sexta-feira, 24 de setembro de 2021

RENAN CALHEIROS USA A CPI PARA SE LIVRAR DE INQUÉRITOS

 

 JOSÉ MARQUES E FLÁVIO FERREIRA – Folha de São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A CPI da Covid entra em sua reta final evitando discussões sobre o fato de seu relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), investigar um empresário que é suspeito de ter feito repasses ilegais em favor do próprio congressista, além de outros caciques do MDB.

Esse possível conflito de interesses envolve Francisco Maximiano e sua empresa Global, que tiveram sigilos quebrados na CPI, e transferências de R$ 9 milhões desta firma a Milton Lyra, suspeito de ser operador financeiro de Renan, segundo apurações em inquérito em curso no STF (Supremo Tribunal Federal).

Maximiano está no centro das apurações da CPI do Senado sobre a intermediação de outra empresa dele, a Precisa Medicamentos, para a compra da vacina indiana Covaxin pelo governo Jair Bolsonaro. Ele tem sido cobrado pela CPI por suas ligações com o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara.

Renan teve acesso a um acervo de documentos obtidos em uma devassa nos dados de Maximiano e suas empresas. Na CPI da Covid, foram quebrados sigilos relativos à Global a partir de 2018.

A partir de solicitações feitas por Renan, foram obtidas informações relativas aos dados fiscais, bancários, telefônicos e telemáticos (como contatos, emails e mensagens enviadas) da empresa, sob a justificativa de identificar as supostas irregularidades relacionadas à pandemia.

Ainda é solicitada a comparação de movimentação financeira em relação aos três anos anteriores ao período em questão –ou seja, a partir de 2015. Não houve questionamentos a respeito da isenção de Renan para analisá-los.

Em tese, Renan terá à sua disposição dados e documentos que já foram ou podem ser recolhidos em medidas de busca e apreensão pela Polícia Federal, e assim ter conhecimento antecipado sobre elementos que eventualmente podem ser usados na investigação do STF.

A pedido da CPI, já houve busca e apreensão da Polícia Federal no último dia 17 em endereços da Precisa, nas cidades de Itapevi e Barueri (ambas na Grande SP). A ação policial foi realizada sob a justificativa de que era necessário obter documentos principalmente relativos à negociação da Covaxin, que supostamente a empresa ocultava.

Procurado pela reportagem, Renan afirmou por meio de sua assessoria que “a ilação feita na matéria é uma das coisas mais absurdas de que se tem notícia”.

“O senador sequer conhecia Maximiniano antes da CPI e jamais teve operador”, disse, em nota. “Não por acaso, falsas imputações e ilações irresponsáveis já levaram ao arquivamento de mais de 2/3 das acusações feitas contra ele nos últimos anos. Esse inquérito por certo terá o mesmo destino.”

Apesar de a quebra de sigilo da Global se iniciar em 2018, essa data não é padrão da CPI. No caso de Ricardo Barros, há quebras que se iniciam no ano de 2016, assim como no caso de informações fiscais da Precisa Medicamentos.

Nos últimos dez anos, Maximiano não se envolveu apenas no escândalo das vacinas. O empresário também é suspeito de repasses que são investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Um desses inquéritos, que tramita no Supremo desde agosto de 2017, aponta suspeitas de que transferências da Global tinham como destinatário final o senador Renan Calheiros. Não tem havido na CPI questionamentos sobre a possibilidade de conflito de interesses nessas apurações conduzidas pelo senador a respeito de empresas que fazem parte de apurações que o envolvem.

A questão foi mencionada na CPI quando o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, provocou Renan ao citar Milton Lyra e o inquérito, em julho. Renan disse que era “uma questão absolutamente inverdadeira”.

“Eu nunca tive operador na minha vida. Minha vida sempre foi transparente, absolutamente transparente. Nunca me acusaram de ter operador. Quem é acusado de ter operador é o senador Flávio Bolsonaro”, respondeu. Após a troca de acusações, a sessão prosseguiu.

O inquérito no STF é relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso e investiga suposto pagamento de benefícios a Renan por empresários que fizeram negócios relacionados ao fundo de pensão de funcionários dos Correios, o Postalis.

Parte das negociações que teriam beneficiado Lyra envolvia a aquisição de debêntures (títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos no mercado privado e com isso bancar suas atividades) de empresas pelo Postalis.

No caso da Global, a Polícia Federal apura transferências de R$ 9 milhões ocorridas entre 2011 e 2015 a empresas ligadas a Milton Lyra. Só em fevereiro de 2013, a Global repassou R$ 7,5 milhões a uma firma do operador.

A PF levanta a hipótese de que os pagamentos foram feitos para garantir apoio político de Renan à nomeação e manutenção no cargo de funcionários de alto escalão dos Correios e Postalis, que teriam recomendado, aprovado e viabilizado a transferência de valores para as empresas.

A conclusão do inquérito, aberto em 2017, tem sido adiada de forma sucessiva para mais apurações. Seu conteúdo mais recente foi posto sob sigilo.

A Global foi citada em delação premiada firmada por Alexandre Romano, advogado e ex-vereador de Americana (SP) pelo PT. Ele disse em depoimentos ao Ministério Público Federal em 2015 e 2016 que firmou contratos simulados com a Global, e que parte desses valores eram repassados como propina a um dirigente dos Correios.

Entre o fim de 2011 e o início de 2012, segundo o relato, a Global fechou negócio para fornecer medicamentos com desconto aos funcionários dos Correios, em contratos firmados inicialmente por meio de uma conveniada à estatal e depois pela Postal Saúde (caixa de assistência de saúde dos funcionários dos Correios).

A relação de Maximiano com Alexandre Romano tem sido investigada no âmbito da Justiça Federal de São Paulo, responsável pela Operação Custo Brasil, que envolveu dirigentes petistas.

Em sua delação, Romano diz que Maximiano deu a entender que parte dos valores do esquema criminoso ligado aos Correios também teria como destino o PT, operação que teria contado com a participação do ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Em nota, os advogados de Maximiano, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, afirmam que “este inquérito é baseado na delação mentirosa de Alexandre Romano, que se arrasta há mais de seis anos, sem quaisquer indícios de irregularidades. Francisco Maximiano não foi indiciado muito menos denunciado pelas autoridades em razão das acusações infundadas”.

“Todas as operações financeiras realizadas pelo grupo foram legais e seguiram todos os critérios de integridade e compliance, com serviços prestados e comprovados”, completam.

Já o PT diz em nota que não é parte do procedimento penal, mas “não surpreende que delações sem provas sejam requentadas por setores que não se resignam” com situações como o arquivamento à ação penal do ‘quadrilhão’ e as absolvições de acusados “por entender que a denúncia não tinha justa causa e tratava-se, segundo o juiz, de ‘tentativa de criminalizar a atividade política'”.

Afirma ainda que “Lula resgatou a condição de cidadão inocente e de plenos direitos em 19 ações e inquéritos judiciais e lidera todas as pesquisas presidenciais”.

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que representa João Vaccari Neto, diz que seu cliente se defende em relação à acusação sobre um suposto esquema nos Correios em outro processo que tramita na Justiça Federal do Distrito Federal.

Segundo ele, neste processo a acusação sustenta que o delator, um dos denunciados, teria ouvido que outra pessoa deu R$ 1 milhão para uma funcionária do PT e que esse dinheiro deveria ser entregue a Vaccari.

“Essa afirmação, de ouvir dizer, além de ser palavra isolada de delator, sem nenhuma prova a corroborá-la, é totalmente mentirosa”, afirma, acrescentando que o seu cliente jamais recebeu qualquer quantia dessas pessoas e que o próprio delator adverte que nunca tratou desses assuntos com o ex-tesoureiro do PT.

“O processo neste momento está aguardando o início da instrução”, diz D’Urso.

Procurada pela reportagem, a defesa de Milton Lyra não se manifestou.

GOVERNO JÁ CONTRATOU INÚMERAS CONCESSÕES DE FERROVIAS E AEROPORTOS

 

Transportes

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo

Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (ao centro), na assinatura do contrato da ferrovia Fiol 1, no início de setembro: programa de concessões rende capital político ao ministro, que deve se candidatar em 2022.| Foto: Ricardo Botelho/Ministério da Infraestrutura

Com a meta de garantir R$ 250 bilhões em investimentos privados em projetos de infraestrutura de transportes, o governo federal conseguiu alcançar até agora cerca de 30% desse montante, segundo dados do Ministério da Infraestrutura.

Desde 2019, foram concedidos à iniciativa privada 34 aeroportos, cinco rodovias e duas ferrovias, e arrendados 29 terminais aeroportuários. Outros dois contratos do setor ferroviário foram renovados, totalizando um total de R$ 73,89 bilhões em investimentos contratados, além de R$ 13,44 bilhões em outorga.

Até o fim do ano, estão previstos mais 17 leilões, que devem se reverter em mais R$ 42 bilhões em investimentos. Para 2022, está programada a sétima rodada de concessões de aeroportos, que incluirá 16 terminais, entre Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ); desestatizações portuárias, como do Porto de Santos; além dos leilões da Ferrogrão e da concessão de mais de 12 mil quilômetros de rodovias.

De acordo com o governo, essa agenda deve render ao menos R$ 146 bilhões de investimentos privados no ano que vem, garantindo com alguma margem a meta da gestão. Se confirmados os valores, o governo terá garantido aproximadamente R$ 262 bilhões no acumulado de 2019 a 2022.

Todos esses valores referem-se a concessões, renovações, arrendamentos, investimentos cruzados e cessões onerosas, não incluindo investimentos que o setor privado deve fazer por meio de autorizações.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, desde a publicação da medida provisória que instituiu o novo marco legal do setor de ferrovias, que abriu espaço para a modalidade de contratação, outros R$ 67 bilhões já foram garantidos por parte de empresas que desejam construir ramais para o modal.

Com estratégias de divulgação e adoção de marcas como “Infra Week”, “Setembro Ferroviário” e “Infra Month”, o programa de concessões tem se tornado “a menina dos olhos” do atual governo, e ganhou destaque no discurso que o presidente Jair Bolsonaro fez na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (21). Também tem rendido capital político para o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, que deve disputar as eleições de 2022, em cargo ainda a ser definido.

Os números indicam uma reversão na tendência de queda, observada há seis anos, nos investimentos em infraestrutura. Porém, um estudo da consultoria Inter.B aponta que o Brasil ainda precisaria mais que dobrar o investimento anual para atingir, em 2044, um nível de efetiva modernização de seu estoque de equipamentos de infraestrutura.

Confira os leilões já realizados até agora:

Aeroportos – 34 concessões: R$ 9,62 bilhões em investimentos e R$ 5,67 bilhões em outorga
Alta Floresta (MT);
Aracaju (SE);
Bagé (RS);
Boa Vista (RR);
Campina Grande (PB);
Cruzeiro do Sul (AC);
Curitiba (PR);
Curitiba/Bacacheri (PR);
Foz do Iguaçu (PR);
Goiânia (GO);
Imperatriz (MA);
João Pessoa (PB);
Joinville (SC);
Juazeiro do Norte (CE);
Londrina (PR);
Macaé (RJ);
Maceió (AL);
Manaus (AM);
Navegantes (SC);
Palmas (TO);
Pelotas (RS);
Petrolina (PE);
Porto Velho (RO);
Recife (PE);
Rio Branco (AC);
Rondonópolis (MT);
São Luís (MA);
Sinop (MT);
Tabatinga (AM);
Tefé (AM);
Teresina (PI);
Uruguaiana (RS);
Várzea Grande (MT); e
Vitória (ES).
Portos – 29 arrendamentos e 99 terminais de uso privado: R$ 12,95 bilhões em investimentos e R$ 1,5 bilhão em outorga
Arrendamentos (R$ 3,22 bilhões em investimentos):
3 em Cabedelo (PB);
1 em Vitória (ES);
5 em Belém (PA);
2 em Vila do Conde (PA);
4 em Santos (SP);
2 em Paranaguá (PR);
2 em Aratu (BA);
1 em Maceió (AL);
2 em Mucuripe (CE);
4 em Itaqui (MA);
1 em Pelotas (RS);
1 em Santana (AP); e
1 em Salvador (BA).
Ferrovias – 2 concessões, 3 renovações e 1 investimento cruzado: R$ 28,88 bilhões em investimentos e R$ 9,6 bilhões em outorga
Concessão da Ferrovia Norte-Sul (FNS);
Renovação da Rumo Malha Paulista (RMS);
Renovação da Estrada de Ferro do Carajás (EFC);
Renovação da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EVFM) + Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico); e
Concessão da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol 1).
Rodovias – 5 concessões: R$ 22,5 bilhões em investimentos e R$ 322 milhões em outorga
BR-101/290/386/448 (RS);
BR-364/365 (GO/MS);
BR-101 (SC);
BR-153/080/414 (GO/TO); e
BR-163/230 (MT/PA).


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O MUNDO PARALELO DE GASTOS DO STF

 

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo

Restauração das esquadrias e projeto de iluminação no edifício sede estão entre os contrados .| Foto: STF/Divulgação

O Supremo Tribunal Federal vive um mundo paralelo, com milhões de reais investidos em segurança armada, carros blindados, sala vip no aeroporto e jantares nababescos, com direito a bacalhau, lagosta, camarão, vinhos e espumantes com pelo menos quatro premiações internacionais, servidos em taças de cristal, e café à francesa. As mordomias estão registradas nos contratos do STF nos últimos três anos. No mundo real, milhões de brasileiros convivem com a violência e a fome, nas favelas, nos sertões.

O Supremo contratou, em setembro de 2020, serviços na área de segurança pessoal privada armada no Distrito Federal, incluída a condução de veículos oficiais de representação e escolta, com valor anual de R$ 4,9 milhões. O tribunal afirmou ao blog que a sua segurança é coordenada por policiais judiciais, servidores de carreira concursados. No entanto, “para a execução diária da proteção dos ministros da corte, faz-se necessária a contratação de seguranças pessoais privados para atuarem na segurança, diária, dos ministros do STF, majoritariamente nos translados e eventos externos”.

Outro contrato na área de segurança pessoal privada armada, de novembro de 2017 a maio de 2020, alcançou o valor de R$ 25 milhões. A planilha de custos previa a contratação de 85 profissionais. Segundo o tribunal, a residência dos ministros “são ativos que necessitam de proteção diuturna, haja vista a existência de riscos reais e potenciais contra os membros do tribunal. Neste contexto, o referido contrato trata da segurança patrimonial realizada nas residências”.


Em janeiro de 2019, foi assinado contrato para a aquisição de veículos oficiais de representação, com proteção balística (blindados), sedan de grande porte, no valor de R$ 2,8 milhões. Foram adquiridos 14 veículos blindados, “em razão de riscos reais e potenciais a que os ministros do STF estão submetidos. Todos os veículos são destinados aos ministros. Os três restantes são utilizados no caso da necessidade de escoltas, manutenções preventivas e corretivas dos outros veículos”, afirmou o STF.

Mas a segurança não é assegurada apenas em Brasília. Em abril de 2020, foi assinado contrato no valor de R$ 3 milhões, para dois anos de serviços de segurança pessoal privada armada na cidade do estado de São Paulo, podendo ser prorrogado por até 60 meses. Contrato semelhante, mas no valor de R$ 1,1 milhão, pelo prazo de 30 meses, foi assinado para segurança pessoal privada armada na cidade do Rio de Janeiro. O contrato já teve oito aditivos e o valor está em R$ 4,2 milhões, com vigência até outubro de 2023.

O Supremo também cuidou de fazer, em 2018, a locação de veículos blindados de representação para uso no estado de São Paulo, com quilometragem livre, no valor atual de R$ 164 mil, com o contrato podendo ser prorrogado por 60 meses. Foi feito outro contrato para locação de veículos blindados de representação para uso no estado do Rio de Janeiro, no valor de R$ 186 mil, igualmente prorrogável por cinco anos.

Como mostrou reportagem do blog, além de contar com segurança e carro blindado no Rio, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, no primeiro ano de mandato, fez 87 voos de ida e volta para casa, nos finais de semana, em jatinhos da FAB, a um custo de R$ 1,3 milhão.

O tribunal afirmou ao blog que todos os contratos relativos a São Paulo e Rio de Janeiro visam a “segurança dos ministros” nessas cidades. “Estas cidades possuem residências de ministros do STF, são sedes dos maiores tribunais do país e são as mais visitadas institucionalmente por membros do tribunal. Assim sendo, os contratos citados servem para a alocação adequada da segurança e suporte logístico”.

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Kit anti-motim
O Supremo também se preparava, em 2019, contra possíveis manifestações violentas. A prova disso foi a aquisição de kit anti-motim, para controle de distúrbio civil, composto de armadura de proteção corporal completa (membros e tórax), capacete e escudo, no valor R$ 29 mil (15 unidades). O contrato previa que o kit deveria proteger o usuário contra “altos impactos”, causados por pedras, tijolos e materiais pontiagudos. O tecido externo deve ser retardante de chama, protegendo o usuário contra ataques de coquetéis molotov.

O STF lembrou que a Praça dos Três Poderes, onde está localizado o tribunal, é palco de inúmeras manifestações. “Nesse sentido, objetivando a proteção das pessoas e do patrimônio do tribunal nas situações como as citadas, os agentes utilizam o kit mencionando com o viés de proteger os ativos descritos, bem como os operadores dos equipamentos”.

Houve ainda a compra de uma caminhonete pick-up Hilux, cabine dupla com caçamba, quatro portas, por R$ 252 mil, em 2018. O tribunal argumentou que “as adjacências, áreas e instalações do STF carecem de vigilância ostensiva constante, pois um dos níveis de segurança é alcançado com o fator presença. Ou seja, as rondas ostensivas, as inspeções de segurança e o transporte de materiais afetos à segurança do Tribunal são realizados pelos veículos constantes no contrato”.


Sala vip no aeroporto, com “fast pass”
Os ministros do STF contam com mais uma mordomia, uma sala vip no Aeroporto de Brasília, com área de 50 metros quadrados, destinada ao serviço “Fast Pass”, nas operações de embarque e desembarque dos ministros e demais autoridades do tribunal, realizadas com carro e servidores do Supremo. O valor atual do contrato está em R$ 428 mil.

Questionado pelo blog, o tribunal afirmou que o embarque dos ministros por meio do módulo operacional do aeroporto “não se traduz em vantagem ou privilégio. O embarque por área isolada é uma orientação da Secretaria de Segurança do Tribunal, baseada em análise de riscos. Ou seja, por razões de segurança a orientação é que os membros do tribunal utilizem esse canal”.

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Lagosta, bacalhau, vinhos premiados
O momento de maior demonstração de desconexão entre o STF e a população talvez tenha sido a licitação para fornecimento de refeições institucionais, incluindo alimentos e bebidas. Um anexo da licitação trazia os pratos que formariam os cardápios – bobó de camarão, medalhões de lagosta com molho de manteiga queimada, bacalhau à Gomes de Sá, frigideira de siri; moqueca capixaba, pato assado, galinha d’Angola assada, vitela assada, codornas assadas, carré de cordeiro, pernil de cordeiro assado e boeuf bourgignone, entre outras iguarias.

As bebidas deveriam atender às seguintes especificações: espumante extra brut, produzido pelo método champenoise, com pelo menos quatro premiações internacionais. Amadurecido, em contato com leveduras, por período mínimo de 30 meses.

O vinho tinto fino seco, de safra igual ou posterior a 2010, também deveria ter pelo menos quatro premiações internacionais. O vinho, em sua totalidade, deveria ser envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 meses.


Café e chá à francesa
Os almoços ou jantares, com três horas de duração, contariam bebidas alcoólicas: uísque, gim, vodca, Campari, vinhos brancos e tintos nacionais premiados, espumantes nacionais premiados, licores e digestivos. A contratada deveria fornecer cobertura completa, com o uso de xícaras e pratos de louça, copos e taças em cristal.

O café da manhã deveria ter café, chá, leite quente e frio, chocolate quente, sucos naturais de frutas (mínimo três variedades), três variedades de pães, biscoitos frescos, manteiga sem sal, mel, geleias de frutas, requeijão, queijos, ovos, presunto, bacon, frutas, iogurtes, bolo, cereais. O café e chá seriam servido à francesa, com o uso de xícaras e pratos de louça, copos e taças em cristal.

No valor de R$ 481 mil, o contrato esteve em vigor de maio de maio de 2019 e maio de 2020. O tribunal afirmou que as refeições foram oferecidas durante eventos realizados que contaram com a presença de ministros e autoridades. Do previsto de R$ 481 mil, foram realizados R$ 139 mil. O contrato não foi prorrogado e se encerrou em maio de 2020, informou o STF. Porém, em plena pandemia da Covid-19, não haveria argumentos técnicos nem éticos para a manutenção do contrato.


Películas antivandalismo, revitalização dos jardins
Mesmo em tempos de crise fiscal, o STF conseguiu orçamento de R$ 4,3 milhões para a restauração das esquadrias das fachadas do seu edifício sede. O contrato foi assinado em setembro de 2019. A parte mais cara da obra será o “restauro arquitetônico”, com serviços como a substituição dos painéis em vidro laminado (R$ 163 mil) e a substituição de caixilhos (R$ 149 mil). Outro serviço demonstra a preocupação com a segurança do prédio diante de manifestações: a instalação de películas antivandalismo, ao custo de R$ 35 mil.

O tribunal afirmou que o objetivo da obra é restaurar as esquadrias e substituir os vidros da fachada do edifício sede, para a “salvaguarda do patrimônio histórico e a instalação de vidros em acordo com as normas técnicas. Os novos vidros possuem características adequadas para tornar a edificação mais eficiente energeticamente. A instalação de vidros de segurança, laminados e temperados, era demanda necessária à segurança dos usuários da edificação”. Mas a obra depende da aprovação de um projeto de restauro no Iphan.

Outra obra de recuperação do palácio foi a execução de paisagismo e de serviço de irrigação para revitalização dos jardins do Supremo, no valor de R$ 1 milhão, realizado de outubro de 2019 a abril de 2020. Cerca de R$ 700 mil foram destinados ao paisagismo.

O tribunal contratou ainda, em 2019, a elaboração de projetos de iluminação para a modernização do sistema de iluminação do edifício sede, em locais onde estavam instaladas “luminárias suspensas danificadas e obsoletas”, diz nota do STF. Foi necessária a aprovação no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), uma vez que o edifício sede é tombado. “A iluminação estava quebrada e não há peças de reposição no mercado uma vez que foram desenhadas para essa edificação”, completou a nota. O projeto foi barato – apenas R$ 22 mil – mas ainda tem a obra.


Clube esportivo
A Secretaria do Patrimônio da União e o STF assinaram um “termo de entrega” de um imóvel com área de 15 mil m², localizado no Lote 2/16, do Trecho 02, do Setor de Clubes Esportivos Sul, em Brasília-DF – local onde há vários outros clubes esportivos de servidores públicos. O imóvel foi entregue de graça, em dezembro de 2019, com vigência até novembro de 2099. Sim, quase na virada do século. Obras à vista.

O Supremo afirmou que o lote entregue se destina à edificação e implementação de Centro de Capacitação, Treinamento, Cultura e Lazer para os servidores do tribunal, envolvendo as atividades da Coordenadoria de Desenvolvimento de Pessoas e da Associação dos Servidores do STF. “Os custos necessários à edificação são de responsabilidade da associação dos servidores”, acrescentou.


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GOVERNO NÃO QUER CENSURA NAS REDES SOCIAIS

 

Liberdade de expressão

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Projeto de lei estabelece que usuário seja informado com clareza qual a regra desrespeitou ao ter seu conteúdo removido, e que tenha direito a fazer defesa prévia.| Foto: Pixabay

É realmente muito esquisito viver numa época em que a função de lutar pelas liberdades individuais passou a ser exercida, basicamente, pelo governo — e não, como deveria ser, pela sociedade civil, no grande leque de instituições que vai da mídia e da OAB até as entidades de representação profissional e os partidos políticos. Está acontecendo no Brasil de hoje, o tempo todo. A última manifestação desta anomalia é a batalha, travada nos tribunais e no Congresso, em favor da liberdade de expressão. Quem está a favor da liberdade é o governo. A maior parte daquilo que se chama de “forças democráticas” está contra. Pode?

É assim que o governo, depois de tentar sem sucesso aprovar uma medida provisória, enviou ao Congresso um projeto de lei — agora sim, com tudo direitinho no papel — para limitar a interferência das grandes plataformas de comunicação social na publicação de informações, opiniões ou notícias produzidas por seus usuários. Sabe-se muito bem qual é o problema. A todo e qualquer instante, Twitter, Facebook, Instagram e demais operadores (estrangeiros, todos eles) dessas redes eliminam o que não querem ver publicado. Junto, eliminam os autores, que se veem perseguidos, hostilizados e reprimidos de todas as forças pelos donos do sistema.

As plataformas chamam a isso de “moderação”. O nome real para o que fazem é censura. Ninguém trabalha, no dia a dia da vida real nas redes, num exame criterioso do material enviado para publicação — o que acontece é a proibição e punição sistemáticas de tudo o que consideram de “direita” ou politicamente errado, num arco-íris que começa no apoio aos “atos antidemocráticos” e acaba na tolerância com o “tratamento precoce” da Covid.

As punições não se aplicam a conteúdos específicos; o sujeito é reprimido pelo conjunto da obra, ou porque a rede não vai com a cara dele, e sempre sem explicação nenhuma. A lei, para tudo, exige que se diga com precisão porque “A” ou “B” está sendo acusado de alguma coisa. Na internet não precisa.

O projeto de lei do governo, para falar em português simples, pede que seja aplicado na área, simplesmente, o que está previsto na Constituição, no tocante aos princípios mais elementares da liberdade de expressão e de pensamento. O texto é um hino à moderação. Não proíbe as plataformas de removerem publicações ou de suspenderem a participação de usuários, ou de “perfis”. Estabelece, somente, que o usuário seja informado com clareza qual a regra que ele desrespeitou na elaboração do seu conteúdo, e que tenha a oportunidade de fazer uma defesa prévia.

Ficam expressamente proibidos, no texto da nova lei, qualquer apoio à prática de crimes contra a vida humana ou à dos animais, ao terrorismo e ao tráfico de drogas, a discriminação racial ou de orientação sexual — e por aí vamos. Não ficou faltando nada. Ou melhor: só não fica aberta a possibilidade de fazer censura porque o censurado é bolsonarista ou defende a cloroquina. E em que lugar da Constituição está escrito que o cidadão não pode gostar de cloroquina?

Não há nada no projeto que possa ser considerado, mesmo remotamente, como um incentivo ao ódio, à mentira ou ao totalitarismo. Como seria possível achar que alguma coisa neste texto não é razoável? Mas pode estar certo de que os jornalistas, e junto com eles todo o universo social-democrata, equilibrado e intelectual, vão ficar horrorizados — a tentativa de defender a liberdade vai ser denunciada como um ataque à liberdade. É onde estamos.


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MOMENTO ECONÔMICO DO BRASIL É BOM SEGUNDO FMI

 

Crescimento

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro: forte resposta política do governo brasileiro reduziu impactos da recessão de 2020.| Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O FMI endossou, confirmou e ratificou o discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU em relatório sobre o Brasil divulgado na quarta-feira (22). Vejam só o que diz o documento assinado pelos diretores do FMI: “o desempenho da economia brasileira está melhor do que o esperado”.

Os diretores do FMI elogiam a “forte resposta política” do governo brasileiro, reduzindo os impactos da gravidade da recessão de 2020. Só para lembrar, o FMI previra uma queda de 9%, ou seja, uma recessão de 9% do PIB brasileiro no ano passado. Mas o Brasil reduziu essa previsão pessimista para metade — caímos “apenas” 4,1%.

Só que agora o FMI está prevendo que o Brasil vai crescer em 2021, no seu PIB, 5,3%. É bom lembrar que na véspera, um dia depois do discurso de Bolsonaro, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a elite da economia mundial) está prevendo crescimento de 5,2%. São dois órgãos de peso confirmando.

Aí diz o FMI: “o Brasil recuperou o nível pré-pandêmico e o ritmo da economia continua favorável”, amparado pelo crédito robusto ao setor privado, mercado de trabalho em melhora e poupança das famílias aumentando. A previsão é de queda da inflação e da dívida pública. O FMI também elogiou as reformas que o governo enviou para o Congresso.

Arrecadação recorde
A Receita Federal divulgou que a arrecadação de agosto foi recorde histórico. Foram recolhidos R$ 146 bilhões em impostos federais, uma alta de 7,25% no mês.

E é bom a gente lembrar também que a bolsa de valores vem se recuperando desde o primeiro minuto depois do discurso de Bolsonaro na ONU. Cresceu todos os dias desde terça-feira (21). Mesmo com o risco de colapso da incorporadora chinesa Evergrande, prometendo uma bolha no mercado de capitais. E mesmo com o tal do MTST invadindo o prédio da bolsa, fato ocorrido nesta quinta-feira (23).

Gritos e ofensas na CPI
A sessão da CPI desta quinta-feira foi lamentável. Desde o início, a comissão começou aos gritos, principalmente gritos de senadores contra médicas mulheres. E nenhum deles foi chamado de machista. Bastou o ministro da CGU, Wagner Rosário, dizer que uma senadora estava “descontrolada” e caiu o mundo sobre ele.

Mas nesta quinta eles foram além, agora entre senadores. O relator Renan Calheiros (MDB-AL) foi interrompido pelo senador Jorginho Mello (PL-SC) e disse que não permitia interrupções. Jorginho disse que ia interromper assim mesmo. Renan chamou o colega de “vagabundo” e Jorginho respondeu chamando o relator de “ladrão e picareta”. Aí os ânimos se exaltaram.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), que chamou o ministro da CGU de “moleque” várias vezes, começou a gritar a mesma palavra. “Moleque” é o principal estoque de palavrões que ele tem. Então todos se levantaram e os dois senadores quase partiram para o soco. Parecia uma invasão de campo de futebol de várzea. Gritaria e mais gritaria, uma confusão danada… Enfim, essa CPI começou aos gritos e vai terminar, melancolicamente, aos gritos.


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O AGRONEGÓCIO PODE EVITAR O DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA

Amazônia tem a pior marca de desmatamento dos últimos 10 anos; conheça como o agronegócio pode ajudar a conservar a floresta

O desmatamento na Amazônia no período de agosto de 2020 a julho de 2021 foi o maior dos últimos 10 anos, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Nesses 12 meses, a área desmatada foi de 10.476 km², um número 57% maior que o registrado no período de agosto de 2019 e julho de 2020.

Quando considerado apenas julho deste ano, foram devastados 2.095 km² de floresta, uma área maior ao município de São Paulo e 80% superior do que foi registrado no mesmo mês do ano passado. Os estados que mais desmataram em julho e no acumulado dos últimos 12 meses foram, respectivamente, Pará e Amazonas.

A devastação da floresta gera preocupação porque contribui com a emissão de gases que provocam as mudanças climáticas. Além disso, o bioma é responsável por gerar as chuvas que caem em boa parte do Brasil, inclusive nas principais áreas produtoras agropecuárias do Centro-Oeste e Sudeste. Portanto, a preservação da mata é de interesse direto do agronegócio.

Cadastro positivo da agropecuária

JBS quer arrecadar R$ 1 bilhão até 2030 para preservar a floresta amazônica. (Fonte: JBS/Reprodução)
JBS quer arrecadar R$ 1 bilhão até 2030 para preservar a floresta amazônica. (Fonte: JBS/Reprodução)

Preocupados com a preservação do bioma amazônico e a repercussão negativa internacional por conta da devastação da floresta, grandes frigoríficos têm lançado iniciativas para estimular o monitoramento de sua produção e evitar o fornecimento de gado de criadores que possam ter cometido crimes ambientais ou usado mão de obra análoga à escravidão.

A JBS, maior empresa de proteína do mundo, lançou uma plataforma que utiliza blockchain para rastrear toda a sua cadeia produtiva e criar um “cadastro positivo” até 2025. A companhia tem uma tolerância zero para a derrubada de áreas nativas e invasão de áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação ambiental.

A segunda maior companhia produtora de carnes do mundo, a Marfrig, adotou objetivos semelhantes. A empresa estendeu os seus compromissos socioambientais aos seus fornecedores. Algumas das premissas que devem ser seguidas, são o não desmatamento da fazenda após 2009, seja de forma legal ou ilegal, e a proibição de compra de produtores que estejam embargados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Agronegócio integrado à floresta

Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta trazem retorno maior ao produtor que áreas utilizadas apenas para a lavoura ou pecuária. (Fonte: Embrapa/Breno Lobato/Reprodução)
Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta trazem retorno maior ao produtor que áreas utilizadas apenas para a lavoura ou pecuária. (Fonte: Embrapa/Breno Lobato/Reprodução)

A produção agropecuária pode perfeitamente conviver com a mata. Técnicas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além de propiciar a baixa emissão de gases causadores de efeito estufa, contribuem para elevar a produtividade na propriedade. A estratégia de produção pode ser realizada em cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, proporcionando benefício mútuo para todas as atividades envolvidas.

O sistema otimiza o uso da terra, reduz o uso de agroquímicos e a abertura de novas áreas para fins agropecuários. A ILPF também diversifica a produção, enquanto estimula o aumento da biodiversidade e colabora com o controle dos processos erosivos.

Integração de áreas degradadas recuperadas

App concentra informações de áreas degradadas que foram transformadas em áreas produtivas ou de conservação. (Fonte: Embrapa/Reprodução)
App concentra informações de áreas degradadas que foram transformadas em áreas produtivas ou de conservação. (Fonte: Embrapa/Reprodução)

O novo Código Florestal prevê a recomposição da Reserva Legal em áreas degradadas. Com isso, existem muitos projetos de reflorestamento em andamento, contudo, as informações sobre a sua eficiência estão espalhadas, o que dificulta o compartilhamento de experiências entre produtores rurais.

Para superar esse obstáculo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu o aplicativo AgroTag-Veg, que integra as informações sobre o reflorestamento de áreas rurais em Rondônia à base de dados nacional. A solução facilita diagnósticos, ajuda a subsidiar políticas públicas e gera cenários e tendências.

A ferramenta contribui, ainda, para o intercâmbio de conhecimentos e a validação de tecnologias florestais que favoreçam os processos de conversão de áreas degradadas em áreas produtivas ou fornecedoras de serviços ambientais.

Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), JBS, Marfrig.

 

O ISOPOR TEM FORTE APELO AMBIENTAL

 

*Por Fernanda Stafford, Engenheira Ambiental, Doutora em Ciência e Engenharia de Materiais, consultora do Grupo Isorecort

Com o aumento do interesse do mercado por modelos de negócios sustentáveis, cresce também a procura por materiais que, além de trazerem técnicas inovadoras, têm como característica a redução do impacto no meio ambiente. A atenção a esta questão tem estado no radar dos consumidores. O estudo sobre “Estilos de Vida”, publicado pela Nielsen em 2019, já apontava que 42% dos consumidores brasileiros estavam mudando seus hábitos de consumo a fim de poluir menos o planeta, enquanto 30% dos entrevistados declararam estar atentos aos ingredientes que compõem os produtos.

Vejamos o exemplo do banimento dos canudos plásticos em São Paulo. Apesar da resistência da população no início, hoje os paulistanos já se acostumaram com os de papel, ou a simplesmente não usarem canudos. Entretanto, ações assim não levam necessariamente à conscientização sobre a responsabilidade para o descarte correto de materiais recicláveis. Há um movimento parecido durante as festividades de Carnaval, em que consumidores mais conscientes passaram a evitar o glitter com microplásticos, mas é comum encontrar ruas repletas de resíduos que seriam facilmente recicláveis se fossem corretamente destinados.

E quanto ao EPS, ou poliestireno expandido (popularmente conhecido como “isopor”)? É importante que as pessoas saibam que ele é, em sua essência, um material com forte apelo ambiental em todo o seu ciclo de vida produtivo. Isso porque ele é composto por 98% de ar e apenas 2% de matéria-prima. Ele é isento de produtos tóxicos ou perigosos, tanto para o ambiente como para a camada de ozônio (é isento de CFCs). E ao final de sua vida útil, ele é 100% reciclável, o que considero uma característica muito importante nos materiais contemporâneos.

Como se recicla o EPS?

O “isopor” conta com um processo relativamente simples de reciclagem, que não precisa de insumos químicos. O método mais utilizado no Brasil é o mecânico, que começa separando as peças contaminadas por tintas e outras substâncias daquelas que estão livres de impurezas, promovendo assim o retorno do poliestireno expandido ao ciclo produtivo.

Após essa etapa, o material ‘limpo’ segue para as máquinas degasadoras, que retiram o ar presente no interior das peças, reduzindo o volume do material em até 90%. Em seguida, o composto passa por etapas de trituramento, processamento e aquecimento, e por último, por uma máquina extrusora que prepara o EPS para a criação de paletes.

A reciclagem mecânica é o modelo adotado pelo Grupo Isorecort, que recebe os resíduos por meio da logística reversa e de cooperativas que o recolhem das vias públicas, assim como todas as sobras que são recolhidas e recicladas dentro da própria indústria, eliminando o descarte de resíduos. O EPS de até 12 kg/m³ dá origem ao Material Reciclado (MR), com densidade entre 9 e 10 kg/m³, muito próxima ao EPS (isopor) tipo 1F. Com um custo em média, 15 a 20% menor, é um produto bem aceito pelo mercado, principalmente da construção civil, onde pode ser empregado com algum tipo de revestimento, por exemplo, argamassa, ou para enchimento de lajes ou fôrmas.

Como e onde reciclar?

Por ser um tipo de plástico, o descarte do EPS pode ser feito em qualquer lixeira para coleta seletiva ou em pontos de entrega voluntária (PEV). Para saber o local exato para o descarte em sua cidade, basta entrar em contato com a Comissão Setorial EPS por meio do site da entidade.

O Grupo Isorecort também é apoiador do “Programa Isopor Amigo”, uma iniciativa que promove a sensibilização para o descarte correto de EPS (isopor) e ajuda organizações no engajamento dos colaboradores para a destinação correta deste material.

Acima de tudo, é preciso separar corretamente o material descartado para facilitar o seu tratamento e diminuir as chances de impactos nocivos para o ambiente. Todo esse processo passa pelo incentivo à responsabilidade compartilhada, por acordos multisetoriais que promovam a logística reversa, ambas preconizadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), e finalmente, por campanhas de sensibilização para o consumidor final, que tem como propósito levar informação e conhecimento sobre as alternativas de reciclagem e reutilização do EPS.

Por isso, quando se fala em EPS ou “isopor”, é preciso ter atenção ao material, ao seu ciclo de vida e às suas possibilidades. Trata-se de um material que, por meio de tecnologia, é aplicado na construção civil, por exemplo, por suas características menos poluentes, de conforto térmico, sem desperdício de materiais e de redução de tempo e custos. Por ser um material leve de ser transportado, a escolha por produtos em EPS na construção influencia até mesmo no consumo de combustível dos veículos.

Finalizo deixando um questionamento: para obter conforto térmico em ambientes internos, seria mais benéfico consumir energia elétrica de fonte não renovável ou aplicar um isolamento em EPS para diminuir a troca térmica com o ambiente externo? São questões como esta que precisam ser apuradas quando pensamos na prática integral da sustentabilidade.

COMO DEVE SER O VERDADEIRO LÍDER

 

Texto escrito por Victor Rocha, atual presidente e fundador da BiUP Educação.

Victor Rocha, presidente e fundador da BiUP Educação, quebra paradigmas e estereótipos de liderança trazendo uma visão sobre a importância da vulnerabilidade para os líderes e seus liderados.

O que significa ser um verdadeiro líder? Muitos acreditam que este é formado por punhos cerrados, conversas em tons ameaçadores e até mesmo acreditam que ser um líder é estar constantemente ocupado e sem tempo para ouvir seus liderados.

Posso te contar um segredo? Esta definição é errônea!

Em 2010 Brené Brown, pesquisadora e escritora, trouxe em seu TED Talk o tema “O poder da vulnerabilidade” e a sua palestra viralizou mundialmente. Em suas palavras, Brené traz a importância da conexão entre as pessoas: “A conexão é o motivo de estarmos aqui. É o que dá propósito e significado às nossas vidas. É disso que se trata”.

Quando falamos em vulnerabilidade logo pensamos em fraqueza e impotência, é preciso ter visão para enxergar além destas características. O verdadeiro líder sabe como impactar a vida de seus liderados e entende que a liderança é sobre construir uma conexão emocional e realmente cuidar do seu time.

Por isso, a vulnerabilidade é tão importante no trajeto de um líder. Como disse Brené Brown, vulnerabilidade “não é ganhar ou perder, é ter coragem de agir quando não se pode controlar o resultado”. Quando um líder demonstra para sua equipe que, independente do resultado do projeto, ele continuará firme, ao lado deles e os desenvolvendo, uma conexão nasce e a performance de todos começa a aumentar.

Quando um líder se mostra constantemente blindado, como se nunca errasse e não tivesse defeitos, acaba-se distanciando da sua equipe. Para conectar-se verdadeiramente à um time, às vezes é necessário que o líder “desça um degrau” e demonstre que também erra e tem defeitos, gerando assim uma identificação.

A verdade é que não conhecemos ninguém corajoso que tenha alcançado o sucesso sem experimentar a decepção, fracasso ou até mesmo a fraqueza. Todos nós somos vulneráveis, até os mais bem-sucedidos. De acordo com pesquisas, abrir um negócio é um ato considerado vulnerável, mas ao mesmo tempo pode ser um divisor de águas na história de alguém.

Na minha opinião, esse é o segredo da vulnerabilidade: não podemos evitá-las e viver apenas em momentos seguros, porque nos riscos encontramos as oportunidades que mais fazem crescer. Para um empreendedor, pode ser o momento de abrir seu negócio. Para um líder, pode ser o momento de admitir que falhou para sua equipe.

Em ambos os momentos de risco, tudo pode mudar. É por isso que devemos aproveitar nossos momentos mais vulneráveis para expandir. Fortalecer seu time muitas vezes é parar e dizer: “sei que posso acabar fracassando, mas ainda assim mergulho de cabeça”.

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Ética e Transparência
  • Profissional, ambiental e social
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