sexta-feira, 25 de junho de 2021

INDIOS PROTESTAM CONTRA A DEMARCAÇÃO DE TERRAS

 

Índios protestam

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Indígenas protestaram na última quarta-feira (23), em uma das entradas do prédio do Congresso Nacional contra o projeto de lei que muda a demarcação de terras| Foto: Joédson Alves/EFE

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou por 40 votos a 21, e em caráter terminativo, o projeto de lei 490/2021 que muda a demarcação fundiária das reservas indígenas. Agora o PL vai para o Senado.

Entre outras coisas, permite que os índios explorem a mineração. Na minha opinião, não existe garimpo na Amazônia que não tenha a participação de indígenas. Essa é uma situação de fato.

Não existe garimpeiro do Ceará ou de Pernambuco em reservas sem que as lideranças indígenas tomem conhecimento e se envolvam nisso. Essa é uma realidade que a lei irá reconhecer.

Além disso, os parlamentares da CCJ estão dando a possibilidade de independência financeira aos nativos. Há reservas indígenas que têm grandes produções de soja, milho, feijão, café, frutas e até gado com maquinário e tecnologia moderna.

Mas há aqueles índios que são manipulados por ONGs estrangeiras e partidos políticos. Foram aqueles que tentaram invadir a sede da Funai outro dia em Brasília e que esta semana, durante um protesto, feriram três policiais, um deles com gravidade, com uso de flechas. Houve índios machucados também.

É interessante que haja tanta restrição ao uso de armas, mas não há restrições ao uso de arco e flecha.

Reforços das veterinárias
O Senado aprovou a proposta que permite que laboratórios veterinários fabriquem o princípio ativo e vacinas contra a Covid-19 para humanos. Esses locais são muito competentes.

No momento há três empresas interessadas. Mas existem mais fábricas com possibilidade de produção. Nós também somos animais, nossa única diferença é a capacidade de raciocinar. Se a nossa diferença para o rato já é pequena, imagina para o Chimpanzé que também é um primata.

Sem depoimento de governadores
A maioria do STF confirmou nesta quinta-feira (24) a liminar da ministra Rosa Weber que desobriga os governadores de depor contra sua vontade na CPI da Covid. Era um resultado esperado.

A ação foi movida por 20 governadores. Alguns deles são investigados por desvio de dinheiro público que deveria ser destinado ao combate à pandemia do coronavírus.

Na mesma decisão os ministros determinaram que o chefe do Executivo Federal também não será obrigado a depor na Comissão. E eu concluo que tampouco os prefeitos terão que comparecer.

Abraçados com os irmãos Miranda
A CPI da Covid irá nesta sexta-feira (25) ouvir os irmãos Miranda: Luis Miranda e Ricardo Miranda. Eu não sei se vocês lembram das irmãs Miranda: Carmen e Aurora Miranda. A convocação se deu depois da denúncia do deputado Luis Miranda que acusa ter havido superfaturamento na compra da vacina Covaxin.

Muitos conhecem Luis Miranda aqui em Brasília, muitos gostariam de não ter conhecido nos Estados Unidos. O deputado é investigado por aplicar golpes milionários em pessoas que investiram em negócios que ele mantinha nos EUA, antes de ser eleito. Agora a CPI vai se envolver com eles. Vão estar abraçados com os dois irmãos.

Mourão saúda novo ministro
O vice-presidente Hamilton Mourão volta a conversar com o ministro do Meio Ambiente nesta sexta, porque com Ricardo Salles ele tinha cortado relações. A posse formal do novo ministro Álvaro Leite ainda não aconteceu, mas Mourão já está conversando com ele. É uma mudança considerável.


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FILHOS FICAM ABANDONADOS INTELECTUALMENTE NA PANDEMIA

 

Por
Carlos Ramalhete – Gazeta do Povo

| Foto: Cole Stivers/Pixabay

O Código Penal, em seu artigo 246, tipifica o crime de “abandono intelectual”. Tratar-se-ia de “[d]eixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar”; a punição seria de “detenção, de quinze dias a um mês, ou multa”. Ironicamente, o artigo imediatamente anterior penaliza quem “[e]ntregar filho menor de 18 anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo”. A ironia está em que a jurisprudência considera que comete o tal abandono intelectual quem não entregue os filhos a escola reconhecida pelo MEC (Monstro Estuprador de Cérebros). Ora, dado o estado catastrófico do sistema pseudoescolar tupiniquim, quem comete verdadeiro abandono intelectual são os pais que matriculam os filhos num dos depósitos de crianças que hoje se fazem chamar escolas. E, mais ainda, tão calamitoso está o “ensino” brasileiro que seria perfeitamente concebível tipificar também pelo artigo 245 quem deixa uma criança indefesa e inocente nas garras do MEC (Máquina de Envilecimento e Corrupção).

A escola desempenha (ou melhor, desempenharia, se funcionasse) o papel de instruir as crianças in loco parentis, ou seja, subsidiariamente aos pais. Em outras palavras, a escola deveria ser o lugar onde se socorre emergencialmente os pais que não se veem capazes de instruir pessoalmente os filhos nem têm condições de contratar tutores particulares, exatamente como o hospital é onde se cuida de mazelas que não se pode tratar em casa. Mas eis que nossos delirantes políticos, numa inversão satânica da realidade, veem as escolas como o lugar em que a criança seria “libertada” dos pais por seu verdadeiro mestre, dono e senhor, o todo-poderoso Estado. Para os habitantes do mundo de fantasia dos carpetes vermelhos, instruir seria papel exclusivo da escola. Chega a espantar que não exijam que os bebês sejam levados a creches para que aprendam a falar com gagos ou mudos dotados de diplomas coloridos, selados e carimbados.

Mas ainda mais longe vai o desvario dos educratas. Para eles, de nada adiantaria ser instruído fora da escola, ainda que se aprenda muito mais e melhor. Afinal, o papel primordial de tal instituição, para os energúmenos do Planalto, é outro; a instrução é apenas a minhoca no anzol. Talvez seja uma vaga “socialização” (tremendamente artificial, aliás; fora da escola e do quartel, nunca se está cercado de gente com exatamente a mesma idade, vestindo exatamente a mesma roupa!), ou talvez se trate de um contraponto ou antídoto contra a moral familiar. Convenhamos: fora dos bairros de classe média alta das capitais, ela dificilmente seria tão politicamente correta quanto o que passa por currículo no que passa por escola.

A escola deveria ser o lugar onde se socorre emergencialmente os pais que não se veem capazes de instruir pessoalmente os filhos nem têm condições de contratar tutores particulares, exatamente como o hospital é onde se cuida de mazelas que não se pode tratar em casa

Na verdade, o que se quer e se faz ali é massacrar, massificar, matar na raiz o pensamento crítico e livre. A instrução propriamente dita é tão irrelevante que ninguém se preocupa com o fato de a escola brasileira mostrar-se radicalmente incapaz de instruir. Nada se vê de errado em que 50% dos universitários (ou seja, quem supostamente está no nível superior de instrução) sejam incapazes de ler e entender um texto simples.

Aprende-se, mesmo assim, um monte de coisas na escola. Todas péssimas. A sucessão de “matérias” desconjuntadas e isoladas, em prazos cronometrados, ensina a prestar atenção no que seu mestre mandar (literalmente), e só. Não interessa se uma aula é fascinante: ao tocar o sinal, sai um professor e entra outro. Esvazia-se o cérebro, interrompem-se os raciocínios, e começa-se tudo de novo com outro irrelevante conteúdo. Interesses intelectuais são assim coibidos e cortados pela raiz, mas a obediência ao Sistema, a capacidade de prestar atenção só no que as supostas autoridades mandam perceber, é incentivada. Nada mais importante para os donos do poder, claro, que um bom adestramento de seus súditos, habituando-os a interromper qualquer raciocínio ao toque duma sineta.

Aprende-se, igualmente, a odiar o diferente, num mecanismo de adestramento de fazer orgulho a Pavlov: põem-se 30 crianças exatamente da mesma idade, com exatamente a mesma roupa, numa sala em que todos são forçados a dirigir a atenção para o mesmo ponto (o picadeiro onde se alternam professores e matérias), sem poder conversar com o coleguinha ao lado por quase cinco horas. Na hora do recreio, breve interrupção do massacre da infância, é evidente que a criança vai querer falar com quem esteve ao seu lado, fantasiado de ele mesmo (mesma roupa, mesma idade…). Repetindo-se isto por 12 ou 13 anos, cria-se uma juventude que odeia quem ouve outro tipo de música, veste roupa de outra marca, o que for.


O que fazer com o MEC
Aprende-se, ainda, que nada do que é lecionado faz contato com a realidade. Tudo paira no vazio: fórmulas, signos, nomes, nada diz respeito à realidade, essa coisa suja e sórdida. Cada “matéria” é composta de uma série de castelos no ar, sem qualquer conexão lógica entre si e absolutamente desligados de aplicação prática. Tudo é feito de nomes e números, de sistemas vazios e autorreferentes, formando universos mentais estanques que só podem ser apreciados pelo engenho com que são compostos, mas que de nada servem nem poderiam servir na vida real. Este é um vasto mecanismo pelo qual se nega aos alunos o prazer, ou mesmo a consciência da possibilidade de estudo real. Afinal, o estudo consiste na sempre crescente formação de uma vasta e perfeitamente entrelaçada visão de mundo a partir de tantos diversos focos aplicados a um todo comum, em que a Biologia ajuda a entender a História, que mostra o uso da Química, que com a Física define a Geografia…

Aprende-se, ainda, que nada faz sentido naquilo que finge ser estudo. A ordem em que as partes dum conteúdo geral são apresentadas impede que as partes sejam compreendidas, com pré-requisitos aparecendo anos depois duma apresentação tão incompreensível quanto olvidável de algo que deles depende. Da mesma forma, chama-se “Literatura” a uma série de descrições, sem que jamais se chegue a ler um livro inteiro, que dirá mergulhar no espírito de cada estilo, no sem-número de universos em que se reflete tão belamente cada aspecto da natureza humana. Apoda-se “História” à grotesca dancinha do materialismo dialético, em que as paixões humanas são negadas e substituídas por interesses de classe, “Biologia” a um borbotão de termos aparentemente desprovidos de sentido e educação sexual à mecanicização e esterilização liminar duma promiscuidade presumida que toma o lugar do amor.

Finalmente, ainda que só por ser necessário parar em algum momento, aprende-se que o encarceramento num panóptico odiento é fato dado ou lei da natureza. De cada dia perde-se um quarto ao menos, visivelmente sem que disso venha qualquer vantagem, qualquer melhora. Aprende-se a aceitar péssimas condições, a suar no verão e tremer de frio no inverno, para nada. Aprende-se a depender de autorização superior até mesmo para as necessidades fisiológicas mais inadiáveis. Aprende-se a gastar horas e mais horas em atividades tão inúteis quanto desagradáveis, e a suspirar aliviado quando o carcereiro toca a pavloviana sineta que permite um mínimo de expressão da pujança e azáfama juvenis. Aprende-se a sofrer para acompanhar um desempenho  médio teorético, que ou bem demanda enorme esforço ou bem é fonte de tédio, já que na realidade é raríssimo quem esteja no centro da média, e a divisão dos estudantes por idade, não por capacidade, garante que seja alto o desvio-padrão.

Não interessa se uma aula é fascinante: ao tocar o sinal, sai um professor e entra outro. Esvazia-se o cérebro, interrompem-se os raciocínios, e começa-se tudo de novo com outro irrelevante conteúdo

Já o componente supostamente intelectual do processo, ou seja, o conteúdo das matérias, é ao fim e ao cabo perfeitamente irrelevante. Tão irrelevante que ninguém sequer espera que o aluno saiba um mês depois o que regurgitou na última prova. Tão irrelevante que de nada adianta nem mesmo uma sobeja demonstração de domínio cabal do conteúdo, como a exibida estes dias pela bela sorocabana Elisa de Oliveira Flemer. Além da perfeição de sua redação, a sagaz donzela demonstrou raro domínio do conteúdo das matérias escolares ao conquistar o quinto lugar na disputa por vagas no concorridíssimo curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP. Contudo, por faltar-lhe o diploma escolar reconhecido pelo MEC (Mentira Extremamente Cabeluda), que tantos analfabetos ostentam sem que o saibam ler, não pôde entrar. Pior para a USP, poderíamos dizer; ela certamente conseguirá uma bolsa para uma universidade muito melhor no exterior.

Na verdade, todavia, pior é para o Brasil. Nosso sistema supostamente educacional é uma farsa, e farsa das mais macabras, como durante a pandemia os pais puderam ver nas telas em que os filhos são virtual e intelectualmente violentados. Botar um filho numa escola brasileira, repito, é abandono intelectual dos mais graves, a não ser que os pais gastem algumas outras horas do dia de que os filhos já perderam um quarto desfazendo o mal que lhes é feito na fábrica de salsichas intelectuais do MEC (Matadouro de Estudantes Competentes). Afinal, repito, abandonar uma criança indefesa nas garras de tal sistema é entregar o filho menor a pessoa inidônea, cujo nome é Legião. Legião de educratas, de pedabobos e demais parasitas dos neurônios de nossa juventude. É estuprar-lhe o intelecto, traumatizando-a de tal maneira que dificilmente conseguirá um dia realmente estudar. Afinal, quando se lhe falam de estudar, a vítima do sistema imagina o procedimento que repetiu ao longo de todo o tempo em que foi abusada pelo sistema: decorar irrelevâncias, vomitá-las na prova, esquecê-las e passar às seguintes.

Para piorar ainda mais a coisa, há um projeto patético e pernicioso na fila de votação dos famosos 300 picaretas do Planalto Central. Ele visa, basicamente, impedir que os filhos sejam instruídos fora do massificante moedor de miolos que passa por sistema educacional em Pindorama, atrelando-lhes a instrução ao sistema mesmo quando dada fora dele.


Aborrescência
Só para começar, o projeto de lei requer que ao menos um dos pais tenha um diploma de nível “superior”. Ora, bolas, no Brasil tal diploma não sinaliza sequer que a pessoa seja alfabetizada; trata-se, mais uma vez, de uma superstição idolátrica do País dos Bacharéis, em que o canudo é o que vale, não o conhecimento real que ele supostamente, muito supostamente, garantiria. Há uns poucos gênios com fundamental incompleto, e uma vasta multidão de asnos diplomados. Requer-se ainda que os pais apresentem certidões criminais estaduais e federais (oi?!), bizarríssima exigência que nunca foi demandada dos professores a quem são confiadas crianças aos magotes, sem que os pais sequer saibam-lhes o nome. Qual seria o sentido disso, além de engordar políticos com as taxas e quetais? Dificultar que os filhos sejam libertados dos horrores do MEC (Masmorra do Espírito Criativo), evidentemente, é o primeiro deles. Mas deve haver alguma pseudojustificativa que, confesso, escapa-me à compreensão. Afinal, se os pais passam, ao menos em tese, mais horas com o filho que a instituição escolar, caso a Babá Estado visasse “proteger” a criança que vitima, ela exigiria tais certidões para permitir a procriação, ou mesmo as relações sexuais (afinal, nenhum método de contracepção é infalível).

Para piorar ainda mais a situação, a vítima, digo, o estudante deve estar matriculado em uma fábrica de salsichas cuja chancela do MEC (Martírio do Erudito Consciencioso) já prova ser péssima, perniciosa e perversa. Mais ainda, os pais devem entregar relatórios bimestrais ao violador estatal de intelectos juvenis, mostrando os registros das atividades feitas pelo aluno, que, pobrezinho, ainda terá de fazer provas na escola. E, se for reprovado nelas dois anos sucessivos, será forçado a nela encarcerar-se. Ora, bolas, qualquer pessoa que já tenha tido a curiosidade básica de examinar qualquer material escolar hodierno sabe que a ordem em que os conteúdos são apresentados simplesmente não faz sentido. Para levar um estudante a dominá-los, é necessário adiantar uns estudos que deveriam ser preliminares a outros, postergar outros que dependem de uns, e por aí vai. Uma criança que estude em casa, com os pais ou tutores particulares, ou mesmo num grupo de estudos de vizinhos ou filhos de casais amigos (a melhor opção, aliás, desde que não se caia no erro de juntar os fedelhos por idade), pode aprender de verdade – ou seja, não apenas reter até o fim da prova para depois esquecer, mas encaixar o aprendido em sua visão de mundo, sabendo quando e como empregá-lo. Desde que, claro, os conteúdos lhe sejam apresentados numa sequência lógica.

Ao engessar a progressão didática ao festival de absurdidades do sistema do MEC (Ministério da Estupidez e Canalhice), ou bem o pobre aluno terá de estudar um conteúdo imensamente maior que o da escola e da prova, adiantando os pré-requisitos e coisa e tal, ou bem se repetirá em casa a palhaçada dos depósitos de crianças. A única vantagem, neste caso, seria que duas ou três horas de aula intensiva por semana amplamente bastariam para garantir resultados excelentes nas provas. A monstruosa desvantagem é que ele sairá do processo tão analfabeto quanto qualquer formado num “terceirão” de escola particular cara e tida por boa.

Uma criança que estude em casa, com os pais ou tutores particulares, ou mesmo num grupo de estudos de vizinhos ou filhos de casais amigos, pode aprender de verdade. Desde que, claro, os conteúdos lhe sejam apresentados numa sequência lógica

O pobre estudante ainda teria de cumprir ao menos os conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular (que consegue ser mais delirante que um trans-humano terraplanista abduzido depois de devorar sozinho um bolo de maconha), aos quais se pode, claro, adicionar algo mais. Quanta generosidade da parte dos educratas, não é mesmo?, isso de permitir que os pais ensinem alguma coisa aos próprios filhos… E, finalmente, só para deixar bem claro que nossos filhos são propriedades do Estado, que generosamente até nos permite conviver com eles quando não lhe têm uso, será obrigatório comparecer a encontros presenciais semestrais com pedabobos e educratas, para que eles possam encher-nos a cara de perdigotos e os ouvidos de jargão sem sentido. Além disso, claro, ter-se-á de permitir que o Conselho Tutelar faça inspeções (!!!) na casa das famílias, esses lugares tão insalubres em que normalmente as crianças passam a maior parte do tempo em que não estão sendo zumbificadas pelo MEC (Mecanismo de Embutir Chouriços).

E, finalmente, o mais radiosa e solenemente patético: os pais devem “garantir a convivência em sociedade”. A mesma sociedade, diria eu, de que as pobres crianças submetidas aos moedores de miolos são afastadas coisa de 30 horas por semana, aprendendo a odiar o diferente, a cortar ao meio o raciocínio quando toca uma campainha pavloviana, e por aí vai.


O desafio da educação
O que temos, então, é apenas mais uma pustulenta demonstração do pior do Estado brasileiro. É um Estado que se acha dono de tudo e de todos, e percebe até mesmo os mais elementares direitos naturais (como o de educar os próprios filhos) como generosas concessões suas aos donos reais do direito. Um Estado que idolatra papeluchos, carimbos e selos, na perpétua ilusão de que o que vale é o papel, não a coisa real. Um Estado que não consegue fazer absolutamente nada direito, mas não apenas arvora-se no direito de tudo fazer como proíbe que as coisas sejam feitas por quem deve e sabe fazê-las (definição de “anarcotirania”, aliás). Um Estado que pendura toneladas de obrigações sem sentido nas costas dos pobres cidadãos, na fantasia de que gincanas burocráticas garantiriam algo que não a corrupção sistêmica. Um Estado que não está a serviço da sociedade, mas cultiva a delirante ilusão de que a sociedade seria ele mesmo. Um Estado em que as leis mais importantes (não matarás, não furtarás, não cometerás adultério…) de nada valem, mas as exigências administrativas de carimbos, selos e demais papeluchos patéticos são fervorosamente vindicadas. Um Estado em que armas e munições de guerra são contrabandeadas em enorme escala, facultando aos criminosos duelos de fuzis, bazucas e metralhadoras antiaéreas em zonas residenciais, mas livros e instrumentos científicos são retidos por meses na alfândega.

Um Estado, em suma, que é o maior avatar do caos na sociedade que parasiteia, que com seu “toque de Merdas” consegue apodrecer tudo que toca, e que orgulhosamente prefere o burocrata ao gênio, a feiura à beleza, e – como não poderia deixar de ser – a imbecilização em massa ao ensino individual.


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TIRAR OS SAPATOS EM CASA É UM BOM HÁBITO

 

  1. Saúde 

Veja dicas do Dr. Bactéria em tempos de pandemia

O biomédico Roberto Figueiredo fala sobre tópicos como a higienização de compras e roupas em meio a uma preocupação que se estende por causa do novo coronavírus. Leia respostas para as perguntas mais comuns sobre o tema

Paula Felix e Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

A pandemia do novo coronavírus gerou um verdadeiro abalo nas zonas de conforto. De máscaras a álcool em gel, há pouco mais de um ano, grande parte das pessoas tem tido que aprender um conjunto de coisas novas todos os dias. E isso não é fácil, principalmente quando as orientações acabam mudando ou sendo distorcidas ao longo do tempo.

“Nós tivemos, no ano passado, o recorde brasileiro de intoxicação por produtos de limpeza e o recorde brasileiro de crianças intoxicadas por álcool em gel, com aumento de 30% de queimados. Muitas coisas que o pessoal fazia eram realmente um excesso, que não precisava ter feito”, explica o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido como Doutor Bactéria.

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“Todo mundo, de repente, virou técnico em higiene. Inclusive, as concentrações (recomendadas) que eram dadas, as pessoas modificavam. Falavam ‘duas colheres de tal produto’, o pessoal colocava dois copos”, conta o biomédico. Para tentar desmistificar alguns pontos em relação aos hábitos adotados na pandemia, ele concedeu uma entrevista à repórter Paula Félix, transmitida em live pelo Estadão. Confira alguma das principais perguntas:

Como proceder ao chegar com compras em casa?

A recomendação do Doutor Bactéria, ao menos em embalagens de arroz, feijão, enlatados e vidrarias, é fazer uma mistura com um litro de água, uma colher de sopa de bicarbonato de sódio e uma colher de sopa de detergente. Depois, pode-se colocar essa mistura em um borrifador e higienizar as embalagens. 

Segundo o biomédico, essa higienização não deve ser feita só no contexto de pandemia, já que as chances de contaminação pelo novo coronavírus são bastante remotas por essa forma. Os procedimentos de higienização de produtos que vêm do supermercado podem ser úteis em outros contextos, como para evitar a leptospirose.

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Fila para vacinação contra covid-19 nesta quinta-feira, 24, no Tatuapé, zona leste de São Paulo Foto: DANIEL TEIXEIRA/ ESTADAO

De que forma higienizar entregas de delivery?

O mesmo procedimento feito com produtos que chegam do supermercado também pode ser adotado ao receber embalagens de delivery, explica o Doutor Bactéria. O que ele não recomenda, se o pedido for uma pizza, é pedir recheios com rúcula, cebola ou azeitona. Isso porque não tem como saber a higienização que foi feita nesses alimentos e não tem nenhum processo posterior de higienização, como o cozimento.

Como higienizar frutas compradas no mercado?

A primeira dica do Doutor Bactéria é não lavar as frutas e legumes assim que tiver chegado em casa. Se forem lavados com água na mesma temperatura, os alimentos vão absorver a água para dentro, levando a contaminação que está na casca. Para evitar que isso aconteça, o indicado é trocar o saco plástico por outro recipiente, colocar na geladeira por ao menos por duas horas, lavar e depois deixar por 10 minutos em uma solução que consiste em uma colher de sopa de água sanitária em um litro de água. 

Feito isso, o procedimento final é lavar novamente e colocar na fruteira ou onde se costuma deixar. Alimentos como a banana, que não há a recomendação de serem refrigerados, não precisam passar pela etapa da geladeira. Já frutas que já estão muito maduras requerem uma atenção especial, para evitar a infestação e, consequentemente, a contaminação por moscas.

De que maneira higienizar as mãos de forma correta?

Assim que estiver dentro de casa, o recomendado é lavar as mãos com água e sabão, esfregando todos os cantos. “Álcool em gel é só para você utilizar quando estiver fora da sua casa, porque ele é inflamável”, diz o Doutor Bactéria. Segundo ele, lavar a mão com álcool em gel corretamente tem 85% de eficiência, já lavar a mão com água e sabão tem 91% de eficiência para reduzir as contaminações.

Tirar os sapatos ao chegar em casa é um bom hábito?

Esse foi um dos bons hábitos que a pandemia trouxe, já que os sapatos das pessoas entram em contato com muita coisa quando estão fora de casa, destaca Roberto Figueiredo. A recomendação é, se possível, deixar os sapatos para fora ou próximos à porta. “Eu indico até deixar um pouquinho de bicarbonato, para colocar dentro do sapato, porque elimina chulé, contaminação e é excelente”, diz.

Além disso, outra indicação é usar um capacho (tapete) que seja de vinil. “Só o capacho já tiraria 85% da contaminação. Se você colocar ainda uma solução de 3 colheres de sopa de água sanitária por litro de água (para borrifar), você vai reduzir mais de 95%”, complementa.

É necessário tirar as roupas ao chegar em casa?

Essa prática não é exatamente recomendada pelo biomédico. A orientação é, caso tenha permanecido por muito tempo fora de casa, trocar de roupa antes de ir até o quarto. Outro ponto, se tiver ficado fora de casa mais de quatro ou cinco horas, é tomar banho e lavar o cabelo. “O fato de lavar o cabelo é um ato realmente de higiene corporal”, explica.

Em quais casos deve-se colocar a roupa para lavar assim que chegar da rua?

“Se você foi no hospital ou foi no cemitério, com isso não tem acordo: você tem que tirar a roupa toda e tem que colocar para lavar”, diz. Em outros casos, ele ressalta que a lavagem normal, assim como é feito com outras roupas, já é o suficiente. Em casos de blazer ou calça jeans que ainda não estão sujos, basta deixá-los pendurados até o dia seguinte. Segundo ele, essa é a indicação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) desde julho do ano passado.

É recomendado utilizar algum sabonete específico ao chegar em casa?

De acordo com o Doutor Bactéria, não. Inclusive, o excesso de invenções pode acabar sendo prejudicial. “Se você lavar a mão mais de 8 vezes por dia, a (chance de) contaminação diminui. Se lavar a mão mais de 25 vezes por dia, a (chance de) contaminação volta a aumentar. Porque você diminui a resistência da pele e acaba justamente com as bactérias que protegem, que fazem parte da sua flora normal de pele”, explica. 

Como exemplo, ele relembra ainda que a comercialização de sabonetes bactericidas é proibida nos Estados Unidos. “Porque não conseguiram comprovar a eficácia deles, então, não recomendo utilizar”, diz. Desse modo, o caminho é comprar produtos que estejam aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e não inventar.

O que evitar fazer?

“A mais terrível das misturas é colocar água sanitária com vinagre”, alerta o biomédico, já que essa é uma mistura que libera um gás tóxico e pode ser prejudicial à saúde das pessoas. Além disso, o biomédico reforça a importância de ler rótulos e conferir o que eles informam. “Todo produto só é indicado para você misturar com água. O resto não misture com nada, a não ser que esteja escrito no rótulo ou então que você tenha indicação de uma pessoa idônea.”

Qual é a proporção certa para usar a água sanitária?

Para usar a água sanitária, o indicado é utilizar duas colheres de sopa a cada litro de água, mas a casa tem que estar limpa e desodorizada para receber essa solução. 

Como alternativa, a indicação do Doutor Bactéria é usar uma mistura que consiste em um litro de água, uma colher de sopa de detergente e uma colher de sopa de bicarbonato. “O detergente serve para limpar, junto com a água, e o bicarbonato serve para desodorizar”, diz. Se a busca for por odores específicos em casa, a indicação é comprar um odorizante ambiental e passar. “A limpeza não tem odor”, diz o biomédico. Ele reforça ainda que não é necessária a utilização de desinfetante.

Em tempos de home office, como higienizar eletrônicos?

Ao pensar na higienização de eletrônicos, uma premissa deve estar em mente: a água é inimiga de aparelhos eletrônicos. Desse modo, detergente e álcool 70 não são recomendados, já que ambos contêm água.

Por sua vez, o recomendado pelo biomédico é o álcool isopropílico, que é comprado em lojas de materiais eletrônicos ou na internet. “Você pega um lenço de papel, umedece levemente e passa no aparelho a ser higienizado”, orienta. As frequências indicadas para higienização dos aparelhos são:

  • Celular: uma vez ao dia
  • Controle remoto: uma vez por semana
  • Microcomputador: quinzenal ou mensalmente

NEGÓCIOS INOVADORES DEVEM SER DESENVOLVIDOS

 

Lorena Pickert – Analista na AAA inovação

A inovação do modelo de negócios pode oferecer uma vantagem competitiva mais duradoura, especialmente em tempos de disrupção. Esse modelo é um recurso essencial para organizações que buscam impulsionar o crescimento, revigorar um modelo antiquado ou se defender contra as disrupções ou declínios do setor.

Isso é fundamental para a transformação do negócio que compartilham um conjunto comum de preocupações: que tipo de inovação do modelo de negócios nos ajudará a alcançar um desempenho inovador? Como construímos a capacidade de desenvolver, testar rapidamente e escalar novos modelos?

Saiba mais como desenvolver um Modelo de Negócios Inovador a seguir:

Como estruturar um Modelo de Negócios Inovador?

Para impulsionar o crescimento exponencial nos negócios por meio da inovação é necessário entender o esforço necessário, nível do risco e a capacidade contínua usada. Para isso, é importante perceber que nem todos os esforços de inovação do modelo de negócios são iguais.

A compreensão dessas abordagens distintas pode ajudar líderes fazer escolhas efetivas para crescer os negócios, que é exemplificada no modelo a seguir:

Reprodução AAA Inovação

Receita vs Lucro

A receita é gerada com a venda de um produto. Já os lucros são a quantia líquida de dinheiro ganho após o pagamento das vendas, marketing e custos operacionais.

Recursos vs Ativos

Um recurso é algo que você usa para atingir um objetivo, enquanto um ativo é algo de valor – um ativo é um termo contábil para algo de valor.

Criação de Valor vs Captura de Valor

Criar valor é como você produz algo que os clientes desejam comprar. Capturar valor envolve o preço, o método de cobrança e como você ganha dinheiro – o lucro que você obtém quando os clientes compram de você.

Canais de distribuição vs Canais de comunicação

Os canais de distribuição são como você leva seu produto ou serviço até o ponto onde os clientes podem comprar. Os canais de comunicação são como você alcança seus clientes para informá-los sobre seu produto e influenciá-los a compra.

O que é um Modelo de Negócios Inovador?

Um Modelo de Negócios Inovador é o processo de reinventar a forma como você transforma sua organização para competir com mais eficácia no mercado. No centro da inovação do modelo de negócios está a necessidade de criar novos produtos, serviços ou modelos organizacionais que melhorem sua proposta de valor.

Isso está relacionado com a criação de valor de alterações simultâneas e de suporte tanto na proposta de valor de uma organização para os clientes, que pode definir o segmento, a oferta de produto ou serviço e o modelo de receita. E também no modelo operacional, que o foco está em como gerar lucratividade, vantagem competitiva e criação de valor.

Para estruturar o Modelo de Negócios Inovador é preciso saber:

  • Onde atuar ao longo da cadeia de valor?
  • Qual modelo de custo é necessário para garantir retornos atraentes?
  • Que estrutura e capacidades organizacionais são essenciais para o sucesso?

Como desenvolver um Pensamento Inovador?

Com o crescimento de criação de novas tecnologias cada vez mais há a possibilidades de criar novos modelos de negócios. Essas tecnologias disruptivas permitem reinventar o modelo operacional do negócio com os elementos a seguir:

Reprodução AAA Inovação

No exemplo acima, é demonstrado somente alguns dos elementos básicos, mais existem muitos mais disponíveis. Lembre-se de que a proposta de valor precisa estar alinhada com o cliente e eles precisam entender o motivo para comprar algo – isso geralmente não é a tecnologia, mas o que ela faz por eles.

Para empresas inovadoras, isso significa testar, iterar e gerir rapidamente para ser capaz de sentir mudanças, se adaptar e ser ágil por ter recursos adaptativos e dinâmicos.

Dentre os principais motivos para adotar esse modelo são por:

  • A competição vir de lugares inesperados
  • Os ciclos de vida do produto estar ficando cada vez mais curtos
  • Tecnologias emergentes que mudam as normas do mercado
  • Novos concorrentes entram nos mercados, muitas vezes de fontes surpreendentes, como economias emergentes
  • Interrupções de modelos de negócios que oferecem melhores experiências ao cliente, não apenas produtos simples

VALEON UMA STARTUP INOVADORA

A Startup Valeon é uma nova empresa da região do Vale do Aço que tem um forte relacionamento com a tecnologia.

Em geral, elas se caracterizam por ser um negócio com ideias muito inovadoras e grande disposição para inovar e satisfazer as necessidades do mercado.

Seja nas formas de atendimento, na precificação ou até no modo como o serviço é entregue, as startups buscam fugir do que o mercado já oferece para se destacarem ainda mais.

Muitos acreditam que desenvolver um projeto de inovação demanda uma ideia 100% nova no mercado. É preciso desmistificar esse conceito, pois a inovação pode ser reconhecida em outros aspectos importantes como a concepção ou melhoria de um produto, a agregação de novas funcionalidades ou características a um produto já existente, ou até mesmo, um processo que implique em melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade ao negócio.

inovação é a palavra-chave de qualquer startup. Essas empresas buscam oferecer soluções criativas para demandas que sempre existiram, mas não eram aproveitadas pelo mercado.

As startups procuram resolver problemas e oferecer serviços inovadores no mercado.

Estamos lutando com as empresas para MUDAREM DE MENTALIDADE referente à forma de fazer publicidade à moda antiga, rádio, tv, jornais, etc., quando hoje em dia, todos estão ligados online através dos seus celulares e consultando as mídias sociais a todo momento.

Somos PROFISSIONAIS ao extremo o nosso objetivo é oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes e respeitando a sociedade e o meio ambiente.

Temos EXPERIÊNCIA suficiente para resolver as necessidades dos nossos clientes de forma simples e direta tendo como base a alta tecnologia dos nossos serviços e graças à nossa equipe técnica altamente especializada.

A criação da startup Valeon adveio de uma situação de GESTÃO ESTRATÉGICA apropriada para atender a todos os nichos de mercado da região e especialmente os pequenos empresários que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.

Temos CONHECIMENTO do que estamos fazendo e viemos com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e estamos desenvolvendo soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Dessa forma estamos APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES que o mercado nos oferece onde o seu negócio estará disponível através de uma vitrine aberta na principal avenida do mundo chamada Plataforma Comercial Valeon 24 horas por dia e 7 dias da semana.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

DEPOIMENTO DOS IRMÃOS MIRANDA QUE ACUSAM O GOVERNO NA CPI

Compra da Covaxin
Por
Wesley Oliveira
e
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília

Presidente Jair Bolsonaro e o deputado Luís Miranda (DEM-DF): denúncia sobre a Covaxin implodiu as relações entre eles, que passaram de aliados a adversários políticos.| Foto: Reprodução/YouTube

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid irá ouvir nesta sexta-feira (25) o deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda. A oitiva terá como objetivo esclarecer possíveis irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin pelo governo brasileiro.

O caso se tornou de interesse dos senadores depois que o deputado afirmou ter alertado pessoalmente o presidente Jair Bolsonaro sobre supostas irregularidades no contrato com a fabricante do imunizante. Segundo Miranda, ele e o irmão foram ao Palácio da Alvorada no dia 20 de março e apresentaram a denúncia ao presidente.

Servidor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda afirmou ao jornal O Globo que se recusou a assinar um recibo que previa um pagamento antecipado de US$ 45 milhões pela importação da vacina indiana. Segundo o servidor, ele teria contado ao presidente sobre as suspeitas envolvendo a Covaxin e apresentou um material que comprovaria que, em um documento recebido por ele, houve um pedido de pagamento fora do contrato para importar três lotes com data próxima do vencimento.

A aquisição de 20 milhões de doses do imunizante indiano pelo governo brasileiro vinha sendo intermediada pela empresa Precisa Medicamentos junto ao laboratório Bharat Biotech ao custo total de R$ 1,6 bilhão. A intermediação teria tornado o preço do imunizante mais caro, já que o governo iria pagar US$ 15 por cada dose (R$ 80,70), acima do preço inicialmente previsto pela Bharat Biotech, de US$ 1,34 por dose.

Até o momento nenhuma das doses contratadas da vacina desembarcou no Brasil. O laboratório ainda não conseguiu autorização da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial no país. Além da Índia e do Brasil, outros 11 países compraram a Covaxin, entre eles México e Paraguai.

Comparadas com outras vacinas adquiridas pelo Ministério da Saúde, a Covaxin também é a que teve maior custo por dose. Os imunizantes da Pfizer e da Janssen custaram, em média, US$ 10 (R$ 56), enquanto os imunizantes fornecidos pela Oxford-AstraZeneca custaram US$ 3,16 (R$ 19) por dose.

Durante evento no Rio Grande Norte nesta quinta-feira (24), Bolsonaro comentou pela primeira vez a denúncia de superfaturamento na compra da Covaxin. “Para a tristeza de alguns poucos, o governo está completando dois anos e meio sem uma acusação de corrupção. Não adianta inventar vacina, porque não recebemos uma dose sequer dessa que entrou na ordem do dia da imprensa”, afirmou.

Mesmo assim, Bolsonaro afirmou que o caso será apurado. “Temos um compromisso, se algo estiver errado, apuraremos, mas graças a Deus, até o momento, graças à qualidade dos nossos ministros, não tivemos um ato de corrupção em dois anos e meio”, completou.

Em publicação nas redes sociais, Luís Miranda pediu que o presidente Bolsonaro falasse a “verdade”. “Diga a verdade PR [Presidente da República] Jair Bolsonaro, e que de fato estivemos com o senhor dia 20/03 e denunciamos uma irregularidade na aquisição da Covaxin e que o senhor deu o devido tratamento ao caso, conforme informou que o DG [delegado geral] da PF receberia os documentos ainda no dia 20/03”, escreveu.


Deputado promete entregar documentos para a CPI
Em linha de confronto com o Palácio do Planalto, Luís Miranda prometeu entregar para os senadores da CPI da Covid documentos que comprovem as supostas irregularidades. “Sexta-feira o Brasil saberá a verdade e os documentos falam por si só. Se ficarmos calados, já será o suficiente para todos os brasileiros se revoltarem e ainda entender o que está atrasando o Brasil!”, escreveu o deputado nas redes sociais.

A declaração ocorreu depois que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou que a Polícia Federal irá investigar o deputado e o irmão por denunciação caluniosa. Apesar disso, integrantes da CPI da Covid acreditam que o depoimento dos dois poderá levar a investigação sobre a Covaxin a outro patamar.

“Estávamos investigando negacionismo, gabinete paralelo, omissão na compra de vacinas, agora vamos passar a investigar corrupção”, disse o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em entrevista coletiva após a sessão desta quinta-feira (24).

O parlamentar tem a expectativa de que os irmãos Miranda apresentem a cronologia de suas acusações e que a comissão possa fazer o cruzamento das informações apresentadas com outros dados já levantados pelo colegiado.

O presidente Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, alegam que o governo federal não chegou a gastar nenhum centavo com a Bharat Biotech, porque as vacinas ainda não foram remetidas ao Brasil.


Oposição aguarda depoimento dos irmãos Miranda com ansiedade
Integrante da CPI, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que “há muitas coisas para serem esclarecidas” na negociação entre o governo brasileiro e a Precisa, e demonstrou expectativa em relação aos depoimento dos irmãos Miranda. “Eles não vão esclarecer tudo, mas certamente vão jogar algumas luzes”, disse.

Costa questionou o fato de a Precisa ter sobre si acusações de irregularidades e de descumprimento de contratos firmados com o poder público, inclusive durante a pandemia de coronavírus. Randolfe disse considerar que o caso é ainda uma incógnita. “Sabemos muita coisa, mas ao mesmo tempo não sabemos nada”, declarou nesta quinta-feira.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que a CPI buscará a verdade sobre o caso. “Agora os indícios são de corrupção. Gente buscando lucro enquanto os brasileiros morriam sem vacina”, disse em uma rede social.

Por outro lado, o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) pediu calma em relação as denúncias. “No governo federal não existe blindagem. É preciso fazer essa análise com calma e considerando todos os fatos”, ponderou. Ele chamou as alegações de Miranda de “fake news” e disse que a oposição está tratando o assunto como “grande descoberta”, sem esperar as investigações sobre o caso. “Antes de apurar os fatos, de buscar as evidências, eles já espalham as narrativas”, afirmou.

A comissão quer mais detalhes sobre o acordo, apurando, por exemplo, se o presidente Jair Bolsonaro intercedeu pessoalmente para agilizar a compra. Em janeiro, o presidente brasileiro enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na qual pediu o envio urgente de doses da vacina Oxford/AstraZeneca.

Os senadores também querem ouvir o tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador de Aquisições de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde; Thaís Moura, assessora da Presidência da República; e Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos. A oitiva de Maximiano estava previsto para esta quarta-feira (23). Entretanto, ele alegou estar cumprindo quarentena depois de viagem a Índia. Diante disso, a CPI adiou o depoimento do empresário para a próxima semana.

Investigação além da CPI
Além da CPI da Covid, a compra da Covaxin pelo governo brasileiro também é alvo de investigações pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Luís Ricardo Miranda já havia prestado depoimento para promotores sobre as supostas irregularidades nos contratos.

Segundo trechos do depoimento divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo, Ricardo Miranda apontou como um dos responsáveis por essa pressão o tenente-coronel Alex Lial Marinho. As declarações fizeram com que o MP instaurasse uma investigação para apurar o caso.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/cpi-tenta-chegar-a-bolsonaro-com-depoimento-dos-irmaos-miranda/
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CONGRESSO VOTA LEIS DE INCENTIVO À LADROAGEM

 

Parlamentares unidos

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Brasília- DF. 12-03-2020-Corredores e plenário do congresso vazio depois da portaria do presidente Rodrigo Maia de só ter acesso às dependencias da câmara de funcionarios. (Salão verde) Foto Lula Marques

Câmara dos Deputados aprovou com facilidade mudanças na Lei de Improbidade Administrativa, que tornam mais difícil o combate à corrupção no país.| Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

Imagine um pouco como a sua vida estaria sendo desconfortável se 25% de todos os seus colegas de trabalho — um em cada quatro, ou seja, gente que não acaba mais — ou de seus familiares, ou de seus amigos, ou de seus vizinhos, tivessem problemas com a justiça penal. Ficaria difícil para qualquer um, não é mesmo? Mas é isso, exatamente isso, o que acontece com o Senado Federal. Nada menos do que 21 senadores num total de 81, segundo um levantamento recente do jornal “O Estado de S. Paulo”, estão enrolados com o Código Penal Brasileiro. Mais que isso, só na penitenciária.

É pior do que se pensa. Os colegas, familiares, etc, etc, sempre correm algum risco de se complicarem com a Justiça — pelo menos isso. Os senadores processados por atividades criminosas não correm o menor perigo de serem incomodados por ninguém; todos eles contam com a incomparável proteção das “imunidades parlamentares” para fugir da lei. Um senador, inclusive, já está condenado por crime de peculato; um outro, o recordista, responde a dezessete (17) ações penais diferentes, a começar por fraude na coleta de lixo. Vivem na mais completa paz dos justos.

Os senadores esfregam na sua cara, além disso, um detalhe especialmente insultuoso: é você quem paga, com os impostos que lhe arrancam todas as vezes que acende a luz de casa ou põe gasolina no tanque, cada tostão que eles consomem. Só de despesas pessoais — salários, benefícios, funcionários de seus gabinetes, plano médico cinco estrelas, pelo resto da vida e incluindo a família toda — cada um lhe custa cerca de R$ 7 milhões ao ano. Qual o executivo de multinacional que vale essa barbaridade?

Ao todo, são R$ 600 milhões de janeiro a janeiro — e isso não incluiu o grosso das despesas, que vão dos milhares de funcionários a alucinações como a gráfica do Senado, e que no total beiram os R$ 5 bilhões por ano. O Congresso Nacional, ao todo, está custando para lá de R$ 11 bilhões.

São essas as figuras que vão apreciar — e aprovar — a nova “Lei da Improbidade” que veio da Câmara. Os deputados, cuja situação do ponto de vista criminal não é muito diferente, já fizeram a sua parte, é claro: o texto que aprovaram torna o combate à corrupção ainda mais difícil do que é agora. Pois é. Com a lei do jeito que está já é praticamente impossível condenar um deputado ou senador a uma multa de 2 reais.

Mas a politicalha não está satisfeita. Quer tolerância zero com qualquer tentativa de objeção à roubalheira — e é isso o que vai conseguir com a nova lei. Por que não? As quatro ações penais contra Lula foram extintas pelo Supremo Tribunal Federal sem que os ministros examinassem uma única prova; para completar o serviço, o STF declarou que o culpado é o juiz Sergio Moro.

Do extremo PT ao extremo governo, sem exceção, a esquerda, a direita e o centro votaram a favor da nova Lei da Impunidade. Nada se aprova com tanta facilidade e tanto entusiasmo, no Brasil de hoje, quanto leis de incentivo à ladroagem. Senadores, deputados e o resto do mundo político só têm a ganhar.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/leis-de-incentivo-a-ladroagem-passam-facil-pelo-congresso/
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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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