Derrota em primárias escancarou conflito interno entre Cristina Kirchner e Alberto Fernández.| Foto: EFE/Esteban Collazo
A derrota da esquerda nas primárias argentinas colocou o governo em modo autofágico nos últimos dias. A lista de pré-candidatos da coalizão governista Frente de Todos foi derrotada pela lista do Juntos por el Cambio, grupo oposicionista liderado pelo ex-presidente Mauricio Macri, em três quartos das províncias argentinas, incluindo locais tradicionalmente fiéis ao kirchnerismo, como a província de Buenos Aires. Nas primárias, os argentinos vão às urnas para decidir quem poderá sair candidato nas eleições parlamentares de novembro, quando estarão em disputa quase metade das cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço das cadeiras no Senado. Uma derrota em novembro pode complicar a vida do presidente Alberto Fernández ao menos na Câmara, hoje dividida quase ao meio entre governo e oposição – no Senado, o governo tem maioria mais tranquila.
Comentando a derrota, Fernández disse ter “cometido erros”, prometeu mudança de rota e falou no “veredito” manifestado pelo povo argentino. Farejando a fraqueza, a vice-presidente Cristina Kirchner partiu para o ataque, com um pedido de demissão coletiva de ao menos 11 ministros ou altos funcionários de governo mais ligados a ela que ao presidente Fernández. O objetivo da manobra é enquadrar o presidente, conseguir a saída de ministros mais alinhados a Fernández e cuja gestão não estava agradando a vice (especialmente o chefe de gabinete, Santiago Cafiero), e levar o governo mais para a esquerda. E, neste processo, a vice-presidente (que já ocupou a Casa Rosada de 2007 a 2015) e seus aliados vêm fazendo questão de dizer quem realmente manda.
Com dois anos de atraso, boa parte dos argentinos percebeu que fora péssima ideia entregar novamente o comando do país àqueles que o haviam destruído anos antes
Na quinta-feira, um áudio atribuído a uma deputada kirchnerista não poupa insultos ao presidente, chamando-o de “doente” e “usurpador” e afirmando que “a dona dos votos, da legitimidade, do apoio popular e da base de apoio deste governo e de quem o colocou lá é Cristina”. E, para que não ficasse dúvida alguma a esse respeito, a própria vice lembrou no Twitter que fora dela a sugestão para que Fernández encabeçasse a chapa peronista, tendo-a como vice – o que ela convenientemente omitiu foi que o principal motivo para que ela mesma não tentasse novamente a presidência era a sua alta rejeição, após o desastre econômico que promovera quando no comando do país.
Ainda no Twitter, a vice-presidente pediu a Fernández que “honre a vontade do povo argentino”. Mas há uma incompatibilidade enorme entre o que Cristina Kirchner pretende e a “vontade do povo argentino”, pois está claro que nas primárias o eleitor pediu menos, e não mais esquerdismo. Com dois anos de atraso, boa parte dos argentinos percebeu que fora péssima ideia entregar novamente o comando do país àqueles que o haviam destruído anos antes. O país convive com inflação na casa dos 50% anuais, desemprego em alta e uma gestão pobre da pandemia de Covid-19. Apesar dos intermináveis lockdowns, que ajudaram a devastar a economia, a Argentina tem mais casos de Covid por milhão de habitantes que o Brasil, e desde maio de 2021 também registra média de mortes diárias por milhão de habitantes maior que a brasileira.
Um sucesso do Juntos por el Cambio alimenta as chances de Macri, que já deixou a entender que pretende disputar a Casa Rosada em 2023. É bem verdade que ele não chega a ser uma alternativa extremamente animadora, pois foi bastante tímido quando teve a chance de realizar reformas para desfazer o desastre kirchnerista. Não fez um ajuste fiscal digno do nome, não privatizou, fez muitas concessões ao funcionalismo e acabou terminando o mandato com tabelamento de preços. Ainda assim, ele e seu grupo parecem ser hoje o mais próximo que a Argentina tem de uma plataforma economicamente liberal; caso recuperem o poder, precisarão mostrar que aprenderam com os erros de 2015 a 2019 e fazer muito mais para tirar o país do atoleiro e da prisão mental do populismo argentino.
Pressionado pela fome de poder de sua vice à esquerda e pelo recente sucesso eleitoral da centro-direita, Fernández tem agora de decidir para onde leva seu governo. A semana que começou com a renúncia coletiva termina sem sinal do que ele fará – se entregará a Cristina Kirchner as cabeças pedidas por seu grupo; se aceitará os pedidos de demissão; e, neste caso, que perfil buscará para preencher as vagas abertas. Em outras palavras, se assumirá ou renegará o papel de fantoche da vice que tantos, com preocupação, lhe atribuíram quando ele aceitou a sugestão de concorrer em 2019.
Um dos bloqueios da semana passada, no norte de Santa Catarina: líderes de paralisações ocorridas entre 7 e 10 de setembro provavelmente não vão participar do encontro deste sábado (18).| Foto: Reprodução/Facebook
Líderes e representantes de caminhoneiros autônomos e celetistas se reúnem neste sábado (18) para debater uma pauta ampla a ser apoiada pela categoria dos transportadores rodoviários de carga. Conforme informou anteriormente a Gazeta do Povo, é a partir desse encontro que parte das lideranças acredita na possibilidade de montagem de uma agenda que, se não avançar, pode desencadear uma greve dos caminhoneiros.
A reunião é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), pela Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), e pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC).
O encontro ocorrerá em Brasília, no Hotel Laguna Plaza, das 9h às 17h. A ideia dos organizadores é reunir todas as lideranças que estejam dispostas a debater a pauta da categoria, afirma o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sindicam) de Ijuí (RS), Carlos Alberto Dahmer, o “Liti”, que é diretor da CNTTL. “Foram e permanecem convidadas lideranças de caminhoneiros autônomos e celetistas, associações, sindicatos, federações, confederações e cooperativas de transporte”, diz.
A previsão é de que a reunião conte com lideranças que convocaram duas greves este ano – para 1º de fevereiro e 25 de julho – e até mesmo outras que não aderiram aos chamamentos. Entretanto, não há perspectiva de que participem líderes autônomos que bloquearam trechos em rodovias pelo país entre 7 e 10 de setembro.
“São os urubus dos caminhoneiros, vivem da carniça. As pautas deles não acabam com a ‘prostituição’ do frete”, critica o líder autônomo Odilon Fonseca, que não participará da reunião. Ele foi um dos caminhoneiros recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto durante a recente paralisação.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que tem assinado um acordo de cooperação técnica (ACT) com o Ministério da Infraestrutura e é reconhecida por líderes autônomos como a representante “máxima” e de “direito” da categoria, não participará da reunião por entender que as pautas defendidas são inconsistentes e representam “grupos isolados”.
Qual é o impacto da reunião após a recente paralisação dos caminhoneiros A reunião deste sábado difere do recente movimento de uma parcela dos caminhoneiros autônomos e celetistas liderados pelo youtuber Marcos Antônio Pereira Gomes, o “Zé Trovão”. Os transportadores que bloquearam trechos em rodovias no país por quatro dias tinham uma pauta política, da qual constavam o voto impresso auditável, o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a absolvição do que classificaram de “presos políticos” conservadores.
A pauta defendida para esta reunião não prevê itens políticos, mas econômicos, com pontos que, no entendimento dos organizadores, podem beneficiar diretamente os trabalhadores do transporte rodoviário de cargas. Embora boa parte dos líderes e representantes não pretendam participar, o encontro deste fim de semana vai juntar, pela primeira vez no ano, lideranças que até então pensavam diferente sobre a ideia de uma greve.
A classe dos transportadores autônomos e celetistas é muito dividida e uma greve só tem condições de prosperar com a união dos líderes. Só em 2021 foram convocadas duas paralisações pelo presidente do CNTRC, Plínio Dias, que não prosperaram pela falta de unidade. Nas duas ocasiões, diferentes lideranças e representantes – como o presidente da Abrava, Wallace Landim, o “Chorão”, um dos líderes da greve nacional de 2018 – não apoiaram o chamamento.
A reunião deste sábado contará com a presença de Chorão. Desde julho, ele articula um amplo encontro com a participação de trabalhadores de outros segmentos do transporte – não apenas caminhoneiros autônomos, mas também taxistas, motoristas de aplicativo e transportadores que atuam na indústria e em outras atividades econômicas.
A convocação para sábado vem sendo trabalhada por Liti, diretor da CNTTL, ao longo dos últimos 45 dias. Ele promoveu rodadas prévias de conversas com transportadores rodoviários celetistas e autônomos da Baixada Santista, que atuam no Porto de Santos; do Recife, que atuam no Porto de Suape; e de Itajaí (SC) e Navegantes (SC), que atuam nos Portos de Itapoá e Portonave.
O líder autônomo Janderson Maçaneiro, o “Patrola”, que opera na região portuária catarinense, aderiu à convocação e acredita que ela tem os elementos para ser a maior do ano da categoria. “A reunião do dia 18 vai ser de tratativas de união que vem a fortalecer a unidade, que é o que temos que buscar”, destaca.
Patrola é outro líder que, como Chorão, não aderiu às convocações de greve da categoria para fevereiro e julho. A participação dos dois sugere, no entendimento de ambos, o início de um realinhamento dos líderes.
“Existe uma situação de fragmentação das lideranças. Vimos nascer um líder desconhecido, o Zé Trovão, que protagonizou um movimento gigantesco, nacional, mas que não representava a classe”, destaca Patrola. “No momento, nós precisamos unir as lideranças, todos em um só discurso, para daí termos condição de iniciar um processo de montagem de pauta”, complementa.
Quais as dificuldades de reunir todas as lideranças dos caminhoneiros A divergência de pautas é a principal explicação para que, desde a greve de 2018, os caminhoneiros não consigam chegar a uma ampla unidade. Mas não é o único motivo, analisa Chorão, que aponta motivações políticas por trás. “Até nos grupos não se fala mais de categoria, apenas um maltratando o outro. Quando fala mal da esquerda, é ‘bolsonarista’. Quando fala mal da direita, é ‘esquerdista’. Temos que parar com isso e focar nas nossas demandas”, diz.
Há caminhoneiros que, segundo Chorão, são “100% de direita”. Outros são mais alinhados à centro-direita. Outros são apartidários. E também há os posicionados à centro-esquerda e esquerda. “O que não existe é levantar o movimento usando o nome da categoria em uma pauta política. Nunca vai ter o consenso, nem é o que estamos promovendo”, afirma.
As pautas levantadas para a reunião de sábado, como piso mínimo de frete e revisão da política de preço da Petrobras, entretanto, também são obstáculos para se chegar a um consenso.
“Lei de piso mínimo não vai acabar com o frete baixo. O que acaba isso é a mudança da cultura do caminhoneiro, que tem que parar de se prostituir. Chegam nas filas de carregamento, que tem 100, 200 caminhões para carregar a um frete baixíssimo. Eu encostei meu caminhão, não estou carregando, e esses líderes deveriam incentivar o mesmo”, diz Odilon.
Ele defende ideias para reduzir a quantidade de caminhões rodando no país, a fim de equilibrar a oferta e demanda e aumentar o custo do frete, como o respeito à jornada de trabalho, de 8h diárias mais 2h extras. “Piso mínimo não resolve o problema. A única coisa que eu vi da pauta de sábado que, no meu entender é ótima, é a jornada de trabalho”, sustenta.
Líder defende responsabilidade fiscal e critica STF por “fique em casa” Outra pauta criticada por Odilon é a retomada do tratamento diferenciado de aposentadoria. Até a aprovação da reforma da Previdência, os transportadores podiam se aposentar com 25 anos de contribuição na função, independentemente de idade mínima e sem a incidência do fator previdenciário. Os organizadores do encontro de sábado querem discutir essa pauta.
“A reforma da Previdência já foi feita, não tem lógica essa pauta. Isso é uma coisa que envolve muito dinheiro”, diz Odilon. Ele defende uma política econômica com responsabilidade fiscal e entende que não há espaço para ampliar as despesas públicas. O líder autônomo também reforça a cobrança da pauta política e diz que os ministros do STF têm responsabilidade na atual situação econômica. “Os ministros barraram o país de se desenvolver com o ‘fique em casa’, que deu autonomia para governadores e prefeitos travarem a economia”, diz.
A CNTA, entidade máxima de representação dos transportadores autônomos junto ao governo, tem conhecimento da reunião de sábado e informa que permanece aberta para qualquer contribuição, desde que seja benéfica para a categoria. “Estamos abertos para dar continuidade ao trabalho, desde que seja uma pauta consistente para toda a categoria, não a grupos isolados e indivíduos com projeções pessoais e políticas”, afirma a confederação.
Quais as chances de a reunião criar as condições de uma greve nacional O efeito prático da reunião, ou seja, a apresentação de uma agenda minimamente consensual, divide lideranças e representantes. Chorão é um dos que têm confiança na possibilidade de sair do encontro com pautas pré-definidas. “Eu acredito que consigamos sair dessa reunião com uma pauta que realmente traga benefícios”, destaca.
O líder da greve de 2018 acredita que o não atendimento das pautas definidas no sábado pode desencadear uma paralisação nacional, mas evita aprofundar o assunto. “A categoria está fragilizada há muitos anos e vem sofrendo a cada dia e, hoje, sofre mais, não tem condições de se manter. Com uma pauta unificada, com união, e não falo nem referente a uma paralisação, mas em uma cobrança mais enérgica, acho que a gente consiga avançar”, sustenta.
A análise é endossada por Liti, que também acredita na elaboração de uma agenda em comum e evita falar em greve. “Temos pautas direcionadas ao governo federal, ao Legislativo e ao Judiciário. Precisaremos avaliar as ações que faremos para demandar cada um dos Poderes. Feito isso e avaliando os resultados, vamos analisar se existem alternativas ou outra forma de pressão para cada um dos pontos que não seja exatamente a possibilidade de greve. Esgotadas essas opções, a greve passaria a ser o último ‘cartucho'”, explica.
A promessa da categoria é não banalizar a ameaça de greve, que, em 2018, prejudicou a economia. A estimativa feita pelo Ministério da Fazenda meses depois daquela paralisação era de que a paralisação havia “tirado” 1,2 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) esperado, que naquele ano acabou crescendo 1,8%, segundo dado revisado em 2020.
Liti, contudo, não descarta uma paralisação nacional. “Como o movimento é muito dinâmico, nunca se descarta a possibilidade de uma paralisação. Porém, a gente levará ao extremo do diálogo para que a situação não aconteça, porque não é bom para ninguém, não há vencedor”, destaca o diretor do CNTTL. “A reunião não se trata de um movimento grevista. É um movimento de construção de entendimento de unificação e de diálogo”, reforça.
Patrola é menos confiante sobre a possibilidade de a reunião terminar com a formulação e apresentação de uma agenda, justamente tendo em vista a fragmentação da categoria. “Eu não acredito na montagem de uma pauta com deliberação sindical neste primeiro momento. Não tenho como afirmar que vamos sair de lá com uma pauta coesa em comum acordo, mas tenho certeza que será construída alguma coisa num projeto futuro de entendimento”, diz.
O líder catarinense defende, ainda, que qualquer deliberação da reunião seja discutida com os transportadores autônomos. “Não cabe às lideranças a construção de pautas e datas de paralisação, mas à categoria. Tudo o que nós conversarmos na reunião tem que ser levado à base. É a base, o caminhoneiro, que tem que decidir quais os itens dessa pauta e quais são os caminhos que temos que seguir para chegar ao objetivo”, avalia.
Em grupos de WhatsApp, circulam áudios de líderes afirmando que, do encontro de sábado, sairá até uma data de greve, diz Odilon. Ele, entretanto, não acredita na possibilidade de uma paralisação nacional. “Eles [líderes que participarão da reunião] perderam a credibilidade. Tem gente que quer encontrar com satanás, mas não quer encontrar com o Chorão. Já ouvi áudio deles, que podem sair com uma paralisação definida, mas isso não vai acontecer”, afirma.
As demandas que serão debatidas para compor a pauta dos caminhoneiros Os organizadores da reunião de sábado vão levar uma “pauta de discussão mínima” centrada em 11 itens, a começar pelo cumprimento do piso mínimo de frete e pela retomada do tratamento diferenciado de aposentadoria. A jornada de trabalho também estará presente.
Outra pauta é o chamado “voto em trânsito”, a permissão de que qualquer seção eleitoral do país possa permitir que o caminhoneiro exerça seu direito de voto caso esteja em viagem a trabalho. Outras pautas são a contratação direta com plena implementação do documento de transporte eletrônico (DT-e), que unifica documentos exigidos para o transporte rodoviário de carga.
Dentro do debate do DT-e, que foi aprovado pelo Congresso e aguarda sanção presidencial, os transportadores autônomos demandam que o presidente Jair Bolsonaro vete dois trechos criticados na redação aprovada: o que anistia até 31 de maio as transportadoras e embarcadoras que não tenham cumprido com o piso mínimo de frete; e o que permite ao caminhoneiro contratar uma associação ou sindicato para administrar seus direitos relativos ao frete, de modo que tais entidades sejam responsáveis pelas obrigações fiscais e pelo recolhimento de tributos.
A Gazeta do Povo ouviu de interlocutores do Palácio do Planalto que Bolsonaro deve sancionar integralmente o DT-e, ou seja, com os pontos criticados pela categoria. No caso da contratação de associações ou sindicatos para administrar os direitos, caminhoneiros entendem que daria autonomia para os embarcadores administrarem o frete e o recolhimento dos autônomos contratados diretamente, o que vem sendo chamado de “uberização” do caminhoneiro.
A pauta da reunião ainda deve envolver: o marco regulatório do transporte rodoviário de cargas; mudanças no projeto do BR do Mar; o cumprimento da resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovada na segunda-feira (13) que garante a volta dos caminhões de 11 eixos; e a revisão da política de preços da Petrobras. A maioria dessas pautas não encontrará ampla concordância entre as lideranças presentes.
Patrola é um dos que discorda das críticas de “uberização” sobre o DT-e. “Estamos deixando de ficar na mão das transportadoras, da subcontratação, e indo negociar diretamente com o embarcador. Onde é que está a prisão nisso?”, questionou anteriormente à reportagem. Ele também não é contrário à anistia às transportadoras. “De nada vale eu ter a contratação direta se eu tiver um processo contra o embarcador, porque o embarcador não vai me contratar.”
Patrola defende muita sobriedade e uma agenda curta, mas minimamente consensual nos debates da reunião, embora admita que isso seja improvável. “Nós temos um trabalho muito difícil, para não dizer impossível, que é montar uma pauta de comum acordo. Por isso, não adianta ter pauta com dezenas de itens. Algumas são de comum acordo, outras, não. Num entendimento final, numa resolução a ser encaminhada à base, temos que ter uma pauta enxuta”, avalia.
Chorão defende a discussão das pautas e pondera que levará ao debate até mesmo a proposta de incentivo tributário sobre o óleo diesel ao caminhoneiro. “Na questão da tributação, nós precisamos da criação de um incentivo tributário na prestação do serviço. O transporte rodoviário é peça fundamental para o PIB do país”, justifica.
O governador João Doria (PSDB-SP) dia 12 de setembro: manifestação na Avenida Paulista teve baixa adesão.| Foto: Facebook / João Doria / Divulgação
Não é novidade para ninguém o fracasso da tentativa de reunir o povo anti-bolsonaro nas ruas, no último domingo, dia 12 de setembro . Nenhum lugar público ficou imune ao fiasco.
A comparação com os atos pró-presidente chega a ser uma maldade. As ruas que no dia 7 tiveram um porre de povo, no dia 12 sofreram crise de abstinência. Em Brasília foi um deserto; no Rio, só em torno do carro de som; em outras capitais, apenas centenas ou dezenas de manifestantes. Na Avenida Paulista, nos quarteirões da FIESP e do MASP, onde estavam os carros de som. Nada disso é novidade para quem teve olhos para ver as imagens.
Baixa adesão a atos contra Bolsonaro é “balde de água fria” para 3.ª via, dizem analistas O evento, que era para ser uma resposta ao 7 de setembro, traz a constatação de que, tendo amplo estímulo da mídia, com divulgação abundante e estimativa de uma grande mobilização, ainda assim fracassou. Mostra que as pessoas já não são conduzidas pelos se imaginam condutores. Por mais esforço que tenham feito, não influenciaram a mobilização.
O fracasso do dia 12 Por mais tentativas de encobrir o fiasco, com imagens evitando mostrar o todo, não deu para esconder. A saída foi mudar logo de assunto.
Os palanques da Paulista reuniram cinco presidenciáveis e ainda faltavam outros, mais e menos citados. Todos sonhando ser o candidato da terceira via. O que significa uma divisão por cinco, ou por dez.
Uma terceira via fraccionada fica sem chance de segundo turno – e pode contribuir para uma decisão no primeiro turno. Tentaram atribuir o fracasso a “movimentos de centro-direita” – e foi mais uma tentativa ideológica de tapar o sol com a peneira, porque lá estavam, por decisões de seus partidos, representantes do PDT, do Partido Socialista, do Partido Comunista, do ex-Partido Comunista e do PSDB – o próprio governador Dória, que até dançou.
A comparação do dia 7 com o dia 12 deve fazer as pesquisas eleitorais pensarem um pouco, já que as ruas contrariam seus resultados. Se há erro na coleta ou na computação dos dados, ou o quê.
Por fim, o registro que o nome mais citado, mais repetido, nas bocas e faixas do dia 12, foi Bolsonaro. Esse foi um ponto comum nas duas manifestações. A manifestação anti-Bolsonaro demonstrou que o Presidente é o eixo da eleição de 2022.
Hannah Baker, protagonista da série “13 reasons why”.| Foto: Netflix
Mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde. É possível que você seja uma delas, ainda que não saiba ou se recuse a admitir. Já é considerada a maior causa de problemas de saúde e de incapacidade no mundo, aliás. Já o suicídio, sempre um risco associado à depressão, continua sendo das principais causas de morte no mundo, com mais de 700 mil por ano, com 1 em cada 10 mortes sendo por suicídio, segundo a mesma OMS.
Não sou psicólogo, mas lá se vão mais de dez anos dando aulas e tive de aprender a lidar com essa doença, pois não me faltaram alunos sofrendo por isso. Aprendi muito com eles, mas certas coisas só fui entender mesmo quando eu fiquei doente anos atrás e lembrei o que um de meus alunos havia me dito: “Sabe aquele ditado do otimista e do pessimista diante de um copo com água pela metade? O otimista fica feliz por estar meio cheio, o pessimista fica triste por estar meio vazio. Mas sabe o que um depressivo acha? Que a vida é uma merda”. Quando me contou, eu ri, achando que era piada. Quando lembrei, achei uma descrição perfeita da realidade do depressivo.
Outra coisa que só doente compreendi: que não adianta tentar animar um depressivo, muito menos convencê-lo de que precisaria fazer isso ou aquilo. Se quiser realmente ajudá-lo, vai demorar a obter algum “sucesso”. Por isso, nem comece se não for para se comprometer de verdade com ele. Se for para abandonar no meio do caminho, melhor deixá-lo como está. Perseverança é tudo; por isso, haja paciência, muita paciência, mais um pouco de paciência e, por fim, ainda mais paciência.
Todo depressivo tem uma vida interior rica – creia – e defende essa interioridade com unhas e dentes. Ele não se abrirá facilmente, só fará isso com quem se sinta seguro
Para ajudar de fato é preciso começar pelo óbvio: dando atenção. Esqueça soluções possíveis, ainda que funcionem e sejam o que ele realmente precisaria. Apenas escute, se ele falar; tente conversar, se ele pouco falar. Em ambos os casos, não queira “curá-lo” nem nada. E nunca esqueça: todo depressivo tem uma vida interior rica – creia – e defende essa interioridade com unhas e dentes.
Ele não se abrirá facilmente, só fará isso com quem se sinta seguro. Por isso demora. É preciso passar por inúmeros testes de confiança para que se convença de que você tem interesse real por ele, não porque sua depressão está atrapalhando você ou os outros. Em outras palavras, você precisa se tornar um amigo. Daqueles que, não importa o que o outro faça, estará ali por ele.
Acho que a primeira causa da depressão, ou a mais importante de todas, pelo menos, é a solidão. Mas, preste atenção!, a solidão de que falo não é qualquer uma. É aquela que você sente mesmo tendo esposo(a)(x), namorado(a)(x), amigos, familiares, colegas. Aquela que se impõe como uma prisão quando você percebe que todos à sua volta só estão ali por hábito, por estar, não têm real interesse por você, não lhe prestam atenção de verdade, não se importam realmente com o que se passa com você. Ou, ainda que não seja assim, assim lhe parece. Todo depressivo é injusto, principalmente consigo.
A depressão, em verdade, começa por ser uma derrota para essa solidão, que leva a uma aceitação que faz com que doa menos não desejar mais nada além dela. Aos poucos, a depressão se torna a própria fortaleza da solidão, não deixando mais ninguém “entrar” porque a mera possibilidade de sofrer de novo parece pior do que ficar como está. É o famoso “tá ruim, mas tá bom”. A vida é uma merda, mas pode ficar pior.
É por isso que depressivos costumam criar um mundo à parte, adoram ficar no seu quarto, na sua cama, costumam ter uma relação quase religiosa com certas músicas tristes, filmes, seriados, livros, personagens que lhes são significativos demais, os verdadeiros amigos, a única coisa que lhes impede de ficar pior.
É aí que está o segredo do sucesso de um seriado como 13 Reasons Why, por exemplo, num mundo com 300 milhões de depressivos e sabe-se lá quantos mais que convivem com um. O que esse seriado mostra, no fim das contas, é justamente esse mundo interior de uma menina depressiva que se sente profundamente só e chegou ao seu limite (presta atenção!: ao limite dela, não ao que você acha deveria ser o limite dela), aquele em que a fortaleza se transforma em pena de morte inescapável: o suicídio.
Como lidar com seriados como 13 Reasons Why? Ver ou não ver? Deixar ver ou proibir? Ora, da mesma forma que se deve lidar com todo e qualquer depressivo: dando-lhe ouvidos
Por que o seriado incomoda tanta gente, considerado como uma “defesa” ou incentivo ao suicídio? Porque a perspectiva da narrativa é quase toda da menina, das suas razões para tanto, sem julgá-la. Seria isso incentivar ou justificar o ato? Lembro de uma pesquisa feita sobre o seriado que indicaria que a resposta é “sim”. Mas é perfeitamente possível que também tenha ocorrido o oposto, ou seja, quem tenha desistido disso por ter assistido ao seriado.
Como lidar com seriados assim, então? Ver ou não ver? Deixar ver ou proibir? Ora, da mesma forma que se deve lidar com todo e qualquer depressivo: dando-lhe ouvidos. Por isso, para mim, a pior reação possível é dizer que o seriado “não deveria existir”, “a Netflix deveria tirar do ar”, “proíbam seus filhos adolescentes de ver” e por aí vai. Quem diz isso não percebe que, ao agir assim, está dando mais uma razão para o suicídio da menina, porque isso revela não uma preocupação com depressivos e suicidas potenciais, apenas medo deles, do que eles podem fazer. Sem contar que é uma estratégia estúpida; afinal, o proibido é sempre mais atraente.
O que o seriado mostra, no fim das contas, é o mundo interior de uma menina depressiva que se sente profundamente só e chegou ao seu limite – ao limite dela, não ao que você acha deveria ser o limite dela
Aposto que aqueles que se identificaram com a menina verão nessa atitude de censura ou boicote justamente a confirmação das razões apontadas pela personagem: no fundo, ninguém quer “ver” a realidade, “saber como é”. Nessas horas me lembro de Chesterton quando disse que as crianças têm de saber sobre dragões não para saber que existem, mas para saber que podem ser derrotados.
Por isso prefiro atitude diversa. Se dermos ouvidos àquela menina, o que ela estava dizendo? Que estava só, profundamente só. Que ninguém lhe prestava atenção. Se alguém tivesse sido seu amigo de verdade, será que ela teria chegado a tanto? Creio que não. Isso não significa concordar com suas razões, ou o julgamento que ela fez de quem não foi seu amigo ou até inimigo. Não se trata aqui de encontrar culpados, mas de reconhecer uma condição humana, escutando quem a está vivendo, compreendendo, no fim das contas: ela não teve amigos, estava profundamente só, a depressão foi se instalando, consolidando, tornou-se uma fortaleza até se estreitar ao tamanho de uma banheira.
Tive uma aluna anos atrás que sofria de depressão e me pediu para assistir a esse seriado. O psicólogo dela a proibira de ver; logo, ela assistiu e queria saber minha opinião. Ela esperava um debate intenso comigo sobre culpa, justiça, vingança, maldade alheia, buscava uma justificativa para sua depressão, para o que ela desejava fazer e não ousava dizer em voz alta. Mas só fiz essa mesma pergunta acima: e se alguém tivesse sido amigo dela? Só então ela se deu conta de que não tinha amigos de verdade, só conversava de verdade com o psicólogo (não mais depois dessa, claro) e comigo. Perguntou-me, então: como se faz amigos?
Não quero esta porta fechada Descendo o caminho que não tomamos em direção à porta que nunca abrimos Se tivesse receita não haveria depressão no mundo, mas dei uma sugestão: interesse-se você pela vida de quem você já conhece e veja o que acontece. Mas se interessar de verdade. Ou seja, tentasse ela ser um remédio para a solidão alheia, quem sabe assim não encontraria algum para a dela?
O fim dessa história? Ela mudou de psicólogo, aproximou-se mais de uma prima com quem tinha boas chances de criar uma amizade real, começou a sair mais de casa. Há tempos não dou mais aulas para ela, mas recentemente tive notícias suas. Continua tomando remédio, mas em dose menor. Perguntei se assistiu às temporadas seguintes de 13 Reasons Why. Respondeu-me que não, que enjoou de ser Hannah Baker (a suicida de 13…). Perguntei, então, quem ela era hoje. Depois de pensar, respondeu que não sabe, mas que anda revendo outro seriado, Anne With an E, e gostaria de ser mais como a menina Anne: “porque me dá razões para querer viver, não apenas lamentar”. Sorri do outro lado do WhatsApp. Nem sempre a vida é uma merda.
2021 marca o 10º ano da campanha Setembro: Mês Mundial da Doença de Alzheimer, uma iniciativa global que objetiva desafiar o estigma e a desinformação que ainda envolvem a demência. Em 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de Alzheimer, a Alzheimer Disease International (ADI) lançará seu Relatório Mundial de Alzheimer que, neste ano, se concentrará no aspecto do diagnóstico, levantando questões importantes para sistemas de saúde, governos, gestores e pesquisadores.
No Brasil, cerca de 1,2 milhão pessoas vivem com alguma forma de demência e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano. Em todo o mundo, o número chega a 50 milhões de pessoas. Segundo estimativas da Alzheimer’s Disease International, os números poderão chegar a 74,7 milhões em 2030 e 131,5 milhões em 2050, devido ao envelhecimento da população.
“O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva e ainda sem cura. Atinge, em geral, pessoas acima dos 65 anos de idade. Essa é a forma mais comum de demência no idoso. Estudos mostram que a doença está relacionada ao acúmulo no cérebro de placas formadas pela proteína beta-amiloide. Sua aglutinação entre os neurônios impede a transmissão de sinais, prejudicando toda a atividade neural”, afirma Dr. Adiel Rios, mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica pela UNIFESP e pesquisador do Instituto de Psiquiatria da USP.
Sintomas iniciais
Nas fases iniciais, os sintomas mais importantes são as falhas progressivas de memória em relação a fatos recentes. Já os fatos antigos, ficam preservados. “A pessoa pode se lembrar detalhadamente de fatos que ocorreram há 50 anos, mas não se lembra de algo que aconteceu ontem, ou há poucas horas. Muitas vezes, faz a mesma pergunta repetidamente, ouve a resposta, mas logo se esquece e pergunta de novo”, explica o psiquiatra.
A medida que a doença progride, a pessoa começa a ter dificuldade para se orientar no tempo e espaço. Ela pode ir a um lugar que já frequenta sempre, mas acaba se perdendo na rua ou esquecendo o caminho de volta para casa. Outros sintomas são alterações do sono, agitação ou apatia, e até quadros psicóticos. “Na fase final da doença, o paciente perde a capacidade de se expressar, não reconhece nem os familiares e não consegue mais cuidar de si mesmo, demandando a presença de cuidadores em tempo integral”, alerta Adiel Rios.
Outros sinais importantes:
– Diminuição da capacidade de juízo e de crítica
– Dificuldade de raciocínio
– Colocar coisas no lugar errado
– Alterações frequentes de humor e comportamento
– Mudanças na personalidade
– Perda da iniciativa para realizar tarefa
Tratamento
Apesar de ainda não haver cura para a doença de Alzheimer, já existem opções de tratamento: medicamentos (disponíveis nas farmácias do SUS), reabilitação cognitiva, terapia ocupacional e controle de doenças crônicas, como hipertensão arterial, hipercolesterolemia e diabetes, que podem causar lesões vasculares e agravarem o quadro.
“O Alzheimer tem um caráter progressivo e apesar das medicações anticolinerterasicas reduzirem os sintomas, ainda não são capazes de barrar o avanço da doença. Uma das alternativas que está sendo estudada é a prática de exercício aeróbico como meio de frear a evolução do Alzheimer. A pesquisa foi publicada em formato de estudo piloto no Journal of Alzheimer’s Disease, sinalizando que esta atividade física pode intervir na doença e preparar o terreno para estudos futuros que possam corroborar com a ideia inicial”, conclui o psiquiatra Dr. Adiel Rios.
O acesso a coworkings por profissionais autônomos e pessoas jurídicas é uma realidade mundial consolidada que, a despeito da pandemia, não para de crescer. Isso porque espaços de trabalho compartilhados fazem sentido economicamente e socialmente, na medida em que eliminam os custos de administrar a sede do local de trabalho, permitem escolher endereços mais valorizados e próximos da clientela, além de superar a segregação social provocada pela atuação profissional exclusivamente a partir do “home office”.
Atualmente, o mercado oferece duas espécies de coworkings: os multiusuários e os de nicho. Os primeiros, também conhecidos como coworkings genéricos, são abertos a pessoas físicas e jurídicas independentemente de suas atividades profissionais ou comerciais. Não raro são grandes, têm muitas unidades e ambientes neutros ou “descolados” (bar na recepção, mesa de pingue-pongue, rede, espaço pet, etc.). Já o segundo, também conhecidos como coworkings especializados, buscam um público selecionado com necessidades específicas (setores da saúde, engenharia, arquitetura, financeiro, alimentação, etc.). Estes coworkings em geral recriam a atmosfera típica do local de trabalho da profissão que se propõem a servir e, frequentemente, colocam à disposição de seus membros as ferramentas necessárias ao exercício profissional (e.g., consultórios dentários equipados).
Recentemente, um dos maiores coworkings genéricos do Brasil, referindo-se a um espaço especializado em profissionais do Direito e afins, afirmou nas redes sociais que a maior vantagem de estar em um espaço multiusuário para o advogado seria captar clientes no local. Este coworking, exatamente por ser genérico, obviamente desconhece o fato de que o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB orienta uma postura passiva aos advogados quanto à abordagem de pessoas com interesse em seus serviços profissionais nesses locais. Vale dizer, juntar-se a um ambiente multiusuário com o objetivo de captar clientes ativamente é vedado aos advogados.
O exemplo acima ilustra muito bem o fato de que, por vezes, o coworking especializado conhece melhor as exigências, dificuldades e impedimentos profissionais de seus membros, o que lhe permite endereçar melhor suas necessidades. No caso de advogados autônomos ou bancas, por exemplo, o ambiente deve ser sóbrio e discreto de maneira a satisfazer as exigências de decoro, confidencialidade e sigilo próprias da profissão. Além disso, se fazer conhecer pelos colegas ainda é a forma mais ética de aumentar a clientela. O Direito é uma profissão altamente especializada e setorizada. Nenhum causídico sério se aventura a singularmente assessorar seus clientes em todos os ramos desta profissão tão multifacetada.
A polêmica entre coworkings genéricos e especializados parte de uma falsa premissa. Possivelmente no futuro os coworkings de nicho se somados atrairão mais clientes que os multiusuários. Seja lá como for, a coexistência entre ambos é positiva na medida em que permite a cada pessoa física ou jurídica eleger aquele espaço que melhor se amolda ao seu perfil e melhor contribui na consecução de seus objetivos.
* Leo Fischer é CEO da Law Works, primeiro coworking jurídico internacional com presença no Brasil. Também é mestrando em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). leo@lawworks.co
Para mais informações, entrevistas e personagens da Law Works:
Por meio de ferramentas de gestão, shoppings começam a expandir também para varejo virtual com divulgação de suas lojas nos marketplaces como o da Valeon.
Sem dúvidas o varejo foi um dos setores mais afetados pela pandemia da Covid-19. Com as medidas de restrição para diminuição do contágio, os shoppings permaneceram de portas fechadas durante um longo período, afetando todo o ecossistema de lojas. A solução para superar a crise foi expandir os negócios para o ambiente virtual, abrigando os lojistas da rede em marketplaces online como o da Startup Valeon.
O CEO empresa responsável pela criação da Startup Valeon o mais completo marketplace do mercado, comenta este movimento de adequação do “marketplace físico” para o digital. “O conceito de shopping já é algo próximo do que pensamos sobre o conceito de marketplace, mas em uma dimensão física. Nesse caso, o marketplace passa a representar uma versão online do shopping, oferecendo os produtos dos lojistas”, explica o empreendedor.
Ainda segundo ele, esse movimento abre um leque de oportunidades para aprofundar o relacionamento com a base de clientes já existentes, além de possibilitar um maior alcance de novos. “Os shoppings têm a condição de interagir com uma grande base de clientes, porque eles já têm diversos dados desse público via ativações, wi-fi gratuito, promoções, entre outras ações. Isso amplia a capacidade de mobilização para novas formas de consumir”.
A ideia de que “o shopping vai até sua casa” precisa, no entanto, ser sustentada por um serviço qualificado. Segundo especialistas da área, o desenvolvimento de um sistema logístico para os lojistas do shopping é fundamental, e a centralização desse processo no site da Startup Valeon pode facilitar a vazão dos produtos. Algo que a Valeon é capaz de realizar, utilizando-se de ferramentas que permitem gestão ampla, controle de visitantes, que disponibilizam informações sobre os consumidores e permitem interação com os lojistas, tornando-se peça-chave para a consolidação de novos projetos e modelos para o varejo.
CARACTERÍSTICAS DA VALEON
Perseverança
Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que permitem seguir perseverante.
Comunicação
Comunicação é a transferência de informação e significado de uma pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem positiva junto a seus públicos.
Autocuidado
Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.
Autonomia
Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é incompatível com elas.
A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.
Inovação
Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades, exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.
Busca por Conhecimento Tecnológico
A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia, uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.
Capacidade de Análise
Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um mundo com abundância de informações no qual o discernimento, seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade de analisar ganha importância ainda maior.
Resiliência
É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões (inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.