres, de forma voluntária. O mesmo não se pode dizer da referida Comissão Parlamentar de Inquérito, ora em vias de encerramento no Senado Federal. Essa é uma CPI que, desde o início, pretendeu instaurar à força no país um pensamento único sobre a pandemia. Com frequência, desrespeitou, intimidou e assediou moralmente todos os depoentes com visões contrárias ao esperado, até mesmo médicos que tratam pacientes acometidos pela Covid-19. Daí para fazer com que minhas opiniões divergentes assumissem ares criminosos foi um passo até natural.

Natural, mas não justo. E menos justo ainda foi acusar-me levianamente de “atentar contra a ciência, a saúde pública e a vida”, de integrar uma “rede de desinformação” e de receber dinheiro público para dizer o que penso. Como se o que penso, aliás, fosse alguma extravagância perigosa, uma subversão do cânon científico da CPI, que, dentre outras coisas, decretou peremptoriamente que “essa coisa de imunidade natural não existe” (desconsiderando mais de um século de ciência imunológica, e, no caso específico da Covid, um estudo israelense recente que compara a eficácia da imunidade natural com a da imunidade vacinal), ou que medicamentos utilizados no tratamento precoce são “comprovadamente ineficazes” (e é uma lástima que vários membros da CPI tenham se retirado deselegantemente no dia do depoimento de médicos que recomendam o tratamento precoce, representantes dos milhares de colegas que os utilizam e prescrevem, incluindo aqueles que, por medo de represálias, se recusam a admiti-lo em público).


Orgia sanitária
Posto que mal fundamentado, mal redigido, e sem apresentar indício algum do cometimento de crimes tipificados em lei – afora o “crime de opinião”, não previsto no ordenamento jurídico de um Estado Democrático de Direito –, o requerimento foi, contudo, julgado plenamente satisfatório pela ministra Cármen Lúcia, que, no último dia 1.º de outubro, indeferiu o mandado de segurança que meu advogado havia impetrado junto ao Supremo Tribunal Federal e manteve a quebra do meu sigilo fiscal. Além disso, a magistrada concordou com a justificativa da CPI quanto à inusitada abrangência temporal da quebra, que se estende no passado até janeiro de 2019, mais de um ano antes do início da pandemia. De resto, restringiu a guarda dos dados sigilosos ao presidente da comissão e demais senadores, determinação perfeitamente inócua, considerando o histórico recente de vazamentos ligados à CPI, que, em vez de um inquérito propriamente dito, transformou-se, em conluio com uma imprensa parcial e desonesta, numa máquina de assassinato da reputação de quem quer que os seus comandantes tenham por desafetos políticos.

Antes de justificar o seu endosso ao requerimento, a ministra Carmem Lúcia ponderou que “para decretarem, legitimamente, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário, do sigilo fiscal e/ou do sigilo telefônico, relativamente a pessoas por elas investigadas”, as CPIs “devem demonstrar, a partir de meros indícios, a existência de concreta causa provável que legitime a medida excepcional (ruptura da esfera da intimidade de quem se acha sob investigação)”. Ressaltou ainda que “os direitos e garantias fundamentais, a todos assegurados e que têm de ser respeitados nos termos constitucionalmente estabelecidos, não são biombos impeditivos da atuação legítima e necessária do poder estatal, no desempenho de suas atividades legítimas, necessárias e exercidas nos limites juridicamente definidos”.

Em seguida, citou textualmente a desonrosa e destemperada justificativa apresentada pelo requerente, o senador petista Humberto Costa (a qual já respondi detalhadamente na coluna do dia 23 de agosto): “(…) A disseminação massiva de conteúdos favoráveis ao chamado tratamento precoce e contrários às medidas de distanciamento social e à vacinação pode ter contribuído sobremaneira para agravar a pandemia e a mortalidade derivada da pandemia no Brasil. Faz-se urgente e necessário, portanto, analisar o Relatório de Inteligência Financeira – RIF do Sr. Flávio Gordon, de modo que a responsabilidade por milhares de mortes evitáveis seja devidamente apurada por esta Comissão Parlamentar de Inquérito. Para tanto, é fundamental que a CPI siga o caminho do dinheiro, analisando se a disseminação de desinformação foi financiada e por quem foi financiada, se houve a participação de agentes públicos ou envolvimento de dinheiro público, de modo que a medida ora proposta é necessária para o bom andamento dos trabalhos desta CPI. O Relatório de Inteligência Financeira – RIF elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf se revela instrumento adequado para identificar movimentações atípicas da pessoa física em tela. Caso o resultado das análises indique a existência de fundados indícios de ilegalidades, esta CPI poderá avançar na quebra dos sigilos bancários e fiscais da pessoa física investigada”.

Em vez de um inquérito propriamente dito, a CPI transformou-se, em conluio com uma imprensa parcial e desonesta, numa máquina de assassinato da reputação de quem quer que os seus comandantes tenham por desafetos políticos

Em referência à justificativa da CPI, afirmou a ministra, em palavras já mais que acusatórias, condenatórias: “Pelos elementos acima apresentados, tem-se motivação idônea, a dizer, com indicação da necessária ‘causa concreta provável’ a validar a deliberação parlamentar pela transferência das informações sigilosas do impetrante… Apura-se a participação do impetrante na disseminação de notícias falsas, conduta gravíssima, mais ainda em período pandêmico, no qual a vida das pessoas depende de informações corretas e que se conjuga com o objeto da Comissão Parlamentar de Inquérito”.

Ao acatar a justificativa constante no requerimento, talvez por partilhar da orientação política e das opiniões pessoais dos requerentes, a ministra Cármen Lúcia chancela as acusações falsas, não provadas, que me foram dirigidas, inclusive a mais injusta e aviltante de todas, que atribui a mim, um colunista de opinião sem qualquer poder de ditar políticas públicas, uma putativa “responsabilidade por milhares de mortes evitáveis”. Essa, sim, me parece uma conduta gravíssima em se tratando de uma representante do Judiciário, que, destarte, autoriza a mobilização do aparato estatal contra um indivíduo presumivelmente inocente, sem que prova alguma de crime tenha sido apresentada, exceto suas opiniões particulares manifestas em três postagens nas redes sociais, e que, num Estado de Direito, jamais poderiam ser criminalizadas, por mais criativa que seja a hermenêutica adotada para tanto.

Diante de decisões como essa, não surpreende que, como mostrou uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, quase 60% dos brasileiros acreditem que o STF decide de maneira política, e não técnica. Decerto, não pode haver maior ataque à credibilidade da instituição do que o comportamento militante e parcial de alguns de seus ministros. Como afirmou recentemente Francisco Rezek, ministro aposentado do Supremo e juiz da Corte Internacional de Justiça da ONU: “Uma das principais queixas dos advogados a respeito da Justiça brasileira, mas especialmente do STF, neste momento, é a de que há um excesso de autoridade convivendo com a escassez de leitura”. Rogo aos leitores deste texto, em especial aos versados em direito, que confiram o requerimento e a minha resposta, para, em seguida, formar a sua própria opinião sobre a decisão da ministra.


Ora, a CPI não se interessou em apurar a “responsabilidade por milhares de mortes evitáveis” para o caso de prefeitos e governadores corruptos, que, por meio de contratos fraudulentos, se aproveitaram da situação emergencial da pandemia para desviar dinheiro destinado à construção de hospitais de campanha, compra de respiradores, insumos hospitalares, testes etc. Nem, tampouco, para o caso de autoridades que defenderam a catastrófica política do “só procure um hospital em caso de falta de ar” – o tipo de política que, ela sim, foi responsável por mortes desnecessárias, e que, segundo uma declaração assinada por mais de 10 mil médicos mundo afora, pode muito bem constituir “um crime contra a humanidade”. Mas não se vexou de atribuí-la a mim, única e exclusivamente por causa das opiniões que expresso.

Note-se que todas as acusações que a mim dirigem são invariavelmente expressas sob forma de frases feitas pretensamente autoevidentes, reforçadas pelos estigmas (“blogueiro bolsonarista”, “terraplanista”, “negacionista” etc.) que a parcela mais estridente da imprensa reproduz sem cessar, a fim de criar a imagem de cidadãos de segunda classe, previamente culpados e merecedores de toda acusação, para os quais as garantias constitucionais normais devem deixar de valer. Quanto aos acusadores, dizem genericamente que dissemino “notícias falsas”, mas não especificam qual notícia falsa disseminei, nem, muito menos, demonstram a sua falsidade. Afirmam sem corar que atento contra a ciência, mas não explicam como, nem submetem ao escrutínio público o seu rudimentar conceito de ciência. Acusam-me de integrar uma rede – “estruturada ou não”, fazem questão de acrescentar, para garantir maliciosamente a abrangência ilimitada da acusação – para a prática de “desinformação”, mas não provam a desinformação praticada, e não mostram indício qualquer do pertencimento à tal rede, a não ser que o fato de ter opiniões similares a de outras pessoas, bem como de compartilhá-las, sirva como prova, caso em que os meus acusadores também seriam integrantes de suas próprias redes de opinião.

O fato é que os detratores não aceitam jamais debater o mérito de opiniões específicas, e colocarem-se em posição de explicar racionalmente as suas acusações, rebatendo meus argumentos e as fontes nos quais se baseiam. Ao contrário, valem-se abusivamente de sua posição de poder para neutralizar e objetificar o acusado, projetando nele tudo aquilo que desejam, sem que a ele nunca seja concedida voz própria, direito à defesa e à autorrepresentação. Parecem convictos de que o acusado, visto como adversário político, deverá ser aquilo que quiserem que seja, uma tela vazia sobre a qual se esmeram em pintar um retrato o mais assustador e monstruoso possível. Note-se que, em todo esse processo, a relação com quem tem opinião contrária jamais é de intersubjetividade, mas de sujeição e objetificação. Para falar como o filósofo Martim Buber, trata-se sempre de uma relação Eu-Isso, nunca de uma relação Eu-Tu.

Cármen Lúcia chancela as acusações falsas, não provadas, que me foram dirigidas, inclusive a mais injusta e aviltante de todas, que atribui a mim, um mero colunista de opinião, uma putativa “responsabilidade por milhares de mortes evitáveis”

A referida CPI cansou de dar provas de seu caráter afrontoso e injurioso, nos muitos episódios em que os depoentes não alinhados à narrativa pré-fabricada, fossem convocados ou convidados, não podiam sequer responder ao que lhes fora perguntado, e, quando o faziam, eram solenemente ignorados, como se não houvessem respondido. E também constantemente lembrados, de maneira grosseira, que o seu papel ali era apenas figurativo ou, pior ainda, o de bode expiatório, responsável – como na velha mitologia sacrificial pagã, tão bem esmiuçada por René Girard – por trazer a peste. Sobre esses bodes expiatórios, os senadores de oposição, sempre com ajuda da mídia cativa, descarregaram toda sorte de esconjuros e imprecações.

Para quem, como eu, é alvo de um tal processo kafkiano, o mais angustiante não é nem a acusação falaciosa em si, mas o fato de, nesse embate desigual, não poder jamais ocupar a posição de sujeito e responder diretamente às autoridades acusadoras, que fazem o que fazem justamente respaldados por essa impossibilidade. Gostaria, por exemplo, de dirigir à ministra Cármen Lúcia perguntas como estas:

Onde exatamente, no requerimento, V. Exa. enxergou indícios de que incorri em “conduta gravíssima”?
Quais foram as “notícias falsas” que disseminei, e por que são falsas?
O que V. Exa. entende por ciência, e por que eu teria atentado contra ela?
V. Exa. afirmou que, no contexto da pandemia, a vida das pessoas depende de “informações corretas”, mas por que lhe compraz atender os comandantes da CPI no direito de ter a palavra final sobre a correção ou incorreção de uma informação, e mais ainda de uma opinião?
Terá V. Exa. levado demasiado a sério a sugestão de um de seus pares, segundo quem os representantes do Judiciário devem agir como “editores de um país inteiro”?
Por que devo crer no seu juízo antes que, por exemplo, no dos médicos e infectologistas que se dispuseram a comparecer na CPI para apresentar dados concorrentes, tendo sido ostensivamente ignorados, quando o relator e vários outros senadores – inclusive o signatário do requerimento para a quebra do meu sigilo – se retiraram do recinto?
O que há de científico nessa postura, que, se universalmente adotada no passado, teria simplesmente inviabilizado o progresso da ciência, quem sabe até ostracizando um Albert Einstein como negacionista da gravidade newtoniana? “O senhor sabe dizer a diferença entre espaço e tempo?” – talvez perguntasse ao físico alemão algum furibundo senador.


O tirano cordial
Big Tech is watching you: a cruzada mundial contra a liberdade de expressão e a autonomia médica
Desde o início, as minhas opiniões sobre a pandemia giraram em torno de quatro eixos principais:

  1. A hipótese de o vírus ter vazado de um laboratório era consistente, e, ao contrário do que afirmava categoricamente a grande mídia, nunca foi mera “teoria da conspiração”.
  2. É falsa a afirmação de que os medicamentos usados no tratamento inicial da Covid-19 são “comprovadamente ineficazes”. Há, sim, vários estudos sugerindo a sua eficácia, e muitos médicos atestando-a na prática clínica. A autonomia médica deve ser assegurada.
  3. As vacinas são, sim, experimentais, desenvolvidas em prazo recorde, a título de emergência. Nesse caso, a sua obrigatoriedade, sobretudo para crianças e adolescentes, é inaceitável.
  4. Os lockdowns, tal como implementados indiscriminadamente em várias cidades brasileiras, não tiveram nada de científicos. Além de ineficientes, violaram direitos individuais fundamentais e arrasaram a economia, gerando desemprego, miséria e fome.

Terá Cármen Lúcia levado demasiado a sério a sugestão de um de seus pares, segundo quem os representantes do Judiciário devem agir como “editores de um país inteiro”?

Sobre o primeiro ponto, gostaria de lembrar que também essa opinião foi, durante muito tempo, estigmatizada como fake news e teoria da conspiração. Depois, graças ao esforço e à resiliência de internautas e investigadores amadores, que fizeram o trabalho que a imprensa dita profissional se recusou a fazer, a teoria passou a ser seriamente considerada por eminentes cientistas, tornando-se objeto de uma investigação no Congresso americano, e chegando, finalmente, aos grandes veículos de comunicação. Mas não duvido que, caso essa minha opinião restasse minoritária e marginalizada por mais tempo, talvez eu tivesse sido incluído no rol de investigados de um inquérito anômalo qualquer, tendo o meu sigilo fiscal quebrado por “atentar contra a ciência”.

Sobre o ponto 2, remeto os leitores a esse meu artigo sobre o tema, bem como a esse outro, em que menciono a Declaração dos Médicos, assinada por mais de 10 mil médicos e cientistas de todo o mundo, decididos a “confrontar os donos do poder com verdades sobre a pesquisa e o tratamento da doença” e “resgatar e sustentar a dignidade, a integridade, a arte e a ciência da medicina”. Pergunto: em que artigo, de qual lei brasileira, está tipificado o crime de ter essa opinião em particular?

Sobre o ponto 3, lembro que tratados internacionais de direitos humanos – a exemplo do Código de Nuremberg, de 1947, e da Declaração de Helsinque, de 1964 – respaldam a minha opinião contra a obrigatoriedade da vacina experimental, opinião que coincide com a da OMS, até outro dia tida por autoridade máxima no assunto pandemia. Pergunto novamente: em que artigo, de qual lei brasileira, está tipificado o crime de se manifestar contrariamente à vacinação obrigatória?

Quer tenha sido feita por um senador da República, quer por uma ministra do Supremo, a acusação contra mim continuará sendo falsa, pois poder terreno algum pode transformar uma mentira em verdade

Sobre o quarto ponto, a minha opinião também coincide com a de representantes da OMS. Daí que insista na pergunta: que artigo, de qual lei brasileira, tipifica como crime o cidadão pagador de impostos se posicionar contra uma política pública que o afeta diretamente, bem como todos ao seu redor?

A resposta é simples: não há essa tipificação. Não existe crime de opinião num país que se afirma democrático. É inequívoco o sentido do inciso IV do artigo 5.º da nossa Constituição Federal: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Portanto, não aceito a acusação de que minhas opiniões “atentam contra a ciência, a saúde pública e a vida”. Essa é uma opinião subjetiva dos comandantes da CPI e, por acatamento, da ministra Cármen Lúcia. É, sobretudo, uma imputação absurda, irresponsável e altamente injuriosa, que não foi provada, e nem poderia sê-lo. Quer tenha sido feita por um senador da República (cargo público não raro brandido como uma espécie de título nobiliárquico), quer por uma ministra do Supremo, a acusação continuará sendo falsa, pois poder terreno algum pode transformar uma mentira em verdade. E, como diz o provérbio latino, a verdade é filha do tempo – não do Senado, não do STF, não da imprensa militante.

Pelo que se vê do presente comportamento de Cármen Lúcia, parece que “cala-boca já morreu” só vale para si própria, seus aliados políticos e companheiros de ideologia

Por fim, lamento especialmente que a chancela a um tal abuso de autoridade tenha vindo logo da ministra Cármen Lúcia, que, não faz muito tempo, foi aclamada por ter dito, em referência à liberdade de expressão, que “o cala-boca já morreu”. Pelo que se vê do presente comportamento da magistrada, parece que a fórmula só vale para si própria, seus aliados políticos e companheiros de ideologia. Para os demais cidadãos, sobretudo os que ela despreza por motivos de divergência politico-ideológica, o cala-boca vive e passa bem.

Contando agora com o respaldo da representante da nossa suprema corte, os meus acusadores hão de seguir, então, o tal “caminho do dinheiro”, a fim de verificar se “a disseminação de desinformação foi financiada e por quem foi financiada, se houve a participação de agentes públicos ou envolvimento de dinheiro público”. Mas, ao cabo desse processo despiciente, constatando que não recebi dinheiro público algum, que minhas opiniões não estão à venda, e o quão infundada foi a acusação contra mim dirigida, que outro caminho seguirão os acusadores? Espera-se que o caminho da dignidade, da justiça e, quiçá, o do arrependimento. Afinal de contas, se, como ensina a literatura clássica, até mesmo os reis, os imperadores e os sacerdotes mais possuídos pela húbris do poder político foram, por vezes, agraciados com o dom temperante do remorso, por que não também os nossos servidores públicos, apenas momentaneamente confusos quanto ao papel que lhes cabe desempenhar numa República democrática moderna?


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OBEDEÇA À CIÊNCIA - NÃO PERGUNTE

 

Ciência e política

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Pandemia de coronavírus fez com que a ciência passasse a ser tratada como dogma, sem perguntas.| Foto: UEM/Divulgação

O neurologista que me tratou quando bati a cabeça no chão, há alguns anos, dr. Régis Tavares, me contou que ensinava seu filho de quase cinco anos o que é combustível: a gasolina que faz o carro andar, o sol que dá vida às plantas, o gás que produz calor no fogão, o alimento que faz a pessoa se mover. O menino o interrompeu e perguntou qual é o combustível do cérebro. Antes que o pai neurologista falasse em livros, foi surpreendido com a genial resposta do próprio filho:

  • O combustível do cérebro são as perguntas.

A resposta fez o dr. Régis recordar quantas perguntas modificaram o mundo e constatar que nesses dois anos de pandemia o que se viu foi o contrário: não questione a ciência, obedeça a ciência, não pergunte. Pobre ciência. Foi transformada pela mídia, pela CPI, em dogma, só com certezas, sem dúvidas, sem perguntas. O que não admite experiência, contraponto, dúvida, perguntas, não é ciência, é questão de fé, como se demonstra na repetição de jaculatórias na mídia e de autos de fé nas inquisições da CPI.

  • Dizer que um conhecimento é inquestionável é ser menos científico do que duvidar dele – conclui o neurologista, estudioso dos neurônios, das sinapses e do comportamento humano que é gerado no cérebro. O humano limitado, diante do universo infinito, tem a arrogância de querer limitar a verdade. Ainda há infinitas perguntas a serem perguntadas ao nosso cérebro, para que ele pense e busque. Quem tem a verdade definitiva, parou de perguntar, parou de descobrir, parou de evoluir. Parou. Sem combustível. Pane seca.

E isso tem a ver com a política, porque sofremos uma campanha para aceitarmos o pensamento pronto, verdade pronta – infelizmente desde a universidade, onde deveriam estar as luzes que nos levariam a buscar mais luzes no horizonte infinito. O lobo totalitário pode estar camuflado de cordeiro da ciência. A conspiração do não-pensar, não-perguntar é a conspiração do domínio, do totalitarismo, porque o pensar, o perguntar, faz cada um de nós um mundo – e querem que cada um de nós seja apenas um servidor, ou escravo, de um mundo único, do consenso, com resposta única, sem perguntas. Você, leitor, se pergunte, se o que você pensa é mesmo seu ou o estão algemando em respostas sem que você possa duvidar e perguntar. Não dispense o combustível de seu cérebro.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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