sábado, 25 de setembro de 2021

INQUÉRITO DO FIM DO MUNDO PARA ONDE VAI NO STF

 

Alexandre de Moraes assumiu o inquérito porque já havia conduzido outras investigações sobre “atos antidemocráticos”, apesar da PGR ter pedido sorteio entre os ministros| Foto: STF

Passadas mais de duas semanas das manifestações do dia 7 de setembro, a favor do governo de Jair Bolsonaro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito aberto na Corte para investigar a eventual ocorrência de atos violentos contra ministros ou senadores chegou a poucos resultados concretos. A Gazeta do Povo teve acesso às mais de 1,6 mil páginas dos autos, que tramitam sob sigilo, ouviu advogados e investigadores do caso, e verificou que o relator, Alexandre de Moraes; a Polícia Federal, que toca as diligências; e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a apuração, ainda não chegaram a conclusões sobre a real ameaça das manifestações contra a democracia e as instituições, motivo principal da investigação.

O sinal mais claro disso foi uma decisão do próprio ministro, do último dia 9, revogando, de ofício, a prisão preventiva do jornalista Oswaldo Eustáquio, que havia sido determinada no dia 5 de setembro. Afirmou que “naquele momento”, a medida se justificava em razão da divulgação de “mensagens, agressões e ameaças” contra o Estado de Direito, mas que, passado o feriado, não estariam mais presentes “os requisitos fáticos necessários à manutenção da decretação da prisão preventiva”. Como se sabe, não foram registrados atos violentos, invasões do STF e do Congresso, em Brasília, nem depredações a edifícios públicos ou rebeliões policiais nas capitais onde ocorreram os atos.

“Não existia razão nenhuma para ter aberto esse inquérito. Os crimes que eles estão sendo acusados é de opinião. Mas vamos dizer que o inquérito fosse justo. Não houve qualquer depredação, foi ordeira no Brasil inteiro a manifestação de 7 de setembro. Qual era a preocupação? A integridade física dos ministros e senadores, bem como evitar depredação. Isso nunca aconteceu”, disse à reportagem o advogado Levi de Andrade, que defende Oswaldo Eustáquio e o caminhoneiro Zé Trovão.

Mesmo dentro da PGR, de onde partiu o início da investigação, há dúvida sobre o resultado do inquérito. Nos bastidores, subprocuradores que se opõem ao caso dizem que ele não deveria estar tramitando no STF. “O objetivo é mais dissuasão que punição”, disse um deles à reportagem, sob condição de anonimato. “É o que se chama de ‘direito penal do inimigo’ ou ‘direito penal da emergência’. Guantánamo é direito penal do inimigo”, completou, referindo-se a investigações ilegais que, a pretexto de combater extremistas, suprimem direitos básicos de defesa dos investigados.

Neste mês, chegaram ao STF os resultados das buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal antes dos atos. Num relatório apresentado a Moraes no dia 6 de setembro, dia de diligências, o delegado Dhiego Almeida listou 11 endereços, dos alvos da investigação, visitados pelos policiais em busca de provas. Em nove deles, o resultado foi “negativo”, ou seja, a pessoa nem morava no local e nada foi recolhido. Nos demais locais, foram apreendidos computadores e celulares, cujo conteúdo ainda está sendo analisado pela PF. As perícias, que ainda não estão prontas, poderão indicar o caminho para onde seguirá a investigação.

Um dos alvos de maior interesse do inquérito é a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), pela suspeita de que teria patrocinado as manifestações. Um dos endereços em Brasília era um espaço de coworking, onde a entidade alugava espaços esporadicamente e no qual não foram encontrados documentos sobre seu funcionamento. Em sua filial no Mato Grosso, os policiais vasculharam o computador na sala da presidência. “Não se encontrou nenhum elemento que pudesse ser de interesse da investigação […] Na sala do vice-presidente nada de relevante foi encontrado”, registraram em relatório enviado a Moraes.

Num computador, foi encontrada “apenas uma imagem isolada de apoio ao voto impresso”. Os únicos objetos dignos de registro encontrados foram 3 mil máscaras nas cores verde e amarelo com a inscrição “Brasil verde e amarelo”. A gerente da associação mostrou ao delegado documento comprovando que eram doações que seriam distribuídas à população junto com outros brindes (pulseiras, canetas, bonés, copos, camisetas e blocos de anotação) no fim de semana seguinte às manifestações, 11 e 12 de setembro. “Diante dos fatos e da apresentação de documento comprovando a campanha de doação de brindes desvinculada de cunho político ou de atos antidemocráticos, deixou-se de apreender qualquer objeto encontrado como forma de brinde”, registrou o delegado Antônio Freire.

Em âmbito nacional e em sua unidade matogrossense, a entidade também teve as contas bloqueadas para saques. Moraes determinou ainda que fossem identificados todos os valores acima de R$ 10 mil transferidos de suas contas para outras pessoas ou empresas. Surgiu a suspeita de que a Aprosoja estivesse desviando dinheiro de contribuições obrigatórias que recebe para financiar os atos de 7 de setembro.

“Quando veio a notícia pela imprensa do que fizeram, entrei em contato com os dirigentes. Ouvi ‘ainda bem que fizeram isso, porque não vão achar nada, não tinha nenhum patrocínio'”, disse à reportagem o advogado Néri Perin, que, até o início da investigação, fazia a defesa do presidente da Aprosoja, Antônio Galvan, um dos alvos. Ele deixou de advogar no caso por não conseguir acesso aos autos e às suspeitas que pesavam sobre Galvan, de quem é amigo há mais de 30 anos. “É um inquérito de exceção, foi criado com outra finalidade. O povo no Dia da Independência, pedindo liberdade, é ato antidemocrático? Minha preocupação é que quando vem de cima, o que pode acontecer lá em baixo?”, protestou, ressalvando que, apesar de considerar o inquérito ilegal, Galvan foi tratado com bastante respeito e gentileza pelos policiais.

Em agosto, quando depôs à PF, o agricultor negou “qualquer relação com movimentos que tentam abolir o Estado Democrático de Direito”. Disse integrar o Brasil Verde-Amarelo, formado por produtores rurais que, segundo ele, protestam contra uma decisão do STF de 2017 que os obrigou a pagar contribuições previdenciárias sobre a receita bruta da comercialização de seus produtos, o chamado Funrural. “É um movimento democrático, que prega os valores de liberdade, democracia, independência dos poderes, fim da corrupção e apoio ao presidente da República”, afirmou Galvan, negando que o movimento contra o Funrural seja financiado pela Aprosoja.

O bloqueio das contas da entidade deveria durar até o dia 8 de setembro, mas acabou perdurando sem maiores explicações, apesar de vários pedidos para liberação apresentados por advogados ao STF.

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Objeto e alvos da investigação do STF
A investigação sobre os preparativos do 7 de Setembro foi pedida ao STF em 16 de agosto pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araujo, braço direito na área criminal do procurador-geral, Augusto Aras. No pedido, afirmou que, por meio de postagens e vídeos nas redes sociais, um grupo de 10 pessoas estava convocando a população para um protesto pedindo a aprovação do voto impresso, proposta que já havia sido derrotada na Câmara; bem como a destituição dos 11 ministros do STF, por meio da pressão sobre o Senado para avançar com processos de impeachment contra eles. Entre os principais alvos estavam o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão, e o cantor e ex-deputado Sérgio Reis, em razão de declarações gravadas em julho, principalmente.

Numa live, por exemplo, Zé Trovão falou em “fechar Brasília”, “invadir” o STF, “partir para cima” dos senadores na manifestação. Para isso, dizia que haveria apoio de empresários do agronegócio para bancar viagem, alimentação e hospedagem de manifestantes. Sérgio Reis, por sua vez, aparece em gravações, durante reuniões em São Paulo e Brasília, com caminhoneiros e agricultores, em que fala em “intimação” do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para iniciar processos de impeachment dos ministros. Se nada ocorresse, disse que “ninguém anda[rá] no país”, “a cobra vai fumar”, sugerindo uma paralisação dos caminhoneiros pelas estradas do país.

Desses encontros e transmissões, participaram outras pessoas, como o cantor da Jovem Guarda Eduardo Araújo; o jornalista Wellington Macedo (que reside em Sobral-CE, faz coberturas em Brasília e fundou o movimento Marcha da Família Cristã pela Liberdade); os empresários Antônio Galvan (morador de Cuiabá e presidente da Aprosoja Brasil), Alexandre Petersen (líder do movimento Coalizão Pró-Civilização Cristã e editor do site Brasil Livre, que receberia doações para os atos) e Turíbio Torres (dono de uma concessionária de veículos em Joinville-SC); o despachante Juliano Martins e o articulista Bruno Semczeszm (ambos de Joinville). Todos passaram a ser investigados.

A PGR ainda incluiu no inquérito o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), apoiador fiel de Bolsonaro, por causa de um post em que falava em “forçar o Senado” a abrir processo de impeachment de Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Por causa da inclusão do parlamentar, o inquérito foi levado ao STF. Lindôra pediu que fosse sorteado um ministro para relatar o inquérito, mas a Secretaria Judiciária da Corte decidiu entregá-lo a Moraes porque ele já havia conduzido investigação semelhante.

No dia 18 de agosto, dois dias após o pedido de abertura do inquérito, o ministro autorizou buscas e apreensões contra todos os alvos, proibiu que eles se aproximassem de ministros e senadores, impediu que recebessem doações e bloqueou seus perfis nas redes sociais, proibindo-os de usá-las e de aparecerem fisicamente nas manifestações.

No início de setembro, a pedido da PGR, Moraes mandou a PF prender Zé Trovão, Wellington Macedo e Oswaldo Eustáquio por causa da participação deles numa nova live, no fim de agosto, chamando as pessoas para as manifestações. Eles estavam proibidos de usar as redes. Para a subprocuradora Lindôra, o propósito era “incitar a realização de atos violentos com fechamento de estradas para pressionar o Senado a aceitar o pedido de impeachment contra ministros do STF”.

Em 5 de setembro, antevéspera das manifestações, também a pedido da PGR, Moraes incluiu novos personagens na investigação. Mandou prender Márcio Niquelati, um professor de Otacílio Costa (SC) que, num vídeo que circulou na internet, disse que tinha um “grupamento” para “caçar ministros em qualquer lugar que eles estejam” e que “um empresário grande” estaria oferecendo “uma grana federal pela cabeça do Alexandre de Moraes, vivo ou morto”.

No mesmo dia, 6 de setembro, foi preso o policial reformado Cássio Rodrigues Costa Souza, morador de Conselheiro Lafaiete (MG). Nas redes sociais, em protesto contra a ordem de prisão de Zé Trovão, ele defendeu a morte de Moraes. “Terça-feira vamos te matar e toda sua família seu vagabundo […] nós militares te eliminaremos […] vou te dar um tiro de 762 no seu focinho e acabar com sua família”, postou.

O jornalista Wellington Macedo, preso por participar de uma live, ainda está no presídio da Papuda, em Brasília, e há 18 dias faz uma greve de fome em protesto. Também permanecem detidos o professor Márcio Niquelati e o policial reformado Cássio Souza. Zé Trovão está no México, para onde viajou ainda no dia 28 de agosto, antes de seu decreto de prisão — ele pediu asilo político e cogita ir para os Estados Unidos. Apesar de não ter mandado de prisão, Oswaldo Eustáquio permanece no México e teme voltar ao Brasil.

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O que dizem os investigados
Nos depoimentos que prestaram ainda em agosto, quando começou a investigação, os alvos do inquérito negaram intenção de promover um golpe. Interrogados pelos policiais, eles explicaram quais eram os objetivos e detalharam como se organizavam para os atos. O professor Márcio Niquelati e o policial reformado Cássio Souza, presos por proferirem ameaças graves, alegaram problemas psiquiátricos.

Zé Trovão foi questionado sobre um discurso, em 22 de março, num ato em Joinville, no qual defendia uma intervenção militar no país. Negou tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, disse que conheceu os outros investigados pela internet e que o objetivo dos atos de 7 de setembro era o impeachment dos 11 ministros do STF. Várias vezes, afirmou desconhecer como recursos doados seriam usados nas manifestações. Questionado depois sobre como pretendia “fazer a limpeza dos 11 ministros do STF”, como havia dito em um vídeo, respondeu que não pretendia exercer qualquer ato de violência.

O caminhoneiro confirmou que no dia 9 de agosto, quase um mês antes das manifestações, encontrou-se, em Brasília, com o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; o assessor especial da Presidência Mozart Vianna; o ministro do Turismo, Gilson Machado; e com os deputados federais do PSL Nelson Barbudo (MT) e Hélio Lopes (RJ), todos apoiadores e muito próximos de Bolsonaro.

Disse que o objetivo desta viagem à capital federal era organizar os atos de 7 de setembro, mas que os encontros com as autoridades foram “casuais”. “O declarante esteve no Palácio do Planalto em reunião para tratar de assunto afeto à classe dos caminhoneiros; que não foi discutido o impeachment dos ministros do STF com essas autoridades”, registra o termo do depoimento.

Em seu depoimento, também no final de agosto, Sérgio Reis negou participação em movimentos antidemocráticos, disse não ter relação próxima com outros investigados (que disse ter conhecido somente neste ano, em reuniões para tratar de assuntos ligados à agricultura) e afirmou ainda desconhecer detalhes da organização da manifestação de 7 de setembro. Ele confirmou que, em 9 de agosto, foi almoçar com Bolsonaro no Palácio do Planalto, onde estavam presentes os comandantes das Forças Armadas. “Não houve qualquer tipo de conversa sobre movimentos, que as conversas foram triviais”, afirmou.

Depois, repetindo o pedido de desculpas que já havia feito numa entrevista na TV, o cantor disse que foi um erro sua fala, num áudio de WhatsApp vazado, em que dizia que manifestantes iriam “invadir, quebrar tudo e tirar [os ministros] na marra”. “A frase foi uma força de expressão”, disse, acrescentando que, se preciso for, iria pedir desculpas aos ministros do STF.

Em seu interrogatório, o deputado Otoni de Paula disse que suas manifestações nas redes, motivo de ser investigado, são críticas políticas e não antidemocráticas. “O impedimento [de ministros do STF] é um dos atos mais democráticos da democracia brasileira. O que seria antidemocrático seria tirar alguém do poder por força da violência, não pelo rito previsto na Constituição”, afirmou.

Wellington Macedo, jornalista registrado, preso por participar de uma live, afirmou em depoimento que seu trabalho não é político. “Não costumo emitir minha opinião. Nunca ataquei com palavras e nem com vídeos qualquer instituição, pública ou privada. As coberturas que fiz se deram em razão do contexto atual e são meu ganha-pão”, disse. A defesa já pediu sua soltura, mas ainda não há decisão. Familiares dizem que ele pode morrer na prisão, pois não consegue mais se alimentar.

O professor Márcio Niquelati, do interior catarinense, que disse que havia empresário pagando pela morte de Moraes, afirmou, em depoimento, que tem autismo, “problema nos nervos e de socialização”. “Tenho problemas em ficar trancado, resultando em fobia e estresse”, afirmou. O policial reformado Cássio Souza, do interior de Minas, que defendeu a morte de Moraes, afirmou que faz tratamento para depressão e ansiedade e já foi internado mais de 10 vezes por dependência alcoolica. Disse que foi reformado da PM por “incapacidade para o serviço policial militar sob o argumento de alienação mental”.
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/para-onde-vai-a-investigacao-do-stf-sobre-os-atos-de-7-de-setembro/?ref=mais-lidas
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Inquérito sigiloso
Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília

Alexandre de Moraes assumiu o inquérito porque já havia conduzido outras investigações sobre “atos antidemocráticos”, apesar da PGR ter pedido sorteio entre os ministros| Foto: STF

Passadas mais de duas semanas das manifestações do dia 7 de setembro, a favor do governo de Jair Bolsonaro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito aberto na Corte para investigar a eventual ocorrência de atos violentos contra ministros ou senadores chegou a poucos resultados concretos. A Gazeta do Povo teve acesso às mais de 1,6 mil páginas dos autos, que tramitam sob sigilo, ouviu advogados e investigadores do caso, e verificou que o relator, Alexandre de Moraes; a Polícia Federal, que toca as diligências; e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a apuração, ainda não chegaram a conclusões sobre a real ameaça das manifestações contra a democracia e as instituições, motivo principal da investigação.

O sinal mais claro disso foi uma decisão do próprio ministro, do último dia 9, revogando, de ofício, a prisão preventiva do jornalista Oswaldo Eustáquio, que havia sido determinada no dia 5 de setembro. Afirmou que “naquele momento”, a medida se justificava em razão da divulgação de “mensagens, agressões e ameaças” contra o Estado de Direito, mas que, passado o feriado, não estariam mais presentes “os requisitos fáticos necessários à manutenção da decretação da prisão preventiva”. Como se sabe, não foram registrados atos violentos, invasões do STF e do Congresso, em Brasília, nem depredações a edifícios públicos ou rebeliões policiais nas capitais onde ocorreram os atos.

“Não existia razão nenhuma para ter aberto esse inquérito. Os crimes que eles estão sendo acusados é de opinião. Mas vamos dizer que o inquérito fosse justo. Não houve qualquer depredação, foi ordeira no Brasil inteiro a manifestação de 7 de setembro. Qual era a preocupação? A integridade física dos ministros e senadores, bem como evitar depredação. Isso nunca aconteceu”, disse à reportagem o advogado Levi de Andrade, que defende Oswaldo Eustáquio e o caminhoneiro Zé Trovão.

Mesmo dentro da PGR, de onde partiu o início da investigação, há dúvida sobre o resultado do inquérito. Nos bastidores, subprocuradores que se opõem ao caso dizem que ele não deveria estar tramitando no STF. “O objetivo é mais dissuasão que punição”, disse um deles à reportagem, sob condição de anonimato. “É o que se chama de ‘direito penal do inimigo’ ou ‘direito penal da emergência’. Guantánamo é direito penal do inimigo”, completou, referindo-se a investigações ilegais que, a pretexto de combater extremistas, suprimem direitos básicos de defesa dos investigados.

Neste mês, chegaram ao STF os resultados das buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal antes dos atos. Num relatório apresentado a Moraes no dia 6 de setembro, dia de diligências, o delegado Dhiego Almeida listou 11 endereços, dos alvos da investigação, visitados pelos policiais em busca de provas. Em nove deles, o resultado foi “negativo”, ou seja, a pessoa nem morava no local e nada foi recolhido. Nos demais locais, foram apreendidos computadores e celulares, cujo conteúdo ainda está sendo analisado pela PF. As perícias, que ainda não estão prontas, poderão indicar o caminho para onde seguirá a investigação.

Um dos alvos de maior interesse do inquérito é a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), pela suspeita de que teria patrocinado as manifestações. Um dos endereços em Brasília era um espaço de coworking, onde a entidade alugava espaços esporadicamente e no qual não foram encontrados documentos sobre seu funcionamento. Em sua filial no Mato Grosso, os policiais vasculharam o computador na sala da presidência. “Não se encontrou nenhum elemento que pudesse ser de interesse da investigação […] Na sala do vice-presidente nada de relevante foi encontrado”, registraram em relatório enviado a Moraes.

Num computador, foi encontrada “apenas uma imagem isolada de apoio ao voto impresso”. Os únicos objetos dignos de registro encontrados foram 3 mil máscaras nas cores verde e amarelo com a inscrição “Brasil verde e amarelo”. A gerente da associação mostrou ao delegado documento comprovando que eram doações que seriam distribuídas à população junto com outros brindes (pulseiras, canetas, bonés, copos, camisetas e blocos de anotação) no fim de semana seguinte às manifestações, 11 e 12 de setembro. “Diante dos fatos e da apresentação de documento comprovando a campanha de doação de brindes desvinculada de cunho político ou de atos antidemocráticos, deixou-se de apreender qualquer objeto encontrado como forma de brinde”, registrou o delegado Antônio Freire.

Em âmbito nacional e em sua unidade matogrossense, a entidade também teve as contas bloqueadas para saques. Moraes determinou ainda que fossem identificados todos os valores acima de R$ 10 mil transferidos de suas contas para outras pessoas ou empresas. Surgiu a suspeita de que a Aprosoja estivesse desviando dinheiro de contribuições obrigatórias que recebe para financiar os atos de 7 de setembro.

“Quando veio a notícia pela imprensa do que fizeram, entrei em contato com os dirigentes. Ouvi ‘ainda bem que fizeram isso, porque não vão achar nada, não tinha nenhum patrocínio'”, disse à reportagem o advogado Néri Perin, que, até o início da investigação, fazia a defesa do presidente da Aprosoja, Antônio Galvan, um dos alvos. Ele deixou de advogar no caso por não conseguir acesso aos autos e às suspeitas que pesavam sobre Galvan, de quem é amigo há mais de 30 anos. “É um inquérito de exceção, foi criado com outra finalidade. O povo no Dia da Independência, pedindo liberdade, é ato antidemocrático? Minha preocupação é que quando vem de cima, o que pode acontecer lá em baixo?”, protestou, ressalvando que, apesar de considerar o inquérito ilegal, Galvan foi tratado com bastante respeito e gentileza pelos policiais.

Em agosto, quando depôs à PF, o agricultor negou “qualquer relação com movimentos que tentam abolir o Estado Democrático de Direito”. Disse integrar o Brasil Verde-Amarelo, formado por produtores rurais que, segundo ele, protestam contra uma decisão do STF de 2017 que os obrigou a pagar contribuições previdenciárias sobre a receita bruta da comercialização de seus produtos, o chamado Funrural. “É um movimento democrático, que prega os valores de liberdade, democracia, independência dos poderes, fim da corrupção e apoio ao presidente da República”, afirmou Galvan, negando que o movimento contra o Funrural seja financiado pela Aprosoja.

O bloqueio das contas da entidade deveria durar até o dia 8 de setembro, mas acabou perdurando sem maiores explicações, apesar de vários pedidos para liberação apresentados por advogados ao STF.


Objeto e alvos da investigação do STF
A investigação sobre os preparativos do 7 de Setembro foi pedida ao STF em 16 de agosto pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araujo, braço direito na área criminal do procurador-geral, Augusto Aras. No pedido, afirmou que, por meio de postagens e vídeos nas redes sociais, um grupo de 10 pessoas estava convocando a população para um protesto pedindo a aprovação do voto impresso, proposta que já havia sido derrotada na Câmara; bem como a destituição dos 11 ministros do STF, por meio da pressão sobre o Senado para avançar com processos de impeachment contra eles. Entre os principais alvos estavam o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão, e o cantor e ex-deputado Sérgio Reis, em razão de declarações gravadas em julho, principalmente.

Numa live, por exemplo, Zé Trovão falou em “fechar Brasília”, “invadir” o STF, “partir para cima” dos senadores na manifestação. Para isso, dizia que haveria apoio de empresários do agronegócio para bancar viagem, alimentação e hospedagem de manifestantes. Sérgio Reis, por sua vez, aparece em gravações, durante reuniões em São Paulo e Brasília, com caminhoneiros e agricultores, em que fala em “intimação” do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para iniciar processos de impeachment dos ministros. Se nada ocorresse, disse que “ninguém anda[rá] no país”, “a cobra vai fumar”, sugerindo uma paralisação dos caminhoneiros pelas estradas do país.

Desses encontros e transmissões, participaram outras pessoas, como o cantor da Jovem Guarda Eduardo Araújo; o jornalista Wellington Macedo (que reside em Sobral-CE, faz coberturas em Brasília e fundou o movimento Marcha da Família Cristã pela Liberdade); os empresários Antônio Galvan (morador de Cuiabá e presidente da Aprosoja Brasil), Alexandre Petersen (líder do movimento Coalizão Pró-Civilização Cristã e editor do site Brasil Livre, que receberia doações para os atos) e Turíbio Torres (dono de uma concessionária de veículos em Joinville-SC); o despachante Juliano Martins e o articulista Bruno Semczeszm (ambos de Joinville). Todos passaram a ser investigados.

A PGR ainda incluiu no inquérito o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), apoiador fiel de Bolsonaro, por causa de um post em que falava em “forçar o Senado” a abrir processo de impeachment de Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Por causa da inclusão do parlamentar, o inquérito foi levado ao STF. Lindôra pediu que fosse sorteado um ministro para relatar o inquérito, mas a Secretaria Judiciária da Corte decidiu entregá-lo a Moraes porque ele já havia conduzido investigação semelhante.

No dia 18 de agosto, dois dias após o pedido de abertura do inquérito, o ministro autorizou buscas e apreensões contra todos os alvos, proibiu que eles se aproximassem de ministros e senadores, impediu que recebessem doações e bloqueou seus perfis nas redes sociais, proibindo-os de usá-las e de aparecerem fisicamente nas manifestações.

No início de setembro, a pedido da PGR, Moraes mandou a PF prender Zé Trovão, Wellington Macedo e Oswaldo Eustáquio por causa da participação deles numa nova live, no fim de agosto, chamando as pessoas para as manifestações. Eles estavam proibidos de usar as redes. Para a subprocuradora Lindôra, o propósito era “incitar a realização de atos violentos com fechamento de estradas para pressionar o Senado a aceitar o pedido de impeachment contra ministros do STF”.

Em 5 de setembro, antevéspera das manifestações, também a pedido da PGR, Moraes incluiu novos personagens na investigação. Mandou prender Márcio Niquelati, um professor de Otacílio Costa (SC) que, num vídeo que circulou na internet, disse que tinha um “grupamento” para “caçar ministros em qualquer lugar que eles estejam” e que “um empresário grande” estaria oferecendo “uma grana federal pela cabeça do Alexandre de Moraes, vivo ou morto”.

No mesmo dia, 6 de setembro, foi preso o policial reformado Cássio Rodrigues Costa Souza, morador de Conselheiro Lafaiete (MG). Nas redes sociais, em protesto contra a ordem de prisão de Zé Trovão, ele defendeu a morte de Moraes. “Terça-feira vamos te matar e toda sua família seu vagabundo […] nós militares te eliminaremos […] vou te dar um tiro de 762 no seu focinho e acabar com sua família”, postou.

O jornalista Wellington Macedo, preso por participar de uma live, ainda está no presídio da Papuda, em Brasília, e há 18 dias faz uma greve de fome em protesto. Também permanecem detidos o professor Márcio Niquelati e o policial reformado Cássio Souza. Zé Trovão está no México, para onde viajou ainda no dia 28 de agosto, antes de seu decreto de prisão — ele pediu asilo político e cogita ir para os Estados Unidos. Apesar de não ter mandado de prisão, Oswaldo Eustáquio permanece no México e teme voltar ao Brasil.


O que dizem os investigados
Nos depoimentos que prestaram ainda em agosto, quando começou a investigação, os alvos do inquérito negaram intenção de promover um golpe. Interrogados pelos policiais, eles explicaram quais eram os objetivos e detalharam como se organizavam para os atos. O professor Márcio Niquelati e o policial reformado Cássio Souza, presos por proferirem ameaças graves, alegaram problemas psiquiátricos.

Zé Trovão foi questionado sobre um discurso, em 22 de março, num ato em Joinville, no qual defendia uma intervenção militar no país. Negou tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, disse que conheceu os outros investigados pela internet e que o objetivo dos atos de 7 de setembro era o impeachment dos 11 ministros do STF. Várias vezes, afirmou desconhecer como recursos doados seriam usados nas manifestações. Questionado depois sobre como pretendia “fazer a limpeza dos 11 ministros do STF”, como havia dito em um vídeo, respondeu que não pretendia exercer qualquer ato de violência.

O caminhoneiro confirmou que no dia 9 de agosto, quase um mês antes das manifestações, encontrou-se, em Brasília, com o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; o assessor especial da Presidência Mozart Vianna; o ministro do Turismo, Gilson Machado; e com os deputados federais do PSL Nelson Barbudo (MT) e Hélio Lopes (RJ), todos apoiadores e muito próximos de Bolsonaro.

Disse que o objetivo desta viagem à capital federal era organizar os atos de 7 de setembro, mas que os encontros com as autoridades foram “casuais”. “O declarante esteve no Palácio do Planalto em reunião para tratar de assunto afeto à classe dos caminhoneiros; que não foi discutido o impeachment dos ministros do STF com essas autoridades”, registra o termo do depoimento.

Em seu depoimento, também no final de agosto, Sérgio Reis negou participação em movimentos antidemocráticos, disse não ter relação próxima com outros investigados (que disse ter conhecido somente neste ano, em reuniões para tratar de assuntos ligados à agricultura) e afirmou ainda desconhecer detalhes da organização da manifestação de 7 de setembro. Ele confirmou que, em 9 de agosto, foi almoçar com Bolsonaro no Palácio do Planalto, onde estavam presentes os comandantes das Forças Armadas. “Não houve qualquer tipo de conversa sobre movimentos, que as conversas foram triviais”, afirmou.

Depois, repetindo o pedido de desculpas que já havia feito numa entrevista na TV, o cantor disse que foi um erro sua fala, num áudio de WhatsApp vazado, em que dizia que manifestantes iriam “invadir, quebrar tudo e tirar [os ministros] na marra”. “A frase foi uma força de expressão”, disse, acrescentando que, se preciso for, iria pedir desculpas aos ministros do STF.

Em seu interrogatório, o deputado Otoni de Paula disse que suas manifestações nas redes, motivo de ser investigado, são críticas políticas e não antidemocráticas. “O impedimento [de ministros do STF] é um dos atos mais democráticos da democracia brasileira. O que seria antidemocrático seria tirar alguém do poder por força da violência, não pelo rito previsto na Constituição”, afirmou.

Wellington Macedo, jornalista registrado, preso por participar de uma live, afirmou em depoimento que seu trabalho não é político. “Não costumo emitir minha opinião. Nunca ataquei com palavras e nem com vídeos qualquer instituição, pública ou privada. As coberturas que fiz se deram em razão do contexto atual e são meu ganha-pão”, disse. A defesa já pediu sua soltura, mas ainda não há decisão. Familiares dizem que ele pode morrer na prisão, pois não consegue mais se alimentar.

O professor Márcio Niquelati, do interior catarinense, que disse que havia empresário pagando pela morte de Moraes, afirmou, em depoimento, que tem autismo, “problema nos nervos e de socialização”. “Tenho problemas em ficar trancado, resultando em fobia e estresse”, afirmou. O policial reformado Cássio Souza, do interior de Minas, que defendeu a morte de Moraes, afirmou que faz tratamento para depressão e ansiedade e já foi internado mais de 10 vezes por dependência alcoolica. Disse que foi reformado da PM por “incapacidade para o serviço policial militar sob o argumento de alienação mental”.


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A REFORMA ADMINISTRATIVA AINDA ESTÁ NA COMISSÃO ESPECIAL

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O relator da reforma administrativa na comissão especial, deputado Arthur Maia.| Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Quando três substitutivos diferentes são apresentados em menos de 48 horas, retirando trechos que já haviam sido suprimidos e depois devolvidos ao texto, ou recolocando partes que tinham sido inseridas e depois removidas, sem muita justificativa, já não há como falar que se está buscando algum tipo de acomodação para garantir a aprovação de um texto: o mais provável é que o relator esteja completamente perdido e demonstrando fraqueza. Foi justamente este o caso do texto-base da PEC 32, da reforma administrativa, relatada na comissão especial da Câmara por Arthur Maia (DEM-BA) e finalmente aprovada, após uma sessão tumultuada que durou 13 horas. Considerando versões anteriores preparadas por Maia, a redação final poderia ter sido muito pior, mas o plenário da Câmara e o Senado ainda terão trabalho a fazer para entregar uma reforma melhor e mais justa.

Talvez nada demonstre melhor o vaivém e a fraqueza do relator quanto a inclusão de membros do Poder Judiciário e do Ministério Público na reforma, listando-os entre os servidores que não poderiam receber benesses como férias de mais de 30 dias pelo período aquisitivo de um ano, vários tipos de licenças, promoções ou progressões baseadas apenas no tempo de serviço, ou a aposentadoria compulsória como punição pelo cometimento de irregularidades. Nada mais justo que as regras também se apliquem a eles, até porque estes profissionais, apenas pela remuneração que recebem, já fazem parte de uma elite hiperseleta e, ainda assim, ganham privilégios fora do alcance dos demais brasileiros, sejam do funcionalismo ou da iniciativa privada.

Ainda há muito trabalho a se fazer para que a reforma administrativa traga mais justiça dentro do serviço público, elimine desigualdades e privilégios, e racionalize a despesa do Estado com pessoal

Inicialmente, Maia havia chegado ao extremo de afirmar que incluí-los na reforma era inconstitucional, o que impediria até mesmo a aprovação de destaques ou emendas que tivessem essa finalidade. Depois, ignorou a opinião anterior e os elencou no substitutivo apresentado em 22 de setembro. No dia seguinte (e no substitutivo seguinte), Maia deixou-os de fora novamente, mas sem falar em inconstitucionalidade e chegando a afirmar que, se houvesse emenda de plenário (pois na comissão não houve destaques neste sentido devido a um acordo entre os membros) que incluísse juízes e membros do MP na reforma, ele votaria favoravelmente.

Ao menos o temor de que a versão final da PEC 32 na comissão especial tirasse dos gestores ferramentas que tornem a administração mais flexível e dinâmica não se concretizou. A possibilidade de redução proporcional de jornada e salário em caso de aperto fiscal, hoje proibida por decisão do Supremo Tribunal Federal, chegou a sumir em versões anteriores elaboradas por Maia, mas está no texto aprovado na quarta-feira. Da mesma forma, a possibilidade de contratações temporárias e de parcerias com órgãos e entidades públicos e privados para oferecer serviços públicos está mantida, apesar das reclamações da oposição de esquerda. Aqui, o maior cuidado estará na elaboração de bons critérios para fechar quaisquer portas a favorecimentos e apadrinhamentos.

Entidades e especialistas empenhados na racionalização do Estado brasileiro consideraram a versão aprovada na comissão especial um texto melhor que as versões anteriores, mas continuam fazendo críticas. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o gerente de causas do Centro de Liderança Pública (CLP), José Henrique Nascimento, afirmou que as duas maiores deficiências da PEC 32 em sua redação atual são a não participação dos magistrados e membros do Ministério Público, e os benefícios dados a membros das forças de segurança pública, para os quais a reforma da Previdência fica praticamente revogada. São problemas que precisarão ser corrigidos ou no plenário da Câmara, ou no Senado, para que não ocorra com a reforma administrativa o que ocorrera com a reforma da Previdência, que nasceu “igualitária”, mas terminou com categorias “mais iguais que outras”.


Da tramitação da PEC 32 na comissão especial pode-se extrair, ainda, outras lições, como a inutilidade de se fazer concessões à determinados grupos. Maia chegou a atender pedidos da oposição, retirando itens que a desagradavam, mas ainda assim oito partidos fecharam posição contra a reforma: PT, PDT, PSB, PSol, PCdoB, Solidariedade, PV e Rede. São legendas estatistas ou corporativistas, que desejam o Estado a serviço do funcionalismo e não do cidadão; para elas, a única reforma administrativa boa seria aquela que não reformasse nada, e por isso jamais estariam satisfeitas com a remoção de um ou outro item, pedindo sempre mais até destruir completamente o texto. Tentar conquistar seu voto com algumas concessões seria tarefa inútil, e os próprios partidos fizeram questão de demonstrar isso na comissão especial.

Ainda há muito trabalho a se fazer para que a reforma administrativa efetivamente traga mais justiça dentro do serviço público, elimine distorções, desigualdades e privilégios, e racionalize a despesa do Estado com pessoal – hoje, o Brasil gasta 13,4% do PIB com o funcionalismo, acima da média da OCDE, mas 51% dos brasileiros se diziam satisfeitos com a qualidade do serviço público, abaixo da média da entidade. A obrigação do plenário da Câmara e do Senado é não suprimir o que a PEC 32 traz de bom e corrigir suas omissões e seus equívocos.


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A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO É UM DIREITO ABSOLUTO

 

Poder Judiciário
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília

Ministros do STF têm usado de forma reiterada o argumento de que a liberdade de expressão não é um direito absoluto.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Nos últimos meses, em diversas decisões e discursos de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e também em pareceres da Procuradoria Geral da República (PGR) e do Ministério Público, uma máxima tem sido repetida com frequência: a de que a liberdade de expressão não é um direito absoluto. A ideia em si está certa, mas a sua reiteração como argumento para avançar sobre uma das garantias fundamentais é preocupante, dizem juristas consultados pela Gazeta do Povo.

Em agosto, por exemplo, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou buscas nas casas do cantor Sérgio Reis e do deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), aliados do presidente Jair Bolsonaro, por “eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores”. Em sua decisão, Moraes afirmou que “o exercício da liberdade de expressão não se reveste de caráter absoluto”.

Também em agosto, em entrevista à Globo News, o ministro Gilmar Mendes lembrou que “há limites para a liberdade de expressão” quando falava sobre a situação do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, preso em agosto.

No começo de setembro, em um parecer contra a recente Medida Provisória de Bolsonaro que alteraria o Marco Civil da Internet, o procurador-geral da República, Augusto Aras, recordou um voto recente do ex-ministro do STF Celso de Mello, em que se afirmava que “a liberdade constitucional de expressão do pensamento não legitima o discurso de ódio”.

Na visão do jurista Ives Gandra, o fato de a liberdade de expressão ser relativa não pode se tornar pretexto para abusos no Poder Judiciário. “Você não pode dizer o que quiser, e existem os instrumentos para efetivamente defender alguém porque você atingiu a honra, ou ofendeu fulano etc. Mas isso não pode justificar o “novo Código Penal” que foi criado pelo Supremo Tribunal Federal, com prisões preventivas contra a liberdade de expressão. Em vez de se fazer o devido processo legal para uma ação de indenização por danos morais etc., fazem uma prisão preventiva pelo fato de que o cidadão disse tal coisa que desagradou”, critica.

Rosa Weber suspende MP de Bolsonaro que limita remoção de conteúdo nas redes
Sanção preventiva vai contra tradição jurídica do Brasil sobre liberdade de expressão
André Gonçalves Fernandes, pós-doutor em Antropologia Filosófica pela Universidade de Navarra (Espanha), explica que a ideia de impor sanções às pessoas de forma preventiva por manifestarem suas ideias vai contra a tradição do Direito no Brasil, que, em alguns aspectos, costumava caminhar junto com a doutrina norte-americana no que se refere à liberdade de expressão.

Nos EUA, explica Fernandes, “parte-se da ideia do ‘livre mercado de ideias’, e protege-se a liberdade de expressão como um meio de assegurar a pluralidade política”.

Atualmente, a proteção à liberdade de expressão nos Estados Unidos não encontra paralelo no mundo. A expressão de ideias políticas e mesmo a difamação de personalidades públicas gozam de alto grau de proteção pelo Direito norte-americano. Para muitos estudiosos, o sistema americano é desequilibrado, já que privilegia demais, por exemplo, a proteção da expressão em detrimento da honra.

Já o modelo brasileiro, que guarda alguma relação com o americano mas também compartilha da tradição de muitos países europeus, promove maior equilíbrio entre valores constitucionais na decisão de casos concretos. Isso acaba, muitas vezes, jogando grande responsabilidade no colo de juízes.

De qualquer forma, segundo Fernandes, tanto no Brasil como nos Estados Unidos “evita-se, ao máximo, um tipo de intervenção dita como preventiva, que eles chamam de ‘prior restraint’. Valoriza-se o que eles chamam de ‘subsequent punishments’, que é a punição posterior”.

Para o especialista, a reiteração no Poder Judiciário brasileiro da ideia de que a liberdade de expressão não é um direito absoluto representa uma ameaça. “Esse tipo de sinalização ou comportamento reiterado é perigoso na medida em que é importante para a sociedade, sobretudo no terreno da política, que haja a maior amplitude possível na divulgação das ideias”, afirma.

Gandra considera inconstitucional o caráter preventivo de certas prisões decretadas pelo STF sob alegação de abuso do direito à liberdade de expressão. “Cada vez que nós fazemos as coisas preventivamente, estamos subjetivamente deixando a alguém a responsabilidade de decidir o que é ou não é democrático, o que é ou não liberdade de expressão, o que é ou não abuso, sem que eu tenha um tipo definido penalmente. A lei que tem que ser absolutamente clara na punição é a lei penal, porque diz respeito à liberdade da pessoa. Não admite relativização. O que nós estamos tendo é uma relativização. Tipos penais criados pela Suprema Corte”, observa.

Um exemplo dessa relativização, segundo ele, ocorreu com a prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). “O deputado Daniel poderia ser punido de que forma? Poderia ser punido pelo CongressoNacional, e deveria ser, porque o que ele disse foi, evidentemente, tresloucado. Mas nunca ser preso como foi, porque era uma manifestação dele. Deveria ser punido por falta de decoro parlamentar, mas não ser punido com prisão, como se a Lei de Segurança Nacional [LSN] fosse mais importante que a Constituição”, afirma Gandra, em referência à aplicação da LSN para embasar a detenção de Silveira.

Fernandes recorda que a liberdade de expressão não é absoluta quando há ameaça “certa e grave” a outros bens legais como a vida, a honra e o patrimônio pessoal. Para ele, a reiteração de que o direito à liberdade de expressão não é absoluto “só é conveniente em casos em que existe um dolo específico que não fique só no terreno das ideias – por mais tosca que a ideia pareça –, mas que proporcione ameaça certa e grave”.


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USINA TÉRMICA PARALIZADA POR RISCO CATASTRÓFICO

 

  1. Economia 

Com receio de apagão, órgão exigia que termoelétrica ficasse em operação, mas estatal ignorou pedido, alegando que ela precisava de manutenção; diante da crise hídrica, ONS tem exigido que térmicas funcionem na capacidade máxima

André Borges, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O Operador Nacional do Sistema (ONS) pressionou a Petrobras a manter ligada uma termelétrica que precisava de manutenção. Alegando risco de “falha catastrófica” na estrutura da unidade, porém, a Petrobras desligou a usina, conforme mostram comunicados que foram trocados entre a estatal, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o ONS obtidos pelo Estadão.

Diariamente, é o ONS que determina o que será gerado em cada uma das usinas em operação no País, como forma de distribuir essa geração entre as diferentes fontes e garantir o equilíbrio dessa divisão. Com o nível dos reservatórios das hidrelétricas muito baixo por causa da pior estiagem dos últimos 91 anos, o órgão tem exigido que usinas de geração térmica – a gás, diesel, biomassa e carvão – funcionem na capacidade máxima para tentar reter mais água nas barragens. Essas determinações, no entanto, têm testado os limites do sistema.

No primeiro fim de semana de setembro, entre os dias 3 e 5, a Petrobras havia comunicado ao Operador que precisaria paralisar as operações de sua usina térmica de Três Lagoas, uma planta de 386 megawatts de potência instalada em Mato Grosso do Sul, porque tinha de fazer uma manutenção importante na estrutura. PUBLICIDADE

Usina de Três Lagoas
Capacidade da Usina de Três Lagoas (MS) é de 368MW, energia para uma demanda de 1,2 milhão de habitantes. Foto: Agência Petrobrás

A empresa teve o cuidado de agendar o serviço para o fim de semana, quando o consumo elétrico no País diminui, e apresentou a programação com duas semanas de antecedência. Como é praxe no setor, se tratava de uma parada programada, ou seja, uma operação de rotina. Ocorre que o ONS decidiu rejeitar o pedido.

Três dias antes da paralisação agendada, no dia 31 de agosto, o Operador rejeitou o pedido da Petrobras e, sem dar espaço para justificativas, declarou que “em função do cenário energético, com cargas elevadas e alto despacho térmico”, tinha que manter a “máxima disponibilidade de unidades geradoras” e que a paralisação deveria ocorrer apenas no feriado, entre 5 e 7 de setembro.

No dia seguinte, a Petrobras ainda insistiu com o órgão regulador e pediu para que fosse mantida a programação original da intervenção, porque “já não havia tempo hábil para reprogramar a atividade e que essa postergação de data ia contra as recomendações dos especialistas e do fabricante”.

O ONS, porém, voltou a rejeitar as alegações da companhia e, por meio de um e-mail, manteve a ordem de adiar a parada, indicando mais uma vez o cenário de crise energética para adiar a intervenção na usina. Restou à Petrobras ignorar o pedido.

“Diante das recomendações do fabricante (dos equipamentos da usina) e da equipe de engenharia e, ainda, frente ao risco de falha catastrófica desta turbina, a Petrobras necessitou prosseguir com a parada emergencial”, informou a Petrobras, em comunicado ao qual a reportagem teve acesso.https://arte.estadao.com.br/uva/?id=2DYAAz

A parada ocorreu e a empresa fez a manutenção. Em laudo enviado para a Aneel e ONS sobre o assunto, a estatal fez questão de destacar que, ainda em fevereiro, em manutenção de rotina, já havia encontrado danos em partes da estrutura da usina. Os reparos foram feitos em manutenções programadas. 

“A Petrobras tenta, sempre que possível, coordenar as intervenções de maneira programada, inclusive enviando notas técnicas explicando a criticidade dos serviços a serem executados, quando necessário, mas existem situações emergenciais com risco para o equipamento ou instalações”, declarou a empresa ao ONS e à Aneel. Nesses casos, afirmou a companhia, é necessário parar de maneira emergencial, inclusive, para evitar situações de desligamento forçado, o que pode causar problemas mais graves a toda programação de geração do setor.

Estresse da estrutura

No início deste mês, a Petrobras se reuniu com representantes do setor elétrico, que cobraram detalhes sobre cada uma das plantas térmicas da companhia e o adiamento de suas manutenções. Há casos de usinas que tinham paradas programadas de até 27 dias, por exemplo, e que a companhia se comprometeu em realizar o trabalho em apenas três dias, de forma a manter a geração plena no maior tempo possível.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, alerta sobre os riscos desse estresse na estrutura, uma vez que muitas térmicas não foram concebidas para operarem o tempo todo.

“É uma situação delicada e de risco. O governo está forçando as estruturas, adiando datas ou encurtando paradas, justamente por causa da crise hídrica. Essa situação com a Petrobras é um reflexo dessa crise. A ordem é empurrar com a barriga até onde for possível para preservar água nos reservatórios”, diz Castro.

O risco de apagão fez com a Aneel criasse a bandeira de crise hídrica na conta de luz, que acumula aumentos desde o começo do ano. A energia produzida pela termoelétrica é mais cara do que a gerada pelas usinas hidrelétricas.

Era ‘urgente’ a necessidade de parar

Logo após a Petrobras rejeitar a determinação do ONS e seguir com o plano de paralisar a usina térmica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, a Aneel questionou oficialmente a petroleira sobre as causas de ter ignorado a decisão do órgão responsável por gerenciar diariamente o abastecimento do País.

Em resposta encaminhada no dia 10 de setembro, a companhia respondeu à agência que, “mais do que seguir as regras e os procedimentos do Operador”, sempre se posiciona de forma proativa e em parceria com as equipes do órgão, “em postura colaborativa e transparente para evitar desalinhamentos” com o Operador. “Infelizmente, na presente situação, houve necessidade técnica e urgente de parar a unidade”, afirmou a Petrobras.

Procurada pela reportagem, a Petrobras afirmou que “solicitações de adiamento, postergação ou aprovação de paradas fazem parte da rotina operacional de relacionamento com o Operador Nacional do Sistema Elétrico”. A empresa só não destacou, porém, que a atitude de deixar de seguir essas determinações está longe de qualquer rotina. 

A reportagem questionou ainda se a estatal prevê mudanças de data ou reduções de prazo de manutenções já programadas no parque de ao menos dez usinas térmicas sob seu controle. “Todas as térmicas da Petrobras estarão efetivamente em operação até o fim de setembro. Sobre os cronogramas de paradas, a Petrobras seguirá atendendo, sempre que possível, às necessidades do sistema, garantindo a segurança operacional de suas unidades”, declarou.

O ONS informou, por meio de nota, que, “como uma das ações para o enfrentamento da escassez hídrica solicitou, em julho deste ano, a todas as usinas geradoras que adiassem suas manutenções a fim de aumentar a disponibilidade de geração”. Segundo o órgão, “cabe ao agente avaliar a viabilidade técnica e operacional de acatar a solicitação ou não”. O ONS, porém, não comentou o fato de ter rejeitado o pleito feito pela Petrobras, mesmo após a empresa ter argumentado sobre os riscos do adiamento.

FEBRE E TOSSE É UMA ALERTA PARA A COVID-19

 

Especialista aponta uma mudança de comportamento e propõe  caminhos para solução entre empresas e trabalhadores

Maitê Dahdal

O que já foi chamado de “novo normal” deu lugar às curiosidades e mudanças de comportamentos no Brasil que devem permanecer mesmo depois da pandemia da Covid-19. Um desses aspectos é como será a relação das empresas com colaboradores que estejam com sintomas potencialmente causados por vírus, como tosse, febre e diarreia. Será que eles serão naturalmente aceitos nos escritórios? “É bem provável que após a experiência com a Covid-19 não seja mais natural ver um funcionário que esteja se sentindo mal ir ao trabalho, mesmo que com sintomas leves. Além da preocupação com a saúde e segurança de todos, pode influenciar ainda nas relações de trabalho e na produtividade”, analisa Maitê Dahdal, médica especialista especialista em medicina de Família e Comunidade pela Unicamp e coordenadora de pós-graduação na Sanar/UniAmérica.

A mudança de hábito deve impactar diretamente a relação entre médicos e pacientes, fundamentalmente quando falamos da emissão do atestado. “A pandemia gerou um aumento expressivo na solicitação e a emissão de atestados médicos, além de uma maior flexibilidade na emissão, já que pessoas com sintomas respiratórios poderiam portar Covid-19 e não seria correto colocar outras pessoas em risco”, explica Dahdal. O afastamento preventivo nestes casos é uma forma de cuidar inclusive dos pacientes, que podem ser estigmatizados ou culpabilizados caso algo futuro ocorra no local de trabalho. “O home-office é uma solução neste processo, já que permite que a pessoa trabalhe de casa se tiver sintomas leves e sem colocar a equipe em risco”, completa a médica.

Como as empresas vão lidar com isso?

Uma dúvida comum nesta nova realidade é se surge uma “nova categoria” de atestado médico, aquele que solicita o afastamento das atividades na sede da empresa, mas permite dentro de casa. Ainda não há um protocolo oficial do Ministério da Saúde em relação ao afastamento parcial, possibilitando o trabalho domiciliar, e esse será um desafio, tendo em vista as condições de trabalho bem heterogêneas no Brasil. “No momento essa recomendação é individualizada, de acordo com empresa, condições de saúde do trabalhador e também de condições de executar sua tarefa de forma remota. Algumas instituições optaram até pela troca de funções para que haja essa possibilidade em casos de gravidez ou doenças crônicas, por exemplo, de oferecer um trabalho mais seguro já que ainda estamos vivendo uma pandemia”, explica Maitê.

Um artigo publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional analisou números ligados ao absenteísmo no Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e apontou um crescimento de licenças-saúde de 312% por infecção respiratória aguda, ao tempo que constatou também uma queda de 16% na taxa de dias não trabalhados por outros diagnósticos. “A mudança nos cenários durante a pandemia devem impactar novas perspectivas, mas ainda não podemos cravar  exatamente como será. O que se espera, por parte de trabalhadores e empregadores, é um avanço em relação ao  senso coletivo e ao respeito pelo bem-estar do próximo”, finaliza a médica e coordenadora da pós-graduação em Medicina de Família e Comunidade da Sanar/UniAmérica.

Médica pela Universidade Cidade de São Paulo; especialista em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); professora e coordenadora da pós-graduação em Medicina de Família e Comunidade da Sanar/UniAmérica; pós-graduanda em cuidados paliativos pela UnyLeya. Médica assistente do programa de atenção domiciliar e atenção primária da Unimed Amparo.

SER PERFECCIONISTA É PREJUDICIAL AO SER HUMANO

 

Equipe EdCorp UOL EdTech

Sabe quando você está fazendo uma entrevista de emprego e o recrutador te pergunta qual é o seu maior defeito? Muita gente responde ser perfeccionista, acreditando que isso vai deixar no recrutador a impressão de que o maior defeito da pessoa é também aquilo que vai garantir a qualidade das entregas dela.

O perfeccionismo, porém, é uma das causas da ansiedade e da paralisia executiva – ou aquela procastinação infinita por medo de falhar. E o impacto que isso causa à produtividade, à jornada de carreira e às relações pode ser o buraco negro que suga a sua energia e te mantém estagnado.

O antológico álbum Ok Computer do Radiohead, lançado em maio de 1997, já falava dos impactos que o ideal de perfeição podem causar na saúde mental das pessoas. Apesar de ter sido gravado numa era pré-boom da internet, o disco aborda temas como inveja, projeção, idealização de sucesso, ansiedade, medo de errar e por aí vai. Ou, se preferir, os sintomas clássicos do perfeccionismo.

O perfeccionista vive cozido em ansiedade, medo de errar e em luta para alcançar metas irreais. A pressão interna se confunde com a pressão externa e cria uma série de consequências desagradáveis: depressão, pensamentos suicídas, sensação de fracasso e constante idealização de um futuro que é sempre inatingível.

A ascensão das redes sociais só fez isso se agravar, porque a persona criada para a presença nas redes sociais esconde as dificuldades, mascara os medos e só dá luz às vitórias. Além de afetar a saúde mental, o uso indiscriminado de redes sociais retroalimenta essa ideia de perfeição inatingível. Afinal, ter o corpo da blogueira fitness do Instagram, a produtividade do CEO de Linkedin, a destreza do Youtuber que te ensina qualquer coisa e o repertório do podcaster não só é impossível como insalubre.

O problema do perfeccionismo não é só a sobrecarga que ele causa, mas a raíz que ele tem. E sim, isso tem a ver com a sua criação. O psicanalista e professor da University of London Josh Cohen defende que o perfeccionismo começa ainda na infância, tanto por reforço positivo quanto reforço negativo dos pais ou tutores. Ele explica que o perfeccionista se apega às críticas que ele sofria sempre que falhava ou às recompensas dadas quando ele acertava e isso faz com que sua vida gire em torno dos sentimentos ligados a essas situações. Falhar gera culpa, medo e repressão, o que faz com que a atenção a detalhes seja muito maior do que a necessária, enquanto que acertar tem uma recompensa que dura pouco.

Embora a atenção a detalhes seja importante para garantir a qualidade das entregas, se apegar apenas aos detalhes faz com que se perca a visão do todo. E não enxergar a big picture, além de impedir o crescimento e a experimentação, atrasa entregas, aumenta as críticas – sejam as autocríticas ou as críticas de outrem – e mantém estagnadas pessoas que, por medo de falhar, evitam o risco.

Nossa diretora de Educação Corporativa, Marisa Nannini, sempre diz que “o ótimo é inimigo do bom”. Além de ser uma lição sobre os atrasos que o perfeccionismo pode causar, essa frase deixa clara a necessidade de movimento e testes que a nova economia exige dos profissionais. Para se destacar na carreira é preciso errar rápido e aprender rápido. E isso não é possível quando se é apegado a detalhes.

Então, na próxima vez que você se perceber apegado a detalhes ou considerar que seu maior defeito é ser perfeccionista, vale parar e refletir sobre qual é a big picture que você está deixando de ver. O exercício é diário e contínuo, mas a prática vai te ajudar a deixar de idealizar que você quer ser e se tornar a melhor versão de quem você é.

Vale a pena ler qualquer semelhança será mera coincidência !!!

Autor desconhecido

Um ladrão entrou no banco gritando para todos:

” Ninguém se mexe, porque o dinheiro não é seu, mas suas vidas pertencem a vocês.”

Todos no banco ficaram em silêncio e lentamente se deitaram no chão.

Isso se chama CONCEITOS PARA MUDAR MENTALIDADES

Mude a maneira convencional de pensar sobre o mundo.

Com isso, uma mulher ao longe gritou: ” MEU AMOR, NÃO SEJA RUIM PARA NÓS, PARA NÃO ASSUSTAR O BEBÊ “, mas o ladrão gritou com ela:

“Por favor, comporte-se, isso é um roubo, não um romance!”

Isso se chama PROFISSIONALISMO

Concentre-se no que você é especializado em fazer.

Enquanto os ladrões escapavam, o ladrão mais jovem (com estudos profissionais de contabilidade) disse ao ladrão mais velho (que tinha acabado de terminar o ensino fundamental):

“Ei cara, vamos contar quanto temos.”

O velho ladrão, obviamente zangado, respondeu:

“Não seja estúpido, é muito dinheiro para contar, vamos esperar a notícia para nos contar quanto o banco perdeu.”

Isso se chama EXPERIÊNCIA

Em muitos casos, a experiência é mais importante do que apenas o papel de uma instituição acadêmica.

Depois que os ladrões foram embora, o supervisor do banco disse ao gerente que a polícia deveria ser chamada imediatamente.

O gerente respondeu:

“Pare, pare, vamos primeiro INCLUIR os 5 milhões que perdemos do desfalque do mês passado e relatar como se os ladrões os tivessem levado também”

O supervisor disse:

“Certo”

Isso se chama GESTÃO ESTRATÉGICA

Aproveite uma situação desfavorável.

No dia seguinte, no noticiário da televisão, foi noticiado que 100 milhões foram roubados do banco, os ladrões só contaram 20 milhões.

Os ladrões, muito zangados, refletiram:

“Arriscamos nossas vidas por míseros 20 milhões, enquanto o gerente do banco roubou 80 milhões em um piscar de olhos.”

Aparentemente, é melhor estudar e conhecer o sistema do que ser um ladrão comum.

Isto é CONHECIMENTO e é tão valioso quanto ouro.

O gerente do banco, feliz e sorridente, ficou satisfeito, pois seus prejuízos foram cobertos pela seguradora no seguro contra roubo.

Isso se chama APROVEITANDO OPORTUNIDADES ..

ISSO É O QUE MUITOS POLÍTICOS FAZEM ESPECIALMENTE NESTA *PANDEMIA, ELES A USAM PARA ROUBAR E RESPONSABILIZAR O VÍRUS.

A startup digital ValeOn daqui do Vale do Aço, tem todas essas qualidades, não me refiro aos ladrões e sim no nosso modo de agir:

Estamos lutando com as empresas para MUDAREM DE MENTALIDADE referente à forma de fazer publicidade à moda antiga, rádio, tv, jornais, etc., quando hoje em dia, todos estão ligados online através dos seus celulares e consultando as mídias sociais a todo momento.

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup ValeOn adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

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Dessa forma estamos APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES que o mercado nos oferece onde o seu negócio estará disponível através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo chamada Plataforma Comercial ValeOn 24 horas por dia e 7 dias da semana.

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