domingo, 5 de setembro de 2021

SUPRESSÃO DAS LIBERDADES

 

Por
Thiago Rafael Vieira
e

Por
Jean Marques Regina – Gazeta do Povo

Comprovante de vacinação contra a Covid-19 no município do Rio de Janeiro com a vacina da Pfizer.

Prefeito no interior do Rio quis obrigar igrejas a apenas permitir a entrada de fiéis vacinados contra a Covid.| Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Diz a lenda que, certa vez, Adolf Hitler resolveu dar uma aula prática a seus subordinados mais diretos a respeito de como manter o povo cativo a eles. Talvez você já conheça a história. Ele pegou firmemente o animal com uma das mãos e começou a depená-lo – vivo – com a outra. No desespero da dor, a galinha tenta escapar das mãos do Führer, que não permite. Vagarosa e dolorosamente, ele lhe arranca todas as penas. E depois, avisa aos “alunos”: “vejam o que vai acontecer”.

Ao soltar o galináceo no chão, afasta-se a certa distância. Pega, então, um punhado de grãos de trigo, e passa a caminhar pela sala e atirar os grãos ao chão. Para assombro dos liderados, a pobre, depenada e machucada galinha começa a seguir Hitler pela sala, tentando agarrar grãos para bicar. Por onde ele fosse, ali estava a galinha o seguindo.

Ele para e diz, em alto e bom tom: “é assim que se governa cidadãos estúpidos. Viram como a galinha me seguiu para onde eu fosse, apesar de todo o sofrimento que lhe causei? Eu lhe tirei tudo, as penas e até sua dignidade, mas ela segue me buscando só pelos farelos que lhe atiro”. E arremata a lição dizendo que “a maioria das pessoas tende a seguir seus governantes, apesar de toda a dor que lhes causam, pelo simples gesto de um benefício barato, ou até mesmo por migalhas que lhes deem a esperança de comer por um ou dois dias. Deem algumas migalhas todos os dias e o povo seguirá vocês até o inferno”.

As violações ao Estado laico, à liberdade religiosa e até mesmo à liberdade de crença, aquela liberdade mais íntima do ser humano, estão crescendo exponencialmente no Brasil

Hitler (assim como Stalin, Saddam Hussein, Muammar Gaddafi, Idi Amin e outros) mostra que o povo está normalmente anestesiado em suas próprias lutas e tende a não buscar a tão necessária contenção do poder absoluto, dominação sempre residente em corações totalitários. O meu e o seu. Não é sem razão que Lord Acton, político inglês do início do século 20, ficou famoso pela frase “o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

Pois há poucos dias, o prefeito de Sapucaia (RJ), na maior das “boas vontades,” resolveu editar um decreto impondo que o tal passaporte sanitário fosse de apresentação obrigatória para fiéis que quisessem entrar em templos religiosos para promover seus atos de culto e adoração. Alguns podem até pensar que essa decisão está em linha com a tal “defesa da vida” que, nesta politização da pandemia, virou a bengala retórica de muitos gestores públicos. Mas a discussão aqui é mais profunda.

Há muito se fala que o Estado laico no Brasil está consolidado. Autoridades públicas não interferem em assuntos (e jurisdição) religiosa, e vice-versa. Porém, como vimos e temos noticiado amplamente por aqui, o ditado “na prática, a teoria é outra” se aplica bem. Temos visto cenas de absoluto desrespeito por agentes políticos nas três esferas federativas (na esfera nacional, infelizmente, por parte do guardião-mor da ordem constitucional). Mesmo com as igrejas sendo absolutas colaboradoras do poder público na gestão da crise, com várias delas fechando suas portas e adaptando o atendimento de seus fiéis para canais digitais, na primeira oportunidade de “arrancar penas” muitos mandatários não hesitaram. Por isso, estamos – enquanto podemos – gritando para alertar.


A religião é um perigo para a democracia?
A busca é sempre pelo “melhor para o povo”. Os grandes tiranos da história recente também diziam saber o que era bom para os seus. Começaram a depenar as liberdades individuais; para controlar as coletivas foi um pulo. O documentário da Netflix Como se tornar um tirano traz exemplos esdrúxulos de governos totalitários que estão fazendo “o bem”: o aiatolá Khomeini revogou a lei de divórcio do Irã e reduziu a idade do casamento para 7 anos; os nazistas criaram políticas antitabagistas só porque o chefe não gostava de cigarros; ou, ainda, o ditador do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov, proibiu shows com playback em 2006 e vetou cachorros na capital por causa de seu odor desagradável.

Tudo isto mostra que, quando a autoridade não mais é guardiã e executora da lei, mas se acha a fonte da lei, temos um sério problema no contexto do Estado Democrático de Direito que dizemos ter. No caso fluminense, a pressão foi forte o suficiente para que o prefeito recuasse em sua busca de fazer um decreto (norma jurídica de quarta grandeza) esmagar direitos fundamentais milenares e desequilibrar ainda mais a balança do relacionamento amistoso entre Igreja (poder religioso) e Estado (poder político).

As violações ao Estado laico, à liberdade religiosa e até mesmo à liberdade de crença, aquela liberdade mais íntima do ser humano, estão crescendo exponencialmente no Brasil. Além da recente questão do passaporte da vacina, em que o prefeito voltou atrás, a mais recente (da qual tivemos conhecimento nesta sexta-feira) é a do registrador de São José dos Campos (SP) que simplesmente passou por cima de um dogma de 2 mil anos das igrejas cristãs – o de que o matrimônio é um sacramento que só pode ser realizado entre um homem e uma mulher, biologicamente falando – e negou o registro de um Estatuto Social, alegando que a proibição do dito “casamento gay” é discriminatória e que os fiéis e a referida igreja têm de rever suas crenças e alterar o referido dogma milenar caso tenham a intenção de ser Igreja em São José dos Campos. Este será o assunto do próximo texto de nossa coluna.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cronicas-de-um-estado-laico/enquanto-nao-depenam-todas-as-nossas-liberdades/
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SETE DE SETEMBRO E OS ACONTECIMENTOS POLÍTICOS

 


  1. Política
     

Golpe exige força – e o único que tem força, o Exército, não vai se meter nisso

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

É possível que as manifestações de rua deste Sete de Setembro, que têm sido a obsessão do mundo político brasileiro nas últimas semanas, acabem sendo uma coisa rala, muito abaixo do que esperam os admiradores do presidente Jair Bolsonaro – e abaixo, ao mesmo tempo, do que causa tanto pavor junto aos seus inimigos. Podem, ao contrário, reunir gente que não acaba mais e receberem a classificação de movimento de massa de primeira grandeza. Tanto num como no outro caso, não muda o verdadeiro problema que envenena a política brasileira no momento: o que fazer com o presidente da República, hoje e principalmente no futuro? É um nó de marinheiro – e daqueles difíceis de desmanchar.

J. R. Guzzo: ‘Aconteça o que acontecer na rua no dia 7 de setembro, não vai haver golpe militar nenhum’.  Foto: Gabriela Biló/Estadão

As manifestações pró-Bolsonaro têm sido vistas pelo Supremo Tribunal Federal, pelas elites pensantes, pela mídia, pela oposição em peso, pelas classes intelectuais e até mesmo pelos banqueiros – imaginem aonde chegamos – como uma ameaça direta à democracia. O presidente, por este modo de ver as coisas, está querendo usar a rua (se conseguir mesmo encher a rua de gente) para desmoralizar as “instituições”, romper com as leis e dar um golpe de Estado. Mesmo que não seja quebrada nem uma vidraça, como vem sendo a regra nesse tipo de protesto público, os manifestantes vão com certeza falar o diabo – e isso, hoje em dia, é considerado infração gravíssima. (Grave a ponto de o STF, como medida de resistência aos golpistas, ter decretado ponto facultativo no dia 6 – uma bela “ponte” que vai render quatro dias seguidos de feriadão, do sábado à quarta-feira, dia 8.

Vastas emoções, portanto – mas com pensamentos imperfeitos. Aconteça o que acontecer na rua no dia 7 de setembro, não vai haver golpe militar nenhum. O motivo disso é muito simples. Golpe militar tem de ser dado por militar, e o militar brasileiro não quer dar golpe – não quer, não pode, não tem planos para isso, não tem liderança, não tem recursos, não obedece a carro de som nem à barulheira em rede social. Golpe exige força – e o único que tem força, o Exército Brasileiro, não vai se meter nisso. Em compensação, os inimigos do presidente continuam com o mesmíssimo problema que têm agora: o risco de que ele permaneça no governo até o fim do mandato, coisa que acham intolerável – ou, muito pior ainda, que fique por quatro anos além disso, se for reeleito. Aí já seria o fim do mundo.

Teoricamente não deveria haver problema nenhum com nada disso. Se Bolsonaro é mesmo o pior presidente que o Brasil já teve em toda a sua história, e se ainda por cima é genocida, ladrão de vacina e culpado por todas as desgraças que o País tem hoje, ele vai ser derrotado por qualquer outro candidato nas eleições de 2022, não é mesmo? Que risco pode haver se o presidente é realmente o monstro que aparece todos os dias no noticiário? Os institutos que pesquisam “intenção de voto”, aliás, dizem que o grande nome da oposição, o ex-presidente Lula, já está com mais de 50% dos votos no papo; mais um pouco, na toada em que está indo, chega aos 100%. Como um desgraçado da vida como Bolsonaro poderia ganhar dele, ou de outro qualquer?

Acontece que não é assim, claro – ou ninguém acredita mesmo que esteja sendo assim. Na vida real da política o Datafolha é uma coisa e a eleição é outra; eleição, na prática, é voto na urna, e não no jornal ou nas notícias do horário nobre. O panorama visto de hoje, pelo estado de excitação nervosa extrema que foi montado em torno do presidente da República, dá a entender que existe a possibilidade real de Bolsonaro ganhar a eleição. E aí? Há cada vez mais gente, no Brasil que manda, dizendo que “não dá para esperar”. Como fica, então?

sábado, 4 de setembro de 2021

PESSOAS TÓXICAS SÃO PESSOAS MUITO FERIDAS

 

QUEM FAZ

POR LUCIANAKOTAKA

É interessante nos olharmos com mais critério e avaliarmos se estamos nos comportando de forma tóxica

Conviver com pessoas tóxicas é uma tarefa desafiadora pois não conseguimos prever as suas reações, e quando menos esperamos algo acontece. Um comentário, um grito e a agressividade são demonstrados e atravessam a nossa alma. No começo nem sempre se mostram, principalmente em ambientes em que estão desprotegidos, mas aos poucos vão cometendo deslizes e revelando ao mundo as dores que carregam dentro de si mesmas.

Conseguimos enxergar o mundo interno da pessoa tóxica em situações em que os gatilhos são ativados e ela não se contem, coloca para fora toda a raiva que sente, mágoas, traumas e frustrações que estavam controlando e direcionando em outra pessoa, no primeiro alvo fácil que cruzar a sua frente.

Normalmente são pessoas controladoras, não sabem relaxar, aquietar o coração, ouvir o que vem de dentro. Usam da comida, da bebida, do sexo, do cigarro, do trabalhar demais como mecanismos de defesa com intuito de amortecer todas as dores que estão contidas em seu sistema, precisam explodir para relaxarem. Algo aí precisa ser trabalhado e curado, é preciso tomar consciência do comportamento tóxico e então buscar ajuda profissional.

Infelizmente essa é uma realidade que raramente se concretiza, quem é tóxico foge da terapia, não tem tempo para essas frescuras como eles mesmo dizem, se acham bem resolvidos. Esse é o maior desafio, porque não tem como dialogar sem causar mais fricções, até a nossa tentativa de ajuda pode ser motivo de mais brigas e perdas de controle.

Por trás de todo comportamento agressivo há uma pessoa que foi muito ferida, que sentiu na pele as dores da agressão, os seus machucados estão à flor da pele, qualquer movimento não calculado, um esbarrão, o irá fazê-lo pular de dor. Pode ter sido uma infância difícil, adolescência, vida adulta, mas com certeza há um sistema cheio de muita dor e medo. Foram desrespeitadas em sua essência, podadas, controladas, usadas e manipuladas.

Muitas podem ser as situações que deixaram cicatrizes profundas e não podemos jamais julgá-las de acordo com os nossos crivos, pois cada um sabe o quanto foi machucado, qual o impacto que essas experiências deixaram em suas vidas. Essas pessoas vão desenvolvendo ferramentas internas para saírem do conflito, usam máscaras para enfrentarem a dor diariamente, e uma dessas máscaras é a agressividade querendo dizer para você não chegar muito perto.

Cada situação deve ser olhada com muito cuidado, é muito fácil para quem está de fora achar que sabe como resolver a situação, mas para a pessoa tóxica não é, pois se vê engolida pelos traumas, há uma forma negativa de enxergar a vida. A esperança, a alegria, os sonhos foram minados em algum momento, então é preciso que ela busque ajuda, ela faça esse movimento de cura. Às vezes o orgulho fala mais alto e a pessoa morre em sua dor, vai somente sobrevivendo dia após dia, mas é uma escolha.

Para quem está de fora olhando e sendo exposto a essas situações não é fácil manter o equilíbrio, também vamos nos intoxicando, nos sentimos acuados e agredidos. Pessoas que têm baixa autoestima são altamente impactadas e acabam sendo os principais alvos, assumem erros que não são seus, desistem de seus sonhos pois são frequentemente minados em suas ações, começam a morrer em vida por não terem força de cortarem essas relações tão destrutivas.

Todas as pessoas envolvidas com a pessoa tóxica podem precisar de ajuda, é saudável que procurem profissionais especializados em comportamento humano para ressignificarem as suas feridas, e assim se fortalecerem para seguirem em frente aprendendo a darem limites e serem respeitadas.

COMO USAR FERRAMENTAS DAS REDES SOCIAIS PARA IMPULSIONAR VENDAS

  1. PME  Especialista do Facebook dá dicas

Leo Bonoli, head de Marketing para Pequenas Empresas do Facebook na América Latina, responde dúvidas sobre como usar ferramentas de Facebook e Instagram para aumentar vendas

Juliana Pio, O Estado de S.Paulo

Importantes aliadas dos empreendedores e profissionais autônomos, as redes sociais são ferramentas acessíveis para conquistar clientes e ampliar a visibilidade no mercado online. Independentemente do orçamento disponível, empresas menores podem fazer frente aos grandes concorrentes no Facebook e no Instagram. É o que garante Leo Bonoli, head de Marketing para Pequenas Empresas do Facebook na América Latina.

“Muitas vezes, achamos que marcas maiores acabam tendo, por cada real investido, uma entrega melhor de conteúdo do que uma pequena empresa e é exatamente o contrário. Essa é a grande vantagem e a beleza das redes sociais”, destaca o especialista, convidado de bate-papo no último dia 2, no grupo Estadão Carreira e Empreendedorismo (@gruposuacarreira), no Telegram

Segundo Bonoli, para alcançar novos consumidores é preciso uma boa comunicação e conhecimento profundo do público-alvo. “Evidentemente que companhias maiores têm orçamentos robustos. Mas para cada real investido no Facebook e no Instagram, seja pela pequena ou pela grande empresa, vocês estão competindo em pé de igualdade pelo mesmo público. O que vai fazer a diferença é a autenticidade, a criatividade e a verdade por trás do anúncio.”

Em conversa com leitores do Estadão, o especialista em PME do Facebook Inc. respondeu 14 perguntas sobre como aproveitar ao máximo as ferramentas disponíveis nas redes sociais para impulsionar os negócios e deu dicas de treinamentos gratuitos da companhia. 

leo bonoli head marketing facebook
Leo Bonoli, head de Marketing para Pequenas Empresas do Facebook na América Latina.  Foto: Divulgação

“É importante se manter informado sobre as atualizações e as melhores práticas que o Facebook, o Instagram, o Messenger e o WhatsApp têm para oferecer, para ajudar no desenvolvimento e no crescimento da sua empresa”, salienta Bonoli. Confira a seguir como foi o papo, com as perguntas enviadas pelos leitores.

Fernando Ribeiro: com as mudanças recentes do Instagram e do Facebook, devo produzir somente conteúdos em vídeo e deixar as imagens com texto de lado? 

A gente tem observado mudanças na forma como as pessoas criam e desenvolvem conteúdos e o vídeo acabou se tornando o formato preferido para divertir, contar história e se conectar com o seu público. 

Recentemente, uma fala do CEO do Instagram, Adam Mosseri, acabou sendo tirada de contexto e gerou bastante repercussão. Acho que é um pouco disso que o Fernando está falando, sobre deixar imagens de lado e o Instagram acabar se tornando uma plataforma exclusivamente de vídeo. 

Muitas das experiências que queremos criar no Instagram tem o vídeo como parte das histórias e do que a gente quer ver dentro da plataforma. Em nenhum momento, Adam disse que o Instagram vai deixar de ter fotos, pelo contrário. Ele disse que a rede não é só um aplicativo de compartilhamento de fotos quadradas, como era em 2010. Até porque as tecnologias já avançaram muito desde então, seja para captação de vídeos e até para edição no celular. 

O que as pessoas fazem hoje no Instagram com os diferentes formatos e superfícies disponíveis, como stories, IGTV e reels, vai muito além do compartilhamento de fotos e por isso é importante ter em mente uma estratégia que englobe não só imagens como também essas novas ferramentas. 

Adauto Lemos: qual a dica para errar menos, ter menos bloqueios e maior efetividade no trabalho das empresas nas redes sociais?

É importante se manter informado sobre as novas ferramentas e as melhores práticas que o Facebook, o Instagram, o Messenger e o WhatsApp têm para oferecer, para ajudar no desenvolvimento e no crescimento do seu negócio. Ao longo da conversa, vou deixar links de treinamentos gratuitos e oficiais do Facebook, que todos podem fazer para garantir que estejam atualizados com as melhores práticas. 

Com relação ao ponto de evitar bloqueios, o mais importante é estar sempre atento aos padrões da comunidade. Neste link você encontra os padrões da comunidade do Facebook, que é a melhor fonte para qualquer usuário ou empresa consultar e saber o que pode e o que não é permitido dentro das plataformas. 

Roberta Rosenburg: você recomenda que uma pequena empresa contrate um profissional para ajudar com as mídias digitais? 

Pequenas empresas estão em diferentes momentos e estágios de maturidade, mas se você tem um orçamento que caiba a contratação de um profissional, ou agência, para auxiliar no desenvolvimento da sua presença online e nas redes sociais, sem dúvida, recomendamos esse tipo de profissionalização. 

O Facebook tem uma rede de parceiros, chamada Facebook Business Partner, que pode ajudar. Eles são treinados e capacitados pelo Facebook para auxiliar no gerenciamento de campanhas, desenvolvimento de plataformas criativas, mensuração, dados de conversão etc. Nesse link você pode encontrar o melhor parceiro para o momento da sua empresa. 

Bárbara Carvalho: como conseguir fazer o direcionamento certo de público no Facebook Ads? Acho difícil fazer a filtragem e alcançar o público do meu negócio, no caso, moda. Você tem alguma dica?

O mais importante para conseguir fazer um direcionamento certo por meio do Facebook Ads é conhecer muito bem o seu público. No seu caso, por exemplo, um negócio de moda, é importante saber quais são os gostos e os interesses que o seu público tem para conseguir fazer com que a sua propaganda, a sua campanha, chegue às pessoas certas. 

Quais são os gostos? Que tipo de recorte socioeconômico e demográfico essas pessoas têm? São roupas femininas? Então, você consegue segmentar para mulheres. São para uma determinada faixa etária? Você também consegue segmentar isso. São de uma determinada localização? Tem como fazer a geolocalização para que só pessoas daquela região recebam o seu anúncio. 

Esse episódio da última temporada do Impulsione com o Facebook, nosso programa de treinamento para pequenas empresas, fala exatamente de como criar anuncios personalizados para atingir o seu público. 

Juliana Pio: quais recursos do Facebook ainda são pouco explorados pelos usuários e que são importantes para as empresas?

Em termos de ferramentas, não posso deixar de falar do Mobile Studio. É um recurso gratuito com várias dicas sobre como começar a vender e acessar aplicativos que vão ajudar a produzir posts, stories e vídeos da forma mais criativa possível. 

O Mobile Studio é o lugar certo para aprender a criar bons anúncios direto do telefone. Você vai encontrar alguns tutoriais fáceis de seguir, um modelo de planejamento para download e algumas dicas de aplicativos que podem ajudar a criar campanhas mais criativas e produções mais elaboradas sem precisar gastar nada.  

Uma outra ferramenta super importante são as lojas do Facebook. Há muitos anos as pessoas têm usado os nossos aplicativos para vender e comprar, antes postando a foto de uma bicicleta com uma legenda à venda ou oferecendo sua mesinha de café no marketplace, e, mais recentemente, comprando de suas marcas e influenciadores favoritos no Instagram. 

O recurso de lojas do Facebook facilita os negócios a montarem uma loja online para que os clientes acessem diretamente via Facebook ou Instagram, sem precisar sair do aplicativo. Criar uma loja no Facebook Shops é simples e gratuito. As empresas podem escolher quais são os produtos do mostruário que desejam colocar no catálogo, customizar a aparência da loja, com uma foto de capa, e definir as cores que mais tem a ver com a sua marca.

Na prática, isso significa que qualquer vendedor, não importa o tamanho do seu orçamento, quanto fature ou venda, pode digitalizar o seu negócio e se conectar com clientes onde e da maneira que for mais conveniente.

Por último, outro recurso gratuito que indico é o Impulsione com o Facebook. É um programa de desenvolvimento de micro e pequenas empresas nas ferramentas de divulgação e vendas no Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp. 

O objetivo do Impulsione com o Facebook é reunir a comunidade empreendedora para oferecer oportunidades de conexão entre os pequenos negócios e dar acesso a conteúdo com um potencial de impacto direto nos negócios da sua empresa. 

Além disso, dentro da página do Facebook para Empresas também tem o grupo do Impulsione com Facebook, que já conta com cerca de 50 mil pequenos negócios do Brasil, onde todos trocam experiências e aprendizados e a gente sempre posta conteúdos novos.

Tania Guertas: depois do conteúdo pronto, como aparecer e chegar ao meu público-alvo, principalmente, via Instagram?

Um vez que seu conteúdo está pronto e desenvolvido, para entregar e aparecer para o seu público-alvo, especialmente o que não curte a sua página e que não está na sua base de seguidores, falando especificamente do Instagram, o meu conselho é que você tenha uma conta no gerenciador de anúncios e comece a fazer campanhas personalizadas para atingir e impactar essas pessoas. 

Os links que mencionei anteriormente, especialmente o que fala de anúncios personalizados, ensinam o passo a passo. No gerenciador de anúncios, você consegue, inclusive, segmentar em qual plataforma, por exemplo Facebook ou Instagram, esses anúncios vão ser disponibilizados. Recomendo que você tenha uma conta no Ads Manager, gerenciador de anúncios, e comece a fazer alguns anúncios personalizados para chegar ao seu público. 

Gabriela Tavares: como entregar nosso conteúdo sendo empresa pequena e concorrendo com grandes marcas? Por exemplo, se filtramos por uma hashtag de alta costura, vou competir com empresas como Chanel. Como consigo ter entrega pagando menos e usando os mesmos filtros?

Muito boa essa pergunta. Muitas vezes a gente acha que grandes marcas e empresas, por contarem com um orçamento maior, acabam tendo, por cada real investido, uma entrega muito melhor do que uma pequena empresa e é exatamente o contrário. A grande vantagem e beleza das redes sociais, principalmente o Facebook e o Instagram, é que o R$ 1 da Chanel vai alcançar a mesma quantidade de pessoas que o R$ 1 da sua marca. 

Na verdade, você tem um potencial de atingir mais pessoas se o seu anúncio for mais criativo, se conhecer melhor o seu público e se conseguir se comunicar com verdade e autenticidade. Evidentemente que grandes empresas têm orçamentos maiores. Mas para cada real investido, seja pela pequena ou grande empresa, vocês estão competindo em pé de igualdade pelo mesmo público. O que vai fazer a diferença é a autenticidade, a criatividade e a verdade por trás do seu anúncio. 

E como que se consegue fazer isso? Conhecendo muito bem o seu público. Não é atoa que 200 milhões de empresas no mundo inteiro usam essas ferramentas gratuitas do Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp para alcançar novos clientes, vender e crescer. 

Também é importante reforçar o quanto o Facebook tem sido um grande apoiador de pequenos negócios e de negócios locais que, num contexto de pandemia, passaram a ser ainda mais valorizados e necessários para o desenvolvimento das economias. A forma que você tem para competir com grandes marcas é investir nesse apelo do negócio local, do seu público alvo que você já conhece, segmentando para ele, principalmente, via grupos, onde a valorização dos pequenos negócios é muito forte.

Sidnei Zanotti: além dos links já compartilhados, poderia indicar treinamentos do Facebook?

Você também pode acessar os cursos do Facebook Blueprint. Nesse link tem centenas de módulos de treinamento gratuitos.

Verônica Campello: o Instagram foi o início. Começamos apresentando alguns vídeos curtos. Passamos de 200 para 200 mil seguidores vendendo cursos em plataformas específicas. Quando o Instagram vai oferecer condições próximas ao YouTube para o desenvolvimento de parcerias comerciais?

Diria que a principal ferramenta, entre as que já foram lançadas e várias outras que estão no caminho, é o IGTV, onde você pode publicar vídeos mais longos e conteúdos bem diferentes dos vídeos curtos, como você bem disse, do início do Instagram. 

Além disso, existe uma série de ferramentas para monetização desses conteúdos nesse link que fazem parte do programa para criadores de conteúdo do Facebook. Recomendo que você dê uma olhada. Certamente tem uma solução de parcerias e potencialmente de monetização que vai atender ao seu negócio

Luiza Nicolato: como impulsionar o Instagram quanto ele atinge um platô de crescimento?

O platô de crescimento de uma conta do Instagram só é atingido quando você esgota a sua audiência, quando se tem dentro da base de seguidores todo mundo daquela audiência específica, o que é bem pouco provável. A minha dica é sempre trazer campanhas novas com segmentações diferentes para que você atinja o público que ainda não está na sua base de formas diferentes, com histórias, criativos e mensagens distintas. 

Com a marca sempre renovada e campanhas diferentes, o platô de crescimento não existe e a sua página continua crescendo. Agora, especificamente como fazer isso, o gerenciador de anúncios tem as melhores ferramentas para você fazer campanhas, construir segmentações e atingir esse público para que o seu Instagram continue crescendo. 

Aline Thomaz: quando o Facebook terá assistência por telefone para anunciantes, assim como o Google?

O Facebook continua investindo bastante para ampliar a capacidade no Brasil de atendimento via telefônico, humanizado, para anunciantes de todos os tamanhos. Alguns já contam com esse atendimento e temos planos para que muito em breve 100% da nossa base tenha o mesmo tipo de suporte. Além disso, temos a Central de Ajuda para Empresas, que pode ser acessada aqui.

Carolina Werneck: como podemos ter sucesso sem ficar reféns das atualizações constantes das redes?

A atualização constante é o que faz as redes sociais continuarem se desenvolvendo. O Facebook de hoje é muito diferente do que foi lançado lá atrás e o Instagram também. Essas atualizações são frutos de muita conversa e pesquisas com os usuários da plataforma. De alguma forma, as atualizações refletem melhorias que são desejadas pela própria comunidade. Como continuar tendo sucesso? Diria que se manter atualizado, saber quais são essas mudanças e usá-las a seu favor.

Sam: como fazer o approach B2B pelo Facebook, que é voltado para usuários finais?

Quem trabalha com B2B (business-to-business), de fato, precisa de uma abordagem mais sofisticada porque estamos pressupondo uma interação entre uma empresa e outra. Só que um dos maiores erros que são cometidos nessa comunicação B2B é considerar que o interlocutor é uma empresa. Se um negócio, por exemplo, comercializa artigos hospitalares, deve conversar com compradores de hospitais e clínicas, administradores, médicos e pessoas que participam de grupos de gestão hospitalar. 

Esse é um tema bastante amplo e convido vocês a acessarem esse link com dicas práticas para fugir de conversas robotizadas, para criar vínculos com os clientes e potenciais consumidores, que vão desde usar recursos de áudio até apresentar a equipe da sua empresa nas redes. 

Rafael Justino: com o crescimento do marketing de conteúdo e do inbound marketing, como você vê as plataformas do Facebook fazendo parte da estratégia de geração e nutrição de leads, antes de levá-los para o momento de compra?

As ferramentas do Facebook são essenciais na estratégia de inbound marketing para atrair potenciais leads e nutri-los ao longo de todo o funil de conversão. O Facebook e o Instagram, na minha opinião, são fundamentais tanto no momento da descoberta, para despertar o interesse no topo do funil, quanto nutrindo esses leads, contatos e potenciais consumidores com ferramentas de retargeting e conversas que gerem engajamento. 

Além disso, tem uma porção de soluções proprietárias dentro do próprio Facebook, como, por exemplo, o Leads Ads Forms, que te oferecem oportunidade de captar leads sem gerar muita fricção no usuário e no potencial consumidor ao fazê-lo deixar a plataforma para ir para um outro lugar para disponibilizar os dados da sua empresa. 

Um ponto superimportante é que as ferramentas de mensageria, como Messenger, WhatsApp e Instagram Direct, também tem um valor importante nessa jornada, porque a gente sabe que o consumidor está mais propenso a concluir o seu processo de compra quando ele percebe que tem uma marca ou uma empresa que responde as suas dúvidas. Em todo esse funil de conversão, as ferramentas são super importantes para uma estratégia eficiente e para que a conversão aconteça de uma forma melhor.

 

SEJA MAIS OUSADO PARA FAZER HISTÓRIA NA VIDA

 

Mauro Condé*

“Todas as flores do futuro estão contidas nas sementes de hoje” – provérbio chinês.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Genética.
Eles me levaram para um mosteiro no ano de 1865, na cidade de Brunn (atual República Tcheca), onde fui recebido por Gregor Mendel, a quem fui logo pedindo:

– “Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.”

– “Seja mais ousado para fazer história na vida.”

– “Desenvolva uma visão de lince, uma visão de radar, que te permita enxergar muito além do óbvio, e procure olhar para onde todos estão olhando e ver o que mais ninguém consegue ver.”

Foi praticando esse seu ensinamento que Mendel, filho de pobres lavradores, decidiu driblar a sorte e tentar a vida como um monge num mosteiro agostiniano, a fim de usar a educação religiosa como uma ponte para satisfazer sua enorme curiosidade intelectual.
Religioso e muito apaixonado por ciências, fez estudos meteorológicos, estudou a vida das abelhas e cultivou plantas, tendo produzido novas variedades de maçãs e de peras.

Em 1865, Mendel apresentou um trabalho à Sociedade de História Natural com as conclusões sobre seus experimentos com ervilhas, com o objetivo de desenvolver estudos sobre as características hereditárias dos seres humanos, transmitidas de pais para filhos.
Fazendo um trocadilho, ouso dizer que Mendel passou a ser conhecido como o Pai da Genética por causa de seus trabalhos altamente inovadores para a época.

Ele optou por fazer suas experiências genéticas com ervilhas, e não com seres humanos, por elas serem plantas de fácil cultivo, de ciclo reprodutivo muito curto e rápido e pela capacidade de reprodução de muitas sementes.

A partir do seu trabalho, ele propôs as duas leis de Mendel, utilizando regras simples de matemática e probabilidade e as variações existentes na transmissão de algumas características genéticas.

Gênio, ele criou a base do conhecimento genético e demonstrou como os pais passam adiante unidades herdáveis separadas, atualmente chamadas de genes.

Seja ousado como Mendel, que olhou para uma ervilha como todo mundo via e encontrou nela a base para um conhecimento científico extremamente útil, relevante e inovador que ninguém mais conseguiu ver.

*Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Ética e Transparência
  • Profissional, ambiental e social
  •  – Busca pelo melhor

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

LIDER DOS CAMINHONEIROS NÃO SE ENTREGA À PRISÃO

 

 Ricardo Ferraz – Veja

O caminhoneiro  Marco Antonio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, está em local desconhecido e não irá se entregar,e  pelo menos, até o dia 7 de setembro, quando estão marcadas manifestações de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal. É o que garantiu a VEJA o advogado Levi de Andrade, responsável pela defesa do líder do movimento Brasil Verde Amarelo. “Tentaram silenciar 10 líderes, mas se esqueceram que existem 10 mil líderes que vão ás ruas no feriado da independência. A decretação da prisão vai insuflar ainda mais os manifestantes”, disse Andrade.

Caminhoneiro Zé Trovão© ./Reprodução Caminhoneiro Zé Trovão

Zé Trovão teve a prisão decretada por descumprir ordens cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes. O caminhoneiro estava proibido de se manifestar em redes sociais, mas, mesmo assim, continuou a fazer chamamentos para os atos por meio de vídeos nos grupos de aplicativos de trocas de mensagens e a participar de livesEm reportagem publicada nessa sexta-feira na revista VEJA Zé Trovão afirmou que “nao poderia cumprir uma ordem absurda”. 

Apesar da resistência do cliente, Levi Andrade, que também integra os movimentos bolsonaristas, garantiu que as manifestações serão pacíficas: “Em todas as cidades haverá policiais militares à paisana entre os manifestantes. Eles estão prontos para agir em caso de tumulto e entregar os desordeiros às autoridades. A chance de uma invasão do STF ou do congresso Nacional é zero”, assegurou.

CONFRONTO ENTRE CÂMARA DOS DEPUTADOS E SENADO PREJUDICAM O GOVERNO

 

Choque no Legislativo
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília

Presidente da Câmara, Arthur Lira, presidente Bolsonaro, presidente do Senado, Rodrigo Pacheco| Foto: Marcos Brandão/Senado Federal

Apesar da nomeação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil com o intuito de ampliar a governabilidade do governo Bolsonaro, o Palácio do Planalto tem sofrido uma série de derrotas no Legislativo. Nesta semana, o desalinhamento entre os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fez com que a medida provisória (MP) 1045, que promovia uma minirreforma na legislação trabalhista, fosse derrubada pelos senadores.


O projeto previa uma série de alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), restrições ao acesso à justiça gratuita, extensão da jornada de categorias diferenciadas como trabalhadores de minas terrestres. Além disso, os deputados haviam incluído na MP a criação de programas de incentivo à inserção de jovens no mercado de trabalho: o Programa Primeira Oportunidade e Reinserção no Emprego e o Regime Especial de Trabalho Incentivado, Qualificação e Inclusão Produtiva (Requip).

Pego de surpresa pela derrubada da MP na outra Casa, o presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou que havia um acordo entre ele, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o Palácio do Planalto para que a matéria fosse aprovada pelos senadores. Segundo Lira, o acordo era que o Senado retirasse da MP apenas as mudanças na legislação trabalhista por uma emenda supressiva e que a Câmara confirmaria esse acordo até esta quinta-feira (2), mas os senadores não cumpriram sua parte do acordo.

“Nós cumprimos os nossos acordos. Nós não temos acordo nenhum que não seja respeitado, com a oposição, com o centro ou com base nesta Casa. Nós respeitamos os acordos e cumprimos com as nossas palavras”, disse Arthur Lira, ao manifestar sua insatisfação com a posição do Senado, que arquivou a MP.

Clima de desconfiança entre líderes partidários
Líderes partidários admitem reservadamente que a quebra de acordo gerou um clima de desconfiança entre deputados e senadores. A avaliação de deputados é de que os senadores estão travando a aprovação de matérias por descontentamento com o governo. Já senadores afirmam nos bastidores que o Senado passou a conter o “atropelo” promovido pela Câmara e pelo Palácio do Planalto nos últimos meses.

No caso da MP 1045, os senadores alegaram que os deputados poderiam não cumprir o acordo caso tivessem a palavra final sobre a matéria, já que parte das mudanças que seriam derrubadas haviam sido incluídas pela Câmara no texto. “O que a Câmara descobriu foi um atalho para transformar o sistema legislativo brasileiro num sistema unicameral”, afirmou o senador Cid Gomes (PDT-CE).

Já o senador Esperidião Amin (PP-SC) acusou os deputados de incluírem diversos “jabutis” na matéria. O jargão se refere aos temas que destoam do texto da proposta original. “A Câmara, como regra, não respeita e deixa que os ‘jabutis’ trafeguem. E agora nós estamos, mais uma vez, vivenciando isso. Num único artigo, alteraram mais de 70 dispositivos da CLT”, disse.

Desencontro de pautas entre Câmara e Senado
Desde que assumiu a presidência da Câmara, Arthur Lira tem avançado com uma série de propostas que eram pleiteadas por diversas bancadas, entre elas a reforma eleitoral, mudanças no regimento interno da Casa e a revogação da Lei de Segurança Nacional. Em outra frente, prometeu pautar matérias de interesse do Palácio do Planalto, como a PEC do Voto Impresso e reformas como a do imposto de renda e a administrativa.

Enquanto Lira tem se mantido próximo do Palácio do Planalto, Pacheco mudou seu tom e tem atuado nos bastidores para conter os embates do presidente Bolsonaro com membros do Judiciário, por exemplo. Nesta quinta, o presidente do Senado recebeu governadores para uma audiência onde afirmou que “não se negocia a democracia”.

“É muito importante que estejamos todos unidos, respeitando as divergências, na busca de consensos, na busca de convergências, mas com um aspecto que é para todos nós inegociável: não se negocia a democracia”, disse Pacheco.

O mesmo pedido de encontro foi feito pelos chefes dos Executivos estaduais para o presidente Bolsonaro e para Arthur Lira, mas ainda não houve confirmação por ambos. Com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a expectativa é de que a audiência ocorra após o feriado de Sete de Setembro.

Com atuação de Lira, Fiesp recuou sobre manifesto 
Em outra demonstração de alinhamento com o governo Bolsonaro, Arthur Lira conseguiu reduzir o impacto político de um manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que pedia a pacificação entre os três Poderes. Após a atuação do deputado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, acabou adiando a publicação oficial do texto.

O manifesto teve origem na Federação Nacional dos Bancos (Febraban) e já havia reunido mais de 200 assinaturas de entidades. Com o descontentamento por parte do governo federal, Paulo Skaff afirmou que o adiamento se deu para cumprir um ritual interno de aprovação da iniciativa em assembleias ou conselhos das entidades.

Indicação de Mendonça e impeachment de Alexandre de Moraes
Além da aprovação de matérias, o Palácio do Planalto também tem enfrentado dificuldades para aprovar a indicação feita por Bolsonaro de André Mendonça para o STF. Crítico de Mendonça, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ainda não marcou a sabatina no colegiado, mesmo com indicativos de maioria pela aprovação do nome.

Em outra frente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, rejeitou o pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro. De acordo com entendimento da área jurídica da Casa e do próprio senador, não haveria adequação à chamada Lei do Impeachment e, portanto, faltaria “justa causa” para acolhê-lo.

“Como presidente do Senado, determinei a rejeição da denúncia e o arquivamento do processo de impeachment. Esse é o aspecto jurídico. Mas há também um aspecto importante que é a preservação de algo fundamental que é a separação dos poderes, e a necessidade de que a independência dos poderes seja garantida e que haja a relação mais harmoniosa possível”, disse Pacheco em pronunciamento.

O governo deve ainda sofrer uma nova derrota no Senado nas próximas semanas por conta da MP do novo marco legal das ferrovias. Isso porque há um projeto em andamento desde 2018, do senador licenciado José Serra (PSDB-SP), sobre o mesmo assunto e que deve ser colocado em votação nas próximas semanas.

De acordo com senadores, a Casa Civil chegou a ser avisada sobre o tema, mas mesmo assim editou a medida provisória. O texto do governo prevê a adoção do sistema de autorização, que permite a construção e operação de ferrovias sem a necessidade de leilão. Como forma de retaliação, a Comissão de Assuntos Econômicos pediu ao presidente do Senado, por escrito, que devolva a Bolsonaro o texto que o governo enviou.

Lira nega tensão, mas manda recado sobre quebra de acordo
Após a MP 1045 ser derrubada pelos senadores, descartou qualquer alteração de clima com relação ao Senado. “Não tem tensão”, afirmou. No entanto, sinalizou que a Câmara vai esperar o Senado votar a reforma do imposto de renda antes de aprovar a abertura do programa de refinanciamento de dívidas tributárias (Refis) para as empresas “para poder calibrar a proposta”. O projeto do Refis é de autoria de Pacheco.

Pelas redes sociais e sem citar o Senado, afirmou que “política se faz com cumprimento de acordos”. “A política é feita por gestos, palavras, conversas e, principalmente, respeito aos acordos firmados. Longe de querer impor a minha vontade, cheguei à presidência da Câmara com o compromisso de dar mais voz e importância ao poder mais transparente, representativo e democrático do país”, escreveu.

Na mesma publicação, aproveitou para afirmar o “compromisso” da Câmara com o Brasil. “Quando muitos davam como fadado ao fracasso, deputados e deputadas aprovaram o texto base que muda as regras do Imposto de Renda. Um texto construído com muito debate entre governo e oposição, porque aqui na Câmara o partido majoritário é o do progresso do Brasil”, completou.


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