Lázaro Barbosa fez diversos cursos e atividades de ressocialização enquanto cumpria pena de 12 anos por roubo e estupro.| Foto: Divulgação/Polícia Civil-DF
Desde que a Globo parou de fazer boas novelas, este país anda carente de drama. Começou com o BBB, do BBB passou a coisas mais pesadas, como a CPI de Renan Calheiros, mas agora conseguiu um drama mais à altura das novelas: temos um serial killer nacional. O povo não começou a substituir novela por séries norte-americanas? Pois então, o serial killer está mais do que bom, e é a mais nova mania nacional. Segundo leio, o nosso assassino já ganhou 346 perfis falsos, além de artigo na Wikipédia.
Lázaro conhece seus dias de glória. Até mesmo o jornal local da Bahia, o BA-TV, noticia as buscas em Goiás. O motivo? Lázaro é baiano. Para não deixar dúvidas, a legenda que anuncia as buscas se refere a ele como “maníaco baiano”. Porque o jornalismo baiano é no mínimo tão bairrista quanto o gaúcho, e é bom deixar claro que a nova mania nacional é da Bahia.
Alvo de fake news Mas, como não está fácil para ninguém, até o pobre assassino já é “alvo de fake news”. Gravíssimo. Os autores das fake news alegam, dentre outras coisas, que a mãe de Lázaro é feiticeira e, enquanto ela estiver viva, ele não será preso. É evidente que qualquer pessoa de bom-senso que leia uma coisa dessas acreditará prontamente, a menos que as agências de checagem de fatos venham desmentir. Fica aqui o registro da importância das agências de checagem de fato.
Já aprendemos com Átila Iamarino, em publicidade veiculada pelo TSE, que fake news é “letal para a democracia”. Ou seja: se as pessoas continuarem falando impunemente que a mãe de Lázaro é uma feiticeira capaz de impedir a prisão do filho, em breve será instaurada uma ditadura no país, que vai matar todos os negros, mulheres, indígenas, LGBTQUIABO, gordos e anões. Tem que pegar os autores de fake news e botar para apodrecer na cadeia, igual a Oswaldo Eustáquio.
200% do PIB para curso de empatia Vejam bem que fake news não pode porque acaba com a democracia, mas estupro e assassinato não são lá grandes coisas. Podem ser solucionados com curso de empatia, que ensina o reeducando a se colocar no lugar da vítima e se inteirar dos sentimentos dela. (Fica a pergunta do senso comum: Será que sádicos recebem esse curso também? E será que não vão ficar excitados com a descrição dos sentimentos das vítimas? Melhor não perguntar, porque fazer pergunta sem diploma na área deve acabar enquadrado como fake news, aí acaba a democracia etc. O certo é ouvirmos as autoridades sanitárias sempre, sem questioná-las, e nem pensar em dar ouvidos a cientistas disseminadores de fake news. A Ciência é o que tem um carimbo de verdade dado por um burocrata.)
Segundo as autoridades da psicologia, é uma coisa perfeitamente razoável, altamente científica, botar um assassino estuprador em regime semiaberto caso ele participe dos cursos de empatia, sexualidade, lei antidrogas, efeitos das drogas, autoimagem e autoestima. Assim foi com Lázaro. Com certeza não foi ele quem pagou por esses cursos; fomos nós, que damos nossos impostos para gente muito científica geri-lo no que concerne aos reeducandos.
Ainda assim, mesmo tendo feito tantos cursos mui humanistas e científicos, Lázaro foi para o semiaberto sem intenção de voltar. O que pessoas boas, que não são radicais de extrema-direita, têm para aprender com esse caso? Respondo: que os cursos de empatia precisam de mais dinheiro. Se investirmos 200% do PIB em curso de empatia, a criminalidade acaba. Lázaro só fugiu porque o presidente genocida não deu 200% do PIB para curso de empatia.
Até Lázaro é político Talvez o homem branco cis hétero de extrema-direita Sikêra Jr. tenha sido o primeiro a cantar a pedra de que Lázaro ia virar herói para a gente do bem, humanista e iluminada. Eu confesso que achei exagero, pois mais valia focar na CPI e dar uma de joão-sem-braço em questões de violência urbana e direito penal. Mas não. Sikêra estava certo, e apareceu numa revista de esquerda uma deliciosa sopa de clichês com o título “Lázaro, o leproso”.
Diz o glorioso Lelê Teles: “Em Brasília, um sujeito de nome Lázaro Barbosa Ramos, 32, apresentou suas feridas à sociedade. O pai de Lázaro casou com 17 anos e viveu uma vida de brigas, xingamentos e catiripapos com sua companheira até se separarem. O pequeno Lázaro foi criado pela avó, o irmão foi assassinado há pouco tempo. […] Tenho mesmo grande curiosidade em saber qual era a real motivação de Lázaro, que feridas ele traz consigo que o faz levantar da porta do homem rico e arrancar-lhe o nariz com uma dentada. Muitas vezes, o agressor também é uma vítima. Apavorados com os efeitos, esquecemos de procurar conhecer a causa. No fundo, Lázaro é apenas mais um miserável cheio de chagas psicológicas e que cansou de mendigar sua condição de gente. Numa das casas que invadiu em fuga, ele apenas pediu que lhe preparassem comida; comeu e foi assistir ao noticiário. Agora, de miserável invisível, ele é a estrela da semana na mídia, temidos por todos, apavorando as forças policiais.”
Curiosa para saber onde vive e o que come Lelê Teles, fui ao Twitter. E lá estava ele defendendo que “o playboy” que acusou um rapaz de estar com uma bicicleta roubada fosse morto na porrada. Mas já deletou o tuíte.
Para além do esquerdismo mais caricato de site de esquerda, ouvi que temos já na grande imprensa campanhas para que Lázaro seja capturado vivo. Ninguém fala, é claro, do custo humano de priorizar a vida do criminoso em vez da das vítimas. Se a polícia estiver numa situação em que só consiga pará-lo com tiros, sem conseguir ter certeza de que não vai pegar num local letal, deve deixá-lo fugir? Será que ele não iria para outra casa fazer mais vítimas? Será?
Acho que não, pois ele fez curso de empatia.
O verdadeiro mistério Há quem se surpreenda por ele estar solto após cometer tantos crimes graves. Eu, não. Se você conhecer alguém que passou anos na cadeia, é bom não perguntar o que a pessoa fez. Façamos as contas: regime fechado (conhecido como “cadeia mesmo”) é só até um sexto da pena. Para alguém passar anos na cadeia, no plural, a pena tem que ter sido de pelo menos 12 anos, que é pena de homicídio doloso. A pena é uma mera base de cálculo para o tempo de “cadeia mesmo”, sem ser semiaberto.
Assim, a única surpresa nessa história é que a justiça informal não tenha dado conta desse assassino estuprador. A única coisa que um estuprador tem a temer no Brasil é a justiça informal.
Presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é o principal articulador político pelas reformas estruturantes: para uns, é o primeiro-ministro do governo.| Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chamou para si a tarefa de avançar com a pauta do governo no Congresso. O protagonismo assumido nos bastidores a favor das agendas econômica, de reformas e privatizações, e social é de tal forma que deputados, senadores e empresários já o veem como uma espécie de “primeiro-ministro” do governo Jair Bolsonaro.
“As reformas vão avançar, apesar de Bolsonaro”, diz o deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG), presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem trabalhado para aprovar tanto essa reforma, como, também, a tributária, mas não encontra o mesmo apoio político de Bolsonaro. Quem tem trabalhado na linha de frente por elas é Lira.
Em um sistema presidencialista, uma reforma estruturante pode tramitar no Congresso com maior ou menor celeridade a depender da postura do presidente da República. No caso atual, Bolsonaro deixou as discussões a cargo do ministro Paulo Guedes e da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda.
Sem que Bolsonaro assuma posição pública ou busque a construção de consensos para avançar as reformas, coube a Arthur Lira ser o principal negociador político das reformas. É o presidente da Câmara quem tem buscado aparar arestas e construir maioria para aprovar as agendas econômicas. Guedes, com quem trabalha junto, é o avalista.
O que torna Arthur Lira o “primeiro-ministro” do governo Aliado de Lira, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), vice-líder do partido e presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Tributária, entende que o governo não mostra comprometimento suficiente para aprovar as reformas. “Penso que não está se esforçando o bastante. Quem tem demonstrado o maior interesse em fazer as reestruturações do país é o Arthur. Sem ele, o governo não consegue”, analisa.
Tamanho é o protagonismo na agenda de reformas que, para Miranda, Lira carrega consigo o simbolismo de um “primeiro-ministro”. “No passado, escutei muitas vezes que o [Rodrigo] Maia [ex-presidente da Câmara] queria ser o primeiro-ministro. O Arthur Lira é o ‘primeiro-ministro’ porque todos os movimentos dele são em prol do governo e da população. É ele quem luta para aprovar uma reforma tributária de verdade”, destaca.
O deputado Tiago Mitraud concorda com a leitura de que Lira tem tido um papel imprescindível para a condução das reformas. “Tem feito a parte dele. Instalou a comissão especial [da reforma administrativa] e buscou incluir todos o partidos para minimizar críticas depois”, destaca.
Para o presidente da bancada pró-reforma administrativa, o presidente da Câmara atua com o comprometimento que falta ao presidente da República. “O Bolsonaro nunca foi alguém que se preocupou com os grandes temas, está mais preocupado em participar de motociata. A minha expectativa, hoje, é que ele não atrapalhe, porque ele tem o potencial de fazer isso”, critica Mitraud.
Conheça as propostas que prometem simplificar o sistema tributário
Além das reformas: em quais outras áreas atua o “primeiro-ministro” A atuação de Lira nas reformas tributária e administrativa não é o único protagonismo recente que assumiu. Além de pavimentar a aprovação da medida provisória (MP) que viabiliza a desestatização da Eletrobras, ao evitar que o texto fosse enterrado pela oposição, a despeito de críticas da bancada do Novo, ele também tem atuado para aprovar um novo programa social e evitar uma crise hídrica.
Recentemente, Lira defendeu a aprovação de um novo programa social para substituir o Bolsa Família, um assunto considerado estratégico pelo governo, e disse que o projeto de privatização dos Correios será votado “no final do primeiro semestre ou começo do segundo semestre.
Na terça-feira (15), se reuniu com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sobre o que vem sendo chamado de “MP do racionamento”. O texto tem o objetivo de dar segurança jurídica ao governo e assegurar o cumprimento de determinações para reduzir a vazão de hidrelétricas e poupar água nos reservatórios durante o período seco.
Tanto protagonismo e habilidade política para articular os mais diferentes assuntos na Câmara levam o cientista político Márcio Coimbra a concordar que Lira atua como um “primeiro-ministro” na prática. “Ele tem um domínio [da Câmara] que não via desde a época do [ex-presidente] Eduardo Cunha. Consegue fazer maiorias, colocar projetos em votação quando quer e ter pleno controle da Casa”, diz.
Para Coimbra, coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília, Lira tem um perfil político superior ao do antecessor Rodrigo Maia. “Ele é melhor negociador nos bastidores e bom de confronto. Sabe o que tocar para frente, o que segurar, quando tem que dar demonstrações de afeto ao governo ou assumir posição pró-Câmara”, justifica.
O que a relação com Guedes diz sobre a sua habilidade de articulação Em quatro meses de presidência na Câmara, Lira tem mostrado uma capacidade de negociação grande com o governo, sobretudo junto a Guedes. O papel de “negociador” assumido por Lira nos bastidores foi enaltecido por diferentes fontes ouvidas. É um papel complementar ao de Guedes, que não é conhecido por ser um bom articulador.
O presidente da Câmara se reúne com empresários, deputados e ministros do governo. Diante das necessidades em dar respostas econômicas para a recuperação do país, Guedes é um dos ministros de Estado mais ouvidos por Lira. Até porque, como negociador, ele precisa do aval técnico da área econômica do governo.
Um empresário do setor de serviços afirma que, diferentemente de Rodrigo Maia, Lira busca trabalhar alinhado a Guedes. “A PEC [proposta de emenda à Constituição] 45/2019 foi o maior motivo da briga entre Guedes e Maia. Guedes não queria aquela PEC, porque era extremamente maléfica para os empregos no Brasil e bateu de frente”, afirma.
A recusa de Guedes em levar adiante a PEC 45, que propõe a unificação de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS em um único tributo, foi o que motivou o ministro a demandar o fatiamento da reforma. O apelo foi atendido por Lira, apesar de uma resistência inicial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). A ideia de fatiamento repercutiu mal no Senado.
Pacheco foi avisado por senadores da contrariedade à ideia. O próprio senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Bolsonaro, queria a tramitação da reforma tributária pela PEC 45, segundo apurou a Gazeta do Povo. Coube a Lira articular com o Senado. Alinhado ao ministro da Economia, convenceu que, sem o apoio da equipe econômica, o país não teria nenhuma reforma.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, durante sessão que votou a privatização da Eletrobrás, em 21 de junho.| Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Entre uma privatização boa, uma privatização malfeita e privatização nenhuma, o Congresso Nacional fez sua escolha no caso da Eletrobrás. O Senado, ao analisar a Medida Provisória 1.031/21, tinha a possibilidade de remover os “jabutis” inseridos pela Câmara; por mais que a ação se tornasse inócua, dada a promessa do deputado relator, Elmar Nascimento (DEM-BA), de recolocar tudo de volta quando o texto tivesse novamente de passar pela Câmara, seria um sinal de que ao menos os senadores estavam comprometidos com o autêntico espírito da desestatização. Em vez disso, o que o senador Marcos Rogério (DEM-RO) fez foi acrescentar ainda mais obrigações, respaldadas pelos colegas e, em boa parte, confirmadas na votação desta segunda-feira, em que a Câmara aprovou novamente a MP, agora enviada à sanção presidencial.
A exigência de contratação de termelétricas a gás nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com a consequente obrigação de se construir os gasodutos necessários para a operação, foi um dos itens mais criticados quando da primeira votação na Câmara e também foi alvo da oposição de alguns senadores. Mas o número dos dissidentes não foi suficiente para convencer Rogério a retirar este trecho – pelo contrário, o relator no Senado dobrou a aposta, aumentando a quantidade de energia de termelétricas que o governo terá de contratar e incluindo usinas no Sudeste e outras regiões. Esta foi uma das alterações vindas do Senado e mantidas pela Câmara.
A tramitação da MP da Eletrobrás mostra que o Congresso não abrirá mão tão facilmente do uso político das estatais e fará questão de cobrar do país um preço altíssimo por essa perda de poder
O relator no Senado também avançou (no mau sentido da palavra) sobre o texto vindo da Câmara ao tornar obrigatório o aproveitamento de funcionários demitidos da Eletrobrás nos primeiros 12 meses seguintes à privatização – este remanejamento era facultativo na versão aprovada pelos deputados, que na segunda votação mantiveram a obrigatoriedade. Quando se considera que uma das críticas feitas costumeiramente às estatais é o seu quadro inchado, o único resultado possível desta exigência é ampliar ainda mais a folha de outras empresas, aumentando seus custos – divididos com o contribuinte, no caso das estatais deficitárias – e reduzindo sua eficiência.
Não bastassem os problemas no conteúdo, o Congresso ainda inovou na forma: a exigência da contratação das termelétricas foi incluída no parágrafo 1.º do artigo 1.º do texto, ao lado da previsão da privatização propriamente dita, em um período gigantesco, de 652 palavras, sem um único ponto. A legislação diz que o presidente da República pode vetar leis, artigos, parágrafos ou incisos inteiros, mas não pode vetar apenas uma frase, mantendo intacto o resto. Consequentemente, mesmo que queira, Jair Bolsonaro não poderá vetar apenas os trechos referentes às termelétricas, pois teria de cortar todo o parágrafo, inviabilizando a privatização. Este truque de redação é forte indicador da índole que moveu os congressistas no momento de alterar o texto original vindo do Ministério da Economia.
As introduções feitas no Senado agravaram as piores estimativas do custo final da privatização, que passaram de R$ 41 bilhões, que seriam incorporados à conta de energia dos brasileiros ao longo de alguns anos, para R$ 84 bilhões – governo e congressistas, por outro lado, insistem que a privatização, mesmo com todos os “jabutis”, levará a uma redução que varia de 5,1% a 7,4% nas tarifas. A título de comparação, o valor que se espera levantar com a emissão de novas ações – o meio escolhido para a privatização, ao reduzir a participação da União na Eletrobrás para menos de 50% – é de R$ 60 bilhões; desse valor, apenas uma parte, estimada em cerca de R$ 30 bilhões, vai para a Conta de Desenvolvimento Energético, fundo destinado a baratear a conta de energia elétrica.
A privatização da Eletrobrás e os jabutis (editorial de 16 de junho de 2021) A privatização da Eletrobrás e os custos para o setor elétrico (artigo de Fernando Bezerra e Raphael Carvalho, publicado em 21 de maio de 2021) Uma nova crise a caminho no setor elétrico (editorial de 1.º de junho de 2021) A desorganização causada no setor elétrico pela MP 579, assinada em 2012 por Dilma Rousseff, com fanfarra e promessas de energia mais barata, mostrou que qualquer custo adicional imposto à geração e transmissão inevitavelmente terminará na conta do consumidor final, ainda que demore. Pois é o mesmo que ocorrerá com os “jabutis” da Eletrobrás caso as previsões negativas se confirmem. E a esquerda oportunista e estatizante estará pronta para vender a narrativa que colocará a culpa dos reajustes na privatização em si, e não nos acréscimos feitos pelos congressistas. Não à toa mesmo defensores ferrenhos da redução do tamanho do Estado, como o ex-secretário Salim Mattar, mostraram seu desagrado, com deputados liberais chegando ao ponto de votar contra o texto repleto de “jabutis” na tentativa de recuperar a MP original enviada pelo governo.
Não há dúvida alguma: é preciso privatizar, deixando que a iniciativa privada cuide de tudo aquilo que tem competência para gerir, e acabando com as indicações políticas que dão margem para todo tipo de negociata, desde a nomeação de apadrinhados em troca de apoio até a corrupção pura e simples. A Eletrobrás será privatizada? Sim, mas a tramitação da MP mostra que muitos parlamentares, por trás do discurso reformista, sabem muito bem o que está em jogo quando se trata de estatais, um paraíso que tantos partidos e políticos enxergam como propriedade particular, a ponto de verem como um “direito” seu a nomeação de presidentes, diretores e gerentes. O recado enviado nos últimos dias é o de que o Congresso não abrirá mão tão facilmente do uso político das estatais e fará questão de cobrar do país – sim, porque a conta não será paga por eles – um preço altíssimo por essa perda de poder.
O mundo corporativo sempre fala coisas como “pensar fora da caixa”, “inovação”, “disrupção”, “soft skills”. Claro, é tudo meio embromação, porque se você pensar mesmo “fora da caixa”, estará na rua antes de chegar aos 50 –quando estará de fato na rua.
Queria fazer uma proposta “fora da caixa” para o mercado de consultoria. Fala-se muito em ensinar respeito à diversidade, tolerância, “soft skills”, e toda uma gama de valores que seriam fundamentais no novo mundo lindo que estamos construindo pelas mãos do marketing de causas.
Que tal lançar as garotas de programa como consultoras de negócios e comportamento? Fala a verdade, existe profissional que pratica mais a tolerância? A casa onde elas trabalham não era chamada, por nossos ancestrais, que entendiam das coisas muito mais do que nós, de casa de tolerância? Por que será? Pense, e se não encontrar a resposta, procure no Google.
Não me refiro a Madalenas arrependidas, nem a profissionais do sexo que dizem por aí que são oprimidas. Refiro-me às profissionais que são bem-sucedidas na carreira. Enfim, as que gostam do que fazem.
Tampouco me refiro à ideia de que elas jamais sonhariam em ter família e filhos. Hoje não estou a fim do blá-blá-blá – aliás, nunca estou.
A profissão mais velha do mundo –a segunda, segundo o grande Paulo Francis, seria o jornalismo– tem a consistência da permanência, expressão que está na moda entre inteligentinhos que identificam Bernie Sanders como exemplo.
De onde vem essa consistência da permanência no caso das garotas de programa? Salvam casamentos? Diminuem o estresse? Aliviam a solidão? Elogiam infelizes e brochas? Acolhem o choro envergonhado? E tudo por um preço fixo sem taxas e impostos. Conhece algum negócio mais reto?
Imagino que minha ideia não seria tão bem recebida no meio corporativo. As colaboradoras, fora as que curtem as meninas, provavelmente diriam que é machismo, patriarcalismo, assédio, enfim, usariam todas as palavras da moda que existem para cortar o barato do pensamento público.
Imaginem o que elas poderiam nos ensinar sobre a microfísica do poder e da corrupção no país e no mundo? Alguém imagina algum método mais seguro de garantir a corrupção do que o investimento nas velhas obsessões humanas? Muito mais “soft” do que chantagens, e com pitadas de enorme prazer.
Você acha que uma CPI resistiria aos depoimentos dessas meninas? Só o charme delas deixaria os senadores-consumidores de quatro, embebecidos pela beleza candidata a salvar o mundo.
Nada como uma prática que atravessa a geografia, a história, a filosofia, a religião, a política e mesmo as ciências. Em meio à peste, pessoas se arriscam por breves momentos na companhia dessas sacerdotisas da natureza humana.
Dezenas de artigos seriam escritos contra a proposta, quem sabe até manifestações na avenida Paulista a favor da liberdade sexual e contra aquelas que a praticam há milênios. Essas garotas são a prova de que a hipocrisia é a substância da moral pública.
As revoluções industriais, a inteligência artificial, enfim, toda e qualquer inovação ou disrupção cai de joelhos diante de tamanho fato sociológico, inegável.
Querem uma inovação mais radical nos currículos de humanidades em todas as faculdades do mundo? Uma disciplina ensinada por elas cujo título seria Ética da Tolerância e cuja ementa seria “o mercado do sexo garante práticas ancestrais, ‘soft skills’ e inovações comportamentais que resistem às crises de mercado e geram sucesso em todos os ecossistemas de negócios”.
Até as guerras se dobram à mais velha profissão do mundo: essas profissionais são espiãs dos dois lados, salvam vidas, denunciam criminosos.
Mesmo as religiões têm um lugar guardado para elas. Não é à toa que o ancestral poema das aventuras de Gilgamesh, da Mesopotâmia, dá a elas um papel formador na vida dos grandes líderes quando jovens.
Essas garotas são a prova cabal de que a vida das paixões tem um lugar especial no coração dos sentimentos morais, sejam eles alegres ou tristes.
Boa semana e lembre que ainda existe alguém que tolera você no mundo. Quem for puro de pecado, que atire a primeira pedra. Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luiz-felipe-ponde/atirem-a-primeira-pedra/
Bolsonaro já deixou claro ao ministro Paulo Guedes sua preocupação com aumento de impostos para qualquer um dos setores empresariais.| Foto: julio Nascimento/PR
Uma das dificuldades em se chegar a consensos na reforma tributária fatiada não é apenas técnica e econômica, mas também política. Desde sua campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro fez aliados e assumiu compromissos junto a empresários de todos os setores da economia. Agora, ele está preocupado em não pesar mais a “carga” sobre uma atividade em detrimento de outra ou mais.
A construção das “fatias” restantes da reforma tributária pelo Ministério da Economia se arrasta devido a dificuldades encontradas pelo ministro Paulo Guedes em buscar o ponto de equilíbrio que traga menos impactos para a indústria, o comércio, os serviços e a agropecuária, como mostrou a Gazeta do Povo.
Mas até esse consenso mínimo tem sido um desafio. Ainda mais diante dos apoios que Bolsonaro construiu junto a empresários. O presidente da República não pressiona ou interfere nos debates sobre a agenda, mas deixou a Guedes clara a preocupação e a contrariedade quanto a um possível aumento de carga a qualquer setor.
Como os setores podem ser impactados na reforma tributária O agronegócio é um dos setores que pode ser atingido na reforma tributária fatiada. Na reforma do Imposto de Renda, por exemplo, para ampliar a isenção do IR da pessoa física (IRPF) de R$ 1,9 mil para R$ 2,3 mil, como planeja Paulo Guedes, a equipe econômica estuda rever a isenção fiscal da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) — um produto financeiro — para compensar o reajuste do piso de isenção do IRPF.
A isenção fiscal para um título como a LCA incentiva investidores a direcionar suas escolhas de investimento. Tal como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) é um produto que aquece o mercado imobiliário, ela ajuda a financiar plantios e a produção agropecuária.
Uma revisão sobre a isenção da LCA causaria, consequentemente, um aumento da carga tributária a um título financeiro considerado importante para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Algo que Bolsonaro é contrário.
“Dentro da reforma do IR de pessoa física teríamos que compensar com extensão da taxação em cima da letra [de crédito] da agricultura e outros tipos de aplicação incentivadas que seriam taxadas em alíquota única”, afirma um interlocutor do Ministério da Economia. “Mas o Palácio [do Planalto] teme que haja reação da área da agricultura”, complementa.
A indústria e os setores de comércio e serviços são outros setores que podem ser impactados pela reforma tributária fatiada. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), texto já enviado pela equipe econômica ao Congresso para propor a unificação do PIS e Cofins, enfrenta resistências da indústria.
O projeto de lei original da CBS previa alíquota de 12% para todos os contribuintes, mas, na semana passada, Guedes anunciou possíveis mudanças, com uma alíquota mais baixa, de 8%, para o setor de comércio e serviços, enquanto a alíquota da indústria permaneceria em 12%. Os industriais são contrários, e o setor terciário diz que, sem um tratamento diferenciado, não há reforma tributária.
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QUERO RECEBER Receio de Bolsonaro em desagradar aliados dificulta a reforma tributária Em meio às disputas setoriais está Guedes, que dialoga com empresários de todos os setores a fim de mitigar ao máximo os impactos, ciente de que os desconfortos não ajudam a prosseguir com a agenda. “Onde se mexe tem reação de um lado e do outro, e tem que ir para negociação”, diz um interlocutor da equipe econômica.
Assessores de Guedes e empresários que dialogam com o ministro afirmam que ele está disposto a buscar o melhor acordo possível junto aos setores produtivos, mas que não vai ceder a lobbys. A única forma de se chegar a uma reforma tributária que agrade a gregos e troianos, segundo ele, é com a aprovação de um imposto sobre transações digitais aos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF).
Contudo, diante das dificuldades políticas em se aprovar uma nova CPMF, alguns empresários do setor terciário estão pouco confiantes sobre as chances de aprovação da reforma tributária. A leitura é que, na tentativa de não desagradar nenhum setor, Bolsonaro não se empenhará em apoiar a aprovação da reforma tributária.
“Se a indústria esticar muito a corda, não vai ter nenhuma reforma. Bolsonaro não vai entrar em guerra com o setor de serviços às vésperas das eleições. Seria muita gritaria”, diz um grande empresário do setor de serviços. “Ele [Bolsonaro] não tem mais um ano e meio [de governo]. Ele tem até setembro [para aprovar a reforma], outubro estourando”, complementa, em referência ao período eleitoral.
Sem Bolsonaro usar seu capital político para intermediar as conversas com representantes dos setores produtivos e ele próprio enfrentar as divergências em busca de um ponto de equilíbrio para a reforma, a leitura feita entre empresários é que essa agenda vai caminhar com o “freio de mão” puxado.
“O presidente é super atencioso com nós [empresários]. Por isso, acho muito improvável que ele vai buscar atrito com os dois lados [indústria e serviços] neste momento. Pode até colocar lá no Congresso [as ‘fatias’ restantes da reforma], mas não acredito que ele vai brigar para aprová-las”, destaca um grande empresário do varejo.
O governo quer pagar bolsa de R$ 300 a jovem “nem-nem” que participar de programa de qualificação em empresa. Qual a sua opinião? Concordo Discordo Como é a relação de Bolsonaro com o agro, a indústria, o comércio e os serviços A agropecuária é um dos setores que Bolsonaro melhor prestigiou e menos quer desagradar na reforma tributária. A Gazeta do Povo mapeou na agenda oficial do presidente da República que, desde janeiro de 2020, ele cumpriu seis agendas voltadas exclusivamente para o agronegócio.
No mesmo período, a indústria foi o setor mais atendido. Em 16 ocasiões diferentes com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Ele também atendeu em três ocasiões representantes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Por duas vezes, também recebeu o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, sendo que, em uma das ocasiões, esteve acompanhado de representantes de 14 segmentos da indústria.
Tamanha proximidade entre Bolsonaro e os empresários da indústria criou laços políticos entre o presidente e o setor. E agora, nas discussões da reforma tributária, os empresários cobram um apoio do governo, admite o deputado federal Newton Cardoso Jr. (MDB-MG), presidente da Frente Parlamentar Mista Nacional da Indústria (FPI).
“A maior parte dos industriais no país é fortemente apoiadora do presidente Bolsonaro. Não sei dizer se a elite industrial, mas a grande parte da pequena e média indústria nacional sempre o apoiou, e acredito que ainda siga nesse caminho, por opção política. Agora, de fato, penso que a falta de um posicionamento firme a favor desse setor está comprometendo esse apoiamento”, diz Cardoso.
Já o deputado federal Laércio Oliveira (PP-SE), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor de Serviços, entende que Bolsonaro não tem que tomar partido por um setor ou outro e age corretamente ao não manifestar apoio. Tampouco acha que a falta de manifestação impacta as chances de aprovação da reforma.
“A disposição do presidente da República nessa discussão que nem começou ainda é exatamente aquilo que poderia ser neste momento. O presidente não precisa entrar neste momento em nenhuma bola dividida, não deve comentar o assunto porque está fora do script dele”, diz Oliveira.
O setor de comércio e serviços é outro muito ouvido por Bolsonaro. Só este ano, ele esteve em três agendas com representantes de ambas as atividades. Além disso, participou de um jantar em abril onde foi ovacionado e chamado de “mito” por alguns empresários. Em 2020, prestigiou empresários em duas agendas oficiais.
VEJA TAMBÉM: Tempo que empresas gastam com impostos no Brasil é o maior do mundo, diz Banco Mundial O que se sabe da “renda básica de cidadania”, que o STF obrigou o governo a pagar Lira diz que governo deve entregar projeto que altera IR na próxima semana Fatiamento blinda alguns setores, critica Frente Parlamentar da Indústria A indústria é o setor mais avesso à ideia de fatiamento da reforma tributária. O deputado Newton Cardoso Jr. faz críticas contundentes contra a ideia vigente, proposta por Guedes e aceita pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
“Reforma tributária só tem uma, a PEC [proposta de emenda à Constituição] 45/2019. O fatiamento representa a morte da reforma tributária e a blindagem de alguns setores que não aceitam o aumento de tributação”, diz Cardoso. “Mas eu entendo esses setores, é compreensível e razoável em um país que tem quase 40% do PIB [Produto Interno Bruto] em termos de tributação”, destaca Cardoso.
O presidente da Frente Parlamentar Mista Nacional da Indústria (FPI) questiona, no entanto, o atual contexto político em que o governo discute duas alíquota para a CBS, na qual a indústria seria mais tributada que o setor terciário.
“O presidente [Bolsonaro] precisa avaliar qual é a proposta que ele tem para a indústria, que é o único setor que tem chances de garantir estabilidade e recuperação econômica”, diz Cardoso. “Não podemos acreditar que as commodities serão eternamente sustentadoras da nossa exportação e do nosso eventual superávit primário, que nem acontece mais, estamos com déficit primário”, acrescenta.
Para Cardoso, Bolsonaro tem todas as chances de continuar sendo referência entre os empresários da indústria, mas que pode depender da equipe econômica revisar sua proposta. “Da forma como anda, a equipe [de Guedes], com medo de perder arrecadação, acaba desacreditando o futuro da expansão da indústria no Brasil”, critica.
Frente Parlamentar dos Serviços defende alíquota diferenciada Na contramão da indústria, o setor terciário defende uma alíquota diferenciada da CBS por entender que, na prática, a atividade paga, proporcionalmente, mais impostos do que os industriais. “A indústria teria uma alíquota de 12%, só que, na cadeia produtiva, ela compensa tudo, praticamente. O setor de serviços, não”, diz o deputado Laércio Oliveira.
O parlamentar faz referência aos chamados créditos tributários. A legislação prevê benefícios fiscais concedidos para determinados segmentos da indústria, que podem ser tomados em créditos tributários em alguns casos. Em março deste ano, Guedes acusou o que considera ser uma “indústria de crédito tributário” no país. “Acho que o Judiciário tem que dar uma olhada pra esse negócio aí”, disse, em entrevista à rádio Jovem Pan.
Com os créditos tributários, Láercio Oliveira entende que, em vez de uma alíquota de 12%, a indústria conseguiria reduzir, via compensações, para abaixo de 8%. “O setor de serviços, que não tem o que compensar, fica com 8%. Queremos colocar luz em cima da reforma para que a gente consiga avançar exatamente nisso”, diz.
O presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor de Serviços destaca, contudo, que o debate acerca das alíquotas da CBS ainda vai se desenvolver na Câmara. “Ainda é uma coisa que se discute bastante. É um debate que vai ser posto à mesa nos próximos dias, mas tenho a impressão por tudo o que eu ouvi que vamos avançar positivamente”, afirma.
Diferentemente do pensamento da indústria, Oliveira defende a reforma tributária fatiada. “Esse modelo que o governo federal tenta apresentar através do Ministério da Economia é inteligente, vai ter bom êxito nas tratativas que serão enfrentadas. O debate vai ser acalorado, existem alguns nichos que já estão definidos, mas precisamos avançar para equilibrar a carga tributária, eliminar ao máximo a burocracia e oferecer segurança jurídica”, destaca.
Frente Parlamentar da Agropecuária vai atuar contra aumento de carga Enquanto a indústria, o comércio e os serviços se digladiam em uma das “fatias” da reforma tributária, a agropecuária promete enfrentar o governo em outra área da agenda econômica. A ideia de rever a isenção fiscal da LCA para compensar o reajuste do piso de isenção do IRPF repercutiu mal no setor.
O deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirma que vai procurar Guedes para conversar e evitar qualquer aumento de tributação para o setor. “Não concordamos com qualquer aumento de carga tributária. Não tem nenhum setor no Brasil que está dando a resposta para o crescimento da economia como o agro”, destaca.
Em tom crítico, Souza também questiona o fatiamento da reforma tributária e o ritmo de discussão da matéria. “A reforma tributária ficou sepultada por quase um ano e, agora, retoma, mas de maneira muito devagar numa conversa de que pode ser fatiada e que ninguém entendeu ainda o que é esse fatiamento”, diz.
O presidente da FPA defende impostos mais “justos” em algumas áreas atualmente “travadas” pela alta carga tributária em uma reforma capaz de desburocratizar o país. “O maior custo para o empresário está dentro dessa burocratização que tem. Hoje, os investimentos estão muito travados porque uma empresa que tem extensões em uma meia dúzia de estados tem que ter uma banca de advogados e contadores em cada. Isso encarece o custo de produção”, analisa.
O emedebista reconhece que o governo não tem condições de abrir mão de arrecadação na reforma, mas alerta que a sociedade também não tem condições de pagar mais impostos. “É na reorganização que o governo vai efetivar sua receita e ajudar os setores produtivos e a economia a crescer. Sei que tem alguns pontos que precisam ser organizados, mas precisamos ter cuidado de maneira bem pontual com as questões que envolvem o nosso setor [agro]”, pondera.
Com sua locomotiva ‘Mallard’, o engenheiro Nigel Gresley definiu um inusitado recorde e continua invicto desde junho de 1938
Fabio Marton – UOL
Fotografia da locomotiva Mallard – Ben Brooksbank/ Creative Commons/ Wikimedia Commons
Nos últimos anos de sua vida, o engenheiroSir Nigel Gresley, responsável pelas mais icônicasmáquinas na rede ferroviáriabritânica, adquiriu um hobby: criar patos selvagens. Isso explica sua aparentemente estranha decisão de batizar sua locomotiva campeã de pato (“mallard”). A Mallard, locomotiva número 4468, chegou a 203 km/h em 3 de junho de 1938,recorde ainda hoje não superadoentre locomotivas a vapor.
Era um dos 35 exemplares de LNER (London and North Eastern Railway) Class A4. Estreando em 1935, essas máquinas foram projetadas parauma velocidade de cruzeirode 160 km/h, ideal para longas viagens. No pós-guerra, passou a fazer a linha Londres-Edimburgo, de 632 quilômetros, em seis horas e meia.
A A4 era uma streamliner (literalmente “[feita com] linha de fluxo”, mais propriamente “aerodinâmica”). Com a evolução da aviação na Primeira Guerra, houve um radical avanço no conhecimento de aerodinâmica. Trens com esse formato, a vapor ou diesel, eram a promessa do futuro nos anos 30. O A4 foi usado até 1963.
1. Propulsão
Fotografia da locomotiva em movimento / Crédito: Ben Brooksbank/ Creative Commons/ Wikimedia Commons
O Classe A4 era um motor a vapor clássico a pistão (na época, a turbina de vapor já era uma opção). Uma fogueira de carvão faz a fumaça passar por uma série de tubos, numa caldeira, fazendo a água ferver e se pressurizar. Isso move os três pistões de vapor abaixo da caldeira, que transmitem seu movimento às rodas.
2. Estilo
O primeiro streamliner foi o experimental Schienenzeppelin (zepelim de trilhos), um trem movido a hélice de avião, de 1929. Extremamente perigoso para os passageiros, não deu em nada. Mas a aerodinâmica, sim. Nos anos 30, se estenderia não só para carros como até para a arquitetura, no movimento Art Déco.https://8a93ce709e4477aed0c7f77829d551ae.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
3. Rodas
Fotografia da locomotiva em abril de 1963/ Crédito: 4975darwin/ Creative Commons/ Wikimedia Commons
O esquema de rodas era o clássico 4-6-2: quatro rodas guia, pequenas e sem tração, para facilitar curvas; seis rodas motrizes; e duas rodas portantes, para segurar o peso da fornalha. As rodas motrizes eram gigantescas, com 2,03 metros de diâmetro. Proporcionavam tração sem girar de forma perigosamente rápida.
4. Visibilidade
Uma das vantagens do estilo aerodinâmico era que a carroceria forçava o ar para cima, tirando a fumaça da frente do trem. Ainda que as janelas fossem minúsculas, os condutores do Classe A4 tinham uma visibilidade bem acima da média.https://8a93ce709e4477aed0c7f77829d551ae.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
5. Ecológico
Fotografia da locomotiva no Museu Ferroviário Nacional da Inglaterra / Crédito: Getty images
Além da aerodinâmica, o formato da caldeira e a chaminé dupla especial introduzida no Mallard e adotada nos anos 50 nas outras locomotivas da série fazia com que os trens economizassem até 2 quilos de carvão por quilômetro rodado.
O último ano trouxe mudanças significativas no mercado e na forma de trabalhar, e ter sucesso profissional é mais que nunca um sonho para a maioria das pessoas. Embora seja difícil mapear exatamente o que determina esse sucesso, conseguimos reunir alguns ingredientes que não podem faltar, tais como:
Produtividade e foco: a dificuldade de concentração tem sido grande vilão do sucesso. Perde-se muito tempo sem concluir nada de produtivo. É como andar em círculos: existe o movimento, mas não se sai do lugar. A perda de foco e a divagação mental fazem com que uma pessoa passe horas na frente do computador sem concluir a tarefa. Ou então gasta-se horas num trabalho que poderia ter sido concluído em minutos.
O bom uso da inteligência: não adianta ser inteligente, é preciso colocar essa inteligência para trabalhar. A capacidade avaliativa de uma ação determina o uso prático da inteligência. Há quem, no ambiente de trabalho, por medo de errar, ou por outro motivo qualquer, desligue a capacidade de pensar, tornando-se pouco inteligente.
Proatividade: uma pessoa pró ativa antevê e antecipa a solução de problemas. O contrário de proatividade é passividade, lentidão, características incabíveis no mercado de trabalho dinâmico atual.
Inteligência emocional: é composta por duas frentes: interpessoal e intrapessoal. A primeira tem a ver com a habilidade de uma pessoa em se relacionar bem com as demais. Trata-se da competência para interagir de maneira fácil com os colegas. Quanto maior a habilidade relacional, maior a liderança natural. Já a segunda, a intrapessoal, revela o nível da maturidade emocional. Tem a ver com a capacidade que temos de lidar com as nossas próprias emoções. É o reconhecimento, domínio e principalmente controle daquilo que sentimos. Pessoas com essa competência desenvolvida tem maior estabilidade emocional e comando sobre a própria vida. Geralmente são as mais valorizadas no ambiente de trabalho devido ao seu equilíbrio psíquico.
Ousadia: ingrediente fundamental, pois surge da mistura da autoconfiança, perspicácia e sobretudo coragem (de errar e suportar o fracasso). A ousadia permeia a história de sucesso de grandes executivos e empreendedores.
Disciplina: essa característica não pode ser confundida com motivação. A motivação oscila e geralmente está vinculada a algum desejo externo que, quando enfraquecido, leva junto a motivação. Já a disciplina é algo inegociável que cumprimos independentemente da vontade. É um compromisso imprescindível, como tomar banho, por exemplo, tarefa vinculada à necessidade e não à vontade. A disciplina é tão poderosa que pode transformar um profissional tecnicamente mediano em um funcionário de muito valor devido ao nível de comprometimento que ele estabelece com o trabalho.
QUEM SOMOS
A Plataforma Comercial da Startup Valeon é uma empresa nacional, desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade, ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como vantagem competitiva.
Nosso principal produto é a Plataforma Comercial Valeon um marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das empresas da região e alavancar as suas vendas.
A Plataforma Comercial Valeon veio para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.
Diferenciais
Eficiência:A Valeon inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
Acessibilidade:A Valeon foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial , demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
Abrangência:A Valeon atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona.
Comprometimento:A Valeon é altamente comprometida com os seus clientes no atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro-região do Vale do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.
Missão:
Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade, comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.
Visão:
Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando relacionamentos duradouros.
Valores:
Integridade – Ética e Transparência
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