Manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro, no último dia 12, foram um festival de discursos de ódio.| Foto: Joédson Alves/EFE
Uma das coisas mais prodigiosas da vida política atual do Brasil é o significado dado à palavra “ódio” pelos donos do grande mundo oficial — em particular o Supremo Tribunal Federal, no seu papel de manter o país seguro para o exercício da democracia. No resto do mundo, cinco continentes afora, “ódio” quer dizer algo muito preciso, definido exatamente da mesma forma em centenas de dicionários diferentes; basicamente, trata-se da aversão, da raiva e da repulsa extremadas, um sentimento com caraterísticas comuns e que pode afetar, sem distinções, qualquer ser humano vivo.
Numa determinada porção do planeta, porém, a que vai do Oiapoque ao Chuí, “ódio” quer dizer outra coisa. A palavra, aqui, exprime as sensações negativas de apenas uma parte da população; não está aberta a todos. Resultado: uns sentem ódio quando se comportam de um determinado jeito. Outros não sentem, de forma alguma, mesmo se comportando exatamente da mesma maneira. É assim que “ódio”, para a autoridade pública brasileira e para o mundo que vive pendurado nela, só pode ser sentido e praticado por seguidores extremados do presidente Jair Bolsonaro. Os outros, façam o que fizerem, não odeiam.
Até uma criança de dez anos sabe que, segundo determinam o STF, o inquérito das “fake news” e a elite encarregada de pensar por todos, você pode arrumar um problema e tanto se disser, por exemplo, que é a favor de fechar toda essa geringonça que leva o nome de “instituições” — e jogar a chave fora. Do mesmo jeito, é terminantemente proibido o sujeito dizer que é a favor de coisas como o AI-5, ou que gostava do regime militar. Nem queira tentar; o ministro Alexandre Moraes manda a sua polícia prender na hora.
Agora: se alguém escrever que quer que o presidente da República morra, de covid ou de soluço, não há problema nenhum — aí não é mais ódio. É o que, então? Melhor não perguntar ao STF.
Vai ser considerado como mais uma contribuição ao debate democrático, assim, o acesso de furor que um militante de esquerda e que se apresenta como historiador acaba de fazer pelo Youtube — a rede social que está 24 horas por dia na mira do STF. Numa reunião do Sindicato da Construção Civil de Fortaleza o homem disse que os brasileiros precisam “odiar” e “querer cuspir” na “burguesia”, nos patrões e até, vejam só, nos ministros do STF. Uma das principais tarefas do militante político moderno e consciente, disse ele, é “estimular o ódio de classe”. A coisa vai por aí afora. No fim, declamou que sem o ódio não será possível falar de “revolução” no Brasil.
Como se vê, o orador caprichou: disse a palavra “ódio” com todas as letras, de sua própria voz, três vezes, e só aí. No resto do planeta, obviamente, um negócio desses seria considerado discurso do ódio, como se diz na mídia e na vida política brasileiras. Aqui não é nada.
Matéria sobre a certificação do Inmetro que passará a valer para as lâmpadas LED em dezembro. Explicamos o que muda e que benefícios isso trará para o consumidor. Imagens na Grey House Iluminação, que é uma das fontes da matéria. Fotografarmos as lâmpadas LED – acesas, em grupos, isoladas – para ilustrarmos a página. Luminária de corda com Lâmpada bulbo de led de 6w
Consumidores pagam bandeira vermelha na conta de luz para arcar com os altos custos da geração e do baixo nível dos reservatórios| Foto: Antônio More/Arquivo Gazeta do Povo
O governo Bolsonaro completou mil dias e sim, é verdade, teve muita gente que sofreu nesse período. Gente que estava acostumada a receber facilmente dinheiro público e agora não recebe mais. Pela Lei Rouanet, pela Caixa Econômica, BNDES e Banco do Brasil, pela Petrobras, pelas empreiteiras, por partidos políticos e até por sindicatos. O dinheiro vinha à vontade para a imprensa amiga reportar notícias favoráveis do governo nas redações e também fora delas.
Mil dias depois ficou assim um gosto muito amargo de falta de dinheiro. E é claro que as pessoas reagem; eu compreendo a reação delas. O estômago está roncando e elas roncam também.
Preços em alta no mundo inteiro Dados do Banco Central mostram que, no mês passado, 72% dos produtos e serviços tiveram reajuste. Aí a gente reclama porque todo mundo está pagando bandeira vermelha na energia. Não é um consolo, mas só para a gente saber: nos Estados Unidos, o aluguel subiu 30% este ano; o combustível subiu de 40% a 50%; a carne, 65% e, o pior, está faltando na prateleira.
Na Europa foi muito pior. O gás na Alemanha subiu 119%, na França subiu 149%, e no Reino Unido, 298%. Por que estou falando do gás?Porque eles usam muito gás para produzir eletricidade. Esses países usam muito carvão também. Mas até as bebidas no Reino Unido estão com problema sério pela falta de gás para gaseificar. Sete usinas de eletricidade britânicas que funcionam com gás foram fechadas.
A produção de energia eólica também despencou. A capacidade de geração está só em 18% porque falta vento e vento não dá para estocar, como lamentou certa vez a ex-presidente Dilma Rousseff em discurso na ONU que o pessoal ficou meio sem entender.
As causas da eletricidade cara Mas por que a gente está bandeira vermelha na conta de luz? É porque não tem chovido na região onde está a maioria das hidrelétricas, no Centro-Oeste e no Sudeste. Mas por que não tem mais hidrelétrica no Norte, onde está chovendo? Vou explicar o porquê e dizer quem são os responsáveis.
Em Belo Monte, por exemplo, no rio Xingu. Os ambientalistas não deixaram que se elevasse mais o nível da bacia de acumulação de água. Belo Monte hoje está produzindo 1/18 avos de sua capacidade. Ou seja, em 18 geradores que nós pagamos, só um está produzindo energia. Aí tem a cachoeira de São Luís no rio Tapajós. Ia ser maravilhosa, só que uma facção ambientalista inventou que tinha índio lá, só que não tinha. Depois veio até um integrante do Ministério Público que dançou com os índios e fez um barulho danado e parou a obra.
Aí tem outra que seria a redenção de Roraima, no Rio Cotingo. Só que o Supremo aprisionou o rio Cotingo na reserva indígena Raposa Serra do Sol. Era a redenção em 2001, mas em 2008 o rio Cotingo ficou preso na demarcação contínua da reserva. E agora Roraima está pagando a eletricidade mais cara do país, tendo que consumir com 1,2 milhão litros de óleo por dia para produzir energia.
Essas são as causas da eletricidade cara no Brasil. Agradeçam ao Ministério Público, os ambientalistas e ao STF, essa gente que não gosta do Brasil.
Por outro lado, a Agência Nacional de Petróleo autorizou mais uma usina de produção de biometano, aquele gás que vem do lixo, de aterro sanitário. Já tem três usinas e autorizou também a Inpasa, de Sinop, a praticamente duplicar sua produção de etanol do milho. O país está correndo, mas está cheio de gente que empurra para baixo, que tenta amarrar uma bola de chumbo nos tornozelos dos brasileiros.
Além de os atuais juízes e membros dos Ministérios Públicos continuarem a salvo, seus futuros colegas também estarã
Ana Carla Abrão*, O Estado de S.Paulo
A coluna de hoje é uma edição especial. Foi escrita em coautoria com Arminio Fraga e Carlos Ari Sundfeld, que assinam comigo o texto que segue:
Para valer a pena, uma reforma do RH do Estado teria de combater o regime de castas funcionais, que dá privilégios a carreiras próximas ao poder e deixa à própria sorte, na precariedade e sem estímulo, a maior parte dos servidores. Para isso, deveria começar por integrar carreiras e suprimir desigualdades. Mas o problema foi ignorado na emenda constitucional 32.
Na semana passada, a comissão da reforma administrativa aprovou um substitutivo do relator da PEC 32, deputado Arthur Maia. Se o texto for acolhido pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, o resultado será cristalizar o regime de castas funcionais e incluir nele mais alguns grupos. Um retrocesso. PUBLICIDADE
Reforma do RH do Estado seria uma boa oportunidade de reduzir desigualdades Foto: Dida Sampaio/Estadão
O substitutivo insere na Constituição uma lista de carreiras privilegiadas, com proteções que os servidores públicos da base jamais terão. É estarrecedor que, em um País em que o maior problema continua sendo a desigualdade, se queira aprovar uma PEC justamente para dizer que a lei “tratará de forma diferenciada” carreiras escolhidas do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e do Ministério Público. O texto contemplou policiais em geral (inclusive, os legislativos), agentes de trânsito, peritos criminais, agentes de inteligência etc, cedendo àqueles que querem impor um estado policial ao Brasil.
Convicto quanto à orientação de dar privilégios a castas, o substitutivo concede a certas carreiras policiais aposentadorias cujo valor equivalerá para sempre à remuneração integral de quem estiver na ativa. Cônjuge ou companheiro receberá a mesma pensão, vitalícia, se o policial morrer na função. Anula-se, assim, a reforma da Previdência em favor dessas castas, enquanto aposentadorias de professoras públicas continuarão observando os limites gerais, assim como as pensões das enfermeiras que morrerem por contaminação em serviço. É a PEC da desigualdade.
O substitutivo não mexe com juízes e membros dos Ministérios Públicos, os mais privilegiados. Alegou-se cinicamente que seria inconstitucional uma emenda constitucional tratar disso, como se tais castas pairassem acima da Constituição e do poder democrático.
Após a aprovação, o ministro Paulo Guedes divulgou um documento comemorando supostos avanços. É clara tentativa de confundir. Um deles seria a retirada de benefícios de quem não os tem. Isso mesmo: a PEC proíbe a concessão, a futuros servidores, de férias superiores a 30 dias ou de aposentadoria como punição, por exemplo. Nada significa na prática, pois não se aplica a quem hoje os tem. Além de os atuais juízes e membros dos Ministérios Públicos continuarem a salvo, seus futuros colegas também estarão. É uma PEC para manter privilégios.
Outro avanço estaria na regra da extinção de cargos desnecessários ou obsoletos, dispensando-se seu ocupante, mesmo estável. Não há avanço, pois outra regra do substitutivo proíbe a extinção justamente dos cargos hoje ocupados. Quanto a servidores que ainda não entraram no serviço público, seria fácil evitar a desnecessidade ou obsolescência futura. Bastaria modernizar e fundir as velhas carreiras antes de fazer quaisquer concursos. Mas, ao constitucionalizar carreiras obsoletas (como oficial de Justiça) ou desnecessárias (como policial legislativo), o substitutivo atrapalha ajustes modernizantes no futuro. É a PEC do atraso.
Ainda segundo o ministro, haveria o aprimoramento das avaliações de desempenho. Não é verdade. A Constituição atual já exige as avaliações, que não ocorrem porque os governos não querem. Não há hoje qualquer regra na Constituição que impeça ou atrapalhe a análise adequada do desempenho de órgãos e servidores. Escrever mais normas vagas sobre o assunto na Constituição é o mesmo que nada e ainda engessa. É a PEC da ficção…
Portanto, o ministro está comemorando vitórias de Pirro, a partir de instrumento equivocado e cedendo a lobbies corporativistas. A verdade é que se está dificultando, e não fazendo, aquela que deveria ser a grande reforma para ter melhores serviços públicos, maior produtividade e modernização da gestão de recursos humanos no setor público.
*ECONOMISTA E SÓCIA DA CONSULTORIA OLIVER WYMAN. O ARTIGO REFLETE EXCLUSIVAMENTE A OPINIÃO DA COLUNISTA
Governo pretende usar a tributação na distribuição de lucros como fonte de receita para compensar a elevação do Bolsa Família
Bernard Appy*, O Estado de S.Paulo
É comum que mudanças no sistema tributário tenham efeitos contraditórios. Uma mudança pode melhorar a distribuição de renda, mas ter um efeito potencialmente negativo sobre o crescimento econômico, ou vice-versa. A decisão sobre o que será priorizado – o efeito distributivo ou o efeito sobre o crescimento – é essencialmente política. O que cabe aos economistas é buscar identificar as alternativas que permitem alcançar o objetivo político com o menor efeito colateral possível.
Em alguns casos, o sistema tributário é tão distorcido que é possível fazer mudanças que simultaneamente tenham efeito positivo sobre a distribuição de renda e sobre o crescimento.
No caso do projeto de lei (PL) de reforma do Imposto de Renda aprovado pela Câmara dos Deputados e agora em análise no Senado (PL 2.337/21), o que ocorre é exatamente o inverso. A despeito de algumas mudanças positivas – caso da tributação de aplicações financeiras –, o projeto é tão ruim que acaba tendo efeitos negativos sobre o crescimento e sobre a distribuição de renda.
Bolsonaro poderia ampliar o Bolsa Família sem gerar tantas distorções no sistema tributário. Foto: Dida Sampaio/Estadão – 27/9/2021
Uma das piores características da proposta é a previsão de isenção de Imposto de Renda na distribuição de lucros por empresas do Simples e do lucro presumido, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Trata-se de medida que terá impacto muito negativo tanto sobre a eficiência econômica (ao estimular as empresas a não venderem, sonegar ou se fragmentar para permanecerem no limite) quanto sobre a equidade, ao reduzir ainda mais a tributação de profissionais “pejotizados” de alta renda, que hoje já são muito pouco tributados.
Mas há muitos outros dispositivos do PL 2.337 que têm, no agregado, um efeito negativo sobre o crescimento e a justiça social.
Do ponto de vista do crescimento, o impacto potencialmente positivo que a redução da tributação na empresa e a tributação na distribuição poderiam ter sobre o investimento (especialmente no caso de empresas de menor porte com restrições no acesso ao crédito, para as quais o estímulo à retenção de lucros tende a resultar em maior investimento) é mais que compensado pelo efeito negativo do fim do regime de Juros sobre o Capital Próprio. Para piorar, o projeto tem um efeito negativo sobre a eficiência econômica, ao aumentar a complexidade da tributação (por exemplo, via controles para evitar a distribuição disfarçada de lucros) e ampliar a distorção existente entre a tributação de capital próprio e capital de terceiros, estimulando o endividamento artificial das empresas.
Do ponto de vista distributivo, a tributação na distribuição de dividendos alcançará os pequenos e médios acionistas das grandes empresas, mas não necessariamente os grandes acionistas, que reinvestem o lucro diretamente ou por meio de holdings. Na prática, é provável que, para os grandes acionistas, o benefício da redução da alíquota na empresa seja maior que o custo decorrente da tributação na distribuição de dividendos, tendo um efeito distributivo negativo.
Adicionalmente, as autorizações para pagamento de imposto sobre ganhos de capital com alíquotas reduzidas na atualização do valor de imóveis e de ativos no exterior nada mais é que uma “pedalada fiscal” (renúncia de receita para estimular o recolhimento antecipado em 2022) que favorecerá, sobretudo, pessoas de renda mais elevada.
Por fim, o projeto certamente gerará grande contencioso por conta da incidência de tributação na distribuição de lucros auferidos até 2021, antes das mudanças nas normas.
A principal razão para o interesse do governo no projeto é seu forte impacto eleitoral. Além do reajuste da tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas (que eleva a renda da classe média em cerca de R$ 25 bilhões em 2022), o governo pretende usar a tributação na distribuição de lucros como fonte de receita para compensar a elevação do Bolsa Família. Sem entrar no mérito desse objetivo político, é certo que seria possível fazê-lo sem gerar tantas distorções quanto as que resultam do PL 2.337.
Cena de “Batman v Superman: A Origem da Justiça”.| Foto: Divulgação
A trilogia sobre o Batman, o Cavaleiro das Trevas, baseado no personagem da DC Comics, formada por Batman Begins (2005), O Cavaleiro das Trevas (2008) e O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), contribuiu para estabelecer um novo padrão para filmes de super-heróis. Inspirada em histórias em quadrinhos tais como Batman: ano um, de Frank Miller; O homem que cai, de Dennis O’Neil; Batman: terra de ninguém, de Greg Rucka, Chuck Dixon, Larry Hama e outros; Batman: filho do demônio, de Mike Barr; A piada mortal, de Alan Moore; e A queda do Morcego, de Doug Moench, Chuck Dixon e Alan Grant, a épica guerra de Batman contra o crime em Gotham City é retratada de forma realista, trágica e sombria. Todos os três filmes foram sucesso de público e crítica, aclamados por seus roteiros, música e sequências de ação. A direção de Christopher Nolan e as atuações de Christian Bale como Bruce Wayne/Batman, Gary Oldman como o comissário James Gordon, Michael Caine como Alfred Pennyworth, Liam Neeson como Ra’s al Ghul, Anne Hatheway como Selina Kyle/Mulher-Gato, Heath Ledger como Coringa, Tom Hardy como Bane, Cillian Murphy como Jonathan Crane/Espantalho, e Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas-Caras, receberam elogios unânimes.
A origem da justiça Em 2016 foi lançado Batman v Superman: A Origem da Justiça – Ultimate Edition. Foi dirigido por Zack Snyder e o elenco foi formado por Ben Affleck como Bruce Wayne/Batman, Henry Cavill como Clark Kent/Superman, Amy Adams como Lois Lane, Jesse Eisenberg como Lex Luthor, Jeremy Irons como Alfred Pennyworth, e Gal Gadot como Diana Prince/Mulher-Maravilha. Batman v Superman foi o primeiro filme a retratar Batman e Superman juntos, assim como foi a primeira representação de Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman e Cyborg em filme. Batman v Superman é uma continuação de O Homem de Aço, de 2013, e retrata Superman como um salvador temido e questionado, diante do qual as pessoas reagem com amor e ódio após a batalha em Metrópolis, ocorrida 18 meses antes. Nessa batalha, Superman derrotou o General Zod a um preço altíssimo, e salvou a humanidade da destruição. Após a batalha, o governo dos Estados Unidos permitiu que Superman atuasse de forma independente, sob a condição de não se voltar contra a humanidade.
No filme, Superman é apresentado como um tipo de Messias, um salvador, que tem poder para intervir e resgatar poderosamente pessoas da destruição e da morte
Em Batman v Superman, Batman já está lutando contra o crime em Gotham City por 20 anos, e é retratado como um soldado cansado da longa guerra travada na noite, e ainda atormentado pela morte dos pais, retratada em Batman Begins e reprisada neste filme. Há a percepção por parte de Batman de que, por mais que ele lute e alcance vitórias, estas são fugazes, e ele não consegue mudar a cidade. Agora, Batman, que marca a ferro quente os bandidos, opera com o assentimento da polícia de Gotham City, enquanto o público parece aprovar suas ações e existência. Esta é uma inversão da premissa das histórias da DC Comics, em que Superman geralmente opera junto com o Estado, respeitando o establishment, enquanto Batman é o pária que age constantemente nas sombras, muitas vezes sendo perseguido pelo governo, e sob escrutínio da imprensa e do público, como naquela que talvez seja a mais destacada história em quadrinhos de Frank Miller, Batman: o Cavaleiro das Trevas. Tendo testemunhado o caos e a morte da batalha de Metrópolis, Batman percebe Superman como uma ameaça para a humanidade.
Um mundo politicamente complexo O roteiro de Batman v Superman inclui uma série de dilemas filosóficos e teológicos, mas os debates políticos, ainda que complexos, não são tão desenvolvidos como no excepcional The Dark Knight Rises.
No nível político, são mencionados o terrorismo; o Ground Zero; a repercussão dos super-heróis nas várias esferas da sociedade, como entretenimento, política e religião; os limites do Estado, na medida em que há aqueles que consideram extremamente perigoso que Superman aja sem qualquer tipo de controle, que deve ser exercido, no caso, pelo governo; o governo usando armas de destruição em massa, movido pelo medo e sem medir consequências; grandes corporações manipulando as informações e colocando em lados opostos aqueles que poderiam ser aliados; como também conglomerados interferindo no país, no governo e nas agências de inteligência e segurança nacional.
Há também uma emocionante cena em que Batman e Superman encontram um terreno comum em suas mães. Uma cena destaca a vulnerabilidade de Superman, ao pedir a Batman: “salve Martha” – e que lembra que até visões políticas conflitantes ainda têm pontos de contato e podem operar juntas contra um poderoso inimigo externo.
Christus Victor No campo teológico, as imagens cristãs e messiânicas são dominantes no filme. Durante a batalha de Metrópolis, um dos personagens encara a morte de pé, com dignidade, proferindo tocante oração: “Deus do Céu… Criador do Céu e da Terra… Tenha piedade de minha alma”. E, em seu momento de maior perigo, fica claro que Martha Kent carrega consigo uma cruz.
Nesse filme, Superman é apresentado como um tipo de Messias, um salvador, que tem poder para intervir e resgatar poderosamente pessoas da destruição e da morte. O niilismo supõe que o homem criou Deus à sua própria imagem, mas o filme inverte esse tropo, retratando o homem, Lex Luthor, criando o diabo, Doomsday/Apocalypse, “uma deformidade tão odiosa, […] a profanação sem nome”, em resposta à presença de Deus. Também – e talvez por isso – é enfatizada no filme a antiga teoria cristã da expiação conhecida como Christus Victor. Ela enfatiza Cristo como o vitorioso; nela, o que ocorreu na morte de Jesus Cristo na cruz foi, na verdade, uma batalha cósmica vitoriosa contra o diabo e o mal. Entre os defensores dessa posição estavam Orígenes de Alexandria e Gregório de Nissa, que defendiam que a vida de Cristo seria um resgate pago ao diabo para nos libertar; e Agostinho de Hipona, que pensava que o diabo foi iludido para atacar a Cristo, sobre o qual ele não tinha direitos, assim perdendo seus direitos sobre quem pertencesse a Cristo. Recentemente, o anglicano C.S. Lewis e o luterano Gustav Aulén defenderam visões semelhantes.
O niilismo supõe que o homem criou Deus à sua própria imagem, mas o filme inverte esse tropo, retratando o homem, Lex Luthor, criando o diabo, Doomsday/Apocalypse
A noção da vitória de Jesus Cristo em sua morte de cruz sobre o diabo e o pecado é uma das imagens bíblicas que nos ajudam a compreender o alcance e poder da obra de expiação de Cristo. A morte do único Salvador foi resgate, propiciação, expiação, sofrimento substitutivo. Mas foi também uma vitória espetacular e decisiva do único Messias sobre o diabo. E esta vitória foi alcançada em sacrifício, fraqueza, solidão e morte. Não raro, as Escrituras combinam estas várias imagens juntas:
“E a vós, quando ainda estáveis mortos nos vossos pecados e na incircuncisão da vossa carne, Deus vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos pecados; e, apagando a escrita de dívida, que nos era contrária e constava contra nós em seus mandamentos, removeu-a do nosso meio, cravando-a na cruz; e, tendo despojado os principados e poderes, os expôs em público e na mesma cruz triunfou sobre eles” (Colossenses 2,13-15).
“Portanto, visto que os filhos compartilham de carne e sangue, ele também participou das mesmas coisas, para que pela morte destruísse aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo; e livrasse todos os que estavam sujeitos à escravidão durante toda a vida, por medo da morte” (Hebreus 2,14-15).
“Quem vive habitualmente no pecado é do Diabo, pois o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente, pois a semente de Deus permanece nele, e ele não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus” (1João 3,8-9).
A combinação destas imagens de resgate, propiciação, expiação, sofrimento substitutivo e vitória destacam a centralidade da cruz na proclamação que o Novo Testamento faz do evangelho do único Messias. E estas imagens têm suas origens no Antigo Testamento judeu, com seu sistema de sacrifício, festas sagradas, templo e sacerdotes. Assim, uma das mais evocativas imagens de Batman v Superman é a de Superman ferido de morte no chão, justaposto a uma cena em que aparecem no fundo destroços em forma de duas cruzes latinas, colocando o personagem em uma moldura claramente cristã. Não por acaso, o filme foi originalmente lançado nos Estados Unidos na Sexta-Feira da Paixão, o dia mais solene do calendário cristão.
Uma vocação para combater o mal Uma cena dramática retrata Bruce Wayne/Batman num pesadelo na cripta de seus pais, pesadelo suscitado pela culpa em relação ao poder do mal que continua dominando Gotham City, a morte de Jason Todd/Robin e de muitos funcionários da Wayne Financial em Metrópolis, quando Superman lutou contra o General Zod – ao mesmo tempo em que Batman, consumido de raiva, medo e vingança, quer honrar seus pais em sua luta contra o crime e o mal, identificado agora em Superman, um alienígena com superpoderes. Além da aparição do Morcego Humano no pesadelo, de relance é possível ver uma pintura do Arcanjo Miguel vindo dos céus, citado na Escritura (Daniel 12,1; Judas 9; Apocalipse 12,7-9), e que aparentemente representaria Superman, em luta para salvar os seres humanos. O pesadelo premonitório é deixado de lado por Bruce, em meio a sexo casual, bebida e remédios – afinal, cumprir uma vocação sagrada não torna ninguém imune a tentações e desvios.
Lex Luthor, que revela que seu pai abusivo era da antiga Alemanha Oriental, parte do bloco comunista durante a Guerra Fria, é a principal voz antiteísta em Batman v Superman. Por meio de monólogos algumas vezes desconexos, ele rejeita a noção de um Deus bom e todo-poderoso, dada a prevalência do mal no mundo. Lex não deve ter lido Agostinho de Hipona, que desmantelou todos os argumentos por ele levantados contra Deus em O livre arbítrio, A verdadeira religião e A cidade de Deus – e a resposta agostiniana é poderosamente ilustrada na ação final sacrificial de Superman.
Apenas no caos anárquico aqueles como Lex Luthor podem se tornar poderosos
O gênio criminoso quer o conflito entre Batman e Superman para ter poder – poder político, enfatize-se, acima inclusive das nações-Estado, porque não tem poder como os super-heróis. E apenas no caos anárquico aqueles como Lex podem se tornar poderosos. Superman e Batman são poderosos a seu modo, mas não querem domínio algum sobre nada ou ninguém, e o cumprimento fiel de uma vocação sagrada é suficiente para ambos.
Ao fim, Lux diz com escárnio: “Agora o deus está morto para valer”. Mas esta não é a palavra final. As palavras finais foram proferidas com clareza e firmeza, de forma tocante, por um clérigo diante do túmulo: “Mas os teus mortos viverão. Seus corpos ressuscitarão. Vocês, que voltaram ao pó, acordem e cantem de alegria. O teu orvalho é orvalho de luz. E a terra dará à luz os seus mortos”.
Já a Mulher-Maravilha é uma princesa guerreira da ilha de Themyscira, a filha de Hipólita, a rainha das amazonas, e de Zeus, a principal divindade do panteão grego. Isso faz da personagem de Diana Prince uma semideusa. A presença de Mulher-Maravilha no filme destaca o outro alicerce que, ao lado do cristianismo, moldou poderosamente a civilização ocidental: a cultura helênica. E a Mulher-Maravilha também assumirá sua vocação para proteger toda a vida e combater o mal.
Superman e Batman são poderosos a seu modo, mas não querem domínio algum sobre nada ou ninguém, e o cumprimento fiel de uma vocação sagrada é suficiente para ambos
E, parece-me, a vocação é um dos temas de Batman v Superman: Batman, Superman e Mulher-Maravilha, cada um a seu modo, precisam refinar e purificar seu sentido de vocação, entender seu lugar no mundo, descobrir o que é ser um herói de fato, para, mais adiante, montar um exército de heróis que combata o mal, sobretudo o mal diabólico, que vem de fora da humanidade.
Além de Lois Lane – que desempenha o que pode ser o papel central na trama –, Martha Kent, Perry White e Alfred Pennyworth, outros personagens do universo DC aparecem: Anatoli Knyazev/KGBeast, Mercy Graves, Emmet Vale, Jimmy Olsen, Jonathan Kent, o General Calvin Swanwick/Caçador de Marte, a Major Carrie Farris/Star Sapphire, Steve Trevor, Flash, Cyborg, Aquaman e Darkseid.
Status de clássico No filme, há citações diretas a histórias em quadrinhos icônicas, como Batman: ano um e Batman: o Cavaleiro das Trevas, assim como A morte do Super-Homem, de Dan Jurgens e outros; Super-homem: funeral para um amigo, de Louise Simonson e Dan Jurgens; Batman: morte em família, de Jim Starlin; Crise nas terras infinitas, de Marv Wolfman; e o videogame Injustiça: deuses entre nós.
Batman, Superman e Mulher-Maravilha, cada um a seu modo, precisam refinar e purificar seu sentido de vocação, entender seu lugar no mundo, descobrir o que é ser um herói de fato, para, mais adiante, montar um exército de heróis que combata o mal
A versão estendida do diretor, Batman v Superman: A Origem da Justiça: Ultimate Edition, ganhou 30 minutos a mais, estruturando melhor os arcos e o desenvolvimento dos personagens. Esta versão substituiu a exibida nos cinemas, e que apresentava uma trama confusa e com cortes abruptos. O site Screenrant ressaltou a importância das cenas adicionais na versão definitiva e como “o filme gradualmente conquistou uma base de fãs dedicada que, sem dúvida, o elevou ao status de cult classic”. A edição definitiva tem nota 9.0 no IMDB.
O filme é longo, mas há muitas cenas e diálogos memoráveis, com boa dose de tensão e drama. Porém, é também um filme brutal, assustador, violento, implacavelmente sombrio e triste. Seria fácil para a DC Comics copiar a fórmula da Marvel de contar as histórias de super-heróis de forma descontraída, com muitas piadas e ação – a trilogia X-Men e Logan são exceções. Em vez disso, seguindo a trilogia do Batman, optou-se por uma abordagem adulta, com heróis eivados de falhas humanas, que têm sua parcela de responsabilidade diante das consequências da violência, e lutas titânicas entre seres superpoderosos, com consequências devastadoras no mundo real, onde pessoas inocentes morrem e os super-heróis não conseguem salvá-las todas.
O período de pandemia e isolamento social mudou a forma de trabalhar dos brasileiros, além de abrir novas oportunidades e perspectivas de trabalho. Para se ter ideia, uma pesquisa da FIA Employee Experience (FEEx), com dados colhidos no segundo semestre de 2020 a partir de questionários respondidos por 213 empresas em todo o território nacional, aponta que 90% das empresas aderiram a alguma modalidade de home office. Além disso, somente 43% das empresas ofereciam alguma opção de trabalho à distância antes da pandemia.
As pessoas também começaram a buscar novas formas de negócios para se reinventar profissionalmente em meio a tantas mudanças causadas pela pandemia. De acordo com o Mapa de Empresas, do Ministério da Economia, no fim do terceiro quadrimestre de 2020 existiam 11 milhões MEIs ativos no Brasil. Em março deste ano, eles já respondiam por 56,7% do total de negócios em funcionamento no país.
A pandemia mudou a vida e os negócios como os conhecemos, e deixou ainda mais claro que para quem quer seguir adiante e se dar bem na carreira, é importante entender a melhor forma de criar conexões com as pessoas.
Os líderes das empresas estão começando a perceber que a implementação eficaz da tecnologia é absolutamente crítica agora. A implementação e o aumento do home office é apenas uma das inúmeras provas de que não há como sobreviver, em tempos pós pandêmicos, sem estar conectado com a cultura do trabalho digital.
É importante entender que o gênio saiu da garrafa e é provável que muitas pessoas adotem uma abordagem híbrida para suas redes de trabalho, mesmo após a pandemia. À medida que isso acontecer, nós veremos mais networking de negócios ocorrendo por meio de algum tipo de formato de realidade mista, que irá globalizar o mercado.
Entretanto, por mais que o virtual possa funcionar, ainda acredito que algumas coisas têm um melhor resultado presencialmente. Quando falamos de networking, as reuniões cara a cara são mais adequadas e não vão desaparecer completamente. Isso porque, quando trabalhamos com networking, estamos falando sobre como cultivar e colher relacionamentos com as pessoas. É sobre se relacionar, não fazer negócios.
Para quem deseja fazer um networking que dê resultados, listo algumas dicas:
Não vá direto para o modo de vendas: as pessoas tentam pular a visibilidade e a credibilidade para chegar ao momento da lucratividade com mais rapidez. Isso acontece o tempo todo, principalmente nas redes sociais. As pessoas se conectam e no dia seguinte estão vendendo seus produtos e serviços.
A realidade é que isso são vendas, não networking. É preciso ter uma conexão verdadeira ou ajudar alguém antes de pedir algo. As pessoas costumam dizer que perguntar nunca é demais, mas estão erradas. Pode doer e as coisas podem dar errado se você perguntar muito cedo.
Leve em consideração o “efeito borboleta”: quando falamos em efeito borboleta, é algo simples e fácil de se entender. Você não sabe quem as pessoas conhecem, então apenas entre em contato com alguém para construir um relacionamento. É preciso ter um ponto de partida para conhecer as pessoas.
Conhecendo alguém em uma reunião ou evento, ela pode te indicar para outras pessoas e, dessa forma, você vai construir relacionamentos sem saber onde esse efeito borboleta pode te levar, mas mudando a vida dos seus negócios.
Fale com as pessoas: quando se trata de networking, é importante falar com as pessoas e pensar em maneiras criativas de construir o seu negócio. Dedique tempo aos relacionamentos que você já tem. Estenda a mão e pergunte se elas estão bem, se há algo que você pode fazer para ajudá-las.
A correria do dia a dia nos faz pensar que nunca há tempo para fazer networkings, mas na realidade sempre há. Não é tarde demais para começar a construir sua rede agora, uma pessoa de cada vez.
Lei da Reciprocidade: é importante ter a visão de que a confiança colaborativa é a moeda mais valiosa nos negócios, nos relacionamentos e na vida. O marketing de referência e indicações nunca foram tão importantes quanto nos dias de hoje, em que as empresas precisam conquistar novos clientes, presencial ou remotamente, para não colocar em risco a sua operação.
Os empreendedores precisam aprender os benefícios da filosofia “Givers Gain”, ou seja, “se eu lhe ajudar indicando negócios, você vai se interessar em me ajudar também”. É a Lei da Reciprocidade em ação no mundo dos negócios.
CARACTERÍSTICAS DA VALEON
Perseverança
Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que permitem seguir perseverante.
Comunicação
Comunicação é a transferência de informação e significado de uma pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem positiva junto a seus públicos.
Autocuidado
Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.
Autonomia
Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é incompatível com elas.
A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.
Inovação
Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades, exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.
Busca por Conhecimento Tecnológico
A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia, uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.
Capacidade de Análise
Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um mundo com abundância de informações no qual o discernimento, seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade de analisar ganha importância ainda maior.
Resiliência
É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões (inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.
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Via Dutra em Guarulhos (SP): leilão de concessão da rodovia, que deve permitir um dos maiores investimentos em infraestrutura do país, deve ocorrer até o fim deste ano.| Foto: Clóvis Rossi/Divulgação/CCR
A infraestrutura nacional de transporte está se tornando um exemplo bastante evidente do enorme potencial que pode ser destravado com uma simples mudança de mentalidade por parte de um governo. Na era petista, dominada pela crença no protagonismo estatal na condução da economia, as concessões eram realizadas quase a contragosto, diante da inevitável constatação da incapacidade de investir na malha rodoviária ou nos aeroportos – a relutância de Dilma Rousseff era tanta que alguns dos principais terminais aéreos brasileiros só foram leiloados às vésperas da Copa do Mundo de 2014, e mesmo assim a administração privada foi capaz de entregar o Terminal 3 de Guarulhos em dois anos, antes de a bola rolar; na ocasião, a diretora da Secretaria de Aviação Civil, Martha Seillier, disse à Gazeta do Povo que “a Infraero não faria o que foi feito com a mesma qualidade e no mesmo período”.
A chegada de um governo que efetivamente acredita na iniciativa privada como motor da economia trouxe uma transformação no campo da infraestrutura. A meta do governo para o quadriênio de 2019 a 2022 era de garantir R$ 250 bilhões em investimentos privados nesta área; até o momento, vieram quase R$ 13,5 bilhões em outorgas e R$ 74 bilhões em investimentos contratados, nas concessões de 34 aeroportos, 29 terminais portuários, cinco rodovias e duas ferrovias, além da renovação de outros dois contratos ferroviários. A pandemia forçou uma pausa nos leilões, mas a retomada é promissora.
A chegada de um governo que efetivamente acredita na iniciativa privada como motor da economia trouxe uma transformação no campo da infraestrutura
Ainda em 2021 devem ocorrer mais 17 leilões – como a renovação da concessão da Via Dutra, a principal ligação rodoviária do país, entre São Paulo e Rio de Janeiro –, com previsão de R$ 42 bilhões em investimentos. E, no ano que vem, serão concedidos 16 aeroportos (incluindo Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio), portos, ferrovias e mais 12 mil quilômetros de rodovias. A previsão do governo é levantar mais R$ 146 bilhões no próximo ano, batendo a meta.
Os números ainda não incluem investimentos na modalidade de autorização, que podem render mais algumas dezenas de bilhões de reais. Bastou que o governo editasse uma medida provisória implantando um novo marco legal para o setor de ferrovias, e o Ministério da Infraestrutura já recebeu 14 pedidos de autorização para construção de ramais ferroviários, com investimentos previstos de R$ 80 bilhões, correspondentes a 5,3 mil quilômetros de novos trilhos em 11 estados – se todos os novos trechos forem construídos, a malha ferroviária nacional aumentará em quase 20%.
Décadas de estatismo fizeram da infraestrutura de transporte uma calamidade nacional. Rodovias em péssimo estado cobram um custo caríssimo em vidas perdidas em acidentes que poderiam ter sido evitados se as estradas tivessem condições melhores. O sucateamento e a insuficiência em vários modais tiram competividade do país, encarecendo sobremaneira o transporte da produção nacional para os centros consumidores e exportadores. É absurdo, por exemplo, que a extensão da malha ferroviária nacional atual seja praticamente a mesma de 100 anos atrás e que, para chegar a portos movimentados como Paranaguá, trens sejam obrigados a percorrer uma ferrovia construída no século 19, cheia de limitações à velocidade e ao tamanho das composições, quando poderiam usar novos traçados, mais modernos.
Apesar dos números animadores, todo esse dinheiro servirá apenas para começar a recuperar o tempo perdido, pois o investimento em infraestrutura de transporte ainda precisaria crescer em ritmo muito maior – mais que o dobro do atual, como proporção do PIB, pelos próximos 20 anos – para que o Brasil tenha uma rede considerada moderna em meados da década de 40 deste século. O que o ministro Tarcísio de Freitas chama de “revolução”, referindo-se às novas regras para ferrovias, precisa se tornar uma constante. Isso só virá quando, aos marcos regulatórios hoje em implantação – e que incluem o do saneamento, outra área que tem muito a ganhar com o investimento privado –, somarem-se segurança jurídica, estabilidade institucional, contas públicas em ordem e um ambiente de negócios realmente amigável ao investidor.