terça-feira, 29 de junho de 2021

VACINAS QUE PRODUZEM LONGA IMUNIZAÇÃO

 

  1. Saúde 

Sugere estudo

As células imunológicas continuam se organizando para combater o coronavírus meses após a inoculação, relataram os cientistas

Apoorva Mandavilli, The New York Times

As vacinas feitas pela Pfizer-BioNTech e Moderna desencadeiam uma reação imunológica persistente no corpo e podem proteger contra o coronavírus por anos, relataram cientistas na segunda-feira.

As descobertas aumentam as evidências de que a maioria das pessoas imunizadas com as vacinas de RNA mensageiro talvez não precisem de reforços, desde que o vírus e suas variantes não evoluam muito além de suas formas atuais – o que não é garantido. As pessoas que se recuperaram da covid-19 antes de serem vacinadas talvez não precisem de reforços, mesmo que o vírus passe por uma transformação significativa.

“É um bom sinal de como nossa imunidade com esta vacina é durável”, disse Ali Ellebedy, imunologista da Universidade de Washington em St. Louis que liderou o estudo, o qual foi publicado na revista Nature.

ctv-g0k-pfizer1
Placa mostra locais de aplicação de vacinas na Califórnia, Estados Unidos Foto: REUTERS/Mike Blake

O estudo não considerou a vacina contra o coronavírus feita pela Johnson & Johnson, mas Ellebedy disse esperar que a resposta imunológica seja menos durável do que a produzida pelas vacinas de RNA mensageiro.

No mês passado, Ellebedy e seus colegas relataram que, em pessoas que sobreviveram à covid-19, as células imunológicas que reconhecem o vírus permanecem quiescentes na medula óssea por pelo menos oito meses após a infecção. Um estudo realizado por outra equipe indicou que as chamadas células de memória, ou células B, continuam amadurecendo e se fortalecendo por pelo menos um ano após a infecção.

Com base nessas descobertas, os pesquisadores sugeriram que a imunidade pode durar anos, possivelmente a vida inteira, em pessoas que foram infectadas com o coronavírus e posteriormente vacinadas. Mas não estava claro se a vacinação por si só poderia ter um efeito similar de longa duração.

A equipe de Ellebedy tentou resolver essa questão olhando para a origem das células de memória: os nódulos linfáticos, onde as células imunológicas são treinadas para reconhecer e combater o vírus.

Após uma infecção ou vacinação, forma-se nos nódulos linfáticos uma estrutura especializada chamada centro germinativo. Essa estrutura é uma espécie de escola de elite para células B – um campo de treinamento onde elas ficam cada vez mais sofisticadas e aprendem a reconhecer um conjunto diversificado de sequências genéticas virais.

Quanto mais amplo for o alcance e quanto mais tempo essas células tiverem de treino, maior será a probabilidade de serem capazes de impedir as variantes do vírus que possam surgir.

“Todo mundo sempre se concentra na evolução do vírus – isso mostra que as células B estão fazendo a mesma coisa”, disse Marion Pepper, imunologista da Universidade de Washington em Seattle. “E isso vai proteger contra a evolução contínua do vírus, o que é realmente animador”.

Após a infecção pelo coronavírus, o centro germinativo se forma nos pulmões. Mas, após a vacinação, a educação das células ocorre nos gânglios linfáticos das axilas, ao alcance dos pesquisadores.

Ellebedy e seus colegas recrutaram 41 pessoas – entre elas oito com histórico de infecção pelo vírus – que foram imunizadas com duas doses da vacina Pfizer-BioNTech. A equipe extraiu amostras dos gânglios linfáticos de 14 dessas pessoas três, quatro, cinco, sete e quinze semanas após a primeira dose.

Esse trabalho meticuloso faz com que este seja um “estudo heroico”, disse Akiko Iwasaki, imunologista de Yale. “É muito difícil fazer esse tipo de análise cuidadosa em humanos ao longo do tempo”.

A equipe de Ellebedy descobriu que, quinze semanas após a primeira dose da vacina, o centro germinativo ainda estava altamente ativo em todos os 14 participantes e que o número de células de memória que reconheceram o coronavírus não tinha diminuído.

“O fato de as reações terem continuado por quase quatro meses após a vacinação é um sinal muito, muito bom”, disse Ellebedy. Os centros germinativos geralmente atingem o pico uma a duas semanas após a imunização e, em seguida, diminuem.

“Normalmente, em quatro a seis semanas, não sobra muita coisa”, disse Deepta Bhattacharya, imunologista da Universidade do Arizona. Mas os centros germinativos estimulados pelas vacinas de RNA mensageiro “ainda estão ativos meses depois e não diminuem muito na maioria das pessoas”.

Bhattacharya observou que a maior parte do que os cientistas sabem sobre a persistência dos centros germinativos se baseia em pesquisas com animais. O novo estudo é o primeiro a mostrar o que acontece em humanos após a vacinação.

Os resultados sugerem que a grande maioria das pessoas vacinadas estará protegida a longo prazo – pelo menos contra as variantes existentes do coronavírus. Mas adultos mais velhos, pessoas com sistema imunológico fraco e aqueles que tomam medicamentos que suprimem a imunidade podem precisar de reforços; pessoas que sobreviveram à covid-19 e foram posteriormente imunizadas talvez nunca precisem de doses de reforço.

É difícil prever exatamente quanto tempo durará a proteção das vacinas de RNA mensageiro. Na ausência de variantes que driblem a imunidade, em teoria a imunidade pode durar a vida toda, dizem os especialistas. Mas o vírus está claramente evoluindo.

“Qualquer coisa que realmente exigisse um reforço viria de uma variante, não de uma redução da imunidade”, disse Bhattacharya. “Eu simplesmente não vejo isso acontecendo”. /Tradução de Renato Prelorentzou

segunda-feira, 28 de junho de 2021

DJ ALOK FAZ DOCUMENTÁRIO COM ÍNDIOS

‘Parei de pensar como parte de uma indústria’, diz Alok, que filma documentário com indígenas


Sonia Racy – Jornal Estadão

O DJ Alok. Foto:Mila Petrillo

Alok costuma brincar que teve três filhos no ano passado: os bebês Ravi, em janeiro, e Raika, em dezembro, e o instituto de filantropia que leva o seu nome. A empreitada, comandada pelo tio do artista, recebeu inicialmente do DJ sobrinho investimento de R$ 27 milhões. Desde que começou a trabalhar no terceiro setor, na construção de uma escola no Malawi, em 2015, Alok maneja a bem sucedida carreira com o envolvimento em causas humanitárias. No momento, ele filma um documentário sobre musicalidade e cultura indígena. E atribui a mudança na maneira como cria sua música ao primeiro contato que teve com a etnia Yawanawá, do Acre. “Lá, eu vi que eles usam a música como cura. Enxerguei o instrumento que eu tinha e parei de pensar só como parte de uma indústria”, disse o  brasileiro mais ouvido no exterior  pela plataforma de streaming Spotify à repórter Marcela Paes. Leia abaixo a entrevista:

Como surgiu seu interesse no tema da cultura indígena?

Desde muito novo eu tive um certo contato com a cultura indígena. Meu pai, que também é DJ (e criador do longevo festival Universo Paralello), sempre abria os shows dele com uma música guarani. Eles sempre estiveram ali comigo, mas nunca de uma forma profunda. Mais ou menos há seis anos, ouvi uma música da etnia Yawanawá e me empolguei para conhecer a cultura de quem tinha feito aquilo. Essa música mexeu muito comigo. Parei tudo e fui para lá, para uma aldeia no Acre. 

Como foi a experiência na aldeia?

Chegar lá já foi uma coisa. Peguei um voo, depois seis horas de carro. Só que quando eu cheguei na estrada dei de cara com um protesto de indígenas. Carreguei minhas coisas e fui andando, depois peguei carona com um caminhoneiro. Até que chegamos no rio e foram nove horas subindo contra a correnteza em um barquinho. Estávamos quase chegando e começa a desabar a maior chuva. Eu só pensei: o que eu estou fazendo aqui? (risos). Mas assim que eu pisei lá tive a sensação de que já tinha visto aquele lugar.

Como assim?

Eu fui para captar o som deles, mas o que era para ser uma experiência profissional acabou sendo algo muito mais profundo, de alma. Passei a entender muito mais sobre a cultura indígena, e a partir do momento que você entende, você passa a respeitar sem prejulgamento. Participei de todas as cerimônias, de todos os rituais, tomei o veneno do sapo, fiz tudo. Foi muito forte, foi realmente uma limpeza. 

Mudou algo na maneira como você pensava?

Sim. Eu ressignifiquei a maneira como eu criava. Eu fazia música seguindo uma fórmula, era pensado para funcionar nas rádios. Por mais diferente que eu tentasse ser, sempre caía naquela forma. Lá, eu vi que eles usam a música como cura, não só fisiológica, mas emocional também. Enxerguei o instrumento que eu tinha e parei de pensar só como parte de uma indústria. Passei a fazer coisas com sentimento, algo que fosse mais genuíno. E minha carreira se transformou. Meus maiores sucessos vieram depois disso.

Esse documentário vai por esse sentido, não?

Sim. Fiz um trabalho de ayahuasca (chá alucinógeno, feito de uma mistura de ervas amazônicas) e tive uma mensagem muito forte que dizia: Alok, não importa se você é o número um, o que importa é que você faça a diferença. Quando tomei de novo, este ano, me perguntei o que seria o futuro e a resposta foi que o futuro é ancestral. Aí caiu a ficha que eu precisava me reconectar novamente com os indígenas. Parei toda a minha vida para isso.

Na semana passada tivemos protestos de indígenas contra o PL490/2007, que dificulta a demarcação de terras indígenas. Acha que a cultura dos índios é valorizada no País?

Não, de forma alguma. Até o que aprendemos na escola é errado do começo ao fim. Toda narrativa é contada pelo olhar do colonizador. Tento ressignificar isso nessa série documental. Me posiciono totalmente contra esse projeto.

Você tem números de streaming expressivos no exterior. A carreira internacional foi algo que você sempre quis? 

Sempre tive um olhar mais internacional. Antes, sentia que no Brasil a música eletrônica não tinha reconhecimento. Temos uma cultura musical muito singular aqui. O nosso top 50 do Spotify destoa totalmente do resto do mundo. Fui morar em Londres justamente por isso. E o fato de eu fazer músicas em inglês e de ser eletrônica me ajuda a ecoar fora do País.

Mas você também tem um alcance grande dentro do Brasil.

É. Ok, eu sou o brasileiro mais ouvido no mundo. É muito legal. Mas eu ser o sexto brasileiro mais ouvido no País é o que me chama a atenção. Para um DJ, sabe? 

Hoje há mais aceitação para a música eletrônica brasileira?

A eletrônica vive o que vive hoje no Brasil porque em certo momento o dólar disparou e os produtores não conseguiam mais trazer gringos para tocar aqui com tanta facilidade. Passamos a ocupar esse lugar. Antes a influência vinha de fora, mas depois passamos a fazer o Brazilian Bass e esse som foi dominando, passou a ser o nosso referencial. Esse estilo se tornou o que, no exterior, chamam de Slap House, e é o que mais toca hoje no mundo. Brinco que os gringos vieram aqui, pegaram o açaí e jogaram um leite condensado por cima (risos). 

Seus pais são DJ’s e seu irmão também. Seguir por esse caminho foi incentivado na sua família?

Por mais que você fale, seus filhos não vão fazer nada do que você fala. Eles vão querer fazer o que você faz. No início, meus pais falaram para eu não ser DJ, queriam que eu focasse nos estudos, que eu me formasse, mas eu insisti. Teve uma época em que eu fiquei em dúvida porque estava difícil a carreira, eu tive alguns prejuízos organizando festas, mas aí meu pai me disse: ‘Olha, se eu tivesse o talento que você tem, eu já estaria voando, viajando!’.

No ano passado você criou o Instituto Alok, com uma doação inicial de R$ 27 milhões, além de ter doado cilindros de oxigênio para hospitais. Qual o papel da filantropia na sua vida? 

Hoje é uma das razões da minha vida. Não faria sentido viver o que eu estou vivendo e não poder fazer essas transformações. Tive três filhos em 2020: o Ravi nasceu em janeiro e a Raika e o instituto, em dezembro. O Instituto me ajuda a fazer o que eu já vinha fazendo de uma forma mais organizada. Trouxe meu tio, Bhaskar, para tocar o projeto. É legal porque o principal ativo do instituto não são os R$ 27 milhões, mas a presença das pessoas.

Você acha que a cultura da doação ainda é escassa no Brasil?

Tenho duas percepções. Há um tempo eu quase joguei a toalha, sabe? Nessa época, em 2015, eu estava levantando o projeto da escola na África e pedia ajuda para amigos e conhecidos, mas as coisas não vinham. Só que depois eu comecei a me conectar com as pessoas certas e isso me deu esperança. Mas está longe de ser o suficiente. Às vezes as pessoas falam: vou dar dinheiro para as crianças, mas para os pais, não. E quem cuida das crianças? 

 Você acha que a pandemia mudou a cabeça das pessoas com relação a isso?

Em um primeiro momento, sim. Fiquei feliz de ver as pessoas fazendo lives para arrecadar fundos. Mas hoje não temos mais tantas. O País está numa condição pior de desemprego, então isso teria que estar maior.  

 Recentemente você virou o rosto de uma plataforma de investimentos. Como você escolhe o tipo de publicidade que faz?

Não faço mais campanhas publicitárias que não tenham um sentido maior pra mim. Quero parcerias para criar junto. No caso da TC, eu fiz por uma vontade de levar conhecimento financeiro para as pessoas. Depois que eu comecei a aprender sobre isso, eu vi como o leque se abriu. Não é só uma questão de investir na bolsa, mas de educação, de gerenciamento do próprio dinheiro.

Li que seu tio Bhaskar mantém um retiro de meditação na Chapada dos Veadeiros. 

Há muito tempo meu tio largou tudo para ir atrás dessa espiritualidade. Ele foi discípulo do Osho, até aparece na série Wild Wild Country. Aí, no meio da pandemia, eu ligo pra ele e pergunto: tudo bem aí no retiro? Porque agora você vai ter que colocar sua meditação em prática (risos). Ele é a melhor pessoa para tocar o instituto.

Você citou experiências com Ayahuasca e sua família tem uma conexão com meditação. A busca espiritual é algo importante para você? 

Sim. Eu tenho uma dificuldade enorme de silêncio, o meu silêncio. É muito louco. Mas toda vez que eu medito com alguém, meditação guiada, é muito lindo pra mim. Com relação à Ayahuasca, eu acho que a Ayahuasca é pra todos, mas nem todos são para o Ayahuasca, sabe? Em muitos lugares não é utilizado da forma correta, quem usa medicação tarja preta não pode tomar. Eu tomei para intensificar a conexão comigo. Mas sendo bem sincero, acho que não precisamos buscar nada externo para nos conectarmos com o divino, com a espiritualidade. Está tudo dentro da gente.

 

ELETROBRAS INVESTE POUCO

 

  1. Economia 

Após obter sinal verde para a privatização, estatal tem desafio de elevar investimentos; desde 2017, a média foi de R$ 1,9 bilhão ao ano

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

Eletrobrás passou os últimos quatro anos arrumando a casa para ser privatizada e atrair investidores. Nesse período, a estatal reduziu o quadro de funcionários, cortou despesas e vendeu algumas subsidiárias. Como resultado, os indicadores de alavancagem tiveram melhora, o caixa dobrou e o valor de mercado da companhia saltou 155%, para R$ 69 bilhões. 

A capacidade de investimento, no entanto, continuou limitada pelas travas do governo para a estatal se endividar, afirmam especialistas. De 2017 para cá, a média de investimento foi de R$ 1,9 bilhão ao ano, conforme dados da consultoria Economática. No período anterior, quando havia grandes projetos, a média chegou a R$ 10 bilhões. Esse é um dos principais argumentos a favor da privatização.

Espera-se que, sem as travas estatais, a companhia possa dar andamento à sua expansão, interrompida desde a emissão da Medida Provisória 579, no governo Dilma Rousseff. A estatal teve prejuízos bilionários por causa da renovação dos contratos de geração de suas usinas a um valor que cobria apenas o custo de manutenção – por causa da regra para reduzir o preço da energia.

Além disso, a companhia também foi envolvida em esquemas de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato, o que afetou ainda mais sua capacidade de investimento. “Com a capitalizalização e uma gestão mais eficiente, a expectativa é destravar investimentos relevantes para o aumento da capacidade de geração e transmissão de energia da estatal”, diz Caio Loureiro, advogado de infraestrutura do escritório Cascione Pulino Boulos Advogados. 

eletrobras
Papel. Eletrobrás responde por 1/3 da geração do País Foto: Fabio Motta/Estadão

Embora seja a terceira vez que o governo federal tenta vender a estatal, especialistas – defensores da privatização, como Elena Landau – criticam a forma atribulada como o processo tem sido conduzido. Primeiro porque, segundo a economista, uma operação dessa envergadura não deveria ser feita por meio de uma MP e com a inclusão de políticas públicas.

Para Daniel Martins, diretor da área de energia elétrica da consultoria Roland Berger, a privatização deveria trazer benefícios de melhor alocação de recursos, que gerasse mais lucros e maior arrecadação para o governo. “É preciso criar uma forma de gestão mais alinhada aos negócios”, diz. Mas, ao trazer os “jabutis” para dentro da MP, o processo fica comprometido e afeta o acesso ao capital.

Outra crítica vem do modelo de privatização. O governo optou pela capitalização da empresa em que vai diluir sua participação e deixar de ser controlador. Mas a expectativa é que tenha em mãos a chamada golden share, um instrumento que dá poder de veto ao governo. Para Martins, a inclusão desse mecanismo não deveria ser motivo para afastar investidores. “Na Europa, algumas privatizações têm esse instrumento. Mas uma golden share na Inglaterra não é igual a uma no Brasil.” Isso porque o governo tem um histórico de intervenção em estatais.

Na prática, isso acaba afastando investidores e compromete a precificação das ações para a capitalização. “Qualquer medida que possa diminuir a autonomia da empresa reduz o apetite do investidor”, diz o sócio do escritório BMA Advogados, José Guilherme Berman. 

Na avaliação de Martins, a inclusão de políticas públicas na MP e a golden share podem criar uma seleção adversa. Isso significa que alguns investidores podem ficar de fora do processo por preocupações com o futuro. Mas haverá o interesse de outros atores, que não se incomodam com essas questões e estão de olho no potencial da companhia – que detém a maior capacidade de geração do País e a maior rede de transmissão.

“Alguns grupos, comoEngie AES Tietê, estão se posicionando para a transição energética e, nessa estratégia, a Eletrobrás pode ser um negócio importante”, diz o ex-executivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nelson Siffert, pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ. 

Tamanho. Hoje a estatal é responsável por quase um terço da capacidade instalada do País, mas nem tudo vai entrar na capitalização. Dos 51.143 megawatts (MW) do grupo, 15.990 MW ficarão de fora. Essa é a geração de Itaipu Binacional e Angra 1 e 2. As duas empresas continuarão sob controle estatal. Além de FurnasEletronorte e Chesf, a holding detém participação em 83 Sociedades de Propósito Específico (SPEs). 

Ao longo dos últimos anos, a Eletrobrás vendeu quase 100 SPEs e sete distribuidoras deficitárias, que prejudicavam o desempenho financeiro do grupo. Isso aliado ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), que ajudou a reduzir o quadro de pessoal de 26 mil para 12 mil, e ao Centro de Serviços Compartilhados entre as estatais do grupo, permitiu um corte de 40% nas despesas da companhia. 

“Pudemos reduzir a alavancagem da empresa de 8,8 vezes a sua geração de caixa anual (Ebitda) para menos de 2 vezes. Revertemos todos os R$ 30 bilhões de prejuízos acumulados de 2012 a 2015, e em menos de quatro anos (2016 a 2020) acumulamos mais de R$ 32 bilhões de lucro”, afirma o ex-presidente da estatal, Wilson Ferreira Jr.

O analista da Fitch Ratings, Wellington Senter, afirma que a expectativa é que a capitalização movimente cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões). Esse valor ficaria no caixa da empresa, mas como está prevista a renovação antecipada de concessões de 26% da capacidade instalada da empresa, parte do valor seria repassado ao governo por meio de pagamento de outorga. “A Eletrobras terá uma nova concessão de trinta anos para os ativos envolvidos e poderá recontratar essa capacidade com melhores condições comerciais”, diz.

NOVO JEITO DE VENDER MAIS

 

Mauro Condé – Autor do Blog do Maluco

“Não dependa da esperança dos resultados …

No final, é a realidade do relacionamento pessoal que salva tudo.”

A frase inspiradora do dia de Thomas Merton



Para ilustrar esse post, escolhi a Obra De Arte, a Pintura :

O vendedor de fósforos, de Otto Dix

Esta é uma tela de 1920, que está exposta na Alemanha, no Kunstmuseum, em Stuttgart.

Nessa pintura Dix expõe, quase fotograficamente, o descaso dos passantes diante do sofrimento de um ex-soldado cego e paralítico.

A produção dessa fase do artista constitui uma espécie de crônica ácida e indignada do ambiente alemão do período, o que vale a sua prisão em 1939 e a condenação de sua obra como arte degenerada.

O pintor e gravador alemão Otto Dix foi considerado um dos maiores  nomes dessa linhagem expressionista.

A sua obra  flagra a hipocrisia e frivolidade da sociedade berlinense do pós-guerra.

Eu escolhi essa pintura para homenagear todos os vendedores do mundo – que saem de casa todos os dias para serem “rejeitados” e transformam habilmente esta rejeição num doce desafio de vida. Um vendedor de imóveis que o diga, quantas rejeições ele não precisa enfrentar antes de fechar um negócio e no final, ele sempre vence.


DESCOBERTO NOVO JEITO DE VENDER MAIS

Quando o assunto é vendas, meu livro de cabeceira é o “Método SPIN” de Neil Rackham.

Eu o descobri durante uma pesquisa para encontrar a técnica mais recente para ter sucesso em vendas. Até então o máximo que eu achava eram pilhas de livros escritos sobre novas técnicas de marketing e não de vendas.

Dentro do Método SPIN encontrei algo que mudou para melhor meu pensamento e meu comportamento sobre a arte da venda.

Querendo descobrir como obter mais sucesso em vendas, o autor se lançou num trabalho de pesquisa sobre os métodos mais modernos e mais bem sucedidos do mundo a respeito da arte de vender nos dias de hoje.

Após 12 anos de pesquisa e milhões de dólares investidos, criou o método SPIN com a compilação das melhores e mais modernas técnicas de vendas.

Um dos seus grandes achados foi a conclusão de que os melhores vendedores do mundo não enfrentam nenhuma objeção ou resistência aos seus produtos, eles simplesmente as evitam.

Neil descobriu analisando os casos de maior fracasso em vendas que, em 100% das vezes, quem criava as objeções aos produtos eram os próprios vendedores e não os compradores.

Ele descobriu que para ser mal sucedido numa venda, o vendedor tinha que adotar um comportamento de ficar falando sem parar sobre uma lista enorme de características que seus produtos possuíam.

Este comportamento de listar características para impressionar gerava na mente do comprador um pré-conceito sobre o preço do produto, levando-o a crer que para ter tudo aquilo que o vendedor estava descrevendo, o produto deveria custar o olho da cara (mesmo sem saber ainda qual era o preço).

Quando às características, o vendedor acrescentava as vantagens associadas às mesmas, o vendedor só conseguia aumentar ainda mais as objeções dos clientes.

O autor descobriu que os vendedores mais inteligentes e mais bem sucedidos não perdiam tempo listando características ou vantagens de seus produtos, ao invés disto eles se concentravam em demonstrar para seus clientes/compradores os seus benefícios ou como eles atendiam ou superavam as necessidades explícitas dos clientes.

Focar nos benefícios, no quanto o cliente ganha de volta em termos financeiros ou psicológicos para resolver em definitivo os seus problemas, torna a venda automática.


BENEFÍCIO É A DIFERENÇA ENTRE O VALOR QUE O CLIENTE PAGA PELO SEU PRODUTO OU SERVIÇO  E O VALOR QUE ELE RECEBE DE VOLTA POR USÁ-LO PARA SOLUCIONAR OS SEUS PROBLEMAS E AINDA REDUZIR AS PERDAS FINANCEIRAS E OU PSICOLÓGICAS QUE ELES CAUSAVAM.


Afinal vender é mais do que satisfazer necessidades. Vender é remover obstáculos!

*Condé é palestrante, consultor e fundador do blog do Maluco.

Para encerrar este post com chave de ouro, escolhi como trilha sonora, uma música que inspira muito as pessoas na melhoria de seus relacionamentos pessoais, a base do sucesso em vendas –

Ouça “The Beatles – Here, There And Everywhere ” dos Beatles

A Startup Valeon é uma Plataforma Comercial marketplace daqui da região do Vale do Aço, que visa divulgar as Empresas Comerciais, Prestadores de Serviços e Profissionais Liberais que desejam expor os seus produtos e promoções disponível online para milhares de internautas através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo, 24 horas por dia, 7 dias da semana.

A sua empresa fica visível para melhores de pessoas que nem sabiam que ela existe.

A Startup Valeon através do seu site, é o canal de vendas do Vale do Aço, tem tudo que você precisa.

A Startup Valeon procura dessa forma preencher um vazio existente na comunicação online do comércio e empresários de vários setores produtivos da região que não conseguem atingir os consumidores por outros meios de comunicação.

Em um mercado cada vez mais competitivo, sabemos que as vendas são a segurança que toda empresa tem de se consolidar em sua área de atuação. Com o avanço da tecnologia, especialmente na área digital, negócios investem cada vez mais em mídias sociais para conquistar novos clientes. Sendo assim, anunciar em marketplace como o da Startup Valeon é uma das opções mais favoráveis para divulgar produtos e serviços na nossa região.

Por isso, devem ser disponibilizados todos os recursos que essa plataforma oferece para alcançar resultados ainda melhores.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:  

• Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços; • Informações detalhadas dos Shoppings de Ipatinga;                                                                                                                    • Elaboração e formação de coletânea de informações sobre o Turismo da nossa região;                                                                                                            • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo e Caratinga;                                                                                                                  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;                                                                                                                     • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;                              • Notícias da região e do mundo;                                                                                                                         • Play List Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio  do Brasil e da região;                                                                                                                                                                                            • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço.                                                                                                                                                                 • Fazemos métricas diárias e mensais de cada consulta às empresas e seus produtos.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp) E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com Site: https://valedoacoonline.com.br

ERROS DOS GOVERNOS IMPEDEM O CRESCIMENTO DO BRASIL

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

O Congresso Nacional visto a partir do Palácio do Planalto.| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

As mais recentes informações das autoridades sanitárias federais e estaduais afirmam que toda a população acima de 18 anos (em torno de 170 milhões de brasileiros) estará vacinada no último trimestre do ano, o que daria condições de encerrar de vez as medidas restritivas e permitir o retorno de todas as atividades econômicas e sociais. Se isso acontecer, o Brasil estará diante de dois desafios principais: um, de curto prazo, é como aumentar rapidamente a produção nacional, elevar o nível de emprego e renda, estimular novos empreendimentos e, por consequência, aumentar o total de tributos recolhidos, contribuindo assim para reverter de um dos graves problemas nacionais, que é o desequilíbrio das contas públicas nas três esferas da Federação; outro, de longo prazo, é como atingir o objetivo de começar um processo sustentado de crescimento, eliminação da miséria e redução da pobreza.

Nenhum desses temas é novo, os diagnósticos são conhecidos, mas o desafio é enorme e difícil de ser vencido, principalmente se confrontado com as últimas seis décadas, tempo em que o país teve boas condições para vencer os obstáculos e sair do atraso, mas que, apesar da abundância de seus recursos naturais, não conseguiu fazê-lo. O Brasil decepcionou, pois mesmo tendo uma natureza generosa não conseguiu adentrar o novo milênio, em 2001, com uma renda média por habitante próxima das nações desenvolvidas, portanto, sem miséria e pobreza extrema. Mas o mau desempenho não parou por aí: o país adentra o ano de 2021 ainda com atraso e carências sociais – logo, já desperdiçou duas décadas do século 21.

2022 será um ano de eleições e o Brasil tem pressa de ser socorrido e salvo da mediocridade que, mesmo por razões diferentes, caracterizou vários governos dos últimos 60 anos

É difícil não ser repetitivo quando se trata de analisar a incapacidade do Brasil de superar esse histórico de desempenho fraco, principalmente não tendo conseguido atingir renda por habitante entre US$ 25 mil e US$ 30 mil/ano (hoje, ela é um terço desse valor) e ingressar no grupo dos países desenvolvidos. Para lembrar, o relógio diário do IBGE informa que a população brasileira atual é de 213 milhões de habitantes, dos quais 54 milhões são classificados como pobres e 14 milhões como miseráveis, o que caracteriza mais que um simples atraso: é uma crise humanitária que deveria indignar a todos, sobretudo os líderes políticos, empresariais e sociais. A história é farta em demonstrar que a existência de grande extensão territorial, terras férteis e recursos naturais abundantes não constitui em si uma condição suficiente para um país ter produto nacional por habitante no valor mínimo para ser considerado desenvolvido e oferecer a seu povo um elevado padrão relativo de bem-estar social.

Embora o objetivo de longo prazo esteja dado, não será possível pular da atual situação para a estrutura econômica e social requerida no longo prazo, caso o país não resolva adequadamente suas necessidades de curto prazo. A pandemia é um problema no caminho da nação, mas esse é um drama que atingiu o mundo inteiro, o que permite observar as duas centenas de nações afetadas pelo coronavírus, analisar o que elas fizeram, selecionar os melhores exemplos e aprender com eles. O Brasil já começou errando quando, com uma das maiores populações e um espaço territorial imenso, não administrou com a eficiência que se espera de um governo competente a aquisição de vacinas e a logística para atingir os 5.570 municípios. Poucos países do mundo têm a complexidade populacional e territorial do Brasil e, se já é difícil enfrentar uma pandemia em um país pequeno, mais difícil ainda é a tarefa de vencer a crise sanitária no Brasil.


Lições da crise de 2008 para os tempos atuais (editorial de 16 de maio de 2021)
Onde estão os estadistas? (editorial de 2 de maio de 2021)
Como o tempo perdido não se recupera, o estrago na economia já foi feito e a Covid-19 já causou meio milhão de mortes, das quais é extremamente difícil saber quantas exatamente teriam sido evitadas se a condução da pandemia fosse outra. Os escombros em forma de recessão, a debilitação das empresas, o desemprego, a perda de renda e o sofrimento humano precisam ser administrados com um mínimo de racionalidade e eficiência para que, após controlada a pandemia, o país consiga caminhar rumo aos objetivos citados acima.

A pergunta que certamente a maioria dos brasileiros está fazendo é se os líderes políticos nacionais e regionais terão humildade e competência para analisar as decisões que tomaram e as medidas que executaram, admitir seus erros e, a partir daí, entregar-se à tarefa de promover o crescimento do Brasil. Para o bem ou para o mal, 2022 será um ano de eleições e o Brasil tem pressa de ser socorrido e salvo da mediocridade que, mesmo por razões diferentes, caracterizou vários governos dos últimos 60 anos. Vários estudos têm sido publicados sobre o problema do atraso brasileiro e, em todos eles, dois fenômenos se destacam: a escassez de bons governos e o grande elenco de distorções impostas ao sistema estatal, que se tornou caro, ineficiente e corrupto em níveis muito além dos padrões mundiais.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/o-brasil-e-suas-decadas-de-desgovernos/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

CPI DENUNCIA ALGO QUE AINDA NÃO ACONTECEU

 

Covaxin

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

CPI da Covid durante oitiva dos irmãos Miranda.| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Uma CPI tem um prazo de 90 dias e para prorrogar são necessárias 27 assinaturas – entre os 81 senadores. Alguns parlamentares de oposição já estão se movimentando para que a comissão seja estendida.

Talvez tenhamos mais três meses de espetáculos. O último foi do deputado federal, Luis Miranda que afirmou haver superfaturamento na compra da vacina Covaxin e que o líder do governo Ricardo Barros está envolvido nesse suposto esquema de corrupção.

Tem alguns que o levaram a sério. Mas ele ficou o dia todo falando sobre o caso e uma das últimas citações foi que Bolsonaro confirmou que Barros estava envolvido na compra superfaturada. Imagina, Bolsonaro não falaria mal de seu líder.

Os senadores da oposição levaram a declaração a sério e pretendem investigar mais a fundo. Por coincidência, Ricardo Barros foi quem anunciou veto contra Luis Miranda relatar a Reforma Tributária.

O irmão de Luís Miranda, Roberto Miranda – que avisou o deputado sobre a compra com valor maior – não está mais aparecendo no site do Ministério da Saúde, apesar de ainda trabalhar na pasta. Ele vazou informação e foi bloqueado.

Alguns me perguntaram por que a CPI da Covid reclamou da lentidão por parte da União para comprar a vacina da Pfizer, mas está condenado a pressa na compra da vacina da Covaxin.

Porque Roberto conta que foi pressionado para apressar os trâmites de compra do imunizante indiano apesar do valor estar mais alto que o da Pfizer. Aliás, até o momento o medicamento não foi pago nem um tostão e nem entregue, só negociado. Roberto fez uma denúncia de algo que ainda nem aconteceu.

Pesquisa da Coronavac
Em Bagé (RS), a prefeitura está fazendo uma pesquisa sobre as pessoas que tomaram a primeira dose da vacina Coronavac, mas que ainda não receberam a segunda dose.

Até agora, a resposta é positiva; 67% dos imunizados com a primeira dose já têm anticorpos contra a doença. São 2 em cada 3. Os brasileiros que receberam a primeira dose superam 70 milhões de pessoas.

Voltando (aos poucos) ao normal
No mundo, a Itália e a Espanha liberaram a população de usar máscara ao ar livre. Nova Iorque reabre totalmente a partir do dia 1º de julho, assim como a Tailândia reabre o centro turístico de Pucket. A Holanda acabou com as medidas sanitárias, no entanto, ainda exige o distanciamento social de 1,5 m – exceto no transporte público, em que ainda será preciso usar máscara.

Registro de otimismo
Nos primeiros cinco meses deste ano entraram em investimentos estrangeiros de risco, no Brasil, US$ 22,5 bilhões. Em relação ao ano passado, houve um crescimento de 30% – e é significativo. Em plena pandemia, estrangeiros apostam na economia brasileira.

O valor é próximo ao mesmo período do primeiro ano do governo Bolsonaro, época em que não havia Covid-19, em que os investimentos somaram US$ 26,1 bilhões.

São investimentos que garantem emprego. Entre as entradas estão: uma empresa portuguesa e outra norueguesa de energia; uma francesa voltada para o automobilismo; e uma  suíça de alimentos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/cpi-da-covid-servidor-fez-denuncia-de-algo-que-ainda-nem-aconteceu/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...