sexta-feira, 9 de julho de 2021

CRIAR PÁGINAS DE VENDAS DE ALTA CONVERSÃO

 

LANDING PAGE POR ANGELA DE OLIVEIRA

Se você chegou neste artigo, eu acredito que você provavelmente está passando por uma destas duas situações:

  • você está organizando o seu primeiro lançamento ou funil de vendas e você quer garantir que está fazendo tudo certo e não vai cometer nenhum erro na sua página de vendas.
  • ou, então, todas as etapas do seu lançamento ou funil de vendas funcionam bem, mas quando chega na página de vendas, o seu cliente não finaliza a compra…

Se você está no segundo grupo, eu consigo imaginar o tamanho da sua frustração. Talvez você até se pergunte: “onde foi que eu errei?”

Seja qual for a sua situação (começando agora ou buscando otimizações), eu não posso deixar de te alertar sobre um ponto indispensável para a sua página de vendas.

É a falta dele que faz com que o segundo grupo fique se perguntando “onde foi que eu errei?”.

E ele pode passar despercebido pelo primeiro grupo.

Vou te explicar o que é.

Mas primeiro me responda uma coisa: ao se deparar com um produto ou serviço novo quantas vezes você já pensou ou ouviu alguém falando uma dessas frases:

“Será que funciona?”

“Isso é bom demais para ser verdade!”

“É muito caro!”

“Não tenho tempo para isso.”

É bem provável que não tenha acontecido só uma vez, mas várias. Isso porque todo mundo tem uma voz na cabeça que fica falando frases desse tipo.

Principalmente quando tem uma super promessa envolvida, algo que parece mesmo muito bom para ser verdade.

E com o seu cliente não é diferente.

Enquanto ele está lendo ou pesquisando sobre o seu produto ou serviço, vários pensamentos podem surgir na mente dele e, geralmente, eles são de incredulidade de que o produto ou serviço não consegue cumprir 100% do prometido.

O nosso cérebro foi treinado para não gastar energia. Então qualquer coisa que exija um pouco mais de esforço, ele vai dar desculpas para você não fazer.

No marketing digital essas desculpas são chamadas de objeções e, você querendo ou não, são elas que impedem o seu cliente de comprar o seu produto ou serviço.

Agora… Já imaginou conseguir quebrar todas essas objeções a tempo de o potencial cliente aceitar a sua oferta?

É isso que não pode faltar na sua página de vendas no site da ValeOn.

E esse ponto não fica concentrado em apenas um elemento da página não, mas faz parte de todo o conteúdo dela.

Por isso, nas próximas linhas, eu vou te explicar onde quebrar as objeções do seu potencial clientes, além de:

  • o que é uma página de vendas;
  • qual a importância dela para o seu negócio;
  • como criar uma página de vendas de alta conversão;
  • quais os elementos que uma página de vendas deve ter;
  • e 12 dicas para melhorar os seus resultados.

Vamos lá?

O que é uma página de vendas?

A página de vendas é onde você anuncia na Plataforma Comercial da ValeOn, onde um produto ou serviço é ofertado com o objetivo de persuadir o visitante a fazer uma compra.

É nela que você vai explicar todos os benefícios, resolver as dúvidas ou objeções, provar a eficiência do seu produto ou serviço, falar do preço, das formas de pagamento e garantia.

Ela é a última etapa antes de o potencial cliente colocar os dados do cartão ou de outra forma de pagamento e finalizar a compra na página de checkout.

Ou seja, é um dos pontos mais cruciais do seu lançamento ou funil de vendas.

O objetivo da página de vendas é que, após ver o conteúdo dela, o seu potencial cliente não tenha dúvidas de que o seu produto ou serviço é a solução que ele está procurando e vá decidido para a loja, onde a compra é finalizada.

Funciona mais ou menos como se a página de vendas fosse o vendedor de uma loja física que te fala sobre o produto e convence a levar e a página de checkout é o caixa.

Qual a importância da página de vendas para o seu negócio?

Em primeiro lugar, é com ela que você vai convencer o seu cliente a comprar seu produto ou serviço.

Como eu disse, é um dos pontos mais cruciais do seu lançamento ou funil de vendas.

Sem uma excelente página de vendas, que não é o caso do site da ValeOn, você pode acabar por repelir até mesmo os potenciais clientes que já estavam meio convencidos de que seu produto ou serviço é a solução que eles procuravam.

Por isso, essa página não pode ser criada de qualquer jeito e a valeOn sabe disso e capricha nas páginas de vendas dos seus clientes.

Em segundo lugar, a página de vendas é uma ótima maneira de você ter um portfólio completo dos seus produtos ou serviços sempre que quiser.

Já que a página de vendas permite fazer uma descrição mais completa e ainda mostrar um pouco mais sobre os benefícios do que você está oferecendo.

Além disso, ela é uma ótima maneira para você filtrar quem realmente está interessado no seu produto ou serviço e fazer métricas das quantidades de clientes interessados.

Então, para evitar transtornos ou pessoas insatisfeitas a página de vendas da ValeOn  é onde você pode deixar claro o que está oferecendo e para quem serve o seu serviço.

Descrição do produto ou serviço

É importante que você também descreva o seu produto ou serviço na sua página de vendas da ValeOn.

Na descrição, você não deve falar só o que é que você está vendendo, mas também mostrar que aquilo que você está oferecendo é exatamente o que o visitante está procurando.

Isso é importante porque ninguém quer comprar um produto ou serviço e sim a solução que aquilo irá trazer para a vida dele.

Benefícios do seu produto ou serviço

Um dos principais focos da sua página de vendas deve estar aqui.

Pois mesmo que você faça uma ótima descrição do seu produto ou serviço, há grande chances de você não convencer o visitante só falando que o seu produto é muito bom.

Isso porque as características ou funções são apenas dados que mostram o que é o seu produto ou serviço e, geralmente, uma pessoa toma uma decisão depois de saber quais são os benefícios.

Assim você explica para o seu visitante as vantagens do serviço de uma forma que ele entenda como você pode ajudá-lo.

Preço e formas de pagamento

Depois de falar sobre o que é seu produto ou serviço, mostrar os benefícios e trazer prova dos resultados que seus potenciais clientes podem alcançar, chegou a hora de amarrar a sua oferta.

Durante os outros elementos, você deu foco no valor do seu produto ou serviço. Isso é em como a sua oferta pode transformar a vida dos seus clientes.

Se esse valor for muito bem construído, será fácil falar em preço.

Porque o potencial cliente enxergará que vale a pena pagar cada centavo pela solução que você oferece. Ele até verá como um investimento e não um gasto.

Conclusão

Nas últimas linhas você viu a importância da página de vendas para quebrar as objeções dos seus potenciais clientes e levá-los a concluir a compra.

Esta página é onde você vai dar as informações sobre seu produto ou serviço, explicar os benefícios, tirar as dúvidas e fazer uma oferta para converter os visitantes em clientes.

Nós te explicamos que para criar uma página de vendas na Startup ValeOn,  você não precisa esquentar a cabeça com nada,  você só fornece os dados necessários e o resto a equipe da ValeOn  providencia toda a divulgação dos seus produtos ou serviços no seu site e em todas as redes sociais e onde for possível a sua divulgação nas diversas mídias.

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FORÇAS ARMADAS INTERPRETAM ASSOCIAÇÃO COM MILÍCIAS

 

 Marcelo Godoy – Jornal Estadão

Quando o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, usou a expressão “lado podre das Forças Armadas” para designar envolvidos com supostas falcatruas no governo de Jair Bolsonaro, de imediato começaram as consultas entre os chefes militares. Os comandantes e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, viram na fala de um ex-secretário da Segurança Pública – Aziz ocupou o cargo no Amazonas – uma referência à “banda podre” das polícias, uma generalização considerada “inaceitável” pela cúpula militar.Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid. © Edilson Rodrigues/Agência Senado Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid.

Mesmo o comandante do Exército, Paulo Sérgio de Oliveira, que estava visitando unidades no Rio Grande do Sul, contribuiu com a redação do documento. No fim, a expressão “lado podre” não entrou na nota. Mas ela provocou a reação, assim como a palavra “genocídio”, usada pelo ministro Gilmar Mendes ao comentar a atuação dos militares na pandemia, provocara outra nota, em 2020. Os comandantes decidiram reagir ainda que a ação fosse interpretada como adesão a Bolsonaro ou como ameaça, conforme acusaram ontem 60 entidades reunidas no Pacto pela Democracia. Também não mencionaram as denúncias contra os coronéis da Saúde. Disseram apenas que as Forças se “pautam pela observância da lei”.

Historicamente, toda vez que as Forças são confrontadas por civis, as divisões entre generais são esquecidas e eles procuram agir unidos – nesta quinta-feira, 8, até o ex-ministro Carlos Alberto Santos Cruz criticou a expressão “lado podre”. Mas ao tentarem impedir novos ataques às Forças Armadas na CPI, os comandantes permitiram a Bolsonaro e aos bolsonaristas usarem o episódio para vincular mais uma vez os militares ao governo. Símbolo disso foi o fato de o presidente e bolsonaristas terem distribuído a nota dos generais antes mesmo de o Ministério da Defesa divulgar o documento.

* É REPÓRTER ESPECIAL DO ‘ESTADÃO’

PRESIDENTE DA CPI RECOLHE AS ARMAS

 

Mas membros da CPI elevam tom contra ‘tentativa de intimidação’

 RENATO MACHADO E RAQUEL LOPES – Folha de São Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Um dia após o atrito com as Forças Armadas, que soltaram nota criticando sua fala, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), reafirmou que estava se referindo a indivíduos e não a instituições. Apesar disso, manteve o tom crítico e ganhou o apoio de outros senadores, que enxergaram a reação dos militares como um ataque ao Legislativo.BRASÍLIA, DF, 08.07.2021 - O presidente e vice-presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) (terno cinza claro) e senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) (Terno escuro) durante coletiva de imprensa em Brasília (DF), nesta quinta. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)© Fornecido por Folha de S.Paulo BRASÍLIA, DF, 08.07.2021 – O presidente e vice-presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) (terno cinza claro) e senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) (Terno escuro) durante coletiva de imprensa em Brasília (DF), nesta quinta. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Durante sessão da comissão nesta quarta-feira (7), Aziz havia afirmado que há muitos anos o Brasil “não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”.

Em reação, as Forças Armadas divulgaram nota repudiando as declarações do presidente da CPI.

“Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”, dizem os militares. “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.”

A nota chegou a ser compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que constantemente dispara ataques à CPI e à cúpula da comissão, formada por Aziz, pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), e pelo vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Na tentativa de apaziguar os ânimos, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), conversou por telefone com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

Pacheco depois postou em suas redes sociais a afirmação de que o episódio foi um “mal-entendido” e que o assunto estava “encerrado”.

“Nesta manhã, tive uma conversa com o ministro da Defesa, general Braga Netto. Ressaltamos a importância do diálogo e do respeito mútuo entre as instituições, base do Estado democrático de Direito, que não permite retrocessos.”

Pacheco acrescentou que existe pela parte dos senadores reconhecimento aos valores das Forças Armadas, “inclusive ético e morais” –justamente o tema da crítica de Aziz.

E, em uma frase que foi vista como um recado direito, escreveu que a independência e as prerrogativas parlamentares são os principais valores do Legislativo.

“O episódio de ontem [quarta-feira], fruto de um mal-entendido sobre a fala do colega senador Omar Aziz, presidente da CPI, já foi suficientemente esclarecido e o assunto está encerrado”, completou Pacheco.

Aziz também se manifestou sobre o caso durante a sessão da CPI da Covid nesta quinta-feira (8). Manteve o tom crítico, mas afirmou que não generalizou em seus comentários anteriores e que se referia a personagens específicos.

“Sempre não misturei as Forças Armadas com alguns que estão a serviço desse governo, tanto é que, quando o general Pazuello esteve aqui, eu o chamo de ‘ex-ministro da Saúde'”, disse.

Outros senadores e membros da CPI elevaram o tom contra o comando das Forças Armadas. Criticaram duramente a nota, considerando um ataque contra a comissão e contra o Senado.

“Eu queria dizer que esse precedente do Braga Netto ontem [quarta], ministro da Defesa, isso é um precedente inusitado. Esta comissão parlamentar de inquérito, que é uma instituição da República, não pode ser ameaçada sob pretexto nenhum”, afirmou Renan durante sessão da comissão.

“Nós estamos investigando e retirando a máscara de um esquema que funcionava no Ministério da Saúde que proporcionou o agravamento do número de mortes de brasileiros em função da Covid. Ora, se isso vai desvendar a participação de civil ou militar não importa. O que importa é que esta comissão parlamentar de inquérito não vai investigar instituições”, completou.

Randolfe afirmou que “ninguém vai intimidar” a CPI.

“Sejam eventuais notas que não correspondem à integridade das Forças Armadas deste país. As Forças Armadas deste país foram formadas em Guararapes, o que constituiu a identidade nacional e honra a bandeira, a pátria, a nação brasileira.”

“As Forças Armadas não são elementos isolados. Nós estamos vendo aqui a responsabilidade do senhor [ex-secretário-executivo da Saúde] coronel Elcio Franco. Atitudes como as desse senhor envergonham as Forças Armadas. E eu tenho a certeza de que os bons militares têm consciência disso”, completou.

Em discurso no plenário, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada feminina, disse que não é hora de “elevar o tom, mas muito menos de se curvar ou se calar”. Ela afirmou que em nenhum momento se criticou as instituições.

“Quando um militar decide compor a equipe de um governo, ele deixa as vestes da instituição a qual jurou defender e passa a ser um agente político, com todas as prerrogativas e direitos, mas também com todos os deveres.”

A JUSTIÇA NO BRASIL SÓ PENDE PARA UM LADO

 

Brasil

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Brasília – Manifestantes contra Lula protestam na Esplanada dos Ministérios. O STF julga o pedido do ex-presidente para não ser preso até se esgotarem os recursos na Justiça (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Manifestantes pressionam o STF em ato na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.:| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Imagine por alguns minutos (só imagine; é melhor não dizer nada a ninguém) que na próxima manifestação de rua em favor do presidente Jair Bolsonaro, da cloroquina e do voto impresso você pendure na sua moto uma bandeirinha dizendo: “Viva o AI-5”. (Para dar um “plus a mais”, pode colocar junto um retrato do general Costa e Silva). É melhor nem pensar nisso, ou em qualquer coisa parecida.

Você não vai mais ter sossego na vida. O ministro Alexandre de Moraes vai lhe socar em cima um inquérito pela prática de “atos antidemocráticos” e “inconstitucionais”, com pleno apoio do Supremo Tribunal Federal, da Câmara e do Senado. Os jornais, as rádios e a televisão vão cair em estado de choque. Os artistas de novela e as celebridades da música popular vão assinar um manifesto exigindo “respeito à democracia”.

Agora: que tal, em vez disso, ir para a rua carregando um cartaz com a imagem de Getúlio Vargas e algum salmo em sua glória? Getúlio criou e comandou durante oito anos, entre 1937 e 1945, a pior ditadura que o Brasil já teve. Seu “Estado Novo” prendeu, torturou e exilou pessoas, censurou a imprensa como nenhum outro regime, fechou o Congresso, colocou o Judiciário em modo silencioso, governou por decreto e não fez nenhuma eleição. Mas se você levar a figura do ditador a uma manifestação contra Jair Bolsonaro e a favor da democracia, vai ser recebido com uma salva de palmas.

É o Brasil de hoje. O Estado Novo é pior que o AI-5, por qualquer metro que se queira usar, mas falar bem de Getúlio é ser “progressista”, e falar bem dos militares é ser “fascista” — pior, pode dar cadeia. Segundo o ministro Moraes, a mídia esclarecida e as classes intelectuais, todos empenhados em salvar o Brasil da ditadura, atos “antidemocráticos” e “inconstitucionais” só podem ser cometidos numa direção — a da direita. Na direção contrária vale qualquer coisa, incluindo louvores à ditadura getulista.

Vale também tocar fogo nas coisas, quebrar vidraças, pichar bancas de jornal, destruir propriedade pública ou privada e jogar pedra na polícia; afinal é “contra Bolsonaro”, e se for “contra Bolsonaro” qualquer crime é aceito com aplausos. As “autoridades locais” permitem tudo, ou porque acham certo ou porque têm medo de serem acusadas de “violência policial”. O governo federal se cala. Os militares não mexem uma palha para assegurar direitos que vem sendo cada vez mais desrespeitados — a começar pelos seus.

A lei, no Brasil, transformou-se numa piada grosseira. A democracia também; lugar onde a lei só vale de um lado não é democracia nenhuma.


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SE NÃO TOMARMOS CUIDADO A BANDEIRA DO BRASIL VAI MUDAR

 

Por
Luís Ernesto Lacombe – Gazeta do Povo

Manifestantes incendiaram ponto de ônibus e lançaram coquetéis molotov contra a polícia durante protesto contra Jair Bolsonaro em São Paulo.| Foto: PMESP
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A foice e o martelo marcham pela Avenida Paulista. Servem para isso, para dar golpes, bater, ceifar, cortar. Carregam milhões de mortes pelo mundo, ao longo da história, em guerras, revoluções, fuzilamento, forca, fome, miséria, doenças… Seus assassinos e genocidas passeiam como heróis, como “justiceiros sociais”, em faixas, cartazes, bandeiras, camisetas, boinas e bonés, por uma das principais avenidas da maior cidade do Brasil. É o desfile da enganação, da hipocrisia, do ódio.

Não é tanta gente, mas é uma gente estranha. Lá vão os “antifascistas” que prestam homenagem a Getúlio Vargas, que defendem mais Estado, que querem um Estado tutor, dirigindo nossas vidas nos mínimos detalhes… São violentos e totalitários, isso eles nem disfarçam. Espancam social-democratas, depredam pontos de ônibus, uma loja de carros, botam fogo numa agência bancária, montam barricadas na rua, pedaços de madeira, papelão, sacos de lixo, álcool e fogo.

A foice e o martelo são o símbolo de um regime autoritário, que finge preocupação com a distribuição de riqueza, mas não tem como produzi-la, e o que distribui, na verdade, é a miséria

Querem mesmo o fim da polícia, não basta estampar esse desejo numa faixa, gritar contra as forças de segurança. Chutes, voadoras, paus e pedras nos policiais, em agentes que tentam proteger uma estação do metrô. Encapuzados e mascarados, muito antes de qualquer vírus… Escondem o rosto, mas não podem esconder sua ignorância ou seu cinismo.

A foice e o martelo são o símbolo de um regime autoritário, que suprime todas as liberdades, que finge preocupação com a distribuição de riqueza, mas não tem como produzi-la, e o que distribui, na verdade, é a miséria. Exceto, claro, para a casta dominante, os políticos de um partido único.

VEJA TAMBÉM:
Desonestidade, incompetência e ferrugem
Democracia em cinzas
O grande fascista
Podem chamar de comunismo, socialismo, podem trocar para “progressismo”, não há disfarces que socos, chutes, pauladas e pedradas imponham. Nunca deu certo, e nunca dará. A ideologia que defendem com violência, destruição, com vandalismo é a mais assassina da história. Ruy Barbosa, cuja obra meu avô materno organizou e publicou, sempre soube disso: “O comunismo não é a fraternidade: é a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens: é a sua exterminação mútua. Não dá tréguas à ordem, dissolve a sociedade, desumana a humanidade”.

Combater um fascismo imaginário, marchando por ideais totalitários, num movimento claramente antidemocrático, é patético. Sou totalmente a favor da liberdade de expressão, da livre manifestação de pensamento, mas permito-me apontar incoerências, desonestidade, falsidade. Bater e ceifar, espalhar foices e martelos por uma avenida, pedindo a ditadura do proletariado, o comunismo… Como é possível entender alguém que defende a implantação de um regime que proíbe as manifestações? Ou já liberaram protestos na China, Coreia do Norte, Venezuela, Nicarágua, em Cuba, e eu não fiquei sabendo?


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CRISE ENTRE O SENADO E AS FORÇAS ARMADAS

 

CPI

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Omar Aziz abraça o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco: senador amazonense cobrou uma reação institucional da Casa contra os militares, mas não foi atendido por Pacheco.| Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

No dia seguinte à divulgação da nota de repúdio dos três chefes militares e do ministro da Defesa em reação à declaração do senador Omar Aziz (PSD-AM) na CPI da Covid, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que considera o assunto encerrado.

Aziz queria que o Senado se posicionasse institucionalmente ao lado dele: “se me intimidam, intimidam essa Casa aqui”, disse. Mas o presidente da CPI esquece que foi ele próprio que criou essa crise ao afirmar que existe uma “banda podre” nas Forças Armadas. É uma calúnia porque não há nenhuma prova disso.

As Forças Armadas e o Ministério da Defesa reagiram dizendo que Aziz fez uma acusação “grave e irresponsável” de um “forma vil e leviana”. O presidente do Senado conversou com o ministro da Defesa, Braga Netto, na quarta-feira (7) e ficou muito claro que a nota dos militares foi uma advertência dirigida a Aziz e não ao conjunto de senadores.

Aziz tem se notabilizado no comando da CPI pelo excesso verborrágico. Ele vê crime e condena as pessoas antecipadamente sem ter a mínima prova; é só porque ele acha. O nome disso é calúnia, é difamação, é injúria porque fica no ar, sai na televisão que está cobrindo a CPI. É uma tremenda irresponsabilidade dizer coisas assim e ainda querer empurrar o Senado para uma crise com as Forças Armadas.

Aliás, eu soube a irritação dos chefes militares ao saberem da declaração infeliz de Aziz foi bem maior do que o expressado na nota do Ministério da Defesa, que é mais político, procurou aparar arestas.

O assunto agora, como disse Pacheco, está encerrado, mas em temos: desde que não haja reincidência. A médica Nise Yamaguchi, por exemplo, reagiu na Justiça ao constrangimento sofrido na CPI. Já os militares a gente nunca sabe como podem reagir, se na Justiça ou sabe-se lá o quê.

É óbvio que se houver algum desvio de conduta de militares, como do general Eduardo Pazuello ou do coronel Élcio Franco, haverá punição, certamente, pela Justiça. Agora se não houver nada e se configurar crime de calúnia, aí os caluniadores terão de prestar satisfações à sociedade, à Justiça e às Forças Armadas.

Por que é incrível. Na sessão desta quinta-feira (8) na CPI, por exemplo, a gente ouviu o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) perguntar: “A mando de quem ele estava matando gente?”. Ele era o coronel Élcio Franco. Vejam, essa é uma afirmação grave. Ele é um senador da República, que tem que respeitar o Senado e o estado que representa, não pode falar dessa maneira. Talvez no futuro se pergunte isso: por que morreu tanta gente de Covid-19? No mínimo porque não foram tratados imediatamente.

Os caminhos da CPI estão sendo muito criticados pela opinião pública por causa dessa irresponsabilidade. Querem investigar, rudo bem. Está cheio de coisas para serem investigadas: desvios de bilhões de dinheiro do povo que foram para governadores e prefeitos; o que aconteceu com as vacinas; a falta de oxigênio em Manaus, etc. Mas a gente sabe que a CPI tem outro objetivo: tentar enfraquecer a possibilidade de reeleição do presidente Jair Bolsonaro.


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quinta-feira, 8 de julho de 2021

MOTIVOS PELOS QUAIS O DIRETOR DO MINISTÉRIO DA SÁUDE SAIU PRESO DA CPI

Prisão foi pelo crime de perjúrio e se baseia em lei de 1952 que regulamenta as CPIs

André Shalders/BRASÍLIA

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, durante depoimento à CPI Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Depois de mais de dois meses e 32 sessões, a CPI da Covid no Senado, criada para investigar ações do governo federal na pandemia, realizou sua primeira prisão. Ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias foi detido pela Polícia Legislativa por ordem do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). Embora a primeira prisão só tenha ocorrido agora, as inconsistências foram comuns nos depoimentos de outras pessoas ouvidas pelos senadores.

“Esse dia ia chegar”, disse o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, após o depoimento. “Houve tolerância (até agora), mas chegou um momento em que não houve mais (…). Ele (Roberto Dias) mentiu do início ao fim”, disse ele. Ao determinar a prisão do ex-servidor comissionado do ministério, Aziz listou ao menos doze supostas inverdades proferidas por ele, que foi indicado ao cargo pelo ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Ao mentir na CPI, Dias teria cometido o crime de perjúrio, ou seja, violou o dever de falar a verdade sob juramento.

Segundo Aziz, Dias quebrou a lei de 1952 que regulamenta as CPIs, e que dispõe que a prisão pode ocorrer se o depoente fizer “afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, tradutor ou intérprete, perante a Comissão Parlamentar de Inquérito”. A pena, que também está prevista no Art. 342 do Código Penal, é a prisão por 2 a 4 anos, e multa.

O ex-diretor do Ministério da Saúde ficou detido no Senado Federal depois do fim do depoimento. Ele será levado à Superintendência Regional da Polícia Federal e deve ser solto após ser ouvido por um delegado — como o crime é considerado de menor gravidade, a prisão deverá ser relaxada depois do pagamento de fiança, para que Dias possa responder em liberdade.

Dias foi acusado pelo cabo da PM de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti de solicitar propina durante a negociação da venda de 400 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca. O pedido teria acontecido durante um encontro casual entre os dois em um restaurante num shopping de Brasília, segundo Dominghetti, e o valor seria de US$ 1 de propina a cada dose. O PM se apresenta como “vendedor de vacinas” e diz representar uma empresa dos EUA, chamada Davati Medical Supply. Apesar disso, a AstraZeneca nega ser representada pela Davati, e a Davati negou ter qualquer vínculo formal com o PM.

Ao depor aos senadores, Dias confirmou ter se encontrado com Dominghetti, mas disse que o encontro foi casual – não tinha sido marcado de antemão – e negou ter pedido propina. No entanto, durante o depoimento, os senadores revelaram um áudio de Dominghetti no qual ele cita o ex-diretor e diz que terá uma reunião com o ministério para tratar do assunto.

Outros senadores discordaram da decisão de Aziz de determinar a prisão do Roberto Dias – caso do vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e de Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Vieira pediu “respeito aos precedentes” da própria comissão. “A gente não botou um general (Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde) que estava mentindo na cadeia. A gente não botou o (Fábio) Wajngarten (ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República) mentindo, na cadeia. Então, eu peço a V. Exa., com todo respeito, que avalie a reconsideração da decisão”, disse Vieira.

 

CLÁSSICOS DA LITERATURA SÃO DESCOMPLICADOS PELAS EDITORAS

 

  1. Cultura 

Para atrair novo público, editoras descomplicam clássicos da literatura

Grandes histórias da literatura ganham recursos, como fotos e ilustrações

Maria Isabel Miqueletto, Especial para o Estadão

A dúvida que atingiu o estudante carioca Felipe Francisco da Silva, de 14 anos, após terminar seu livro favorito, pode muito bem ter ocorrido também a algum brasileiro que fez a mesma leitura no final do século 19. Se Capitu traiu Bentinho no emblemático Dom Casmurro, Felipe não sabe, mas tem consciência de que ler Machado de Assis abriu sua cabeça. Isso porque foi parte do seu processo de perceber que obras clássicas não eram “bichos de sete cabeças”. 

Clássicos
O museólogo Kassio Alexandre Paiva Rosa, leitor de clássicos Foto: Acervo Pessoal

“Ficava com medo de ler livros brasileiros clássicos porque todo mundo falava que era muito difícil”, conta. Depois de abrir as portas para o cânone literário, leu de F. Scott Fitzgerald a Charles Dickens, passando por Jorge Amado e George Orwell. Felipe ainda dedica expressivo espaço em sua estante para as obras de Agatha Christie, uma das quatro mulheres entre os 15 autores mais citados pelo público na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2020. A britânica figura como a autora preferida do estudante junto com Machado de Assis.

Editoras têm resgatado histórias raras e clássicos da literatura mundial com uma premissa: adaptar sua linguagem ao mundo atual, com elementos visuais e a inclusão do digital na experiência do leitor. Existe um facilitador: no Brasil, após 70 anos da morte do autor, suas obras caem em domínio público. O País é signatário da Convenção de Berna. Ou seja, é possível publicá-las sem pagar pelos direitos autorais do texto original.

“Essas histórias têm o mesmo potencial de tocar e emocionar as pessoas que tinham antes”, defende Jezio Gutierre, diretor-presidente e editor executivo da Fundação Editora da Unesp. Mas justamente a ideia de que este tipo de literatura é mais difícil de compreender muitas vezes afasta possíveis leitores. “Existe um desafio típico do processo de leitura – não apenas dos clássicos. Nosso objetivo é dessacralizar essa impressão que, em grande parte, me parece injusta e errônea”, explica Gutierre. 

A editora lançou a coleção Clássicos da Literatura Unesp com o intuito de preencher as lacunas de acesso ao cânone literário brasileiro e mundial. “É um empobrecimento de qualquer indivíduo ou população não ter acesso aos clássicos”, opina Gutierre. “Queremos propiciar um canal sólido de vivência literária. Quando um público não tem esse contato, está retirando dele esse tipo de prazer.” 

Em sua coleção Clássicos da Literatura, além de Machado de Assis, a Editora da Unesp pretende publicar outros 10 autores neste ano. Entre eles, José de Alencar, Scott Fitzgerald e Molière. Não se trata só de obras consideradas clássicas – títulos de décadas e séculos passados revelam realidades longínquas que, à primeira vista, podem parecer desconectadas da atualidade. Mas, depois de apresentar seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre contos de fadas antigos originais, Marina Ávila percebeu o contrário: havia muito interesse de pessoas próximas em ler as histórias macabras e sombrias da época. “Isso me ajudou a ver que várias pessoas gostavam desse tipo de literatura, de descobrir o passado”, diz a produtora editorial.

Mrs Dalloway
Illustração de Sabrina Gevaerd para ‘Mrs. Dalloway’, de Virgina Woolf, publicado pela Antofágica Foto: Antofágica

Foi a partir dessa experiência que decidiu fundar a Editora Wish. O livro que estabeleceu a personalidade da editora foi Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, de Thomas Peckett Prest, que ainda não havia sido publicado no Brasil. “Assim descobrimos o quanto era legal publicar os livros antigos, mas não só os clássicos – e, sim, os raros”, pontua. Por meio de um financiamento coletivo conseguiram fazer a publicação.

Foi por meio desta campanha que o museólogo Kássio Alexandre Paiva Rosa, 31, teve contato com o universo das histórias antigas. Foi uma resposta à sua curiosidade de entender como eram consumidas a cultura e a arte em outros tempos. “Hoje, pode parecer meio cult, um consumo não hegemônico, mas esse tipo de literatura era o Netflix da época, era o consumo das massas”, diz.

Na Wish, Marina prioriza na curadoria obras que se conectem com o mundo atual. E acredita que, apesar da distância do tempo, a conexão com as histórias pode ser a mesma. “A filosofia por trás de vários livros é parecida com o que a gente vive hoje, e conseguimos nos conectar com os personagens da mesma maneira. Isso demonstra que todos nós somos muito parecidos, mesmo tanto tempo atrás”, afirma. “O objetivo é que seja uma redescoberta do passado e uma aventura para os leitores.”

Aliar as grandes histórias da literatura mundial aos recursos da atualidade: essa é a estratégia da Editora Antofágica. Seu slogan sintetiza a ideia: “clássicos para novos tempos”. “Respeitar, mas interpretar o livro dentro da modernidade, do que estamos passando, da cultura contemporânea, que evoca a estética da Netflix e envolve o mundo digital”, resume Daniel Lameira, diretor criativo nas editoras Antofágica e Aleph. É a alquimia que combina o passado da escrita com o presente dos posfácios, ilustrações de artistas com linguagens visuais contemporâneas e aulas que acompanham cada obra. “É quase como coprotagonizar a edição”, analisa.

Felipe Francisco da Silva
O estudante Felipe Francisco da Silva, de 14 anos Foto: Acervo pessoal

A modernização pode ganhar mais importância em um cenário em que os pré-adolescentes de 11 a 13 anos somam 81% dos leitores. É a faixa etária que mais lê no país, apontou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2020. Na categoria geral, pouco mais da metade da população (52%) tem hábitos de leitura, com a média de livros lidos por ano de 4,2 por pessoa.

“Outras edições cumprem um papel importante de ter o texto limpo, nossa intenção é ocupar outro espaço que é possível”, pondera Lameira. Cada edição tem cerca de quatro textos extras e a carta de um apresentador. Este último papel já foi ocupado pelo ator e humorista Gregório Duvivier, na obra 1984. O intuito é gerar essa proximidade, apresentar um leitor a outro. 

O estudante Francisco sentiu o impacto em suas leituras. Ele percebe que as ilustrações complementam seu entendimento e o ajudam a imaginar a história. “Foi uma leitura muito diferente, as ilustrações e os textos complementares me fizeram correr atrás de pesquisar algumas coisas, a história ficou mais esclarecida”, conta. 

O impacto tem sido percebido nos números. A edição da Antofágica de Dom Casmurro vendeu, só na pré-venda, 6 mil exemplares. O grupo no Telegram conta com 2,5 mil pessoas, que conversam sobre literatura clássica. “Conseguimos nos conectar com as pessoas no YouTube, com a linguagem da plataforma”, exemplifica. “A possibilidade de conversar no mundo digital faz parte da concepção e da própria escolha do livro.”

Dom Casmurro
‘Dom Casmurro’, da Antofágica, ganha ilustrações de Paula Siebra Foto: Antofágica

Foi ao modernizar o diálogo com obras clássicas que a Antofágica construiu uma comunidade em torno da leitura: a “cidade” Antofágica tem prefeito e até a Gazeta Antofagense, que descontraidamente conta sobre a chegada dos novos “moradores”, os autores consagrados. A Editora Wish presenciou o mesmo entre seus leitores. “As pessoas têm confiança na nossa curadoria”, diz Ávila.

Isso está conectado à mentalidade de uma época. A importância da criação de comunidades é apontada pela WGSN, empresa líder em tendências, como uma forte tendência entre consumidores para 2022. Este grupo chamado de “comunitários” é composto principalmente por Millennials e pessoas da Geração X. O museólogo Kássio participa de grupos virtuais da Antofágica e da Wish. “Leitura pode ser algo muito solitário, mas quando temos a oportunidade de ter essas trocas é muito rico”, diz.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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