sexta-feira, 3 de setembro de 2021

MANIFESTO EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

Sociedade
Gazeta do Povo assina manifesto em defesa da liberdade de expressão com entidades e lideranças
Por
Gazeta do Povo

| Foto: Reprodução

Veículos de imprensa, entidades, intelectuais e lideranças de diferentes áreas de atuação publicaram, nesta quinta-feira (2), um manifesto em defesa da liberdade de expressão no Brasil. Em momento de crise entre os três poderes, em que atores políticos e sociais têm se posicionado de forma clara para demonstrar os riscos da relativização desse direito constitucional, o texto convida a sociedade brasileira a refletir sobre possíveis retrocessos no sistema democrático brasileiro. O manifesto é assinado também pela Gazeta do Povo e por Guilherme Cunha Pereira, diretor presidente do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM).

OPINIÃO DA GAZETA DO POVO: O apagão da liberdade de expressão no Brasil

A publicação lembra que, fundamentada por censuras impostas no passado, a Constituição de 1988 “tornou cláusula pétrea a mais ampla liberdade de expressão, de imprensa e de manifestação artística no Brasil”. De acordo com os autores do manifesto, esse direito à liberdade de expressão vem sendo ameaçado por parte de representantes do Estado brasileiro. “Os brasileiros, que tanto sofreram com a censura no passado, novamente convivem com investigações, quebras de sigilos e até bloqueios de meios de financiamento de veículos de comunicação e formadores de opinião sem que existam, na maior parte dos casos, quaisquer indícios concretos de ilegalidade em suas atividades”, diz o texto. O manifesto encerra reforçando a posição de seus signatários em defesa do Estado Democrático de Direito.

*Leia abaixo a íntegra do manifesto:

“Manifesto pela Liberdade de Expressão

O país vive um momento de especial tensão institucional. Parte das causas dessa crise já tem sido denunciada com firmeza e coragem por diferentes atores políticos e sociais. Mas urge alertar para uma dimensão que não tem recebido ainda suficiente atenção.

Convidamos a sociedade brasileira a refletir sobre os riscos de retrocessos em nosso sistema democrático que podem ser causados também pela relativização do direito à Liberdade de Expressão e à Liberdade de Imprensa. A solução para eventuais circunstâncias de desajuste institucional não pode jamais passar pelo enfraquecimento desse pilar fundamental do regime democrático.

Foi com base nos traumas acumulados pela censura imposta durante regimes autoritários que a Constituição de 1988 tornou cláusula pétrea a mais ampla liberdade de expressão, de imprensa e de manifestação artística no Brasil.

A despeito dessas garantias constitucionais e de sua importância para precisamente equacionar qualquer tipo de ameaça à ordem democrática é preocupante constatar a atual tomada de medidas por parte de representantes do Estado brasileiro que nos sinalizam a restrição da livre expressão e trazem a triste lembrança da perseguição institucional a opositores políticos.

Os brasileiros, que tanto sofreram com a censura no passado, novamente convivem com investigações, quebras de sigilos e até bloqueios de meios de financiamento de veículos de comunicação e formadores de opinião sem que existam, na maior parte dos casos, quaisquer indícios concretos de ilegalidade em suas atividades.

Não cabe às autoridades estatais, nem a ninguém, definir o que pode ou não ser dito em uma sociedade livre. É verdade que tal liberdade traz consigo responsabilidades, mas os remédios para o abuso do Direito de Liberdade de Expressão já estão previstos em nossa legislação, como o Direito de Resposta e os regulares processos civis ou criminais nas instâncias adequadas. Nessa linha, também para possíveis casos de ameaça à segurança nacional, existe um devido processo legal que deve ser respeitado.

Tais ações severamente equivocadas podem colocar em risco os Direitos à Liberdade de Expressão, à Liberdade de Imprensa, ao Sigilo de Fonte, à Privacidade e à Intimidade. As medidas também causam danos de reputação a cidadãos e veículos de comunicação e contaminam o livre debate de ideias.

Como cidadãos brasileiros, diante da atual crise institucional, nos colocamos em defesa do Estado de Direito e do Princípio Democrático e alertamos sobre a importância da manutenção permanente de um dos pilares da nossa civilização: o direito à Liberdade de Expressão na sua mais ampla dimensão.

  • Assinam este Manifesto:
    Lideranças:
    Adalberto Piotto
    Alan Ghani
    Alexandre Ostrowiecki
    Carlos Alberto Di Franco
    Catarina Rochamonte
    Christian Lohbauer
    Davi Oliveira
    Eli Vieira
    Fernando Ulrich
    Filipe Valerim
    Gabriel Kanner
    Gabriel Picavêa Torres
    Guilherme Cunha Pereira
    Guilherme Freire
    Hélio Beltrão
    Henrique Viana
    João Batista Olivi
    Leandro Narloch
    Luan Sperandio
    Lucas Berlanza
    Lucas Ferrugem
    Luciano Pires
    Nicholas Vital
    Patrick Santos
    Paulo Uebel
    Raphaël Lima
    Roberto Rachewsky
    Rodrigo Saraiva Marinho
    Rogerio Chequer
    Salim Mattar
    Tallis Gomes

Entidades:
Brasil 200
Boletim da Liberdade
Gazeta do Povo
Instituto de Formação de Líderes – Belo Horizonte
Instituto de Formação de Líderes – Brasília
Instituto de Formação de Líderes – São Paulo
Instituto de Formação de Líderes Jovem – São Paulo
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Instituto Liberal
Instituto Liberdade
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NECESSIDADE CONCILIAÇÃO E PAZ ENTRE OS PODERES

 

Por
Luís Ernesto Lacombe – Gazeta do Povo

| Foto: Gil Ferreira/SCO/STF
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Quem não quer conciliação? No fundo, até os mais beligerantes e enfrentadores querem. Daí a enxergar alguma possibilidade de entendimento vai uma boa distância. E por quê? Os editoriais da velha mídia falam num governo federal que “tenta criar constantemente arruaças, conflitos e instabilidades”, criticam o “comportamento conflituoso e irresponsável do presidente”. A culpa é dele, apenas dele, já que “todos, exceto Bolsonaro, pedem, em uníssono, paz e tranquilidade”. Fingindo defender a conciliação, os jornalecos afirmam que “a simples menção à crise remete diretamente a Jair Bolsonaro”. Querem o golpe, que sempre acusaram o outro lado de planejar.

É preciso ser muito cínico para não enxergar uma oposição destrutiva, que aposta na desestabilização e na desarmonia, que joga contra o país, contra seu povo, com o objetivo de atingir o governo. Juntam-se a velha imprensa, os partidos de esquerda, o Judiciário… E não podiam faltar as centrais sindicais, que querem todo o poder para o Legislativo e o Judiciário, os governadores e prefeitos. Torcem para que esses “estejam à frente de decisões importantes, em nome do Estado de Direito, para conter os arroubos autoritários do presidente e dispor sobre questões urgentes, como geração de empregos, criação de programas sociais e correto enfrentamento da crise sanitária”.

Como pode haver “conciliação” quando se culpa o presidente por tudo, até pelas consequências de medidas que ele não tomou e que não defendeu?

Cinismo na veia! Os louros vão para quem apostou em lockdown, fechou tudo e jamais terá como comprovar cientificamente algum resultado positivo de medidas tão desequilibradas. A economia foi para o brejo, e a culpa é do presidente, que defendia o isolamento vertical, a liberdade médica para adotar ou não o tratamento imediato da Covid. Ele, que defendeu o direito de ir e vir, o direito ao trabalho, que é contra a vacina obrigatória, o “passaporte sanitário”. É ele o autoritário, o tirano. Não importa tudo o que fez para melhorar a liberdade econômica, o ambiente de negócios, não importa se a economia encolheu muito menos do que previam, muito menos do que desejava a oposição. Não importam o Pronampe, o prazo maior para o pagamento de impostos federais, o auxílio emergencial, planejado e lançado rapidamente, o Auxílio Brasil.


Liberdade de pensamento
Quem não quer conciliação? Até uma associação do agronegócio bota a culpa em Bolsonaro. Diz que “o voto de confiança foi dado, e a confiança não foi retribuída”. Que voto de confiança alguém pode achar que foi dado? Numa semana em que o STF arquivou inquérito contra o deputado Aécio Neves por supostos recebimentos de propina, quem pode falar em conciliação? Numa semana em que o Supremo reconheceu erro em denúncia por crime eleitoral contra o senador Eduardo Braga e arquivou o caso, mas manteve as prisões do deputado federal Daniel Silveira e do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson… Onde está o erro? Onde estão os culpados? Acabem com a censura, com a perseguição, com os inquéritos e prisões ilegais. Cada um no seu quadrado. Cumpra-se a Constituição. Só assim haverá chance de conciliação e paz.


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EM NOME DA PANDEMIA AS LIBERDADES SÃO AGREDIDAS

 

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Brasília – DF, 11/07/2016. Presidente em Exercício Michel Temer durante reunião para tratar sobre ação pela educação com o Ministro da Educação, Mendonça Filho; Senador Cristovam Buarque; Assessora Parlamentar do Senador Cristovam, Denise Paiva; Presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi; Presidente dos Correios, Guilherme Campos e o Presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Cafarelli. Foto: Foto: Beto Barata/PR

| Foto: Beto Barata/Arquivo PR

Nunca, desde os vastos movimentos fascista e nazista de um século atrás, as liberdades individuais e coletivas sofreram uma sucessão de agressões tão perversas quanto estão sofrendo agora por causa da Covid-19. As autoridades públicas de todo o tipo, muitas delas não eleitas por ninguém, sequestraram a lei para impor à população as mais diversas formas de restrição ilegal. O sistema jurídico e o poder legislativo, desde o início da epidemia, engoliram com casca e tudo, um após os outros, os surtos de totalitarismo dessas autoridades – na verdade, se aliaram a elas e até lhes deram justificativas legais para a sua conduta. O resultado é o desastre que se estende hoje, e cada vez mais, sobre os direitos mais elementares do cidadão.

Nada mostra isso tão bem, no momento, quanto à ânsia de pequenos prefeitos e pequenos governadores, tomados pelo espírito de “guarda da esquina”, em impor esse “passaporte sanitário” pelo qual parecem ter se apaixonado nas últimas semanas. Sem o mais remoto apoio em qualquer lei em vigor atualmente no Brasil, os novos ditadores do dia a dia estão forçando as pessoas a obedecerem regras escritas em seus gabinetes, sem respaldo legal algum. É determinação básica da Constituição Brasileira que nenhum cidadão é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo a não ser em virtude da lei. Não há lei nenhuma, estabelecendo obediência a passaporte nenhum, em matéria de saúde. Dane-se isso tudo, dizem os que mandam. Vai ser assim e pronto.

Todos os brasileiros são iguais perante a lei; a autoridade pública não pode dar tratamento diferente a quem tenha e a quem não tenha o tal “passaporte sanitário”, um documento inventado por comitês burocráticos em Estados e prefeituras. Houve zero de discussão pública sobre o tema. Zero de ação legislativa. Zero de respeito às liberdades. O “passaporte” pode exigir isso hoje e mais aquilo amanhã – basta o capricho de algum prefeitinho e um visto num pedaço de papel. Em certos lugares do território nacional o cidadão não pode mais fazer isso ou aquilo; em outros lugares pode ou não pode coisas diferentes.

A liberdade, mais uma vez, está sendo jogada no lixo, por gente que se aproveita da Covid para mandar na ordem pública. Contam com a ânsia de obedecer à autoridade, qualquer autoridade, e de cumprir “protocolos”, quaisquer “protocolos”, que se espalhou pela sociedade – por conta, basicamente, do pânico criado deliberadamente por essas mesmíssimas autoridades. Aterrorize as pessoas, pensam as autoridades; depois, use deste terror para mandar nelas. É uma tragédia para a democracia


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INTERNET 5G É MUITO IMPORTANTE PARA O BRASIL

 

Comunicações

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

| Foto:

O 5G é importante para você e certamente é importante para todo mundo neste país. Só que eu andei investigando, porque achei estranho que o ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) tenha votado contra e todos votaram a favor desse edital da Anatel para o 5G. Deu 7×1, ele perdeu. Mas, ele estava muito preocupado. Eu fui ver o voto dele, que mostra que 85% dos municípios brasileiros não serão atingidos, inclusive algumas capitais. Eu já falei disso aqui. Agora eu aprofundei mais, fui procurar o pessoal que está envolvido nisso do mundo real, das comunicações no Brasil.

Parece que a Anatel ficou olhando para fora, porque o edital está feito para grandes operadoras, que vem da Itália, Espanha, México… E os 14 mil provedores que existem aqui no Brasil com 20 milhões de assinantes? Eles têm 2 milhões de quilômetros de fibra óptica. Eles vão ficar assim, como algo que pode prestar serviços de 4G, mas o superpotente 5G não vão ter. Precisam dos 700 MHz, mais o 3.5 GHz e aí funciona porque vai dar mobilidade. Tem que ter um roaming necessário, você sai do Amapá, vai para São Paulo e tem que estar conectado.

Eles atendem hoje a 90% da rede nacional de pesquisa, 80% do agro. Eles estão em todos os pequenos municípios brasileiros e têm condições de fazer isso, mas ficam de fora. Eles não conseguem entrar. E é tudo empreendedor que começou lá atrás, de qualquer jeito, para quebrar galho de quem queria estar conectado. E hoje são 14 mil provedores que estão fora.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, está com pressa. Mas eu acho que a pressa, neste caso, é completamente inimiga da perfeição. Nós vamos demorar mais tempo para ter 5G do que todo mundo. E até uma questão de soberania nacional, ficar com 5G só nas mãos de empresas controladas por empresas estrangeiras… Por que não junta todo mundo? Uns complementam os outros. Uns fazem as grandes capitais e as grandes cidades e os outros vão fazer o interior, as cidades médias. Talvez o presidente Bolsonaro nem saiba disso, porque se souber, vai mandar esperar. Vamos fazer um serviço completo, olhando para o Brasil por dentro.

Manifesto da Fiemg
Temos uma outra questão aí que é importante. Eu achei estranho esse silêncio da OAB, silêncio da mídia, silêncio de muitos personagens da vida nacional, que sempre guerrearam pelas liberdades, liberdade de ir e vir, liberdade de opinião, liberdade de expressão, que estão silentes agora. Mas aí dá um ânimo quando eu vejo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) fazer um manifesto perfeito, sacudindo o país. Por essa necessidade das liberdades. Chamando a atenção para aquilo que o Supremo tem feito, restringindo a liberdade de expressão, restringindo até, de fora do processo legal, a renda de pessoas que trabalham com isso.

Então, parabéns Fiemg! E é bom a gente lembrar, e o manifesto lembra isso, que quem está calado agora, logo mais não vai ter mais boca, também não vai poder falar. E eu não sei se esse silêncio é devido também por pessoas que têm uma ideologia de natureza totalitária. Onde essa ideologia foi aplicada, sempre houve ditadura, nunca houve liberdade. As pessoas dessa ideologia concordam que o Estado é que mande no cidadão. Quando na verdade, o cidadão é que tem que mandar no Estado, o Estado está a serviço do cidadão.

Nossa Constituição diz que todo o poder emana do povo, o povo é o titular do poder. Executivo, Legislativo e Judiciário são poderes a serviço do povo, a serviço desse grande patrão que é o povo. É bom a gente lembrar disso de vez em quando, porque isso é o óbvio.


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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

DITADOR DO BRASIL DE MENTIRINHA

 

Superego no exílio
O que você faria se fosse ditador do Brasil?

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

Happy mid adult friends clinking with beer mugs in pub. Three cheerful guys drinking draft beer, celebrating meeting and smiling. Laughing young men enjoying cold pint of beer during night at bar.

Mal os copos tocaram a mesa, levantou-se a voz de alguém propondo a pergunta que dá título a este texto: o que você faria se fosse ditador do Brasil?| Foto: Bigstock

Na mesa do bar. A conversa animada de repente deu um cavalo de pau e se tornou grave. Sem o compromisso do argumento por escrito, e dispondo de um sem-número de expressões faciais para apontar a ironia e a sem-cerimonice da discussão, falávamos de golpes & contragolpes. Até que um estranho se aproximou e disse: “Melhor os senhores não falarem disso aqui. O STF pode estar ouvindo”.

A mesa irrompeu em gargalhadas etílicas. Mas, coincidência ou não, depois que o estranho se afastou, pairou sobre os convivas o silêncio. Um silêncio temeroso, como se pudesse haver um fundo de verdade no que disse o estranho. E não há? Coube a mim, palhaço sem maquiagem nem cabelos, propor um brinde debochado ao ditardorzinho que habita cada um de nós.

Mal os copos tocaram a mesa, levantou-se a voz de alguém propondo a pergunta que dá título a este texto: o que você faria se fosse ditador do Brasil? É uma pergunta mais difícil do que parece. Porque, para respondê-la, é preciso reconhecer que todos temos essa porçãozinha não lá muito virtuosa que deseja moldar a realidade de acordo com suas (nossas) vontades. Na vida cotidiana, essas vontades são mediadas pelo superego. Que aqui, para efeitos retóricos, está de férias. Ou melhor, no exílio.

O primeiro a responder foi o Carlinhos. Ousado como nunca, ele esperou a atenção da mesa inteira antes de se dirigir a uma das moças presentes e anunciar: “Se eu fosse ditador do Brasil, faria de você primeira-dama. Na hora!”. A moça enrubesceu, como sói na vida, na crônica e nos livrinhos de banca para donzelas. A mesa inteira ficou na expectativa de um desfecho ultrarromântico que, no entanto, não ocorreu. Em parte porque Augusto, sentado ao lado do Carlinhos, resolve dar vazão ao seu lado ditador.

“Se eu fosse ditador do Brasil”, disse ele, fazendo uma pausa longa demais. Tão longa que acho que esqueceu o que pretendia falar. Mas não. “Se eu fosse ditador do Brasil, puniria com prisão perpétua motoqueiros que andam com o cano de escape furado. E com quem anda de carro com música tocando no último”, disse. Antes que ele, encarnando o ditador imaginário, substituísse a pena perpétua pela pena de morte, achei melhor perguntar a outra pessoa o que ela faria se tivesse poderes plenos e ilimitados.

Foi a vez de a Ana se manifestar. Tímida, ela bebericava em silêncio seu oitavo ou nono chope. “Se eu fosse ditadora do Brasil, obrigaria todo mundo a fazer meditação antes de falar de política”, disse ela, com aquela certeza ébria de quem sabe que não se lembrará de nada disso no dia seguinte. A gente riu, porque a Ana é assim mesmo e ainda por cima faz uma Nutella caseira que é coisdiloco.

Como ninguém ali expressasse quaisquer ímpetos assassinos, a conversa prosseguiu animada. Cada qual expondo suas idiossincrasias. André disse que obrigaria os homens a voltarem a usar terno e gravata. Guta disse que proibiria exposições de arte contemporânea. Luciana disse que proibiria os nomes Enzo e Sofia. E o Leonardo, bom, o Leonardo anunciou que estava na hora de voltar para casa. Leonardo é casado com uma mulher muito braba.

Tratativas
Quando chegou a minha vez, me levantei e, em meu primeiro ato como ditador do Brasil, obriguei todos os presentes a brindarem em minha homenagem, dizendo “Nós o adoramos, ditador Paulo”. Uma vez feita a homenagem devida, me sentei, o nariz um tiquinho mais empinado do que o normal, e anunciei os Atos Institucionais que considerava mais urgentes, ainda mais levando em conta a situação atual de tensão entre os poderes, coisa e tal.

O primeiro e mais importante deles: a proibição total do uso indiscriminado de ponto e vírgula; ainda mais por quem não sabe usar; e fica assim usando o ponto e vírgula que bem poderia ser substituído por um ponto ou vírgula. “Mas você odeia tanto assim o ponto e vírgula?”, me perguntou alguém. Foi você, Guta? Ao que respondi que não odeio. “Mas é meu jeitinho”, disse, invocando as sábias palavras de um tirano romeno cujo nome me escapa.

Ao ver todas aquelas pessoas queridas me encarando como se eu tivesse falado uma bobagem, achei de bom tom me impor. “E quer saber?”, perguntei retoricamente para uma plateia que já tinha voltado a atenção para seus copos de chope. “Construiria uma penitenciária de segurança máxima para quem usasse mesóclise”. Fiquei à espera de um protesto da Ana, fã das mesóclises, mas a essa altura ela estava ocupada jogando Jenga com a porção de batatas-fritas.

Por fim, vendo meu poder se esvair, resolvi subir o tom. Bati na mesa (sim, machuquei a mão!), me levantei, gritei “silêncio!” para um bar que me ignorou e, finalmente, dei vazão aos meus instintos realmente tirânicos. “E um paredão!”, disse, na esperança de me fazer novamente ouvido. Ora, todo mundo gosta de um paredão, não é mesmo? “Toda semana eu mandaria para o paredão uma palavra. A primeira delas seria ‘tratativa’. A segunda, ‘performar’”, esclareci, para a decepção de todos.


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CHINA FAZ MUITOS PROJETOS NA ARGENTINA

 

América Latina

Por
Rafael Salvi – Gazeta do Povo

Usina nuclear Atucha II na Argentina. Imagem ilustrativa.| Foto: Mcukilo/Wikimedia Commons

A Argentina quer superar seus problemas de fornecimento de energia elétrica com a construção de mais uma usina nuclear, desta vez contando com apoio chinês.

Essa seria a terceira usina nuclear em Atucha, reiniciando uma parceria que foi discutida entre 2014 e 2017.

Nesse período, a China já mostrava interesse na Argentina para a expansão de energia nuclear no país, que já passava por uma crise econômica. A China queria fornecer capital subsidiado para construção de um projeto de longo prazo e de alto risco.

As negociações foram iniciadas pela ex-presidente Cristina Kirchner e continuadas pelo ex-presidente Mauricio Macri, que até chegou a assinar um plano de ação com o presidente chinês Xi Jinping para cinco anos (2019-2023), mas o projeto nuclear entrou num impasse e não recebeu aprovação formal da Argentina.

Agora o presidente argentino Alberto Fernández que reativar o projeto.

Somando toda a capacidade geração dos reatores atuais, as usinas argentinas são capazes de gerar 1.641 MW, representando 7,5% da energia do país. A nova unidade deve gerar 1.200 MW e utilizará tecnologia chinesa Hualong, quase dobrando sozinha a capacidade de produção.

O país tem até agora 3 usinas nucleares, Atucha I e II e Embalse. A Atucha III será a quarta usina nuclear da Argentina, construída nas proximidades de duas outras estações de mesmo nome e que já estão em operação. Essa será, porém, a primeira a contar com tecnologia de reatores chineses.

José Luis Antúnez, presidente da estatal Nucleoeléctrica Argentina SA, estatal responsável pela energia nuclear do país, afirmou à imprensa argentina em meados de agosto que tem pressa em concluir as negociações e formalizar o contrato para “iniciar a construção no segundo semestre do próximo ano”.

Não se sabe ainda os valores da nova negociação. O contrato anterior previa um custo de US$ 8 bilhões para a construção da Atucha III, com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) financiando 85% do projeto.

O prazo da construção da usina é de 8 anos a partir da assinatura do contrato. E serão cerca de 5 mil trabalhadores que serão empregados na construção da usina.

Esse não é, contudo, o único interesse na produção de energia que a China possui na Argentina.

Produção de gás
O Ministério de Energia assinou em maio desse ano um memorando de entendimento para estudar a viabilidade para construção de um gasoduto que liga Vaca Muerta a Santa Fé (província próxima do Rio Grande do Sul). Além de alimentar a região, o gasoduto permitiria que a Argentina exportasse gás para o Mercosul no longo prazo.

Duas estatais chinesas seriam responsáveis por financiar o projeto a PowerChina e a Shanghai Eletric Power Construction. O memorando assinado pelo secretário de Energia, Darío Martínez, visa iniciar a elaboração do projeto executivo.

O presidente da filial argentina da PowerChina, Tu Shuping, afirmou ao La Nación que o mercado de energia é “de muito risco e pouco lucro, mas não olhamos apenas para o interesse econômico. Como estatal, vemos também a relação estratégica”.

O custo total da obra é estimado em US$ 3 bilhões de dólares que seriam financiados com bancos chineses.

Caso se concretize, esse seria o 12.º projeto da PowerChina na Argentina, que possui cinco parques eólicos e seis solares.

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PEQUENOS E MÉDIOS VAREJISTAS ACHAM QUE SAIRÃO FORTALECIDOS DA CRISE

 

*Aldan Neto, fundador e CEO do Canal BW

O último ano foi cheio de desafios para o varejista, seja ele pequeno, médio ou grande. Foi preciso procurar formas de fidelizar seus clientes e buscar novos com ainda mais intensidade. A diversificação dos canais de vendas, a digitalização das lojas, a melhora no atendimento, políticas de entrega, tudo isso faz parte do guarda-chuva de soluções que o varejo PME precisou buscar desde o início da pandemia. A partir de agora, com a flexibilização do comércio em diversas regiões do país, o desafio não diminui e é preciso estar sempre atento às mudanças.

As lições do varejo se dividem em digitalizar a loja, proporcionar maior variedade de canais de vendas e melhorar a experiência de compra do cliente. Tanto é, que essa forte migração para o digital encareceu os anúncios, gerou algumas instabilidades nas plataformas e um aumento considerável na busca por e-commerce. Um fenômeno incrível foi o surgimento das lives-shop, uma versão atualizada para as redes sociais dos velhos programas de compras na TV como Shoptime e Polishop.

Com a explosão das lives-shop observei muitos lojistas, vendedores e gerentes aprendendo a lidar com as câmeras, superando as barreiras da vergonha, da timidez e do medo. Certa vez, ouvi de uma cliente varejista: “independentemente da vergonha, eu preciso pagar o aluguel. Só isso pra me incentivar a aparecer”.

Realmente é muito desafiador, sair do ponto de falar somente de produto ou de preço e começar a gerar conteúdos relevantes para os clientes. Ainda estamos engatinhando nesse processo, porém ele já evoluiu muito em relação a 2019. O varejo aprendeu demais com a pandemia, com as inseguranças e os fechamentos recorrentes. Uma coisa é vender pouco, outra, totalmente diferente, é não vender porque o poder público não deixa abrir as portas. Vi muitos clientes, que são donos ou representam comércios, refletindo sobre a importância de pensar em soluções, de planejar a longo prazo, olhar pra equipe e se preparar para o que vier. Poder olhar para os pequenos negócios e ver como estão buscando a inovação é maravilhoso.

Devido ao distanciamento social, grande parte das pessoas está sedenta por sair de casa e voltar às lojas e aos passeios. Em shoppings, já é possível notar um aumento significativo do movimento tanto nas lojas quanto nas praças de alimentação. Mas algumas pessoas, que ainda não se sentem seguras para voltar à vida normal, buscaram novas formas de consumir, se acostumaram e se adaptaram muito bem à compra online, no conforto e segurança de sua própria casa.

Com a omnicanalidade cada vez mais evoluída, o cliente pode usar o canal que mais lhe agrada e seja cômodo. Não só pela questão do medo do vírus, mas a disponibilidade, a agenda atribulada, também impede algumas pessoas de irem às lojas ou estabelecimentos comerciais -uma barreira que se torna quase inexistente com a facilidade de compra atual. Três pontos farão grande diferença na retomada do varejo: a experiência de compra (que envolve atendimento, facilidade dos canais de vendas, etc.); o relacionamento (gerar formas de blindar os clientes, tornando-os fãs da marca, gerando recompra e indicando para mais pessoas); ações ON e OFF (movimento gera movimento, as lojas precisam se aproximar mais de seus clientes).

As estratégias de marketing são frequentemente atualizadas, mas demoram a chegar para pequenos e médios varejistas, que estão entendendo cada vez mais a importância de olhar para o cliente como ser humano, com desejos, necessidades, medos, inseguranças, que na hora de decidir comprar algo irá agir emocionalmente na maioria das vezes. Por isso, é importante criar comunidades de clientes para que eles gerem maior propagação da sua marca, que combinem presença nas suas ações e gerem o famoso efeito manada, atraindo ainda mais gente para o seu negócio.

Posso dizer que em mais de 15 anos no varejo, nunca vi tantas lojas unidas na busca por resultados, doando brindes umas para as outras para atraírem mais audiência para sua lives, se juntando de forma colaborativa. Tudo isso levou ao crescimento do mindset do comerciante, que se atualizou e se digitalizou. No momento, todos se preparam para uma retomada, planejando ações online e offline a fim de reaquecer as vendas, afinal, estamos a caminho do Natal.

Felizmente, muitos empregos foram salvos pela determinação dos varejistas de mudar o cenário, de investirem, abrirem mão de grande parte do seu lucro para poder continuar funcionando e sobrevivendo. A união fez a força nesse momento crucial e, se o setor entendeu o recado, ela só tende a aumentar. As colaborações podem agregar para todas as marcas e fortalecer as lojas. Sem dúvida, o maior concorrente nesse período foi o medo e nós aprendemos a superá-lo.

Vale a pena ler qualquer semelhança será mera coincidência !!!

Autor desconhecido

Um ladrão entrou no banco gritando para todos:

” Ninguém se mexe, porque o dinheiro não é seu, mas suas vidas pertencem a vocês.”

Todos no banco ficaram em silêncio e lentamente se deitaram no chão.

Isso se chama CONCEITOS PARA MUDAR MENTALIDADES

Mude a maneira convencional de pensar sobre o mundo.

Com isso, uma mulher ao longe gritou: ” MEU AMOR, NÃO SEJA RUIM PARA NÓS, PARA NÃO ASSUSTAR O BEBÊ “, mas o ladrão gritou com ela:

“Por favor, comporte-se, isso é um roubo, não um romance!”

Isso se chama PROFISSIONALISMO

Concentre-se no que você é especializado em fazer.

Enquanto os ladrões escapavam, o ladrão mais jovem (com estudos profissionais de contabilidade) disse ao ladrão mais velho (que tinha acabado de terminar o ensino fundamental):

“Ei cara, vamos contar quanto temos.”

O velho ladrão, obviamente zangado, respondeu:

“Não seja estúpido, é muito dinheiro para contar, vamos esperar a notícia para nos contar quanto o banco perdeu.”

Isso se chama EXPERIÊNCIA

Em muitos casos, a experiência é mais importante do que apenas o papel de uma instituição acadêmica.

Depois que os ladrões foram embora, o supervisor do banco disse ao gerente que a polícia deveria ser chamada imediatamente.

O gerente respondeu:

“Pare, pare, vamos primeiro INCLUIR os 5 milhões que perdemos do desfalque do mês passado e relatar como se os ladrões os tivessem levado também”

O supervisor disse:

“Certo”

Isso se chama GESTÃO ESTRATÉGICA

Aproveite uma situação desfavorável.

No dia seguinte, no noticiário da televisão, foi noticiado que 100 milhões foram roubados do banco, os ladrões só contaram 20 milhões.

Os ladrões, muito zangados, refletiram:

“Arriscamos nossas vidas por míseros 20 milhões, enquanto o gerente do banco roubou 80 milhões em um piscar de olhos.”

Aparentemente, é melhor estudar e conhecer o sistema do que ser um ladrão comum.

Isto é CONHECIMENTO e é tão valioso quanto ouro.

O gerente do banco, feliz e sorridente, ficou satisfeito, pois seus prejuízos foram cobertos pela seguradora no seguro contra roubo.

Isso se chama APROVEITANDO OPORTUNIDADES ..

ISSO É O QUE MUITOS POLÍTICOS FAZEM ESPECIALMENTE NESTA *PANDEMIA, ELES A USAM PARA ROUBAR E RESPONSABILIZAR O VÍRUS.

A startup digital ValeOn daqui do Vale do Aço, tem todas essas qualidades, não me refiro aos ladrões e sim no nosso modo de agir:

Estamos lutando com as empresas para MUDAREM DE MENTALIDADE referente à forma de fazer publicidade à moda antiga, rádio, tv, jornais, etc., quando hoje em dia, todos estão ligados online através dos seus celulares e consultando as mídias sociais a todo momento.

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup ValeOn adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

Temos CONHECIMENTO do que estamos fazendo e viemos com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e estamos desenvolvendo soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Dessa forma estamos APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES que o mercado nos oferece onde o seu negócio estará disponível através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo chamada Plataforma Comercial ValeOn 24 horas por dia e 7 dias da semana.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (WP)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

PIB E AS PRIORIDADES DO GOVERNO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Falta de semicondutores para indústria automotiva foi um dos fatores que influenciaram desempenho fraco do PIB.| Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro

A retração de 0,1% na economia brasileira no segundo trimestre deste ano, na comparação com os primeiros três meses de 2021, veio como uma surpresa desagradável, na contramão das expectativas do governo e do mercado financeiro, que em média previam um ligeiro crescimento. O Ministério da Economia preferiu investir em comparativos mais favoráveis – 12,4% de alta em relação ao segundo trimestre de 2020, ou 6,4% de alta no consolidado do primeiro semestre deste ano contra o mesmo período do ano passado – para alegar que o Brasil ainda está melhor que outros países emergentes e da OCDE. No entanto, não há como ignorar que o -0,1% deste segundo trimestre coloca o Brasil na lanterna das nações que já divulgaram seus números. Estamos diante de um sinal de alerta que ninguém pode ignorar e que impõe uma pergunta sobre como os principais atores políticos e econômicos da nação estão calibrando suas prioridades.

Por mais que fatores extraordinários como problemas na safra de café e falta de insumos para a indústria tenham influenciado o número deste segundo trimestre, há gargalos de crescimento com efeitos mais duradouros sobre a economia. Um deles é a persistência da pandemia de Covid-19, apesar de o relaxamento de restrições ter contribuído para uma melhoria no setor de serviços. As médias diárias e semanais de mortes e novos casos estão em queda, mas menos de um terço dos brasileiros – 29%, segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford – estão completamente imunizados, tendo recebido duas doses da vacina (ou a dose única da Janssen), e cada vez mais estudos comprovam que apenas o ciclo completo de vacinação está oferecendo proteção eficaz contra a nova variante delta do Sars-CoV-2.

Chega a ser surreal que o combate ao trio formado por estagnação, desemprego e inflação não esteja dia e noite na mente dos ocupantes dos três poderes, mais preocupados com outros assuntos

O segundo gargalo é a crise energética derivada da crise hídrica. A energia já está mais cara, e uma nova bandeira tarifária foi criada, com sobretaxa quase 50% maior que a da bandeira vermelha 2, a mais cara até então e que já estava em vigor. A hipótese de um racionamento de energia foi rejeitada pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, mas admitida pelo vice-presidente Hamilton Mourão. O apagão seria um golpe fatal sobre as perspectivas de crescimento acima de 5% em 2021, e as estimativas de agentes do mercado financeiro ouvidos semanalmente pelo Banco Central, embora ainda permaneçam acima deste patamar, tiveram a terceira revisão consecutiva para baixo.

Crescimento ameaçado, um contingente de desempregados que insiste em ficar acima dos 14 milhões de brasileiros e uma inflação já muito acima da meta para 2021 são um quadro extremamente preocupante. E, por isso, chega a ser surreal que o combate a esse trio – estagnação, desemprego e inflação – não esteja na mente dos ocupantes dos três poderes dia e noite. Executivo e Judiciário seguem tensionando a corda, com o Supremo Tribunal Federal abraçando com gosto a autoatribuída função de censor – ou “editor da sociedade”, nas infelizes palavras de Dias Toffoli – e o presidente Jair Bolsonaro insistindo em temas como o voto impresso e apostando em insinuações que mantêm a militância em ebulição. O Legislativo parece, ultimamente, mais interessado em funcionar como apêndice censor do STF, por meio da CPI da Covid, e em aprovar apressadamente mudanças eleitorais casuístas em benefício próprio, enquanto reformas essenciais patinam em tentativas utópicas de costurar textos que não desagradem a ninguém – só depois de muitas idas e vindas a segunda fatia da reforma tributária passou pela Câmara, enquanto a primeira está parada. Sem falar na incapacidade de governo e Congresso de promover um ajuste fiscal digno do nome, preferindo encontrar meios de aumentar o gasto público.


Já afirmamos, em outras ocasiões, que o poder público pode e deve se ocupar de vários assuntos simultaneamente; não é este o problema, mas o grau de prioridade dado a cada tema. Conter os efeitos da crise hídrica e energética, facilitar a geração de emprego e renda, colocar em ordem as contas públicas, vencer a pandemia são tarefas urgentes; se Executivo, Legislativo e Judiciário continuarem a olhar em outras direções, em breve estarão se digladiando pelos escombros de um país destruído não pelo coronavírus ou por outros fatores externos, mas pela própria incapacidade de quem tem o dever de trabalhar pela nação.


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