terça-feira, 29 de junho de 2021

CLASSIFICAÇÃO DOS MELHORES CAFÉS SOLÚVEIS

 

Feito em um instante: os 11 melhores cafés solúveis, uma alternativa prática e saborosa

Nova safra de cafés instantâneos mostra que mercado está empenhado em oferecer produtos de melhor qualidade. Confira avaliação

Ensei Neto, Especial para o Estado de São Paulo

Se só de ouvir falar em café solúvel você já vira os olhos, com total desprezo, este teste realizado pelo Paladar servirá como um convite para deixar o preconceito de lado e se abrir para novas experiências. É verdade que a má reputação do café instantâneo, como também é chamado, não é de graça: no Brasil, bem como na Europa e nos Estados Unidos, ele é visto como um produto de qualidade regular (quando não, pior) em razão de os produtos oferecidos serem preparados, principalmente, a partir de grãos da espécie Coffea canephora e suas variedades conilon e robusta, de maior rendimento no processo industrial. 

Desgutação às avaliou os melhores cafés solúveis do mercado 

Desgutação às avaliou os melhores cafés solúveis do mercado  Foto: Felipe Rau/Estadão

A boa notícia é que, por aqui, há um movimento para oferecer café solúvel de excelente qualidade pelas principais torrefações, acompanhando uma tendência global. Destaque para as badaladas Intelligentsia, de Chicago; Ritual, de San Francisco; e Blue Bottle, de Oakland, que passaram a oferecer suas versões de café instantâneo. Na Europa, o destaque vai para a italiana illy, com blend de arábicas, e para a alemã The Barn, que mantém um excelente café instantâneo preparado com grãos naturais etíopes Dambi Uddo.

Curiosamente, o Brasil produz café instantâneo com grãos de café arábica desde a década de 1980, com a Cia. Iguaçu de Café Solúvel. A produção, porém, era exclusiva para exportação para o mercado japonês.

A degustação

Como já é possível encontrar no mercado uma porção destes novos cafés instantâneos, promovemos uma degustação às cegas para avaliar 11 destes produtos.

Tendência global. Há um novo movimento para oferecer café solúvel de excelente qualidade

Tendência global. Há um novo movimento para oferecer café solúvel de excelente qualidade Foto: Felipe Rau/Estadão

Além de mim, Ensei Neto, especialista no assunto e autor do blog Um Café para dividir, a prova, realizada no Centro de Preparação de Café do Sindicafé São Paulo, contou com um júri de peso, que se relaciona com a bebida de diferentes formas: Camila Archanjo (do Sindicafé), Maurício Maia (do blog O Cachacier) e a chef Carla Pernambuco. Cada jurado foi colocado em uma cabine de avaliação sensorial para provar as amostras de café preparadas na proporção de 1:39 (10g de café instantâneo para até 400 ml de água) – o equivalente a uma colher de chá para uma caneca de 240 ml. A água utilizada foi padronizada em sistema Pentair e aquecida a 96°C para o serviço.

No geral, a degustação surpreendeu os jurados por conta da alta qualidade, “inesperada desse tipo de café”, declararam. Boa acidez, notas frutadas e baixo amargor foram os pontos altos encontrados durante a prova. “Muito diferente do que se conhecia até agora”, afirma Maia. O resultado, para mim, mostra que o café especial, agora como instantâneo, rompeu sua última barreira. Confira as avaliações mais abaixo. 

O que é e como é feito o café solúvel

O café instantâneo pode ser produzido por dois processos principais: a atomização, ou spray dryer, e a liofilização. Basicamente, busca-se a retirada de toda a água de uma solução de café, convertendo as substâncias que estavam dissolvidas em algo sólido.

O sistema por spray dryer consiste em produzir, inicialmente, um café extraído em alta concentração para, então, ser submetido por aspersão em microgotas a uma corrente de ar quente. O resultado é um pó fino, que pode passar por outro processo para formar o chamado aglomerado, que também se dissolve facilmente em água fria.

Nova safra de cafés instantâneos mostra que mercado está empenhado em oferecer produtos de melhor qualidade

Nova safra de cafés instantâneos mostra que mercado está empenhado em oferecer produtos de melhor qualidade Foto: Felipe Rau/Estadão

Já o café solúvel liofilizado, geralmente apresentado em pequenas placas, é obtido por meio de um processo inicial de congelamento do extrato de café para, então, ter a água sublimada (passagem do estado sólido ao vapor, sob quase vácuo). O resultado sensorial é muito rico, pois praticamente não há perda das substâncias mais voláteis e, portanto, mais delicadas.

Senta que lá vem história

O café instantâneo nasceu na Grã Bretanha, em 1771, enquanto que o primeiro produto americano foi lançado em 1851. Seu principal apelo era a facilidade no transporte e no preparo, tendo sido utilizado inicialmente por soldados durante a Guerra Civil.

O nipo-americano Satori Kato foi inventor do primeiro método industrial para criar café solúvel em pó com boa estabilidade, em 1901. Em 1937, o químico Max Morgenthaler, da Nestlé, aprimorou o processo de preparo do café instantâneo, obtendo um pó de fácil dissolução em água, com resultado similar ao de um café fresco. A primeira indústria de café solúvel no Brasil foi instalada em 1953, atividade na qual, hoje, nosso País é o líder mundial de produção e exportação.

Os melhores cafés solúveis do mercado

1º Nescafé Gold 8

Nestlé, liofilizado (R$ 21,99 no Pão de Açúcar)

Bebida com excelente estrutura, com destaque para sua acidez licorosa e corpo com toque sedoso. “Melaço e caramelo dão o tom. Impressiona também pelo bom corpo”, descreve a chef Carla Pernambuco.

Perfil Sensorial: acidez licorosa, chocolate, caramelo, castanhas, encorpado, estruturado.

Nescafé Gold 8

Nescafé Gold 8 Foto: Feliep Rau/Estadão

2º Nescafé Origens do Brasil – Chapada Diamantina

Nestlé, spray dryer pó (R$ 14,20 no Sonda Supermercados) 

Feito com grãos 100% arábica com grãos da baiana Chapada Diamantina, destacou-se pelo caramelo intenso e pelo equilíbrio da bebida. “Tem notas frutadas e finalização elegante”, afirma Ensei Neto.

Perfil Sensorial: acidez cítrica média baixa, castanhas, caramelo, leve floral, frutado, encorpado médio, elegante.

Nescafé Origens do Brasil – Chapada Diamantina

Nescafé Origens do Brasil – Chapada Diamantina Foto: Feliep Rau/Estadão

3º Cafuso Tradicional

Real Café, spray dryer granulado (R$ 3,60; 50g – marca capixaba, ainda não vende em SP)

“Cremoso”, definiu Maurício Maia. Produto 100% conilon, destacou-se pelo equilíbrio e pelo corpo. Tem boa acidez final, além de delicada nota frutada.

Perfil sensorial: acidez cítrica média, frutado, chocolate, encorpado, discreta adstringência, macio.

Cafuso Tradicional

Cafuso Tradicional Foto: Felipe Rau/Estadão

Cafuso Extraforte 

Real Café; spray dryer granulado; R$ 3,60; 50g (marca capixaba, ainda não vende em SP)

É 100% conilon. Surpreendeu aos jurados pelo perfil equilibrado e pelo fato de ser fácil de beber.

Perfil sensorial: acidez cítrica média, encorpado, macio, com notas de chocolate.

illy

illycaffè; liofilizado (R$ 45,36 no Carrefour)

100% arábica, tem 3% de café em pó. Seu blend é composto de grãos de diferentes países, entre eles o Brasil.

Perfil sensorial: acidez cítrica delicada, notas herbáceas, leve caramelo, discreta aspereza.

Lor Classique

JDE; liofilizado (R$ 17,20 no St. Marché)

Blend de arábica e canephora. A bebida é “flat”; poderia ser mais ousada. 

Perfil sensorial: acidez baixa, leve cítrico e chocolate, leve adstringência.

Nescafé Gold 6 Espresso

Nestlé, liofilizado; R$ 19,20 no St. Marché

Surpreendente acidez cítrica, muito bem trabalhada com notas de caramelo e o toque cremoso da percepção de corpo. “A acidez é brilhante, vibrante, incrível”, avaliou Camila Archanjo.

Perfil sensorial: acidez brilhante, caramelo, cítrico, encorpado, cremoso, equilibrado.

Nescafé Gold 9

Nestlé; liofilizado (R$ 18 no Pão de Açúcar)

Preparado com grãos 100% arábica, sua torra intensa privilegia o sabor amargo. Vai bem com leite.

Perfil sensorial: acidez baixa, amargor intenso, leve defumado, leve adstringência.

Nescafé Origens do Brasil – São Sebastião do Paraíso

Nestlé; spray dryer pó (R$ 14,50 no Pão de Açúcar)

Grãos 100% arábica provenientes do Sudeste de Minas Gerais, divisa com a Alta Mogiana (área reconhecida pela produção de cafés de excelência). 

Perfil sensorial: acidez cítrica média, chocolate, leve frutado, amendoim, pouco encorpado.

Nescafé Origens do Brasil – Serras do Alto Paranaíba

Nestlé; spray dryer pó (R$ 14,20 no Sonda Supermercados)

Bebida equilibrada. 100% arábica com grãos produzidos no Cerrado Mineiro.

Perfil sensorial: acidez cítrica média, leve caramelo, notas tostadas, finalização macia.

Três Corações

Três Corações; liofilizado (R$ 18,35 no St. Marché)

100% arábica. O sabor químico predominou, impactando na percepção de corpo. 

Perfil sensorial: acidez cítrica média, amargor intenso, sabor químico, corpo leve.

PASTEL DE FEIRA SERVE DE EXEMPLO PARA O MARKETPLACE

 

Fabio Gerber Khatcherian (*) 

Quem vai à feira ou ao supermercado sabe bem o que quer encontrar por lá: várias mercadorias em um mesmo lugar, que ganharão um espaço no carrinho de compras de acordo com os critérios de escolha de cada cliente.

E esses parâmetros são também diversos: há quem prefira a barraquinha do vendedor mais afetuoso, que corta um pedaço da fruta para que o consumidor a prove antes de levar; existem ainda os que já chegam de olho nos preços mais em conta no dia, independentemente de quem esteja vendendo os itens.

À medida em que o comprador se habitua a frequentar o local, é natural que estabeleça suas preferências e acabe voltando com frequência aos mesmos fornecedores, seja pela qualidade do produto, seja pelos valores agregados a ele – um bom serviço ou um bom desconto, por exemplo. Assim, é aos poucos sedimentada a fidelidade desse cliente a determinados comerciantes ou fabricantes.

Comecei falando dessas práticas tão familiares a todos, das idas ao supermercado ou à feira e que delícia passar também pela barraquinha do pastel, um atrativo à parte, devo ressaltar, para chegar ao conceito de marketplace. Este, em termos virtuais, também é um ponto de venda que congrega muitos tipos de produto e marcas diversas, sendo que há vantagens – e também desvantagens – em estar ali compartilhando um espaço povoado de concorrentes.

Não é à toa que um vendedor de frutas ou hortaliças monta sua barraca em uma feira e não em um ponto isolado do mapa, digamos. Ele sabe que, em meio a outros vendedores, terá garantido um importante benefício em se tratando de negócios: o fluxo de consumidores. Essa lógica vale também para o marketplace na internet.

Por sua vez, esses clientes estão lá por uma razão primordial: comodidade. Em uma só viagem, encontrarão vários dos itens que precisam para o abastecimento de suas casas – e ainda terão a oportunidade de comer um delicioso e quentinho pastel.

Porém, como já foi dito, preferências serão instituídas nesse processo. Uma laranja podre ou um atendimento ruim poderão ser suficientes para que o comprador migre definitivamente para uma barraca próxima. Por outro lado, o vendedor cativante e a excelência recorrente do produto serão chamarizes praticamente infalíveis para o retorno dos interessados.

Uma pesquisa da Shopify, empresa canadense que desenvolve softwares para lojas online, aponta que metade das vendas mundiais do e-commerce já acontece em marketplaces. O mesmo estudo, denominado “The Future of Ecommerce Report 2021” – ou relatório do futuro do e-commerce 2021 -, salienta que, ao comprar nesses endereços virtuais, os clientes procuram, em primeiro lugar, soluções para suas demandas, mais do que marcas específicas. Na Amazon, por exemplo, 70% das buscas não incluem um nome de marca; em geral elas são feitas por categorias, benefícios e avaliações.

Esse viés representa um grande desafio para as empresas. De um lado, elas precisam do marketplace para potencializar o seu volume de transações.

De outro, nesse meio, dado o perfil da demanda – que, como dissemos, é sobretudo por conveniência -, torna-se mais árdua a jornada de fidelização do consumidor.

A imagem da marca

Mas, claro, existem caminhos. Um dos mais efetivos é trabalhar a imagem da marca fora do marketplace, criando uma identidade positiva que será fator de diferenciação quando o consumidor se deparar com ela dentro do ambiente. Qualidade do produto, redes sociais ativas, endereços próprios na internet que ofereçam itens customizados e exclusivos são estratégias que reforçarão a visibilidade de um fornecedor também na ocasião em que ele estiver “misturado” com outros tantos.

E é ainda possível encontrar formas de se destacar visualmente no entre os concorrentes, como ao investir na personalização do espaço ocupado ali. Os usos de banners, slogans e formatos de design interessantes são maneiras de atingir esse propósito.
Claro que, ao escolher um marketplace como o da Startup Valeon, o lojista não precisa preocupar muito com as condições oferecidas para integrar o sistema, nossas taxas mensais cobradas pela participação são custo x benefício muito baixas ao alcance de qualquer empresa.

É preciso considerar ainda os aspectos como a forma de atendimento dos clientes pelas empresas, tendo em mente que o consumidor sempre está atrás de conforto em cada etapa da compra. Se o fechamento se torna um empecilho, todo o louvor alcançado nos passos anteriores pode ser perdido, causando um impacto para a marca que pode extrapolar o de sua presença nesse ambiente coletivo.

É como na feira: se um determinado vendedor nunca tem troco ou não apresenta opções de recebimento, como cartão de débito ou crédito, invariavelmente ele vai perder negócios. Mesmo que o seu pastel seja dos melhores.

(*) Head Comercial da Braspag

VALEON UMA STARTUP INOVADORA

A Startup Valeon um marketplace que tem um site que é uma  Plataforma Comercial é também uma nova empresa da região do Vale do Aço que tem um forte relacionamento com a tecnologia.

Nossa Startup caracteriza por ser um negócio com ideias muito inovadoras e grande disposição para inovar e satisfazer as necessidades do mercado.

Nos destacamos nas  formas de atendimento, na precificação ou até no modo como o serviço é entregue, a nossa startup busca fugir do que o mercado já oferece para se destacar ainda mais.

Muitos acreditam que desenvolver um projeto de inovação demanda uma ideia 100% nova no mercado. É preciso desmistificar esse conceito, pois a inovação pode ser reconhecida em outros aspectos importantes como a concepção ou melhoria de um produto, a agregação de novas funcionalidades ou características a um produto já existente, ou até mesmo, um processo que implique em melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade ao negócio.

inovação é a palavra-chave da nossa startup. Nossa empresa busca oferecer soluções criativas para demandas que sempre existiram, mas não eram aproveitadas pelo mercado.

Nossa startup procura resolver problemas e oferecer serviços inovadores no mercado.

Vantagens:

  • Visibilidade. Sem dúvidas, a maior vantagem do marketplace é a visibilidade. Quanto maior a quantidade de visitas que o site possui, mais sólido será o público atingido.
  • Custos e Retornos. Em uma plataforma com tantas marcas, os custos de publicidade acabam sendo reduzidos. …
  • Aumento das Vendas. O marketplace oferece uma grande oportunidade de vendas para as lojas. …
  • SEO. Seu produto aparecerá em sites muito bem indexados como o da Valeon e, consequentemente, terá uma referência para sua loja nele.
  • Diversidade de Público e Crescimento do Negócio. Novos usuários conhecerão sua marca, trazendo um novo público para você, possibilitando a chegada de uma nova demanda, podendo assim aumentar o leque …

Estamos lutando com as empresas para MUDAREM DE MENTALIDADE referente à forma de fazer publicidade à moda antiga, rádio, tv, jornais, etc., quando hoje em dia, todos estão ligados online através dos seus celulares e consultando as mídias sociais a todo momento.

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup Valeon adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

Temos CONHECIMENTO do que estamos fazendo e viemos com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e estamos desenvolvendo soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Dessa forma estamos APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES que o mercado nos oferece onde o seu negócio estará disponível através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo chamada Plataforma Comercial Valeon 24 horas por dia e 7 dias da semana.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

BOLSONARO REBATE ACUSAÇÕES DE FRAUDE NA COMPRA DAS VACINAS

 

Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, diz Bolsonaro sobre caso Covaxin

 DANIEL CARVALHO E FÁBIO PUPO – Folha de São Paulo

Ao comentar com apoiadores nesta segunda-feira (28) a denúncia de irregularidades na compra da vacina Covaxin, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que não tem como saber o que acontece nos ministérios de seu governo.

Em entrevista à Folha publicada horas antes, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que o esquema de corrupção do Ministério da Saúde pode ser “muito maior” do que o caso Covaxin, investigado pela CPI da Covid do Senado e pela Procuradoria.

A existência de denúncias de irregularidades em torno da compra da vacina indiana Covaxin foi revelada pela Folha no dia 18, com a divulgação do depoimento sigiloso de Luis Ricardo ao Ministério Público Federal. Desde então, o caso virou prioridade da CPI no Senado.

“Ele [o deputado Luis Miranda] que apresentou [informações sobre a compra da vacina], eu nem sabia como é que estavam as tratativas da Covaxin porque são 22 ministérios. Só o ministério do Rogério Marinho [Desenvolvimento Regional] tem mais de 20 mil obras. [O Ministério da Infraestrutura], do Tarcísio [de Freitas] não sei, deve ter algumas dezenas, centenas de obras.”

“Não tenho como saber. O da Damares [Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos], o da Justiça, o da Educação. Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, vou na confiança em cima de ministro, e nada fizemos de errado”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro reconheceu novamente ter recebido a visita de Luis Miranda, mas afirmou que “aqui vem tudo quanto é tipo de gente”. “Não posso falar: ‘Você é deputado, deixa eu ver tua ficha aí’. Eu ia receber pouca gente. Recebo todo mundo”, disse.

O presidente também rebateu o entendimento de que o caso Covaxin trinca o discurso anticorrupção do governo, como a Folha mostrou na semana passada.

“Agora, os caras botam a narrativa ‘a vacina fissura o governo Bolsonaro no tocante à corrupção'”, queixou-se o presidente, que alegou que nenhuma vacina foi de fato comprada. “Inventaram a corrupção virtual, né? Não recebemos uma dose, não pagamos um centavo”, disse Bolsonaro

Um dos apoiadores se referiu aos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, e ao deputado Renildo Calheiros (PC do B-PE), irmão do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), como “os três patetas”, e Bolsonaro reagiu.

“Não são patetas, são bastante espertos. Sabem o que querem. Querem o Brasil como era antigamente e viver na impunidade. Eles estão fazendo a coisa para eles bastante certas. Eles estão de parabéns para os objetivos deles”, afirmou.

Após o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), entrar no centro das apurações da CPI da Covid no Senado sobre supostas irregularidades na compra da Covaxin, a oposição quer paralisar votações no Congresso.

Líderes do centrão, no entanto, dizem que ainda não há clima para travar debates, e esperam desdobramentos das acusações apresentadas pelo servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda e seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF).

Congressistas da oposição avaliam citar o caso Covaxin no superpedido de impeachment que será apresentado contra Jair Bolsonaro na próxima semana, ou elaborar uma proposta específica sobre as suspeitas de irregularidade.

Ainda discutem com movimentos sociais a possibilidade de antecipar protestos contra Bolsonaro que estavam marcados para o fim de julho.

Já senadores governistas da CPI minimizam as declarações do servidor e do deputado e dizem que não havia má-fé da Precisa Medicamentos, que negociou a vacina com o Ministério da Saúde, ao apresentar documento com dados errados. Os papéis foram parcialmente retificados.

Depois de conversar com os apoiadores, Bolsonaro participou de um evento do Plano Safra 2021/2022 no Banco do Brasil. Em seu discurso, não falou da Covaxin. Mas, ao responder a um trecho da fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, falou de erros e acertos de governo.

Guedes havia falado do modelo de crédito do Banco do Brasil, afirmando que havia se modernizado muito desde o fim da ditadura militar, quando o financiamento era baseado em emissão de moeda.

“No final do governo militar, a inflação foi subindo em cima da teoria de que ‘vamos dar mais crédito para o campo que a comida vai ficar mais barata’. E, na verdade, a comida foi ficando mais cara, e a inflação foi subindo”, disse Guedes.

“Se no final dos governos militares tivemos um pequeno problema com emissão de dinheiro, também começou em meados de governos militares, especificamente com o presidente [Ernesto] Geisel, a crença na agricultura”, disse Bolsonaro.

“Então, o governo se faz de erros e se faz acertos, em grande parte, obviamente. E nós aprendemos com as experiências dos outros”, prosseguiu o presidente.

O QUE ACONTECEU APÓS A REVELAÇÃO DO CASO PELA FOLHA

Reportagem aponta pressão atípica (18.jun)

Em depoimento mantido em sigilo pelo MPF (Ministério Público Federal) e obtido pela Folha, Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, afirmou ter sofrido pressão de forma atípica para tentar garantir a importação da vacina indiana Covaxin

‘É bem mais grave’ (22.jun)

Irmão do servidor do Ministério da Saúde, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) disse à Folha que o caso é “bem mais grave” do que a pressão para fechar o contrato

Menção a Bolsonaro (23.jun)

Luis Miranda afirmou ter alertado o presidente sobre os indícios de irregularidade. “No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão, e levamos toda a documentação para ele”

CPI aprova depoimentos (23.jun)

Os senadores da comissão aprovaram requerimento de convite para que o servidor Luís Ricardo Miranda preste depoimento. A oitiva será nesta sexta-feira (25) e o deputado Luis Miranda também será ouvido.

Os parlamentares também aprovaram requerimento de convocação (modelo no qual a presença é obrigatória) do tenente-coronel Alex Lial Marinho, que seria um dos autores da pressão em benefício da Covaxin. A CPI também decidiu pela quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de Lial Marinho

Denúncia grave (23.jun)

Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que as denúncias de pressão e a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro tenha tido conhecimento da situação talvez seja a denúncia mais grave recebida até aqui pela comissão

Bolsonaro manda PF investigar servidor e deputado (23.jun)

O presidente mandou a Polícia Federal investigar o deputado Luis Miranda e o irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda. O ministro da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, e Elcio Franco, assessor especial da Casa Civil e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, foram escalados para fazer a defesa do presidente. Elcio é um dos 14 investigados pela CPI

Empresa diz que preço para Brasil segue tabela (23.jun)

A Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, afirmou que o preço de US$ 15 por dose da vacina oferecido ao governo segue tabela mundial e é o mesmo praticado com outros 13 países

Governistas dizem que Bolsonaro repassou suspeitas a Pazuello (24.jun)

Senadores governistas da CPI afirmaram que o presidente pediu que Pazuello verificasse as denúncias envolvendo a compra da Covaxin assim que teve contato com os indícios

‘Acusação é arma que sobra’ (24.jun)

Bolsonaro fustigou integrantes da CPI, repetiu que não há suspeitas de corrupção em seu governo e afirmou que a acusação sobre a vacina é a arma que sobra aos seus opositores. “Me acusam de quase tudo, até de comprar uma vacina que não chegou no Brasil. A acusação é a arma que sobra”, disse o presidente na cidade de Pau de Ferros, no Rio Grande do Norte

‘Foi o Ricardo Barros que o presidente falou’ (25.jun)

Em depoimento à CPI da Covid, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que é irmão do servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, afirmou ter alertado Bolsonaro. “A senhora também sabe que foi o Ricardo Barros que o presidente falou”, disse o parlamentar à senadora Simone Tebet (MDB-MS). Segundo ele, Bolsonaro afirmou: “Vocês sabem quem é, né? Sabem que ali é foda. Se eu mexo nisso aí, você já viu a merda que vai dar, né? Isso é fulano. Vocês sabem que é fulano”

GOVERNO DESMENTE ACUSAÇÕES DE FRAUDE NA COMPRA DAS VACINAS

 

Compra de vacina sob suspeita
O Planalto contra-ataca: as estratégias do governo para reagir às acusações do caso Covaxin

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Bolsonaro e seu núcleo de ministros e assessores mais próximos: reação às denúncias dos irmãos Miranda.| Foto: Marcos Correa/PR

A desqualificação da imagem do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e a abertura de investigação contra o parlamentar são as apostas do governo para reduzir o desgaste político que vem sofrendo no caso Covaxin. Durante e após o depoimento de Miranda na última sessão da CPI da Covid, na sexta-feira (25), senadores governistas deixaram claras as estratégias do Palácio do Planalto para reagir às supostas irregularidades no processo de compra do imunizante.

Uma delas é manter as investigações sobre Miranda e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde. Na última quarta-feira (28), o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, afirmou que o governo enviou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, a solicitação de abertura de inquérito na Polícia Federal.

O governo acredita que uma investigação sobre os irmãos Miranda possa dar subsídios que apontem ilicitudes ou incoerências das acusações feitas pelos depoentes. “É muito importante entender o que levou o servidor a retirar um documento do SEI [Sistema Eletrônico de Informações] para apresentar ao irmão e ao presidente [Jair Bolsonaro] se ele mesmo já sabia que o documento tinha sido corrigido”, diz um interlocutor do Planalto à Gazeta do Povo.

Tão logo o erro do invoice (documento semelhante a uma nota fiscal que detalha aspectos de um contrato de importação) foi identificado, interlocutores do governo afirmam que o setor ao qual o servidor Luís Ricardo está lotado pediu a alteração.

“Por que hoje, três meses depois, com o documento corrigido, ele insiste em levar à imprensa o documento que já foi substituído? Qual o interesse dele em levar adiante uma narrativa que ele sabe ser inverídica”, pondera um segundo interlocutor palaciano ao defender as investigações sobre os irmãos Miranda.

O servidor da Saúde disse ter estranhado a pressão para autorizar a importação das doses da Covaxin em meio a inconsistências do invoice com o contrato. O documento previa a importação de 300 mil doses, enquanto o contrato previa 4 milhões. Já o pagamento, previsto para ser efetuado após a entrega, pelo invoice deveria ser feito de forma antecipada.

Governo foca em desqualificação da imagem de Luis Miranda
Outra estratégia do governo é desqualificar a imagem do deputado Luis Miranda e, consequentemente, colocar em xeque as denúncias apresentadas pelos irmãos na última sessão da CPI da Covid.

O primeiro a dar o tom da estratégia foi o senador Marcos do Val (Podemos-ES), ainda na CPI da Covid, com a tentativa frustrada em mostrar um vídeo de uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, sobre Miranda ter praticado supostos golpes nos Estados Unidos. A transmissão foi interrompida por não ter relação com o depoimento. Os dois discutiram no intervalo da sessão e o senador chegou a empurrar o deputado durante a discussão.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, Marcos do Val voltou a colocar Miranda sob suspeita. “É um cara que a gente tem que dar limites, se não, a gente avança e é capaz de dizer o que nunca foi dito”, disse em um primeiro momento. “Quem conhece o deputado federal, percebe que é um cara que fala demais e é pouco conteúdo”, avaliou, em outro comentário.

No sábado (26), pelas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido, procurou desqualificar Miranda. “Parece que muitos já esqueceram quem é, na verdade, o deputado Luís Miranda, que se colocou ontem como paladino da justiça durante a CPI da Covid”, comenta.

O senador Jorginho Mello (PL-SC), vice-líder do partido, foi outro a questionar a credibilidade das denúncias apresentadas por Miranda. “A pergunta do dia: você compraria um carro usado do deputado Luis Miranda?”, disse, pelas redes sociais, na sexta-feira. Durante o depoimento, ele também entrou em rota de colisão com Miranda e os dois discutiram durante a sessão.

“Erros formais” e pagamento não concluído da Covaxin: as outras defesas
O presidente Jair Bolsonaro adotou uma estratégia própria para tirar qualquer responsabilidade sobre as suspeitas envolvendo a vacina da Covaxin. “Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, vou na confiança em cima de ministro, e nada fizemos de errado”, disse nesta segunda-feira (28) ao citar que são 22 ministérios. “Agora, os caras botam a narrativa ‘a vacina fissura o governo Bolsonaro no tocante à corrupção'”, disse.

Outra estratégia usada pelo governo junto à base governista no Senado é a de tratar as incongruências sobre os invoice como “erros formais” e sustentar que nenhum centavo foi desembolsado pela compra das 4 milhões de doses contratadas da Covaxin.

É o que dizem interlocutores do Planalto, ao citar os apontamentos feitos pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), líder do partido, em seus questionamentos e em entrevistas à imprensa. “Tudo que a oposição tem para apurar são meros erros formais em um processo administrativo de compra de vacinas onde não se pagou um centavo sequer deste contrato”, declarou, em entrevista à CNN Brasil.

A leitura feita no governo é que o parlamentar tem sido um dos mais enfáticos defensores nessa linha de estratégia definida pelo governo. Como afirmou o próprio Marcos Rogério, ele e outros senadores estiveram em duas ocasiões com o governo para conhecer o processo e as informações das acusações dos irmãos Miranda.

Segundo o senador, evitar dar palanque para a oposição foi um dos motivos de Bolsonaro não ter levado as suspeitas à Polícia Federal. “Caso o presidente Bolsonaro tivesse feito o que a oposição, hoje, denuncia que seria a obrigação dele, hoje a acusação da oposição seria outra, de que o presidente agiu sem a devida cautela, acusando o presidente de obstruir a compra de uma vacina, simples assim”, disse.

Outra argumentação usada pelo governo é de que, ao contrário do que argumentam os senadores do chamado G7 — os independentes e de oposição ao governo —, Bolsonaro não prevaricou ao tomar conhecimento das informações. “O presidente agiu como deveria agir, chamou o [ex-]ministro [da Saúde, Eduardo Pazuello]”, afirmou Marcos Rogério. O ex-ministro, por sua vez, teria ordenado que a pasta continuasse observando e monitorando o processo.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/quais-estrategias-do-governo-para-reagir-caso-covaxin/
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ACUSAM O GOVERNO DE CORRUPÇÃO NA COMPRA DE VACINAS SEM PROVAS

 

Caso Covaxin

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Em depoimento à CPI da Covid, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) disse que o presidente Jair Bolsonaro citou Ricardo Barros como o responsável por um suposto esquema na compra da vacina Covaxin.| Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad

A primeira denúncia de corrupção no alto da administração Bolsonaro, após dois anos e meio de governo, começou mais ou menos ao contrário do roteiro normalmente seguido neste tipo de novela.

Denúncia de ladroagem, pelo modelo clássico, começa com a apresentação de fitas gravadas, um vídeo, uma foto, ou algo assim, mostrando que alguém cometeu alguma safadeza — ou que é altamente suspeito de ter cometido.

Pode haver também a divulgação de documentos, assinaturas, contratos ou notas fiscais. Às vezes há testemunhas de conversas ou de encontros — podem não ter sido gravadas ou filmados, mas alguém estava lá, viu e ouviu o que aconteceu. Pode haver, até mesmo, delação — premiada ou grátis.

Enfim: sempre, na denúncia de roubalheira, começa-se com as provas, ou com aquilo que o acusador diz que são provas. Depois, é claro, essas provas podem se revelar fracas, mal apresentadas ou falsas — mas é por aí que se começa sempre, pelas provas.

No caso da denúncia sobre a compra da Covaxin, episódio que por enquanto teve sua vida limitada ao ecossistema da “CPI” de Renan Calheiros e da mídia, está acontecendo exatamente o contrário. Primeiro apareceu o acusador, em meio à gritaria do circo armado dentro do Senado — mas provas mesmo, que é o que interessa, o homem diz que vai apresentar depois, se for “necessário”.

Como assim “se for necessário”? A prova é tudo o que realmente interessa numa denúncia de corrupção; não pode ser um detalhe, para se ver mais tarde. O deputado que veio com a denúncia diz que, se for “obrigado”, terá “como provar” o que está dizendo. Que história é essa? Ele acha que prova é algo opcional, que o sujeito mostra ou não — e todo mundo no comando da “CPI” leva a coisa perfeitamente a sério.

O pior é que o acusador fica ameaçando detonar todo mundo, na base do “me segura, se não eu vou ter de brigar”. Tira, põe, deixa ficar — e o que se tem de concreto até agora, após uma semana inteira de fim do mundo, é três vezes zero.

A “CPI” da Covid nasceu morta, porque nasceu mal intencionada. Fez questão, desde o primeiro minuto, de não investigar a verdadeira corrupção na administração da epidemia — a que foi praticada pelas “autoridades locais”, com a benção e permissão do Supremo Tribunal Federal. Em vez disso, dedicou-se de corpo e alma ao seu objetivo de fazer guerrilha política ao governo, na eterna esperança de virar a mesa que tem marcado cada passo e cada ato da oposição.

O governo é acusado, ao mesmo tempo, de retardar e de apressar a compra das vacinas. A denúncia de corrupção é uma falsificação grosseira. A histeria, a ignorância, a desonestidade e a falta de educação dos inquisidores só serviram, até agora, para converter os que já foram convertidos. É um balanço triste.


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FACTÓIDES POLÍTICOS COM A MORTE DE ASSASSINO

Redes Sociais
Já estão chorando a morte de Lázaro e xingando a políciaPolíticos aproveitam para engajar com a hashtag CPF cancelado e formadores de opinião caem na provocação, para variar.

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Madeleine Lacsko – Gazeta do Povo

Lázaro Barbosa foi capturado e morto na manhã de hoje em operação da polícia de Goiás.| Foto: Divulgação/Polícia Civil-DF

Alguns momentos são decisivos para a conexão entre o público e a imprensa. O desfecho do caso Lázaro é um deles. Vivemos uma situação de caos completo, uma pandemia cuja gravidade é inédita na história da humanidade, polarização política, luto, perdas financeiras, angústias e incertezas. A história do assassino Lázaro Barbosa à solta e da busca cinematográfica foi mais um elemento para abalar a saúde mental do país inteiro.

Na manhã de hoje, o governador Ronaldo Caiado anuncia o fim da perseguição com a frase “aqui não é Disneylândia de bandido”. Depois, soube-se que Lázaro está morto. Obviamente o povo comemorou, goste você ou não, a maioria das pessoas comemora morte de bandido. Daí, como polarização e ficar bem na própria bolha são mais importantes que o vínculo com o público, começa a defesa de Lázaro entre influencers e jornalistas brasileiros. Se cobrir vira circo, se cercar vira hospício.

É impressionante ver a pujança do negacionismo e das posturas anticientíficas justificadas por um bem maior. Entre formadores de opinião, qualquer crença maluca, fantasia ou clichê passa à categoria de realidade se for por boa intenção. A ideia de falar nesse momento sobre assassinato deliberado é terraplanismo do bem ou falta de vergonha na cara.

Estamos viciados num fluxo constante de informações e conclusões, mas não tem como acelerar o tempo dos fatos. Neste momento, qualquer afirmação sobre o ocorrido é fantasia, terraplanismo ou má-fé. Apenas quem estava ali sabe o que aconteceu, nós não. Ainda não há como saber, só como imaginar e optar por acreditar ou não em declarações de autoridades.

A cultura policial brasileira é violenta? Sim. É possível que, depois da novela toda de Lázaro, algum policial tenha atirado para matar deliberadamente? Sim. E também é possível que ele tenha aberto fogo contra os policiais. Estamos falando de uma pessoa capaz de insanidades que escapam à nossa capacidade de raciocínio. Vi pessoas afirmando com certeza o que ocorreu ali. É puro delírio, ainda não temos como saber.

Políticos oportunistas obviamente passarão o dia todo colhendo os frutos da expressão anticristã “CPF cancelado”. Muita gente aproveitará essa oportunidade de catarse das inúmeras dores e lutos que temos vivido. Dizer “CPF cancelado” para um assassino cruel, apesar de ser anticristão e ajudar a apodrecer a alma, parece muito libertador num primeiro momento. Vivemos a era da permissividade e indulgência, é difícil resistir às tentações da lama moral.

Enquanto houver otário, malandro não morre de fome. Se eu ainda trabalhasse com políticos, provavelmente orientaria a equipe a entrar na onda do “CPF cancelado” se ele não fosse cristão. É garantia de ir parar no noticiário, já que tudo quanto é jornalista vai repostar com muita indignação e, se o político tiver sorte mesmo, vai sair até matéria comentando que ele fez um post.

Vivemos a apoteose da superficialidade, essas coisas funcionam. Quando os jornalistas ficarem indignados com o político porque comemorou um assassinato, o público sente-se traído. Afinal, ele também comemorou efusivamente. Não sei, na verdade, se as pessoas realmente comemoram o assassinato em si ou o fim da incerteza, sei que comemoram. Cria-se, por meio da catarse coletiva, um vínculo entre o político e o público, de forma direta. Uma máquina de populismo.

Um dos principais desafios da imprensa brasileira é o combate à desinformação. No episódio Lázaro vemos como as decisões emocionais no cotidiano nos colocam na mão oposta. Os políticos que dizem “CPF cancelado” sustentam a versão fantasiosa de que foi um assassinato deliberado, o ideal de justiçamento que o público deles pede. Imediatamente, os jornalistas assumem essa versão e fazem o julgamento de valor oposto, de que é inaceitável. Tanto faz, é desinformação. Não se sabe ainda o que ocorreu, imagina-se.

A investigação do caso fica obviamente prejudicada com a morte de Lázaro. Morto não fala, não delata, não entrega documento. Há cúmplices dele presos. Essa história toda, fosse ficção, a gente diria que é exagero. Obviamente o melhor para a investigação é conseguir capturar o criminoso vivo, mas também é desinformação dizer à população que a prisão seria a forma mais eficiente de punição.

Eu discordo pessoalmente das soluções mais populares para endurecimento do sistema penal – como pena de morte, prisão em segunda instância e assemelhados – pela ineficiência na prática. São medidas demagógicas como a Lei de Crimes Hediondos e a nova Lei de Estupro. Mas a população tem todos os motivos do universo para reclamar da leniência do nosso sistema penal.

A necessidade de fazer oposição sistemática às ações da polícia e aos políticos que usam a expressão “CPF cancelado” levará a outra desinformação, a de que temos leis eficientes para casos como o de Lázaro. Não temos. Pedrinho Matador já anda dando entrevistas em podcasts por aí. No início dos anos 2000, fiz uma entrevista com ele. Dizia pedir para não ser solto nas audiências de custódia porque sabe que tem potencial para matar de novo. Está aí, solto. Todos lembramos o desfecho inacreditável do caso do Bandido da Luz Vermelha.

Nossas leis não preveem como lidar com casos que são exceções absolutas. Numericamente, os criminosos cinematográficos não são importantes. No entanto, eles têm um impacto grande sobre a forma como o cidadão avalia o sistema de Justiça. A avaliação é tão ruim que muita gente já acha melhor alguém decidir, à revelia da lei, dar um tiro no sujeito e acabar com a história.

Vi, nas redes sociais, muitos formadores de opinião argumentando que a população não enxerga como essa lógica da vingança termina contra ela própria. Se é lícito, neste caso, desobedecer a lei para acabar com a história na bala, por que não seria em outro? Vai que o cidadão que hoje posta “CPF cancelado” entra na fila do cancelamento. Pior que é verdade.

Da mesma forma é verdade que a reação emocional de jornalistas também não enxerga como toda a imprensa tradicional sai prejudicada nestes momentos. O bom jornalismo nunca foi tão necessário quanto nesses tempos em que a tecnologia turbina a desinformação. Engatar em ondas de desinformação para opor a desinformação de políticos ou influencers coloca o jornalismo em que lugar na visão do público?

Cheguei a ver argumentos do tipo “pela forma como carregaram o corpo, conclui-se que os policiais queriam matar”. É a chave de uma mensagem que circula por grupos de Whatsapp dizendo que não devemos comemorar assassinatos cometidos pela polícia. Eu comemorei a ciência finalmente ter reconhecido o valor da intuição e das práticas divinatórias. Ou é isso ou telepatia para adivinhar o ocorrido com base na forma como se carregou o cadáver.

E aí temos mais uma vez a apoteose da superficialidade. Pergunte a quem trabalha na área de segurança pública e a quem já vivenciou essas situações se há algo de irregular na condução do corpo. Não há. É chocante para quem tem a bênção de não estar acostumado. Concluir a partir do choque com uma cena dessas é direito, o direito de fantasiar com base em sentimentos fortes.

As redes sociais tornaram todos nós – público, jornalistas e influenciadores – viciados num fluxo frenético de informações e opiniões. O caso Lázaro é daqueles em que a realidade se impõe. Não é possível ter opinião porque ainda não sabemos os fatos. Tudo o que se está falando é sensação ou fantasia. Há momentos em que simplesmente não sabemos, o mundo sempre foi assim e não vai colapsar por isso.

Ah, mas você está feliz ou triste com a morte do Lázaro? Tem alguma coisa envolvendo a vida desse homem que não seja uma tragédia completa e um rastro de destruição? É um alívio que pare, mas eu não consigo deixar de pensar na dor que ele causou a um número enorme de pessoas, nas vidas que ele marcou para sempre com a crueldade. Feliz eu ficaria se ele jamais tivesse feito isso. Não dá para ficar feliz com nada que venha dele.

Vi outro dia uma entrevista da mãe do Lázaro. Eu sou mãe, chorei junto com ela. A gente sempre pensa que o pior pesadelo na vida de uma mãe é perder um filho, mas agora eu fiquei em dúvida. Imagina cuidar desde pequeno e depois aquele filho virar uma usina de desgraça e você não ter o que fazer. Se alguém causa uma dor dessas na própria mãe, eu avalio o que não faz com desconhecidos. E tinha comparsas e amigos. São coisas que a gente sabe que existem, mas não entende. Eu não entendo.

Vítimas de crimes têm um longo caminho para superar o trauma e a sensação de impotência e injustiça. Muitas acabam tendo toda uma vida roubada pelo criminoso, passam a definir a própria identidade pelo momento do crime. É como se o mal continuasse agindo mesmo depois de cessar. Eu desejo sinceramente que todas as vítimas, familiares e amigos consigam superar o Lázaro.

Neste momento, não temos como saber o que ocorreu. Confesso que, depois de viver tantos lutos na pandemia, não tenho mais paciência com quem não valoriza a vida. Sinceramente, quando soube da operação policial, pensei nas vítimas. Bom ou ruim, foi o desfecho para elas, suas famílias e amigos. Que consigam prosseguir.


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