domingo, 19 de setembro de 2021

SENADO PODE BOTAR FREIOS NO PROCESSO ELEITORAL

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

A senadora Simone Tebet (MDB-MS).| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.

Apesar de o país ter assuntos muito mais importantes exigindo ação imediata – a pandemia de Covid-19, a inflação e o desemprego em alta, o PIB cambaleante, as agressões contra liberdades individuais, as grandes reformas econômicas –, a Câmara dos Deputados dedicou esforço considerável, nas últimas semanas, a “não prioridades”, como implantar retrocessos na legislação eleitoral. Primeiro, veio a PEC 28/2021, da reforma eleitoral, que traz de volta as coligações nas eleições proporcionais; e, mais recentemente, os deputados votaram o novo Código de Processo Eleitoral de forma bastante apressada para um texto tão importante e com centenas de artigos, com uma série de minúcias e sutilezas que dificultarão a identificação e a punição de crimes eleitorais.

A pressa dos deputados tem explicação: se o Congresso quiser que quaisquer novas regras eleitorais se apliquem já no pleito de 2022, elas precisam estar promulgadas (no caso da PEC) ou sancionadas (no caso do projeto de lei do Código Eleitoral) até os primeiros dias de outubro, devido ao princípio da anualidade. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pressiona sutilmente seu colega do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG): diz que apenas espera ver os projetos pautados, “sem compromisso nenhum de resultado”, mas a mensagem não é nada difícil de decifrar: Lira quer a PEC e o Código Eleitoral aprovados – e logo.

O Senado pode cumprir um papel duplo: o de “desacelerar” as tramitações e o de aprimorar os textos recebidos da Câmara, removendo tudo o que não beneficia a lisura do processo eleitoral

Neste contexto, o Senado ganha papel fundamental para que os retrocessos não acabem transformados em lei ou inseridos na Constituição. Quando da votação da PEC da Reforma Eleitoral na Câmara, Pacheco já havia dito que os senadores eram refratários às mudanças e gostariam de manter o que foi definido em 2017. A PEC já está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado; a relatora Simone Tebet (MDB-MS) já retirou a volta das coligações em seu substitutivo e, de forma inteligente, rejeitou todas as emendas que incluíam novidades na PEC. Isso porque, se o Senado aprovar a PEC com acréscimos, ela volta à Câmara, onde os deputados poderiam desfazer o trabalho de Tebet e trazer de volta as coligações. Caso o Senado não inclua nada e apenas retire trechos, a PEC segue direto para a promulgação se for aprovada. De qualquer forma, o Senado precisaria correr para que as demais mudanças possam valer em 2022, porque a votação do substitutivo na CCJ está marcada para o próximo dia 22, deixando apenas poucos dias para as duas votações em plenário.


Quanto ao Código Eleitoral, diversos senadores já manifestaram seu desagrado. Primeiro, com a pressão por uma votação célere de um projeto tão extenso; com razão, eles não querem ser vistos como meros “carimbadores” do que vem da Câmara – reclamação idêntica ocorreu anos atrás, quando era hábito dos deputados aprovar medidas provisórias às vésperas de caducarem, deixando ao Senado prazos mínimos, às vezes de um ou dois dias, para que votassem o texto. Mas não é apenas o prazo que os incomoda; também o conteúdo está sendo rejeitado por vários parlamentares, e com toda a razão, pois o Código aprovado na Câmara afrouxa muito as regras de fiscalização e elimina crimes eleitorais, além de instituir absurdos como a inelegibilidade temporária para certas categorias, como policiais, militares, juízes e membros do MP.

O Senado, assim, pode cumprir um papel duplo: o de “desacelerar” a tramitação, especialmente do Código Eleitoral, para que os senadores possam realizar um necessário pente-fino em um texto tão longo e para que a sociedade toda tenha a chance de contribuir para a discussão, já que a pressa adotada na Câmara quase inviabilizou o debate; e o de aprimorar os textos recebidos da Câmara, removendo tudo o que não beneficia a lisura do processo eleitoral. Afinal, não há motivo para correr se a razão da corrida é mudar para pior.


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GOVERNO BRASILEIRO AUMENTA O NÚMERO DE CONTRATAÇÕES DE FUNCIONÁRIOS

Gasto com pessoal
Nenhum reajuste e mais de 73 mil contratações: o Orçamento do serviço público em 2022

Por
Cristina Seciuk – Gazeta do Povo

Serviço público federal terá reforço em 2022 com mais de 73 mil contratações previstas no Projeto da Lei Orçamentária Anual. Mas nada de reajuste.| Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em 2022, o serviço público federal deve ter 73.640 novos funcionários ao custo de R$ 5,3 bilhões. As contratações estão previstas no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e devem ocorrer tanto a partir da criação de vagas no funcionalismo quanto com o provimento de postos que hoje estão vagos. A proposta, elaborada pelo governo federal, foi encaminhada ao Congresso em 31 de agosto.

O texto prevê a criação de 4.097 postos e o preenchimento de outros 69.543, atualmente desocupados, em diversos órgãos públicos. Os números se referem aos três Poderes, mas o Executivo é o que mais receberá reforço, com 1.129 vagas novas e o provimento de outras 66.654 que estão ociosas.

Segundo o Ministério da Economia, a conta inclui cargos efetivos e em comissão, função comissionada e gratificações de livre provimento, de civis e militares do Poder Executivo federal, e a polícia civil, militar e o corpo de bombeiros do Distrito Federal, que são custeadas com os recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal.

Com menos postos previstos, o Judiciário deve ter 4.231 novos servidores entre provimentos e criação de vagas; o Legislativo, outros 149. As outras vagas são para a Defensoria Pública da União (1.248) e o Ministério Público da União e Conselho Nacional de Ministério Público (229).

Conforme o PLOA, a verba destinada para as novas contratações do serviço público totaliza mais de R$ 5,3 bilhões no exercício com despesas de pessoal e encargos sociais. O montante é pouco menos que o dobro dos R$ 2,9 bilhões empregados para esse fim neste 2021.

Governo fala em recomposição de força de trabalho
Quando da apresentação do Projeto de Lei Orçamentária de 2022, representantes do Ministério da Economia afirmaram que a necessidade de reforço nas fileiras do funcionalismo está configurada após anos sem contratações. Segundo o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, “de fato não fizemos nenhum concurso ao longo dos três anos de governo até então, [mas] há a questão de necessidade” verificada por estudos frequentes realizados pela Secretaria de Gestão.

Também na ocasião, o secretário de Orçamento, Ariosto Culau, destacou que há previsão de contratações, mas que reajustes para o serviço público não foram incluídos no texto por falta de espaço orçamentário.

“A gente tem de fato um represamento no que diz respeito à demanda dos vários órgãos por concursos públicos. […] Houve a identificação dessa necessidade de recomposição de força de trabalho”, afirmou. Questionado, ele ainda refutou qualquer “finalidade eleitoreira” nas contratações, mas “tão somente atender necessidades da administração pública e de políticas setoriais dos diversos órgãos”.

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Naquela entrevista, o secretário Ariosto Culau também havia comentado a previsão dos concursos para 2022, mas afirmou que as vagas autorizadas seriam 41.700.

Esse número, segundo o Ministério da Economia, se refere à estimativa de vagas destinadas à realização de concursos para o Executivo, para servidores civis e as carreiras do Fundo Constitucional do Distrito Federal.

As demais, conforme a pasta informou em nota à Gazeta do Povo, são direcionadas aos cargos, postos e graduação, efetivos e temporários, das Forças Armadas (11,6 mil) e ao anteprojeto de lei que cria os Cargos Comissionados de Militares (CCM) e as Gratificações de Militares Fora da Força (GMFF, com 1,1 mil)”.

Serviço público sem reajuste
O texto da proposta elaborada pelo Ministério da Economia não prevê reajuste para o funcionalismo, mas o próprio secretário Bruno Funchal já afirmou que pode haver algum tipo de mudança no decorrer do processo orçamentário, por exemplo, se o pagamento dos precatórios for resolvido junto ao Judiciário. No PLOA 2022, a previsão é de pagamento integral dos R$ 89,1 bilhões, sem parcelamentos.

“Tendo algum tipo de mudança por conta da discussão do precatório, vão ser definidas as prioridades no Orçamento e não cabe à gente agora falar nisso. Outras discussões vão ser feitas ao longo do processo orçamentário”, complementou.

O gasto com pessoal em 2022 é previsto em R$ 342,8 bilhões conforme o projeto enviado pelo governo, com aumento de R$ 6,6 bilhões em relação a 2021, já incluídos os concursos esperados para as novas contratações.

O aumento, segundo o Ministério da Economia, é provocado por parcelas de reajustes passados concedidos ao funcionalismo (em particular a parcela ainda devida do reajuste dos militares) e pelo crescimento vegetativo da folha.


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DEPUTADO SERÁ PUNIDO POR LEVANTAR FALSAS ACUSAÇÕES CONTRA O PRESIDENTE

 


Conselho de Ética da Câmara vai julgar Luis Miranda na próxima terça (21)
Por Gazeta do Povo

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).| Foto: Pedro França/Agência Senado


O Conselho de Ética da Câmara vai decidir na próxima terça-feira (21) se o deputado Luis Miranda (DEM-DF) será julgado por quebra de decoro parlamentar. Miranda e seu irmão, o servidor público Luís Ricardo Miranda, denunciaram supostas irregularidades na negociação da Covaxin à CPI da Covid. O PTB acusa o deputado de mentir aos senadores na comissão para prejudicar o presidente Jair Bolsonaro.

O partido considera que Miranda agiu de má-fé ao denunciar “um suposto crime cometido por agente do Estado, apontando suposto superfaturamento a fim de prejudicar a imagem e imputar crime ao presidente da República e ao Ministro da Saúde à época, o general Eduardo Pazuello”.

O relator é o deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) e deve apresentar o parecer sobre o caso. O Conselho de Ética pode recomendar a cassação do mandato do deputado, caso opte pela punição mais severa. Com informações da Agência Câmara de Notícias.


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VACINAS BRASILEIRAS SERÃO TESTADAS NA POPULAÇÃO

 

Testes de eficácia
Por
Amanda Milléo – Gazeta do Povo

Se boa parte da população já estiver vacinada contra a Covid-19, como os pesquisadores testarão os próximos imunizantes?| Foto: Bigstock

Ao longo de 2020, a população mundial acompanhou atenta cada etapa dos testes clínicos que avaliavam as vacinas em desenvolvimento contra a Covid-19. Fase 1, 2 e, principalmente, a 3, na qual se calcula a eficácia e a capacidade de o imunizante proteger contra formas graves e mortes na pandemia.

Para se chegar a essa eficácia, os estudos envolveram milhares de pessoas, divididas em dois grandes grupos:

Os que receberam as vacinas em teste;
Os que não receberam os imunizantes, mas uma substância placebo, para fins comparativos. É o chamado grupo controle, que não será mais usado daqui para frente.
Como a população mundial já está sendo vacinada – 63% dos brasileiros adultos receberam a primeira dose até o início de setembro –, não é mais possível, ou ético, manter um grupo sem imunizante algum apenas para que seja comparado com o grupo que recebeu a substância em teste.

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A partir de agora, os testes clínicos irão comparar as vacinas novas com aquelas que já estão sendo utilizadas, segundo explica Flavio da Fonseca, virologista e pesquisador do Centro de Tecnologia em Vacinas (CT Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

“As vacinas serão testadas em uma condição de dose de reforço. Serão testadas para ver se são capazes, em pessoas já pré-imunes ou que já receberam alguma vacina, de reforçar o sistema imunológico. Se podem funcionar mesmo como uma dose de reforço”, explica.

Os estudos, portanto, mudam o foco. Em vez da eficácia pura, eles avaliam dois princípios: similaridade e não inferioridade. “Os desenhos clínicos usam grupos que serão imunizados com a vacina experimental e os que vão receber uma vacina já existente. A vacina testada não pode ser inferior a outra, e tem que ser similar em termos de resposta imune”, destaca Fonseca.  

No caso do imunizante em desenvolvimento pela UFMG, o pesquisador explica que, no momento da fase 3, os testes englobarão participantes que tenham recebido, há pelo menos seis meses, as duas doses da Coronavac, imunizante produzido pelo laboratório chinês Sinovac e pelo Instituto Butantan.

Esta será a exigência para os participantes do grupo que receberá a vacina em teste, mas também para os do grupo controle que, no teste clínico, receberão uma terceira dose da Coronavac. “Como queremos uma homogeneidade dos resultados, as pessoas que vão receber a vacina experimental também terão sido previamente imunizados com a Coronavac”, explica Fonseca.


Outra possibilidade, de acordo com Breno Castello Branco Beirão, professor do Departamento de Patologia Básica da UFPR, é que os testes clínicos para as próximas vacinas busquem por pessoas que estão entrando no calendário vacinal, e que ainda não receberam nenhum dos imunizantes anteriores.

“Todos os anos, o SUS recebe pessoas novas que vão se vacinar contra o tétano e febre amarela, por exemplo. São pessoas que estão entrando no calendário vacinal, e isso é por conta da idade ou porque se esqueceram, ou porque não tomaram as outras vacinas por qualquer razão”, explica o especialista, que é um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da vacina da UFPR.

O imunizante em desenvolvimento pela universidade está nas etapas finais dos ensaios pré-clínicos, em animais. “Continuamos testando ainda variações das vacinas, com o objetivo de melhorar nessa fase pré-clínica. Concluindo isso, por volta do primeiro trimestre do ano que vem vamos pedir a liberação da Anvisa [para os testes em seres humanos]”, explica Beirão.

No fim de agosto, a Anvisa divulgou mudanças no processo de submissão dos documentos sobre as vacinas em desenvolvimento no país. Tal orientação, segundo o pesquisador, nunca tinha sido feita antes, visto que não havia, até então, tantas solicitações de liberação de testes por universidades brasileiras.


De acordo com a agência, até o fim de agosto três universidades brasileiras já haviam solicitado a autorização dos estudos em seres humanos:

Vacina S-UFRJvac, desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. A solicitação dos estudos de fase 1 e 2 foi feita no dia 6 de agosto;
Vacina Spintec, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais. A solicitação dos estudos de fase 1 e 2 foi feita no dia 31 de julho;
Vacina Versamune CoV-2FC, desenvolvida em uma parceria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo com a empresa Farmacore e a PDS Biotechnology, dos Estados Unidos. A solicitação dos estudos de fase 1 e 2 foi feita no dia 26 de março.
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PLANO DE LOGÍSTICA DA AMAZÔNIA

 

Evento promovido pelo GT Infra aponta a falta de análises de alternativas no país

 IEMA

André Ferreira, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), Bruno Martinello Lima, do Tribunal de Contas da União (TCU) e Edinho Bez, diretor de relações institucionais da Frente Parlamentar de Logística, mediados por Sérgio Guimarães, do GT Infraestrutura, e em evento promovido pelo grupo de trabalho da sociedade civil debateram o Plano Nacional de Logística – PNL 2035. O evento online aconteceu na quarta-feira (15) com o objetivo de discutir a proposta e refletir sobre como ela se encaixa numa estratégia mais adequada para que a logística nacional melhor atenda ao interesse da sociedade.

Veja o evento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=I_Ko7kaDa6Q 

“O plano em discussão pública não identifica quais serão os problemas de logística do futuro”, André Ferreira, diretor-presidente do IEMA, alertou durante o evento. No início deste ano, a Empresa de Planejamento e Logística S.A. (EPL) e o Ministério da Infraestrutura (MInfra) realizaram a consulta pública do PNL 2035. Este seria o objeto central do planejamento de transporte de cargas e se configura como um dos instrumentos da Política Nacional de Transportes, ou seja, o documento é estratégico para definir o futuro da infraestrutura voltada à circulação de mercadorias no país. Porém, falta análise de alternativas para o transporte de cargas no Brasil no plano apresentado.

Antes de tudo, vale ressaltar que o transporte de cargas no país merece atenção especial com relação ao meio ambiente e às fragilidades sociais por diversos motivos. Alguns deles: as exportações dependem do transporte interno para serem enviadas para demais países e populações locais podem ser afetadas por ele, as economias locais podem ser incentivadas – ou não – de acordo com os planos apresentados, novas obras podem gerar mais desmatamentos ou conflitos por terras e nem sempre populações locais participam do processo decisório da instalação de novas obras para discutir os impactos em seus modos de vida.

Fragilidades do PNL 2035

Durante o encontro, André Ferreira apresentou diversas fragilidades do PNL 2035 e também oportunidades de melhorias que poderiam ser agregadas pelo governo federal, para que ele sirva à população em geral. O PNL 2035 considera, além dos projetos contratados “sem novos investimentos”, projetos que foram apresentados e ainda estão em fase de apreciação. O plano inclui até projetos sem licenciamento ambiental. Outro ponto é que não há uma identificação objetiva dos pontos críticos da infraestrutura de transportes – como rodovias, ferrovias e portos – que deverão estar saturados em função do crescimento projetado na circulação de mercadorias.

“Não conseguimos entender os critérios adotados para optar enfrentar um problema e não outro”, ressalta Ferreira. Por exemplo, o PNL 2035 prioriza granéis sólidos – como soja, milho e minério de ferro – em detrimento de outros produtos, mas não apresenta estudo do porquê dessa ação. “Parece que só se dá por pressão política e empresarial, se afastando de boas práticas. As demandas do mercado são legítimas, a dúvida é como isso passa por fundamentação técnica”, afirma Ferreira.

Soja, milho e companhia

Os estados de Mato Grosso e Goiás, de acordo com projeções, serão responsáveis por metade da ampliação da circulação de granel sólido no país. Desse modo, o escoamento da mercadoria do Centro-Oeste, sem dúvida, é algo a ser avaliado. Para isso, é necessário explicitar quais as alternativas para resolver o problema. “Se escoar os grãos do Centro-Oeste é um problema colocado no Plano, é preciso discutir as alternativas de escoamento da mercadoria para os portos de exportação do futuro”, diz Ferreira. Isto é, é necessário apresentar uma comparação das alternativas existentes para apontar qual alternativa e sob quais aspectos é mais adequada que outra. “Isso não é tratado no Plano de Logística. A rigor não é feita uma análise de alternativa”, completa.

O gráfico da esquerda mostra por onde, atualmente, os grãos são mais escoados: Santos (SP) e São Luís (MA). O cenário previsto pelo PNL 2035, à direita, reduz a carga exportada pelos portos de Santos e de São Luís, mesmo com a ampliação da rodovia e com o aumento da produção e da exportação de granéis sólidos. Há também uma redução da saída rodoviária que leva ao porto de Belém (PA) e via BR-364. O escoamento de soja passaria a se concentrar na Bacia do Rio Tocantins, via Ferrogrão, e através das ferrovias FICO e FIOL, saindo pelo porto de Ilhéus (BA). Dessa maneira, futuramente a carga estaria saindo dos três principais eixos existentes para ser transportada em outros em construção. 

“A pergunta que fica é: o PNL 2035 não precisaria ter cenários concorrentes, alternativos?”, questiona Ferreira. Isso porque novas obras e acréscimo na passagem de cargas aumentam a pressão por locais já socioambientalmente sensíveis. Deveria-se estudar novos cenários de acordo com diretrizes ambientais, sociais e custos econômicos. “Não existe cenário comparativo, na verdade, está em disputa a carga do Centro-Oeste por três ferrovias e Ilhéus”, afirma o diretor-presidente do IEMA. “Um local tão sensível, como a Amazônia, parece ser o suficiente importante para justificar o porquê não temos análises de outras saidas”, diz.

Recomendações ao PNL 2035

Ao final da fala, André Ferreira apresentou recomendações para o aperfeiçoamento da política e planejamento do PNL 2035: a EPE tem conhecimento técnico, dados e ferramentas para produzir e testar cenários de infraestrutura concorrentes previamente à definição de portfólios de projetos; elaborar avaliação ambiental estratégica; institucionalizar o processo decisório, garantindo a vinculação técnica entre todas as suas etapas e fases de forma a manter a aderência das ações às políticas públicas e adoção de boas práticas técnicas; garantir para cada etapa do processo decisório, ampla e adequada participação da sociedade. 

Consultas e discussões com a sociedade, principalmente com as comunidades afetadas, melhoraram os projetos e diminuem o tempo de implementação de novas propostas. É do processo civilizatório a evolução no debate com a sociedade. Enquanto a inclusão da sociedade na discussão é ignorada, a sociedade civil fica com o papel de tentar combater problemas já colocados. “Estamos falando de três dimensões: econômica, ambiental e ética”, completa Ferreira.

Impacto do transporte de cargas no Brasil

O Instituto de Energia e Meio Ambiente desenvolveu, em 2020, estudos para debater e fortalecer a capacidade de organizações da sociedade civil atuantes na Amazônia Legal com relação ao impacto do transporte de cargas na região. Entre eles, foi feito: o rastreamento dos projetos infraestrutura de transportes de carga previstos na Amazônia Legal e seus drivers político-econômicos; mapeamento do cenário tendencial do desenvolvimento do transporte de carga na Amazônia e possíveis riscos socioambientais decorrentes; mapeamento de fragilidades e oportunidades de aperfeiçoamento do arcabouço institucional, legal e normativo dos processos nacionais de tomada de decisão sobre transporte de carga.

Infelizmente, o resultado das análises mostrou que a maior parte dos projetos de infraestrutura de transporte de cargas propostos no âmbito do governo federal têm sido concebidos para estruturar corredores de transportes que reforcem a tendência recente de exportação de soja e milho pelos portos do chamado Arco Norte, ou seja, pela Amazônia Legal. O que deve impactar negativamente o meio ambiente e a qualidade de vida dos moradores da região, já que as obras tendem a intensificar a pressão por desmatamento e o valor agregado das mercadorias costuma não ficar para a população local.

EMPRENDEDORES ADEREM AO CONCEITO DE LOJAS SUSTENTÁVEIS

 

O espaço tem 14 m2 e é composto por cerca de 1,5 toneladas de plástico reciclado; um dos objetivos do novo modelo de loja é reforçar a campanha Boti Recicla – atualmente o maior programa de logística reversa em pontos de coleta do país

No próximo sábado (18), O Boticário inaugura a primeira loja sustentável em Minas Gerais, localizada no Complexo Navegantes, na Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima. O projeto inédito chega para revolucionar a experiência de varejo tecnológico — atendendo aos códigos contemporâneos de consumo voltados para a sustentabilidade – e ainda faz um convite muito especial para as pessoas: adotar o descarte adequado de embalagens, contribuindo com a reciclagem e o futuro do planeta.

Esse é mais um passo inovador em relação à responsabilidade socioambiental da marca no Brasil. A marca já possui outras oito lojas do mesmo modelo nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará.

A iniciativa faz parte do compromisso definitivo que o Boticário vem firmando com a sociedade e o meio ambiente há décadas, reforçando sua liderança em fomentar soluções criativas em direção a um futuro possível, e mais limpo. O novo espaço da marca tem 14 metros quadrados e é composto por cerca de 1,5 toneladas de plástico reciclado, considerando paredes e piso. A loja funcionará de segunda a sexta das 9h às 20h, e aos sábados das 10h às 18h.

A ideia foi concebida a partir de uma provocação da marca por novos modelos de estabelecimentos. Em um primeiro momento, foi avaliada a possibilidade de utilizar containers marítimos em estacionamentos até finalmente conceber uma alternativa mais sustentável e 100% alinhada com o posicionamento da empresa.

O projeto exigiu desenvolvimento de tecnologias para reuso de resíduos plásticos gerados pela indústria para a geração de matéria-prima segura e adequada às aplicações construtivas. O modelo foi avaliado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), seguindo todo o protocolo de segurança que uma loja deve ter.

A unidade também traz o reforço da mensagem “Boti Recicla – você retorna, Boti Recicla e transforma” selando o compromisso da marca em gerar impacto positivo na vida das pessoas e no planeta. “Por meio de um ciclo sustentável, o Boticário vai além, devolvendo para a sociedade, com o suporte dela”, avalia Alexandre Bouza, Diretor do Boticário.

Além das lojas sustentáveis pelo país, O Boticário entregará, nos próximos meses, espaços escolares sustentáveis por todo o país, fomentando, mais uma vez. o compromisso com o futuro do planeta, agora também na educação.

As urnas coletoras, presentes nas lojas durante todo o ano, estão com um incentivo a mais aos consumidores, até o dia 31 de outubro. Com o objetivo de incentivar a reciclagem e o consumo consciente, o Boticário está promovendo uma campanha de troca de embalagens vazias de cosméticos por descontos em novas compras. Para quem entregar três ou mais embalagens vazias de cosméticos de qualquer marca, o Boticário dará descontos de R$ 15, em compras acima de R$ 80.

Criado em 2006, Boti Recicla é atualmente o maior programa de logística reversa em pontos de coleta do país, com quase 4 mil pontos espalhados em 1.750 cidades brasileiras. Nos bastidores, toda a rede de franqueados e força de vendas atuam em prol de um benefício coletivo, com cerca de 20 cooperativas homologadas e transportadoras parceiras

Sobre o Boticário

O Boticário é uma empresa brasileira de cosméticos, unidade de negócios do Grupo Boticário. Inaugurada em 1977, em Curitiba (Paraná), a marca tem a maior rede franqueada de cosméticos do país com mais de 3.700 pontos de venda, em 1.750 cidades brasileiras, e mais de 900 franqueados. Presente em 15 países, há mais de 40 anos desenvolve produtos com tecnologia, qualidade e sofisticação – seu portfólio tem mais de 850 itens de perfumaria, maquiagem e cuidados pessoais. Comprometido com a beleza das pessoas e do planeta,  O  Boticário  não  realiza  testes  em  animais  e  investe  na  melhoria  contínua  de produtos e processos para torná-los cada vez mais sustentáveis

Sobre o Complexo Navegantes

O Complexo Navegantes, administrado pela GSA Ativos (Gestão e Solução de Ativos), possui 30 lojas e 200 vagas de estacionamento, abrigando opções de compras, lazer e gastronomia. O street mall, que possui mais de 7 mil m², possui grandes marcas como o Supernosso, Drogaria Araujo, Americanas Express e Kopenhagen. Opções de serviços também não faltam. Lá, o cliente pode contar com a lavanderia da 5àSec, car detailing da Blue Box, uma unidade do laboratório Hermes Pardini e até mesmo uma clínica veterinária, a Dra. Pet. A localização do Navegantes também é estratégica, uma vez que o mix de conveniência fica próximo dos principais complexos da região, como o Minas Tênis Náutico Clube, a Fundação Dom Cabral, a escola canadense Maple Bear, o Colégio Batista Mineiro, a sede da Sede CSul Desenvolvimento Urbano e as futuras instalações da PUC Minas.

TECNOLOGIA AJUDA EMPREENDEDORES A TRANSFORMAR OS SEUS NEGÓCIOS

 

Boas práticas de TI podem ser utilizadas como pilares para o sucesso empresarial em diferentes segmentos

Acelerar – Aceleradora da área Central

A área da Tecnologia da Informação (TI) possui conceitos e pilares valiosos para o sucesso das empresas, já que as boas práticas e abordagens características do segmento estão alinhadas com o objetivo de melhorias contínuas. De fato, as visões e metodologias de TI podem ajudar negócios de outros nichos, com soluções que vão além do universo tech, mas muitos desses conceitos podem passar despercebidos para empresários que são de outras áreas de atuação, por exemplo.

Para ajudar a disseminar essas estratégias, a Acelerar — aceleradora da Área Central, empresa especializada em centrais de negócios, reuniu uma lista com dicas do mentor Jeferson Rosa que contemplam esses pilares “Muitos grupos empresariais que buscam otimizar resultados, seja via mentoria ou compra conjunta, por exemplo, estão em processo de melhorias na gestão de suas empresas.  Cada uma delas pode ser aplicada em pequenas, médias e grandes empresas”, explica Jeferson.

Gerenciamento de Experiência do Consumidor

Saber quais são as necessidades do consumidor é imprescindível para qualquer setor — colocá-lo no centro é um ponto primordial para o sucesso das empresas. Independente da relação, seja ela de B2B (de empresa para empresa) ou B2C (de empresa para cliente), entender quais são as necessidades do consumidor ajuda a garantir uma experiência melhor, fidelizando seu público e elevando os resultados comerciais. Por isso, estratégias como essa, que consiste em surpreender as expectativas dos clientes, trazem forte impacto para o seu negócio. Esse processo pode ocorrer de várias formas, especialmente através de análise de engajamento e feedbacks.

Retorno do Investimento (ROI)

Para entender melhor a eficácia de um investimento, o empreendedor pode utilizar o Retorno de Investimento (ROI, na sigla em inglês). Além disso, com essa medida de desempenho, também é possível comparar a performance de diversos investimentos. É uma forma de esclarecer se eles estão realmente valendo a pena. O cálculo é feito pela subtração do custo de investimento do valor obtido, dividindo esse resultado pelo valor investido. O resultado final é em porcentagem ou proporção.

Gerenciamento de Processos de Negócios

Essa estratégia consiste em operações para que o gestor possa descobrir, modelar, analisar, medir, melhorar, otimizar e automatizar processos. Para colocá-la em prática, é necessário realizar um mapeamento dos atuais métodos do negócio, enxergando de forma clara o funcionamento da distribuição de atividades. Esse tipo de gerenciamento pode ser bastante útil para melhorar a comunicação dentro da empresa, além de melhorar processos financeiros, por exemplo.

OKRs

Objetivos e resultados-chave (OKRs, na sigla em inglês), são dois conceitos complementares. Os objetivos são as metas que o gestor quer alcançar. Já os resultados-chave monitoram como se chega ao objetivo. Ao defini-los, é muito importante estipular metas claras e objetivas, para que a mensuração ocorra de forma eficaz. O ideal é que as redefinições ocorram em curto prazo, ou seja, a cada trimestre ou semestre. Em um contexto geral, o acompanhamento dos OKRs impacta diretamente no engajamento de equipes, sendo uma forma valiosa de incentivar a união de um time.

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sábado, 18 de setembro de 2021

TERCEIRA VIA DESTROÇADA APÓS MANIFESTAÇÕES DO DIA 12/09

 

Eleições 2022
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília

João Amoêdo (Novo), Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) nos atos do último domingo (12): representantes da terceira via discutem alternativas à polarização entre Bolsonaro e Lula nas eleições de 2022.| Foto: Reprodução/Twitter

Apesar da baixa adesão de público nas manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do último final de semana, políticos envolvidos na construção de uma candidatura da chamada terceira via avaliam positivamente a exposição tida nos atos. Durante os protestos, diversos pré-candidatos discursaram e defenderam uma alternativa à polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições do próximo ano.

“A corrupção no Brasil não começou com o PT e ela não começou com o Bolsonaro. A corrupção está enraizada no Brasil há muito tempo. Todo o trabalho que muita gente de bem fez para combater esse mal foi jogado fora por Jair Bolsonaro. Ele jogou fora a Lava Jato e jogou fogo em todos aqueles que colocaram a cabeça a risco. A gente não está condenado a viver escolhendo entre o corrupto da esquerda e o corrupto da direita “, discursou e o senador Alessandro Vieira (SE), pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo Cidadania.

Na última quarta-feira (15), o partido de Vieira e o PV, também envolvido nas articulações da terceira via, se juntaram aos partidos de esquerda para articular novas manifestações contra Bolsonaro. Outras legendas como PSD, MDB, PSDB e Novo também foram convidadas, mas não estiveram presentes. A expectativa, no entanto, é que pré-candidatos destes partidos participem dos próximos atos contra o governo, que devem ocorrer nos dias 2 de outubro e 15 de novembro. Os representantes desses partidos avaliam que a exposição e o envolvimento na organização das manifestações podem beneficiar os pré-candidatos do grupo.

Responsável pela articulação do DEM, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirma que a manifestação foi um primeiro passo para a movimentos contrários ao governo Bolsonaro. Apesar da presença e dos discursos dos pré-candidatos envolvidos na articulação da terceira via, Mandetta não viu os atos como um movimento eleitoral. “A maioria que vi foi de forma espontânea. Ali não havia convocação de partido e não tinha a máquina na organização prévia”, afirma o ex-ministro.

Convocadas desde julho por movimentos como Vem Pra Rua, Livres e Movimento Brasil Livre (MBL), as manifestações contra o governo Bolsonaro tiveram a adesão de políticos, partidos e algumas centrais sindicais fechada poucos dias antes da data para os protestos. Na ocasião, apenas partidos como PT e PSol se negaram a participar dos movimentos em razão de divergências políticas passadas.

Para os próximos meses, Mandetta, que vem sendo testado como pré-candidato, afirma que irá manter a mobilização e os encontros com lideranças políticas e outros representantes políticos, com o ex-ministro Sergio Moro, por exemplo.

Você acredita na viabilidade eleitoral de um candidato que possa fazer frente a Lula e Bolsonaro em 2022?
Sim. Se houver unificação da terceira via em um candidato, é póssível que ele chegue ao segundo turno.
Gostaria de acreditar que sim, mas acho que o voto da terceira via será pulverizado em vários candidatos.
Não. As eleições presidenciais serão cada vez mais polarizadas entre Bolsonaro e Lula.
“As pessoas têm que entender que estamos vivendo 2021. Estamos fazendo reuniões semanais e discutindo os problemas do Brasil de acordo com os temas. Nesta semana vamos discutir propostas para a parte de energia, que está sendo um grande problema agora com essa crise. Já fizemos cinco temas e estamos construindo um programa de governo. Essa coisa da candidatura e de um nome em si ela vai se clarear no primeiro semestre do ano que vem. Política se faz assim, um passo de cada vez”, afirmou Mandetta.

Também envolvido nas articulações, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, descarta que as manifestações do último final de semana tiveram como base testar a viabilidade da terceira via. De acordo com ele, os partidos estão focados em resolver as divisões internas para posteriormente chegarem a um consenso do nome mais viável.

“As manifestações não tiveram foco na terceira via, até porque se fizer isso, divide o que não pode ser divido. Estamos dando os primeiros passos para a construção de uma grande frente ampla que derrote o fascista Bolsonaro. Sobre terceira via e 2022 a gente conversa entre os envolvidos”, diz Freire.

Temer recua da possibilidade de terceira via 
Envolvido na construção da carta à nação divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro na última semana, o ex-presidente Michel Temer recuou das articulações do MDB por uma terceira via. Ao jornal Correio Braziliense, o emedebista disse que acha difícil que os pré-candidatos se unam.

“Com toda a franqueza, estou achando complicada essa história. Não acho fácil que os principais cotados da terceira via, em um dado momento, abram mão da candidatura, priorizando só um candidato (…) você veja que se houver muitos candidatos, ganha com isso aqueles que polarizaram”, disse Temer.

A declaração ocorre menos de um mês depois que o ex-presidente desembarcou em Brasília para o lançamento de um manifesto do MDB que iria nortear as negociações da ala do partido que defende uma candidatura de terceira via. Esse grupo tentava frear as negociações de caciques do MDB que se aproximaram de Lula, como o ex-senador Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney.

Os aliados de Temer chegaram a cotar a senadora Simone Tebet (MS) como possível pré-candidata do partido. No entanto, Temer afirmou que não acredita que o partido seguirá com essa posição. “Conheço o MDB há muito tempo, né? E sempre foi assim… Sempre quis lançar candidato e muitas vezes acaba não lançando. Hoje, tem uma bela pré-candidata, a Simone Tebet, mas não sei se o partido vai com essa posição até o final”, afirmou.

Apesar disso, a senadora tem sinalizado que irá se manter envolvida nas articulações para construção de uma candidatura alternativa a Bolsonaro e a Lula.  Aos seus interlocutores, a emedebista tem afirmado que a busca tem que ser por alguém que consiga tirar o presidente Bolsonaro da disputa do segundo turno.

A disputa do DEM e do PSD pelo presidente do Senado
Nesta semana, os presidentes do PSD, Gilberto Kassab, e do DEM, ACM Neto, participaram de um evento virtual com investidores onde debateram o cenário eleitoral para 2022. No entanto, nenhum deles cravou qual será o nome que irão lançar no ano que vem.

Um dos impasses está na articulação de Kassab para tirar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do DEM e filiá-lo ao PSD. No debate, Kassab diz confiar que conseguirá atrair o senador mineiro ao PSD para brigar pelo Palácio do Planalto. Já ACM Neto tem outra alternativa caso o ex-ministro Mandetta não se viabilize politicamente.

“Acredito que no segundo turno possa estar o presidente Lula com a terceira via na disputa”, declarou Kassab. De acordo com o presidente do PSD, não existe “nenhum problema” entre ele e ACM Neto pela disputa por Pacheco.

Além de uma eventual candidatura de Mandetta, ACM Neto confirmou pela primeira vez que o DEM caminha para uma fusão com o PSL. O ex-prefeito de Salvador negocia com Luciano Bivar, presidente do PSL, uma união que poderia transformar o novo partido no maior da Câmara e, com isso, receber a maior fatia dos fundos partidário e eleitoral. “Os próximos 15 dias serão decisivos, e vamos ter uma ideia se essa fusão irá adiante ou não”, afirmou ACM Neto sem dar mais detalhes.

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PSDB pode abrir mão de cabeça de chapa
No mesmo encontro, o presidente do PSDB, Bruno Araújo (PSDB), não descartou retirar o lançamento de um nome como cabeça de chapa para apoiar alguém com maiores chances de vitória em 2022. O partido passa por um processo de prévias internas para escolha do candidato presidencial, que deve ser definido somente em novembro. Os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (PSDB); o senador Tasso Jereissati; e o ex-senador Arthur Virgílio (AM) disputam a vaga.

“Claro que o escolhido de um processo tão vigoroso e forte como esse sai com muita força política, mas cabe a ele demonstrar que tem liderança política, pessoal, republicana, de fazer esse conjunto de forças entender que ele é o melhor nome, ou ter a humildade suficiente de entender que surgiu uma outra força política”, disse Araújo.


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