quarta-feira, 1 de setembro de 2021

APÓS 07 DE SETEMBRO CAMINHONEIROS PODERÃO ENTRAR EM GREVE

 

Dia da Independência
Qual é a chance da manifestação de caminhoneiros do 7 de setembro resultar em greve

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Paralisação em rodovia em 2018: greve dos caminhoneiros volta a ser discutida com a convocação de manifestação em 7 de setembro| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Alguns caminhoneiros planejam bloquear trechos de rodovias no dia 7 de setembro como parte das manifestações convocadas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Mas isso não significa que será deflagrada uma greve, afirmam líderes da categoria. Segundo eles, os caminhoneiros que falam em paralisação a partir de 7 de setembro não têm influência decisiva sobre a categoria. Essas lideranças, contudo, não descartam uma greve nacional mais tarde, ainda em 2021, mas por outras razões e que nada tem a ver com o ambiente político.

Para caminhoneiros que vão participar dos atos de rua do Dia da Independência, não é hora de misturar manifestação política com reivindicações econômicas. Segundo eles, a principal pauta das manifestações do próximo dia 7 é a defesa da liberdade de expressão, o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o voto impresso auditável.

Mas há muito tempo a categoria reclama de vários pontos que afetam o seu dia a dia: principalmente o baixo valor do frete e o preço alto dos combustíveis. Esses fatores econômicos têm sido os principais ingredientes para uma possível greve — e que também podem estimular bloqueios de rodovias na semana que vem.

Quem são os líderes de caminhoneiros que estarão nas manifestações
A grande maioria dos líderes da categoria — muitos dos quais com “assento” em reuniões no Ministério da Infraestrutura — não irão participar das paralisações nas rodovias neste 7 de setembro. Alguns também não comparecerão aos atos por entender que se trata de uma pauta política associada a Bolsonaro.

Mas uma grande parte dos líderes estará nas manifestações de rua. Em Brasília, por exemplo, estarão lideranças como Aldacir Cadore, de Luziânia (GO); Janderson Maçaneiro, o “Patrola”, de Itajaí (SC); e Odilon Fonseca, de Confresa (MT).

Os líderes que participarão das manifestações em Brasília explicam que vão exercer seu direito de cidadania. E, embora sejam sensíveis e apoiem a pauta dos caminhoneiros que pretendem bloquear trechos nas rodovias, são contrários à ideia de uma paralisação neste momento.

“Enquanto cidadãos, nós apoiamos o movimento [de 7 de setembro], mas não apoiamos a paralisação de caminhoneiros, até por entender que não há necessidade [de greve] para reivindicar essa pauta [o impeachment dos ministros do STF, o voto impresso e a liberdade de expressão]”, afirma Patrola, líder da categoria nas regiões portuárias de Itajaí e Navegantes (SC), onde atuam 3 mil autônomos.

“Quem fala em paralisação de caminhoneiro para destituir os ministros do STF não tem noção do que fala. É algo muito perigoso, porque pode deflagrar uma outra coisa”, diz Patrola. “Esse movimento [de greve] tem que ser muito bem pensado. Sabemos que o STF não vai aceitar. Vai multar, prender, retaliar, dar multa por vandalismo, tirar o registro dos caminhões e transformar em sucata, porque não tem segurança jurídica que o sindicato daria”, alerta o líder catarinense.

Patrola afirma que, para uma greve ocorrer com a devida segurança jurídica, seriam necessárias assembleias, retificar atas dessas reuniões, enviá-las ao Ministério do Trabalho explicando os problemas da categoria. Caso contrário, caminhoneiros podem ser multados, como ocorreu na greve de 2018.

Outra liderança dos caminhoneiros, Odilon Fonseca diz ser favorável às pautas que serão defendidas por caminhoneiros que querem uma paralisação e que pretendem bloquear trechos de rodovias. Mas ele pede mais diálogo antes de discutir uma greve nacional.

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Quais regiões do país podem ter bloqueios de rodovias
Neste momento, as regiões do país com maior possibilidade de bloqueios nas rodovias durante o 7 de setembro são: a Grande Curitiba, o Oeste catarinense, Goiás, o entorno de capitais do Nordeste e o interior da Bahia, especialmente nos arredores do município de Luís Eduardo Magalhães.

O líder caminhoneiro Patrola avalia, contudo, que a tendência é que as estradas bloqueadas sejam desobstruídas ao longo do 7 de setembro, por serem atos previstos por caminhoneiros sem poder de liderança na categoria e a segurança jurídica.

“Acredito que sim [as rodovias serão liberadas ainda durante o feriado em caso de obstrução], até porque a PRF [Polícia Rodoviária Federal] vai intervir. Acredito que vai ter uma resolução muito rápida dos piquetes por causa disso. O pessoal acha que a polícia vai abraçar o caminhoneiro, mas não vai”, diz Patrola.

Segundo ele, quem patrocina a paralisação dos caminhoneiros em 7 de setembro é o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Antonio Galvan. “O Galvan fala, em um monte de vídeo, que vai financiar o movimento. Ficou fácil para o agronegócio falar em greve de caminhoneiro. Não tem mais um grão de soja nos silos para carregar”, diz o caminhoneiro catarinense, referindo-se ao fim da safra de soja.

Qual é a pauta política dos caminhoneiros
Lideranças dos caminhoneiros têm demonstrado irritação com decisões de ministros do STF — sobretudo Alexandre de Moraes — deflagradas em grande maioria dentro dos inquéritos das fake news e dos chamados “atos antidemocráticos”.

“A pauta do 7 de setembro é a defesa da liberdade de expressão, a troca dos 11 ministros [do STF] e o voto auditável”, diz Odilon Fonseca. Ele defende que ministros não sejam indicados pelo presidente da República, fiquem apenas oito anos no cargo e sejam todos juízes de carreira concursados. E ele avalia que isso tem de ocorrer de forma democrática, por meio de um processo de impeachment feito pelo Senado, como manda a Constituição, não por uma intervenção militar.

“Ninguém é contra o Supremo. Só é contra o que os ministros estão fazendo com a Constituição. Por que ela não é cumprida como se deve? Por que mudam o entendimento da Constituição para beneficiar bandido?”, critica Odilon.

A adesão para as manifestações de 7 de setembro ganhou força após a operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o cantor Sérgio Reis; o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ); o presidente da Aprosoja, Antonio Galvan; o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão, e outras seis pessoas. Sérgio Reis convocou caminhoneiros para os atos.

Mesmo sem conhecer o cantor e outros envolvidos, Odilon diz que a operação da PF foi recebida como um “combustível” para as manifestações. “É um crime contra a liberdade de expressão. O Alexandre de Moraes incendiou a categoria, colocou lenha na fogueira. Eu estarei em Brasília, mas outros estarão se manifestando em suas cidades, regiões.”

O caminhoneiro Aldacir Cadore diz que estará em Brasília não como líder, mas como cidadão para manifestar apoio à liberdade de expressão, que, para ele, está em risco. “O que aconteceu com eles [Sérgio Reis e Zé Trovão] só veio a confirmar isso. A minha bandeira é essa”, destaca.

Qual é a pauta, quem deve ir e o que esperar das manifestações de rua do 7 de setembro
Qual é a agenda econômica dos caminhoneiros
Os problemas econômicos dos caminhoneiros são fatores que, desde a greve de 2018, levam a categoria a cogitar a deflagração de uma nova paralisação nacional. Um desses principais problemas é o preço do óleo diesel, que tem sofrido sucessivos reajustes. Há ainda a questão do valor do frete, considerado baixo.

Além de um combustível mais barato e um frete mais alto, os transportadores autônomos também reivindicam pautas regulatórias, como o marco legal da categoria, projeto que aguarda relatoria do senador Luiz do Carmo (MDB-GO).

Também há uma agenda logística, como a contratação direta entre embarcador e o caminhoneiro. Havia, aliás, a previsão de o Senado analisar nesta terça-feira (31) a Medida Provisória (MP) 1.051, que cria e regulamenta o Documento Eletrônico de Transporte (DT-e). Esse documento unifica cerca de 20 documentos exigidos para operações de transporte de carga. O texto, contudo, não entrou na Ordem do Dia.

Segundo parte dos caminhoneiros, o problema da MP são os dispositivos que foram incluídos no texto por parlamentares, modificando a redação original. A MP 1.051 propõe anistia até 31 de maio às transportadoras e embarcadoras que não tenham cumprido com o piso mínimo de frete, previsto na Lei 13.703/18. Outra crítica é a permissão de o caminhoneiro autônomo contratar uma associação ou sindicato para administrar seus direitos relativos ao frete. O sindicato ou a associação contratado passaria a ser responsável pelas obrigações fiscais e pelo recolhimento de tributos.

Para caminhoneiros, isso dá autonomia para os embarcadores administrarem o frete e o recolhimento dos autônomos contratados diretamente. Algumas lideranças da categoria têm chamado esse dispositivo de “uberização” do caminhoneiro, por entender que precarizaria a atividade.

A MP 1.051 recebeu emendas para que esse ponto seja retirado do texto. Mas, segundo informações de lideranças de caminhoneiros, haveria tendência de esse trecho ser mantido pelo relator, senador Wellington Fagundes (PL-MT).

Um dos líderes da categoria, Aldacir Cadore avalia que a aprovação do DT-e com o trecho da “uberização” do caminhoneiro seria um estímulo para mais caminhoneiros paralisarem em 7 de setembro e discutirem uma greve nacional. “Se for aprovado e sancionado do jeito que está, teremos uma adesão ainda maior”, diz ele.

Categoria está dividida, mas líderes querem discutir greve em 18 de setembro
A unidade da categoria para deflagrar uma greve de caminhoneiros está longe de ocorrer. Na agenda política, nem todos os caminhoneiros são favoráveis às manifestações de 7 de setembro tampouco aos bloqueios de rodovias.

É o caso do presidente do presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o “Chorão”, líder da greve em 2018. “Não me envolvo em pauta política. E esse movimento é totalmente político. Por que o agro quer usar os caminhoneiros como massa de manobra? Como vamos apoiar um chamamento da Aprosoja, organizada pelo Galvan, junto com alguns caminhoneiros celetistas?”, critica.

Quanto à pauta econômica, a categoria se divide entre aqueles que cobram o cumprimento do piso mínimo de frete e a revisão da política de preços da Petrobras, e outros que defendem uma agenda liberal com a contratação direta entre caminhoneiro e os embarcadores.

Patrola é um dos que discorda das críticas de “uberização” à MP 1.501. “Estamos deixando de ficar na mão das transportadoras, da subcontratação, e indo negociar diretamente com o embarcador. Onde é que está a prisão nisso? Ou somos prisioneiros e não podemos fazer a gestão do nosso próprio negócio?”, questiona.

O trecho sobre anistia às transportadoras que descumpriram o piso mínimo também é defendido por Patrola. “De nada vale eu ter a contratação direta se eu tiver um processo contra o embarcador, porque o embarcador não vai me contratar”, exemplifica.

Para se chegar ao mais próximo de um consenso, a categoria costura uma reunião para 18 de setembro, em Brasília, com a maioria dos líderes.

Chorão é quem tem capitaneado a articulação. Ele buscou lideranças como Marcelo Paz, que atua no Porto de Santos (SP); Marconi França, do Recife (PE); e Patrola, de Itajaí (SC). “Primeiro, vamos nos reunir com líderes dos estados e, juntos, vamos caminhar com mãos dadas e unidos”, explica Chorão.

É dessa reunião que Patrola acredita na possibilidade de que uma greve nacional possa ser deliberada e agendada até dezembro. “Se nós construirmos uma pauta e uma proposta para apresentar ao governo, existem, sim, chances de termos uma paralisação ao fim do ano”, afirma. “O Onyx [Lorenzoni, ministro do Trabalho] está com a pulga atrás da orelha. A mobilização está acontecendo dentro da liderança nacional, eles [governo] sabem disso.”


O que o governo pensa sobre uma greve de caminhoneiros
A possibilidade de uma greve não é recente. Somente em 2021, o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) — entidade que não é reconhecida pela maioria dos líderes — convocou paralisação em duas situações diferentes, que acabaram não tendo adesão. A última, para 25 de julho, fracassou por “desorganização”, diz Chorão.

Entretanto, a perspectiva de os caminhoneiros atuarem com unidade — a depender dos resultados da reunião de 18 de setembro — virou uma preocupação para o governo federal.

Os líderes mantêm conversas com as equipes de Lorenzoni e dos ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e da Economia, Paulo Guedes. A equipe de Tarcísio é a que demonstra maior preocupação e reconhece que os riscos de uma greve são, hoje, reais.

Mas a Infraestrutura tem feito alertas aos caminhoneiros sobre a possibilidade de greve. Patrola diz o que ouviu de um integrante da pasta sobre o temor de uma paralisação. “Seria como você querer derrubar um pardal pousado em uma árvore com um tiro de bazuca”, diz o líder caminhoneiro.

Uma greve dos transportadores autônomos não desgastaria apenas o Bolsonaro na avaliação feita pelo governo a Patrola, mas também os próprios caminhoneiros. “Como estamos hoje, vai ser difícil iniciar a paralisação, mas vai ser muito pior para trabalhar de novo depois dela, com o diesel disparando, o caminhoneiro descontente, e o que acontece no meio dela? E as nossas pautas, como a aposentadoria aos 25 anos?”, questiona o líder caminhoneiro.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), entidade representativa que assinou um acordo de cooperação técnica (ACT) com o Ministério da Infraestrutura, mantém um diálogo permanente com o governo por meio desse grupo de trabalho e tem atuado para atingir todas as pautas negociadas. A entidade também trabalha para rejeitar os pontos polêmicos sobre a MP 1.051 no Senado, a anistia a embarcadoras e a “uberização” do caminhoneiro.


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PROGRAMA DE COMBATE À DESINFORMAÇÃO DO STF

Resolução

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Ministros do STF antes da abertura de sessão plenária.| Foto: Nelson Jr./STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, publicou a resolução número 172 que cria um “Programa de Combate à Desinformação” na Corte. Eu quase não acreditei quando me contaram. Tive que ver com meus próprios olhos e a gente leva um susto, porque fica aparecendo algo saído do livro 1984, de George Orwell, que falava de um “Ministério da Verdade”.

Segundo o STF, a justificativa é para evitar “desinformações e narrativas odiosas à imagem e à credibilidade da instituição, de seus membros e do poder Judiciário”. O objetivo é contestar, responder e fortalecer a imagem da Corte.

Mas para fortalecer a imagem do STF bastaria, por exemplo, considerar esse Programa de Combate à Desinformação como substituto do famigerado inquérito das fake news. Ou “inquérito do fim do mundo”, como diz o ex-ministro Marco Aurélio.

Esse é um inquérito que está sempre pesando sobre o bom nome do Supremo. Porque ele é totalmente ilegal: não teve permissão do Ministério Público, não tem o devido processo legal, não tem nada disso. E é uma questão interna do Supremo, como é uma questão interna esse Programa de Combate à Desinformação. Então era só substituir um pelo outro.

Ao mesmo tempo, para melhorar a própria imagem, era só seguir o que diz o artigo 37 da Constituição: todo serviço público tem que estar aberto ao público. Abrir bem a apuração dos votos, por exemplo, e evitar qualquer semelhança com “caixa-preta” na eleição. Com esse programa, o Supremo, na verdade, está pautando a palavra liberdade.

Jefferson segue preso
O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que Roberto Jefferson permaneça na prisão, apesar do histórico de saúde delicado do ex-deputado — ele tem várias doenças crônicas. Jefferson mandou uma carta dizendo que não fica em casa com “coleira de tornozelo”.

Eu fico me perguntando: quem é o responsável pela saúde de um preso? O jornalista Oswaldo Eustáquio saiu da prisão em uma cadeira de rodas. Quem é responsável por isso?

De todo modo, o Supremo, com isso, reforça a pauta do dia 7 de setembro: “liberdade, Constituição e democracia”. Essa é uma pauta bem importante.

Processo contra Aécio é arquivado
A Segunda Turma do Supremo arquivou processo contra o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) por supostas repasses ilegais de R$ 15 milhões da Odebrecht para a campanha a presidente dele, em 2014. Foram dois votos pelo arquivamento e dois contra — no caso de empate, o réu se beneficia e, por isso, ele se livrou da acusação.

A verdade é que a turma do STF está desfalcada — tem uma vaga sobrando. O ministro Marco Aurélio se aposentou e o Senado ainda não pautou a sabatina de André Mendonça, indicado para ocupar a vaga em aberto.

Ricardo Lewandowski votou para que fosse encaminhado o caso para a Justiça Eleitoral como tinha proposto o Ministério Público Federal. Já Edson Fachin continuou dizendo que se trata de corrupção e lavagem de dinheiro. Mas Gilmar Mendes demonstrou que em quatro anos não se conseguiu trazer nenhuma nova prova, além da delação premiada, e Kassio Nunes Marques o acompanhou.

Atualização sobre causas das mortes no Brasil
Os números do registro civil com as causas das mortes no Brasil tem algumas informações interessantes. Em 2019, quando não tinha Covid-19, houve 611 mil mortes por doenças cardiorrespiratórias. Em 2020, esse número caiu para 594 mil. Deveria aumentar, mas caiu. E morreram por Covid-19 nesse mesmo anos 199 mil pessoas. Bem menos do que doenças cardiorrespiratórias.

Só de doenças cardíacas foram 291 mil mortes, quase 100 mil a mais do que com Covid. E outras doenças respiratórias, como insuficiência respiratória e pneumonia, foram 302 mil. Bem mais que a Covid-19. Interessante que pneumonia, em 2019, levou 228 mil brasileiros e em 2020 matou praticamente 50 mil a menos: 184 mil.

São números que são interessantes para esclarecer a gente. Os números de 2021, como o ano não terminou, ainda não dá para examiná-los como um todo. Mas só para a gente pensar a respeito disso.

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MONOPÓLIO DA FALA

 

O monopólio da fala
Você não poderá falar nada, mas será felizInternet, liberdade e poder

Por
Daniel Lopez – Gazeta do Povo

Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial| Foto: Reuters

O mundo está vivendo hoje um enorme processo de desmoralização. E não me refiro à queda da “moral e dos bons costumes”, mas a um processo de operação psicológica muito conhecido no meio bélico. Atuando sobre “o moral”, o artifício tem como objetivo enfraquecer o ânimo, a disposição e o estado de espírito das pessoas, por meio de uma série de recursos que atuam diretamente nas mentes e corações. No livro “Propaganda Technique in the World War” (“Técnica de propaganda na Guerra Mundial”), Harold Lasswell, sociólogo, cientista político e teórico da comunicação americano, identifica três vias de implementação da tática. Primeiro, a propaganda busca desviar o foco da indignação coletiva, direcionando a insatisfação popular para elementos distintos, enfraquecendo a unidade. Em segundo lugar, é semeada a dúvida, ou seja, a incerteza sobre convicções e objetivos. No terceiro momento é construído um novo “inimigo”, um bicho-papão que precisa ser neutralizado. Isso pode acontecer num cenário de guerra tradicional, assim como no contexto de guerra híbrida, ou seja, não convencional.

A Segunda Guerra Mundial oferece exemplos categóricos sobre o uso da desmoralização no cenário de guerra convencional. Os alemães, por exemplo, criaram panfletos com o intuito de afetar o engajamento das forças americanas. Um dos materiais trazia a foto de um combatente americano lutando no front europeu, enquanto seu superior vivia tranquilo nos Estados Unidos. O texto ao lado das imagens lembrava ao soldado que ele arriscava seu pescoço por apenas US$ 15 por semana, enquanto seu comandante lucrava 45 dólares para ficar tranquilo em casa. No verso, o material argumentava que o militar não recebia nos finais de semana ou qualquer adicional de hora extra, enquanto seu superior ganhava vinte dólares nos dias úteis, seis quando trabalhava aos sábados, nove aos domingos e mais 10 dólares a cada hora extra trabalhada. O material terminava com a frase: “Quem será que deseja que essa guerra dure? Você ou ele?”. O objetivo consistia em desviar o foco de quem era o real inimigo, gerando frustração e dúvida, levando o americano a questionar se realmente aquilo tudo estava valendo a pena. Em seguida, essa frustração deveria ser direcionada não ao oponente alemão, mas ao superior hierárquico que estava “explorando” o soldado, ao mesmo tempo em que levava uma vida tranquila no conforto de seu lar.

Hoje, o processo é mais sutil, uma vez que a “guerra” não é explícita, os soldados estão “camuflados” e os comandantes geralmente permanecem bem longe dos holofotes. É inegável que a internet permitiu a democratização do conhecimento e o acesso a informações que não poderiam ser conhecidas de outra forma. Com o povo esclarecido, o espírito crítico cresceu, de forma que não é mais qualquer argumento que convence a população. Dessa forma, muitas pessoas começaram a entender melhor a dinâmica do poder, percebendo que são esmagadas pela multidão dos impostos e pelo descaso das autoridades. Isso gerou uma espécie de animosidade global contra muitas figuras em posições de poder. Começou a haver uma insatisfação cada vez mais crescente. Por isso, parece ter sido iniciado um novo processo de desmoralização a nível global, tentando enfraquecer o instrumento de libertação (a internet) e os indivíduos que dela se utilizam para meramente exercer sua liberdade de expressão.

Um dos exemplos mais atuais dessa reação dos poderosos foi um novo documento publicado pelo Fórum Econômico Mundial, lançando uma “Coalizão Global para Segurança Digital”, cujo objetivo é acelerar a cooperação público-privada para “combater conteúdo nocivo online”. Sempre com argumentos muito sofisticados e supostamente direcionados à defesa do bem comum, o projeto busca desenvolver novas regulamentações de segurança online. A ideia é propor medidas coordenadas globalmente, com o objetivo de “reduzir o risco de danos online” e fomentar a “alfabetização em mídia digital”. Talvez agora você entenda o motivo pelo qual esse tema se tornou tão falado nos últimos dias. Na opinião dos autores do documento, longe de propor qualquer cerceamento da liberdade de expressão, o objetivo é proteger o internauta da desinformação, dos discursos violentos e dos crimes contra as crianças. Por isso, defendem a “necessidade urgente” de uma “coordenação global” mais ostensiva para combater a insegurança online.

Essa inciativa soa como uma versão mais requintada do tradicional processo de desmoralização. Seguindo as três vias de implementação elencadas por Harold Lasswell, o método fica mais claro. Primeiro, desviar o foco da indignação coletiva. Os “inimigos” não são mais os poderosos, os controladores, mas o cidadão comum que meramente usufrui de sua liberdade de expressão online. Isso enfraquece a unidade e desencoraja qualquer crítica ao “sistema”. Em segundo lugar, é semeada a dúvida, a incerteza sobre convicções e objetivos. O indivíduo começa a pensar quem seria realmente o responsável pelos problemas do mundo. No fim, o povo começa a fiar-se não pelas então desacreditadas informações da rede, mas pelo discurso consolidado pela grande mídia, geralmente consoante àquele dos poderosos. Assim, passa-se a acreditar piamente que o “Grande Irmão” somente quer o bem de todos. No terceiro momento, é construído o novo “bicho-papão” que precisa ser neutralizado: o internauta que não concorda com a “opinião oficial”.

Neste momento, George Orwell deixa de ser autor para ascender à condição de profeta. Como escreveu no final do “1984”: “Tudo foi resolvido, a perfeição foi alcançada, a luta acabou. Ele definitivamente tinha vencido a si mesmo. Ele amava o Grande Irmão”…


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terça-feira, 31 de agosto de 2021

CONSUMO DE OVOS É REMÉDIO CONTRA A DEPRESSÃO

 

Instituto Ovos Brasil

Vitaminas e minerais presentes no ovo, associados a uma dieta equilibrada, promovem a produção de neurotransmissores responsável pela sensação de bem-estar

No Brasil, cerca de 5,8% da população sofre de depressão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No mundo, o aumento no número de casos da doença foi de quase 20% nos últimos dez anos. A doença, caracterizada pela perda ou diminuição do prazer e interesse pela vida, é causada, entre outros fatores, por um desequilíbrio na bioquímica cerebral, como a deficiência de neurotransmissores que promovem bem-estar – serotonina, noradrenalina e dopamina, por exemplo.

Estudos recentes mostram que, além da prática de exercícios físicos e de atividades que causem prazer, a dieta também pode influenciar nas emoções. De acordo com o Instituto Ovos Brasil (IOB), entidade sem fins lucrativos que estuda as propriedades nutricionais do ovo, esse alimento é muito importante para fornecer ao organismo os nutrientes necessários ao equilíbrio celular. Seu consumo, associado a uma dieta equilibrada, favorece a redução de sintomas ligados à depressão e fortalece o sistema imune.

“O ovo é rico em vitamina B6, vitamina B12, vitamina D, ácido fólico, zinco, magnésio e triptofano. Esses nutrientes servem de combustível para a produção de neurotransmissores essenciais ao bom funcionamento das funções do corpo. Manter uma dieta balanceada e rica nesses elementos é benéfico tanto na prevenção de desequilíbrios que provocam a depressão como em pacientes que já enfrentam a doença”, explica Lúcia Endriukaite, nutricionista do IOB.

Papel do ovo no sistema imune

Em um quadro depressivo, o hipotálamo – região do cérebro que, entre outras funções, coordena a produção de hormônios em diversas glândulas – estimula a produção do cortisol. Essa substância é conhecida como o “hormônio do estresse” e tem como consequência a diminuição da capacidade imunológica do organismo, o que torna pacientes em depressão mais suscetíveis a doenças.

“Na composição do ovo estão presentes uma série de vitaminas e minerais que participam na manutenção do sistema imune. Entre elas, destacam-se as vitaminas A, D, E, K, além de zinco, selênio, magnésio, manganês e outros. Essas vitaminas são facilmente absorvidas pelo organismo apenas na presença de gorduras – o ovo possui 4,5g de gorduras por unidade, por isso é uma ótima fonte desses nutrientes”, comenta Lúcia.

Além desses nutrientes, o ovo também é rico em glutamina, um aminoácido livre presente em grande quantidade no plasma e no tecido muscular. Estudos mostram que a glutamina age como combustível para o sistema imune e para os enterócitos, células que atuam na mucosa intestinal. Essa substância é utilizada em altas quantidades pelas células do sistema imune.

“Uma alimentação balanceada oferece ao organismo ferramentas importantíssimas para o equilíbrio das células. Incluir ovos em uma dieta adequada e manter um estilo de vida saudável são medidas essenciais para ajudar a reverter esse quadro de depressão”, afirma Lúcia. “No entanto, vale ressaltar que os sintomas ligados à doença devem ser acompanhados pelo médico para que se faça o tratamento adequado”, completa.

A POPULAÇÃO SERÁ OUVIDA APÓS PROTESTOS DO DIA 7 DE SETEMBRO?

 

Manifestação

Por
Cristina Graeml – Gazeta do Povo


A manifestação do dia 7 de setembro, organizada pela população para clamar por liberdade, respeito à Constituição e à vontade popular domina todas as rodas de conversa, seja entre quatro paredes ou no ambiente virtual. Por isso é o tema principal do 9º episódio de Hora do Strike, inserido na análise sobre a guerra entre os Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo.

O protesto contra abusos, especialmente do STF, TSE e Congresso, vem sendo convocado e divulgado nas redes sociais e em grupos de WhatsApp e Telegram há exatas quatro semanas, desde que as últimas manifestações, no dia 1 de agosto, pelo voto impresso auditável, foram absolutamente ignoradas por parte considerável dos deputados.

Como eles preferiram dar as costas aos eleitores e rejeitar a PEC que traria mais transparência ao sistema eleitoral brasileiro, as pessoas começaram a se articular junto a parentes, vizinhos e amigos para nova manifestação, concentrada na Avenida Paulista, em São Paulo, com o intuito único de pressionar o presidente do Senado Rodrigo Pacheco.

O “alvo” foi escolhido porque depende dele, Rodrigo Pacheco, colocar em votação no Senado outra PEC que trata de voto impresso auditável, aprovada na Câmara dos Deputados na legislatura passada e que até hoje aguarda aprecisação dos senadores. Pra ser votada basta que o presidente do Senado paute a discussão.

De 1º de agosto a 7 de setembro
Os detalhes de tudo o que aconteceu desde as últimas manifestações já foram abordados nos últimos programas, mas vale relembrar.

Primeiro a comissão especial do voto impresso, defigurada por pressão de ministros do STF num claro (e proibido) ativismo político, conseguiu maioria e rejeitou o projeto;
Em seguida, o presidente da Câmara, Arthur Lira, tentou fazer parecer que os deputados tinham ouvido as ruas e pautou a votação da PEC para o plenário, mesmo após a derrota na comissão especial. O problema foi ter feito a votação de forma apressada, sem dar chance para que o assunto fosse amplamente discutido. Resultado: a PEC teve maioria de votos, mas não passou, porque não atingiu os 2/3 exigidos para uma proposta de alteração da Constituição entrar em vigor;
Sem ter conseguido provar qualquer irregularidade envolvendo o governo federal na atuação durante a pandemia, a CPI da Covid voltou a artilharia contra a imprensa e formadores de opinião (todos conservadores). Jovem Pan, Brasil Paralelo, vários sites de notícias de linha editorial de direita e jornalistas independentes foram alvo de pedidos de quebra de sigilo bancário, algo absolutamente desconectado do escopo de investigação da CPI;
Na sequência, o TSE extrapolou sua alçada eleitoral e resolveu interferir no contrato de uma empresa privada (YouTube) com seus clientes (produtores de conteúdo em vídeo): simplesmente determinou a desmonetização de canais conservadores, numa clara tentativa de asfixiar vozes que ousaram questionar a vulnerabilidade das urnas eletrônicas ou a falta de transparência na auditagem;
Por fim, o STF voltou à ativa com decisões arbitrárias, autorizando busca e apreensão de documentos e equipamentos de uso pessoal do cantor Sérgio Reis e do deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), além do bloqueio de suas redes sociais. O motivo para descer a mão forte do Estado sobre dois cidadãos sem ficha policial foi a convocação para a manifestação.


Sérgio Reis e a manifestação em Brasília
Aqui cabe um aparte. Quando Sérgio Reis foi alvo de operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, veio à tona que também haveria manifestação em Brasília. O cantor, de 81 anos, ex-deputado e ligado ao agronegócio, seria um dos articuladores (o que não é proibido).

Ocorre que Sérgio Reis gravou um áudio para um amigo e um vídeo para grupos de caminhoneiros, que vazaram para redes sociais. No vídeo ele cometia o “crime” de sugerir que os caminhoneiros participassem da manifestação do dia 7 para “para salvar o país”.

Mesmo afirmando que a manifestação será “de paz”, o ministro Alexandre de Moraes achou muito perigosa a frase “eles vão se assustar com o movimento”.

O áudio era mais exaltado. Na conversa particular com um amigo Sérgio Reis defendia o afastamento dos ministros do STF e dizia que “se em 30 dias não tirarem os caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria”.

A maior parte da população viu nisso algo normal, o tipo de desabafo que se faz para um amigo, de alguém cansado de ver tantas decisões inconstitucionais partindo do Supremo, justamente a instituição que deveria zelar pelo respeito à Contituição.

Mas o cantor, de 81 anos, foi considerado muito perigoso, teve redes sociais bloqueadas e está impedido de participar da manifestação ou mesmo de se aproximar da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Manifestação por liberdade
É por essas e outras que em 7 de setembro centenas de milhares de brasileiros, quiçá milhões, prometem ir para a a esplanada dos Minsitérios, em Brasília; a avenida Paulista, em São Paulo: ou para as ruas da cidade onde moram mesmo gritar por liberdade, por respeito às leis, pela democracia, por voto impresso auditável, eleições confiáveis e apuração transparente.

É uma manifestação clara por mais respeito ao eleitor e respeito ao primeiro da Constituição, que diz que “todo o poder emana do povo”. Por que ministros do STF, políticos de esquerda e até os ditos “de centro” insistem em classificar a manifestação de 7 de setembro como antidemocrática?

Por que insistem em minimizar e até difamar o movimento? Por que a pauta por liberdade incomoda tanto? O que há de errado em brasileiros exigirem o cumprimento da Constituição e pedirem o impeachment de ministros do STF que não respeitam a Constituição, da qual deveriam ser os mairoes defensores?

HISTÓRIA DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA

 

História da Filosofia
Por
Natália Cruz Sulman*, especial para a Gazeta do Povo

Tales de Mileto: o início da filosofia| Foto: BigStock

A Crise do Mundo Moderno, de Leonel Franca, indicou os passos para vencer a contenda que sacudiu até aos alicerces a arquitetura da civilização ocidental. Nós precisamos conhecer a origem das nossas ideias, ele disse e eu acrescento; para que ninguém seja vítima de intelectuais orgânicos, nem da própria ignorância. É impossível conhecer a grandeza de uma nação sem distinguir o pensamento metafísico que se lhe ramifica. Implícita, envolvem-na todos os valores correntes na comunidade; explícita, enunciam-na em argumentações mais ou menos uniformes. Eis que pergunta o sacerdote brasileiro: “Haverá para nós interesse mais vital do que ter consciência nítida das doutrinas que nos governam? Do espírito que plasma as nossas instituições?”

É tentador, então, começar a missão pela História da Inteligência Brasileira. Todavia, as nossas ideias não têm origem em José de Anchieta, Antônio Vieira, Gregório de Matos, Gonçalves Dias, nos lampejos iluministas nem na Escola do Recife, e cia. À surpresa de muitos e ao alcance de poucos, elas começam muito antes, ao cruzar o Atlântico, lá na Grécia e Roma Antiga.

Críticos de incultura até argumentam o contrário; que o brasileiro, em favor de um pensamento nacional, deve ignorar os clássicos. No entanto, a recepção da cultura greco-romana, além de fato inequívoco em toda a civilização ocidental, participou do processo de formação da ideia de brasilidade. Os clássicos estavam presentes nos acontecimentos vitais da construção do Brasil; a vinda da Corte Portuguesa, a Independência, a formação de um Império Constitucional, a Abolição da Escravatura, a mudança Constitucional Republicana.

Destaco as seguintes traduções existentes desde o princípio: as Categorias, de Aristóteles, por Silvestre Pinheiro Ferreira, em 1814; A Primavera, de Meleagro, por José Bonifácio, em 1816; a História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides, Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, e Odisseia, de Homero, por D. Pedro II, que viveu entre 1825 e 1891. Em fato, o nosso monarca foi um exímio tradutor, que ainda verteu para o português obras de Victor Hugo, Manzoni, Schiller, Longfellow, Liégeard e Lamartine. Portanto, só um brasileiro com sede de barbárie pode ignorar os clássicos em nome de uma “razão tupiniquim”, expressão de Roberto Gomes, feita a partir de nada (ex nihilo).

Também porque os pré-socráticos, Sócrates, Platão e Aristóteles deram as bases para o filosofar em todas as nações. Se alguém filosofa, no presente, é porque, no passado, eles ordenaram a vida teorética. O que não significa que criticá-los é sempre obstinação. Ninguém está sendo chamado para se tornar refém dos antigos. Está, sim, a ser convocado ao reconhecimento de duas afirmativas: a primeira, a história das ideias influencia a atualidade da teoria e da prática; a segunda, os filósofos antigos tiveram mais acertos do que erros.

É que eles procuravam conhecer a realidade, e, uma vez que costuma ser recompensado o esforço de quem somente deseja a verdade, e empreende atenção contínua para alcançá-la, eles acertaram no essencial. No entanto, na modernidade, o homo academicus (homem acadêmico) substituiu a adequação do intelecto à coisa pela adequação da coisa ao intelecto, dando adeus à definição clássica: veritas est adaequatio rei et intellectus (a expressão latina para o dito há pouco). Essa despedida é exatamente o que significa ideologia: a expressão que se pretende conceito sobre as coisas do mundo, porém, na verdade, é flatus vocis, pura emissão fonética.

Apesar do pessimismo dos templários da nova direita, que mais parecem escravos ressentidos do que guerreiros em batalha, o portão para o reino onde habita a verdade não está fechado; a porta é estreita mas ainda é possível sair do reino totalitário onde “tudo é linguagem” para resgatar o contato com a realidade. O caminho é perseguido ao atualizar na própria consciência o pensamento dos filósofos do passado que ainda não tinham perdido a relação com o ser, ou dos intelectuais do presente que se empenham em recuperá-la. Para isso, é apropriado dispor do recurso ao mito e à Bíblia; à Filosofia Antiga e aos seus comentadores (Luc Brisson, Eric Voegelin, Paul Friedlander, Werner Jaeger, E. R. Dodds e Bruno Snell); à Patrística, à Escolástica e aos seus comentadores (Étienne Gilson e Henri de Lubac); e, por fim, à religião comparada por seus especialistas (Mircea Eliade e Gilles Quichel).

Eu gostaria de poder auxiliar em todos os caminhos, mas penso que a recuperação de mito e rito, religião e liturgia, requer contato com um santo ou quase santo. Longe de mim ser modelo vivo, sugiro que tenhamos uma atitude mais humilde, mas ainda valente, de iniciar pela filosofia. Enquanto início, não há como fugir do primeiro dos amantes da sabedoria, que é Tales de Mileto. (Peço ainda que aguardem os próximos artigos a serem escritos aqui, pois assim, ordenadamente, poderemos vivificar nos nossos corações, juntos, o espírito de todos os filósofos clássicos.)

De antemão, a filosofia começa com a seguinte proposição: “Tudo é água.” O conteúdo parece absurdo, mas no pensamento filosófico, como na obra de arte, deve-se olhar para a forma. A própria grandeza socrática não foi a de perguntar: “Qual dessas respostas é a verdadeira?”, mas sim: “O que é a verdade?”. O mesmo pode-se dizer de Tales; isto é, a sua grandeza não está na resposta encontrada, mas na pergunta delineada. Se tivesse dito: “Da água provém a terra”, estaria sob uma questão científica. Mas Tales não disse: “Tudo provém da água”, antes disse: “Tudo é água”. Assim, a sua pergunta era pelo princípio de todas as coisas, e a sua resposta, tirante do conteúdo, estava sob a forma: “Tudo é um”.

Num mundo de multiplicidade, onde os sentimentos são fluidos e as coisas transitórias, recuperar a unidade e o senso de eternidade é ato heroico. Portanto, a filosofia de Tales tem o efeito de uma vacina contra o niilismo. A perda de sentido está em sentir-se uma gota perdida no oceano; o seu resgate é sentir-se o oceano em uma gota.

*Natália Cruz Sulman é professora de filosofia


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DICAS PARA MELHORAR O RESULTADO DAS EMPRESAS

 

Cláudio Lasso, assessor contábil, indica como aprimorar a gestão empresarial

Para ter sucesso em um empreendimento não basta apenas ter força de vontade. Para sobreviver e melhorar os resultados, a empresa precisa seguir uma gama de diretrizes.

Segundo Cláudio Lasso, assessor contábil e CEO da Sapri Consultoria, o empresário precisa estar atento a diversos fatores, como em processos que não estão no escopo do core business da empresa, mas que são importantes para o gerenciamento do negócio.

“Para isso, há presente no mercado softwares de gestão que fazem parte do Business Process Outsourcing ou BPO. Esse mecanismo de controle de processo permite às organizações aumentarem a produtividade e reduzir custos”, completa o especialista.

Lasso deu 6 dicas para maximizar os resultados aprimorando a gestão empresarial:

1. Fazer um planejamento orçamentário

Em toda e qualquer empresa deve haver planejamento financeiro com objetivos, projeções e estratégias bem definidas. Caso contrário, facilmente o controle sobre as despesas será perdido.

2. Não misturar a conta pessoal com a conta empresarial –

Uma falha recorrente entre proprietários é achar que, por serem donos do negócio, eles podem misturar a conta pessoal com a conta empresarial. Isso é um erro dos mais graves, pois as duas coisas são bem distintas. Vale destacar que até que um negócio apresente lucro isso leva tempo e, se o empreendedor misturar as duas contas, possivelmente a lucratividade nunca vai acontecer.

3. Acompanhar as entradas e saídas de dinheiro –

A melhor maneira de manter as despesas sob controle é acompanhar as entradas e saídas de dinheiro através do fluxo de caixa. Isso permite que o gestor tenha uma visão ampla da situação financeira do negócio, além de facilitar a mensuração dos ganhos e gestão da movimentação financeira da empresa.

4. Administrar devidamente o capital de giro –

Toda empresa precisa ter um capital de giro para que o negócio possa fluir com tranquilidade, mas hoje em dia não basta ter um dinheiro extra disponível em caixa. É preciso saber administrá-lo, além de entender que o capital de giro existe para honrar com os compromissos imediatos, a fim de manter a empresa saudável e garantir uma boa imagem do negócio perante o mercado, os clientes e fornecedores.

5. Colocar pequenas despesas em primeiro plano –

Muitos gestores fazem questão de focar nos grandes gastos com o abastecimento de mercadorias, aluguel, impostos e salários, mas acabam deixando de lado as despesas pequenas e rotineiras, como água, luz, material de escritório, internet, produtos de limpeza e manutenção de equipamentos. Para que um negócio dê certo, é preciso ter o pleno controle sobre todos os gastos, inclusive os mínimos.

6. Usar software de gerenciamento –

Por muito tempo a gestão financeira das empresas foi feita de forma manual. Entretanto, as novas tecnologias estão tornando as atividades de gerenciamento muito mais rápidas, práticas e eficazes. É o caso dos softwares gerenciais personalizados para as necessidades de cada negócio. Essa tendência é o que chamamos de Business Process Outsourcing ou BPO.

Através de um bom software de gerenciamento, o empreendedor economiza tempo na emissão de gráficos e relatórios, pode acompanhar as contas a pagar e receber, agilizar o andamento das notas fiscais, verificar se a empresa está tendo lucro, identificar quais produtos têm melhor saída, controlar estoques, acompanhar o saldo do caixa e assim por diante.

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

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  • Ética e Transparência
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