domingo, 12 de setembro de 2021

TURBULÊNCIA POLÍTICA IMPEDE AS REFORMAS

 

Legislativo

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo

| Foto: Marcos Correa/PR

(Brasília – DF, 05/11/2020) Solenidade de Posse do Senhor Kassio Nunes Marques, no cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Marcos Corrêa/PR


O acirramento da tensão na Praça dos Três Poderes após os discursos de Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 7 de Setembro deve dificultar ainda mais a aprovação das reformas administrativa e tributária. Mesmo com o recuo do presidente em relação aos ataques que fez ao Supremo Tribunal Fedral (STF), o abalo provocado na relação do governo com as bancadas do Legislativo é difícil de se reverter, avaliam analistas.

“O mercado deixou de esperar que as reformas saiam no governo Bolsonaro e já está operando com essa realidade”, afirma o cientista político Márcio Coimbra, presidente da Fundação Liberdade Econômica. Para ele, a nota divulgada pelo chefe do Executivo na quinta-feira (9) não muda o quadro. “As declarações do presidente desgastaram muito a base, o que certamente acaba levando a um problema na votação das matérias no Congresso.”

A queda de 3,75% no Ibovespa e a alta de 2,84% no dólar no “day after” do 7 de setembro são amostras de como os operadores do mercado financeiro receberam as falas do mandatário. Foi a maior desvalorização do real ante a moeda norte-americana desde 24 de junho de 2020. Já o principal índice da B3 não caía tanto desde 8 de março.

“Os avanços na agenda de reformas e privatizações no Congresso vão ser mais difíceis à medida que as atenções se voltam para a crise política”, destacaram os estrategistas da XP Investimentos Fernando Ferreira e Jennie Li, em relatório publicado na quarta-feira (8).

No dia seguinte, poucos minutos após a divulgação da “Declaração à Nação” de Bolsonaro, o Ibovespa reverteu a tendência de baixa e fechou o pregão em alta de 1,72%. O dólar, por sua vez, encerrou o dia com queda de 1,84%.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, avalia que, embora o efeito seja mínimo, o recuo de Bolsonaro foi um bom sinal. “Trata-se do início de uma reconsideração que, pelo menos, pode voltar a trazer à mesa perspectivas sobre reformas. Ainda que diminutas, neste momento se afastam do 0% de chance de avançarem”, apontou em relatório a clientes.

Para Mehanna Mehanna, sócio-fundador da Phi Investimentos, ainda que tenha sido recebida pelos investidores como uma sinalização positiva, a carta de Bolsonaro não traz um perspectiva mais animadora em relação à aprovação das reformas. “Esses movimentos demonstram o quanto o mercado está sensível, até carente, eu diria. Dias de grandes ruídos, seja para cima, seja para baixo, mostram muito o fator comportamental, muito mais do que de fundamento”, explica.

“Esse morde-e-assopra reforça o quanto está imprevisível lidar com o Brasil. Se essa nota com apoio do [ex-presidente Michel] Temer vai ser colocada em prática, é cedo para dizer. Eu torço para que sim, mas sinceramente não tenho grandes convicções.”

A visão do economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, vai na mesma linha. “O papel dos governos, além de todas as obrigações institucionais derivadas de sua natureza, é também dar segurança à economia real de que o futuro ocorrerá ‘sem ruídos’, e esta segurança na economia real se reflete na volatilidade dos ativos de mercado. Por isso a demanda dos investidores por reformas estruturantes, segurança jurídica, desburocratização e respeito às instituições, pois são os elementos cruciais a alimentar um cenário de estabilidade” , disse o economista em relatório divulgado nesta sexta-feira (10).

“A carta redigida a quatro mãos ontem [quinta-feira, 9] contém sinais importantes, após um longo período de tensões institucionais, e ela parte da presidência, ou seja, da autoridade máxima do país. Agora precisamos que ela seja cumprida”, avalia Vieira.


Lira afirma que mantém agenda reformista na Câmara
Na Câmara estão em tramitação a proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa e o projeto de lei que cria a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), considerada a primeira etapa da reforma tributária. Ambos os textos, encaminhados pelo Executivo, enfrentam resistência das bancadas de oposição.

Em tom apaziguador, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), afirmou na quinta-feira (9), que vai manter a pauta reformista, reiterando a votação da reforma administrativa na comissão especial na próxima semana.

O maior obstáculo para as matérias, no entanto, deve ser o plenário. Os discursos do dia 7, que incluíram a ameaça de descumprimento de ordens judiciais, repercutiram mal entre as bancadas de deputados e senadores. Na quarta-feira (8), o PSDB aprovou, por unanimidade, integrar formalmente a oposição a Bolsonaro, por considerar que o presidente cometeu crime de responsabilidade em suas falas.

Parlamentares de legendas como DEM, PSL, PSD, MDB, Solidariedade, Cidadania e até mesmo do PL, partido que integra o núcleo do Centrão, se manifestaram publicamente a favor da abertura de um processo de impeachment do presidente.

“Conversando com lideranças partidárias da base do governo, chego à conclusão de que temos um impasse: Bolsonaro perdeu a maioria (257), o que significa que não governa mais. Porém, ainda não há os 342 necessários para o impeachment”, disse Kim Kataguiri (DEM-SP).

No Senado, que recebeu na semana passada o projeto de reforma do Imposto de Renda, o clima para aprovação de pautas governistas é ainda menos favorável. Ainda antes do 7 de setembro, a Casa já mostrava sinais de desalinhamento com o Executivo, com a rejeição da chamada minirreforma trabalhista.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que já se manifestou contra a tramitação da reforma tributária em etapas, como foi levada a cabo em acordo entre governo e Lira, ainda cancelou as votações desta semana após os atos do 7 de setembro. Oficialmente, alegou questões de segurança, mas a decisão foi interpretada como um recado a Bolsonaro sobre a discordância em relação aos discursos nos atos de Brasília e São Paulo.


“A gente já não vinha de um clima muito amistoso ou de coesão. A partir do momento em que se eleva o tom no discurso, se aumenta a crise institucional que já existia e se incita uma briga entre Poderes, naturalmente passa a ser maior a dificuldade de aprovar qualquer mudança estrutural, como reformas, privatizações, uma agenda mais liberal para a economia”, diz Mehanna.

“Outro aspecto negativo no âmbito das reformas é que os atos do 7 de Setembro foram simbólicos no sentido de oficializar que a campanha eleitoral já começou. Isso tira ainda mais o foco de reformas e de outras propostas relevantes, em razão dessa preocupação em relação ao que atrai mais votos. Esse clima fomenta mais medidas populistas, e para se fazer reformas estruturais tem que tomar medidas que em certa medida são impopulares”, explica o sócio da Phi Investimentos.


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SOMENTE ELEIÇÕES 2022 PARA RESOLVER OS PROBLEMAS ATUAIS

 

  1. Política 

A solução para o ‘problema Bolsonaro’ é a mais simples do mundo: a eleição de 2022

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

Problemas muito complicados do mundo político, frequentemente, podem ser resolvidos com soluções muito simples – e, por isso mesmo, é tão difícil resolver alguma coisa na vida pública brasileira. Soluções simples, em geral, atendem ao interesse da maioria, mas quem toma as decisões, sempre, é a minoria – e é essa minoria, justamente, quem ganha com a complicação. O pior tipo de problema, para as forças que influem e controlam a política nacional, é o problema resolvido; problema bom, ali, é problema em aberto, enrolado e em processo de piora. É com esse tipo de dificuldade que surgem as melhores ocasiões para se vender facilidades – e providenciar “saídas”, como se sabe, é o que realmente valoriza quem está nesse jogo.

O problema mais complicado que o Brasil tem hoje se chama Jair Bolsonaro; seus adversários não admitem, de jeito nenhum, que ele esteja na Presidência da República, basicamente por ser, em sua opinião, o pior chefe de Estado que este país já teve em toda a sua história e a pior ameaça que existe para a própria sobrevivência do Brasil. Bolsonaro, por sua vez, quer continuar sendo presidente, e isso é muito mais que um mero desejo. Ele acaba de levar às ruas, neste último Sete de Setembro, um mar de gente, pelo País todo – multidões maiores do que qualquer outro político brasileiro poderia sonhar em ter a seu lado na praça pública. Está nos vídeos, nas fotos e no testemunho de quem foi – é perfeitamente inútil, portando, ficar arrumando teorias de que Bolsonaro se deu mal. Ao exato contrário, se deu muitíssimo bem – e é nisso que está toda a complicação.

Bolsonaro no Rio Grande do Sul
Bolsonaro discursa em feira do agronegócio em Esteio, no Rio Grande do Sul, em 11 de setembro de 2021. Foto: Alan Santos/PR

O que fazer, então? A solução para este problema, como lembrado acima, é a mais simples do mundo: a eleição presidencial de 2022. É claro que vão dizer, como acontece todas as vezes em que se quer resolver de fato alguma coisa: “É, mas a coisa não é assim tão simples”. Por que não? É perfeitamente simples, sim – não pode haver nada mais simples e mais claro. O presidente da República é um débil mental mal-intencionado, inepto e perigoso que está destruindo o País, como dizem os seus adversários? Muito fácil, então: o eleitorado brasileiro simplesmente vai derrotar um sujeito assim na eleição, e colocar um outro presidente em seu lugar, não é mesmo? Qual é o problema? Eleições livres, liberdade para a população escolher e vitória, no fim, de quem tiver a maioria absoluta dos votos. 

É só esperar mais um pouco: são 13 meses até lá, e o que são 13 meses nessa vida? Passa num instante. As imensas calamidades que aparecem todos os dias no noticiário, as “ameaças à democracia”, o “fechamento do Supremo”, as aglomerações sem máscara, as queimadas na Amazônia, o assassinato em massa de índios, gays e mulheres, a “rachadinha” – enfim, tudo o que a mídia, os analistas políticos e os “formadores de opinião” apresentam como o nosso inferno diário será resolvido com a eleição. Ou, então, dá o contrário e Bolsonaro ganha – nesse caso, a maioria da população estará dizendo que não existe inferno nenhum, e que as coisas devem continuar como estão. Em qualquer dos casos, o problema fica resolvido.

O real perigo, para quem não quer mais Bolsonaro na Presidência, não está em golpes militares imaginários. Está no artigo 77 da Constituição, onde se diz que o presidente será eleito pelo voto livre, universal e direto da população. A menos que 342 deputados e 54 senadores deponham o presidente por impeachment, a única maneira de afastar Bolsonaro é ganhar dele na próxima eleição. “Não dá para esperar até lá”, dizem os adversários. “O País não aguenta.” A democracia manda esperar – e diz que todos têm de aguentar.

JORNALISTA

AFTERMARKET AUTOMOTIVO

 

Automec 365 traz balanço completo dos principais temas do aftermarket automotivo e confirma evento presencial em novembro de 2021

· Maior evento do aftermarket automotivo está confirmado para 09 a 13 de novembro de 2021, no Expo Center Norte.

· Todo conteúdo das apresentações do evento realizado nos dias 31 de agosto e 1 e 2 de setembro estão disponíveis no site www.automecfeira.com.br

Plataforma Automec 365 – Reed Exhibitions (RX)

São Paulo, 08 de setembro de 2021 – A plataforma Automec 365, criada neste ano pela Reed Exhibitions (RX), organizadora da Automec, contou nesta semana com vários representantes da indústria e das entidades do setor que trataram dos temas mais relevantes do atual cenário do aftermarket automotivo. A RX também confirmou a realização da Automec presencial no período de 09 a 13 de novembro, no Expo Center Norte.

A Automec 365 abriu a série de apresentações neste mês com um dos temas mais críticos para o mercado automotivo atualmente, a escassez de semicondutores, que vem impactando a indústria. Rafael Aidar, Gerente Comercial de Contas Estratégicas na QAD, apontou como causas desse cenário a grande demanda/ consumo com previsões inadequadas, implantação insuficiente de pedidos na cadeia de suprimentos, prazos de entregas insuficientes e a competição com outras indústrias por semicondutores.

O especialista apontou alguns processos que estão por trás da maioria dos desabastecimentos e destacou 5 passos para melhorar a cadeia de suprimentos: identificar processos essenciais para a cadeia; avaliar as suas competências atuais; desenvolver as competências; promover a adaptação organizacional para foco na cadeia; e automatizar e integrar os processos.

Para se evitar ou pelo menos minimizar uma próxima escassez de semicondutores, Aidar apontou 5 caminhos: garantir que a transmissão da previsão da demanda seja frequente e que os horizontes de planejamento sejam adequados; estabelecer políticas de aquisição e inventário baseados nos requisitos do cliente; avaliar os riscos e adotar planos de contingência; utilizar ferramentas baseadas na Web, tais como EDI, Web EDI e Web Portal, para fornecedores de níveis mais baixos; e avaliar os fornecedores através de uma ferramenta qualitativa e quantitativa formal.

Outro tema abordado no evento foi o Direct to Consumer (D2C) para a indústria automotiva. Jacques Benadiba, head comercial, da Synapcom Comércio Eletrônico, apontou pesquisas que mostram o crescimento expressivo do e-commerce. O número de pedidos feitos on-line e recebidos em lojas físicas pelos clientes cresceu 208% durante a pandemia. Globalmente, 49% dos consumidores compram mais on-line atualmente do que antes da pandemia. E 67% dos consumidores nascidos nos anos 80 e 56% dos nascidos nos anos 60 preferem comprar on-line em vez de ir à loja, sendo que 41% dos nascidos nos anos 40 comprarão on-line.

As soluções na reposição do segmento de pesados

“Nós tivemos um grande desafio com relação à parte de suprimentos, principalmente de matéria prima desde o início da pandemia. As empresas em geral não esperavam uma forte recuperação a partir de julho do ano passado. A demanda principalmente de reposição para o mercado de caminhões surpreendeu muitos fornecedores”, destacou Thomas Püschel, Diretor da Unidade de Negócios de Peças de Reposição e Marketing da MWM. A empresa passou a atuar em conjunto com os fornecedores para fazer frente a essa demanda. Atualmente, há uma percepção de uma estabilidade maior nesse mercado. Nesse cenário, o mercado de reposição está desenvolvendo novas plataformas digitais para incrementar suas vendas.

O mercado automotivo

Vacinas, disponibilidade de crédito e os estoques baixos das montadoras e a continuidade de seus investimentos estão marcando de forma positiva o cenário automotivo atual no Brasil. Por outro, a escassez de matéria prima, principalmente de semicondutores, que tem paralisado a produção de muitas fábricas no mundo, deverá ter uma solução prevista apenas para o segundo semestre de 2022. Um desajuste na cadeia de suprimento, provocada no ano passado pela falta de produção das montadoras, tem causado um vácuo entre suprimento e demanda das montadoras.

Além disso, a instabilidade política afeta o câmbio e as perspectivas de crescimento da economia. A inflação, provocada principalmente pelo aumento do dólar, também faz parte de um cenário negativo para a indústria. Fizeram parte desse painel o Diretor de Economia do Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, George Rugitsky, e Elias Mufarej, Diretor de Mercado de Reposição e de Fomento à Exportação da mesma entidade. As projeções completas da entidade, apresentadas na Automec 365, podem ser acessadas diretamente nessa plataforma. www.automecfeira.com.br

O novo comprador: como os novos comportamentos e padrões de consumo mudam o jogo,

A frota de veículos no mercado brasileiro, principalmente no período da pandemia, envelheceu e esse fator deve gerar maior movimento nas oficinas para a reposição de peças, de acordo com Antônio Fiola, presidente do Sindirepa – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo. Fiola mencionou que, baseado no constante contato entre balconistas das oficinas e compradores, que ainda existe grande dificudade do consumidor na compra pelos canais eletrônicos. Ele destacou ainda que ao buscar as oficinas, os novos compradores não querem perder tempo com os problemas de seus veículos para poderem se dedicar a outros temas de seu interesse. “O novo comprador quer ter a confiança no meu negócio, na minha pessoa, para resolver o seu problema”, resumiu Fiola. Isso irá exigir, segundo ele, uma nova postura dos profissionais das oficinas no atendimento desse novo cliente. 

Heber Carlos de Carvalho, Presidente do Sincopeças – Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo, reforçou também que a preocupação com a qualidade de peças é constante dos mecânicos e dos varejistas para garantir a segurança e a satisfação dos consumidores. Isso porque, atualmente, o carro é hoje mais um meio de transporte e de trabalho para a maioria dos usuários, que exigem, portanto, maior agilidade e confiança no conserto de seus veículos.

O reparador do futuro

O último dia da Automec 365 trouxe discussões extremamente atuais para o profissional da reparação automotiva, cumprindo com o compromisso dos organizadores de gerar conteúdo relevante para o setor. Com o tema “Como será o reparador do futuro?”, o evento online reuniu o diretor do Senai Ipiranga (tradição de mais de 56 anos na formação de novos mecânicos), Adelmo Belizário, o head de Treinamento da BMW Group Brasil, Emílio Paganoni, e o vice-presidente de Tecnologia do Sindirepa, Ricardo Cramer.

Riquíssimo em conteúdo, o painel trouxe à luz os desafios do profissional do futuro, principalmente com a disseminação de tecnologias atuais como eletrificação, hibridização e digitalização dos automóveis. “Já estamos atuando fortemente na formação dos atuais reparadores hoje, entendendo que a eletrificação automotiva é um caminho sem volta”, garantiu o executivo do Sindirepa. “O carro virou uma plataforma de aplicativos com um imenso volume de processamento de dados, o que exige cada vez maior capacitação do reparador em mecatrônica”, afirmou Paganoni.

O diretor do Senai enfatizou que a escola, em 2022, irá estrear um curso justamente dessa matéria. “Quando você parte para especialidades como gerenciamento eletrônico de motor e tecnologias ligadas à assistência na condução, como piloto adaptativo e alerta de mudança de faixa, a instrução requerida está dentro do curso de mecatrônica. E é por isso que vamos coloca-lo na grade”, disse Belizário.

Fidelização e treinamento

Com o tema “Fidelização e Treinamento do Profissional Reparador”, o gerente de Certificação de Serviços do IQA (Instituto de Qualidade Automotiva), Sérgio Ricardo Fabiano, discorreu sobre o desafio de fornecer formação técnica e conhecimento tecnológico na área de reparação automotiva em um segmento com mais de 480 mil profissionais em um país que ainda conta com grau de instrução muito baixo.

“Por este motivo, nós, do IQA, investimos muito na certificação de conhecimentos e habilidades dos reparadores, o que irá chancelar suas competências e criar diferenciais competitivos em sua carreira”, destacou, lembrando que, sob o ponto de vista dos empregadores, essa certificação dá a segurança de contratar e reter profissionais com formações reconhecidas. E revelou uma novidade vital para reciclagem dos mecânicos que atuam no segmento: “estamos preparando novas certificações, que serão válidas por 3 anos, totalmente online, que irão classificar os profissionais em níveis básico, intermediário e avançado. Para 2022, teremos ainda a master”.

Conexão estratégia com os players do setor

“A plataforma 365 foi organizada para estabelecer uma conexão estratégica entre fabricantes, expositores e consumidores visando manter um ritmo constante de geração de negócios durante o ano todo, além, portanto, dos dias da realização da feira em pavilhão”, explica Ricardo Barbosa, gerente da Automec. Basicamente, a Automec 365 proporcionará aos inscritos na plataforma um sistema de recomendações de marcas para compradores, com base em interesses comerciais em comum; indicações de reuniões individuais para negócios; sessões de rodadas de negócios; ativação de marca nos canais digitais, entre outras possibilidades para movimentar os negócios do mercado.

EMPRESAS PREFEREM DIRETORES QUE CONHECEM DE TECNOLOGIA

 

Com o crescimento da importância da tecnologia nas empresas, profissionais que antes ficavam ‘escondidos’ começam a ter mais visibilidade e a ser promovidos para posições de alto escalão

Luciana Dyniewicz, O Estado de S. Paulo

O anúncio feito pela XP em março, de que o comando da empresa passaria das mãos do fundador Guilherme Benchimol para o então CTO (sigla em inglês para diretor de tecnologia), Thiago Maffra, surpreendeu muita gente. Foi a primeira vez que se viu no Brasil uma instituição financeira ser liderada por um profissional vindo dessa área. Mas o movimento não é exatamente uma novidade no mundo corporativo. Casos de diretores de tecnologia ou da área digital avançarem para a principal cadeira de companhias já apareciam no exterior, sobretudo em empresas de tecnologia. Agora, começam a surgir no Brasil. 

Na Inglaterra, a Openreach, do setor de telecomunicações, é comandada desde 2016 por Clive Selley, que foi diretor de tecnologia da informação do Grupo BT (conglomerado do qual a Openreach faz parte), e, na Indonésia, a companhia aérea Garuda é liderada, desde 2020, por Irfan Setiaputra, um expert em tecnologia que já havia passado pela presidência de uma empresa de tecnologia das coisas. Por aqui, além da XP, Flores Online, Original Hub, FiBrasil, Liberty Seguros e Neoenergia Distribuição Brasília estão entre as que fizeram movimentos semelhantes. 

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XP é um dos casos brasileiros nos quais diretores de tecnologia se tornaram CEOs Foto: Taba Benedicto/Estadão

Para Norton Lara, sócio da consultoria Spencer Stuart – especializada no recrutamento de executivos –, esse movimento no mercado está longe de significar que CTOs são agora os preferidos para o cargo de CEO. Eles apenas passaram a ser considerados para posições mais altas na hierarquia, o que não costumava ocorrer. “Eles passaram a ser vistos como profissionais que podem ocupar vagas muito seniores. Antes, sequer eram considerados.”

Essa mudança ocorre com o aumento da importância da área de tecnologia nas empresas, que se tornou central. Conforme isso foi ocorrendo, os CTOs tiveram também de assumir novas responsabilidades e ganharam visibilidade internamente. “Antigamente, esse profissional era meio escondido. A tecnologia era uma área de apoio, muito técnica. Isso mudou tremendamente. Por isso, esse caminho (da tecnologia para a presidência) vai se tornar mais comum”, afirma Antonio Mendonça, sócio da consultoria Korn Ferry.

Os consultores destacam que o executivo que chega hoje ao cargo de CTO já é alguém com perfil de líder, que entende de gestão, estratégia, produto e cultura organizacional – daí a possibilidade de virar CEO. Como esse funcionário também precisa desenvolver projetos que envolvem a empresa inteira, ele costuma ser alguém que navega por toda a organização, sabe lidar com orçamentos, negociar prazos, fazer com que metas sejam alcançadas e que haja colaboração entre os trabalhadores, o que o ajuda se, eventualmente, chegar à cadeira da presidência.

VOCÊ DEVE TER CUIDADO COM O QUE POSTA NAS REDES SOCIAIS

 

Paula Tebett:

Então cuidado com o que você posta, pois atualmente as redes sociais são uma vitrine do colaborador e muitas empresas costumam analisar o que seus empregados postam desde antes da contratação até o momento em que ele permanece na empresa, a fim de evitar comentários ofensivos, maldosos e preconceituosos.

Como funcionário de uma empresa, você deve ter cuidado com o que posta em suas redes sociais!!

Por isso evite posicionamentos ofensivos, políticos e religiosos extremos, fotos com conteúdo explícito e constrangedor (principalmente no LinkedIn) e manifestações extremas de intolerância e preconceito.

Dessa forma, sugiro entrevista com a especialista em mídias sociais Paula Tebett para falar sobre o tema, apresentando formas de se portar nas redes socais sem praticar o cyberbullying e nem denegrir a imagem da empresa.

Paula Tebett é uma profissional brasileira de marketing digital, jornalista, palestrante, produtora de conteúdo da MlABS, maior plataforma de gestão de mídias sociais da América Latina.

Idealizadora do evento solidário Empreendedores do Bem, workshop e ciclo de palestras que reverte toda a renda para instituições carentes da cidade de Niterói (RJ). Esse é um evento que reúne propósitos em prol da causa social e da colaboração.

Trabalhou para marcas como: Jornal O Globo, Radio Mix fm e Paradiso Fm, Faculdade FACHA, Plaza Shopping Niterói, Insetisan, H Hotel, Biosys e Kovalent, Hi Happy Niterói, CREF (Conselho Regional de Educação Física), entre outros. O seu intenso e promissor trabalho a fez ser capa da Revista High Profile em fevereiro de 2021 sendo inclusive convidada para ser colunista fixa, sem contar os inúmeros convites para cursos, treinamentos e palestras nacionais e internacionais sobre empreendedorismo e marketing digital.

Vale a pena ler qualquer semelhança será mera coincidência !!!

Autor desconhecido

Um ladrão entrou no banco gritando para todos:

” Ninguém se mexe, porque o dinheiro não é seu, mas suas vidas pertencem a vocês.”

Todos no banco ficaram em silêncio e lentamente se deitaram no chão.

Isso se chama CONCEITOS PARA MUDAR MENTALIDADES

Mude a maneira convencional de pensar sobre o mundo.

Com isso, uma mulher ao longe gritou: ” MEU AMOR, NÃO SEJA RUIM PARA NÓS, PARA NÃO ASSUSTAR O BEBÊ “, mas o ladrão gritou com ela:

“Por favor, comporte-se, isso é um roubo, não um romance!”

Isso se chama PROFISSIONALISMO

Concentre-se no que você é especializado em fazer.

Enquanto os ladrões escapavam, o ladrão mais jovem (com estudos profissionais de contabilidade) disse ao ladrão mais velho (que tinha acabado de terminar o ensino fundamental):

“Ei cara, vamos contar quanto temos.”

O velho ladrão, obviamente zangado, respondeu:

“Não seja estúpido, é muito dinheiro para contar, vamos esperar a notícia para nos contar quanto o banco perdeu.”

Isso se chama EXPERIÊNCIA

Em muitos casos, a experiência é mais importante do que apenas o papel de uma instituição acadêmica.

Depois que os ladrões foram embora, o supervisor do banco disse ao gerente que a polícia deveria ser chamada imediatamente.

O gerente respondeu:

“Pare, pare, vamos primeiro INCLUIR os 5 milhões que perdemos do desfalque do mês passado e relatar como se os ladrões os tivessem levado também”

O supervisor disse:

“Certo”

Isso se chama GESTÃO ESTRATÉGICA

Aproveite uma situação desfavorável.

No dia seguinte, no noticiário da televisão, foi noticiado que 100 milhões foram roubados do banco, os ladrões só contaram 20 milhões.

Os ladrões, muito zangados, refletiram:

“Arriscamos nossas vidas por míseros 20 milhões, enquanto o gerente do banco roubou 80 milhões em um piscar de olhos.”

Aparentemente, é melhor estudar e conhecer o sistema do que ser um ladrão comum.

Isto é CONHECIMENTO e é tão valioso quanto ouro.

O gerente do banco, feliz e sorridente, ficou satisfeito, pois seus prejuízos foram cobertos pela seguradora no seguro contra roubo.

Isso se chama APROVEITANDO OPORTUNIDADES ..

ISSO É O QUE MUITOS POLÍTICOS FAZEM ESPECIALMENTE NESTA *PANDEMIA, ELES A USAM PARA ROUBAR E RESPONSABILIZAR O VÍRUS.

A startup digital ValeOn daqui do Vale do Aço, tem todas essas qualidades, não me refiro aos ladrões e sim no nosso modo de agir:

Estamos lutando com as empresas para MUDAREM DE MENTALIDADE referente à forma de fazer publicidade à moda antiga, rádio, tv, jornais, etc., quando hoje em dia, todos estão ligados online através dos seus celulares e consultando as mídias sociais a todo momento.

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup ValeOn adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

Temos CONHECIMENTO do que estamos fazendo e viemos com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e estamos desenvolvendo soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Dessa forma estamos APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES que o mercado nos oferece onde o seu negócio estará disponível através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo chamada Plataforma Comercial ValeOn 24 horas por dia e 7 dias da semana.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (WP)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

sábado, 11 de setembro de 2021

REFLEXÕES SOBRE O RECUO DO BOLSONARO ÀS SUAS AGRESSÕES AO STF

 

Em pratos limpos

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

Old parchment or diploma scroll with wax seal and quill pen

Moralmente, a carta ou declaração de Bolsonaro/Temer é um acerto com “a” maiúsculo e todo trabalhado no gótico.| Foto: Bigstock

“Verba volant, scripta manent” 

No instante em que o presidente Jair Bolsonaro divulga uma surpreendente carta à nação e os leitores se encontram divididos entre a frustração e o regozijo, é meu dever, enquanto colunista da Gazeta do Povo, vir a público para dizer:

1 Michel Temer é provavelmente o maior negociador da história do planeta e adjacências. Não sei o que a ONU está esperando para colocá-lo num cargo vitalício para lidar com absolutamente todos os conflitos mundiais. Aparentemente não há Talibã que resista ao ex-presidente.

2 Resta saber no que se baseia o poder de convencimento do ex-presidente Temer. Será uma capacidade extraterrena de argumentação? Ou será que Temer dispõe de insondáveis elementos de coerção e moedas de troca? Seja lá o que for, é inegável que o ex-presidente conseguiu algo até então impensável: fez o sempre beligerante Jair Bolsonaro bancar o adulto da história e dar o primeiro passo rumo ao diálogo pacificador. Agora a bola está com o STF. Vai que é tua, Xande!

3 Depois de sua carta de pacificação, Bolsonaro terá de lidar com um “exército de frustrados”. São pessoas que saíram às ruas no dia 7 de setembro, que enfrentaram a hostilidade de parentes e amigos, que aguentaram serem xingados de fascistas, negacionistas e bolsominions. Ou seja, pessoas que, supostamente em nome da liberdade ou de uma versão muito particular de patriotismo, sacrificaram alguma coisa para expressar apoio ao presidente. Muitas dessas pessoas se sentem traídas e é preciso compreender esse sentimento.

4 São também pessoas (não todas!) que queriam um golpe de Estado. Não porque sejam más, autoritárias ou ustramente perversas, e sim porque perderam por completo a esperança na convivência entre os desiguais por meio do sistema atual. Elas acreditam que suas vidas estão ameaçadas se “o outro lado” sair vencedor. Essas pessoas devem ser respeitadas e compreendidas, nunca hostilizadas.

5 Mais do que os apoiadores de Jair Bolsonaro, os petistas (e toda a esquerda) são os mais furiosos com o gesto de pacificação do presidente. A esquerda sabe que precisa de um golpe e da beligerância constante de Bolsonaro para sobreviver.

6 Moralmente (e partindo do pressuposto de sua sinceridade, claro), a carta ou declaração de Bolsonaro/Temer é um acerto com “a” maiúsculo e todo trabalhado no gótico. O problema é que vivemos tempos maquiavélicos e consequencialistas, nos quais a ixperteza se sobrepõe ao que é moral. Muita gente esquece  que o derrotado moral é preferível ao vitorioso imoral.

7 As reações negativas à declaração de Bolsonaro só mostram que esse papo todo de “defesa da democracia” é uma enorme de uma balela. Fosse essa a realidade, estariam todos agora celebrando o gesto quase salomônico do presidente. O que se vê, contudo, é frustração de um lado e regozijo diante da “fraqueza presidencial” de outro.

8 Novamente, a palavra para compreender a situação é “consequencialismo”. Ela se refere a uma filosofia caracterizada pela capacidade de manusear “princípios maleáveis” a fim de se atingir objetivos amorais, quando não imorais. O consequencialismo é um fruto do nosso tempo, que ignora a transcendência e se atém apenas ao que é aparente e imediato.

9 Sem querer, a declaração de Bolsonaro revela que estamos cercados por esses degenerados consequencialistas, abutres do caos e que nele se regozijam. Vale dar uma olhada na reação da esquerda ao gesto pacificador do presidente. O tom é de humilhação, quando não de desconfiança. Eles perguntam quais as reais intenções de Bolsonaro porque estão acostumados a viver camuflando suas reais intenções.

10 Décadas de doutrinação deram nisso: há quem confunda “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, com o Evangelho.


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FAZEM 20 ANOS DO 11 DE SETEMBRO TERRORISTA NOS EUA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

As torres do World Trade Center em chamas após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001.| Foto: Jason Szenes/EFE/EPA

Os ataques terroristas às Torres Gêmeas do World Trade Center e ao Pentágono, em 11 de setembro de 2001, são um desses eventos definidores de uma era. O “curto século 20”, subtítulo de um livro do historiador marxista Eric Hobsbawm, começara com a Primeira Guerra Mundial, em 1914, e terminara com a derrocada da União Soviética, em 1991. Os dez anos que se seguiram, entre o colapso do império comunista e os atentados em solo americano, foram uma espécie de intervalo em que parecia ter predominado o conceito de “fim da História”, de Francis Fukuyama – uma vitória incontestável do capitalismo, que se impunha como sistema hegemônico após o fim da Guerra Fria. O 11 de Setembro veio para mostrar que talvez Samuel Huntington, com sua tese de “choque de civilizações”, tivesse mais razão ao prever novos modelos de antagonismo, não tanto entre nações ou impérios, mas entre culturas.

Este 20.º aniversário do ataque é marcado especialmente pelas consequências imediatas da retirada norte-americana do Afeganistão, recentemente concluída e amplamente criticada interna e externamente pela forma como o país foi praticamente entregue às mãos dos extremistas do Talibã, na prática retornando o exato statu quo de antes dos atentados. Apenas com muita ingenuidade é possível crer nas promessas de “moderação” do “novo Talibã”, que já deu mostras suficientes de ser igual ou pior que o “velho Talibã” desalojado pelos norte-americanos, pois a repressão a mulheres e minorias já começou.

Como é possível que o mundo, hoje, esteja menos seguro e estável que 20 anos atrás, apesar das infinitas somas gastas na “guerra ao terror”?

Errou Donald Trump quando, sob o pretexto válido de encerrar a presença norte-americana no Afeganistão, aceitou dialogar com quem não merecia confiança. E errou ainda mais Joe Biden quando, em primeiro lugar, insistiu na retirada quando o Talibã já havia demonstrado não estar disposto a cumprir o acertado com Trump; e, em segundo lugar, pela maneira atabalhoada com que fechou a retirada. Até mesmo cidadãos norte-americanos foram deixados para trás, sem falar dos afegãos que colaboraram de alguma forma com as forças dos Estados Unidos nestas duas décadas e, por esse motivo, estão praticamente marcados para morrer nas mãos dos extremistas islâmicos.

Mas, se o Afeganistão volta 20 anos no tempo para ser o que era antes da invasão norte-americana, o mesmo não pode ser dito de vários outros países, o que levanta uma série de dúvidas sobre o sucesso – não sobre a necessidade, que fique claro – da “guerra ao terror”. O mundo se livrou de ditadores sanguinários como o iraquiano Saddam Hussein e o líbio Muamar Kadafi, mas o que veio em substituição a eles não foi a democracia ocidental, com respeito a direitos humanos e liberdades individuais, e sim o caos. O Estado Islâmico ascendeu no vácuo de poder deixado pela retirada norte-americana do Iraque, invadido sob o pretexto de ter armas de destruição em massa cuja existência acabou não comprovada. A queda de Saddam Hussein, aliás, encerrou um dos poucos regimes da região que tinham viés mais laico e que, a despeito de todas as barbaridades cometidas, garantiam alguns direitos de minorias religiosas e serviam de anteparo ao extremismo islâmico – o outro caso é o da Síria, devastada há anos por uma guerra civil.


A ascensão do extremismo islâmico e o aumento da instabilidade no Oriente Médio e norte da África levaram a Europa a viver duas crises simultâneas. A primeira foi o aumento do fluxo de refugiados, que nem sempre mostraram disposição em assimilar a cultura dos locais que os recebiam. A segunda foi o recrudescimento da atividade terrorista em solo europeu, que talvez só encontre paralelo nos anos 70 e 80 do século passado, quando o continente era aterrorizado por palestinos, grupos europeus de extrema-esquerda como o Baader-Meinhof e as Brigadas Vermelhas, e terroristas nacionalistas como os bascos do ETA e o Exército Republicano Irlandês. O jihadismo voltou a atacar a Europa em 2004, explodindo trens em Madri, e não parou desde então, com o auge dos atentados entre 2015 e 2017, incluindo os episódios do Charlie Hebdo e da boate Bataclan, ambos em Paris, e os ataques usando caminhões e vans em Nice, Berlim, Barcelona, Estocolmo e Londres.

Como é possível que o mundo, hoje, esteja menos seguro e estável que 20 anos atrás, apesar das infinitas somas gastas na “guerra ao terror”? Tarefas foram levadas a cabo pela metade e houve várias escolhas equivocadas, incluindo as de aliados: é incompreensível, por exemplo, a leniência norte-americana com o Paquistão, país onde Osama Bin Laden foi encontrado e morto em 2011 e que também sempre foi suspeito de abrigar e bancar terroristas; ou com a Arábia Saudita, país de origem de Bin Laden e de 15 dos 19 sequestradores do 11 de Setembro, e que promove uma vertente extremista do Islã, o wahabismo. O que sobrou em dinheiro faltou em inteligência e estratégia, tornando a luta contra o terror ainda mais difícil de vencer.


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BOAS PROJEÇÕES PARA O AGRONEGÓCIO

 

O Brasil que cresce

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo

Lavoura de algodão: com grande potencial de crescimento das exportações, cultivo deve ser um dos destaques do agronegócio brasileiro nos próximos dez anos.| Foto: Pixabay

O espaço para o agronegócio brasileiro crescer é grande, apontam projeções realizadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) e pelo Ministério da Agricultura brasileiro.

As estimativas indicam que, nos próximos dez anos, as exportações de milho do Brasil podem crescer 45,8%; as de soja, 36,2%; as de algodão, 50,6%; as de carne bovina, 41,8%; as de suína, 44,4%; e as de aves, 43,6%.

Uma série de fatores contribui para isso, explica César de Castro Alves, da consultoria agro do Itaú BBA: a disponibilidade de terras, o clima favorável; a infraestrutura mais desenvolvida em relação a outros países que estão na mesma latitude; e a possibilidade de se colher de duas a três safras por ano. “O Brasil é um caso único de avanço tecnológico no agronegócio”, diz ele.

Ele aponta que há uma demanda internacional em expansão. Grandes oportunidades para o Brasil, segundo ele, estão na China, onde há um amplo mercado a ser explorado, e em países desenvolvidos, como nos EUA e na União Europeia.

Outros aspectos que também contribuem, segundo ele, são o ambiente rico em empreendedorismo e inovação, que fica evidente com a expansão das “agritechs”, e a sanidade e qualidade dos produtos brasileiros.

Necessidade de fazer a lição de casa
Mas, para intensificar a presença do produto brasileiro no exterior, é necessário intensificar a realização de acordos comerciais, afirma o especialista.

Atualmente, o Brasil possui acordos com Angola, Guiana, México, Panamá, São Cristóvão e Nevis, Suriname e Venezuela. No âmbito do Mercosul, há parcerias com Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Egito, Equador, Índia, Israel, Peru e União Aduaneira da África Austral.

A expansão das exportações também vai exigir o aumento da produção. E ela pode ser obtida, segundo Castro Alves, por meio de ganhos de produtividade. “O que vem acontecendo no campo vai continuar a ser replicado, por meio da incorporação de mais tecnologia.”

Outra fonte de expansão na agricultura poderá vir do reaproveitamento de terras antes usadas pela pecuária, principalmente no Centro-Oeste.

O Brasil também terá de fazer a lição de casa. Uma das questões mais importantes, segundo os especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, é a ambiental. “Isto trava a fluidez dos acordos comerciais”, ressalta o analista do Itaú BBA. O caminho passa por conter desmatamento e queimadas. E por um trabalho de relações públicas por parte do governo brasileiro.


Outro avanço necessário é na questão da infraestrutura, que pode melhorar ainda mais a competitividade da produção brasileira. “O agro avançou mesmo com carências neste setor. Imagine se elas fossem menores ou não existissem”, afirma o analista.

A falta de investimentos públicos e problemas em concessões privadas reduziram investimentos em infraestrutura rodoviária, aponta a Confederação Nacional do Transporte (CNT).

“Um ganho muito importante neste sentido foi a possibilidade de escoar parte da safra do Centro-Oeste pelo Arco Norte. Isto tornou a produção de grãos brasileira mais competitiva”, comenta Castro Alves.

Um novo projeto, a Ferrogrão, pode reforçar o escoamento da safra de milho e soja pelo Norte do país. O governo prevê lançar, no 4.° trimestre, o edital da ferrovia que liga Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), em uma extensão de 933 quilômetros. A proposta foi encaminhada para análise do Tribunal de Contas da União (TCU) no ano passado. Porém, os trâmites relacionados ao projeto foram suspensos em março pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Outra necessidade apontada por Castro Alves é em relação à melhoria do nível educacional. “Há ilhas de excelência espalhadas pelo Brasil afora, mas é preciso avançar mais.” Um dos principais desafios é o de saber trabalhar com big data. Segundo o especialista, pouca gente está capacitada para pilotar novas tecnologias.

Grandes oportunidades para o algodão brasileiro
Um dos produtos com grandes oportunidades de expansão no cenário internacional é o algodão. As projeções do USDA sinalizam para um crescimento de 50,6% nas exportações brasileiras de algodão, atingindo 13,1 milhões de fardos (217,72 kg) em 2030/31 – a expectativa é de que o país responderá por um oitavo da produção mundial.

Atender à demanda internacional deverá ser a principal alternativa para os produtores, já que, de acordo com estudos do Ministério da Agricultura, o consumo interno desse produto deve apresentar ligeira redução nos próximos dez anos, situando-se em torno de 676 mil toneladas.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) isso deve destacar a importância do mercado internacional para o crescimento do setor nos próximos anos.

“O Brasil tem um potencial muito grande, principalmente no que se refere à qualidade da fibra e ao domínio da safrinha”, diz o especialista do Itaú BBA. E grande parte desse crescimento pode ser direcionado ao mercado asiático.

Produção de carnes pode ter expansão de 24% até 2031
O Ministério da Agricultura projeta, para os próximos dez anos, um crescimento de 24% na produção de carne de frango, bovina e suína, levando-a a 34 milhões de toneladas em 2031. Segundo estudos do órgão, as maiores expansões devem ocorrer na oferta de frango (27,7%) e suína (25,8%).

Os três tipos de carne poderão ter forte expansão no período. O USDA projeta que, em 2030, o Brasil será o maior exportador de carne bovina e de frango e o quarto no ranking de vendas de porco, atrás de União Europeia, Estados Unidos e Canadá.

O órgão norte-americano projeta crescimento de 23,5% nas exportações brasileiras de porco; 30% nas de frango e 33,8% nas de carne bovina.

Segundo o especialista em mercado de carnes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP), Thiago Bernardino de Carvalho, o Brasil tem boas condições competitivas. “São custos baixos de produção, uma indústria processadora eficiente e bons preços finais.”

Castro Alves, do Itaú BBA, aponta outro poderoso trunfo: “Não há casos de gripe aviária, nem de peste suína”. E as áreas livres de febre aftosa sem vacinação estão em expansão.

Potencial de crescimento do milho é grande
Outro produto com grande potencial de crescimento é o milho. As projeções do USDA sinalizam para uma expansão de 45,8% nas exportações, atingindo 60,2 milhões de toneladas. Esse mercado, aliado à demanda de milho para a produção de etanol, poderá contribuir para a expansão da safra do cereal.

A expectativa do Ministério da Agricultura é de que, no ano safra 2030/31, sejam colhidos 124 milhões de toneladas. Na última, foram 86,6 milhões de toneladas, por causa de problemas na segunda safra.

A China, um dos maiores consumidores do grão, não está conseguindo dar conta de tanta demanda. O país asiático está recompondo seu rebanho suíno, que foi afetado, nos últimos anos, pela peste suína africana.

O aumento na produção de milho não exigirá expansão sobre novas áreas, aponta o estudo realizado pelo Ministério da Agricultura. “Áreas de soja liberam a maior parte das áreas requeridas pelo milho. As chamadas áreas de reforma de culturas, como cana-de-açúcar, também costumam ser usadas com milho, amendoim e outras”, apontam os especialistas do ministério. Eles também sinalizam que é esperada uma produtividade crescente nos próximos anos.

Ritmo menor de crescimento da soja, com demanda mundial forte
O ritmo do crescimento de produção de soja deverá perder força ao longo dos próximos dez anos, aponta o Ministério da Agricultura. Se, nos últimos dez anos ela cresceu 103%, com um aumento de produtividade de 33%, a previsão é de uma expansão de 29,5% até 2030/31.

A expectativa é de que a área plantada com soja aumente 26,9%. É a lavoura que mais deve expandir a área e esse incremento deve acontecer em áreas do Matopiba – uma região formada por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

“São terras de alto potencial produtivo”, apontam os pesquisadores do Ministério da Agricultura. A necessidade adicional de áreas também poderá ser suprida por substituição de culturas e aproveitamento de áreas dedicadas a pastagens.

O cenário-base do USDA projeta que, nos próximos anos, o Brasil atenderá a maior fatia da demanda mundial de soja, com 55,5%.


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