terça-feira, 7 de setembro de 2021

GOVERNO ESTIMULA A IMPLANTAÇÃO DE FERROVIAS PELO PAÍS.

 

  1. Economia 

Com edição do novo marco legal, ferrovias devem dobrar até 2035 fatia no transporte de cargas, diz ministro

Entrevista com

Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Com um potencial de transporte ferroviário pouco aproveitado, o Brasil tem a chance de virar essa chave e chegar em 2035 em situação próxima à de países como Estados Unidos e China no uso de ferrovias. A avaliação é do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que faz a aposta com base no novo modelo de operações liberado na última semana por medida provisória, pelo qual o setor privado terá maior liberdade para construir e usar o modal. Atualmente, as ferrovias transportam cerca de 20% das cargas no País. Com a novidade no setor e outros projetos de concessão em andamento, o ministro calcula que a participação do modal possa beirar os 40% em 2035.

O modelo de autorização está em vigor há uma semana, e o governo já recebeu 11 pedidos para construção de ferrovias por esse regime. São mais de 3 mil quilômetros em novos trilhos e R$ 59,5 bilhões em investimentos previstos. “Vamos colocar algumas dezenas de bilhões para dentro com as ferrovias autorizadas”, disse o ministro ao Estadão/Broadcast. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Tarcísio
Para ministro, projeto de longo prazo atrai investidor Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O governo já vinha trabalhando com um plano nacional de logística com projeções até 2035. Como o novo regime de ferrovias mexe nesse cenário?

Fizemos um exercício no plano com aquilo que estávamos elaborando em termos de concessão, renovação antecipada e investimento cruzado. Já sairia de 20% para 35% de participação do modal ferroviário. Com a chegada das ferrovias autorizadas, é possível que possamos chegar em 2035 beirando os 40%. Vamos ter uma participação de ferrovias na matriz semelhante à de países desenvolvidos, similar à da China e Estados Unidos.

Quando esses investimentos vão se materializar?

Os primeiros investimentos podem começar já no ano que vem, algo em 2023 e 2024, que é o tempo de obtenção de licença, atividade de desapropriação e consolidação dos projetos.

Como esse quadro mexe no transporte rodoviário?

Muda a natureza dos deslocamentos. O que sempre temos procurado deixar claro aos caminhoneiros, que ficam assustados, é que você muda o tipo de deslocamento. Alguns fretes de longa distância vão ser substituídos por fretes de curta distância. Vai desgastar menos o caminhão. O motorista vai dormir em casa, vai dirigir menos cansado, se acidentar menos e ter receita maior. Não preciso de uma referência nacional de frete.

Com o novo modelo, o produtor vai trabalhar num cenário de competição para toda malha ferroviária que já opera hoje?

Ninguém vai empreender ferrovia, com o super custo de capital, para sofrer uma concorrência predatória de outra ferrovia. A não ser que realmente tenha carga para todos. Se isso ocorrer, tem a possibilidade de a ferrovia concedida ter seu contrato reequilibrado ou de migrar para o regime de autorização. E há uma hipótese adicional: se a concessionária aumentar a capacidade da ferrovia que opera em pelo menos 50%, permitimos adaptação do contrato, uma espécie de bônus (já que o regime de autorização tem um fardo regulatório menor que o de concessão).

O sr. tem chamado o mês de ‘setembro ferroviário’. Além dos 11 pedidos para construção de ferrovias, o que o governo tem planejado para agora?

Tivemos a assinatura do contrato de concessão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), e teremos o início das obras de construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO). Já temos R$ 30 bilhões de investimentos ferroviários contratados, agora vamos colocar algumas dezenas de bilhões para dentro com as ferrovias autorizadas. Também vamos assinar aditivo para viabilizar a linha de monotrilho que vai ligar a última estação da CPTM aos três terminais do aeroporto de Guarulhos (em São Paulo), e temos o projeto de lei que vai viabilizar a concessão da linha 1 e linha 2 do metrô de Belo Horizonte.

Até o fim do primeiro semestre, havia uma perspectiva mais otimista com a economia. Agora, os indicadores preocupam. O cenário econômico não pode afetar o interesse de empresas em projetos com investimento tão intensivo?

Como a infraestrutura é algo de longo prazo, os investidores acabam vendo o potencial do negócio num cenário de muito longo prazo. Começam a ver a estabilidade regulatória, o potencial de crescimento do mercado, taxas internas de retorno. Não podemos esquecer que temos um excesso de liquidez. O Brasil tem potencial imenso.

Mas e quanto aos indicadores?

A inflação não é exclusividade brasileira, está acima do esperado no mundo inteiro. Uma parcela considerável da inflação brasileira é internacional. A outra, sim, é exclusividade brasileira, que é a questão de energia. Dependendo do que acontecer no Congresso nos próximos dias em relação ao espaço fiscal, o mercado vai entender que há um compromisso com a solvência. Vimos certo temor com relação à questão fiscal, mas o que estamos vendo no fim das contas é uma relação dívida/PIB decrescendo. 

Temos 2022 e o receio de o governo abrir os cofres para gastar e promover eleitoralmente o presidente Jair Bolsonaro. 

O governo não vai abrir os cofres de maneira irresponsável pela eleição do presidente. Isso está fora de questão.

VÁRIOS GRUPOS DEFENDEM EM MANIFESTAÇÃO O GOVERNO NESSE 7 DE SETEMBRO

 

Dia da Independência
Por
Gazeta do Povo
06/09/2021 22:06
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Manifestação a favor de Bolsonaro e pelo voto impresso em Belo Horizonte (MG), realizada em 1.º de agosto.| Foto: Reprodução/Twitter/@BrunoEnglerDM

Militares, evangélicos, ruralistas, policiais militares e caminhoneiros. Esses são alguns dos principais segmentos da sociedade que apoiam o governo de Jair Bolsonaro e que estão se articulando para as manifestações de 7 de setembro. Os atos do Dia da Independência, segundo os organizadores, serão em defesa da democracia, da Constituição, da liberdade e das instituições.

A tensão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário está dando a tônica para as mobilizações. As pautas desses grupos, entretanto, não são homogêneas – às vezes nem mesmo internamente. Confira quais são as principais demandas que esses grupos levarão para as ruas no Dia da Independência.

Evangélicos
Os evangélicos são um dos segmentos da população brasileira que mais deu suporte ao presidente Jair Bolsonaro desde a sua candidatura, em 2018. Esse apoio, mais uma vez, deve ser observado nas manifestações deste 7 de setembro. 

Líderes de diferentes correntes do cristianismo estão convocando seus seguidores a comparecer aos atos marcados para o Dia da Independência. Dentre eles se destacam Silas Malafaia, da Assembleia de Deus; Claudio Duarte, do Projeto Recomeçar; os pastores Jorge e Daniela Linhares; Renê Terra Nova, fundador do Ministério Internacional Restauração; o pastor Samuel Câmara; e Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer.

As pautas do segmento vão além do apoio a Bolsonaro. Eles defendem: liberdade de expressão, separação dos poderes, respeito à Constituição e retorno do voto impresso.


Produtores rurais
Entidades ruralistas também despontam como as principais organizadoras do movimento pró-governo. Restrições impostas por governadores durante a pandemia e decisões do STF aproximaram ainda mais parte deste setor do presidente Jair Bolsonaro.

O Movimento Brasil Verde e Amarelo, que surgiu em 2017 para contestar uma decisão do STF sobre a cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), está mobilizando suas bases: mais de 100 associações e sindicatos ligados ao agronegócio convocaram para as manifestações. Outros grupos, como a União Democrática Ruralista (UDR) e o Sindicato Rural de Uberlândia, também estão convocando para os atos. 

Eles defendem pautas como a liberdade do Brasil, afrouxamento de regras ambientais, obras de infraestrutura, entre outros pontos. Por meio de doações espontâneas, empresários do setor têm sido importantes financiadores das manifestações do 7 de setembro. 

Contudo, o apoio ao governo não é consenso dentro do segmento. Os parlamentares da bancada ruralista se dividem entre os que apoiam e os que condenam os atos pró-governo. As críticas recaem sobre as declarações do presidente contra o Poder Judiciário e a instabilidade institucional. 

Exemplo dessa divisão é a recente carta assinada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e outras seis entidades do agronegócio. Elas cobraram das lideranças do país uma postura “à altura” do Brasil e criticaram a possibilidade de “aventuras radicais” do governo.


Policiais militares
Policiais militares estão usando suas redes sociais para divulgar os atos pró-Bolsonaro. A movimentação, porém, gerou temor entre os governadores sobre a possibilidade de paralisações ou motins. No fim do mês passado, o governador de São Paulo, João Doria, afastou o coronel da PM Aleksander Lacerda depois que ele fez postagens convidando “amigos” para a manifestação e insinuando que o “caldo vai esquentar” em 7 de setembro. 

Líderes representativos dos policiais, contudo, descartam qualquer possibilidade de motim ou paralisações e defendem que policiais da ativa possam participar à paisana, caso não estejam em serviço – a legislação brasileira prevê que policiais da ativa não podem se envolver em atos políticos e o Ministério Público considera que, mesmo não estando em serviço, a participação deles é ilegal.

Em entrevista à Gazeta do Povo, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) disse que muitos policiais contestam decisões do STF contra a Lava Jato e no inquérito das fake news; e também a atuação do Congresso na CPI da Covid-19.

Em São Paulo, o afastamento do coronel Aleksander Lacerda e a insatisfação com a quebra da promessa de Doria de elevar o salário dos 90 mil policiais do estado também aumentou a possibilidade de PMs aderirem à manifestação. Mas o governo determinou que todos os policiais do estado vão trabalhar no 7 de setembro, uma medida para evitar a participação dos PMs nos atos.

VEJA TAMBÉM:
Quem são e o que querem os policiais militares na manifestação pró-governo de 7 de setembro
Caminhoneiros
Impeachment dos ministros do STF, o voto impresso e a liberdade de expressão são as principais pautas para os caminhoneiros que vão participar dos atos pró-governo. A indignação com a Suprema Corte aumentou depois da operação da Polícia Federal contra o cantor Sérgio Reis, o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes e outras oito pessoas. 

Eles também trazem na agenda outras reclamações, como o baixo valor do frete e o preço alto dos combustíveis, fatores que, há muito tempo, fazem a categoria cogitar a declaração de uma greve nacional de caminhoneiros.

Sobre a possibilidade de paralisações no Dia da Independência, lideranças do setor que vão participar dos atos disseram que “este não é momento”. Contudo, alguns caminhoneiros pretendem bloquear trechos de rodovias, em atos não coordenados.

Uma reunião sobre as reivindicações econômicas e políticas dos caminhoneiros está marcada para setembro e, a partir das definições de uma pauta de reclamações comum, uma greve nacional pode ser deliberada até dezembro.


Militares
Militares da reserva e da ativa também devem participar dos atos pró-Bolsonaro, embora haja críticas e preocupações quanto a isso mesmo dentro das Forças Armadas. Fontes ouvidas pela Gazeta do Povo afirmam que boa parte deles, inclusive os da reserva, terá o cuidado de participar sem farda. Assim como PMs, militares da ativa são proibidos de participar de manifestações políticas.

Poucos generais da reserva – o último grau da carreira militar – devem comparecer às manifestações. E é pouco provável que generais da ativa participem dos atos. Bolsonaro não é unanimidade no topo da carreira, sobretudo no Alto Comando das Forças Armadas. Mas as manifestações tendem a contar com um grande número praças e oficiais de outras patentes.

As pautas defendidas pelos militares são: defesa da democracia, da Constituição, da liberdade e das instituições. Muitos também apoiam o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A intervenção militar pelo uso das Forças Armadas como um “Poder Moderador”, como já mencionou o presidente Jair Bolsonaro, é defendida por alguns militares de maneira informal, com base na interpretação do artigo 142 da Constituição.

O artigo 142 da Constituição, porém, prevê que cabe às Forças Armadas a defesa do país e a garantia da lei, da ordem e dos poderes constitucionais – que são apenas três: Executivo, Legislativo e Judiciário. Ou seja, segundo a Constituição, o corpo militar do país tem a missão constitucional de preservar os três poderes; e não intervir em qualquer um deles.

Movimentos populares civis
Alguns movimentos civis também vão aderir às manifestações e estão convocando a população a participar. O movimento Nas Ruas, por exemplo, é o principal organizador dos atos pelo país. O porta-voz do Nas Ruas, Tomé Abduch, disse à Gazeta do Povo que os atos serão “democráticos, pacíficos e educados” e que a pauta será a “defesa da democracia, de nossa Constituição, de nossa liberdade e de nossas instituições”.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/7-de-setembro-quais-grupos-vao-as-ruas-e-o-que-eles-defendem/
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BOLSONARO ASSINA MP QUE ALTERA O MARCO CIVIL DA INTERNET

 

“Liberdade De Expressão”
Por Gazeta do Povo

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de assinatura de acordo com os EUA para participar do Programa Lunar Nasa Artemis.

O presidente Jair Bolsonaro assinou Medida Provisória (MP) que altera o Marco Civil da Internet e impede a remoção de conteúdo nas redes sociais| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta segunda-feira (6) uma Medida Provisória (MP) que altera o Marco Civil da Internet e reforça os direitos e garantias dos usuários nas redes sociais a fim de “combater a remoção arbitrária e imotivada de contas, perfis e conteúdos por provedores”. O texto será publicado ainda hoje em edição extra do Diário Oficial da União.

O anúncio foi feito nos canais da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, que associa a MP como uma medida para zelar a liberdade de expressão nas mídias sociais. “A medida ora assinada pelo presidente objetiva maior clareza quanto a ‘políticas, procedimentos, medidas e instrumentos’ utilizados pelos provedores de redes sociais para cancelamento ou suspensão de conteúdos e contas”, reforça o governo.

A MP prevê que, “além da exigência de justa causa e motivação em caso de cancelamento, suspensão e exclusão de conteúdos e funcionalidades das contas nas redes sociais”, o usuário terá assegurado o “direito de restituição do conteúdo disponibilizado” na rede.

“Assim como trabalhou para sempre assegurar o direito de ir e vir dos brasileiros e o direito de trabalhar e colocar comida na mesa da família, o governo do Brasil segue buscando meios de garantir todas as justas e morais liberdades desta nação”, conclui a Secom.


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TEREMOS MANIFESTAÇÕES PRÓ-GOVERNO EM TODO O BRASIL HOJE 7 DE SETEMBRO

 

Dia da Independência

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

(Brasília – DF, 07/09/2020) Hasteamento da Bandeira Nacional. Foto: Alan Santos/PR

Bolsonaro cumprimenta eleitores durante a solenidade do 7 de setembro do ano passado: presidente deve marcar presença em atos em Brasília e São Paulo.| Foto: Alan Santos/Presidência da República

As cidades de São Paulo e Brasília prometem ser os dois principais palcos das manifestações convocadas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para o 7 de setembro. Outros atos devem ocorrer de forma orgânica pelo país.

O movimento Nas Ruas, o principal organizador dos atos na capital paulista, promete não verbalizar a defesa de pautas como intervenção militar ou a defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de decisões desfavoráveis a Bolsonaro.

Mas a tendência é que os movimentos respeitem a liberdade de expressão de convidados que usarem a palavra para se manifestar nos carros de som. O próprio Bolsonaro, que defende o impeachment de ministros do STF, deve marcar presença nos atos em Brasília, que ocorrerá no gramado da Esplanada dos Ministérios, e em São Paulo, na Avenida Paulista.


O que esperar das manifestações em Brasília
Em Brasília, são esperados manifestantes de ao menos outros 10 estados. O esquema de segurança na Esplanada dos Ministérios prevê a revista aos apoiadores de Bolsonaro para evitar armas brancas ou de fogo. O trânsito estará fechado no local para a ocupação das vias.

O evento ocorre pela manhã, com a previsão de Bolsonaro comparecer por volta das 10h, após participar de um ato solene referente ao Dia da Independência, no Palácio da Alvorada. São esperados manifestantes de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Os hotéis do centro da capital estão operando com quase 100% da capacidade até o dia 6 de setembro, véspera do feriado, e 80% no dia 7, segundo dados da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF) informados pelo site Metrópoles.

Líderes caminhoneiros estarão entre os manifestantes a marcar presença em Brasília. A pauta central deles será a defesa defesa da liberdade de expressão, o voto impresso auditável e a saída dos 11 ministros do STF.

O deputado Bibo Nunes (PSL-RS), vice-líder do partido na Câmara, acredita que a prisão do jornalista Wellington Macedo, após ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, pode levar mais pessoas às ruas. “Foi mais uma atitude provocativa do ministro Alexandre de Moraes. Ele está incentivando mais pessoas irem para as ruas contra ele e o STF ao mandar prender mais apoiadores de Bolsonaro”, criticou o deputado que vai comparecer ao ato em Brasília.

O que esperar das manifestações em São Paulo
Em São Paulo, a expectativa é de que a Avenida Paulista reúna o maior número de manifestantes pró-governo. Bolsonaro mesmo disse que espera “uma fotografia para o mundo”. Existe a expectativa de que o presidente da República participe do ato e faça uso da palavra. Além dele, foram convidados deputados federais, senadores, ministros e outras autoridades.

O ato na Paulista começa a partir das 14h e tem previsão de término às 17h. Autoridades responsáveis do governo de São Paulo foram comunicadas.

O coordenador do movimento Nas Ruas, Tomé Abduch, afirma que os atos manterão o mesmo tom das outras mobilizações da direita e, por isso, prevê manifestações “pacíficas, educadas, envolvendo a família brasileira, todos de verde e amarelo”. “Sempre defendendo a democracia. Ninguém está indo para a rua defender nada que seja antidemocrático”, declarou.

Diferentemente da manifestação de 1º de agosto, que aconteceu em 113 cidades, a tendência é que haja menos atos pelo país em 7 de setembro. Estes, porém, devem ser mais concentrados, segundo expectativa dos organizadores. O Nas Ruas informa em suas redes sociais que manifestantes de 56 cidades de outros estados estarão presentes na Avenida Paulista. Do estado de São Paulo, deve haver manifestantes de 101 cidades.


Manifestações em outras capitais
Além da Avenida Paulista e Brasília, são esperados atos em outras 10 capitais e ainda mobilizações orgânicas em outras cidades, segundo o porta-voz do Nas Ruas.

Estão previstas manifestações em: Manaus, em Ponta Negra, às 15h; em Salvador, no Farol da Barra, às 9h; em São Luís, na avenida Daniel de La Touche, às 9h; em Cuiabá, na Praça das Bandeiras, às 16h; em Belém, na avenida Presidente Vargas, às 8h30; em Curitiba, no Centro Cívico, às 14h; no Rio de Janeiro, no posto 5 da praia de Copacabana; em Porto Alegre, no Parcão, às 15h; em Aracaju, em uma carreta da Arcos da Orla até Praia Formosa, às 14h; e em Natal, na Praça Cívica, sem informação pelo Nas Ruas.
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STF ESTÁ ASSUMINDO FUNÇÕES QUE NÃO É DELE

Artigo
Por
André Gonçalves Fernandes* – Gazeta do Povo

Fachada do STF.| Foto: Dorivan Marinho / STF

Vivemos em tempos estranhos. Achávamos que o STF fosse apenas o guardião da Constituição, o que, por si só, já não é pouco. Aliás, se, nos últimos anos, sua atuação restringisse em bem desempenhar essa nobre tarefa – no que andou faltando, a julgar, pelo menos, à luz do ativismo judicial reinante e do desfile de decisões que reescreveram o texto do poder constituinte originário – o STF estaria a atender ao comando constitucional.

Contudo, parece que os ares palacianos suprimiram o pouco do senso comum que ali havia e, agora, além de ser guardião da Constituição, o STF avocou a função de guardião da verdade. Isso mesmo. A partir da edição da Resolução 742/21, foi o criado o “Programa de Combate à Desinformação” para combater conteúdos que – na visão “aleteica” da Corte – possam ser tipificados como “desinformação e narrativas odiosas” direcionados à Corte e aos ministros do STF, a ser “gerenciado por um Comitê Gestor”.

Numa realidade em que as expressões “Big Brother”, “polícia das ideias”, “duplipensar”, “pensamento-crime” e “novilíngua”, infelizmente, tornaram-se corriqueiras, a tal resolução tem o inegável mérito de inovar, ao introduzir, digamos, o que com ela, na realidade, pretende-se: o papel de gestor da verdade ou, na hermenêutica orwelliana, a instituição do Ministério da Verdade.

Pronto. Agora, creio que já podemos incorporar o enredo de 1984 por completo. Resta apenas aguardar pelo final da trama, embora o “inquérito do fim do mundo” já tenha dado passos firmes nesse sentido, como bem ressalvou, por ocasião da decisão do plenário da corte, a lucidez do ministro Marco Aurélio.

Sabemos que uma árdua tarefa, em toda sociedade democrática, está em aquilatar, ao mesmo tempo, a liberdade de expressão e a proibição da discriminação, ainda que fundado no princípio da dignidade da pessoa humana, porque envolve a verdade prática a ser buscada aqui e agora nessa historicidade localizada. Nesse particular, tolerar a desinformação ou a narrativa odiosa – como, aliás, muitas a que assistimos ultimamente contra o STF –, por mais risíveis que sejam seus lastros teóricos, não significa concordar com elas ou aprová-las.

Permitir a livre expressão de opiniões antidemocráticas, xenófobas, nacionalistas, racistas, revisionistas, odiosas ou falsas não implica em estar de acordo com seus protagonistas e nem mesmo em dialogar com eles, quanto mais em conceder o reconhecimento público que esperam.

Assegurar um acesso ao debate público é, no fundo, repudiar a intolerância intelectual, de molde, inclusive, a respeitar a vida intelectiva do homem, faculdade operativa antropológica que justamente nos diferencia de todo o mundo dos seres vivos e que, somado à nossa condição de criatura imago Dei, fundamenta, ontologicamente, o princípio da dignidade da pessoa humana.

Uma sociedade sadia deve se legitimar no debate público. Admitir-se que qualquer ideia possa ser veiculada livremente é, no fundo, fazer com que os membros dessa sociedade aprendam a discernir, deliberar e formular um juízo prudencial de valor sobre as ideias que merecem ser vivenciadas na práxis social em prol do bem comum, descartando ou tentando aprimorar – no teatro social e não na canetada de um burocrata do Ministério da Verdade – aquelas que possam atentar contra isso.

Então, aqui, temos um ponto crucial na busca da verdade prática a ser buscada no seio social: a relação entre verdade e liberdade. A liberdade está associada a uma certa medida, isto é, a medida da realidade que, por sua vez, em termos tomistas, corresponde à medida da verdade.

Então, para buscarmos a verdade das ideias que se refletem na práxis social, suprimir a narrativa odiosa ou a desinformação é impedir que a liberdade atue eficazmente nesse sentido. Todavia, não ficamos só nisso, porque tal eliminação pressupõe um certo despotismo judicial ilustrado: a corte incorpora uma função deliberativa daquilo que acredita ser a verdade prática historicamente situada e, em casos mais patológicos, pode vir a professar um messianismo político-social, porque crê estar antevendo, por um juízo estritamente particular, aquilo que é próprio da deliberação social, onde o juízo prudencial final é formado por um fecundo e maior entrechoque das opiniões de seus atores.

Nesse sentido, tal despotismo passa a impor sua interpretação sob o manto de uma decisão administrativa, mas esse manto é diáfano e, por isso, podemos observar, a partir da carência da intermediação de um processo deliberativo social, toda sua fragilidade intrínseca e, por mais ilustrados que sejam seus fundamentos ou as cabeças que componham o tal Ministério da Verdade, continua-se a cortejar com o despotismo na forma de pensar e decidir.

Por isso, a proteção preferencial pela liberdade de expressão – vinculada à liberdade de pensamento, conformadora da opinião pública livre e condição do pluralismo como valor do ordenamento jurídico – convida-nos a excluir a possibilidade de sancionar os discursos nocivos ou desinformativos pela via da pura e simples gestão do Ministério da Verdade.

Dessa forma, numa sociedade aberta, evita-se que qualquer ideia, por mais insustentável que nos pareça num primeiro olhar intuitivo, possa ser rejeitada pela caneta inquisitorial do gestor de plantão, só pelo fato de ser considerado um discurso de ódio ou uma desinformação, supostamente apto a colocar em risco as mais elementares demandas públicas de ordem institucional no STF.

O perigo não está tanto no reconhecimento da objetividade da verdade, mas nos excessos de convencimento subjetivo dos membros do Ministério da Verdade sobre a possibilidade de captá-la, algo que os leva a descartar, de antemão, uma humilde e prudente falibilidade.

As exigências de racionalidade prática dos meios adequados para se fazer prevalecer a verdade prática, longe de destruir seus fundamentos, acabam por se apoiar em fundamentos éticos, mormente no postulado de que a tolerância exige propor a verdade prática e renunciar sua imposição pura e simples, sem que isso demande de cada um de nós, sequer remotamente, a obrigação de negar essa mesma verdade, afirmá-la ou de ignorá-la, tornando-se desnecessárias as medidas, por parte do Ministério da Verdade, de “alfabetização midiática” e fortalecimento da imagem (artigo 2º, inciso II, da Resolução 742/21).

Aliás, acerca dessas ações, podemos apostar que esse tal “Mobral dos Jornalistas” tenderá ao mesmo insucesso da versão raiz do regime militar e, se o STF pretende um legítimo fortalecimento de sua imagem, basta revogar essa resolução e começar a fazer o feijão com arroz – como guardião da Constituição –, porque o que me preocupa, como cidadão, não são tantas as notícias falsas sobre a corte, mas, paradoxalmente, as verdadeiras: censura à Revista Crusoé; busca e apreensão de bens, fundada numa discutível ameaça, em casa de general; influência na ação que resultou na desmonetização de canais no YouTube; proibição de uso de redes sociais por jornalistas não engajados; afastamento de fiscais da Receita Federal que investigavam familiares de ministros da corte; expedição de mandado de constatação em escritório do ex-PGR com base num fato penal atípico; o já mencionado inquérito do fim do mundo e, agora, a presente resolução administrativa.

A Constituição, que nos é apresentada como a verdade jurídico-política dessa sociedade em que vivemos aqui e agora, é, por definição, suscetível de desenvolvimentos institucionais políticos e legislativos muito diversos, desde que respeitem seu conteúdo diretivo ou principiológico.

Este peculiar modo de conhecimento da realidade convida-nos, prudentemente, a uma busca compartilhada da verdade prática e não a uma proposta de imposição do autoritarismo da subjetividade togada pela palavra e pela pena do Ministério da Verdade. Evitamos, desta maneira, a “tolerância repressiva” de Marcuse: ou você concorda comigo ou você é um desinformante odioso.

Não se trata de fabricar um consenso, entendido como uma espécie de substitutivo de uns princípios objetivos com os quais não poderíamos contar para iluminar uma realidade material, mas, antes, de encontrar, fecundamente, o sentido objetivo de uma exigência prática, ajudando-nos conjuntamente a desvelá-la. Por sinal, a colegialidade típica das cortes constitucionais não deixa de responder, mais de uma vez, a esta mesma dinâmica, a qual, no caso da edição da Resolução 742/21, andou a faltar. Por fim, espero, sinceramente, que, logo amanhã cedo, a Polícia Federal não bata aqui em casa. A patroa não irá gostar e, caso volte no mesmo dia para o lar, serei apenado a dormir na sala de estar.

  • André Gonçalves Fernandes, post Ph.D., é professor-coordenador de Filosofia e Metodologia do Direito do CEU Law School, pesquisador da Unicamp e professor-visitante da Universidade de Navarra (Espanha).

  • Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/stf-de-guardiao-da-constituicao-a-guardiao-da-verdade/?ref=veja-tambem
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SETEMBRO É O MÊS DA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO

 

FGR Assessoria de Comunicação

O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, de acordo com as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicadas recentemente no relatório “Suicide Worldwide in 2019”. Todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama. Em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio: uma em cada 100 mortes. No Brasil, o número de mortes por suicídios aumentou 12% em quatro anos. Em 2015, foram 11.736 notificações ante 10.490 registradas em 2011, segundo dados do Ministério da Saúde.

O comportamento suicida envolve uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais, segundo o psiquiatra Dr. Adiel Rios, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da USP e do Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas da UNIFESP. “Estima-se que de 15 a 25% das pessoas que tentam suicídio cometem nova tentativa no ano seguinte, e 10% conseguem consumar o ato em algum momento no período de 10 anos, compreendido entre a tentativa anterior e o suicídio consumado. Ao longo da vida, de cada 100 pessoas, 17 chegam a pensar em suicídio”, relata Dr. Adiel.

Entretanto, o psiquiatra explica que o ato suicida nem sempre envolve planejamento, ou seja, em muitos casos, a pessoa pode cometer suicídio por impulso, sem ter demonstrado previamente a intenção. “O grupo de maior risco é o das pessoas que já tentaram o suicídio. Apenas uma em cada três delas chega ao pronto-socorro, recebe o primeiro atendimento, mas nem sempre é encaminhada para serviços de saúde mental, onde pode receber cuidados adequados. Sem isso, a maioria pode voltar a tentar o suicídio”.

Depressão: principal causa de suicídio

Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) apontou um aumento de 90,5% nos casos de depressão entre os brasileiros, desde o início da pandemia. A doença, tida como uma das mais incapacitantes do mundo pela OMS, é a principal causa de suicídio, seguida pelo transtorno bipolar e abuso de substâncias.

“A depressão pode ser resultado de alterações nos neurotransmissores do cérebro (como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar) ou de fatores como genética, problemas pessoais graves, traumas, abuso de substâncias lícitas e ilícitas, entre outros, gerando um quadro debilitante e difícil de lidar sem ajuda”, explica a Dra. Danielle H. Admoni, psiquiatra na Escola Paulista de Medicina UNIFESP e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Segundo Flávia Teixeira, psicóloga, mestre em Saúde Coletiva pela UFRJ, professora de pós-graduação em Psicologia Hospitalar na UFRJ e pós-graduada em Psicossomática Contemporânea; erros e preconceitos vêm sendo historicamente repetidos, contribuindo para a formação de um estigma em torno da doença mental e do comportamento suicida.

“Em pleno século XXI, numa era em que temos acesso facilitado a todo tipo de informação, o preconceito com as doenças mentais e com as terapias ainda persiste. O estigma resulta de um processo em que as pessoas passam a se sentir envergonhadas, excluídas e discriminadas. Isso acaba intimidando e impedindo pessoas portadoras de transtornos mentais a buscarem tratamentos adequados”, diz Flávia Teixeira.

Mitos sobre o comportamento suicida

Para auxiliar o entendimento e desmitificar o tabu em torno do assunto, a ABP listou os principais mitos acerca do comportamento suicida:

O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio

Falso. Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade, interferindo em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio.

Quando uma pessoa pensa em se suicidar, terá risco de suicídio para o resto da vida

Falso. O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.

As pessoas que ameaçam se matar só querem apenas chamar a atenção

Falso. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. “De alguma forma, boa parte dos suicidas expressou seu desejo de se matar, seja para médicos, familiares ou amigos. Daí a importância de estar atento às alterações no comportamento do indivíduo em questão”, pontua Danielle Admoni.

Se uma pessoa que pensava em se suicidar, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, significa que o problema já passou

Falso. Se alguém cogitou o suicídio, mas depois aparenta estar tranquilo, não significa que tenha desistido da ideia. “Uma pessoa que decidiu tirar a própria vida pode se sentir aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se suicidar, passando aos outros a impressão de que já está tudo bem”, diz Adiel Rios.

Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo

Falso. Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, após uma tentativa felizmente fracassada. A semana que se segue à alta do hospital é um período em que a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a pessoa suicida, muitas vezes, continua em alto risco.

Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco

Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário. Falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.

Sinais que merecem atenção

De acordo com Stella Azulay, Educadora Parental pela Positive Discipline Association e especialista em Análise de Perfil e Neurociência Comportamental; alguns sintomas e comportamentos podem sinalizar que uma pessoa precisa de ajuda. “Tristeza profunda e contínua, apatia, desânimo, perda do interesse pelas atividades que gostava de fazer, pensamentos negativos, alterações do sono, falta de libido e falta de apetite são sinais de alerta. O indivíduo pode ter dificuldade de perceber ou até de reconhecer que há algo de errado, especialmente no momento atual, em que muitos sintomas gerados pela pandemia podem se confundir com os de uma doença real”, pondera Stella Azulay.

Segundo Flávia Teixeira, perceber as mudanças no próprio comportamento é um processo fundamental. “Vencer os preconceitos e buscar ajuda especializada são as melhores formas de tratar os transtornos mentais e recuperar o bem-estar e a qualidade de vida”, finaliza a psicóloga. 

DEVEMOS TER CONTROLE E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA VIDA

 

             Provocando o desequilíbrio emocional do ser humano

Dra. Andréa Ladislau

Psicanalista

Não podemos negar que nossa vida está cada vez mais acelerada e que o avanço tecnológico provoca a necessidade intensa de conexão e de atualização de fatos em tempo real. Mas já parou para pensar se você está sofrendo por alimentar uma mania de controle?

Por que desejamos controlar tudo? Na verdade, existe uma linha muito tênue em promover ou não uma justificativa para essa mania de controle. A grande questão é que a necessidade em ter o controle das situações nas mãos é um sentimento intrínseco de nossa espécie. Tudo o que é externo e nos foge ao controle, gera insegurança e medo e nos faz sentir vulneráveis.

Essa sensação pode desencadear uma falsa ilusão de segurança, além de colaborar para que acreditemos que nossas ações e pensamentos são sempre superiores ao do outro, quando na verdade, nossa necessidade por controle só expõe as nossas próprias inseguranças e a falta de confiança que, inconscientemente, depositamos no outro e em nós.

Não podemos dizer que essa mania é justificável, pois tudo o que causa dor e sofrimento perde sua capacidade de aceitação. Estudos comprovam que, a busca pelo controle pode refletir uma neurose por felicidade constante. Uma vez que, o ser humano tem a ilusão de que, quando o outro e todas as coisas estão dominadas ou sob o seu controle, não haverá possibilidades de riscos de resultados negativos.

O grande problema é que não existem garantias de que a todo momento poderemos ter o controle total sobre o universo a nossa volta. Só podemos controlar nossas ações, não controlamos o tempo e nem os sentimentos e atitudes do outro. E é por isso que, por vezes, nos frustramos e experimentamos o sentimento de angústia.

As pessoas que quererem ter o controle de todas as situações vivem um dilema interno, pois estão sempre frustradas por não terem suas expectativas atendidas. Podem, psiquicamente, apresentar distúrbios de alteração de humor, irritabilidade excessiva, estresse elevado e, até desenvolvem transtornos depressivos.

Apresentam grande dificuldade para lidar com críticas e podem ser totalmente inflexíveis, por estarem sempre tentando interferir no livre-arbítrio do próximo. São indivíduos capazes de oprimir a identidade do outro, em função de sua característica dominadora, além de tentarem a todo custo centralizar tudo. Ou seja, por todo o exposto, quem possui este perfil e a mania de querer controlar tudo, acaba sofrendo muito porque está sempre em estado de tensão. Sempre desesperado para saber se tudo sairá conforme suas expectativas. E quando isso não acontece é invadido pelo amargo gosto da frustração e da decepção.

As palavras de ordem aqui são: equilíbrio e controle emocional. O autoconhecimento te faz entender que, na realidade é impossível controlar tudo. Se faz necessário um melhor gerenciamento de seus sentimentos, pensamentos, emoções e ações. Desta maneira fica mais claro perceber o que está fora do seu alcance e assim, não correr o risco de empregar energia em algo que não irá trazer resultado. Saber separar, através de atitudes conscientes, o que eu posso controlar e o que não faz parte do meu autocontrole.

O desapego a esta necessidade de controle é o que irá propiciar uma vida mais equilibrada, mais leve e sem pressões internas e, principalmente, sem o elemento culpa. Culpa porque quando o indivíduo percebe que algo deu errado e que perde o controle da situação, ele se enche de frustração e de culpa. Começa a povoar a mente com cobranças excessivas que aumentam ainda mais seu estresse e a sua ansiedade.

Existem muitas situações, as quais tentamos controlar em vão, pois, tudo o que é externo a nós é incontrolável e imprevisível. Não controlamos, por exemplo, as palavras do outro, os sentimentos alheios, as decisões, ações e esforços das pessoas a nossa volta (sejam elas íntimas ou não). Nem o tempo é controlado por nós. No fundo, o que precisamos desapegar e abandonar, é o orgulho e o delírio que alimentamos de acreditar que tudo vai ser como queremos, como planejamos em nosso inconsciente.

Aprender a não sofrer pela falta de controle, tolerando a sensação de incerteza que é intrínseca ao ser humano, sem dúvida, é um de nossos maiores desafios. Faz parte do curso natural da vida não conseguir conduzir ou controlar tudo. Não somos seres onipresentes, onipotentes ou oniscientes. É necessário que tenhamos e possamos aceitar nossa infinita necessidade de autoconhecimento e aperfeiçoamento pessoal que nos garanta ordenação da vida, de forma a crescermos com as oportunidades e adversidades apresentadas, à partir de um enfrentamento consciente. No entanto, o gerenciamento das emoções pode contribuir de maneira positiva na tarefa contínua de domínio dessa sensação de insegurança causada pela percepção de que não podemos controlar tudo.

Algumas ações individuais garantem o equilíbrio de sua saúde mental e um maior controle emocional em busca de uma vida saudável, como por exemplo: Tentar não abraçar tudo para si; evitar centralizar tudo a ponto de se sufocar e aumentar sua ansiedade; aprender a delegar; não ser imprudente a ponto de se colocar acima dos desafios; ter humildade para reconhecer que não se sabe e não se pode tudo; não sucumbir à histeria e neurose coletiva de que é necessário ser perfeito e não se pode errar nunca; aceitar suas deficiências e fortalecer suas qualidades; aprender a exprimir novos significados para seus próprios resultados; permitir-se ousar e experimentar a sensação do descontrole ( por mais desconfortável que possa parecer).

Sem medo de errar, se esses pontos forem observados e trabalhos, o indivíduo poderá aprender muito e se conhecer muito mais, entrando até em um processo adaptativo que promova gatilhos para que consiga se sentir mais feliz e menos vulnerável ás adversidades.

Portanto, ao abrir mão do controle, relaxar e administrar apenas o que está ao seu alcance de ser administrado e controlado, o ser humano consegue ter mais domínio sobre si mesmo. Isso porque, instala-se um equilíbrio emocional, reflexo da ausência de tensão interna que, naturalmente, torna-o mais leve e menos pressionado. Fato é que, o primeiro passo deve ser dado: parar de pressionar a si mesmo.

Em seguida, eliminar crenças enraizadas que valorizam os seus “tem que”, e os “devo”. Além de parar de se cobrar e de querer controlar com sua mente, tudo o que acontece ao redor. Perceba que sua responsabilidade é cuidar de si mesmo. Se sua cabeça anda mal, certamente, ficará difícil administrar sua casa, seus filhos ou seus negócios. Melhore seus pensamentos e emoções e se deixe um pouco mais à vontade, sem a rigidez que você mesmo se impõe. Permita-se. Seu corpo vai agradecer, sua saúde mental e sua vida podem se equilibrar e o resultado, acredite, será um maior controle emocional, sem culpas e sem cobranças.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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