quarta-feira, 22 de setembro de 2021

DISCURSO DE BOLSONARO NA ONU

 

Relações internacionais
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo

New York (United States), 21/09/2021.- Brazil’s President Jair Bolsonaro arrives to address the 76th Session of the UN General Assembly in New York City, USA, 21 September 2021. (Brasil, Estados Unidos, Nueva York) EFE/EPA/EDUARDO MUNOZ / POOL

Bolsonaro durante o discurso na assembleia geral da ONU.| Foto: Eduardo Munoz/EFE/EPA/Pool

Apuração em andamento
O presidente Jair Bolsonaro abriu nesta terça-feira (21) a 76.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre em Nova York, nos Estados Unidos. Em seu discurso, ele defendeu suas políticas de enfrentamento da Covid-19, de meio ambiente e para indígenas – temas que o país costuma ser alvo de críticas no exterior. Também disse que o Brasil não tem mais casos de corrupção que ocorriam em outros governos, que quase teriam levado o país ao socialismo. Disse ainda que o Brasil não abre mão da democracia, rebatendo outra crítica frequente da imprensa internacional: de que seu governo tem tendência autoritária.

Bolsonaro começou o discurso afirmando que iria apresentar em seu discurso um Brasil “diferente” do mostrado pela imprensa internacional. “É uma honra abrir novamente a Assembleia Geral. Venho mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões. O Brasil mudou, estamos há dois anos e dois meses sem casos de corrupção. O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e deve lealdade ao seu povo. Isso é muito, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo. Nossas estatais davam prejuízos bilionários, nosso dinheiro era usado para financiar obras em países comunistas. Tudo isso mudou”, disse Bolsonaro na ONU.

Sobre a campanha de imunização do Brasil contra o coronavírus, Bolsonaro afirmou que pelo menos 140 milhões de brasileiros já receberam ao menos primeira dose. No entanto, disse que o governo brasileiro é contrário ao passaporte da vacina, adotado por alguns países.

“O governo federal já distribui mais de 200 milhões de doses de vacina, sendo que 140 milhões de pessoas já receberam a primeira dose. Oitenta porcento da população indígena já foi totalmente vacinada. Até novembro todos que escolherem ser vacinados no Brasil serão imunizados. Apoiamos a vacinação, mas nosso governo é contrário ao passaporte da vacina”, disse o presidente.

Bolsonaro também defendeu o tratamento precoce contra a Covid-19. E questionou a resistência dos países na defesa do chamado “tratamento precoce” para a Covid-19. “Não entendemos por que muitos países se posicionaram contra o tratamento inicial”, disse.

No discurso de Bolsonaro na ONU, ele aproveitou para criticar as medidas de lockdown, adotadas por diversos governadores e prefeitos durante a pandemia da Covid-19. Para ele, essas restrições resultaram no aumento da inflação no Brasil.

“Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram um legado de inflação, em especial, nos gêneros alimentícios no mundo todo. No Brasil, para atender aqueles mais humildes, obrigados a ficar em casa por decisão de governadores e prefeitos e que perderam sua renda, concedemos um auxílio emergencial de US$ 800 para 68 milhões de pessoas em 2020”, disse.

Você acredita na viabilidade eleitoral de um candidato que possa fazer frente a Lula e Bolsonaro em 2022?
Sim. Se houver unificação da terceira via em um candidato, é póssível que ele chegue ao segundo turno.
Gostaria de acreditar que sim, mas acho que o voto da terceira via será pulverizado em vários candidatos.
Não. As eleições presidenciais serão cada vez mais polarizadas entre Bolsonaro e Lula.
Presidente disse que 7 de setembro foi demonstração de democracia
Bolsonaro lembrou das manifestações do Sete de Setembro onde seus apoiadores foram às ruas em diversos estados do Brasil. “No último dia 7 de setembro, data que comemoramos nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica, foram às ruas, na maior manifestação da nossa história, para mostrar que não abrem mão da democracia em apoio ao nosso governo”, afirmou Bolsonaro na ONU.

Na área econômica, o presidente destacou as concessões feitas à iniciativa privada, como os leilões de aeroportos e as autorizações para novas ferrovias. “O Brasil possui o maior programa de parceria de investimentos com a iniciativa privada de sua história. Programa que já é uma realidade e está em franca execução. Até aqui, foram contratados US$ 100 bilhões de novos investimentos e arrecadados US$ 23 bilhões em outorgas. Na área de infraestrutura, leiloamos, para a iniciativa privada, 34 aeroportos e 29 terminais portuários”, disse.

De acordo com Bolsonaro, o sistema de autorizações de ferroviárias aproxima nosso modelo ao americano. Já são mais de US$ 6 bilhões em contratos privados para novas ferrovias. Introduzimos o sistema de autorizações ferroviárias, o que aproxima nosso modelo ao americano. Em poucos dias, recebemos 14 requerimentos de autorizações para novas ferrovias com quase US$ 15 bilhões de investimentos privados, completou.

Essas afirmações de Bolsonaro na ONU, sobre a área econômica, têm o objetivo de mostrar que o Brasil é um país aberto para investimentos estrangeiros.

O que o presidente falou sobre meio ambiente e políticas indigenistas
Sobre a política ambiental, Bolsonaro afirmou que o Código Florestal do Brasil deveria servir de modelo para os demais países. O presidente brasileiro convidou os demais chefes de Estado à visitarem a Amazônia.

“Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta. Lembro que a região amazônica equivale à área de toda a Europa Ocidental. Antecipamos, de 2060 para 2050, o objetivo de alcançar a neutralidade climática [emissões de gases causadores das mudanças climáticas]. Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior. Os senhores estão convidados a visitar a nossa Amazônia!”, disse Bolsonaro na ONU. “Qual país do mundo tem uma política de preservação ambiental como a nossa?”

O presidente também defendeu as políticas para indígenas do Brasil: “14% do território nacional, ou seja, mais de 110 milhões de hectares, uma área equivalente a Alemanha e França juntas, é destinada às reservas indígenas”. Também defendeu a visão de seu governo de permitir a exploração econômica de terras indígenas. “Nessas regiões [os territórios indígenas], 600 mil índios vivem em liberdade e cada vez mais desejam utilizar suas terras para a agricultura e outras atividades.”


Brasil vai acolher afegãos refugiados, diz Bolsonaro
Bolsonaro ressaltou também as políticas do Brasil de acolhimento de refugiados e disse que concederá vistos humanitários a afegãos. “Em nossa fronteira com a vizinha Venezuela, a Operação Acolhida do governo federal já recebeu 400 mil venezuelanos deslocados pela crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana”, disse.

Na sequência, o presidente que vai acolher afegãos que queiram sair do país, controlado pelo grupo extremista Talebã. “O futuro do Afeganistão também nos causa profunda apreensão. Concederemos visto humanitário para cristãos, mulheres, crianças e juízes afegãos.”

O presidente afirmou ainda que o Brasil repudia todo tipo de terrorismo. “Nestes 20 anos dos atentados contra os Estados Unidos da América, em 11 de setembro de 2001, reitero nosso repúdio ao terrorismo em todas suas formas.”

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BOLSONARO NA ONU E BRIGA NA CPI DA COVID

 

Assembleia geral

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Presidente Jair Bolsonaro discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York| Foto: Alan Santos/PR

Nesta terça-feira, 21 de setembro, quando se celebra o dia da árvore, o dia do fazendeiro e o dia internacional da paz, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso de estadista na abertura da Assembleia Geral da ONU, de líder corajoso de um grande país. Falando em paz, democracia, liberdades, respeito à Constituição, progresso e respeito ao meio ambiente.

Ele mostrou uma versão, que segundo disse, o mundo não recebe pela mídia, do Brasil real, do Brasil que tem mais florestas que os maiores países do mundo, que tem uma agricultura sustentável, uma indústria que está protegendo o meio ambiente, uma produção de energia que é mais de 80% limpa, com capacidade de alimentar o mundo e com crescimento desse ano ao redor de 5%.

Além da volta do emprego, o auxílio emergencial para mais de 60 milhões de pessoas, o acolhimento de 400 mil refugiados da ditadura venezuelana, a nossa política de democracia, o nosso pedido de assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas — cadeira vamos ocupar de novo a partir do ano que vem. Enfim, foi um discurso curto, de 12 minutos, mas muito denso, objetivo e claro.

E pelas reações ao discurso, a gente vê que ele foi muito eficiente. Porque se fosse um discurso ruim, simplesmente se mostraria o discurso para expô-lo como ruim. Mas estão tentando encontrar alguma coisa para tentar desconstruir o discurso, até mesmo estão discutindo o público da Avenida Paulista no dia 7 de setembro. Fica risível esse desespero. Enfim, podemos nos orgulhar de um discurso de estadista de grande país na ONU.

Bagunça na CPI
Agora, devemos nos envergonhar da bagunça que foi a CPI da Covid nesta terça. Parecia jogo de várzea, com o público invadindo o gramado, todo mundo se xingando… um horror. Começou com a famosa arrogância dos inquisidores, que o ministro da Controladoria-geral da União (CGU), Wagner Rosário, não aceitou, sempre revidou.

Lá pelas tantas, ele pediu para a senadora Simone Tebet (MDB-MS) lesse de novo o documento em que baseou uma pergunta e ela se irritou. Ele disse que ela estava “descontrolada”, os senadores gritaram o chamando de “moleque”, aí todo mundo se levantou e foi aquela coisa.

O presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), mandando que o advogado da Consultoria-geral da República “se afastasse”. Foi um negócio horroroso. Terminou que dois investigados, Renan Calheiros e Omar Aziz, tornaram o ministro Wagner Rosário investigado na CPI. Bem irônico esse final.

Agora antes, atendendo a uma pergunta de Eduardo Girão (Podemos-CE), foi o único senador que não era de oposição que conseguiu perguntar, o ministro da CGU disse que há 71 operações investigando dinheiro federal que foi para governadores e prefeitos. Já constatando R$ 56 milhões de prejuízos, com potencial de prejuízo de R$ 250 milhões. Foi lamentável que tenha terminado em bagunça a sessão desta terça.

A CPI, aliás, estava terminando melancolicamente sem nada concreto, agora, nos próximos dias. Mas resolveram empurrar o fim para outubro, para ver se aparece alguma coisa. Eles estão indo atrás da vacina que você nunca tomou, porque não foi comprada, a vacina indiana, que tem aquela história fantástica do sujeito ter pedido um dólar por dose em 20 milhões de vacinas. Uma propinazinha de R$ 100 milhões. Eles fingem que acreditam nisso, e a gente vê que está se tratando de coisas que são bem de ficção, mas eles se fiam nisso na falta de outra materialidade.

O presidente Bolsonaro afirmou no discurso lá na ONU que nos últimos 18 meses não tem nenhuma notícia de corrupção no governo dele.


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PRESSÃO PARA O SENADO SABATINAR ANDRÉ MENDONÇA INDICADO PARA O STF

 

E mais: STF interfere na vacinação de adolescentes

Bolsonaro defende sua gestão na ONU

Por
Marcela Mendes – Gazeta do Povo
e

Por
Bruna Maestri Walter – Gazeta do Povo

(Brasília – DF, 06/04/2021) Solenidade de Transmissão de Cargo ao Advogado-Geral da União, André Luiz Mendonça. Foto: Marcos Corrêa/PR

André Mendonça, o indicado do presidente Bolsonaro ao cargo de ministro do STF| Foto: Marcos Corrêa/PR

Para começar este resumo de notícias. Líderes evangélicos não estão medindo esforços para que a sabatina do ex-advogado geral da União (AGU) André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) ocorra de uma vez na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Eles endereçam sua pressão, agora, ao presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Diferentes lideranças evangélicas decidiram usar de seu prestígio e poder junto à comunidade religiosa no Amapá para pressionar o presidente da comissão.

Bolsonaro na ONU. Em seu discurso de abertura da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro defendeu suas políticas de enfrentamento da Covid-19, de meio ambiente e para indígenas – temas que o país costuma ser alvo de críticas no exterior. Também disse que o Brasil não tem mais casos de corrupção que ocorriam em outros governos, que quase teriam levado o país ao socialismo. Disse ainda que o Brasil não abre mão da democracia, rebatendo outra crítica frequente da imprensa internacional: de que seu governo tem tendência autoritária.

Vacinação de adolescentes. O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski decidiu que estados, municípios e o Distrito Federal podem decidir sobre a vacinação de adolescentes maiores de 12 anos contra Covid-19. Na semana passada, o Ministério da Saúde suspendeu a imunização de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades. O ministro garantiu autonomia aos estados e municípios “sempre sob sua exclusiva responsabilidade”.


Política, Economia e Utilidade Pública
Ministro da CGU vira investigado. O presidente da CPI da Covid do Senado, Omar Aziz (PSD-AM), determinou que o ministro Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU), passe a ser um nome formalmente investigado pela comissão. Em muitos momentos da reunião desta terça, Rosário e os senadores se exaltaram e chegaram a trocar insultos.

Investimento em educação. O Senado aprovou o substitutivo à PEC que permite que os gestores públicos que não investirem os percentuais mínimos em educação previstos em lei nos anos de 2020 e 2021 não sejam responsabilizados. A justificativa da proposta é a pandemia. De acordo com o texto, a compensação do que se deixou de aplicar na educação deve ser feita nos anos de 2022 e 2023.

Atualização. O Brasil registrou mais 485 mortes por Covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde. Ao todo, o Brasil já contabiliza 21.247.094 diagnósticos positivos 591.440 óbitos. Quanto à vacinação, foram imunizados 142.205.968 com a primeira dose e 81.263.358 com a segunda.

Mais um Gazeta Entrevista. Leda Nagle desta vez conversa com Luciano Hang, o dono da Havan, e ele declara: “Não tenho partido nem candidato de estimação”

Um espaço às notícias positivas. O podcast 15 Minutos fala sobre a série da Gazeta “O Brasil que Inspira”, que traz as boas histórias de empreendedores na pandemia.

Opinião da Gazeta
A inflação e a pressão sobre os juros. Entre os assuntos com presença recorrente neste espaço, dois deles têm destaque: a inflação brasileira e a taxa de juros. Leia a opinião da Gazeta sobre estes temas.

A inflação em alta pressiona a taxa de juros para cima, e o Banco Central certamente elevará a taxa de juros sempre e quando a inflação subir

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Para Inspirar
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Tenha um ótimo dia!


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PAGAMENTOS DE PRECATÓRIOS FICA FATIADO ENTRE 2022 E 2023

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Paulo Guedes, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco em entrevista na qual explicaram acordo para pagamento de precatórios em 2022.| Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados


O martelo está praticamente batido para que o governo resolva, de uma forma tipicamente brasileira, o impasse criado pela necessidade de pagar quase R$ 90 bilhões em precatórios em 2022, obrigação que inviabilizaria gastos como o Auxílio Brasil, o programa social que Jair Bolsonaro lançou para substituir o Bolsa Família: empurrar o problema para a frente. Os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciaram, após reunião nesta terça-feira, um acordo pelo qual a União só teria de pagar quase R$ 40 bilhões dessas dívidas no próximo ano; os R$ 50 bilhões restantes ficam para 2023, havendo ainda a possibilidade de um “encontro de contas” com estados e municípios credores.

Além do governo e do Congresso, também o STF e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vinham buscando meios de contornar a exigência de pagamento – precatórios são dívidas do poder público que tiveram reconhecimento definitivo por parte da Justiça. Partiu do CNJ, com mediação do presidente do Supremo, Luiz Fux, a ideia de usar como base o valor de precatórios pago em 2016 (R$ 30,3 bilhões), o ano da aprovação do teto de gastos, e aplicar correções pela inflação sobre este número para se chegar ao valor que seria desembolsado a cada ano. Foi assim que surgiam os R$ 40 bilhões para 2022 – não se sabe se a conta será incluída na PEC dos Precatórios, que previa um parcelamento desses pagamentos, ou se haverá novo projeto de lei ou PEC. Também não está claro, ainda, qual será o critério para decidir quem receberá em 2022; a sugestão do CNJ era a de priorizar dívidas de até 60 salários mínimos.

Os precatórios não cabem integralmente no orçamento da União porque o Estado gasta demais, gasta mal, enxerga-se como um fim em si mesmo e não demonstra a menor disposição em reverter seus maus hábitos

Rodrigo Pacheco defendeu o acordo. “Não é calote. É uma prorrogação”, afirmou, sabendo que não terá de dizer isso pessoalmente a todos os que conquistaram o direito de receber valores em 2022 – dinheiro que pode fazer toda a diferença para um credor nestes tempos complicados – e, agora, serão obrigados a rever seus planos. Pois é preciso afirmar: calote, sim, ainda que com verniz legal, ainda que oriundo de um acordo com todos os poderes da República e quem mais de direito, ainda que aprovado em duas votações em cada casa legislativa com maioria qualificada. O “devo, não nego, pago quando puder” se transforma em política de Estado. Os precatórios voltam a caber no orçamento, mas com um preço altíssimo: o de dar à União a fama de devedor que não cumpre suas obrigações e que não merece confiança – justamente o atributo que mais fará falta na hora de atrair investimentos que gerem emprego e renda ao brasileiro.

Afinal, quem garante que, quando chegar a hora de definir o orçamento de 2023, haverá espaço para incluir tanto os precatórios originalmente previstos para aquele ano quanto esses R$ 50 bilhões “adiados” de 2022? O governo voltará a dizer que não terá como pagar tudo? A conta sugerida pelo CNJ será feita outra vez, chegando-se a um novo valor e empurrando o restante para 2024? Os credores de 2022, que ouviram a promessa de receber no ano seguinte, serão empurrados para a frente mais uma vez, para dar prioridade aos pequenos precatórios de 2023? É bem provável que isso ocorra, tudo porque a pergunta fundamental não é feita: por que os precatórios não cabem integralmente no Orçamento da União?


Não cabem porque o orçamento é extremamente engessado, cheio de obrigações, vinculações e indexações que deixam uma parcela mínima de toda a receita federal para que o governo a utilize como achar adequado e executar seus investimentos e políticas de governo. Porque os parlamentares, por meio das emendas (mais recentemente, com as ditas “emendas de relator”), avançam sobre parcelas cada vez maiores dos recursos públicos. Porque o ajuste fiscal não é feito, ou é feito de forma aguada, como ocorreu na reforma da Previdência e, ao que tudo indica, ocorrerá novamente na reforma administrativa. Enfim, porque o Estado gasta demais, gasta mal, enxerga-se como um fim em si mesmo e não demonstra a menor disposição em reverter seus maus hábitos.

Não faltarão, por certo, críticos ao acordo dos precatórios que, como o relógio quebrado que acerta as horas duas vezes por dia, defendem justamente o Estado inchado e gastador, acreditam que para se aumentar a qualidade de qualquer serviço público basta despejar-lhe dinheiro, têm horror a qualquer reforma liberal, ajuste fiscal, desindexação, desobrigação e desvinculação. Acertarão na crítica específica a um acordo pontual, mas seguirão sendo parte do problema ao fomentar um modelo de Estado inviável.


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PROPOSTA PARA UM NOVO PATRONO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

 

Por
Paulo Cruz – Gazeta do Povo

O educador Ernesto Carneiro Ribeiro.| Foto: Reprodução/Domínio público

“Compare Machado de Assis a Ernesto Carneiro Ribeiro. O primeiro é o escritor solitário, sem escola, sem continuadores, sem sociedade. O segundo é o agremiativo diretor de colégio; o gregário, o mentor, o guia. Enquanto o carioca escreveu os seus livros, o baiano lavrou as suas almas. Fizeram ambos prolixa e minuciosa obra dʼarte: Machado fez as suas páginas, Carneiro as suas vocações.” (Pedro Calmon)

“Aos oitenta anos, ei-lo ainda a dirigir as novas legiões nas pugnas da inteligência; ei-lo alçado como um guião a que seguem gerações dos que aqui aspiram o saber e buscam as lições das virtudes patrióticas.” (Theodoro Sampaio)

Em 19 de setembro deste ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o celebrado educador Paulo Freire completou 100 anos. Com isso, uma cruzada hagiográfica se iniciou e todos, tendo lido ou não suas obras, gostando ou não dele, reagiram, pois, no Brasil atual, é impossível ficar indiferente a Paulo Freire – seja para venerá-lo e dizer amém a tudo que ele disse e escreveu, seja para demonizá-lo em absoluto – inclusive em razão das discussões a respeito da famigerada doutrinação ideológica nas escolas e a culpa que lhe atribuem. Já tratei disso aqui, nesta Gazeta do Povo – no quarto e último artigo de uma série sobre educação –, de modo que não me estenderei.

O que quero, na verdade, é propor um novo patrono da educação brasileira, não só por sua história de vida e conquistas acadêmicas espetaculares, mas também pelos frutos que gerou. Estou falando do imenso Ernesto Carneiro Ribeiro, simplesmente um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Ernesto Carneiro Ribeiro continua sendo uma figura obscura para o grande público, que perde muito por não ter como referência alguém de tamanha envergadura

Ernesto Carneiro Ribeiro é um daqueles personagens emblemáticos da história brasileira; é alguém cuja memória deveria ter sido preservada, mas não foi. Não que ele seja totalmente esquecido; em 2014, por ocasião de seu 175.º aniversário, o Google até fez um doodle em sua homenagem. Não obstante, ele continua sendo uma figura obscura para o grande público, que perde muito por não ter como referência alguém de tamanha envergadura. E – por que não dizer? –, para a juventude negra, ter um modelo de verdadeira representatividade.

Ernesto Carneiro Ribeiro nasceu em 12 de setembro de 1839, na Ilha de Itaparica, na Bahia, filho de José Carneiro Ribeiro, que era escrivão de órfãos, e Claudiana Ramos – os dois, netos de escravos. Levavam uma vida muito modesta; no entanto, desde pequeno Carneiro Ribeiro demonstrou grande habilidade para os estudos. Em 1851 (quando tinha 12 anos, portanto), seu pai, sabendo da importância da educação, o matriculou nas aulas de Latim. Dois anos depois o enviou para Salvador a fim de realizar os estudos preparatórios no chamado Liceu Provincial, onde se destaca sobremaneira. É digno de nota que, longe da família, ainda aos 14 anos, começa dar aulas particulares para custear os seus estudos. Curiosamente, como diz Danilo Carneiro Ribeiro, seu neto e biógrafo, ele gastava grande parte do dinheiro que recebia em velas de carnaúba, para poder estudar à noite. Dormia muito tarde; às vezes virava à noite acordado, estudando. Tudo isso pela vontade e pela necessidade de aprender.

Aos 18 anos, em 1857, enquanto ainda estava no curso preparatório para medicina – pois é, negro e médico no século 19 –, algo extraordinário acontece: é convidado para assumir a cátedra de Filosofia do Colégio São João, em substituição a um grande educador da época, o professor Salustiano Pedrosa. Um ano depois, se matricula na faculdade de Medicina, graduando-se em 1864, com uma tese dedicada a analisar a Medicina e suas relações com as Ciências Filosóficas. A propósito, a Filosofia permeará toda a vida e obra de Ernesto Carneiro Ribeiro. Ao lermos seus escritos, é perceptível a grande habilidade filosófica que possuía.


Ainda em 1858, ou seja, no mesmo ano em que entra para a faculdade de Medicina, é convidado para lecionar Francês e Inglês no famoso Ginásio Baiano, do ilustre precursor do movimento abolicionista Abílio César Borges. Posteriormente, ainda assume as aulas de Filosofia e torna-se vice-diretor. E é no Ginásio Baiano que, provavelmente, se dá a maior contribuição de Ernesto Carneiro Ribeiro para a história brasileira, porque é lá que ele leciona para algumas das maiores mentes que esse país já teve. Ele foi professor de ninguém menos que Rui Barbosa, Clóvis Bevilacqua, Rodrigues Lima e Castro Alves.

Em 1871, ainda lecionando no Ginásio Baiano, entra na disputa pela cátedra de Gramática Filosófica do Liceu Provincial, colégio no qual havia estudado. O que ocorre nessa nessa disputa é interessantíssimo, por isso vale mencionar. Seu “adversário” era outro grande professor da época, Guilherme Pereira Rebelo, que era seu amigo. E eles foram tão bem nos exames que a disputa teve de ser resolvida por sorteio, que se deu da seguinte maneira: eles colocaram, dentro de uma caixa, dois papéis, com as frases “Tive mérito e não tive sorte” e “Tive mérito e a sorte me ajudou”. Carneiro Ribeiro tirou o “Tive mérito e a sorte me ajudou” e ficou com a vaga, mas os dois celebraram, juntos, a entrada do amigo para a cátedra de Gramática Filosófica do Liceu Provincial. Vale lembrar que, até aquele momento, Carneiro Ribeiro ainda exercia a medicina; em 1887 disputou uma vaga para a cadeira de Psiquiatria na Faculdade de Medicina. Foi aprovado, mas decidiu não assumir.

No Liceu Provincial, onde lecionou por 30 anos (até 1902), foi professor de nada menos que dez disciplinas, a saber: Latim, Língua Portuguesa, Francês, Inglês, Botânica, História Natural, História do Brasil, Literatura, Filosofia e Zoologia. A partir desse momento, por força de sua verdadeira vocação, abandona a medicina para tornar-se, integralmente e no sentido pleno do termo, educador (falaremos disso abaixo).

No Ginásio Baiano, Ernesto Carneiro Ribeiro leciona para algumas das maiores mentes que esse país já teve. Ele foi professor de ninguém menos que Rui Barbosa, Clóvis Bevilacqua, Rodrigues Lima e Castro Alves

Em 1873, funda, com o cônego Emílio Lopes Freire Lobo, o Colégio Bahia. Pois bem! Veja, atento leitor: nosso nobre educador, além de lecionar no Liceu Provincial, no Ginásio Baiano e em outras escolas, decide fundar sua própria escola. Há um comentário interessante sobre a atividade de Ernesto Carneiro Ribeiro no Colégio Bahia, feito por um membro da Academia Brasileira de Letras – o jornalista e ensaísta Constâncio Alves –, que vale a pena mencionar:

“Às obrigações de mestre sacrificava tudo, e, como mestre, nenhum foi mais conceituado. Nada lhe faltou para ser o mestre como deve ser: o interesse pela inteligência e pelo moral da sociedade, o amor ao estudo e o vigor físico com que resistiu por mais de meio século aos encargos de uma profissão das mais fatigantes. De estatura acima da média, cheio de corpo, largo de ombros, frontal majestoso, rosto moreno e de belas feições, enquadrado em barbas espessas e bem negras, voz forte e de excelente timbre. Era um raro tipo de homem robusto e uma respeitável figura de mestre, capaz de brandura e de benevolência. Era o respeito o que mais inspirava aos seus alunos, e foi por ele que conquistou o prestígio para o seu colégio. Prestígio sustentado pela seriedade de seus atestados, que, perante as mesas de exame, eram recomendações e equivaliam a provações antecipadas”.

Em 1874, 11 anos após fundar o Colégio Bahia com o cônego Emílio Lopes Lobo, decide fundar o seu próprio colégio, sozinho. Nasce, então, o Ginásio Carneiro Ribeiro (detalhe: ele ainda não deixa o colégio de Abílio César Borges). É em seu próprio liceu que o mestre lecionará pelo resto de sua vida, até o dia de sua morte, em 13 de novembro de 1920, aos 81 anos. Ernesto Carneiro Ribeiro deu aulas por 63 anos ininterruptos. Impressionante, não?! E ainda escreveu, muito.


Em 1890 publica uma das mais importantes gramáticas da língua portuguesa, os Serões Gramaticais. Trata-se de uma gramática de cunho mais filosófico, mas um grande marco da linguística e da gramática brasileiras. Está esgotada, infelizmente, mas é possível encontrá-la em sebos.

Em 1902, quando tinha 63 anos, foi convidado, por José Joaquim Seabra (seu ex-aluno), então presidente da Comissão do Código Civil na Câmara dos Deputados, para revisar o Código Civil que tinha sido redigido por outro de seus ex-alunos, Clóvis Bevilacqua. Na época ele estava em férias, viajando com sua família na Ilha de Itaparica; mas Joaquim Seabra vai até ele e implora para que aceite o trabalho. O nobre linguista tenta se desvencilhar e recusar, pois o prazo era de apenas quatro dias! Isso dava – quem diz é Rui Barbosa – um minuto e 26 segundos para cada artigo (muitos deles com mais de uma página). Um trabalho impossível para uma pessoa normal, mas não para alguém da estatura intelectual de Carneiro Ribeiro. Ele acaba por aceitar o desafio.

Publicados, o Código e as considerações da revisão de Carneiro Ribeiro, seu discípulo Rui Barbosa – para total espanto do mestre –, escolhido pelo Senado para emitir um parecer, investiu duramente contra os dois. Seu texto é publicado em 27 de julho de 1902 no Diário do Congresso, em que faz críticas pesadíssimas tanto ao Código quanto à revisão. Dizem os comentaristas que sua atitude foi fruto de inveja, pois talvez quisesse ter feito a revisão ou mesmo escrito o código; ou, ainda, porque não gostava de Joaquim Seabra. O fato é que nunca saberemos as reais motivações de Rui Barbosa, cuja estima por Carneiro Ribeiro era real e recíproca. Mas o mestre decide responder. Escreve as Ligeiras observações sobre as emendas do Dr. Rui Barbosa feitas à redação do projeto do Código Civil, em que diz, dentre outras coisas, que “das emendas do ilustrado senador, umas há que são justas; outras, injustas e infundadas; algumas erradas”.

É curioso que tenhamos escolhido Paulo Freire como Patrono da Educação, e sua Pedagogia do oprimido como o grande referencial educacional no Brasil, e nem sequer conheçamos Ernesto Carneiro Ribeiro

Rui Barbosa, conhecido por seu orgulho, não se dá por satisfeito e publica, em 1903, a Réplica às defesas da redação do projeto da Câmara dos Deputados. A crítica é ainda mais mordaz, apesar de ater-se somente às questões da gramática normativa – Rui não era filólogo, como seu mestre. Carneiro Ribeiro, ao ler a crítica, se entristece deveras; no entanto, decide responder. Sua esposa tenta demovê-lo, pois já era um homem avançado em idade. Mas ele insiste, dizendo: “Vou responder ao Rui embora isso me custe a vida”. A resposta demora um ano e dois meses para ser escrita e publicada. É uma obra que vai sendo gestada aos poucos, e ele responde às críticas ponto por ponto, num volume de mais de 900 páginas. Sobre o imenso trabalho para a elaboração dessa resposta definitiva, seu neto-biógrafo produz uma página muito tocante:

“Já avançado em anos, trabalhara noites a fio na monumental obra. De dia, ei-lo preocupado com os assuntos colegiais, não descansando e não alterando seu horário. Das cinco da manhã às dez da noite dedicava-se por inteiro ao mister de professor. À noite, na calada das horas, trabalhava na sua resposta, às vezes até as três horas ou mais. Outras vezes levantava-se às duas da manhã e, pronto como quem vai sair, dirige-se à biblioteca da casa residencial e escreve até as cinco da manhã. Emenda pouco do que escreve. Sereno e impávido, vai operando o milagre da contradita. A mesa em que trabalha está cheia de livros. Destaca-se daquela mistura de tratados glotológicos, de clássicos, de medicina legal e de direito, o Corpus Juris Civilis. Enganavam-se os que pensaram que para a réplica não houvesse resposta. Aquele ano e dois meses, Carneiro Ribeiro passou a elaborar a redação do projeto do Código Civil e a réplica do Doutor Ruy Barbosa”.

Em 1905, sua tréplica é publicada, com o título A redação do Projeto de Código Civil e a réplica do Dr. Ruy Barbosa. Num trabalho extremamente minucioso, o mestre coloca o pupilo em seu devido lugar. Trata-se de um dos grandes monumentos da língua portuguesa, um verdadeiro tratado linguístico, filológico e filosófico, uma obra de referência ainda hoje.

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GOVERNO CORRE RISCO DE APAGÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

 

  1. Economia 

Crise hídrica faz Aneel antecipar início de funcionamento de usinas e linhas de transmissão; para evitar blecaute, País precisa de oferta adicional de energia entre 4 mil e 5 mil MW – até agora, agência conseguiu 2,35 mil MW

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

Na corrida para evitar um racionamento nos moldes daquele de 2001, o governo federal está acelerando a entrada em operação de algumas usinas e linhas de transmissão. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem rodado o setor para tentar antecipar o funcionamento do máximo possível de usinas e linhas de transmissão no sistema elétrico brasileiro. Em agosto e setembro, foram autorizados 2.354 megawatts (MW) de potência instalada. Para evitar um apagão, o País precisará de algo entre 4 mil e 5 mil MW de energia, além do volume previsto inicialmente.

O montante pode ser conseguido por meio da redução voluntária de consumo, que até dia 10 de setembro somava 237 MW de oferta das empresas – ou pelo aumento da oferta de energia. “Nesse sentido, a Aneel ‘tem se virado nos 30’ para conseguir elevar o volume de energia do sistema e inibir a demanda com as bandeiras tarifárias”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Na semana passada, a agência autorizou a entrada em operação da segunda maior térmica do País, com capacidade de 1,3 mil MW. A usina antecipou em cinco meses o início de funcionamento por causa da situação crítica do sistema elétrico nacional, com queda acelerada dos reservatórios das hidrelétricas. O sistema Sudeste/Centro-Oeste está com 17,79% de armazenamento.PUBLICIDADE

Usina termoelétrica de Aparecida
Usina termoelétrica de Aparecida, em Manaus: produção de eletricidade mais cara para contornar crise hídrica. Foto: Eletrobras – 21/3/2013

No mês passado, a Aneel já havia adiantado em quase um ano a operação de quatro usinas fotovoltaicas do parque Terra do Sol, localizadas no município de Oliveira dos Brejinhos, no Estado da Bahia. As usinas, de propriedade da gestora Pátria, têm capacidade para gerar 190 MW. Além disso, antecipou em 163 dias a linha de transmissão de Bom Jesus da LapaJanaúbaPirapora, que possibilitará o intercâmbio de 1.300 MW de energia entre o Nordeste e o Sudeste.

Para as próximas semanas, outras usinas estão previstas para começar a funcionar. A Aneel autorizou testes de uma série de eólicas e de térmicas movidas a biomassa. Uma delas é a unidade da Bracell – uma das maiores produtoras de celulose do mundo. Com três turbogeradores, a empresa vai produzir 420 MW de energia, sendo parte para suprir a demanda da fábrica, e entre 150 MW e 180 MW para o sistema elétrico nacional.

As eólicas também continuarão reforçando o sistema nacional. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), a expectativa é de antecipar cerca de 600 MW de energia neste ano. A previsão inicial era de entregar 2,5 mil MW, mas devido à escassez de água nos reservatórios devem entrar em operação 3,1 mil MW. 

Balanço

Pelas estimativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para não ter déficit de energia em outubro e novembro, o País precisará de uma oferta adicional de 4.800 MW médios entre este mês e novembro. Esse total inclui a entrada em operação das térmicas Cuiabá, Uruguaiana, Termonorte 1 e Termonorte 2, além de usinas que estavam com restrição judicial. No início do mês, a Aneel fez a revisão do chamado Custo Variável Unitário (CVU) da produção das usinas para permitir a operação. Outra medida é o aumento da importação de energia dos países vizinhos. Ontem, por exemplo, o Brasil importou cerca de 2 mil MW da Argentina e do Uruguai.

Em apresentação feita aos agentes do mercado, o ONS destacou que “o atendimento energético de 2021 depende da efetividade das medidas em andamento para a viabilização de oferta adicional e para a redução voluntária do consumo”. “Já o atendimento à demanda de ponta em 2021 implica, além da efetividade das medidas em andamento, a necessidade de utilização parcial da reserva operativa (fatia de geração usada para controlar frequência e compensar desequilíbrios entre carga e geração).”

Segundo especialistas, os esforços devem surtir efeito, pelo menos, para evitar um racionamento. Isso não significa, entretanto, que o País estará livre de blecautes localizados. Essa é a estimativa de Adriano Pires. “Com reservatórios secando mais rápido e aumento do calor, o risco de apagões aumentou. Além disso, o cenário para 2022 também fica mais apertado”, afirma ele.

LIVROS PARA LER NA PRIMAVERA

 


  1. Cultura
     
  2. Literatura 

Você está com crises com seu adolescente? O filósofo Levinas pode dar dicas preciosas

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Sim minha querida leitora e meu estimado leitor: foi um longo e tenebroso inverno. Lobos uivaram na estepe gelada, as boas ideias sofreram com a temperatura baixa e a sociabilidade humana despencou com um vento que começou a soprar de março do ano passado. Uma quase miniera glacial com geleiras imensas e escassez de tudo, especialmente de esperança. Praticamente um ano e meio de inverno duríssimo. Há sinais de que, em alguns vales, germinam plantas promissoras chamadas vacinas. Tudo leva a crer que, se o frio ainda fustiga e os cuidados permanecem em muitos setores, talvez esteja raiando uma primavera. 

Livros
Você está com crises com seu adolescente? O filósofo Levinas pode dar dicas preciosas Foto: Pixabay

Estação nova e aguardada! Nunca tivemos tanta ansiedade pelo fim de uma crise. Uma maneira extraordinária de encarar um novo mundo que pode estar surgindo pela frente é ler coisas boas, novas, instigadoras de ideias e de novos olhares. Ler serve para todas as estações, para a saúde e para as pandemias, para as crises econômicas e para acompanhar a recuperação de mercados. 

Dois livros de Michael Sandel darão o que pensar até o verão: Justiça – O Que É Fazer a Coisa Certa e A Tirania do Mérito – O Que Aconteceu com o Bem Comum (2020, Civilização Brasileira). Os bons exemplos do professor norte-americano, sua aplicação, prática de princípios de ética e de justiça, sua expressão viva e cativante de conceitos dos grandes filósofos justificam o enorme sucesso dos dois livros ao norte e ao sul do Equador. Ambos os textos farão você repensar coisas que o senso comum construiu e que tomávamos por verdades autoevidentes. Se quiser manter a ordem de publicação nos EUA, leia Justiça primeiro. Se daqui até o fim do ano você decidir que tem paciência para apenas mais dois livros, leia esses dois. 

Pensando já nas festas de fim de ano, amigo-secreto ou férias? Você pode se abastecer de uma coleção de clássicos da editora Antofágica. Daniel Lameira, Sérgio e Rafael Drummond e Luciana Fracchetta tomaram a decisão, no nosso momento de crise, de lançar obras de referência em capa dura. Antes que sejam interditados judicialmente por insanidade evidente em apostar na cultura formal, aqui vão alguns livros: Na Colônia Penal (Franz Kafka), O Nariz (Nikolai Gógol), Werther (Goethe), Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto), O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), A Ilha do Tesouro (Stevenson), 1984 (Orwell) e muitos outros. Quer um bônus? Ilustrações interessantes e variadas nos livros. Exemplo? Portinari aumenta a riqueza do livro de Lima Barreto. Dar um livro bem encadernado com uma bonita dedicatória sua é um presente permanente.

Os livros de Sandel tratam de ideias muito atuais e presentes nos debates internacionais. Os clássicos da Antofágica percorrem ideias eternas do cânone ocidental. Vamos ao Brasil profundo: o aclamado Itamar Vieira Jr. tinha surpreendido o público com seu Torto Arado. A poderosa narrativa do baiano agora aparece como histórias autônomas: Doramar ou a Odisseia (Ed. Todavia). Um Brasil que raramente aparece na internet ou na grande imprensa: ler Itamar virou uma maneira de pensar além da imensa classe média simbólica que nos assombra e cega sempre. A sensação que tenho com os textos dele é de que eu vivo em uma bolha e ele me expulsa de uma razão muito limitada. Faça seu próprio julgamento lendo-o, afinal, livros ajudam muito nisso. 

Seu campo é a história? A Planeta (com o selo Crítica) lançou Os Templários, de Dan Jones. A pesquisa dele consagra o que de mais recente sabemos sobre a grande ordem religiosa militar que anima debates até hoje. Prefere um romance policial? A mesma editora (selo Tusquets) lançou Terra Alta, do espanhol Javier Cerca, já famoso pelo livro Soldados de Salamina. No novo livro, a personagem Melchor Marín me levou a imaginar que um dia será alvo de um grande filme. Um desafio: ler o livro Justiça (de Sandel) e depois analisar a vingança contida em Terra Alta, aproximando os conceitos filosóficos e ficcionais. Que primavera seria!

Existe um tema controverso que anima muitas publicações. Devo aplicar a alta filosofia para questões cotidianas? Sócrates e Platão podem responder sobre redes sociais ou depressão? Alguns detestam e eu sempre imagino que, afinal, era esse o objetivo dos pensadores. Marie Robert lançou Não Sabe o Que Fazer? Pergunte aos Filósofos (Planeta). Eric Weiner publicou O Expresso Sócrates – Em Busca das Lições de Vida de Filósofos Imortais (Alta Life). Gabriel Chalita lançou pelo novo selo Serena Viver É Verbo – Como a Filosofia Pode nos Ajudar a Entender o Mundo Pós-Pandemia. São livros que buscam nos grandes pensadores uma resposta a questões muito atuais. Por exemplo: Você está com crises com seu adolescente? Levinas pode dar dicas preciosas, segundo Marie Robert. Está viajando e lida com vontades de prazer? Epicuro é uma fonte na pena de Eric Weiner. Qual a relação entre justiça e generosidade? Aristóteles falará pelo texto de Chalita. De todos os lados, luzes clássicas reinterpretadas para nosso mundo. Confesso: quando li o capítulo do Expresso Sócrates sobre Sei Shônagon e a reflexão sobre as pequenas coisas, envergonhou-me confessar que jamais tinha ouvido falar desta pensadora japonesa. Fui atrás de O Livro do Travesseiro dessa pensadora da corte japonesa do século 11. Em outras palavras: os textos me ajudaram a conhecer mais e ser menos ignorante. 

Em resumo: ler para que a primavera vença. Ler para restos de inverno serem menos complicados. Ler para ser e para crescer. Uma decisão a ser tomada daqui para o fim do ano. Aceita o desafio de semear esperança no cérebro? 

É HISTORIADOR, ESCRITOR, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, AUTOR DE ‘A CORAGEM DA ESPERANÇA’, ENTRE OUTROS

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...