sábado, 26 de junho de 2021

ESTRATÉGIAS EMPRESARIAL

 

Frederico Rezende

Estratégia empresarial ou de negócios tem foco no “como” uma empresa compete no seu negócio. Trata-se da análise dos pontos fortes e fracos e das oportunidades e ameaças relacionadas com o ambiente da empresa, direcionando todos os esforços e recursos para a execução dos objetivos estratégicos e visando alcançar determinados níveis de desempenho.

A estratégia de inovação determina em que medida e de que forma uma empresa a utiliza para executar a sua estratégia de negócios e melhorar o seu desempenho, exigindo recursos e talentos, avaliação da sua execução e desempenho e seu enquadramento no âmbito da missão, valores e objetivos estratégicos da empresa.

Definir uma estratégia de inovação requer equilíbrio de abordagens para garantir a eficiente alocação dos recursos e mudanças comportamentais, a fim de permitir que o programa de inovação se desenvolva e prospere, sem sucumbir aos obstáculos que muitas vezes surgem durante sua execução.

Uma das abordagens é a estratégia de inovação adotada por uma empresa inovadora que procura ser a primeira (first mover) a inovar no mercado com nova tecnologia, aplicação ou modelo de negócios.  Empresas como Apple e Amazon são exemplos típicos dessa categoria.

Outra abordagem estratégica é a praticada por uma empresa (fast follower) que deseja evitar o alto risco e custos elevados de ser a primeira a inovar no mercado, mas mesmo assim conquistar clientes, seguindo rapidamente os passos das empresas líderes (first movers). A empresa Dell pertence a essa categoria.

Uma terceira abordagem é a estratégia adotada por empresas que conseguem criar nova tendência (trendsetter) mediante lançamento de tecnologia inovadora ou atributo indispensável no mercado. Para tanto, essas empresas têm que deter forte competência tecnológica, particularmente nas chamadas tecnologias “disruptivas”, ou seja, aquelas que podem revolucionar o mercado. IBM, Intel e Microsoft são exemplos de empresas que adotam essa terceira abordagem de estratégia de inovação.

Em complemento a essas abordagens, a empresa deve incluir em sua estratégia, o(s) tipo(s) de inovação (ões) que pretende enfocar (em produto, em processo, em marketing, organizacional ou modelo de negócio), bem como o grau de intensidade que deve ser aplicado ao tipo de inovação escolhido (incremental, radical ou disruptiva).

Para que a estratégia de inovação produza os resultados desejados, é necessária a análise do seu grau de alinhamento com a estratégia de negócios. O alinhamento de recursos e processos de uma organização a sua estratégia de negócios é desejável em diversas áreas da gestão, incluindo a da inovação.

A inclusão da estratégia de inovação nas categorias originais do modelo de alinhamento criado por esse autor gera as seguintes ações que devem ser consideradas pelas empresas:

  • Alinhamento entre a estratégia de negócios e o contexto externo, representado pelos ambientes operacional e geral;
  • Alinhamento entre a estratégia de inovação e a estratégia de negócios;
  • Alinhamento entre o desempenho dos processos internos, funcionais e interfuncionais, e as estratégias de negócios e de inovação;
  • Alinhamento entre os recursos internos, definidos de forma ampla e incluindo pessoas, tecnologia, cultura, estrutura e outros elementos de configuração, e o desempenho dos processos internos.

O planejamento estratégico da inovação deve ser complementado com o planejamento de recursos, dos investimentos e das fontes de financiamento. O planejamento dos recursos determina quais, em que quantidade e quando os recursos físicos (pessoas, equipamentos e materiais) serão necessários para a realização da estratégia de inovação.

A aquisição ou desenvolvimento desses recursos necessita de aporte financeiro, que deve ser adequadamente dimensionado para que os projetos de inovação não sofram solução de continuidade. Caso o montante a ser investido seja superior à capacidade de investimento da empresa, os gestores deverão recorrer a fontes externas de financiamento.

VOCÊ CONHECE A VALEON?

O CANAL DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A Valeon possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A Valeon já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A Valeon além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a Valeon é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

QUEM SOMOS

A Plataforma Comercial da Startup Valeon é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.

Nosso principal produto é a Plataforma Comercial Valeon um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.

A Plataforma Comercial Valeon veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

Diferenciais

  • Eficiência: A Valeon inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
  • Acessibilidade: A Valeon foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
  • Abrangência: A Valeon atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
  • Comprometimento: A Valeon é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

Missão:

Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Visão:

Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.

Valores:

  • Integridade – Ética e Transparência
  • Responsabilidade – Profissional, ambiental e social
  • Inovação – Busca pelo melhor

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

CASO COVAXIN É UM FACTÓIDE DA ESQUERDA

 

Suspeita de corrupção
Abalou a relação?
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília

Presidente Jair Bolsonaro sofre desgaste pelas denúncias do caso Covaxin, mas base aliada no Congresso segue fiel e evita fazer juízo de valor.| Foto: Isac Nóbrega/PR

Parlamentares da base aliada do presidente Jair Bolsonaro no Congresso preferem observar os próximos acontecimentos antes de fazer qualquer juízo de valor acerca das denúncias de supostas irregularidades na compra da vacina Covaxin. O contrato com a empresa Precisa e a fabricante indiana Bharat Biotech virou alvo de investigação da CPI da Covid. A suspeita é de superfaturamento e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde.

A cautela se justifica pela precocidade da apuração e pela citação ao nome do presidente da República feita pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF). Reservadamente, senadores e deputados da base governista afirmam que, por mais que as acusações feitas até aqui sejam fortes, ainda não há nada de concreto contra Bolsonaro. Por outro lado, a oposição acredita que a denúncia pode acabar desgastando a imagem do presidente.

O caso Covaxin entrou no radar da CPI depois que Miranda afirmou ter alertado pessoalmente Bolsonaro sobre a suspeita de irregularidade. O deputado do DEM é irmão do servidor da Saúde Luís Ricardo Miranda, que já prestou depoimento ao Ministério Público. Ele alegou ao MP ter sofrido “pressões atípicas” para que assinasse a autorização de importação do imunizante ao Brasil.

Segundo Luís Miranda, ele e o irmão foram ao Palácio da Alvorada no dia 20 de março, onde teriam relatado a Bolsonaro sobre o que vinha ocorrendo no Ministério da Saúde. Em entrevista ao jornal O Globo, Ricardo Miranda afirmou que se recusou a assinar um recibo que previa um pagamento antecipado de US$ 45 milhões pela importação da vacina indiana.

O servidor afirmou ainda que apresentou documentos que comprovariam que houve um pedido de pagamento fora do contrato para importar três lotes com data próxima do vencimento. na ocasião, Bolsonaro teria dito que acionaria a Polícia Federal para investigar a denúncia, mas isso nunca aconteceu, segundo a própria PF.

Depoimento à CPI dos irmãos Miranda
Em rota de colisão contra o Palácio do Planalto, Luís Miranda entregou à CPI da Covid, nesta sexta-feira (25), documentos que comprovariam as supostas irregularidades e as diversas tentativas de interlocução com o governo para tentar apurar o contrato da vacina. Ele e seu irmão prestaram depoimento ao colegiado a convite.

Na véspera, o governo reagiu solicitando que a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) investiguem o servidor do Ministério da Saúde e o deputado Luís Miranda, baseados no artigo 339 do Código Penal, por denunciação caluniosa, e do artigo 347, por fraude processual.

Na esteira das trocas de acusações, parlamentares da base aliada alegam que os próximos desdobramentos irão determinar a manutenção ou não do apoio ao governo. Integrante do PTB, o deputado Marcelo Moraes (RS) argumenta que é cedo para tirar qualquer conclusão. “Nunca foi gasto R$ 1 com essa vacina e o deputado [Luís Miranda] é responsável por aquilo que fala”, disse.

“[As denúncias] são dignas de preocupação tanto do Congresso quanto para o presidente”, afirmou o líder do PSC na Câmara, Aluísio Mendes (MA), que aguardava o fim do depoimento dos irmãos Miranda para fazer qualquer análise mais aprofundada. “As informações que tenho são muito preocupantes, mas irei esperar o depoimento para saber que tipo de juízo de valor”.

O deputado Maurício Dziedricki (PTB-RS) lembra que a CPI se tornou um tribunal político. “Virou um palco de guerra política que quem perde é o Brasil. Ao invés de focar na saúde, ele estão focando em desgastar o governo Bolsonaro para fazer palco eleitoral”, alegou.


Atuação de Miranda pesa na ponderação da base aliada a Bolsonaro
Nos bastidores, parlamentares da base aliada ao governo ponderam que o “currículo” do denunciante Luis Miranda pesa contra ele. “Eu não sei as intenções do Miranda com toda essa história. Ele sempre foi envolvido em polêmicas e é um estreante no Congresso. Eu acho que é isso que os partidos vão pesar na hora de conversar sobre a manutenção ou não do apoio ao presidente”, argumenta um integrante do Centrão.

Em 2019, uma reportagem feita pelo Fantástico, da TV Globo, ouviu pessoas que acusaram o então aspirante a parlamentar de aplicar golpes milionários nos Estados Unidos. Uma das supostas vítimas alegou ter tido um prejuízo de R$ 150 mil depois que investiu em negócios de Miranda no país norte-americano.

Na balança, esses congressistas avaliam que a precipitação da oposição no caso Covaxin tem pesado mais que os fatos revelados até o momento. “Eu acredito que essa é uma situação muito complexa, temos que esperar todas as declarações e apurações para fazer uma avaliação dentro do que for realidade e o que for mentira”, afirma o líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB).

Na avaliação do congressista, o governo tem feito sua defesa sobre os fatos. “Existem várias versões e várias documentações. Não vou dizer que o deputado Luís Miranda está correto ou está errado, jamais vou fazer juízo daquilo que se está investigando”, diz Roberto.

A mesma análise vem sendo feita pela cúpula do PP, o partido é o principal integrante do Centrão e uma das siglas mais fiéis ao Palácio do Planalto no Congresso. Parlamentares ouvidos reservadamente acreditam que o presidente Bolsonaro conseguiu justificar os fatos que foram apresentados até agora pelo servidor do Ministério da Saúde e pelo deputado Luís Miranda.


As suspeitas sobre as irregularidades na contratação da vacina Covaxin são alvos de investigação no Ministério Público Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU), além da CPI da Covid. A aquisição de 20 milhões de doses do imunizante indiano pelo governo brasileiro vinha sendo intermediada pela empresa Precisa Medicamentos junto ao laboratório Bharat Biotech ao custo total de R$ 1,6 bilhão.

A intermediação teria tornado o preço do imunizante mais caro, já que o governo iria pagar US$ 15 por dose (R$ 80,70), acima do preço inicialmente previsto pela Bharat Biotech, de US$ 1,34 por dose. Até o momento nenhuma das doses contratadas da vacina desembarcou no Brasil. O laboratório ainda não conseguiu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial no país. Além da Índia e do Brasil, outros 11 países compraram a Covaxin, entre eles México e Paraguai.

Comparadas com outras vacinas adquiridas pelo Ministério da Saúde, a Covaxin também é a que teve maior custo por dose. Os imunizantes da Pfizer e da Janssen custaram, em média, US$ 10 (R$ 56), enquanto os imunizantes fornecidos pela Oxford-AstraZeneca custaram US$ 3,16 (R$ 19) por dose.

Segundo Ricardo Miranda, as cobranças para a contratação deste imunizante foram muito superiores às verificadas quando da aquisição de outros laboratórios. Ele citou ligações aos fins de semana e às 23 horas de uma sexta-feira. Segundo o servidor, um dos principais responsáveis pela pressão era o tenente-coronel do Exército Alex Lial Marinho, então coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde do ministério.

O servidor, de acordo com o seu relato, contou o caso ao irmão deputado, e o parlamentar agendou uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para contar as suspeitas. Eles se encontraram no Palácio da Alvorada. O presidente teria dito, então, que iria encaminhar a denúncia ao diretor-geral da Polícia Federal.

Em entrevista à CNN na quarta-feira (23), o deputado Miranda reforçou o relato e disse também que trocou mensagens com um ajudante de ordens do Palácio do Planalto sobre o assunto. Na conversa, ele mostrava preocupação com o impacto das denúncias na imagem de Bolsonaro — Miranda até então era membro da base aliada do presidente da República.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/como-base-aliada-de-bolsonaro-no-congresso-ve-caso-covaxin/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

PROJETO DE COMPRA DE VACINAS POR EMPRESAS É INVIÁVEL

 

Tramitação no Senado
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo

Compra privada de vacinas contra a Covid repercutiu mal após a aprovação na Câmara dos Deputados.| Foto: Daniel Castellano/SMCS

O projeto de lei (PL) 948/2021, que autoriza empresas particulares a comprar e aplicar vacinas contra a Covid-19 em seus funcionários, está parado no Senado há mais de dois meses. A proposição chegou à Casa em 8 de abril, dois dias após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, e não andou desde então.

O quadro contrasta com o cenário registrado quando o PL 948 foi votado pelos deputados. Na ocasião, a iniciativa polarizava atenções e era vista pelos seus apoiadores como um caminho para a imunização rápida do país. Já os adversários diziam que a proposta seria um privilégio à população mais rica – termos como “camarote da vacina” eram comuns nos discursos de parlamentares e nas redes sociais.

A paralisia da proposta no Senado não é exatamente uma surpresa. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), indicou, ainda nas primeiras semanas após a chegada do PL 948 à Casa, que não colocaria a proposta em votação. Segundo ele, não havia acordo entre as lideranças partidárias do Senado em torno do tema. A Gazeta do Povo consultou a assessoria de Pacheco para apurar se há intenção de promover a votação nas próximas semanas, mas não recebeu retorno.

Além disso, a CPI da Covid tem monopolizado a atenção dos senadores nos temas ligados à pandemia. A comissão tem na vacinação um dos seus focos, mas a questão da imunização pela iniciativa privada não está no radar dos parlamentares. Os senadores discutem principalmente aspectos como possíveis falhas do governo federal na aquisição e distribuição dos imunizantes à população.

O PL 948 possibilita à iniciativa privada a compra e o uso de vacinas contra a Covid-19 nos colaboradores das empresas, desde que 50% do total adquirido seja repassado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta modifica a legislação atual sobre o tema, que permite às empresas particulares a aquisição dos imunizantes, desde que haja a doação integral dos lotes ao SUS, até que a vacinação de todas as pessoas pertencentes aos grupos prioritários esteja concluída.


Empresários mantêm confiança na aprovação
Apesar de o tema ter perdido força no debate sobre a pandemia de coronavírus, empresários que deram suporte à iniciativa prosseguem com esperança de ver a aprovação do PL 948 pelo Congresso.

“Nós temos sim essa pretensão de ainda poder adquirir vacinas através da iniciativa privada. Isso seria uma iniciativa muito bem-vinda por toda a população brasileira. Afinal de contas, nós poderíamos ajudar a aumentar ainda mais a velocidade das vacinações”, declarou o empresário Márcio Pauliki, do Paraná, que foi também deputado estadual pelo Solidariedade.

À época da votação do PL 948 pela Câmara, a mobilização em torno da proposta tinha duas faces públicas: a dos empresários Luciano Hang e Carlos Wizard Martins. Ambos foram à imprensa e realizaram uma maratona de reuniões com autoridades de Brasília para angariar suporte à iniciativa. Alegavam que a recepção que recebiam dos dirigentes era positiva. Entre os visitados por Hang e Martins estavam os ministros Paulo Guedes (Economia) e Marcelo Queiroga (Saúde) e os presidentes de Câmara e Senado, entre outros.

Atualmente, Wizard é também figura de destaque em Brasília, mas por outros motivos. Seu nome é constantemente citado na CPI da Covid. Ele seria um dos principais integrantes do chamado “gabinete paralelo”, estrutura informal que prestaria auxílio ao presidente Jair Bolsonaro em temas sobre a pandemia e que teria tirado a autonomia do Ministério da Saúde. Wizard prestará depoimento à CPI no próximo dia 30.

Pauliki diz que Hang e Wizard são os nomes que “aparecem um pouco mais na mídia”, mas que o grupo que defende a vacinação é formado “por mais de 150 empreendedores”.

Hang e Wizard são também os rostos — literalmente falando — de um abaixo-assinado lançado pelo movimento para registrar apoio à iniciativa, feito na plataforma Change.org.

Pauliki ironizou a CPI do Senado, ao dizer que a comissão tem um relator que responde a “mais de 17 processos no STF”, em referência ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). Para Pauliki, os senadores da CPI “gostariam que essa pandemia persistisse justamente pelos seus objetivos políticos. Infelizmente eles colocam a política acima da necessidade da população”.

Favorável ao PL 948, o senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) não vê relação entre a CPI e a paralisia do projeto no Senado. “Acredito que a CPI não interfere na votação dessa matéria. O que falta é interesse por parte dos senadores para pautar essa proposta”, diz.

Segundo o parlamentar, “a iniciativa privada pode sim colaborar e acelerar o processo de vacinação no Brasil”, e por isso “toda e qualquer ajuda a fim de frear as mortes ocasionadas pela Covid-19 terá o meu apoio”. O senador ainda vê perspectivas de aprovação. “Apesar da resistência por parte de um grupo de senadores, acredito que podemos construir um acordo para votar e aprovar essa matéria.”


“Temos que estar atentos”, diz oposicionista sobre compra de vacinas por empresas
Do lado da oposição ao governo Bolsonaro, grupo que majoritariamente se posicionou contra o projeto, o sentimento em relação à paralisia do PL 948 no Senado é duplo: de um lado, satisfação em ver a lentidão de uma proposta da qual discordam; do outro, o entendimento de que o tema ainda demanda cautela.

“Nós temos que estar sempre atentos. Alguém que pensa uma proposta absurda dessas pode não desistir. Temos que estar sempre atentos na tramitação no Senado, embora eu acredite que o Senado não vá dar andamento a este projeto”, afirma o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que foi ministro da Saúde durante o governo de Dilma Rousseff.

Na avaliação de Padilha, foram dois os elementos que levaram o projeto a permanecer engavetado no Senado. Um foi a percepção de empresários de que o acesso às vacinas não seria tão fácil quanto imaginado inicialmente. E o outro, a reação negativa que a iniciativa despertou.

“A aprovação disso na Câmara gerou uma repercussão extremamente negativa, colocaria o Brasil ainda mais no mapa da vergonha na resposta à Covid-19, porque nem a nação que mais valoriza o poder do dinheiro e do capitalismo, que são os EUA, admitiu uma coisa como essa no meio de uma pandemia”, diz.

Vice-líder do Psol na Câmara, a deputada Fernanda Melchionna (RS) também acredita que a mobilização contra a proposta levou à sua inatividade. “A paralisia tem a ver com a reação a este projeto”, declarou. A parlamentar disse ainda esperar que o Brasil avance na busca pela quebra de patentes das vacinas.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/projeto-da-compra-de-vacinas-para-covid-por-empresas-empaca/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

TERCEIRA VIA FALSA NA POLÍTICA

 

Eleições 2022

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

DF – ELEIÇÕES 2022/CENTRO/ALIANÇA – POLÍTICA – O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (c), que é apresentado como pré- candidato do DEM à Presidência da República, participa de almoço que reuniu dirigentes de partidos do centro no Lago Sul, em Brasília, nesta quarta- feira, 16 de junho de 2021. O grupo decidiu retomar as conversas sobre uma eventual aliança na disputa presidencial do ano que vem após a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar as ruas em recentes manifestações pelo País. Sem um nome natural, as legendas já não consideram nas discussões alternativas como o empresário e apresentador Luciano Huck ou o ex-juiz federal Sérgio Moro. 16/06/2021 – Foto: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO

Liderados pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, partidos de centro debateram um acordo para viabilizar uma terceira via nas eleições de 2022.| Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Neste ano que antecede a eleição presidencial e a de governadores, na semana passada houve movimentos que adicionaram nomes ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), indicando que há um objetivo nisso. Marcelo Freixo deixa o Psol e vai para o PSB; o governador Flávio Dino deixa o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e vai para o PSB, e fazem o mesmo o ex-ministro e deputado federal Orlando Silva e a ex-candidata a vice-presidente na chapa de Haddad, Manuela d’Ávila. As mudanças teriam recebido a bênção de Lula. Estranhamente, não foram reforçar o PT.

Pode-se imaginar que ficou pesado carregar a sigla PT, depois do que a Lava Jato mostrou, com tesoureiros do partido presos e o próprio líder máximo passando um tempo na cadeia e agora livre mas não inocentado. Ficou pesado também carregar a fama de partido radical, como o Psol e mais ainda a denominação comunista. O partido Comunista Brasileiro já havia se transformado em PPS – Partido Popular Socialista – mas até essa denominação foi descartada e hoje é Cidadania – um nome mais aceito.

O interessante é que esses movimentos são explicados como em direção à centro-esquerda, como se o PSB ou PSDB tivessem vergonha de dizer que são esquerda – e aí se abrigam numa periferia do centro. Na verdade, é uma inversão do que acontecia em anos anteriores a Bolsonaro, com partidos de direita que se abrigavam em cima do muro do centro, tal como o PFL, hoje DEM e o PL, por exemplo. A direita, por anos encolhida e camuflada, agora é mais explícita que a esquerda, que hoje está com receio de assustar a maioria flutuante que decide eleições.

E o centro, o que é? Hoje tem sido chamado de terceira via, e busca a imagem de virtuoso, pacificador, e alternativa entre a esquerda e a direita, como se polarização fosse um mal. A maior democracia do mundo sempre teve dois polos: Republicanos e Democratas, e funciona. Além de tudo, as mudanças reais nos países foram feitas por governos de esquerda ou de direita. É raro o centro fazer mudança. O centro costuma falar em mudança, sim; mas apenas finge para acalmar a necessidade de mudar. Mudar um pouco para não precisar mudar.

IVERMECTINA - PRÓS E CONTRA

 

Tratamentos contra a Covid-19
Por
Amanda Milléo – Gazeta do Povo

Medicação antiparasitária ainda está sendo avaliada contra a Covid-19, e faltam estudos robustos com seres humanos.| Foto: Bigstock

Passados quase 16 meses da pandemia do novo coronavírus, muitos tratamentos e remédios seguem sendo testados. Entre aqueles que, desde o começo, foram aventados como possibilidades, a ivermectina é um daqueles que têm sua eficácia estudada, com novos capítulos recentes.

Durante uma entrevista coletiva na última sexta-feira (18), a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a necessidade de estudos mais robustos para que, enfim, o papel do antiparasitário no contexto da Covid-19 fique claro. De acordo com Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, ainda não há estudos clínicos de alta qualidade conduzidos sobre o papel da ivermectina, tanto na prevenção quanto no tratamento da doença, e são necessárias mais evidências antes de alguma mudança de entendimento.

“Estudos observacionais às vezes dão dicas de algo que pode estar acontecendo, especialmente quando se está em um nível populacional onde há muitas intervenções sendo feitas, mas o que se precisa são estudos bem desenhados que provem essas hipóteses, então nós recomendamos mais pesquisas. O júri ainda está decidindo”, explicou a representante da entidade.

A OMS mantém um Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes que avalia todas as pesquisas sendo conduzidas ao redor do mundo, e divulga cada nova recomendação. A última, publicada no fim de março, indicava o uso da ivermectina apenas dentro de estudos clínicos, nos quais há controle e observação de equipes de saúde. Segundo Maria Van Kerkhove, líder técnica da Covid-19 para a OMS, novas avaliações estão sendo feitas, e atualizações poderão ser divulgadas em breve.

Nesta quarta-feira (23), a Universidade de Oxford anunciou o início de um estudo clínico com 5 mil participantes para avaliar a ação da medicação contra a Covid-19. A pesquisa englobará voluntários no Reino Unido que tenham tido o diagnóstico da Covid-19, ou sintomas da doença, nos últimos 14 dias.

Os participantes serão divididos em dois grupos: um receberá a medicação, e o outro manterá o tratamento padrão do Reino Unido, focado no alívio dos sintomas. Cada voluntário, no entanto, saberá em qual grupo está e, ao longo de 28 dias, deverá responder à equipe do estudo, de forma presencial ou a distância, como está se sentindo diariamente.

Não se trata de uma pesquisa “padrão-ouro” na medicina baseada em evidências, mas poderá colaborar com dados e sustentar novas decisões de tratamento, de acordo com Chris Butler, professor da universidade e um dos coordenadores do estudo, em nota divulgada no site. “Ao incluir a ivermectina em um estudo de larga-escala como o PRINCIPLE, nós esperamos gerar evidências robustas para determinar quão eficaz o tratamento é contra a Covid-19, e se há benefícios ou danos associados ao uso”, explica.


Universidade de Oxford avalia ação da ivermectina contra a Covid-19 em estudo
Leite materno carrega anticorpos contra Covid-19, confirma estudo brasileiro
Idosos vacinados, mas adoecendo ou morrendo de Covid-19: o que explica?
Por que a ivermectina foi pensada para a Covid-19?
A ivermectina não é uma medicação nova. Desenvolvida na década de 1970 pelo pesquisador japonês Satoshi Ōmura e pelo irlandês William C. Campbell – que inclusive ganharam o Nobel de Medicina em 2015 pelo achado –, a medicação tem ação contra parasitas e vermes, como os causadores da oncocercose (também chamada de “cegueira dos rios”), da estrongiloidíase intestinal, filariose (elefantíase), ascaridíase (lombriga), escabiose (sarna) e pediculose (piolho).

Mas por se tratar de uma medicação de amplo espectro ou multialvo, que pode ser indicada para uma variedade de doenças, ela passou a ser testada contra outros microrganismos, entre eles os vírus. Zika vírus, dengue, chikungunya e mesmo a febre amarela foram submetidas à medicação, que demostrou uma ação antiviral em pesquisas in vitro (em laboratório) e em animais.

Ao verificar o achado em seres humanos, porém, a ação antiviral não se manteve. “A ivermectina, como inúmeros outros medicamentos, foi testada. E viram que, in vitro, tinha algum sucesso contra alguns vírus, como o da dengue, por exemplo. Mas, em humanos, não mostrou um benefício, então foi abandonado”, explica Sandra Farsky, farmacêutica, professora titular da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas.

Isso não impediu que, em 2020, quando a pandemia do Sars-CoV-2 começou a se disseminar, a ivermectina estivesse na lista das possíveis medicações contra a nova doença. Em abril, pesquisadores da universidade Monash, na Austrália, divulgaram que, em experimentos in vitro, a ivermectina se mostrou capaz de eliminar o coronavírus em 48 horas.

“Esse estudo foi realmente o estopim para posicionar a ivermectina contra a Covid-19. Mas esse foi o primeiro estudo, e isso suscitou outras perguntas e outras pesquisas. Tanto no sentido de entender melhor a interação da ivermectina com o vírus, e até mesmo no sentido de propor como tratamento experimental para a Covid”, explica Fábio Rocha Formiga, doutor em Farmacologia pela Universidade de Navarra, pesquisador do Instituto Aggeu Magalhães/Fiocruz (PE) e professor da Universidade de Pernambuco.

Qual vacina você já tomou?
Coronavac
AstraZeneca
Pfizer
Nenhuma
Estudos da ivermectina contra a Covid-19
Depois do anúncio dos pesquisadores na Austrália, mais estudos foram conduzidos. Na plataforma ClinicalTrials.gov, que reúne as pesquisas clínicas do mundo todo, há atualmente 71 estudos registrados que avaliam a ação da ivermectina no contexto da Covid-19. Destes, 46 ainda estão ativos, em fases de recrutamento de participantes ou anteriores a esta etapa. Outros 23 já completaram as pesquisas.

“Lá no ClinicalTrials nós percebemos que, até agora, os ensaios clínicos direcionados para a ivermectina em Covid-19 são com um número muito reduzido de pacientes, ou são ensaios não controlados, não cegos ou não blindados, e alguns são até observacionais, que não possuem um grupo controle. É muito complicado fazer uma generalização de observação sem um grupo controle”, destaca o pesquisador.

Os estudos que vão dar as respostas que ainda estão faltando sobre a ivermectina precisam atender a alguns critérios, como:

Número grande de participantes (a quantidade depende da etapa da pesquisa clínica, mas para verificar a eficácia de uma medicação, por exemplo, na fase 3, espera-se milhares de pessoas);
Distribuídos entre grupos de forma randomizada (aleatória);
Um dos grupos não deve receber a medicação em teste para servir de controle, ou comparação. Este grupo poderá receber outra medicação, para fins comparativos, ou mesmo uma substância placebo, ou nenhum tratamento além do padrão;
Nenhum dos participantes, ou da equipe de pesquisadores, deve saber quem está em qual grupo (o chamado duplo-cego). Essa medida reduz o viés da pesquisa de que, sabendo que está tomando a medicação e não placebo, a pessoa ache que está “melhorando”.
A somatória deste tipo de estudo, chamado de ensaio clínico randomizado, controlado e duplo-cego (RCT), vai servir de base para as chamadas meta-análises. “[As meta-análises são] uma síntese reprodutível e quantificável desses dados para dar uma visão geral. Infelizmente, até hoje, essas meta-análises e o monitoramento do grupo de trabalho [da OMS] não apontam para uma evidência ainda muito robusta da ivermectina como um fármaco anticovid”, diz Formiga.

O especialista alerta, no entanto, que isso não significa que a ivermectina deva ser deixada de lado. “Significa que precisamos aguardar mais resultados dos ensaios clínicos com maior número de pacientes, com os controles adequados, e com evidências científicas mais consolidadas”, reforça.

Por que a demora?
Embora para alguns medicamentos já haja um posicionamento mais claro das entidades de saúde, como a OMS, o FDA americano e a Agência Europeia para Medicamentos, para a ivermectina ainda se pede por mais estudos. E por quê? Uma das respostas é a incerteza da dosagem.

Os pesquisadores da Austrália que primeiro apontaram para uma possível ação da medicação contra o Sars-CoV-2 testaram diferentes concentrações até acharem aquela que trazia os melhores resultados. O problema, de acordo com Marcelo Beltrão Molento, professor de Parasitologia da Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná, é que, ao transpor essa concentração da placa de Petri para os seres humanos, a dosagem aumenta.

“Se você transportar essa concentração usada em células para uma dose em seres humanos, isso vai para 5 mil vezes a dose que é recomendada terapeuticamente hoje para matar parasitas”, explica o professor, que pesquisa a ação da ivermectina em animais e em seres humanos há 25 anos. “A ivermectina é muito segura se a pessoa tomar a dose prevista na bula. Se você tem 60 kg e toma os comprimidos para tratar parasitas uma vez por ano, é uma coisa. Agora, quando a pessoa dobra ou triplica a dose, e ingere a cada 15 dias, esses estudos não foram feitos e não se sabe quais são os riscos a médio ou longo prazo”, completa Molento.

São justamente essas respostas que muitas pesquisas estão se concentrando agora, segundo explica Fábio Formiga, pesquisador da Fiocruz. “Antes do teste de eficácia, precisamos definir o nível de segurança das doses. Muitos desses ensaios clínicos estão, inicialmente, avaliando a toxicidade do doseamento. Para aumentar a dose, precisamos esperar os resultados de estudos. Alguns já saíram, mas mesmo afirmando que as doses maiores podem ser seguras, foram feitos com um número pequeno de pacientes”.

De acordo com Sandra Farsky, presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas, a demora também é própria do desenvolvimento da Ciência, que deve ser respeitada. “Não temos dados imediatos porque os dados confiáveis demoram para sair. Você olhar para um grupo pequeno, como 80 pessoas, e ver uma diferença estatística, deve-se questionar se é isso mesmo. Há tantos outros fatores que podem ter levado a isso. Pode ser que [a ivermectina] funcione, mas para termos certeza absoluta é preciso ter estudos maiores. Mas isso demora, não dá para ter uma resposta imediata. A resposta imediata que funciona é a vacina, e a população precisa se vacinar”, reforça.

Estudos recentes
Das pesquisas mais recentes publicadas sobre a ivermectina no contexto da Covid-19, nenhuma oferece as respostas para os principais questionamentos: é eficaz e pode ser usada de que jeito contra o Sars-CoV-2?

Publicado no início de junho no periódico EClinicalMedicine, um estudo conduzido na Argentina avaliou a ação antiviral de altas doses da ivermectina em 45 pacientes hospitalizados em quatro hospitais diferentes. Os pacientes foram divididos em dois grupos: um recebeu a ivermectina durante cinco dias, e o outro, o tratamento padrão.

O objetivo era verificar a diferença na carga viral presente nas secreções respiratórias entre o primeiro e o quinto dia. Foram também avaliadas as concentrações da ivermectina no plasma dos pacientes.

Nos resultados, os pesquisadores não viram, de forma geral, diferença na redução das cargas virais dos dois grupos, mas perceberam que havia diferença em um grupo de pacientes: aqueles com maiores concentrações da ivermectina no plasma. “A ivermectina é um fármaco com um perfil farmacocinético [atividade do fármaco no organismo] muito variável. Ela alcança níveis do organismo muito variados em virtude de determinadas populações, em função de características do paciente. Os argentinos avaliaram isso”, explica Formiga.

Segundo o especialista, a dieta do paciente, por exemplo, pode alterar os níveis sanguíneos da ivermectina. O que os pesquisadores viram foi que, a medicação tomada em jejum, ou com o estômago cheio, trouxe diferenças nos resultados. “Esse não é um efeito único da ivermectina. Pode acontecer com outros medicamentos. Seja uma questão de farmacocinética ou da capacidade da medicação em agredir o estômago”, explica.

Outra publicação recente saiu no periódico Journal of Antibiotics, que faz parte do grupo Nature, e se propôs a listar os mecanismos de ação da ivermectina. Trata-se de uma revisão de outras pesquisas, na qual os autores descrevem como a medicação é composta e como a ação antiviral foi observada em outros estudos. Como conclusão, os autores destacam que a ivermectina mereceria atenção para mais pesquisas clínicas.


Leia mais em: https://www.semprefamilia.com.br/saude/ivermectina-contra-covid-19-quais-sao-certezas-e-as-duvidas/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

GOVERNO FAZ MUDANÇAS NO IMPOSTO DE RENDA

 

Reforma tributária

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo

Presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recebe do ministro da Economia, Paulo Guedes, projeto de Lei que trata da reforma do Imposto de Renda| Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O Ministério da Economia apresentou na manhã desta sexta-feira (25) projeto de lei que prevê alterações no Imposto de Renda para pessoas físicas e jurídicas, além da incidência de tributação sobre lucros e dividendos. A proposta integra a reforma tributária do governo, que, conforme acordado com a Câmara dos Deputados, tramita de forma “fatiada”.

A entrega do texto foi feita pessoalmente ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi acompanhado da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, e do secretário especial da Receita Federal, José Tostes.

“Esse segundo capítulo [da reforma tributária] é importante porque é um marco, no sentido de que por 40 anos o Brasil aumentou os impostos sobre as empresas. Também por quatro décadas aumentamos os impostos sobre os assalariados. E, ao contrário, não houve coragem de tributar os rendimentos de capital”, disse Guedes.

Entre os principais pontos do novo texto – que ainda não foi publicado – está o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), dos atuais R$ 1.903,99 para R$ 2,5 mil. Além disso, a tabela das alíquotas por faixa salarial também tem uma atualização:

Faixa atual Faixa proposta Alíquota
Até R$ 1.903,98 Até R$ 2,5 mil 0%
R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65 R$ 2.500,01 a R$ 3,2 mil 7,5%
R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 R$ 3.200,01 a R$ 4.250 15%
R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 R$ 4.250,01 a R$ 5,3 mil 22,5%
Acima de R$ 4.664,68 Acima de R$ 5,3 mil 27,5%
Segundo o Ministério da Economia, hoje 31 milhões de brasileiros declaram Imposto de Renda, dos quais 10,7 milhões são isentos. Com a atualização da tabela, outros 5,6 milhões deixarão de pagar o imposto, elevando o total de isentos para 16,3 milhões.

O ministro da Economia lembrou que o aumento da faixa de isenção do IRPF era promessa de campanha de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018. Na época, no entanto, o então candidato afirmava que elevaria o limite para cinco salários mínimos, que hoje equivaleria a R$ 5,5 mil. “Ele [Bolsonaro] queria que fosse até R$ 3 mil, mas estamos em dificuldades”, afirmou Guedes.

De acordo com a equipe econômica, a atualização da tabela gerará uma perda de arrecadação da ordem de R$ 13,5 bilhões em 2022, de R$ 14,46 bilhões em 2023 e de R$ 15,44 bilhões em 2024.

O Imposto de Renda vai mudar. Entre outras coisas, o governo quer ampliar a faixa de isenção, mas impedir desconto simplificado para quem ganha mais de R$ 40 mil por ano. O que você achou da proposta?
Gostei
Não gostei
Desconto simplificado será restrito para quem ganha até R$ 40 mil por ano
Por outro lado, uma mudança proposta para o IRPF que aumentará a arrecadação é a limitação do desconto simplificado, de 20%, apenas para quem recebe até R$ 40 mil por ano. A justificativa do governo é manter a simplificação para pessoas com menor renda, além de estimular o contribuinte que tem renda acima desse valor a pedir nota fiscal para solicitar deduções.

“O desconto simplificado foi uma opção criada há muitos anos, na época que a declaração era apresentada em papel, nos formulários”, explicou o secretário especial da Receita Federal, José Tostes. “Ao longo do tempo, com a evolução tecnológica, a preparação da declaração foi bastante facilitada e automatizada, com os programas, com a declaração pré-preenchida, diminuindo a necessidade dos contribuintes recorrerem a essa opção simplificada de presunção de dedução.”

Conforme os cálculos da equipe econômica, ao restringir o desconto simplificado, haveria um acréscimo na arrecadação estimado em R$ 9,98 bilhões para 2022; R$ 10,22 bilhões para 2023; e R$ 11,41 bilhões para 2024.

Redução no imposto para atualização do valor dos imóveis
O imposto de renda para atualização de valores patrimoniais de bens imóveis localizados no país terá alíquota reduzida para 5% sobre a diferença sobre o valor original, segundo a proposta do governo. A informação sobre o novo valor poderá ser feita anualmente.

Atualmente, o valor é mantido enquanto se tem a propriedade do imóvel, e a atualização é feita apenas quando ocorre a venda. A alíquota atual é entre 15% e 22,5% sobre o ganho de capital.

Imposto para empresas terá redução de cinco pontos porcentuais em dois anos
O Ministério da Economia também confirmou a redução da tributação sobre empresas. Guedes já vinha antecipando a redução a da alíquota do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) em cinco pontos porcentuais – 2,5 pontos no primeiro ano e mais 2,5, no segundo. Dos atuais 15%, a taxação cairá para 12,5% em 2022 e para 10% em 2023. O adicional de 10% para lucros acima de R$ 20 mil por mês será mantido.

Outra mudança proposta deve é o fim dos chamados Juros sobre Capital Próprio (JCP). Também uma forma de distribuição de lucros entre acionistas, o JCP difere dos dividendos por ser tratado como despesa no resultado da empresa, de modo que o pagamento de tributos cabe ao investidor. Dessa forma, as companhias utilizam o mecanismo para reduzir a base de incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

Segundo o Ministério da Economia, com um mercado de crédito mais evoluído e juros menores, não é mais preciso dar benefício para que o empresário invista seu dinheiro na própria empresa.

Hoje, as empresas tem a opção de apurar o IRPJ e a CSLL trimestral ou anualmente. A proposta é que a apuração seja obrigatoriamente trimestral para todas as companhias. Conforme o projeto, será permitido compensar 100% do prejuízo de um trimestre nos três seguintes. A ideia é dar uniformidade aos regimes de tributação, reduzindo o tempo gasto para apuração de impostos, reforçando o caixa das empresas e favorecendo setores impactados por sazonalidades.

O governo sugere ainda uma aproximação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, de modo a simplificar as obrigações tributárias, reduzindo custos e aumentando a eficiência e a produtividade.

Estão previstas ainda novas regras para a reorganização de empresas e de tributação de ganho na venda de participações societárias; e para apuração do ganho de capital em alienações indiretas de ativos no Brasil por empresas no exterior.

20% sobre dividendos com isenção para ganhos de até R$ 20 mil por mês
Para compensar a perda de arrecadação com as reduções no IRPF e no IRPJ, o projeto prevê a taxação sobre dividendos – parcela do lucro de uma sociedade anônima distribuído aos acionistas. Atualmente livre de impostos, o rendimento seria taxado a uma alíquota de 20%, porém com uma faixa de isenção de até R$ 20 mil por mês (R$ 240 mil por ano) – a tributação incidiria apenas sobre o valor que exceder esse limite.

A nota tributação deve gerar um aumento de arrecadação estimado em R$ 18,5 bilhões para 2022; em R$ 54,9 bilhões para 2023; e em R$ 58,15 bilhões para 2024, segundo os cálculos do Ministério da Economia.

O texto prevê ainda modificação nas alíquotas de tributação dos investimentos em renda fixa, fundos abertos e fechados (multimercados). Ficaria extinta a tabela regressiva, segundo a qual incidem alíquotas que vão de 22,5% a 15% dependendo do prazo de resgates. A proposta do governo é de uma cobrança fixa de 15%.

Já as operações em bolsa de valores passarão a ter alíquota de 15%, com apuração trimestral, para todos os mercados, caso o texto seja aprovado. Hoje, a apuração é mensal, com taxa de 15% em mercados à vista, a termo, de opções e de futuros, e de 20% para operações de day trade e cotas de fundos de investimento imobiliário (FII).

Projeto é segunda de quatro etapas da reforma tributária
O projeto de lei faz parte de um pacote relacionado à reforma tributária. A primeira etapa, enviada pela equipe econômica ao Congresso no ano passado, prevê a unificação do PIS e da Cofins na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Outra proposta, a ser enviada mais adiante, deve isentar do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) grande parte dos bens de consumo, com exceção de categorias como cigarros, bebidas e automóveis, de forma a efetivá-lo como imposto seletivo. Uma quarta etapa criaria um novo programa de refinanciamento de dívidas.

O presidente da Câmara disse acreditar que a reforma tributária passará ainda em 2021. “Acredito na aprovação de todos os projetos ainda neste ano, para que a gente deixe para tratar de eleições em 2022. Quero deixar esse assunto bem longe. As polarizações não são necessárias, nem bem-vindas, nem urgentes. O que é urgente é que a gente trabalhe focado, todo mundo remando juntos”, disse.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/governo-entrega-ao-congresso-projeto-que-altera-imposto-de-renda/
Copyright © 2021, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...