sábado, 11 de setembro de 2021

STF OBSERVA ATITUDES DE BOLSONARO

 

Tensão entre Poderes
Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília

Ministros consideram que nota em favor da harmonia foi ‘bom sinal’, mas não basta| Foto: Marcos Correa/PR

A nota desta quinta-feira (9) na qual o presidente Jair Bolsonaro defendeu a harmonia e respeito entre os Poderes e se mostrou disposto ao diálogo ainda não convenceu os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de que haverá, enfim, uma pacificação na relação com o Palácio do Planalto. O mesmo se dá em relação ao Tribunal Superior Eleitoral, cujo presidente, Luís Roberto Barroso, foi duramente criticado junto com o ministro Alexandre de Moraes pelo presidente, em discurso no último dia 7.

Interlocutores dos ministros disseram que o momento é de observar, pelos próximos dias, as atitudes de Bolsonaro, sobretudo porque, muito recentemente, após emitir sinais de apaziguamento, ele voltou a confrontar ministros e o próprio tribunal. Em julho, por exemplo, Bolsonaro saiu de uma reunião com Fux falando que os dois estavam “perfeitamente alinhados”. Semanas depois, apresentou um pedido de impeachment contra Moraes e voltou a insultar Luís Roberto Barroso.

Ao observarem as falas de Bolsonaro no dia 7, ficou ainda mais claro para vários ministros que o presidente é muito suscetível ao ânimo de seus apoiadores mais exaltados, nas ruas e nas redes sociais. Não haveria surpresa, por exemplo, se ele voltasse à carga contra ministros se perceber que perdeu popularidade entre seus seguidores. Nesta quinta, por exemplo, após publicar a nota estendendo a mão para Moraes, Bolsonaro voltou a provocar Barroso, dizendo que as urnas eletrônicas são “penetráveis”, em nova defesa do voto impresso, assunto que o ministro gostaria que estivesse encerrado.

Auxiliares também dizem que uma simples nota não é capaz de pôr fim, por exemplo, aos vários inquéritos que tramitam contra o presidente e seus apoiadores, seja no STF e também no TSE. “Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa”, disse um deles. “Qualquer movimento seria precipitado pra qualquer lado”, afirmou à reportagem outro interlocutor direto dos ministros.

De qualquer modo, a divulgação da carta e a ligação de Bolsonaro para Moraes foram vistos como um “bom sinal”. Também chamou a atenção de alguns ministros a reação positiva do mercado – nas últimas semanas, o STF enviou sinais de que não pretende comprometer a agenda econômica do governo em retaliação às críticas de Bolsonaro, mesmo tendo na pauta uma série de ações que poderiam prejudicar planos do Executivo nas áreas fiscal e de infraestrutura, por exemplo.

Após o discurso de Bolsonaro na Avenida Paulista – no qual chamou Moraes de “canalha” e anunciou que não iria cumprir qualquer decisão dele – ministros diziam internamente que essas atitudes se voltariam apenas contra o presidente, dentro dos inquéritos que ele responde. As declarações constituiriam novas provas de crimes pelos quais ele já é investigado no inquérito das fake news, que incluem calúnia, injúria, difamação, apologia ao crime e denunciação caluniosa.

Moraes ainda tem sobre a mesa diversos pedidos de liberdade de apoiadores do presidente, como o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) e o presidente do PTB, Roberto Jefferson. Apesar da expectativa entre apoiadores de que as prisões sejam relaxadas, o ministro ainda não deu sinais do que fará.

Outros riscos
Mas, além desses inquéritos, há outros riscos para Bolsonaro e também para sua família no curto prazo. Na próxima terça (14), por exemplo, a Segunda Turma do STF julgará um pedido do Ministério Público para que devolver à primeira instância da Justiça o inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no caso da “rachadinha”. O caso seria julgado no último dia 31, mas a defesa pediu o adiamento.

Os advogados do senador querem que o caso continue na segunda instância, porque isso facilitaria a anulação das provas, sob o argumento de que elas foram colhidas por autorização de um juiz incompetente para supervisionar a investigação. Até a semana passada, uma vitória do senador era dada como certa, mas o risco cresceu nos últimos dias. A decisão caberá a Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Edson Fachin e Ricardo Lewandowski.

Os dois últimos tendem a votar contra o foro privilegiado para Flávio. Um empate ainda o favoreceria, mas os ministros poderiam, em tese, adiantar o entendimento de que as provas colhidas na primeira instância continuam de pé. Flávio manteria o foro privilegiado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas a denúncia contra ele ainda manteria, potencialmente, elementos para condená-lo.

Outro risco para Bolsonaro está na retomada de um julgamento, ainda sem data marcada, de uma ação do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) que busca obrigar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a analisar pedidos de impeachment contra Bolsonaro. A análise havia se iniciado nesta sexta (10), numa sessão virtual, na qual os ministros apenas apresentam votos por escrito. O ministro Ricardo Lewandowski, porém, interrompeu o julgamento para levar a discussão para uma sessão presencial no plenário. Ele cogita propor a fixação de um prazo para que o presidente da Câmara decida se abre ou não um processo de impeachment a partir das denúncias apresentadas.

No TSE, por sua vez, não há qualquer indicativo de que o inquérito aberto no início de agosto contra Bolsonaro possa arrefecer. Ele é investigado em razão da live de julho na qual acusou, sem provas, a ocorrência de fraudes nas urnas eletrônicas. A intenção do relator, Luís Felipe Salomão, é levar a investigação até o ano que vem.

Por si só, a investigação não é capaz de resultar em punições para Bolsonaro, mas qualquer nova declaração que fizer contra o sistema eletrônico – como as que ele fez no dia 7 – alimentam ainda mais o inquérito, como provas para uso no futuro. A ideia é que elas possam ser reaproveitadas por partidos ou adversários na eleição de 2022 para impugnar a candidatura de Bolsonaro à reeleição.


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BARROSO, LAVA JATO E MARCO TEMPORAL

 

Ponte para o futuro

Por
Bruna Frascolla – Gazeta do Povo

Ponte chinesa que supostamente ligará Salvador a Itaparica.| Foto: Divulgação

É humano descartar em bloco as afirmações de quem se provou antiético. Afinal, as pessoas falam muitas coisas e sair analisando uma a uma dá trabalho demais. Por isso lidamos no cotidiano com a ideia de poço envenenado: não acreditamos em ladrões, em mentirosos, em incompetentes ou em insensatos, porque a vida é curta e preferimos gastar nosso tempo com pessoas sensatas e honestas.

No entanto, às vezes as pessoas sensatas e honestas, justamente por serem sensatas e honestas, não têm contato com uma parte importante da realidade em que se praticam crimes e insanidades. Por isso existem coisas tais como delação premiada, em que o bandido tem de convencer os investigadores de estar falando a verdade.

Fora das delegacias, quando o país está todo imerso em crime e insanidade, convém voltarmos as orelhas aos loucos e malfeitores. Em especial agora que tratamos de concentração de poder. Segundo a esquerda nacional-desenvolvimentista, a Lava Jato foi uma operação para desmantelar o empresariado nacional.

Uma dose de razão aos nacional-desenvolvimentistas?
No calor da Lava Jato, não dávamos ouvidos ao esperneio dos petistas e muito menos aos nacional-desenvolvimentistas, responsáveis por políticas econômicas que levaram o país àquela que, mesmo após a pandemia, continua sendo a pior crise econômica registrada na sua história.

Voltemos àquela época. O Brasil já acompanhava placar de votação do Supremo e já sabia a escalação dos ministros. E mais: o STF não estava, como hoje, desmoralizado in bloco. Havia os ministros tidos por simpáticos à causa da Lava Jato. Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, ambos indicados por Dilma, eram dois deles. Até pelo menos 2018, Barroso estava nos Estados Unidos dando declarações favoráveis à Lava Jato. Foi também em 2018 que ele chamou Gilmar Mendes de “pessoa horrível, mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”. Outros tempos. Não havia sombra do atual corporativismo no STF.

Se Dilma não aprovasse o instituto da delação premiada, não tinha Lava Jato. Poderia ser mera burrice inexplicável, mas depois saberíamos, por Palocci, que a intenção de Dilma era derrubar Lula e se tornar mais poderosa do que ele. Lula foi preso; Dilma terminou solta e elegível. Cunha foi preso, Geddel foi preso. Dilma terminou solta e elegível. Que há algo estranho aí, há; e não tenho a pretensão de saber a explicação disso agora.

Dando razão aos nacional-desenvolvimentistas, cabe notar que Lula foi solto, Cunha foi solto, Geddel foi inocentado e Marcelo Odebrecht continua preso.

Hipótese
Tenho a seguinte hipótese: existiu durante a Lava Jato uma cisão entre a velha esquerda nacionalista, que desejava um Brasil grande, com empresariado nacional se expandindo pelo terceiro mundo, e a nova esquerda, globalista (em direitês) ou entreguista (em esquerdês), que quer entregar o controle do Brasil a um punhado de ONGs bancadas por monopolistas europeus ou norte-americanos atualmente aliados à China. A nova esquerda era instrumentalmente favorável à Lava Jato.

O verdadeiro alvo da Lava Jato, para estes, era a Odebrecht. Ela era o gigante brasileiro que recolonizava Angola e Moçambique. Sabemos que a China hoje coloniza a África. Assim, a queda da Odebrecht significaria um ganho geopolítico para a China.

Outro alvo – perspectiva baiana
A Odebrecht era um gigante nacional criminoso. O agronegócio é outro gigante nacional a ser domado. Em geral, ele não pode ser domado com a descoberta dos seus crimes.

Na Bahia petista, as obras faraônicas deixaram de ser feitas pela Odebrecht para serem feitas pela China. E no extremo-oeste baiano, na área de cerrado, o agronegócio vai de vento em popa. Não cresceu, porém, sem cometer alguns crimes. A Operação Faroeste pegou uma porção de peixe graúdo do judiciário baiano por venda de sentenças. A história é enrolada (envolve até falso cônsul da Guiné), mas fato é que o judiciário baiano há muito não goza de boa reputação, e apenas com o agronegócio. Enquanto isso, os negócios com os chineses, responsáveis pela construção da ilha de Itaparica, são muito falados e pouco investigados. Fala-se em construção de uma cidade chinesa no Recôncavo baiano num esquema com terras de Daniel Dantas. Você pode ler sobre isto num tom ameno de coluna social neste jornal baiano.

Ao que parece, o judiciário é um rottweiler com os brasileiros e um poodle com a China e as ONGs. (E falo em ONGs tendo em mente a Bahia também. Interessados podem pesquisar a sorte dos criadores baianos de jegue perseguidos pela ONG Save The Donkeys. Na última vez que olhei, os abatedouros de brasileiros foram fechados e os jegues foram vendidos a abatedouros de chineses, que a ONG não processou.)

O outro alvo – perspectiva nacional
Que fazer para acabar com os fazendeiros brasileiros corretos, que não grilaram as terras nem desrespeitaram as mais draconianas legislações ambientais? Tomar as terras. Para isso, basta uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que é a do Marco Temporal.

Se o STF decidir contra o Marco Temporal, qualquer território brasileiro poderá ser considerado terra indígena. Os “índios” (ou ongueiros de iPhone que se dizem índios) podem invadir um terreno que está há décadas nas mãos do proprietário e reivindicar que ele vire uma reserva indígena. Os proprietários nem receberiam indenização – do jeitinho que foi com os arrozeiros da Raposa Serra do Sol.

O relator, Edson Fachin, já votou contra. A quem quiser se inteirar mais do tema, recomendo este texto de um antropólogo da FUNAI bastante diferente dos seus colegas que entraram na era petista.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/bruna-frascolla/barroso-lavajatista-e-o-vacuo-da-odebrecht/
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TOKENIZAÇÃO NO FUTEBOL

 

Felipe Escudero

Desde que foi criada, a tecnologia blockchain, que funciona como um livro de registro de dados imutável, se mostrou extremamente útil para uma infinidade de negócios e projetos para além das criptomoedas.

Umas das soluções que a blockchain viabiliza é a tokenização de ativos, que consiste na criação de uma representação digital de um ativo em uma rede blockchain. Um dos principais benefícios da tokenização de ativos via blockchain é a democratização dos investimentos e os clubes de futebol do Brasil já começaram a perceber o potencial revolucionário disso.

Conforme destacou Felipe Escudero, analista de criptomoedas e anfitrião do canal BitNada, a democratização dos investimentos chegou, de fato, ao futebol:

“Hoje é possível investir na receita dos clubes, e até mesmo em cestas de jogadores das bases dos clubes, sem precisar ser um empresário do meio, ou ter grandes fortunas para investir. Você pode participar do crescimento do seu clube e ainda obter lucro com isso, investindo valores a partir de 50 reais. E este é um nicho crescente. Empresas no Brasil e no mundo estão trabalhando pela tokenização de ativos e de receitas no esporte. E o futebol está se tornando um case de sucesso”, destacou Escudero.

Clubes brasileiros aderem à tokenização de ativos

Vasco da Gama, Cruzeiro e, mais recentemente, o Coritiba firmaram parcerias para tokenizar os direitos de jogadores de futebol formados nas bases dos clubes. Na prática, os direitos ligados ao Mecanismo de Solidariedade da FIFA — cujo propósito é recompensar os clubes que formam jogadores — foram transformados em ativos digitais.

Esses ativos podem ser adquiridos por investidores e apoiadores do clube que passam a possuir um “pedacinho digital” dos direitos do clube. A cada negociação de um dos atletas da “cesta de ativos”, na qual o token é baseado, o seu detentor pode obter lucros. Em contrapartida, esse sistema cria uma nova fonte de renda para os clubes.

Além da tokenização do mecanismo de solidariedades, clubes nacionais como Corinthians, Atlético Mineiro lançaram seus “fan tokens” a exemplo de diversos grandes clubes europeus como Paris Saint-Germain, Barcelona, Milan e Juventus. Neste caso, os tokens funcionam como um programa de sócio 2.0. Os detentores dos tokens podem participar ativamente de decisões internas dos clubes, podem ter acesso à experiências exclusivas, descontos em ingressos e materiais esportivos, entre outras coisas.

No início de setembro, o Corinthians comercializou 850 mil tokens de torcedor a US$ 2 que se esgotaram em apenas duas horas, evidenciando como esse mercado está aquecido no Brasil.

Até mesmo a Seleção Brasileira de Futebol aderiu aos fan tokens, lançando o token Brazilian Football Team (BFT). O lançamento foi um sucesso e os tokens se esgotaram em 30 minutos após uma rodada de pré-venda, rendendo R$ 90 milhões em receita.

Para Paulo Aragão, especialista em criptomoedas, cofundador do CriptoFácil e host no Bitcast, essa união entre a tecnologia das criptomoedas e esporte é algo extremamente benéfico para ambos os lados, pois abre um leque de opções sem precedentes.

“Para os clubes, o primeiro ponto positivo é, sem dúvidas, o financeiro. Quase todos os clubes mais tradicionais do Brasil passam por dificuldades financeiras. Os tokens que são referentes ao mecanismo de solidariedade da Fifa, como o do Vasco, possibilitam uma antecipação de recebíveis. Já os fan tokens criam uma nova receita.

Aragão destacou ainda que o Atlético-MG também lançou coleção de NFTs comemorativa à uniformes históricos, está comercializando cards únicos em uma plataforma internacional entre outras iniciativas.

“A verdade é que ainda não sabemos com exatidão tudo que será possível. O horizonte é muito positivo e os clubes que entenderem isso logo, terão vantagens.”

Contatos da assessoria

Tel: +55 21 98310-2866

Email: lorena@criptomoedasfacil.com

APLICATIVOS DE JOGOS E ENTRETENIMENTOS

 

Em 2020, as instalações de jogos hiper casuais apresentaram um crescimento de 43%, de acordo com o Relatório Mobile App Trends 2021 da Adjust. Em comparação, as instalações não hiper casuais aumentaram 26%. Mas apenas as instalações não contam a história toda. Os usuários gastaram 42% mais tempo em jogos hiper casuais do que em outras categorias de jogos. Comparando a primeira metade de 2020 com a primeira metade de 2021, as instalações hiper casuais cresceram 109% e as sessões, 34%.

Em geral, os aplicativos de jogos apresentam uma sessão mais longa. Isso faz sentido em aplicativos de entretenimento, ao contrário de, por exemplo, aplicativos de bancos e de pagamento, nos quais os usuários só precisam de alguns segundos para atingir seus objetivos. As sessões em aplicativos de jogos não hiper casuais tiveram um crescimento anual de 27% em 2020, enquanto as sessões em hiper casuais cresceram 36%. Apesar do grande crescimento na duração da sessão, as sessões nos aplicativos de jogos hiper casuais ficaram por volta dos 18,78 minutos, e nos aplicativos de jogos casuais e jogos de esporte, 21,19 e 22,77 minutos, respectivamente.

Podemos observar padrões parecidos no tempo gasto in-app. Na categoria de jogos, os números médios são muito superiores aos de outras categorias, com os dias 0, 1, 3, 7, 30 registrando 24, 53, 48, 47 e 45 minutos no quarto trimestre de 2020. Os jogos hiper casuais, entretanto, são uma história completamente diferente, com quedas significativamente mais rápidas. Nossos dados do quarto trimestre revelam que no dia 0, o tempo gasto in-app é oito minutos, passando para 15 no dia seguinte. No sétimo dia, o tempo gasto cai para nove minutos — indo para sete minutos no dia 30.

O que os dados revelam sobre os jogos hiper casuais

A categoria hiper casual é caracterizada por taxas de retenção mais baixas. Analisando o quarto trimestre de 2020, a Adjust descobriu que a categoria de jogos não casuais tem melhor retenção no dia um, com quase 30%, seguida pelo hiper casual, com 27%. Contudo, apenas 7,5% dos usuários de aplicativos de de jogos hiper casuais retornam no dia sete (em comparação com uma taxa média de 15,2% em todas as categorias) e apenas 1,75% retorna no dia 30.

Essa taxa de retenção baixa ocorre, pelo menos em parte, devido aos mecanismos simplórios desses jogos e do “efeito de bola de neve” que os desenvolvedores usam para colocar os usuários no funil em direção ao próximo jogo da fila. A natureza dos jogos hiper casuais forçam que os profissionais de marketing não concentram seus esforços em melhorar a retenção — em vez disso, eles precisam aperfeiçoar a arte de monetizar usuários rapidamente e enviá-los ao próximo jogo.

Isso também explica por que os jogos hiper casuais têm mais parceiros do que os outros aplicativos — e, até mesmo, outros jogos. O número médio de parceiros por aplicativo gira em torno de cinco para todas as categorias, passando para seis no quarto trimestre de 2021. A categoria de jogos não casuais está acima da média das outras, com sete parceiros, mas os jogos hiper casuais possuem ainda mais: nove, em geral. (Dica extra: Considere aumentar o número de parceiros que você está trabalhando.)

Os jogos hiper casuais precisam obter a receita máxima por usuário nos primeiros dois dias após o download, visto que as taxas de retenção caem rapidamente passado esse período. Esse objetivo é especialmente importante uma vez que a categoria tem a maior taxa de instalações pagas versus instalações orgânicas, chegando a 3,17 no quarto trimestre. Para deixar claro,isso não é ruim. Como os preços de instalação são muito baratos, os jogos hiper casuais tentam levar o número máximo possível de usuários para os seus aplicativos em um período curto de tempo. Além disso, dentro da janela de dois dias, os jogos hiper casuais costumam usar promoções cruzadas na publicidade, a fim de adquirir usuários para outros aplicativos do mesmo desenvolvedor (é por isso que as taxas de opt-in para jogos no App Tracking Transparency do iOS 14.5+ têm sido altas — os usuários de jogos gostam de publicidade direcionada).

Em comparação, a taxa de instalações pagas versus instalações orgânicas para a categoria de jogos no geral foi de apenas 0,69 no mesmo trimestre.

Obviamente, quando você paga por usuários, monetizá-los é vital. Os jogos hiper casuais se diferenciam da categoria como um todo — não apenas em termos de custo, como também da estratégia necessária para monetizar com eficácia. Então, o que os profissionais de marketing precisam saber?

Como monetizar jogos hiper casuais rapidamente

Geralmente os jogos hiper casuais são gratuitos, o que significa que eles monetizam através de anúncios. E o caminho mais rápido para o sucesso com essa estratégia é publicar anúncios personalizados. Com frequência, pensamos na personalização em termos dos produtos que anunciamos ou usando o nome da pessoa. No mundo hiper casual, os profissionais de marketing precisam encarar a personalização de outra forma. Isso é especialmente importante com o iOS 14.5+ e o foco maior na privacidade.

Experimente com a frequência com que os anúncios são exibidos — os usuários de aplicativos de jogos hiper casuais costumam ver mais anúncios e são mais tolerantes em relação à frequência. De fato, esses aplicativos podem mostrar mais anúncios do que o jogo em si dentro de um minuto e, ainda assim, prender a atenção do público e gerar receita. Porém, há limites. Nossa pesquisa revelou que os aplicativos que mostram mais de quatro anúncios por minuto atingem o máximo de US $35 mil por mês em receita. O ideal é ter entre dois a três anúncios por minuto, um total com que as empresas produtoras de jogos hiper casuais podem aumentar a receita em até 10%. (Ironicamente isso pode significar que os aplicativos de jogos hiper casuais se encontram em uma posição melhor na era pós-IDFA, na qual eles precisarão mostrar mais anúncios para compensar a perda da receita de anúncios mais direcionados.)

Os profissionais de marketing também podem ajustar os formatos dos anúncios usados — vídeos, intersticiais, nativos — com base nas preferências do usuário. Se você descobrir que os usuários estão se engajando mais com anúncios em vídeo do que com anúncios intersticiais, não perca tempo com anúncios de baixa performance. Se você estiver empregando anúncios recompensados que estão se tornando cada vez mais populares, experimente diferentes prêmios para ver quais são mais interessantes para os usuários.

Monetizar jogos gratuitos é uma questão de equilíbrio, sobretudo para os hiper casuais, nos quais os jogadores vêm e vão rapidamente. Porém, os publishers de aplicativos da categoria podem usar isso em benefício próprio — assegurando que os usuários que curtem o jogo passem para o próximo quando estiverem prontos para um novo desafio. Com isso, é possível manter mais usuários no portfólio, e assim os aplicativos podem monetizar mais.

A Adjust é a plataforma de analytics mobile utilizada por profissionais de marketing do mundo inteiro, com soluções para atribuição, otimização de campanhas e proteção de dados. Em 2021, a Adjust foi adquirida pela AppLovin, empresa líder em softwares de marketing e responsável por fornecer aos desenvolvedores um poderoso e integrado conjunto de soluções para o crescimento de aplicativos mobile.

Contatos para Imprensa:

Felipe Proetsch – felipeproetsch@aboutcom.com.br

Laiza Piassali – laizapiassali@aboutcom.com.br

Manuel Quilarque – manuelquilarque@aboutcom.com.br

PROBLEMAS FINANCEIROS NO TRABALHO

 

UOL EdTech | EdCorp

Quintou!

Quinta-feira é aquele dia de começar a se preparar para o final de semana, não é mesmo? Planejar o mercado, a faxina, um encontro com os amigos ou a família (de preferência ao ar livre e mantendo uma distância segura), ou um passeio para espairecer. Mas, para que qualquer dessas coisas aconteça, é preciso também dar uma olhada na conta, conferir a fatura do cartão e planejar o orçamento.

E é aqui que se dividem dois tipos de pessoas: as que estão com as finanças em dia e as que só de pensar em abrir o app do banco sentem um gelo percorrendo toda a espinha. Dinheiro pode ser a causa e a solução dos problemas de muita gente. Então por que não normalizarmos as conversas sobre dinheiro inclusive no ambiente de trabalho?

Boa leitura!

66% dos brasileiros estão endividados, de acordo com o levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizado em dezembro de 2020. E a baixa educação financeira é parcialmente responsável por isso. Por não ter costume de falar abertamente sobre dinheiro, o brasileiro médio não têm preparo emocional e financeiro para atravessar crises. Mas isso está começando a mudar. Veja porque é vantajoso falar sobre dinheiro no ambiente de trabalho:

Educação financeira aumenta a produtividade: pessoas que estão com a saúde financeira em dia tendem a se concentrar mais na realização de tarefas, realizando-a de maneira mais veloz e eficiente.

Reduz a rotatividade e melhora a cultura da empresa: um dos principais motivos pelos quais os profissionais se sentem desgastados é a má gestão financeira. Mesmo que a empresa ofereça um pacote de remuneração compatível com o mercado para uma posição, se a pessoa tem dificuldades em gerir os próprios recursos, ela tende a ficar desmotivada. Empresas que investem em educação financeira impulsionam também no desenvolvimento profissional de seus colaboradores, o que melhora o clima organizacional e retém talentos.

Ajuda a atrir melhores talentos: empresas que investem em educação financeira e praticam políticas de transparência de salários atraem profissionais mais qualificados e resolutivos.

Ferramentas como Glassdoor e Linkedin Salary são uma realidade: o mercado é uma via de mão dupla. Se as empresas buscam atrairem os melhores profissionais, quem é bem capacitado e está com a saúde financeira em dia tem maior poder de barganha apenas utilizando ferramentas de comparação salarial para pesquisar o mercado e conhecer previamente a cultura e a política de remuneração de uma organização pela voz dos colaboradores dessa empresa.

Pessoas com a saúde financeira em dia, valorizam o salário emocional: o trabalho é onde passamos a maior parte da nossa vida adulta. Por isso é importante pensar além do salário econômico, mas também das recompensas emocionais e sociais provocadas pelo trabalho. Porém falar de salário emocional sem educação financeira é também pode ser uma forma de mascarar culturas fracas ou baixas remunerações. O propósito e o bem-estar social quando alinhados a políticas justas de remuneração aumentam o engajamento dos colaboradores no dia a dia de trabalho.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

RECUO DO BOLSONARO NA BRIGA ENTRE OS PODERES

 

Diplomacia política

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, durante recepção ao presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no Palácio do Planalto.

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira: auxiliar foi o principal “bombeiro” na crise entre os poderes e na mudança de tom de Bolsonaro| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A repentina mudança de tom do presidente Jair Bolsonaro em relação aos ministros Luís Roberto Barroso e, sobretudo, Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é explicada por dois atores políticos importantes: o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O recuo de Bolsonaro com a publicação da nota em que afirmou não ter tido “intenção de agredir quaisquer dos Poderes” pegou muitos aliados no Congresso e assessores do Palácio do Planalto de surpresa. Afinal, é um outro tom em relação às últimas 48h. No ato da Avenida Paulista de 7 de setembro, ele sinalizou que descumpriria decisões de Moraes.

A Gazeta do Povo procurou interlocutores do Planalto e aliados de Bolsonaro para entender a mudança do comportamento político. Como informou a reportagem na quarta-feira (8), o presidente da República cogitava convocar o Conselho da República como o “próximo passo” às manifestações de 7 de setembro.

O Conselho da República foi avaliado por Nogueira e articuladores políticos como uma medida inócua e que apenas tensionaria ainda mais as relações. Bolsonaro foi alertado por Lira e pelo ministro da Casa Civil sobre o risco de a estratégia ampliar a crise entre poderes e alimentar ainda mais os ânimos políticos de dirigentes e lideranças do Congresso que começaram a ameaçá-lo de um impeachment.

Como foi a atuação dos “bombeiros” Arthur Lira e Ciro Nogueira
As últimas 48 horas foram cruciais para a alteração na postura de Bolsonaro, que, embora tenha desagradado aliados, inclusive no Congresso, repercutiu bem entre os demais da base aliada. Os dois nomes citados com ênfase no Planalto são os de Ciro Nogueira e Arthur Lira.

“O Ciro e o Arthur tiveram papel decisivo. O Arthur não meteu mais lenha na fogueira com aquele pronunciamento dele, o que ajudou a baixar a temperatura política, e o Ciro insistiu no convencimento junto ao presidente em procurar o [Michel] Temer [ex-presidente]”, sustenta um interlocutor do Planalto.

Bolsonaro tinha resistências a uma reunião com o Temer, mas foi convencido de que, dadas as atuais competições e a temperatura da crise entre poderes, recorreria à diplomacia política ou ampliaria as chances de discussão de um impeachment.

“Não que o Jair não tenha relação cordial com o Temer, mas o Temer vem tentando há um tempo pacificar a relação, com negativas do presidente”, afirma o deputado Márcio Labre (PSL-RJ), que esteve com Bolsonaro no ato da Avenida da Paulista, na terça-feira (7). “A gente sabe que ele [Temer] vem tentando essa aproximação, mas o presidente tinha medo de pegar mal a diplomacia nesse processo”, acrescenta.

Labre foi uma das fontes que confirmou à Gazeta do Povo as pretensões de Bolsonaro em propor o Conselho da República como resposta para a crise política após ouvir isso do próprio presidente. Após esta quinta-feira (9), essa estratégia ficará na gaveta. “Temer entrou no jogo e, agora, vai pacificar o ambiente político”, pondera o deputado.

Segundo informou a CNN Brasil, a nota de Bolsonaro foi redigida por Temer. A TV Globo informou que não apenas Bolsonaro convidou o ex-presidente, como também enviou um avião da frota presidencial para buscá-lo em São Paulo, por volta das 11h30 desta quinta. A reunião acabou por volta das 16h15, após cerca de quatro horas. Por intermédio do emedebista, Bolsonaro conversou com Alexandre de Moraes.

Qual é o custo político do recuo de Bolsonaro e a aproximação com Temer
A mudança de postura de Bolsonaro dividiu aliados mesmo na base. O deputado Bibo Nunes (PSL-RS), vice-líder do partido na Câmara, entende que o presidente da República tomou um uma decisão correta, mas discorda que seja um recuo. “Ele quer a harmonia entre os poderes, não recuou. É um tom apaziguador, mas sem ceder, tanto que ele fala das divergências em decisões do Alexandre de Moraes”, analisa.

Já o deputado Márcio Labre classifica a mudança no tom como recuo e não descartava que isso pudesse acontecer. “Estava preocupado com as 48 horas seguintes. Sabia que seria um divisor de águas e, agora, esse posicionamento de recuo pode ser bom para o país no sentido de entregar 18 meses de relativamente sossego ao governo, mas é negativo politicamente em termos de projeto do conservadorismo no poder”, analisa. “Mas a base vai se esfacelar, perdeu a identidade. O presidente sai como um cachorro que latiu e não mordeu”, alerta.

A leitura feita por Labre é de que o governo demorou a buscar uma composição de forças com o Centrão e, no atual cenário, o recuo é mais prejudicial do que benéfico. “Como o Temer entrou no jogo, acredito até na revogação e fim de prisões [pelo STF], mas, a essa altura, o ‘preço’ disso não vai sair barato. O presidente entregou de vez a governança ao Centrão”, analisa o deputado. “Agora, é tentar se reinventar e tentar se reeleger prometendo o que tentou fazer em quatro anos e temos que ver se conseguimos ou não”, complementa.

Embora a solução diplomática adotada por Bolsonaro possa retomar a governabilidade ao governo, Labre acredita que Temer sai como o vitorioso no processo. “Quem sai fortalecido como ‘o cara’ e grande articulador político do país é o Michel Temer”, pondera o deputado. A análise feita por parlamentares do centro vai na mesma linha.

“A habilidade de Ciro Nogueira, a prudência de Arthur Lira e a maestria de Michel Temer salvaram a República”, diz o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Frente Parlamentar Brasil-China. O parlamentar almoçou na quarta-feira com Temer e ouviu do ex-presidente as preocupações com o atual cenário e se colocou à disposição para aconselhar Bolsonaro.

Como a mudança de tom de Bolsonaro foi recebida por caminhoneiros
A publicação da nota apaziguadora de Bolsonaro veio horas depois de uma reunião que o presidente da República com líderes caminhoneiros. E a reação foi negativa tão logo o conteúdo foi lido e digerido por líderes caminhoneiros. A sensação de lideranças da categoria foi definida em um grupo como “decepção” e “traição” por alguns.

Ainda na manhã desta quinta, a Gazeta do Povo informou que alguns líderes esperavam não mais discursos de Bolsonaro, mas, sim, “ações concretas” contra ministros do STF, ainda que uma defesa enfática à tramitação de pedidos de impeachment de magistrados.

Os caminhoneiros entregaram a Bolsonaro sua pauta de reivindicações para por fim aos bloqueios em rodovias pelo país, que contém demandas como impeachment de ministros do STF, o voto impresso auditável e a absolvição de “presos políticos”. A expectativa do presidente da República é que, com o reposicionamento de forças com o Centrão, ele consiga atender à demanda de revogação de prisões, como a do caminhoneiro “Zé Trovão”, de Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, e do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ).

O problema é que os líderes caminhoneiros estão irredutíveis e prometem não desmobilizar enquanto eles também não sejam recebidos pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e tenham garantias de que a tramitação de impeachment de ministros seguirá adiante.

Parte dos líderes que coordena e estimula a paralisação de parte da categoria entende que o presidente, de fato, não deve emitir posicionamento favorável ao movimento. “O presidente está muito preocupado com a situação, é lógico, pediu para que nós não continuássemos, mas o movimento não é dele, é nosso, é do povo brasileiro. Nem o presidente está acima desse movimento para falar”, afirma o líder Odilon Fonseca, que esteve reunido com Bolsonaro.

Outros líderes favoráveis à paralisação e que, agora, se sentem traídos, sinalizam adesão à reunião de 18 de setembro para discutir uma greve nacional calcada em pautas da categoria com outras lideranças contrárias ao atual movimento. Ou seja, a nota de Bolsonaro pode provocar um efeito colateral ao governo, avaliam líderes. “A pauta vai inverter, não será mais a favor do presidente”, afirma um líder.

O líder caminhoneiro Janderson Maçaneiro, o “Patrola”, concorda que a reunião de 18 de setembro sai fortalecida, embora avalie que a nota é coerente com o posicionamento adotado por Bolsonaro. “O presidente não chamou o caminhoneiro para as ruas ou pediu paralisação. Quem fez isso foi o Zé Trovão quando se viu acuado. De toda a forma, o que aconteceu hoje fortalece a reunião de 18 de setembro. Aquilo que nós decidirmos e propusermos será olhado de outra forma”, avalia.

O deputado Bibo Nunes, que participou da reunião com os caminhoneiros, entende que a mudança no tom de Bolsonaro não provocará efeitos negativos ao governo e tampouco causará desconforto aos transportadores autônomos. Segundo o parlamentar, a categoria sabe que ele, enquanto presidente da República, precisa buscar a harmonia entre os poderes e não pode apoiá-los nas pautas.

“A nota tem tudo a ver com a reunião. O presidente ouviu eles e pediu: ‘olha, vamos segurar aí porque pode prejudicar a economia’. Mas eles falaram: ‘nossa bronca não é com o senhor, o senhor tem nosso total apoio. Nossa briga é com o STF'”, afirma Nunes, que minimiza o sentimento de desconforto entre alguns líderes. “Os radicais existem, mas não tem o nosso apoio. É momento de razão e não de emoção. Falei isso na reunião”, destaca.


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CAMINHONEIRO DECIDEM PARALIZAR A GREVE

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Um dos bloqueios, no norte de Santa Catarina, chegou a ameaçar as condições de abastecimento na região, mas acabou liberado.| Foto: Reprodução/Facebook

Apesar dos pedidos do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, caminhoneiros continuam protestando em vários estados – na maioria dos casos, com concentração de veículos em estradas; na manhã desta quinta-feira, ainda havia bloqueio em alguns pontos, mas à tarde o Ministério da Infraestrutura afirmou não haver mais estradas bloqueadas. Vários líderes do movimento prometem manter a ação, que por enquanto tem como mote as mesmas plataformas defendidas pelo presidente, como a defesa da liberdade de expressão e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal responsáveis pelos recentes abusos contra liberdades democráticas.

A categoria, que já era bastante dividida quanto à possibilidade de uma greve como a de 2018, segue fragmentada, e os episódios recentes aumentaram ainda mais a variedade de posições. Se antes havia cisão apenas entre favoráveis e contrários à paralisação, agora há os que aderiram ao protesto e o abandonaram a contragosto após a solicitação de Bolsonaro; os que se mantêm parados e preservam a figura do presidente, afirmando que ele foi até onde podia ir, e agora cabe à sociedade seguir pressionando – parte desta ala está especialmente indignada com o ministro Alexandre de Moraes após a ordem de prisão contra o líder caminhoneiro Zé Trovão, na semana passada; e, por fim, há os que apoiam a paralisação, mas se sentem “traídos” por Bolsonaro – na avaliação destes, o presidente chamou a população a fazer algo e, quando esse algo enfim foi feito, o governo recuou.

Sob o pretexto de combater as reais violações das liberdades individuais cometidas por STF e TSE, os caminhoneiros cometem outras violações de liberdades individuais

A paralisação, independentemente de quem a tenha convocado ou apoiado, é uma triste repetição de algo que se tornou padrão na vida nacional: a ausência da tão necessária cultura democrática – se ela estivesse presente, seria evidente que a força e a violação de direitos alheios jamais é instrumento legítimo para qualquer reivindicação, por mais nobre ou justa que ela possa parecer. No caso dos caminhoneiros, esse déficit democrático ainda recebe uma camada adicional de ironia, pois, sob o pretexto de combater as reais violações das liberdades individuais cometidas por alguns integrantes do Supremo (especialmente Alexandre de Moraes) e do Tribunal Superior Eleitoral, cometem-se outras violações de liberdades individuais – com o fim dos bloqueios, é verdade, o direito de ir e vir voltou a ser garantido, embora continue havendo quem o relativize: o próprio Zé Trovão, ainda foragido, defendeu ainda nesta quinta-feira a interdição total das estradas, com passagem liberada apenas para ambulâncias e insumos de saúde.

O direito de ir e vir, entretanto, não é o único afetado pela paralisação dos caminhoneiros. Quanto mais tempo a categoria (ou mesmo parte dela) permanece de braços cruzados, maior o risco de desabastecimento, inclusive de insumos básicos, como ocorreu em 2018, e mais a sociedade fica refém de um movimento que desestabiliza ainda mais uma economia já abatida por inflação, desemprego e uma recuperação cambaleante do PIB – afinal, mesmo a produção e a comercialização do que é considerado supérfluo gera emprego e renda a muitos brasileiros. O resultado demonstra a segunda ironia da paralisação, já que, desde o início da pandemia, o bordão “primeiro a saúde, a economia a gente vê depois” foi combatido por apoiadores do governo sob o argumento de que a paralisação da economia causaria uma catástrofe; mas os caminhoneiros, agora, parecem ter adotado a própria versão do slogan, ignorando os efeitos de seus atos sobre a economia em uma espécie de “primeiro remover os ministros do Supremo, a economia a gente vê depois”.


E não se pode perder de vista que o movimento dos caminhoneiros ainda pode se transformar em um “primeiro as nossas reivindicações, a economia a gente vê depois”, já que continua no ar a possibilidade de uma greve puramente corporativista, repetindo 2018 e concentrando-se em temas de interesse apenas da categoria, como a manutenção da inconstitucional tabela de frete e a revisão da política de preços da Petrobras, de preferência com a mão pesada do governo mantendo artificialmente baixos os preços do óleo diesel. Se já é absurdo colocar de joelhos um país por meio do desabastecimento mesmo sob o pretexto da defesa de liberdades básicas, pior ainda seria fazê-lo – novamente – por demandas classistas. Uma democracia que balança e uma economia em frangalhos pedem responsabilidade, não aventuras.


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