sábado, 21 de agosto de 2021

CARCTERÍSTICAS DO TALIBÃ

 

Origens

Por
Filipe Figueiredo – Gazeta do Povo

Um menino afegão usa uma faixa na cabeça com a bandeira do Talibã enquanto a nação celebra o 102º Dia da Independência em Kandahar, Afeganistão, em 19 de agosto de 2021| Foto: EFE/EPA/STRINGER

É a terceira coluna seguida sobre o Afeganistão aqui em nosso espaço. Não se trata de falta de criatividade ou que não existam outras questões interessantes pelo mundo, apenas a óbvia necessidade. É o tipo de crise internacional que não ocorre sempre, muito menos nessa magnitude. Além disso, os eventos estão correntes, longe de serem resolvidos ou encerrados. Sendo assim, retornamos ao epicentro da crise atual para explicar uma característica do Talibã que é frequentemente ignorada em análises, até mesmo por integrantes do governo dos EUA.

A frase “a vitória do Talibã é benéfica para movimentos terroristas islâmicos” é em parte verdadeira, em parte falsa. A parte verdadeira é o impacto midiático da tomada de Kabul pelas forças do Talibã. As imagens chocantes, a bandeira branca com a shahada escrita em preto tremulando pelo país, a ideia de que os EUA saíram numa espécie de retirada vexaminosa, tudo isso encorajou outros grupos, mesmo que minimamente similares. Notas de congratulação foram emitidas por diversos grupos, com o mais conhecido deles sendo o Hamas.

O tom era muitas vezes de “energia renovada”, como na nota do grupo extremista sírio Tahrir al-Sham. Mesmo organizações que participam da política institucional expressaram tais congratulações, como o Partido Islâmico Malaio, partido ligado à Irmandade Muçulmana e com representação no parlamento malaio. O Talibã é um grupo extremista, violento e que, por diversas vezes, usou a perfídia para atingir seus objetivos. Outros grupos extremistas e violentos, como o Tahrir al-Sham, celebraram a vitória do Talibã. Logo, o Afeganistão, controlado pelo Talibã, vai ajudar o terrorismo internacional?

Jihad global
Não. Ao menos, não necessariamente. O Talibã não é um grupo cuja prioridade é uma “jihad global”, ao contrário da al-Qaeda ou do Daesh, também chamado de Estado Islâmico. O Talibã é um grupo fundamentalmente afegão. Seu nome significa “estudantes” no idioma pashtun. No caso, estudantes do movimento sunita Deobandi, originado na Índia e que, segundo especialistas, ganhou contornos fundamentalistas após a Segunda Guerra Mundial e a partição indiana. Especialmente com a influência do Wahabismo saudita, a interpretação mais radical que existe no sunismo.

Junto com essa escola de interpretação da jurisprudência islâmica, o Talibã inclui um conjunto de condutas chamado de pashtunwali, algo como “código de conduta” dos pashtuns. Os pashtuns (ou pastós, no português de Portugal) são um povo de origem do planalto iraniano, falantes de um idioma do tronco persa. Os cerca de quinze milhões de pashtuns correspondem a metade da população afegã e, muitas vezes, os termos eram utilizados como sinônimos até o início do século XX. O país com a maior população pashtun, entretanto, é o Paquistão, com cerca de 40 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 16% da população nacional.

O atual primeiro-ministro do Paquistão, a ex-lenda do críquete Imran Khan, é de origem pashtun. O ponto aqui é: o Talibã é um grupo cuja gênese, ideologia e propósitos estão enraizados no Afeganistão. Ele é radicalmente afegão. Transformar o Afeganistão num emirado governado pela sua interpretação da jurisprudência islâmica e com a vida cotidiana regida pelo “código de conduta” tradicional. A rejeição da modernidade, de “comportamentos nocivos” e até de algumas questões tecnológicas. O pashtunwali, inclusive, precede o Islã.

Os rivais do Talibã na guerra civil do Afegnistão dos anos 1990, a Aliança do Norte, era formada principalmente por lideranças tadjiques. Liderados por Ahmad Shah Massoud, o Leão de Panjshir, um pensador importantíssimo para a compreensão do Afeganistão, eles rejeitavam tanto o fundamentalismo do Talibã quanto a imposição do tradicionalismo pashtun. Massoud defendia um modelo federal para o Afeganistão, em que os diferentes grupos poderiam ter autonomia sobre seus costumes. Um dos principais líderes na guerra contra os soviéticos, Massoud foi assassinado pelo Talibã em uma emboscada, dois dias antes do Onze de setembro de 2001.

Alguns meses antes, em abril, ele falou perante o Parlamento Europeu e foi explícito em avisar que movimentos islamistas estavam planejando um atentado terrorista de grandes proporções. Muito provavelmente, era o que viria a ocorrer em Nova Iorque. E, hoje, a principal frente de resistência aos Talibãs é a organizada por Ahmad Massoud, filho do líder assassinado. Também um tadjique, no mesmo vale de Panjshir, e também com apoio de lideranças tadjiques, que compreendem um quarto da população afegã. Dois deles são Amrullah Saleh, ex-vice-presidente, e o general Bismillah Khan Mohammadi.

Ameaça 
O retorno do Talibã no Afeganistão é uma ameaça muito mais regional, podendo causar instabilidade em suas fronteiras, tanto devido ao fluxo de refugiados quanto aos elos étnicos transfronteiriços. “Oras, mas o Talibã abrigava a al-Qaeda até 2001” o leitor pode pensar. Perfeito. E recebia vinte milhões de dólares anuais pelo “aluguel”, vindo de financiadores como o próprio Osama bin-Laden e outros milionários sauditas. Era uma fonte de dinheiro que o grupo pode voltar a ter, mas por questões materiais, não por uma ideologia de terrorismo global.

Outro exemplo disso é que o Talibã e o Daesh são rivais, realizando ataques um contra o outro. Nesse caso, as maiores vítimas eram outros muçulmanos, os xiitas, considerados alvos por ambos os grupos. Fora dos limites regionais, o fortalecimento do terrorismo internacional via Talibã se dará pela via mais torpe e difícil de ser controlada. Não será o uso do território ou a criação de um “comando central do terror” em Kabul, mas pela inspiração e motivação de extremistas espalhados pelo mundo, que vivem em outros países e consomem esse tipo de propaganda.

Ainda assim, para compreender o Talibã além de estereótipos ou de generalizações simplistas, é importante ter em mente a raiz afegã do grupo. Colocá-lo num balaio de “terrorismo islâmico internacional” leva à conclusões erradas. E conclusões erradas cobram um preço. Sem mencionar o erro absurdo que seria classificar o Talibã como “grupo árabe”. O Talibã representa riscos para parte considerável dos afegãos, para os vizinhos e para outros países, sim, mas, para que esses riscos possam ser contidos e corretamente mitigados, é primeiro necessário saber quais são esses riscos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/filipe-figueiredo/uma-caracteristica-do-taliba-frequentemente-ignorada/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

GASTOS DO TCU NA PANDÊMIA COM DESPESAS MÉDICAS

 

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do POvo

Sede do Tribunal de Contas da União| Foto: Lúcio Vaz/Blog Lúcio Vaz

O Tribunal de Contas da União (TCU) gastou R$ 3,8 milhões com ressarcimento de despesas médicas para 33 ministros e procuradores em atividade ou aposentados durante a pandemia da Covid-19. Faltaram leitos de UTI e até oxigênio nos hospitais do Sistema Único de Saúde, mas sobraram penduricalhos na folha de pagamento do tribunal que fiscaliza os gastos públicos. Somando todos os pagamentos eventuais, auxílios, abonos, indenizações de férias, as despesas chegam a R$ 6 milhões.

O ministro aposentado José Múcio, que deixou o cargo em dezembro, recebeu naquele mês R$ 78 mil em pagamento retroativo de “abono permanência”, após a averbação de tempo de contribuição. A sua renda total naquele mês chegou a R$ 138 mil. Em janeiro, levou mais R$ 312 mil de férias indenizadas, correspondente ao direito acumulado e não gozado. Os ministros têm direito a 60 dias de férias por ano. Geralmente, fazem um pé de meia para retirar na aposentadoria.

Sete ministros e procuradores receberam ressarcimentos de assistência médica acima de R$ 20 mil. O maior valor foi pago ao ex-ministro Iran Saraiva, em abril de 2020 – R$ 67 mil. Mas as maiores despesas foram do subprocurador-geral aposentado Ubaldo Caldas – R$ 185 mil. O ministro substituto aposentado José Antônio Barreto recebeu ressarcimentos no valor total de 163 mil. Em março e julho deste ano, as despesas chegaram a R$ 25 mil. O ministro aposentado Ubiratan Aguiar também recebeu um total de R$ 162 mil.


Como ocorrem os reembolsos
Os valores referentes a “ressarcimento de assistência médica” referem-se ao ressarcimento parcial do valor despendido pela autoridade e dependentes cadastrados no plano de saúde, logo pode variar de acordo com a idade e quantidade de beneficiários, segundo informa o TCU.  As despesas médicas não ressarcidas pelo plano de saúde poderão ser objeto de ressarcimento por parte do Tribunal, o que ocorre de forma eventual.

Antes da efetivação dos reembolsos, cada despesa é sujeita a análise. Há ainda plano de saúde privado disponível para ministros, membros do Ministério Público do tribunal e servidores, para o qual contribuem e podem incluir dependentes (cônjuge, filhos menores ou que estiverem na universidade e dependentes inscritos na declaração do imposto de renda).

Assim como acontece na Câmara dos Deputados, o TCU não informa detalhes das despesas médicas, como o hospital utilizado e o tipo de tratamento executado. O Senado Federal não informa nem os gastos por senador. Limita-se a informar o valor total gastos com reembolso de despesas médicas durante o ano, “em respeito à intimidade das pessoas”, como justifica.


Abono permanência
O ministro-substituto Marcos Bemquerer recebeu R$ 53 mil de “abono permanência” em janeiro de 2021. Naquele mês, sua renda total chegou a R$ 102 mil. O TCU afirmou ao blog que se trata também de pagamento retroativo de abono de permanência. Foi pago apenas em janeiro de 2021 porque o benefício foi deferido pelo tribunal em 7 de janeiro.

Como prevê a Constituição federal, o servidor que tenha completado as exigências para a aposentadoria voluntária e opte por permanecer em atividade fará jus a um “abono de permanência” equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária, até completar a idade para aposentadoria compulsória.

Considerando apenas o período da pandemia, o TCU gastou R$ 1,1 milhão com abono permanência, incluindo o 13º pagamento anual desse benefício.


Venda de um terço de férias
Sete procuradores receberam pagamentos extras na rubrica “abono pecuniário”, no valor total de R$ 210 mil. A procuradora-geral Cristina Costa e Silva teve direito a R$ 33 mil em janeiro deste ano. Naquele mês, o total da sua renda chegou a R$ 80 mil. O subprocurador-geral Paulo Bugarin levou R$ 31 mil e alcançou renda total de R$ 76 mil em fevereiro deste ano. O TCU informou que esse abono corresponde à conversão de um terço das férias em pagamento. As referências legais a este benefícios são encontradas na Lei Orgânica do Ministério Público da União (art. 220, §3°), a qual reproduziu uma faculdade prevista na CLT (art. 143) para o empregado.

Nos últimos 17 meses, os ministros e procuradores do TCU receberam mais R$ 343 mil de auxílio alimentação, R$ 440 mil em “outras vantagens indenizatórias” e R$ 166 mil em “outros auxílios”. A página de transparência do tribunal não detalha essas despesas. Questionado pelo blog, informou que vantagens indenizatórias incluem despesas telefônicas, com mudanças, juros, seguro internacional de saúde, taxas de embarque e de desembarque.

Os “outros auxílios” abrangem transporte, moradia, natalidade, bolsas de estudos e certificação profissional. Os ministros José Múcio e Ana Arraes receberam mais R$ 21 mil de “representação da presidência”. O blog não considerou entre os penduricalhos vantagens eventuais como 13º salário e adiantamento de férias.


TCU justifica despesas
Sobre o pagamento de R$ 78 mil a José Múci, o TCU afirmou que se trata de pagamento retroativo de “abono de permanência”, reconhecido pelo Tribunal em 21/12/2020, após a averbação de tempo de contribuição, com fundamento no art. 40, § 19, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, garantido pelo art. 3º, § 3º, da Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019.

Em relação ao pagamento de R$ 312 mil de “férias indenizadas” ao ex-presidente, o tribunal afirmou que “os valores foram devidos em virtude de indenização correspondente ao direito acumulado e não gozado, nos termos da decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no MS 31.371/DF”.

Sobre o “abono pecuniário”, o TCU afirmou que “as referências legais a este benefícios são encontradas na Lei Orgânica do Ministério Público da União (art. 220, §3°), a qual reproduziu uma faculdade prevista na CLT (art. 143) para o empregado.

O blog destacou que o tribunal tem o recesso coletivo de 17 de dezembro a 16 de janeiro e questionou se os ministros e procuradores têm que tirar um mês de férias neste período ou contam com os 60 dias de férias mais o recesso. O TCU respondeu que o recesso não ocasiona a paralisação dos trabalhos do tribunal, nem a suspensão ou interrupção dos prazos processuais. “Os ministros e procuradores têm direito a sessenta dias de férias por ano, observada a escala organizada de modo a não comprometer o quórum das sessões”, disse o tribunal.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/tcu-gasta-r-38-milhoes-com-despesas-medicas-para-ministros-e-procuradores-na-pandemia/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AFEGANISTÃO E TALIBÃS COMPLICAM O PRESIDENTE BIDEN

 

Artigo
Por
Jarrett Stepman – Gazeta do Povo
The Daily Signal

O presidente dos EUA, Joe Biden, faz comentários sobre o Afeganistão, na Sala Leste da Casa Branca em Washington, DC, EUA, em 16 de agosto de 2021.| Foto: SHAWN THEW/Agência EFE

Provavelmente, muitos americanos estão se tornando mais conscientes da rápida diminuição da confiança na competência de Joe Biden na Presidência dos Estados Unidos.

As imagens e os vídeos que vieram do Afeganistão mostram um fracasso catastrófico na execução de uma retirada de um país conturbado, e indicam severas falhas na inteligência e no planejamento que ocorreram nos níveis mais altos do governo americano.

Mesmo muitos dos defensores de Biden na mídia e na política estão percebendo e criticando sua liderança em meio a um dos piores fiascos da política externa da história dos EUA. Talvez alguns sintam que os fracassos de Biden traiam sua mensagem de que ele levaria os “adultos” de volta para Washington.

O que vimos até agora, no curto período de tempo desde que Biden assumiu o cargo, é uma série de catástrofes, enquanto o governo luta para empurrar sua agenda progressista no Congresso. No cenário mundial, a situação é muito pior.

Em questões que recaem mais diretamente sobre o Poder Executivo, como a proteção de fronteiras e a condução das políticas externa e militar, o governo caiu em uma série de fracassos inquestionáveis.

Isso, apesar de o governo Biden estar repleto do que a mídia celebrou como uma das mais “diversas” e “experientes” equipes de conselheiros e secretários de todos os tempos. Parece que isso não é levado em conta.

O governo Biden em primeiro lugar empurrou o progressismo; agora ele promove o “fragilismo” dentro e fora dos EUA. A sua resposta ao desastre que se desenrolou no Afeganistão foi, essencialmente, culpar os antecessores, o presidente afegão e tudo mais, ao mesmo tempo em que dizia de modo desajeitado e inconvincente que “a responsabilidade de escolher é minha”.

Quão diferente isso foi do presidente John F. Kennedy que, após a operação fracassada da Baía dos Porcos em Cuba, disse que somente ele tinha a responsabilidade para com o país.

Em seu discurso após um fim de semana de caos no Afeganistão, Biden foi essencialmente um anti-Kennedy.

Biden fez um discurso que deveria ter dado meses atrás sobre por que os EUA não deveriam estar construindo uma nação no Afeganistão e por que era importante partir. O presidente Donald Trump transmitiu a mesma mensagem, razão pela qual ele iniciou a retirada.

Mas Biden se esquivou completamente da questão mais importante do momento: a razão pela qual a operação de retirada foi um desastre absoluto.

Ele então escapou das perguntas dos repórteres e retornou imediatamente para Camp David para continuar suas férias. Ele só voltou a aparecer em público nesta quarta-feira (18) para fazer um discurso sobre a Covid-19. Ele atacou os governadores republicanos sobre a obrigação do uso de máscaras nas escolas e depois saiu do palco sem responder perguntas.

Inacreditável.

Ele espera que a história simplesmente fique velha e o país passe para outro ciclo de notícias? Isso é um grande insulto à inteligência do povo americano, se for esse o caso.

Em uma entrevista com George Stephanopoulos, da ABC, Biden foi questionado se a situação poderia ter sido melhor tratada. O presidente dos EUA basicamente disse “não”.

Para piorar as coisas, quando lhe perguntaram sobre os vídeos do povo afegão caindo de aviões, Biden respondeu: “Isso foi há quatro dias, cinco dias atrás”.

Foi há dois dias, mas que diferença faz, certo?

Alguns compararam Biden ao ex-presidente Jimmy Carter na forma como ele está lidando com a situação no Afeganistão. Mas essa comparação é injusta para com Carter. Na crise iraniana dos reféns, Carter assumiu pessoalmente o comando da operação de resgate para recuperar os americanos da embaixada dos EUA. A missão terminou em fracasso.

Em mensagem ao país, após abortar a missão, Carter, tal como Kennedy, assumiu completa e inequivocamente a responsabilidade.

“Foi minha decisão tentar a operação de resgate. Decidi cancelá-la quando surgiram problemas no posicionamento de nossa equipe para uma futura operação de resgate. A responsabilidade é totalmente minha”, disse ele numa declaração da Casa Branca.

Isso não foi tudo. Carter assegurou aos Estados Unidos que o esforço para trazer os seus cidadãos de volta para casa não diminuiria:

Como presidente, sei que toda a nação sente a profunda gratidão que sinto pelos bravos homens que se prepararam para resgatar seus conterrâneos americanos do cativeiro. E, como presidente, também sei que a nação compartilha não só minha decepção de que o esforço de resgate não pôde ter sido levado adiante, por causa de dificuldades mecânicas, mas também minha determinação em perseverar e trazer todos os nossos reféns para a liberdade.

Certamente houve uma crise de confiança nas habilidades de liderança de Carter, e é por isso que os EUA terminaram com Ronald Reagan na Casa Branca após um único mandato de seu antecessor. Mesmo assim, Carter não desertou ou esteve indisposto a encarar as consequências de suas decisões. Em todo caso, ele era apenas um microgestor ineficaz.

Nesse momento, o fracasso de Biden é muito mais profundo

“A história não julgará a Presidência Biden com bons olhos por isso”, disse Bill Roggio, membro sênior da Fundação para a Defesa das Democracias e editor do Long War Journal, em uma entrevista com Fred Lucas do The Daily Signal.

“Isso faz com que qualquer uma das falhas de Jimmy Carter seja uma brincadeira de criança. Carter lidou mal com uma situação de reféns”, disse Roggio. “Biden tomou medidas que levaram ao colapso de um aliado no qual tínhamos investido enorme quantia de sangue e dinheiro. Esta é uma derrota para os EUA e uma derrota para o governo afegão.”

Os presidentes dos EUA devem ser ativos quando cidadãos americanos correm perigo extremo no exterior. Mas enquanto Biden está aparentemente de férias, o conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan nem mesmo comentou se as tropas se retirarão antes de que todos os americanos tenham saído do Afeganistão.

Quando questionado sobre os cidadãos norte-americanos presos no país, Sullivan disse em uma entrevista coletiva: “Não vou comentar sobre hipóteses”.

Como é reconfortante! Para os americanos presos lá, isso não parece bom.

Mesmo quando os EUA eram um país muito mais fraco, os maus tratos aos cidadãos americanos no exterior quase sempre foram uma causa para ações decisivas de presidentes e do governo federal.

Os EUA entraram na Guerra de 1812 por causa da expropriação britânica dos marinheiros americanos, embora o país estivesse altamente despreparado para enfrentar uma superpotência mundial.

Grandes países não abandonam seus cidadãos à mercê de outros sem lutar.

Agora, não há respostas e um presidente que não apenas falhou em tomar uma ação decisiva, mas está deixando de agir. As comparações com Carter são injustas para com Carter.

Talvez seja melhor fazer uma comparação entre Biden e outro presidente nascido na Pensilvânia, o antecessor de Abraham Lincoln, James Buchanan: o experiente homem de Washington esmagado pelo momento histórico, que hesitou e dormiu enquanto o país se desintegrava.

A crise dos Estados Unidos continua.

Jarrett Stepman é um colaborador do The Daily Signal e co-apresentador do podcast The Right Side of History.

© 2021 Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/afeganistao-gera-crise-de-confianca-em-joe-biden/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

VALEON A MÁQUINA DE VENDAS DO VALE DO AÇO

 

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Ética e Transparência
  • Profissional, ambiental e social
  •  – Busca pelo melhor

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

CONSELHOS INVERTIDOS

 

Alguns conselhos invertidos para ajudar você na sua vida profissional.

Por Cristiano Kruel

Temos medo de errar, e hoje em dia temos sofrido até com o “medo de ter medo”. Este comportamento nos leva a buscar sempre o lugar mais conhecido, o que parece ser o mais seguro. Ironicamente, isto significa rumar para o que é menos inovador. Ou seja, quanto mais incerteza mais medo, quanto mais medo menos inovação.

Então, o que seria um bom conselho para não termos tanto medo e termos mais chance de inovar? 

Sobre enfrentar os medos talvez possamos recorrer aos filósofos, como Epíteto, que disse: “Os humanos não são perturbados por coisas, mas pela visão que eles possuem destas coisas”. Eu não sei se consigo filosofar direito, mas acho que o conselho dele é que nós criamos mais problemas na cabeça da gente do que eles existem de fato. Então medo não é uma coisa, mas uma maneira da gente interpretar a coisa.

Então aqui sigo eu, sem medo de errar, e com muita vontade de querer ajudar as pessoas interessadas no tema de inovação. Inspirado então no pensamento do matemático alemão Carl Gustav Jacob Jacobi, que dizia “Inverta, sempre inverta”, segue a minha lista de conselhos invertidos:

#1 – NÃO TENHA FOCO

(foto: Alexandre Chambon/Unsplash)

É óbvio que precisamos ter foco, precisamos de determinação para vencer desafios e não desistir. Ter uma infinidade de coisas a fazer pode nos dispersar a nossa atenção e com isto nos atrapalhamos e não fazemos nada direito.

Mas também, o foco pode limitar o espectro de visão, pode deixar você mirando num ponto fixo quando o alvo é móvel. A vida da gente – assim como na computação – existe situações que precisamos de processamento em paralelo. O seu cérebro pode fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, aproveite ele ao máximo. Aprender a não ter foco significa ter pensamento lateral, a maneira de resolver problemas complexos utilizando uma abordagem indireta e criativa, imaginando o que não é óbvio.

#2 – NÃO SEJA RÁPIDO

(foto: Jonathan Borba on Unsplash)

Ninguém suporta gente lenta, demorada, preguiçosa, então é claro que precisamos ser rápidos. Mas Bill Gates disse uma vez que se você tiver uma tarefa complicada entregue esta para uma pessoa preguiçosa pois ela vai encontrar a maneira mais fácil e simples de resolver a coisa.

Mas, ser rápido não quer dizer necessariamente ser ágil. Não adianta ser veloz e não conseguir fazer a curva. Segundo Jeff Bezos da Amazon existem dois tipos de decisão: a Tipo 1 e a Tipo 2. As decisões Tipo 2 devem ser tomadas rapidamente, pois elas são as menos complexas, reversíveis, aquelas que o impacto não causa danos. Já as decisões Tipo 1 são diferentes pois tendem a ser menos reversíveis e precisam ser tomadas com cautela, muito diálogo e reflexão. Bons líderes sabem que precisam de ambas estas decisões acontecendo, e que aqui reside a chance de criar uma organização onde a liberdade anda de braços dados com a responsabilidade.

#3 – NÃO SEJA PERFEITO

(Foto: Cecilie_Arcurs via Getty Images)

Certamente gostamos de ser elogiados, admirados e ovacionados. Nosso ego infla quando ouvimos alguém julgar o que fazemos e escapar um “Perfeito!”. Mas Leonardo da Vinci já nos alertou que “uma obra de arte nunca é acabada, apenas abandonada”. A perfeição não existe, é apenas uma interpretação.

O risco é que o perfeccionismo pode ser uma manifestação de uma doença chamada Atychiphobia, que é a fobia ao erro. O medo de errar pode ser tamanho que a pessoa começa a ter sintomas como autosabotagem, autoestima e autocrítica baixas, mas uma feroz negatividade com as ideias e ações dos outros. Quem é fanático pela perfeição não constrói nada diferente, ou vai levar tempo demais para achar que conseguiu isto.

#4 – NÃO SAIBA DAS COISAS

(foto: Getty)

Sim, a ignorância é uma coisa maravilhosa. Não! Eu não estou propondo não querer aprender as coisas, estou propondo justamente o contrário. O que estou propondo é entender o efeito de Dunning-Krueger, que nos diz que existe um viés cognitivo que faz com que as pessoas que sabem muito pouco acharem que sabem muito, enquanto que os que sabem muito se dão conta que sabem quase nada. 

Portanto, procure não saber. Quanto mais você saber sobre as coisas, mais vai saber o que não sabe. Quando você conseguir responder a uma pergunta difícil, terá a chance de formular duas perguntas ainda mais difíceis. Não é um truque de palavras, é uma poderosa maneira de entender que precisamos estar sempre aprendendo  (#LifelongLearning).

#5 – NÃO ACEITE CONSELHOS (ENLATADOS)

(foto: LinkedIn Sales Solutions/Unsplash)

Fale com muitas pessoas, pessoas diferentes e com perspectivas diferentes. Seja curioso, aberto ao novo e sempre corajoso para aprender.

Mas seja crítico com todas as listas e fórmulas prontas. Elas são simplificações, ou simplesmente podem ter sido úteis e valiosas em contextos diferentes do seu. Tenha um elevado senso crítico e pense por si mesmo.

Que esta lista não lhe diga como fazer absolutamente nada, mas lhe provoque a pensar diferente. Pense por você. Seja você o seu guru. Faça a sua lista.

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • Eficiência: A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • Acessibilidade: A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • Abrangência: A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • Comprometimento: A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Integridade – Ética e Transparência
  • Responsabilidade – Profissional, ambiental e social
  • Inovação – Busca pelo melhor

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

BOLSONARO QUER ACABAR COM INQUÉRITOS SEM A PARTICIPAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

 MATHEUS TEIXEIRA E RICARDO DELLA COLETTA – Folha de São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia para o anúncio de investimentos para o Programa Águas Brasileiras.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo Jair Bolsonaro entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) em que pede que seja anulado o artigo do regimento interno da corte que permite a instauração de inquérito de ofício, ou seja, sem pedido do Ministério Público.

O processo foi apresentado pela AGU (Advocacia-Geral da União), órgão que faz a defesa judicial do governo. A ação é uma reação do chefe do Executivo contra as recentes decisões do Supremo e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para investigar a conduta de Bolsonaro por, sem provas, acusar o sistema eletrônico de votação de fraude.Publicidadex

O primeiro inquérito de ofício aberto pelo Supremo foi o das fake news, em 2019. A investigação foi instaurada por ordem do então presidente da corte, Dias Toffoli. A medida foi amplamente criticada pois a Constituição estabelece que investigações dependem de uma solicitação nesse sentido do Ministério Público.

Além disso, também foi contestado o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter sido designado relator do caso, sem que houvesse sorteio para distribuição do processo, como ocorre geralmente.

Apesar das críticas iniciais, no entanto, a disseminação de notícias fraudulentas por pessoas próximas de Bolsonaro e a elevação da tensão na relação entre os Poderes levou o Supremo a se unir em favor do inquérito.

Mais de um ano depois que ele foi aberto por decisão individual de Toffoli, o plenário da corte referendou a instauração da investigação.

No início de agosto, após Bolsonaro insistir nos ataques às urnas eletrônicas, o TSE tomou uma decisão similar e também instaurou um inquérito de ofício, desta vez para apurar especificamente as acusações sem provas feitas pelo presidente contra a Justiça Eleitoral.

Na tarde desta quinta, Bolsonaro teve uma reunião com o advogado-geral da União, Bruno Bianco, no Palácio do Planalto.

A ofensiva judicial é mais um capítulo da crise institucional entre o Planalto e a cúpula do Judiciário. Além de questionar a segurança das eleições, Bolsonaro tem atacado Moraes e Luís Roberto Barroso, também do STF.

No fim de semana, Bolsonaro chegou a anunciar no Twitter que iria ao Senado para protocolar pedidos de impeachment contra os dois magistrados. Até o momento, ele não cumpriu a promessa.

Recentemente, Moraes determinou a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson sem aval da PGR (Procuradoria-Geral da República). Antes disso, o magistrado também autorizou, sem pedido da PGR nesse sentido, mandados de busca e apreensão solicitados pela Polícia Federal contra o ex-ministro Ricardo Salles.

Na ação desta quinta, a AGU critica a adoção de medidas sem participação da Procuradoria.

“Embora autoridades policiais tenham prerrogativa de requerer diligências para a colheita de elementos de convicção sobre a materialidade e autoria de um fato criminoso, somente o Ministério Público detém a prerrogativa de demandar a decretação das medidas eminentemente investigatórias que demandam autorização judicia”, afirma.

Na argumentação, a ação assinada por Bolsonaro e por Bianco também acusa o STF de omissão.

“Afinal, há violação persistente e difusa de direitos fundamentais dos acusados, há uma omissão do Supremo Tribunal Federal em neutralizar os atos destoantes dos preceitos fundamentais e há um claro bloqueio institucional para o aperfeiçoamento da temática, já que alteração regimental é dependente da iniciativa da Suprema Corte, razão pela qual somente ela pode reparar as violações constitucionais em andamento”, dizem.

 

SENADO NÃO ACEITA REFORMA ELEITORAL FEITA PELA CÂMARA DOS DEPUTADOS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).| Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Com a aprovação, em segundo turno, da PEC da reforma eleitoral na Câmara dos Deputados, agora cabe aos senadores votar as mudanças que incluem o retorno das coligações em eleições proporcionais e uma alteração sutil para atenuar os efeitos da cláusula de barreira. O presidente da casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já adiantou que há certa resistência entre os senadores diante da ideia de alterar novamente as regras eleitorais, já que houve uma minirreforma realizada há pouquíssimo tempo – neste caso, uma resistência benéfica, pois as alterações propostas representarão um retrocesso em comparação com que fora aprovado em 2017 e aplicado nas eleições municipais de 2020.

Se algo de bom ocorreu durante a tramitação da PEC na Câmara, foi apenas o abandono do “distritão”, um novo modelo de eleição de vereadores e deputados que, embora mais simples e aparentemente mais justo que o atual sistema proporcional, condenaria os partidos à irrelevância, incentivando o “cada um por si” – já que os votos de companheiros de chapa e votos na legenda não ajudariam mais a conquistar cadeiras no Legislativo – e encareceria as campanhas eleitorais. No entanto, o fim do “distritão” foi compensado pelo retorno das coligações nas eleições proporcionais, sugerido pelo PT e entusiasticamente apoiado pelas legendas menores, que até 2018 costumavam pegar carona com pesos-pesados eleitorais, coligando-se a eles e apoiando-se em sua votação para conseguir eleger parlamentares.

Entre os próprios deputados que apoiaram a PEC há quem reconheça o retrocesso com a volta das coligações na eleição proporcional

O mal das coligações na eleição proporcional está no fato de as legendas coligadas comportarem-se, para efeitos de distribuição de cadeiras nas Câmaras e Assembleias Legislativas, como uma única sigla. O voto em um candidato de determinado partido, ou o voto na legenda para aquele partido, assim, pode ajudar a eleger um candidato não do partido desejado pelo eleitor, mas de um outro partido, às vezes com ideário bem diferente daquele defendido por quem depositou seu voto – e, no Brasil, as coligações frequentemente criam Frankensteins, unindo partidos com ideias muito distintas. Isso distorce, de certa forma, a representatividade, pois o eleitor colabora, contra a vontade, com a vitória de alguém que certamente não desejaria ver ocupando um cargo eletivo. Isso não ocorre quando os partidos concorrem individualmente na eleição proporcional: ainda que o candidato preferido do eleitor não conquiste a vaga, ao menos aquele voto ajudará a eleger alguém do mesmo partido, o que garante ao menos algum grau de coesão nas plataformas defendidas.

E entre os próprios deputados que apoiaram a medida há quem reconheça o retrocesso. Na votação em primeiro turno, o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), afirmou que “optamos pelo mal menor”. O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (MDB-SP), disse ser “menos ruim para o país a volta da coligação do que o ‘distritão’. Ora, o “mal menor” ainda é um mal; o que é “menos ruim” continua sendo ruim. Mesmo quem defende a definição de política como “a arte do possível”, como se fosse sempre preciso abrir mão das melhores soluções, há de reconhecer o problema quando, para se evitar um retrocesso maior, aceita-se tranquilamente um retrocesso visto como menor.


Fim da coligação é clareza para escolha política (artigo de Francis Ricken, publicado em 17 de agosto de 2021)
Menos comentada, ainda, tem sido a inclusão dos senadores nos cálculos para que os partidos cumpram a cláusula de barreira, o dispositivo que libera benesses a partidos desde que eles atinjam um certo patamar de desempenho em quantidade de votos e número de candidatos eleitos. Até então, apenas deputados eram considerados para esta conta. A inclusão dos senadores parece justa à primeira vista, mas o pulo do gato está no fato de esses parlamentares serem eleitos em voto majoritário, não proporcional, e poderem trocar de partido a qualquer momento. Com sua inclusão no cálculo, um partido com desempenho fraco na votação para deputado, prestes a ficar abaixo dos patamares mínimos de desempenho e perder acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e televisão, poderá cooptar senadores com todo tipo de oferta para que eles se filiem, levando a legenda a ficar acima da cláusula de barreira.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que apoia as mudanças nas regras eleitorais, está preocupado com as resistências no Senado e com a possibilidade de a PEC demorar para ser apreciada naquela casa – qualquer mudança eleitoral só começa a valer um ano depois de sua aprovação; para ser aplicada já no pleito de 2022, a PEC 125/2011 precisaria passar pelo Senado no máximo até os primeiros dias de outubro. Lira vem cobrando de Pacheco ao menos que a PEC entre logo em pauta. “Eu só pedi o respeito do presidente Rodrigo Pacheco, de em a Câmara aprovando em segundo turno, ele pautar a PEC. Mas sem compromisso nenhum com o resultado. O resultado é os senhores senadores quem vão praticar”, afirmou o presidente da Câmara. De fato, melhor que atrasar a tramitação da PEC seria colocá-la logo em votação, aproveitando que os senadores estão refratários a novas mudanças, e derrubar de uma vez retrocessos como o retorno das coligações, deixando claro que qualquer novidade no processo eleitoral tem de representar avanço, não o retorno a práticas cujos resultados já se mostraram negativos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/a-reforma-eleitoral-no-senado/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...